Página inicial > Flá Wonka
Ás do volante, camarada dos Playmobils e viciada em sorvete.

Luz, câmera... hein?

Tudo bem: cinema nada mais é do que um joguinho de luz e sombra que se torna bacana com algumas pitadas de cenário, figurino e diálogos. Não faz sentido acreditar que máquinas do tempo podem ser montadas em carros, que macacos comandam planetas e que o Adam Sandler seja um paizão. Acreditamos porque... ora, porque a realidade é chata e a arte número sete é uma boa escapatória da rotina. Os filmes só pecam mesmo nos detalhes. Haja vista grossa para ignorar pequenos delitos e seguir em frente, sendo enganado no escurinho e com pipocas.

Continue lendo "Luz, câmera... hein?"

Fla Wonka em 1 de dezembro de 2005


Ah, vai chamar a síndica, é?

Eu sou a favor da moradia vertical. Sabem como é: o espaço nas cidades grandes está ficando exíguo e é quase impossível ter o luxo de uma casa com garagem, quintal, pomar, varanda que comporte uma cadeira e pernas esticadas. Empilhar gente parece ser a solução – solução tão óbvia, aliás, que até os ricos optam por ela. O problema é que viver em prédios residenciais é provação diária. É, basicamente, como um manicômio onde todo mundo tem a chave da entrada.

Continue lendo "Ah, vai chamar a síndica, é?"

Fla Wonka em 28 de novembro de 2005


Templo da farinha

Era meu primeiro vôo solo pelo bairro. Naquela tarde de 1982, ganhei uma nota de dinheiro e a incumbência exasperadora de ir buscar alguns pães e um litro de leite B. Bastou descer seis quarteirões sem falar com estranhos e sem morrer atropelada – alcancei a padaria sozinha. Encarrapitada no friso do balcão, disse ao moço meu pedido, fechando a frase com o “por favor” previamente ensinado pela mamãe. Comprei, paguei, voltei correndo. Tudo deu certo! Nascia aí um grande amor entre mim e esse lugar encantador hoje já apelidado de padoca.

Continue lendo "Templo da farinha"

Fla Wonka em 24 de novembro de 2005


Até que perdeu a graça

Segundo a minha saudosa avó (que Elvis a tenha em muito boa companhia), o passado é que era realmente bom. Getúlio, sim, ligava para os pobres; Saia godê, sim, era roupa de moça de família; Nelson Gonçalves, sim, era cantor do bom. Pena que a mãe de mamãe não era chegada em esportes. Se fosse, ela teria me dito um dia que os velhos tempos, aqueles sim, tinham disputas emocionantes de verdade. Hoje é tudo a mesma marmelada.

Continue lendo "Até que perdeu a graça"

Fla Wonka em 21 de novembro de 2005


Os clássicos amexicanados

Quem nunca grudou feito chiclete em um capitulo de novela latina, que atire o primeiro tapa-olho de vilã! Uns apanham gosto pela coisa ainda na meninice, inspirados por pivetes choraminguentos como o Cirilo. Outros fazem isso já na vida adulta, loucos para saber como a Usurpadora vai se livrar da sogra. Novela mexicana é um vício para apreciar na televisão do quarto dos fundos, escondido da família? Por que, ora essa? Pois se todo grande clássico da literatura bem que daria um ótimo roteiro desse tipo...

Continue lendo "Os clássicos amexicanados"

Fla Wonka em 17 de novembro de 2005


Bad, bad server

Vez por outra, o mundo conhece um anti-Cristo. Tivemos Jack, o Estripador, Charles Mason, Osama Bin Laden, Maníaco do Parque, o cara que criou a campanha das Casas Bahia... Muitos foram os infiéis que abalaram as estruturas da nossa pacata vidinha. Ultimamente, uma praga semelhante parece se infiltrar de forma nada velada no cotidiano da sociedade e tomar conta de tudo ao poucos. Esperto, esse endemoniado Orkut.

Continue lendo "Bad, bad server"

Fla Wonka em 14 de novembro de 2005


A revolta dos nerds

Perdedores de todo o mundo, uni-vos! Mesmo que você não seja lá um grande nerd, é hora de um levante. Vários personagens do cinema nos ensinaram que mais dia, menos dia, é necessário se impor nessa vida. Sabe? Tomar uma atitude jogando de lado óculos, livros, gibis, fichas do fliperama, a blusa tricotada pela mãe com um desenho de coelho na frente... Chega um ponto em que, por um motivo ou outro, o tímido vivente em nós precisa tomar ar fresco.

Continue lendo "A revolta dos nerds"

Fla Wonka em 10 de novembro de 2005


Som de longa data

O tempo é um mago muito do malandrão que gosta de pregar peças em todos nós. Quando menos esperamos, lá se foram quinze anos desde a formatura do colegial. Ou dez anos desde a conquista da habilitação para dirigir. Ou seis meses sem ver o mar. Ou 20 dias sem lavar o pijama. Não se deve perder a noção do tempo. Senão, ao acordar para a vida, seremos como as bandas que escreveram uma letra datada e, hoje em dia, totalmente ultrapassada.

Continue lendo "Som de longa data"

Fla Wonka em 7 de novembro de 2005


Amar é...

“Amar é nunca ter que pedir perdão”, segundo um ditado muito duvidoso. Amar é “permitir que ele fume o cachimbo à mesa após a refeição” e “colocar um bilhetinho afetuoso na marmita dele”, de acordo com aquelas figurinhas safadas e sexicistas que viraram febre nos anos 70 e 80. Amar é... tanta coisa. Amar é uma junção de milhares de pequenas e frívolas situaçõezinhas que formam um grande sentimento.

Continue lendo "Amar é..."

Fla Wonka em 3 de novembro de 2005




No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold