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Um volante com dois lados Mas será possível? O semáforo adivinha quando a gente está com pressa e leva uns 38 minutos a mais para abrir, não é, não? Ó lá, agora vai. O do lado de lá ficou amarelo... Por que eu não consigo mirar apenas o meu semáforo, tenho sempre que grudar os olhos no semáforo do outro sentido? Deve ser ansiedade de tráfego. Agora vaaaai... Não! Mulher! Não começa a atravessar a rua agora, o sinal vai abrir pra mim! Folgada! E ainda anda devagarzinho. Que porre que é pedestre, se acham os donos da rua! Continue lendo "Um volante com dois lados"Fla Wonka em 5 de abril de 2007 Pra pivete, pra marmanjo São bem outros os tempos dos seriados de TV. Agora é um tal de protelar mistérios indecifráveis, supor que existem indivíduos superpoderosos, gastar dinheirão em locações, maquiagem, guarda-roupa e uma horda de atores e figurantes. Até explosão tem! Até personagem que voa! Foi-se o tempo em que série de televisão usava um sofá, paredes de papelão e a claque – aquela risada fajuta e cafona previamente gravada. Não que dê muita saudade disso, lógico, pois todos queremos alguma evolução na telinha. Mas, há não muito tempo, ainda tinha gente gastando suas horas de telespectador com dois seriados muito simples. Um para gente madura, outro para gente imatura. Continue lendo "Pra pivete, pra marmanjo"Fla Wonka em 2 de abril de 2007 Podemos falar de nojeira? Eu sei, é desagradável. É revoltante, deplorável, um acinte. Mas fazer o quê? Chega um dia em que é preciso falar das coisas que enojam a vida. Bacana não é, mas sabe... eu tenho irmão mais velho. Quem tem irmão mais velho não tem muita medida sobre a repugnância das coisas. Ora essa, ele se sentava pra almoçar, abarrotava a boca com purê de batata, batia no meu braço e, assim que eu olhava, começava a fazer um fictício movimento de manivela com a mão enquanto espremia a massaroca por entre os dentes. Poucas coisas, depois disso, podem me dar asco. A não ser umas tantas aí. Continue lendo "Podemos falar de nojeira?"Fla Wonka em 29 de março de 2007 Irreality show Eu me pego com programas de realidade como molho de macarrão com blusa branca nova. Todo mundo que me conhece, sabe: se aparecer um reality show para escolher o novo porteiro de um prédio de luxo, eu estarei assistindo. Se nele usarem provas cretinas como “quem distribui correspondência mais rápido” ou “qual dos participantes consegue dizer, sem gaguejar, o Senhor Sergei Bubka está aqui em baixo, posso mandar subir?”, eu estarei assistindo. Se nas noites de eliminação o perdedor for mandado embora para casa entrando no elevador de serviço com setinha pra baixo, aos prantos, com muita fumaça cenográfica e ao som de “(I’ve Had) the Time Of My Life”, eu estarei assistindo. E me emocionando. Mas Big Brother Brasil? É dose, hein? Continue lendo "Irreality show"Fla Wonka em 26 de março de 2007 Lista de uma síndica em crise OBS.: Todos os itens devem ser cumpridos o mais rápido possível; lembrar que, em caso de precisar de verba extra dos cinco proprietários para qualquer fim, preciso afiar a peixeira e pensar em boas ameaças de morte. - ITEM URGENTE: Redigir de novo a cartinha para a moça do 3 pedindo silêncio depois das 22h, conforme solicitou a moradora do 4, e que ela não erga o som do rádio a mais de 6 bilhões de decibéis durante o dia, como pediu a senhora do 2, ou mesmo ande com o saltinho pra lá e pra cá à meia-noite, porque o rapaz do 1 ameaçou matá-la se isso acontecer de novo. Ah: treinar o discurso para depois do golpe de Estado que darei em breve, expulsando esses colonos daqui e tomando posse das unidades todas. Continue lendo "Lista de uma síndica em crise"Fla Wonka em 22 de março de 2007 Onde andava você? Há 112 anos, gente muito sortuda pôde presenciar a chegada de um trem projetada na tela branca – coisa dos irmãos Lumiére, claro. Como isso aconteceu 80 anos antes que papai e mamãe pensassem na minha existência, não presenciei. Assim como perdi a primeira transmissão televisiva, ignorei Woodstock e não vi Neil Armstrong cravar as botas na Lua. Mas desde que tomei consciência do mundo, certos acontecimentos deixaram registros permanentes. Não é que apenas me lembro disso ou daquilo. Eu sei que roupa estava usando, em que condições ouvi o fato, quantos graus estava fazendo. A memória de todas as pessoas é assim, acho. Marca na alma onde estávamos em certos dias. Continue lendo "Onde andava você?"Fla Wonka em 19 de março de 2007 Beatles para vestir Tem dias em que a gente acorda assim mesmo, com vontade de ficar entre os lençóis até que escureça de novo. Nesses dias, o melhor é vestir “Revolution”. Eu garanto, virá uma energia extra para agüentar de pé todas as horas de tarefas chatas e superar qualquer mau humor. Ah! Não caia na besteira de vestir “Penny Lane”. Já fiz isso e posso dizer: com ela, aquela vontade de ficar entre os lençóis acaba virando vontade de voltar a ter sete anos e ficar no colinho da mamãe por 24 horas. Não vista “Penny Lane” em dias assim, sério! Continue lendo "Beatles para vestir"Fla Wonka em 15 de março de 2007 Ver próximas páginas:
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