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Ás do volante, camarada dos Playmobils e viciada em sorvete.

Garmice

É uma palavra tão nova que nem consta nos dicionários. Aliás, nem irá constar – a não ser que o poder de influência deste humilde sítio seja um bilhão de vezes maior do que presumo. O termo que nomina este texto foi uma corruptela criada incrivelmente sem querer e de modo bastante... er... bobo. O bom é que ela, hoje em dia, resume algumas situações de modo que nenhum outro vocábulo pode. Garmice. Anotem isso aí, pois cada um de nós tem vestígios dela.

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Fla Wonka em 26 de maio de 2005


Amigo do bom

Há quem possa contá-los apenas nos dedos da mão direita. Há quem encha uma boa bacia com seus nomes. Há quem conheça hoje e, amanhã, já se sente íntimo. Há quem leve dois anos para concretizar uma amizade. Ter amigos é tão necessário quanto ter água para beber, comida para comer e o CD dos Saltimbancos para ouvir em uma manhã ensolarada de domingo. Somar conhecidos é fácil. Difícil, porém, é ter um comparsa perfeito para chamar de seu.

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Fla Wonka em 23 de maio de 2005


Amor, o sujeito de mil faces

Segundo apreciadores de rima ruim, ele é “uma flor roxa que nasce no coração do trouxa”. Felizmente, o amor já suscitou versinhos bem mais ricos e otimistas do que esse – e também infinitas canções. Se olharmos para o setor musical tentando definir o sentimento, aliás, dá para ficar louco. São tantas as possibilidades que nem sabemos se quem está certo é Paul McCartney ou Nando Reis. Quem será, afinal, esse tal de amor?

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Fla Wonka em 19 de maio de 2005


Abracadabra? Só se for agora

Em mais algumas semanas estreará nas telonas um filme bacaninha. É a versão cinematográfica de “A Feiticeira”, série de sucesso nos anos 60 que levava Elizabeth Montgomery, atriz adorável, no papel-título. Lembram das aventuras de Samantha? A moça era bruxa, mas queria viver como mortal e se ocupar de todas as tarefas como uma pessoa comum. Podia fazer as melhores mágicas, porém escolhia operar o aspirador de pó como qualquer outra. Aquela palerma!

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Fla Wonka em 16 de maio de 2005


Independência ou morte!

Muito bem, vamos lá. É chegada a hora de você deixar de ser um filhinho da mamãe. Não entenda isso mal, mas já estava até se tornando ridículo, sabe? Ser uma pessoa assim tão apegada nas barras de saia alheias não fica nada bem. Felizmente, as regras para se transformar em alguém mais desapegado, proprietário vitalício do próprio nariz, são bastante simples. Preparado? Então lá vai.

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Fla Wonka em 12 de maio de 2005


Travestis da sétima arte

Como dizem os vovôs que sofreram muito durante guerras e se tornaram pessoas endurecidas, artista é tudo malandro. Tudo gente safada. Eu não boto minha mão no fogo por nenhum deles. Opa, encosto, sai deste corpinho que não te pertence! Os vovôs podem acreditar nisso, mas não eu. Adoro quando atores ou atrizes se dispõem a largar o orgulho de lado e, digamos, “passar para o outro lado”. Homem vestido de mulher, mulher vestida de homem... Artista é tudo safado mesmo – o que é hilário!

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Fla Wonka em 9 de maio de 2005


Quando eu vier como eles

Se reencarnação existe ou não, a mim pouco importa. Estou me obrigando a acreditar nela de qualquer jeito, mesmo que o mais sério cientista prove o contrário. Ter a certeza hindu de que a próxima vida sempre vem é uma maravilha! Imagine o tanto de coisas que podemos sonhar fazer, mudar! Na encarnação vindoura, que acontecerá logo depois desta aqui, eu acho que seria bom vir como um rapaz, em vez de garota.

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Fla Wonka em 5 de maio de 2005


Um declive e tanto

Quando eu era pequena, poucas coisas eram capazes de me deixar tão entusiasmada quanto a Serra do Mar. Tudo bem, a verdade é que eu não dava a menor pelota para a serra em si, sua mata virgem ou o aspecto sócio-ambiental da coisa. Aquela porção montanhosa era tão querida somente por um motivo: ligava minha cinzenta, boboca e humilde São Bernardo ao ensolarado, divertido e esplendoroso litoral paulista. A viagem levava apenas uma hora, mas era uma vida de alegria.

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Fla Wonka em 2 de maio de 2005


Empresta um saco de papel?

Eu sou desastrada. Para total desespero, essa peculiaridade vem acompanhada de outra: sou também muito, mas muito envergonhada. Bastou ficar um pouco avexada, já demonstro bochechas cor de tomate maduro, mãos suadas, joelhos trêmulos e aquela sensação de ter um paralelepípedo enfiado bem no meio da goela. Ignorar as situações de embaraço não dá. Ainda mais quando é embaraço extremo, daqueles em que eu desejaria ter a cachola coberta por um saco de supermercado.

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Fla Wonka em 28 de abril de 2005




No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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