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Samba do cineasta doido Dizem que é o pior filme já produzido. Dizem que nenhum outro roteiro conseguiu ser tão ruim. Dizem que dificilmente o cinema trash contará com um exemplar mais fiel. Na verdade, podem dizer coisas até a saliva acabar: nem mesmo todos os adjetivos da língua portuguesa conseguiriam, juntos, descrever "Plano 9 do Espaço Sideral". A obra-prima de Ed Wood precisa ser vista para ser compreendida. E se você ficar desencorajado pelas críticas negativas, pode acreditar que estará privando-se de um divertimento sem precedentes. Quer ver? O longa-metragem em preto-e-branco, lançado em 1959, faz rir mais do que muita comédia cinco estrelas por aí - e um dos maiores culpados é justamente o fato da produção ter sido tratada com seriedade pelo seu mentor, um cineasta doido que não se importava em ser ridicularizado, contanto que conseguisse fazer sua arte sem gastar muito. Mas não vá achando que o "Cidadão Kane do mundo bizarro" é apenas um filme tosco com óvnis fajutos segurados por fios. A graça vai muito além disso. "Plano 9" começa com um narrador de chuca no cabelo. Ele nem precisaria abrir a boca para você gargalhar. Porém o faz. E, com voz grave, solta a seguinte mensagem de boas-vindas: "Saudações, meus amigos. Todos nós temos interesse no futuro, pois é lá onde eu e você iremos passar o resto das nossas vidas. E lembrem-se, meus amigos, de que eventos futuros como estes irão afetá-los no futuro". Daí o espectador já começa a ter aquele feeling avisando que vem coisa porreta adiante. A história é um primor. Os alienígenas ficam furiosos com a raça humana. Acham que os terráqueos são perigosos e odeiam que o governo dos Estados Unidos fique negando a existência de vida fora deste planeta. Portanto, decidem exterminar nosso lar. Mas ah, não se contentam em lançar um raio laser e explodir o globo! O plano - chamado "9", o que me faz temer os outros oito - é, veja bem, bombardear com energia as glândulas pituitárias dos mortos para que eles então voltem à vida e dominem os humanos. Daí sim os E.Ts. chegarão e destruirão tudo. Ou seja, trata-se de uma mistureba que inclui ficção científica, zumbis e teatrinho da pré-escola. Passei a maior parte do tempo refletindo sobre onde diabos Ed Wood tinha encontrado atores com tamanha falta de dramaticidade. Arriscaria até mesmo dizer que o elenco era vizinho do diretor e recebeu o salário em tubaína e misto-quente. Aliás, o único nome de peso escalado, Bela Lugosi, morreu quatro dias após iniciadas as filmagens. Wood não deixou se abater com o lamentável evento e tratou de substituí-lo pelo médico de sua esposa. Isso explica porque o personagem de Bela, um dos mortos ressucitados pelos aliens, anda sempre com uma capa cobrindo o rosto (e é significantemente mais baixo que o original). Gambiarra poderia ser o nome do meio de Ed Wood. Para tudo ele dava um jeito. Por exemplo, o diretor conseguiu convencer uma igreja batista a financiar a produção e foi obrigado a batizar a si próprio (e a toda a equipe) para que o dinheiro saísse. As cenas aéreas em que aparecem aviões do exército americano foram, hã, "emprestadas" de propagandas da corporação. No vídeo promocional do longa-metragem, inseriu-se a chamada cara-de-pau "quase estrelando Bela Lugosi". A maior parte do figurino usado foi arranjada pelos próprios atores. E diz a lenda que quando o cineasta levou o roteiro para Gregory Walcott, o piloto traumatizado por visões de discos voadores Jeff Trent, ele respondeu que era o pior script que já lera em toda a sua vida. Falando nele, o roteiro merece menção honrosa. Além do mote estapafúrdio que amarra (ou não) todo o filme, há outros detalhes. Como quando Jeff Trent avisa sua esposa Paula de que havia relatos de uma movimentação estranha acondecendo no cemitério da cidade e que era para ela, em sua ausência, trancar bem as portas e manter-se longe do local. Quando o monstro consegue arrombar a casa, para onde você acha que a donzela corre? Para o cemitério! E o zumbi, que obedece o policial pois está sob a mira de um revólver? Ué, achei que já estava morto... Sem falar que os diálogos são impagáveis. O melhor é proferido pelo alienígena ao explicar todo o plano para os tiras. De repente, ele diz de modo esganiçado "Estão vendo? Estão vendo? Suas mentes estúpidas. Estúpidas! Estúpidas!". Juro, dá cãimbra no maxilar. Ah, sim, você quer saber sobre as calotas de carro que fazem o papel de óvnis? Tudo bem: ver aqueles discos chacoalhando em um vôo desengonçado sobre os céus de Hollywood é testemunhar a magia do cinema trash. Mas, para mim, o momento alto do filme é a cena dentro da espaçonave. Primeiro, o recinto tem cantos, contrariando todas as leis impostas por um ambiente arredondado. Segundo, os móveis aparentam ser um tanto mundanos - os equipamentos dos alienígenas repousam em mesas de escritório. Terceiro, o chefe dos E.T.s usa uma blusa de cetim com um escudo no centro, onde é possível ver a silhueta de um machado. Hmm, algo me diz que a vestimenta foi roubada de alguma produção medieval que estava rolando no estúdio ao lado! No final, quando você pensa que seu corpo exausto e dolorido não consegue mais soltar uma gargalhada sequer, o locutor de chuca volta. E setencia: "Talvez alguém passará por você no escuro, e você nunca saberá, por que ele será... do espaço sideral!". Um fechamento único para um filme indiscutivelmente... único. ![]() Eu PRECISO comprar esse pôster!
Placas, faixas e sinais Ouvi dizer em algum lugar que a placa de PARE é universal. É claro que ela vem escrita na língua de cada país e eu definitivamente não saberia ler “pare” caso estivesse guiando nas avenidas de Adis Abeba, capital de um país cuja língua oficial é o... suahili. No entanto, garanto que eu não atravessaria um cruzamento adis-abebense incauta. Isso porque todas as placas que ordenam o pé no freio têm aquele formato octavado – e aí mora sua sintetizadíssima universalidade. Sempre fui uma sagaz (embora míope) observadora de placas e afins. E elas sempre me intrigaram. RETORNO, por exemplo, é uma das que mais me causam transtorno, com o perdão da rima. Se me deparo com um aviso assim, acompanhado de uma seta à esquerda... RETORNO ... quer dizer que, se eu dobrar à esquerda, vou voltar para a Vila Mariana ou vou sair da Vila Mariana em direção a algum local onde estive (ou deveria estar) antes? Pessoas como eu, incapazes de dar uma volta no quarteirão sem se perder, mereciam mais atenção dos emplacadores. Outro problema constante – sem contar as árvores que insistem em cobrir as informações sobre a última saída de uma rodovia – é a seqüência dos avisos. Sigo placas porque não tenho a menor idéia do caminho a fazer. Adepta do “quem tem boca vai a Roma”, quando me vejo perto do destino paro num posto ou ponto de táxi, pisco bem os cílios e pergunto docemente: “o senhor saberia me dizer onde fica essa rua?”, já que não sei operar por guia também. Então, suponhamos que eu esteja procurando um endereço na Penha. Alguém me diz que devo pegar a Marginal (o que já é um problema, porque São Paulo tem duas Marginais). Ok, descubro a qual avenida beira-rio estão se referindo e entro na dita cuja. Depois, me dizem: “ah, aí você vai pelas placas”. Penso: “dessa vez vai dar certo”. Humpf. Saio da Marginal por orientação da grande lâmina de madeira verde, com letras que reluzem no escuro (mas nem sempre. Especialmente se você está tentando se orientar sozinha, à noite, com a gasolina na reserva). Continuo seguindo as placas. Mas como vou saber que cheguei na Penha? A série devia ser assim: PENHA – Próxima saída PENHA – Faixa exclusiva PENHA – Mantenha-se à direita PRONTO! VOCÊ ESTÁ NA PENHA Mas nem só de placas é feita a comunicação entre departamento de tráfego e motorista. Há uma faixa próxima ao Parque do Ibirapuera, grande moita encravada entre os prédios da cidade, que diz: NÃO ESTACIONE EM LOCAL PROIBIDO – EVITE GUINCHAMENTO Acho curioso que o departamento de trânsito tenha que ratificar uma informação já passada pelas plaquinhas com o E riscado, tão mal-quistas pelos condutores indignados com o valor dos estacionamentos privados – sujeitos esses que podem se tornar pior-ainda-quistos pela comunidade de motoristas caso decidam desrespeitar o aviso e complicar o fluxo mais um tiquinho. E o que é pior: além de repetir uma informação, a faixa ainda ameaça os proprietários de veículos com o temível guinchamento – cujo desenrolar o leva para o famigerado... pátio de veículos do Detran. Outra coisa que todo mundo já sabe. Então, me pergunto porque gastar dinheiro com esse tipo de faixa em vez de mandar espalhar por aí umas placas “VOCÊ ESTÁ NA PENHA”. Só pode ser porque os motoristas são capazes de façanhas que põem à prova a dureza do adamantium se comparado às suas cabeças. Porém, não é só a prefeitura que tem algo a dizer aos motoristas da cidade. Os moradores também querem se comunicar. Há um tiozinho com o folclórico nome de Ítalo Caminhoto, proprietário de um moquifo na rua Vergueiro. Depois de ostentar na fachada de seu comércio (que tem algo a ver com demolições e entulho, acho) uma placa com a frase “E a Marta ainda quer o alvará desta bosta”, ele trocou por outra que diz: “Pobre, ajudei derrubar Marta”. Pelo conteúdo dos primeiros dizeres, suponho que ele tenha problemas com a Marta – no caso Suplicy, ex-prefeita de São Paulo. Mas o que Ítalo, o Caminhoto, quis dizer com o aviso mais recente? Pode ser que ele votou no Serra e se arrependeu. Talvez ele quis provar que pessoas de menos posses também votaram no tucano. Ou, ainda, “pobre” é um vocativo. E ele se dirige a todos os descamisados para dizer que votou contra a prefeita. No final das contas, resumo demais estragou a compreensão da idéia. Ou sou só eu que adoro escarafunchar sentidos diferentes num mesmo período? Remédio para o meu caso é a síntese absoluta da mensagem, feita através de um ícone. Rápida e rasteira, a comunicação por imagem chega ao alvo feito uma flecha – salvo quando você não entende o desenho, acontecimento comum naquelas ilustrações de luz e sombra ou no inesquecível Olho Mágico. Mas isso já é outra história... O Ítalo podia ter botado logo uma foto da Marta com um xis em cima, para não deixar dúvidas. A faixa do Detran podia ter um carrinho carregado por um guincho, debaixo de uma placa de proibido estacionar. Ou todo esse pessoal podia pedir uma consultoria a Hemeterio – o leitor, o homem, o mito e, agora, o autor do delicioso “Garatujas”, livro de ilustrações que contém, entre outras pérolas, a jóia abaixo. ![]() Isso é que é síntese na comunicação!
Empresta um saco de papel? Eu sou desastrada. Para total desespero, essa peculiaridade vem acompanhada de outra: sou também muito, mas muito envergonhada. Bastou ficar um pouco avexada, já demonstro bochechas cor de tomate maduro, mãos suadas, joelhos trêmulos e aquela sensação de ter um paralelepípedo enfiado bem no meio da goela. Ignorar as situações de embaraço não dá. Ainda mais quando é embaraço extremo, daqueles em que eu desejaria ter a cachola coberta por um saco de supermercado. Sei que o item já não é mais usado, que todos os estabelecimentos já os trocaram por sacolinhas plásticas muito chinfrins. Mas que saudade... Só os sacos pardos, grossos e opacos podiam me salvar de certas manhas do destino. Sim, porque eu coro só de lembrar no tanto de vezes que isso tudo aconteceu! Quer me ver paralisada de vergonha? Pare, observe e espere acontecer o que segue abaixo. Porque acontece muito... ... Engasgar em jantar ... Ser atacada pelos víveres ... Tropeçar na rua ... Derrubar roupa do cabide ... Segurar estranhos ... Seguir falando quando todos calam ... Derrubar bandeja
Olá, tudo bem? Fla Wonka às 10:32 AM
A cigana (não) leu o meu destino O nome dela era Samira. Eu estava saindo do mercado e aquela mulher com vestido florido e colares dourados pulou na minha frente. Levei um baita susto. Tentei desviar, mas o diabo da cigana não me deixava escapatória. Tirou minhas sacolas de mantimentos, agarrou a minha mão e, ali mesmo no meio da rua, começou a dizer tudo que estava escrito nas mal-traçadas linhas da minha palma direita. Ou teria sido da esquerda? Enfim, o importante é que ela começou a acertar uma atrás da outra: sim, eu realmente tinha escorregado no piso molhado lá na seção de frutas; sim, eu fiquei brava porque não achei a minha marca de margarina favorita; sim, um homem com cara de mau esbarrou em mim e eu quase derrubei o vidro de ketchup que estava segurando; sim, quando vi o preço do valor total da compra, pensei em sair correndo sem pagar. Cigana danada de boa. Até me sugeriu visitar o outro mercado que, apesar de ser mais longe, era bem mais em conta! Não... Acho que ela se chamava Esmeralda. E eu a encontrei andando pelo shopping center. Era uma daquelas feiras místicas de domingo e em uma das tendas de pano havia a placa com os dizeres "Não pergunte nada, eu sei de tudo". Bati palma (fiquei em dúvida de como fazer a aproximação, já que seria a minha primeira vez em consulta daquele tipo). Ouvi uma voz lá de dentro perguntar quem era. Pensei que talvez Esmeralda não soubesse de tudo como a placa informava. Propaganda enganosa logo de cara... Mesmo assim, entrei. A senhora tinha brincos de argola, lenço na cabeça e enormes unhas vermelhas. Quando me sentei na cadeira, a bola de cristal se acendeu. Ok, eu vi os dedos ágeis ligarem o interruptor, mas fiz vista grossa para não estragar a atmosfera. Ela disse que eu faria uma longa viagem. Parece ser o chute-padrão de 9 entre 10 videntes. Contou também que meu grande amor estava à minha procura. Nenhuma novidade. Mas ela me surpreendeu mesmo quando revelou que era para eu parar de pintar o cabelo pois aquele tom não combinava com a cor da minha pele. E não é que ela tinha razão, pô? Peraí! Na verdade, o nome da cigana era Carmem. Uma amiga me convenceu a bancar a acompanhante até o consultório da vidente, que lia a sorte das pessoas na borra do café. Chegando lá, a mulher nos recebeu com um abraço. Ela tinha abusado um pouco da sombra azul nos olhos e passou o batom vermelho dentro de um avião em plena turbulência. Deu uma xícara de café para a amiga e para mim. E eu que odeio café, tive de tomar aquele nanquim mal coado. "Até o finzinho, não pode deixar uma gota!", encorajava a esotérica. Depois, pegou a caneca e começou a girá-la, franzindo a testa, pensativa. "Tá vendo, aqui diz que você é médica. Olha o estetoscópio", apontou. Eu olhei para a parte do borrão preto que eu imaginava ser o nariz de um dragão. Respondi era jornalista. Ela voltou a girar. "Estou vendo que você tem muito dinheiro, veja este cifrão". Eu olhei e vi foi a forma de um elefante. Respondi que minha conta no banco estava cheia de teias de aranha. Mais uma tentativa. "Me parece que você tem uma família grande, de 10 irmãos! Olha quantas pessoas à sua volta!". Eu olhei e aquilo não me pareceu irmãos - a não ser que eles fossem formigas. Respondi que tinha apenas dois. Ela então deu um suspiro e setenciou "mas pelo menos a gente tomou um cafezinho, né?". Hmm... Pensando bem, a cigana atendia por Zoraide. Era uma mulher imensa, dona de um cabelo cor da asa da graúna e de uma voz à la Nair Belo. Sua sala fedia a cigarro, fato esse muito estranho para quem forma clientela através de "banhos de cheiro". Só esperava que o cheiro não fosse de nicotina. Pelo menos, uma pitada de patchouli cairia bem, vá. Eu estava realmente curiosa para o tal banho. Do jeito que minha vida andava para trás, aceitaria tudo o que me oferecessem para dar um jeito nela de vez. Zoraide disse que se eu fizesse o banho direitinho, todas as energias negativas desceriam pelo ralo do banheiro e que a água purificaria meu "isprítu". Desconcentrei por um momento, refletindo sobre aquela corruptela de "espírito", mas em seguida voltei a prestar a maior atenção. Ela fez um monte de perguntas a respeito da minha personalidade e foi anotando tudo em um caderninho com letra de garrancho. No final, passou a receita do meu banho: um maço de arruda, três ramos de alecrim, cinco gotas de essência de alfazema e... sabonete Phebo. Nada disso! Sandra Rosa Madalena era sua alcunha. Eu a encontrei em um festival esotérico daqueles que contam com uma vasta gama de "profissionais da área". Ela usava uma longa saia rodada, uma blusa de babados e uma camélia nos cabelos castanhos e compridos. Tarô era seu campo de atuação. Embaralhou as cartas rapidamente, colocou o monte em cima da mesa e pediu para eu cortar em três partes. Obedeci. Ela voltou a juntar todas e passou a abrir uma a uma. Primeiro, veio a carta do enforcado. Ela fez uma careta. Perguntei "E aí?", mesmo com medo da resposta. Ela disse que era cedo demais para tirar conclusões. Virou a segunda carta: o louco. Outra careta. Eu me ajeitei na cadeira, incomodada. Na terceira carta, a temida figura da morte. Sandra Rosa fez cara de pena. Cochichou: "olha, garota, melhor você não saber de nada não, viu? Esquece esse negócio de tarô! Vem, vamos dançar em volta da fogueira ao som do Magal!". Pegou na minha mão. É por isso que eu nunca solicitei os serviços de uma cigana: as videntes da minha imaginação serão sempre mais legais do que as de carne e osso! Vivi Griswold às 10:25 AM
Ação: reprise Eles arrastam multidões aos cinemas, transformam seus protagonistas em astros e rendem milhões de dólares. E, o que é melhor, são facílimos de fazer. Se você está procurando por uma renda extra ao fim do mês, esqueça as lembrancinhas de biscuit ou as cestas de café da manhã. Vá logo para a casa dos seis dígitos e faça seu próprio filme de ação policial! Ok, o investimento dessas produções é decerto um tanto quanto maior do que o necessário para comprar um maço de celofane e mini-sucrilhos. Mas o retorno é garantido. E não tem como errar na receita. Peça empréstimo no banco, recolha dinheiro com os tios abastados, chame aquele seu amigo fortão e aquele outro boa-praça e piadista. Depois, siga as instruções abaixo. Afinal, filme policial de ação que se preze tem que ter... A dupla central Os efeitos A testemunha A sétima cavalaria
![]() Sempre tem explosão... Clara McFly às 10:39 AM
Alívio imediato “Que a chuva caia como uma luva/ Um dilúvio, um delírio/ Que a chuva traga alívio imediatuuuu”. Quando Humbertão, aquele sarrista, cantou esse verso, segurei a boca com as duas mãos em uma atitude típica de quem quer cair na gargalhada. Pensei na besteira imensa: uma simples garoa trazendo qualquer “alívio”? Bobagem! Mas sabe o que mais? De novo, o projeto-de-Jesus-Cristo estava certo (droga, sempre assim...). Chuva pode trazer conforto. Do mesmo jeito que uma série de outros itens. A pura sensação de estar se livrando de um problema é que faz os humanos se diferenciarem dos bichos. Não: não é o poder de raciocínio ou da fala, nem a capacidade de juntar o polegar com os demais dedos. Somos animais um pouquinho mais espertos porque sabemos a maravilha que é, por exemplo... escovar os dentes. Os felinos da savana não imaginam, mas correr ao banheiro no fim de um dia cheio e arear os dentes com escova e pasta pode levar ao nirvana. Tem coisa pior do que bafo de leão – e a impressão de ter passado a tarde mastigando um Estadão de domingo? Assim que a escova dental repleta de pasta ardida toca os incisivos, a boca vira uma festa. Parece que o mundo inteiro tem sabor de hortelã e brilha como diamante. Igual às estúpidas propagandas de Colgate. É o mesmo sentimento que se abate sobre nós quando achamos bonito usar sapato apertado em evento social. O desgraçado comprime os dedos, pressiona o calcanhar, faz a planta doer tanto que imaginamos ter levado um tiro de espingarda na canela. Fico pensando o que sofrem as modelos em Salão do Automóvel ou outras feiras. Não é a toa que algumas pobrezinhas dão o telefone para qualquer mané... Devem estar alucinadas para serem levadas para qualquer casa, arrancar o maldito salto alto! Desabar no sofá e sacar os calçados, no entanto, renova a vontade de viver. Quando ando muito com sapato doído, fico até na dúvida se é melhor mesmo retirá-lo. Acontece que, quando os pés encostam no chão, parece que os ossos não querem mais voltar ao lugar. Era como na infância, quando passava a tarde andando de patins e depois, ao tirá-los, continuava sentindo como se as rodinhas estivessem chumbadas no pé. Pés, aliás, detestam sapato apertado como detestam aviões. Porque lá no céu, dentro da cabine pressurizada, não tem salvação. Todo pisante resolve engordar nove quilos depois de um vôo noturno. Mas isso é o de menos, porque não há qualquer tipo de relaxamento a bordo de aeronaves. Comida ruim, poltrona apertada, banheiro imprestável... Saltar dali e alcançar terra firme, isso sim traz alívio imediato. É como estar louco de fome, já ouvindo o estômago se torcer como motor de geladeira velha, e ganhar um mero misto quente. Fica parecendo banquete de rico, mesmo sendo apenas pão Pullmann com frios. Com bebidas, é igual. Quem já sentiu a água gelada descer pela goela depois de enfrentar um calor africano? E se depois do gole revigorante houver possibilidade de ficar debaixo de um ventilador, é glória. Podemos morrer em paz ali mesmo. Alívio pleno é assim: tem que vir depois de uma situação extrema. Puxar o cobertor após acordar com o corpo petrificado de frio; cortar as unhas após notar que pareciam garras de secretária; tosar o cabelo na altura do queixo após se ver no espelho e encontrar o Capitão Caverna. Dá até para respirar com mais vontade depois de tudo isso. Ultimamente, confesso ter descoberto ainda uma nova forma de ficar aliviada, além de todas essas. Nunca fui muito afeita a doces. Tudo o que é açucarado demais enjoa, faz doer o maxilar, provoca uma careta torta da minha parte. Então, fui apresentada à mania mundialmente conhecida como “mamar na lata de leite condensado”. É genial! Pega-se aquele recipiente que antes servia apenas para produzir um doce familiar e abre-se um buraquinho na tampa. Depois outro, diametralmente oposto, para dar vazão. Então é só jogar a cabeça para trás, abrir o bocão e entornar o líquido espesso na garganta. Em segundos o organismo é invadido por uma sensação de amor, alegria, plenitude, contentamento. Na última vez, eu juro ter visto um anjo... Não sei como fiquei até hoje sem beber direto da lata de leite condensado. Mas, que gostosura, agora aprendi! Será um alívio eterno para as horas de saco bem cheio de tudo – ou ao menos enquanto a balança não registrar ganho de 25 kg. Se isso acontecer, serei obrigada a fazer cooper na chuva para voltar ao normal. É aí que a garoa traz alívio imediato. Não?
