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Tic tac Ele é mágico e misterioso. É capaz de se desdobrar e se encolher sem o menor controle. E nós estamos fadados a viver sob seus implacáveis efeitos, per secula seculorum, amem. Não, eu não estou falando do aquecimento global. O assunto aqui é o tempo, com o qual tenho enfrentado sérios problemas. É, eu sei, todo mundo reclama da mesma coisa e já virou lugar-comum dizer “não tenho tempo para nada”. Mas eu não tenho mesmo, o que posso fazer? Talvez a pergunta seja “o que eu posso NÃO fazer?”. Porque o senhor T. não vai parar para me esperar. Então, era melhor que eu passasse a fazer menos coisas, prestar mais atenção no que é realmente essencial e limpar as gordurinhas – coisas desnecessárias que fazemos por força do hábito. Aposto que desse tipo de gordura eu sou cheia! Mas deixemos as elucubrações de lado e vamos recorrer ao grande oráculo chamado música brasileira. Notei que o tema preocupa não só pobres mortais como eu, mas muitos compositores e intérpretes do cancioneiro. Reuni as minhas músicas favoritas que tratam desse valor invisível marcado pelos ponteiros do relógio. Acerte aí e siga a lista! 10. Me Perco Nesse Tempo – Ira! 9. Tempo Perdido – Legião 8. Tempos Modernos – Lulu Santos 7. No Balanço das Horas – Metrô 6. Oração ao Tempo – Caetano Veloso 5. Cio da Terra – Pena Branca e Xavantinho 4. Tempo Rei – Gilberto Gil 3. O Relógio – Vinicius de Morais 2. Sobre o Tempo – Pato Fu 1. O Tempo Não Pára – Cazuza Os 10 (Novos) Mandamentos Todo livro deve ter revisão periódica. Às vezes as informações precisam ser atualizadas, às vezes é só corrigir uns errinhos de linguagem. Algumas histórias da religião bem que podiam passar por essa “reengenharia”, não? Porque, sejamos francos: aqueles Dez Mandamentos todo mundo já esqueceu de seguir. Por isso é necessário fazer um livro de regras de conduta mais moderno. Ou, vai ver, os Mandamentos eram, na verdade, 20 linhas de guia moral! Mas daí Moisés tropeçou na hora de descer a montanha e as tábuas quebraram no meio – deixando perder 10 importantes lições para a existência. Não importa: eu tenho certeza sobre quais seriam elas. 11) Não ficarás chato depois de um porre 12) Não serás um animal do trânsito 13) Não inventarás nada com o nome de Rock Progressivo 14) Não serás um mala no cinema 15) Não procurarás a fama a qualquer preço 16) Não irás em shopping center na véspera de Natal 17) Quando fores chefe, não serás um bastardo 18) Não dirás que sua garota está “gordinha” 19) Não te tornarás um mercenário 20) Honrar o escudo que escolheu Amor, com sete notas Vamos ver quem mata a charada: é uma coisa que sai do rádio – ou do computador, ou do aparelho de som. Quando é tocada, o ouvinte suspira pensando no ser amado, ou no ex-ser amado, ou ainda no futuro ser amado. O coração bate mais forte, as pernas ficam bambas e dá aquela vontade de sair dançando dois-pra-lá, dois-pra-cá e fingindo um par imaginário só para acompanhar o ritmo lento. E aí, quantas notas para o maestro Zezinho? Se você respondeu “sete notas, sêo Silvio!”, vai tê-las. Mas ao invés da mão direita do mais famoso maestro da tevê brasileira dedilhando as notas no piano, vou mostrar minhas sete músicas românticas internacionais (*) favoritas. Falar de amor não é fácil, cantar o sentimento também não. Claro que, se você for o Bon Jovi, é bem cômodo tascar um “baby” e “I love you” ao lado de versos ridiculamente açucarados do tipo “quando você respirar, quero ser seu ar”. Mas quando a combinação letra bem sacada + melodia arrepiante + voz deliciosa funciona, pronto – eu suspiro toda vez. Principalmente se for uma dessas aí... Nota sete: “Time After Time” - Cyndi Lauper Nota seis: “Can´t Help Falling In Love” - Elvis Presley Nota cinco: “Walking After You” - Foo Fighters Nota quatro: “The Killing Moon” - Echo & The Bunnymen Nota três: “Can´t Take My Eyes Off You” - Vicki Carr Nota dois: “Anna (Go With Him)” - The Beatles Nota um: “She” - Elvis Costello (*) As nacionais ficam para semana que vem. Vivi Griswold às 08:39 AM
Fiu fiu! Eu gosto de cantadas. Quer dizer, não saio em busca delas na rua: mesmo antes de “contrair matrimônio”, como atesta antipaticamente o papel que o juiz de paz me deu na saída do cartório, nunca fui de flanar muito por aí. Mas também não tenho nada contra ouvir elogios esporádicos – desde que bem feitos. E é aí que reside o perigo. A maioria dos representantes do sexo oposto lança mão de tiradas sofríveis para chamar a atenção das garotas. Oscilando entre a grosseria e o lugar-comum, as frases que deveriam ter o efeito de atrair acabam fazendo as moçoilas correr. E muito, se possível. A mais batida é “meu amigo quer te conhecer”, seguida de perto por “você vem sempre aqui?”. Essas estão tão manjadas que já viraram caricaturas de si próprias. Por isso, se você, amigo solitário, quer sair acompanhado de uma festa, não saque das tais. Mas nem sempre fugir da rotina ajuda. “Tanta carne e eu aqui comendo ovo” é até engraçada, mas não funciona. Quando ouvi essa, o máximo que o cara arrancou de mim foram gargalhadas. Além do mais, do alto dos meus 42 quilos, eu não tenho tanta carne assim... “Jesus te ama – e eu também” foi outra digna de nota. Cômica, é claro. Devido ao nível alcoólico do cidadão que proferiu tal heresia, deixei passar. Mas ainda que ruins, essas ao menos não ofendem. Pior foi uma amiga minha, que teve de aturar a seguinte pérola: Essa merece três dias e três noites de pinote, sem olhar para trás. Eu os entendo e admiro Celebro diariamente as diferenças óbvias entre meninos e meninas. Gosto de ser uma garota por incontáveis motivos – entre eles, poder fazer beicinho à vontade e não ter que servir o exército. Mas eu bem que queria tentar ser um rapaz na próxima encarnação. Só para sentir como funciona de fato esse estilo de vida tão simplório e sem frescura. Eles, os moços, dizem que não entendem as mulheres e que somos seres muito complicados. Sempre pensei que isso era preguiça de prestar atenção ou embromação mesmo. Mas hoje vejo diferente. Acontece que os meninos têm uma forma de raciocinar muito particular. E interessante à beça para quem tiver paciência de observar. Semanas atrás, por exemplo, eu fui ver dois amigos jogarem bola, em pleno sábado de manhã, num grande parque paulistano. Se soubesse que ia ser uma experiência tão peculiar, tinha levado câmera, binóculos e bloco de anotação. O caso é que não era um futebolzinho comum. Os garotos se reúnem ali todo fim de semana para jogar Flag, disputa que tem regras semelhantes às do futebol americano. Um dos meus amigos é profissa nesse negócio. O outro, ainda leigo. Mas quem pensa que a falta de intimidade de um deles com o jogo criou problemas ali, se engana muito. O novato foi atirado entre os participantes sem nada além de um “ó, é a primeira vez que ele joga, dá uma força aê!”. E o grupo fez isso mesmo! Os dois nem ficaram no mesmo time! Fiquei chocada... Isso não poderia acontecer do mesmo jeito entre meninas. Há! Se fosse um jogo de mulheres, a moça nova no pedaço teria que ser apresentada a uma por uma das habitués, mas ainda assim ficaria um clima meio desconfortável. E levaria seis semanas até ela estar à vontade entre as colegas. Já com os meninos, eles podem virar amigos de infância em seis minutos. Há o momento da apresentação, e daí eles se cumprimentam com apertos esmaga-mãos ou aqueles tapões de deslocar ombros. Depois dizem qualquer coisa relevante como “eu torço pro Arapiraca também!” e pronto: camaradas para sempre. Logo em seguida já estão se tratando com aqueles “mas que coisa de viado” e “sua mãe não acha”. Pena que as garotas não são exatamente assim... há um período de incubação muito maior para sair amizade real entre meninas. E botar pai no meio é proibido de verdade. Por essas e outras é que dá para entender muito bem porque garotos não acham que sapatos são artigos de primeira necessidade e que ver filme de amor afeta a masculinidade. Eles não se apegam em detalhes ou atentam para sentimentos desnecessariamente profundos – e funcionam desse mesmo jeito há milhões e milhões de anos! Provavelmente, lá no tempo das cavernas, as mulheres é que batiam boca decidindo as melhorias para o acampamento e a forma mais correta de estocar os víveres – o que criou essa distância natural entre meninas. Os caras deviam ficar batendo uma bolinha, jogando um carteado e reforçando a amizade... como fazem graciosamente até hoje. O incrível puxadinho da bagunça Sonho é um troço deveras estranho. Toda vez que o filminho noturno nonsense me transporta para minha casa, nunca é o apartamento onde moro hoje, ou o anterior a esse. O lar que meu subconsciente registrou como tal foi mesmo o sobrado de dois quartos onde morei dos sete aos dezesseis anos, no pitoresco Jardim Cipava, na mais pitoresca ainda rua Norma Zemella Moura, lá no maravilhoso mundo de Oz. E isso é um dos grandes mistérios da existência desta garota. Aquela casa ostentava um carpete verde-musgo que me fazia ter crises de rinite a cada semana. Mamãe comprou o Sterilar, uma caixinha prateada e elétrica cuja função era, teoricamente, acabar com os ácaros – mas que se mostrou útil apenas como banquinho para meu irmão, que adorava descansar o bumbum pesado de fralda no aparelho. O meu quarto eu tinha de dividir com dois bebês que dormiam às seis da tarde e acordavam às cinco da manhã, aos berros. O quintal não era tão grande e o jardim era descuidado. Pensando bem, eu nem gostava muito de morar lá. Então por que diabos é essa a casa dos meus sonhos involuntários? Será que meu subconsciente é mais saudoso do que eu poderia imaginar e registrou o lar da minha infância? Se for esse o caso, sou muito mais a casa da vovó, onde eu era inquilina enquanto minha mãe trabalhava e onde fazia comidinha de mentira com verduras e legumes tirados da horta, sangue do diabo com produtos de limpeza e groselha (receita própria) e bonecos de retalho enquanto a dona Diva costurava. Vai ver que a culpa é dele. Do incrível puxadinho da bagunça. O quarto feito nos fundos do quintal era depósito de toda a sorte de objetos estranhos que não foram honrados com um lugar na casa. Meus itens favoritos eram: uma máquina fotográfica Rolleiflex aposentada; uma vértebra humana que meu pai guardou das aulas da faculdade de medicina; uma barraca de camping desmontada que só viu a luz do dia numa viagem a Atibaia; um livro sobre as dez maravilhas do mundo antigo; um computador TK 86 (que tinha menos função que o Pense Bem); um autorama; uma geringonça que fazia etiquetas, daquelas que era preciso escolher letra por letra em um disco e apertar para marcar a fita preta. Outro cantinho especial era o de ferramentas. Havia um aparelho de fazer solda que me fascinava e me assustava ao mesmo tempo. Morria de medo de encostar, achando que meu dedo poderia, num passe de mágica, virar uma poça de gotas derretidas. Tinha ainda um gaveteiro de plástico, com cada compartimento devidamente etiquetado (graças à geringonça explicada acima) e guardando toda a sorte de pregos, parafusos, porcas, arruelas e outras miudezas do mundo da bricolagem. No lugar mais esquecido do quarto dos esquecidos estava uma caixa de papelão guardada da tevê Mitsubishi (aquela gigante que tinha contact imitando madeira dos lados), onde eu jogava todos os brinquedos que não queria mais. Às vezes me pego vasculhando aquela caixa em pensamento, e encontro cada preciosidade que não podia ter sido perdida. Lembro-me do chapéu com as orelhas do Mickey que minha tia me trouxe da Disneylândia, e hoje seria um objeto antigo e cult. Um par de bonecas de feltro, um menino e uma menina marinheiros, que estava pendurado na parede do meu quarto de bebê. A minha linda boneca Preguicinha da Estrela, que a gente colocava de bruços e ela virava sozinha, esticando os bracinhos num pedido mecânico de colo. Pensando bem, da próxima vez que sonhar com aquela casa, vou tentar sair pela porta da cozinha escura, atravessar o quintal e o jardim descuidado e abrir a porta daquele verdadeiro parque das diversões esquecidas. Vivi Griswold às 09:08 AM
Comer, comer Taí a maior vantagem de ser magrela: além de caber em qualquer cantinho num carro lotado e não ter de aturar cara feia do pessoal com quem você divide um banco no ônibus, quem nasceu com essa condição encara qualquer prato sem culpa e com total alheamento de seu valor calórico. Comer é um de meus passatempos favoritos. Ei, eu tinha de ter alguma vantagem depois de passar anos ouvindo “nossa, mas você deve ser fraquinha, hein?” ou “olha, essa bota vai sobrar na sua canela...”! Nada mais justo, pois, que essa garota fininha aproveite o lado bom e encare um garfo na boa. Com todo esse gosto pela coisa, reuni algumas das coisinhas de comer que, à simples menção do nome, me deixam com água na boca. O melhor de tudo é que todas essas delícias são caseiras e nunca tive de pagar um tostão ou freqüentar restaurantes chiques para abocanhá-las. Algumas dão mais trabalho, outras são feitas num tapa. Mas todas fazem meus olhinhos de glutão brilharem e a Catarina, minha lombriga estimada, se encher de alegria. Bolinho de chocolate expresso Bolo fanta da minha tia Sopa de couve-flor Lasanha da minha mãe Pão doce da minha avó Isso sim é nome que se dê! Meses atrás, procurando da prateleira de CDs um disquinho que contivesse a maravilhosa “Rescue Me”, me peguei ridicularizando o nome de certos álbuns. Foi um tal de achar tantos nomes bobos, chatos e pouco criativos, que a sessão-sarro virou um texto. Esse aqui, ó. Mas é claro que existem exemplos contrários. Tanto que um deles ainda será parodiado para batizar um suposto CD das Garotas que Dizem Ni. Mas antes de contar como se chamará nosso compilado de canções, é bom falar daqueles que deram títulos bacanas aos seus filhotes musicais. Porque eu ainda defendo: gravar todo um trabalho e depois dar um nome estúpido como “Mais” ou “In The Zone” é muito desperdício. Já algumas bandas gastam mais que sete neurônios e pensam em algo realmente bom. O Plebe Rude, por exemplo, me brindou ainda meninota com aquele “O Concreto Já Rachou”. Além de sonoro, tem atitude. É como meu segundo disco predileto do Língua de Trapo: chama-se “Como é Bom Ser Punk”. Nada de barulheira, é pura esperteza mesmo: a canção-título começa com uma melodia erudita, mas é só de farra. Um dos músicos que mais gosto no país também parece ser bom de inventar nome – quase tanto quanto é bom de inventar som. André Abujamra e sua banda Karnak deram o nome de “Estamos Adorando Tokio” para um CD. Quando ainda era parceiro de Maurício Pereira no Mulheres Negras, o moço chamou seu segundo disco de “Música Serve Pra Isso”. Com essa, ele quase fez o que todo jornalista sempre quis: escrever uma matéria e dar o título de “Leia o texto abaixo”. O Titãs, hoje aquela bandinha estranha que toca na novela, também já teve seus momentos para nomear discos. “Cabeça Dinossauro” é o que mais gosto, ainda mais com aquela desconcertante imagem de capa – que a Clara, até hoje, jura que é o Excelentíssimo Senhor Ministro da Cultura Gilberto Gil. No âmbito internacional, também existem ótimos nomes de CDs. Tudo bem que, em inglês, tudo me parece mais garboso... e depois a gente traduz e vira uma caca. Mas eu gosto mesmo de “Take Off Your Pants and Jacket”, do Blink 182. É bobão e debochado como os três garotos, então casa bem. Também é incrivelmente legal o título de um dos discos do Beach Boys, “Pet Sounds”. Diz a lenda que Brian Wilson achava que suas músicas eram como “bichos de estimação”. Haja ácido, hein? Porém é um meigo e simplório título que sempre vem à mente quando o assunto é nome bom de disco: “O Passo do Lui”. A capa do segundo álbum dos Paralamas do Sucesso mostra um rapaz em posição tortinha, como que dançando bêbado. Aquele é o Lui, amigo da banda no início de tudo – e que, dizem, dançava mesmo meio esquisito. Depois o Lui caiu fora, tomou seu caminho. Momento de segredo: essas Garotas aqui também já tiveram seu Lui. Nem sempre fomos um triângulo de bermudas, sabe? Antigamente, no início do nosso tudo, existia uma quarta moça. Ela casou, mudou e, como o Lui, virou uma divertida e saudosa história. É por isso que, quando gravarmos enfim nosso CD, ele há de se chamar... “O Passo da Helô”. Féxiom uíque Fico pensando: qual é o exato momento em que passamos a ter noção do que é moda? Em uma época, a mamãe é quem escolhe o que vamos usar. Em outra, pegamos qualquer coisa confortável o suficiente para brincar na rua. Até que a indecisão sobre o que vestir cai em nossas cabeças sem qualquer aviso prévio. E isso acontece mesmo se você for adepto(a) da calça de moleton e camiseta folgada – aposto que em algum momento já se perguntou que roupa escolher para impressionar uma garota ou um garoto. Eu queria me vestir como me vestia quando era criança. Na verdade, não costumo ficar muito longe daquilo. Como sou do tipo mignon (nome chique e gracioso para designar magrela-e-baixinha), costumo comprar muitas peças de roupa em seções infantis de lojas de departamento. O tamanho 16 (anos) me serve direitinho, e ainda custa mais barato do que as blusas e calças de madame, nunca confeccionadas em PP. Meus pés 34/35 também possibilitam alguns sapatos de boneca, literalmente falando. Apesar de ser fã do pretinho básico, adoro cor de brinquedo. Mas se eu sair com uma bermuda azul de bolinhas brancas e camiseta pink, aposto que vão me olhar estranho no supermercado e me sacanear na hora do troco. Só que esse é o modelito que estou usando na foto registrada na primeira vez em que montei na minha Monark com cestinha. Naquela época, eu podia. Por que não posso mais? Pelo mesmo motivo que não poderia usar meu conjunto favorito para brincar no quintal da minha avó ou na rua de casa. Imagine, botar um mini-micro short, uma regata de alcinha e sair por aí. Com certeza iriam me confundir com aquelas moças de vida muito, muito difícil. Ou pelo mesmo motivo que proíbem adultos a passearem usando fantasias. Criança vestindo uma roupa de cetim e tule imitando fada, é a coisa mais linda. Adulto vestindo a mesma coisa, é fugitivo do hospício. A verdade é que a gente cresce e tudo perde a graça. Viramos pessoas responsáveis (ou, pelo menos, deveríamos virar). Precisamos arrumar um emprego e mantê-lo pelo maior tempo possível. Temos de freqüentar locais públicos como banco, mercado, cartório. Somos convidados a jantares em restaurantes ou na casa dos outros. Precisamos parecer atraentes para o sexo oposto (ou para o mesmo, nada contra). Não dá para construir uma vida séria quando a aparência é duvidosa. Certo? Então voltemos ao princípio. Aquela hora em seu passado em que você abriu o guarda-roupa e pensou, pela primeira vez, “que camisa combina melhor com essa calça?” ou “que saia disfarça mais meu bumbum?” ou “qual dessas camisetas não possui um furo?”. O grau de vaidade muda de pessoa ou pessoa. Mas esse pecado capital habita o interior de cada um de nós. Eu, pessoalmente, gosto de andar ajeitadinha. Sou daquelas que combina sapato com fivela no cabelo, manja? Nem por isso sou escrava da moda. O trabalho me obrigou a conhecer nomes de estilistas, tendências do verão e denominações absurdas como “drapeado” ou “rosa pétala”. Consigo até encontrar coisas bacanas em desfiles – apesar de curtir mesmo uma boa liquidação das lojas Renner ou C&A. Porém, a única peça de nome que tenho são alguns pares de meia assinados pelo Alexandre Herchcovitch, ainda assim comprados na Lupo por 5 reais cada. E jamais, nunca, pagaria um valor de três dígitos por uma roupa. Só se fosse aquele vestido com o qual Julia Roberts venceu o Oscar. Pois a partir de hoje, eu, Flá e Clara vamos tentar desvendar alguns mistérios da moda, cobrindo a tal São Paulo Fashion Week a convite do site Vírgula. Até a próxima terça-feira, você poderá ler no especial Fuck The Fashion as impressões das três garotas no maravilhoso e pegajoso mundinho. Iremos nos divertir horrores, claro. E, depois, voltaremos para casa e colocaremos uma camiseta velha e manchada, uma calcinha de algodão sem elástico e dormiremos felizes com a sensação de dever cumprido – sem o menor peso na consciência. ![]() Ah, Gi, não precisava se incomodar...
Com o isqueiro na mão Parece legal no começo: o anúncio estampa em letras enormes sua banda favorita, e a turnê, finalmente, vai aportar em terras brasilis. As cenas do espetáculo que você viu na TV mostram os ídolos chutando tudo no palco, o público ensandecido cantando junto e acendendo os indefectíveis isqueiros nas baladas. Que emoção! Você se vê disposto a quebrar o porquinho e limpar até a última moeda para participar da festa. Mas chegando lá... nada daquilo é como na TV. Tem um montão de gente se espremendo. Todo mundo sua em bicas na tentativa de chegar o mais perto possível do palco e sai briga por uma mísera palheta atirada pelo guitarrista. Não se vê nada (a não ser que sua altura seja avantajada, ao contrário da minha e da maioria da população brasileira) e você só leva bordoadas dos mais empolgados, que giram camisetas no alto e acotovelam sua cabeça durante o ato. Ok, shows musicais são algo legal para caramba – se a banda é de sua preferência e o local da performance oferece um mínimo de estrutura. Mas, ao longo de anos de experiência no assunto, começo a achar que poucos artistas valem o sufoco. O show do U2, por exemplo. Paguei 50 lascas – e olha que a brincadeira foi em 1998. Cheguei horas antes da abertura dos portões. Paguei um flanelinha. Me apertei na multidão quando os portões do Estádio do Morumbi foram abertos. Esperei pacientemente a entrada no palco do meu querido senhor Boa Voz e sua trupe. Quando a hora chegou... os irlandeses pareciam playmobils, tamanha a distância em que eu me encontrava deles. Claro que não consegui chegar mais perto, sob risco de esmagamento dos meus ossinhos. E, por conseguinte, nem tive chance de ser puxada pelo sexy irish man para dançar uma balada lá em cima. Ai, ai... Também vi dois shows do Red Hot por aqui: o primeiro, no Hollywood Rock (onde consegui permissão para ir com a condição de comprar ingressos de cadeiras, o que deixa você longe do agito, mas a salvo dos malucos do camisetóptero), e o segundo, no Credicard Hall. Em 1993, tudo que vi foi um pequeno fósforo acendendo no palco – era Anthony, com seu capacete de fogo. Em 1999, na pista da casa de espetáculos, só levei mesmo tabefes. Mas vi o quarteto mais de perto. Foi ok. Guardo ainda no currículo de espetáculos internacionais, entre um punhado de outros, as apresentações de Alanis Morrisette (ok, eu confesso: eu gostava da canadense na época de seu primeiro álbum... Mas dêem um desconto, eu tinha 18!) e o festival intitulado Ruffles Reggae, minha mais curiosa marca. Explico: nunca fui lá muito fã do ritmo representado por sêo Marley e não lembro de uma banda sequer do espetáculo. Só daquele cheiro estranho na pista... O que diabos fui fazer lá?! É um mistério para mim até hoje. Mas de todas essas sensacionais performances presenciadas por mim, nenhuma se compara ao show do Menudo, em algum ano perdido na década de 80, no glorioso Estádio Bruno Daniel, no A do ABC Paulista. Minha paciente mãe teve a pachorra de se cercar de meia dúzia de crianças, entre elas eu e minha irmã, e rumar ao lugar debaixo de uma chuva torrencial. A certa altura, tínhamos lama até os tornozelos e os tênis Bubble Gummers, encharcados, calçados nas mãos. Os garotos de Porto Rico demoraram seis horas para aparecer no palco e a chuva não deu trégua. No fim, o que ouvi foi outra cópia da minha própria fita do Menudo estourada nas caixas (ou você acha que eles cantavam ao vivo?) e cinco pontinhos coloridos pulando no palco distante. Mesmo assim, guardo a memória da ocasião com orgulho. Isso porque já se passaram duas décadas do fenômeno riquenho e o quinteto formado por Robbie, Roy, Ray (meu favorito), Ricky e Charlie (por que só o nome dele começava com “C”?) está virando cult. O quê? Não está não? Nem pense em me dizer tal barbaridade! Se tirarem isso de mim, só sobram, na minha experiência com shows do povo de fora, bordoadas e suadouro... além, é claro, de sons e cenas inesquecíveis. Ronnie é o rei Há quem diga que “Admiradora Secreta” é a melhor das comédias romantiquinhas dos anos 80. Outros apostam em “A Garota de Rosa Shocking”. Existem também partidários de “Alguém Muito Especial” e “Sem Licença para Dirigir”. Mas eu posso jurar: para essa mocinha aqui, nada podia ser mais singelo, engraçado e perfeito com pipocas do que “Namorada de Aluguel”. Tudo por causa de um certo Ronald Miller. Só para deixar claro, “Curtindo a Vida Adoidado” não entra nessa disputa porque é fora de série, tá bom? Não há comparação possível entre a epopéia de Ferris e os demais filmes da época, faz favor. Mas pode-se dizer que a vida e obra de Ronald (na pele de Patrick Dempsey, ícone do período) é o aquecimento ideal para, um dia, chegar a ser Bueller. O argumento de “Namorada de Aluguel” é sensacional desde o começo. Corre o ano de 1987 e Ronald é um grandecíssimo nerd. Entre um e outro jogo de cartas com os amigos (nerds, óbvio), ele arrasta um transatlântico por Cindy Mancini, a cheerleader loira e popular da escola. Na verdade, ele é quase tão apaixonado pela menina quanto pela idéia de se tornar famoso no colégio. Essa fixação americana em ser amado na escola devia ser estudada pelos cientistas... O fato é que o destino trabalha em favor dos perdedores. Um dia, prestes a desembolsar seus suados US$ 1.000 por um telescópio, Ronnie vê a fada de seus sonhos em desespero, tentando trocar uma roupa na loja em frente. Ela sujou o vestido de vinho. E o tecido era camurça. E o traje foi afanado no guarda-roupa da mãe. E Cyndi vai quebrar pedras na Sibéria se a dona souber de tudo. Para o meu gosto, aquela roupa era brega pra danar e devia é ter ido pro lixo mesmo – pelamordedeus, franjas e saia no joelho??? Nem nos anos 80... Mas isso não vem ao caso. Ronald está ali, oferecendo a grana, e pedindo apenas uma coisinha em troca: que Cindy finja ser sua namorada. Assim os cabeças-de-bagre locais vão achar que Ronnie é pegador e ele será afinal “the king of the black coconut candy” (o rei da cocada preta, como dizemos aqui). Sem lembrar que essa é a forma mais antiga do mundo de ganhar dinheiro, a garota topa. Todo mundo aí lembra da seqüência, certo? Claro que Cindy vai descobrir rapidinho que debaixo daquele cabelo ensebado, por trás daqueles óculos e apesar de ser um mero jardineiro, Ronnie é um doce. Mas me desculpem: o que ela vê ali, eu sabia faz tempo. O rapaz usa boina (um charme). Adora observar as estrelas (um encanto). Corta grama para conseguir verba própria (um batalhador). Sabe onde existe um cemitério de aviões (um engodo). Engodo, sim! Passei anos achando que esse tipo de coisa existia mesmo, e que um dia eu passearia num desses com um garoto legal como o Ronnie. O garoto eu encontrei, mas o cemitério de aeronaves... Há! A ficção só me ilude! Sorte que entrou em cena, para compensar e me fazer rolar de rir, a Dança do Tamanduá Africano. Que espécie de gênio cria aquela situação? O moleque acha que aprendeu a bailar como os jovens moderninhos da tv, mas estava vendo um programa de antropologia! No fim da zona toda, quando o caldo já entornou pro lado do Miller e todo o sonho de fama veio abaixo, ele decide botar a boca no mundo em plena escola. E diz assim: “Nerds, populares... Meu lado, seu lado... Isso é tudo besteira. Já é muito difícil sermos nós mesmos”. Esse é o Ronald que eu aprendi a amar.
