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Invenção de brincadeira Então a cena apareceu na tela da nossa Telefunken e eu paralisei: encontrei, naquele dia de 1989, a profissão dos sonhos. O filme em questão era a febre do momento e se chamava “Quero Ser Grande”. Tom Hanks, um rapaz que ainda não tinha ganhado sequer Oscar de chocolate, encarnava o menino que pediu para ter 30 anos – e, num passe de mágica, acordou crescido e com alma de infante. A tal cena mostrava Tom se esbaldando em uma sala com os mais diversos brinquedos. Era isso o que o menino-adulto fazia, testava brinquedos. Era o que eu queria também. Fla Wonka em 28 de julho de 2005 Ei, Tim Burton, cadê o meu cupom? Ele fez mesmo. Quando o boato sobre uma nova versão de “A Fantástica Fábrica de Chocolate” começou, há três anos, eu jurava que era mentira. Na verdade, acho que era mais uma auto-indução de quem não queria acreditar na ameaça. Sim, porque eu assisto tudo o que é remake, mas admito que eles geralmente não agradam como o original. Por isso ver meu filme predileto refeito era tratado como “ameaça”. Mas ele fez. Tim Burton – o diretor, o homem, o mito – fez. Neste momento gostaria de ser um polvo, para dar todos os meus oito braços a torcer. Continue lendo "Ei, Tim Burton, cadê o meu cupom?"Fla Wonka em 25 de julho de 2005 Cante com os políticos Se eles fossem bons administradores como são compositores, o Brasil teria a renda per capita de Mônaco. Políticos deveriam investir em cursos de finanças e faculdades de gestão pública, mas em vez disso preferem gastar fábulas na criação de campanhas atraentes. Péssimo para o nosso bolso – pois hoje sabemos de onde sai a verba para tal publicidade –, ótimo para a memória. Porque em nenhum outro país do mundo existem tantos jingles políticos sensacionais para guardar na lembrança. Continue lendo "Cante com os políticos"Fla Wonka em 21 de julho de 2005 Contrata-se ama-seca Observo a conta corrente e me sinto picando cebolas: os olhos vertem lágrimas. Não há verba sequer para um novo sapato, quanto mais para pedir aquela ajuda tão necessária, a de uma babá. Claro, minha bebê não dá trabalho e nem precisa de supervisão profissional. Apenas a mamãe aqui pode dar conta das refeições, sonecas, caquinhas, banhos, brincadeiras e que tais. Porém, se em um cenário fantástico eu precisasse de alguém para ajudar, já sei quem contrataria. Continue lendo "Contrata-se ama-seca"Fla Wonka em 18 de julho de 2005 Brega in Rio O Brasil vai parar por três dias! Milhões de megawats de potência serão ouvidos por todas as partes do país em uma celebração máxima da música popular. O maior festival já visto em nossas terras está prestes a começar – e você não pode ficar fora dessa! Esqueça as famosas bandas estrangeiras que necessitam de 250 toalhas de rosto no camarim... Nesta orgia de sons e luzes, ninguém vai ficar parado, pois o melhor da MPB está para chegar! Continue lendo "Brega in Rio"Fla Wonka em 14 de julho de 2005 Adictos Vício é que nem bunda: todo mundo tem, mas acha melhor esconder – e não é bonito ficar falando do formato alheio. Sim, porque ninguém, ninguém em todo o mundo, está livre dos vícios. Todas as pessoas que conheço possuem sua versão. Uns conseguem pegar leve, outros são maníacos que chegam a dar medo. Eu não gosto de ficar falando dos vícios alheios, sabe... Mas que todos guardam um quê de obsessão no fundo do armário, lá isso guardam. Continue lendo "Adictos"Fla Wonka em 11 de julho de 2005 Síndrome de Cinderela Era uma árdua tarefa separar as minhas mãos roliças de cinco anos do livro de fábulas. Encadernado em um grande calhamaço de desenhos bonitos e texto cativante, a obra ficava no armário da sala – e recebia minha visita semanal. Passava os olhos por Branca de Neve e seus amiguinhos de estatura reduzida, por Bela Adormecida e a roca, pelo Lobo, o Prático e aqueles dois outros porcos idiotas. A predileta, porém, era Cinderela. Li essa história tantas e tantas vezes que o roteiro deve ter entranhado nos meus genes. Continue lendo "Síndrome de Cinderela"Fla Wonka em 7 de julho de 2005 Duro de seguir Virar adicta, para mim, é fácil. Ei, mas não de substâncias ilícitas, claro... Vicio mesmo é em programas de TV. Segunda-feira largo tudo para ver “Lost”; às terças me apego em “The Amazing Race” e “O Desafiante”; quarta não sossego até saber quem foi demitido por Donald Trump; quinta grudo na tela por “Desperate Housewives” e, mais tarde, pelo australiano “Entre Quatro Paredes”; nos demais dias da semana, eu descanso, pois nem sempre se pode ser deus. Mesmo assim, existem seriados impossíveis de engolir. Até para esta lata de lixo televisivo aqui. Continue lendo "Duro de seguir"Fla Wonka em 4 de julho de 2005 O TRÂNSITO Se lá pelos idos de 1900 um sujeito achasse bola de cristal dando sopa e conseguisse sintonizar a coisa no canal “século 21”, não ia acreditar na aparição. O rapaz observaria chocado que o automóvel, aquela fantástica criação para poucos e ricos, tomou a humanidade de assalto. De meio de transporte, ele passou a circular pelo sangue de alguns. Alguns não: muitos! Milhares! E todos saem na rua ao mesmo tempo, dando vida a uma entidade chamada “O TRÂNSITO”. Continue lendo "O TRÂNSITO"Fla Wonka em 30 de junho de 2005 Ver próximas páginas:
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