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Ás do volante, camarada dos Playmobils e viciada em sorvete.

Dez formas de amar

O que é o amor? Fácil. É quando o sujeito entra pela sala e vê a garota com as mãos cobertas de sangue frente a um cadáver. E antes de perguntar o que aconteceu ou gritar ou desmaiar, ele diz “onde a gente enterra?”. É a definição mais simples para o sentimento pleno de uma pessoa por outra. Mas não existe apenas esse tipo de amor. Ele tem muitas faces.

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Fla Wonka em 2 de março de 2006


Flashes de alalaô

Então chegou a sexta-feira. Tão cedo e já noto algo estranho no ar. O homenzinho do jornal do meio-dia traja uma camiseta azul com confetes desenhados em vez do tradicional paletó. Transmite as notícias tendo como fundo uma larga passarela – e as novas falavam apenas de trânsito, tumulto, um milhão deixando a capital paulista, carros alegóricos incendiados, ingressos restantes, mulatas saradas, fantasias improvisadas... Ah, sim, é mesmo: começou o Carnaval. E eu aqui, em casa.

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Fla Wonka em 27 de fevereiro de 2006


Medieval? Eu passo

A Idade Média, período compreendido entre os fugidios anos de 476 e 1.473, foi mesmo um assombro. Derrubou alguns impérios, ergueu novos, desmoralizou guerreiros e fez a fama de outros tantos. Rendeu vários filmes também, a danada. Com as imagens cheias de charme divulgadas pelo cinema, muitos passaram a sonhar como seria bacana viver naquele tempo valente e romântico. Arriscam até dizer que, em sendo a Máquina do Tempo uma realidade, correriam direto para a Idade Média, para “ver como era”. Eu não, obrigada. Seria impossível sobreviver em uma época tão precária.

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Fla Wonka em 23 de fevereiro de 2006


O ciclo maior

Talvez seja culpa da Terra, essa coisa tão redonda. Inspirados nela, os fatos da vida tendem a girar, girar e terminar sempre em um ponto bem semelhante ao começo de tudo. Há sim a evolução da espécie, o aprendizado, o ganho de mais sabedoria. Mas, afinal de contas, parece que a vida é mesmo um grande ciclo natural. Assim como as plantas nascem, crescem, reproduzem-se e morrem, os humanos têm uma tendência a iniciar e finalizar a existência de um jeitinho bem igual.

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Fla Wonka em 20 de fevereiro de 2006


In vino veritas

O velho ditado romano que dá nome a este texto não podia ser mais acertado: “no vinho está a verdade”. Muita gente só revela mesmo sua face original depois de um belo porre. Existe, porém, o bêbado clássico. É aquele que desfila com conhecimento de causa por toda a plataforma da bebedeira – e que está pouco se lixando pra verdade, vedade, berdade... “garção, desce duas budistserdade aí”. Conhece o sujeito? Claro que sim.

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Fla Wonka em 16 de fevereiro de 2006


Sobre Teresinhas e Gabrielas

Na vida, camaradas, só existem dois tipos de pessoas: aquelas que coam o suco de laranja porque detestam os “pelinhos” do bagaço e aquelas que bebem todo o copo de um gole só e nem reparam se é laranja ou abacaxi. Separam-se assim, entre determinados e aparvalhados. Não é difícil notar a tendência em cada gente que passa. Observando por alguns minutos, pode-se saber com precisão quem são as Teresinhas e quem são as Gabrielas do nosso mundo.

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Fla Wonka em 13 de fevereiro de 2006


Sou brasileira, mas desisto às vezes

Ah, eu cansei mesmo. Desisti. Entreguei os pontos, passei a régua, fechei a lojinha. Se não entendo, não entendo e pronto. Tem horas em que não adianta ficar se debatendo com as coisas, sabe? Agora é assim. Vou ficar queimando os miolos e continuar a não compreender. Por exemplo: por que toda vez que alcanço o caixa no supermercado, a máquina precisa de troca de bobina, me segurando ali por mais meia hora? Não sei, eu apenas desisti de entender.

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Fla Wonka em 6 de fevereiro de 2006


Medo fantástico

Teria sido culpa da voz sepulcral de Cid Moreira ou das imagens contundentes? Quando ainda era uma pequena estudante do primário, poucas coisas eram tão capazes de me meter medo quando o “Fantástico”. Líder do domingo à noite, ele fazia calar rapidamente as gargalhadas iniciadas pelos “Trapalhões” – bastava mostrar o cardápio de bizarrices preparado para o programa. Aquele show da vida era um bocado hábil na arte de botar pânico em petizes por toda a madrugada de segunda-feira.

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Fla Wonka em 2 de fevereiro de 2006


Olha quem está falando...

“Minha vez, minha vez! Eu também quero colocar um texto no Garotas. Eu preciso muito. Só elas três falam? Já tagarelam pelos cotovelos ao vivo e ainda escrevem esse tanto? Nada disso. Eu quero falar hoje e tenho direito. É meu aniversário, e o papai disse que em dia de aniversário pode tudo (menos rasgar a revista nova, parece que disso ele não gostou muito...). Vai, mãe: eu dito, você escreve. Agora eu sou a dona.

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Fla Wonka em 30 de janeiro de 2006




No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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