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Fechada por motivo de saúde São mais de 17:40 da tarde e cá estou, de chinelos e meia, cabelo desgrenhado e um enorme bigode de suco de mamão. Porque tamanha decadência? Simples: estou doente. Uma dor-de-garganta de responsa me atormenta desde domingo à noite. E eu, que achava legal ficar doente... Acho que mudei de idéia. Podia ser legal ficar dodói quando a gente era pequena, e a mamãe cuidava de tudo – dos mimos à sopinha. Eu podia passar a tarde assistindo a desenhos. Se eu quisesse chocolate, um conjunto novo de canetinhas ou o livro mais recente do Ziraldo, era só ligar para o papai. Agora, não parece haver muita gente disposta a ficar me mimando até sarar. O namorido tem de trabalhar e, subtraído da população dessa casa, resta apenas eu. E fico aqui, me arrastando do sofá para a cama, da cama para o sofá, do sofá para o fogão. Isso porque preciso fazer canjão, daqueles de envelope, o que tem me mantido viva nessas últimas 48 horas – é só o que consigo engolir. E quando a gente não consegue comer nada, seja por conta de qualquer doença, começa a dar uma fome avassaladora: num minuto, minha boca enche d’água ao pensar em harumakis, aqueles pasteizinhos chineses. Noutro, sonho com um enorme filé grelhado e salada de alface com croutons. E uma pizza de massa bem fininha e com a mussarela borbulhando em cima, então? Ai, Jesus. Disposição para ao menos fazer uma deliciosa e nutritiva sopa de capeleti? Nem. Disposição para responder os e-mails, espiar e participar do Fórum, tocar as divertidas matérias freelance que peguei? Pfff. Para falar a verdade, caros, tive de reunir muita coragem para me sentar aqui e escrever minha contribuição de hoje. Tagarela convicta que sou, mal estou podendo falar. Até atender o telefone e tecer uma sempre animada conversa com as comparsas está difícil. Ok, eu ainda achava que seria legal ficar doente. Eu senti que a garganta estava pegando; achei por bem traçar um milk shake domingo à noite e deu no que deu. O problema é que estar de molho pode ser bacana só no primeiro dia. Mas 24 horas é o limite para se alimentar só de batata e canjão e tomar mamão batido no liquidificador (daí o bigode). Ainda por cima, quando estou doente, eu tenho a incômoda impressão de que nunca vou sarar; de que sempre estive assim e sempre vou permanecer assim. É a mesma sensação que alimento quando chove por dois ou três dias seguidos: me parece que o céu sempre foi cinza e sempre haverá de ser. Mas tudo bem. Vou esperar sarar, continuar tomando o remedinho e ligar para o namorido trazer alguma comida de consistência molenga que não seja canjão (nem batatas). Aproveitarei a pausa forçada para repor energias – talvez seja mesmo uma chamada do meu pobre corpinho para diminuir um pouquim o ritmo. E, assim que estiver livre dessa inflamação, vou correr numa churrascaria. Ou no restaurante chinês. Ou na pizzaria. Enfim.
A day in the life Um único dia pode mudar o mundo. Pode mudar uma vida! Você acorda cedo com a intenção de ir para o trabalho, toma o ônibus e, ao lado, pode estar sentado o amor da sua vida. Ou você sai de carro pretendendo ir à faculdade e, no farol, alguém dá um folheto sobre cursos no exterior, reascendendo aquela chama e te fazendo ir viver em outro país pra sempre. Tudo pode mudar em um dia. No cinema, mais ainda. Sempre tive vontade de rodar um curta-metragem passado em um dia. Roteiros assim são muito mais difíceis de fazer do que aqueles cheios de tramas, idas e vindas. Contar uma história de 24 horas é mais complicado do que parece, imagino. Pensem: rodar em dois meses um filme que leva um diazinho para passar? Haja continuísmo! Barato também não deve ser. É verdade, há economia de figurino... Em vez de vestir 10 mil camaradas como Orcs, basta apanhar meia dúzia de vestidos no guarda-roupa – e os atores que se contentem em usar o mesmo traje por semanas a fio. Em compensação, é preciso trabalhar muito no script, porque tudo precisa acontecer sem enrolação. Quando esses cinco filmes começaram, parecia ser quase um dia comum... Mas que nada! “Um Dia de Fúria” “Festim Diabólico” “Curtindo a Vida Adoidado” “Nove Rainhas” “Corra, Lola, Corra”
Dia pra que te quero, Lola!
Eu queria ser Nunca sonhei, quando pequena, ser jornalista. E olha que eu sonhava bastante durante aqueles doiros anos. Se forçar um pouquinho a memória, sei que serei capaz de me lembrar de tudo que eu já quis ser. E de como vim parar nessa profissão. A primeira profissão que eu quis adotar foi a de arqueóloga. Culpa dos filmes do Indiana Jones, pioneiros a rodar naquele videocassete tosco que tinha em casa no meio dos 80. Depois, tanta brincadeira de escolinha na rua me levaram à conclusão óbvia: seguir a carreira do Magistério. Olha que prossegui bastante nessa hipótese: formei-me no colegial técnico e dei aulas por uns dois anos. Às vezes sinto saudades. Da primeira vez que pensei em ser professora até a matrícula na turma magisterial, outras opções rolaram. Quis ser astronauta ou astrônoma. Quis ser escritora. Quis ser caixa de supermercado. Ok, essa última possibilidade nunca me passou pela cabeça. Mas as outras, sim. Eu ficava fazendo desenhos que me retratavam em casa uma dessas profissões. Legal, né? Com o fim da adolescência, tive de escolher o que fazer da vida. E o que fazer da vida envolve muita coisa. Um plano de sustento, inclusive. Acho uma crueldade fazer gente com 17 anos tomar uma decisão dessas. Não fui forçada nem nada: assinalei Jornalismo nas inscrições para o vestibular porque achei que seria uma boa escolha para as gentes que gostam de escrever, como eu. Me enganei, embora o resultado nem tenha sido tão desastroso assim. Mas nem sempre pensei em profissões de “nível superior”, dessas que a gente tem de passar quatro anos pagando para poder brincar também. Dentre as profissões low profile que já sonhei exercer está, por exemplo, a de vendedora de banca de jornal. O motivo salta aos olhos: eu poderia ler TODAS as publicações de graça. Eu amo bancas de jornal. Sou capaz de passar horas dentro daquelas enormes, que têm até DVDs à venda. Logo, passar o dia todo numa delas só podia ser bom negócio! Balconista de livraria também já passou pela minha cabeça – pelo mesmo motivo. Na verdade, quando eu era menor, queria que a profissão do meu pai fosse “dono de livraria” ou “dono de banca de jornal”. Mas ele era “gerente de RH” (até hoje não sei explicar exatamente o que ele fazia). Acho que eu também me viraria bem atendendo no balcão de uma bomboniere. Nos indefiníveis anos da pré-adolescência, juntava todo meu dinheirinho – recebido à guisa de mesada e às custas do exercício da gerência de RH por meu pai – para ter fim em duas caixas registradoras: a da loja de doces e a da banca de jornal. Talvez por isso vivesse sonhando em ter acesso às pequenas maravilhas vendidas em ambos os lugares sem gastar – pelo contrário, recebendo por isso. Por fim, minha mais sonhada profissão low profile já foi exercida por alguém que se deu bem, muito bem. Eu sempre acalentei o sonho de virar balconista de locadora. A razão é quase a mesma dos outros empregos: acesso gratuito a quilos e quilos de filmes, sem um tostão em troca. Seria paga para passar o dia assistindo a vídeos! E, eventualmente, indicar uns títulos para os clientes. Parece ótimo – como parecia a Quentin Tarantino. Mas ficar atrás do balcão da locadora não foi o suficiente para ele: o rapaz, de tanto ver filmes, virou um poço de referências pop e resolveu fazer parte dos créditos. Filmou “Cães de Aluguel”, “Pulp Fiction”, “Jackie Brown” e, agora, “Kill Bill”. Viu? Mesmo as profissões menos valorizadas podem render bons frutos. Agora com licença, que vou ali na avenida ver se a locadora está precisando de gente.
![]() Da prateleira ao posto de cineasta cultuado... Nada mal, hã? Ela não se encontra, pode estar adiantando o assunto? Vamos estar relembrando as férias de Vivi, última mocinha deste trio a estar saindo de folga por uma semana. A ruiva vai estar descansando até sexta-feira (dia 3/9); depois do feriado de 7 de Setembro, logo no dia 8, este trio vai estar voltando com força total. E sem problemas de abuso do gerúndio, vou estar prometendo...
Somos todos bagagem? Souberam que eu estive de férias? Ganhei habeas corpus do Garotas por uma semana e me mandei feito um raio para curtir recesso mental! Com os dias em aberto, saquei daquele livrinho verde cedido pela Polícia Federal, arrumei uma mala de tamanho médio, paguei os olhos da cara e me mandei mundo afora. De avião. Por conta do último item, sou capaz de sentir dor ainda agora, se me mover muito rápido... O pau-de-arara alado não tem o mesmo charme de antes. Sou fã confessa de Alberto Santos-Dumont, brasileiro e Pai da Aviação. Para mim, aquele homem pequerrucho, criativo e atormentado não poderia ter feito melhor uso de sua vida (tá bem... podia não ter se enforcado com a gravata, que esse não foi um grand finale, mas cada um com seus fantasmas). Inventor do avião SIM – os Irmãos Wright que me perdoem, mas preciso de provas para acreditar em vôos inaugurais –, ele deu asas ao povo. Se hoje podemos chegar a outro continente em algumas horas, e não em meses de navio, devemos isso ao Alberto e a todos os inventores que pensaram em ganhar os céus. Aposto, porém, que nenhum desses gênios agüentaria o modelo atual de viagem aérea padrão. A não ser que tivessem recebido muita bufunfa por seus inventos e pudessem adquirir jato particular, eles passariam os mesmos maus-bocados que eu ao me alojar nas poltronas da Varig. Conforto? Sossego? Dignidade? Só seu eu fosse uma anã surda e com poderes paranormais. Na ida, pedi à gentil mocinha do balcão um lugar mais na frente – onde não tem tanto barulho e o espaço da saída de emergência é suficiente para humanos com duas pernas. Curioso... muita gente teve a mesma idéia. Com o mesmo 14L que eu, estavam outras duas pessoas. Devido à lotação do vôo e à cara de “posso-chorar-a-qualquer-momento” que sei fazer, fui convidada a me mudar para uma certa Classe Executiva. Conhecem? Eu não conhecia não. Foi só na ida, mas serviu muito bem para comparar com o drama da volta. De princípio, a área parece estar no mesmo avião que o campo de concentração chamado Classe Econômica. Mas que nada. Ali, as poltronas têm o dobro do tamanho e acomodam até um organismo de 1,73 m como o meu. Quando o banco reclina, eu nem sinto o joelho do cidadão de trás na minha nuca, ó que coisa! Também dá para levantar sem meter a cachola no bagageiro e circular pelo corredor sem andar de lado, feito caranguejo. E os comissários de bordo, então? Educados, sorridentes, amáveis. Os da “turma do fundão” mais parecem cães da SS, a polícia nazista. Você pede um copo d’água a um desses e pode virar estátua por anos devido ao olhar petrificante. Na Executiva, pede-se água e ganha-se copo em segundos! Geladinho! Com canudo e guardanapo! Isso é que é vida... E é só o começo dela. No jantar, tem cardápio para escolher os acepipes pretendidos – com entrada, prato principal e sobremesa. Nem em casa tenho tanta fartura, vixe. Depois o moço mostra onde é sua tv particular, alojada no braço da cadeirona, e é possível assistir ao filme que quiser, independente do que escolhem os demais passageiros abonados. Tudo produção recente, nada de “Tubarão 12” ou “Um Verão do Barulho Muito Louco da Pesada”. E pensar que o pessoal da econômica recebe aquela lavagem para jantar... O pão é duro, a manteiga é mole. A comida, seja carne, frango, peixe ou massa, tem gosto de corrimão e consistência de pneu velho. Pode-se beber vinho, é verdade, e tentar esquecer que não há espaço para os dois pés tocarem o chão ao mesmo tempo. Mas com um copinho único da bebida e a grosseria da moça que oferece o trago, é mais fácil render só dor de cabeça. A rigor, a diferença entre viajar na Classe Econômica e na Executiva não está no espaço nanico, na ração safada e no tratamento subumano da primeira em relação à segunda. Está nos US$ 1.500 a mais que a segunda cobra em relação à primeira. Em miúdos? Quem tem dinheiro sobrando, vive literalmente no céu; quem não tem, passa algumas horas testando os limites do corpo, tentando achar um meio de sair dali inteiro. Para amenizar o chilique coletivo, a companhia aérea usa pitadas de bom humor. Para começo, eles fazem filmes sobre a segurança a bordo, ensinando brincadeiras divertidíssimas como usar máscaras de ar engraçadas, inflar coletes salva-vidas, apanhar assentos flutuantes e, quiçá, deslizar por um escorregador gigante e amarelo que nos tirará da aeronave em caso de pouso na água! Também mostram exercícios para melhorar o conforto ao viajar. Pena que é tudo besteira... Isso é só para evitar dizer “se tivermos problemas, o avião vai se tornar uma grande bola de fogo e morreremos todos” ou “o espaço aqui é tão miúdo que podemos ter trombose em questão de horas”. A realidade é chata, não? Podiam ao menos disponibilizar o tal escorregador de borracha no desembarque – assim levaríamos menos de 40 minutos para o processo e nem teríamos os pés esmagados por senhoras com malas de mão do tamanho de uma caixa d’água predial. Quando eu era pequenina, meu pai viajava muito pelo país todo. Na volta, trazia a malinha da refeição com geléias, sucos e talheres – e eu ficava imaginando como seria maravilhoso viver a experiência de cruzar as nuvens a bordo daquele passarinho metálico tão grande e vistoso. Crescer tem coisas ruins... Passados todos esses anos, já não me sinto como um pássaro ou Santos-Dumont dentro do avião, mas como a minha mala de tamanho médio.
Ele se enforcou porque seu invento foi usado na guerra... Isso porque nem chegou a ver o que servem no jantar da Varig hoje!
Meninos, eu vi Imagina um momento sensual entre você e outrem. Tudo rolando às mil maravilhas, gostoso, divertido e tal. Daí, seu parceiro (ou parceira) olha para você, assim do nada, e fala em voz gutural, curta-e-grossamente: “vira”. Você correria? Pois então. O Frota faz isso. E muito mais, no sensacional filme pornô estrelado por ele. O curioso a respeito desse, e da maioria dos filmes do gênero, é que eles não têm nome. Já notaram? Dou um doce para quem souber assim, na lata, o título da fita que leva a marca do fortão. Para mim, chamava “Filme Pornô do Frota”. Isso até o namorido ter a idéia genial de alugar o DVD na locadora aqui do bairro (a balconista deve estar pensando até hoje que somos um casal daqueles bem serelepes). Foi só então que descobri que o dito-cujo chama-se “Obsessão”. Mas ainda não tinha idéia do quanto eu ia me divertir assistindo. Sempre achei filme pornô muito engraçado. Não sei porque deixam nesses canais nas TVs de motel. Se sintonizo, desato a rir – desviando do propósito de, bem, vocês sabem, uma noite no motel. As histórias são surreais (ou vocês conhecem alguém que abre a porta para o entregador de pizza e, minutos depois, abre outra coisa para o moço?); as atuações, ímpares (por que todo ator do tipo faz seu dever com cara de tédio, mascando chiclé, enquanto a mocinha se esgüela?); a trilha sonora, impecável (parece a seqüência de programações que vinham no teclado casiotone). Mas voltando ao filme do Frota (aka “Obsessão”). A estrutura é a seguinte: ele aparece falando com a câmera, contando historinhas de suas aventuras sexuais. A cada epopéia narrada, entra a encenação do ato. Salvo engano, são cinco mocinhas distribuídas em quatro episódios. A grande fantasia masculina da dose-dupla, por assim dizer, fica para o fim. As cenas da farofa propriamente dita não são lá grande coisa – e nem poderiam ser. Frotinha é um amador – e acho que era essa mesma a intenção; parecer algo de natural. Chega a ser meio nojento, porque ele baba. Juro. E o pior é que a maior parte do filme é ocupada pelo vai-e-vem do pitbull. Uma pena, porque bacana mesmo são os entrecortes do moçoilo falando para a TV. Da porção rala-e-rola, duas cenas antológicas: no meio do dever com a primeira vítima, Frota olha para a câmera e tasca “Breve, num cinema perto de você”. Desculpa, gente. Se isso acontece comigo, das duas uma: paro tudo e choro de rir ou paro tudo e fujo, achando que o cara é um pervertido que está com uma câmera escondida e vai jogar tudo na internet. Cruzes. Outro grande momento: Frota e outra parceira estão lá, na festinha, perto de uma mesinha. Sobre a mesinha, um punhado de enfeites e castiçais. Eis que o bad boy joga, numa braçada, todos os bibelôs para o chão. Você pensa: “bom, acho que ele vai deitar a menina sobre a mesa”, e fica esperando. E nada! Eles continuam no chão! A braçada foi completamente gratuita! Já a “contação de histórias” por parte de Frota é de chorar de rir. Ele mesmo está com vontade de gargalhar. A certa altura, o moço faz uma pausa forçada para esperar o telefone tocar; atende, diz que é engano e, para dar liga no episódio seguinte, saca da seguinte frase: “Por falar em engano, vou contar para vocês a história de um engano gostoso” ou algo que o valha. Aí, entra em cena a menina que ligou para ele por engano, mas caiu na lábia – e na cama – do garotão. Ai, Jesus. Na esperança de que outras caiam nessa, Frota faz um singelo convite para as meninas que porventura assistiram sua produção. Ao final do filme, convida as mulheres a participar das seqüências que vêm por aí, orientando a parcela feminina do público a entrar em contato com a Brasileirinhas, produtora da pérola. Mas nem se eu quisesse; nessa hora, já estava rindo tanto que mal pude ouvir as indicações do garotão. Não vou entrar em contato, mas esperarei ansiosamente por “Obsessão 2 – A Missão”. Uma sugestão: no próximo, o tempo maior deve ser do Frota falando com a câmera. Espero que, ao contrário do usual, a seqüência seja ainda melhor – entenda-se: mais engraçada – que o original. ![]() Vai pôr uma calça, menino! Cadê a ruiva que estava aqui? Como todos sabem, Vivi começa seu descanso merecido a partir de segunda. Não estranhem ao acessar este sítio semana que vem e só encontrar por aqui uma morena e uma loira. É a vez da pequena sereia de descansar. Ela vai ficar de molho até sexta que vem; a partir de 8 de setembro, o trio está de volta por completo. Vocês esperam? Digam que sim? Clara McFly às 07:23 PMDe pernas pro ar Tem coisa melhor que férias? Todo mundo em uníssono agora: não! Nada como alguns dias de folga cuja ordem é não fazer nada – ou fazer tudo o que der na cabeça. O bom de férias é exatamente isso: mesmo quando é mal-aproveitado, mesmo quando você passa o tempo nhanholando na frente da televisão, o período vale a pena. Infelizmente para os adultos, as férias mudam. Ou, na pior das hipóteses, nem existem. Quantos de nós tivemos de implorar ao chefe por uma mísera semaninha longe do escritório? Ou suar a camisa para adiantar trabalho, tudo em nome de uma emenda de feriado? Sem contar a longa espera de um ano por míseros 20 dias – isso quando não são dois anos, três, quatro... Já reparou que o tempo passa muito mais rápido com responsabilidades nas costas? Então concluímos que, como em tantas outras coisas, férias eram melhores quando a gente era criança. E não é uma questão apenas de saudosismo gratuito: é matemática pura! Na escola, tínhamos as férias de julho, que começavam no finzinho de junho e iam até o comecinho de agosto. Para quem era bom aluno e não pegava aulas de reforço, a farra de verão começava lá pelo meio de novembro e só terminava em fevereiro. Faça as contas por aí, porque se eu parar para pensar, choro. Da primeira série do ensino fundamental à terceira série do ensino médio, temos mais ou menos 11 anos passados na escola. Onze anos sendo mal-acostumados a longos períodos de diversão pura. Na faculdade, a conta perde alguns dias, mas ainda temos férias generosas. Saindo de lá... Chega a hora de cair na real: o mundo é cruel com os adultos. De cigarras boêmias, passamos a formigas trabalhadoras. Aliás, não sei quem foi o mané que botou preguiça entre os sete pecados capitais – aposto que era chefe. Quisera eu voltar no tempo e ter de novo pelo menos um dia das férias que tinha quando criança. Eu saberia aproveitar todas as 24 horas! Acompanhe: 1) Acordaria às 11h da manhã, horário que deveria ser universal para seres-humanos saírem da cama. 2) Pegaria minha tigela de farinha láctea e comeria tudo com muita calma enquanto assisto à tevê. 3) Após a refeição calórica (sou criança, quem se importa?), pensaria se deveria tirar o pijama ou continuar nhanholando. 4) Meia hora depois, tomaria minha decisão: colocar uma roupa qualquer e ir brincar na rua. 5) Depois do almoço, tiraria uma soneca (comer e brincar são atividades muito cansativas). 6) De volta à rua, passaria na padoca para comprar alguns picolés. 7) Em seguida, encararia um difícil dilema: será que eu ando de bicicleta ou de patins? 8) Cansaria de pensar e resolveria alugar 10 fitas de vídeo – entre comédia, aventura e terror. 9) Em casa, pegaria um livro para ler (por diversão). Melhor ainda: um Almanacão de Férias da Turma da Mônica! 10) Depois de tomar banho, retomaria a montagem do quebra-cabeças de mil peças; ou montaria algo em Lego até a hora de dormir. Parece bom, não?
Tá certo, será apenas uma semana (olha aí minha teoria!). Mas ainda assim, vai valer. A partir de hoje é a minha vez de tirar uma folga. Na segunda, Flá volta e Clarinha continua. E, a partir de 08 de setembro, estaremos as três batendo ponto aqui. É duro ter milhares de chefes aí do outro lado, viu! Vivi Griswold às 11:39 AM
Psycho killer, qu'est-ce que c'est? Para o Capital Inicial, um sintoma indiscutível de psicopatia seria atirar na TV quando o Francisco Cuoco aparece. Bem, o cinema discorda. Para o mundo da telona, um psicopata precisa fazer mais, melhor e, acima de tudo, mais sangrento que isso. Quando adentro a sala de cinema e deixo chorados e absurdos 14 mangos lá fora, quero que meu dinheiro tenha sido bem empregado. Para tanto, até me disponho a colaborar com o filme: passo medo, assusto, rio, choro e bato palmas na cena do beijo – para vexame completo do namorido, que quer se enfiar dentro do balde de pipoca nessa hora. Mas já que gastei, minha filosofia é curtir. Por isso – e porque sou boba também – costumo cair nos truques mais baixos do cinema. Em especial, do gênero filme-de-maluquete-assassino. Dou uma faca para entrar e um machado para não sair das tais sessões, seja no sofá de casa ou na sala de projeção – embora fosse ainda capaz de pagar uma serra-elétrica para não topar com uma dessas figuras aí debaixo. 7. Jason Voorhees 6. Freddy Krueger 5. Michael Myers 4. Norman Bates 3. Hannibal Lecter 2. Jack Torrance 1. Paul Kersey ![]() Quando aparece o Charles Bronson, adeus televisão!
E depois... Cantigas de roda sempre me deprimiram. Não tanto pelo conteúdo das letras – que, cá entre nós, nem parecem ter sido feitas ao inocente público infantil –, mas pelos finais abruptos. Talvez, originalmente, cada uma das musiquinhas contava com um desfecho próprio que acabou se perdendo no tempo. Ou, vai ver, elas eram assim mesmo – sem encerramento, muito menos feliz. Atirei o Pau no Gato, por exemplo. Nem preciso dizer que sou uma militante ferrenha da extinção dessa canção tão abominável para o universo das crianças. Porém, tudo seria diferente se soubéssemos o que aconteceu com o espírito de porco que tentou maltratar o bichano, com a bocó da dona Chica e com o animalzinho assustado. Digamos que o Zé Mané, depois de ouvir Ivete Sangalo dando trela para a crueldade contra gatos no horário nobre da Rede Globo, quis atirar um pedaço de pau no felino vira-lata. Após errar a primeira tentativa, ele tentou tomar distância para o lance e... acabou caindo no barranco. Teve as duas pernas quebradas e jurou nunca mais repetir o ato. Dona Chica, que não fez nada para ajudar, continuou com sua vidinha de olhar passivamente as pessoas na rua e morreu solteira e intocada. Já o gato foi adotado por uma família carinhosa e hoje se esbalda com comida e afagos. Gostou da idéia? Pois aí vão outros finais alternativos às cantigas de roda! A Barata Dona Aranha O Cravo e a Rosa Indiozinhos Se essa rua fosse minha Boi da cara preta ![]() Esse já não pega mais ninguém
Como assim, pessoal? Daqui a quatro dias, termina a sensacional Olimpíada de Atenas. Vamos nos ver livres do Datena e do Galvão – pelo menos no que diz respeito às transmissões olímpicas – e do povo da imprensa que fica cobrando os atletas feito o Mutley, repetindo obsessiva e infinitamente “medalha, medalha, medalha!”. Acompanhei o quanto pude desses jogos – e nisso percebi que não entendo lhufas dalgumas questões relativas aos esportes apresentados por lá. Preciso confessar que caio no espírito olímpico. A abertura pode ser chata para dedéu, mas eu sempre me emociono. Os valores fundamentados ali, da união entre todos os povos do mundo, são esquecidos assim que a cerimônia de encerramento toma lugar, mas adoro ver aquela profusão de gentes e cores. Ainda assim, tenho muitas dúvidas sobre certas modalidades. Será que sou só eu? 1. Fossa olímpica 2. Vôlei de praia 3. Vela 4. Ginástica artística 5. Marcha atlética 6. Nado sincronizado 7. Modalidades bizarras 8. Salto triplo 9. Judô 10. Maratona ![]() Ó no que dá correr 42 quilômetros! Mensagens na garrafa Em histórias românticas, são comuns trechos em que se coloca um papel escrito dentro de um recipiente de vidro lacrado para atirá-lo ao mar – e para uma outra pessoa recebê-lo do outro lado do oceano. A teoria é mesmo bonita. Mas e a prática, como fica? Primeiro, o sortudo de encontrar a garrafa precisa conhecer a língua em que a carta foi escrita. Segundo, o texto deve ser bem mundano para o destinatário ligar alhos com bugalhos. De tempos em tempos, ao abrir a caixa-postal do Garotas, me sinto como uma dessas pessoas que recebem tais mistérios engarrafados. Entre as dezenas de comentários, elogios, críticas e confidências que aportam diariamente para nós, uma ou outra mensagem acaba estampando um grande ponto de interrogação em nossas faces. São e-mails que vêm não sei de onde, de pessoas que nunca nos escreveram e que acabam sem mais nem menos. Mesmo eu, um poço sem fundo de assuntos dos mais diversos, acabo ficando em dúvida sobre o que dizer para a pessoa. Normalmente, as respostas começam com "oi, você tem certeza de que essa pergunta é para a gente mesmo?". Bem, explicar não adianta nada. Vamos aos fatos – ou melhor, a algumas dessas mensagens que cruzam nosso caminho nos mares bravios da Internet. Como faço para ouvir música e ver vídeos no programa que baixei (lime wire)? Já revirei a página e não consigo executar. Tem como me ajudar? Essa recebeu a resposta que expliquei um pouco mais acima. Pensei, pensei mais um pouco, pensei de novo, e não consegui encontrar uma ligação entre a dúvida e os nossos textos. Como nunca disponibilizamos música ou vídeo por aqui, acho mesmo que foi boi na linha. Vai ver que é a versão geek do famoso "Tem um carro verde abacate aí na sua rua?". Sou muito fã do Aaron Carter, faria de tudo para conhecê-lo. Me mandem notícias dele. Podem fazer várias perguntas sobre ele que eu respondo. A fã do moçoilo foi muito carinhosa e prestativa ao nos avisar de que, sempre que precisarmos de informações sobre o cantor, podemos pedir auxílio para ela. Ainda não aconteceu. Mas quem sabe, né? Não devemos negar a possibilidade de falta de inspiração para escrever no Garotas. E daí o Aaron Carter pode ser uma carta na manga. Ou não. Lembro de ter lido em algum lugar que o símbolo do "Charmed" remetia na realidade aos druidas... As senhoritas poderiam me informar o nome desse símbolo e/ou onde conseguir mais informações? Ok, essa eu entendi – mas não antes de alguns minutos pensando "hein?". Escrevi um texto dizendo que o seriado das três bruxas fajutas não só estragou a música sagrada dos Smiths, "How Soon Is Now", como havia maculado um símbolo celta – primo-irmão daquele exibido em minha recém-adquirida tatuagem. O rapaz teve todo o direito de pedir maiores explicações. E eu dei. Eu queria saber como eu me registro no seu site. Tem que pagar alguma coisa? Como funciona? Outra que me surpreendeu. O que ela quis dizer com registro? A única coisa que se assemelha a isso é o Fórum de Leitores. Ainda assim, não dá direito a nada além de trombar com mais uns malucos por lá. A parte do pagamento foi a melhor. Tadinhas dessas três moçoilas que há mais de um ano trabalham pra caramba e nunca viram a cor nem de uma moeda! Esse povo tem cada idéia... Coió de mola é aquele palhacinho que fica em uma caixa fechada. Quando você abre, ele pula como se estivesse dando risada. É isso aí! Até eu atinar o fato de que a questão estava em um texto da Clara, demorou. Mas antes que você me chame de lerda, imagine receber a explicação acima sem um "oi" sequer, ou sem uma apresentação do tipo "eu li a pergunta no artigo tal e sei a resposta". Nada. Mas aproveito para agradecer ao leitor – pois eu também sempre ouvi a expressão de minha avó e nunca soube o significado. Então, oi, né? Esqueci de pedir pra responder rápido, bem rápido. Tchau! Primeiro, a garota mandou um e-mail seco perguntando o que significava Ni. Dois segundos mais tarde, enviou esse simpático adendo. Eu disse que a resposta à pergunta estava no FAQ e que gostaria que ela entendesse que nossa caixa-postal tem 150 e-mails esperando resposta (e tem mesmo) e que não daria para ser rápida. Melindrou – e me chamou de grossa. Olá, gostaria de saber se você tem o tema de abertura de "Touched by an Angel", pois busco há muito tempo pela Internet e não encontro. Outra pergunta suscitada por um texto de Luz Clarita – e outro e-mail que me custou alguns segundos para que a ficha caísse. Como duvideodó que a loira possui o tema de abertura do seriado – e, mesmo que tivesse, ela não confessaria nem sob tortura – dei ao leitor a dica para entrar em algum programa de compartilhamento de músicas. Ele não respondeu de volta. O que é bilboquê? Estou fazendo um trabalho sobre esse negócio e não sei o que é! Preciso saber como é e como se joga! Por favor me responda esse e-mail o mais rápido possível! Fico imaginando o motivo que leva uma pessoa a fazer um trabalho sobre algo que não conhece – principalmente se esse algo for um bilboquê! Tentei explicar ao menino que trata-se de um brinquedo antigo, com um pauzinho e uma bola presos por um fio. O objetivo é fazer o buraco da bola encaixar-se no pauzinho. Ô, que difícil! Melhor mesmo é ver. Então, para você aí do e-mail... ![]() Tchanam!
Não se mexa! Assim como Vivi, eu nunca quebrei um só ossinho do corpo. Tampouco levei pontos – a não ser que contem aqueles de extração de dente. Aí, levei quatro; um para cada pobre canino que me foi extirpado. O ortodontista dizia que eu tinha muito dente para pouca boca e mandou os quatro para as cucuias. Assim, me tornei uma pessoa com 28 dentes – de maneira que vocês podem confiar em mim se tomarmos como verdade a canção dos Titãs que dizia “não confie em ninguém com 32 dentes”. Enfim. Para mim, sempre foi uma grande frustração não ter portado uma vezinha sequer um belo molde branquelo e cheio de espaço para assinaturas dos amigos. Quando a gente é pequeno, tem mesmo uma porção de idéias estúpidas – como querer quebrar o braço, usar óculos e aparelho (eu enfiava arames nos dentes para fingir que usava). Os dois últimos itens acabei tendo de “instalar”: meu sorriso foi metalizado dos 11 aos 18 anos e continuo precisada de lentes (de vidro ou contato) se quiser levantar da cama pela manhã e não bater contra o guarda-roupa, por exemplo. Mas continuo virgem do gesso. Se bem que, depois de acompanhar meu irmão no hospital – e ele foi apenas tirar uma simples tala, espécie de prima pobre do gesso – acho que mudei de idéia. O garoto ficou com aquilo no pé por míseros três dias – e vocês não imaginam o estrago que fez. Ainda por cima, João teve a moral de, ao contrário das recomendações médicas, coçar-se com uma régua. E um pedaço do inofensivo instrumento escolar quebrou lá dentro. Foi uma coisa linda de se ver... Outro grande problema para mim seria andar de muletas. Com a parca silhueta de 42 quilos desde os 17 anos, me acostumei demais à exata medida. Dessa maneira, qualquer adendo nos meus contornos me faz causar tremendos desastres: se saio com uma blusa mais grossa nos dias frios, sou capaz de trombar em várias coisas devido aos centímetros extras não computados pelo meu cérebro. Além do mais, depois de ler com atenção o cartaz de recomendações pregado à parede do hospital, percebi que poderia sofrer da síndrome dos sintomas adiantados. É assim: sempre que tenho de tomar um remédio, leio toda a bula. Ao chegar nas reações adversas, começo a senti-las todas – mesmo que o comprimido ainda esteja na minha mão. Então, se eu engessar, vou começar a achar que não estou sentindo mais os dedinhos do pé ou coisa parecida. É. Parece que as assinaturas dos amigos não compensariam a mão-de-obra que deve ser ficar engessado. Claro que, se um dia eu me deparar com esse pequeno inconveniente, mudo de idéia e começo a ver o lado bom da coisa, como ser paparicada e... er, bem, deixar meus amigos rabiscarem o gesso. Os ossos podem fraquejar, mas a Pollyana que vive em mim é mesmo forte.
Nhanholando O verbo "nhanholar" não consta dos dicionários – mas com certeza consta de sua infância. Nhanhola é aquele momento de um soninho bom sem vontade de dormir, misturado com preguiça e manha. Quando eu saía do banho, colocava o pijama limpo e ia para o sofá assistir televisão antes da janta... Ah! Eis o horário de ouro do qual sinto falta. Normalmente, nós não estávamos sozinhos no ato. Cada criança costumava ter um companheiro de nhanhola. O meu era o polegar direito, que eu sugava e sugava até ele ficar com o aspecto de uma ameixa seca. Chupei o dedo desde que nasci e continuei com o hábito até uns bons 10 anos de idade. Como era relaxante e viciante. Tanto que minha arcada dentária não me deixa mentir. Meus irmãos também tiveram vícios na hora de nhanholar. Beto não largava a sua pupu (chupeta no linguajar tati-bitati). Ela era azul e cheirava a cangote de velho. Mesmo assim, o pequeno ruivo morria de amores pelo objeto e os dois eram inseparáveis. A pupu podia cair na terra: ele ia atrás e enfiava-a na boca sem pestanejar. Já Ana me acompanhou na chupação de dedo. Porém, ao invés de utilizar o polegar como todas as crianças normais, ela gostava mesmo dos dedos indicador e médio. Vai entender o que se passa na cabecinha de um bebê, certo? Aparentemente, a dupla era anatômica e o gosto parecia ser bom – uma vez que Ana fez uso dela até criar um pequeno calo em cada dedinho rechonchudo. Outras crianças costumam buscar objetos diversos para a hora da nhanhola. Travesseiros são sempre os campeões. Ou naninhas, como eu costumava chamar. Elas eram almofadas bem baixas e também contavam com um cheiro não muito agradável (uma mistura de suor, lágrimas, baba, leite e queijo polenghi). Também costumavam ser sujismundas, já que uma verdadeira naninha não poderia jamais ser lavada, para o desespero das mães. Lavá-las era dar adeus à graça. E olá ao berreiro. Bichos de pelúcia eram como sapatos novos: precisavam ser amaciados. Ursos para nhanholar não deveriam ter aparência nova e limpa. Ser encardido e puído era a regra básica para qualquer companheiro daquela hora. Porque todos os bichos possuem o mesmo cheiro quando saem da loja – são os donos os responsáveis por imprimir um aroma próprio durante o uso. Meu primo tinha um Petutinho chamado de, claro, Encardido. Quanto mais acabado, mais ele gostava. Quando o brinquedo perdeu os olhos foi a glória. No final de sua vida, Encardido já não mais lembrava um animal de qualquer espécie – após tantos anos de nhanhola braba, ele foi redimido a um pedaço de pelúcia gasta, áspera e desbotada. Um outro primo, por sua vez, era gamado em uma galinha de pano. Bem, não na galinha... Mas na etiqueta da galinha. Sim, ele era viciado naqueles retângulos que a maioria de nós retira ao usar uma roupa. Tanto que minha tia costurou um monte delas em uma fralda para ele... nhanholar. Com uma mão, ele chupava o dedo. Com outra, ficava passando a etiqueta pra lá e pra cá no nariz. Por horas a fio. Falando em fralda, não podemos esquecer do querido paninho. Poderia ser também um cobertor. Bastava seguir o manual da nanhola: 1) ter cheiro único, 2) ser sujinho e 3) ser aconchegante. O item dois, aqui, ganhava destaque, uma vez que o bebê andava de um lado para o outro da casa arrastando o paninho por pisos, assoalhos, gramados e o que mais aparecesse na frente. Alguma passagem deste texto lhe soou familiar? Então é porque você também já nhanholou um dia. ![]() O embaixador da nanhola
De frases e campanhas Um problema em morar na simpática São Bernardo do Campo, a ex-Detroit brasileira, é não ter horário político disponível na TV. Não que o horário eleitoral fosse ajudar a escolher o candidato, já que os programas mostram sempre a mesma patuscada: candidato com brilho no olhar, dizendo quanto bem já fez ou ainda fará para o povo da cidade. Eventualmente, aparece uma criancinha sendo beijada ou um tiozinho fazendo sinal de positivo na frente duma obra qualquer. Mas pelo menos eu poderia me divertir um bocado com a criatividade dos nanicos locais, que apelam para toda sorte de artifícios a fim de chamar a atenção, já que sua verba de campanha – e sua exposição – são mínimas. Por enquanto, vou me divertindo com as propagandas eleitorais da cidade de São Paulo. Os slogans, em especial, estão sensacionais este ano. Temos Marta, “uma mulher de coragem”. Tenho de dizer que concordo: precisa mesmo ter colhão para pegar uma prefeitura dilapidada por oito anos de Maluf e Pitta. Mais coragem ainda para meter um punhado de taxas aos cidadãos. E, especialmente, carece de ter coragem para sentar na mesma cadeira que Paulo Maluf, o homem, a lenda, já sentou um dia. Paulo Pereira da Silva, por sua vez, usa o codinome “Paulinho da Força”. Sindical, é claro. Senão, a referida alcunha podia servir como uma luva tanto para um atleta da luta livre como para um eletricista. O slogan do rapaz é demais: “Emprego é tudo”. Não sei se sou só eu, mas acho essa frase meio gay. Imagino uma expansiva drag queen dizendo “Emprego é tudo, mona!”. Só faltou o vocativo final... José Serra – que aos meus olhos guarda uma incômoda semelhança física com o senhor Burns, dono da usina nuclear e de metade de Springfield no impagável “Os Simpsons” – resolveu sacar do “Serra é do bem”. Vai ver não sou só eu que noto essa cara meio esquisita dele, daí a adoção de uma frase para reforçar que ele não é o senhor Burns. Excelente! Ainda não vi o slogan da Luiza Erundina. Mas se usarmos a mesma lógica do Serra, ela não vai precisar de nada tão assertivo quanto seu colega tucano. Afinal, Erunda é a cara daquela doce tiazinha da Casa do Pão de Queijo. Talvez um pouco mais brava. Mesmo assim, é bem melhor parecer com uma logomarca boazinha que com um velho decrépito e malvado. Tampouco consegui captar se a doutora Havanir conta com uma frase de efeito. Ela grita demais e fala de menos; fica difícil prestar atenção. E não sei porque, mas o Enéas divide todos os outdoors e folhetos em que a serelepe aparece estampada. Isso lá é vantagem? Claro que o melhor de todos, como não poderia deixar de ser, é o nosso querido (mas nem tanto) Paulo Maluf. A criatura me vem com o slogan “O bom prefeito está de volta”. Onde, que eu não estou vendo? Ah! O bom prefeito é ele mesmo? Então, a frase devia ser “O bom prefeito está voltando. Corra”. ![]() Não olhe agora, mas ele está bem atrás de você A boa Clara está voltando... ... mas, por favor, não corram! O descanso foi curto, mas gostoso. E aqui está essa humilde loira de volta à publicação diária de sandices. Entro eu, sai Flá: agora é a vez da morena esvaziar a cachola por uma semana. Confira as datas das férias aí debaixo. Flá: de 23 a 27 de agosto A partir do 8 de setembro, estaremos as três de volta. Sinfonia dos infernos Nada como a chuva batendo de leve na vidraça para embalar o sono. Nada como uma música dos Beatles para começar o dia. Nada como a voz de quem se ama lhe dizendo coisas bonitas para ficar feliz. Todos esses são barulhinhos bons que nos fazem bem. Mas, como tudo nessa vida, na audição também tem espaço para o lado ruim. Infelizmente existem sons que entram no ouvido e não causam uma sensação de alegria. Ou a gente anda de walkman o dia todo, ou invariavelmente barulhos desagradáveis tomarão conta da mente. Você já perdeu tempo pensando nos piores sons que podem existir? Eu já. E aí vai a minha lista! 1) Alarme de carro 2) Plantão da Globo 3) Moto acelerando 4) Narradores esportivos 5) Reforma no vizinho 6) Motorzinho do dentista 7) Internet discada 8) Sandy cantando a música do “Titanic” 9) Despertador 10) Voz do Faustão ![]() Ô loco, meu!
Esta semana será a vez da Flávia descansar um pouco em suas mini-férias. Mas não se preocupe: enquanto a morena inventa novas atividades, eu e Clara assumimos o comando deste navio. Xiii... Espero que ele não afunde. Acompanhe as datas: Flá: de 23 a 27 de agosto A partir de 08 de setembro, voltamos as três para o leme. Vivi Griswold às 11:49 AM
Eles não são daqui Como você identificaria alguém que não mora no mesmo Estado que o seu? O melhor modo de descobrir talvez seja pelo sotaque, porque, afinal de contas, nós todos somos muito parecidos. Identificar alguém de um outro país é menos complicado. Gringo tem cara de gringo – e às vezes sabemos disso sem que ele diga nada. Mesmo assim, com toda essa pose, ainda são iguais a nós, com olhos, orelhas e narizes em seus perfeitos lugares. Em outras palavras, são terráqueos. Mas quem já viu um ET pra dizer se é fácil ou não identificá-los? Quem garante que, mesmo que eles fossem tão diferentes, não conseguiriam se disfarçar entre nós? Em “Homens de Preto”, por exemplo, Michael Jackson só parecia um terráqueo. Em “A Experiência”, o visitante se passava por uma linda loira de olhos verdes. Por enquanto, tirando o ETzinho NEB (aquele brinquedo pegajoso, no qual as crianças podiam arrancar os órgãos imersos em gosma) e o vídeo sem-vergonha da autópsia sendo feita em um extraterrestre capturado no Novo México, tenho a impressão que só a tv e o cinema podem nos mostrar como seriam os aliens de fato. O problema é a diferença de opinião. Em um filme eles são bonzinhos, em outro são perversos, depois viram serem engraçados, feios, ou até bonitinhos... Vale tudo. E aposto uma viagem ao espaço ter acertado em pelo menos um desses chutes. Doutor Spock Alien A Bolha Assassina E.T. Superman
Marcas do destino Esse título ficou mais para novela do SBT com Patrícia de Sabrit no papel de sofredora principal, não? Mas é muito propício ao assunto que eu quero discutir hoje: cicatrizes. Aqueles sinais chatos que temos de suportar para sempre – mas que, por outro lado, nos fazem lembrar de tempos passados. Cada uma delas é uma marca indelével do que já passamos nessa vida. Ando pensando muito nessa história de sinais pelo corpo, ainda mais na véspera de... encarar minha primeira tatuagem! Sim, será amanhã. Estou com frio na barriga, porém 100% certa de que tomei uma decisão consciente e que vem sendo pensada há mais de um ano. Nunca faria algo do gênero por impulso, exatamente pelo medo daquilo não sair mais. A tal palavra, permanente, assunta muito. Mas eu não pedi para ter todas as minhas cicatrizes, certo? Nem escolhi o melhor momento e o melhor local para elas se instalarem em mim. E, ainda por cima, elas me acompanharão no resto dos meus dias. Pelo menos, tatuagem é feita a partir da vontade da pessoa e, se for planejada com cuidado, certamente significará algo mais profundo do que um simples desenhinho que não sai com sabão. O irônico é que eu gosto das cicatrizes. Apesar de terem sido feitas em momentos dolorosos, cada uma delas guarda uma história divertida por trás. Quer ver? Marca de arranhão, no braço direito Em casa cheia de gatos, é difícil não sofrer uma arranhada de tempos em tempos. Não que eles façam de propósito, até porque eu nunca conheci bichanos mais calmos e carinhosos do que os meus pimpolhos. Tem dias, porém, que aquela unha está mais afiada do que espinho de roseira, e aí já viu... Qualquer brincadeira pode suscitar uma marquinha aqui e acolá. Todas saíram, menos uma. E culpada é Alice, minha gata número seis. Alice é uma gata Gollum. Apesar de adulta, ela tem tamanho e peso de filhote. Tem os maiores e mais redondos olhos que eu já vi no universo felino, e são clarinhos como limonada. Ela é linda – e tímida. Tão tímida que é como se não existisse. Passa os dias enfiada debaixo da colcha da cama da minha mãe. E eu, como Felícia que sou, adoro pegá-la e abraçá-la e beijá-la e amá-la... Em um desses ataques, a bichinha tentou escapar e... crau. Ok, essa eu pedi. Marca de catapora, na barriga Catapora foi a doença infantil mais legal que eu já tive. Porque quando a gente é criança, é bom ficar doente. Podemos faltar na escola, e a tia manda as tarefas para fazermos em casa. As coleguinhas ficam preocupadas e ligam sem parar. A mamãe é toda mimos, deixando até comer doce antes da refeição. Quando se é adulto, não tem nada disso. Quantas vezes fui dar plantão em redação com febre! Voltando à catapora, eu achei o máximo ficar cheia de bolinhas vermelhas pelo corpo. O problema é que coçava como o diabo! Tentava me segurar, contava carneirinhos, ligava no Bozo, mas nada adiantava. Sempre que podia, metia a unha para aliviar – quando ninguém estivesse olhando, é claro. O resultado? Uma marquinha ao lado do umbigo. Marca de ponto, no queixo Ser filha única é chato. Pelo menos foi para mim, no período em que não tive irmãos mais novos para atazanar. Batia uma solidão danada naqueles dias em que não havia aula, estava chovendo e as amigas da rua estavam de castigo. O que eu fazia para espantar o mau humor? Inventava minhas próprias brincadeiras. A maioria delas, porém, não deu certo. A pior idéia de jerico que tive foi patinar de meia no chão que minha mãe acabara de encerar. No começo foi divertido e, quando estava aprimorando minha técnica de patinadora indoors, pum, caí com tudo – em cima de um taco solto do assoalho. Meu queixo abriu de lado a lado. Meus pais correram comigo no pronto socorro e eu levei alguns pontos. Olha a prova aqui que não me deixa mentir! Marca de vacina, no braço direito Eu adorava dia de campanha de vacinação contra poliomielite, quando era a “gotinha que salva”. Eu pedia para a enfermeira pingar mais que o necessário, porque achava o gosto bom. Olha o que o Dip’n Lik faz com uma criança! Dá nisso... Porém, quando era vacina de injeção ou revólver eu esperneava, gritava e desmaiava de tanto medo. Foi assim com todas as aplicações de que me lembro. Mas me esqueci – ou era muito pequena para me lembrar – da responsável pela marquinha que eu carrego no braço (e, provavelmente, você também). A tal da BCG, contra tuberculose, faz um estrago considerável na estética. Pelo menos a minha é pequenina – já vi gente com cicatrizes do tamanho de um fandangos. ![]() Perto disso, tattoo é pinto
Nem doeu, né? As férias de Clara estão chegando ao fim. Na próxima segunda, a loira volta com suas macaquices – e então será a vez da Flá pendurar o Kichute por uma semaninha. Então, pode marcar: Flá: de 23 a 27 de agosto A partir de 08 de setembro, voltamos as três com gás total. Vivi Griswold às 11:54 AM
Num futuro alternativo... Sandy e Junior não são irmãos e estão prestes a definhar se não encontrarem água. O problema é que o líquido é artigo de luxo e vale muita grana. Por isso, mesmo que encontrem, serão perseguidos por terríveis vilões que irão torturá-los, talvez com a música “O que é iiiimortal... Não morre no final...”. Para alegria dos fãs e tristeza dos amantes da boa música, isso não passa de um filme. Uma ficção-científica-musical-romance, triste de tão ruim, que se passa no famigerado “futuro alternativo”. Tá certo, todo futuro é alternativo. Ele ainda não aconteceu. Mas expliquem isso aos diretores e roteiristas. Acho que estes ainda não sabem disso. Um futuro só poderia ser alternativo, se já conhecêssemos seu passado. Tal qual foi feito com brilhantismo por Robert Zemeckis e Bob Gale em “De Volta Para o Futuro”. Marty McFly volta ao passado e, por ter interferido num simples acontecimento, ele próprio pode não existir no futuro – que, aí sim, seria alternativo, pois o fofo Marty já existe. Complicado, né? Claro, ficção tem que ser assim. Senão não tem graça. Mas suponhamos que o DeLorean de Doc Brown existisse (uma máquina do tempo em minhas mãos? Oba!) e eu, sem querer, voltasse em alguns pontos do passado e mudasse algumas situações. O que aconteceria? Eu me arriscaria a citar algumas, mas só se vocês levarem na brincadeira. Afinal de contas, foi sem querer, eu me distraí, juro que não foi de propósito... Caos musical Datena, me poupe! Talvez por eu ter sido sempre a última a ser escolhida na divisão de time. Talvez por eu preferir biblioteca à quadra, ou sapato a tênis. Talvez por eu nunca ter me enfiado em um short de lycra na vida. Talvez por eu ser magrela por natureza. Talvez por eu ter horror de suor. Seja qual for o motivo que me levou a ele, o meu pensamento é apenas um: não gosto de esportes. Nem de praticar, nem de assistir. Acontece que, de tempos em tempos, sou tomada pelo espírito esportivo – confortavelmente sentada no meu sofá, é claro. E com essas Olimpíadas, não poderia ser diferente: estou assistindo até jogo de botão, se este fizer parte do cronograma de Atenas e contar com algum time verde-e-amarelo. E a cada partida que passa, mais eu me lembro do motivo que me levou a ter desgosto por transmissões do gênero. Os malditos narradores! Eu achava que o Galvão Bueno era o pior de sua espécie. Aquele bufão que só faz comentário óbvio e torce ao invés de narrar o que vê – bem parecido com um parente meu. Aliás, tio Sérgio daria um ótimo comentarista esportivo, se o requisito é ser parcial e sofredor, xingar o juiz e rogar praga no time adversário. É igualzinho. Só não ganha por isso. Mas, para a minha sorte, faz alguns anos que eu não escuto o desagradável timbre de voz do sêo Bueno. De futebol e fórmula 1, nem chego perto – então estou praticamente livre de cruzar com o sujeito enquanto zapeio pela tevê. Tudo azul? Que nada! Descobri que há sim algo pior que o Galvão. O Datena. Quem aí acompanhou os dois primeiros jogos de voleibol masculino do Brasil conhece a dor. Leitor querido, o que foi aquilo? Minhas orelhas começam a latejar só de lembrar a quantidade de asneiras que saiu daquela boca, tão acostumada a descrever cenas sanguinolentas em programas policiais. Eu espero sinceramente que a Ana Moser, a pobre alma que divide o microfone com o cidadão, esteja ganhando um cachê muito gordo da Bandeirantes. A ex-jogadora tem de agüentar Datena a chamando a cada instante de “Ana Beatriz Moser”. Fala sério, não parece mãe dando bronca? Muito chato. Mas fica pior: quando não solta o chamamento duplo, ele se refere a ela como “monstro sagrado do esporte nacional”. É puxa-saco ainda, o pulha! Sorte nossa que Ana é tão boa de cortada fora das quadras quanto dentro. Em várias ocasiões, a atleta deu uma resposta seca e puxou o falastrão do mundo de faz-de-conta em que vive. Por exemplo: não sei de onde Datena resolveu dizer que “seria gozado” se Giovanni tivesse pego uma bola. Ela respondeu que não havia nada de “gozado” no erro do jogador brasileiro. Uuuuh. Um a zero para a Ana Beatriz, o monstro sagrado. Deve haver uma regra também quanto aos decibéis. Quanto mais alto, melhor. O Datena grita tanto, mas tanto, que eu só fico imaginando aquelas bochechas vermelhas e todas as veias da cara saltando para fora. Na mesma lista, existe um tópico que versa sobre o silêncio. Não pode existir um intervalo de mais de 5 segundos sem o narrador dizer alguma coisa. É nessa que o cara acaba soltando qualquer coisa sem pensar. Datena, é claro, nos brindou com diversas frases duvidosas. Em uma ocasião, ele disse, com todas as letras, que “Giba nunca amarela quando chega no pau”. E o coitado do jogador ali, suando a camisa, tentando fazer bonito, completamente indefeso a esse tipo de comentário construtivo. Datena costuma ainda dizer que colabora com a vitória do Brasil. A cada erro de saque do adversário, o estrupício comemora dizendo que ELE estava secando. Ah, tá. A força do pensamento tem um poder indescritível. Aliás, vou começar agora a minha mentalização antinarrador. Quem sabe não funciona, hein? Ohmmmmm... ![]() Saúde, mala
Eu ainda amo Lucy! Humor televisivo é capaz de ser tolo, previsível e ordinário – como nestes “Zorra Total”, “A Praça é Nossa” etc. Nesse tipo de programa chulo, mulher é quase sempre escada. E uma escada que usa saia curta, salto agulha e repete estupidamente bordões infelizes. Mas nem sempre foi assim para as garotas. Uma delas, há muitos anos, foi considerada a mais engraçada das figuras femininas da tv. Eu e o mundo parávamos para ver Lucille Ball. Não tinha mais do que sete anos quando a vovó Ondina me apresentou ao “I Love Lucy”. Claro, ela já conhecia muito bem. O programa nasceu em 1951 e durou até 1957. Depois ainda rendeu filhotes, e Lucille Ball ficou no ar por vários anos, com “The Lucy Show”, “Here’s Lucy” etc, mudando o elenco de apoio e sendo reprisado até nos anos 80 pela Record (dos bons tempos). Aquela senhora hilária era incansável. E ninguém ficava melhor com torta cenográfica na cara. Lucy é minha referência quando se fala em humor. Nunca precisou ser grosseira ou despudorada. Tudo bem, tudo bem... De vez em quanto ela levantava a saia – mas só se fosse mostrar calçolas de camponesa com estampa de coração ou coisa assim. Lucille Ball era adepta do pastelão, o tipo de comédia mais fácil do público gostar e duro de se fazer. Ser bobo é um talento de poucos, e ela tinha isso de sobra. A moça nasceu em 1911 – já com aqueles encantadores cabelos vermelhos – e quis atuar desde cedo. Pediu permissão à mãe e se mandou para Nova York. Chamada de “atriz sem talento” por alguns produtores, decidiu insistir de outra forma, virando corista na Broadway. Enquanto ganhava uns trocos dançando, continuava tentando a carreira fazendo testes. Lucy quase foi aprovada para ser Scarlet O’Hara em “...E o Vento Levou”! A investida não deu certo, porque Vivien Leigh ERA Scarlet. Mas nossa ruiva assinou contrato com a Metro para alguns filmes. Se no cinema a coisa ainda transcorria meio morna, na vida pessoal ela pegou fogo. Lucy casou em 1940 com o cubano Desi Arnaz, muitos anos mais novo, músico e astro de uma banda itinerante. A cartada de mestre para ela ascender em popularidade aconteceu logo depois: vendo que a recém-inventada televisão estava roubando muitos fãs da telona, ela montou uma produtora e decidiu colocar o “I Love Lucy” no ar. O seriado foi a maior audiência registrada durante os anos 50. As palhaçadas de Lucy agradavam em cheio às donas de casa. Como não agradar? Ela interpretava justamente uma delas – só que tresloucada e obsessiva por conhecer gente famosa. Em todo episódio, tinha alguma idéia imbecil para conhecer astros como Bob Hope e Joan Crawford. Quem mostrou que era engraçadíssimo ficar no beiral de edifícios com as pombas, afundar em tonéis de vinho ou ter de se esconder em armários foi a Lucy. O tom dos programas seguintes era o mesmo – só que, daí, Lucille já não contracenava com o marido, de quem se divorciou por cansar das puladas de cerca dele. Ela não perdeu a graça com isso: só passou a aprontar mais ainda ao lado da amiga Ethel (a atriz Vivian Vance, outra baita comediante). Teve um episódio, se bem me lembro, em que ela e a colega queriam participar de uma peça de teatro. Lucy conseguiu o papel de Cleópatra e Ethel, o de Marco Antônio. A cena derradeira, na qual as duas deviam morrer dramaticamente, virou circo. Nenhuma morria de vez, sempre dizendo mais uma frase, mais uma palavrinha, mais um suspiro... Era como o Chaves, só que feito por garotas. Se bem que baboseira animada assim, não tem gênero. Lucille Ball ficou rica e famosíssima. Ela casou de novo, com um comediante chamado Gary Morton, e morreu em 1989. Fico indignada que ninguém ainda tenha lançado por aqui DVDs ou outro material com o melhor dos programas televisivos da Lucy. Seria uma bela homenagem a ela – e uma diversão sem fim para nós. Os filhos da Lucy garantem que a mãe morreu sorrindo. Eu, até hoje, sou capaz de morrer de rir com ela.
Pipoca com sustos O topo de uma escada. Uma porta rangente. Um espelho embaçado. Uma respiração ofegante. Uma floresta escura. Eis o palco montado e pronto para revelar grandes sustos em um dos meus gêneros favoritos do cinema: terror! E não precisa ser daqueles filmes verdadeiramente bons não. Tendo morte, sangue, zumbi, fantasma, psicopata – ou uma mistura disso tudo – eu já estou lá, de pipoca na mão, pronta pular na poltrona. O fato é que eu não tenho muito critério quando o assunto é filme de susto. Primeiro, eu caio em todos os exemplares, sem exceção. Segundo, o fato de eu gostar ou odiar depende do momento – sempre achei “Cemitério Maldito” fraco, mas da última vez em que assisti custei para pegar no sono. Terceiro, acho que terror é feito para divertir mesmo e, partindo desse pressuposto, fica difícil não gostar de algo. No meio de tantas produções recheadas por adolescentes tontos, crianças assustadoras e truques batidos para chocar a platéia, eu tenho cá meus favoritos. E eles estão esperando por você ali, atrás daquele matagal... O Sexto Sentido O Iluminado Os Outros O Exorcista Colheita Maldita O Chamado Poltergeist
Se eu fosse... Em uma das melhores cenas de “O Casamento do Meu Melhor Amigo”, Julia Roberts tenta explicar à inoportuna noiva de seu colega-e-objeto-do-desejo que ela é “créme brullé”, mas Michael precisa é de “gelatina”. A garota diz que precisa, então, virar gelatina. A outra garante: quem nasce créme brullé não pode virar gelatina. Parece besteira, mas é verdade. Nós podemos traçar paralelos com artigos diversos e definir nossa personalidade! Gelatina ou créme brullé? O que você é, o que eu sou? Vale pensar um bocadinho antes de responder a isso. Também é preciso conhecer muito bem a si próprio para definir uma linha e acertar onde é o seu ponto. Tudo bem, não é lá uma ciência profunda ou uma teste embasada em várias aulas de psicologia... Mas pode ter fundamento, ora! Ou, pelo menos, gerar alguma diversão. Responde daí, eu respondo daqui. Se eu fosse... Um Beatle... seria o George Uma cidade... seria Roma Uma bebida... seria groselha com leite Um dia da semana... seria sexta-feira Um herói... seria o Homem-Aranha Um mito... seria o Pé-Grande Uma música... “Brown Eyed Girl” Com tudo isso, acho que posso dizer... Eu sou gelatina. Êba. Uma garota caiu no limbo... ... mas não se preocupem, porque Clarissa é valente e sabe nadar. Ou o limbo não é uma piscina? Enfim... Nesta semana, a gloriosa Clara McFly está de recesso, curtindo férias, de chinelo e camiseta velha, aguando as plantas e balançando na rede ao som de Elis Regina. Uuu, que inveja! Mas a semana que vem me aguarda! Sim, porque estamos em período de férias aqui no Garotas. Anote nossos dias de folga, pra não ficar com tanta saudade: Clara: de 16 a 20 de agosto Logo, logo, o batente volta ao normal! Fla Wonka às 05:04 PMConhece o Mario? Calma! Não vou escrever um texto sobre a piada mais infame dos últimos tempos. Até porque você conhece o sujeito sim. E olha que ele nem precisou fazer nada atrás do armário para marcar a sua presença na história: apareceu como um simples coadjuvante no começo da década de 80. De lá para cá, vem angariando uma legião de fãs cada vez maior. E eu faço parte dela. Mario, o gorducho e bigodudo homenzinho da Nintendo, estreou no jogo “Donkey Kong” em 1981. O coitado tinha a missão de salvar uma princesa das garras de um gorila furioso. No caminho, ele precisava correr, pular barris e subir escadas, até chegar perto do brutamontes. O jogo, em si, não empolgava – eram necessários poucos minutos para a euforia ceder espaço ao tédio. Mas algo na tela mostrava que aquele baixote teria um futuro promissor. O papel principal chegou em 1983, com o game “Mario Bros”. Só ali fomos conhecer um pouco mais sobre o astro. Primeiro, ele era um encanador descendente de italianos. Segundo, trabalhava em equipe com o irmão, Luigi. Terceiro, parecia com aquele seu vizinho barrigudo que passa o domingo sem camisa lavando o carro. E é exatamente por isso que eu adoro o Mario: ele não tem poder algum, não carrega armas, não dá soco em ninguém e só consegue finalizar a missão por ser irresistivelmente mundano. Em “Mario Bros”, a dupla fraternal precisava livrar os esgotos de caranguejos, moscas e tartarugas. Cá entre nós, uma tarefa mixuruca perto da próxima aventura, “Super Mario Bros”. E foi com esse jogo que eu caí de encantos pelo mundo do Mario, repleto de cogumelos, plantas carnívoras, balas de canhão e músicas grudentas. Para quem tinha acabado de sair do Atari, aquilo era a última geração em matéria de videogames. Todos os jogos que me divertiram no passado a) não tinham fases, b) não tinham fim e c) não tinham história. Mas isso mudou quando eu deixei o Mario entrar na minha vida. “Super Mario Bros”, de 1985, contava com diversas fases – que variavam entre um ensolarado gramado e uma escura masmorra –, brindava o jogador assíduo com um final e, mais importante, carregava um roteiro! Ok. Um encanador italiano enfrentando obstáculos do Reino do Cogumelo para salvar a princesa Pêssego seqüestrada por um dragão maligno chamado Bowser não é lá um primor de roteiro. Aliás, está mais para samba do crioulo doido do que para uma história que se preze. Ainda assim, melhor do que fazer um sapo atravessar uma rua porque sim, ou conduzir um aviãozinho entre navios e tanques de gasolina porque sim. É que eu gosto das coisas muito bem explicadas, sabe? Com um sentido de ser. E não fui só eu a tomada pela Mariomania. Ou alguém esqueceu que o programa da Xuxa exibia um desenho sobre o universo louco daquele encanador? Ou que já foi produzido um filme baseado no personagem, estrelado por Bob Hoskins – o detetive de “Uma Cilada para Roger Rabbit”? Pois é. Com a fama, Mario ganhou novas roupagens e novos horizontes. Confesso, porém, que dei um tempo na minha relação com o baixinho. Só fiquei sabendo dele por terceiros. Ouvi dizer, por exemplo, que ele ganhou um rabo de guaxinim em “Super Mario Bros 3”. Que começou a gostar de corridas velozes em “Super Mario Kart”. Que deu uma de Tiger Woods em “Mario Golf”. E tantas outras notícias estranhas. Tenho saudades do tempo em que Mario não era esse superstar, nem tema de piada sem-graça. Por isso, um brinde de soda aos velhos tempos e ao encanador, uma pessoa como eu e você – com uns pixels toscos a mais, é claro. ![]() Turminha animada e... quadriculada
Clara, a uma hora dessas, deve estar procurando um tal de duende sapateiro pelos bosques de São Bernardo do Campo, gozando de sua mini-folga de uma semaninha do Garotas. E, depois dela, cada uma de nós também terá a sua chance alternadamente – para não deixar nem o site, nem você na mão. Confira as datas das nossas merecidas férias: Clara: de 16 a 20 de agosto A partir de 08 de setembro, voltamos as três com gás total. Vivi Griswold às 10:59 AM
A tal da religião Há muitas semanas venho pensando sobre o tema – e, conseqüentemente, em escrever aqui sobre ele. Mas muitos me alertaram de que religião é assunto difícil. Então, numa hora fala mais alto meu lado prático: “vou dizer o que penso e milhares de fundamentalistas aparecerão para jogar pedras virtuais aqui nesta cachola”. Em outra, vem à tona minha mania de livre arbítrio: “vou dizer o que penso, já que tenho espaço para isso, e quem quiser pode se manifestar que eu agüento.” Esse venceu o dilema hoje. E vocês podem retrucar. Eu agüento mesmo. O que me levou a falar sobre religião não é a vontade contida de causa tumulto. Definitivamente, sou diferente das pessoas que “dão um boi para não entrar em uma briga e uma boiada para não sair dela”. Se eu tivesse um boi, faria um churrasco para a turma – e, se tivesse uma boiada... bom, daí eu seria cantora sertaneja. Eu não gosto de bater boca até o sol raiar, mas também não tolero rotular assuntos como “fora de discussão”. TUDO pode e deve ser discutido. Isso é saudável. Então, vamos nessa. Não sou religiosa. Já nem fico embaraçada de dizer “não, não tenho religião” quando perguntam se sou católica – apesar da família assim se intitular. O motivo? Simples (ou pelo menos eu gostaria que fosse simples): não me encaixo em nenhuma das opções definidas até hoje. No fundo, fico em dúvida se, um dia, vou escolher qualquer uma delas. Descrente? Cética? Não é para tanto. Ter religião e ter fé são duas coisas muito diferentes. Ser religioso é comumente confundido com “ser bom”. Discordo. Já vi muita gente religiosa meter os pés pelas mãos bem nas horas mais importantes. São tementes, invocam deus a torto e direito, juntam as mãos até para pedir que a mocinha da novela termine a trama feliz. Logo em seguida, porém, tratam mal os mais humildes, são mesquinhas e invejosas. Isso é ser religioso – e bom? Eu passo. Outro ponto me incomoda muito sobre as religiões. A maioria prega o castigo e a culpa como forma de manter as pessoas sob controle. Não acho isso bacana. Que mal há em ver pessoas felizes e seguras? Duvido que a força maior que rege o Universo, tão sábia, fosse querer suas criaturas todas humilhadas e com medo. Além do mais, fica muito fácil, né? O sujeito faz uma penca de coisas erradas. Daí vai ao templo, repete mecanicamente dezenas de orações ensaiadas (cujo significado a maioria nem conhece) e se acha perdoado. Cômodo... Melhor mesmo seria consertar suas besteiras em vida, aqui e agora. Pisou na bola? Vá achar um jeito de se redimir com o prejudicado, amigo, não com deus! Muito mais interessante seria dizer aos “rebanhos” que seus atos não estão sendo anotados em um caderno (não consigo crer que deus é essa velhota ranzinza...) ou que serão quitados em outras vidas, mas podem interferir na vida de outros. Por isso é importante ser bom. Não porque qualquer escorregada vai dar em inferno, purgatório, limbo ou qualquer desses departamentos mantidos pelo Seo Capeta. Mas sim porque faz bem ao espírito escolher suas opções considerando os demais – e, se der errado, é preciso arcar com o prejú. Tenho agonia de ver como a sanha religiosa já fez estragos no nosso pequeno mundinho. Ela está por trás de mais guerras do que qualquer outra motivação. Como pode? Eu acredito nesta entidade aqui, você naquela ali. Eu não suporto o fato de você não me dar razão e crio caso. Você se revolta com a minha opinião, entra na criação de caso e nós ficamos 50 anos nos bombardeando por conta disso e porque simplesmente não agüentamos ser vizinhos. Putz perda de tempo! A fé de cada um de nós move montanhas, sabem? Mas não porque acreditamos nesse deus ou naquele lá. Não é porque somos da religião judaica, espírita, católica, evangélica, hinduista, muçulmana, messiânica ou budista. É porque podemos medir nossos atos antes de fazê-los, podemos tentar ser bons com o próximo – seja ele animal, vegetal ou mineral –, podemos não nos apegar com artigos materiais, trabalhar para progredir e discutir as diferenças pacificamente. E eu levo a maior fé que todos aí entenderam esse ponto de vista. Ela não se encontra... Quer deixar recado? Como Vivi já informou, o Garotas começa hoje um período de férias. Mas evidente que, meninas responsáveis que somos, não vamos cair no mundo todas de uma vez... Nesta semana, vocês só não contarão com os maravilhosos textos de Clara McFly. (Dizem que ela foi à padoca comprar cigarrinhos e nunca mais voltará, mas é mentira pura). Para não se perder, anote aí os dias de descanso de cada mocinha: Clara: de 16 a 20 de agosto Mas se vocês orarem por nós, voltamos mais rápido. Ok, isso não vai acontecer... Mas logo passa, de verdade! Fla Wonka às 05:06 PMMúsica para os ouvidos Sabe aquelas questões bestas que de vez em quando nos perguntam – principalmente em rodinha de amigos durante o tal “jogo da verdade” no sítio? Tipo: se você tivesse de ficar só com beijo ou só com sexo a vida toda, qual escolheria? E daí você fica matutando a dúvida cruel, ponderando ambos os lados, como se tivesse realmente de decidir entre as duas coisas? Pois lá vai outra: se você pudesse ter apenas um dos cinco sentidos, qual escolheria? Essa é difícil. Mais difícil do que a do beijo ou do sexo. Sempre estarei indecisa entre a visão e a audição – e nunca conseguirei ficar apenas com um dos meus dois sentidos favoritos. Enfim, depois de toda essa embromation, vamos falar da audição. Você sabe, a missão que a orelha tem além de segurar brinco e criar cera para a plantação de couve. Pois aí vai uma lista dos meus 10 barulhinhos preferidos – uma dezena de motivos para eu gostar tanto do meu ouvido apurado. 1) Passarinho 2) Morrissey cantando 3) Tchiiiii.... 4) Chuva 5) Mamãe contando histórias 6) Grilo 7) Namorido batendo na porta 8) Gato ronronando 9) Sotaque de Graham Wynne 10) Silêncio ![]() Enjoy the silence
Vocês já devem desconfiar que escrever um texto por dia há mais de um ano sem falhar é uma missão maluca e cansativa. Claro que somos malucas de carteirinha, mas também estamos um pouco cansadas. Para não perder o gás, cada uma de nós vai tirar uma semaninha de folga do Garotas - em momentos alternados para não deixar nem o site, nem os leitores na mão. Olha só que boazinhas. Quem começa com as mini-férias é a Clara, a partir de hoje. Flá segue no cronograma e eu fecho a temporada. Ficamos assim então: Clara: de 16 a 20 de agosto Quando uma estiver descansando os dedinhos, as outras duas continuam no batente. E estaremos de volta a todo vapor após o feriado de 07 de setembro. Ok? Vivi Griswold às 11:46 AM
Galã, cantor e… corajoso Não é qualquer um que tem a moral de cantar versos do tipo Há uma estrela solta… (até aí, tudo bem) …pelo céu da boca… (ahn?) … se alguém diz (pausa dramática) … te amooooo. E ainda por cima se casar com a Patricia De Sabrit. Por isso que digo: Fábio Jr. não é qualquer um. O mocinho (já não tão mocinho assim) construiu a fama sobre canções gosmânticas e atitude de galã. Não é à toa que é o favorito de nove entre dez mães (pelo menos das progenitoras na faixa de idade da minha, que conta uns vinte anos a mais que eu). Além de românticas, as canções de Fabião têm outra característica marcante: grudam na cabeça, feito o chiclé ping-pong de hortelã colava ao redor da boca depois de uma bola estourada. Pode testar: pense nos versos de um dos sucessos do rapaz e tente se livrar depois. Quer uma ajuda? Lá vai: "Felicidade/ brilha no ar/ como uma estreeeela/ que não está lá…" Ou ainda "Carne e unha, almas gêmeas/ bate coraçããão/ as metades da laranja/ dois amantes, dois irmãos…". (Eu disse que precisa ter colhão para cantar combinações de palavras assim...) Pois fui eu mesma testar a teoria e comecei a cantarolar mentalmente a pérola "Caça e Caçador". Não consegui mais mudar o dial da cachola - e de quebra descobri que a aparentemente inocente música… não junta trá com lá. Siga a bolinha! Caça e Caçador Você pintou como um sonho e eu fui atrás com tudo Se isso são coisas do amor acredito que estou vivendo em outro mundo Como é que eu posso dizer não, fugir do paraíso Você me faz o que eu sou, caça e caçador E se um grande prazer rola pelo ar Leve e louco, sem pressa de acabar A gente nem pensa na hora, passa dia e noite assim O amor não tem que ser uma história com princípio, meio e fim Quem guarda tudo em segredo e vive numa ilha De repente o amor, por destino ou dispor, joga armadilha Não há mistérios na paixão, verdades ou mentiras A gente é o que é, homem ou mulher Esse homem é ou não é demais? ![]() Brigá-dúúú!
Vai pegar, vai pegar... não pegou Quando foi criado o conceito da televisão, seus inventores juraram: um dia, cada casa dos Estados Unidos teria um aparelho daquele. Erraram feio... Hoje, existe tv em quase toda residência do mundo! A dita cuja levou um bocadinho de tempo apenas para mostrar seus atrativos e conquistar a massa. Várias invenções foram felizes assim. Já algumas outras... Onde estávamos com a cabeça de apostar naquilo, hein? Acontece sempre da mesma maneira: o produto é divulgado como a oitava maravilha da Terra, mas não confirma os bons resultados com o uso. Com o tempo, o público percebe que é enganação ou perda de tempo e dinheiro e pára de usar. Quem comprou, fica com cara de bobo e vira chacota na família. E lá vem o tio chato: “lembra do Zé, que comprou um walk-machine dizendo que ia trabalhar todo dia pilotando aquilo? Trouxa! Hahaha”. Quanta humilhação o consumismo já nos fez passar, não? Eu lembro de algumas dessas “revoluções tecnológicas”. Recordo das que deram certo e, tanto quanto, das que naufragaram. Estas são as cinco que considero mais imbecis. Alcance Orelhinha Kilométrica Descascador de legumes Bip
Uau, olha que revolucionário! The Garotas Experience Quando uma determinada personalidade ganha seguidores ardorosos – ou quando sua história desperta grande curiosidade –, companhias de turismo acabam organizando passeios temáticos sobre a vida e obra dessas pessoas. Por exemplo: se você for para Liverpool, poderá participar do The Beatles Experience e visitar todos os lugares importantes da saga do grupo. Ou, se você for a Londres, tem a chance de seguir os passos sangrentos de Jack, O Estripador, passando pelos pontos onde foram encontradas suas vítimas. Tudo bem que eu viajo, mas é muito pedir que um dia aconteça o The Garotas Experience? Imagine só um bando de leitores malucos visitando os locais-chave para o desenvolvimento do site. Inclusive, já bolei um pequeno roteiro. Se sonhar não paga imposto (ainda), vamos extrapolar. O ponto de encontro do grupo será no banco de lápis de cor em frente ao Parque da Mônica, no Shopping Eldorado. Afinal, era lá que nós três marcávamos de esperar umas pelas outras quando os primeiros esboços deste site tomavam forma. A partir dali, o grupo sai em um ônibus com monitor, que puxará musiquinhas como “O jipe do padre fez um furo no pneu”. Filmes dos anos 80 também farão parte do percurso. A primeira parada acontecerá na rua Joaquim Floriano, de frente a um determinado prédio espelhado. O monitor explicará que foi naquele edifício, mais precisamente no sétimo andar, que as garotas se conheceram. Primeiro, eu trabalhava no recinto. Depois, chegou a Flá. Em seguida, a Clara. Ele apontará como destaque a escadaria, onde as três, juntas, tentaram superar a demissão. Próxima parada, Oz. Logo na entrada da cidade, os visitantes poderão ver o condomínio onde eu morava e onde o Garotas tomou forma, em um computador que mais pifava do que funcionava. Passaremos por diversos pontos de interessa na cidade, como a estação de trem onde eu vivenciei meu maior mico de todos os tempos, a minha E.E.P.G. e a casa da minha avó. O grupo fará uma parada na Editora Globo, onde nós passamos por algumas reuniões até fazermos parte da Revista Época. De Oz para outra cidade da Grande São Paulo: São Bernardo. Foi lá que os outros dois terços do site cresceram e desenvolveram macaquinhos no sótão. A visita passará pela quitanda da dona Júlia, pelo Colégio São Bernardo, pela vila Nova Gerty, pela casa do Sêo Jura. E, obviamente, pela morada da Clara, que não deixou de fincar as raízes naquela terra. Voltando para São Paulo, a vez é do bairro de Pinheiros. Além de passar em frente ao meu apartamento e o da Flá, os visitantes poderão ver com os próprios olhos o misterioso do túmulo do amasso. Uma parte importante do passeio será também o Darta Jones que, além de oferecer a melhor noite anos 80 da cidade, ainda foi palco de nossa incrível festa de 1 ano e da primeira vez em que atacamos de DJ. Foi ali perto também que Clara encontrou a Mirtes em carne-e-osso. O ponto de ônibus onde ocorreu o fato faz parte do percurso. De lá, a excursão segue para uma pequena sala de exibição, onde será exibido o filme “O Cálice Sagrado”. Alguns entenderão o que diabos quer dizer a palavra “Ni”. Aqueles que já captaram a referência, poderão apenas rolar na cadeira de tanto rir. O passeio termina de volta ao Shopping Eldorado, onde cada um dos participantes terá direito a um vale. Apresentando esse vale na porta do restaurante Viena, eles poderão comer gratuitamente um delicioso pudim de leite – sobremesa favorita das três e fechamento perfeito de um dia de aventuras. E aí, quem vai querer participar? Vivi Griswold às 10:32 AM
In my dreams Imagine Clint Eastwood galopando num cavalo branco, por um descampado enorme, passando primeiro por um poço, depois uma casa e, por fim, um canteiro colorido. Atrás dele, correndo, vem uma garota a pé. Podia ser uma cena de qualquer um dos filmes do caubói-e-policial-durão-que-virou-diretor-sensível, até eu revelar que a garota em questão sou eu - e que Falco, o cachorrão d'"A História Sem Fim", vinha correndo atrás de mim. Bem-vindo ao mundo dos sonhos de Clara McFly. Desde pequena, minha cachola adora me pregar peças enquanto durmo. Uma vez, pela manhã, mamãe encontrou minha cama vazia. Pouco antes de surtar - e depois de procurar pela casa toda -, ela me encontrou dormindo embaixo da cama. Maldito cérebro! Me fez deitar naquele chão duro - provavelmente sonhando que eu estava dormindo no melhor dos colchões. Tenho algumas dificuldades - às vezes sérias - para pregar o olho, mas uma vez pregado, não páro de sonhar. Minhas incursões pelos domínios de Sandman são tão impressionantes que posso acordar chorando quando sonho algo ruim. Ainda bem que pesadelos me são raros, senão teria de trocar a fronha todo dia. Isso porque não derramo umas lagriminhas - choro mesmo, de acordar com o travesseiro encharcado. Também carrego impressões do sonho pelo dia todo. São sensações difíceis de descrever: às vezes acordo alegre; às vezes, apreensiva; às vezes, com saudades. Tudo por causa das experiências fantásticas que vivi… dormindo. Há ocasiões em que, logo ao acordar, não me lembro do que sonhei. Mas basta pousar os olhos sobre um elemento qualquer durante o dia ou ouvir uma palavra-chave e pronto: as memórias são reavivadas. Esse sonho com Clint (notaram que estou íntima? E mereço: o cara apareceu no meu sonho, pô!) só foi lembrado agora há pouco, quando alguém por aqui comentou o nome dele. Aí, pimba!: revi o sonho todo, feito um filminho. Por falar em filminho, também já realizei, em sonhos, um curta-metragem documental. Era sobre a corajosa escapada da mãe do meu amigo, que fugiu com ele da China quando o Japão invadiu o país. Ela enfrentou um soldado japonês (chamado de razorblade) com as próprias mãos. A história virou lenda na família desse meu amigo e as tias dele até cantavam uma espécie de canção folclórica que narrava o episódio. O documentário tinha como tema essa canção. Seria ótimo, não fosse por um detalhe: fora o meu amigo, que existe mesmo e é filho de mãe japonesa e pai chinês, mais nada descrito acima jamais aconteceu - a escapada, a briga com um soldado e, pior de tudo, o fato de um soldado japonês ser conhecido como razorblade (que significa "navalha"). Onde diabos eu estava com a cabeça? No travesseiro, lógico. Também já sonhei duas vezes com e-xa-ta-men-te a mesma coisa. Eu encontrava uma casa - um palacete, na verdade - toda feita em mármore branco, com cortinas alvíssimas e esvoaçantes. Enorme, clássica, linda, com uma rosa bem vermelha, solitária num vaso sobre uma mesa (foi quando descobri que sonhava colorido, sim). Agora, o surreal: a imponente habitação ficava escondida em cima da minha casa antiga, um modesto sobradinho "germinado" de dois quartos. Bastava entrar pelo abertura do forro que, em vez de dar de cara com o telhado, você adentrava essa bela casa. E ninguém nunca tinha notado que essa jóia estava ali em cima! Só em sonhos mesmo. Porém, meu idílio favorito ocorreu já há algum tempo. Nele, eu me via passeando num parque ao lado de um cavalheiro vestido à maneira antiga - e bota antiga nisso. Tipo corte francesa, manja? Então. Mas ainda fica melhor: ele fez uma longa explanação sobre a diferença entre o amor divino e o amor mortal (!). Eu juro que entendi. E o que é pior: nessa época, eu nem estava lendo Jorge Luís Borges antes de dormir. Acho que preciso mesmo parar com os chás noturnos, ainda que a embalagem deles diga apenas "cidreira". Vai saber o que tem naquele saquinho…
Corredores de prazer Quem já conseguiu pensar bobagem sobre o título deste texto, pode desistir. Sou moça envergonhada demais para escrever algo apelativo. De tão avexada, já pensei em adotar as mais discretas profissões. Desde criança, por exemplo, um sonhava em trabalhar num museu. Pode ter sido influência do Indiana Jones no começo, mas até hoje não superei a vontade. Depois de saber que Jones era um arqueólogo ousado (e corajoso e esperto e um pedaço de mau caminho), tomei conhecimento que esses profissionais não vivem fugindo de civilizações perdidas ou despencando de precipícios por culpa de nazistas. É muito mais fácil achá-los no museus, lendo, estudando, trabalhando atrás de pilhas de documentos. Parece chato? Bom, eu queria. Nem tenho rinite alérgica! Visitar museu já é delírio, imagine trabalhar em um desses. Nos últimos por onde passei, na cidade de Londres, percebi que agora é prática comum colocar um guardinha em cada sala, para informar visitantes e manter a ordem. Até isso eu gostaria de fazer. Deve ser ótimo varar os dias na companhia de obras valorosas. Museus não precisam ser lugares aborrecidos e monótonos, não. Isso, americanos, italianos, franceses, ingleses e outros já cansaram de provar. Muitos contam com decoração não-tradicional e aparelhos interativos para aproximar o visitante da exposição. No de História Natural, em Nova York, entrei em uma sala que simulava florestas tropicais – em cheiro, ruídos, clima, visual. Impressionante. Esperei para ver se apareceria algum plamiteiro ilegal ou madeireiro safado. Mas mesmo aqueles que não podem apelar aos sentidos conseguem atrair atenção. Isso vai soar meio nerd, mas… ah, que importa: eu posso passar horas parada em frente a estátuas centenárias que representam toda uma época ou estilo. Já cheguei a me emocionar com isso, sabem? No dia em que vi "O Beijo", de Rodin, quase achei que aquilo era de verdade. Não pode ser assim tão perfeito… Mas não era pegadinha, não. Tirando um pouco essa aura fajuta de paixão pelas artes, eu também sei ser bem mundana nos museus. Adoro visitar suas lojinhas, por exemplo! São centenas de besteiras como bloquinhos, agendas, lápis e canecas – mas eu adoro checar as novidades baseadas nas obras daquela instituição. Uma vez, paralisei: no Museu de Ciência de Londres, a loja não tinha apenas badulaques bobos, mas prateleiras de brinquedos com algum fundo científico. Eu e o namorido arremataos de mini-bumerangues a canetas luminosas. Arte e conhecimento são sensacionais como sorvete – e lojinhas são o chantily! Isso me fez pensar muito nos museus do Brasil. Nossa história pode não ser tão antiga, mas certamente merecíamos mais templos dedicado ao passado e ao conhecimento. Dizem que o público aqui não curte esse tipo de passeio. Julgando pelas filas quilométricas que se formam a cada exposição especial montada na capital paulista, eu discordo. Quem não gosta de ver preciosidades? Fico danada de pensar no tempo que estamos perdendo deixando nossos museus à mingua. Os ianques juntam meia dúzia de teco-tecos e montam um oásis para amantes da aeronáutica americana. Na Itália, cada cidade tem lá uma portinha aberta para quem quer visitar a casa de um escritor famoso – ou até o Museu da Pasta Alimentar… Os holandeses fizeram um Museu do Sexo, como se isso só existisse lá. E, na Inglaterra, o cúmulo é tomar tento de que há um Museu Sherlock Holmes – detetive esperto, sim, mas… de mentira! Nós podemos fazer igual ou melhor. Se tivesse sido mais raçuda anos atrás, poderia ter estudado Arqueologia, História ou mesmo feito o curso de Museologia. A despeito dos que acham isso maçante e boboca, eu me divertiria horrores circulando no meio de livros e objetos seculares. Não ia, como Indiana Jones, rasgar toda a roupa caçando ídolos dourados… Mas é melhor assim, que garota tímida prefere o trabalho indoor.
É um chega-junto lindo de se ver... Loiro, rico e sem-noção Quando o Silvio Santos morrer (bate na madeira três vezes, porque eu não quero passar por essa dor), ele vai rachar a maior parte de sua imensa fortuna com aquele bando de filhas. Aposto que no testamento do Patrão também constará um saquinho de moedas de ouro para o Jassa, o cabeleireiro, para o Roque, o braço direito, e para o Ivo Holanda, o mestre das pegadinhas. E o SBT, fica com quem? Ah... só pode ser com o Gugu. Eis o primeiro motivo para eu me simpatizar com Augusto Liberato. E tem muito mais de onde esse veio: é ele quem usa o nome artístico Gugu, a coisa mais cuti-cuti da televisão; é ele quem canta a música do passarinho, um clássico de todos os tempos; é ele quem inventa os melhores concursos, como o Rambo Brasileiro e Sandy e Junior cover; é ele quem se parece com o Riquinho. Ainda não ficou convencido de todas as qualidades do loiro mais querido das tardes de domingo (claro, é o único)? Então aí vai uma lista de todos os pontos fortes do Gugu. Atenção... Valendooooo! (sobe fundo musical da banheira “Umba umba umba hey”) 1) Ele dá emprego para atores iniciantes 2) Ele é um pai moderno, que nem o Michael Jackson 3) Ele tem uma linha de brinquedos educativos... e hilários 4) Ele considera sua presença um prêmio 5) Ele ainda convida o É o Tchan para o programa 6) Ele transforma qualquer besteira em reportagem investigativa 7) Ele bola as gincanas mais toscas da tevê 8) Ele contrata os melhores profissionais de redação 9) Ele nos brindou com o Liminha 10) Ele acha que canta. E que atua ![]() O Gugu é coisa nossa
Memória da imagem e do som Diz o clichê que uma imagem vale mais que mil palavras. Como quase todos os clichês, embora gasto, esse também é verdadeiro. E digo mais: uma imagem - ou uma seqüência delas - ainda pode fazer um som muito mais divertido. Melvin Udall, o irresistível misantropo vivido por Jack Nicholson em "Melhor É Impossível", utiliza-se de uma interessante classificação de canções ao viajar com "Simon, a bicha, e Carol, a garçonete" (antes que vocês me acusem de ser politicamente incorreta, lembro que essa frase é de Melvin, não minha). Ele começa com um CD onde se lê "para quebrar o gelo", e termina com um de músicas "para salvar a situação", ou algo do tipo. Eu também tenho minhas categorias, que vão de "músicas para levantar e sair vivendo" a "canções para chutar tudo". A mais nova classificação é "músicas que são mais legais quando ouvidas com seu videoclipe". Não que as peças listadas a seguir sejam chatas ou ruins quando sintonizadas no dial do carro ou postas para execução no toca-CDs de casa. Elas simplesmente parecem ficar mais bacanas quando acompanhadas do vídeo - e só. Ou não? Footloose, Kenny Logins Buddy Holly, Weezer Hey Ya, Outkast Ela Disse Adeus, Paralamas do Sucesso Being Boring, Pet Shop Boys ![]() I came across a cache of old photos, and invitations to teenage parties… Onde era seu ponto? Sala de aula, no meu tempo, era um continente muito bem dividido – tanto com relação à geografia física quanto política. Quando o ano letivo começava, escolher um lugar era muito mais complexo do que apenas aboletar o traseiro em uma cadeira recoberta de fórmica verde-água. Tratava-se de seguir toda uma filosofia escolar. As regiões era subdivididas conforme comportamento, aparência e índole dos estudantes. Você era uma menina loirinha, miúda e que curtia cadernos da Hello Kitty aos 12 anos? Se tomasse o rumo do fundo da sala, podia virar carniça em apenas alguns minutos. Fundo de classe escolar está para garotinhas tal qual o bairro do Bronx está para yuppies brancos. Se o aluno era esperto mesmo, procurava oscilar entre as áreas, e não optar por se relacionar apenas com seus compatriotas de setor. Ficar tempo demais sentando nas primeiras fileiras poderia te tornar um sério candidato a sofrer nas cruéis mãos de outros garotos. Era o mesmo com quem sentava apenas "mais pra trás": se tentasse virar CDF e tirar boas notas, precisaria convencer o professor da virada de casaca. E isso era quase impossível, dada a fama da região. Não sei as classes por onde vocês passaram, mas as minhas tinham sim essa geografia determinada. Conheça o mapa. À frente, colado na mesa oficial À frente, nas laterais O miolo Os cantos O fundão E você, leitor? Onde estabeleceu posição nessa complicada geografia escolar, hein? Contos da catraca Bem se vê pelo título que eu sou paulista. Mas não importa o nome que seu estado dá ao dispositivo duro e barulhento que temos de transpor para andar de ônibus: as cenas que presenciamos ao fazer uso do transporte coletivo sob rodas são comuns do Oiapoque ao Chuí. De tão escolada que sou de pegar o busum, conheço de cabeça todas as figurinhas carimbadas que marcam presença em toda e qualquer viagem, seja no sentido bairro-centro ou no centro-bairro. Há caras de terno e gravata e mulheres arrumadinhas que nem olham para o lado; há mães com um bebês de colo e mais três sacolas de plush colorido; há turmas do cursinho, adolescentes na flor da idade; há colegas de trabalho que voltam juntas até um determinado ponto; há trabalhadores de roupa suja que dormem o tempo todo; há velhotas se aglomerando nos bancos especiais; e, claro, há Mirtes. Os atos de observar e escutar essas figuras viraram um passatempo para mim. Se do lado de fora a paisagem do percurso é sempre a mesma, do lado de dentro as pérolas são únicas. Ainda bem que eu ando com meu inseparável caderninho de capa dura na bolsa para poder anotar as conversas mais surreais que já ouvi dentro do ônibus. E chegou a hora de revelar algumas – todas reais. Passageira: Não acredito que a Solange fez aquilo! Como ela pôde? Nossa, caiu meu queixo. Cobrador: Você aceita passe? Motorista: Coitado. Além de bicha, é pobre. Passageira: Aí que eu vim noite passada. Esse lugar ferve. Adolescente 1: Sabe a Ana? Passageiro: Oi. Oooi. Oooooi. (sacudidela) Motorista: A Marta me paga. Rapaz no celular: Namorada que fica amiga de mãe é treta. Hein? Enxerida, euzinha? Culpa do ônibus, minha gente. Vivi Griswold às 10:00 AM
No comando dos carrinhos Lembram de quando eu disse que fazer supermercado era uma das coisas da lista de atividades bacanas-na-infância-mas-nem-tanto-agora? Eu também disse que ia tentar me divertir mais nas próximas vezes. Então. Está funcionando. Notei que falo à beça enquanto escolho as ervilhas (pelo preço mais barato) e o sabão em pó (pela marca, que eu nunca tô a fim de ficar esfregando roupas – então tem de ser um produto bom). E toda essa conversa tem um único interlocutor: eu mesma. Sim, eu falo sozinha. E muito. Principalmente no supermercado. Isso ajuda bastante a matar o tempo tomado por essa obrigação quinzenal. Sigo a lista comentando (em volume baixo, já que não quero ser levada dos corredores de farináceos direto para algum instituto mental) o que já peguei, o que falta e até mesmo arrisco, às vezes, um "ih, mas como vocês estão feinhas hoje" para as cebolas ou batatas menos privilegiadas da feira do dia. Mas parte da diversão vem mesmo dos outros pilotos de carrinhos – especialmente quando você faz compras num supermercado pequeno, que aparentemente também serve como uma espécie de clube de encontro da vizinhança. As pessoas se conhecem, se cumprimentam e também comentam "ih, as batatas não estão muito boas hoje, né?". E o melhor da história é que elas não estão nem aí se você não faz parte do clubinho. Conversam com você do mesmo jeito. Na minha última incursão ao mundo maravilhoso das compras, um velhinho esperou que eu escolhesse o café (pelo preço, que café eu trago de qualquer jeito) e sacou do "já experimentou desse?", apontando para o que eu havia enfiado no carrinho. Eu respondi que não e confessei que, nesse caso, escolhia quase sempre o da marca o-mais-barato. Ele me assegurou que o tal pó era do bom (no bom sentido; pelamordedeus, era um velhinho, poxa!) e que sua missão no supermercado naquele dia era levar mais uns pacotes para casa, pois a mulher dele tinha gostado muito do café. Olha que simpatia! Poucos minutos depois, estava eu na fase final das compras: a famigerada feira. E noto um senhor que escolhia tomates comentando com a mulher ao lado: "aumentou, viu? Eu deixei para comprar hoje porque achei que ia abaixar, mas não deu certo...". Fiquei chocada. As pessoas têm táticas de supermercado! Eu nem desconfiava da existência disso. Tenho lá as minhas técnicas, mas ir dois dias seguidos e apostar na queda do preço de um item já é demais. Já me encaminhando para o caixa, eis que ouço a pérola do dia. Durante toda a minha estadia na loja, notei que havia um bando de crianças que gritavam feito pterodáctilos entre as gôndolas. De quando em quando, destacava-se o berro da mãe enfurecida. Alguns minutos de silêncio e, "ááááááááárrr", lá estavam os pterodáctilos de novo. Até que, a certa hora, um dos pirralhos felizes se perdeu da mamãe. Tudo que ouvi foi "mãe, não tô vendo você", entre gargalhadas, seguido da resposta curta e grossa (e não tão risível assim): "vem cá que você vai ver é minha mão na sua cara já-já". Gente assim anima as minhas compras. Clara McFly às 07:04 PMA arte de presentear O aniversário de 1.000 textos passou e a gente não ganhou presente. Bom, não aqueles presentes concretos, que vêm embaldos em caixa, papel e laçarote. A conquista desse trio aqui foi comemorada, isso sim, junto com os leitores, trocando mensagens lindas sobre sonhos realizados e um futuro brilhante. Porque presente bacana é assim: não precisa vir em embalagem. Eu sempre adorei ganhar regalos de aniversário, Dia das Crianças, Natal. Mais que isso, sempre amei dar presentes aos amigos, aos parentes, às crianças dos amigos e parentes. É uma das melhores sensações que há, eu acho, ver a carinha de alguém que recebe o embrulho. Os pequeninos são os mais sinceros nessa hora: se você der ao moleque um conjunto de seis cuecas no aniversário, ele não vai sorrir para contentar ninguém – vai, isso sim, fechar a cara e só dizer "obrigada" se a mãe mandar. Seria bem mais simples se todos presenteassem os seus pensando como crianças, aliás. Se tem uma coisa que me aborrece é aquele período antes do aniversário. Não, eu não tenho qualquer bode da data, muito pelo contrário! Espero o dia 13 de fevereiro ansiosamente, como nos tempos de meninota. Chato é ouvir a indefectível pergunta. Todo santo ano tem alguém que me liga e questiona: "o que você quer ganhar?". De uns anos pra cá, passei a responder "um saco de ração canina ou um Porsche, você escolhe". Dar presente não deveria ser uma obrigação. Por isso perguntar "o que você quer ganhar" é tão ofensivo. Custa parar, pensar naquela pessoa especial, lembrar quem ela é, o que fala, o que gosta e escolher um mimo? Não é possível aguentar tanta falta de criatividade e amor ao próximo! Tá sem idéia? Então não precisa dar nada, só um abraço, dois beijos e talvez uma cartinha. Usar do tutano para escolher presente parece ser mesmo uma arte – ou um dom que poucos possuem. Muita gente não entende, por exemplo, os presentes que eu dou. Mas nem ligo, porque sei que eles surpreendem e animam. Para o namorido, já comprei de pantufas com padronagem de vaca a walk-talks. Não era o que ele esperava, mas adorou. É isso o que vale ao presentear: mostrar que você se importou em alegrar aquele outro ser humano – e não mostrar quanto dinheiro gastou. Entre uma camisa de seda italiana branca linda e um Aquaplay usado do site de leilões, sou um milhão de vezes a segunda opção. Dou a entender isso a anos, mas muitos parecem não sacar. Sério, eu adoro tudo o que ganho, mesmo que seja de fato um saco de ração canina. Mas gosto mais quando vejo que a pessoa quis mesmo me dar aquilo. Receber roupas enjoadas só porque eram da loja mais próxima, magoa. Tá bom, não magoa… Mas também não acrescenta. No último aniversário, quase morri de alegria. Clara e Vivi deram um pacote ultra-divertido contendo lápis de cor, SuperMassa, brinquedos (usei tudo, sem dó). Raquel me enviou flores lááá dos Istêites, arrancando uma lagriminha. Leandro, aquela fofura, mandou fazer uma placa rosada com três garotas atravessando a rua – e ela vai para a porta do escritório assim que o cômodo estiver no jeito. Tércio deu o CD de um filme que tínhamos visto juntos e amado. O maravilhoso namorido apelou: me deu um Dr. Evil que fala "why must I be surrounded by sucking idiots?"! E vários DVDs! Amei cada demonstração de carinho por causa da sinceridade. Ultimamente, ando devendo presentes para mais gente. Queria poder contentar a cada um com aquilo que eles almejam, como uma fada madrinha (mas não daquelas gordinhas e míopes, não). Hoje quero dar um desses. É virtual, mas é de coração. Aos leitores do Garotas que Dizem Ni e aos membros do nosso divertido Fórum, eu dedico esse texto e um recado: vocês alegram os meus dias como nunca pensei que um bando de rapazes e moças hilários, simpáticos e extremamente inteligentes faria. É só uma mensagem, mas eu deixo como presente.
Meu coração é de vocês! Pipoca com suspiros Existe um tipo de filme que não é feito para discutir a situação mundial, exibir os horrores da guerra, filosofar sobre a vida e a humanidade, mergulhar na mente de um assassino, mostrar catástrofes em um futuro não muito distante. Seu propósito é um só: fazer o espectador suspirar – e ver que as coisas podem dar certo, mesmo com todas as trapalhadas. É por isso que eu amo comédias românticas, esses passatempos divertidos e encantadores que toda garota gosta – e meninos também, não me venham dizer que não! Uma vez disposto a ficar na frente da tela, a identificação é imediata. Claro: todo mundo neste planeta busca um amor, um beijo apaixonado e um final feliz. O interessante é que personagens dos “date movies” não são presidentes dos EUA, psicopatas famosos ou heróis históricos. Nem estão lá para aprender uma grande lição, nem mudar o mundo. Eles são gente como eu e você. Pessoas normais que só querem ter com quem dividir o cobertor em uma noite gelada. Snif. Ainda bem que tudo dá certo antes dos créditos subirem. Ficou com vontade? Então prepare a pipoca e acompanhe as comédias românticas favoritas desta menina invariavelmente romântica aqui. Se houver algum diabético aí do outro lado, recomendo não prosseguir com a leitura. Quatro Casamentos e Um Funeral Jerry Maguire - A Grande Virada Uma Linda Mulher Afinado no Amor O Casamento do Meu Melhor Amigo Digam o Que Quiserem Feitiço da Lua Sintonia de Amor ![]() Ai, ai...
Show do milhar Pois bem. Está na hora de celebrar a passagem do milhar. Este que vocês lêem é o milésimo texto do Garotas. Foram mil histórias, curtas ou compridas, cômicas ou nem tanto, sobre alhos e bugalhos, nem sempre juntando trá com lá – mas por isso mesmo tão bacanas de se contar. Como as minhas comparsas explicaram, o dia é de revelação das particularidades. Vivi começou falando de coisas que só Flá faz; a morena tatuada seguiu contando as minhas façanhas (só para o registro: o filme do Duende existe SIM!) e eu fecho contando as peculiaridades da nossa querida ruiva. Antes de começar, porém, quero registrar nossos sinceros agradecimentos aos leitores. Graças a eles, continuamos aqui e já alcançamos coisas jamais sonhadas quando apertamos pela primeira vez o botão de publicação na manutenção deste sítio. Tá certo que continuaríamos escrevendo, mesmo que só para nossos pais e mães, por pura vontade de teclar sempre – afinal, foi isso que originou a criação do Garotas. Mas vocês fizeram nossa vida bem mais divertida. Valeu! Agora, sem mais delongas, Vivi é a única que... ... tem parentes no estrangeiro ... morre de amores pelo Morrissey ... já esteve no continente africano ... odeia “Seinfeld” ... tem um pé tamanho infantil ... não se importa muito com as refeições ... tem animais de estimação ... usa aparelho agora ... fica bem com roupas de menininha Sei lá, mil coisas! No dia de hoje, nosso adorado site completa um milhar de textos publicados. O mais estranho não é eu, Clara e Vivi termos escrito esse recorde de histórias. Curioso mesmo é tanta gente ter vindo ler! E ainda dizem que internauta não gosta de blocos de palavras em demasia… Há! Acho que provamos o contrário, não é não? Fazendo a conta, escorregando o 9 e somando uns 12, parece que fizemos 333,3 textos cada uma. Muitos leitores afirmam categoricamente: a essa altura, já nos expressamos de forma tão semelhante que é quase impossível saber quem esreveu o quê. Eu concordo. Apenas olhando título e primeiro parágrafo, sou bem capaz de confundir a autora do texto. Será que viramos uma só pessoa?? Não, ainda não. Porque, apesar de falar no telefone diariamente, saber o que as outras estão pensando antes de debater o assunto e descobrir que a telepatia quase funciona mesmo entre nós, Flávia, Clarissa e Viviana ainda são seres distintos. Hoje de manhã vocês conheceram minhas particularidades. Agora, ficarão sabendo mais sobre uma Garota Platinada. Clarissa, a nossa bela da tarde, é a única que… …odeia frio …estuda espanhol …é casada com um não-jornalista …fuma, a pestilenta …mora numa casa …acha o Falcão, do Rappa, sexy …tem dificuldade pra dormir …é Godmother …fez colegial técnico – e virou prôfe …diz que viu um filme de duende… e o do Frota! A mil por hora Hoje o Garotas alcançará uma marca histórica: quando Clara der o ar de sua graça lá pela tardinha, teremos mil textos publicados! Mil textos! Se todas as palavrinhas escritas aqui desde o primeiro dia de maluquice fossem enfileiradas, quantas voltas no planeta Terra poderíamos dar com elas? Bem, vou ficar devendo o dado científico... Mas não um especial para marcar a data. Em todos os artigos diários que já passaram pela tela do seu computador, mostramos um pouquinho de cada uma de nós. Mesmo assim, existem algumas facetas que ou ficaram camufladas em uma frase, ou nunca foram expostas. Pois agora uma porção será revelada – será o dia do “ela é a única”. Funcionará assim: eu farei uma lista de coisas que só a Flá tem ou faz. Depois, a morena ataca as particularidades de Clarinha. Esta, por fim, vai procurar nesta escriba que vos fala algo único. Captou? Então vamos lá! Flávia, a doce pessoinha que os leitores já conhecem, é a única que... ... tem tatuagem ... nunca furou as orelhas ... nunca colocou tinta no cabelo ... encarou uma reforma completa no apartamento ... pesa mais que 50 quilos ... toma leite puro e acha isso normal ... casou vestida de noiva ... pode fazer rabo-de-cavalo ... fez curso de jardinagem Mais segredos revelados, só sob tortura. Vivi Griswold às 10:22 AM
Alguém me puxou de volta Foram 30 longas horas fora do ar - sendo que umas quatro delas eu passei tentando me comunicar com a Telefonica. Sim, porque apesar de ser uma empresa de telefonia, a ligação é ruim, lenta e dá de cair bem no meio de uma explicação importante. O Speedy, adquirido há apenas uma semana, simplesmente pifou. E eu fiquei sem poder fazer nada. Quando o moço do outro lado da linha do atendimento de suporte perguntou se uma luz específica do modem estava ligada, e eu respondi que não, ouvi um sonoro "Xiiiii...". Àquela hora, o relógio já passava do meio-dia, eu já havia pedido à Clara correr com uma explicação para os leitores neste espaço, e a minha paciência já tinha esgotado. Teria ido a uma lan house, mas os nerds do mal estariam lá. E, normalmente, todos os computadores do recinto possuem aquele vírus irritante que não deixa a pessoa acentuar as palavras no Word. Ah, mas quem liga para o bom funcionamento de editores de texto quando se tem Counter Strike e se escreve naum ao invés de não? Resolvi ficar em casa e tentar correr com um volumoso trabalho que tenho de entregar na semana que vem, além de outro que está na fila de espera. Tudo isso olhando no relógio e contando os minutos para o técnico da Telefonica vir aqui em casa ver o que estava ocorrendo. Ele veio. Hoje, sábado, às 10 horas da manhã. Descobriu que o problema, claro, não era nosso - ou do nosso computador, da nossa tomada, da nossa linha ou da nossa cabeça - e sim da central deles. A esta altura do campeontado, então, decidi não publicar um texto para o dia de ontem. Ele é tão legal, e ficaria tão escondido lá embaixo... Fica para segunda-feira. A boa notícia é que estou de volta no ar, conseguirei terminar o trabalho e depois... irei na grande Festa do Garotas. O quê? Não está sabendo? Clique já aqui! E apareça por lá, para a gente jogar maldições no povo do Speedy ao som de Cyndi Lauper. Vivi Griswold às 12:27 PM
De palavras sobrepostas e tiras bobocas Dublagem é que nem um prato de feijoada. Nem sempre cai muito bem; depende do contexto e da cozinheira. Assim, temos peças dubladas que são até melhores que seus originais (como todos, e eu digo TODOS, os filmes do Eddie Murphy) e outras que ficam um horror (séries como “Will & Grace” na Rede 21). Tem ainda aqueles que ficam um horror, mas são hilariantes (como todas as propagandas da Polishop). Independente do efeito que a dublagem tem sobre os incautos espectadores – ódio, amor ou risos irrefreáveis –, o fato é que a técnica criou expressões e palavras próprias. São termos que ninguém fala numa conversa no dia-a-dia, mas estão lá, em enlatados policiais ou desenhos animados. “Sebo nas canelas”, por exemplo. Você já viu alguém dizer “ei, fulano, o Maluf está atrás da gente! Sebo nas canelas!”? Eu nunca. Quem diz isso é inspirado nos desenhos – ou seja, foi o ciclo contrário, das telas para as ruas. E “tiras”? Não que a tradução de “cops” esteja errada, mas eu jamais ouvi um transeunte qualquer dizer “ih, lá vêm os tiras...”. Gambé, meganha, pulíça – esses sim já presenciei. Mas “tiras”, para mim, são estreitos pedaços de pano. Ou histórias em quadrinhos. Porém, a melhor das expressões criadas pela dublagem é, de longe, “é como, você sabe”. Tradução literal de “it’s like, you know”, usada pelos americanos à guisa de “tipo assim”, ela simplesmente não existe no Brasil. A não ser nos programas policiais-trash do Discovery Channel, do AXN e da Band. Vez por outra, um “tira” – devidamente paramentado com aquele chapéu gozado, um bigodão e óculos escuros à la amber vision – aparece contando um “causo” nos tais programas. E invariavelmente saca de uma declaração mais ou menos assim – cheia de pausas para que a dublagem possa sincronizar: “Bem, er, eu e meu colega Billy Boy McKinski estávamos passando pela highway quando vimos um carro parado no acostamento, com a porta aberta. É como, você sabe... as pessoas não param assim a não ser que estejam, er, em apuros. Decidimos parar para, é como, você sabe, averiguar a situação. E foi aí que vimos um corpo sem cabeça, e nós pensamos, é como, você sabe, bem, eu não queria estar no lugar dessa pessoa!”. Jura, Billy Boy? Clara McFly às 09:08 PMDe capeta a alma perdida Houve um tempo em que a Rainha dos Baixinhos tinha amizades divertidas. Em seu programa, lá nos anos 80, Xuxa não recebia só funkeiros cariocas que o resto do país desconhecia. Ali surgiam tipos como os Inimigos do Rei, Dr. Silvana e até Marquinhos Moura (ou vai dizer que vocês não achavam aquele moço pura diversão?). Havia ainda um outro "amigão", que inclusive substituiu a loira por algumas semanas no comando do show. Ele era Serginho Mallandro. Há 20 anos, o rapaz não fazia propaganda do Car System, aquele maldito alarme automotivo chato dos infernos. Também não tinha colegas de palco escancaradas em revistas masculinas e nem era reconhecido por… bem… se portar como um adicto da farinha que passarinho não cheira. Por isso e muito mais, o Mallandro era o mais legal dos apresentadores de programa infantil. Disparado! Em sua "Hora do Capeta" – a atração rivalizava com a da Xuxa em horário, mas durou bem menos –, as brincadeiras eram mais do feitio dos meninos que das meninas. Como sempre fui tão afeita aos "G.I. Joe" quanto dos "Ursinhos Carinhosos", gostei bastante do programa de Serginho. Poxa, ele fazia imitações e tudo. Para completar, a coisa toda começava ao som de um verdadeiro hino! "Co-nheci/ Um capeta em forma de guri!". O hit contava que, numa família tradicional, surgiu um menino que era mesmo infernal. Seus primeiros passos, ainda neném, já foram botinadas na canela de alguém. Suponho conhecer esse indivíduo… A letra é do tempo da Jovem Guarda, e a música se chamava "O Escândalo". Mas serviu como uma luva ao maníaco do Glu-Glu. Quem aí poderia esquecer também que, um dia, o cara já encarnou o maior guarda-metas de todos os tempos, o goleiro Mallandrovski? A molecada tinha a função de chutar bolas no gol para tentar ganhar presente. O pirado sob as traves pretendia bloquear os chutes. Ele sacaneava muito aquelas crianças… Mas era engraçado demais. Outra hora de tortura no programa do cidadão era a famosa "Porta dos Desesperados". Bem ao contrário da "Porta da Esperança", levada ao ar pelo Patrão do Serginho aos domingos, esta rendia muito mais gorilas e monstros do que prêmios. Ficavam duas horas naquilo: "você quer abrir a 1, 2 ou 3? Tem certeza, não quer mudar?". Que aflição! Eu até torcia pra menina ou o garoto levarem a bicicleta ou coisa assim, mas abrir a porta e ser perseguido pelo homem-macaco era muito melhor! Mas além de atazanar petizes nas manhãs, Mallandro provocava revolta em outros tipos: os jurados do "Show de Calouros". Pedro de Lara era quem mais sofria com os tiques do rapaz. Tudo bem, ele era um senhor pavoroso, malumorado e muito esquisito, mas não merecia aquele destino… Aguentar um sujeito que sobe na bancada e berra "Glu Glu! Há!!" feito um descompensado fazedor de biquinho? Haja chá de lírio, né, Seo Pedro? Depois Mallandro perdeu a vaga como "retardado do Show de Calouros" e também o programa matinal. Teve esse zezezê com a Xuxa (e, cá entre nós, muitos dizem que ele e a loira foram beeeem além do zezezê), mas também não durou. Serginho deve ter ficado chateado. Eu sei que EU fiquei: ele era estriquinado, mas um ótimo showman. E que perfeito compositor também! Afinal, a letra de "Vem Fazer Glu-Glu", de 1986, é cria do Serginho. Ô se é. Quem mais pensaria em inventar versos doces como "Glu-glu para mim/ Glu-glu para tu/ Vem meu amor/ I love you"? Quado voltou para a tv, nas madrugadas e sei-lá-qual emissora, até tentei assistir, achando que poderia ser engraçado como antes – mesmo que, então, o cara estivesse atuando para adultos. Cruzes, que decepção… "Teste de Fidelidade"?? "Pegadinha do Mallandro??" Caramba, isso era coisa do João Kléber, e não do Serginho que conhecíamos de outros carnavais! Tanto talento desperdiçado, uma pena. Muito maior que o da loiríssima Xuxa, provavelmente. Alguém podia ter deixado o show das manhãs com o Serginho para todo o sempre.
O melhor goleiro... da 'Hora do Capeta' Este texto é uma homenagem ao meu amigo Kanangô, o maior fã-vivo (ou nem tanto) de Sérgio Mallandro. Até a última checagem, essa tietagem ainda não havia levado o rapaz à ruína. Amanhã tem arrasta-pé Se os castores malufistas não aprontarem mais uma das suas em Pinheiros, amanhã de noite, dia 07/08, eu, Vivi e Clarita estaremos botando para quebrar no suntuoso, vitaminado e nababesco Darta Jones 80s Bar - no comando do som, sejamos claros. Vai rolar de um tudo, de "Supersonic" a "Vem Fazer Glu-Glu". Ou não, se acontecer do povo abandonar a pista... De qualquer jeito, vem conferir, vá? Houston, we have a problem Após meses e meses sendo importunada pelos funcionários da Telefônica, que ligavam diariamente às 9 em ponto para saber se nossa ruiva predileta queria adquirir o Speedy, eis que Vivi sucumbiu. Vencida pelo cansaço – e pela promessa de bytes ilimitados –, ela comprou o tal do Speedy. E olha no que deu... Uma semana depois (também conhecida como hoje), o tal serviço deixou-a na mão. Vivi tentou de tudo – ligou e desligou o modem, tirou da tomada e assoprou e, por fim, tomada pelo desespero, até mesmo ligou para a operadora. Após uma hora na linha, foi informada de que castores roeram todo o cabeamento da região de Pinheiros após olharem longamente para um outdoor do Maluf. Ok, não foi por isso que a conexão rápida de Vivi saiu do ar. Mas que ela saiu, saiu – e recebi um telefonema da moçoila pedindo que eu explicasse o estranho caso dos castores e do Maluf para você, leitor (não seria muito mais legal se fosse por isso?). Assim que possível, nossa ruiva predileta retornará às atividades normais. E postará seu texto inédito no lugar deste aviso. Por isso, fique ligado. E cuidado com castores de olhar injetado, que estejam rondando sua região. Clara McFly às 12:38 PM
Feios, sujos e malvados Todo mundo parou para assistir o fim de Laura Prudente da Costa, a vilã interpretada por Claudia Abreu na última embromação das oito. Nada contra, até porque, como disse, não acompanhei a novela para saber se ela era mesmo malvada – ou melhor, para saber se ela era mais malvada que alguns vilões de folhetim inesquecíveis. De qualquer maneira, Laura por Laura fico com a Figuerôa, a terrível ricaça de “Rainha da Sucata”. Ou com outra madame sangue-ruim, dona Odete. Ou, no campo dos vilões abobalhados, com o deliciosamente malévolo Vlad. A lista é enorme, mas separei apenas os que ainda vivem na minha memória. E vocês? Quem amam odiar da lista abaixo? Branca Letícia de Barros Mota, de Por Amor Laurinha Figuerôa, de Rainha da Sucata Felipe Barreto, de O Dono do Mundo Perpétua, de Tieta Odete Roitman, de Vale Tudo Menções honrosas... ... para o impagável Ravengar de Antonio Abujamra. Ele já foi tão citado nesse sítio que nem há mais o que dizer da intrépida figura de cabelos revoltos. Em “Que Rei Sou Eu?”, ele viveu um vilão digno de nota. ... para a vilã de uma novela mexicana (“Topázio”, acho eu) que usava tapa-olho (!) e, como se não bastasse, ainda combinava tal acessório com a roupa que estivesse usando (!!). Tem coisas que só o SBT faz por você. ![]() Dona Odete papou Ele, o Boto!
Acorda, Tio Sam Eu não sou norte-americana. Não tenho parentes ou amigos norte-americanos. Só estive nos Estados Unidos duas vezes, a passeio, a bem da verdade. Mas acho que isso já me abona para dar um palpite sobre os ianques. Eles estão dormindo, vivendo um sonho profundo, letárgico. Estão como zumbis, e daqueles mais mocorongos. Claro, não são todos eles! Só 50%. Por que isso deveria ser problema meu? Bom… Como muitos já podem prever, eu fui assistir "Fahrenheit 9/11" no cinema. Duas vezes. E apesar de, em teoria, não ter nada a ver com a política norte-americana, fiquei estarrecida. Inclusive por acreditar em um fato: o que aparece na tela durante aquelas duas horas diz, sim, respeito a todos nós – independente de nacionalidade, credo, cor. Como bem inventou a Vivi, justo mesmo seria o seguinte: já que o governo dos EUA se permite invadir países e mandar na ordem mundial, todos os moradores do planeta deveriam ter direito a votar para a presidência norte-americana. Queria ver se George W. Bush venceria eleição no Iraque… Não, lá não é a Flórida. E pessoas que têm suas casas bombardeadas e/ou pilhadas em plena madrugada podem ser frágeis, mas não esquecem um rosto. Falar sobre o filme de Michael Moore parece, a essa altura, bastante desnecessário. O gordinho levou Palma de Ouro em Cannes este ano, ovacionado com aplausos durante 20 minutos. Foi capa de revista, suscitou comentários em muita mesa de bar, já amealhou mais de US$ 100 milhões – recorde absoluto para um documentário. Dizem que ele é estrelinha, um cineasta aparecido e falastrão que só almeja a fama. Bom, eu não acho, mas as intenções dele não me importam muito, sinceramente. Porque não é Michael Moore quem tem acesso ao botão das bombas. No momento, é George W. Bush. Ou melhor: é o povo americano, já que estes é que vão decidir, daqui alguns meses, quem esquentará o traseiro no Salão Oval da Casa Branca. Esses, portanto, é que me motivaram a escrever hoje. O homem que assumiu o comando dos Estados Unidos em janeiro de 2001 é uma pessoa simples. Um dia, deve até ter sido dono de inteligência mediana – mas o "tóchico" e a birita o fizeram diminuir a atividade cerebral. Só isso explica o fato: o presidente toma conhecimento de que seu país está sendo tomado de assalto e aviões foram lançados em arranha-céus, mas continua a ler "The Pet Goat", um livro para bebês de quatro anos. Ele é tão simples que, como muita gente ignorante, acredita piamente: a guerra resolve tudo. Principalmente as questões financeiras de sua própria família. Também acha que mandar matar crianças é um procedimento correto quando sua reputação de texano macho está em jogo (mas desde que sejam crianças estrangeiras e não-brancas, claro). E que mentir sobre o arsenal de nações donas de petróleo é uma boa forma de abastecer tranquilamente o tanque de seu veículo utilitário. Então, o homem simples de idéias tão determinadas quanto revoltantes, é candidato à reeleição. E, então, metade do país que ele manda para o buraco cada dia mais acha que pode ser uma boa mantê-lo na liderança. Como tenta dizer o próprio Bush-Baby no final de "Fahrenheit 9/11", "me engane uma vez, erro seu; me engane duas vezes, erro meu". Espero que os norte-americanos não se deixem enrolar de novo. Não de novo, vai? De minha parte, estou para mandar fazer uma camiseta com a seguinte inscrição: "FUI AO IRAQUE PROCURAR ARMAS DE DESTRUIÇÃO EM MASSA E TUDO QUE ACHEI FOI ESSA CAMISETA ORDINÁRIA". George W. Bush deve usar uma dessas para dormir. Ou não. Homens simples, burros, covardes, terroristas e mentirosos não costumam ter senso de humor.
Vou começar a me aborrecer com vocês, povo americano, se botarem o doido de novo no poder... A TV me ensinou Passar horas a fio na frente da tevê é uma ação emburrecedora, segundo a opinião geral. Será mesmo? Escolhendo os programas certos, acho até que a máquina de fazer doido pode ensinar muitas coisas e ampliar os horizontes do telespectador. Eu aprendi mais sobre o Egito em um punhado de programas do Discovery Channel do que em todas as aulas de História que tive nos três anos colégio. Isso é um fato que não há como negar. Mas não apenas de canais educativos vive a contribuição para o aumento da cultura de uma pessoa. Canais bobos também – e agora estou falando na cultura inútil. Um conjunto de dados divertidos que não fará de você um expert em algum assunto, mas pode dar uma boa conversa naqueles momentos de silêncio constrangedor ou quando os comentários sobre o tempo se esgotarem. Pois a televisão me ensinou uma série de lições que guardo comigo – e que espero ansiosamente para usar. Como, por exemplo... ... a força da mandíbula do jacaré está acumulada no fechamento, e não na abertura. Você pode amarrar a boca dele com uma simples fita isolante. ... o maior rádio telescópio do mundo fica em Porto Rico, terra do Menudo. .. se você mora em Nova York e tem um apartamento, consegue ser bonito, usar roupas legais e ainda passar o dia no tomando café com os amigos. ... uma substância chamada ocitocina acelera as contrações na hora do parto. ... o luminol é um spray usado para encontrar manchas de sangue aparentemente invisíveis ao olho humano. ... a gralha é um animal mais inteligente que cachorro. Para se alimentar, ela solta uma noz na faixa de pedestre, espera um carro passar por cima e vai buscá-la quando o farol fecha. ... há dezenas de avistamentos documentados do Pé Grande nos Estados Unidos anualmente. ... o DNA mitocondrial consegue apenas eliminar um suspeito, mas não pode colocar culpa em alguém. ... um banho de loja, uma boa maquiagem e um corte de cabelos correto pode ajudar muito na aparência de uma pessoa. Do contrário, só bisturi mesmo. ... apesar de ter feito a doce Brenda Walsh no seriado "Barrados no Baile", a atriz Shannen Doherty é briguenta, boca-suja e vive se metendo em confusão. ... o dedo indicador de Galileu Galilei foi cortado de seu cadáver por um aluno e hoje pode ser visto em um museu de Florença, Itália. ... o chamado Assassino do Zodíaco é o serial-killer mais misterioso de todos os tempos, perdendo apenas para Jack, O Estripador. O melhor é que ele ainda pode estar vivo. ... estudos mostram que bebês ficam mais felizes perto de pessoas bonitas. ... mesmo sendo ricas e podendo pagar, as celebridades de Hollywood ganham a maioria das roupas e jóias que usam em festas. ... um piso claro aumenta a noção de espaço em uma sala pequena, mas um piso escuro e brilhante também. ... detetives só se comunicam por frases de efeito. ... as propagandas da Polishop são tão enganosas que eles chamam uma simples toalha de "exclusiva faixa para segurar cabelos", só para parecer atrativo na hora do brinde. ... se você estiver passeando por acostamentos em auto-estradas americanas, não olhe para o lado: ali sempre têm corpos em decomposição. ... Big Ben é o nome do sino, não do famoso relógio de Londres. ... é muito difícil filmar ou fotografar a Aurora Boreal, uma vez que filmes e películas congelam em segundos na baixa temperatura. ... o astro Tom Cruise sofre de dislexia e decora as falas com a ajuda de um gravador. ... os tubarões, apesar de amplamente temidos, matam apenas 12 pessoas por ano no mundo todo – contra milhões de mortes por picada de mosquito. ... em uma cena de "Batman - O Retorno", a atriz Michele Pfeiffer realmente colocou um passarinho vivo dentro da boca. ... o animal mais famoso da Austrália recebeu seu nome devido a um mal-entendido. Quando apontaram para o bicho, os colonizadores receberam a resposta "canguru" – que quer dizer "não entendi a pergunta". ... se você for filha de um magnata do ramo hoteleiro, não precisa trabalhar – só ir em festas. E ainda corre o risco de ganhar um programa. ![]() Eita vida boa
A curva da coragem É sabido que o ser humano faz, do nascimento à morte, um ciclo que muitas vezes pode ser comparado a uma curva ascendente. Do pó viemos e ao pó retornaremos, segundo a Bíblia; a gente nasce, cresce, se reproduz e morre, de acordo com o livro de Ciências e Saúde do primário; nem sempre se pode ser Deus, como diziam os Titãs quando ainda eram uma banda legal. Mas enfim. O fato é que voltamos a encontrar certas características iguais às dos bebês quando chegamos, como gostava de dizer meu avô, perto do “bico do corvo”. Não podemos nos locomover com muita rapidez e agilidade, nem nos primeiros meses de vida e, algumas vezes, tampouco nos últimos. Claro que há exceções. Do lado pueril, um belo exemplo é Caetano, meu afilhado. O moleque é capaz de enfiar balas na boca mais rápido que um prestidigitador faz sumir uma carta. É quase impossível ver o movimento a olho nu. Do lado dos velhinhos, a exceção fica por conta dos muitos vôs e vós chegam às mais avançadas primaveras completamente lúcidos e independentes. Já minha avó é uma prova que confirma essa tese. Depois de alguns derrames cerebrais, ela está feito um bebê. A gente tem de dar comida, banho e ficar de olho para ela não abocanhar as frutas de cera da cozinha. Juro. Igualzinho ao Lucas, filho da cabeleireira de pouco mais de um ano que ficava na minha casa, sob os cuidados da senhora minha mãe, quando eu era menor. Não sei se chegarei a esses últimos passos um dia, tão semelhantes aos primeiros que dei. Mas sei que sinto já ter passado o ápice da tal da curva pelo menos num quesito: a coragem. Sim, porque quando eu contava uns sete anos e cerca de duas janelinhas no sorriso, era a maior cagona (com o perdão da palavra) da paróquia. Nas excursões para o Playcenter em família, com a turma da rua ou da escola, eu virava a seguradora oficial das bolsas – ao lado da mamãe ou da professora – enquanto primos, primas e amizades em geral pegavam a fila dos brinquedos mais malucos – de onde gritavam para mim, até o último minuto, “fica olhando, que eu vou dar tchauzinho lá de cima”. Droga. Que frustração. Eu me sentia a única tonta da trupe e metade de mim queria correr para a fila, enquanto outra metade zelava por minha preservação física e moral – sim, moral. Afinal, o que diriam quando eu desmaiasse ou botasse o café da manhã para fora, lá de cima? Ia ficar pior do que ter permanecido no banquinho, segurando as bolsas. Lá pela pré-adolescência, fui invadida por uma incrível onda de coragem. Não sei de onde aquilo veio. Eu era a primeira a pegar as filas das atrações mais emocionantes do parque. Tal condição foi amplificada na adolescência. Acho que é típico da fase adquirir um certo “joselitismo” e perder a noção – e por conseqüência, o medo – das coisas. Eu até queria saltar de pára-quedas, veja só! Foi bom enquanto durou – e entenda-se por isso “não o suficiente para pular de um avião com uma mochila, que supostamente abrirá em meio à queda, amarrada nas costas”. De repente, sem que eu percebesse, meus colhões me abandonaram. Pelo menos para essas demonstrações gratuitas de coragem, como andar em montanhas-russas ou querer experimentar queda-livre. Acho que fui corajosa quando permaneci ao lado do meu pai na vez em que ele quase foi dessa pruma melhor; quando, aos 17 anos, confessei para um garoto, na cara dele, que eu estava perdidamente apaixonada; quando fiquei procurando minha irmã depois de um tiroteio numa loja, sabendo que um dos ladrões ainda estava lá dentro. Mas montanha-russa, nunca mais. Podem deixar que eu seguro as bolsas. Coragem, coragem mesmo... ... vai ser encarar as pick ups do Darta Jones 80s Bar no sábado, dia 7. Ok, na verdade isso vai estar mais para diversão. Mas confesso que estou com um friozinho na barriga. Não disse que estou em franca decadência de coragem? Será a primeira experiência destas Garotas como DJs. E se a pista esvaziar? E se a Flá tropeçar no fio e desligar todo o equipamento? E se eu derrubar guaraná nos CDs? Por essas e outras, conclamamos a ComuNidade a aparecer por lá e nos dar uma força! Clique aqui para saber os detalhes e até lá!
