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Ás do volante, camarada dos Playmobils e viciada em sorvete.


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O ócio deve ser criativo – e permitido

Às vezes sinto que deveria me candidatar a algum cargo público. Não tenho a pretensão de achar que posso resolver a fome no país ou riscar do mapa, de vez, estes traficantes filhos de uma égua. Talvez minha contribuição seja mais eficaz no âmbito da rotina classe média. Alguém me apóia se eu virar senadora e instituir um dia de "Folga Oficial"?

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Fla Wonka em 22 de maio de 2008


A prosaica máquina do tempo

Doutor Brown e Marty McFly que me desculpem, mas eu não teria grandes eventos a cumprir caso conseguisse, afinal, botar minhas mãos no volante de um veículo viajante do tempo.

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Fla Wonka em 19 de maio de 2008


Tive saudades, Indi

Eu sempre vou lembrar daquele dia em 1981. Tinha rolado um almoço na casa da minha tia mais querida, regado a muita macarronada (nhami), cuscuz (gásp), birita (para os grandes), Ki-Suco (para os pequenos). Depois da pança cheia, sentamos para papear e meus irmãos e primos começaram uma movimentação. Movimentação forte de quem vai picar a mula dali. Fiquei de orelha em pé. Ouvi “cinema”? Ouvi “filme de caça ao tesouro”? Eu precisava muito participar! Mas em 1981 eu tinha só seis anos, enquanto eles contavam meia dúzia de anos a mais. Não me deixaram ir ver “Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida”. Que ardam no fogo de Kali Ma, malditos.

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Fla Wonka em 15 de maio de 2008


Estranhas famílias

Hoje a gente se acostumou a ver famílias com dois pais, famílias com duas mães e família com dois pais E duas mães. Tem família com filhos, enteados e a vovó que mora junto na casa. Tem famílias em que os avós é que são pais. E família em que os filhos é que cuidam dos pais. Mas talvez a família mais exótica ainda seja aquela com pai, mãe e filhos. É que essas têm umas esquisitices que saltam aos olhos.

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Fla Wonka em 12 de maio de 2008


Boca de siri

Da infância pra cá, eu acho que mudei muito. Muito mesmo (e nem estou falando da substituição dos óculos azuis de coruja por outros mais bonitos ou da abolição do aparelho fixo). Fiquei mais sarrista, mais valentona, mais caxias, mais fresca... A única coisa que nunca mudou, talvez, seja a completa aversão a ficar de boca fechada. Tinha algo novo e bacana acontecendo, eu queria logo contar! E que sofrível era – e ainda é – ouvir “mas não fala nada pra ninguém”.

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Fla Wonka em 8 de maio de 2008


Ça va? Eu estou em coma

Quando minha mãe achou que já era bem hora de aprender inglês direito – pois as aulas da escola regular não passavam de um safado verbo “to be” –, eu contava uns 10 anos. Fui matriculada em uma instituição de preço mediano e ensino um pouquinho abaixo disso (que eu não vou dizer o nome, mas era o Fisk). Foram cerca de 18 meses de aulas. Foi tudo o que agüentei. Eu simplesmente odiava aprender inglês e os métodos ali eram pra lá de modorrentos. Hoje eu falo a língua bretã como o Tarzan, mas até que me viro. E para não me ver jogada para trás no mundo dos idiomas, decidi recentemente tomar aulas de francês. E me sinto, toda quarta das 11h ao 12h, como uma garota em coma.

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Fla Wonka em 5 de maio de 2008


Paulista vai à praia

É mundialmente conhecido que gente nascida em São Paulo e praia formam uma mistura tão combinada quanto cachaça e caviar. Os cariocas se espalham na areia com charme e os nordestinos fazem do local sua segunda casa. Bem, os paulistas nem tanto. A gente tenta ser íntimo da conjunção céu-sol-mar, mas isso não é bem... ué, não é bem a nossa praia.

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Fla Wonka em 1 de maio de 2008


Ases do estorvo

Eu gosto de gente. Juro, gosto mesmo – a despeito de tudo o que essa raça pode fazer, é quase um instinto gostar de gente. A primeira reação é sempre dizer “ah, vá, coitado... acho que ele não quis amolar/incomodar/aborrecer ninguém”. Mas às vezes é preciso admitir que, sim, algumas pessoas querem mesmo, deliberadamente, amolar/incomodar/aborrecer outrem.

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Fla Wonka em 28 de abril de 2008


Imperfeições culinárias

É como a foto do sanduíche do McDonalds: no cartaz, parece o nirvana em forma de lanche; quando a gente recebe o troço, parece que um elefante sentou sobre ele e balançou as pernocas. Com pratos caseiros é semelhante, a gente pode tentar ao máximo manter a foto da receita em mente, mas às vezes o que sai é uma aberração que não poderia figurar nas revistas gastronômicas, mas sim nos livros de biologia.

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Fla Wonka em 24 de abril de 2008


Das coisas que eu achava sobre o Brasil

É sério: quando pequena, ainda estudante inocente, eu achava que o Dom Pedro I era o filho e o Dom Pedro II era o pai. Afinal, 2 era mais do que 1. E também, aqueles retratos do moço já velho e do velho bem moço me confundiam pacas.

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Fla Wonka em 21 de abril de 2008




No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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· Vivi Griswold