Cemitério de aviões é coisa de gênio, hein, Ronnie? Sean machuca, mas Bill faz sarar Uma vez a cada 250 primaveras, os planetas Saturno, Urano e Plutão se alinham com três pequeninas estrelas da galáxia conhecida como Andrômeda. E você sabe o que acontece, leitor? Não, nenhum serial-killer morto-vivo aparece para aterrorizar uma pequenina cidade no interior dos Estados Unidos. Tampouco se abre um portal que propicia contatos entre seres de diferentes dimensões. O resultado do alinhamento intergaláctico é visível... no cinema mais perto de você. Antes que algum astrônomo de plantão mande capangas armados até os dentes atrás de mim, esclareço. O encontro de planetas e estrelas citado acima é pura invenção da minha cachola. Estou apenas tentando arrumar uma explicação coerente (hã?) para o fenômeno que as salas de projeção sofrem de tempos em tempos: uma enxurrada de filmes excelentes em uma só temporada. E aproveite, porque isso está acontecendo agora. Cinema anda caro demais, eu sei muito bem. Mas vá por mim, que desta vez vale a pena quebrar o cofre de porquinho, economizar no dinheiro da padaria, montar uma banquinha para vender suco de tamarindo na esquina – e sair correndo para pegar a próxima sessão. Quem perder “Sobre Meninos e Lobos”, “21 Gramas” e “Encontros e Desencontros”, a trinca de ouro das telonas atualmente, não é apenas uma mulher do padre. É uma mulher do padre muito da feia, caolha, peluda, fã do Wando e com perna-de-pau desparelhada. “Sobre Meninos e Lobos” é um drama sombrio dirigido por Clint Eastwood que, basicamente, mostra como a vida pode desandar depois que a gente cresce. Para ilustrar a teoria pessimista, o ex-astro do Velho Oeste conta a história de três amigos, interpretados por Sean Penn (vencedor do Globo de Ouro de melhor ator anteontem), Tim Robbins (que levou o mesmo prêmio por ator coadjuvante) e Kevin Bacon (que não ganhou nada – ninguém mandou fazer “Footloose” e “O Ataque dos Vermes Malditos”). “21 Gramas” é outro drama, mas algumas vezes mais sombrio que o anterior. Li uma crítica que o resumia como “‘Amnésia’ com taco e dor”, e achei a definição muito propícia. Assim como “Amnésia” (mas nem tão complicado), o filmaço não é exibido em ordem cronológica, e sim com as cenas misturadas. Naomi Watts (aposto que você se lembra dela de “A Cidade dos Sonhos”, né? Sei.) perde o marido e as duas filhas num horrível atropelamento, cuja culpa é de Benício Del Toro (gordo, estrupiado, mal-humorado, mas sempre sexy). Ela doa o coração do marido e quem recebe é Sean Penn. De repente, a vida dos três se entrelaça. O melhor que os dois filmes têm a oferecer é a atuação absurda do bad-boy com cara de pintinho perdido. Sean Penn é o cara. O ator ficou famoso quando Madonna, sua ex-mulher, soltou aos quatro ventos que apanhava dele – e que ele foi o melhor homem que ela já teve na cama. Se sair do cinema após as duas sessões é difícil e dolorido, o culpado é Sean. Parece realmente que ele machucou, bateu, e nos tirou toda a esperança. Mas antes da depressão chegar, lembre-se que falta um título da lista! O remedinho contra os males do mundo é “Encontos e Desencontros” – pelo menos durante as quase duas horas de exibição desse filme despretensioso, simples, gracioso e cool até não poder mais. É lindo ver que orquestrando tudo aquilo está a mão de uma garota, Sofia Coppola, que talvez fique para sempre (e injustamente) taxada apenas como a filha do diretor por trás de “O Poderoso Chefão”. Bem, até que a reputação não é de todo mal. No original, “Lost In Translation”, que os gênios brasileiros traduziram pessimamente e conseguiram mostrar como título em inglês faz sentido, mostra o encontro (o desencontro fica devendo, tá?) de Bill Murray (também ganhador de um Globo de Ouro) e Scarlett Johansson num hotel em Tóquio. Ele, um ator que já viveu seus tempos de glória e que agora só é chamado para fazer propaganda de uísque. Ela, a jovem e solitária esposa de um fotógrafo que vive para o trabalho. Naquele mundo estranho, os únicos que os entendem são eles mesmos. Não consegui definir se o sentimento que brota é amor ou amizade ou sei lá o quê. Mas o abraço de despedida que os dois dão no final, com Bill sussurrando alguma coisa no ouvido de Scarlett ao som de “Just Like Honey”, balada maravilhosa do Jesus & Mary Chain, esquenta o coração mais que manta tricotada pela vovó. Êta remedinho bom, aquele. ![]() More than this, you know there´s nothing... Ainda aí, leitor? Corra para o cinema, vamos! Vivi Griswold às 08:51 AM
É para vender? A gente os ouve ou lê todo dia. A gente repete, como se fosse uma coisa normal. Por isso, deixamos escapar o toque de surrealismo que alguns slogans guardam, no mundo encantado da publicidade. Também, pudera. Com tanto bombardeio, via TV, internet, rádio e outdoors, já é automático: basta que nossas retinas encontrem o nome de um produto que sua frase de acompanhamento já chega junto. Embora a publicidade brasileira seja aclamada mundo afora, vamos convir que nem todas os slogans sejam algo de genial. Às vezes, até “grudam” – o que, claro, é seu objetivo principal. Mas ainda assim podem sair pela culatra ou soar, no mínimo, esquisitos, se a gente parar para pensar. Então, vamos lá. Não é estranho ter o slogan... 7. É isso aí? 6. Colocando você sempre à frente? 5. Põe na Cônsul? 4. Tudo bem? 3. Prazer em conhecer? 2. Just do it? 1. Ah! A falta dela é um choque Aconteceu de novo nesse fim de semana. E quando acontece, parece que o mundo para de rodar e eu estou condenada ao enlouquecimento. Só um humano perdido em ilha completamente deserta, sem kit de sinalização ou livro de palavras cruzadas, é capaz de entender o que eu sinto quando a energia elétrica não dá sinais de funcionamento! Basta cair meia dúzia de gotas molhadas do céu e meu bairro vira uma vila de pescadores do sul da Bahia. Dizem os xeretas que é problema no transformador de sei-lá-onde. Como crédula máxima da Teoria da Conspiração, eu acho que é assim: choveu, “eles” desligam a eletricidade para nos fazer economizar na marra. Não importa a intensidade do toró, é tudo um grande golpe. Mas no momento em que a energia do prédio se vai, quem passar pela minha porta há de pensar que fui esfaqueada. Apagou tudo, ecoa pelo apê um grito de “nããããão!!!” – seguido de uns palavrões, caso eu esteja no banho. Minha Nossa Senhora da Ducha Corona: como eu detesto começar um banho gostoso e quentinho e, lá pela segunda aplicação do xampu, perceber que o jato d’água morno virou uma cachoeira antártica!!! É de corroer a alma. Passado o ataque de raiva, a falta de eletricidade me deixa é completamente sem ação. Todas as últimas vezes foram assim. Não deu para ver o programa predileto na televisão, muito menos ver um filme no DVD. Não deu pra ligar o computador. Não pude bater um bolo pra distrair. Não consegui ler por causa do breu. Não liguei para ninguém porque o telefone é sem fio e descarrega fácil. E o drama sempre segue o mesmo script: bato a perna na mesinha de apoio, me queimo com os fósforos, deixo a parafina das velas pingar pela casa. Se eu já sou um “Mister Bean de saias” no claro, imagina no escuro... Para o gênio que pensou “sai de casa e vai curtir a rua, bocó”, eu explico. O elevador não funciona sem a energia porque meu condomínio é pobre. E descer oito andares de escada tendo dois joelhos tortos como os meus é suicídio – e o passeio a pé não seria grande coisa depois disso. Não adianta, falta de energia me faz sentir como uma garota das cavernas. Ou como o Tom Hanks em “O Náufrago”. É isso!!! Preciso comprar uma bola de vôlei Wilson para o próximo apanhão regional!
Wilson, amigão! Quer me fazer companhia? São Paulo que não dói no bolso A cidade onde nasci e moro atualmente fez 450 anos ontem. Após semanas de reportagens na tevê, matérias de capa em revistas, manchetes e suplementos em jornais e declarações embaladas pela indefectível “Sampa”, de Caetano Veloso, não sobrou muita coisa para se falar sobre a data comemorativa. Na verdade, sobraram pouquíssimas coisas – e são exatamente as miudezas locais que mais significam para esta garota paulistana. São Paulo foi celebrada como capital gastronômica do país, como cidade que nunca dorme, como lar de gente trabalhadora, como caldeirão cultural e todos os clichês que todo mundo já está cansado de saber. Também foi criticada pela violência, pelos buracos, pelo trânsito, pelo transporte coletivo, pelo excesso de cinza. Mas a cidade de que eu gosto não está nem para os restaurantes chiques, nem para a selva claustrofóbica de concreto. Meus passeios favoritos em São Paulo não custam caro. Para fazê-los, tudo o que você precisa é de uns trocados no bolso e uma ajudinha divina para o sol aparecer. Liberdade Feira da Benedito Calixto Feira do Bixiga Sebos do centro ![]() E ainda tem gente que paga caro para acabar com o stress...
Nominal a quem? Eu já disse por aqui que, quando a gente era pequeno e brincava de escritório, meu irmão só topava bancar o cliente se pudesse se chamar Magáiver - o que era sempre motivo de brigas, pois ninguém normal se chama Magáiver. E o Magáiver verdadeiro, aquele fabuloso agente capaz de explodir uma prisão usando um teco de chiclé mascado e um pouco de terra, jamais iria ao meu escritório improvisado sobre o murinho do gás. Eu achava que esse era o maior nome de fantasia que já vi, mas hoje admito que não. Quer ver um terreno fértil, fértil para encontrar nomes muuuuito inventados -- e que dão na cara que são inventados? As cantoras de R&B norte-americanas. Ô gente criativa! Ou você acha que alguém se chama Beyoncé? E Ashanti, então, por Deus?! Pensando nisso e aproveitando vários endereços enviados pelo Zappa, grande amigo e notório caçador de tranqueirinhas divertidas da web, fui em busca do meu nome se eu fosse outra pessoa. Quer dizer, a mesma pessoa mas levando outra, por assim dizer, vida. Se eu não fosse a Clarissa Alguma-Coisa Passos -- menina magrela cheia de macaquinhos no sótão e recém-transformada em ruiva, que divide com duas garotas bacanas um espaço cor-de-rosa cheio de leitores supimpas na internet -- descobri nos geradores de nomes que eu poderia me chamar... Rosie-Posie Boggy-Hillocks, se eu fosse uma hobbit. Talvez até participaria da jornada para queimar o anel (no bom-sentido, claro!) Lúthien Linwëlin, se eu fosse uma elfa. É claro que, assim, Aragorn, o homem, o mito, poderia acabar se casando com outra moçoila de orelhas pontudas... Killdozer, se eu fosse um smurf. Uma coisa é certa: eu avisaria o Gargamel que, se ele foi capaz de fazer a Smurfette, podia fazer um punhado de bichinhos azuis e deixar meu povo em paz! Cybernetic Lifelike Android Responsible for Intensive Sabotage and Scientific Assassination, se eu fosse uma cyborg. Note que as iniciais formam meu nome e eu seria responsável por "sabotagem intensiva" e "assassinatos científicos" (?!). Sandy Blue, se eu fosse uma estrela pornô. Ok, eu nunca pensei em ser uma estrela pornô. E o pior é que o nome é justo o da cantora mais "mamãe-sou-virgem" do Brasil! Ass Machine Teapot, se eu fosse uma legítima moradora dos guetos nova-iorquinos. Eu não tenho a menor idéia do que isso significa, mas acho que eu preferiria, nesse caso, me chamar Ashanti... Ataques de consumo apaixonado Se tem uma coisa que me deixa auto-orgulhosa, é o meu desapego quanto a objetos inanimados. Ao contrário do que dizia Madonna nos áureos tempos, eu não sou uma garota material, e não acredito que vivemos em um mundo material. Mas, como tudo na vida, isso nem sempre foi verdade... Eu confesso aqui que tive um fraco por certos produtos durante a infância. Não foram muitos, mas também não foram pouco amados. Sabe quando você vidra em um artigo e parece que o mundo vai se tornar um abismo de tristeza e solidão se ele não for seu? Foi assim com essas coisas. Óculos de sol espelhado Camiseta d’A Bruxa Máquina fotográfica descartável Patins de bota marrom-camurça Tênis Bubble Gummers
