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Os perfumes No momento, um cheiro de café primoroso invade a minha casa – e suponho que seja coisa da vizinha de baixo, aquela sacana, preparando seu desjejum. Isso acontece pela janela da cozinha, enquanto pela janela da sala o que se sente é a doçura das flores de jasmim, que de manhã ficam ainda mais aparecidas. No meu travesseiro, há um cheirinho bom de xampu de bebê. É a bebê, lógico, aboletada por lá assistindo desenho animado. Todo cheiro gostoso ou ruim fica marcado na memória e acaba remetendo a essa ou aquela lembrança, não é? Continue lendo "Os perfumes"Fla Wonka em 10 de setembro de 2007 Brincadeira de criança No meu tempo, bastava a gente roubar umas panelas da cozinha e uns punhados de cereais da despensa para ter uma tarde gloriosa. Brincar de comidinha era a febre da minha geração, assim como de escolinha, escritório, brincar de ser mãe das bonecas ou de controlar um exército de Playmobils em excursão geológica no jardim de casa. Brincar era uma atividade pura e inocente. Hoje também é. Talvez só um pouquinho diferente. Continue lendo "Brincadeira de criança"Fla Wonka em 6 de setembro de 2007 Mamãe não estava lá Quando eu nasci, sei que minha mãe contava 34 anos. Já tinha dois filhos, estava safa em cuidar de bebês. Então ela penteava minha juba de lado (sim, eu já vim ao mundo com uma peruca de cabelo), dava banho, chamava por nominhos fofos. Um pouco depois, voltou a trabalhar – quando então me deixava com uma senhora chamada Margarida. Quando eu andei, falei e comi a primeira pratada de arroz com feijão, minha mãe até que estava lá. Quando eu caí da bicicleta na rampa, quando eu desmaiei na fila da montanha-russa e quando eu conheci os Estados Unidos, ela não estava. Continue lendo "Mamãe não estava lá"Fla Wonka em 3 de setembro de 2007 Costureira Kid Quando fizemos 14 anos, eu e as amigas daqueles tempos ganhamos presentes adoráveis. Lembro de uma ter faturado um tênis da Pakalolo azul. E outra levou outro tênis da Pakalolo, só que rosa. Bem, teve uma terceira... ah, sim, tênis da Pakalolo. Eu ganhei um curso de corte e costura em dez aulas. E, por mais estranho que possa parecer, não torci o nariz, pois estar entre linhas, paninhos e máquinas barulhentas acionadas por pedais sempre me foi agradável. Tanto que estou de volta. Continue lendo "Costureira Kid"Fla Wonka em 30 de agosto de 2007 O agente destes lados Pipoca em punho, fui no sábado conferir uma sessão do fulgurante e literalmente bombástico “O Ultimato Bourne”. Nele, Jason briga feito homem, fala vinte idiomas, pratica ligação direta em carros, motos, barcos e liquidificadores. Jason é estrategista, é escapista, é um gênio da invasão de empresas e domicílios. E apesar de ter um passaporte brasileiro, no qual se chama Gilberto e nasceu em Osasco, ele só faz tudo aquilo porque não faz aqui. Queria ver o Bourne agindo nas nossas terras, isso sim. Continue lendo "O agente destes lados"Fla Wonka em 27 de agosto de 2007 Fim dos dias Se hoje fosse seu último dia, seria bom não falar para a sua Mamãe que o bife está com sabor de sola, mas sim que ela é uma ótima quituteira. Se hoje fosse seu último dia, seria melhor usar o tênis confortável do que o sapato apertado. Se hoje fosse seu último dia, e você pressentisse isso de algum jeito, seria bom almoçar sua adoradíssima lasanha quatro queijos, e não a costumeira saladinha de folhas quase sem tempero, não é? Continue lendo "Fim dos dias"Fla Wonka em 23 de agosto de 2007 Paulista vai à praia É mundialmente conhecido que gente nascida em São Paulo e praia formam uma mistura tão combinada quanto cachaça e caviar. Os cariocas se espalham na areia com charme e os nordestinos fazem do local sua segunda casa. Bem, os paulistas nem tanto. A gente tenta ser íntimo da conjunção céu-sol-mar, mas isso não é bem... ué, não é bem a nossa praia. Continue lendo "Paulista vai à praia"Fla Wonka em 20 de agosto de 2007 Só é feio quem é pobre O odioso título acima também denominava um e-mail que circulou há muito, muito tempo pela net. Trazia uma dúzia de celebridades antes e depois da fama – mostrando que muitas beldades que vemos hoje na TV passaram por uma, senão várias, sessões de funilaria e pintura. E por que não? Elas dizem que vivem da imagem, e que, portanto, a imagem deve ser esculpida dia-a-dia. Seja com plástica, lipoaspiração, chapinha ou uma injeção na testa (que não sai de graça). Continue lendo "Só é feio quem é pobre"Fla Wonka em 16 de agosto de 2007 Apenas 10 idéias Não que eu seja uma perita em política, bem longe disso. Mas será que nosso Congresso Nacional não poderia aceitar só umas idéias aí que me ocorreram? Ou será que a gente não pode obrigá-los a aceitar para, quem sabe, melhorar a imagem e a performance de uma turma que só anda aparecendo para explicar mutreta, enrosco, desvio, má conduta e falta de ética? É pouquinha coisa, nem vai doer. Continue lendo "Apenas 10 idéias"Fla Wonka em 13 de agosto de 2007 Ver próximas páginas:
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