quinta-feira, 30 de setembro de 2004

Da tela para as letras

Quem diz que o cinema não presta para nada devia ser condenado a passar 52 horas ininterruptas assistindo ao programa da Kássia Franco sem som, com o capricho perverso de ter Engenheiros do Hawaii tocando num fone de ouvido chumbado à cabeça pelo mesmo período de tempo.

Alguns filmes são, sim, lições de vida. Isso soa piegas, mas quem não tem uma película de cabeceira? Ou uma produção capaz de animar o mais enlameado dos dias? A Sétima Arte tem muito a ensinar, mesmo com seus filmes mais despretensiosos. Ou, pelo menos, tem muitas frases de efeito a oferecer – e elas casam com o dia-a-dia que é uma beleza! Olha só.

Is that a gun in your pocket or are you just happy to see me?
Isso é só um revólver no seu bolso ou você está contente em me ver?
Poucas coisas são tão divertidas quanto encontrar o namorido e sacar da pérola imortalizada por Mae West em “She Done Him Wrong”, produzido no longínquo ano de 1933. Basta substituir “revólver” por “celular” (a não ser que seu par esteja envolvido em atividades escusas e use um apelido do tipo Uê ou Andinho) e, voilà!, a sentença continua atualíssima!

Show me the money!
Mostre-me a grana!
Cuba Gooding Jr. acrescentou um daqueles homenzinhos dourados à decoração de sua estante depois de imortalizar a frase em “Jerry Maguire – A Grande Virada”, de 1996. O dito é perfeito para gentes como eu, que morrem de vergonha de cobrar qualquer coisa de qualquer pessoa. Agora posso fazê-lo citando Rod, o atleta hilário. É como se não fossem minhas as palavras. E, bem, não são mesmo!

‘Isms’, in my opinion, are not good
Eu não acredito em ‘ismos’
Matthew Broderick diz a pérola em “Curtindo a Vida Adoidado” (1986) e eu não poderia concordar mais. Tem mania mais besta que se rotular e guiar por qualquer ‘ismo’ – capitalismo, fascismo, modernismo, montanhismo? Que cada um acredite em si – como também completou Ferris, uma verdadeira sumidade. E diga isso para quem vier te perguntar o que você é – como se uma pergunta complexa dessas se resumisse numa frase.

Fuck! Fuck! Fuck!
Put@queopariu, p*rra, m#rda: ph*deu de vez!
Hugh Grant não pára de repetir a palavra cabeluda durante praticamente toda a introdução de “Quatro Casamentos e um Funeral” (1994). Também, pudera: o moço perdeu a hora, atrasou-se para um casamento e ainda por cima estava com as alianças do dito-cujo. Por isso, diante de uma situação desesperadora como essa, parafraseie-o e passe por um fã incondicional de cinema ao invés de um xingalhão duma figa.

The pervert is back!
O pervertido voltou!
Para fazer bom uso dessa linha, dita por Woody Harrelson em “O Povo Contra Larry Flynt” (1996), há duas opções: ou você gosta de coisas estranhas, relacionadas a freiras e animais, ou você tem senso de humor ilimitado. Caso se encaixe na segunda categoria, saque da frase quando chegar à casa da sua avó ou voltar ao escritório depois do almoço. Se ficou na primeira descrição, procure um psicólogo.

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O pervertido de verdade voltou mesmo e disputou
com Schwarzzie o governo da Califórnia.
That’s entertainment…


Clara McFly às 06:44 PM


Garotas com gogó

Se estão pensando que este é um texto sobre travestis, podem tirar o eqüino da precipitação pluviométrica. O título acima vem apenas descrever o que eu queria ser. Gosto modestamente de tudo na minha pessoa, mas podia trocar uma coisinha aqui e outra ali. A voz, por exemplo. Tem coisa mais encantadora do que ser uma mulher de voz especial?

Minhas cantoras preferidas servem para fazer a redenção daquilo que eu sei não conseguir. Apanhar um microfone e dar conta do recado é para poucas. Fazer isso e ser aplaudida, é melhor ainda. Agora, ser uma mulher de voz poderosa e arrebatar a platéia não só pela técnica mas também pelo estilo inconfundível, é para eleitas. Eu trouxe as minhas ao conhecimento de vocês logo ali, abaixo.

Fico bastante emburrada quando falam sobre a Sandy e dizem "ah, mas ela é afinada". Só para saber: isso não deveria ser obrigação, em vez de alento? Ela é cantora, céus, claro que precisa ser afinada! Já nos quesitos espírito e desempenho, acho que deixa a desejar. Para o meu gosto, cantoras devem ser como divas no palco, interpretando canções com o coração na garganta. Estas são.

Carmen Miranda
Lá em casa tínhamos LPs do "arco da velha". Não, a "velha" não era minha mãe… Mas eram dela as bolachas de Pixinguinha, Assis Valente, Noel Rosa e dessa mulher espalhafatosa que cantava do modo mais divertido no mundo. Posso cantar"South American Way" decor porque adorava imitar a Carmen. E pensar que, um dia, ela já foi hostilizada por idiotas que a julgavam "americanizada". Pff! Foi uma deusa da voz, isso sim!

Janis Joplin
Não tem como ouvir "Down on Me" e "Me and Bobby McGee" sem cantar junto fechando os olhos e forçando a garganta. Janis era uma garota dona de voz rouca que teve carreira tão rápida quanto apaixonada. Pena a heroína levar embora tanta gente capaz de emocionar com uma simples cantarolada, não? Se há alguém para sentir falta nessa área dos "mortos on drugs", é da Pearl que sinto.

Monserrat Caballé
Não conheço 90% do trabalho desta rotunda senhora. Mas quando ela adentrou a arena de Barcelona cantando "Amigos para Siempre" com os tenores Plácido Domingo e José Carreras, arrepiou até os ossos. Primeiro, porque a música é uma das coisas mais fantásticas para se falar de amizade. Segundo, porque Monserrat, única mulher no ato, rouba a cena com uma voz poderosa feito trovão! Mas um trovão gentil.

Cyndi Lauper
Para três dentre três Garotas que Dizem Ni, Cindy merecia ser beatificada pelo Papa, ganhar um feriado e uma estátua em praça pública. Quando ela interpreta "Girls Just Wanna Have Fun", é o nosso hino tocando! E não se trata apenas de uma letra engraçadinha, mas de um recado passado a plenos pulmões para meninas que querem só isso mesmo na vida: boa diversão. E, como ela, pintar os cabelos de todas as cores do arco-íris, se for o caso.

Tina Turner
Ah, se eu ponho minhas mãos sobre Ike Turner… Como um camarada pode ter a audácia mórbida de bater numa mulher (que não seja a Condoleezza Rice)? E como ele pôde fazer isso com alguém que, além de tudo, tinha a força vital da Tina? Muito mais do que coxas grossas, Anna Mae Bullock – o nome da moça – canta de maneira tão atávica que choca meus ouvidos, ainda mais em "We Don’t Need Another Hero". Ou "Xiru-liro-liro-liro", como diz a Vivi.

Nara Leão
Diria o meu irmão muito romanticamente: Vinicius de Moraes não morreu de embolia pulmonar; morreu foi de tédio por cantar tanta música mole. Eu não acho. Curto ouvir alguma coisa de bossa-nova em certos momentos da vida. Se for a Nara Leão entoando, então, adoro. Acho que nenhuma brasileira tem voz mais doce. Parece uma mãe embalando bebês. Dá sono, mas é lindo.

Natalie Merchand
É uma das preferidas de Clara McFly e, quando canta "One Fine Day", a minha também. Natalie é um exemplo de garota que não precisa vestir apenas sutiã no palco, berrar ou rolar no solo para prender atenção. Com uma vozinha calma e poucos gritos, ela chega ao coração nas lentas e empolga nas agitadas – como faz com sua banda de nome perfeito, o 10.000 Maniacs.

Aretha Franklin
Tem uma cena que eu adoro em "Escola de Rock", quando Jack Black convence a menina gordinha de que ela não precisa ter vergonha disso. Ele diz: "Sabe Aretha Franklin? Ela é uma ‘big lady’… Mas, quando canta, todos quem estar com Aretha!". Bom, eu queria muito. Dava um braço pra ter aquela voz gutural e cantar "Respect" com tanta classe. Braço eu tenho dois, poxa!

Debbie Harry
Eis a cantora que eu queria ser. Deborah Harry, loira, linda, desbocada, insana e dona de uma voz ora sublime, ora desesperada – basta ouvir "Picture This", por exemplo. A mulher foi (é) vocalista do Blondie, umas das minhas bandas prediletas. Pela mania de cantar até se rasgar toda no palco (às vezes, literalmente), foi chamada de vadia nem sei quantas vezes. Diziam que o grupo só fazia sucesso por ela ser gostosa. Pode ser. Mas, não sei… Ainda acho que a energia e competência vocal de Debbie tinha alguma coisa a ver com isso… Não? Ah, sim.

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Isso é ser linda e talentosa
Fla Wonka às 02:37 PM


Na cozinha com Banana

Delicada como uma gueixa, intensa como um pesadelo. Talvez essa seja a definição que eu daria à escrita de uma das minhas autoras favoritas, Banana Yoshimoto. A garota, que escolheu seu pseudônimo porque acha bonitas as flores da bananeira, lançou seu primeiro livro, "Kitchen", com 20 e poucos anos e causou uma revolução na literatura de seu país natal, o Japão. Conseguiu ingressar no hall dos autores respeitados, mas ao mesmo tempo vendeu milhões de cópias em bancas de jornal.

Suas histórias de personagens que vivem entre o peso da tradição e a busca pela identidade conseguiram captar os anseios e as inquietações da geração X japonesa. Foi eleita, mesmo sem querer, a porta-voz de uma juventude dividida entre a ocidentalização e a cultura milenar. Entre o ímpeto consumista de modernos aparelhos eletrônicos e a admiração pelo florescimento das cerejeiras.

"Kitchen", lançado no Brasil com esse mesmo título, possui duas histórias. A principal narra um pouco da vida de Mikage, uma garota que se vê totalmente sozinha após a morte da avó, sua única parenta viva. No conto "Moonlight Shadow" (também com o título original preservado, veja só que inédito), conhecemos Satsuki, uma menina melancólica que tenta reconstruir a vida após o trágico acidente de carro que vitimou seu namorado.

As narrações versam sobre um único tema: como a perda de uma pessoa querida obriga a amadurecer, mesmo quando não se quer. Mas, apesar da carga de infelicidade que as cercam, as duas garotas são independentes, modernas, otimistas. Elas trabalham, fazem jogging e gostam de música americana. Comem com o mesmo gosto um prato de sashimi e um sanduíche do Kentucky Fried Chiken. É reservado para elas um humor fino e uma visão crítica apurada, não permitindo uma escorregada para o melodrama barato.

A autora escreve de forma tão sincera que nada parece pesado ou fora de contexto – nem a morte, nem a transexualidade de um personagem. As histórias, narradas sempre em primeira pessoa, vão se desenvolvendo aos poucos, misturando lembranças, impressões, acontecimentos. A narrativa é construída como um origami: com paciência, dedicação e capricho.

Yoshimoto desenvolveu seu livro da maneira mais despretensiosa possível, durante as folgas de seu emprego de garçonete em um restaurante de Tóquio. Assim, o volume tem cara de tudo, menos de um sucesso mundial. Contrariando a premissa, mais de 2 milhões de exemplares foram vendidos no Japão. O fenômeno ganhou até nome: "Bananamania". "Kitchen" conseguiu ultrapassar os pequenos limites do arquipélago, atravessou o planeta (literalmente) e estourou na Europa e nos Estados Unidos. Virou até filme.

A moça, porém, parece não ligar para tanto frisson. Em seus prefácios, faz confissões do tipo "quando reli este livro fiquei vermelha de vergonha, nunca mais vou escrever coisa igual", ou se despede de seus leitores avisando que já estava atrasada para um show dos Ramones.

Ainda por cima, ela tem bom gosto musical.

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Vivi Griswold às 10:51 AM

quarta-feira, 29 de setembro de 2004

Tem programa para o sábado?

As tardes e noites de sábado eram muito mais divertidas – e toscas – quando eu contava umas sete ou oito primaveras. Pelo menos foi com essa idade que comecei a observar a variada e curiosa fauna de programas de auditório que estavam à disposição do respeitável público, à distância de um mísero clique no controle remoto.

É bom lembrar que, nessa época, não havia tv a cabo e as opções eram exíguas. Pensando bem, a tv por assinatura mais fez diversificar as opções de programas ruins do que oferecer a salvação da lavoura dos espectadores. Ainda assim, sou teleadicta. Não tem jeito, mesmo.

Enfim. Tenha participação de um bando de tiazinhas malucas gritando a cada atração apresentada ou não, é impossível esquecer dessas pérolas. Se hoje perco meu tempo com “Detetives Médicos”, “Justiça Final” (com a Erin Brockovich mais gritalhona que já vi) e todos os programas comerciais da Polishop, naquela época eu bem que curtia passar horas entretida com...

Perdidos na Noite
Primeiro na Gazeta e depois na Record, onde estreou em 1985, Fausto Silva – antes de virar uma maleta sem alça e ensaboada – comandava o programa de auditório mais anárquico de que se tem notícia. Tinha banda se apresentando e humoristas hilários em quadros sensacionais.
Não dá para esquecer: Faustão ficava atrás de uma mesinha que imitava um par de pernas femininas.

Qualquer-Coisa do Chacrinha
Confesso que não era muito fã do sêo Abelardo Barbosa (nem da música de abertura do programa, que eu entendia como “Apesar do Barbosa, tá com tudo e não tá prosa...”). Mas o tiozinho durou um tempão na tv: desde 1957, quando estreou na Tupi, à frente do programa que juntava calouros e bandas consagradas. Teve “A Hora do Chacrinha”, “O Cassino do Chacrinha” e “A Discoteca do Chacrinha”. Haja bacalhau.
Não dá para esquecer: Três coisas: a distribuição de bacalhau, o troféu abacaxi e mulheres de biquíni dançando de maneira sensual. Isso porque era um programa vespertino, hein!

