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Ás do volante, camarada dos Playmobils e viciada em sorvete.

A última sessão de cinema

Francamente, eu já devia ter aprendido a não chegar com duas horas de antecedência no cinema. Principalmente se o ingresso já está comprado – e repousa abri na minha carteira, impresso numa bonita folha de papel sulfite que... ei, droga, cadê o ingresso?? Uuuufa, achei. Ele migrou da carteira para a lateral da bolsa. Malditos tickets, sempre ganham vida quando chegam à minha mão, sumindo dentro de bolsos e causando pavor. Bom, acho melhor procurar algo pra fazer, porque ficar duas horas falando sobre papéis com vontade própria vai ficar bem tedioso.

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Fla Wonka em 12 de fevereiro de 2007


Clic

É curioso pensar que a fotografia não tem um inventor. Dizem que o grego Aristóteles fez experiências com uma câmara escura e que, no século 16, alquimistas e físicos testaram a exposição da luz, o conceito de lentes e a impressão em cloreto de prata. Daguerre aperfeiçoou tudo isso em cerca de 1838, e o inglês William Talbot providenciou um processo de fazer cópias. Por fim, a Kodak resolveu brincar a sério e deu no que deu – com cada ser humano vivente podendo apertar um botãozinho e registrar desde a primeira baba do filho até um desastre nuclear. A fotografia talvez seja uma das mais maravilhosas invenções da Humanidade. Simplesmente porque estende nossa visão até onde nosso corpo jamais alcançaria.

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Fla Wonka em 8 de fevereiro de 2007


Olá, novidades tecnológicas!

Queria ver meu pai aborrecido, era só pedir a ele para programar o vídeo-cassete para gravar algo da TV enquanto estivéssemos fora de casa. Corria mais ou menos o ano de 1986 e o aparelho, uma caixa metálica pesadíssima (de controle remoto COM FIO) tinha sido adquirida há pouco. Era o primeiro de toda a rua, aliás. Talvez do bairro. E possuía duas cabeças – que, segundo meu pai, eram usadas para planejar maldades contra nós, mastigando fitas e ignorando comandos. Enfim, ele se debatia com a coisa, falava sozinho, dizia impropérios e desistia de tudo. Eu achava engraçado alguém tão inteligente e que me salvava de todas as enrascadas ser dobrado por uma mera peça tecnológica. Agora não acho mais graça nenhuma. Esse carma está começando a me alcançar também...

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Fla Wonka em 5 de fevereiro de 2007


Lero com os doutores

- Então senta e me diz o que você está sentindo.
- Aí que tá, doutor: eu não consigo sentar direito. Tenho uma dor impossível aqui na base da coluna. Fisga, puxa, parece que estão me enfiando um parafuso no osso.
- Sei. Mostra exatamente onde.
- Aqui, ó. Sei lá, vai ver me fizeram um vodu.
- Eu sou médico, eu não acredito em vodu.
- Então é câncer, doutor. Em câncer o senhor acredita, né?
- Na sua idade, não. Mas também nunca tinha visto ninguém tão nova e tão hipocondríaca. É, vai ver é câncer.
- Doutor!!!!
(O clínico geral era engraçadinho, mas confesso que provoquei.)

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Fla Wonka em 1 de fevereiro de 2007


Sabrina Fada

Eu gosto de ser a mamãe de uma criatura de fábula. Acho que naquele dia 30 de janeiro de 2005, um outro serzinho desses, como um gnomo ou uma feiticeira, baixou no centro cirúrgico e achou por bem lançar encanto naquela pequena bebê que nascia – eu achei bem bacana, já prevendo o que viria com a transformação. Chegava Sabrina, a Rainha das Fadas.

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Fla Wonka em 29 de janeiro de 2007


Estas malditas coisas de escritório

Quando estamos lá, é um tédio desgraçado; quando saímos, logo vem a saudade da dinâmica, da hora do cafezinho com os colegas e até das fofocas. Trabalhar em escritório traz uma grande sensação de ter conquistado o mundo – afinal vestimos roupas aprumadas, sapatos brilhantes, falamos de coisa séria e combatemos “o Cara do Suporte Técnico” como quem enfrenta um monstro estelar de dezoito cabeças. Mas existem alguns lances da vida corporativa simplesmente incompreensíveis. Você aprova (ou mesmo entende) certas regras comportamentais?

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Fla Wonka em 25 de janeiro de 2007


Propõe-se sociedade

Eu apanhava folhas de caderno, canetas, pastas e um telefone de mentira e partia para a garagem. O murinho do gás servia perfeitamente como mesa e o portão recebia muitos papéis pendurados com durex – assim dava aquela idéia de pessoa muito ocupada. Meu escritório dos tempos de criança era organizado e atribulado, mas não lembro bem qual era seu ramo de atividade... Sei que tinha máquina de escrever falsa, feita de caixa de sapato, e que minha secretária virtual se chamava sempre Dona Rita. O metier, aliás, pouco importava: eu sempre me interessei por vários tipos de negócio. Com uma bela ajuda do cinema, claro.

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Fla Wonka em 22 de janeiro de 2007


O Saber Fazer

É assim mesmo, em iniciais maiúsculas, que ando me referindo ultimamente ao “Saber Fazer”. A cada dia que passa estou mais e mais me convencendo de que as pessoas que sabem fazer coisas são encantadas. Entende, é aquela habilidade inata para costurar, bordar, cozinhar, pregar, pintar, desenhar, construir... Onde aprenderam? Como acham tempo? De onde têm as idéias? Do que essa gente é feita, de agulhas, martelos, tinta e magia?

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Fla Wonka em 18 de janeiro de 2007




No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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