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Ás do volante, camarada dos Playmobils e viciada em sorvete.

Samba do italiano doido

Como tanta gente boa, ele nasceu e morreu pobre. Pobre mesmo, de pedir ajuda aos parentes e amigos. O caso é que todo o dinheiro ganho com a música foi diluído nas beberagens do botequim. Pudera: se suas incríveis canções nasceram mesmo foi do bate-papo com amigos, entre uma birita e um torresmo, porque haveria de se afastar deles? Foi em meio às pinguinhas e os sambinhas que viveu o grande Adoniran Barbosa.

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Fla Wonka em 27 de junho de 2005


Como é bom ser sith

Sempre achei muito cômodo ser bandido. Não há regras para eles. É só pisar sobre os livros-guias da boa educação, do decoro e da honestidade e mandar ver para cima dos bonzinhos. Gente ruim pode tudo. Os legais, por sua vez, passam anos comendo grama. No final, costumam se dar bem, enquanto o malvado queima em um poço de piche ou se afoga no ácido. Mas nesta altura da vida começo a achar que é melhor ir ao Lado Negro da Força, porque ser Jedi dá um trabalho louco.

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Fla Wonka em 23 de junho de 2005


Lava a boca com sabão!

Quando eu era criança, qualquer brincadeira em grupo só podia resultar em violência. Fosse uma partida de alerta, barra-manteiga ou corre-cotia, tudo sempre acabava em tapas, rasteiras, choro e, óbvio, xingamentos. O palavreado chulo permeou toda a minha infância – afinal eu sou de família italiana e praguejar é nossa atividade predileta depois de comer. Bom, eu sempre fui uma adepta dos palavrões. Com a idade chegando, porém, eles estão ficando mais amenos. Ou não?

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Fla Wonka em 20 de junho de 2005


Crossover

E então ela surgiu na porta, apoiou os dois braços nos batentes e disse para todos ouvirem: “o Bira matou a Yasmin!”. Essa era minha irmã. O ano era 1992. Estava no ar, no horário das 20h00, a novela “De Corpo e Alma”. E quando estas variáveis se unem, eu sei que nada é o que parece. Porque, na minha família, todo mundo tem mania de misturar ficção e realidade – e os nomes dos artistas com seus respectivos personagens.

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Fla Wonka em 16 de junho de 2005


Mamãe, tradutora e intérprete

Bebês são tão fofos, lindos, cheirosos e macios! Tão doces, tão perfeitos, tão divertidos de se observar por toda a tarde. Olhando para minha filhinha de quatro tenros meses, eu fico pensando... Ô fase maldita deve ser essa de neném! Não se pode fazer nada, nada. Você depende dos outros para comer, beber, vestir, banhar, limpar seu traseiro. É como ser um lutador de sumô, mas sem a glória. E o pior de tudo: nunca se sabe se os demais irão interpretar seus gritinhos com precisão.

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Fla Wonka em 13 de junho de 2005


Fachada renovada, riso garantido

Ah, a beleza... Bem afortunados os que nascem com ela, ostentando cabelos sedosos, rosto esculpido a cinzel, pele de neném e “tudo no lugar”, como diria a vizinha Mirtes. Já outros precisam conseguir essas coisas na base da funilaria e pintura mesmo, apelando para cremes, químicas, tintas, escova, alicate, chave-inglesa, serrote e o que mais for necessário. Esse segundo grupo costuma ter um ponto de encontro. Chama-se salão de beleza. O lugar mais divertido, inusitado e malucão que existe.

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Fla Wonka em 9 de junho de 2005


A gente nunca, nunca esquece

Tudo o que acontece pela primeira vez é inesquecível. Tudo bem, nem tanto assim... Eu já detelei há tempos da memória coisas como o meu primeiro Miojo ou a estréia no quesito andar de ônibus. Mas outras ficaram guardadas em um cantinho especial da cabeça. São coisas que jamais deixaram a mente – mesmo sendo ainda muito jovem para entender a dimensão do caso. Se a primeira vez a gente nunca esquece, eu sempre contabilizarei um monte de lembranças.

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Fla Wonka em 6 de junho de 2005


Só em novela mesmo...

Minha vó Ondina era uma senhora divertidíssima. Com ela, tudo era legal: fazer suspiros, pular corda, contar piada boba, ouvir Tonico e Tinoco. Mas nada, nada era mais bacana do que ver novela ao lado da vovó. A velhinha se embrenhava tanto na trama que, em poucos minutos, estava mandando a mocinha deixar de ser boba e classificando o vilão como “ó que bandido!”. Até mesmo ela, porém, sabia que os folhetins sempre forçavam a barra. E, nessa cena, lá vinha Dona Ondina balançar a cabeça, fazer um ar de desdém e dizer “só em novela mesmo...”.

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Fla Wonka em 2 de junho de 2005


Efetivação já!

Só quem já foi, sabe: é dura a vida de um pobre estagiário – com o perdão desse pleonasmo “pobre estagiário”. Remuneração miúda, trabalho que ninguém mais quis e bronca sem sentido são apenas alguns dos sapos que os abnegados enfrentam. Ruim mesmo é lembrar que, a despeito disso, muitos deles salvam suas empresas diariamente, apesar de serem tratados como material de escritório, um objeto que se compra em papelaria.

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Fla Wonka em 30 de maio de 2005




No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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