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Ás do volante, camarada dos Playmobils e viciada em sorvete.

Ah, é pra criança?

Passo em frente à loja de TVs ultra-modernosas, daquelas com tela tamanho cinema e qualidade suficiente para mostrar uma espinha no rosto do pernilongo. Paro. Grudo os olhos. Vejo a cena e explodo em risadas. Minha amiga puxa pelo braço e diz: “pensei que você estava cogitando comprar a TV... Vem, tá todo mundo olhando, criatura...”. Mas o que eu posso fazer se morro de rir com aquela parte em que o Woody e o Buzz são pegos pelo Garra na máquina de bonequinhos?

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Fla Wonka em 25 de setembro de 2008


Cunhado, se fosse bom...

... não começava com... Ok, você entenderam. É aquele ditadozinho que enxovalha a moral dos irmãos dos nossos parceiros ou dos parceiros dos nossos irmãos. Cunhado é um ser que fala demais, invade demais e se acha parte da família, viu. Bom, mas eles são parte da família! Podem não ser sangue do sangue, mas às vezes são mais irmãos que os próprios irmãos. Ou não?

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Fla Wonka em 22 de setembro de 2008


Ai, que cafona...

Vestir roupinha de plástico no liquidificador e futricar com as vizinhas pelo muro já é demais. Colocar toalhinha de crochê em cima da televisão e fazer curso de pintura em sabonete, também não rola. Cafonice tem limite. Pelo menos é o que dizem os indivíduos modernos. Eu me considero assim também, mais vanguarda do que nostálgica. Mas que certas cafonices fazem um bem danado, lá isso fazem.

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Fla Wonka em 18 de setembro de 2008


O que eles estão dizendo, hein?

Olha, a MPB pode ter seus defeitos, mas ainda é mais mãe do que madrasta, viu. Eu sei, ela é cheia de banquinhos, violões e rimas fáceis; é cheia de “zazazunzezeza” e “padabababada” também, o que enerva um pouco; e fica meio dura de entender quando vem com coisas do tipo “açaí, guardião, zum de besouro, um imã”. Ainda assim, é feita em nossa língua. Difícil mesmo é gostar de um monte de canções que a gente precisa ralar pra entender do que, raios, estão falando.

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Fla Wonka em 15 de setembro de 2008


Já pra escola, de ônibus

Eram tempos estranhos nos quais as crianças menores de 11 anos iam e vinham com o busão da escola, enquanto os maiores que isso iam é de busão de linha mesmo. Na minha época de estudante, mãe que levava e buscava os filhos era marajá (palavra bem típica daquele período, por sinal). A maioria das matriarcas do bairro proletário trabalhava duro, de manhã à noitinha, e não tinha tempo ou automóvel para guiar a molecada. Restava, então, o transporte coletivo. E que espetáculo ele era.

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Fla Wonka em 11 de setembro de 2008


Pois se não custa nada...

... eu vou mesmo é sonhar. Vou sim. Todo mundo diz que eu vivo numa ponte-aérea “Terra-Neverland”. Que sou muito prática e determinada, mas que quando minha mente dá pra voar, ela voa com gosto – de primeira classe, para Marte e acompanhada do Elvis Presley. Porque, oras... a vida já é tão cheia de obrigações e mundanidades que, no trabalho de imaginar, eu me lanço. Já virei pHD. Se é pra sonhar, pois, vamos nessa com vontade.

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Fla Wonka em 8 de setembro de 2008


Na ante-sala do inferno

Todo mundo pode assinar essa embaixo: hospital é um desgosto. Seja para quem está, para quem visita, para quem trabalha... nada é alegre e divertido dentro de um hospital. Bom, talvez seja para aqueles que vão levar o amigo em coma alcoólica e ficam tirando fotos dele desmaiado com o celular. Não, nem pra esses. Hospital é a salinha de espera do inferno. E a ante-sala da pediatria, então? Juro: nesse local, a vontade é de mastigar o próprio joelho até sangrar – assim será possível mudar para a ante-sala da ortopedia, pelo menos.

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Fla Wonka em 4 de setembro de 2008


Vai uma auto-ajuda aí?

Vida de escritor é a maior delícia. Você passa os dias de chinela e pijama, trabalhando em casa enquanto faz cafuné no cocuruto do seu gato gordo – e olha que a tal residência pode ser uma choupana na floresta, uma mansão frente à praia ou um simples apê gigante em Manhattan. Daí você faz suas pesquisas por alguns meses, atira tudo no computador, vende o original para uma boa editora e enche a burra de dinheiro. Ah, claro: esqueci de dizer que essa é a deliciosa vida de um escritor de auto-ajuda.

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Fla Wonka em 1 de setembro de 2008


Fábulas imprudentes

Sempre fui parada em uma história bem melosa e fantástica. Meu grande livro de fábulas, ganho lá pelos sete anos, é como uma bíblia pronta a dar alento e fazer sorrir. Adoro ver como as princesas se safam de maldições, como crianças se mostram sábias, como o mundo é coerente e delicado por aquelas páginas. Duro é que, como o passar dos anos, analisar os contos com olhos de adulta paulistana não faz muito sentido.

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Fla Wonka em 28 de agosto de 2008




No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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· Vivi Griswold