Programa do Bolinha
Ele foi substituir Chacrinha em 1967, na TV Excelsior. Ficou no ar, entre outras emissoras, até 1992. Cercado de “boletes”, apelido dado às moças seminuas que dançavam no palco (pelo jeito, moças seminuas são um pré-requisito para qualquer programa de auditório), trazia atrações das mais diversas – de calouros a transformistas.
Não dá para esquecer: Os bordões “A música que meu povo gosta” e o gutural “Vai, linda!”

Viva a Noite
Esse, que estreou em 1982, mereceu até um texto à parte. Era meu favorito. Quem mais senão Augusto Liberato para juntar mulheres (seminuas, é claro) dançando em taças, no meio de bambolês colados; personagens de palco como o Bugalu; uma exótica dança em homenagem a um tal passarinho; um prêmio que era uma lua de néon e quadros como o Sonho Maluco?
Não dá para esquecer: O concurso do Rambo brasileiro, onde fortões portando bazucas plásticas e uma fita na testa disputavam o título.


Ah, sim! Só mesmo um gênio das comunicações para apresentar programas de auditório SEM moças seminuas a seu lado. Quem mais senão Silvio Santos, aka Senor Abravanel, aka Sêo Silvio (para as tiazotas que se sentem íntimas e correm atrás dele querendo uma foto).

Mas o homem, o mito, a lenda... fica para outro texto. Ele merece.

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Viu como não inventei? Taí o vencedor do concurso
Rambo Brasileiro
Clara McFly às 08:34 PM


Não vai dar, não

Assim como Raul, eu juro que prefiro ser essa metamorfose ambulante. Ter aquela velha opinião formada sobre tudo, então, nem pensar! Mas existem coisas na vida que a gente sabe não poder fazer. No meu caso, se me permitem, preciso confessar: não consigo gostar do filme "Ghost", não tolero usar chinelo e sou completamente incapaz de dormir de barriga pra baixo. E tem outras coisas que não acontecerão comigo nunquinha.

Até queria provar destas experiências um dia, mas tenho quase certeza de não ser capaz. Por exemplo: duvido que pudesse virar uma garota hippie. Acho lindos aqueles casacos de lhama andina, rendo respeito imenso pela filosofia de desapego e me amarro na idéia de existir gente que despreza o tal do materialismo.

Mas se entrar no âmbito mais específico, sinto dizer: ia me rebelar contra os rebeldes em pouco tempo. Droga, eu faço questão de visitar a depiladora regularmente, não deixaria meus filhos com nariz escorrendo e cabelinho desgrenhado e adoro comer carne vermelha.

Meu nariz coça ao menor contato com incensos também. E se for para ser hippie meia-boca, dessas que parecem ter acabado de sair de uma botique, prefiro ficar na minha. Muito ajuda quem não atrapalha a causa, certo?

Ainda tem outras turmas dos quais realmente não me vejo fazendo parte. Fã confessa do vestuário negro-total, eu já tive que responder muitas vezes se sou gótica. Não sou, e nem poderia. Apesar da afeição pelo tom de piche fresco, esse papo de circular por cemitério não atrai. Sexta-feira à noite, calorão pedindo uma bela mesa de boteco… e eu lá, em contato com o reino dos mortos? Poxa, não rola. Melhor pegar um cinema.

Ser "geração saúde" também não faz parte das preferências desta moça aqui. À mínima menção da palavra "malhar", já dá uns calafrios na espinha e eu corro deitar no sofá, botar os pés pra cima e apanhar um gibi e uma limonada com gelo. O contrasenso: tenho uma esteira elétrica em casa, usada por poucos meses enquanto ainda contava 10 quilos a mais que hoje. "Elas sempre viram cabide", me avisaram. No meu caso não foi muito diferente, apesar da tentativa de virar maratonista indoor.

Até sinto (pouca) inveja de quem pula da cama cedo, faz a mala e parte para o mundo encantado dos halteres e colchonetes. Chegam lá, suam feito doidos e sentem a doce endorfina circular pelo organismo – para depois mandar um Gatorade goela abaixo e ganhar novo vigor com o banho no vestiário.

Já frequentei academia. Dormi duas vezes na aula de relaxamento e arranquei a tampa do dedão num azulejo do chuveiro coletivo. Hoje, guardo distância de segurança de qualquer lugar com as palavras "shape", "body" ou "fitness" estampadas no letreiro.

Fazer parte de grupos é ótimo, eu acho. Adoro ver a molecada do skate andando junta – e competindo não pela melhor manobra, mas pra ver quem usa a maldita bermuda mais abaixo da bunda. Acho uma graça senhoras que se encontram para fazer curso de culinária, pintura ou cerâmica, como a minha mãe tanto gosta. Pena que certos grupos parecem um oásis tão distante.

Se existir uma próxima vida, porém, eu quero vir com todos esse aplicativos baixados! Quero ser uma gótica capaz de pedalar na ergométrica por horas e preparar jantares com meio quilo de broto de bambu! Mas nesta encarnação, não vai dar, não.

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Olha a minha turma na próxima vida!
Fla Wonka às 04:03 PM


O amor segundo o brega

"Quem dera ser um peixe/ Para em teu límpido aquário mergulhar/ Fazer borbulhas de amor para te encantar/ Passar a noite em claro dentro de ti". Ah, que coisa linda, profunda, sutil, não? Pois assim são os versos de amor cantados pelos maiores nomes da música brega: exagerados, cheios de insinuações calientes e comparações com a natureza.

O cantor dessa pérola é nenhum outro além de Raimundo Fagner. Mas o moço não está sozinho na tentativa de exprimir todo o clima de paixão de um modo, digamos, extremo – ele é apenas mais um no Olimpo dos compositores gosmânticos, termo usado para descrever um romântico além da conta, melado. Letras do gênero pululam na nossa MPB. Verdade seja dita: impossível haver uma música brasileira mais popular do que isso.

Ironicamente, ser brega hoje é ser cult, e artistas como Wando (que já até ganhou uma homenagem por aqui) agora desfrutam de um certo reconhecimento. Eu dou maior apoio a eles, viu? Porque tem que ser muito bom para conseguir enfiar as palavras "chão", "suor", "relva" e "sede" em todas as composições. O resultado? Coisas inimagináveis como as que seguem...

"Parece que ela enfiou uma espada de aço no meu coração
Fez escorrer o meu sangue, manchou minha alma
E me atirou no chão
Com o meu corpo ferido jogado, esquecido, parecendo animal
O tombo foi igual ao de um saco, me deixou louco
E eu não voltei ao normal"

Amado Batista, "Um Pedaço de Mim"

Que mulher teve coragem de machucar tanto um homem de nome Amado?

"E a mágica do amor nasceu quando eu olhei você
Meu mundo mudou, o tempo parou, você tomou conta do meu coração
E foi tanto amor que meu sonho acordou de volta pra vida
E o tempo passou, você me deixou, parece que a vida não quer mais viver
Porque a noite mais linda do mundo vivi com você"
José Augusto, "A Noite Mais Linda"

Se isso tivesse sido escrito no século XIX, seria Álvares de Azevedo!

"Amor é uma palavra
Que enfeita, que laça, abraça, esconde outros desejos
Desejos são delírios
Lírios que dançam, iludem, balançam
Corações, corações são pequeninos grãos de areia tão fininhos
Que qualquer vento menino leva pra outro lugar"
Fábio Junior, "Desejos e Delírios"

Eu adoro a parte do "vento menino". Seja lá o isso que signifique.

"Vou me embrenhar nessa mata só porque
Existe uma cascata que tem água cristalina
Aí então vou te amar com sede
Na relva, na rede, onde você quiser
Quero te pegar no colo
Te deitar no solo e te fazer mulher"

Agepê, "Deixa Eu Te Amar"

Fala aí, esse final truculento arrepia. Não? Ok.

"Eu vou levar você pra ficar comigo
E não interessa o que os outros vão pensar
Eu sei que você tem medo de não dar certo
Pensa que o passado vai estar sempre perto
E que um dia eu posso me arrepender
Eu quero que você não pense nada triste
Pois quando o amor existe
Não existe tempo pra sofrer"
Odair José, "Vou Tirar Você Desse Lugar"

Não tem pra ninguém: uma prostituta fez Odair escrever os melhores versos gosmânticos.

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E ainda é galã, o peste!
Vivi Griswold às 10:21 AM

terça-feira, 28 de setembro de 2004

Perdeu, playboy!

Saber perder é uma arte. Antes que vocês pensem que esse texto discorrerá sobre filosofias de vida, com profundas pérolas de sabedoria a respeito da variada gama das emoções humanas e seu impacto na trajetória da civilização, aviso que esta escriba não chegaria a tal pretensão. Até porque ainda não aprendi muita coisa da vida e do mundo. Quero falar mesmo – e apenas – é dos perdedores da televisão.

Gozado que numa cultura competitiva como a nossa (e mais ainda a estadunidense, de onde vêm esses programas), haja espaço de acomodar aqueles tipos para quem nada dá certo, nunca. Alguns se regozijam na sua estupidez – e ganham fãs pelo mundo todo. Outros podem passar quase despercebidos, mas as séries das quais fazem parte não seriam as mesmas sem eles.

Bem, eu sempre gostei dos perdedores. Eles têm um charme especial, não conseguem as coisas facilmente e me parecem mais reais. Por isso, juntei um bando deles aqui. Três vivas para os losers!

Ross Geller
O personagem de “Friends” passa a série inteira apaixonado por Rachel, amiga de sua irmã. Entre idas e vindas, eles até se acertam no final, mas haja sacrifício!
Carreira: paleontólogo. Pode parecer chato, mas ao menos ele tem uma carreira.
Mulheres: divorciou-se três vezes – a primeira delas, depois que sua mulher vira lésbica.
Atestado de loser: Ross teve a capacidade de usar uma bizarra fantasia de tatu quando quis comemorar o hanukkah com seu filho, Ben. Era o “tatu do feriado”.
Frase: “Saia de cima da minha irmã!”, ao descobrir de maneira bem inapropriada que Monica e Chandler estavam juntos.
Perdedorômetro: 6

George Costanza
Especialista em mentir, o amigo de Jerry na sitcom “Seinfeld” não consegue sequer ser mandado embora de seu emprego no Yankees, quando recebe uma proposta melhor de outro clube.
Carreira: o que é isso?
Mulheres: de uma pianista clássica à filha da assistente social que cuidava de seu seguro-desemprego.
Atestado de loser: Querendo economizar dinheiro nos preparativos de seu casamento, ele compra envelopes baratos para os convites e sua noiva morre intoxicada após lambê-los.
Frase: “Sempre tenho a impressão de que, quando as lésbicas olham para mim, elas pensam: ‘Viu? É por isso que eu não sou heterossexual!’”.
Perdedorômetro: 9

Larry David
Co-criador de “Seinfeld”, Larry foi a inspiração para o personagem George Costanza. Em sua própria série, “Curb Your Enthusiasm” (ou “Segura a Onda”), prova porquê.
Carreira: Larry interpreta a si mesmo: um produtor e roteirista.
Mulheres: a paciente Cheryl, com quem se casou.
Atestado de loser: Larry se atraca com a decoradora contratada por sua mulher e é capaz de correr pelos corredores que levam ao consultório de seu médico, para ser atendido na frente dos outros.
Frase: “Ele me insultou e sugeriu que eu estava mentindo sobre meu padastro!”. Seria uma frase normal, se Larry tivesse um padastro.
Perdedorômetro: 7

Homer Simpson
Ele pode ser apenas um desenho de cara amarela, mas representa a mentalidade de muitos chefes de família em “Os Simpsons”. Vai ver por isso o desenho – genial, aliás – tem tantos fãs.
Carreira: apertar botões na Usina Nuclear de Springfield.
Mulheres: Marge, simpática dona de casa com um cabelo esquisito.
Atestado de loser: Ao descobrir que pessoas sem condições de locomoção podem trabalhar em casa, Homer decide engordar morbidamente só para fazê-lo também. E, em casa, põe um brinquedo para apertar os botões de sua responsabilidade.
Frase: “D’oh!”
Perdedorômetro: 10

Al Bundy
Insuportavelmente cínico, mas ainda assim completamente passável para trás. O pai de família de “Married with Children” (ou “Um Amor de Família”) é um dos personagens mais curiosos da TV.
Carreira: melhor dizendo, “emprego” – vendedor de sapatos
Mulheres: Peggy, a perua insana com quem se casou.
Atestado de loser: Num dos episódios mais surreais, ETs invadem sorrateiramente a casa de Al em busca de combustível para a nave. O tal combustível são as meias usadas do vendedor.
Frase: “Lembrem-se de nosso lema: nós não podemos!”
Perdedorômetro: 11

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Vai sonhando, Al...
Clara McFly às 06:18 PM


Corra com eles!

Pilotar carros é legal. O trânsito de hoje deixa a atividade aborrecida e desgastante, mas já fui fã disso. Quando cheguei na idade de tomar o volante da Saveiro familiar, por exemplo, tinha comichão só de pensar em domar os cavalos automotivos. Aprendi, gostei e até hoje adoro colocar um som bacana e circular com a minha caixinha de Ortopé possuída por forças do mal. Não sou mais uma car-crazy-person – cresci, me encantei pelo metrô e por segurança pessoal –, mas o cinema ainda alimenta meu sangue com petróleo.

Acho bacana ver carros esmerilhando em corridas, porém essa nem é a melhor parte. Divertido mesmo é participar, ainda que aboletada na poltrona, dos pegas entre mocinhos e bandidos. Filme de ação com duelo de forças entre gente quase-boa e gente quase-má precisa ter um rachão! É duro pensar no tanto de dinheiro gasto com carros arrebentados e explosões fajutas? Ô se é. Mas eu aguento.

No último fim de semana, por exemplo, fui checar o tal "A Supremacia Bourne". O trailer mostrava uma perseguição com requintes de crueldade, com aço voando pelos ares e um encontro nada gentil com um muro de túnel. "Vale o ingresso", pensei. Aliás, o filme anterior protagonizado por Matt Damon já tinha sido fabuloso nesse aspecto. O novo não decepciona, mas o primeiro da série continua bem melhor no quesito "esmaga-veículos".

Junto com ele, estes são ótimos para quem, como eu, não liga de confessar afeição por correria em ruas, estradas e até escadaria abaixo.

Operação França (French Connection), 1971
Nem vi o filme inteiro, só mesmo a parte da perseguição – que aparece em todo documentário sobre o tema como a melhor de todos os tempos. É mesmo de tirar o fôlego. Curioso é que, mesmo quando os filmes tratam de asquerosos gatunos cuidando apenas do interesse do vil metal e provocando balbúrdia por cidades pacatas… a gente torce por eles. Eu torço. Desculpa…

Ronin (Idem), 1998
Já vi faz algum tempo, mas não esqueço o pega-pra-capar entre Robert De Niro, Jean Reno e a rapa a bordo de Audi, Mercedes e afins. Tudo se passa nas belas estradas da Riviera Francesa – mas quem consegue acompanhar o cenário? Os homens voam sobre rodas e nem dá tempo de parar, acenar e dizer um "au revoir". Quem diria que, um dia, o soturno De Niro largaria os porretes mafiosos e os guetos italianos pra pisar fundo num carrão.

60 Segundos (Gone in Sixty Seconds), 2000
Tudo bem, é uma bobagem infindável como enredo. Mas pensem bem: eu podia estar aqui citando "Velozes e Furiosos"! Isso sim seria chutar a aavanca de câmbio! O bom do filme com Nicholas Cage é o desespero contido em roubar 50 automóveis em uma só noite. E só carrão. Porém, era claro: na correria final, a vedete sobre rodas é um enjoado Shelby, carro americano sem muito "que tal" quando comparado às Ferrari mostradas ao longo do filme. Mesmo assim, vale pelo inusitado da escolha.

A Identidade Bourne (The Bourne Identity), 2002
Como disse, a primeira aparição de Jason Bourne na telona foi alucinante. E foi também a prova de que nem só de máquinas caríssimas vive uma boa perseguição. O mocinho e sua namorada fogem da bandidagem dentro de um humilde Fiat Cinquecento. É aquele carrinho italiano miúdo, capaz de entrar em ruas apertadas. E eles fazem isso e muito mais, acredite.

Saída de Mestre (The Italian Job), 2003
Donald Sutherland, Mark Walberg, Edward Norton e um bando de salafrários legais decidem praticar o roubo da década em Veneza. Tudo vai bem e a bufunfa comparece – após uma eletrizante perseguição de lancha pelos canais medievais, mas esse não é o tema deste texto. O filme, uma refilmagem bem-feita da obra com Michael Caine, tem o ponto alto num pega entre pequeninos Mini Coopers em pleno underground de Los Angeles. Sim, no metrô. Sim, eles descem escadarias e aceleram dentro de túneis e dutos d´água. Sim: além de tudo, uma das motoristas é garota! E que garota! Charlize Theron devia ter ganhado Oscar por essa ousadia. E por ter a indecência de fugir de Eddie Norton… Boba. Tem perseguição que nem vale a pena…

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Vai, pega!
Fla Wonka às 02:31 PM


Pipoca com risos

A gente já suspirou, já ficou com medo, já chorou e já cansou de entender alguns finais de filmes. Agora chegou a hora da parte mais recompensadora: cuspir a pipoca longe e engasgar no copo de Fanta por conta de algumas das comédias mais engraçadas de todos os tempos. Bem, pelo menos, na opinião desta garota sempre sedenta por uma boa piada – e por uma longa gargalhada.

Os atores mais experientes costumam dizer que fazer rir é mais difícil do que fazer chorar. Porque para emocionar uma pessoa bastam histórias de bebês órfãos, cachorrinhos feridos, crianças em campos de concentração e doentes terminais. Mas despertar graça em um espectador é bem complexo, até porque humor é muito mais subjetivo.

Aposto, por exemplo, que alguns leitores podem não ter morrido de rir com os filmes aí embaixo. Aposto também que muitos vão falar "puxa, mas você se esqueceu do filme tal!". Tudo bem – cada um com sua lista, mas juntos no melhor dos objetivos: divertir-se! Vamos lá?

This is Spinal Tap
Talvez a produção mais desconhecida desta lista. Já tinha ouvido falar nesse documentário ficcional, mas só pude prestigiá-lo há pouco tempo, graças à TV por assinatura. O filme mostra o dia-a-dia de uma banda de heavy metal em turnê, com direito a músicas hilárias, roupas absurdas e comentários nada a ver.
Risos de 1 a 10: 7
Culpado pelos risos: O diretor Rob Reiner, que fez algo tão crível que muita gente até hoje acha que a banda existiu mesmo.
Trecho matador: Enquanto bolam um novo cenário, o guitarrista se engana nas medidas e manda fazer um monumento de Stonehenge de meio metro. Quando aquilo desce do teto no meio do show...
Uma frase: "Estou trabalhando nesta música. Eu sou muito influenciado por Mozart e Bach, sabe? É uma peça no estilo Mach, na verdade".

Apertem os Cintos – O Piloto Sumiu
A maior graça desse besteirol é como as falas são levadas ao pé da letra. Por exemplo: quando o oficial libera os jornalistas a tirarem fotos, os caras invadem o escritório e roubam as fotografias pregadas na parede. Trata-se de uma sátira completamente idiota (e sensacional) de filmes catástrofe da época.
Risos de 1 a 10: 9
Culpado pelos risos: A história em geral, que transforma um iminente desastre de avião em uma das coisas mais engraçadas que eu já assisti.
Trecho matador: Depois que o piloto e o co-piloto estão desfalecidos na cabine de comando, a aeromoça é obrigada a usar o piloto automático: nisso, um boneco inflável e sorridente assume os controles.
Uma frase: "Joey, você gosta de filmes de gladiadores?"

Em Busca do Cálice Sagrado
Ah, não poderia deixar de citar o filme que deu origem ao título deste sítio que vos fala. A trupe de comediantes ingleses decidiu encenar a história do Rei Arthur e dos Cavaleiros da Távola Redonda usando para tal apenas o troco da padaria. O resultado? Uma produção onde cavalos são interpretados por cocos.
Risos de 1 a 10: 10
Culpado pelos risos: John Cleese, Michael Palin, Eric Idol, Graham Chapman, Terry Jones e Terry Gilliam – ah, também um tal coelho assassino.
Trecho matador: Até agora não consegui me decidir quanto ao meu trecho favorito... Provavelmente a parte do castelo do pântano. Ou não.
Uma frase: "Nós agora somos os cavaleiros que dizem ‘Ekki-Ekki-Ekki-Ekki-PTANG. Zoom-Boing. Z'nourrwringmm’".

Corra que a Polícia Vem Aí
Um policial é recrutado para assegurar a vida da rainha Elizabeth e acabar com um plano de assassinato da monarca em sua visita pelos Estados Unidos. Tudo estaria bem se o policial não fosse o atrapalhadíssimo Frank Drebin. Entre a bobagem geral, o velhote ainda arruma tempo para se apaixonar pela viúva de Elvis!
Risos de 1 a 10: 9
Culpado pelos risos: A interpretação de Leslie Nielsen, que consegue ficar sério nos momentos mais engraçados.
Trecho matador: Na tentativa de salvar a rainha da Inglaterra, Frank se joga sobre ela em uma pose duvidosa, bem em cima da mesa de banquete.
Uma frase: "Finalmente eu encontrei alguém para amar... Um amor bom, limpo... Sem utensílios".

Férias Frustradas
Apesar do sobrenome que ostento aí embaixo, eu não faço parte oficialmente da família de Clark Griswold. Mas ô, como gostaria! Pelo menos, risadas não iriam faltar. Ele é um pai e marido bem intencionado que deseja levar sua trupe de Chicago até a Califórnia de carro para visitar um estúpido parque temático.
Risos de 1 a 10: 10
Culpado pelos risos: O abobalhado Clark, logicamente, que sempre acaba levando a pior.
Trecho matador: Quando eles finalmente chegam a Wally World, após todos os percalços do caminho, o parque está fechado para consertos.
Uma frase: "Por que nós não fomos de avião? Porque chegar até lá é metade da diversão".

Quanto Mais Quente Melhor
O mais velhinho dos exemplares desta lista, esse clássico em preto-e-branco com Marilyn Monroe, Jack Lemmon e Tony Curtis me faz rir até eu ficar com vontade de fazer pipi. Os dois são músicos que, na tentativa de despistar mafiosos, vestem-se de mulher e entram para uma banda só de garotas.
Risos de 1 a 10:11
Culpado pelos risos: Daphne, que na verdade é Jerry, acaba se engraçando de verdade com um milionário apaixonado por ela (ups, ele).
Trecho matador: A melhor cena não é particularmente engraçada, mas faz todo mundo ficar de queixo caído: Marilyn cantando.
Uma frase: "Você tem de manter um pensamento em sua mente: ‘eu sou um garoto!’".

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Vivi Griswold às 10:16 AM

segunda-feira, 27 de setembro de 2004

Solta o pause

Num tempo em que o Rock in Rio ainda era na Cidade Maravilhosa – e existia uma cerveja chamada Malt 90 para patrociná-lo – o ato de coletar suas canções favoritas e perpetuá-las numa mídia reproduzível podia ser uma grande aventura. E bota aventura nisso.

Primeiro, porque a tal mídia era uma fita cassete. Desconfio que, em pouco tempo, meus primos mais novos nem vão saber o que diabos é a tal fita. Mas posso atestar que a primeira gravação a gente nunca esquece.

Até porque seria difícil esquecer do razoável tempo perdido, ouvindo as paradas de sucesso de rádios como a Transamérica, com o rec engatado e o dedo no botão do pause, torcendo pela sorte de sua canção do desejo estar na lista das mais-mais do dia. E só esta fortuna não bastava: caso a música fosse anunciada, ainda era de vital importância que o maldito locutor calasse a boca desde os primeiros acordes.

Eram poucos segundos encharcados de tensão: você tinha de fazer o cálculo para saber se valia a pena soltar o rec enquanto o insistente locutor tagarelava até o primeiro verso, ou se o melhor mesmo seria esperar a próxima execução de "I Got the Power", "Silent Morning" ou "Faroeste Caboclo". Não que elas fossem muito esparsas: tocavam o tempo todo, o que me leva a pensar, retroativamente, por que diabos eu perdia tanto tempo querendo gravá-las...

Uma vez que a gravação começava, vinha a segunda parte do martírio – o final da música. A agonia era maior especialmente no caso de "Faroeste Caboclo", que leva uma vida para terminar. A espera angustiada se justificava pela simples razão de que as famigeradas estações mal deixavam a canção acabar para soltar um jingle ou informar as horas. Quantas fitas de minha propriedade não foram salpicadas de sonoros "Transamérica, quinze para as duas!" ao fim de cada faixa!

Pronto. Diante do registro das horas, as opções eram três: voltar a fita, acertá-la no ponto novamente e esperar pelo próximo anúncio de "Silent Morning", começando tudo de novo; tentar editar o finalzinho da canção de maneira a apagar o máximo possível do jingle intruso ou, ora bolas, deixar assim mesmo e mandar tudo às favas. A fita é minha, eu faço como quiser!

Gravar suas próprias fitas era um acontecimento, um passo dado no sentido de se afirmar como gente, com gostos próprios (embora ainda discutíveis) e tal. Significava que, no carro, você não queria mais ir ouvindo a trilha de Blade Runner com a sua mãe – ou toda a coleção de sons da sua genitora. A dificuldade que o processo envolvia só fazia aumentar o gostinho bom da coisa.

Hoje, temos os CDs graváveis e regraváveis, o milagre do mp3 e os abençoados compartilhadores de canções. A variedade e a facilidade de conseguir músicas está maior que nunca – para quem, é claro, pode pagar pelo equipamento todo. Por outro lado, agora o Rock in Rio é em Lisboa, a Malt 90 virou memória e meus primos e irmãos mais novos jamais saberão o quão divertido podia ser ficar horas com o dedo no pause.

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Elas existiram mesmo
Clara McFly às 06:41 PM


Bate-papo a la Mirtes

Depois de mil textos e lá vai pedrada, as valentes e abnegadas Garotas que Dizem Ni podem estar começando a ficar repetitivas, não? Se alguém aí respondeu com um desdenhoso "Começar???", já aviso que magôo com essa ironia… Mas o fato é: fica difícil não lembrar alguns temas mais de uma vez, poxa! Este link e este link, por exemplo, renderam dezenas de e-mails e muitas risadas – inclusive por causa das contribuições enviadas por leitores. Por isso, hoje, eu volto a beber na fonte dos erros de compreenssão.

Os textos tratavam daquilo que o povo fala errado, mas que só assim ganha um significado infinitamente mais engraçado. Foram quase 20 expressões listadas – desde a confusão entre "Lei de Murphy" com uma certa "Lei de Smurff" até a forma curiosa de tornar o preocupante "estado de coma" em um hilariante "estado de goma".

Pois não é que as Mirtes do mundo ainda conseguem meter esses mal-entendidos em outras frases? É só parar em qualquer bairro residencial, procurar senhoras simpatizantes de conversa de portão e parar para escutar. Em questão de minutos você vai ouvir o que segue – e se fartar de rir, caso consiga entender.

"Ela teve a cachorra de dizer…"
Nunca uma típica mulher de vila soube o significado da palavra "pachorra". Nem teve a preocupação de usar, em vez dela, os termos ousadia ou audácia. O comum mesmo é ouvir que outras Mirtes tiveram a "cachorra" de se meter na vida alheia ou de dizer uma besteira. É um erro costumeiro em gente que se refere às vizinhas como "a biscate" ou "aquela sirigaita".

"Eu fiquei até com o sistema nervoso…"
Já notaram como tias de bairro ficam fora de si por qualquer motivo bobo? Não imagino por que alguém com preocupações tão singelas como arrumar a casa, assistir novela ou buscar no mercado a cerveja do Válti arranja tanto motivo pra ficar com taquicardia. Claro, elas não se dão conta de que todo mundo tem esse mecanismo orgânico, mas não precisa se enervar apenas por possuir um sistema nervoso! Aos sábados, as moças ficam com o "sistema calminho"? Hum…

"Foi fazer um exame de NA…"
Tudo culpa do Ratinho! Desde que o astro trash inventou a barbaridade de checar parentesco na tela da tv, os populares tomaram intimidade máxima com o delicado exame. Mas, talvez por causa do chiado do televisor, poucos entenderam que o exame avalia o DNA, e não o NA (o que quer que seja isso). Falam rápido demais, os apresentadores, e sequer dão a chance da pessoa em casa separar o "de" do "DNA"!

