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Ás do volante, camarada dos Playmobils e viciada em sorvete.

Sorria

Eu lembro que tinha uns oito anos. E que o telefone tocou. Lembro que saí correndo pra atender, porque devia ser o meu pai – e como o meu pai viajava feito caixeiro, falar com ele era uma festa. Lembro que era ele mesmo, e que estava com voz contente. Provavelmente porque os negócios tinham dado certo. E mais provavelmente ainda por causa do que ele disse: “O pai está aqui em Salvador, Flá. Ó, que chato: de frente pro mar, comendo camarão!”. Nunca mais esqueci. E por 25 anos engoli, com camarão no prato ou sem, o sonho de conhecer Salvador. Felizmente, ele se concretizou.

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Fla Wonka em 16 de junho de 2008


Vai namorar? Pergunte-me como

Há pouco mais de um mês, uma simpática editora de revista feminina veio até nós com um desafio: responder a ela algumas perguntas para ajudar moçoilas a saber se o “rolo” era namoro – ou se jamais sairia da categoria “rolo” mesmo. Respondemos, como sempre, levando na brincadeira e usando do bom humor. Mas começo de relacionamento é coisa séria, nós sabemos. Para quem está na dúvida sobre como lidar com a situação nesse Dia dos Namorados, aviso que o auxílio à moça da revista foi fichinha. Na verdade, tenho aqui o prospecto de um genuíno “Curso Completo para Início de Namoro”. É tiro e queda, minha gente.

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Fla Wonka em 12 de junho de 2008


E pra sua avó também

Por muitas vezes a gente pensa que, por ter nascido na era que conta com os games, os iPods, as TVs de plasma e os descascadores de alimentos, temos o melhor de tudo. A gente pensa também que nenhuma fase do cinema foi tão divertida, bacana e cabeça como a nossa – mesmo vendo as telas recheadas com a vigésima continuação de “Jogos Mortais”. A gente pensa, inclusive, que os filmes antigos “até que são legaizinhos”, mas que servem muito mais para as nossas mães e avós. A gente devia pensar melhor.

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Fla Wonka em 9 de junho de 2008


Eu sou descrente

Eu não acredito em fantasmas, mas não levanto depois de ter apagado a luz porque certamente o monstro debaixo da cama me puxaria pelas canelas.

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Fla Wonka em 5 de junho de 2008


À distância

Eu sei que minha amiga Taís está ótima lá em Londres e até fiz um tour virtual em fotos pela casa dela. Falei com a Bia em Paris e ela me contou que o calor já começou a pegar forte – e a vi, por imagens, na escola de natação muito divertida na qual a doida se enfiou. Telefonei para o Paulo e, para minha total surpresa, o cara não estava aqui em Pinheiros. Estava na Venezuela. Eita, como hoje a vida é mágica na hora de minimizar distâncias.

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Fla Wonka em 2 de junho de 2008


Nomes incelebráveis

Soube de uma pessoa que está grávida e terá uma meninina muito em breve. Só não sabe ainda se ela vai se chamar Juscelina ou Trinidad. Todo mundo que soube quase vomitou de horror por causa das opções. Mas se a mulher em questão fosse celebridade, ninguém poderia falar nada. Certamente iriam achar “exótico”. Será?

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Fla Wonka em 29 de maio de 2008


Inspira, estica, contrai, alonga

Tênis é enjoativo e duro de aprender. Natação dá preguiça de ir por causa daqueles vestiários pegajosos. Artes marciais são caras pro meu bolso. Correr na rua é perigoso tanto pelos carros quanto pela poluição. Ioga é para os profundos, e eu sou rasa. Aeróbica é uma idiotice sem tamanho e eu me recuso a ficar subindo e descendo de uma caixa ao som de Ivete Sangalo. Dada essa frescura intrínseca, praticar exercícios sempre foi projeto “pro ano que vem”. Agora o ano chegou. E eu estou fazendo uma atividade onde só os fortes sobrevivem. Os fortes e concentrados.

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Fla Wonka em 26 de maio de 2008


O ócio deve ser criativo – e permitido

Às vezes sinto que deveria me candidatar a algum cargo público. Não tenho a pretensão de achar que posso resolver a fome no país ou riscar do mapa, de vez, estes traficantes filhos de uma égua. Talvez minha contribuição seja mais eficaz no âmbito da rotina classe média. Alguém me apóia se eu virar senadora e instituir um dia de "Folga Oficial"?

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Fla Wonka em 22 de maio de 2008


A prosaica máquina do tempo

Doutor Brown e Marty McFly que me desculpem, mas eu não teria grandes eventos a cumprir caso conseguisse, afinal, botar minhas mãos no volante de um veículo viajante do tempo.

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Fla Wonka em 19 de maio de 2008




No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold