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Ás do volante, camarada dos Playmobils e viciada em sorvete.

Revisão na cadeia de salários

A certa altura de “O Diário de Bridget Jones”, a loira parva, cansada dos abusos romântico-profissionais do chefe Daniel, vai à sala dele dizer que está se demitindo. Ele pede que ela fique, que sempre haverá na empresa chance para pessoas eficientes como a rechonchuda redatora. Despudorada, ela diz, em frente de meia firma, que “se trabalhar ali significa ficar a dez metros dele, então é preferível ter o emprego de limpar o traseiro do Saddam Hussein”. Vixe! Mas o que fiquei pensando foi... quanto seria pago para aquele que fizesse tal higiene no ditador? Porque deve mesmo existir essa profissão. E suponho que não deve pagar bem, mesmo com o risco de morte. Tudo porque o sistema mundial de salários é completamente sem nexo.

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Fla Wonka em 6 de julho de 2006


Irresponsabilidade animada

Sabrina tem 15 meses completos. E se tem uma coisa que eu gosto de pensar é que a menina supera a categoria de gênio. Ao menos é o que digo para todos, como ela é inteligente e esperta e aprende as coisas de um clique. Mas propaganda de mãe é tão verossímil quanto macacos alados: ninguém mais acredita que ela é assim, mentalmente avançada. Ainda mais quando conto que minha molecota tem permissão para ver desenho na TV. Aí, só falta virem pra cima de mim com foices e tochas.

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Fla Wonka em 3 de julho de 2006


Luz, câmera... possessão

Antonio Banderas entra em cena vestindo macacão vermelho, sapatilhas de piloto e balaclava. Fala em inglês, mas com um sotaque que revela a origem do personagem: é brasileiro. Ele discute estratégias para a corrida de carros, entra em seu bólido, berra algo para um mecânico e sai cantando pneu – não sem antes dar uma jogadinha na franja e fazer olhar profundo. Eu gosto muito do Banderas e achei ótimo o seu Zorro cinematográfico. Mas tenho muito medo ao imaginar tudo isso acima, com o astro espanhol encarnando Ayrton Senna nas telonas. Para fazer boa biografia, não basta ser meramente parecido com o indivíduo original. É preciso mais que interpretar. É preciso baixar o santo mesmo.

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Fla Wonka em 29 de junho de 2006


Um sonho sereníssimo

Parece efeito de uma noite bem dormida, daquelas que inventam fantasias incríveis: você desembarca na estação Santa Lucia após rodar sobre trilhos de trem suspensos acima do mar. Ao descer do vagão, toca os pés em ilhas ligadas por pontes, sustentadas ridiculamente por toras de madeira. Então vai, bagagem em punho, até uma pensão onde lhe dão um quarto diminuto e antiquado, mas cuja janela revela a vista para um canal ladeado por prédios centenários e barcos de todo tipo. Assim é Veneza. Uma visão em forma de lugar.

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Fla Wonka em 26 de junho de 2006


Efeitos co(pa)laterais

“São quatro pãezinhos, um litro de leite B, uma rosca doce e... avedeus, gol da Ucrânia! Olha que golaço, linda! Golaço, né?”. Eu não sabia se respondia “sim, mó golaço” ou “mas a senhora deve ter a idade da minha avó Emília, não devia dizer a palavra ‘golaço’, é estranho”. Usei a primeira opção para ser simpática à empolgação da doce senhora à minha frente na fila da padaria. Essa Copa do Mundo deixa tudo muito diferente.

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Fla Wonka em 22 de junho de 2006


Roteiro e direção: Estados Unidos

É assim: a casa deles não tem muro nem portão, porque a segurança é feita com a espingarda que fica em cima do guarda-roupa. Todo dia da semana as crianças rodam de bicicleta na rua, enquanto os pais lavam o carro na entrada da garagem. Não tem um poste enfeiando a paisagem, cachorro não faz sujeira na calçada e todo velhinho possui um andador de alumínio. Essa é a vida “made in USA”. Ou pelo menos é assim que o cinema deles conta a história.

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Fla Wonka em 19 de junho de 2006


Prodígios e prodígios

Trinta e um anos, quatro meses, dois dias. A idade não diz muita coisa sobre as pessoas, mas confesso que olhar para esse número e perceber o quanto vivi dá um certo nervoso. Observando bem, vejo que muita gente da minha idade já é diretor de uma pequena empresa, tem MBA de renome ou possui um carrão estacionado na garagem de uma casona. Não que eu tenha do que reclamar, mas... bom, parece que alguns começaram a vida bem mais cedo.

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Fla Wonka em 15 de junho de 2006


Vai namorar? Pergunte-me como

Há pouco mais de um mês, uma simpática editora de revista feminina veio até nós com um desafio: responder a ela algumas perguntas para ajudar moçoilas a saber se o “rolo” era namoro – ou se jamais sairia da categoria “rolo” mesmo. Respondemos, como sempre, levando na brincadeira e usando do bom humor. Mas começo de relacionamento é coisa séria, nós sabemos. Para quem está na dúvida sobre como lidar com a situação nesse Dia dos Namorados, aviso que o auxílio à moça da revista foi fichinha. Na verdade, tenho aqui o prospecto de um genuíno “Curso Completo para Início de Namoro”. É tiro e queda, minha gente.

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Fla Wonka em 12 de junho de 2006




No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold