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Lost... in Club Med Reclamam muito, viu? Muito, demais, vixemaria. Diga o gentil leitor se seria ruim viver assim: vista para um marzão azul sem fim. Chefe bem distante, cozinha farta, muitos colegas por perto. O tempo todinho disponível para projetos pessoais – seja preparar uma boa peixada, seja tirar uma partida de golfe. Nada mal, fala a verdade. Pois aquela gente do seriado Lost só sabe se queixar. Ora, náufragos, dêem um tempo! Continue lendo "Lost... in Club Med"Fla Wonka em 3 de agosto de 2006 Medo escrito a lápis Era um problema cabeludo. Cabeludo, com dentes grandes e garras afiadas. Voltar às aulas podia trazer uma boa carga de alegria – como na hora de reunir todo o material novinho, encapar os cadernos ou ganhar outra mochila. Mas também acarretava uma série de dificuldades. E acho que isso não acontecia somente no primário, a bordo do desconfortável uniforme de helanca. Mesmo com a idade avançada, já nas carteiras de um braço da universidade, recomeçar o ciclo estudantil podia ser um martírio. Continue lendo "Medo escrito a lápis"Fla Wonka em 31 de julho de 2006 Supersticiosamente Não me chame durante um jogo de futebol importante. Sem querer, acho que vou ser um pouco mal-educada, ignorando a conversa ou respondendo atrasado. Desculpe mesmo, mas é que em partidas decisivas, daquelas de vida ou morte, preciso assistir em pé e não falar muito. De braços cruzados e olhar fixo. E jamais usar a meia do clube, porque ela é linda, mas dá um azar danado – pude conferir na final da Libertadores de América em 1994. Continue lendo "Supersticiosamente"Fla Wonka em 27 de julho de 2006 Famílias muito loucas da pesada Existe muita coisa que só aquela gente de cinema é capaz de fazer. Encontrar portais mágicos, por exemplo – e, de forma ou outra, viajar por tempos e mundos remotos. Ou encontrar facilmente lugar para estacionar ou invadir bancos usando dois clipes e uma cordinha. O que eles nunca conseguem, por outro lado, é controlar seus imensos núcleos familiares. Quando a casa é composta por mais de três neguinhos, meu amigo, vira comédia. E daquelas bem típicas de cinema. Continue lendo "Famílias muito loucas da pesada"Fla Wonka em 24 de julho de 2006 O inferno são os outros Costuma-se dizer que a maior esperteza do Diabo foi convencer as pessoas de que ele não existia. Bom, pode ter pegado muita gente, mas não a todos. Há quem se pele genuinamente de medo do capeta. Tem até quem evite repetir as palavras Belzebu, Satanás ou Lúcifer – sejam eles o mesmo cara ou apenas vários nomes do mesmo senhor avermelhado. Preferem usar apelidos: coxo, manco, tinhoso e até canhoto (se bem que nunca ficou muito bem explicado porque essa correlação ruim com quem usa a mão esquerda para escrever). Eu acho que exageram com o repúdio ao sujeito. Pegaram o Diabo para Cristo. Continue lendo "O inferno são os outros"Fla Wonka em 20 de julho de 2006 Somos patéticos Tudo bem, você aí pode ter lido este título e pensado “há, eu é que não sou patético coisa nenhuma”. Tudo bem, não vou insistir em afirmar que, sim-salabim, todo humano é patético mais hora, menos hora. Tudo bem, talvez Jaqueline Onassis e Elvis Presley nunca tenham sido – mas isso também é duvidoso, porque ela se casou com um milionário excêntrico e ele morreu com as calças arreadas. Tudo bem: ser patético é uma vergonha, mas não é privilégio de ninguém em especial. Continue lendo "Somos patéticos"Fla Wonka em 17 de julho de 2006 Adjetiva-me ou te devoro Uma das primeiras coisas interessantes que se aprende na fabulosa faculdade de jornalismo é não ficar aplicando em toda simples frase um adjetivo. Mas só para escrever isso, usei um punhado deles. Tudo bem, não tem importância crucial, porque este não é um texto jornalístico. E lá se foram mais adjetivos. Bom, eu conheço a coerente regra e uso nas minhas reportagens sérias. Mas confesso ser uma fã empolgada dos adjetivos. Daqueles já banalizados, comuns, e dos não muito utilizados, esquecidos, renegados, marginalizados... Ok, eu paro. Continue lendo "Adjetiva-me ou te devoro"Fla Wonka em 13 de julho de 2006 Orgulho de forno e fogão Nos tempos estudantis, rolava a preocupante lenda de que nem todo professor lia os trabalhos pedidos. A Dona Fulana, mestra de geografia, ordenava um ensaio completo sobre relevo, mas dava as notas a esmo – e o boato-bônus é que ela jogava todo o maço de papéis para cima, e quem caísse na mesa levava 7, e quem caíssem no chão levava 4. Para expressar a revolta, muitos apostavam: escrevendo uma receita de bolo no meio do texto, ninguém haveria de notar. Bom, se eu fosse professora, daria 10 ao autor de tal piada. Por que não tem coisa mais gostosa do que apanhar uma receita e, pimba!, deliciar os entes queridos. Continue lendo "Orgulho de forno e fogão"Fla Wonka em 10 de julho de 2006 Ver próximas páginas:
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