"Eu vi dizer…"
Apesar de estarem sempre com as orelhas em pé, prestes a captar com precisão supersônica qualquer fofoquinha mais picante, as Mirtes nunca "ouvem dizer". Elas sempre garantem que "viram dizer". Se os olhos estavam mesmo pregados no assunto tanto quanto os ouvidos, impossível ter certeza. O que importa é manter esse modo tão peculiar de enxergar o mundo – e depois contá-lo de sua própria maneira. É por isso que eu tenho a cachorra de dizer: longa vida às Mirtes! E às "casas germinadas" e às "chuvas de granito"!

Fla Wonka às 02:45 PM


Deixe para amanhã

Eu tenho um péssimo hábito de acumular tarefas e achar que meu dia pode ter 27 horas se eu assim desejar. Dizem que tem a ver com o meu signo: como uma boa geminiana, adoro começar dezenas de trabalhos ao mesmo tempo, porém sem terminar nenhum. Bem, eu termino – só demoro pela pura falta de noção temporal. Se não sou boa para gerenciar finanças, consigo ser pior para domar a ampulheta.

Desde que me recordo possuir prazos, sempre foi assim. No colégio, quando a professora passava um trabalho para entregar dali uma semana, eu, ao invés de chegar em casa, fazer tudo e ficar livre, deixava passar. "Amanhã eu faço". Quando o amanhã chegava, a mesma coisa. No fim-de-semana, pensava "ah, não vou estudar de sábado e domingo, né?". Quando eu via, o trabalho era para ser entregue no dia seguinte e eu precisava correr com ele e ainda estudar para uma prova.

"Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje" é um ditado muito sábio, porém nunca fez parte da minha vida. E juro que não é de propósito! Só vou empurrando com a barriga achando que, quando precisar sentar e me concentrar naquilo, consigo terminar em apenas uns minutinhos. E ainda acho que conseguiria, se imprevistos não acontecessem e eu não precisasse fazer coisas como dormir, comer e tomar banho – o que perde um tempão, cá entre nós.

O problema é que essa irritante mania, além de fugir do meu controle, esbarra no meu lado certinha e CDF. Então, enquanto corro contra os ponteiros depois de toda a lenga-lenga, fico me martirizando, me condenando e querendo dar murros em mim mesma só de pensar no monte de dias livres que tive e não aproveitei. "Quem mandou ficar assistindo a 10 horas de maratona ‘Detetives Médicos’, panaca?" diz a anjinha no meu ombro. Ainda bem que só dou ouvidos à diabinha.

Mas nem sempre a culpa é minha, uma vez que Murphy também impera neste quesito. Quantas e quantas vezes eu já não passei uma semana moscando completamente à toa e, nos últimos dias, apareceram cinco trabalhos ao mesmo tempo? Pois essa é a vida de free-lancer que eu me arrumei. Fiz a cama, agora tenho de deitar, certo? E deitar significa ser aliada do tempo e tentar ao máximo cumprir os sempre apertados prazos.

Com o Garotas é a mesma coisa. Quando começamos a escrever aqui, eu tinha textos guardados para um mês – porque a empolgação de finalmente poder colocar tudo o que queria em um artigo e ainda ser lida por montes de pessoas era inédita e muito forte. Ultimamente, porém, ando fazendo o texto do dia para ser publicado dali a minutos. Se por um lado não é muito saudável, por outro é um desafio mais emocionante.

Neste exato momento eu devo estar em algum ponto ao sul da América do Sul. Para você estar lendo isso, tive de escrever com antecedência – e não apenas este texto, mas outros quinze. Preciso dizer que deixei para a última hora e ainda não posso afirmar se terminarei tudo a tempo?

Conseguirá Vivi passar a perna no relógio novamente? Aguarde as reveladoras cenas do próximo capítulo.

Vivi Griswold às 10:36 AM

sexta-feira, 24 de setembro de 2004

Barata, óbvia e infame

Diz o Aurélio a respeito da feiosa palavra “infâmia”: 1. Má fama 2. Perda de boa fama 3. Dano social ou legal feito à reputação de alguém 4. Caráter daquilo que é infame; torpeza, vileza, abjeção. O substantivo e seu adjetivo relacionado, “infame”, aparecem umas três vezes na condenação de Tiradentes à forca. É... o pessoal do rei ficou bravo à beça com o alferes e declarou não somente o próprio infame, mas também seus filhos e netos.

Hoje, ser infame é bem menos passível de punição. A palavra ganhou outra definição quando falamos de piadas. Ninguém vai enforcá-lo em praça pública, picotá-lo, queimar e salgar sua casa se você fizer a piada do pavê numa reunião de família. No máximo, vão dar uns risinhos amarelos e achá-lo um cretino – ou uma pessoa torpe e vil, voltando ao sentido original da palavra.

Mas, confessemos, todo mundo tem uma veia infame. Quem nunca sacou de piadinhas bobas e de gosto discutível que... saia andando e não olhe para trás. Porque poucas coisas são mais divertidas que rir impunemente de um gracejo politicamente incorreto, de humor negro ou calão beirando o baixo.

Meu gênero favorito de piadas infames são aqueles trocadalhos do carilho do tipo “se comprar uma pizza, dá para vinte comer?”. Juro, eu tento evitar a risada e parecer uma mocinha correta e de humor fino, mas casco o bico toda vez que ouço. Nessa classe ainda estão as inesquecíveis piadas do café de máquina ou de coador; do jacaré que anda no seco; do pessoal que chegou há pouco de fora; do calor e da chuva nas costas.

Também sou muito afeita às anedotas de humor negro, curtas e grossas. Minha favorita, se me permitem:

“Mãe, por que o papai está branco?”
“Cala a boca e cava.”

No repertório que conheço, ainda há a da criança que está brincando com a vovó (e depois guarda a velhinha na caixa) e a do menino que reclama não gostar da vovó (sempre ela), ao que ouve da mãe “então come só as batatas”. Ok, fica mais engraçado contado ao vivo.

Por fim, ainda temos os inesquecíveis dizeres ginasiais, do tipo “vixi, vixi, vixi”; “se eu fosse você, cuspia no chão e saía nadando” e “olha a ficha”. Estes transbordam infâmia, assim como as piadas de “você é bobo ou...”.

Tal frase era completa com toda sorte de situações bisonhas, cujo ponto era provar que... você é bobo. Assim: “você é bobo ou paga ônibus com cheque?” ou “você é bobo ou enxuga gelo?”. Eu gostaria de saber quem foi a criatura que inventou essa série. Precisa ter muita infâmia correndo nas veias para isso. Vai ver foram os descendentes de Tiradentes.

Tá, eu sei... essa foi infame.


Clara McFly às 06:15 PM


Eu vou, eu vou!

Já diziam os homens de muito antigamente: esse negócio de ficar lendo demais e assistindo televisão bota idéia na cabeça das pessoas! Eles falam isso por achar um horror “gente com muita idéia”. Eu acho delicioso apinhar a cabeça de sonhos – de preferência, até eles ficarem em número tão imenso que comecem a sair pelas orelhas e ganhem a realidade. Tenho vários desses, de tanto buscar informações. Cinco deles, pode-se dizer, são até meio radicais.

Já ficou claro para quem acompanha este site mezzo rosado há tempos: nenhuma garota aqui tem grande intimidade com esportes ou aventuras muito loucas da pesada. E como somos incoerentes também, no momento temos duas sonhando com certas atividades desse calibre e outra realizando a empreitada de fato – “Ushuaia é Logo ali”, mas a Terra do Fogo nunca mais será a mesma depois da passagem de Vivi por lá...

E apesar de raramente ter embarcado em expedições do gênero, tenho sonhos relacionados com isso – ok: eu já fiz rafting, já explorei cavernas no Vale do Ribeira, já fiz bóia-cross num rio nervoso, já viajei de carro de Bariloche a Buenos Aires, mas foi só. Não são tão radicais nem tão comuns. Mas tenho certeza que, se um dia conseguir fazer o que segue abaixo, vou contar aos netos com prazer.

Eu um dia vou, ah se vou...

...Subir até Macchu Picchu
De preferência, pela Trilha Inca. Tá legal: trata-se de um passeio englobando dias e dias de caminhada e eu reclamo de circular em shopping por escada rolante... Mas com aquele visual disponível, quem ligará para joelhos doendo? Vou ter mil dúvidas até decidir fazer o trajeto longo ou o curto, para turistas, e desembocar direto na cidadela ancestral. Se decidir pelo mais difícil, ficarei orgulhosa de mim mesma. E vou chorar ao me aproximar do teto do mundo.

...Saltar de pára-quedas
Esta vontade remonta aos tempos de criança. Já cheguei a investigar preços e contabilizar riscos. Tenho certeza de que não haverá problema e eu vou me divertir loucamente – será daquelas lembranças capazes de fazer a gente rir de nervoso mesmo anos depois! Frio na barriga? Nem me importo: tenho um pouco de medo de altura, mas a sensação de voar como passarinho supera qualquer tipo de frescurite.

...Ver uma pingüineira
Assim que Viviana botar os pés miúdos de volta no Brasil, vou tomá-la de assalto para ver as fotos da viagem pela Patagônia. O alvo principal: pingüins. Sou simplesmente alucinada pelas criaturinhas vestidas de garçom! Queria ter um de verdade morando na sacada aqui de casa! Não pode, né? Então eu faço questão de ver os pequeninos em seu ambiente natural, em bando enorme, escorregando de barriga no gelo. Tem coisa mais poética?

...Mochilar até as Ilhas Faroe
Culpa do Amyr Klink, aquele safado... Foi escrever um livro e contar sobre este conjunto de ilhotas no extremo norte do globo, e não demorou um minuto pra eu decidir, um dia, vou ver as Ilhas verdinhas de perto. O site do lugar não sai dos Favoritos no computador e já resolvi que preciso ficar por lá pelo menos 15 dias. Pode não ser a estância mais popular do mundo, não ter lojinhas de bugiganga ou contar com hotéis de cadeia. Eu preciso aportar em Faroe. Logo.

...Dar um mosh
Tudo bem, isto não tem absolutamente nada a ver com o restante das idéias radicais. Por outro lado, a chance de acontecer deve ser a menor de todas, visto que eu não sou rockstar. O problema é: são anos e anos vendo pessoas saltarem do palco e serem carregadas pela multidão – e isso me deixa morta de inveja. Nem a possibilidade de entrar em Roma depois de conquistar meio continente e ser ovacionada pela população me faria sentir mais feliz. Logo vou aprender a tocar guitarra. Quem sabe um dia, então, eu possa arremessar esse corpinho sobre a legião lá embaixo. E ser pega por eles, claro, senão não quero...

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Eu teria coragem? Ô!
Fla Wonka às 03:44 PM


O fim do mundo é aqui

Boletim Ushuaia #2

Na próxima vez que alguém disser que tal lugar parece o fim do mundo, a expressão terá um significado completamente diferente para mim. Porque não há outro canto no nosso continente mais extremo do que Ushuaia, onde estou agora.

Seguindo mais ao sul desta pequena cidade nevada às margens do canal de Beagle e rodeada por majestosas montanhas só existem algumas bases na Antártida. O fim do mundo é aqui. E os locais têm o maior orgulho disso.

Todas as camisetas, canecas, bonés e outros souvenires possuem esse fato estampado em letras garrafais. Para o meu espanto, Ushuaia é muito turístico. Na verdade, quando saímos de São Paulo para chegar até aqui a bordo de um carro, não tinha muita idéia do que iria encontrar. E digo com alegria: valeu cada minuto.

Para começar, está nevando - o que já é uma atração para qualquer brasileiro não familiarizado com os flocos brancos caindo suavemente e o tempo todo. Já havia visto a neve algumas vezes, mas isso não me impede de ficar como uma criança: de boca aberta para chupar gelinho, com as mãos estendidas para ver os flocos, correndo como tonta para fazer o maior número de pegadas no campo. Hoje eu esculpi até um boneco de neve, o primeiro da minha vida (ele tinha apenas 30 centímetros de altura, mas quem estava contando?).

Desde a semana passada, nossa expedição tomou um novo rumo. E um rumo deveras emocionante, devo dizer. Antes de chegar até aqui, por exemplo, eu realizei um dos meus maiores sonhos: ver uma baleia de perto. Acabei vendo dezenas delas - machos, fêmeas e bebês. Algumas pularam, outras mostraram a cauda e deram uma borrifada. E eu feliz da vida.

Veja bem: sou uma pessoa de estômago muito chato. Tenho inveja grossa daquelas pessoas com entranhas de caminhoneiro, que conseguem comer uma feijoada completa e depois ir na montanha-russa numa boa. Eu não sou assim. Eu enjoôo em estacionamento de shopping. Portanto, a idéia de entrar em um bote a caminho do alto-mar, sendo levado pelas ondas que o vento forte estava fazendo, me assustava.

Mas tínhamos ido até Puerto Piramides só para ver as tais baleias. E o sonho, como fica? Deixei meu estômago para lá e fui. Quando o primeiro bichão colocou a cabeça para fora e nos olhou, agradeci por não ter dado uma de fresca. Tudo bem que o passeio demorou e que, depois de alguns minutos, eu estava quase pulando na água e voltando sozinha para a terra firme. Tudo bem também que eu fiquei péssima nos dias seguintes e não consegui comer muita coisa até hoje.

Pois agora, além de dizer por aí que estive no fim do mundo, posso gritar: EU VI UMA BALEIA! Quantos de nós somos tão sortudos?

austral-whale.jpg
Meninos, eu vi!
Vivi Griswold às 10:44 AM

quinta-feira, 23 de setembro de 2004

Diz-me o que comes...