Alívio guardado em latas, já provou? Fla Wonka às 10:50 AM
No seu (in)devido lugar Ao abrir a porta do meu lado, o atento observador há de encontrar algumas peças empilhadas, dobradas com eficiência discutível, junto a objetos que talvez não devessem estar ali. Caso se aventure pelas gavetas, decerto verá uma camada de itens mais ou menos arranjados, sobre pilhas dobradas que resistiram à última Grande Arrumação – provavelmente, são as roupas pouco usadas. Mas muito pouco usadas mesmo. Do lado do namorido, a abertura das portas do guarda-roupa deixa escapar apenas um cheiro bom. Tudo vive no lugar. Às vezes, acho que ele não se veste. Não é possível. Mas logo me lembro de que, se tal teoria fosse verdade, acho que eu já teria notado. Então, fico mesmo com a explicação mais lógica: eu sou a rainha da bagunça. Claro que nem tudo na minha vida é uma zorra. Mas tenho meus bolsões. As bolsas, sem trocadilho, são um deles. Primeiro, porque tenho um problema de desapego. Ou melhor, de falta dele. Guardo papel que nem o tio Patinhas guardava aquela moeda estúpida. Enfio tudo que cai nas minhas mãos dentro do acessório à tiracolo: comprovantes de débito e crédito, folhetos de vidente, propagandas do Car System, tíquetes de estacionamento, guardanapos com chicletes mascados dentro (eu é que não vou jogar isso na rua!). Além disso, troco muito de bolsas. Daí, abandono os papéis na anterior e enfio carteira, agenda, óculos e maço de cigarro na nova escolhida. Até que, por sua vez, esta também se encha de papéis. Quando dou por mim, tenho cinco bolsas repletas de tranqueira. Daí, é hora de promover a limpeza. Sim, porque sou chegada à bagunça, mas tenho minhas reservas. Não sou da turma da manutenção; funciono em ciclos. Deixo tudo acumular, até não agüentar mais e promover um dia de Grande Arrumação. E outra: não gosto de bagunça à vista. Por isso meus “bolsões” supracitados são bolsas, gavetas, armários e afins, que mantenham oculta essa face perturbada da minha pessoa. Quando decido baixar a Grande Arrumação na pilha de bolsas, topo com verdadeiros achados arqueológicos. Ontem, por exemplo, encontrei comprovantes de débito de novembro do ano passado. Fico olhando aquele papelzinho amarelo e pensando: o que diabos eu comprei com R$ 18,50 no Auto Posto Tudo Azul, às 12:53? Bom, pelo menos se eu fosse acusada de um delito cometido nesse dia e hora, teria como provar um álibi. Essa é uma das razões pelas quais me apego tanto à papelada: ela é capaz de reconstituir meus passos mais corriqueiros. Gosto disso, não sei porque – além, é claro, de ter como provar minha inocência caso seja suspeita de um crime. Meu guarda-roupa também entra nesse esquema cíclico. Deixo que as roupas se enfiem onde querem, com a ajuda da minha pressa e preguiça ao se vestir ou despir. A hora de arrumar tudo chega quando não encontro mais as roupas que quero usar, ou quando o armário adquire um cheiro gozado – o que acontecer primeiro. Dessa maneira, minha própria bagunça não chega a me incomodar. Aliás, minha própria bagunça nunca chega a me incomodar. Sou muito amiga dela, sabe? Nem quando a danada atinge níveis inacreditáveis em meio à “ordem” (modo de dizer, claro) dos meus CDs. Mais uma vez, uma comparação ilustrativa: na estante esquerda, há uma pilha que vai do Adoniran Barbosa ao Xis – note, em ordem alfabética. Sei que ao abrir qualquer uma das caixas, encontrarei o que a embalagem diz. É o lado lógico do namorido. No outro canto, começamos com Cornershop, seguido de Ella Fitzgerald (ei, ainda está em ordem alfabética!) e, logo abaixo, temos... Belle and Sebastian (droga). Mas dentro da caixinha do Belle está o Chico ao Vivo. E o CD do Belle está... na caixinha da Vanessa da Mata. Vez por outra tenho vontade de escutar uma música em específico (tipo “The Ballad of John and Yoko”, que está no meu Beatles’ One) e, dentro da caixa do dito álbum, encontro um surpreendente 10 Thousand Maniacs – ou qualquer outra coisa que não os quatro de Liverpool. É a senha para namorido me olhar com uma cara exasperada: “Não era melhor manter tudo em ordem?”. Ele não entende. Concordo com meu parceiro por fora, mas, por dentro, não me convenço. Para mim a vida é assim mesmo, cheia de som, fúria e... confusão. As coisas nem sempre estão onde se espera. Às vezes você quer ouvir Beatles, mas só encontra 10 Thousand Maniacs. E é melhor saber lidar com isso. Afinal, eu sou a rainha da bagunça.
Aula para ser mãe Mania mundial é achar que mães são todas senhorinhas gordas, baixotas, sempre usando avental e coque no cabelo – prontas, também, a amassar pão no puro muque. Vá você vestir uma meia-calça rosa com botina e dizer que tem uma filha de dois meses em casa! Ou acham que é mentira, ou acham que é demência. Nos últimos onze meses tive que escutar conselhos, dicas, broncas, premonições, receitas, esquemas. Tudo coisa de gente tentando me enquadrar. Ainda bem que acabo de descobrir duas moças capazes de traduzir meus pensamentos mais escondidos. E como se expressam bem, essas mamãezinhas. Juliana Sampaio e Laura Guimarães não sabem, mas acabam de entrar na lista das minhas melhores amigas. Nunca as vi mais gordas – nem gordas de gravidez, por sinal –, mas sei dos seus rebentos, dos seus afazeres, de suas idéias. Publicitárias, elas são ainda as autoras de “Mothern – Manual da Mãe Moderna”. O livro acaba de ser lançado e já ganhou minha mesa de cabeceira. Está logo ali, ao lado da chupeta, do urso azul, da fraldinha cheirando bebê. Vai parecer uma lorota gigantesca, mas juro: até quem não possui um pacotinho chorão pode se divertir lendo as agruras dessas duas em meio à concepção e criação dos filhos. Os textos do livro vieram da primeira invenção da moças, o blog Mothern. Até entrar para o time delas, confesso que não acompanhava tanto os posts. Se tivesse feito isso, provavelmente teria ficado mais esperta quanto às besteiras que escutei por aí. Laura e Juliana são mães modernas, dessas que sabem das coisas mas não se tornaram ditadoras de regra. Elas concordam que filho às vezes é bem pentelho, mas só a genitora pode dizer isso, mais ninguém. Com a experiência, encontraram respostas para manha, falta de sono, saudade da mantinha preferida. Mas não para a maldita cólica, porque isso foi inventado pelo demônio e não tem solução. Poxa, elas são apenas mães, não feiticeiras! Se bem que há alguma dose de mágica nos relatos das garotas. Não sei como elas conseguem, mas uma vez apanhado, seu livro não quer mais desgrudar das mãos. Parece chiclete no cabelo de criança. Talvez o motivo seja o bom humor, item nada típico quando o assunto é a molecada. Já li algumas revistas que levam no título coisas como Pais, Filhos, Bebê, Nenê. Dormi em dez minutos. São chatíssimas, sempre falando como se, aqui do outro lado, estivesse uma cretina esponja absorvedora de babaquice. Parecem aquelas professoras primárias que conversam com as mães das crianças dizendo “Oi, mãe, tá boazinha?”. Geramos um filho, caramba, mas nosso QI não foi eliminado junto com a placenta... Laura e Juliana sabem disso. Elas partilharam comigo, por exemplo, o ódio à lingerie pós-parto. Ô, coisa feia! É quase um acinte que, depois de expelir seu pequeno hospedeiro e passar aquela dor toda, você ainda precise vestir traje tão hediondo! E naquele tom sujinho! Bem disseram as moças: não dá para se sentir bem usando bege-computador-pessoal. Ainda nem cheguei ao fim do volume e já senti necessidade de contar que ele é um oráculo para quem deseja, agora ou daqui muito tempo, ser dono de um neném. Vale a pena, para qualquer um, conhecer a história do menininho que dava tchau para o cocô, de uma certa “bu” perdida no lixo, da garotinha que, vendo o pai reclamar de dinheiro, perguntou se eles não podiam vender a mamãe. Destacam ainda listas divertidas, textos bem sacados, notas que mais parecem poesia. Quem acredita que mães precisam atender apenas a esse layout “coque-com-avental” é louco. As novas mamãezinhas sabem isso, claro. E sabem muito mais.
Até a capa é sensacional! Fla Wonka às 02:11 PM Minha vida sem ele Sabe aquele velho dito popular que diz que uma pessoa só dá valor a outra quando a perde? Agora eu sei como isso é verdade. Quer dizer, não que eu tenha perdido alguém importante assim, digamos, de carne-e-osso. O fato é que ele não passa de uma máquina. A parte de cima, luminosa, cansa as vistas. A parte de baixo, em formato de torre, tem um ventiladorzinho barulhento que enche as picuinhas. E, pra ser sincera, ele até que é bem complicado, birrento e cheio de vontades. Quando está de bom-humor, funciona às mil maravilhas e me deixa feliz. Quando está de mau-humor, porém... Fica indiferente diante do meu desespero. Foram cinco dias sem computador. Cinco. Uma eternidade. Na quinta-feira, ele se comportou bem direitinho. Na sexta-feira de manhã, porém, estava falecido. Nem aqueles desfribiladores de seriados médicos funcionariam diante da temida tela preta. Em seguida, ficou pior. E veio uma temida tela azul informando que algo de muito ruim havia acontecido. Não quis nem olhar. Fiquei pensando como isso pode acontecer de uma hora para outra. Um carro, por exemplo, dá sinais de esgotamento antes de entrar em pane, certo? Daí você escuta aquele barulho estranho, ou um chiado diferente, e já leva o possante a um mecânico. Por que computadores não funcionam assim? Por que eles morrem subitamente sem que tenhamos ao menos tempo de nos despedirmos? Quando a ficha caiu e eu percebi que meu companheiro diário precisava ser levado até a U.T.I., um filminho passou na minha cabeça. Foi algo parecido com aqueles relatos de quem está em vias de sofrer um acidente muito grave: em instantes, a vida da pessoa passa em flashback mental antes do choque. Pois grande parte da minha vida estava ali dentro, e eu fiquei pensando em tudo o que poderia ter perdido. E a cada lembrança, soltava um "Putz!", porque eu não sou dada a palavrões. E se tivesse perdido... TUDO? Minha extensa coleção de MP3. Relíquias garimpadas com uma paciência budista há um ano e meio. Separadas por pastas, tinha desde Elvis Costello cantando "She" até Marquinhos Moura e seu clássico "Meu Mel". John Lennon e aquele primor chamado "Starting Over" dividia bytes com Sidney Magal, "O Meu Sangue Ferve Por Você". E a melosa canção de amor do Bangles "Eternal Flame" estava colada com "João e Maria", embalada por Chico Buarque e Nara Leão. Como eu conseguiria sobreviver sem cantar um dia sequer "Buid Me Up Buttecup" e "Se Enamora"? Minha coleção de ilustrações de gatos. Sim, eu coleciono desenhos de felinos de todas as partes do mundo, vindos de logotipos, propagandas antigas e artistas. Deu um trabalhão juntar os mais de 2 mil arquivos com rabiscos de bigodes, divididos em "vitorianos", "preto e branco", "cartoon", "pôsteres e logomarcas", "aquarela", "com pessoas"... Isso que dá ser nerd e catlover. O problema é que fui catlover demais para juntar tudo isso, e nerd de menos para fazer um maldito backup. Pois a pata aqui não tinha backup de nada. Todos os textos do Garotas desde aquele 11 de abril de 2003. Todas as colunas da Revista Época. Todas as imagens usadas para ilustrar os textos. Aliás, todos os componentes dos diferentes lay-outs do site. Inclusive uma surpresa que iria para o ar na segunda-feira, mas que por motivos óbvios teve de ser adiada. Tudo isso estava dentro de um HD de um computador que não ligava. É que a gente nunca espera o que vem pela frente. E eu nunca esperava acordar com eler morto. Será que o bichinho agonizou à noite e eu não dei ouvidos? Será que ele teve mesmo uma morte solitária e silenciosa? Foi uma sexta-feira totalmente Isaura. Pensei em voltar para a cama, dormir mais um pouquinho e fingir que nada daquilo estava acontecendo. Quem sabe, quando acordasse de novo, as coisas teriam voltado ao normal? Ok. Desisti de me enganar e passei para o lado prático da coisa. Levamos o HD e - ufa! - nada foi perdido. A placa-mãe surtou, algo que todas as mães têm direito de fazer um dia, e lá foi ela para o conserto. E, para os humanos desta casa, só restou esperar. Duro foi sobreviver sem checar mensagens. Sem dar uma bisbilhotada no Fórum de Leitores. Sem ler meus blogs favoritos. Sem saber que o Garotas havia batido a marca de 2 milhões de pageviews. Mas agora ele está de volta, como você pode notar. Tudo bem que eu ainda estou escrevendo no WordPad (nota mental: comprar um Office), que eu ainda não configurei meu programa de e-mails e que a minha tela mostra aquela paisagem-padrão do Windows XP. Tudo no seu devido tempo. Se ele conseguiu, eu também vou me recuperar. Vivi Griswold às 10:51 AM
Um grande garoto Vejo um bracinho, meia cabeça e meia barriga vestida de amarelo pela porta da cozinha. Escuto alguns gritinhos e um “shhh!”. Ouço a voz do pai dele: “tá escondido, filho?” Hum. Já entendi. Digo bem alto: “Ai, que saudades do Caetano, viu? Como seria bom se ele aparecesse aqui em casa, né, Douglas?”. E, de repente, sai detrás da porta aquele toquinho de gente que eu estava esperando: “Madinha, eu tô aqui! Vamo brincá?”. Essa é a senha para um dia que vai terminar com peças de brinquedo pelo chão, marcas de mãos nas paredes e uma madrinha orgulhosa, exausta e muito feliz. O Caetano é meu afilhado e está a três meses de completar quatro anos. Ele fala com objetos inanimados. Ele ri aquelas gargalhadas de criança, de perder o fôlego. Ele adora o Chaplin, mas não consegue chamá-lo de outro nome que não “Chápelen”. Ele acha que eu me chamo Madrinha. E, quando disseram que eu me chamava Clarissa, ele passou a achar que o padrinho só podia se chamar... Clarisso, lógico. Pensando bem, ele não é mais um toco de gente. Aliás, nunca foi. Nascido com respeitosos 4,6 quilos, tinha dobras até na carinha. Agora, está na idade do “eu não sou mais bebê”. Para prová-lo, quer me ajudar a fazer café, a lavar a louça e a preparar seus próprios sanduíches de presunto (que, na verdade, são de peito de peru, mas usamos da tática de chamar de presunto porque ele tem gostos e personalidade bem definidos e adora presunto. Ainda bem que o discernimento do seu paladar ainda não é tão bom). Do dia de seu nascimento para cá, Caetano já ganhou 18 novos quilos. Dessa maneira, ele pesa metade do que eu peso. Mas aparentemente não tem noção disso: se joga em cima de mim, rola pelo sofá esperando que eu o segure e quer brincar de luta. Adora o Homem Aranha e diz que é ele. Eu pergunto, então, quem é o Peter Parker. Ele diz: “o Homem Aranha”. Eu digo: “então, como você é o Homem Aranha?”. Ele termina a conversa muito determinado: “eu sou o Homem Aranha Caetano, ué”. Ah, bom. Agora entendi. Caetano tem uma teoria para tudo, como toda criança de sua idade. Os adultos é que são tontos de achar que os petizes não sabem nada. Achamos que, por tais teorias não corresponderem exatamente à lógica da realidade, não são dignas de nota. Besteira! Ele não pensa nada sem uma lógica – ainda que própria. Uma vez apontei para uma foto dele do dia do batizado, colocada em cima da estante: “Quem é aquele?”. “Sou eu, mas agora eu não sou mais bebê”. Continuei: “É verdade, agora você cresceu. Mas eu te conheço desde quando você era bebê. E, quando você era bebê, não sabia andar nem falar. A gente tinha que carregar você para todo lado e sua mãe tinha que adivinhar porque você chorava”. No dia seguinte, foi um sacrifício para a Carla convencê-lo de que ele tinha pés, sim, quando era bebê. Acreditando em meu testemunho de que não andava quando pequeno, ele imaginou que tal limitação só podia se dever ao fato de que... ele não tinha pés, oras. Eles devem ter crescido depois. Apesar de ainda não compreender por completo o mundo dos adultos – e, vamos convir, somos mesmo cheios de hábitos e convenções surreais – Caetano é bem capaz de aprender rapidamente uma brincadeira qualquer. Inventamos uma assim: primeiro, eu tenho que adivinhar o nome da mãe dele. Então, começo chutando os nomes mais descabidos. “Ermenegilda?” Quando ele está respondendo no automático, solto: “Carla?”. E ele: “Nããão!”. Então, enquanto Caetano percebe que errou e começa a fazer cara de gargalhada, dou uma piscadinha e falo: “te peguei!”. Rimos juntos. Depois, ele quer fazer comigo. “Me ensina, madinha?”. Mas o detalhe é que ele não sabe o nome da minha mãe. E, na falta de repertório, coloca como alternativas de nomes tudo que seus olhos encontram: “o nome da sua mãe é... sofá?!” Aliás, ele se espantou quando descobriu que eu tinha mãe. No primeiro dia do ano, fomos até a casa dele. Eu perguntei se o Ano Novo já tinha passado. Ele disse: “já, foi amanhã”, cometendo um dos deslizes mais tradicionais da idade. Eu perguntei onde ele estava quando o Ano chegou. Ele contou que estava lá no apartamento mesmo. Então, falei que eu estava na casa da minha mãe. O pequeno me fitou com os olhos azuis tão abertos que quase dobraram de tamanho: “você tem mãe?!”. “Claro que tenho”, e completei: “Sua mãe não é a Carla? E quem é mãe da Carla?”. Ele pensou um cadim e rebateu: “a vovó Ana”. “E seu pai não é o Cássio? E quem é mãe do Cássio?” “A vovó Regina”. Concluí: “tá vendo? Gente grande também tem mãe”. Ele aceitou a explicação. Porque, para crianças nessa idade, há que se provar por A mais B qualquer ponto. Eles não são bobos para aceitar qualquer balela à guisa de explicação. Vai ver por isso o Caetano se espantou tanto com uma pergunta ingênua do Douglas. Certa feita, ele estava sassaricando aqui em casa quando bateu vontade de fazer xixi. Nós nunca tínhamos levado o rapazote ao banheiro. Seria a primeira vez. Então, o Douglas perguntou como ele fazia xixi. Imaginamos que ele ia dizer “de pé”, “sentado” ou “você tem que abrir a torneira”. Mas eis que ele replica, surpreso: “com o pipi, ué!”. Depois dessa, me lembrei porque eu gosto tanto da companhia de crianças. Não é porque elas são cabeçudas e inspiram fofura em suas proporções, planejadas pela Natureza para isso mesmo. É porque elas oferecem aos nossos cansados olhos uma oportunidade de enxergar sob outra perspectiva – e de ver o mundo com idéias frescas, surpreendentes assim. ![]() Ele não é mais bebê Teorias sobre gente perdida Logo que vi o primeiro anúncio no intervalo, eu soube: “Lost” seria meu novo vício televisivo. Dentre as dezenas de séries e reality shows que assisto, essa seria líder. Já posso perder um ou outro capítulo de “CSI”, suporto ver “Entre Quatro Paredes” na reprise e até tolero ficar sem saber quem o peruquento Donald Trump demitiu na última semana. Mas perder “Lost”, aí não! E tudo começou assim que o avião caiu na ilha... O que terá acontecido com aquela gente depois disso? O seriado americano está fervendo em sua terra natal. Mesmo lá, no país dos enlatados de TV, causou frisson desde os primeiros episódios - por aqui, aporta toda segunda-feira no canal a cabo AXN. Também, pudera. Tudo já começa pegando fogo literalmente. O avião em chamas está desabado na praia de areias branquinhas e mar azul. Pessoas correm por todo lado tentando escapar da turbina que ainda teima em funcionar – e sugar alguns desavisados, moendo-os feito laranja lima. O médico Jack é quem toma a liderança de organizar aquela zorra. O acidente acontece em algum lugar próximo à Austrália, de onde partira a aeronave. A bordo, centenas de pessoas. Vivos depois da queda, somente 48 sortudos que estavam na parte frontal do avião. A de trás... bom, ela foi arrancada e está jogada no meio da floresta recheada de presuntos (e eu não me refiro àquele gostoso, de comer com queijo). Passado o impacto, eles precisaram sentar e tomar consciência do desastre. Estão em uma ilha deserta, debaixo de calor escaldante, com alguns feridos e muitos problemas. Claro, porque sempre há problemas. Não demoram a descobrir, por exemplo, que o piloto havia mudado a rota para escapar de uma tempestade e não informou ninguém disso. Portanto, nossos heróis estão perdidos, ferrados e mal-pagos. O diabo é que já seria uma baita série legal se ficasse por aí – eu queria ver o conflito de um grupo que nem se conhece mas já tem que lutar por protetor solar e água potável. Só que fica pior. Caminhando pela ilha, os sujeitos notam a presença de uma criatura (não focalizada, saco!) que traga árvores inteiras. Encontram javalis selvagens e... um urso polar! Que raios acontece nesse lugar, só o roteirista sabe. Mas o resto de nós pode criar teorias as mais variadas sobre o que rola de fato com “Lost”. Quem são eles? Por que todo mundo ali tinha um drama pessoal a resolver? Por que uma transmissão de rádio achada por eles está sendo repetida há 16 anos? Como o Jack consegue ficar ainda mais gatão com um corte na cara?? Estes são os meus palpites. Já que nada faz sentido na série, eles também não precisam fazer. Todo mundo bateu as botas Eles estão no Big Brother É uma experiência científica A ilha é alien Trata-se de um comercial da Coca-cola
