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Eu amo o Carnaval – Parte 2 Conforme o prometido, sigamos no assunto balaco-baco, teleco-teco, ziriguidum. Afinal, o país ainda está no ritmo do batuque - e, senão dele, pelo menos no da ressaca. Sem mais delongas… "simbora, meu povo!". As memórias do Carnaval ainda estão frescas na cabeça e não precisamos nos esforçar muito para continuar a lista das coisas mais engraçadas da festança, como… A animada entrada das escolas na avenida A transcendente interpretação das fantasias As piadas baratas Nesse quesito também entram todos os trocadilhos puídos sobre a entrada da Mangueira na avenida. Olhaí: sem querer, já fiz uma! Créme de la créme: a apuração Preste atenção no background da tv: por trás da tabela com as notas, aparecem imagens de sambistas chorando, xingando ou pulando feito crianças que ganharam um pogobol, dependendo do parecer do jurado. Os gritos de guerra inter-comunidades também são ótimos: rola desde um "ê, Mangueirã-ão!" até os provocativos "eu, eu, eu, a Viradouro se f... (bem, vocês sabem a rima)". Tudo gritado por gente de toda idade, credo e cor, inclusive vovozinhas que devem guardar o estoque de palavrões para descontar na Sapucaí. Isso é que é festa democrática!
Sem trocadilhos: olhaí a Mangueira entrando!
O Oscar do B Domingo, 23h00. A não ser que um meteoro caia em São Paulo e cause prejuízos humanos e materiais, eu vou estar assistindo àquilo que chamam de premiação máxima do cinema. É cascata? É. Tem caráter duvidoso? Tem. É legítimo? Tanto quanto uma nota de três reais. Mas eu perco alguma festa dessas desde os 10 anos? Nem pensar. Podem dizer o que for sobre o Oscar – eu concordo com quase tudo –, mas não consigo ignorar aquela profusão de astros, estrelas, carpete bordô e piadas idiotas. Revolto com alguns vencedores, vibro com outros, choro nos discursos... Como escapar? Bom mesmo, só se existisse um Oscar igual, mas feito por gente justa, inteligente e feliz. Sim, porque hoje o Oscar é uma eleição organizada por pessoas mesquinhas, mal humoradas, nada criativas e muito frustradas. A premiação bacana mesmo seria um "Oscar do B" (como aquelas facções de partido comuna). Nele, comediantes teriam chance de ganhar e filmes sobre o Holocausto não seriam invencíveis. A exemplo do MTV Movie Awards, podia até haver prêmio para "Melhor Beijo" ou "Melhor Perseguição Automobilística"! Isso posto, decidi hoje eleger uma parcela do meu próprio Oscar e destacar vencedores que realmente valem uma estátua. Alguns nem estão da disputa, mas quem liga? O peladão dourado é meu, entrego para quem quiser. Melhor filme – "O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei" Melhor Diretor – Fernando Meirelles ("Cidade de Deus") Melhor Atriz – Naomi Watts ("21 Gramas") Melhor Ator – Johnny Depp ("Piratas do Caribe") Melhor Atriz Coadjuvante – Ellen De Generes ("Procurando Nemo") Melhor Ator Coadjuvante – Andy Serkis ("O Senhor dos Anéis") Melhor Roteiro Original – "Peixe Grande" Melhor Roteiro Adaptado – "O Senhor dos Anéis" Melhor Filme Estrangeiro – "Adeus, Lênin!" Melhor Maquiagem – "Tudo Mundo em Pânico 3" O pescador de ilusões Era uma vez um fantasma especializado em assustar humanos. Ou um estranho e tímido ser que possui tesouras no lugar das mãos. Ou um cineasta incompreendido por seus filmes B. Ou uma cidadezinha nebulosa e assombrada. Escolha, ouça e veja qualquer uma dessas histórias – o resultado será sempre o mesmo: admiração pelo trabalho de Tim Burton, um diretor que se empenha em declarar seu amor à sétima arte através de um universo composto apenas de cenas memoráveis. Sabe quando você escuta alguns acordes de um solo de guitarra é já consegue falar de quem são as mãos por trás do som? Assim acontece com os filmes dirigidos por Burton. Seu estilo encantador, misterioso e ilusionista é totalmente autoral. Todas as peças assinadas por ele carregam uma marca que não pode ser apontada precisamente, mas que pode ser sentida e reconhecida. Mesmo sendo uma superprodução como “Batman” ou um pequenino filme como “Edward Mãos de Tesoura”. O diretor, considerado um freak pela máquina hollywoodiana, consegue me arrastar para o cinema como mariposa atraída pela luz. Nem preciso saber com quem é o filme, qual é a história, qual a opinião da crítica especializada. É do Tim Burton? Se a resposta for afirmativa, lá estou eu na fila da bilheteria, pagando feliz o preço exorbitante do ingresso. Porque eu sei que vou sair da sala de projeção melhor do que entrei. Foi o que aconteceu na última quarta-feira. Após perder todas as vinte sessões de pré-estréia por dezenas de motivos diferentes, finalmente consegui botar meus olhinhos ansiosos em “Peixe Grande”. Mal podia esperar. O ator, Ewan McGregor. A música, Danny Elfman. O filme, Tim Burton. Nem precisava pedir mais. Porém, todo mundo que estava ali, sentado em fila nas cadeiras acolchoadas, levou muito, muito mais. “Peixe Grande” mostra a trajetória de vida de Edward Bloom, hoje um velhote doente e a ponto de partir desta para uma melhor. Bloom é especialista em contar “causos”, injetando aventuras, seres estranhos, mistérios e magias em fatos da vida real. Sua imaginação é tão fértil que nem o próprio filho consegue ao certo separar o que é ficção do que realmente aconteceu. Exausto de tanta firula, ele tenta aproveitar os últimos dias do pai para saber mais sobre aquela figura intrigante e, agora, frágil. É nessa busca pelo conhecimento de um estranho tão familiar que Burton nos brinda com histórias mirabolantes. Daí, só nos resta relaxar na poltrona e nos deixar levar por um par de gêmeas siamesas chinesas, um lobisomem que é dono de circo, um gigante amigo, uma bruxa cujo olho de vidro mostra o futuro, uma cidade perdida onde ninguém usa sapatos, uma floresta mal-assombrada e, claro, um peixe muito grande. Em certas ocasiões ou queria ter um controle remoto para pausar e conseguir digerir melhor cada cena. Como quando o jovem Bloom e sua namorada estão deitados no meio de um campo imenso de narcisos. Ou quando o velho Bloom e sua esposa (Jessica Lange, muito mais linda do que em “King Kong”) estão abraçados na banheira. É tudo muito curto e sutil, deixando sempre a sensação de “ué, já acabou”? Portanto, tente aproveitar. Daí, o leitor também vai querer dizer “Conta mais, Tim Burton. Porque você é o verdadeiro peixe grande”.
Eu amo o Carnaval Agora que passou, posso falar: cultivo uma relação de amor e ódio com essa popularíssima festa cheia de tradição, animação, baticundum e peitinhos de fora. Já amei e odiei o Carnaval. Agora amo de novo – e talvez volte a achá-lo, com o perdão da palavra (como diria Cameron, o amigo de Ferris), um saco. Quando eu era pequena, ouvia e decorava todos os samba-enredos das escolas porque meu pai comprava o discão todo santo ano. Não era especialmente fã de pular Carnaval (aliás, por que "pular"? As pessoas dançam, sacolejam e até pulam um pouquinho, mas nem tanto), porém adorava ver os desfiles na TV. Especialmente da Mangueira, que eu adotei como escola favorita, porque tinha o nome mais legal (enquanto todo mundo era Unidos, Acadêmicos ou Grêmio Escola de Samba, a Mangueira era "Estação Primeira", ó que coisa linda!) e a combinação de cores que eu mais gostava (até na caixa de lápis de 36 cores o verde e o rosa eram minhas cores preferidas. Era como se a escola transportasse os meu enfeitinhos do caderno de brochura para a avenida!). Mais crescidinha, passei a achar os poucos dias do reinado de Momo uma chatice sem fim. Valia pelo feriado, mas a aborrecente quase-cabeça que eu era julgava os dias de festerê uma alienação. Isso sem contar que em qualquer lugar que você fosse tocava os mesmos sambas ou a praga da axé music, com uma multidão de bêbados suados tentando tirar uma casquinha. Agora, me libertei desses preconceitos da alienação, aprendi a respeitar a força da manifestação popular e só acho tudo muito engraçado. Mas muito engraçado meeesmo. Tão engraçado que... amo o Carnaval de novo. Afinal, em que outra festa pop a gente tem a chance de ver tanta comédia num espaço de quatro dias? Vai dizer que você não vê graça... Nos samba-enredos Quer saber? Ao invés de ficar aqui falando, vou exemplificar. Prepare a fantasia (mesmo que atrasada) para cantarolar o samba-enredo do Garotas! Garotas que Dizem Ni: A Evolução de Três Moçoilas na Rede Mundial de Computadores Revivendo o Eldorado dos Anos 80 e Outras Cositas Más "Alô, comunidade Ni! Chegou a nossa hora! Chora, cavaaaaaco! É com pesar (entra bateria) Viajei (voei, voei, voei) Na tela, do seu computador (ôo, ôo, ôo) Refrão: Hoje eu sou anos 80 Viram como é fácil? Depois dessa, vou é esquentar os tamborins e deixar o resto das minhas alegorias sobre o Carnaval para amanhã. (Ei, eu me esforcei para soar mais óbvia e mais chavão que os comentaristas dos desfiles!) Como diria sêo Silvio, o homem, o mito, a lenda, o intérprete de "A Pipa do Vovô Não Sobe Mais": aguardemmm... Clara McFly às 05:31 PMDe menino??? Gente chata tem mania de botar gênero na diversão. Quando eu era garotinha, vinham sempre com aquela história de separar tudo em “coisa de menino” e “coisa de menina”. Meu kichute era tachado como tênis de garoto. Vibrar com o jogo de fubeca não era modo de uma mocinha se portar. Até na hora de ver tv tinha um pessoal aborrecido para dizer que eu via “programa de moleque”! É um pensamento muito ultrapassado achar que meninas não podem adorar uma boa cena de batalha sangrenta ou uma saraivada de tiros certeiros. Eu adoro ser uma garota. Tenho mais saias do que qualquer coisa no guarda-roupa, coloco fitas no cabelo, vejo filmes românticos... mas sempre fui capaz de apreciar um belo gancho de direita. Ah, sim: eu curto luta também. Confirmo mais abaixo. Mas lá por volta dos 80, o mundo parava de rodar mesmo quando Richard Dean Anderson entrava em cena na tv. Não sabem quem é esse moço? Pudera. Aqui (como no resto do globo), ele era apenas o MacGyver. Apenas? Não! MacGyver não combina com “apenas”. Ele era um gênio. Virou piada porque criava explosivos com uma barra de chocolate e dois clipes, mas isso só lhe dava brilhantismo extra. O que mais uma pré-adolescente podia querer? Assistir o bonitão filantropo explicar seus truques químicos, físicos e biológicos era de fazer vibrar. Revi a série no último fim de semana e agora tenho certeza: MacGyver podia escapar de qualquer buraco usando um rodo e um chumaço de algodão embebido em álcool. Nem aquele cabelinho infame me faria gostar menos do safado. Por falar em safados, nenhum escapava de John Baker e Frank Poncherello. Sob suas motocas, eles mantinham a lei e a ordem nas estradas. Mantinham também os meus olhos grudados na tv – sempre imaginando se era melhor esquecer a idéia de ser bombeira, virar a casaca e me tornar policial. Não sou nem um, nem outro. Mas ganhei um capacete do “Chips” muito bacana! E daí se era acessório de menino? Ficou ótimo na minha cabeça de princesa... Além do Ponch – mais esquentado e corajoso que o John Baker –, um outro rapaz da telinha ganhava a torcida dessa que vos escreve. Era o Murdock. Do “Esquadrão Classe A”. Sim, aquela mesma série onde a estrela era o B.A., seu penteado moicano e suas correntes douradas. Acontece que o Murdock era louco e muito, muito engraçado. Depois que o ex-capitão foi considerado insano irrecuperável pelas forças armadas do Tio Sam, apaixonei de vez por ele e pela série. Ninguém criava uma confusão como o Murdock! O pior/melhor das minhas “manias de menino na tv”, com certeza, era ver aquele “Gigantes do Rinque” em versão norte-americana. Mãe, tias, avós... nenhuma deixava de fazer comentários ácidos sobre minhas gargalhadas com a luta-livre-de-mentirinha. Era um engodo, mas eu torcia pra valer. E morria de rir quando o Gaiteiro levava voadoras fajutas do Nicolai, o Russo, ou do cara vestido de gorila! Ah, vai dizer que acompanhar essa cena hilária é direito só dos meninos? Nem pensar.
