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Ás do volante, camarada dos Playmobils e viciada em sorvete.

Domingo no parque

Eram duas princesas. Lindas, sorridentes, graciosas. Uma morena, outra bem loira. Não usavam vestidos rodados ou sapatos de cristal. A bem da verdade, elas trajavam roupas sumárias e seus pés tocavam a grama descalços – o que fazia as nobres senhoritas rirem mais ainda, numa divertida descoberta da chamada coceguinha. Nada como encontrar um jardim bonito e pacífico para ensinar princesas a caminhar... Aquela mãe deve agradecer à cidade pelo Jardim Botânico.

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Fla Wonka em 29 de agosto de 2005


Gente do cursinho

Cabeça vazia é oficina do diabo, como bem fala o ditado. Quando o sujeito deixa muito espaço vago entre as orelhas, é fácil cair nas armadilhas maléficas do destino – como drogas, álcool, trabalho em excesso, namorada chata e horas assistindo o teste de fidelidade do João Kleber. Para rechear a vida, uma boa opção são os cursos. Olhando por esse lado, o tinhoso nunca há de me pegar. Sempre fui a maior fã de aulas extracurriculares.

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Fla Wonka em 25 de agosto de 2005


Que voltem os velhos

Hábitos. Conjuntos de manias e idéias costumazes que faz de cada um de nós gente única. Ele se manifesta de muitas formas – ao colocarmos o chinelo debaixo da cama à noite ou quando empilhamos camisetas por cor no armário. É hábito. Ultimamente, ando gostando mais dos antigos que dos novos. Pena que muitos quase que já morreram.

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Fla Wonka em 22 de agosto de 2005


Quem canta, os vizinhos espanta

Com toda sua habilidade tecnológica, o japonês Daisuke Inoue poderia sido o criador do teletransporte. Ou poderia ter inventado uma montanha-russa portátil ou um sistema de invisibilidade para escaparmos do chefe quando este fica bravo. Mas que nada: Inoue poderia ter imaginado um novo sabor de pastel ou uma versão de “A Gaiola das Loucas” para o teatro Kabuki, mas ele preferiu gerar a invenção mais discutível de todos os tempos. Daisuke, seu louco, foi tua a idéia do karaokê, né?

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Fla Wonka em 18 de agosto de 2005


Operação limpeza

Nunca imaginei que, um dia, fosse me postar em frente dos colegas para prestar esse tipo de esclarecimento. Claro que não adianta dizer, mas reafirmo: não tenho nada com isso, o desvio de valores foi feito à minha total revelia. Nosso grupo está em completo descrédito após esse escândalo terrível. Vossas Excelências podem estar certos de que não durmo há dias, perdi a fome, já nem brinco com a minha filha... (*Chuinf, chuinf*). Tudo por causa das minhas sócias, que não souberam controlar seus impulsos. Não estou aqui para julgá-las, mas apenas para ajudar essa comissão de inquérito e limpar a imagem do GQDN (Garotas que Dizem Ni, nosso partidão).

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Fla Wonka em 15 de agosto de 2005


Nomes para esconder

Meu avô, aquele senhor mais do que bacana, era também um homem criativo. Entre suas excentricidades – se bem que pobre é mesmo “doido”, não “excêntrico” – a predileta era mudar os nomes das pessoas. Dos netos, principalmente. Meninas e meninos da família sempre ganharam uma versão cafona de seu nome. Por exemplo: minha prima Cássia sempre foi, para ele, Julieta. As garotas mais velhas eram Zuleica, Amélia ou Teresa. Eu era a Lourdes, creiam. Meu avô foi um grande inventor de nomes de guerra. Mas não era tão imaginativo quanto as pessoas de hoje em dia.

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Fla Wonka em 11 de agosto de 2005


Rua Copacabana

John e Paul eram dois rapazes ímpares, na minha opinião. Da experiência modesta da classe média de Liverpool, conseguiram extrair sentimentos e pensamentos doces e amargos. A saudade, por exemplo. Incrível pensar que um moço que já tinha fama mundial e fortuna celestial, como MacCartney, pudesse sentir nostalgia. E como sentia! Arrastava saudades de muitas coisas, inclusive de sua antiga rua da infância. Foi aí que conhecemos “Penny Lane”.

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Fla Wonka em 8 de agosto de 2005


Viagem ao mundo de Caras

São namoros que começam, relacionamentos partidos, festas glamourosas, viagens patrocinadas e um oceano de falta de assunto. Desde que surgiu, a revista Caras já conta 12 anos de verdadeiros furos de reportagem. Tudo bem, não é para tanto... Mas a brochura decana ainda é capaz de nos brindar com suas novidades-novidadeiras lá nos salões de cabeleireiro e consultórios médicos – os assinantes mais fiéis desta bíblia dos ricos, famosos e, por que não, até dos falidos.

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Fla Wonka em 4 de agosto de 2005


Fim de caso

Prezado Emprego de Nove às Seis,

Não se engane com o cumprimento cordial. Você bem sabe que nosso relacionamento já terminou faz tempo, muito tempo. Mas a mágoa não cessa. Por isso eu, que nem sou de guardar rancor, decidi colocar tudo nesta carta para exorcizar o mal que me causaste – e causa ainda, agora através dos meus entes queridos. Não, não se manifeste, é minha vez de falar tudo! Para começar, esqueça o “prezado”. Eu acho mesmo que você é um tipinho muito do desprezível.

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Fla Wonka em 1 de agosto de 2005




No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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