Tim, Amy e o Gato faziam propaganda do adorado Bubble Gummers Olha o carro! Engana-se quem pensa que a interjeição acima só poderia ser proferida por algum amante de automóveis antigos ao se deparar com um belo e conservado Cadillac 1959, conversível, motor V8 e rabo de foguete. Na verdade, essa era uma das frases que eu mais falava (e ouvia) quando era criança. Apesar do quintal no fundo de casa, a rua foi meu território de brincadeiras e travessuras – de tempos em tempos bruscamente interrompidas por um veículo qualquer que teimava em passar pelo asfalto. Norma Zemella Moura é parte importante da minha infância, apesar de não fazer a mínima idéia de quem diabos tenha sido a tal dona Norma. Provavelmente, a vizinha intrometida de alguém – assim como Mirtes, Irene e Janete, esse é um nome típico de comadre, não? A ilustre desconhecida, porém, cedeu sua identidade à rua em que morei dos sete aos dezesseis anos. Foi lá onde ralei o joelho centenas de vezes, onde enfiei caco de vidro no pé, onde aprendi a andar de patins, onde fiz bandeirinhas de festa junina e onde escrevi “Brasil” com tinta verde e amarela em tempos de Copa do Mundo. Assim que eu chegava da escola, corria para engolir um almoço, vestia um short e uma camiseta qualquer e pronto, lá estava eu batendo palma na frente de todas as casas das minhas coleguinhas. Isso quando não batiam na minha primeiro, claro. Dali até a hora do jantar, nosso compromisso era só com as horas e horas de divertimento gratuito, inocente e emporcalhado. Queimada era a brincadeira de que mais gostava. Bastava delimitar dois territórios com traços de tijolo, dividir os times e arrumar uma bola levinha – queimada com bola de vôlei, aquelas de couro, mostrou-se uma má idéia. Daí, era só fazer par ou ímpar (ou 2 ou 1) para vem qual equipe começava jogando. O objetivo consistia, basicamente, em desviar das doloridas boladas e tentar promover o máximo de manchas roxas no adversário. Outra favorita, de longe, era pular corda. Adorava o desafio de entrar com o negócio em movimento, pular uma vez e sair. Na próxima, pulava duas vezes, e três, quatro... E as rimas? Tinha como “prever” a primeira letra do nome do futuro marido, precisando, para isso, errar o pulo (e a gente sempre errava na letra do nosso amor de escola, de propósito). Também havia a musiquinha “Um homem bateu em minha porta/ e eu abri/ senhora e senhores ponha a mão no chão/ senhora e senhores pule num pé só/ senhora e senhores dê uma rodadinha/ e vá pro olho da rua!”. As casas da minha rua suburbana, como qualquer outra que se preze, viviam em reforma (êta mania de fazer laje, nunca vi!). Uma delas, para nossa sorte, passou por uma construção que durou meses a fio. Pronto, lá era o cenário perfeito para o esconde-esconde, além de ser depósito infinito de tijolos e pedras para nossas amarelinhas. Não sei se é impressão equivocada, mas eu nunca mais vi um bando de crianças descalças, descabelas, cheias de marcas de bola pela roupa e sujeira vermelho-tijolo nos dedos, divertindo-se a valer com pedaços de pau, alvenaria ou uma bola murcha e ordinária. Meus irmãos, que viveram a infância deles em condomínio fechado, nunca passaram por isso. Provavelmente, nossos filhos também não passarão. E eu que achava que o carro era o maior dos vilões das brincadeiras de rua. Vivi Griswold às 09:28 AM
Boa música de ontem Eles estão com a moral mais baixa que sonda de prospecção de petróleo, representam valores dos quais quero a maior distância possível e fazem coisas bizarras a rodo. Mas tem um campo no qual os americanos do norte acertaram – e bem: a canção popular. E olha que eu sou bem fã da música produzida por essas bandas tropicais também... Se hoje Britneys e Christinas pontuam o cenário musical com seu parco talento artístico (e absoluto talento mercadológico, se não delas de seus business men), o melhor é voltar no tempo para ouvir algumas das pérolas do cancioneiro lá de cima. Houve um período em que, ao contrário das loiras, reinavam absolutas cantoras e cantores de verdade, como Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Louis Armstrong, Frank Sinatra (mafioso, mas limpinho) e outros nomes menos conhecidos, mas tão bons quanto. Por trás das pérolas interpretadas por esses mocinhos e mocinhas, havia compositores que sabiam mesmo juntar frases bacanas a notas interessantes. Gente como os irmãos Gershwin, Irving Berlin e o insuperável Cole Porter. Pode parecer aclamação desnecessária de gente que já é tida como um clássico, mas muitas pessoas se resumem a repetir o que ouviram por aí. Se esse ainda é seu caso, pode procurar qualquer um dos títulos abaixo, com qualquer intérprete, e descobrir que, para essas pessoas, todos os louros são merecidos – simplesmente porque as músicas são boas, muito boas. Na pele de fã e não de crítica, apresento algumas das minhas músicas populares americanas favoritas. They Can’t Take That Away From Me, de George e Ira Gershwin Ev’ry Time We Say Goodbye, de Cole Porter Cheek to Cheek, de Irving Berlin The Way You Look Tonight, de Fields & Kern Night and Day, de Cole Porter Com esses eu faria tim-tim É sabido por aí: eu curto demais encontrar os amigos. Não passa uma semana sem que arrume pelo menos dois jantares e uma happy hour pra reunir a turma. Aliás, AS turmas, porque brotam coleguinhas de tudo quanto é emprego passado e curso já terminado. Mas existe uma galera que eu não tenho como juntar pro bate-papo-com-álcool-ou-refrigerante – e é uma pena, porque com esses eu tomaria até cerveja. Gente boa de inventar assunto, fácil de cair na risada e magnífica de contar história é artigo que vale ouro para mim. O mundo do estrelato também deve tem desses, não? Quer dizer, isso é uma suposição e eu posso estar redondamente enganada, mas gosto de viver na ilusão de que existe artista gente fina. Muito me chatearia saber que esse pessoal aí abaixo não é perfeito pra dividir uma mesa de bar. Eles parecem tão legais, simpáticos e engraçados que eu iria até a terra do Tio Sam e deixaria minhas impressões na alfândega só para tomar uma loira gelada com... ... Jimmy Fallon ... Ben Stiller ... Drew Barrymore ... Mike Myers ... Sandra Bullock ... Todo o Monty Python Sobre livros e rótulos Todo mundo (inclusive esta garota) tem a mania de rotular uma pessoa pelo livro que ela lê. Quando encontro alguém no ônibus com os olhos fixos em páginas encadernadas, fico esticando meu pescoço para espiar, na tentativa de ler o título ou o autor da obra em questão. Se for livro de auto-ajuda, imagino que a pessoa é insegura e está passando por problemas. Se for algum romance nacional do tipo “Senhora”, imagino que a pessoa foi obrigada a ler para um trabalho na faculdade ou castigo. Diga-me o que lês e eu lhe direi quem és. Pois se essa adaptação livre do ditado da vovó fizesse algum sentido, eu mesma estaria frita. Acontece que tenho uma certa compulsão por leitura. Às vezes, isso me faz nutrir uma curiosidade inexplicável com certos livros que caem em minhas mãos. E, se tivesse sido pega com algumas obras já devoradas por mim, teria ganhado rótulos diversos e equivocados – quando o motivo pela minha leitura era algo bem diferente. O livro: “O Alquimista”, de Paulo Coelho O livro: “O Diário de Bridget Jones”, de Helen Fielding O livro: “O Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupéry O livro: “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien O livro: “O Cão dos Baskervilles”, de Arthur Conan Doyle O livro: “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J.D. Salinger E você, leitor? O que anda lendo ultimamente? Vivi Griswold às 09:18 AM
Papel de quê? Esqueça o estranho slogan do tênis Montreal (que protegia os pés contra os micróbios) e o conteúdo do pacote entregue pela Xuxa aos pimpolhos que ganhavam as brincadeiras no palco: o mistério mais insondável a rondar a infância dos oitentistas é por que diabos as meninas colecionavam com tanto esmero os famigerados... papéis de carta! Não salvava uma: todas as garotas da rua e do colégio ostentavam sua pasta, mais ou menos recheada – dependendo do poder de persuasão junto aos pais de cada uma para fazê-los gastar dinheiro com aquilo – de folhinhas coloridas. Os papéis tinham basicamente duas categorias: nacional ou importado e com cheiro ou não. Claro que, quanto mais incrementado, maior poder de barganha conferia à dona. Trocava-se um cheiroso por dois ou três comuns, e a mesma regra valia para os importados frente ao produto nacional. O problema é que, enquanto a classificação do cheiro podia ser aferida ali, na hora do escambo, o fator estrangeiro/brazuca era sempre motivo de discussão. Afinal, a não ser que a peça em questão tivesse impressa em si uma marca “made in USA” ou qualquer outro lugar aparentemente interessante e longínquo para nossas mentes infantis, não havia como provar que o papel era do além-mar. Choviam, então, os populares gatos. Você podia se dar bem se tivesse lábia suficiente para convencer sua amiguinha que aquele papel comprado na vendinha da esquina foi trazido pelo primo do colega de trabalho do seu pai, em viagem ao Japão (as folhinhas nipônicas também eram bem-cotadas nesse estranho mercado). Mas o ponto mais interessante dessa história toda é que eu nunca vi, durante todo o período em que participei desse câmbio negro, ninguém – absolutamente NINGUÉM – que usasse os malditos papeizinhos para escrever uma carta, aparentemente sua função original. Qual! Nem um bilhete sequer; uma nota curta dando conta à mãe de que você saiu para comprar mais folhinhas na vendinha da esquina. Minha coleção virou foi relíquia. Apesar dos insistentes pedidos de minha mãe para jogá-los fora depois que a febre passou, mantive-os bonitinhos na pasta até que... sei lá. Não tenho a menor pista de onde foram parar. Mas não podia atirá-los fora assim, não depois de tanta saliva gasta para convencer as meninas da escola que aqueles papéis que comprei na papelaria do japonês da rua de baixo eram de fato da terra antípoda de seu fornecedor... ![]() Eles ainda existem… O folhetim me ensinou Quem disse que novela não é capaz de dar importantes informações sobre como regrar a nossa existência? Eu aviso a vocês que já aprendi muita coisa assistindo a essas encenações da vida real. Exemplo: se um dia eu matar a Odete Roitmann, fujo do país antes que inventem um concurso para descobrir quem eu sou. Dizem por aí que a vida imita a arte. Ou é a arte que imita a vida? Ou é a Globo que imita a Televisa? Ah, não importa. O essencial é se despir de preconceitos e notar que as novelas podem prover milhares de ensinamentos. Eu tenho cá pra mim que esses toques abaixo devem ser usados por todo e qualquer humano interessado em melhorar de situação. Se eu ficar feiosa um tempo, ganho fortuna no final Não devo morar em distantes bairros cariocas Não posso ser muito boa ou muito má Não vou ficar muuuito amiga de ninguém Não darei bola pro Marcos Palmeira
Vai agourar o diabo, cara! Arapucas em domicílio Estou com duas manchas roxas enormes nas duas pernas, um pouco acima dos joelhos. É que toda vez que entro na cozinha, bato a coxa esquerda no móvel da TV. Toda vez que eu saio da cozinha, bato a coxa direita no móvel da TV. Não é apenas porque eu sou estabanada e ando pela casa saltitando mais do que pipoca na panela : é que acidentes domésticos acontecem com todo o tipo de pessoas – até as de mentira. Uma comida queimando no fogão, uma escorregada no piso molhado, uma prensada de dedo na porta da geladeira... Hollywood sabe bem como funciona a máxima “pimenta nos olhos dos outros é refresco” e adora exibir diversos acidentes do dia-dia em comédias para que todo mundo dê risada das trapalhadas alheias. Veja se você se lembra dessas aí embaixo. Com certeza já vivenciou na pele muitas delas! Cameron Diaz tropeçando no sofá em “As Panteras” Audrey Hepburn fazendo comida em “Bonequinha de Luxo” Robin Williams pilotando o fogão em “Uma Babá Quase Perfeita” Ben Stiller fechando a calça em “Quem vai ficar com Mary?” Pippin e Merry soltando fogos em “O Senhor dos Anéis” Macaulay Culkin passando loção em “Esqueceram de Mim” O peru murchando em “Férias Frustradas de Natal” Qualquer seqüência de “Um Dia a Casa Cai” ![]() Isso aí é auto-ajuda para estabanados!