Eu queria ser do Esquadrão, oras Murphy, o folião Quando entrei no carro na última sexta-feira a caminho de uma curta porém bem-vinda viagem de feriadão carnavalesco, não sabia que no banco de trás, entre a malinha de apetrechos fotográficos e a pilha de CDs para embalar 400 km de estrada, estava sentado um cidadão chamado Murphy. Invisível, econômico no espaço e muito quietinho, Murphy bem que poderia enganar com sua presença quase imperceptível. Quase. Comecei a desconfiar que havia uma terceira pessoa no automóvel – e que essa terceira pessoa era o Murphy, cuja famosa e infalível lei dita que “se alguma coisa pode dar errado, ela vai dar” – logo na garagem no prédio. Após fazer a revisão mental da listinha básica para quem vai ficar fora de casa alguns dias (Fechei as janelas? Desliguei o gás? Tirei tudo da tomada? Botei as plantas na varanda?) e organizar nos bancos as duas malas, a mochila, a bolsa e a malinha de fotografia, o carro não quis dar a partida. Depois de vinte tentativas e algumas centenas de xingamentos, um funcionário do prédio veio nos ajudar a empurrar o veículo nos dez metros quadrados de garagem, para ver se pegava no tranco. Pegou, e seguimos o trajeto até a estrada, passando por quilômetros de congestionamento. Pensei “bem, foi somente um fato isolado, agora tudo vai dar certo”. Tadinha de mim. Na estrada, logo na saída do primeiro pedágio, um tira nos sinalizou para encostar. Uma das lanternas do carro estava com a luz mais fraca que as outras, e isso poderia atrapalhar o trânsito e causar acidentes, explicava o policial, enquanto 590 chevettes estourados, kombis suspeitas e monzas rebaixados passavam voando por nós. Levamos luz na cara, abrimos as malas, levantamos bancos e assinamos uma advertência. O restante da viagem foi castigado por muita chuva, neblina, trânsito, um acidente grave que atrasou tudo. Também nos perdemos um pouco – o Guia de Ruas de São Paulo não tinha eficácia lá, ufa – mas seguimos bem até a cidadezinha na serra do Rio de Janeiro, chegando de madrugada. Achamos o hotel, intitulado Casablanca. Tocamos a campainha. O funcionário veio e demos nossos nomes. Não, nenhuma reserva lá. Como havia outro hotel Casablanca (essa criatividade me mata), o solícito homem fez uma ligação para lá. Também nada de reserva. Duas horas de ligações, explicações furadas, xingamentos para o agente de viagem que embolsou nosso dinheiro rapidinho mas não fez reserva alguma e mais o cansaço da viagem nos fizeram ficar aquela noite lá mesmo. Amanhã seria um outro dia. Acordamos após algumas poucas horas de sono no quarto mais fedido do mundo. Descobrimos com certo alívio que o nosso hotel era o outro, e que o agente de viagem pagaria por aquela noite extra. Menos mal. Seguimos para o verdadeiro hotel e entramos no segundo quarto mais fedido do mundo, porém o mais barulhento de todos. Um banho no banheiro mais decrépito das redondezas e pronto, vamos ver a cidade! O dia foi agradabilíssimo e achamos que Murphy havia nos abandonado para assombrar a tranqüilidade de outro casal. À noite, resolvemos visitar uma cidade vizinha para jantar, e paramos no caminho num posto policial para pedir informações turísticas. Voltando ao carro... bem, ele não quis pegar. Não quis MESMO. Todas as tentativas de ressuscitá-lo foram em vão. Ligamos para o seguro em São Paulo, explicamos o fato e pedimos uma assistência, pois devia ser a bateria e uma carga já ajudaria. Uma hora depois, um rapaz chegou. Ele examinou o carro e soltou aquela interjeição temida em casos assim: “Xiiii...”. Segundo ele, não era bateria. Era algo mais grave. Ligamos de volta para o seguro e, depois de algumas horas (literalmente) de discussões, o rapaz foi pegar o guincho para levar nosso carro até uma concessionária autorizada. Uma hora depois, o guincho chegou. Preparou-se tudo e, na hora de empurrar o carro para o caminhão, ele pegou. Juro. Porém, como já havíamos solicitado o guincho e o veículo estava tendo sérios problemas de comportamento, seguimos assim mesmo até a concessionária. Que só ia abrir na quinta-feira (hoje). Bem, o carro seguiu pegando ou falhando, dependendo única e exclusivamente de sua própria vontade mecânica. Aproveitamos o passeio, mas o fantasma de ficarmos presos em uma cidadezinha adorável a 400 km de casa não ajudou muito. Tentamos não ligar para o cheiro de mofo do hotel, para o leite cheio de nata no café-da-manhã, para o insuportável desfile de carnaval debaixo de nossa janela e para a televisão que não pegava direito. Decidimos enfim voltar um dia mais cedo, torcendo para que Murphy não percebesse a mudança de planos. E depois dessas férias frustradas, era bom eu mudar de sobrenome. Só para garantir o outro feriadão. Vivi Griswold às 10:11 AM
Histeria ao cair da tarde 6:49 de ontem. Sentada na redação, à procura de notícias sobre a chuva que varreu a região da Ricardo Jaffet, avenida de Sampa que fica no meio do meu caminho para casa, sintonizo na Record. E eis que se descortina à minha frente o maravilhoso mundo do "Cidade Alerta", apresentado por Lino Rossi (ex-"Cadeia Neles", um dos melhores humorísticos da TV brasileira). A cobertura no ar é sobre uma ameaça de bomba na zona norte, perto do Cemitério da Vila Formosa. Uma repórter sobrevoa o local, focalizando uma rua e encontrando "objetos suspeitos" a cada saco de lixo. Ao fundo, há comentários tão edificantes como "o GATE está trabalhando para ver se ali há alguma… coisa que exploda". Genial. Mas tudo bem, fazer cobertura ao vivo é mais difícil que achar alguém que já tenha jogado Banco Imobiliário até o final. Ela troca comentários com o apresentador, que está em terra firme, nos estúdios da emissora -- ou seja, deve estar mais calmo. Ou pelo menos deveria. Ele diz que o GATE levou para o local um "robozinho", termo meio constrangedor para um equipamento tão moderno da polícia. Enfim. O tal "robozinho" é retirado do carro e vai na direção do objeto, que está em frente a um portão onde, devido ao corte da câmera, lê-se em letras garrafais: "… ilaria e pintura". Não precisa ser gênio para descobrir que ali é uma oficina de funilaria e pintura. Mas o apresentador tasca um: "olha aí, o pacote suspeito está em frente ao comércio do "pinDura". Juro. Impávido, o robô continua. A rua já está escura e há apenas a iluminação vinda da máquina caça-bombas. E somos brindados com a pérola: "olha que imagem impressionante!", sendo que a tela está toda preta, salvo por um ponto de luz (!). Sem querer criar pânico, o apresentador comenta que estranha a presença de dois carros dos bombeiros no lugar. "Afinal, o corpo de bombeiros é um corpo estranho ali". Ainda estou tentando entender a declaração. Outro repórter explica: "Caso haja incêndio se houver uma explosão, os bombeiros já estão por ali". Ah, vá?! A operação continua e o Robozinho Camarada vai tirar um raio X do pacote. Decido que é melhor enfrentar a chuva e o trânsito do que esperar por algo pior. É Carnaval… … é a doce ilusão, é promessa de vida no meu coração. O quê? Você não curte a saturnália? Ok, então aproveita para entrar no recém-nascido Fórum do Garotas e trocar idéias com a gente e com outros leitores! Ah, você gosta sim de Carná? Tudo bem: entre um isquindô e outro, dá um pulo aqui para se divertir do mesmo jeito. Só não tem a Globeleza. A Derrocada A história é contada e recontada pelos mais velhos às crianças. Não é uma fábula singela, daquelas com finais felizes. Quem, afinal, poderia apreciar a total perda de controle de três garotas jovens, bonitas, trabalhadoras e com toda uma vida pela frente? Uns dizem ser lenda, outros que é a mais pura verdade – e um retrato exato e cruel de como uma eleição pode determinar o futuro. Antes de dizer a verdade sobre os fatos, é bom que você, leitor, saiba: a narrativa já espalhou muita dor e tristeza. Mas vamos ao princípio. Essa é a história de como uma animada aventura rumo à vitória no famoso prêmio da internet brasileira terminou mal para as tais Garotas que Dizem Ni. Chegou a sonhada noite da premiação – e o veredicto dos usuários da rede, bem como de juízes e críticos, foi duro: o trio que criou em 2003 um rosado, bem-humorado e despretensioso site não sagrou-se vencedor. As meninas não contiveram o choro ao saber disso. Na mesma hora, decidiram não mais sofrer e puseram fim àquele projeto. Despediram-se friamente e juraram em silêncio nunca mais se encontrar. Daí por diante, o cenário tornou-se deprimente. Clara passou a fumar três maços de cigarros por dia (sem filtro). Perdeu o bom-humor que lhe era tão peculiar, e deixou até de sorrir com as sessões de descarrego organizadas pelos 318 pastores da televisão. Com a falta de dinheiro, teve de vender seu amado veículo, o Deep Purple – e o carrinho passou às mãos de uma loira oxigenada que fazia bico vendendo filtros de água em domicílio. Clara entrou em uma depressão tão insana que começou a ter sonhos persecutórios e a ficar violenta. Devido ao sórdido efeito do fumo e aos ataques de cólera, foi encaminhada a uma fria e isolada casa de repouso em Itu. Hoje, segundo enfermeiros, ela fuma escondida na despensa todas as noites enquanto repete à exaustão: “merecíamos ganhar, sim, merecíamos”. Vivi não conseguiu manter o otimismo de sempre. Não vendo mais meios de ser feliz fazendo o que tanto gostava, escrever, decidiu tomar uma forte dose de realidade. Arrumou emprego como operadora de telemarketing no centro de São Paulo. Como o salário era mínimo e atrasava todos os meses, ela deu a beber. Primeiro cerveja, que antes detestava, e depois destilados de baixa qualidade. Com o vício, veio a sensação de estar sendo constantemente seguida por homens encapuzados e monitorada por ETs. Na última notícia que se teve da garota, ela havia sido presa por agredir um policial enquanto causava desordem em uma lan house. Em meio aos jogadores de Counter Strike, a ruiva bradava em prantos: “foi tudo parte de uma conspiração!”. Anunciado o resultado da disputa, Flá não agüentou a pressão acumulada em tantos meses de trabalho árduo. Perdeu o juízo que fora sua marca registrada e apostou seu apartamento em um Bingo. Derrota... Sob uma das mais antigas pontes da Marginal Tietê, improvisou uma cobertura de zinco. Ali, para se aquecer – e tentar esquecer o passado –, queimou o CD dos Saltimbancos, sua camiseta do Charlie Brown, oito cartuchos de Atari e uma cópia autografada de “O Escaravelho do Diabo”. Alguns transeuntes bondosos lhe entregavam, vez por outra, uma quentinha com arroz, feijão e bife à milanesa. Não bastava. Ela alimentava o corpo, mas a alma mantinha o pensamento recorrente. Num caderno puído, anotava sem cessar: “injusto, injusto, injusto”. A única boa coisa sobre essa história é que ela AINDA não aconteceu. Não quer que aconteça – e que nossas modestas vidinhas virem um telefilme da pior categoria? É só votar aqui e nos levar até a conquista do iBest! Desde já, eu agradeço. Sabe como é... Odiaria queimar meu CD dos Saltimbancos para espantar o frio... Antes que tudo desmorone... Promoção e pramocinha! Todos nós gostaríamos de ganhar um carro 0 km. Ou uma casa na praia, de frente para o mar. Ou um home theater, um cheque no valor de 100 mil reais e uma maleta cheia de barras de ouro (que valem mais que dinheiro). Ainda assim, faz uns bons anos que eu não me arrisco a preencher cupons, trocar embalagens ou juntar códigos de barra. Os prêmios ficaram mais valiosos, claro. Algo, porém, mudou. Acontece que as promoções modernas que sorteiam itens caros não me atraem por uma única razão: sei que não vou ganhar. É muita gente participando, muito pedacinho de papel a ser sorteado. Outra mudança para pior foi a inserção de dinheiro na jogada. Na época da febre dos bichos de pelúcia da Parmalat, por exemplo. Você precisava de uns 20 códigos e mais uns 10 reais. Pôxa, só os 10 reais já pagariam um brinquedo safado daqueles, made in Taiwan, né? Bom mesmo eram as promoções dos anos 80. E eu encho o peito de orgulho para dizer que participei de todas! Uma das coisas de que eu mais gostava na infância era o chocolate Surpresa. Além de ser uma delícia (fininho, retangular e escuro, hmm), ele era muito divertido. Quando abria a embalagem marrom, que sempre mostrava um tigre, lá estava um cartão com a foto de algum animal. Atrás, toda a descrição do bicho, como habitat natural e outros dados. Daí, era só juntar algumas embalagens, mandar para um endereço e eles enviavam o álbum para colar as figuras. Eu completei vários. A promoção mas fácil era mesmo a dos picolés Frutare em época de verão. A Kibon espalhou palitos premiados por todos os cantos. Se você achasse um deles, poderia trocar por outro picolé, inteiramente grátis. Mas eu ainda desconfio que todos os palitos eram premiados, porque ganhava sempre! Já a promoção mais difícil da qual participei foi a da margarina Claybon. O melhor desenho daquela menininha irritante, segundo o anúncio no gibi da Mônica, ganhava um mini-bugue. Não consegui. Mas ouvi falar de quem ganhou: um garoto que virou gozação da rua toda porque o carrinho era BEM feminino. Outras promoções que bastavam juntar embalagens para ganhar o brinde eram a da gelatina Royal (lembra da carteirinha de sócio do Clube do Bocão?), a do caldo Maggi (o prêmio era uma galinha azul de plástico que botava ovos – eu tive essa por muitos anos!) e as da Coca-Cola. Quem não teve pelo menos um daqueles ioiôs da Fanta? Ou do finado e saudoso guaraná Taí? Mas nada chegou aos pés da Mini Coke, que a marca de refrigerantes recentemente tentou relançar (numa cópia bem ruim, é bom dizer). Durante os anos 80, se minha memória não falhar a esta hora da manhã, houve duas promoções. A primeira tinha como brinde as pequeninas garrafinhas de Coca-Cola. A segunda, porém, entrou no clima das Olimpíadas de Seul (1988?) e cada uma das miniaturas vinha com o escrito em uma língua diferente. Ah, como esquecer da Koka-Kora? ![]() Promoção boa é isso aí! Outro desse, só na próxima quinta! Mais divertido que ligar pro Bozo!