É isso aí? Tem refrigerante na parada? Fla Wonka às 02:44 PM
De sabores ou dissabores Antes, tudo era muito simples. No dia da despesa, tudo que eu e o João tínhamos que fazer era começar a cantilena desde a entrada do Carrefour: “compra, mãe, vai, compra, vá, mãããe, cooompra, hein?, vai comprar, mãe?, vai, néééé, mãããããããe?, êba, nós vamos lá escolher!”. Ok, na verdade nem era tão difícil assim convencer minha mãe. Já era de lei que ela deixasse cada um de nós escolher um pacote de bolacha recheada no sabor que mais nos aprouvesse. Tal tarefa, além de recompensadora, era um tanto quanto fácil. Afinal, tínhamos basicamente as seguintes opções: São Luiz (hoje Bono) de morango ou São Luiz (hoje Bono) de chocolate. O meu favorito, até hoje, é o de morango. De espírito forte, resisti à descarada e violenta invasão de sabores que tomou os mercados. Já o João, tsc, tsc, tsc... Preferia o de chocolate, depois passou para a de doce de leite e, agora, com esse golpe final do lançamento do biscoito no sabor pão-de-mel (como diabos um biscoito pode ter gosto de pão?), aposto que já já muda de novo. A tradição de criar sabores "hã?" é bem antiga, na verdade. Acho o máximo termos pastel, salgado de padaria ou mesmo salgadinhos “sabor pizza”. Pizza, em si, é um prato com uns trocentos sabores bem diversos. Tem de atum, de mussarela, de rúcula com tomate seco. Então, qual seria, afinal, “O” sabor pizza? Acho que é o que misture os gostinhos de queijo, tomate e azeitona. Como ficaria um pouco longo meter na embalagem o trinômio “sabor queijo, tomate e azeitona”, pensaram num sinônimo. “Pizza” foi o que deu para arranjar. Mas foram os fabricantes de delícias tranqueirosas que levaram a filosofia dos sabores bizarros a níveis jamais vistos. Veja a Ruffles, por exemplo. A batata frita, quando lançada, tinha o diferencial de ser ondulada (até hoje me pergunto que raio de diferencial é esse). Depois, deve ter perdido a graça. A dona Elma reuniu todo o pessoal da Chips Corporation e disse: “precisamos inventar alguma coisa nova, gente boa”. Daí um estagiário, timidamente, olhou para seu pão com churrasco grego (era o que dava para comprar com o vale-alimentação da empresa) e soltou: “que tal churrasco?”. “Ótimo!”, aplaudiram todos, que não tinham idéia alguma do que sugerir e estavam ansiosos para sair da reunião e dos olhares mortificantes da dona Elma, com aquelas bochechinhas vermelhas. Ela era muito assustadora. Acho que a partir daí os pudores foram caindo. Tanto que, depois da batata sabor carne, veio o salgadinho sabor cebola e salsa – meu favorito no campo dos tubérculos fritos, por sinal. Então, o primo Fandangos acompanhou a tendência: depois de despontar no sabor original (seria, no caso, de milho), ganhou a versão presunto – que eu adoro, embora ache aquele presunto ilustrativo da embalagem parecido com qualquer coisa, menos com um... presunto. Mais recentemente, apareceu um pacote roxo na prateleira. É o sabor frango. Ainda não tive coragem. O estagiário do churrasco deve ter sido promovido, inclusive, a braço direito da dona Elma. Porque, décadas mais tarde, a companhia chegou ao absurdo dos molhoucos. Isso só pode ser idéia de estagiário. Para quem não viu, eram sachês de molhos com sabores e cores malucas (pegou o trocadalho?), como tutti frutti azul. E nem vou entrar no mérito dos estranhos pós distribuídos mais tarde nos saquinhos do quitute. Isso mesmo: pós. Na área das bebidas, inovador foi o Gatorade. O matador de sede não se conformou com sabores ortodoxos, feito uva e laranja, e resolveu adicionar um quê aos rótulos. Mas, em vez de misturar essências e lançar algo como o Gatorade Mamiola (mamão com graviola), preferiu apenas promover as garrafinhas por nomes como “laranja radical” e “kiwi maluco”, ou algo que o valha. Que eu saiba, ainda não existe o sabor maluco. Nem o radical. Ou seja, no fundo o produto é apenas da boa e velha laranja. Ou kiwi. Talvez seja melhor mesmo deixar para inventar moda só no título dos sabores, em vez de resvalar na blasfêmia de criar de fato o Bis de laranja, o Sonho de Valsa morango e a série dos Toddynhos napolitano, doce de leite e brigadeiro (esse é gato. O conteúdo da caixinha é – ou ao menos deveria ser – principalmente composto de leite e chocolate, mesmos ingredientes do... brigadeiro). Daqui a pouco, teremos o bolo de carne sabor brócolis, o arroz sabor Fandangos e o feijão sabor Bis Mamiola. Que ainda nem saiu, mas acho que agradaria em cheio paladares habituados a biscoitos com gosto de pão e salgadinhos de frango. Ritmoooooo, é ritmo de festaaaaa Agradecemos a todos que lotaram o Darta Jones no sábado (e também ao pessoal que tentou entrar sem sucesso), comeram algodão doce, recolheram docinhos da piñata, dançaram ao som do hit usado para intitular esse rodapé e nos desejaram os sinceros parabéns. Vocês são parte integrante desse site e não podem ser vendidos separadamente. Ainda bem.
O abismo da idade Não raramente, caio em mim e penso “putz, já tenho 30 anos!”. Acontece em vários momentos: quando tomo sorvete fazendo meleca, quando me divirto pela enésima vez com “A Fantástica Fábrica de Chocolate” ou quando escolho uma blusa e digo pra balconista “sim, quero aquela ali de coelhinho”. Tenho mesmo três décadas completas, mas isso não me afasta de gente mais nova ou mais velha. Porque, quanto mais o tempo passa, menos esse papo de idade importa. Vá até um pátio escolar e espere um bocadinho. Em questão de minutos você vai sacar que, para os moleques da quarta série, crianças da primeira são uns malditos bebês que usam fraldas. Imaginem se eles, garotos de 10 anos, vão dar trela para pirralhos de 7?! Nós poderíamos colocar todos no mesmo balaio, mas não a garotada. Na primeira infância, um ano vira abismo social. Quando eu era pequena, lá pelos 11 anos, brincava muito com minha prima da mesma idade. Cruzávamos os meses como irmãs gêmeas, sempre inventando novas modas no nosso mundo de Susi e Barbie. Já nossa outra priminha tinha apenas 6 anos. Não deixávamos ela relar em nada. Tirávamos sarro da pobre, tomávamos seus pertences e enganá-la era o mesmo que... roubar doce de criança. Literalmente. O tempo passou e, numa viagem dessas, encontrei a priminha-nenê em Londres. Ela desembarcou do ônibus na frente do pub, bebeu cerveja comigo, contou sobre a casa onde morava com dez neguinhos, mostrou inglês fluente, deu dicas de balada. Nossa diferença de cinco anos, hoje, não é diferença alguma. Quando a gente vai ficando velho, idade é sumariamente esquecida. Daí o espaço de alguns anos ficar menor a cada dia computado. É muito comum, por exemplo, falarem horrores de um sujeito quarentão que passou a namorar aquela gatinha de 25 anos. Eu acho que faz sentido. O tal cidadão vai chegar aos 70 anos um dia desses. Então, a garota com cabelos pintados de loiro-quenga já estará a contabilizar 55 primaveras. Que diferença vai fazer? Ele será ainda um velhote simpático, ela terá provavelmente se tornado uma mulher madura muito bela. Vão fazer um casal bonito, com os mesmos 15 anos de distância marcados no passado. Adolescentes não fazem idéia desse processo, por isso me matam de rir. Minhas sobrinhas de 12 e 14 anos brigam como se fossem uma judia, outra palestina. Mal sabem as pobres que esses 700 dias de intervalo entre seus nascimentos vai virar uma besteirícola daqui a pouco. Eu e minha irmã somos a maior prova. Quando eu nasci, ela tinha oito anos. Era uma menininha esperta e não tinha lá muita intimidade com o bebê babão aqui. Ao atingir os 18 anos, ela suportava a irmã criancinha de 10 com muito pouca paciência. Era uma moça maior de idade tendo que conviver com uma fedelha, por deus! Podíamos ficar dias sem trocar um olhar. O bom é que o tempo passa mesmo, como atesta o calendário. E hoje nós duas podemos ficar várias horas conversando sobre uma receita nova de bolo, o chefe que só dá ordem imbecil ou como educar pestinhas. Esses oito anos que nos separam caíram em alguma dobra temporal. Doutor Spock talvez explique. É ótimo saber que os anos trazem essa benesse. Até esqueço que a grande maioria dos meus amigos tem três, quatro anos menos do que eu. Se fosse no tempo da quarta série, eu amarraria os cadarços deles na trave da quadra escolar, daria croques doídos na cabeça ou botaria apelidos bacanas como “tapado-mirim”. Hoje, o abismo está fechado. Céus, Vivi é uma replicante! Verdade! Tiramos a bateria dela e a menina parou de funcionar! Por isso não fez texto hoje, aquela andróide piradinha... Ok, eu paro: a realidade é que o computador da ruiva passou desta para uma melhor e ela ficou impedida de trabalhar. Assim que terminarmos a novena pra Nosso Senhor de Bill Gates, a máquina volta à ativa e Vivi estará de novo escrevendo. Até lá, suportem a falta dela. Mas sem chorar. Fla Wonka às 03:30 PM
Na arquibancada do ano Especial de Aniversário – The Best of 2004 Me dê um “vê”! Me dê um “i”! Me dê... outro “vê”! E me dê... outro “i”. (Pô, Vi, nome começado com sílaba dupla não dá um bom grito de torcida). Nem me darei ao trabalho de berrar, como fariam aquelas loiras peitudas de saia plissada, “o que formou?”. Todo mundo já sabe: as letras pedidas compõem o nome da ruiva mais tralalá desse site. Com sua bondade franciscana para com os bichinhos, sua silhueta magérrima e suas bolsas deslumbrantes, ela tem nos divertido à beça desde o início do Garotas – que, aliás, passou de conversa de restaurante à realidade em boa parte por “culpa” dela. Mas Vivi tem um defeito: seu nome é péssimo para grito de torcida, como vimos ali em cima. Então, que tal tentarmos outro grito, enquanto relembramos os grandes momentos da ruiva no ano passado? Os melhores da Vivi – 2004 Me dê uma avó! Me dê uma dinâmica! Me dê uma garotinha nerd! Me dê um Gugu! Me dê uma escola! Me dê uma lembrancinha! Me dê uma máquina do tempo! Me dê um cobertorzinho! Me dê uma... uma... isso aí mesmo Que rufem os tambores... Hoje termina a semana especial de textos. Amanhã, tem festa – que, claro, você não vai perder. Portanto, estamos por apenas uma das três partes da Semana de Aniversário: o anúncio dos vencedores da Promoção. Com o alto nível dos participantes, foi difícil escolher. Nos fizeram rir e chorar com excelentes retratos natalícios – e agradecemos a todos de coração. Mas, no campo das meninas, não teve como ignorar uma festinha com apenas dois convidados além da aniversariante: o namoradinho dela e a mãe, claro. Tadinha. Com esse quórum, achamos que a Amanda deve fazer anos em alguma data bem popular, tipo 24 de dezembro. À noite. Como se não bastasse, o ângulo da foto revelou as roupas íntimas da mocinha e nos fez desconfiar que sua mãe é a babá dos Muppet Babies. Há como negar uma Melissa a essa abnegada? ![]() Vencedora: Amanda Tamasauskas, numa solitária festinha um tanto... er... reveladora E, na ala masculina, foi impossível bater um aniversário de criança com um tema deveras pueril: o violento, perturbado e armado até os dentes... Rambo. Com cada copinho da mesa a conter uma foto do Sylvester Stallone (!), um enfeite de bolo em forma de tanque de guerra (!!) e as figuras decorativas do fundo a apontar a arma para as cabeças infantis (!!!), não teve para ninguém: o Kichute é do Sol (convenhamos: depois de ficar sob a mira de um display do Rambo, ele merece). ![]() Vencedor: Samuel Sol dos Santos, num inocente aniversário... do Rambo Parabéns aos dois. Agora, é só esperar pelo pacote com a Melissa ou o Kichute, calçar e... correr pro abraço!
Ratos, pornôs e coisas de Clarissa Especial de Aniversário – The Best of 2004 Quando eu e Vivi queremos tirar sarro da terceira moça deste trio, achar motivo é fácil. Dirigindo, ela se perde ao dar uma volta no quarteirão. Se marca de chegar às 10h00, pode esperar lá pelas 11h15. Come devagar feito um caracol. Acha a Jennifer Lopez linda e talentosa. Mas uma das coisas que mais gostamos de lembrar é que Clara é a autora do mais extenso título já publicado no Garotas. Imenso, quilométrico, de ferrar o layout: este é “Travestis no porta-malas, celulares em chamas e uma garota chamada Raquel”. É mole? Ainda bem que, neste ano, ela andou mais comedida ao dar nome aos textos – mas jamais perdeu aquele humor perfeito. Sim, ela é a rainha do encumpridamento de títulos. Mas, por isso mesmo, ninguém se esquece das pérolas criadas por Clara. Com essa mania de juntar sete mil palavras em uma só manchete, ela não poderia ser editora da Folha de São Paulo, mas ganha uma vaga no nosso quadro de funcionários. Que, diga-se de passagem, é bem mais legal. E enxuto. E animado. E agora eu estou virando a mania dela ao contrário e me tornando sucinta demais. Importa mesmo é que, neste 2004 passado, aprendi muitas coisas com a loira. Cada um dos textos abaixo ensinou algo de bom ou rendeu um pensamento mágico. Convido vocês a partilhar os grandes feitos de Clara no ano que se foi. Com nota especial para os títulos tão curtinhos... 1) Contam-se histórias 2) Isso está me cheirando a... 5) Diz-me o que comes 6) Pelo telefone 7) Um mundo bem menor 9) Os seus, os meus, os nossos... Anos Incríveis 10) Hoje, não Ao cair da tarde... ... serão revelados os grandes vencedores da Promoção de Aniversário do Garotas. Pedimos fotos de festinhas e tivemos que tomar remédio pra dor de barriga - causada pelo riso solto com as imagens, e não por conta de coxinha passada ou bolo rançoso. Obrigada a todos que enviaram suas pérolas visuais! No texto de Clara McFly poderemos todos rir juntos. Já separou uma roupa ajeitada? É amanhã!
Uma coletânea de sucessos Especial de aniversário - The Best of 2004 Você, leitor, está cansado de textos normais? Não agüenta tantos artigos sem-graça pela Web? Sua cabeça dói e seus dentes rangem por não encontrar algo realmente bom para ler nas horas de ócio? Não se desespere... Pois seus problemas acabaram! Chegou a incrível, espetacular e supimpa coletânea “Os Melhores Textos do Universo de Flá Wonka – Volume 2004”! Com “Os Melhores Textos do Universo de Flá Wonka – Volume 2004”, um mundo novo irá revelar-se diante de seus olhos! Você voltará a ouvir todos os sons da natureza e conseguirá cortar cebolas em segundos sem derramar uma lágrima sequer! As ferramentas não mais cairão sobre a sua cabeça quando abrir a porta do armário da garagem, as meias-calças vão parar de furar quando você passar por um arbusto de espinhos e a mangueira do jardim deixará de se enrolar em você como se fosse o monstro sanguinário do pântano! “Os Melhores Textos do Universo de Flá Wonka – Volume 2004” conta com um pacote de textos exclusivos, remasterizados e vitaminados! E ainda possui um delicioso aroma de Fanta Uva que irá empestear sua casa inteira! Mas espere, não ligue ainda! Com “Os Melhores Textos do Universo de Flá Wonka – Volume 2004” você receberá inteiramente grátis... 1) Chatos de ocasião 2) Is (not so) good to be 3) Tu é de Etérnia, que eu sei 4) Os Dez (Novos) Mandamentos 5) O Ministério do Futuro da Nação 6) Eu fico bege 7) Amém, Deus Atlas 8) Enganation Society 9) As gracinhas do possante 10) Uma carta para ela Nossos atendentes já estão esperando sua ligação!
Foram tantas fotos legais... ... que chegaram à nossa suculenta Promoção de Aniversário que ainda estamos em dúvida quanto aos vencedores. O conselho irá se reunir com as auditorias e daqui a pouco nosso veredicto será decidido. Portanto, volte mais tarde para conhecer os agraciados junto com o texto de Clara McFly!
É amanhã, oba!
Vai perder?