Para fiar e saber o futuro Afora o período da infância, em que todo mundo tem mais ou menos os mesmos desejos – um pacote de pinos mágicos, um punhado de playmobils, um jogo Detetive – sempre fui chegada em ganhar presentes, por assim dizer, pouco ortodoxos. No Natal de 1992, por exemplo, ficou clássico o episódio em que pedi, ao invés da classe geral de presentes esperados pelos meus primos já adolescentes – perfumes Thaty, roupinhas da Pakalolo e afins – um livro, o “Boca do Inferno”, da Ana Miranda. E não foi nada mal: enquanto os vidrinhos de Thaty se esvaíram (graças a Deus) e as roupas da Pakalolo, se muito, viraram pijamas, a brochura com a história de Gregório de Matos permanece na minha estante. Mas ainda há, apesar de meus insistentes apelos, alguns objetos de desejo que ninguém quis me dar. Uma pena, pois tenho certeza de que eles seriam de muito bom uso. Ou não. Mas quem se importa? Eu daria tudo para, por exemplo, ganhar uma bela e antiqüíssima... roca de fiar. Acho aquilo algo de sensacional e mágico. Como, por Deus, as pessoas fazem fiapos de lã virarem fios? Sou apaixonada por rocas desde que assisti a “O Tempo e o Vento” empoleirada na cama da minha mãe, lá pelos idos dos 80. Ana Terra tinha uma roca. Por que eu não posso ter? Outra coisa bem bacana seria uma tábua ouija. Já procurei por toda parte e não encontro o infame tabuleiro, que se presta a trazer mensagens dos mortos. É um upgrade da boa e velha brincadeira do copo: ao invés de ficar recortando papeizinhos com letras e as palavras “sim” e “não” a toda rodada, basta todo mundo segurar o cursor de madeira sobre a tábua, que já vem com as letrinhas e tudo. Tá certo que a Regan, d’”O Exorcista”, não se deu nada bem com a brincadeira, mas eu teria mais cuidado. Por fim, outro de meus pedidos impossíveis – e acho que o mais fácil deles – é uma bola 8. Manja aquelas esferas pretas que você faz uma pergunta e sacode, e ela responde com uma seqüência randômica de frases padrão? É um brinquedo bem popular nos Estados Unidos. Em “Toy Story”, os personagens fazem uso dela várias vezes. Por aqui, eu teria de me conformar com o Guru do Gugu, o que está fora de cogitação! Das duas uma: ou alguém cria coragem e me dá qualquer um desses deliciosos objetos ou eu paro de assistir televisão. É tudo culpa da caixinha de imagens! ![]() Se não fosse a tv, eu nunca saberia da existência disso! Touch!!! Esqueça tudo o que você imaginou ser característica de chefe babaca. Acredite: o seu, por mais bisonho que pareça, não deve chegar aos pés desse moço que eu vou apresentar. O nome dele jamais será dito aqui, para preservar a peça rara. Na verdade, é para evitar processo mesmo... Essa figura enervante azucrinou a minha mente durante 8 meses. A da Vivi, por quase um ano. A da Clara, por cerca de 180 dias. Sim, é isso: foi esse o rapaz que, em 2001, mandou as três garotas aqui para o olho da rua. Fomos demitidas do site de Entretenimento/Prêmios/Uau!, como vocês sabem, no mesmo dia. Na hora do almoço. Antes do feriado de carnaval. Para efeito de texto, vamos dizer que o sujeito se chamasse Paulo. Vinte e poucos anos, bonitinho, sorridente, roupa sempre impecável, maneiras de garoto bem nascido. Olhando de longe, dava a impressão de ser o genro que mamãe pediu a deus. Isso se a mamãe batesse a cabeça num poste e achasse que um almofadinha sem espírito ou humor pudesse ser bom partido pra mim. No geral, não havia muito o que reclamar sobre o Paulo. Mas os problemas eram variados. Se ele tentava ser engraçado, soava idiota. Se pretendia ser durão, parecia uma tia velha. Queria ser gentil, merecia levar um soco. Não era de propósito, eu acho, mas o rapaz não tinha mesmo uma cabeça boa e interessante grudada naquele pescoço. Por exemplo: que espécie de mala chama as pessoas por apelidos coligados? Um dos garotos da redação chamava-se Franco. Ele TINHA que cumprimentar o menino, diariamente, dizendo sempre “bom dia, Franco Suíço!”. Ouvir uma vez, nos botou a gargalhar. Na centésima, quase jogamos a cadeira roxa nele. Adepto do sistema “Incentivo Meus Funcionários como um Monitor de Acampamento”, o Paulo tinha mania de hiper-valorizar. Sim, elogio é bom, mas vejam isso. Um dia, quando precisamos trocar os postos de trabalho de lugar, a Vivi sugeriu mudar os três ocupantes do mesão A para aquelas três estações vazias no mesão B. Simples como encaixar o rabo no burro sem usar a venda, né? Mas o chefe quase teve um espasmo: “Vi, mas que PUTA idéia!!!!!!” A pequena ruiva nem conseguiu agradecer, tamanho o susto... Fora isso, o Paulo ainda fazia coisas estranhas. A gente sempre se perguntou se o moço tinha estudado com professor particular, dentro do quarto... Sabe quando a pessoa não tem jeito de quem freqüentou a escola com mais crianças? Pois é. Ele achava, por exemplo, que o nome da dupla sertaneja era ChiRtãozinho e Xororó. ChiRtãozinho, com R?? Em que buraco essa criatura viveu, ninguém sabe. Mas sabemos por que ele ganhou entre nós o apelido de “baby carrot”, como aquelas cenourinhas bestas criadas em laboratório. Não bastasse ser zureta assim, o tal ainda ameaçava nossa integridade física. Um “olá” significava dois tapões nas costas – mesmo a gente sendo menina. Pior, só quando o Paulo ficava mesmo muito feliz. Porque, nesse caso, ele estendia a mão pro alto e nós éramos obrigadas a bater ali, como fazem os jogadores de basquete. Para acompanhar, o cabeçudo soltava um grito de “Touch!”, para vibrar com a palma batida. Dose... A verdade, porém, é que o pobre Paulo também sofreu conosco. Para combater a chatice dele, a gente ouvia “Total Eclipse of the Heart” em alto volume toda tarde, ria compulsivamente e tirava sarro sem discrição dos demais diretorezinhos da empresa. Muito bem... vai ver o rapaz mais pateta do mundo teve razão em se livrar de nós. Mas que se eu o visse hoje ia querer dar um “touch” naquela cabeça tonta, eu ia. Palavras do Mal, palavras do Bem Eu adoro aqueles desenhos que mostram um anjinho e um diabinho em cada ombro do personagem. O anjo, normalmente, transborda em palavras doces e sábias, indicando o caminho do Bem. O diabo, por sua vez, mostra-se dissimulado e tenta encaminhar sua vítima para um mundaréu de problemas. Caso eu tivesse duas mini-Vivis, uma boazinha e uma malvada, me acompanhando, o que será que elas iriam sussurrar no meu ouvido? Se a escolha coubesse a minha pessoa, gostaria de contar com os aconselhamentos de uma anja um tantinho maliciosa. E de uma diaba irônica e engraçada. Nem pro algodão-doce, nem pras labaredas de enxofre. Juntas, iríamos nos divertir horrores. Já pensou, assistir televisão e poder tecer todos os comentários maldosos com uma diabinha? Ou ter uma anjinha que nos apóie quando queremos falar um palavrão bem cabeludo? Mas como algumas coisas não são como a gente sonha, imagino se minhas duas consciências conflitantes resolvessem soltar frases comuns, que ouço normalmente – para a minha tristeza ou felicidade. A parte má falaria tudo o que eu mais odeio ouvir; a parte boa, tudo o que me alegra em escutar. Quer ver? Palavras do Mal Ai, credo, eu odeio gato! Mas você tem o rosto tão delicadinho! Olha, é o símbolo do “Charmed”” Escuta, é a música do “Charmed”! Não vai exagerar, senão você engorda, hein? Palavras do Bem É presente? Tem um pacote para você aqui embaixo Vamos tomar sorvete? Seu apartamento parece de revista! Imagine! Eu conheço o site há um tempão! Se a minha anja me disser uma dessas todos os dias, mando a diaba catar coquinhos. Vivi Griswold às 08:51 AM