Bico de tucano e mulheres guerreiras Há duas noites acordo o namorido com a tradicional expressão "Ei, já dormiu?" (usada por pessoas que sabem que seu interlocutor já dormiu, sim, mas acham que essa é uma maneira simpática de acordá-los) para dividir com ele uma dúvida que não sai da minha cabeça - e está tirando meu sono. Sempre fui uma criança xereta, rainha dos porquês?, e me considerava a versão de saias do "Marcelo Marmelo Martelo". Acho que algo desse passado escarafunchador permaneceu, mesmo após tantas primaveras. Ultimamente, não consigo parar de pensar por que o Amazonas se chama Amazonas. Já notei que as pessoas não têm muita criatividade para batizar lugares. Debruçada apenas sobre o nosso querido país, percebi que os nomes dos estados da federação se dividem em categorias mais simples que as dos textos do Garotas: os nomes sempre vêm de origem indígena (Paraná, Pará, Goiás), se referem a alguma característica geográfica do lugar (Alagoas, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e do Norte), têm cunho religioso (São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo) ou homenageiam pessoas importantes (Rondônia). Mas esse não parece ser o caso do Amazonas, já que a palavra não vem da língua-mãe dos nativos - é bem mais antiga que isso, remontando à lenda das mulheres guerreiras que se encarapitavam em cavalos. Tampouco presta homenagem a nenhum santo ou figurão, nem tem origem geográfica. Quer dizer, tem se considerarmos que o pedação imponente de terra tirou seu nome do generoso rio. Mas voltamos ao começo: quem deu esse nome ao riozão, já que a regra para dar a graça desses locais também segue as quatro regrinhas básicas descritas acima? Por fim, percebi que acordar o namorido uma terceira noite com esse papo podia ser caso de demissão com justa causa - ou divórcio por diferenças irreconciliáveis. E decidi fuçar na net. Descobri que nem os "hômi da pesquisa" sabem direito, que dirá eu, uma pobre mortal! Há três teorias: uma dá conta de que o espanhol desbravador Orellana viu à margem do rio um grupo de mulheres guerreiras - e deu a graça ao caudaloso. Também, pudera. Três ou quatro meses num navio fedido, só com homens e tomando sol no côco fazem você ver qualquer coisa. Um senhor chamado Lokotsch diz que vem de amasuru, que quer dizer "águas retumbantes". E o historiador alemão Hans Schull Krutz diz que Amazonas vem de amas, que significa "água", e uoná, que quer dizer "a dar com pau até onde a vista alcança per secula seculorum amem". Ok, essa última eu inventei. Viram como é fácil? Mas as duas primeiras são verdadeiras - e eu fico com a do tio Lokotsch. É mais poética. Achei também outras coisas interessantes: Acre não tem nada a ver com medida de terra, mas sim com uma touca de penas que os índios de lá usavam, chamada aquiri. E Tocantins, que eu acho o nome mais bonito dos tecos de território desse Brasilzão, significa bico de tucano e dava nome a uma tribo local. Já Mato Grosso me parece um nome injusto. Dá a impressão de que o estado é um grande terreno baldio, o que não podia ser mais inverídico. Lá tem o Pantanal, coberto de matão, sim, porém salpicado de coloridos lindos dos passarinhos, das flores e das onças – eu vi muito bem tudo isso na interminável "Pantanal", com a Juma Marruá que virava felina e o Véio do Rio, que virou sucuri. Enfim. Continuo querendo saber porque diabos o povo não foge da regra e inventa uns nomes bem inventados mesmo, do tipo Istclaretchibum ou Mabadzim-Parabã – que não queiram dizer absolutamente nada – na hora de pôr chamamento num lugar. Ia ser divertido. Duro seria, depois, encontrar um adjetivo-pátrio razoavelmente pronunciável para uma criatura nascida ali… Simplesmente um luxo Tá à procura de um lugar cheio de gente bonita e bem-lançada, que se diverte gastando os tubos e anda sempre na estica? Então, vá ao "Flash" do Amaury Jr. ou seus genéricos. Agora, se quiser diversão de verdade, boa e barata feito bala 7 Belo, clica aqui para participar do sensacional Fórum do Garotas, que já conta com mais de uma centena de outros doidos! Corre! Clara McFly às 05:06 PMSegurança pra que te quero Com a chegada do feriado de carná, já estou ficando careca de tanto receber conselhos. E olha que meu cabelo tem mais volume que um urso pardo. É um batalhão de gente na tv dizendo que devemos economizar, usar, preservar, beber (água), não beber (água que passarinho não toma)... já estou ficando doidinha. Quando nos tornamos pessoas assim tão previdentes? Há questão de duas décadas, não lembro de uma só campanha de conscientização rolando na telinha em véspera de Carnaval ou qualquer festa pagã. Pelo contrário! Todo publicitário espertalhão aproveitava a época para incentivar o povo a cair na farra, enfiar o pé na jaca, descabelar o palhaço e praticar todas essas metáforas safadas – consumindo muito, claro. Daí, não sei como nem por quê, viramos gente ciosa. Por exemplo: nos carnavais da década de 80, quando viajávamos, o carro era como um trio elétrico soteropolitano. Papai ia ao volante, tentando se concentrar na estrada. Nós, os pentelhos, íamos cantando e badernando no “chiqueirinho”, vulgo porta-malas da Caravan. Cinto de segurança? Nem em sonho. Pra dizer a verdade, eu ia mesmo é no banco da frente, no colo da mamãe, brincando de contar postes. Lembro que, quando era bem pequena, meus pais fumavam. Na nossa frente e na nossa cara. Isso não fez de mim ou dos meus irmãos chaminés em formato humano – mas também não deve ter causado lá muito bem aos pulmões. Hoje, atitudes desse tipo estampam a traseira do maço de cigarro, ó que coisa. Alcançado o destino da viagem, a segurança não melhorava em nada. Quase sempre íamos para a Praia da Enseada, no Guarujá, onde minha madrinha tinha um apê, ou para o sítio da família. Tenho certeza: foi por conta desses dias festivos que eu tenho rosto sardento. Eram horas e horas e mais horas de sol no coco. Protetor solar era piada: ou nos lambuzavam com um creminho fajuto e não testado dermatologicamente, ou aplicavam a camada grossa de Hipoglós no narigão. Só que, nessa altura, o estrago já estava feito. Depois de ficar de manhã até a tarde sob os efeitos do astro-rei, não tinha ungüento capaz de me tirar a dor de queimado. Ai, meus ombrinhos... Pior que isso, só lembrar da minha irmã passando coca-cola no couro para pegar um bronze. Ou apelando ao Rayto de Sol, meleca paraguaia e com cheiro de chocolate que causava queimadura de segundo grau em 30 segundos. Devia ser ótimo para fritar bifes, e melhor ainda para assar gente. A dieta, nos dias de folia, era leve e saudável. Há! Até parece!!! Nenhuma mãe estava a fim de cozinhar pra 12 crianças gritalhonas! Tudo funcionava era na base do macarrão, salsicha, ovo preparado de todas as formas, sanduíche de presunto e queijo a granel e refri. Ingerir muita água contra a desidratação e saladinhas para não causar indigestão? Isso só foi avisado uns dez anos mais tarde. Nesse Carnaval eu vou viajar e levar chapéu para proteger a cabeça, filtro solar fator 20 e uma garrafinha de água mineral a tiracolo. Vou ser atada ao banco do carro pelo cinto e dirigir devagar, sem beber nem costurar o tráfego – e de vidros fechados, pra evitar assalto. Não vou gastar água com banhos de mangueira, não vou largar lixo onde não devo e nem cair na farra com estranhos. Aceito tudo isso – e vocês deveriam aceitar também –, mas confesso ter uma micro-saudadinha de quando éramos irresponsáveis e não ameaçados de tantas formas... Será que, no futuro, vamos passar o Carnaval embalados a vácuo? Opa! Falando nisso, não me vão esquecer a camisinha, hein? So Happy Together! É nome de música, sim, e de música que eu adoro. Mas traduz perfeitamente o que vem acontecendo lá no nosso Fórum! Caramba, como vocês leitores são legais... Que orgulho!! Mais de 90 pessoinhas registradas e escrevendo mensagens sensacionais! Obrigada por isso? Agora só falta recomendar aos amigos. Sabem como é: quanto mais bacanas reunidos, melhor é a farra! Manda a conta pro tio do cogumelo Imagine um programa vespertino da tevê. Comandados por apresentadores disk-Mirtes que adoram uma fofoca e ensinam truques como “não deixar a mão cheirando a alho depois de temperar o bife”. As atrações do programa são uma taróloga que passa um ritual de prosperidade, além de professores dando aulas de lambaeróbica, de como fazer imã de geladeira de biscuit e amaciante de roupas caseiro. Agora imagine se algum empresário gostaria de ter seu produto vinculado a um programa desses. Claro que não, você pensou. Mas pensou errado. A verdade é que esses programas possuem uma audiência muito restrita – e, portanto, baixa. Então por que eles estão no ar, diariamente, desde que a Lolita Rodrigues cantou o hino da televisão em 1950? Porque existem empresários (ou “merchand”, segundo Clodovil) que botam dinheiro no cofrinho deles. Os produtos que não possuem capital para investir no intervalo da novela das oito, nem para fazer comerciais hilários como os da Polishop, acabam aparecendo numa bancada tosca em algum canto do cenário e se acotovelando com panelas, sachês de tule e arranjos florais. Entre os maiores colaboradores do alto nível da televisão vespertina brasileira, estão: Cogumelo do Sol Disk Bijou Pomada Minâncora Colchão magnético Kenko Chapinha e Revo Styler genéricas Jarra Termomagnética MD Coleção Os Maiores Sucessos de Todos os Tempos – Volume II
O último que chegar é mulher do padre!
Eles corriam por fora Além da lista tradicional, onde constavam coisas como folhas de sulfite, papel almaço (alguém usa isso depois de sair da escola?), cadernos de brochura e lápis variados, havia uma classe de objetos que nunca fizeram parte do rol de materiais escolares – pelo menos não explicitamente. Mas eles estavam sempre lá. Alguns eram inofensivos, outros faziam as prôs (tias, no meu tempo) arrancar os cabelos em desespero e tomar todos os exemplares existentes na classe, para devolver só na hora do recreio - ou, dependendo da brabeza, só na saída. Populares, eles eram nossos queridos "objetos escolares paradidáticos", por assim dizer. A sacolinha de material alternativa contava com companheiros inseparáveis, que faziam as vezes de pokémons da época (eram fiéis ao seu dono e existia uma competição velada de quem os dominava melhor), como… A desengonçada mola O incompreensível fluff O histérico chaveirinho multi-sonoro Quem quer brincar de Fórum põe o dedo aqui! Vivi anunciou a novidade aos primeiros raios da manhã; Flá confirmou depois do almoço e eu ratifico: o Fórum do Garotas está no ar! Brincar é fácil fácil: clique, siga as instruções para se cadastrar e pode começar a soltar o verbo - ou os dedos no teclado. Não se avexe: dê uma chegada no lugar e partilhe esquisitices, memórias e gracejos com essas garotas que vos escrevem e, o que é melhor e inédito, com outros leitores do site. Vejo vocês por lá! Usuária de frascos e comprimidos A grande vantagem do Garotas é que ele serve (e muito) para traduzir aquilo que acontece comigo, Vivi e Clarinha. Traduzir e exorcizar. Hoje, por exemplo, eu me encontro com febre, dor no corpo todo e a garganta fechada. Isso me impede de comer alimentos crocantes e de ser gentil com as pessoas – mas, em compensação, vai me inspirar para mais um texto oitentista e fazer esquecer a dor lancinante por uns minutos! Acontece que, quando eu era menininha, ficar doente fazia parte do meu show. E muito. Bastava pegar uma friagem para contrair resfriado. Saía na rua, voltava com dois arranhões e uma cicatriz funda. Entrava o inverno, lá vinha a tosse me assolar. Estar rodeada por vidros de xarope, pílulas, gaze e curas milagrosas inventadas pelo papai, então, era normal. De toda aquela sorte de poções curativas, algumas ficaram na minha mente para sempre. Os itens abaixo estão grudados da memória, mas espero não usá-los nunca mais. Não levem a mal, caros remédios do passado. Óleo de fígado de bacalhau Álcool no lenço Mercúrio cromo Violeta genciana Água com sal no nariz Inalação Sarnapin *Produzido com a ajuda de meu adorável namorido, que também abusou da boa vontade de farmacêuticos e afins... Nem a doença atrapalha a brincadeira!!! Gente bacana do meu coração: conforme Vivi anunciou logo cedo, estamos cortando a fita de mais uma fase do Garotas. Agora o jogo chama-se “vamos fofocar com outros fãs do site rosado!”. Nosso Fórum está no ar e já é permitido registro de todo mundo que quiser trocar idéias e outras estranhezas. A princípio, talvez alguns achem complicado de usar, mas podem crer: é fácil aprender, é divertido pacas e não custa nem um tostão! Tem uma molecada considerável se espalhando por lá nesse momento... Vai ficar de fora? Não, vai... larga a aspirina e vem fazer a cabeça doer de tanto recordar e gargalhar. Fla Wonka às 02:50 PMAlta temperatura, grande saudade Às três horas da tarde de ontem, o termômetro digital da Av. Rebouças, de São Paulo, marcava 33 graus Celsius. Sabendo que a medição não é lá muito acurada, pensei em chutar a verdadeira temperatura. Devido às ondas de calor no asfalto, ao meu pescoço vermelho após 5 minutos de caminhada, à minha calça jeans ensopada e à vontade de querer sumir dali para o refrigerador mais próximo, arrisco dizer que a marca de 45 graus na sombra se aproximava mais com a realidade. Pelo menos, a minha. Como uma representante dos dois terços deste sítio rosado que não suportam temperaturas acima de 25 graus, preciso dizer, summer isn´t magic. Não vejo magia em ficar com marca de taxista nos braços, ou não conseguir andar 100 metros sem ter de parar para retomar o fôlego, ou suar em bicas após ter tomado um banho limpinho. Preciso dizer, porém, que nem sempre fui assim, emburrada com termômetros tropicais. O verão já foi muito bem-vindo... na infância. Na infância, podíamos nos esbaldar com água e seus derivados a todo e qualquer momento, sem ter vergonha de molhar a roupa nem se preocupar com a escassez do artigo no planeta. Como a praia mais próxima fica a alguns muitos quilômetros de estrada e de congestionamento, eu me arrumava por aqui para aproveitar a estação. E me arrumava bem, viu? Bons tempos aqueles, quando temperaturas senegalesas não significavam mau humor. Significavam... ... ficar de molho na piscininha ... brincar com a mangueira ... chupar gelinho a tarde toda ... usar biquíni para brincar Novidades novidadeiras! Caríssimos leitores e queridíssimas leitoras! Atendendo a muitos pedidos, hoje estamos inaugurando nosso Fórum! Isso mesmo, um espaço para vocês escreverem à vontade, deixarem comentários, mandarem textos, exprimirem opiniões, relembrarem coisas da infância e, principalmente, trocarem idéias entre vocês. Além de, claro, terem mais um canal para conversar com estas três mocinhas aqui. Para participar, basta clicar aqui (ou no link “Fórum” da barra de navegação, por enquanto só na home) e entrar no link Registrar, logo abaixo do logo do Garotas. Cada um precisará preencher um cadastro, colocando nome de usuário e senha. Eles pedem o e-mail, mas é só certificar-se de que a opção “Sempre exibir meu endereço de e-mail”, logo abaixo do cadastro, em Preferências, esteja selecionada em “Não”, que essa informação permanecerá sigilosa. Depois disso, é só brincar! Estamos ainda em fase de experiência. Nunca havíamos participado de um Fórum, muito menos feito um. Portanto, talvez vocês encontrem imperfeições ou dificuldades que só saberemos usando. Se alguém tiver alguma dúvida, crítica ou sugestão, por favor, entre em contato conosco. Vamos corrigindo aos poucos... Todo mundo pronto? Vivi Griswold às 10:03 AM