Mulheres Especial de Aniversário - Rapazes convidados Há tempos diz-se por aí que mulheres e humor não têm absolutamente nada em comum. Afirma-se, com uma propriedade quase acadêmica (eu arriscaria dizer religiosa), que a mulher não tem vocação para abrir lata de picles, estacionar o carro ou fazer rir. E assim é falado desde que o homem é homem. Ou seja, faz tempo mesmo. Homens “homens” hoje em dia são tão comuns quanto o E.T. de Varginha ou o Chupa-cabra: tem gente que jura que existe, mas parece que é só boato mesmo. A falta de homens “homens” serve ao menos para desmentir quem afirma que teses assim são puramente machistas e ponto final. Nada disso. Muitas mulheres pensam da mesma forma, o que não atenua o óbvio preconceito encruado nesta lógica de botequim. Apontar a distância entre mulheres e o humor é, acima de tudo, incorreto. Humor não é comédia, e isso gera muita confusão. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. O que difere um do outro é a necessidade da presença. O humor não faz força. O humorista escreve, pinta, desenha e conspira com qualquer arma que preserve sua integridade física, sua timidez, uma pose inabalável ou até o fundo das calças. O comediante não. O comediante sua, atua, se caracteriza, aparece. Põe, muitas vezes literalmente, a bunda na janela pra passarem a mão nela. Esclarecido isso, afirmo: mulheres e comédia não têm, definitivamente, nada a ver. Contudo, eu não seria leviano em afirmar que nunca existiu uma excelente mulher comediante. Sim, existiu, mas diante de um cenário maior, posso dizer sem peso na consciência, que são as exceções que comprovam a regra. E explico o porquê. O comediante é o bobo, o bufão, o palhaço. A mulher não. Nessa corte a mulher é a rainha. Enquanto o comediante se faz valer da troça, da falta de vergonha e até mesmo da feiúra, a mulher veio ao mundo com o dom da vida, da elegância e da beleza. Não me refiro evidentemente à beleza plástica de uma Gisele Bündchen ou da Cléo Pires (ai, ai...), falo da beleza inerente ao ser mulher, ser o berço do amor, ser a descendência de todas aquelas deusas gregas cujos olhares conquistavam mundos, cessavam guerras ou despistavam o destino. Acontece que sorrir e fazer rir são também dons da vida, e, como tais, esculpidos com maestria pelas mulheres. A diferença é que, ao contrário dos homens, a mulher fabrica o riso da mesma maneira que sorri: sem planejar. Ela dirige esse poder com a mesma facilidade com a qual ajeita os próprios cabelos. É suave como respirar. Tanto é que, basta fecharmos os olhos, para várias imagens de doces mulheres sorrindo nos virem à cabeça. Nós homens até conseguimos arrancar alguns suspiros e algumas gargalhadas delas, é verdade. Mas só quando elas querem. São como gatas: só se deixam acariciar no momento que desejam. Mas quando se aproximam charmosas, não há quem não se comova. Não importa a raça, não importa a origem, não importa a idade. Poderia citar inúmeros exemplos de mulheres que fazem rir sem se desdobrar. Entre eles, a pequena Carolzinha, de tenros 5 anos. Filha de uma cliente da minha mãe (que é endocrinologista), chegou em nossa casa num final de semana. Como estávamos só eu e minha mãe no apartamento – eu tinha uns 13 anos –, coube a mim fazer o papel de anfitrião daquela pequena criatura. Apesar da adolescência, foi um prazer fazê-lo. Sempre gostei de crianças, animais e animais-crianças. Só fico com pé atrás com crianças-animais. E a pequenina Carol estava, à primeira vista, longe de parecer ser uma peste. A menininha era linda e estava linda. Não sei se a Bia Seidl foi criança um dia (afinal, quando eu era – e faz tempo isso –, ela já era a Garota Lux Luxo), mas se foi, deveria ser parecida com a Carolzinha. Pele clarinha indefectível, olhos repletos de ternura, vestidinho branco com detalhes de florzinha, sapatinho vermelho de boneca, pregador de joaninha segurando uma delicada franjinha lisa de cabelos castanhos e um batom vermelho nos lábios infantis. Michael Jackson viraria hétero por ela. Pode apostar. E para satisfazer aquela princesinha, coloquei meu lado recreador para funcionar e perguntei: - “Oi lindinha! Tudo bem?” Carol não respondia. Mas não havia medo ou rejeição da parte dela. Apenas levava as próprias mãos à boca como se quisesse engoli-las de vergonha ou esconder um pequeno sorriso que queria brotar ali. - “Você quer que o tio ligue a televisão pra você ver desenho animado?” – insisti. Ela não respondia. Mas senti que estava seguindo o caminho certo. Tinha de perguntar mais. - “Você quer papel e canetinha para desenhar?” Nada. - “Você quer ver uma revista?” Não. - “Você quer ver o ‘au-au’?” Nein. - “Você quer um bolinho?” Contato visual. Era um sinal. - “Você quer um nescauzinho?” Continuei na área gastronômica. As mãozinhas dela saíram da frente da boca. - “Você quer uma Coca-Cola?” Bingo! Ela acenou um “sim” com a cabeça. Queria, pelo visto muito, uma Coca-Cola. Logo pensei no poder que o refrigerante já tinha sobre os pequeninos ou que na casa dela deveria existir aquele regime de “Coca-Cola só aos finais de semana”, mas não quis nem saber. Era importante criar uma cumplicidade com o elemento até o fim da consulta que ocupava as mães na parte de cima do apartamento (era um duplex). Fui até a cozinha e peguei o único copo da casa que tinha um desenho do Mickey. Souvenir da Disney ou promoção de requeijão, não lembro. Só sei que o copo, apesar de antigo, certamente a agradaria. Enchi de Coca-Cola gelada até a beira e levei até a mocinha. Com as mãozinhas delicadas ela segurou o copo, mas não bebeu. Lembro até hoje das pequenas unhas pintadas. Uma graça. Vi que ela ficou novamente tímida e fiz que voltaria até a cozinha, virando de costas, mas acompanhando o que ela fazia com o canto dos olhos. Funcionou. Ela começou a beber. Missão cumprida. Parei no meio do caminho para ver alguma coisa que me chamou a atenção no caderno de esportes do Jornal do Brasil (naquela época ainda era jornal) e, 10 segundos depois, aconteceu. Lembram quando disse que a pequena Carol não parecia uma criança-animal? Ledo engano. Não sei se hipopótamos emitem algum som durante uma luta ou quando pretendem acasalar, mas se emitem, não se compararia ao arroto que a pequena e “frágil” (muitas aspas) Carolzinha desferiu. Um arroto encorpado, contínuo, denso. Um arroto tão imponente que, poderia jurar, moveu algumas louças da casa, fez os pombos das redondezas decolarem, causou pequenos acidentes de trânsito e, por fim, ecoou. Sim, ecoou. Carolzinha manteve-se ali, impassível, engessada. Nem surpresa o pequeno demônio demonstrou. Demorou outros 10 segundos depois do golpe para que alguém dissesse algo: - “Antonio Pedro!”. Elementar: era minha mãe, lá de cima, em tom de esporro. “Será que nem quando tem visita em casa você se comporta? Francamente!” O que dizer? O que fazer? Como agir? Eu ainda olhava fixamente para os olhos de Carol quando respondi para minha mãe em tom atônito, beirando o fúnebre: - “Errr... desculpe... mãe... escapou.” Ainda tive de aturar a mãe da pequenina me olhando torto quando saía de casa. E Carol, pelas costas da mãe, sorriu. Era humor. Era cúmplice. Sarcástica aos 5 anos. Quando crescesse, seria talvez como a maior prova da intimidade entre humor e mulheres que conheci: minha avó Lucy (que Deus a tenha). Isso mesmo. Minha avó Lucy. O ano era 1993 e eu, moleque que sou, estudava no Colégio Santa Rosa de Lima pela manhã e fazia pré-vestibular à noite em Copacabana, bairro da minha avó e de muitas outras avós de todo o planeta. Aliás, quem mora no Rio de Janeiro sabe que Copacabana é o bairro de três conjuntos: o das idosas, o das prostitutas e o dos travestis. E antes que me perguntem, respondo: sim, existem interseções (uh baby!), mas minha avó não fazia parte delas, certo? Como eu morava em Botafogo, ia e voltava de ônibus: o glorioso 571, Leblon – Glória (sem trocadilho). A última aula acabava tarde da noite e meu estômago, outrora juvenil, urrava. Estômago urrando perto da casa da vovó é batata (batata, bife, pudim, mousse, bolo, etc.). Eu saída do curso e fazia uma boquinha lá. Como o curso era de segunda à sexta, o ritual ficou sacramentado. Dia útil era dia de dormir de barriga cheia. E assim foi até uma noite na qual minha avó não atendeu à campainha. Fiquei preocupado. As luzes do apartamento acesas e uma senhora de idade, viúva, morando sozinha, não respondia aos apelos daquela campainha histérica durante vários minutos. Não poderia ser um bom sinal. Quando estava quase desistindo e cogitando medidas drásticas, a portinhola (aquela pequenina que servia como um “olho mágico” das antigas) abriu. Lá de dentro aquela senhora baixinha, obesa, míope, filha de portugueses e mãe de minha mãe, perguntou com uma voz autoritária e ranzinza: - “O que você quer aqui, hein?” Pronto. A velha tinha esclerosado de vez, pensei. - “Como assim, vó? Sou eu. Antonio Pedro.” Ela continuou de pé, atrás da porta trancada, séria, me fitando por uns três intermináveis segundos quando novamente perguntou: - “Sei. Mas o que você quer?” - “Vó, tá maluca? Eu venho aqui todo dia e hoje você vem me perguntar o que eu quero? O que há, hein?” - “Espere aqui.” Ela fechou a portinhola sem cerimônia, manteve a porta fechada e, pelo som de seus passos de pantufas da Sapasso, pude perceber que ela se dirigia novamente para a sala. Fiquei perplexo. Para aliviar um pouco minha tensão (ou seria a dela?) cheguei a ensaiar um “Raposa de fogo!” ou um “Cisne vermelho!” para quando ela voltasse. Como se fosse a senha de uma irmandade ou algo do gênero. Imediatamente desisti porque minha avó não entenderia a piada. Alguns minutos depois, os sons das pantufas voltaram. Desta vez, no entanto, vinham acompanhados pelo som do molho de chaves. Para meu estômago – e para o Hermeto Pascoal – naquela altura um som já quase musical. Ainda tive tempo de pensar numas setenta hipóteses para aquele comportamento bizarro de Dona Lucy enquanto a porta era destrancada (minha avó tinha, pelo menos, 10 trancas em cada porta do apartamento, incluindo as dos quartos, banheiros, dispensa e gavetas em geral). Quando a maçaneta moveu-se e a porta abriu, a figura de minha avó surgiu de novo pelo vão que a correntinha, a última das trancas, permitia. Ainda séria, ela me disse: - “Preciso de sua ajuda.” Saiu a correntinha. A porta se abriu e naquele momento minha fome já nem era mais avassaladora. Queria saber o que estava acontecendo. Era a minha curiosidade canceriana em ação. Entrei no apartamento e, enquanto caminhávamos lentamente (minha avó só caminhava lentamente) até a sala, ela me explicava gesticulando: - “Você sabe que outro dia eu disquei (“disquei” é muito velho, né?) para a Tele-Rio e encomendei esse vídeo-cassete, né?” Bingo de novo, Copacabana! Era um pornô! Até hoje me lembro do filme: Kasha’s Friends, um clássico. Comecei a rir e minha avó, já mais tranqüila (ou conformada, rendida, sei lá), não sabia se ria comigo ou se mantinha a pose da moral e dos bons costumes. Manteve a pose. Larguei a mochila e fui até o aparelho. O vídeo estava lá, pausado (sem trocadilhos), e a TV desligada. Quando a liguei para descobrir em que pé (eu disse pé!) estava a fita, surgiu a imagem de uma ruiva fazendo sexo oral num ator que, pelo… hã… ângulo… devia ser louro. A morbidez me obrigou a olhar para minha avó e ver a reação dela. Até hoje lembro: quase com desprezo, com um pouco de nojo, com aquele boquete refletido nas grandes e grossas lentes de seus óculos, Dona Lucy afirmou num tom épico à Scarlett O’Hara: - “Que horror! Seu avô nunca me obrigou a fazer isso com ele!” Obrigado, vó, obrigado. Obrigado Carolzinha. Com a experiência (ou falta de) de uma e a juventude de outra, pude finalmente me dar conta de uma grande pista divina que nos foi passada através dos tempos e que poucos desvendaram. Se a mulher veio mesmo da costela de Adão, não deve jamais estar acima ou abaixo do homem. Mas sempre ao lado. Bem ali onde sentimos cócegas. Bem ali onde nos fazem rir como bobos, como bufões, como palhaços. Antonio Pedro Tabet, além de endeusar mulheres bem humoradas, é frito na hora, leva carne selecionada e cuida com esmero de seu blog Kibeloco. Brindamos com você o nosso aniversário, Kibe! O Pop é Pop Especial de Aniversário - Rapazes convidados Alguns dos melhores momentos da vida ocorrem quando estamos em uma roda de amigos, em conversas que fluem animadamente por horas e horas. Se em uma mesa de bar, melhor ainda, embora seja preciso fazer a ressalva de que os bate-papos mais "aproveitáveis" só rolarão enquanto a quantidade de álcool ingerida possibilitar um nível de consciência suficiente para que a conversa não descambe nos dois temas recorrentes a este Garoto que Diz Ni: futebol e mulheres. Mas sobre o que conversamos com nossos camaradas quando não discorremos sobre nossas desventuras profissionais e desencontros amorosos? Cultura pop, é bóbvio! É fato: nesta era da informação, boa parte dos elos em comum que temos com nossos amigos provém das bancas de jornais, das telas de cinema, dos fones de ouvido, dos programas de TV, dos blogs e sites que visitamos. Quantos de nós não fizeram amizades baseados nos gostos musicais, cinematográficos ou literários de alguém? Neste mundo maluco em que pessoas caminham apressadamente a esmo, encontram-se e desencontram-se pelos labirintos do dia-a-dia, tornam-se famosas por quinze minutos e depois são relegadas ao anonimato, o universo pop é uma espécie de eixo que auxilia extraviados a encontrarem seus pares. Eu, por exemplo, posso falar dos amigos que fiz a partir de gostos em comum, como acompanhar religiosamente os episódios de "Arquivo X" ou ir a shows dos Paralamas, assim como do dia em que meus olhos brilharam quando descobri que "aquela" menina também gostava de Hitchcock e Neil Gaiman. E, oras, quem nunca gravou um CD ou, no meu caso de balzaquiano, uma fita-cassete com suas músicas prediletas, torcendo para que aquela paquera gostasse das canções que fazem parte da trilha sonora de sua vida tanto quanto você? Sim, um dia eu fui desses caras que, feito Charlie Brown, suspiraram pela garotinha ruiva que jamais soube que eu existia. Depois, nutri tórridas paixões platônicas pela Magri da Turma dos Karas, a Virginie do grupo Metrô, Molly Ringwald e, claro, a Luciana Vendramini. Também já saí do cinema sonhando em pegar uma carona no DeLorean do Marty McFly pra consertar algumas burradas que fiz, ou cantar "Twist and Shout" no meio da rua feito o Ferris Bueller. Ouvi Maria Bethânia pela primeira vez graças ao quadro antológico em que Didi Mocó interpretava a Terezinha da canção, e ainda guardo no bojo da memória diversos nomes de bandas de rock nacionais, como Omar e os Cianos, Detrito Federal, Vzyadoq Moe, Os Eletrodomésticos e O Espírito da Coisa. Não sou ingênuo, porém, a ponto de incorrer na nostalgia burra de bradar que "bom mesmo era no meu tempo". Tenho plena consciência de que muita coisa que li, vi e ouvi naquela época é artisticamente nula. Mas por que então eu, e tantas pessoas de minha geração, consumimos tantas tranqueiras dos anos 80 com renovado prazer? Penso que é uma maneira que temos de reter nossas memórias e fazer com que lembremos como foi que nos transformamos nas pessoas que somos hoje. Afinal de contas, somos o que somos graças à somatória de experiências que vivenciamos: as histórias contadas por meu avô, o cheiro da merenda do recreio, a emoção do primeiro beijo, sons, texturas, vozes, leituras e lições que apreendemos do passado. O que não é pouco, ainda mais em tempos nos quais modas e tecnologias renovam-se vertiginosamente, turbilhando nosso cotidiano repleto de itens jogados precocemente no que Cazuza definiu como "museu de grandes novidades". Na condição de leitor e fã de Vivi Griswold, Clara McFly e Flá Wonka, penso que um dos motivos deste site ser tão bacana e bem-sucedido é o fato dele ser despretensioso como as melhores canções pop, que falam de sentimentos comuns a todos nós com palavras simples e melodias assobiáveis, que grudam feito chiclete nos ouvidos. Porque são músicas como essas que ouvimos com os olhos fechados e fazem com que a gente resgate emoções e sensações de outras épocas no breve intervalo de alguns minutos. Porque assim é o site das Garotas que Dizem Ni, que conversam com seus leitores da mesma maneira com que entabulariam animadamente discussões sobre técnicas de pular com pogobol, livros de Agatha Christie, comédias do Monty Python ou o medo de se engasgar com balas Soft em uma conversa de mesa de bar. - Garçom, mais uma rodada aí pra gente! Alexandre Inagaki desfia essas e outras no finíssimo Pensar Enlouquece. Pense Nisso e ainda arranja tempo para atuar em tantas frentes virtuais que nos faz desconfiar seriamente de sua existência como uma só pessoa no plano real. Obrigada, Ina!
Palavras de rara beleza Especial de Aniversário - Rapazes convidados Ninguém acredita quando eu conto, mas juro que é verdade: certa vez, há uns cinco anos, escutei claramente alguém dizer que precisava isquedular uma reunião. É. Estava no escritório, ouvi de passagem dois gerentes que conversavam no corredor: — Mas e aí, como a gente faz? — Liga pra mim amanhã, a gente pode isquedular pra qualquer dia desta semana. Isquedular, é claro, vem do inglês to schedule, "agendar", "programar". Eu isquedulo, tu isquedulas, ele isquedula, nós isquedulamos, vós isquedulais, eles isquedulam, eita! É bonito que é danado, não? Eu mesmo parei na hora o que estava fazendo para saborear o momento raro que é o nascimento de uma nova palavra. Aquele isquedular olhou em volta, ensaiou algumas batidas com suas asinhas, foi ganhando segurança e finalmente alçou vôo. No dia seguinte, todos no escritório já isquedulavam alegremente. Passei anos sem voltar a experimentar um momento de revelação como aquele. Até que, quatro meses atrás, comecei a trabalhar numa dessas empresas de consultoria. Ah, o paraíso! A variada gama de serviços prestados por essas companhias é mera fachada para sua verdadeira atividade, para sua real contribuição à humanidade, que é a de prover a todos palavras novinhas em folha, prenhes de significado. São verdadeiras chocadeiras de palavras: impactar nasceu nesses ninhos prestadores de serviços, assim como alavancar. Digam sinceramente: que reunião hoje em dia duraria mais de cinco minutos sem essas duas gemas preciosas? O que faríamos o dia inteiro se não tivéssemos reuniões excitantemente prolongadas por tanta gente alavancando daqui e impactando dali? Seria o caos, o apocalipse, o inferno. Felizmente podemos contar com esses homens e mulheres incansáveis na geração de novas preciosidades. E o horizonte à nossa frente é promissor. Enquanto você lê este texto, centenas, milhares de consultores trabalham sem descanso parindo termos de inegável beleza. Ofereço, por exemplo, duas palavras muito em voga nas empresas de consultoria, o que significa que em breve serão a coqueluche de todo o mundo corporativo: capilaridade e granularidade. Tirado de seu contexto, o sentido dessas palavras é bem óbvio. No entanto, quando se trata de uma reunião de negócios, são coringas de valor inestimável. Imagine-se por um momento numa sala de reuniões. O ambiente é hostil, e enquanto você fala todos olham com cenho franzido. Você já tentou falar em alavancar, em impactar, e nada. Pois bem: saque um desses novos termos da manga. Mas não de qualquer maneira, por favor! Há todo um gestual associado a cada um deles: ao dizer capilaridade, coloque as duas mãos fechadas à frente do corpo e vá estendendo os dedos e os braços lentamente, como uma flor desabrochando. Para granularidade, esfregue as pontas dos dedos de ambas as mãos, como se estivesse salpicando a mesa de reuniões com algum pó invisível, enquanto as mãos descrevem pequenos círculos. É complexo — depois eu faço um vídeo para explicar melhor — mas infalível: ao ouvir tais palavras acompanhadas desses gestos, todos render-se-ão a você. Alguém que fala em capilaridade e granularidade com tal desenvoltura só pode estar no domínio da situação. A produção não para por aí, é claro. A cada momento termos recém-saídos do forno são testados em exaustivas reuniões internas até serem considerados suficientemente maduros para construírem sua gloriosa carreira no mundo exterior. Eu poderia dar a vocês muitos outros exemplos de verbetes ainda incipientes mas promissores. Infelizmente, não terei como fazê-lo. Já explico por quê. Dia desses, apenas de passagem por uma sala de reunião, ouvi alguém comentar: — Nós chegamos mesmo a ter dificuldades para tangibilizar nosso produto. Esse tangibilizar entrou pelos meus ouvidos, fez vibrar os meus tímpanos e ecoou por todo o meu cérebro. Tangibilizar, tangibilizar, eu repetia. Num momento que só posso mesmo chamar de epifania, me dei conta de minha total insignificância diante de tanta beleza. O gesto que acompanhava a palavra — um esfregar de dedos contra a palma da mão, coisa muito fina e elaborada — era quase hipnotizante. Percebi que eu — pobre de mim! — ainda estava muito longe do nível de elevação necessário para utilizar tão propriamente as palavras arduamente forjadas pela grande organização para a qual trabalhava. Resolvi, portanto, reconhecer minha derrota e pedir demissão. Finalmente tangibilizei que não era digno de tanta sabedoria. Não, não perguntem o que estou fazendo aqui, porque eu também não sei. As garotas me convidaram, eu aceitei (que mais podia fazer? É um convite delas, por Deus!), e cá estou. O profeta pop-star Marco Aurélio ataca em seu blog Jesus, Me Chicoteia! e também colabora com o Balde de Gelo. Valeu, Marco!