Como eu disse, adoro cozinhar. Também como já atestei por aí, leio toda sorte de coisas que me caem às mãos – de rótulo de xampu a bula de remédio, passando por placas de rua, manuais de instrução e, eventualmente, alguns livros. Munida dessas duas características, acabei topando com uma descoberta impressionante: não tem côco na maria-mole! Pelo menos não naquelas de caixinha, embora a embalagem estampe um selo nada discreto que diz “Sabor Côco”.

Depois dessa, passei a incluir no meu menu de leituras as embalagens de comestíveis. O fato me atormentou. É como se o tang laranja não tivesse... laranja. Peraí. É capaz mesmo que não tenha. Afinal, o sabor daquele refresco é uma delícia, mas não me lembra nem de longe a fruta cítrica da qual diz ser feito. É como a esfiha de queijo do Habib’s – muito boa, mas vamos admitir: aquilo não pode ser queijo. É verde, por Deus!

Para minha surpresa, notei que, se por um lado o pó para preparo de maria-mole não se dignou a ter uma raspinha sequer de côco, outros produtos contam com ingredientes inimagináveis – coisas que vão do poético ao enigmático, passando pelo que eu classifico, mui humildemente, de enrolação. Haja nutricionista para explicar...

Aroma idêntico ao natural de morango
Categoria: de medo
Está presente num certo queijinho petit suisse que virou sinônimo do produto. Pensem comigo: se é idêntico ao natural, ora bolas, só pode ser O natural! Mas desconfio que não seja. Senão, a tampinha metálica por certo estamparia “Aroma natural de morango”. Esse “idêntico ao” me incomoda. Deve ser um negócio tão artificial que chegou ao ponto de ficar igual ao natural. Cruzes.

Aroma de fumaça
Categoria: cômico
Garantiu-me um amigo, padrinho e mago-da-internet que o tal ingrediente, componente do “molho churrasco” que acompanha pedacinhos de frango fast-food, foi um erro de tradução. O produto seria, na verdade, smoked - ou seja, defumado. Ainda assim, choro de rir toda vez que topo com o enunciado, todo sério, de que o molho contém “aroma de fumaça”. É, a cidade de São Paulo também!

Açúcar invertido
Categoria: mistééério
Este figura em bolachas (ou biscoitos, para os leitores de outros estados) em geral. Ainda não descobri o que diabos seria. Todo mundo a quem pergunto me diz, candidamente, que o açúcar invertido só pode ser... sal. Acho que não. Senão a lista de ingredientes traria simplesmente “sal” em vez dessa firula toda. Uma pesquisa rápida esclareceu o enigma: açúcar invertido é... ah, clique aqui e entenda por si só.

DNA vegetal
Categoria: me-enganaram
O xampu que diz conter isso é bom – e falo por experiência própria. Não há nada que desabone o produto, mas que história é essa de DNA vegetal? Tanto uma babosa – que minha avó plantava no fundo do quintal e passava no meu cabelo muito antes dela ficar chique e passar a se chamar aloe vera – quanto uma alface tem DNA vegetal. Então, se adicionarem à fórmula um tequinho de alface – ou chicória, ou vagem, ou alcachofra – pode-se dizer que o danado do xampu tem o tal DNA. Quero exame no Ratinho.

Corante amarelo crepúsculo
Categoria: poético
Sabe aquelas coisas que surgem não sei de onde, aparecem não sei como e ficam na sua casa não sei porquê – e não estou falando do amor definido por Camões? Pois apareceu uma gelatina de abacaxi aqui em casa. Eu jamais compraria uma gelatina com o auto-explicativo sabor de abacaxi. Mas a caixinha ganhou pontos quando li que o pó contém o corante de nome bonito descrito aí em cima. Acho que até engulo o abacaxi, só para comer uma coisa de cor tão lírica.

abacaxi jpeg.JPG
Se você olhar bem de perto,
quem sabe dá para ver o crepúsculo
Clara McFly às 06:44 PM


Muito pouco

Ando com perguntas saindo pelas orelhas... De repente, tudo parece motivo de questionamento. Será que estamos no caminho certo? De onde viemos? Para onde vamos? Por que algumas mulheres fazem reflexo no cabelo? Não sei dar resposta para quase nada. Mas uma questão freqüente do momento, acho que consegui dissecar. O que a gente precisa para ser feliz? É pouco, muito pouco.

Nessa semana passei raiva porque o carro quebrou, o calor está no ponto senegalês de novo, bati o joelho no box do chuveiro e ganhei um hematoma do tamanho do Pará. Fiquei aborrecida com o trabalho em excesso, com o incêndio que exterminou a loja de um pobre vizinho, em saber dos malditos racistas presentes no Orkut. E daí pensei: “que tristeza”. Mas, sabe? Nada disso é motivo para arrancar a felicidade aqui do coração.

Atentem para a foto abaixo:

Fla82.jpg

Essa sou eu aos 7 anos. Naqueles idos de 1982, tudo era uma festa. A segunda série era bico, eu tinha uma amiga-fiel-irmã-camarada e dividir o quarto com a minha irmã causava mais riso que choro. Andava descalça desde o fim da aula até dormir. E por volta de junho ganhei o Floco, essa coisa fofa aboletada nos meus braços.

As imensas preocupações da minha tenra vida eram estas: como enfrentar a prova de ciências; se o menino de quem eu gostava tinha percebido isso; o que pedir no Natal.

Meus tesouros resumiam-se a: um Aquaplay do pescador; uma boneca de pano, a famosa Cezona; uma Suzi noiva; um par de tênis Bubblegummers; cerca de 40 Playmobils; uma máquina fotográfica Love.

O dia passava da seguinte maneira: ia pra escola às 7h00 e “estudava” até 12h40. Voava pra casa no ônibus do Tio Abílio e comia a gororoba disponível – em geral, a deliciosa formação arroz-feijão-bife-salada. Assistia o Chaves, ia pra rua encontrar a molecada e ficava lá na praça até 17h30. Voltava pra casa, me divertia com o fim do Daniel Azulay e a Turma do Lambe-Lambe e ia tomar banho. Jantava, via novela e tocava para a cama, dormir.

Eu era muito feliz em 1982. Por que? Porque nada era complicado! Não precisava de carro, circulava a pé ou de bicicleta por todo o meu grande Universo. O calor era legal pra tomar banho de mangueira, o trabalho de fazer lição era engolido em questão de duas horas, eu não conhecia gente mesquinha ou malvada – e se conhecesse, não identificava desse jeito.

Tudo bem, não é possível esquecer 100% das obrigações e ignorar um rombo no banco ou uma briga feia com o namorado. Mas dá para equilibrar, colocando o peso correto em cima de cada invertida do destino. Ter uma doença incurável é terrível. Bater o joelho e ganhar um hematoma é hilário! Ainda mais tendo percebido que ele se parece com uma joaninha. Melhor encarar as chateações como se tivéssemos 7 anos. Era mais fácil naquele tempo.

Espero que as crianças de agora sejam felizes também. Não ter roupa de grife ou um videogame poderoso aparenta ser um problemão hoje em dia, mas não devia. Aliás, acho que nem só os pequeninos precisam desapegar e ficar contentes com pouco.

Há muita gente grande merecendo um sorvete escorrendo pelo braço, um dia de preguiça na frente da tv, uma gargalhada besta e sem motivo daquelas que fazem doer a barriga. É pouco, não é? Mas é a resposta mais simples, eu acho.

Fla Wonka às 02:19 PM


Abre! Abre! Abre!

“Querido Silvio Santos. Espero que o senhor escolha a minha cartinha no meio das outras. Gostaria de pedir uma casa pré-fabricada para o sítio do meu avô. Ele não tem dinheiro para comprar uma. Muito obrigada”. Eu devia ter uns 12 anos quando escrevi essa mensagem em um papel de carta, enfiei-a em um envelope e coloquei-a no correio. O destino? O SBT. Sim, eu tentei a sorte para participar do programa “Porta da Esperança” – e me orgulho disso!

Está bem, o orgulho não é tanto assim. Mas que diabos, o Garotas me faz confessar cada coisa! De qualquer maneira, eu era uma menina bem-intencionada. Enchi a carta dizendo que meu avô era deficiente, pobre, diabético e muito, muito idoso – tudo mentirinha para amolecer o coração de Sílvio Santos. Como se fosse o Patrão em si que lesse todo aquele bando de correspondência! Apesar de treinar todas as caras de criança carente, não fui escolhida. Droga (ou ainda bem?).

No fundo, o objetivo maior era pisar no palco daquele programa que eu simplesmente adorava! Hoje ajudar os mais necessitados virou coqueluche na tevê: a Xuxa o faz, assim como o Gugu, o Sérgio Mallandro, o João Kleber, o Netinho, a Márcia... Naquela época, porém, “Porta da Esperança” era o único de sua espécie. O primeiro exemplar foi ao ar em 30 de dezembro de 1984 e chegou a ser exibido até 1997, porém não de forma ininterrupta.

O dominical começava lá pelas 17 horas, logo depois de Jesus falar. Ele (com “E” maiúsculo) aparecia em uma vinheta antecipando a emoção de “Porta da Esperança” e dizendo assim: “Paz, amor, fé, esperança, luz e união não são apenas palavras. Você tem certeza de que fez tudo o que podia pelo seu semelhante? Pense bem, pois um dia vamos nos encontrar. E eu gostaria muito de chamá-lo de meu filho”. Eu morria de medo.

Em seguida, sêo Silvio, no auge do sorriso, aparecia no palco principal. Ao fundo, uma porta gigante, parecida com a do Castelo de Greyskull, cheia de luzes em volta como espelhos de camarim. Num palquinho à esquerda da tela, um microfone esperava receber os desejos dos participantes da semana. O apresentador chamava a primeira vítima e lhe perguntava “o que você quer ganhar?”.

Daí a mulher respondia: “Ah, Silvio, eu queria uma cadeira de rodas para a minha mãe, que sofre do sistema nervoso, das úlcera, tem as perna cheia de variz e as vista cansada”. E então contava toda a história triste da mamãezinha (que aparecia no auditório chorando de tempos em tempos). Silvio se compadecia e falava, “quem sabe a nossa produção não encontrou alguém para doar a cadeira?”. E, em seguida, o momento máximo: “VAMOS ABRIR A PORTA DA ESPERANÇA!”.

Se ninguém aparecesse, o desejo não era realizado, e Silvio Santos falava que “a produção continuaria tentando”. Ô, enganação! Mas, se tivesse um tiozinho parado lá no meio, era porque o sonho havia sido atendido. No caso, a mulher descia até lá e, em prantos, se atracava com o encabulado representante da empresa, enquanto o Roque ia buscar a mãe da participante na platéia. Ao explicar todas as maravilhas da cadeira de rodas, era exibido um filminho sobre a firma benevolente.

Terminada a meia hora de pura emoção, outro clássico chegava: a “A Semana do Presidente”, onde Lombardi narrava tudo o que nosso comandante andava fazendo – quando eu era fã de “Porta da Esperança”, o hómi da vez era José Sarney.

Bons tempos aqueles, viu? Ah, não estou me referindo ao Sarney, é claro.

Vivi Griswold às 10:49 AM

quarta-feira, 22 de setembro de 2004

Uma garota e tantos bichos

Vivi, minha querida companheira que está um pouco longe nesse momento, ama bichinhos. De toda sorte. Ao cúmulo de, quando pequena, ter aparecido em casa com um ratinho de rua para criar. Claro que a relação com o roedor durou bem pouco – só até a mãe dela acabar com a brincadeira da ingênua criança. Já eu tenho de confessar: não sou provida desse espírito de São Francisco.

Não que eu amarre latas no rabo dos cachorros (aliás, isso só acontece em gibis. Eu nunca vi um cão com latas amarradas no rabo na vida real), chute gatinhos ou queira mais é que as baleias encalhem mesmo. Gosto de animais, como bem definiu o orkut, nos zoológicos – ou na casa dos outros. Tenho respeito por eles. Abomino crueldade contra animais e sinto o coração apertado quando vejo um cãozinho magro e abandonado, na rua. Só não tenho tino para cuidar deles, acho.

No universo dos animais selvagens, por exemplo, não me peça para passar a mão num elefante ou numa foca. Não sou muito chegada a esses contatos com peles paquidérmicas ou aparentemente escorregadias. Já no campo das criaturinhas de Deus domésticas, não dou muito certo com bichos sob o mesmo teto – embora já tenha tentado muitas vezes. Eu sempre caio na ilusão de que seria legal ter um bichinho. E me dou mal com a mesma freqüência, entre papagaios irados, cães tomados por ovelhas e gatos envolvidos num imbróglio de identidade sexual.

Pita, o papagaio
Chegada: Por volta de 1985.
Partida: Ele foi encontrar seu criador e se juntou ao coro invisível em 1992.
Onde foi parar: Sete palmos abaixo da terra no jardim dos fundos de minha antiga casa.
Entrementes... Pita era uma ave completamente revoltada. Ele foi muito doente quando era pequeno, talvez por isso tenha ficado traumatizado. Atacava qualquer criatura que enfiasse a mão na gaiola, para trocar as sementes de girassol, e se negava a repetir qualquer palavra.
Legado: Dois dias de choro quando ele morreu e uma das penas guardada até hoje, numa caixinha.

Minsk, o gato
Chegada: Por volta de 1988 ou 1989.
Partida: Poucas semanas depois, para a casa de uma vizinha.
Entrementes... Acolhemos o felino em casa com as bênçãos de minha mãe. Quando ela ficou sabendo que eu dava generosas tiras de bacon para o gato, mudou de idéia. Quando eu vi o bichinho comendo uma lagartixa, fiquei enjoada e concordei com a mamãe.
Legado: Algum tipo de alergia, que se alastrou pela família quase inteira.

Remon, o sheepdog
Chegada: 1988.
Partida: 1989, para a casa de uma conhecida que já tinha outros cães.
Entrementes... Levamos o Remon para casa, já batizado com esse nome afrescalhado, dentro de uma cestinha minúscula. Em poucos meses, não era mais a gente que saía com o cão para passear. Era ele quem saía com a gente. As crianças perguntavam na rua: “é uma ovelha?”.
Legado: Na fita do nascimento da minha prima, que aconteceu na minha casa de então, apareço com a cara arranhada (e coberta com hipoglós). Foi o Remon, que não tinha a menor noção da própria força.