Bichos escrotos Além dos amigos queridos, dos irmãos e irmãs serelepes (tenham eles dez meses ou 27 anos) e de toda sorte de gente bacana, minha casa também é altamente freqüentada por espécies não tão bem-quistas. Eu não sei o que é, mas atraio insetos e criaturas afins. E minha casa é limpinha, viu? Aliás, acho que é a minha pessoa mesmo. Bom, eu também sou (pobre mas) limpinha, o que torna essa atração um mistério. De qualquer maneira, meu histórico com bichos vai longe, desde a casa da minha mãe. Com jardins atapetados de grama por todos os lado e situada num bairro cheio de terrenos vazios, a residência em questão sofreu ataques primeiro de formigas. Repentinamente, elas sumiram - e vieram as lesmas. Enormes e gorduchas, elas se esticavam e ficavam parecendo um bife de fígado. Adoravam estacionar os corpões moluchos bem na linha de entrada dos carros. Aí, já viu a tragédia, né? Haja estômago e jato de mangueira para descolar os cadáveres depois… Talvez a borracha do Deep Purple tenha contribuído para a extinção das pobres. Elas desapareceram e, como substitutos, tomaram o quintal e os jardins vorazes caracóis. Eles eram mais agressivos que suas antecessoras: subiam do gramado em direção à casa, o que me fez pensar se eles não teriam sido os verdadeiros responsáveis pelo sumiço das lesmas e, agora, queriam tratar de sumir com os habitantes humanos do lugar, para comer na nossa mesa e dormir nas nossas camas. Mas o tráfego intenso de solados no quintal - que gerava sonoros "crecs" ao caminhar no lugar - cuidou de exterminar a famigerada praga. Ao me mudar, achei que os problemas haviam acabado e esse passado tenebroso morrera no endereço antigo. Mas qual! Minha nova casa passou a ser assolada por aranhas dos mais variados tipos e formatos. Um belo dia, olhei pela janela e notei que os gramados vizinhos estavam todos aparados e bonitos, enquanto que o meu parecia a plantação de milho do "Sinais". Atinei que era responsabilidade de cada condômino cuidar do seu matagal, passei a mão no cortador e o namorido pôs aquela braquiara abaixo. Problema resolvido e lição aprendida: grama alta = aracnídeos medonhos. Agora, recebo visitas mais simpáticas, como vagalumes cascudos e mariposas de tamanho humilde (em nada parecidas com os verdadeiros morcegos que entravam na casa da minha mãe). Tô pensando até em adotar alguns, à guisa de bicho de estimação. Só para matar as saudades do Slood, minha lesmona favorita, que morreu sob a borracha do intrépido Corsa mil… Foi um acidente, tá? Eu juro! Mestre da viagem fantástica Ficção científica aventuresca é como o Michael Jackson: uns amam e acham do cacete, outros odeiam e querem ver no fundo de um poço de piche. Eu me acomodo na confortável posição “coluna do meio”. Mas, para dizer a verdade, só comecei a apreciar uma boa leitura longa por causa do gênio máximo desse gênero. Já ouviu falar em um senhor chamado Julio Verne? Jules Verne, para ser mais exata. Essa era o nome dele ao nascer, na França, em 1828. Julio foi “aportuguesado” quando suas fantásticas obras chegaram por aqui. O bom é que, no caso desse mestre, usar o termo “fantástico” é fácil, fácil... O primeiro que peguei para ler é simplesmente um dos três livros que eu mais adoro até hoje, mesmo sendo garota grande. Também, como escapar? Aos 12 anos, embarcar em uma viagem à Islândia, entrar em vulcões e decifrar códigos secretos para achar o caminho do núcleo do planeta era tudo o que eu sonhava. Graças ao Julio e seu “Viagem ao Centro da Terra”, ainda sonho. Escrito em 1864, o livrinho me pegou de jeito. Devorei em questão de três ou quatro dias, alucinada para saber se o professor Lidenbrock e seus amigos iam achar as pistas de Arne Saknussen para alcançar o centro do globo. Muito melhor do que filmes de stop-motion do Sinbad na televisão (e olha que eu me divertia com aquilo), o livro recheou as minhas tardes várias vezes. Já até decorei umas frases! Que nerd, né? Eu acho mesmo, porém, que Julio Verne era um grande nerd escrevendo para outros dessa espécie. Até seus personagens eram assim! O que dizer de Phileas Fogg e aquela mania de não perder uma discussão? O homem bateu o pé que conseguia rodar o planeta em pouco mais de dois meses e lá se foi. Suas artimanhas para completar o percurso – junto com o adorável empregado Passepartout – viraram “A Volta ao Mundo em 80 Dias”. É outro exemplar que, de vez em quando, ainda pego para reler. Que outra maneira eu teria de embarcar em um vapor através dos mares, andar de elefantes na Índia ou voar de balão pelos céus? Só com a ajuda do Julião e sua mente maravilhosa. Muita gente imitou essa veia literária de Julio Verne tentando criar atmosferas emocionantes como ele fez. Alguns chegaram bem perto, como H.G. Wells, maníaco por ficção científica na veia que se inspirou muito em Verne e escreveu pérolas como “A Máquina do Tempo”. Mas o mestre é o mestre. Apaixonado pelas letras, Julio ainda tem meu respeito máximo por ter escrito histórias magníficas mesmo sendo atormentado pelo pai (que queria vê-lo advogado), pela diabetes e por uma perna manca – que ele “ganhou” quando um sobrinho atirou dentro de casa por acidente. Perfeitas para ir ao cinema mesmo antes da telona existir, suas obras de aventura inocente não perdem a graça com o passar dos séculos. Tanto que “20 Mil Léguas Submarinas” ainda é um clássico, assim como “Cinco Semanas Num Balão” ou “A Ilha Misteriosa”. Há muitos anos, um escritor chamado Claude Roy disse o seguinte: “O mundo possui seis continentes: Europa, África, Ásia, América, Oceania e Júlio Verne". Até hoje, só viajei por três desses. E Julio Verne foi, disparado, o que mais mexeu com o meu imaginário. Eu + livrão = confusão Para quem já encarou o calhamaço segurador de porta que é “O Senhor dos Anéis”, um outro livrão gordo e cheio de ilustrações coloridas não deveria oferecer resistência. Porém, ah, como oferece. Não sei se as culpadas são aquelas letrinhas minúsculas, ou a ordem alfabética que me embaralha as idéias, ou ainda o stress do momento dificultado pelo chacoalhar do carro. Não adianta: Vivi e Guia de Ruas são dois artigos que não se entendem. É só o condutor perdido do veículo em que me encontro sugerir “pega o guia no porta-luvas, por favor?”, pronto. O formigamento já toma conta de meu corpo, a visão fica turva e eu entro em pânico com a certeza antecipada de que vou mais atrapalhar do que ajudar – e que não vai demorar muito para o condutor ficar bravo comigo, parar o carro e arrancar o volume de minhas mãos trêmulas e envergonhadas. A cena é sempre a mesma. Obedeço ao condutor (se ele sabe dirigir bem e tem um automóvel, merece meus respeitos) e saco do livrão. Daí, aperto os olhos míopes para ler a placa da rua onde estamos (ação dificultada se o período for noturno). Acho a seção de ruas em ordem alfabética e lá vou eu, com dedinho e tudo, encontrar uma linha específica no meio de centenas de milhões. Eu simplesmente odeio quando, por exemplo, a rua é Senador Fulano de Tal ou Deputado Qualquer Coisa. Vou direto na letra “S” e “D”, respectivamente, sempre me esquecendo que tais nomenclaturas não devem ser levadas em conta na hora da busca. Saco. Nesse ponto, o motorista começa a bufar – e eu ainda nem encontrei sequer uma indicação de onde estamos. Pensa que a primeira parte da tarefa está no fim? Nãããão. Dependendo do nível de criatividade daqueles que sugerem nomes de ruas, você pode se deparar com um título igual em dez bairros da cidade. O jeito é ir, bairro a bairro, desvendando as linhas espremidas com a paciência de um arqueólogo ancião até encontrar a localização desejada. Próximo passo é decorar o número que aparece ao lado do nome da rua, um código que lembra a batalha naval do Bozo. Algo como 705 E10, por exemplo. Basta ir até a página 705 e cruzar a letra “E” na horizontal com o número 10 na vertical. Ali, naquele ponto, há de estar o local exato (faço figas, bato na madeira e rezo para Santo Expedito). Ou o pior pode acontecer – após tanta demora, a rua provavelmente já cedeu lugar à outra. Vamos pensar na melhor hipótese. Vai que a rua seja, na verdade, uma avenida muito comprida, e ela ainda esteja lá quando a informação for finalmente processada. Preparo-me, então, para a parte mais temida. As indicações! O condutor, claro, não pediu a busca por puro divertimento. Ele quer saber como sair dali, ou como chegar em um outro lugar. E quem deve dar as indicações, hã, sou eu. Eu, aquela pessoa que confunde direita com esquerda em momentos de tensão. Eu, aquele ser que nunca sabe se estamos subindo ou descendo numa rua, se estamos no sentido Paulista ou Santo Amaro ou raio-que-o-parta. Giro o mapinha 360 graus umas três vezes – gesto que quer falar “socorro, não sei mexer nisso!”. E, finalmente, desisto. Cedo o livro para quem entende e me calo em minha falta de noção espacial e direcional. Mas eu sei bater um bolinho de fubá di-vi-no, viu? Vivi Griswold às 09:14 AM
De São Bernardo para o mundo Vocês já devem ter notado que eu moro em São Bernardo, também conhecida como o B do ABC Paulista, a Hollywood e/ou a Detroit brasileira (vide, respectivamente, os estúdios da Vera Cruz e as fábricas de autos) e, já adianto, a verdadeira terra da garoa – afinal, os céus de São Paulo há muito pararam com essa mania besta de ficar vazando aos pouquinhos. Embora seja colada à capital paulista, São Bernardo guarda uma série de particularidades. Só quem cresceu aqui (como eu, que nasci em São Paulo e me mudei para cá com quatro anos) sabe quantos sorrisos amarelinhos a gente dá com as piadas repetidas, do tipo “ah, você é do interiorrr, então?” e “pode discar seu número direto ou tem DDD?”. O problema não são os gracejos em si, mas o fato de que todo mundo fala a mesma coisa quando conhece alguém dessa gloriosa cidade... Para ajudar na falta de comentários para a ocasião, listo a seguir um monte de outras coisas que qualquer cidadão de fora de São Bernardo pode dizer ao conhecer um bernardense. Anotem e guardem para quando a gente se cruzar por aí! Podem começar com um “ah, você é de São Bernardo? Então, você...” ... já foi num baile do Singular ou num carnaval na Associação? ... ia na Sollem e na Twist’s dançar? ... mora perto de qual saída da Anchieta? ... ia almoçar na Rota dos Restaurantes? ... conhece alguém que estuda ou estudou no Wallace? ... foi torcer nos Jogos Escolares lá na Vera Cruz? ... compra no Metrópole desde quando ele se chamava “Shopão”? ... assistiu aos jogos da Copa na Kennedy? A mensagem do rock Minha última sexta-feira à noite foi regada a gente bacana, riso solto e muito rock’n’roll. Não conhecia aquelas pessoinhas, não sabia que ia gargalhar daquela maneira e – surpresa máxima – não era eu quem comandava o som que tanto me deixou satisfeita. “Escola de Rock” foi quem fez tudo isso por mim! E fez tão bem que recebi o recado direitinho. Filme sobre músicos e bandas são bacanas por natureza. Vide “Commitments”, “Quase Famosos”, “A Festa Nunca Termina”, “Rockstar” e tantos outros que não há como cansar de ver. Por isso, já sabia que ia curtir muito “Escola de Rock”. Só não imaginei cair de tanto amor por aquelas crianças e captar mensagem em um filme tão típico de Sessão da Tarde. A história parece meio manjada no começo. O fofíssimo Jack Black faz o papel de Dewey Finn, um guitarrista apaixonado pelo rock mas que não consegue grana ou respeito com isso. Expulso de sua banda de cabeludos afetados, ele fica sem eira, beira ou chance de participar de uma tal “Batalha das Bandas” – concurso que rende sucesso e dinheiro. Num belo dia, Dewey encontra maneira de conseguir ao menos pagar as dívidas. Para isso, só precisa dar o golpe em um amigo que se tornou professor e pegar aulas como substituto em uma escola de riquinhos. O revés: a molecada a quem ele deve ensinar ortografia e matemática é ótima em... música. Olha o show armado! Em questão de dias o professor percebe nas crianças de 10 anos talento de roqueiro profissional. Deixar isso escapar ou botar os pivetes em formação de grupo? Há! Segunda opção na cabeça. E é aí que têm início as cenas que me fizeram morrer de rir e até emocionar. Os moleques e garotinhas são simplesmente sensacionais. Tudo bem: Jack é rei em interpretação, trejeitos, cantoria e comportamento estriquinado. Mas os garotos roubam a cena. Eles tocam os instrumentos de verdade, dá pra crer? São pequenos projetos de rock’n’roll. Nunca fizeram um filme sequer e atuam do melhor jeito que podem – o que faz o filme ganhar muito em realismo. Sabe quando você sintoniza programas dominicais e vê um certo Felipe Dylon fingindo tocar guitarra? Não sei os outros, mas eu fico num tremendo bode em notar que o moleque sequer marca as posições no instrumento... Segura o braço da guitarra como se estivesse empunhando uma vara de pesca! Isso me irrita bastante. Principalmente quando vejo pivetinhos com a metade da idade dele esmerilhar uma bateria ou um baixo com tanta espontaneidade. Essa é apenas uma das mensagens de “Escola de Rock”. A primeira é de que crianças precisam ser expostas ao rock desde cedo, porque isso ajuda a fabricar uma personalidade decente. A segunda é que o rock é a arma certa para detonar “o homem”. Como “o homem”, segundo Dewey Finn, entendemos aquela gente que valoriza coisas erradas, como dinheiro e posição social, e não investe energia em atividades com paixão. “O homem” quer que paguemos o nosso aluguel quietinhos, compremos as mesmas roupas, sejamos impassíveis e sem vontade. Eu me recuso. Dewey se recusa. As crianças de “Escola de Rock” se recusam. E essa é a única mensagem que precisamos.
Isso é que é um bom catecismo, Jack! Aprenda com as estrelas À primeira vista, pode parecer estranho. Mas as celebridades têm muitas lições a nos ensinar além de “talento não é importante”, “não é necessário saber atuar/cantar direito” ou “invista em silicone, não em cursos de artes dramáticas”. Basta prestar um pouquinho de atenção na trajetória daquele povinho glamouroso e milionário para obter uma verdadeira cartilha de “Como Evitar Micos Públicos”. Já diz o velho ditado “é errando que se aprende”, certo? Então aí vão 10 coisas que eu aprendi com os erros dos famosos! 10) Não faça topless 9) Não misture amor com negócios 8) Não grave lua-de-mel ou momentos íntimos 7) Não destrua quartos de hotel 6) Não perca tempo montando casamentos secretos 5) Não faça tatuagens românticas 4) Não roube nada diante das câmeras 3) Não patrocine a profissão mais antiga do mundo 2) Seja amigo de ex-parceiros, ex-mordomos e paparazzi 1) Preocupe-se com a aparência toda a vez que sair de casa Senão, ó: ![]() SOS, Malibu!
Eu não estou só! Sabe quando, por falta de audição ou excesso de criatividade, você ouve uma música e entende algo totalmente diferente da letra de verdade? Então. Aparentemente, todo mundo sabe – e sofre desse (hilariante) mal. Eu mesma já fiz por aqui, há muito tempo, uma breve confissão dos meus piores virunduns. E a confusão auditiva musical é um fenômeno mundial. Que o digam os muitos colaboradores do Kiss this Guy, site que figura em nossa seção de Links e reúne mishearded lyrics em inglês. Pois essa pérola da net é o melhor remédio para mal-humorados em geral e sem-graças por natureza. São casos e casos de manés (como eu, de novo) que ouviam as mais bizarras letras em músicas tão populares que, mesmo em inglês, até a simpática ascaris Catarina cantaria certo. Como, por exemplo, o infiel que cantava "I ain't Jed" ao invés de "Angie", na melodiosa canção de amor dos Stones. Imagina o bocudo Mick se esgoelando em versos que significam "Eu não sou o Jed… Não sooooooou o Jed!"? Surreal. De mais a mais, quem diabos seria o Jed?! Outra criatura entoava, no refrão do clássico "I'll Be There For You" (contra-indicado para diabéticos, como tudo do sêo Bon Jovi), "Fe fi fo I swear to you" ao invés do "These five words I swear to you". Demais. Mas o meu, o seu, o nosso quarteto favorito de Liverpool, los B., é campeão na biblioteca de escorregadelas mantida pelo Kiss this Guy - cujo nome, aliás, surgiu do imenso número de pessoas que achavam que Jimi Hendrix beijava um carinha em vez de beijar o céu, na poderosa "Purple Haze". Reuni uma pequena amostra do que uns litros de cachaça a mais na cabeça - ou macaquinhos muito saltitantes na cachola - são capazes de fazer quando alguém ouve uma canção dos Beatles. Está tudo lá, no edificante conteúdo do Kiss this Guy. Segure-se. Day Tripper Michelle Lucy in the Sky with Diamonds I Am the Walrus Ticket to Ride Hoje é o seu dia, que dia mais feliz! Só tem uma coisa mais divertida que navegar pelo Kiss this Guy: ter a amizade da estriquinada, tatuada, destrambelhada e maravilhosa amiga Flá Wonka. Ombro e ouvido fiel para dias ruins, companhia excelente para os dias bons, a menina é de uma generosidade e integridade raras. Por isso, no natalício de hoje e todos os dias, viva a Flávia, a morena mais bacana do Garotas e minha amiga tardia do peito!
Poderooooosa e inspiradora Ela era a reencarnação de uma princesa egípcia com poderes sobrenaturais e capaz de comandar forças da natureza. É óbvio que, do alto dos meus cinco ou seis anos, não fazia idéia disso. Para mim, ela era apenas uma moça bonitona que usava uma pedra na testa e, de maneira esquisita, invocava o vento quando se metia em roubada. Hoje, em especial, eu penso... quem me dera ser a Ísis. Aposto que a maioria de vocês vai ter dificuldade em lembrar dela. Só quem tiver mesmo uma memória faraônica há de recordar com clareza da Ísis. A não ser no meu caso, que era a fã número um da garota – mesmo tendo visto a série lá nos idos de 1980 ou coisa assim. Nas brincadeiras da rua, quanto todo mundo escolhia um super-herói pra ser, minha primeira opção era a Ísis. As garotas se engalfinhavam para ser a Mulher Maravilha, mas nunca me meti nessa briga. Imagina! Por que preferir ser a garota que usava aquele laço mixo e roupa americanóide quando eu podia interpretar alguém com longos cabelos negros, roupa de sacerdotisa e sábia feito uma esfinge? Esse era o charme da Ísis. Com um gesto da mão, o vento subia e atirava os caras maus bem longe. Ela nunca precisava se desesperar, dar golpes enlouquecidos ou mesmo suar. Bastava botar a mão sobre a pedra da testa e repetir a mandinga “Zephyr que comanda o ar! Levante-me para que eu possa voar!” Intimidante, diz aí? E olha que eu nem sei quem era o tal de Zephyr... mas tinha medão dele assim mesmo. Para incorporar a Ísis, minha manha era enrolar o lençol da cama feito uma toga, prender uma fita em torno da cabeça e grudar nela uma moeda. Ok, o meu amuleto de poder era bem mais patético do que aquele achado no Egito pela professora Andrea Thomas (o nome civil da Ísis), mas eu fazia o possível. O ventilador ligado no quintal ajudava a criar o clima de vento levantando sob meu comando. Tenho a impressão que minha mãe me achava demente. Escolhi falar da Ísis hoje por um motivo especial. Passados todos esses anos desde a infância, eu ainda não consigo ser valente e magnânima como aquela heroína fantástica. Mas gosto de pensar que avanço um pouco por dia nessa tarefa! Hoje de noite, eu provavelmente vou tentar de novo invocar o vento e fazê-lo soprar sobre minhas 29 velhinhas de aniversário. O poder de dominar a natureza pode não se apresentar. Mas ainda resta a esperança de ganhar, um dia desses, a sabedoria da Ísis, né?