Restos de sabonete Especial de Aniversário – O pior tema do mundo Eles chegaram a São Paulo com uma mão na frente e outra atrás; trabalharam como pedreiro (o avô) e tecelã (a avó); construíram sua própria casa e criaram três filhos com dificuldade – minha mãe e sua irmã tinham de dividir uma maçã e contavam com uma única calça jeans. Porém, nunca faltou a sopa de feijão, o teto, a roupa (ainda que pouca) e a educação. No fim, tudo deu certo. E quer saber por que? Por causa da invejável habilidade de economia da minha avó. Boa parte disso, acredito, deve-se ao fato dela saber reciclar (muito antes da palavra ser moda) tudo. Até os restos de sabonete. Como em tantas outras casas de subúrbio, onde a grana é contada na ponta do lápis e a criatividade no reaproveitamento de materiais alcança níveis inacreditáveis, no lar ocupado pela família Simionato os restos de sabonete eram amassados uns contra os outros, formando... um novo sabonete, capaz de atender a mais uns dois ou três banhos dos moradores. Claro que todo mundo saía do chuveiro (sempre com a chave na posição de verão, para não gastar muita energia) com um estranho bouquet composto de ao menos cinco essências perfumadas diferentes. E a bolota formada pelo amálgama multisaponáceo adquiria cores interessantíssimas, mesclando rosa-palmolive a preto-phebo. Era uma coisa bonita de se ver. Parecia uma opala. Gostaria de dominar esta técnica. Juro que tento, mais pela tradição familiar que por necessidade, juntar os restos de sabonete aqui de casa. Mas eles não colam! Acho que minha vó tinha bem mais força na mão – talvez treinada pelo constante exercício de abrir massa de macarrão no rolo. Então, fico sem saber o que diabos fazer com aqueles pedacinhos coloridos que passam a se acumular no box. Tento ignorá-los. Mas aí é que eles se multiplicam mesmo. Parecem mogwais, os danados. Acho que se reproduzem ao tocar a água, igual aos bichinhos fofos que davam origem aos Gremlins no filme homônimo. Como isso acontece com uma razoável freqüência em qualquer lugar do banheiro, seu habitat natural, há cada vez mais deles por ali. Aposto que, numa vida inteira colando sobras de sabonetes, minha avó deve ter conseguido garantir os custos da vida escolar de ao menos um filho. Desse modo, não seria justo (nem inteligente) simplesmente jogá-los fora. Quem sabe eles não pagam meu curso de dança quando estiver velhinha e aposentada? Além do mais, o lixo não é um bom destino para os tecos de sabão cheiroso. Eles grudam no fundo do cesto, derretem ali, misturam-se ao papel higiênico dispensado. É um horror. Mas preciso de uma solução. Daqui a pouco, haverão tantos restos coloridos no chuveiro que, ao abrir a porta do box, eles poderão me soterrar. Porque não conseguimos usá-los até o total desaparecimento? Seria a solução ideal. Se ao menos eles fizessem espuma até sua derradeira utilização... ou se não teimassem em escapar por entre os dedos quando adquirem aquela finura que os torna capazes de serem dobrados... Já sei. Das duas, uma: escrevo para as fábricas pedindo uma melhora no produto e uma reengenharia do sabonete, de modo que ele seja plenamente utilizável até sumir, ou entro num curso de sachês feitos com restos do material. Mas aí minhas roupas terão o mesmo cheiro das pessoas da casa da minha avó. Pensando bem, vou tentar mais uma vez fazer uma bolota. Alguém aí tem uma prensa? Os melhores dos piores Parabéns, ComuNidade: vocês conseguiram! Quando lançamos a idéia do pior tema lá no Fórum, não pensamos que seríamos abarrotadas de tantos assuntos horríveis, desinteressantes e improdutivos! Como sempre, vocês não nos deixaram na mão – e se superaram. Obrigada a todos e ao Cavaleiro Negro, que sugeriu o riquíssimo tema restos de sabonete. Agora, só falta ele me dizer o que fazer com eles. No bom sentido, claro.
Moedas de um centavo Especial de Aniversário – O pior tema do mundo Ganhei a primeira delas do meu pai, quando ainda era uma menina que mostrava a idade com os dedos de uma só mão gorda. “Guarda no cofrinho do Banco Nacional”, ele me disse. Assim o fiz, toda contente porque tinha conquistado – recebido na maciota, na verdade – uma moedinha de menor valor no mercado. Daquele dia em diante, porém, comecei a achar moedas de um centavo bastante bestas. E como adivinhar que, um dia, ainda teria que escrever sobre elas? Mas, por incrível que pareça, há muito o que dizer. Depois daquele níquel inicial, as moedas passaram a pingar mais na minha mão. Levou pouco tempo para descobrir, infelizmente, que no mundo real elas não valiam nada. Nem... um centavo (bem ao contrário do que dizia o número impresso na chapinha de metal). Aliás, diferente do que eu via nos filmes gringos da TV, aqui no Brasil moedas eram bobagem, não dinheiro. Os meninos do farol, por exemplo, ficam felizes em receber esses tipos. Mas veja lá se dizem “tio, dá um centavo?”. Eu aviso: se você fizer isso, leitor, vai ganhar é um olhar de espanto e raiva. Ou, Tá ruim, mas tá bom Quando pedimos aos leitores que nos ajudassem a escolher o pior tema do mundo para um texto – e nos desafiassem a escrever sobre ele – não imaginávamos quanta porcaria sairia! Parabéns a todos os participantes do Fórum que toparam a brincadeira. E obrigada ao Kanangô pela idéia das moedas de um centavo. Fla Wonka às 01:26 PMA tecla Caps Lock Especial de Aniversário – O pior tema do mundo Eu tenho pena da tecla Caps Lock. Se ela fosse um lápis de cor, seria o lápis branco. Se ela fosse um quitute, seria aquela bolacha que fica presa na tampinha do pacote. Se ela fosse um objeto, seria um guarda-chuva rasgado. Pois a pecinha preta (ou bege, dependendo da cor do seu teclado) está ali, fazendo volume – mas não serve para nada. Ou o que é pior: serve para muito pouco. Pois eu preferiria mil vezes não prestar para droga nenhuma, ser uma completa perdedora, uma quenga largada na vida bebendo Fanta Uva pelas calçadas imundas acompanhada apenas de um cão sarnento, do que ser alguém para a qual as pessoas olhem e digam “Ah, pelo menos ela consegue fazer uma coisinha, né...”. Muito mais terrível do que ser odiada é inspirar pena. Do mesmo jeito, eu prefiro ser feia a ser “simpática” e ser burra a ser “esforçada”. Já reparou como eufemismos são mais falsos do que falsos elogios? Voltando à Caps Lock. Ela é a tecla, digamos, “esforçada” do teclado. Chato isso. A Insert, por exemplo, é feliz por ser odiada – o desavisado que a apertar poderá perder todo um dia de trabalho. Já aconteceu comigo e eu simplesmente quis sumir. Vontade de arrancar aquela peça e jogá-la lá embaixo! Mas não pude completar a ação terrorista por dois motivos: o teclado foi caro e o condomínio enviou um aviso a todos os apartamentos advertindo sobre objetos atirados pela janela. Droga, bem na vez em que eu ia mandar o Insert para a Teodoro Sampaio! Ao contrário da Insert maligna, o Delete e o Back Space são totalmente bonzinhos. Assim como as coleguinhas Home e End, que levam você ao começo e ao fim das linhas de um texto. Outras gêmeas, a Page Up e a Page Down, dão ao mouse um descanso ao permitir um passeio sem compromisso pela página. O Ctrl promove a benção do Copy & Paste e, quando combinado ao Alt e ao Del, pode tirar você de uma sinuca de bico – ou de um programa travado. O Esc também socorre a gente nos momentos mais estranhos. E o Shift... Bem, o Shift é o inimigo número um da pobre Caps Lock. Não sei como é a disposição aí na sua mesa de trabalho, mas aqui na minha os dois são vizinhos. São como uma Dona Mirtes e uma Dona Irene, sendo que o jardim da Dona Mirtes é mais caprichado, enquanto o da Dona Irene não consegue fazer uma roseira vingar; o gato vira-lata vai sempre fazer xixi na laje da Dona Irene, enquanto a da Dona Mirtes é um brinco de limpeza; e o filho da Dona Irene deu para mexer com tóchico, enquanto o da Dona Mirtes está para se formar doutô. O Shift permanece estático ao lado, fungando no cangote da Caps Lock, só para lembrá-la constantemente de sua parca utilidade. A única função da Caps Lock é fazer maiúscula. Mas isso o Shift faz também! Ou seja, quando você quer escrever ASSIM, é mais fácil segurar o Shift do que acionar a função da Caps Lock que, segundo seu nome auto-explicativo, trava a digitação em letras capitais. Ela só é útil se você, por acaso, GOSTAR BASTANTE DE ESCREVER DESTE MODO. Mas pra que tanta raiva nesse coraçãozinho? Por que gritar com os outros? Sim, pois além da Caps Lock ser dispensável, quando ela é usada faz parecer que a pessoa está furiosa. É a tecla do mau-humor, da ranhetice e do chefe que quer O MEMORANDO E O RELATÓRIO PARA ONTEM. Digamos que você precise usar a Caps Lock para diferenciar o título de um trabalho para a faculdade. Muito bem, é a chance da pequenina mostrar serviço. O problema é que normalmente nos esquecemos de desativá-la. Daí, ao entrar em um Web Mail e digitar a senha, vai dar erro. Então ficamos pensando “mas por que não está entrando?”. Ao vermos a luzinha acesa (ela acende luzinha, veja só!), o que dizemos? MALDITA CAPS LOCK INÚTIL DOS INFERNOS! Pelo menos, agora eu a usei neste texto.
Não, não. O desafio foi mesmo dos leitores do Fórum de Discussão. A gente pediu para eles indicarem o pior tema de todos os tempos, sob a promessa de que nós escreveríamos textos inteiros sobre três deles. O meu foi, claro, a tecla Caps Lock. OBRIGADA MANDY_SF PELA SUGESTÃO! E AOS OUTROS PELA PARTICIPAÇÃO! E... droga, esqueci a Caps ligada de novo! Vivi Griswold às 10:31 AM
Coisa de mãe Especial de Aniversário - Mães que Dizem Ni Tinha uma fantasia a respeito de vocês, garotas. Imaginava que ficassem confortavelmente instaladas na frente do computador, talvez com um pacote de pipoca e um refrigerante gelado ao lado, enquanto distraidamente iam dedilhando as teclas do dito cujo. Entre uma pipoca e outra, uma golada e outra, as idéias iam surgindo, como uma onda do incrível tsunami, arrasando a tela branca do monitor, de maneira que, no espaço de alguns segundos, ela toda coberta de palavras que sempre nos fazem rir ou chorar. Essa fantasia tomava proporções abomináveis quando eu me encontrava em minha sala, na escola, com meia dúzia de pré-aborrecentes (no bom sentido) brigando pela posse de uma enigmática figura do jogo de “cards” pela qual estão dispostos a tirar sangue um do outro. Ou quando as auxiliares de limpeza entram desesperadas na sala reclamando que a bomba da caixa d’água esta quebrada, a prefeitura não mandou ninguém da manutenção, os banheiros estão imundos e as crianças berrando por água. Entre chaves inglesas e parafusos, que eu nunca sei a que parte pertencem, imaginava que boa vida a de vocês... Isso até receber o convite, há mais ou menos um mês, para escrever um pequeno texto nesta página da internet. Desde este dia comecei a ter insônia. Quando conseguia pegar no sono, ele era povoado de pesadelos. Neles as manchetes de jornais traziam em letras garrafais “GAROTAS PERDEM A POPULARIDADE POR CAUSA DE CRÔNICA DA MÃE”. Por diversas vezes, acordei de madrugada, o pijama molhado, a cabeça doendo. Sentava então na frente do computador e esperava a tela se encher de palavras. Pensava em um tema e nada. Às vezes, a filha ligava durante o dia: “E então mãe, já preparou o texto?”. E eu fingindo segurança: “Ainda não, está me faltando tempo”. Mal sabia ela... Nesta altura, eu, sua mãe, suava e tremia só de chegar perto daquela máquina infernal. Já pensava em terapia. Então concebi, dentre tantas outras, uma idéia que, julguei, me livraria de uma vez por todas desta tarefa quase impossível. Vou fingir que sou ela! Não deve ser difícil; afinal, eu a carreguei nove meses dentro da minha barriga. Reuni a coragem que me restava, me arrastei até a cadeira, liguei os botões da máquina (neste momento quase entrei em pânico), vi a tela acender, pensei: “é agora ou nunca”. O que ela faria? Lembrei de todas as nossas conversas; ela contando como engendra os textos que escreve, como vê graça e poesia no cotidiano que a cerca (entre uma lembrança e outra estava o seu sorriso e aquela luz tão peculiar). Eureka! Finalmente decidi. Vou contar como descobri que Papai Noel não existe. Ou, trocando em miúdos, como é difícil escrever textos interessantes, engraçados e emocionantes, todos os dias. Parabéns, garotas, vocês são geniais. E eu? Descobri, também, que estou bem feliz em ser coordenadora de uma escola com mil alunos. Mesmo que fossem dez mil. Por Sandra Verginia Simionato às 05:36 PMCom a palavra, a responsável Especial de Aniversário - Mães que Dizem Ni Hoje as mães vão dar uma folga para as garotas. Eu sou a mamãe Wonka e minha função, acredito, é escrever sobre a moça que vocês conhecem aqui como a dona do horário intermediário. Fiquei pensando, primeiro de tudo, se devia aproveitar para vingar a família. Será? Quase todos já viram seus nomes ou histórias no site – e, quase sempre, também viram seus podres publicados. Acho então que seria uma boa vingança (ou podem chamar de justiça) colocar a dona deste “brinquedo” na berlinda. Mas o que vou falar dela? Que sempre foi independente e não deixa ninguém comandá-la? Isso, eu imagino, é o sonho de todo mundo. Que tem um respeito absurdo pelas pessoas? Acho que é por isso, pensando agora, que tanta gente gosta dela. Que sempre foi de bem com a vida? E que parece ser por causa disso que todo mundo a quer por perto? Que é lúcida e solidária, e então podemos contar com ela em qualquer aflição? Ei, mas peraí! Acho que só falei bem! Vai ficar parecendo que é defesa de mãe. Ah, sim, lembrei! Em um belo dia, a mais ou menos 25 anos atrás, essa menina caiu dentro de um bueiro e quase chegou ao leito do Rio Piracicaba pela tubulação. Foi salva a tempo, mas ficamos tendo pesadelos por cerca de um ano inteiro. Uma outra vez, todo o bairro ficou sabendo, ela quebrou a mesa de vidro da sala da vizinha e abriu um imenso talho na perna. A sangueira corria solta e a molecada da rua, sem exceção, ficou lívida de medo daquele corte que jorrava vermelho. Mas a mocinha era valente: levada ao hospital, ficou olhando o médico costurar sua perna. Teve também a época dos esportes radicais – já em idade bem mais velha, ainda bem. A fase, apenas mais uma dentro da carreira de jornalista, foi abandonada depois de pouco tempo. Talvez tenha sido para evitar que o papai enfartasse de tanta preocupação. Agora essa mesma Flávia está em estado de graça (junto com todos nós, é claro), com a chegada de uma garotinha rechonchuda e linda demais. Uma garotinha que certamente vai dizer Ni também. Ai, que coisa... Parece que tudo isso não relevou nenhum podre verdadeiro. Não adianta, parece que mãe não consegue mesmo jogar no time adversário. Ah, mas que importa? Fica assim mesmo. E nem ligo de dizer: parabéns, filha, você é tudo de bom! Por Maria Conceição Pegorin Minha vez de contar histórias Especial de Aniversário - Mães que Dizem Ni Mães costumam se referir aos filhos usando superlativos, ou, o que é pior, diminutivos. Às vezes, por mais que tentemos, custamos a acreditar que eles são pessoas comuns, como quaisquer outras – e fazemos o possível e o impossível para poupá-los das críticas, da intolerância, enfim, de todas aquelas situações desagradáveis que qualquer ser humano irá experimentar, mais cedo ou mais tarde, em todas as fases da vida. O que posso afirmar é que Vivi está se saindo muito bem no quesito “jogo de cintura” para enfrentá-la. Desde que tinha só três palmos de altura já estava destinada à comunicação; saía em disparada no meio da rua quando avistava outra criança e literalmente se pendurava no pescoço dela, distribuindo muitos beijos, o que geralmente assustava a criança desavisada e enternecia ambas as mães. Sentia uma saudade doída dela quando eu estava de plantão na faculdade de Medicina, ligava para ela, contava historinha, procurava parecer alegre e depois de desligar, inevitavelmente me debulhava em lágrimas. Uma de minhas amigas do curso achava tudo aquilo um exagero, até que, mais tarde, ao ser mãe, me confessou que sabia exatamente o que eu sentia naqueles momentos. Certa vez, num daqueles dias, fiz um poema em que eu dizia que, se pudesse, plantaria uma árvore de onde nasceriam uma porção de vivianinhas para que houvesse mais ternura no mundo. Quantas vezes, estando tão pertinho dela, eu pedia a todas as divindades que aquele momento não acabasse nunca porque eu sabia que tantas coisas seriam esquecidas, por ela e por mim, num futuro que já chegou – tantas palavras, tantas brincadeiras, tantos cheiros e outras sensações! Quando seu irmão nasceu e, depois, sua irmã, ela se mostrou uma mocinha responsável e corajosa, ao contrário das crianças de hoje que, muitas vezes, precisam de terapia psicológica para aprenderem a aceitar o irmão. Na adolescência, já tão voltada às letras, lia Oscar Wilde e Shakespeare no original do mesmo modo que apreciava Machado de Assis. Posso dizer que ela ainda continua me surpreendendo a cada dia, como quando eu caí na academia e fiz um grande corte no queixo: eu tentando estancar o sangue, protegendo-a para que não se assustasse com aquilo e ela não só quis ver como me acompanhou até o hospital, onde ficava me dizendo que ficaria tudo bem, que não tinha sido nada, até que o corte fosse suturado com oito pontos. Naquele dia fiquei pensando se não era ela para ser a médica e eu a jornalista. Viviana com seu tipo mignon chama a atenção por onde passa, com seu cabelo ruivo, sua tattoo celta no braço direito e sua bolsa de lacinho; até em sua viagem de carro ao extremo sul da América do Sul, desbravando lugares inóspitos, ela está super fashion na foto ao lado dos pingüins, num cenário branco de neve e gelo. Tem grande paixão por gatos e já me acordou de madrugada para ir procurar um gatinho bebê abandonado no escuro da noite. Como ela se mudou de casa, deixou-me um legado de seis bichanos que tento cuidar da melhor forma possível e às vezes ela vem visitá-los. Gosto muito de ler o que ela escreve, primeiro porque acho fantástico que de uma simples idéia pode nascer um texto que obedece todas as normas gramaticais e depois porque ela faz isso com tal desenvoltura, como se estivesse bebendo um copo d’água. Pensando bem... depois de tantos anos eu ainda gostaria de plantar aquela árvore, para que tantas outras Vivis fizessem desse mundo um lugar melhor para se viver. Por Eliana Teixeira às 10:14 AM