Elas não mereciam... Tom Jobim foi um mestre em muitas artes. Uma delas era a de homenagear lindamente as mulheres de sua vida. Durante os anos, cantou músicas com o nome de Isabela, Bebel, Ligia, Gabriela e a maravilhosa Luiza. Todas as garotas portadoras desses nomes, imagino, sentiram-se mais do que endeusadas. Já outras moças não tiveram tanta sorte ao ouvir seus nomes proferidos no rádio. Eu posso dizer mais ou menos como isso funciona. Ligar o som e escutar alguém entoando seu nome como “uma loiraça belzebu, provocante!/ uma loiraça lúcifer, gostosona!” não é lá muito elogioso. Droga, eu nem tenho cabelos platinados! E muito menos uso calcinhas comparadas a um míssil exocet, deus me livre... Mas essa era a “Kátia Flávia”, então disfarçava um bocadinho. Muito pior foi para outras mulheres da minha família. E para muitas garotas mais. Espalhadas pelo país, elas tiveram seus nomes envolvidos nas piores situações possíveis. É mais ou menos como nascer menino e, um dia, ver que uma cretina propaganda de televisão deu seu nome, Bráulio, ao órgão sexual masculino... Sim, homens sofreram com isso. Mas nem tanto quanto essas meninas. Amélia, a escrava Geni, a perseguida Silvia, a perva Camila, a esquisitona Ana Júlia, a banalizada Conceição, a sofredora Frankstein do pop rock Cada vez mais eu tenho uma convicção forte de que artistas da música vivem em um mundinho só deles. Claro que o tal mundinho é regado a champanhe, notas de dólares e muitas toalhas brancas, o que deve contribuir para a sensação de universo paralelo habitado pelos famosos. Ou então, qual seria a explicação para certas atitudes tomadas por cantores e cantoras? Principalmente no que diz respeito ao quesito moda: a tentativa de se destacar dos demais e de chamar a atenção vai longe demais na música. Será que eles não têm espelho em casa não? E um amigo do peito consciente para dar um toque? Parece que não. E, pior de tudo, costumam pagar muito dinheiro para seus “personal stylists”. Pois eu mandaria prender todos os profissionais que acharam uma boa idéia os artistas usarem os estilos de mau gosto que seguem... 1) Óculos de mosca de Bono Vox 2) Calça dourada de MC Hammer 3) Sapato de saltinho de Prince 4) Luva prateada de Michael Jackson 5) Cabelo blond-power de Christina Aguilera 6) Patins de Kurt Valaquen 7) Maquiagem do Kiss 8) Bermuda de lycra de Axl Rose 9) Barba do ZZ Top 10) Sutiã da Madonna E se alguém aí quiser inspirar-se em todos esses estilos de uma só vez, olha só o que dá:
Buscas muito loucas do barulho Eu sei que já comentei a respeito dessa minha pouco ortodoxa fonte de diversão aqui e aqui, mas convenhamos: o pessoal continua me dando material para tanto. Algumas palavras e expressões bizarras conduzem os usuários de sêo Gúgol, sabe-se lá como, para o Garotas. E eu, junto à Flá e Vivi, gargalho até perder o fôlego toda vez que consulto o Nedstat, ferramenta que aponta de onde vêm os acessos a este sítio. As buscas para lá de esquisitas se renovam e sou obrigada a compartilhar com vocês algumas das frases que trouxeram um incauto navegante para cá. Afinal, não sou de ficar dando risada sozinha. Sigam-me os bons – e tentem entender: a) como alguém veio parar justo aqui ao pesquisar tal expressão; b) por que alguém busca tal expressão e, em alguns casos, c) afinal, o que diabos fulano quis dizer com tal expressão. Quem conseguir ganha um beijo na testa e uma paçoca Amor. Para que serve cogumelo do campo Ai ai ai ai ai ai música Doce de abóbora lembra avó Significado de los tênis converse all star "querida cheguei" -sexo -corno -cornos -"mas o quê" Vídeos do mundo bizarro Girls just wanna have fun Para levar o lema imortalizado por Cyndi ao pé da letra, essas três garotas tomarão as pick ups do Darta Jones 80s Bar sábado que vem, dia 7. Somos as DJs convidadas da noite e prometemos diversão ao som das inesquecíveis mocinhas cantoras que marcaram nossa década favorita. Vemos vocês por lá! Mais detalhes? Clica aqui!
Gargalhadas às 7 em ponto Eu tento negar, às vezes, para não parecer muito saudosista. Mas, no frigir dos ovos, a verdade é óbvia: a televisão já foi muito melhor do que hoje. Em termos de novelas, por exemplo, não tem chance de comparação - e a diferença é mais notória no horário das sete. Há 20 anos, histórias esdrúxulas enchiam a casa de risada. Hoje, eu nem quero saber o que se passa na tal “Da Cor do Pecado”. Dizem que o enredo é bonzinho e até o Reynaldo Gianecchini anda enganando bem como ator. Acredito, sim, e nem faço oposição. Ao lembrar que já existiu gente como Tina Pepper, Victor Valentin e uma rainha histérica dominando novelas das sete, porém, acompanhar as atuais perde toda a motivação. Nos anos 80, folhetins das seis contavam sofridas histórias de época e, os das oito, serviam para apresentar tumultuadas pendengas de família ao fundo de um cenário político/econômico/brasileiro – como em “Vale Tudo”, a melhor de todas. No horário do meio, a molecada podia acompanhar novelas pouco coerentes, meio safadas e muuuito engraçadas! Desde que fiz sete anos, fui liberada para assistir a elas. Então, a década ficou mais divertida. Guerra dos Sexos (1983) Vereda Tropical (1984) Ti Ti Ti (1985) Cambalacho (1986) Brega & Chique (1987) Bebê a Bordo (1988) Que Rei Sou Eu? (1989)
Nenhum bruxo será tão pavorosamente engraçado, Rave meu caro! Eu sempre quis dizer isso: vamos comandar as pick-ups! Sábado tem festa! Os convidados são vocês, e quem faz o som somos nós. Será no espetacular, meigo e funcional Darta Jones 80's Bar, situado à Rua dos Pinheiros, 573, aqui em SP. Quem sabe não tocamos até música de novela... Vale de tudo quando Garotas, leitores e anos 80 se misturam. Fla Wonka às 02:33 PMPlástico nos pés Quando eu era pequena, mamãe resolveu marcar uma consulta para mim no ortopedista – porque eu pisava tão torto que meus tênis gastavam em poucas semanas, e apenas de um lado do solado. A partir daquele fatídico dia, precisei usar por anos as horríveis botas ortopédicas, enquanto minhas coleguinhas exibiam lindos sapatos de menina. Mas esse não era meu maior trauma não. Eu queria ralar a minha testa na calçada de tanto desespero por não poder ter pelo menos um par de sandálias de plástico, que na época ainda eram apelidadas no diminutivo: Melissinha. O material maleável e confortável era o menos indicado para o meu problema, pois os pés virados para dentro precisavam permanecer dentro de palmilhas grossas e armaduras de couro duro. Que tristeza. Então, no estouro da moda da Melissinha, tudo o que pude fazer foi comprar um chaveiro com uma mini-sandália e prendê-lo na mochila Risca. Eu olhava para aquele pequeno calçado pendurado no zíper e jurava para mim mesma que, quando conseguisse me livrar do tratamento, iria virar cliente cativa da marca. E virei. Só fui comprar meu primeiro exemplar de muitos já grandinha. E lembro-me de ser alvo de olhares tortos: o que aquela garota estava fazendo com uma sandália de criança? Mal sabiam eles que eu estava à frente da tendência. Sim, porque Melissinha, ups, Melissa, hoje é fashion até a última lasca de plástico colorido. Nada mal para a Grendene, uma empresa 100% nacional sediada no Rio Grande do Sul e que começou seus negócios confeccionando as telas plásticas que envolvem garrafões de vinhos de qualidade duvidosa. Assim ela permaneceu no mercado, até o ano de 1978 – quando um dos donos resolveu tripudiar e fazer uma sandália com uma das tiras da tela. Nascia a primeira Melissa – mais para o movimento hippie do que para a criatividade dos estilistas. De dois anos para cá, porém, a sandália sofreu uma revolução. A primeira mudança que notei – e que não compreendo até agora – foi o desaparecimento do produto nas vitrines de sapatos. No momento, é preciso um mapa da mina para encontrar a sandália, vendida apenas em lojas de roupa e pela Internet. A segunda, é claro, foram os modelos: mais coloridos, mais ousados e muito, muito mais divertidos. Foi pedindo auxílio para grandes nomes da moda nacional, como Marcelo Sommer e Alexandre Herchcovitch, que a Grendene conseguiu não apenas colocar as sandálias nas passarelas do São Paulo Fashion Week, mas nas prateleiras da Selfridges e da Harrod's, duas das maiores lojas de departamentos londrinas. Um verdadeiro prêmio de loteria para quem fazia embalagem de Sangue de Boi. Nem preciso dizer que esse surpreendente modismo fez meus olhinhos traumatizados brilharem. Meus pés continuam um pouco tortos, mas não há ortopedista no mundo que ouse me mandar manter distância das minhas Melissas. O único problema, agora, é encontrá-las. Não apenas pela estratégia de marketing de afastar as sandálias das lojas de calçados e aproximá-las das de roupas, mas pela escassez do produto mesmo. Gastei muita sola para conseguir arrematar um par do Scarfun, modelo pontudo de Herchcovitch, preto e do tamanho 34 (é meu número, não precisa rir, tá?). Em todas as lojas que entrei, a resposta era a mesma “Ah, acabou... Mas tem essa verde-acacate, serve?”. Conquistá-la foi um triunfo sobre os anos de sofrimento ortopédico. Ah, como é bom sentir finalmente o plástico nos pés...
Então reserve o 07 de agosto, sábado que vem, na sua agenda: é nesse dia que faremos nossa estréia como DJs no Darta Jones 80's Bar, agora novinho e ampliado! Você não vai perder a bagunça, vai? Anote bem o endereço: Rua dos Pinheiros, 573 - SP. Vivi Griswold às 10:28 AM
Papel, caneta e diversão Como disse outros dias, aqui e aqui, todos os adultos precisam continuar a brincar. E continuam, só que o preço dos brinquedos sobe um pouco – um carrinho de controle remoto, por exemplo, custa bem menos que um carro do ano. Ou mesmo que um carro “semi-novo” (adoro esse eufemismo para “usado”). Dentre as brincadeiras mais baratas da infância e da aborrecência, aquela fase meio incômoda em que você ainda solta pipa mas também dá uns beijinhos na boca – ou pelo menos procura em quem dar –, as minhas favoritas eram as de papel e caneta. Acabei de categorizá-las assim porque tudo o que tais atividades demandavam eram poucas folhas de papel e uma ou duas canetas. A diversão garantida, no entanto, era inversamente proporcional à pobreza do material necessário. Não era? Forca Xi, melou! Uma dica: sempre combine antes as partes do corpo que valerão na contagem de erros. Meu pai me dava um boi e inventava olhos, nariz e boquinha para a cara – coisa que meus amigos da rua não aceitaram muito bem quando argumentei que ainda não estava enforcada. Assassino & Detetive Xi, melou! O grande problema com Assassino e Detetive é brincar com crianças muito pequenas, que ainda não sabem piscar discretamente. Meu primo sempre era pêgo na primeira tentativa de assassinato. Ele piscava com os dois olhos, entortava a boca e balançava a cabeça – tudo junto. Batalha Naval Xi, melou! Cuidado. Muitos amigos não são lá muito honestos na hora do embate nas águas representadas por coordenadas. O jogo tampouco é recomendado para aulas de Física muito chatas. Experiência própria: o professor logo percebe que gritos de “A 8” seguidos por “água” ou “acertou um encouraçado” não fazem parte da discussão da aula.
Inimiga cruel? Faz favor... Neste último sábado, passei o dia na mais santa solidão. Acordei tarde, tomei café, li deitada na rede. Liguei para os amigos, fiquei com fome, fui ao mercado comprar artigos para fazer um bom almoço. Eis que, enquanto preparava o especial do dia, ouço na tv a cantora Kelly Key se referir a uma ameaça terrível. Algo que lhe tira o sono, deixa triste, causa dor de cabeça e consome muito dinheiro em tratamento médico! Pensei: “droga, coitada, tá com câncer??!”. Não, não... A loira falava sobre outra coisa. Kelly Chave contava tristemente, a um apresentador de televisão, sobre como é tenebroso ser portadora de... celulite. Demorei uns minutos para entender aquilo tudo. Acontece que, ao juntar os termos “me vi no espelho”, “médico especialista”, “farmácia de manipulação”, “muita gente sofre com isso, é injusto”, já supus uma doença séria, desgastante, cruel. Quando me dei conta do problemão de Kelly, comentei com as batatas: “haja falta de assunto e amor próprio”. Entendo, em parte, a preocupação da garota. Ela trabalha usando a imagem de mulher sedutora e sensual (gostosa, vamos dizer assim). Se começam a comentar que ela tem celulite, isso pode afetar a carreira de Kelly – que será, na seqüência, tachada como “bagulho”. Não compreendo é como uma coisa tão corriqueira pode ter virado critério para definir beleza. Toda revista feminina já veiculou pelo menos duas mil reportagens sobre como acabar com a celulite. Programas de tv fazem pautas com fórmulas caseiras milagrosas ao mesmo tempo em que divulgam aparelhos elétricos capazes, supostamente, de eliminar o “defeito”. O mercado da dita-cuja deve movimentar mais dinheiro que a Nasdaq. A rigor, sei o seguinte: celulite é aquilo que o organismo desenvolve no quadril, coxas, abdômen e outras regiões quando o sangue tem dificuldade de circular. É causada por herança genética ou alterações de hormônio – daí recair muito mais sobre mulheres do que homens. Alimentação de qualidade e água consumida em boa dose podem ajudar a diminuir a ocorrência. Ou seja: é uma disfunção, que pode ficar grave em alguns casos e causar muita dor, mas também possível de combater. Dizem os médicos que 90% das mulheres tem ao menos um pouquinho de celulite (por causa dos hormônios e tal). Fazer o quê? Se incomoda, é decidir comer mais legumes, frutas e verduras, caminhar pelo bairro sempre que possível, estressar menos, não se entupir de tranqueiras e maneirar na birita. Parece uma tática guerrilheira para derrubar um monstro apavorante? Desculpa, não. Parece um comportamento sábio, só isso. E bola pra frente, falar de coisas mais bacanas. Acontece que muita gente pinta a tal da celulite como uma necessidade básica para garotas serem bonitas. A moça da novela passada, por exemplo: é linda, tem aquele rosto exuberante, com sorriso perfeito e grandes olhos expressivos. Foi tirar a roupa na revista e notarem duas marquinhas em seu traseiro, pronto! Parece que Juliana Paes se transformou em um bugio selvagem, manco e vesgo numa noite. Ah, me poupem. Há um prazer mórbido na mídia por detonar a beleza alheia. Por exemplo: eu acho belas as pessoas ruivas e sardentas. Acho gatinhos os meninos de óculos e invejo um bocado garotas com dentes alinhados. Sou parada em gente com risada gostosa, que sabe falar italiano, com idéias criativas e histórias sobre superação de obstáculos. Se são gordas, magras, altas, baixas, negras, brancas, verdes, roxas ou têm celulite, que me importa? Ninguém deveria ser apreciado pela aparência de sua bunda, sabe? Se fosse assim, nem precisávamos ter cabeça. Daí minha dificuldade em entender porque a tal Lipodistrofia Ginóide, o nome sério da celulite, virou tema de suma importância. Preferia ler nas revistas e ver na tv matérias sobre como tecer lã de carneiro, como contar piadas sem estragar o final e como cultivar tomates em vaso. E preferia saber as histórias mais interessantes que a Kelly Key tenha a contar. Ela deve ter, sim. Lugar feliz Sabe quando, nos filmes, os psiquiatras mandam seus pacientes irem para um “lugar feliz”? Funciona assim: se você estiver estressado, irritado, chateado ou tudo isso junto, basta metalizar uma paisagem bonita e segura para abrir caminho à melhora do humor. Normalmente as pessoas escolhem praias desertas e ensolaradas, cachoeiras cristalinas, gramados verdejantes. Pois não é que encontrei um ambiente mágico (e real) na mais improvável das localizações? É difícil de imaginar que um “lugar feliz” dessa espécie esteja praticamente na beira da Raposo Tavares – para quem não conhece, uma rodovia feia, perigosa, poluída e barulhenta de São Paulo. Mas sim, ele está lá em toda sua magnitude e tranqüilidade: o templo Zu Lai. Trata-se de um gigantesco monastério budista de encher os olhos – aliás, o maior da América Latina. Ele é liderado por três monjas (quase um Garotas) sempre sorridentes. Qualquer pessoa pode entrar, tirar fotos, deitar na grama e relaxar sem precisar dar satisfação. Ninguém vem falar com você (ao menos que você queira, é claro), ninguém irá lhe incomodar ou tentar lhe empurrar goela abaixo a “palavra de Buda”. Seja qual for a sua religião, ou não-religião, o Zu Lai é um lugar para conhecer. E voltar. Fui atraída ao templo pelo almoço de fim-de-semana: um coma-quanto-puder vegetariano japonês por 8 reais. E dá-lhe yakissoba, tempurá, mossoshiro, legumes refogados e outras delícias feitas na enorme cozinha. A fila faminta dobra a esquina do refeitório – aparentemente, o lugar era novidade apenas para mim – e, após encher o prato, comi em uma grande mesa comunitária, ao som de cantos sagrados e sob o olhar de um Buda de porcelana. Depois do estômago satisfeito, foi hora de vasculhar o local: bancos em gramados verdinhos banhados pelo sol, fontes, lagos, sombras convidativas. A vontade que eu tinha era deitar e, embalada pelo barulhinho das águas, tirar uma boa soneca. Fiquei lá toda esticada, mas logo me recompus. Havia muito o que ver ainda. Subindo as escadas, o visitante dá de cara com um imenso incensário. Um velhote aproximou-se de mim e me ofereceu um incenso aceso, sem falar nada ou pedir contribuição alguma. Agradeci, repeti o gesto que os budistas estavam fazendo – segurar a ponta no centro da testa – e coloquei o meu no meio de todos os outros. No salão principal, as paredes são enfeitadas por 8 mil nichos contendo estátuas de Buda. Cada uma delas é iluminada por uma luzinha. Impressionante. E, novamente, pude caminhar livremente pelos altares de oferenda, pude me aproximar das estátuas para reparar nos detalhes, pude entrar e sair quantas vezes eu quis. Ninguém perguntou nada. É uma sensação de respeito muito grande. Na saída, tentei a sorte jogando uma moeda na fonte: para seu desejo se realizar, é preciso que a moeda bata no sino e o toque. Não deu, minha pontaria é muito ruim. De qualquer maneira, conseguir acertar no sino pode ser um bom motivo para visitar o Zu Lai mais vezes. Além da comida e da atmosfera de lugar feliz.
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