Se eu não posso comandar o vento, pelo menos podia ser bonita feito a Ísis, hein? Quando eles poderiam falhar Visão, audição, tato, olfato, paladar: os cinco sentidos que muitos de nós temos, em maior ou menor medida (a míope aqui gostaria de ter o primeiro mais aguçado). É através desse grupinho mágico que entramos em contato com o mundo e suas imagens, barulhos, texturas, cheiros e gostos. Sem eles, seríamos uma ilha. Se ainda a ilha fosse Ibiza, a gente até podia conversar... Às vezes, porém, me vejo com um estranho desejo de ter um interruptor em algum lugar do corpo, algo como a Super Vicky, para desligar e ligar a função “sentidos”. Convenhamos que há certas ocasiões no dia-a-dia em que alguns desses nossos poderes só atrapalham – e acabam sendo veículos de transmissão de sensações nada agradáveis. Quer ver? Visão Bichos atropelados Modelitos de verão Erros de português Audição Alarme de carro disparado Momentos íntimos de vizinhos Festa de pagodeiros Tato Unha na parede Etiqueta no cangote Choque no cotovelo Olfato Boteco de manhã Cheiro de fumaça Barraca de peixe Paladar Xarope contra tosse Gosto de cabo de guarda-chuva Pipoca de microondas com manteiga Uma amigona, em todos os sentidos
Procura-se Procurar emprego, situação pela qual todo mundo já deve ter passado ao menos uma vez na vida – e pela qual hoje quase 20% da população, isso só na Grande São Paulo, passa todos os dias – é osso duro de roer. Não bastasse você se encontrar numa situação mais ou menos difícil, dependendo do volume de contas que teimam em bater na sua porta, ainda é preciso ter disposição para encarar uma série de micos. Já estive na delicada posição de me ver fora da população economicamente ativa. Hoje, acompanho as agruras do namorido, que está em busca de seu lugar ao sol. Ele é como eu e não liga tanto assim para as notinhas coloridas com a assinatura do Meirelles e do Palocci, mas quer mais é fazer algo que lhe dê prazer. Claro que não de graça, senão a gente vai ser despejado do condô... Mas a um valor justo e decente para pagar as contas e sobrar um para o guaraná e o cinema do final de semana. E foi acompanhando a busca do moçoilo que divide casa comigo que me deparei com algumas, digamos, piadas que o ato de procurar emprego nos prega. Porque se isso não for uma grande piada (de mau-gosto, pois é pregada em pessoas honestas que estão a correr atrás do prejuízo), eu não sei o que é. E ao vosso reino, nada? Agora, vamos todos fazer um círculo Objetos Empresariais Não-Identificados Teu passado te absolve São casos clássicos onde minha santa avó usaria “quem te viu, quem te vê”. Antes, eram pessoas de gabarito, na onda, com opinião e trabalho respeitados em qualquer roda de bate-papo. Daí, fez-se a tempestade e os cobradores devem ter batido à porta com mais força. Então, o que eram ícones da televisão viraram uns panacas. Que me perdoem amigos e familiares dessa gente citada mais abaixo. Mas acredito que, no caso de certas “celebridades”, era melhor cair no limbo do bem do que amargar tamanho mico televisivo. Uma era VJ cool, virou tele-Mirtes. Outro, largou uma brilhante carreira de apresentador esperto e boca dura para virar divulgador de detergente em programa dominical. No meu coração suburbano, dignidade sempre foi, é e será mais importante que bufunfa. Já para esses cidadãos, a escolha foi “melhor perder o senso que o contracheque”. O jeito é esquecer o presente e lembrar que os tais já foram... os tais. Roberto Cabrini Titãs Fausto Silva Kadu Moliterno e André di Biase Astrid Quem não se enamorou? "Quando você chega na classe / nem sabe quanta diferença que faz / e às vezes faço que nem vejo e nem ligo / e finjo ser distraída demais / Quantas vezes te desenhei / mas não consigo ver o teu sorriso no fim / te sigo caminhando pelo recreio / quem você tropeça em mim?". O parágrafo acima é a abertura da música “Se Enamora”, clássico do Balão Mágico, mas poderia ter sido escrita por qualquer um de nós. Afinal, quem não viveu um amor platônico nos tempos de escola que atire o primeiro giz de cera! Tanto quanto livros, lápis, borrachas e apontadores, as paixonites agudas faziam parte da sala de aula. Era uma época estranha: as meninas ainda andavam apenas com as meninas, e os meninos só se falavam entre eles. Porém, já havíamos passado daquela fase em que o sexo oposto era apenas motivo de chacota (no caso dos garotos, que viviam pregando peças nojentas nas coleguinhas) ou de asco (no caso das garotas, que achavam os amiguinhos grossos e sujismundos). Algum interruptor foi ligado dentro de mim quando passei da 3ª série A para a 4ª série B, como parece acontecer com todo mundo. Alguns mais cedo, outros mais tarde. Mas não dá para fugir do interruptor que, de uma hora para outra, nos fazia olhar para aquele cara no fundo da classe ou aquela menina na primeira carteira de modo diferente. E, daí, a hora de ir para a escola passava a ser aguardada com ansiedade. Eu contabilizava 10 anos incompletos quando o vi pela primeira vez. Ele era loirinho, tinha olhos azuis e sabia combinar como poucos o uniforme azul celeste com um tênis All Star de cano alto puído. Na hora da merenda (naquela época tinha merenda), ficava desenhando símbolos de anarquia nos guardanapos com sua Bic 4 cores. Duvido que ele sequer desconfiava do significado daquele A maiúsculo. Mas conseguia impressionar essa garota tímida, viu? Como uma paixonite escolar de respeito, essa não foi declarada e muito menos correspondida. Claro: se tivesse sido uma das duas coisas – ou, pior, as duas – não teria sido uma paixonite escolar de respeito. Naquela época, esperava apenas ganhar uma mordida do X-Salada comprado na cantina, ou ser escolhida para o trabalho em dupla, ou ajudá-lo a buscar o jogo de geometria no almoxarifado. Não tínhamos pretensões maiores que essas. Aliás, nem sabíamos que existiam pretensões maiores que essas! Meu amor escolar pelo garoto anarquista (agora me lembrei, ele era filho de um professor da escola) durou até a 6ª série B. Depois disso, as coisas mudaram. E, como diria o personagem principal do filme “Conta Comigo”, bem no fim, ele se tornou apenas um rosto no corredor. E você acha que eu me livrei da sina de me apaixonar por coleguinha? Bah. Tive uma paixonite aguda na faculdade, contabilizando 19 anos incompletos. Mas aquela não foi de respeito, como a de uma década atrás. Ao contrário: foi declarada e correspondida. E sobreviveu a recreios, a passagens de ano e a mudanças. E, ufa, esse nunca virou um rosto no corredor. Vivi Griswold às 09:42 AM
Manual para a vida adulta Desde pequeno a gente aprende que todo ser vivo nasce, cresce, se reproduz e morre. E embora nessa época adoremos brincar de ser adulto, usando as roupas e a maquiagem da mamãe, cuidando de bonecas ou preparando comidinhas fictícias, não temos a menor pista do que é crescer de verdade. Há milhares de definições sobre o tema. Um velho livro de Psicologia que tive no colégio dizia que a adolescência termina quando resolvemos três questões na vida: a profissional (suponho que essa represente a velha pergunta dos adultos, "o que você vai ser quando crescer?"), a sexual (de volta às perguntas da gente grande aos petizes, essa deve ser a "com quem você vai se casar?" , entre outras variáveis...) e a filosófica (ainda não tenho bem certeza do que tal item exprime. Vai ver ainda não o resolvi). Mas acho que a grande diferença entre os deliciosos dias infantis e nosso cotidiano atual está guardada num ponto bem simples: as coisas que fazemos nesses dois períodos. Quando pequenos, há uma série de atividades e propósitos que pipocam naturalmente nos nossos dias. Quando crescidinhos, é preciso encaixar essas coisas na sua atribulada agenda, com pequenas adaptações, se você quer ser uma pessoa bacana. Ok, eu sei que estou longe de desvendar o verdadeiro mistério de crescer. Se o tivesse feito guardaria para mim – para não tirar das outras pessoas o prazer de uma descoberta pessoal dessas, ao contrário do que os gurus da auto-ajuda costumam fazer. Mas ainda assim sugiro que toda a gente grande tire um tempinho para... Assistir desenho Se exercitar Ficar de papo para o ar Brincar sozinho Brincar com seus amigos Quando o amor estraga Confesso que adoro desenhar coraçõezinhos no canto das páginas e suspiro vendo namorados beijando no parque. O amor é lindo – mesmo muita gente tentando divulgar que ele é “uma flor roxa que nasce no coração do trouxa”. Esse belo sentimento só fica idiota quando usam-no para tapar buraco. Amor não é estepe, senhores roteiristas de cinema! Tantas histórias boas já foram engrandecidas por romance. Vide “...E o Vento Levou”, que conta sobre a Guerra da Secessão norte-americana, mas coloca a trajetória de Scarlet e Rett no meio do caminho. Ou “Coração Valente”, que trata da independência da Escócia, mas mostra como os bravos também choram uma vida inteira pelo seu rabo de saia predileto. Já outras produções... Suponho que tenha sido assim: com medo que a temática “soco no queixo” assustasse garotas pagadoras de ingresso e que mandam nos namorados, os roteiristas acharam legal meter romances melados no meio da história. Como se mocinhas não pudessem apreciar uma grandiosa batalha ou filme policial arrasa-quarteirão. O exemplo clássico e pregado aos sete ventos atlânticos é “Titanic”. Olha que eu gosto do trabalho do Leonardo Di Caprio e acho a Kate Winslet uma das atrizes mais lindas e competentes que há. Mas aquela baboseira de “Jack pra lá” e “Rose pra cá” foi um porre. Não sei porque não meteram os dois na rachadura do casco do navio e deram fim no prejuízo. Outro que me mata de tédio é “Dança com Lobos”. Na verdade, podem dizer o que quiser, mas acho a versão “kevincostneriana” da conquista do Velho Oeste muito interessante. Quer dizer: ia tudo bem com o capitão Dunbar e sua relação com os sioux. Até que embutiram uma camponesa-índia-tradutora na jogada. Céus, que romance mais chato. Deu mais enjôo disso do que ver o índio comer língua de búfalo crua e sem farinha de acompanhamento. Aliás, essa mania de enfiar garotas no roteiro pra agradar a libido masculina não resulta em boa coisa. Eu sei que os meninos vão me atirar garrafas de Caracu agora, mas a parte gosmântica de todo filme do 007 dá sono. Tá certo: as garotas são exuberantes (tradução para rapazes: gostosas) e sensuais (tradução para rapazes: gostosas). Mas todas as que não carregavam um revólver ou uma zarabatana com veneno podiam bem ter sido dispensadas. A gente sabe que o Bond era “pegador”, não precisa reforçar tanto! Porém nada se compara ao desastre de “Pearl Harbor” – e eu não uso a palavra “desastre” como referência ao ataque japonês à base americana. O que era uma história de guerra, com lances de estratégia, vingança, oportunismo e humanidade, virou uma melação. Pra ver aquele triângulo amoroso sem química e babento, podiam ter gasto um terço do orçamento e feito uma comédia romântica. Sem o Ben Affleck, por deus, que daí nada pode acabar bem. Seria bacana os produtores mirarem o exemplo de “O Último Samurai” ao inserir romance numa história. Já no trailer, ficava claro que o Tom Cruise ia cair de quatro pela japonesinha da família samurai. Mas a relação é bonita, singela e muito, muito rápida de ser ver. Nada de beijos de língua, rolando no feno e envolvendo quimonos atirados para o ar! Misturar amor e ação pode embrulhar o estômago, sabem como é.