Sophia, a gata – ou não
Chegada: 1997.
Partida: 1997, para o mundo dos gatos pobres, porém livres.
Entrementes... Pegamos a criaturinha ainda bebê, na casa de um amigo. Juramos que era uma gata e batizamos de Sophia. Na primeira ida ao veterinário, a surpresa: era um macho! Não demorou muito para que uma gatinha preta aparecesse toda noite no quintal, para fazer companhia a... er, Sophia. E ele/ela/it, traumatizado com a graça errada, caiu no mundo com sua nova amiga.
Legado: Uma história boa para contar, de um gato fugitivo confuso sobre sua identidade sexual. Um tanto de saudades também – e isso vale para os legados de todos os meus bichos.

Clara McFly às 06:14 PM


Realidade pra que te quero

Um, dois, três e... já. Arma-se um cenário de residência comum, escolhe-se 12 bobos dispostos a brincar de cobaia, faz-se uma tremenda campanha de mídia, ganha-se um recorde de audiência no último episódio. Assim são montados os reality shows. Sinceramente? Quando o primeiro apareceu por aqui, na forma de “No Limite”, achei o maior barato. Depois vieram o enlatado “Big Brother”, a hilária “Casa dos Artistas” e a coisa foi ficando chatinha. Agora, parece, os programas de realidade voltaram a pescar minha atenção curiosa, intrometida e muito sem noção.

De novo estou viciada em um programa dessa cepa. Pior: é apresentado por um magnata safado e usuário de peruca. Donald Trump tinha essa imagem na minha cabeça desde sempre. Hoje penso assim: é magnata, é safado e é peruquento. Mas entrou para a categoria Mestre dos Magos com o reality show “O Aprendiz”. Ele fala como o senhor Myiagi com seus empregados!

Na atração, apresentada no glorioso People+Arts, Donald rege o destino de vários jovens carreiristas. Formam-se equipes e eles disputam provas relacionadas com o mundo dos negócios. Quem mostra qualidades ruins, é demitido. Quem vai bem, fica para concorrer a uma vaga de emprego na corporação. É como uma dinâmica de grupo que leva vários dias pra acabar. Doideira! Mas eu acho chocante avaliar como as pessoas se mostram mesquinhas e puxadoras de tapete ao disputar um mísero trabalho...

O bom é que, no jogo de Trump, não tem uma soma sem graça de dinheiro em disputa. É muito aborrecido e maçante quando a coisa vira assim, para o lado de “ser mercenário”. Bom é ganhar um prêmio valioso, mas temático.

O mesmo People+Arts já anunciou a chegada próxima de um novo show. Chama-se “Fashion House”. Nele, a casa inventada é localizada... em Roma! Os convidados são estilistas em começo de carreira que jogarão dentro do assunto moda. Quem levar a melhor, no final, ganha um emprego na Gucci, a famosa marca de vestuário italiana. Demais, não? Imagina a emoção de quem lida com o metiêr em ir realizar o sonho da vida! Muito melhor do que levar uma bolada em cheque, eu penso.

O mesmo sentimento devem ter os participantes de um vindouro programa lançado pelo canal a cabo Animal Planet. O canal bacana, infelizmente, tem um site podre – e por isso não consegui localizar o nome exato da atração. Mas, segundo a propaganda, funcionará assim: moças e rapazes especialistas em biológicas (oceanografia, biologia, veterinária, etc.) irão para o meio da selva viver e cumprir provas arrojadas.

Quem se mostrar mais resistente – e, óbvio, capaz de comer bigatos, dormir na chuva e apanhar crocodilo na unha –, vence. O prêmio? A chance de apresentar um programa só seu, educativo e sobre animais e plantas, no próprio canal. Além de ser um “troféu” incrível, ainda é a maneira perfeita de escolher um hostess com pré-requisitos, e não apenas um modelo para abrilhantar o local.

Enquanto espero por esses que virão, vou me divertindo com a briga de foice na caixa-forte de Donald Trump e com outro programa do P+A. O dito cujo foi batizado como “Troca de Esposas”. Parece documentário sobre swingue, mas não é, não. Acontece assim: duas mulheres inglesas vão morar uma na casa da outra por 10 dias.

Em geral, o negócio é misturar estilos. A moça que trabalha fora e tem só um bebê vai viver numa casa suburbana apinhada de crianças e com serviços de casa bem Mirtes a cumprir. Vira um deus nos acuda... Ninguém acostuma! E olha que, na segunda metade da jornada, elas podem inverter as regras da residência e aplicar suas próprias idéias. Mesmo assim, dá pau.

Na minha opinião, “Troca de Esposas” foi inventado por algum produtor do sexo macho que se diverte horrivelmente subjugando mulheres e fazendo as mesmas enlouquecerem. Ainda assim, adoro – porque mostra reações realistas sobre as pessoas, e não maneirismos ensaiados para ganhar público votante e ganhar verdinhas.

No programa, aliás, nem existe prêmio, só cachê de participação. Para o espectador, essa é a melhor forma de notar o comportamento de uma dúzia de malucões em recinto lacrado. Três, dois, um... Já! que comece a experiência!

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Pedro Bial é bom... Mas Seo Trump mata a pau!
Fla Wonka às 02:27 PM


Úteis, mas fúteis

Você já parou para pensar quantos utensílios a nossa era transformou em itens de primeira necessidade? Eu já. Imagino como viviam as pessoas na Idade Média: sem televisão, chuveiro elétrico, carro, máquina de lavar, telefone. Sinceramente, não sei – só sei que conseguiam seguir em frente (não por muito tempo, porém). Apesar de admitirmos que o ser humano consegue viver livre de todas as comodidades, não podemos negar que a vida ficou mais fácil – ou mais agradável – com as invenções modernas.

Hoje em dia, dependo muito do computador. Eu me formei jornalista em pleno boom da Internet no Brasil e não sei como conseguiria fazer o que faço sem essa máquina barulhenta me conectando com o mundo sem me tirar da cadeira. Recebo pautas de matéria pelo e-mail, pesquiso informações em sites, procuro o contato de entrevistados em sistemas de busca e entrego a matéria pronta por e-mail. Sem contar o Garotas, que está aqui graças ao maravilhoso aparelho.

Nem tudo o que é novidade, porém, carrega o status de necessidade. Por exemplo: não vivemos sem computador, mas viveríamos sem um monitor de tela plana e cristal líquido. Certo? Bem, eu não tenho um exemplar desse enfeitando minha mesa de trabalho. Mas tenho outros objetos fúteis sem os quais eu até viveria – mas que fazem meu cotidiano mais feliz.

Controle remoto
Quando eu era pequena, precisava me levantar e ir até uma gigantesca e idosa televisão Mitsubishi para trocar de canais, e nunca me lembro de ter reclamado. Tudo bem que naquela época eu tinha apenas três canais favoritos e hoje tenho uns 30 – olha aí a TV por assinatura, outra comodidade fútil. Agora, não dá para imaginar não ter em mãos os retângulos que zapeiam pelas emissoras.

Creme para pentear
Só comecei a ligar para o meu cabelo já adolescente. Antes disso, tanto fazia se lavasse as madeixas com xampu ou com sabão em pó. Hoje em dia tenho crises de abstinência se eu vejo que meu creme para pentear – veja bem, não é condicionador! – está para terminar. Não que ele faça alguma diferença em meus parcos fios. Mesmo assim, já criei o hábito e não me separo dele!

Formato mp3
Antes tínhamos de nos contentar com as rádios ruins e os CDs caros. Graças ao mp3 (e também aos programas de compartilhamento de músicas), podemos baixar a faixa mais recente de nossa banda favorita ou o tema de abertura daquele programa extinto há muito tempo. Aposto que as gravadoras discordam, mas a novidade melhorou nossa vida, além de levantar outras questões importantes.

Ar condicionado
Felizmente, vivemos em uma época em que não precisamos aparecer em público completamente cobertos. Não que seja adepta ao micro-short e à mini-blusa. Longe disso! Só me alegro de saber que não preciso usar vestidos de sete saias, saiotes e espartilho. Mas a liberdade, de repente, não bastou: precisamos instalar esses aparelhos para não morrer de calor em ambientes populosos e fechados.

Mouse sem fio
Frescurite aguda? Então tente dividir o computador com um canhoto, ou vice-versa. Destra que sou, toda vez que precisava usar a máquina depois do namorido tinha de fazer o fio do aparelhinho dar toda a volta por trás do monitor, com cuidado para não derrubar nada no caminho. O mouse sem fio melhorou bastante o nosso problema – que não era lá um problemão, mas uma pedrinha no sapato.

Celular
Tem gente que não consegue viver sem o telefone móvel. Já vi estudos mostrando que pessoas se sentem mais confortáveis com o aparelho do lado, como se estivesse com um membro da família o tempo todo. Não chego a ser paranóica assim, mas gosto de ter uma possibilidade de contato rápido caso precise. E, hoje em dia, não se pode mais contar com orelhões em cidades cheias de vândalos.

Wonderbra
Minha invenção fútil favorita. E não apenas minha, hein? O Wonderbra é um sutiã que promete fazer o que o implante de silicone faz, mas sem cortes ou procedimentos cirúrgicos. Também não custa o preço de uma plástica – mas também está longe de ser “em conta”. Ainda assim, o malandro faz milagres. Eu viveria sem meu exemplar? Claro que sim! Mas se o universo lhe dá limões... No caso, melões... Uai, aproveite!

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Levanta até defunto
Vivi Griswold às 10:38 AM

terça-feira, 21 de setembro de 2004

Parece que foi ontem

Se o calendário marcasse ainda o ano de 2003, ontem eu estaria me mudando oficialmente para a primeira casa montada por mim – claro, ao lado do rapaz que, também oficialmente, estaria passando para o time dos “casados” no futebol semanal.

Há um ano e um dia mudei de endereço e de estado civil. Quando cruzamos a porta naquela noite, eu tinha alguma idéia do que era viver sob o mesmo teto. Mas não imaginei que fosse ainda melhor do que pensava. Basicamente, por duas razões: a casa e o caso.

Ser dona da sua própria casa é bom demais da conta. Especialmente para alguém como eu, dada a essas coisinhas corriqueiras do tipo cozinhar – como eu disse aqui; cuidar de plantas – como o pé de manjericão e o de pimenta que plantamos há meses e agora fornecem temperos para nossos pratos; definir se vai botar um vaso aqui ou ali – como a orquídea que ganhei da mamãe.

Outro prazer é inventar modas para decorar nosso endereço – como a mesa do escritório sobre a qual me apóio agora, criada com dois cavaletes e uma tábua enorme. Nela, repousa uma colagem de fotos, recortes, tíquetes de cinema, shows e partidas de futebol. Meu novo (mas nem tanto) lar-doce-lar tem também a parede da memória, onde afixamos fotos dos avós, pais e irmãos que nos fizeram ser quem somos hoje.

O caso é outra parte da alegria de estar casada. Completei bodas de papel (eu acho cômica a seqüência das tais bodas) ontem, mas conheço esse garoto há nove anos. Já sabia muito bem, portanto, em que buraco eu estava me metendo ao dizer “sim” para o moçoilo. Mas ele ainda me surpreende.

Isso porque ele é sério, mas engraçado. Esquentado às vezes, mas extremamente simpático sempre. Absolutamente sincero e comprometido com as coisas que faz. Chatíssimo, quando insiste em guardar as meias sujas dentro dos sapatos, deixar a gasolina do carro na reserva ou se negar a jogar no lixo coisas que estão na geladeira há um tempo respeitável. Objetivo, como eu preciso que alguém seja – já que sou o oposto complementar dele nessa parte. E, acima de tudo, corajoso. Muito corajoso.

Ah, sim! Ele também ri das minhas piadas e é bobo às vezes, como convém a qualquer pessoa do bem ser. Outro dia mesmo estávamos no sofá assistindo a um documentário sobre mágica, quando apareceu o famoso truque de serrar uma mulher ao meio. Perguntei: “como diabos será que eles fazem isso?”. E ele, deslavadamente: “bom, a mulher entra ali, eles serram e, depois, jogam a vítima no lixo, em dois sacos separados, um para cada parte”.

Parece que foi ontem que eu decidi levar a vida, até onde der, ao lado desse cara. E por essas e outras, não me arrependo.

Clara McFly às 07:30 PM


Dê um tempo ao Sr. S

A bola da vez na pichação cinematográfica é “A Vila”. Tem ao menos três semanas que escuto falar mal do filme, com adjetivos indo de “estúpido” à “enganação”. Isso tudo num tempo em que está em cartaz a pataquada de nome “Alien vs. Predador”! Querem me convencer que o duelo gosmento entre as bestas é mais legal do que o filme de M. Night Shyamalan... Não, não. Fui ver a história do vilarejo e pasmem: é bom, sim!

Acho que entendi o problema com a produção depois de ter assistido. Não é mal feita, não é ruim, tem bom roteiro e excelente técnica. O caso é: trata-se de mais um filme do indiano malucão. E, como agravante, foi vendido ao público me maneira bem safada.

Esqueça aquele trailer imbecil dizendo “não conte o final deste filme”. É gato! Até onde sei, gente normal não conta o final de nenhum filme, certo? A frase de (d)efeito está ali puramente para servir de isca. Daí muita gente vai ver acreditando tratar-se do mais espetacular desfecho da História e vem a decepção. Claro, ninguém gosta de ser tratado feito peixe burro enganado por uma minhoca de látex.

O final é interessante, não desconcertante. É curioso, não o maior cambal já aplicado numa platéia. Tendo isso em mente, fica mais fácil apreciar. Então, ponto superado, vamos ao outro problema.

M. Night Shyamalan é um rapaz de 34 anos nascido na Índia e criado desde pequeno nos arredores da Filadélfia, Estados Unidos. Seu laço forte com a cidade e a verve asiática para fundir o mundo dos vivos com o dos mortos deu a idéia para o primeiro grande sucesso nas telas. Eu passei bem mal em “O Sexto Sentido”, de 1999, mas adorei cada segundo.

