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A listinha daquela turma Hoje a coisa já ficou bem mais blasé. Mas até alguns anos, talvez uma década atrás, toda vez que o sujeito ia em viagem ao exterior, ouvia as mesmíssimas coisas. Número 1: “tá podendo, hein?”. Número 2: “ai, me leva na mala?”. Número 3: “poxa, eu precisava de um negócio... se eu te der o dinheiro, você me traz?”. Com a chateação generalizada dominando aeroportos e arrasando todo o clima divertido que antes envolvia viagens assim, as duas primeiras frases foram bastante trocadas por “xiii, tomara que não atrase o vôo” e “não esquece de tirar da mala de mão os aerosóis, cortadores de unha, espelhos, bebidas, presilhas, batom, câmeras, grampos, pasta de dente e fuzis de longo alcance, viu?”. Já a terceira frase nunca sai de moda. O que muda são apenas as encomendas. Continue lendo "A listinha daquela turma"Fla Wonka em 12 de março de 2007 Aonde nunca se vai Eu não conheço ninguém que voou no Concorde. Nem quem singrou os oceanos a bordo do Cutty Sark. A bem da verdade, nenhum dos meus parentes, amigos ou colegas já pôs os pés na China ou fez um safári na África. O turismo é uma coisa esquisita, que atiça a mente mas compromete os bolsos. E então a maioria acaba tendo que juntar anos de dinheiros para correr sete dias a Paris ou passar seis noites na Disney. Isso não impede, claro, que sonhemos. Para quais lugares você sonha ir – mesmo sabendo que isso tem tanta chance de acontecer quanto de ver sua vó surfando? Eu conto primeiro, você depois! Continue lendo "Aonde nunca se vai"Fla Wonka em 8 de março de 2007 Eles-com-bola Eu seria a última a poder reclamar, porque afinal de contas também prego os olhos em partidas com 11 de cada lado. Desde que comecei a gostar de futebol – sempre aos domingos, para aproveitar bem juntinho a companhia do meu pai – para sempre peguei mania de acompanhar jogos importantes, resultados, belos lances, fofocas do mundo boleiro. Mas tudo isso, junto, não corresponde a 10% da sanha de UM homem que curte o jogo. Eles são assim, peculiares, no que concerne ao mundo da bola. Continue lendo "Eles-com-bola"Fla Wonka em 5 de março de 2007 Sweet thirty two Eu sentei na mesinha de fora, porque dentro do estabelecimento jorrava um ar-condicionado programado no nível “Polar”. O café viria logo, disse a mocinha do balcão. Com essa mania divina e inocente de espichar a orelha para ouvir conversa dos outros, localizei a próxima vítima. Lá estava ela: menina, cabelão revoltado, expressão dura no olhar, uma interlocutora logo à frente. E então finalmente consegui apanhar a meada da importante conversa: - E aí ele veio atrás de mim na cozinha e me deu um cata! E eu entendi tudo o que viria daí por diante. Continue lendo "Sweet thirty two"Fla Wonka em 1 de março de 2007 O nosso Oscar E daí que a Academia de Artes Cinematográficas faz uma baita festa para revelar seus vencedores? Se a gente quiser, pode fazer um Oscar muito mais bacana, premiando todo aquele que julgarmos legais de verdade nas categorias que bem inventarmos. Aqui é você quem vota – e, se quiser, fique à vontade para ticar mais de um, nenhum... ou criar sua própria versão dos melhores do cinema. Continue lendo "O nosso Oscar"Fla Wonka em 26 de fevereiro de 2007 Jardim da infância Para o almoço sair no horário, era preciso se organizar bem cedo, quase ao despertar do dia. Afinal, ainda seria necessário um tempo para ludibriar a dona da cozinha, jurando que os talhares, pratos e panelas surrupiados seriam usados com muuuuito cuidado. E também era vital apanhar logo todos os ingredientes, antes que a tal proprietária desse conta do desfalque em seu quintal. Ah, sim, as refeições dos tempos de criança eram feitas no quintal. Na base de vegetais comíveis e incomíveis, cascas, terra, água... Tudo do bom e do melhor! Continue lendo "Jardim da infância"Fla Wonka em 22 de fevereiro de 2007 E o mau-humor invade a avenida “Essa é a Rainha de Bateria da Viradouro, Juliana Paes! Juliana é um dos destaques da noite e promete evoluções inovadoras na passarela”. Humft. Essa aí foi aquela que ficou pelada na Playboy e depois todo mundo viu que ela tinha celulite, né? Agora voltaram a achar a menina gostosa? Gente incoerente. Eu acho que ela tem boca de caçapa. E, se saísse ali na Rua Direita, achava umas vinte mocinhas iguais... Ó, nem sambar samba, só sacode esses penachos que nem um pavão bêbado! Continue lendo "E o mau-humor invade a avenida"Fla Wonka em 19 de fevereiro de 2007 A alma de cada coisa Se todos nós temos mesmo uma alma, ninguém pode dizer com certeza absoluta. Exceto, claro, aqueles que passaram por experiência de quase-morte, pairando pela sala e vendo seu corpinho jazer assustadoramente logo ali abaixo, para depois voltar a si e contar tudo num livro e... Bom, isso é outro assunto. Alma mesmo, ali, com foto no jornal e certificado de propriedade, ninguém tem. Mas não precisa todo esse rigor, certo? Alma não se pode ver ou tocar, mas se pode sentir. E, por esse ponto de vista, tudo tem alma – desde um vaso de margaridas até um velho chapéu de feltro. Continue lendo "A alma de cada coisa"Fla Wonka em 15 de fevereiro de 2007 Ver próximas páginas:
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