Vejam! A Kate também odeia esse triângulo e procura uma rota de fuga! Não dá pra acreditar Apesar de ser uma crente nos mistérios da humanidade e de botar fé em 70% das conspirações que andam por aí, até eu deixo de acreditar em certas coisas. E não me refiro a balelas como a Xuxa ter sido acordada por um duende, ou a Sandy ser atriz ou o Michael Jackson ser o pai biológico daquela prole loirinha e encapuzada. Acho que algumas das maiores enganações estão presentes em nosso dia-a-dia. É só botar reparo, como diria a minha avó. Já que eu sigo as instruções de dona Diva e reparo em tudo mesmo, convido você, leitor, a tentar desvendar essas charadas aí em baixo. Desculpem-me aqueles que acreditam, mas eu não engulo... ... que Fanta tem 10% de suco de laranja em sua composição ... que o Patropi e o Fofão são a mesma pessoa ... que há lactobacilos vivos no Yakult ... que existe uma brigada de incêndio em todo o cinema ... que dá para bater clara em neve manualmente ... que as fórmulas dos xampus modernos são tão avançadas Taí outra coisa que dona Diva me ensinou a botar reparo! Vivi Griswold às 09:31 AM
Bla-bla-blá do rock’n’roll Como se sabe, o rebelde roquenrrol nunca ligou muito para letras. Claro que isso não quer dizer que não haja registros de belas poesias e mensagens bacanas enlevadas pelo som das guitarras altas e distorcidas. Mas o forte do ritmo sempre esteve mais para a atitude que para frases bem-arranjadas entre acordes. Prova disso é a existência de um punhado de misteriosas palavras em verdadeiros clássicos do roque. São combinações de sílabas aleatórias que não têm sentido algum, mas fizeram história e marcaram época – ou ao menos foram insistentemente marteladas nas FMs mundo afora. A lista das onomatopéias chewbacca do roquenrrol conta só com músicas para lá de bacanas – mas cujos compositores deviam estar para lá de Bagdá quando as inventaram. Que outra hipótese explicaria o significado de... A-Wop-bop-a-loo-lop a-lop-bam-boo? Gabba gabba hey? Obladi, oblada? Mush a ring dum a doo dum a da? Doo doo doo doo dingle zing a dong bone/ Ba-di ba-da ba-zumba crunga cong gone bad? Mesmo depois dessa, em terras brasilis Paulo Ricardo ainda é o rei do tema. Kieds fez meio metro de versos sem sentido a partir de palavras (quase todas) inventadas. Já Paulo-Ricardo-Baixo-e-Voz sacou de "Mas acabou/Não vou rimar/Coisa nenhuma/Agora vai/Vamos sair/Que eu já não quero nem saber/Se vai caber/Ou vão me censurar", contabilizando oito versinhos com palavras que existem, mas não dizem nada, na saudosa "Olhar 43". Não se fazem mais compositores como nos anos 80... Não me T.O.C.! Faça um teste aí na sua mesa do computador. Espalhe uns papéis pela área, jogue canetas por cima, deixe o mouse pad meio torto e, se gosta de emoções fortes, marque o monitor com digitais. Deu incômodo? Você ficou pelo menos um pouco nervoso? Pois é... digamos que, se eu fizer isso por aqui, vou arrumar uma taquicardia. Acho que tenho aquele tal de Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Para os usuários da tv a cabo, é fácil explicar esse problema pequenino. Sabem a Mônica Geller, do seriado “Friends”? A pirada que fica nervosa com o modo como os outros cortam a carne e que organiza armários alheios? Essa sou eu... em um grau um pouco menor, talvez. Não muito menor, mas menor. É meio doloroso ser assim, para dizer a verdade. Meus amigos tiram o maior barato – e ainda me fazem de boba. Em várias redações onde trabalhei, eles faziam de propósito: iam na minha mesa quando eu estava fora e mudavam objetos de lugar. A retardada aqui chegava e, notando a configuração estranha, começava a arrumar tudo automaticamente. Era a alegria da turma. Sádicos! Pelo que entendi vendo programas vespertinos (e as entrevistas da Luciana Vendramini, que já passou por surtos bravos de TOC), isso é um distúrbio que acontece lá na cachola. Muita gente tem, em maior ou menor nível. Os mais afetados tomam 10 banhos por dia, não pisam em rachaduras de calçada ou têm pânico de vestir roupa amarela, por exemplo. Os mais tranqüilos – categoria onde eu espero ficar pra sempre – são apenas tachados de chatos mesmo. Mas não é minha culpa! Tem gente que assusta quando eu conto que me sinto mal quando a etiqueta do edredom fica virada pro lado errado na cama. Ou quando arrumo um quadro na parede a cada vez que o vejo. Ou nas vezes em que organizo os cabides do armário todos virados pro mesmo lado... Gozado é que, quando isso aparece no cinema, daí acham engraçado. O Jack Nicholson era neurótico em “Melhor é Impossível”. Ganhou Oscar e matou platéias inteiras de rir. O Nicolas Cage fez papel semelhante no ótimo e recente “Os Vigaristas”. Estava cogitado pra levar vários prêmios pelo filme nesse ano. Mas quando é alguém real que tem chilique porque os guardanapos na mesa estão fora de esquadro, tudo perde o charme. Pior é que eu tento disfarçar, mas raramente dá certo. Se servirem o feijão no meu prato em cima do arroz, e não ao lado, já emburro. E fico com raiva de emburrar, porque reclamar de favor alheio é muita falta de educação. E pior do que ser considerada uma pessoa cheia de manias, é ser considerada cheia de fricotes. Mas deixa estar. Um dia ainda me livro desse mal. Nem que seja com tratamento de choque! Vou deixar os travesseiros com a fronha virada, pingar suco na pia, descoordenar as cores na gaveta de meias e badernar as pastas dos Meus Favoritos na internet! Credo... De repente me deu uma taquicardia... Jura, sêo Jura? Imagine o Roque, ajudante de palco do Silvio Santos, de bigode. Ou a Marlene Mattos, tanto faz. Coloque um simpático acento de nordestino, porém uma conturbada dicção que dificulta o entendimento das mais simplórias frases. Adicione ainda uma certa confusão para gravar nomes e dados na cachola, uma completa falta de noção de horários e uma tendência nata a fazer tudo o que der na telha sem levar muito em conta opiniões alheias. O resultado da mistura? Sêo Jurandir, o marceneiro. Os serviços de Jurandir (ou Jura, para os íntimos), me foram recomendados pela Clarinha. Foi ele quem fez a bela cozinha da casa colorida que a moça habita lá em São Bernado do Campo. Como eu também estava precisando de um profissional sabido de móveis, madeira e serras tico-tico para a minha cozinha – e não conhecia ninguém no ramo que fosse barateiro –, fez-se o contato. E Jurandir veio. Antes, Clara me preparou psicologicamente: “Quando ele chegar, você vai querer me xingar. Mas fica fria, que ele fez o serviço direitinho”, não esquecendo do adendo “Ah, ele parece o Roque. Ou a Marlene Mattos”. Lógico que eu tive de segurar o riso quando abri a porta para a pitoresca figura adentrar o recinto. O que queríamos para a cozinha não era nenhum Taj Mahal da marcenaria. Dois retângulos com portas de correr e vidro fosco, acima e abaixo da pia. Outros pequenos compartimentos basculantes, dois sobre a geladeira, um sobre o fogão. A madeira, de cor tabaco, como os demais móveis do apartamento. Para não dar trela a mal-entendido, teve até esquema no computador, com as devidas medidas. Só faltava fazer. Era aí que Jura entrava. Na primeira visita, Jurandir fez suas próprias medidas e anotações, aparentemente desdenhando nosso complexo esquema desenhado com cuidado. Apontamos no mostruário o tom certo: escuro, sem veios aparentes. Também nos esmeramos em explicar que não queríamos fórmica, de jeito nenhum. Entendeu, sêo Jura? “Entendi”, respondia, de um jeito meio incompreensível. Quinze dias depois, ele liga para dizer que está tudo pronto. Avisa que vai trazer e montar na manhã seguinte, às 9h. Mas apenas quando meu relógio de gato deu uma única badalada vespertina foi que Jurandir chegou. Contando com a ajuda e o reforço de dois rapazes, colocou na sala todas as partes desmontadas, como um Lego. Arrastou os móveis e estendeu uma manta que já veio empoeirada e cheia de serragem de trabalhos anteriores. Como sou chata com essas frescuras de limpeza, fiz que não vi e voltei ao computador. Ao terminar, sêo Jura me chamou – não pelo nome, porque ele nunca conseguiu decorar “vivi”, tadinho. Daí veio o choque: ele tinha feito a) tudo em fórmica, b) sem vidro fosco na parte de baixo e c) com medidas aleatórias, apesar dos desenhos minuciosos que entregamos a ele. “Mas sêo Jura, a gente não queria fórmica”, tentei falar de modo meigo. “Ah, mas esse material é que é bom, dura uns par de ano”. Vendo minha cara de decepção, tentou explicar que “é facinho de limpar, só passar cera que fica tinindo”. Claro, até eu, passando cera, fico tinindo. E quem ainda usa cera nesse novo milênio? Só marceneiros com a cara do Roque. Ou da Marlene Mattos. Lá foi Jurandir, sob protestos lacrimosos, desmontar tudo e encapar todos os gabinetes e portas com o tom certo, sem fórmica. Ontem ele trouxe os armários novamente: e, desta vez, acertou. Pena que as portas não se encaixaram nos compartimentos basculantes (?) e ele ficou de refazê-las. Hoje, portanto, tem mais um capítulo da saga de sêo Jura no apartamento. Estou torcendo para que seja o último. Juro. Vivi Griswold às 08:42 AM
Cadê o bidê que estava aqui? Ainda me espanto com a rapidez com que as coisas que víamos em todos os lugares, todo orado dia, simplesmente somem da face desta Terra. E eu não estou falando do Bonde do Tigrão ou das performances da Tiazinha. Penteadeira, por exemplo, é uma peça que só se encontra em lojas de móveis usados. E pensar que eu trepei muito no banquinho com almofada de veludo marrom da penteadeira da minha mãe, quando era pequena, a fim de alcançar o espelho e brincar de me maquiar. Por que ninguém mais fabrica penteadeiras? Talvez seja uma questão de espaço. Do espaço exíguo que é oferecido a preço de ouro nos apartamentos novos que a gente vê por aí. Acho que ninguém mais tem espaço para "gastar" com uma boa e velha penteadeira, nem que você nem se maquie tanto assim e o móvel sirva só para fazer (uma bela) figuração. Isso também explica o sumiço dos bidês, aquelas louças geniais para fazer "limpeza íntima". Numa das casas em que morei, tinha bidê. Claro que o negócio só servia para acumular pó, de maneira que minha mãe logo tratou de substitui-lo por um enorme gabinete, cheio de gavetinhas para guardar sabonetes e outras bossas. Uma pena. Eu queria ter um bidê, nem que fosse para plantar uma bela avenca dentro, como fez minha amiga Roberta. Outra coisa que desapareceu sem deixar rastros foram aqueles sacos pardos de supermercado. Nos mercadinhos de bairro, aqueles menorezinhos (e também ameaçados de extinção), ainda pode-se encontrar alguns. Mas os megamercados trataram de banir os pobres, charmosos e ecologicamente corretos sacos de papel por sacolinhas plásticas, que levam eras inteiras para se decompor no meio-ambiente e, ainda por cima, fazem um barulho irritante. E casco de refrigerante, então? Era o maior barato receber a missão de ir até a padaria ou o bar mais próximo para comprar a bebida. Alguns estabelecimentos só aceitavam garrafas vazias da mesma empresa em troca de outras. Então, podia comprar fanta com casco de coca, mas jamais soda com um vidro vazio de tubaína. E toca voltar em casa e trocar a garrafa com um vizinho... Porém, o maior emblema do desaparecimento das coisas bacanas ainda é o vinil. Era frágil, empenava e riscava à toa? Sim, não vou mentir para você. Mas os discões pretos com um furinho no meio embalaram minha infância e parte da adolescência como nenhum outro objeto foi capaz. Sem contar o barato das capas, generosas o suficiente para trazer desenhos e fotografias bem mais bacanas que esses encartes de CDs com espaços miguelentos. Daí podemos concluir que o que é legal some, em favor do surgimento de produtos mais baratos ou mais fáceis de manter. Por isso, corra para guardar seus tesouros. Amanhã, pode ser a vez das balas 7 Belo, das sacolas coloridas de feira e dos edredons coloridos. Vai saber...
Olha aí o bom e velho elepê!
Meu modelo de governante Se eu ficasse famosa hoje e fosse num desses programas podres de domingo, já saberia o que responder para ao menos uma pergunta. “Quem é o modelo de vida que você segue?”, questionaria o Faustão. E eu diria sem pestanejar: “nem Madre Teresa, nem Audrey Hepburn, nem Anita Garibaldi, Fausto. Meu modelo de garota – e pessoa que eu elegeria presidente do Brasil – é a Silvia”. Ela não é um ícone mundial de bondade, beleza ou coragem. Ninguém além de uns poucos sortudos a conhecem direito. Ela, na verdade, é apenas uma moça bonita, falante e descontroladamente responsável e correta. Às vezes eu penso que essa garota poderia mesmo ter sido o que quisesse. Pena ela não ter decidido ser presidenta da nossa nação. Tinha disciplina de astronauta, carisma de atriz ou cantora, inteligência para presidir a ONU e um instinto de justiceira que faria o Stallone parece uma franga. Mas ela escolheu não atuar na chefia do país, e sim lá na retaguarda. Casou, criou duas menininhas sensacionais e tornou-se a melhor bibliotecária que existe. Quem aí ousar dizer que as bibliotecárias não deveriam chegar à presidência vai levar uma bifa... Acontece que, se a Silvia fosse a voz do Brasil lá no Palácio do Planalto, esse lugar onde vivemos poderia se tornar uma potência plenamente feliz – e com o aspecto de um graaaande centro cirúrgico. Essa moça coordena características preciosas para ser um modelo para mim e a presidenta perfeita. Veja lá: Chefe-artista Chefe de limpeza Chefe da biblioteca Minha chefe Eu, coração, SBT Há coisas que só o Sistema Brasileiro de Televisão pode fazer por você. Não me refiro aqui, porém, a traseiros requebrando-se e atacando as câmeras em horário familiar, nem a entrevistas inventadas e protagonizadas pelos piores atores de pegadinha que um salário mínimo pode comprar. O SBT que me diverte é aquele de cenários bregas, prêmios toscos, seriados tranqueiras e cenas hilárias – tudo orquestrado pelo Homem do Baú. Porque se existe algo que sêo Silvio Santos sabe fazer, além de ganhar dinheiro, é patrocinar com orgulho uma programação repleta de pérolas impagáveis. Enquanto as emissoras concorrentes gastam milhões com programas novos e apresentadores estelares, o senhor de cabelos acaju bota “Chaves” e “Chapolim” pelo qüinquagésimo ano consecutivo no mesmo horário. E ganha. Quer outros motivos para ser SBT de coração? Ok, você pediu. O dono cantava marchas de Carnaval Isso é prêmio? O Lombardi e o Roque Mão-de-obra politicamente correta Jesus falava Uma novela com meu nome ![]() Coisa mais linda!
Cuidado: banheiro Quem vive na cidade hoje em dia sabe que, ao botar os pezinhos para fora de casa, automaticamente corre uma série de riscos. Ao trancar a porta e sair, ficamos em estado de alerta: pessoas estranhas que se aproximam, carros enlouquecidos que brigam por um mísero centímetro de espaço (mesmo que para isso passem a uma distância obscena do seu corpo), nuvens que ameaçam desabar num dilúvio. Mas há um espaço fora de casa que me deixa mais nervosa que tentar atravessar o cruzamento da Rebouças com a Henrique Schaumann a pé e mais apreensiva que estar dentro do carro com uma chuva de verão caindo sobre a Marginal Tietê. São os famigerados banheiros públicos. Eu tenho neurose de banheiro. Acho que qualquer coisa de terrível pode acontecer a qualquer minuto, naqueles cubículos mal-separados uns dos outros. Acho que é porque banheiro é lugar de coisas muuuuito íntimas. E acho altamente esquisito compartilhá-los com gente que você nunca viu. Afinal, o cômodo azulejado cheio de equipamentos hidráulicos é naturalmente um local de completa vulnerabilidade. E se qualquer coisa fora do planejado acontecer, fica difícil resolver a situação – especialmente se você não está em casa. Será que isso acontece só comigo e é hora de procurar um psicólogo? Ou será que eu não sou a única pobre alma que, ao usar um WC que não o da minha casa, teme intensamente... Ficar trancada lá dentro Disparar a descarga Esquecer a porta destrancada Descobrir que não tem papel Usar sabonetes líquidos Título pra mais de metro Como é sabido, eu falo demais, assim como 90% dos meus parentes. A minha casa sempre pareceu com o Congresso Nacional, com todo mundo tagarelando ao mesmo tempo e a longas distâncias – às vezes com palavras censuradas para este horário, como também acontece lá na salona forrada de carpete azul. Parece, porém, que o pessoal destacado para criar nomes de filmes é verborrágico como nós, mortais da família Flá. Hoje estréia nos cinemas um certo “Mestre dos Mares – O Lado Mais Distante do Mundo”. Pior que não é invenção de tradutores brasileiros, normalmente viciados meter subtítulos chatinhos em tudo quanto é produção. Esse veio de fora, do original “Master and Commander – The Far Side of the World”. Comprido, não? E quase tão exagerado quanto a pança do Russel Crowe nesse filme. Mas existem alguns ainda mais engraçados, que quase contam a bendita história inteira. Depois de ter conhecimento de “Coisas para Fazer em Denver Quando Você Está Morto”, eu já sabia tudo o que ia sair desse roteiro gângster-policial. Muito ruim, aliás. Gente que está jurada de morte deveria arrumar as malas e pegar o rumo de Bali em vez de ficar em... Denver. Há ainda aqueles que tentam nos pescar pelo cansaço do título longo e pelo mistério. É o caso de “Para Wong Foo, Obrigada Por Tudo! Julie Newmar”. Uma dedicatória que vira nome de filme é de provocar curiosidade. Mas quem foi assistir só queria saber por que cargas d’águas o Patrick Swayze e o Wesley Snipes ficaram tão horrorosos vestidos de garotas. Acho que, em termos de títulos que ocupam um hectare de espaço na fachada do cinema, nenhum ganha de “Doutor Fantástico – Ou Como Eu Aprendi a Deixar de Me Preocupar e Amar a Bomba”. Sensacional, não? É um latifúndio de nome! Ao convidar um amigo para assistir essa película, é bom ter mais de um cartão telefônico em mãos. O bom é que existem os títulos monossilábicos, pra balancear com os prolixos. Lembram de um filme do diretor Costa-Gavras que tratava de uma conspiração para assassinar um político comuna? Tanta artimanha e densidade moral acabou virando apenas “Z”. Lacônico. E é isso. O melhor de todos os títulos diminutos, porém, deve ser “It”. Aqui ganhou a extensão “A Obra-Prima do Medo”, mas na verdade era apenas “It”. Em resumo, o palhaço assassino (sempre eles, tô dizendo...) aterrorizava uma cidade apanhando e descarnando criancinhas. Tinha umas unhonas compridas, cara branca e cabelo cor de salsicha. Meio drag-queen aquela criatura, viu? Vai ver foi por isso que o filme não se chamou “He” ou “She”. Ele era apenas “It”... Já se tivesse caído nas mãos de um produtor com mania de grandeza, o horror bem poderia ter virado “Quando o Palhaço de Sexualidade Dúbia Aparece a Criançada Sofre Graves Machucados Corporais”. Haja espaço no letreiro.
