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Ás do volante, camarada dos Playmobils e viciada em sorvete.

Sabrinices 2

Ela é a luz da minha vida, dona do meu coração, melhor motivo para eu acordar de manhã e proprietária de todos os meus pensamentos. Mas Sabrina também é meu show de comédia particular. Cada dia, um capítulo diferente. E já que a série fez sucesso daquela primeira vez, resolvi contar mais algumas. Espero que aproveitem como eu aproveito diariamente.

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Fla Wonka em 5 de julho de 2007


Doencinha cuti-cuti

Quando a gente é pequeno, sempre tem um dia em que passa da conta e come muita porcaria. Logo vem a dor de barriga e corremos para a mamãe dar remédio, carinho e beijinho no dodói. Quando a gente é grande, sempre tem um dia em que passa da conta e come muita porcaria. Logo vem a dor de barriga – mas não tem muito jeito de correr para a mamãe dar remédio, carinho e beijinho no dodói. Aliás, nem é bom dizer “eu tô com dor de barriga...”. Melhor falar em congestão, gastrite ou apelar para o genérico “estou indisposto”. Ninguém tolera ver um adulto com dorzinha de barriguinha. Claro, pois tem doença que fica ridícula em marmanjo.

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Fla Wonka em 2 de julho de 2007


Rotina, rotina, rotina

Na casa da minha Vó Emília, quarta-feira é dia de sopa, sexta tem macarrão e domingo é batata encontrar um frango assado no forno – com batata. Ela implantou o cardápio lá pelos anos 70 e nunca mais mudou, então a família toda sabe o que vai comer se baixar na casa da vovó em determinado dia. Já de pequena, eu não entendia bem por que essa bitola toda: ora, variar a vida dia-a-dia sempre pareceu uma opção muito melhor! Mal sabia eu que a rotina nos pega, não importa quando. Um dia ela simplesmente vem e se instala.

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Fla Wonka em 28 de junho de 2007


Alô, é o Roteirista?

O moço está perfeitamente aninhado em sua cama redonda, envolto nos lençóis de cetim fúcsia, recuperando-se da noitada regada a cuba libre e talvez um pouco de haxixe. Enquanto sonha que está escrevendo um script vencedor do Oscar com a fabulosa Ali McGraw sentada bem ali ao lado, ele ouve um som desagradável. O telefone. Maldição, o telefone! Quem seria a uma hora dessas?

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Fla Wonka em 25 de junho de 2007


A Mamãe Biônica

É preciso que um segredo milenar seja agora desvendado. Muitos acobertam tudo isso, mas chega uma hora em que é necessário quebrar o silêncio junto à comunidade científica e a opinião pública. Estão sentados? Bom, é assim: quando levam a mulher grávida para o centro cirúrgico, não acontece ali apenas o parto normal ou a cesariana. Isso é o que fica gravado no vídeo. Porém, de forma velada, os doutores também arquitetam outro procedimento. Trata-se de uma operação delicada para transformar a simples moça em mãe.

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Fla Wonka em 21 de junho de 2007


Emoção de saguão

Eu choro no cinema, no teatro, no comercial do hidratante com a menininha de sardas. Choro lendo livros, quando discuto, quando me fazem um elogio bonito. Desentupir o canal lacrimal, aqui, nunca foi problema. Imaginem, então, o que acontece dentro de um aeroporto... Oh, sim, aeroporto! Não tem lugar mais emotivo do que aquele onde descem e sobem aviões cheios de gente, sentimentos, memórias, reencontros, despedidas.

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Fla Wonka em 18 de junho de 2007


Não leio mais

Foi vista beijando um cara. Foi vista bêbada. Foi vista vomitando. Foi vista sem calcinha. Foi presa. Foi vista bêbada. Foi vista vomitando. Foi vista entrando na clínica de reabilitação. Foi vista saindo da clínica de reabilitação. Foi vista sem calcinha. Foi vista bêbada. Foi vista vomitando. Sinceramente: Britney Spears, Lindsay Lohan e Paris Hilton não devem mais agüentar a si mesmas, tamanha exposição na mídia. E se elas não devem agüentar mais, por que a gente deveria?

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Fla Wonka em 14 de junho de 2007


Eles que ensinaram

Eles me davam cascudos. Escondiam meus brinquedos, me chamavam de mimada e, desconfio, preferiam ter ganhado um videogame a uma irmãzinha. Tenho um irmão e uma irmã que mais se parecem com versões jovens e brasileiras do McGiver – e temo que, deixando dois clipes de papel, meia dúzia de laranjas e uma folha de sulfite nas mãos deles, sairia uma bomba atômica. Uma bomba atômica falante, sabida e com bom humor, claro.

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Fla Wonka em 11 de junho de 2007


Friodaporra

Ah, olhem, me desculpem mesmo o mau jeito do título. Mas quando uma coisa é definitiva demais, é só assim que consigo defini-la: escrevendo tudo junto, como se diz, e com uma palavra bastante feia de arremate. Afinal, o frio que faz em São Paulo não é friozinho e nem friozão. É um friodaporra mesmo. Daqueles que nos obrigam a rituais estranhos pelas 24 gélidas horas do dia.

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Fla Wonka em 4 de junho de 2007




No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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