(Não tão) Querida Flávia... Especial de Aniversário – Mundo Bizarro Espero que esta te encontre gozando de plena saúde e prosperidade aí no Senegal. Com sua preferência pelos climas calorentos, imagino que esteja adorando a vida na África. Mas não se esqueça de tomar cuidado com a Sabrina. Sei que pode parecer demais avisar, mas sendo a senhorita uma das mães mais chatolas e desavisadas que já vi, custa nada repetir: não deixe a pobrezinha brincando na savana. Ela pode ser engolida por um leão. Para falar a verdade, amiga, não sei como você foi parar aí. É impressionante que alguém como a senhora, que sempre foi tão dependente dos outros e só saiu da casa da mamãe aos 30, tenha topado essa aventura de viver do outro lado do Atlântico. Ah, sim! Lembrei-me. Aposto que foi por causa daquele seu marido autoritário e insuportável... Claro. Ele deve tê-la forçado a acompanhá-lo até essas abafadas paisagens. Bom, pelo menos, você deixou cá na terrinha – além de parcas saudades dos “amigos” que não toleravam mais seu jeito mandão e tão pouco democrático – um respeitável inventário de bens. Isso já não me admira, viu, dona Flávia. Afinal, você sempre foi deveras preocupada em acumular mais e mais coisas, não importando para tal sua própria felicidade. No fundo, acho que foi por isso que você largou o Garotas na mão e aceitou o convite do Frias para virar Diretora de Marketing Direcionado para o Núcleo de Publicações de Negócios do Grupo Folha. Seria um trabalho mais divertido? Não, não seria. Mas pagaria 18 vezes mais do que ganhávamos dividindo idéias e memórias no nosso próprio projeto. Foi a deixa para você nos telefonar e dizer um seco “adeuzinho, trouxas” pelo telefone mesmo. Quer saber? Bem-feito que você tenha acabado por se mudar para o Senegal – e deixado tudo, inclusive seu emprego de m*, para trás. É, ainda estou magoada com aquela história de “adeuzinho, trouxas”. Pô, você podia ter pego mais leve na despedida, Pegorin. Tudo bem, tudo bem. São águas passadas... Vou me recuperar. Aliás, você já se recuperou do medo de dirigir? Tá certo que, se eu dirigisse mal e porcamente como você, também teria medo de andar comigo mesma. Mas é preciso tentar, né, amiga? Vai que aparece uma manada de elefantes desembestados em direção à sua casa e, com os empregados todos de folga, você tem que fugir com a Sabrina? (Bom, eu sei que no fundo uma mão-de-ferro como você jamais daria folga a um “serviçal”, como você gosta de dizer. Ok, mau exemplo. Mas, enfim, uma hora você pode precisar enfrentar o trânsito). Ah! Peço desculpas por não ter enviado ainda a filmografia completa do Jeremy Irons que você me pediu. Falta só “Perdas e Danos”, seu favorito. É que está difícil fazer as cópias em DVD. Se ao menos você abrisse um pouco mais o bolso, eu podia comprar tudo oficial e postar para você rapidinho. Mas já que a senhorita é capaz de atravessar uma piscina a nado com um sonrisal na mão, vai ter de esperar mais um bocadim até que eu consiga copiar tudo do seu grande ídolo e símbolo sexual. Enquanto isso, contente-se com o pôster em tamanho natural que te mandei mês passado. Espero que ele não esteja todo babado – e por isso me refiro à sua baba, não à da Sabrina, viu? No mais, como andam as coisas? Vi que a comunidade criada por você no Orkut, a “Ei, The Clash, vai tomar no piiiii”, está cada dia maior. Nunca pensei que pudesse reunir tanta gente que odiasse a banda como você. Nem todo mundo gosta de sacudir o esqueleto ao som de “Spanish Bombs” e “Train in Vain”, lógico, mas não imaginava que existissem tantas almas ansiosas por, como diz a descrição do grupo, “destruir todo e qualquer material gravado por esses marginais e propagar ao mundo que eles são, na verdade, uns infiéis em pacto com o demônio”. Por falar em demônio, como vai Sabrina, aquele tormento em forma de bebê? Da última vez que a vi, a peste não parava de berrar. Além de tudo, tadinha, é feiinha que dói... Ainda se tivesse um charmoso cabelinho espetado, ou desse risadinhas de derreter a guarda de qualquer adulto, vá lá... Aliás, Flá, vou te dar uma dica. Espero que não fique brava. A garotinha, chata ou não, é sua filha. E não sei se seria bom para a educação de uma criança viver perto de alguém como a sua mãe. Eu sei, é sua mãe, e mãe não se põe no meio. Mas você mesma já me disse o quão controladora e megera ela pode ser. Cuidado, viu? Mais cuidado ainda com aquele pessoal da sua igreja. Você sabe que sempre fui uma pessoa muito crente. E tento respeitar o pluralismo. Mas olho com reservas facções radicais de qualquer espécie. Na última carta, você me disse que agora faz parte da irmandade “O Senhor é Nosso Pastor e Nada nos Faltará, Mesmo que Ateemos Fogo em Tudo” do Senegal. Dei uma olhada na net e vi que eles proíbem qualquer contato com o cinema, classificada como a “arte do Tinhoso”. Até aí, tudo bem. Você nunca gostou muito da telona mesmo. Mas parece que os irmãos também defendem um tal “batismo de fogo” para as crianças. Não sei o que eles querem dizer com isso, mas é muita piromania para um cristão, hein? Fica esperta. Falo isso porque sei que você sempre foi meio lerdinha e dada a cair em trapaças de qualquer espécie. Convenhamos que você não é um primor de esperteza nem para encontrar o caminho de casa. Não sei como você ainda não se perdeu em meio à savana, com a Sabrina no braço. Ou você já foi parar em Burkina-Faso tentando chegar ao mercado e não quis me falar nada para não passar vergonha? Bom, querida, vou ficando por aqui. Com sua mania de resolver tudo da maneira mais complicada possível, serei obrigada a postar esse calhamaço pelo correio, já que você teima em não arrumar um e-mail. Para quê figurar no Orkut, então, besta? Ah, sim. Esqueci-me de que a incoerência também é uma de suas marcas registradas... Então, é melhor correr. Os postos daqui fecham às cinco. Responda logo. Estou com saudades. É bom ter amigos para quem você pode dizer tudo.
PS: Segue a flâmula “Corinthians Campeão do Mundo 2000”. Deu um trabalhão arrumar, viu? Só não desisti porque nunca vi alguém tão fanática pelo Timão como você. Faça bom proveito! É tudo mentira Se você se espantou com os textos de hoje, calma. Eu não tenho um rato de estimação, Vivi não é preguiçosa nem interesseira e Flá não se mandou para o Senegal. Foi tudo uma brincadeira, parte da Semana Especial de Textos para comemorar o Aniversário do Garotas. Combinamos de abrir a semana com artigos que mostrassem o oposto do que somos. Aliás, esse é só o começo. Ainda tem muito mais, e você descobre todos nossos planos clicando aqui! Clara McFly às 05:36 PMVivi às avessas Especial de Aniversário – Mundo Bizarro Preciso falar urgente com a Clarissa. Essa Viviana só dá problema. É uma acusação grave, eu sei. Mas não há mais como esconder: ela está conosco apenas por causa do dinheiro. Na dimensão onde vive essa mocinha, pessoas fazem de um tudo para se dar bem – nem que, para isso, seja preciso pisar em cabeças, manipular massas e fingir descaradamente. Por isso ela decidiu ser uma Garota que Diz Ni. Fama, fortuna e poder. É tudo o que Viviana almeja. Fica muito difícil, sabem, conviver com alguém tão superficial. A danada, além de tudo, só nos faz passar vergonha. Dá escândalos por causa da bebida e coisas assim. Enxuga todas, de bombeirinho a rabo de galo, e depois sai por aí sem destino. A cada dia ficamos sabendo de um novo enrosco na vida da boêmia incorrigível. E dá-lhe resgatá-la de rachas de carros envenenados, rinha de galo e campeonato de truco. Talvez por isso Vivi tenha se transformado em uma pessoa tão atormentada, tão cheia de fantasmas a lhe assombrar a mente. Como reflexo, se tornou consumista e mesquinha. Não passa um dia sequer em casa. Mal raia o dia, lá vai ela se enfiar na Oscar Freire, a rua mais enjoada da cidade, e torrar toda a poupança do marido em roupas de grife – que, se me permitem dizer, são bem peruas e, como todo traje, lhe caem mal feito um saco de batatas. Esse apego ao material transformou a ruiva em um ser humano implacável. Só vê maldade nos outros, impressionante. Para Viviana, “bandido bom é bandido morto” e “pobre tem mais é que se ferrar”. Perdeu totalmente a fé no semelhante, uma pena. Aqueles olhos não vertem uma lágrima faz tempo, já que a moça é incapaz de se emocionar. Ô, menina endurecida. Mesmo assim, com todo esse coração de pedra, frio e calculista, ela ainda se gaba de, toda noite, recostar no travesseiro e dormir em seis segundos. Nem perde um tempinho pensando em boas idéias para tornar esse site mais agradável aos leitores, um saco! Sobra tudo para o restante de nós! Bom, parece que gente sem muito tutano na cachola é mesmo capaz de esquecer que já maltratou velhinhos e crianças, botou veneno pros gatos do vizinho e colou em todas as avaliações escolares desde os tempos do pré. Aquela cabeça oca não deve ter muitas preocupações. Só com dinheiro, como já disse. Foi assim mesmo que aconteceu. Quando formamos o Garotas, Vivi demonstrou desde o início suas reais intenções. Plagiava textos da internet, roubava idéias de amigos. Assim que começamos a escrever na Época, foi um deus-nos-acuda... Ela não media esforços para se dar bem. Em todo lugar aonde ia, soltava logo um “você sabe com quem está falando, meu filho? Eu sou CO-LU-NIS-TA-DA-GLO-BO!”. Que embaraço, cruz credo. Não fecha nunca aquela matraca, nem em reunião séria de negócios. Ela só pode ter aprendido tudo isso de berço – com aquela mãe nervosa, ranzinza e doida por posses, quem não ficaria meio maluca? E tendo sido sempre essa pessoa sem amigos, fechada a novas experiências turísticas e literárias e tacanha até a raiz dos cabelos, só viria a complicar o quadro. Posso estar sendo meio cruel, mas Clarissa há de confirmar tudo para quem quiser. Viviana é um fardo que temos que carregar nesse grupo. É preguiçosa como ela só, mas se diz entendida em todos os assuntos. Bom, uma coisa é verdade: como faz suas obrigações bem nas coxas mesmo, ela tem tempo de sobra. Passa horas assistindo Seinfeld, lendo Paulo Coelho e escutando axé (e dançando até gastar a sola da botinha, a fim de imitar sua ídola, Ivete Sangalo). Ainda assim, os quilinhos a mais que circundam sua silhueta não sumiram. Mas também, eu avisei: comendo daquele jeito, sem deixar uma migalha no prato, ia mesmo ganhar um formato de pêra. Só que eu não entendo bem como a pessoa se alimenta apenas de salada e frutas, ignora bolachas, coca-cola e sanduíche, e ainda se torna essa bolota. É, no fim acho que Vivi tem peculiaridades com as quais podemos até conviver achando graça. Duro mesmo, só essa faceta dela de vir aqui todo dia escrever com a intenção única de ficar rica, famosa e de costas quentes. Aposto que também passa dias tramando sobre como se livrar da Clara e de mim! Preciso falar logo com a loira, definitivamente... Com uma Viviana assim por perto, o Garotas vai afundar em dois tempos. Na festa, não deixaremos a Vivi te morder! Esqueci de dizer que Viviana Mundo Bizarro também tem esse hábito pouco ortodoxo... Mas, no aniversário do Garotas, prometemos manter a fofolete sob controle! Então não há motivos pra faltar, né? Venha, traga os amigos, ganhe docinho, concorra a prêmios, escute música boa, ria a valer! Para informações úteis, clique aqui. Fla Wonka às 01:54 PMA outra Clara Especial de Aniversário – Mundo Bizarro Clara acordou para mais um dia. Como sempre, levantou-se da cama ainda de madrugada. Se tem uma coisa que ela adora nessa vida é acordar cedo. Diz que dormir até tarde é uma tremenda perda de tempo, que quando morrer terá chance de sobra para esticar as canelas e que abrir os olhos antes das galinhas faz bem para o pulmão. Clara cuida muito bem daquele órgão. A garota segue para o banheiro lavar o rosto. Antes de abrir a torneira da pia, porém, olha sua figura roliça no espelho: “Você precisa perder uns quilos, hein, companheira?”, diz para si mesma, enquanto pega um pneuzinho na barriga com a mão em pinça. Era uma segunda-feira, dia oficial de começar regimes. E de comparecer à academia. Clara, decidida, resolveu que não adiaria mais nenhum dos dois compromissos com si mesma. Dirigiu-se à cozinha para preparar o café da manhã. Quero dizer, café é modo de falar: ela detesta café. Só o cheiro daquela bebida quente e escura já enjoa nossa amiga. Café perde apenas para cigarro em sua ojeriza por substâncias viciantes. A menina é tão anti-tabagista que faz todos os seus amigos apagarem as brasas quando estão perto dela. Vai ver é por isso que Clara anda com tão poucos. O café vira mesmo uma maçã pequena. Pena que não inventaram ainda maçã diet, pensa olhando ao pequeno fruto. Mania de só comer e beber coisas em baixa caloria! Ela alcança uma garrafa de Fanta Uva (diet, é claro) da geladeira e checa o clima do lado de fora. “Nubaldo e frio, como eu gosto!”, comemora. Mesmo com a falta de sol, passa seu filtro solar fator 60 no rosto (melhor prevenir), veste sua roupinha de lycra lilás e verde abacate e segue para a academia. Chegando lá, Clara olha o cronograma. Hmmm... difícil escolher entre tantas aulas e atividades divertidas! Decide começar pela sessão de Lambaeróbica. Depois, parte para a sala de bicicletas para subir algumas montanhas imaginárias na sessão de Spinning. Em seguida, sua mais uma vez o top na aula de abdominais (enquanto mentaliza o sumiço definitivo da banha acumulada na barriguinha). No intervalo, dedica seu tempo a comer uma barrinha de cereal – mas logo volta à ativa. É hora da musculação. Com cuidado para não danificar suas avantajadas próteses de silicone. O relógio já marca meio-dia. Impressionante como o tempo na academia voa! “Se continuar assim, logo logo vou voltar a meus 70 quilos normais”, ela pensa feliz. Para manter a linha mesmo com o estômago roncando, Clara passa no seu restaurante japonês favorito e compra uma bandeja de sashimi. Ela simplesmente A-DO-RA peixe. Cru, então, nem se fala! Devora tudo no caminho para sua casa mesmo. Chegando lá, toma um banho bem rapidinho e liga o computador. Como faz diariamente, ela responde a todos os e-mails do site e da coluna. Os leitores devem ficar de saco cheio de receber tanta mensagem dela, mesmo que a missiva tenha sido destinada às outras duas garotas. Clara é viciada nisso, não tem jeito. Só sossega quando vê a caixa-postal zerada. Daí, começa a adiantar seu texto. Então pensa, pensa, pensa no que escrever. Anda muito sem criatividade ultimamente. Aliás, há tempos tem sido assim. Ela sabe que perdeu o jeito da escrita e que não consegue mais pensar em temas legais. Resolve escrever sobre seu dia na academia e pronto. Não está recebendo nada mesmo por aquele trabalho, vai de qualquer jeito. E ai de quem reclamar. À noitinha, Clara liga a TV. Xinga todos os santos ao olhar para seu seriado mais odiado. “Meu Deus, por que eles ainda insistem em passar essa merda de Seinfeld? Coisa mais sem graça!”, grita, emburrada. Só mesmo o Lulu para acalmá-la. Lulu é seu rato de estimação. Ele entrou em sua casa um dia, faminto, e Clara compadeceu-se do bichinho. Alimentou-o e, a partir daquele dia, os dois se tornaram inseparáveis. O relógio marca oito da noite. Hora de comer mais uma maçã (e de pensar de novo por que é que não inventam fruta diet). Escova os dentes e trata de se recolher a seus aposentos. Para acordar cedo, ela dorme cedo. Muito. Boa noite, Clara.
Quer conhecer a verdadeira Clara? Então não perca nossa festança de 2 anos! Teremos guloseimas, brindes, prêmios e, é claro, a presença das três garotas do mundo real. E elas querem ver todo mundo lá!