"It"? Podia chamar "Brigite", pelo menos...
O dia em que nós vencemos Naquela madrugada, Clara rola de um lado para outro na cama, sem pegar no sono. Levanta e anda por todos os quartos de sua casa em SBC, como uma alma penada e insone. Na mesma hora, Flá está tomando um café em sua cozinha do apartamento em Pinheiros, sabendo que a xícara fumegante não vai fazê-la dormir – mas pode acalmar a cabeça cheia de pensamentos. A poucas quadras dali, Vivi assiste a propagandas de televendas, com os olhos esbugalhados e o pensamento longe. Algo de bom poderá acontecer nas próximas horas. Ou não. Quando o dia amanhece, Clara desiste de seu plano de fazer as unhas, uma vez que todas estão roídas e em um estado irrecuperável até para a mais talentosa das manicures. Flá passa a manhã escovando os dentes e gargarejando Cepacol para tentar espantar o gosto das duas garrafas térmicas de café que ingeriu. Vivi se olha no espelho como que procurando uma resposta divina para fazer as olheiras que se instalaram em seu rosto desaparecerem apenas com apetrechos de maquiagem. Assim que o relógio marca 10 horas da manhã, ignorando o fato de terem passado a noite em claro ao mesmo tempo, as três garotas se ligam mutuamente. Nas duas primeiras tentativas, a comunicação falha – o nervosismo as impedem de pensar que, ligando umas para as outras, as linhas ficam todas ocupadas. Imaginando que isso pode acontecer, Flá, a mais prática, desliga o seu e, em seguida, consegue falar com Clara. Já Vivi imagina que as duas estejam conversando e suas olheiras crescem ainda mais. A ruiva retorna aos infomerciais e espera sua vez. Na hora do almoço – e sem fome alguma – o trio já falou entre si. Juntas, chegaram à conclusão de que não conseguirão esperar até de noite com toda aquela aflição. Sabiamente, decidem se encontrar e esperar o tempo passar mais rápido (o que acontece quando engrenam em um papo gostoso... e engrenam toda vez). Clara pega seu vestido e segue para a casa da Flá a bordo do intrépido Deep Purple. Vivi também guarda sua roupa com cuidado e caminha pensativa até o apartamento da morena. Finalmente as três se encontram no sofá de Flá, que acaba de colocar uma seleção de músicas anos 80 para relaxar. A bacia de batata frita de saquinho e as garrafas de refrigerante também ajudam. O bom de serem tão amigas é que não precisam esconder o nervosismo – mesmo se tentassem, a outra ia sacar na hora. Então choram as pitangas, se agarram às esperanças, pensam no lado positivo e, principalmente, relembram os 13 meses anteriores. Naquele um ano e alguns dias, suas vidas mudaram. E tudo porque resolveram colocar em prática o que mais gostam de fazer: escrever. Bolaram um projeto, mezzo blog, mezzo qualquer coisa, não esperando nada em troca. Ali depositaram idéias, comentários, dicas, devaneios. E eles começaram a vir. Em hordas. Leitores tão queridos e bacanas que nem se tivessem escolhido a dedo teriam conseguido uma trupe tão fiel e companheira. O projeto cresceu e muitos outros projetos vieram. Mesmo assim, o compromisso de presentear os leitores diariamente com três artigos permaneceu firme o forte, ainda com o tempo de dedicação tornando-se cada vez mais escasso. Com a prática que conseguiram, porém, as três poderiam escrever sobre qualquer coisa: um filme desconhecido, uma fruta exótica ou um tampo de fórmica. E sabiam que os leitores iriam gostar do mesmo jeito. Foi por isso que elas arriscaram a inscrição. “É tudo comprado”, diziam amigos. Não importava. Se cobrassem delas, a derrota seria certa – porque nunca souberam fazer dinheiro mesmo. Após refletirem, resolveram tentar. Engajaram-se no propósito: espalharam propagandas no site, intimaram familiares, convenceram conhecidos. E conseguiram passar de fase. Com mais uma campanha, ficaram entre os três melhores. Só mais um esforço e... seria aquela a noite da revelação. No meio da conversa, olharam o relógio e já estava na hora. O papo fez Clara parar de roer as unhas. Flá nem tocou no café. As olheiras de Vivi desapareceram. Seguiram para o local da premiação, cheias de esperança. A esperança cedeu lugar à alegria e à gratidão – pois elas, que nunca ganharam nem urso Petutinho em rifa, saíram vencedoras. Subiram até o palco, fizeram um discurso rápido. Tinham pensado em agradecer a um monte de pessoas, entre elas os ex-chefes que as mandaram embora e estavam na platéia, assistindo-as com perplexidade. Mas tudo bagunçou na cachola, os macaquinhos do sótão estavam por demais felizes. Depois, na comemoração regada a Fanta, as três tiraram muitas fotos. Que, finalmente, seriam publicadas após tantos pedidos. ... Você quer que tudo isso se torne realidade – e, de quebra, finalmente ver nossos olhinhos marejados? É muito fácil! Clique aqui e vote no Garotas para o iBest. ![]() Da esquerda para a direita, Flá, Vivi e Clara Mais que isso, só depois
Terra Média também é cultura Tudo e mais um pouco já foi dito sobre a maravilhosa trilogia “O Senhor dos Anéis” e qualquer pessoa que não viu ou ouviu falar de sequer um dos filmes - orquestrados com perfeição por Peter Jackson a partir da obra de J.R.R. Tolkien - não deve ser desse planeta. A tríade de películas vai muito, mas muito além das façanhas de nove caras unidos na missão de queimar um anel (sem trocadilhos, por favor... Ah, tudo bem! Encaixe aqui sua piada. Eu adorei o filme, mas não dá para resistir mesmo). Voltando. A saga de Frodo e da Sociedade do Anel (pfff... ih, ih, ih! Ok, desculpe. Agora parei) vai bem além da simples narrativa e prega valores como o companheirismo, a coragem e a importância de ser correto e bom, além de alertar para os perigos da ganância e do lado escuro da natureza humana. Mas ainda há mais. Por isso, aprume-se e preste atenção. Além das premissas “A união faz a força”, “A amizade é um dos nossos bens mais preciosos” e “Cuidado com sua ganância, ou você pode ficar igual ao Gollum”, “O Senhor dos Anéis” me ensinou que... Magos Brancos são ouvidos a grandes distâncias Não se pode confiar em alguém de armadura Legolas é “de Jesus” Rangers não tomam banho – exceto no dia de sua coroação É fácil terminar uma discussão Reis amargurados ficam surdos Elfos são exímios skatistas
![]() Que Bob Burnquist, que nada! Legolas é que é favorito nos X-Games da Terra Média Festa na papelaria Todo início de ano acontecia o mesmo ritual: mamãe mandava eu me trocar e esperar por ela no carro. Na Brasília cor de café-com-leite, íamos falando sobre o que constava na lista, o que valia a pena comprar a mais, o que era a moda do momento. Sim, porque adquirir material escolar era uma ciência profunda durante o primário e o ginásio. Na minha época de piveta em São Bernardo do Campo, o templo máximo para a aquisição do material escolar era a filial das Lojas Glória. Hoje falida e mal paga, ela já não é local de peregrinação para garotinhos e garotinhas em busca de uma lapiseira zero-cinco da Pilot com tubo verde e ponteira roxa. Mas até completar uns 12 anos, eu estava lá religiosamente todo começo de fevereiro. Em geral, a busca abrangia um monte de itens clássicos, dos pacotes de 100 folhas de sulfite e almaço até pastas de elástico ou com furos. Por esses eu passava rapidinho. O interesse maior, claro, ia para as preciosas situações que seguem abaixo. Escolher borrachas e canetas Implorar por lápis de cor, de cera, guache e pincéis Achar o caderno mais bacana dentre todos era o céu Encontrar algo que ninguém tinha Comprar mochila nova Encapar a tralha toda com papel-contact
Taí o vício de volta às aulas Palmas para o grande Mussa Entre os quatro comediantes que me divertiram na infância, destacava-se o carisma de um típico anti-herói. Ele misturava com perfeição de gênio – e, como tal, de forma involuntária – doçura e marginalidade, alegria e desgraça, espontaneidade e vício. O sorriso fácil e largo, a barriguinha proeminente e o dialeto próprio fizeram de Mussum, o Mumu da Mangueira e meu trapalhão favorito, um dos donos do picadeiro da comédia brasileira. Bem, se não fizeram, deveriam ter feito. Dos palhaços, ele era o maior. Aposto que Antônio Carlos Bernardes Gomes já nasceu Mussum – não ficaria nem um pouco espantada ao saber que, quando soltou seu primeiro chorinho no casebre do morro carioca em 1941, o trapalhão soltou um “mééééé” ao invés do tradicional “buááááá” dos bebês normais. Seria a primeira piada agridoce do cara mais gente boa que a tevê nacional já viu: a cachaça, ou “mé" como ele gostava de dizer, ironicamente contribuiria tanto para seu sucesso quanto para sua morte, em 1994. Mas como estou escrevendo sobre o querido e alegre Mussum, não vou me ater a fatos tristes. Gosto de pensar que o Negão (se ele lesse isso, diria rapidamente “negão é teu passado”, como tantas vezes respondeu ao Didi) foi feliz, se felicidade tiver alguma coisa a ver com aquele sorriso iluminado. Tomara que tenha. Mumu estudou nove anos em um colégio interno e saiu de lá com um diploma de mecânico debaixo do braço. Ingressou também na carreira militar e, botando mais pimenta no tempero, fez parte do grupo Os Originais do Samba. Foi Dedé quem acabou convencendo-o a fazer parte do programa “Os Trapalhões”, no começo dos anos 70. Contam por aí que Mussum tentou escapar da proposta de todos os jeitos, dizendo que artista da televisão tinha que pintar a cara, e isso não era coisa de homem. Acabou aceitando, sem maquiagem alguma. E protagonizou cada uma das cenas sendo ele mesmo. O vício pela água que passarinho não bebe era tão parte de sua caracterização como era de sua vida. É estranho lembrar que em um programa familiar, de censura livre e cheio de piadas infantis, Mussum conseguia puxar uma garrafa e molhar a garganta com o “mé", como se isso fosse a coisa mais natural na Rede Grôbo (pode até ser, mas não na frente das câmeras, hein?). Refletindo no assunto, os Trapalhões eram uma espécie de boy-band tupiniquim. Parecido com os grupelhos de meninos, cada um dos integrantes carregava uma personalidade para que o público se identificasse. Como os Backstreet Boys têm o loiro mauricinho, o latino malandro e o fortão de academia, os “trapa” tinham o nordestino inocente que queria se dar bem, o baixinho palhaço meio unissex, o carioca que tentava faturar todas e, claro, nosso amigo cachaceiro do morro. Voltando a falar dele, o que mais me fazia rir era seu pitoresco dialeto. “Bunda”, por exemplo, era “forevis”. Tinha que ser um maluco muito genial para pensar numa coisa dessas. E isso era apenas o começo. Mussa solta sua voz em “Piruetas”, parte da excelente trilha sonora do não menos excelente “Os Saltimbancos Trapalhões”. Na parte que lhe cabe daquele latifúndio, canta: “E a barriguis ronca mais do que trovãozis”. Eu canto junto, a plenos pulmões. Ups, pulmãozis. ![]() Eita sorrisão! Nota da garota: E não é que algum desocupado fez um programinha com o dicionário Português/Mussum/Português? Brinque a valer clicando aqui, mas não coloque acentos nas frases porque daí não funciona. Vivi Griswold às 08:40 AM
De bater as botas Uma música é feita de versos e melodia, certo? E geralmente esses dois quesitos se combinam, de maneira que a letra e o arranjo caminhem juntos, bonitinhos e faceiros, para expressar algo ou contar uma historinha. Assim, versos animados e alegres ganham levadas divertidas, enquanto uma boa (pero no mucho) e velha dor-de-cotovelo vem embalada em longos gemidos deprimentes e notas arranjadas de maneira triste. Mas nem sempre é assim. Algumas canções parecem leves no invólucro, porém escondem narrativas de doer o osso e frases pungentes - sobre temas nada engraçados. Elas podem não ser o exemplo de música para dançar, mas também não parecem ser a melodia mais triste do mundo. À primeira vista, claro. “Last Kiss”, que ganhou as rádios recentemente na versão do Pearl Jam, ilustra bem o que quero dizer. Parece um pop típico dos anos 60 (e é), que fala de garotas e carros (e fala). Mas aposto que em nenhuma outra música da época a garota em questão morria nos braços do infiel, depois que este bate o carro numa curva na serra. Para coroar a tragédia com mais melancolia ainda, o compositor lança mão de versos como “She’s gone to heaven, so I got to be good/ So I can see my baby when I leave this world”. (“Ela foi para o céu, então tenho de ser bom/ Para poder ver minha garota quando eu deixar este mundo”). Aposto que o ghost writer do cara era Edgar Allan Poe. “I Hear You Call”, do Bliss, é outro bom exemplo. A banda-de-um-sucesso-só-que-tinha-nome-de-iogurte foi parar na propaganda do cigarro Hollywood com essa levada, arrisco-me a dizer, alegrinha. Mas sabe do que a moçoila fala? Da morte da mãe dela! Depois do empolgante uo-uoooo-i-oooo-óóó-yeah que abre a canção, tudo o que ouvimos são frases de arrepiar a espinha, como “Though I can’t see you no more, I feel your eyes watching” (“Embora eu não possa mais vê-la, sinto seus olhos me vigiando”). Cruzes. Por fim, temos uma banda cujo forte não é ser alegre MESMO. Os Smiths pegaram pesadíssimo em “There’s a Light That Never Goes Out” – e eu adorei. A letra, como todas da trupe, é de chorar. Já a música tem uma melodia, digamos, até mais animada que a maioria das outras pérolas deles. Mas qualquer esperança de encontrar algum fiapo de alegria ali morre nos versos “And if a double decker bus crashes into us/ To die by your side is such a heavenly way to die/ And if a ten ton truck kills the both of us/ To die by your side, well, the pleasure and the privilege is mine”. (“E se um ônibus de dois andares bater no nosso carro/ Morrer ao seu lado é uma maneira celestial de morrer/ E se um caminhão de dez toneladas matar nós dois/ Morrer do seu lado, bem, o prazer e o privilégio são meus”). Depois disso, só tenho uma coisa a dizer: Deus me livre de pegar carona com o Morrissey por aí! ![]() Ele é trágico, mas é limpinho!