É filme para rir, chorar, deixar o queixo cair, ter ataques de gritos – aquelas obras completas para qualquer pessoa afeita a aboletar o traseiro numa poltrona de cinema. Todo mundo amou, porque há muito tempo nenhuma peça hollywoodiana se aproximava tanto de Alfred Hitchcock. O suspense voltou a ser gênero de primeira necessidade e gente de todas as idades repetia “eu vejo gente morta” em piada de boteco.

Shyamalan “enricou”, ganhou prestígio e partiu para a próxima, em 2000. Tratava-se de “Corpo Fechado”. Todo mundo foi ver e decepcionou. Não tinha o final acachapante do outro filme, que horror! Mas, de novo, eu gostei... Bruce Willis era ou não um homem com superpoderes? Achei genial o tratamento de HQ levado daquela maneira. Mas não era “O Sexto Sentido”, então enxovalharam.

Dois anos depois os trailers começaram a mostrar a nova obra de M. Night. Chamava-se “Sinais” e mostrava os círculos feitos em plantações, aqueles picados por criativos ETs. Causou frisson de novo, foi aquela expectativa... e todo mundo odiou. Saco, eu gostei mais uma vez! É praga?

Só pude confessar ter gostado de “Sinais” falando baixinho, “meio de lado, já saindo, indo embora...” E fico sem entender, até hoje, o que esperavam do filme ou o que acharam faltar nele. Disseram que os alienígenas se pareciam com o Aquaman. Pessoalmente, eu achei ótima a mistura de “Inimigo Meu” com “O Monstro do Pântano”. E, pelamordedeus, quem pode ter certeza sobre a aparência de um ET??

Tudo bem que o indiano apela um pouco ao sentimentalismo. Mas cinema não é para isso também? Li esta semana, em uma revista, que “O Terminal”, de Steven Spielberg, era “piegas”. Parece que vivemos em um tempo onde é proibido ser bobo, romântico, inocente e desprovido de armas. Até no cinema.

Pensando em tudo isso, fui ver o novo de Shyamalan, “A Vila”, desprovida de preconceitos – e de pura birra, porque quando a “Folha de São Paulo” diz que é ruim, daí ganho mais vontade. O ponto grave é: dizem que o diretor chupou a idéia de um livro infantil publicado pela escritora Margaret Haddix. Se foi isso mesmo ou não, ainda não está provado. Mas o filme saiu bom, poxa... Eu fiquei com medo “daqueles-que-não-falamos-o-nome”.

Vou defender Shyamalan dos maledicentes, sim. Cineasta que prega susto tão bem não pode ser enganador. Podem pichar à vontade.

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O da direita é diretor do bom
Fla Wonka às 02:07 PM


Pipoca com lágrimas

A saga da pipoca continua! Desta vez, prepare sua caixa de lenços de papel, pois haverá muita doença, maldade, separação, morte, injustiça, guerra... Todos os artifícios mais usados por Hollywood para alcançar o objetivo esperado: fazer o telespectador chorar. Eu, manteiga derretida na chapa quente que sou, não tenho o mínimo pudor de confessar que sim, derrubo lágrimas no cinema.

E olha que a produção nem precisa se encaixar no gênero Drama ou exibir um cachorrinho sendo maltratado. Eu me emociono facilmente – e daí a verter água dos olhos é um pulinho. Por exemplo, chorei pra valer em “De Volta Para o Futuro 3”, quando o DeLorean foi destruído por um trem. Puxa, que coisa mais triste! Era o fim de uma era, entende?

Portanto, foi tarefa fácil escolher seis exemplares que me desidrataram, apesar de um monte ter ficado de fora. Deixo aqui então uma menção honrosa a “Bambi” e “Dumbo”, os desenhos animados mais malignos da face da Terra. Dito isso, é chegada a hora... Ah, e não vale engolir o choro, hein?

Sociedade dos Poetas Mortos
Na época em que foi lançado, eu e minhas amigas morríamos de amores por esse simpático filminho e pelo elenco repleto de meninos bonitos, logicamente. Por isso, perdi a conta que quantas vezes assisti à produção – só sei que chorava todas as vezes. Robin Williams me fez soluçar na pele de um professor que tenta injetar um pouco de criatividade e liberdade em um sisudo colégio para rapazes. A cena em que ele é expulso e todos os alunos começam a subir nas mesas é mesmo emocionante.
Lágrimas de 1 a 10: 6

Peixe Grande
O exemplar mais recente da minha lista – e, pensando bem, o último filme a me fazer disfarçar as lágrimas que teimavam em cair. É com certeza o título mais bonito e humano do genial Tim Burton, que consegue levar a comovente história até patamares desidratantes, porém sem descambar para a pieguice. Vale a pena falar na interpretação do queridinho Ewan McGregor, na fotografia lindíssima e no final que lançou diversos nós em minha garganta. Esse é um para comprar em DVD e rever sempre que puder.
Lágrimas de 1 a 10: 7

Filadélfia
Foi choque para mim, acostumada a ver Tom Hanks em produções como “Quero Ser Grande”, “Um Dia a Casa Cai” e “Splah, Uma Sereia em Minha Vida”, de repente me deparar com o ator magérrimo e encarnando um personagem super sofrido. Ele mereceu cada grama daquele homenzinho dourado que levou no ano de 1994. Foi um filme que me fez chorar durante a exibição e também depois. Mesmo em casa, continuei com os olhos vermelhos. A seqüência em que ele ouve ópera é uma obra-prima.
Lágrimas de 1 a 10: 8

E.T. – O Extraterrestre
Quando o vi pela primeira vez, chorei de medo. Na segunda e na terceira, porém, me debulhei em lágrimas com a historinha do pequeno alienígena preso no planeta Terra. Acho que é preciso ter alguns anos a mais para entender a cumplicidade que existia entre ele e Elliot. Na cena em que E.T. está morrendo e o menino se desespera gritando “Ele veio para mim!”, eu tenho convulsões. A água verte também na célebre cena da bicicleta, mas só porque é muito bom presenciar um dos melhores momentos do cinema.
Lágrimas de 1 a 10: 9

Dançando no Escuro
Esse filme deveria vir com uma tarja preta de “Cuidado! Pessoas choronas, mantenham a distância!”. Além de terrivelmente triste, a história de uma imigrante da Europa Oriental que está ficando cega, tem um filho no mesmo caminho e vai presa por ser acusada injustamente por roubar dinheiro do vizinho causa desconforto. A cantora Björk, que viveu o papel principal, disse que nunca mais vai atuar, pois a experiência foi muito traumática. Também... não dava para ter escolhido uma produção mais alegrinha não?
Lágrimas de 1 a 10: 10

Império do Sol
É a maior cebola descascada que meus olhos já viram, e eu deixo aqui minha opinião de que foi um absurdo Steven Spielberg não ter ganho um Oscar por esse filme. Que “Lista de Schindler” o quê! Nada consegue ser mais comovente do que a saga de Jim, um menino britânico, mimado e rico que vive com os pais na China. Quando os japoneses invadem o país por conta da Segunda Guerra, ele acaba se perdendo da família e vagando sozinho por anos a fio. Ao reencontrar a mãe, o rapazote nem a reconhece. Buáááá!
Lágrimas de 1 a 10: 11

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Não chore, menininho...
Vivi Griswold às 10:47 AM

segunda-feira, 20 de setembro de 2004

Alguém me explica?

De dois em dois anos, o povo brasileiro é conclamado a participar da grande festa democrática, escolhendo seus representantes para os cargos de prefeito, vereador, deputado, senador e presidente. Além da consolidação da democracia, do exercício da cidadania e todas essas bossas, a época de eleições também me faz refletir – e rir um bocado.

Tem uma porção de coisas que não entendo nas eleições. Elas vão das famigeradas pesquisas de opinião aos nomes bizarros de alguns candidatos. Claro que votar é algo para ser levado muito – mas muito mesmo – a sério. Quem acha que é piada acaba elegendo figuras como o Enéas, que agora me saca da tal “senhorita Cássia”. Ainda não ouvi a voz daquela mulher. E por que ele fica segurando a mão dela na propaganda? Cruzes.

Mas enfim. Será que sou só eu, ou alguém aí fora também não compreende a lista abaixo? Como pode...

... ter gente que acha legal emporcalhar a cidade?
Quando vejo aquele kombão soltando santinhos às centenas pela janela, trato de prestar atenção para NÃO votar no infeliz que acha ser essa uma boa tática de campanha. Vale o mesmo para aqueles cartazes mal-ajambrados, pendurados num poste atrás do outro. Como disse Flá Wonka, não tem um jeito melhor de fazer campanha, não?

... ter candidato que usurpa nomes de famosos?
Esses dias topei com material de campanha de uma certa Hebe. Tudo bem, pode haver mais de uma Hebe na face da Terra. Mas a dita-cuja usou uma tipologia igual à do logo do programa da Hebe – aquela que veio logo depois da grande explosão que originou o universo, e apresenta um talk-show no SBT. Sai da aba, dona Hebe! (Isso ficou parecendo a lição do “B” na cartilha).

... ter eleitor que deixa as pesquisas influenciarem seu voto?
Primeiro: nunca fui entrevistada numa pesquisa de intenção de voto, nem conheço ninguém que tenha sido. Elas devem ser muito qualitativas mesmo. Segundo: como pode haver resultados tão diferentes de um instituto para outro? Terceiro: se a margem de erro geralmente é de dois a três pontos percentuais, um candidato com 1% das intenções de voto pode estar devendo um ou dois pontos?

... ter quem vote no Maluf (fora ele mesmo e a Silvia)?
Começo a desconfiar que o Maluf não existe. Acho que ele é fruto do inconsciente coletivo, corporificado numa forma aparentemente humana. A campanha do cidadão fica mais bizarra a cada dia. Ele promete coisas tão absurdas que, hora dessas, vai dizer que fará aparecer uma casa e um emprego para cada morador de São Paulo, além de ressuscitar os entes queridos de cada um, com uma varinha de condão.

... ter alguém que espera ser levado a sério com o nome de Rôla?
Sabe do pior? O nome do cidadão, que foi candidato a deputado federal em Sergipe, é José Ribeiro! Ou seja, escolheu Rôla por conta própria. Não tem nem a desculpa do “mas esse é meu nome de batismo”. E o slogan da figura é o melhor: “A mudança é agora. Vote diferente, e rôla neles!”. Com exclamação e tudo. Acha que inventei? Olhaí.

rola
Rôla onde, meu filho?


Clara McFly às 07:50 PM


Os dias de romaria

Se hoje sou viciada em café, amo bolinho de chuva como à própria vida e me tornei afeita a um bom bate-papo, é tudo culpa das visitas. Visita na casa dos parentes, sabem? Pois então. Meu pai e minha mãe adoravam nos arrastar para esses eventos quando criança – principalmente eu, dona do cargo caçula-para-mostrar-aos-tios. Não que eu achasse ruim... Passar a casa dos outros em checagem era bastante divertido, eu confesso.

Era batata: raiava o sábado, meu pai levantava e fazia o desjejum. Eu acordava quase junto, porque naquela época de 6 ou 7 anos nosso relógio biológico assemelha-se ao das galinhas. Roupa trocada e dente escovado, era hora de sair para passear. Em geral, só havia dois destinos: a casa da vó Emília ou o Mercado Municipal de São Bernardo, onde comprávamos itens de extrema necessidade como massa para pastel e flores.

Mas o mais comum era passar rápido no mercado e seguir para a romaria familiar. Metade dos meus parentes mora na ajardinada e dormente São Caetano do Sul, o C do ABC. No mesmo bairro. Em duas ruas, mais precisamente. Visitá-los, por isso, era bem fácil.

Depois de pedir a bênção na vó, começava o pinga-pinga na residência dos demais. Na paralela, ficava a casa da Tia Mariquinha. Era uma construção tão grande que moravam ali alguns núcleos familiares, como em novela a la “Terra Nostra”. Era um lugar maluco: para chegar ao terceiro quarto, das minhas primas mais velhas, precisava passar por dentro de outros dois dormitórios. Gente de antigamente não conhecia o conceito de “corredor”.

Tia Mariquinha estava sempre com a televisão ligada na finada TVS e um bule de café no fogão. Ela me dava doce antes do almoço e deixava beber Tang! Era um comportamento padrão entre tias usuárias de pó-de-arroz, aventais culinários engraçados e calendários mostrando gatinhos no cesto. Típica senhora de bairro são-caetanense, a tia...

Uma das irmãs dela também era visitada na “peregrinação de papai”. Tia Nica era dona de uma morada igual, daquelas antigas, com fachada modesta e milhões de metros de quintal. Nesse espaço – onde, eu juro, caberia uma praça pública –, viviam nobres moradores. Era a única casa onde a comilança não me atraía. O legal, ali, era ver o Negão.

Esse era o nome do pássaro preto da Tia Nica. Era um diabo mau-humorado e ranzinza que podia mastigar pontas de dedos à menor bobeada. Mesmo assim, era divertido provocá-lo pela gaiola e ouvir aquela cantoria bonita. Quando enjoava, eu saía pra procurar as tartarugas da tia no meio das folhagens. Era umas... 190, talvez.

Mas nada se comparava a visitar minha tia-madrinha. Amiga da mamãe dos tempos de faculdade, Tia Sônia foi alçada ao posto de Godmother para mim. Assim sendo, achava bom me agradar a qualquer custo. O que aprontei na casa daquela mulher não foi brincadeira.

Primeiro, chegávamos para o chá da tarde. Ela fazia um balde de mate (gelado ou quente, dependendo do dia) e servia em xícaras verdes. Só porque eu gostava. Daí me entupia de bolacha com patê e manteiga e permitia que eu fosse revirar a sala. Ah, sim... A madrinha era a única pessoa do planeta a me deixar “ver com a mão”! E olha que a prateleira dela contava com frutas de madeira, bibelôs com pedras preciosas falsas e estátuas!

Sendo um pequeno demônio, mas capaz de fazer cara de santinha, eu era bem-quista em todas essas casas. Em troca de deixar apertarem minhas bochechas, dar tapinhas na cabeça e abraços esmagadores, os tios me deixavam arreliar com tudo. De tanto ouvir o tal “como você cresceu!”, hoje me vejo como se tivesse 3,54 metros.