Essas mulheres... Elas preenchem (ou preencheram) os meus dias – ou ao menos o horário nobre deles. Algumas são cheias de habilidades, como examinar cadáveres em decomposição sem vomitar ou tentar evitar que as pessoas se tornem um. Outras enfrentam monstros aumentados por uma criatura olhuda e ainda há aquelas que apenas pagam mico como ninguém. Ao fim e ao cabo, todas essas mocinhas foram inspiração para meu imaginário fértil e meio boboca. Onde as conheci? Na máquina-de-fazer-doudos, claro. São as minhas heroínas favoritas de seriados e eu daria um braço para ser qualquer uma delas. Tá, em alguns casos, negociaria só o mindinho... Change Mermaid, “Changeman” Elizabeth Corday, de “ER” Catherine Willows, de “C.S.I” Tess, de “O Toque de um Anjo” Samantha, de “A Feiticeira” Murphy Brown, de “Murphy Brown” Grace Adler, de “Will & Grace” ![]() Olha o pezão sujo em cima da cama, menina! Respeitável público, o meu irmão! Vocês podem pensar aí que não tem graça escrever sobre o próprio irmão. (Quase) todo mundo tem irmão, oras. Mas acontece que o meu é diferente. Ele deve ter sido trazido por alguma cegonha marciana ou gerado em laboratório – e depois entregue aos meus pais, que disfarçariam bem a chegada daquele ser estranho na Terra. Ou caiu do caminhão do circo, que é o mais provável. O principezinho do nosso lar é mais velho do que eu cinco anos. E três mais novo que minha irmã, a primogênita. Ou seja: não bastava o Ricardo ser o único menino, ainda é o “do meio”. Os “do meio” já são estrelinhas por natureza, mas o meu irmão vai além do infinito. Quando éramos pequenos, a coisa que mais me deixava invocada era quando a irmãzona dizia para mim, na frente dos outros: “tudo o que ele faz você aplaude. Por isso ele é aparecido, você é platéia de toda besteira que ele inventa”. Mas o que eu podia fazer?? O cara era (é) um showman, e eu era (sou) apenas uma garota em busca de diversão e gargalhadas! Não era minha culpa se o sujeito foi engenheiro criativo desde sempre. Eu brincava com os Playmobils no jardim ou na bacia d’água, ele montava teleféricos com barbante para o pequeno povo de plástico. Eu recortava casinhas de papel para armar, ele usava as casinhas como cenário do trem elétrico (que subia pelo sofá, descia pela prateleira ou carregava bolachas na carroceria). Tudo o que o pirado inventava era legal, engraçado e digno de uma salva de palmas. Até as imbecilidades do irmão eram hilárias. Não lembro a ordem correta dos acontecimentos, mas vejam isso: - ele já queimou o rosto fazendo balão-galinha com jornal; Duro mesmo é ter que admitir que 100% das coisas bestas-sensacionais que meu irmão fazia me davam uma inveja danada e uma vontade alucinante de fazer igual. Por isso aprendi a abrir a boca e mostrar a comida semi-mastigada lá dentro. E a pregar, diretamente na parede do quarto, centenas de recordes de revista de rock. Hoje ele já é mais discreto quanto à sua vocação para fazer espetáculo. A banda que o garoto mantinha, o fabuloso e meteórico “Alarme Falso”, ensaiou revival mas não vingou. O tal ainda toca baixo e guitarra como ninguém (não lembro dele ter ido em muitas aulas, pois o desgraçado aprende de ouvido). Ainda faz nojeira com a comida. Ainda é um ás do volante e ainda sabe coisas sobre todo e qualquer assunto, como se tivesse uma enciclopédia na cachola. Em compensação, agora que ele tem uma fada loirinha para tomar conta dele, o quarto do Ricardo já não parece um bairro bombardeado de Beirute, como na adolescência. Ele também não é mais um magrelo estudante de Rádio e TV, mas um rechonchudo que sabe absolutamente TUDO sobre construção de tramas e marquetingue aplicado à indústria têxtil. Tá com um jeito mais normal, é verdade... Mas à mim, sua platéia de sempre, ele não engana. O showman acaba de completar 34 anos em pleno auge do estrelato. Da vitrolinha para o CD player Eu não entendo essa nossa indústria fonográfica. Eu não entendo o funcionamento do marketing musical. Eu não entendo as regras do jabá. Eu não entendo por que a MTV Brasil exibe sempre os mesmos videoclipes. Eu não entendo como o lançamento do álbum “Superfantástico – Quando eu era pequeno...”, em 2002, passou despercebido. E eu não entendo como eu pude demorar quase dois anos para ouvir falar dele. Se você vir um CD cuja capa é um menino com uma careta emburrada e usando luvas amarelas de borracha, capa vermelha, camiseta estampada por um “S” escrito à mão, cueca rabiscada e galochas, agarre-se a ele. Ao disco, não ao menino. O despretensioso álbum é uma louvável tentativa de resgatar as músicas infantis dos anos 70 e 80 para trazê-las ao novo século e às crianças que hoje estão na casa dos 25 -35 anos. Como nós. Quem deu o pontapé inicial ao projeto foi Bruno Gouveia, vocalista do Biquíni Cavadão. Ele resolveu chamar várias bandas e artistas para darem outros arranjos àquelas canções que ouvíamos na tevê ou na vitrolinha e marcaram nossa infância. O resultado não é a obra mais coesa e perfeita do mundo, mas um pequenino CD que emociona em várias ocasiões. A primeira faixa é “Carimbador Maluco”, aquela pérola do especial “Plunct Plact Zum” que a Rede Globo exibiu em 1983. Originalmente interpretada com maestria por Raul Seixas, a canção é uma aula de bom humor e de como letras infantis podem ser criativas e divertidas. Foi o próprio Biquíni Cavadão quem ficou a cargo da reciclagem. Há ainda “Superfantástico”, o hino do Balão Mágico e de 10 entre 10 brasileiros que passaram pela infância há uns 20 anos atrás, assinado pela banda Penélope e por Arnaldo Antunes. Kelly Key (não, você não leu errado) canta “Doce Mel”, abertura do “Xou da Xuxa”, e realmente consegue nos transportar para uma manhã de algum dia de 1986. Capital Inicial faz “A Casa”, do sublime “Arca de Noé”, virar um punk rock açucarado. As meninas do SNZ repetem o legado de mamãe Baby e apresentam “Lindo Balão Azul”, do especial “Pirlimpimpim”. Tem até Jairzinho, agora como Jair Oliveira, fazendo uma versão de “Xixi nas Estrelas”. Há algumas faixas que soam estranhas aos meus ouvidos. Como não era nascida quando “Vila Sésamo” estreou, fico meio perdida ao ouvir “Alegria da Vida”, cantada por Zélia Duncan. O mesmo ocorre com “Cinto de Inutilidades” (Frejat), “Vigilante Rodoviário” (Branco Mello), “Sideral” (Leoni), “Funga Funga” (Uns e Outros) e “Hey Shazam” (Vinny). Mas as maiores pérolas do CD são duas outras regravações que fizeram escorrer aquela lagriminha de canto de olho – e justificam o investimento de duas dezenas de reais. A primeira é uma releitura fofa e cheia de barulhinhos de “O Relógio”, também da “Arca de Noé”. Dá vontade de sair dançando pela sala acompanhando o vocal de Fernanda Takai, do Pato Fu, com a letra que conhecemos tão bem de cabeça. A segunda é o que o disco tem de melhor: Los Hermanos com o maior clássico de “Os Saltimbancos Trapalhões”, “Hollywood”. Apesar de nada bater a interpretação original de Lucinha Lins (que contava com um coro de risadas de Didi, Dedé, Zacarias e o inesquecível Mussa), o quarteto carioca faz qualquer coração oitentista palpitar de emoção. O grande mérito de “Superfantástico – Quando eu era pequeno” é mostrar como era bom demais cantar aquelas canções – e como fomos sortudos por termos estado lá quando tudo era novidade. ![]() Parece a careta de caipirinha da Flá, né?
Recordar é viver Não esperávamos colher tantos frutos de uma idéia tão despretensiosa. Mas, para nosso espanto e deleite, descobrimos que há muita gente que também gosta de lembrar do pogobol, de comentar acontecimentos surreais e de rir, muito e à toa, da vida. Sim, nós somos fãs do passado – mas nem por isso deixamos de viver e celebrar o presente, o que é até fácil fazendo parte de um projeto tão bacana para nós como o Garotas! Por isso, como explicou Vivi logo nos primeiros bytes do dia, decidimos resgatar um pouco do que já fizemos de mais divertido. Como santo de casa não faz milagre, cada uma escolheu e comentou o que viu de melhor nos textos de outra. A pequena sereia falou de mim; Flá atacou o top ten de Vivi e, para fechar, apresento a última mocinha do trio. Ela adora usar preto, ostenta uma pequena tatuagem, já levou 21 pontos pelo corpinho depois de se cortar em acidentes infantis variados, gosta de garotos de óculos e, para quem não notou a informação contida discretamente no Quem Somos, foi a responsável pelo nome desse site. Com vocês, o… Top 10 de Flá Wonka 10) Estoque do bom 9) Entre a cruz e a caldeirinha 5) Saco cheio de vil metal 4) A ordem dos tratores não altera o viaduto 3) Erramos... e todo mundo leu 2) No tempo do mimeógrafo 1) Frodo, vai buscar carbono pautado? * * * * * * * Ahá, uhú! O Top 10 é nosso! Sim, crianças! O Top10 iBest Blog liberou seus resultados ontem e nós, humildes e rosadas garotas, estamos no meio – junto a muita gente bacana. Mas agora vamos rumo ao Top 3 – e para isso precisamos de sua preciosa ajuda, de novo. Então, não nos desaponte e vote clicando aqui!
