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Ás do volante, camarada dos Playmobils e viciada em sorvete.

Quando a bruxa se solta

Eu também não acredito nas bruxas. Mas tenho certeza de que as tais existem. Umas vivem reclusas em suas casas no alto da montanha; outras fazem poções apenas na calada da noite; e têm aquelas que ganham a vida como professoras de matemática. Eu não acredito nas bruxas, porém estou certa de que as tais senhoras, vez por outra, se divertem lançando cargas de azar para cima dos pobres mortais. Vai dizer que você nunca teve uma onda de má sorte?

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Fla Wonka em 31 de outubro de 2005


Ouço o som de trombetas...

... e elas não trazem boas novas. Não são trombetas bacanas, anunciando festa de casamento, champanhe à vontade e cajuzinho de lamber os beiços. São aquelas tais trombetas que introduziam o Apocalipse, o começo do fim dos tempos. A predição da Bíblia dizia que sete delas seriam tocadas por anjos trazendo as calamidades – como a transformação do mar em sangue, pragas e a queda do céu e das estrelas. Vou dizer: nem sou a maior fã da Bíblia, mas a qualquer momento espero um corpo celeste ser lançado aqui na cuca. Porque o mundo está acabando, amigos.

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Fla Wonka em 27 de outubro de 2005


Não me venha com críticas

Não é fácil seguir a própria cabeça. Quando toda a molecada passava gel com glitter no cabelo, lá fui eu empastelar o meu com as coisinhas brilhosas. Quando toda a turma escutava Jota Quest, eu proferi a frase “é uma música tão adorável essa ‘Fácil’, né?”. Com o tempo, porém, precisamos aprender que não é bom ir de embalo na onda alheia. Escolher um filme para assistir no cinema, por exemplo: não se pode confiar em ninguém para ajudar com isso.

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Fla Wonka em 24 de outubro de 2005


Temíveis invasores do espaço

Não faço questão de avistar OVNIs ou mesmo de receber a visita dos alienígenas e ser levada por eles. De gente cabeçuda, cinzenta e caladona, já chega ter tido aula de português com a professora Marta na quinta série. Além do mais, tenho um medo gigantesco de seres de outros planetas – principalmente se forem daquele tipinho que escraviza humanos, suga cérebros, afana rebanhos e instala usinas na Terra. Não gosto de pessoas tomando meu espaço, sabe? Seja ele ET ou terráqueo.

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Fla Wonka em 20 de outubro de 2005


Marca registrada

Ninguém é dono da verdade. Ninguém é dono do mundo também – ainda que muitos tentem. Dizem que ninguém é dono de ninguém. Parece que, de propriedade mesmo, todos temos apenas o próprio nariz. Mas até para ser dono disso vai um certo trabalho. Quando decidimos já ser hora de fazer com o corpo o que der na telha, como uma tatuagem, ainda pode-se encontrar resistência. Seja ela um dragão colorido de costa inteira ou um coraçãozinho de dois centímetros.

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Fla Wonka em 17 de outubro de 2005


Vida de celebridade

Acordo de manhã e vejo o mesmo cenário dia após dia. A cama coberta com um edredom que já puiu na pontinha; a televisão apoiada em um baú velho, cujas rodinhas se perderam na mudança; a janela que entra luz porque até hoje não tem uma cortina. Se eu fosse rica e famosa, igual a turma que estampa capas de revista, nada seria assim. Aliás, nem isso e nem nada mais. Porque a vida dos bem-de-vida acontece em uma dimensão paralela à nossa.

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Fla Wonka em 13 de outubro de 2005


Árabes, odaliscas e as pobres diabas

Existem coisas que só uma boa festa à fantasia pode fazer por nós. Botar um monte de marmanjos para dançar “Ilariê” é uma delas. Levar esse mesmo bando a ingerir batida de amendoim é outra. Mover a mesma massa a inventar trajes estapafúrdios é a melhor de todas. E lá vai a turma, feliz e empolgada, passar uma tarde a emprestar, alugar e juntar idéias na busca da fantasia perfeita. Que, no fim das contas, ainda pode mostrar muito do que cada um espera do tal evento.

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Fla Wonka em 10 de outubro de 2005


O Ministério do Futuro da Nação

O filme está prestes a começar. Produção boba, gente relaxada na platéia. Eu e meu namorido no meio deles – que ser bobo e relaxado é lema de vida para nós. Três pessoas de uma mesma família chegam na nossa fileira de poltronas, pisam nos meus pés e sentam bem ao lado. A partir daí perdi o humor e comecei a pensar... ter filhos devia ser uma ação envolvendo liberação do governo federal.

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Fla Wonka em 6 de outubro de 2005


Empresta um saco de papel?

Eu sou desastrada. Para total desespero, essa peculiaridade vem acompanhada de outra: sou também muito, mas muito envergonhada. Bastou ficar um pouco avexada, já demonstro bochechas cor de tomate maduro, mãos suadas, joelhos trêmulos e aquela sensação de ter um paralelepípedo enfiado bem no meio da goela. Ignorar as situações de embaraço não dá. Ainda mais quando é embaraço extremo, daqueles em que eu desejaria ter a cachola coberta por um saco de supermercado.

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Fla Wonka em 3 de outubro de 2005




No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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