Sinto falta da romaria familiar, porque hoje a maioria dessa gente maravilhosa já não vive entre nós. Devem estar servindo bolinho de chuva e Tang para uma sortuda criançada lá no céu. Um dia passarei para vê-los, quem sabe.

Fla Wonka às 03:03 PM


Formanda de 1990

Quando eu fiz 15 anos, não tive uma festa de debutante cheia de fricotes, babados cor-de-rosa e cadetes dançarinos. Quando juntei as escovas de dente com alguém, passei longe de vestidos de noiva, padres e assinaturas em papéis. Veja bem: não é que desgoste de cerimônias. Na verdade, acho tudo muito bonito, desde que eu não esteja incluída nelas. O único evento do tipo a contar com a participação desta que vos fala foi uma formatura.

Não me refiro, porém, à formatura do colégio – eu abri mão da colação de grau e do baile por uma viagem a Londres. Tampouco estou falando da formatura da faculdade – eu compareci fugida de um plantão de redação para pegar um canudo vazio, pois o diploma sairia só dali seis meses. Talvez tenha deixado de curtir cerimônias assim por ter vivido na pele a temida formatura do ensino fundamental.

Eu tinha 13 anos, acne na cara e cabelo ruim. Naquela época, o pensamento de ser o centro das atenções (ainda que por poucos segundos) me aterrorizava. Sob protestos, tive de vestir a horrenda beca por cima de um não menos horrendo vestido trapézio, último grito da moda dos finados anos 80. Troquei meu All Star cano longo por um incômodo sapato de bico fino e substituí minhas meias grossas por um exemplar fino e fumê.

O que eu não entendia era: qual o propósito da firula toda? Afinal, estava apenas passando de ano – coisa que eu já havia feito várias vezes antes sem maiores choques. Mas não, daquela vez era diferente. Daquela vez teve um convite com capa de veludo cor-de-vinho e meu nome escrito em dourado com letra de calígrafo.

Lembro-me de que no dia D (de “desastre”) estava um calor senegalês e eu pingava dentro daquele traje negro e comprido, mais para mulheres afegãs do que para uma menina em pleno verão brasileiro. Já na entrada do ginásio de esportes da cidade tivemos de posar para fotografia. Um horror. O único que parecia estar curtindo era o meu avô, dentro de um terno de mil novecentos e bolinha, emocionadíssimo por eu tê-lo escolhido como padrinho.

Uma vez começada a cerimônia, professores se revezaram no palco para falarem coisas profundas sobre nós sermos o futuro da nação. Após muita lenga-lenga, eles começaram a chamar os nomes dos formandos. “Ufa, finalmente”, pensei, achando que tudo estaria terminado em 40 minutos. Mas me enganei: eram 15 salas diferentes, cada uma com uns 30 alunos. O negócio demorou horas. Talvez anos. Aliás, talvez eu ainda esteja lá e não tenha me dado conta.

Pois bem. Isso foi basicamente a única formatura tradicional que tive em minha vida. Calor, nomes que eu não conhecia, discurso de prefeito... Uma maldita vela que teimava em pingar cera na minha beca, um juramento sobre alguma coisa sem importância e algumas músicas de gosto duvidoso.

No final, os alto-falantes tocaram “Somos Quem Podemos Ser” dos Engenheiros do Hawaii e desenhos em raio laser coloriram o teto do recinto. Sério, nem minha família agüentou aquilo – mamãe saiu de fininho sem falar tchau. Só então percebi que a cota de cerimônias já havia esgotado nesta vida. Outra dessa? Talvez em 2098. Isso se abolirem as becas e o Humberto Gessinger tiver virado purpurina.

Vivi Griswold às 10:12 AM

sexta-feira, 17 de setembro de 2004

Eu adoro cozinhar

Eu adoro cozinhar. Eu sei, comecei repetindo o título, mas é para enfatizar bem. Sempre achei o máximo misturar quatro ou cinco coisas que não eram nada separadas e, voilà!, viram um molho bacana ou uma carne gostosa.

Minha mãe começou a me ensinar o trivial variado de forno & fogão quando eu tinha 17. Achei que nunca ia conseguir me lembrar se devia pôr a cebola, o óleo ou o arroz primeiro na panela – como sempre acontece quando adentramos uma ciência nova do zero e temos a nítida impressão de que tudo é muito complicado e nunca vai dar certo.

Isso vale para ocasiões das mais diversas, de aprender a andar de bicicleta a operar um programa de computador. Mas como sempre, também, a prática leva à perfeição – ou quase isso. Queimei muito fundo de comida e às vezes ainda erro o ponto de algumas iguarias. Por isso, continuo praticando.

Ainda me embanano bastante se vou cozinhar na casa de outrem. Sabe aquela história de só saber fazer o café com os seus apetrechos, pois você já tem as marcas de açúcar, café e água naquela exata panela, de memória? Então, é verdade. Até porque, como minha mãe e minha avó, só meço os ingredientes a olho.

Essa é uma herança das cozinheiras da família – um tanto poética, mas deveras incômoda às vezes. Isso porque, como disse, manjo do riscado básico desde os 17, mas só comecei a fazer algumas exclusividades da minha mãe quando me mudei. Daí, quando bateu vontade de comer panqueca, liguei para a incansável fada, que me disse: “ah, põe assim, um ovo, um pouco de leite e vai acrescentando farinha até dar o ponto”. Mas pouco quanto, mulher de Deus? E quando diabos é o ponto? É algo místico? Vai brilhar quando for a hora? Sai bolhinha? E agora?

O resultado é que ainda não sai igual à da mamãe, mas eu chego lá. Aliás, meu sonho de mestre-cuca é chegar lá – na habilidade da dona Sandra com panelas, especiarias e experiências. Como todo mundo, acho minha mãe a melhor cozinheira do planeta – seguida de perto por minha avó, a Nina.

Quando ainda estava boa dos parafusos, a Nina deixava qualquer um no chinelo. Para se ter uma idéia, ela fazia macarrão e vinho em casa. Pão, torta, biscoitinhos, pizzas – tudo. Era uma coisa linda de se ver, ela abrindo massa com o tradicionalíssimo pau-de-macarrão. Parecia fácil – e não era. Parecia delicioso – e, isso sim, era.

Também, pudera. Ela começou a cozinhar com sete anos, contava para mim. As tias que a ensinaram botavam um banquinho na frente do fogão para que ela alcançasse a lida com as panelas. A italianada somava umas dez famílias aparentadas (imagina o volume das conversas) morando na mesma fazenda. Haja vinho. E macarrão.

Atualmente, me viro muito bem na cozinha. Entre meus pratos favoritos (de fazer e de comer) estão a sopa de capeletti, a lasanha e o suflê de couve-flor. Mas ainda hei de inventar muita moda. E se um dia chegar a fazer macarrão caseiro (ou vinho), dou-me por satisfeita.


Clara McFly às 08:18 PM


Nem por um decreto

Eu tenho ídolos. Quase todos mortos, ainda bem. Melhor assim, acho, porque não há chance de decepção. Tem coisa mais chata que adorar uma pessoa e seu trabalho e, mais tarde, descobrir que ela tem uma fazenda com trabalho escravo? Ou bate em mulher? Ou balança bebês na janela? Deus me livre. Ademais, acho meio embaraçoso correr atrás de gente famosa com lápis e papel na mão.

Que me perdoem os caçadores de autógrafos, mas não acho explicação para isso. Às vezes, na televisão, vejo imagens de gente se espremendo em alambrados pra conseguir atenção de apresentadora de programa infantil, jogador de futebol, atores. Por que? Para ganhar um papel com garranchos rabiscados? Ora, daqui que eu mesma pincelo umas letras aí e digo que foi a Luana Piovani quem fez!

Além do mais, já repararam como as celebridades nunca olham no rosto do fã? Nem por um segundo. Reparam nos papéis e assinam com a mesma atenção que meu pai destinava ao boletim – daí eu ter virado uma aluna relapsa. Alguns, como a Xuxa, nem se dão ao trabalho de escrever: apenas emplastram a boca de batom e tascam beijinhos na folha. Argh!

Mesmo assim, sempre há gente disposta a correr atrás de famosos nos corredores de aeroporto ou shopping. Correr? Eu faço isso apenas pra salvar minha vida ou apanhar ônibus em movimento. Desabalar carreira no encalço de galã de novela, nem pensar. E isso deve assustar horrores o dito cujo... Imagina o Rodrigo Santoro, magrela daquele jeito, vendo uma horda de meninas avançar em sua direção! Não deve ficar feliz, deve se sentir no estouro da manada de búfalos, coitado!

Também tapo o rosto com as mãos ao ver choro copioso na tv. O cidadão lá, cantando suas pérolas, e meninas na platéia (porque quase sempre são meninas mesmo...) desidratando no auditório. Choram feito doidas – como se isso deixasse alguém mais bonitinha e interessante aos olhos do cantor. Que vergonha... Se vir minha filha fazendo isso na tv, vai descascar cebola no porão, pra ver o que é choro.

Há ainda os fãs mansos, daqueles que fazem apenas cartazes de cartolina e camisetas. Fica um pouco infantil? Fica, mas passa. As blusas costumam ter a foto do ídolo e a placa normalmente é salpicada por brocado e purpurina. Duro é ver o famoso apanhar o cartaz e dizer que vai “guardar com carinho”, que tem “um quarto só para esses presentes”, etc. Ah, tá. Eles fazem é arquivar no balde preto da lavanderia, isso sim.

Desculpem a falta de romantismo, mas tenho dificuldade, hoje, de acreditar em “pessoas públicas”. Enquanto seu show está no ar, imagino que apresentadoras e afins ganham um sem-número de ursinhos, balões e presentes. E aquele rolos de carta com 200 milhões de inscrições “EU TE AMO”? Caramba: se a moça guardar mesmo todos esses como diz, logo pode montar uma usina de reciclagem.

Tenho apreço por muitos artistas. Uma vez encontrei o guitarrista Edgar Scandurra num bar e, de tanta emoção, chutei a bolsa dele. E deixei cair a minha. Ele apanhou meus pertences, eu apanhei os dele. Trocamos meio sorriso, ele seguiu conversando com o amigo, eu segui andando – com as bochechas coradas como brasa. Tinha jeito de parar aquele momento e pedir “Edgar, me dá um autógrafo?” De jeito nenhum, ia quebrar a magia! O olhar foi muito melhor, e eu guardo na memória, não numa caixa de sapato.

É preciso encaixar aqui, porém, uma confissão. Desde que o Garotas foi ao ar e fez amigos, muitos paparicam Clarissa, Vivi e a mim. Com doces, gracejos, CDs, cartões... É estranho pra esta que vos escreve, mas não deixo de adorar cada um e guardar bem guardado, como tesouro.

Hipocrisia dizer que celebridades não fazem isso e depois dizer que eu faço? Nem tanto. Eu não sou famosa. Sou apenas uma escritora com amigos. Mas não me venham com carta de rolo!

Cipo3.jpg
Esse é o Cipó, e ele foi presente...
Hoje, é amigão
Fla Wonka às 03:17 PM


3.500 km depois

Boletim Ushuaia #1

Hoje é o sétimo dia de viagem e já percorremos mais de três mil quilômetros de asfalto bom e ruim, vazio e cheio de caminhoes (ups, nao existe til neste teclado). Três mil! Confesso ficar angustiada quando penso que meus amigos, minha família, minha casa, meus gatos estao tao longe agora. Mas é preciso continuar adiante - e ontem a primeira placa apareceu: Ushuaia, a 2.859 km.

Estou exatamente em Bahía Blanca, no meio da Argentina. Por enquanto a maior graca (xi, sem cedilha também) tem sido a viagem em si, já que estamos parando nos lugares apenas para dormir. A idéia é chegar até o nosso destino logo e depois voltar pelos cenários realmente bonitos.

Saindo de Sao Paulo no sábado, chegamos até Curitiba para um almoco bem pedreiro, do jeito que eu gosto (arroz, bife, farofa, batata frita). Pena que nao pudemos ficar mais tempo. A noite passamos em Lages, já Santa Catarina, em um hotel limpo e com café da manha de encher a panca. No dia seguinte, almocamos em Porto Alegre e dormimos em Pelotas. Era a ultima noite em solo brasileiro.

Continuando em direcao ao sul, o ponto mais extremo do país: Chuí. A animacao tomou conta, mas logo foi embora por conta de uma burocracia chata com o carro (duas horas na fila do Banco do Brasil) e da primeira roubada desta excursao!

Na praia de Chuí, nosso carro atolou feio. Só conseguimos sair de lá gracas à boa vontade alheia. Ainda assim, depois de centenas de minutos passando frio e tomando areia na cara. Mas o que seria das viagens sem histórias assim para serem contadas?

Seguims pelo Uruguai que, para nós, se revelou como um grande papel de parede padrao do Windows XP - sabe aquela paisagem com céu azul e campos verdinhos? Vacas posaram para foto com a gente enquanto os caminhoes passavam curiosos pelo nosso carro. Aliás, a placa de Betim, Minas Gerais, tem causado cada vez mais estranheza. Teve gente que até deu ré de carro para tentar desvendá-la.

Jantamos em Montevideu e dormimos em Colonia del Sacramento, esta última muito lindinha. No meio do dia, pegamos a estrada de novo para Buenos Aires - finalmente Argentina!

Estávamos na capital desde ontem, quando ficamos com saudade do nosso carrinho. É impressionante isso. Vai ser difícil devolvê-lo, viu? O legal é que nao importa o quao estranho seja o lugar onde estamos, porque aquele furgaozinho prata de quatro portas e muitas malas nos faz sentir em casa.

O que faremos hoje? Acho que seguiremos até Porto Madryn, onde poderemos enfim ver alguma coisa da fauna local. Dizem que as orcas chegam perto da costa nesta época. E que os pinguins estao se acasalando. E os albatrozes voam mais baixo com o fim do inverno. Mal posso esperar!

Notícias disso, só na próxima semana.


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Mas Vivi, nao quero esperar...

Ficou querendo saber mais detalhes, né? E ler as novidades antes também? Entao fique ligado no nosso blog de viagem,