31 canções Existe um escritor inglês chamado Nick Hornby. Vocês sabem, é o sujeito que escreveu “Um Grande Garoto”, “Alta Fidelidade” e outros livros tão inspirados quanto divertidos. A nova empreitada do rapaz – para variar, misturando música e literatura – chama-se “31 Songs”, e conta sobre as músicas que fizeram o moço repensar a vida. Hoje eu roubei a idéia do Nick... Depois de listar as canções que fazem uma boa diferença na minha modesta existência, pensei que isso era muita pretensão. “Quem liga?”, foi o pensamento exato. Bom, talvez ninguém ligue mesmo. Mas se um de vocês aí buscar uma dessas músicas, ouvi-las e isso fizer bem, o texto de hoje terá cumprido sua função: mostrar como a música pode marcar momentos. E se vocês aproveitarem ao menos um momento desses como eu, a pretensiosa aqui já fica feliz pacas. 1. Little Less Conversation – Elvis Presley 2. All Star – Smash Mounth 3. Núcleo Base – Ira! 4. Good Riddance (Time of Your Life) – Green Day 5. Penny Lane – Beatles 6. California Girls – Beach Boys 7. Spanish Bombs – The Clash 8. You Better You Bet – The Who 9. Ela Disse Adeus – Paralamas do Sucesso 10. Até Quando Esperar – Plebe Rude 11. Ain’t No Mountain High Enough – Marvin Gaye e Tammi Terrell 12. Tiny Dancer – Elton John 13. Starting Over – John Lennon 14. Can’t Touch This – MC Hammer 15. Blitzkrieg Bop – Ramones 16. I Drove All Night – Qualquer versão 17. Down On Me – Janis Joplin 18. Hollywood – Os SaltimbancosTrapalhões 19. Let’s Get It On – Marvin Gaye 20. God Only Knows – Beach Boys 21. Girl’s Just Wanna Have Fun – Cyndi Lauper 22. Shady Lane – Pavement 23. Dream – The Mammas and The Pappas 24. Little Wild One – The Wonders 25. So Happy Together – The Turtles 26. Who Are You – The Who 27. I Love You – Ramones 28. Uma Barata Chamada Kafka – Inimigos do Rei 29. Don’t Worry, Be Happy – Bob McFerrin 30. We Will Rock You – Queen 31. I’m a Believer – Monkees Dó-ré-mi romântico Arrepiar-se com baladas cantadas na língua inglesa parece ser, pelo menos para mim, bem mais fácil do que fazer os pelinhos do braço subirem ao som de uma canção romântica nacional. Talvez porque emepebê realmente não seja meu forte, ou talvez porque dá para prestar mais atenção ainda na letra em português. O fato é que foi muito mais fácil juntar sete favoritas internacionais do que as sete preferidas nacionais. Mas como já diriam os chavões, “promessa é dívida” e “prometeu, tem que cumprir”, aí vão as musiquinhas brasileiras que falam fundo no meu coração quando as escuto. A escolha foi particular e não seguiu lógica alguma - portanto, essa lista não pretende ser um ranking das melhores canções românticas do Brasil, apenas um juntado daquelas de que mais gosto (é bom deixar isso claro porque teve leitor reclamando da lista passada, ora pois!). Novamente, maestro Zezinho: sete notas para “amor”! Nota dois: “João e Maria” - Chico Buarque Nota três: “Me Chama” - Lobão Nota quatro: “Sentado à Beira do Caminho” - Roberto e Erasmo Nota cinco: “Como Eu Quero” - Kid Abelha Nota seis: “Lanterna dos Afogados” - Paralamas do Sucesso Nota sete: “Luíza” - Tom Jobin Ô vontade de apagar a luz e ir suspirar de volta à minha cama quentinha... Vivi Griswold às 09:05 AM
Todo mundo já para fora Primeiro, nós recebíamos os comunicados cheirando a álcool – afinal, eles eram copiados no mimeógrafo. Depois, a tarefa era levá-los para casa e trazê-los de volta assinados, sem esquecer de anexar uma certa quantia de dinheiros, presa no papel com um clipe (colorido, no caso das meninas). Então, começava a contagem regressiva para o sensacional grande dia: a excursão da escola! Nada era mais emocionante que dar um passeio além dos corredores brancos do colégio com a sua turma de coleguinhas da classe. Daí a espera pela excursão, não importava qual fosse, ser fatal. Claro que alguns lugares eram mais bacanas (e conseqüentemente mais esperados) que outros. Mas todos valiam a pena. Além da excursão em si, outra fase importante era a do ônibus. Os lugares no fundo eram disputados a tapa – ou na correria de quem tivesse a pernada mais longa e fosse mais ligeiro quando o tio motorista abria a porta. Um grande “êêêêêêêêêêê!” marcava a partida do veículo, enorme e lento feito um paquiderme. No percurso, as tradicionais Jererê-jererê e outras musiquinhas de gosto discutível eram cantadas a plenos pulmões. Enquanto isso, as professoras se esmeravam em manter todos os fedelhos com a integridade de seus corpos dentro do fretado, aos berros de “se você botar a cabeça para fora eu vou mandar você de volta!”. Outro enorme “êêêêêêêêêêê!” comemorava a chegada ao destino final. Esse é o ponto que deve variar por esse Brasilzão afora. Imagino que cada região tenha seus clássicos da excursão escolar. Na Hollywood brasileira (aka “B” do ABC), onde cresci, o ônibus parava invariavelmente diante dos portões... 5. Do quartel dos bombeiros 4. Da fábrica da Yakult 3. Do Museu do Ipiranga 2. Do Zoológico 1. Do Playcenter Vale uma ponte de safena Como único terço desse site que pesa mais de 50 kg (e menos de 62 kg, fique claro), decidi sair hoje em defesa dos amantes da comilança. Na verdade, apesar de serem levinhas feito plumas de sabiá, Clara e Vivi até mandam muito bem com o garfo em punho – aliás, é um espanto pra mim ver o quanto cabe naqueles dois corpinhos. Por isso é um prazer almoçar com essas duas! Fazer refeição gordona, às vezes, é uma bênção. Nem é preciso sair correndo encaminhar esse texto para aquela sua amiga nutricionista. Eu aviso de antemão que sou fã de saladinhas multicoloridas, grelhados inocentes, legumes cozinhos, sucos em geral. Até dou de ombros para açúcar em excesso! Verdade seja dita, porém: há dias em que eu chuto o pau da barraca lá no meio da horta e me lanço sobre comidas fortes. Fortes, não. Na verdade, esse tipo de comida deveria vir acompanhada de um vale-ponte-de-safena. Confesso que não abuso delas para evitar ter que engolir, mais tarde, aquelas malditas ampolas de remédio pro fígado sabor abacaxi. O que não chega a me impedir de devorar como uma Magali crescida esse tipo de quitute. Convida a Flá para almoçar na sua casa se tiver... ... feijoada? ... pizza quatro queijos? ... bife à milanesa? ... churros? Simplesmente Kuda Ninguém sabe ao certo qual foi o rolo familiar que formou a alcunha de Elenice Teixeira, minha tia. A mãe dela, dona Diva, se esmerou em coordenar todos os nomes compostos dos filhos: o primeiro, começado pela letra “E”, e o segundo, nome de santo. A doce senhora já foi contrariada desde o parto, uma vez que meu avô se esqueceu de adicionar o “Aparecida” na certidão da filha recém-nascida. Elenice acredita que o fato foi um tremendo golpe de sorte do destino. Isso porque ela não esperava ser conhecida por todos como Kuda. Reza a lenda que o caçulinha, meu tio Edison Antônio, morria de amores por Elenice. Uma das primeiras palavrinhas pronunciadas por ele foi “kundun” (ou algo parecido), referindo-se de certa forma à sua irmã mais velha predileta. Daí, os anos se passaram e o que era apenas um projeto de verbalização tatibitati se transformou nesse primor de apelido. Seus próprios filhos não a chamam de “mãe”, mas de... adivinha? Claro que a dona desse chamamento tão peculiar não poderia sequer beirar a normalidade. Kuda é um doce de pessoa, divertidíssima e sempre tão amável que só ela. Porém, titia carrega um modo de ser que é preciso ver para acreditar: dona de uma boca suja sem tamanho, possui uma série de frases de efeito totalmente impagáveis que, somadas a um certo jeitinho do interior e a um certo jeitão de comadre, consegue botar filhos e sobrinhos às gargalhadas até mesmo quando é bronca. Entre as pérolas de tal jóia da família, estão: “Tô cagando e andando” “Fulano fala mais que o homem da cobra” “Vem cá que eu vou te capar!” “Amor é um pirulito: começa no doce e termina no palito” “Sei lá eu por mim!” “Se o Thiago comer bosta você também vai?" "Pobre é uma desgraça mesmo" "Fio é assim, se muda pra longe e nem quer saber da mãe" “Ai, hoje é dia viu, hoje é dia!" "Trabalho que nem um camelo" “Quando você morrer você me dá?”
Ei, você sentou no meu amigo! Pode acreditar: o poder da genética vai bem além do que se imagina. Pelo menos na família desta humilde escriba, onde eu e meu irmão carregamos da minha mãe não só os genes que determinaram nosso cabelo aloirado e um som estranho que fazemos ao beber água, mas também a capacidade de... criar amigos invisíveis! Antes que vocês chamem o doutor Charcot, devo explicar que nós três cultivamos amizades imaginárias apenas nos idos da tenra e doura infância. Sim, eu falo sozinha até hoje, mas não vejo mais o tio Badépi – esse era o nome do meu acompanhante da cachola. Quando começaram a notar que aquela meninota magrela passava horas a falar com uma criatura inventada, minha mãe nem ligou. Mais tarde, ela me contou que tinha não um só, mas um pequeno bando de amigos invisíveis. Eles tinham chapelões na cabeça e moravam debaixo da cama dela. À noite, depois de se certificar que ninguém estava olhando, ela metia o braço debaixo da cama, para servir de escada aos pequenos, hã, seres. Eles subiam pelo braço dela e ficavam ali empoleirados, conversando e se divertindo, usando as pernas dobradas da garota como escorregadores. Perto disso, bater um papo com um amigo imaginário cujo nome lembra um cartão da Previdência Social não é nada. Daí também ninguém dar muita trela quando o João Paulo sacou do Duduca, com quem ele passava tardes a fio conversando, sentadinho debaixo de um vitrô que ficava no meio da escada de casa. O Duduca virou parte da família: ele ia viajar com a gente para Bertioga, acomodado dentro de uma caixa – de fósforos ou de sapatos, o que estivesse mais à mão da minha mãe quando o mocinho exigia um lugar confortável para transportar seu amiguinho. Não me lembro da última vez que vi tio Badépi. Tampouco minha mãe se recorda de quando se despediu do animado grupo de chapeleiros. Já o Duduca teve um destino certo – e aparentemente muito bom: depois de notarmos que o João passou uma semana sem encostar debaixo do vitrô, perguntamos o que tinha acontecido com a criatura. Sem titubear, ele respondeu: “Foi para a Bahia!”, e deu de ombros. O Duduca podia ser imaginário, mas não era bobo não... Clara McFly às 06:11 PMPara entender a magia Eu sinto muito, de verdade, pelos leitores desse texto que não se encontram nas imediações de Rio de Janeiro e São Paulo nessa época do ano. Porque está para aportar aqui pra essas bandas o mais sensacional dos espetáculos da Terra! U2, Madonna, Michael “Nariz de Plástico” Jackson? Nada disso! Está chegando o Vivo Open Air! Em geral não sou de ficar copiando aqui nome de empresa de telefonia mafiosa. E se dependesse do número de vezes em que eu já quis atirar meu celular no incinerador, aí é que não falaria mesmo. Mas quando a iniciativa é boa e lúdica, não dá para esquecer. Os caras abraçaram uma causa nobre. Tá bom, não é nobre coisa nenhuma – mas é divertida pra danar. O Vivo Open Air é um evento que já esteve aqui no eixo do café-com-leite em 2001. Trata-se de uma das maiores telas de cinema ao ar livre do mundo – uma televisãozona com nada menos que 23 m por 12 m. Tanto no Rio quanto em São Paulo, o cinema foi instalado no Jockey Clube local. Os viciados nesse tipo de “bozo-corrida de gente grande” que me perdoem, mas pareceu um aproveitamento infinitamente melhor para aquele senhor espaço aberto. No ano em que tive o prazer de comparecer ao evento, a emoção foi violenta. E olha que eu fui apenas ver um “Harry Potter e a Pedra Filosofal” dublado. Mas pela primeira vez eu senti, de queixo caído e coração pulando, o que era a tal magia do cinema. Nada como apreciar um filme bacana numa tela imensa, à noite, sentindo a brisa no rosto e vendo um ou outro vaga-lume circular ao redor. Pode me chamar de gosmântica, eu nem ligo. Assim que a telona foi erguida do chão em meio a um show de luzes, começou o encantamento puro. Confesso que o filme, em si, importa médio quando se trata desse cinema. O clima é tão empolgante em termos de som e imagem que se passasse apenas “Xuxa e os Duendes” e “Ghost”, ainda assim eu ia ver! Bom, talvez sentasse mais no fundo... Acontece, porém, que a lista de obras apresentadas no Open Air vai muito além das estréia do momento: filmes antigos e tarimbados costumam vir no pacote do cinemão turbinado. Para os novatos, informo que a programação do Rio de Janeiro (onde o Open Air começou em 16 de janeiro e vai até 05 de fevereiro) foi pra lá de bem pensada. Se para São Paulo vierem os mesmos filmes, vocês podem me procurar babando na platéia em pelo menos cinco sessões: “Janela Indiscreta”, “E.T.”, “O Homem que Copiava”, “Cleópatra” e “Peixe Grande” (o novo do diretor Tim Burton, que parece bom até doer os ossos). Claro que me aborrece demais saber que muita gente vai ficar fora dessa brincadeira animada por culpa dos mercenários. O ingresso do Open Air sai por 26 mangos para aqueles que, como eu, já saíram há muito da escola, mas ainda não alcançaram os 60 anos. Paciência: o jeito é fazer uns bicos, engordar o cofre de porquinho e, chegado o momento, trocar o suíno pelo melhor cinema do planeta. Fla Wonka às 02:34 PMO que ela ensinou, eu aprendi e pratico Educação vem do berço, já dizia o ditado. E não precisa ser um de ouro cravejado de diamantes, dentro do quarto decorado com esmero no quinto andar de uma mansão no bairro mais chique da cidade. O que conta não é o tal berço, mas quem o balança. Mamães e papais que passam noções básicas de convivência aos filhotes contam mais do que uma conta bancária recheada e juventude passada nos melhores colégios – o que, comprovadamente, nem sempre resultam em seres humanos educados. Mesmo sabendo disso, eu ainda fico pê da vida, parafraseando o Afonso do Dominó, quando vejo atitudes mal-educadas de pessoas que deveriam saber se comportar um tantinho melhor. Não consigo evitar a braveza ao me deparar com gente de todas as idades, sexos, crenças, raças e condições financeiras que faltaram nas aulas de etiqueta dadas no dia-a-dia pela mãe. Eu não faltei em nenhuma. E é exatamente por isso que aprendi... ... falar por favor, obrigada, com licença e bom dia (tarde ou noite) ... não ouvir música em volumes ensurdecedores ... não martelar de madrugada ... desligar celular no cinema ... ceder assento para os velhinhos ... não jogar lixo na rua ... não ligar para a casa das pessoas entre 23h e 9h |
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