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Ás do volante, camarada dos Playmobils e viciada em sorvete.

O Manifesto do Freela

Semana Especial – Desemprego

Quando o protagonista de “Jerry Maguire” surtou, cansado dos vis afazeres de sua vida como agente esportivo, escreveu um memorando destruidor. Entregou a colegas, chefes, clientes – e, é verdade que se diga, foi sumariamente demitido em plena hora do almoço. Pois Jerry tinha uma vida de luxo e glamour a perder, mas não nós, Garotas. Nesta semana, aliás, decidimos escancarar alguns aspectos sobre a vida dos desempregados (categoria na qual pobremente nos encaixamos). O período começa hoje, com um texto sobre a vida dos jornalistas freelancers que já está entalado aqui, ó, faz tempo. Permitam um momento “Jerry Maguire”?

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Fla Wonka em 2 de outubro de 2006


Santa gula!

Eu sei, é feio ter o olho maior que a barriga. Feio e desproporcional. Mas dos sete pecados capitais, a gula talvez seja um dos que menos me choca. Primeiro, porque a culpa me ataca de muitas formas, mas diluída em bolo de chocolate, esqueço rápido dela. Segundo porque... oras, meu pai sempre mandou raspar o prato. E eu sempre obedeço meu pai. Sempre, principalmente quando vejo uma bonita combinação de arroz, feijão, bife, batata frita e salada na frente.

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Fla Wonka em 28 de setembro de 2006


Brincando com fogo

Os meninos estão no pátio da escola, apreciando o intervalo, se empanturrando de pretzel e bolando maldades como todo moleque de quase 12 anos. Vêem chegar o garoto mais deslocado de todos, aquele com cabelo negro penteado à moda antiga. Aquele babaquinha que, todos sabem, estuda piano e canto feito um maricas. Diz à todo mundo que vai ser sacerdote, o que não contribui muito para sua popularidade.

- Tá uma graça hoje, hein, franga!? Se alguém disser que você tá fantasiado de palhaço, acredita não!

Humilhado, o pequeno Adolf Hitler perde a fome, encosta o lanche e pensa “quando eu crescer, não vou deixar ninguém tirar sarro de mim”.

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Fla Wonka em 25 de setembro de 2006


Na minha lista

Tenho um caderno de capa dura azul-marinho na medida 13 cm por 18 cm. Na verdade, trata-se de uma agenda de 2003 que, dado o adiantado do ano, foi sendo usada no período além do que devia. Não importa muito, pois ela tem páginas brancas com linhas – o que me basta para projetar a vida toda ali. Extrato do banco anotado dia a dia, para depois riscar o que já caiu; entrevistas feitas em cima da hora; lembretes genéricos; temas para textos; endereços perdidos; telefones desconhecidos; e, principalmente, listas de afazeres. É impossível que eu viva sem fazer listas.

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Fla Wonka em 21 de setembro de 2006


Adultecendo

Rodo, rodo, rodo e acho chatas todas as músicas do dial. Esta muito lenta, esta muito rápida, a terceira nem conheço, eu queria dar uma sova no Phil Collins e queimar todas as suas canções. Um CD? Enjoei deste, esqueci os demais em casa. Hum, um homem falando sobre dossiês comprados. Acho que é mais uma armação para turvarem nossa vista perante a eleição que vem chegando. Quando noto, já estou batendo papo com o locutor da rádio, discutindo os rumos do país e me preocupando com problemas feito... argh, gente adulta.

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Fla Wonka em 18 de setembro de 2006


Uma onda, tipo assim, emocional

- Emo? Como assim Emo? Que que é isso?

- É um gênero de música que a molecada adora, mãe.

- Mas nome de gênero musical é Bossa-Nova, Erudito, Samba, Rock. Emo? Emo parece nome de cachorro. Nem existe essa palavra.

- Ah, agora existe sim, mãe.

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Fla Wonka em 14 de setembro de 2006


Domingão é tudo igual

Não bastasse ele ser a ante-sala da segunda-feira, o domingo ainda se transformou em um depósito de más companhias televisivas. Faz no mínimo trinta anos que o primeiro dia da semana – que na verdade nós encaramos mesmo é como o último dia de fim de semana, derradeiro refúgio de paz, o final da alegria – foi dominado por chatíssimos programas de TV. Fala sério: ninguém agüenta mais ouvir cantores puxando corinho de platéia e atrações como “Simony contando sobre sua nova gravidez”. Faustão é um dos embaixadores dessa fórmula manjada. E ele nunca desiste do mesmo discurso.

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Fla Wonka em 11 de setembro de 2006


Fashion what?

Muito bem: entendi a parte de “passarela ser conceito”, não coisa de usar na rua. Entendi porque as coleções são apresentadas com seis meses de antecedência – e no mais gélido inverno vemos as pobres modelos arrastarem seus corpinhos usando nada mais do que uma tanga. Fui até capaz de compreender a sombra azul aplicada como se a moça fosse a noiva do Frankenstein. Não questiono mais um montão de coisas sobre moda. Mas ainda é intrigante sair ao mundo e deparar com certas ondas do vestuário moderno.

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Fla Wonka em 7 de setembro de 2006




No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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