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Magrelas cobiçadas Quando Marcos Valle saiu daquela toada de nome bossa-nova, decidiu retomar o sucesso com um som de verão. Como tratava-se dos anos 80, nem precisava ser, assim, uma opereta com letra sublime e melodia inspirada. Podia ser uma baladinha safada mesmo. Pois então ele cantou: “Pedalando com você/ Eu vou sempre devagar/ porque não quero ver esse sonho acabar/ De brincadeira/ Subir ladeira/ Depois soltar o freio e descer/ Como um cometa na bicicleta”. Eu sei, era bobinho. Mas servia para ilustrar muito bem o apego apaixonado que todos acendemos por uma magrela desde a mais tenra idade. E eu não estou, claro, falando de moças de baixo peso. Continue lendo "Magrelas cobiçadas"Fla Wonka em 27 de abril de 2006 Caixinha de respostas Certas pessoas não parecem ter um baú de frases prontas? São feitas especialmente para certas ocasiões – mas só por quem não tem a menor criatividade ou tem preguiça de pensar em algo bom para dizer. E como são chatas... Às vezes, ao ouvir pérola dessas, temos ganas de simular um desmaio, só para não precisar participar por mais um segundo daquela conversa manjada, sonolenta e repetida ao longo dos últimos mil anos. Continue lendo "Caixinha de respostas"Fla Wonka em 24 de abril de 2006 O casal de ontem e hoje Nos anos 60, Ele andava a pé ou de ônibus. Não tinha um níquel sobrando para gasolina – que dirá pro carro todo. Ela, por outro lado, corria apressada pelas ruas a bordo de um Fusca comprado com esforço. Natural, pois o salário de professora primária era uma fortuna. Ou pelo menos era mais do que Ele ganhava no início de carreira como projetista da embrionária indústria automotiva do ABC Paulista. Ela lhe dava carona às vezes. Ele aceitava envergonhado. Continue lendo "O casal de ontem e hoje"Fla Wonka em 20 de abril de 2006 O genuíno turismo radical E não me venha com aquela coisa de descer rio com bote inflável, percorrer uma trilha pedregosa ou se lançar na perambeira usando um pára-quedas feito de papel vegetal. O turismo radical verdadeiro, de fazer suar e embrulhar o estômago de tanta adrenalina, não se trata de viagem envolvendo esportes que deveriam ser praticados apenas por kamikazes. O turismo radical verdadeiro, meu amigo, pode ocorrer bem ao lado de uma pacífica bagagem de mão. Continue lendo "O genuíno turismo radical"Fla Wonka em 17 de abril de 2006 Crossover E então ela surgiu na porta, apoiou os dois braços nos batentes e disse para todos ouvirem: “o Bira matou a Yasmin!”. Essa era minha irmã. O ano era 1992. Estava no ar, no horário das 20h00, a novela “De Corpo e Alma”. E quando estas variáveis se unem, eu sei que nada é o que parece. Porque, na minha família, todo mundo tem mania de misturar ficção e realidade – e os nomes dos artistas com seus respectivos personagens. Continue lendo "Crossover"Fla Wonka em 13 de abril de 2006 Fim de caso Prezado Emprego de Nove às Seis, Não se engane com o cumprimento cordial. Você bem sabe que nosso relacionamento já terminou faz tempo, muito tempo. Mas a mágoa não cessa. Por isso eu, que nem sou de guardar rancor, decidi colocar tudo nesta carta para exorcizar o mal que me causaste – e causa ainda, agora através dos meus entes queridos. Não, não se manifeste, é minha vez de falar tudo! Para começar, esqueça o “prezado”. Eu acho mesmo que você é um tipinho muito do desprezível. Fla Wonka em 10 de abril de 2006 Brega in Rio O Brasil vai parar por três dias! Milhões de megawats de potência serão ouvidos por todas as partes do país em uma celebração máxima da música popular. O maior festival já visto em nossas terras está prestes a começar – e você não pode ficar fora dessa! Esqueça as famosas bandas estrangeiras que necessitam de 250 toalhas de rosto no camarim... Nesta orgia de sons e luzes, ninguém vai ficar parado, pois o melhor da MPB está para chegar! Continue lendo "Brega in Rio"Fla Wonka em 6 de abril de 2006 Trote às avessas Aqui em casa, o telefone raramente toca. Ou vai ver ele toca bastante, mas eu nunca estou na residência pra atender. Por outro lado, o fim de semana é ótimo para exercitar um atendimento telefônico mais cruel e divertido! Sempre achei hilário passar trotes. Mas ficava também com um sentimento de culpa. Era muito diferente de tocar a campainha dos outros e sair correndo... Usar o telefone trazia custos pro meu pai – e isso, numa família proletária, causava dor na consciência. Continue lendo "Trote às avessas"Fla Wonka em 3 de abril de 2006 Ver próximas páginas:
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