O texto mais rápido do mundo Ok. São 18:19. Tenho até as... 18:30 para sair do computador. Droga! Não dá para fazer um texto em onze minutos. Na-na-ni-na-não. Tecnicamente impossível. Ainda mais quando não se tem uma idéia clara do que escrever. Definitivamente, é preciso ter um tema. Definitivamente. (Aliás, definitivamente preciso parar de falar igual ao Rain Man). E, para falar bem a verdade, quando estou assim curta de tempo, é melhor ainda ter um tema fácil de desenvolver. Deixa eu ver... podia fazer uma lista. Acho lista mais rápida, não tem que guiar uma única idéia do começo ao fim e se preocupar com as ligações entre um parágrafo e outro. (Pensando bem, nem sempre guio uma única idéia do começo ao fim. Já comecei um texto falando de idéias infantis sobre dinheiro e terminei discorrendo a respeito do Bono Vox. Não sei como isso aconteceu.) Lista, lista, lista... do quê? Saco, odeio encalhar nas idéias. Ou melhor, encalhar sem idéias. Encalhar nas idéias seria bom. Imagina uma pilha enorme de idéias fresquinhas, dando sopa, e eu presa a elas? Nossa, a perspectiva é tão boa que me deu até um calô, igual ao que a Cinira tinha em “Tieta”. Ah, não. Encalhei de novo. Onde eu estava? Ah, sim. Calor. Cinira. Tieta. Listas. Vai, Clara. Lista do quê? Odeio quando tenho vários embriões de idéias, temas começados mas ainda insuficientes para cair no papel – ou melhor, no arquivo. 18:23. Pô, escrevi só isso em quatro minutos? Deixa eu contar... Foram 1.460 palavras, de acordo com o Ferramentas/Contar do Word, até agora. Não são muitas, é verdade. Mas o pior mesmo é perceber que são bem mais de mil palavras sobre... nada. 18:24. Esse relógio deve estar com defeito, não é possível! Aí! Eu podia fazer um texto sobre relógios. Mas com esse me pressionando, vai ser difícil. No momento, não nutro muita simpatia por esses mecanismos de marcação do tempo. É preciso ter alguma ternura pelo que você vai tratar. Mesmo que seja uma lista de piores alguma-coisa. Acho que o texto mais rápido que fiz até hoje no Garotas levou uma meia hora. Não me lembro sobre o que foi, mas eu já tinha o tema na agulha. Desenvolvido, criado, teúdo e manteúdo (“Tieta” de novo?!) aqui dentro antes de virar uma série de letrinhas na tela branca. Desnecessário dizer que escrever todo dia é um desafio. Ter de parar para assoar o nariz a cada três minutos não ajuda. Maldita virose. Lembro-me de quando era bom ficar doente: podia faltar na escola, a mãe trazia lanchinho na cama e o pai, livros e chocolates à noite. Agora, no máximo, passo o dia de pijamas – se é que isso configura alguma vantagem. Existem outras preocupações. Olhe ao redor, Clara. Alguma coisa tem de dar um texto. A xícara de café vazia ao lado da lava lamp ligada. Mosquitos dando rasantes nas minhas pernas (parar para coçar as pernocas só atrapalha). Um postal de “Casablanca” (o filme, não a cidade) sob o vidro da bancada que pretendo desmanchar em breve. Uma espinha no meu rosto que parece vitalícia. Acho que ela vai ficar aí enquanto eu viver. Que vontade de ir ao banheiro! Aaaaargh! São 18:34. Danou-se. Esse não é mais o texto mais rápido do mundo. Ao menos, não rápido-onze-minutos. Mas ainda posso tentar quebrar meu próprio recorde... Como se não bastasse, começou a tocar Áiron. Mas se eu for até a sala trocar de estação, também vou ao WC. Não posso me dar a esse luxo agora. Peraí. Outro dia eu tinha pensado num assunto ótimo para um texto. O que era mesmo? Outdoors cretinos? Cartazes de lambe-lambe? O programa Mistérios? Crianças de condomínio? O meu amigo Dener? Não, não... Ah, sim! Era algo sobre a importância de se esquecer. Todo mundo gosta de lembrar, mas esquecer é tão necessário quanto. Eu tinha reunido alguns exemplos para desenvolver, mas, é claro, os esqueci. Quem sabe noutra ocasião. Agora tenho de balançar minhas pernas incessantemente, para evitar que os pernilongos me devorem viva enquanto minhas mãos estão presas a uma obrigação com o teclado. São 18:36. O programador da rádio mostrou alguma compaixão pelo estado em que me encontro e seguiu com Rage Against the Machine. Tá melhor que Áiron, sem dpuvida (para piorar, minha dislalia digital tá atacada. Eu quis digitar “dúvida” aí atrás. Mas essa nem é das piores. Tem dias em que quero escrever “preocupações” e sai “oteocuáloes”. E “desafio” sempre sai “desfaio”. É bizarro). Ok. Se eu encerrar agora, 18:40, fico dentro do meu recorde. Atraso só um pouquinho meu objetivo inicial. Ainda há tempo para me empoleirar no sofá ao lado do rolo de papel e de uma garrafa d’água e assistir qualquer besteira em volume bem alto, já que a cada trinta segundos vou assoar o nariz. Abandonada temporariamente pela boa saúde, pela criatividade e pelos minutos, que se afastam implacáveis cada vez mais rápido, só tenho você, querido e compreensivo leitor. E aí? Me concede essa licença? (18:42. Começou a tocar Queens of the Stone Age.) É melhor que sim. Afinal, como você vai perceber em duas palavras após esta vírgula, já fui. Dois anos? Já?! É isso mesmo. O Garotas faz dois anos e, como mãe nenhuma deixa passar o aniversário do filhote sem “pelo menos um bolinho”, armamos logo um monte de coisas bacanas para comemorar. Semana que vem começa com textos especiais. No sábado, tem a festa. E, desde já, rola a promoção que vai dar uma Melissa (para a menina vencedora) e um Kichute (para o rapaz idem). E tudo que você tem de fazer é nos divertir/surpreender/espantar com uma foto de aniversário! Clique aqui, veja os detalhes e entretenha-nos. Clara McFly às 06:43 PMConfusão de fadas Era uma vez uma moça linda que vivia com uma madrasta muito da malvada e as duas filhas dela que, além de serem narigudas, peludas e horrorosas, eram chatas pra dedéu. O trio escravizava a pobre, fazendo-a esfregar o chão, lavar a louça, passar a roupa e ainda lavar o carro bem na hora do jogo do seu time de coração. Um belo dia, cansada daquela vida de privações, ela buscou na lista telefônica o contato de uma “personal-fada” que atendia em domicílio. A “personal-fada” compareceu, fez o serviço doméstico apenas com o movimento da varinha de condão, vestiu a moça com uma roupa ajeitada e a mandou para o baile. Pena que, à meia-noite, o feitiço se desfez – antes mesmo da borralheira conseguir dar um cato no príncipe. Nisso, as irmãs a viram, começaram a gritar e uma bruxa maléfica, comadre da madrasta, raptou a pobrezinha e a prendeu em uma torre. A bruxa, apesar de fornecer comida e uma cama até que confortável, não permitia que ela saísse para o cabeleireiro. Então, suas madeixas ficaram sem ver tesoura e chapinha por muito tempo. Em uma dada manhã, porém, o príncipe gritou lá de baixo para a moça lhe jogar suas longas tranças. O que ela fez bem na fuça da bruxa (era bonita, porém burrinha). De castigo, a bruxa pediu para que ela fiasse um quarto inteiro cheio de lã. A garota começou a chorar, pois sabia apenas arear panela, passar enceradeira e pregar botão. Fiar definitivamente não figurava entre suas prendas. Ouvindo seu choro, um duende mágico apareceu. Ele começou a trabalhar a lã tão rápido que a moça não conseguia ver os pés nem as mãos do pequenino ser. Antes de terminar, porém, o duende pediu um pagamento: “Eu quero esse seu colar de ouro”. Ela disse que não, que aquele colar era presente de sua mãe. “Então eu quero esse vestido”. Ela disse que não, que aquele tinha sido a lembrança da “personal-fada”. “Então eu quero seu primeiro filho”. Ela disse que não, pois não suportava crianças e jamais queria ter um rebento para encher o saco. O duende ficou furioso e sumiu, mesmo tendo trabalho a ser feito. A moça desesperou-se ainda mais, porém resolveu tentar ela mesma. O que foi um erro muito grande, pois assim que sentou na roca, a agulha picou-a no dedo e ela começou a ficar sonolenta... sonolenta.... até que apagou. A bruxa, quando entrou no quarto, viu a garota deitada dormindo. Cutucou-a para acordá-la. Em vão. Puxou as cobertas. Em vão. Ligou na Ana Maria Braga. Em vão. A feiticeira, então, começou a esbravejar aos céus que não queria uma filha tão preguiçosa quanto aquela, que de vagabunda a vida dela já estava cheia, e que ela não seria escrava de ninguém. Botou a menina no meio da floresta e saiu de mansinho. Lá estava a moça a roncar debaixo de uma árvore quando sentiu uma língua úmida e macia tocando sua boca. Ela já ficou toda assanhada, pensando tratar-se do príncipe. Começou a fingir o cochilo para ver até onde ele iria. Lembrou-se daquela música “Eu e minha gata, rolando na relva/ Rolava de tudo”. Quando abriu os olhos, porém, viu que não era príncipe coisa nenhuma: era um pequeno cervo! Ela deu um pulo, limpou a boca na manga e disse para o cervo “O que diabos você está fazendo, seu bicho inútil?”. E ele respondeu “Meu nome é Bambi, eu preciso de carinho porque minha mãe acaba de ser morta a sangue frio por caçadores e não existe ninguém no mundo para me amar”. A moça fez um muxoxo, respondeu “Cada um com seu problema, né?” e pôs-se a caminhar pela floresta. Já estava anoitecendo quando ela avistou uma casa feita de doces. Faminta do jeito que estava, começou a roer o telhado de chocolate, as paredes de biscoito e a cerca de pirulitos. Nem os passos vindos de dentro do recinto a fizeram parar de mastigar a chaminé de marzipã. Uma velha com cara de vilã de novela mexicana saiu de dentro e começou a gritar “O que é isso agora?”. Ela desceu do telhado, desculpou-se. A velha respondeu que já estava enclausurando duas criancinhas abandonadas, com intenção de assá-las e comê-las no jantar, e não queria ser importunada. A moça respondeu “ok” e se mandou dali. Exausta, faminta e imunda, ela andou por horas e horas. Estava amanhecendo quando avistou ao longe a luz de uma casinha. Aproximou-se de leve. Bateu na porta. Um anão, bem ranzinza, atendeu. “Não quero comprar nenhuma merda de enciclopédia, vá embora”. Ela disse que não estava vendendo nada, que não tinha onde morar, que ela era muito prendada e poderia cuidar dele e de seus outros seis irmãos em troca de carinho e abrigo. Ele deixou-a entrar. Quando os anões saíram para trabalhar, chegou uma outra bruxa vendendo maçãs. A moça seguiu o conselho do ranzinza e disse que não queria comprar nada. A bruxa, porém, explicou que aquelas não eram maçãs comuns! Com elas, a pessoa cansada das frutas normais poderia, além de matar a fome, pentear o cabelo, encerar o carro, brincar na praia e ainda envenenar inimigos! E, como brinde, ela ganharia uma linda faca de plástico para passar patê! Na verdade, tratava-se de um produto inédito no mercado, o Multiple Maçonator! A moça pensou um pouco e sugeriu para a bruxa “Se a senhora quiser, eu posso vender sua invenção pelo telefone. Ouça, minha voz é doce e sensual, todos vão comprar a Multiple Maçonator e vamos ficar ricas!”. E então, surgiu o primeiro infomercial do reino do faz-de-conta e todos foram felizes para sempre. (Quer dizer, menos o Bambi órfão, os irmãos comidos pela velha e o príncipe, que continuou na secura).
Na próxima segunda, o Garotas completa dois anos de idade. Ali, começa a nossa semana especial de textos. Na sexta-feira, chega o resultado da nossa incrível promoção e, no sábado, vamos comemorar tudo isso em meio a uma festança. Você não vai ficar parado aí, vai? Clique aqui e conheça todos os suculentos detalhes! Vivi Griswold às 09:52 AM
As irmãs deles Todo mundo tem uma tia legal. Ou uma tia maluca. Ou uma tia que tem mão cheia para fazer doces. Ou uma tia que sabe tudo de simpatias. Ou uma tia desbocada. Ou uma tia que ri das suas piadas. Ou uma tia que trocou suas fraldas. Ou uma tia capaz de pintar, bordar, costurar e decorar como ninguém. Ou uma tia solteirona. Ou ainda uma que, infelizmente, deixou de sê-lo – para se casar com aquele cara para o qual seu pai sempre aplica o lema “se cunhado fosse bom, não começava com...”. Bem, você sabe. Pois eu tenho todas essas tias, com exceção dos dois últimos modelos. E todas elas embaladas em apenas três mulheres. Em espanhol, as pessoas que entram para a família por casamento – por exemplo, alguém que se casou com seu tio – são chamadas de postizos. Em inglês, eles ganham o rabicho in-law. Em português, se existe uma palavra para tal, não a conheço. Então, vale a explicação para avisar que falarei apenas de minhas tias primeiras, irmãs do meu pai ou da minha mãe, sem contar as que viraram tias por matrimônio. Minha trinca é formada por duas irmãs do meu pai e uma, que também me serve de madrinha, da minha mãe. Pode parecer pouco, mas você não sabe do que essas três são capazes... Ou sabe, se também já viveu no maravilhoso mundo das tias. Minha madrinha, por exemplo, pinta quadros incríveis, faz decupagem, pátina e diversas outras técnicas artesanais, dificilmente aparece na casa da minha mãe sem uma sobremesa de matar (que leva uns dois dias para ser feita, mas ela chama de “super rápida” quando peço a receita), bola arranjos, trabalha, encontra ofertas de tudo que se possa imaginar (de roupas a materiais de construção), namora e cozinha lindamente – tudo mais ou menos ao mesmo tempo. Também é uma boca suja das melhores. Debaixo daquela cara de princesa, com os olhos muito azuis (ou verdes) e o cabelo loirinho, esconde-se uma metralhadora de besteiras – que me fazem corar e rir a cada papo. Há até pouco tempo, ela somava ainda os cuidados de uma chácara à sua extensa lista de afazeres semanais. Ainda tenho minhas dúvidas se ela dorme. Quem sabe um dia dominarei o tempo como as mulheres da família Simionato – incluindo aí minha digníssima mãe, que trabalha em período integral, cuida da casa e da minha avó e ainda inventa concursos culinários com os amigos. Da parte de meu pai, fui ainda mais próxima de minhas tias. Elas moraram com a gente um tempão. Trocaram, literalmente, muitas das minhas fraldas, e do meu irmão também. Enrolaram brigadeiros para as nossas festas. Olharam a gente quando meus pais fizeram faculdade. Assistiram a todas as apresentações que bolamos. E tiveram todos seus namorados expostos ao meu discreto crivo. Eu devia ter uns quatro ou cinco anos quando uma delas, minha tia Ivete, arrumou um namorado muito bacana. Ele se chamava Geraldo, que é bem nome de namorado de tia nos anos 80. Mas encasquetei que o moço se parecia com uma pintura do meu jogo Leilão de Arte – e, por alguma razão perdida na memória, não chegava nem perto do pobre. Acho que ele tentou me comprar com chocolates ou um brinquedinho, mas eu não quis nem saber. Talvez parecesse assustador demais ter como tio um dos cartões do meu jogo. Já a Tita, um belo dia, apareceu com um roqueiro. Ele curtia Talking Heads e usava camisetas do The Doors. Levou em casa um disco dos Titãs chamado Cabeça Dinossauro, cuja simples visão da capa me deixou apavorada por noites a fio. Tempos depois, na mesma casa, nascia a Mariana, primeira filha dos dois. Três anos mais tarde, veio o Bruno. Antes do nascimento da Mari, teve o casamento da minha tia e do roqueiro (hoje um tio bacaníssimo), do qual fui daminha de honra. Só pelas tias mesmo pagamos esses micos... Hoje, elas me telefonam para saber como vai a família, passar receitinhas e perguntar se o rato voltou aqui em casa (sim, elas também lêem o Garotas!). É bom que eu vá treinando a memória e os trejeitos de tia, porque espero um dia ser uma tão bacana quanto elas. Traga a família Eu vou convidar as minhas tias para a festa do Garotas e você pode fazer o mesmo. Se elas não forem muito chegadas a festanças, você pode pelo menos visitá-las e fazer uma rapa na caixa de fotos delas. Nessas, quem sabe você não arruma um retrato batuta de aniversário e participa da nossa promoção? Pois essas e outras são as atrações do nosso Especial de Dois Anos. Você não vai querer perder.
Xiii... Sinto aparecer por aqui para ser apenas portadora de más notícias, mas... É isso mesmo, gente: Vivi não apresentará texto hoje. Tivemos que dar uma folga para a ruiva e deixá-la ir cuidar de suas iguanas amestradas em Itacaré. Tá, é mentira: na realidade, ela decidiu apanhar um avião e ir dar adeus ao Papa porque adora esperar em filas de 20 horas. Ok, é enganação também. A verdade verdadeira é que a garota da manhã está ocupada cuidando de mais um PSG (Projeto Secreto Garotas). Amanhã ela estará de volta, segundo consta. A não ser que o PSG tenha um surto e resolva tragar a Vivi para seus casulo de seda rosa... Mas, nesse caso, avisaremos. Tenham todos um ótimo dia! E voltem para ler Clara mais tarde. Fla Wonka às 11:10 AM
Meu nome é... Um dos mais divertidos episódios de “Friends”, antes da série virar uma papagaiada de termina-não-termina, mostrava a competição entre os meninos e as garotas pela posse do apartamento de Monica. Ross preparou algumas provas e as duplas, formadas por Joey e Chandler contra Rachel e a dona do apê cobiçado, competiriam numa espécie de jogo de perguntas e respostas para ver quem sabia mais sobre a vida e as manias do outro. O vencedor levaria tudo – ou seja, o colorido lar impossível de ser sustentado com os salários que os personagens tinham na trama. A certa altura, Ross indaga qual era o nome que vinha estampado no TV Guide assinado por Chandler. A resposta? A sensacional graça “Chanandler Bong” – sendo que o sobrenome do rapaz é Bing. Ao assistir a esse episódio, me identifiquei de pronto. Meu nome também vive sendo confundido por malas-diretas, porteiros e secretárias de consultórios médicos. Aparentemente, Clarissa não é um nome simples. As pessoas parecem preferir que eu me chame Larissa. Ou Clarisse. Juntar o começo de um com o fim do outro, nem pensar. Passos também é passível de ruídos: viro Larissa Bastos ou Clarisse Basso num instante. Isso quando hostesses de bares e danceterias não metem logo um Clariça na minha comanda. Pô, Larissa feriria menos meus olhos. E os dos pais da língua portuguesa também. Pode ter gente pensando: “ah, Clarissa pode ser um nome simples, mas não é tão comum”. Ok. O que vocês me dizem, então, de minha querida Roberta Marques, que, na sala de espera do médico, teve sua vez anunciada por um sonoro grito de “Alberta Marquês”? Roberta é um nome simples. E um tanto comum. Não dá para confundir! Tem a Roberta Close. E até aquela música do Pepino di Capri. Mesmo assim, a atendente achou por bem anarquizar não só o primeiro nome de minha estrela favorita, mas também seu sobrenome, alterando a prosódia e transformando o nome da família num título de nobreza. E a coisa pode ficar pior ainda. Se já é um tanto embaraçoso ser chamado por um nome que não é seu, imagine ter não só sua graça, mas também seu sexo trocado. Embora eu tenha citado a Roberta Close aí em cima, não vamos nos precipitar. Não me refiro às mudanças de gênero físicas, propriamente ditas. Só aos maleiros-diretos que cometem escorregadelas em seu trabalho. Foi o que aconteceu com o Dener. Grande fã de “Chaves”, de pipoca doce e de punk, o rapazote, amigo de longuíssima data, recebeu uma correspondência vinda de famosa rede de lojas. No espaço destinado ao remetente, lia-se “Denise Gomes da Silva”. Eu não sei quem pode ser a Denise. Mas tenho certeza de que ela não tem cara de quem ouviria “Punk is Not Dead”, do Exploited, no último volume. Mas nome é nome, certo? Você inventa o que quiser e as regras gramaticais ficam bastante flexíveis para tal. A caseira do sítio dos pais de um amigo que o diga. Ela batizou sua filha como Madeinusa. A mãe do meu amigo, simpática, quis saber onde eles buscaram, er, inspiração para a fabulosa denominação. Ela disse que tinha visto numa caixa. Demorou um tempinho para que sua interlocutora compreendesse: a mãe havia lido, numa embalagem de produto importado, a popular inscrição de origem Made in USA. Taí uma que vai passar uns bons constrangimentos ao dizer seu nome para o pessoal da comanda nos bares. “Nome?” Ao pegar a comanda, Madeinusa lerá ali algo do tipo “Edileuza”. Com o pessoal da fila já a ponto de gritar impropérios, desistirá de cobrar a devida correção. Bom, pelo menos seu nome provavelmente desencorajará as tradicionais perguntas seguintes, sobre seu telefone, e-mail e data de aniversário...
Abril é mês do Garotas soprar as velinhas de dois anos. Para celebrar a ocasião, resolvemos não enrolar brigadeiros, não botar a lona no portão nem esperar só os amiguinhos da rua. Em vez disso, preferimos inventar moda numa semana especial de textos, presentear os leitores numa promoção e, claro, fechar tudo isso com uma festança onde pode faltar o brigadeiro, mas com certeza estarão todos os amiguinhos – da rua, da cidade, do estado e, quem sabe, do país! Clica aqui para saber de tudo.
Nos bastidores da coluna Junho próximo marcará os dois anos de uma notória mensagem recebida em nossa caixa de e-mail. Nela, um homem se apresentava como diretor de redação de uma certa revista semanal. Lembro-me bem da ocasião: Clara me ligou à tarde e disse “Você não vai acreditar! A Época quer que a gente escreva para eles!”. Ao que eu, desconfiada, respondi “Imagina, você deve ter lido errado!”. Ambas, depois de um momento de reflexão, chegamos a um mesmo veredicto. Só podia ser trote. Não era. Aluízio Falcão Filho realmente manifestou vontade de nos convidar para comandar uma coluna na prestigiosa publicação. Nós. Três garotas que há apenas um mês e meio começaram um simples sítio, naquele tempo deveras cor-de-rosa, para que nele pudessem soltar a criatividade e escrever sobre o que bem entendessem. Parece mentira, né? É por isso que eu nem fico irritada com quem pensa que somos parentes de alguém. Ou que fizemos o teste do sofá. Ou que pagamos pelo nosso passe. Se me contassem a história, eu acharia a mesma coisa. Enfim, muitas palavrinhas já passaram por ali e a gente continua com a mesma cara de abestalhada. Não nos sentimos “colunistas” e enchemos aquela página como se estivéssemos conversando com um amigo em uma mesa de boteco ao ar livre. Apesar de haver quem ache isso algo ruim, a despretensão da coluna é totalmente proposital. E a forma com que ela é feita também o é. A reunião semanal é regiliosamente marcada às terças-feiras. O horário costuma variar um pouco, mas gira em torno das 10h30 da manhã. Com a vinda de Sabrina, o apartamento da Flá virou nosso escritório. Clara me liga no dia anterior para combinar o horário e passa aqui em casa para me buscar (uma vez que moro a poucas quadras da morena). No começo, o porteiro do meu prédio interfonava para me informar da chegada da loira. “A Larissa está aqui”, dizia ele. Hoje... Basta avistar aquele Palio vermelho encostando na entrada que ele já avisa – e Clara não precisa mais nem desligar o carro. Tudo bem que eu ainda desconfio que o pessoal lá da portaria acha que nós somos namoradas. Afinal, é uma moça buscando outra de manhã, entregando à noitinha, e as duas se cumprimentam com abraços apertados como se não se vissem há anos e dizeres de “Oi, querida” e “Tchau, baby”. Só não rola selinho. Cinco minutos mais tarde, tocamos a campainha do apartamento de número 5 no prédio baixinho. “Oiê” é a senha. Com a bebê, Flá não pode mais vir nos recepcionar na porta. Tal qual Rapunzel, ela joga o pesado molho de chaves da sacada e eu cato embaixo (pena que nunca consegui pegá-lo com as mãos, apesar de tentar toda vez). Em seguida, dou a volta no quarteirão para abrir o portão da garagem para Clara estacionar. O próximo passo é tentar abrir a porta do prédio sem porteiro. Sério, só vendo para acreditar. O pedaço sólido de madeira, vidro e grade conta com umas quatro fechaduras diferentes, que devem ser abertas em uma ordem pré-definida – a qual nunca acertamos de primeira. Acho que a quadradinha vai em cima, a de losango vai embaixo (mas de ponta-cabeça) e a outra maior vai na do meio. A quarta fechadura é de enfeite, está lá só para nos sacanear. O ritual é tão complexo que parece até que estamos chamando a loira do banheiro. Se bem que não há banheiro e a única loira ali é a Clara. Pronto! Conseguimos passar da porta dos desesperados. Entramos no apartamento colorido e vamos dar um beijo na nossa sobrinha, antes de qualquer coisa. E lavar as mãos. E Clara segue direto para o W.C. marcar território, como sempre. Depois de alguns comentários do tipo “Menina, você viu ‘Lost’ ontem?” e “Acreditam que a Sony vai reprisar de novo ‘Desperate Housewives? Bastardos!’”, sentamos no computador para trabalhar. Começamos a discutir os temas das seções, o que sempre rende gargalhadas e mil conversas paralelas. Flá é quem tem mão de ferro para gritar “Foco!” e a gente volta a pensar da coluna. Escrevemos nos revezando no teclado, enquanto as outras duas ficam fungando no cangote. De repente, uma reclama que está com fome. Tudo pára e a gente decide o que comer dessa vez... Esfiha? Empada? “Quero comida de verdade”, diz Clara. Então pode ser no Big X-Picanha? Pode. Achamos que aquilo é comida de verdade. Não é? Droga! Durante o almoço, mais fofoquinha. Na verdade, os tempos atuais andam tão novidadeiros que passamos as últimas semanas discutindo sobre um assunto X, sendo que X será a próxima grande nova do Garotas. Se bem que antes terá o Y... Bem, isso é conversa para mais tarde. De volta ao computador, começamos a ter sono por conta da barriga cheia. Também chega logo a hora da próxima mamada de Sabrininha. Mais pausa para papo furado. Alguém, nessa altura, precisa ter pulso firme para dizer “Vamos acabar logo, vai?”. E a gente se concentra. Ou tenta. Finalmente, deixamos para dar uma última lida na coluna cada uma em seu respectivo lar. Se tudo estiver nos conformes, seguimos com um e-mail coletivo para o povinho batuta lá do Jaguaré. E assim estamos livres para o resto da semana, contando os dias para a próxima terça-feira. Sabe de uma coisa? Rotina danada de boa, essa nossa.
E são eles que sairão no lucro com o nosso Aniversário de 2 anos! Para quem acompanha a gente com carinho há tantos meses, teremos uma promoção miqueira (mas com prêmios bacanosos), uma semana especial de textos (e com convidados divertidos) e uma suculenta festa (com direito a muitas, muitas surpresas). Não perca detalhe algum e clique logo aqui, vamos! Vivi Griswold às 09:06 AM
As mais-mais do radinho “Diz-me o que ouves e te direi quem és”. Ou, em pedante mesóclise, “Diz-me o que ouves e dir-te-ei quem és”. É, eu sei, o ditado não é bem esse, com ou sem firulas. Tal transformação tampouco deve funcionar feito um relógio suíço bem ajustado, já que as pessoas têm um estranho hábito de rotular rapidamente seus semelhantes (ou, melhor ainda, seus diferentes). Assim, se me pegam a berrar, a plenos pulmões, qualquer hit da Mariah, já vão achar que não sei nada de música. Bom, eu não sei mesmo. Mas consideremos a ligeira adaptação do enunciado válida. Nesse caso, deveria ser possível saber muito de uma época pelas canções mais executadas nesse período de tempo pelas rádios do país. Os indecifráveis (mas muito falados) anos 80 viram, no âmbito das coisas mais importantes, um atentado ao papa, a queda de um muro famoso e o fim de um regime dureza cá no Brasil. Já nos círculos do entretenimento e das pequenas besteirinhas, brincamos de Detetive, tomamos suquinho colorido embalado em estranhas formas plásticas e quisemos desesperadamente saber quem matou Odete Roitman. E ainda tivemos estômago e ouvidos para fazer canções das mais diversas chegarem ao topo da lista das mais pedidas. Isso deve querer dizer alguma coisa sobre a década. As (duas) dez mais dos 80 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 Briga? Tumulto? Guerra? Não! É a semana de aniversário do Garotas, com ofertas incríveis (como textos especiais e festa de arromba) e promoções imperdíveis (tá, é uma promoção só. Mas tem prêmio para menino e menina)! Clique e participe! Válido até 15 de abril. Ou enquanto durarem os estoques. Clara McFly às 06:37 PM De papo com Michael Segundo esta notícia, Michael Jackson resolveu telefonar para 200 fãs como forma de agradecimento pelo grande apoio e carinho incomensurável dado a ele durante seu julgamento por pedofilia. Ah, se fosse comigo... - Alô? - Oi, aqui quem fala é o Michael Jackson. Com quem eu falo? - ... - Alô? Aqui é o Michael Jackson. - Quem? - Michael Jackson, o cantor. - Aquele Michael Jackson? Aquele que ficou branco? - Eu não fiquei branco, eu tive uma doença muito séria chamada vitiligo e... - Aquele que fez 57 plásticas no nariz? - Eu fiz apenas uma plástica no nariz, foi só para corrigir meu septo, eu roncava muito e... - Aquele que chacoalhou um bebê na sacada do hotel? - Eu só queria mostrar meu filho para os fãs e... - Aquele que dormiu com um monte de criancinhas? - Cale-se! Que insistência! - Como eu vou saber que é você mesmo? - E quem mais teria esta voz de garotinha debutante? - Agora você me pegou. - Com quem eu falo? - Er... Viviana. - Então, Viviana, eu decidi ligar para alguns fãs para agradecer todo o apoio que eles têm me dado durante esses dias tenebrosos do meu julgamento. - Ah, legal, Michael, mas tem um probleminha. - Qual? - Sabe como é, eu não sou sua fã. - Não? - Não. - Como assim, não? Aqui na sua ficha consta que você é minha fã! - Que ficha? Não, aí está errado, porque eu não sou. - Mas aqui diz que você possuía até um broche com a minha foto... - Tá bom, eu admito. Mas na época eu tinha oito anos e você era negro. Ou seja, faz muito tempo. - Mas também está escrito que você corria toda vez que passava o clipe de “Thriller” na TV. - Isso lá é verdade. Porém, eu corria DO clipe e não PARA ele. Morria de medo daquele lobisomem. E daquela risada maligna no final. - Mas bem que você fazia a coreografia nas festinhas das amigas... - Fazia. E fazia a das Paquitas, do Sidney Magal e do Menudo e isso não quer dizer que eu era ou sou fã deles. Ok, eu era do Menudo. - E aqui consta também que um dos seus maiores sonhos era conseguir fazer o moonwalk. E que você tenta a façanha até hoje quando está sozinha e... - Shhhh! Não espalha! O que você quer afinal? - Eu queria agradecer você pelo apoio. - Beleza, já agradeceu. Agora eu tenho que fechar a janela, começou a pingar, vai molhar o piso, tá? - Mas espere! Você foi escolhida entre 200 felizardos que conseguirão conversar por telefone com o Rei do Pop! Tem certeza de que não quer me falar mais nada? - Hmm. Posso pensar? - Pode, mas pensa rápido que está chegando a hora de mais um dia do julgamento e ainda faltam 147 ligações. - Ok, eu queria fazer uma pergunta... - Faça! - Posso mesmo? É muito importante... - Pois não! - Tem um carro gelo parado aí na porta do tribunal? - Michael? Alô?
... Mas o incrível Especial de Aniversário do Garotas não é! Tem promoção, tem textos inusitados e tem até uma grande comemoração regada a guloseimas e sucessos oitentistas. Você não vai ser louco de perder, vai? Pois clique já aqui e conheça tudo o que preparamos! Vivi Griswold às 09:18 AM
Fiquem longe de mim! Quando eu era pequena, assim como Vivi, fui levada por minha querida mamãe ao cinema. Era minha estréia na salona escura e íamos assistir a algum desenho da Disney. Mas os ingressos tinham acabado. Sobrou a opção da sala dois: “ET – O Extraterrestre”. Se as três pessoas que compraram os últimos tíquetes para a animação tivessem perdido o ônibus ou preferido gastar o domingo passeando no Zoológico, eu teria sido poupada de um dos maiores traumas de minha infância: o medo do ET. Mas ele não foi a única criatura a me aterrorizar nos 27 anos nessa indústria vital – o cinema. A lista é extensa, mas selecionei os cinco mais memoráveis. Pelo menos o ET era bonzinho, mesmo que esse argumento não tenha sido capaz de me convencer até que reencontrei o filme numa exibição na telona, ano passado. Já os outros personagens não são flor que se cheire – embora a perspectiva dada pelo passar dos anos tenha feito alguns deles risíveis. Ainda assim, prefiro evitar a fadiga e manter distância dessas... coisas. HAL, o PC demoníaco de “2001 – Uma Odisséia no Espaço” Sadako, a cabeluda atormentada de “O Chamado” ’Isprítos’ zombeteiros, as razões de ser de “Poltergeist” Bolha assassina, a implacável meleca de... “A Bolha Assassina” Gremlins, os monstrengos anárquicos do filme homônimo ![]() Inesquecíveis criaturas infernais
Hoje tem marmelada? Tem não, senhor. Mas dia 16 tem uma festa de respeito, do dia 11 ao 15 tem textos especiais e, desde já, tem promoção para comemorar nosso aniversário de dois anos. Tudo o que você tem de fazer é tirar aquela empoeirada foto de aniversário da gaveta, passar no scanner e mandar para a gente. Os prêmios são bem melhores que marmelada. Clique aqui agora e saiba de tudo!
Vivi: modus operandi Eu não sei de onde foi que tirei tal raciocínio esdrúxulo: mas o fato é que, desde a mais tenra idade, acredito piamente que os dias são de sorte e de azar de forma alternada. Por exemplo, se hoje foi um dia cão, amanhã será um dia bacana. E se hoje foi um dia cheio de coisas boas, amanhã será melhor nem sair da cama. Reconheço que é uma coisa boba e completamente fora de lógica e de propósito. Tento não dar trela para a crença nascida e cultivada na minha cachola. Mas eu, uma jornalista com 28 anos nas costas, ainda me pego pensando assim. E mais: tenho roupas de estimação. Quando eu quero que alguma coisa dê certo, tipo conseguir aumento em uma reunião com o chefe, eu escolho a dedo uma peça que sei que irá me trazer boas vibrações. Do mesmo modo, se eu vivenciar alguma coisa muito ruim com uma certa camiseta, a pobre vai para o fundo do armário. Tá bom, é ridículo pensar que uma peça de pano pode influenciar de alguma forma o meu cotidiano. Mas me deixe com minhas manias! Também confesso ser uma pessoa irriquieta que precisa sempre fazer alguma coisa com as mãos. Se me amarrassem em uma camisa de força, aí é que eu iria pirar de verdade. Não consigo ficar inerte muito tempo. Quando paro para ler um livro, mexo no cabelo. Quando paro para ver um site, batuco no teclado. Quando paro para falar ao telefone, rabisco em uma folha de papel. Quando paro para assistir TV, fico com o alicate de manicure dando jeito nas minhas cutículas. Só descanso quando apago. Assim que levanto em definitivo para mais um dia – depois de ter acordado e dormido algumas vezes antes de me decidir a sair de vez da cama – vou direto para o banheiro. Não funciono se não jogar água fria na cara, passar os dedos na escultura de arte moderna que fica meu cabelo pela manhã, esvaziar a bexiga e fazer um bochecho com Listerine. Depois, ligo o computador. Sem café com biscoitos, pois não tenho fome antes das 13h. No cinema eu também tenho meus costumes. Nada de sentar na frente ou atrás: só fico bem se houver lugar no meio da platéia. E no meio da tela. Ou seja, assim que entro na sala de exibição, faço uma cruz imaginária e, onde as linhas se cruzarem, é bom que o assento esteja vazio. Quando o filme começa, eu coloco os pés em cima da cadeira e abraço os joelhos. E também não sei por que, mas se aparece algum relógio na cena, sempre tento olhar as horas. Caso o esmalte tenha começado a descascar, não sossego enquanto não tiver retirado tudo com a unha da mão oposta. Quando saem aquelas lascas inteiras, uh, delícia. Equivale, em prazer, com a minha outra mania de estourar plástico bolha, ou torcer embalagem de bombom, ou estalar os dedos. Adoro ainda grampear folhas e abrir clipes de papel até eles ficarem um pedaço reto de arame. Fazer bolas de sabão no banho me ajuda a raciocinar com clareza, por algum motivo inexplicável. No quesito culinária, arroz sempre primeiro no prato, depois o feijão. E colocado de ladinho, porém deixando cair um pouco do caldo nos grãos brancos. Eu sei que, uma vez no estômago, tudo vira uma grande massaroca de bife, batata, alface, suco e gelatina, mas nem por isso vou comer as coisas de qualquer jeito. Outro costume que sempre irritou minha mãe e que mantenho até hoje: preciso deixar um restinho de comida no prato. Nada que seja um grande desperdício, é claro, mas nunca consigo raspar. O último pedaço de tomate da salada tem de resistir. Ou o último centímetro do hambúrguer. Não consigo assistir a filmes na TV. A concentração que toda trama requer vai por água abaixo com o pensamento de que podem estar passando diversos outros programas legais ao mesmo tempo. Sou a rainha do zapping e dificilmente prestigio uma atração apenas. Pelo menos nos intervalos, lá estou eu passeando pelos muitos canais por assinatura. Na parte musical, a cada semana, elejo uma canção favorita de todos os tempos. E escuto a tal – e apenas ela – até enjoar. Daí, elejo outra. E assim será nos anos futuros, até eu ficar uma velhinha caquética surda. E cheia de manias.
Eu prefiro dar presentes ao invés de receber... E é por isso que no nosso aniversário de 2 anos o mimo vai direto para um leitor e uma leitora! Clique aqui e confira a mais nova promoção. E ainda a programação da semana especial de textos e tudo o que você precisa saber sobre uma certa festa imperdível! Vivi Griswold às 11:34 AM
O tao da tv Eu gosto bastante de televisão. Mas tem hora em que me encho o saco dela – e mesmo aí a tv tem uma vantagem: uma vez cansada, é só... desligar! Daí, pode-se passar a mão num livro, ir cuidar das plantas, dar uma olhada nos e-mails, escrever, botar um CD, inventar moda, sair andando ou cozinhar alguma coisa bacana. Tem três programas semanais que não perco por nada. Outro punhado, assisto se estão passando e eu estiver de bobeira no sofá. Já de um terceiro grupo, fujo feito o diabo da cruz. Durante o tempo regulamentar de tv, enquanto não me canso de olhar a telinha miraculosa, fico me revezando entre meus canais favoritos. E já notei que há ovelhas negras manchando a reputação de cada um deles. Tais atrações (?) são uma espécie de contraponto ao quanto a emissora é legal. Deve ser alguma lei de equilíbrio universal. Tipo o diagrama do Tao (popularizado cá nessas bandas no símbolo da Town & Country. Manja a bolinha preta na metade branca, e vice-versa? Então). Aqui, listei os meus canais pagos preferidos – aqueles em que a chance de topar com algo no mínimo assistível é de 99% – e, na seqüência, os programas que representam o intragável 1%. Mas aposto que, se você procurar os seus favoritos, também encontrará seus respectivos malditos... No E! Entertainment Television… No Discovery Channel… No Discovery Travel & Adventure… No A&E Mundo... No Sony Entertainment Television... ![]() Essa não… Dois é bom Abril se aproxima e, com ele, o aniversário deste sítio. Com o aniversário deste sítio, se aproximam textos especiais, uma promoção e uma festa. Que tal descobrir as garotas no Mundo Bizarro? E, depois, dançar ao som de “Fogo e Paixão” junto a outros leitores e a estas que vos escrevem? Ou, ainda, faturar um calçado bem mais bacana que o tênis Montreal (e olha que este protegia o pé contra os micróbios)? Não perca mais tempo. Clica logo aqui! Clara McFly às 05:18 PMPinóquia Na primeira-série, combinei uma história mirabolante com uma amiga. Chegamos para a coleguinha mais inocente da turma e dissemos que o pai dessa amiga havia nos levado para a China no final de semana anterior. A menina arregalou os olhos: “Como, se é muito longe?”. Daí a gente contou que ele era engenheiro e havia feito um buraco muito fundo no quintal, tão fundo que chegava até o outro lado do mundo. E que nós havíamos escorregado pelo buraco bem rapidinho. Chegando lá, colocamos durex nos olhos para parecermos chinesas. Na segunda-série, os alunos tiveram de fazer um exame médico. Estávamos todos em fila do lado de fora quando pensei em como seria engraçado se eu e meus comparsas saíssemos da sala com a mão no braço e cara de choro – fazendo de conta que havíamos tomado uma injeção. Dito e feito. Todos que deixavam o ambulatório (e sabiam do plano), apareciam com semblante dolorido. E os outros, continuando a dramatização, chegavam até eles e perguntavam “Doeu muito?”. Os pobres que não estavam a par da história começaram a tremer de tanto medo. Na terceira-série, estava em uma roda de conversa sobre bichos de estimação. “Eu tenho um cachorrinho!”, dizia uma. “Eu tenho um gatinho!”, contava a outra. “Eu tenho um passarinho!”, exclamava a terceira. “E eu tenho uma foca!”, respondi. Recebi olhares de interrogação. “Onde sua mãe comprou uma foca?”. Eu disse que ela não comprou. Que certa vez, quando fomos para a praia na casa da minha avó Nena, eu estava nadando e sem querer acabei indo muito para o fundo. Foi quando avistei uma foquinha fora de rota. Peguei-a e levei-a para casa e, a partir de então, eu tinha uma foca morando no chuveiro. Na quarta-série, peguei uma hora do recreio bem chata. Tínhamos cansado de pular elástico, não agüentávamos mais responder aos cadernos de enquete, estávamos de saco cheio de perder para os meninos no jogo de bafo. Então eu resgatei o divertimento dizendo que havia conhecido uma cigana e que ela me ensinara a ler mão. No começo minhas amiguinhas ficaram incrédulas, mas foram se animando quando eu peguei a mão de uma e fui explicando o que queria dizer cada linha. Até uma linha da riqueza eu inventei. E, claro, contei a todas que elas iriam se casar com os amores platônicos do colégio. Na quinta-série, estávamos em uma aula livre devido à ausência de uma professora. Conversa vai, conversa vem, eis que a luz do prédio apagou-se. O bedel chegou até a porta e pediu para que ninguém saísse da sala de aula, pois o corredor e as escadarias estavam no escuro e era perigoso. Assim que ele saiu, comecei: “A escola tá pegando fogo”. A menina medrosa deu um salto. “Como assim?”. Eu respondi: “Ué, a escola tá pegando fogo. Você não ouviu a sirene?”. Ela disse que não. “Acho que você estava distraída, porque a sirene tocou sim. Por isso o bedel pediu para a gente ficar aqui. Ele não queria causar pânico contando a verdade”. A luz voltou e a garota se acalmou. Na sexta-série, o pipoqueiro do colégio resolveu fazer uma promoção para os alunos. Quem apresentasse uma prova com nota 10 levava uma pipoca de graça. Depois de alguns dias pegando o acepipe gratuitamente, minhas provas acabaram. Então, do alto de minha malandragem mirim, peguei uma prova do ano letivo anterior e alterei a data. É óbvio que Barba, o velho lobo do mar em forma de pipoqueiro, reparou rapidinho na rasura. Eu sustentei minha versão, mais vermelha que pimenta malagueta. Em vão, para meu desespero. Sempre ouvi desde pequenina que a tal mentira tem pernas curtas. Perguntei para minha mãe o significado daquilo, e ela me respondeu dizendo que uma inverdade não consegue ir muito longe pois a pessoa que a conta acaba se enrolando e é desmascarada muito rápido. Mas não foi com minha doce genitora que eu aprendi a lição. Naquele dia da prova alterada, o pipoqueiro me deu a maior das broncas e eu finalmente notei que contar uma lorota infantil e inofensiva aqui e ali não faz mal. O problema é tentar levar vantagem com ela.
Deve ser pegadinha. Pois neste ano a gente resolveu ficar indiferente ao prêmio iBest. Não nos inscrevemos, não fizemos campanha e não submetemos nossos leitores àquelas infindáveis fases de votação. Mas eis que ontem soube que o Garotas é o único blog a figurar no Top 3 tanto na categoria popular quanto na da academia. Vai entender.
Juro que é verdade Eu sei que meu passado de Pinóquia me condena. Mas eu prometo que se você clicar aqui vai poder conhecer todas as incríveis novidades de nosso Especial de Aniversário. Tem promoção, tem semana de textos e tem até uma festança de arromba! |
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