A volta dos que não foram Se tem uma coisa pela qual eu daria dois dedos da mão, é um Túnel do Tempo. Pensando bem, um par de dedos sairia até barato por esse artigo fantástico. Imagine, ir e vir do passado conhecendo detalhes perdidos de nós todos! Bom, mas eu acho que meus dedinhos gordos vão ficar presos nas minhas mãos mesmo, porque Túnel do Tempo não existe. A não ser no Garotas! Voltar ao passado, aqui, é especialidade da casa! Como a Vivi contou no texto 600 – anterior a esse e que comemora seis centenas de historinhas publicadas por nós –, achamos por bem relembrar hoje artigos batutas que muita gente perdeu de vista. Escolhemos as pérolas de cada uma e convidamos todas a dar uma espiada. Vem, vai? Vocês não podem perder essa viagem ao recente passado do nosso site. Como Vivi apontou cedinho os melhores textos da Clara, e a Clara fará o mesmo, mais tarde, com os meus, os amados leitores já devem ter juntado A com B. É isso aí: seguem abaixo os melhores momentos da ruiva mais querida desse trio! Top 10 de Vivi Griswold 10) “Os seriados que fazem ‘ping!’” 9) “Quem escreve já cresceu” 8) “Tec Tec Tec” 7) “Quem disse que mãe sabe o que faz?” 6) “Lições de sobrevivência” 5) “Tapados do mundo, uni-vos!” 4) “Ligue djá!” 3) “O misterioso Xou da Xuxa” 2) “A vitrola gira e a saudade bate” 1) “Diversão Ilimitada” Nossas mães estão orgulhosas... A minha, pelo menos, já avisou a família toda que o Garotas alçou a lista do dez sites mais bem colocados no iBest na categoria Melhor Blog! “Graças aos leitores de vocês”, ela lembra. Mamãe é coruja, mas é justa... E é verdade que vocês fizeram sua parte, mas a conquista do topo do mundo ainda não foi concluída! Agora é partir rumo ao Top 3 – e você pode ajudar clicando aqui. Mamãe agradece a gentileza com lágrimas nos olhos... Clássicos de nós mesmas Imagine o trabalhão que dá fazer uma novela. Imagine escrever cada frase, ensaiar cada cena, costurar cada figurino, construir cada cenário. Depois que o folhetim acaba, lá se vão todos os rolos para o porão da emissora, enquanto a memória do público é lentamente ocupada pelo próximo título. Lutando contra o esquecimento de muitas obras, o que dona Globo fez? Inventou o tal "Vale a Pena Ver de Novo". Pois agora chegou nossa vez de resgatar – não novelas, mas textos antigos. E você decidirá se vale ou não a pena... ler de novo! Quando eu terminar este artigo de hoje e apertar o botão "publicar" de nossa ferramenta de postagem, ele será o número 600. Isso quer dizer que, desde a estréia do Garotas em abril de 2003, foram 600 textos para o ar, sem falhar um dia, mesmo quando o site tinha apenas três pageviwes (os nossos). Seiscentas histórias! De muitas delas você não se lembra – ou nem sequer chegou a ler. Aproveitando que o clima é de premiações aos melhores do ano passado, vamos celebrar nossos filhotes mais antigos e fazer um dia especial. Cada uma vai apresentar os 10 textos favoritos da outra. Eu vou revelar quais os meus textos preferidos escritos pela Clara. A Flá, daqui a pouco, mostrará quais os meus artigos de que ela mais gosta. Clara fecha o dia relembrando as pérolas da Flá. Fique à vontade para clicar em cada um deles e viajar no nosso curto – porém fértil – passado! Top 10 de Clara McFly Ela é dona de cabelos alourados e de um talento daqueles... Não, leitor! Estou falando de Clarinha, não da Sheila Mello! Também, duvideodó aquela oxigenada conseguir escrever uma linha sequer dessas pérolas abaixo... 10) "10 maneiras de irritar seu irmão" 9) "RG, por favor" 8) "Vá reclamar com a bispa!" 7) "Pode repetir - Parte 1" 6) "Os versos Chewbacca" 5) "Mulheres de capa e vida difícil" 4) "Para ele eu vou dizer sim" 3) "Sêo Penhor" 2) "É tudo verdade" 1) "Uma vizinha chamada Mirtes"
Ah, então é Melhor Blog, hein? Fechado! Chegamos à nova fase do iBest cheias de coraçõezinhos para dar e vender! Obrigada aos leitores queridos que colocaram o Garotas no top 10 da categoria Melhor Blog! Agora o cerco aperta ainda mais e existem apenas três vagas para a próxima rodada. Avise a mamãe e o vovô que já é hora de votar novamente para tentarmos chegar juntos lá no pódio. De que outra maneira conseguiremos fazer um pratinho caprichado cheio de coxinhas e empadinhas na festança dos nerds? Vivi Griswold às 09:30 AM
Feio, bobo e legal para caramba Ele é um dos maiores fãs do Garotas, embora não se arrisque a ler nada além das instruções dos aparelhos eletrônicos comprados por minha mãe (é da jurisdição dele instalá-los) e os livros do Harry Potter. Ele fez com que nascesse em mim tamanha fúria infantil que pensei em jogá-lo na privada e dar descarga. Ele passa horas arrumando o topete na frente do espelho (não sei pra quê, com aquela cara feia...) e consome quantidades cavalares de gel – depois, põe a culpa do pote vazio em mim. Ele está a torrar minha paciência há pouco mais de 20 anos e intensificou a encheção de saco há uns meses, porque quer de toda forma “aparecer na internet”. Pois bem, João, chegou a sua vez! Quando essa criatura nasceu, eu contava pouco mais de cinco primaverinhas infantis. Sabia ler, escrever, conversar com as visitas, contar historinhas, sapatear, cantar e entreter grandes quantias de público. Mas todo mundo que aparecia na minha casa ia para ver aquele pacotinho azedo, com cara de joelho e nenhuma habilidade artística. Até para arrotar o inútil tinha de ser posto no colo! Claro que fiquei inconformada. Os adultos da família me engrupiram por nove meses, com a história de que eu ia ganhar um amiguinho: "olha só que bacana, você vai poder brincar com ele!". Eu devia processar todo mundo por propaganda enganosa. Quando finalmente o rebento veio à luz, não sabia fazer ab-so-lu-ta-men-te nada – como convém a qualquer bebê recém-nascido. O problema foi ninguém ter deixado isso claro para mim antes. Foi quando, enlouquecida de ciúmes, planejei jogá-lo vaso sanitário abaixo e apertar a descarga. Mas desisti porque pensei um pouco melhor e logo vi que minha mãe ia dar falta – claro, agora ela só se preocupava com aquele embrulho que cheirava a leite! Humpf. As coisas começaram a mudar quando o João começou a crescer – e virou o bebê mais simpático do mundo. Especialmente comigo. Ele ria à toa e soltava deliciosas gargalhadas de bebê quando alguém chegava perto do berço. Nunca vi uma criança rir tanto. Comecei a mudar de idéia sobre ele. Mais um tempinho depois, ele ensaiava uns passinhos e balbuciava coisas engraçadas. E amava bolacha: era capaz de rastejar até perto da despensa e ficar apontando para o pote onde minha mãe guardava as danadas. Parecia uma minhoca de macacão pela casa. Depois de adquirir as habilidades básicas de andar e falar, o João virou um carinha legal. A gente inventava toda sorte de brincadeiras esdrúxulas. Quer dizer, eu inventava e ele topava tudo na hora. Se eu dissesse "vamos rolar na terra?", ele ia. Se eu falasse "fica quietinho aí dentro do guarda-roupa até eu abrir a porta?" e demorasse cinqüenta minutos para fazê-lo, ele ficava. Foi quando gostei dele de vez. A gente tinha umas brincadeiras muito próprias. Uma era a Folha Amarela. Eu barrava a passagem dele e dizia "folha amarela!". Então, meu irmão tinha de responder cores variadas até acertar qual era a que eu estava pensando. Para sacanear, eu inventava umas do tipo "cor-de-burro-quando-foge". Também costumávamos passar horas olhando para a cara do outro bem de pertinho e falando "olhando bem de perto, você parece um... mangusto". "E você parece, hum... uma lagartixa". O barato era arrumar bichos bem esquisitos. Mas a melhor de todas era o isquidum. A gente pegava todos – e eu estou dizendo realmente TODOS – os cobertores, colchas e edredons da casa, dividia em dois, se enrolava naquele volume de lã, penas e matelassê e andava pela casa toda, com a cabeça baixa e silenciosos feito monges beneditinos. O tour terminava em cima da cama da minha mãe, onde finalmente cruzávamos olhares e, de sopetão, jogávamos todo aquele pano para cima para começar a sambar e pular cantando "isquidum-dumdum, isquidum-dumdum!" Ah, sim!, já ia me esquecendo de dizer: o João continua bobo até hoje. (Bem, depois de descrever tudo isso, acho que nem precisava mesmo). E vai ficar todo cheio com esse texto. E eu não duvido nada que, daqui uns dias, ele bata na minha porta com uma pilha de cobertores, aquela cara de arteiro e os olhinhos brilhando para um revival do isquidum.
O que dizer de um garoto que usa um saco de supermercado na cabeça? É nóis nos bytes! Maga Patalógica do bem Desde que saí da casa da mamãe, passei a me virar com bem poucas peças de roupa – espaço reduzido, sabem como é. Hoje conto com apenas uns 10 cabides e quatro gavetas. Maníaca que sou, cada uma dessas contém um tipo específico de coisas. A saber, pela ordem: Meias e Itens Menores; Calças e Shorts; Blusas de Toda Sorte; A Fantástica Gaveta do Preto. Pode parecer esquisito para muitos (e eu sei bem que parece), mas eu uso preto pra caramba. Daí ter uma gaveta dedicada integralmente a essa cor. São peças de todo estilo, mas sempre em breu total. Só que muito mais difícil que manter essa turma de artigos longe do desbotamento, é agüentar a chateação alheia: “você veste muito preto! Tá depressiva?” Não! Eu não sou depressiva, não passeio por cemitérios de noite, não sou fã da Mortícia Adams, não limpo chaminés, não trabalho em mina de carvão. Apesar de um monte de gente associar o preto com baixo astral, eu garanto de pés juntos (aqueles que, aliás, também curtem bem um sapatinho escuro): eu sou feliz! E alegre, e contente e muito sorridente! Também não uso bastante essa cor porque quero parecer mais magra – contar com ilusões de ótica e mandar ver em pedaços e mais pedaços de bolo de chocolate não é política das mais esbeltas. Não há negro que resolva certos casos, e eu sou bem feliz com meus 61 kg atuais. Deve ser complicado entender, mas é isso: apenas acho que preto me cai bem e pronto. Há quem diga que é um absurdo usar tanto assim um tom que representa o lado negro da força. Os criadores de histórias também não ajudam muito a acabar com essa péssima fama. A Dona Morte é sempre retratada com um vestidão preto. Enquanto as fadas são rosadas e loiras, as bruxas são escuras e morenas. Anjinhos são branquinhos, demônios se envolvem em trapinhos de coloração preto-encarnado. Êta falta de criatividade! Se eu fosse escrever uma história funesta, o zumbi usaria verde-água. E a mocinha bacana, gentil e cheia de estilo vestiria, óbvio, um encantador longo negro. Por que sempre o que é angelical e inofensivo tem que ser descrito em tons pastéis, hein? Aposto que muito serial killer já apanhou suas vítimas por dirigir um Fusca azul-calcinha... De mais a mais, usar muito preto ainda me traz uma bela vantagem. Quando visto qualquer peça em cores, nem que seja uma meia, todo mundo repara e faz festinha. Como eu curto causar esse choque, às vezes até arrisco um rosa-elétrico ou amarelo-cheguei. Bom, a Maga Patalógica que habita em mim é mais divertida do que pensam.
Vai dizer que isso parece triste e feio? Pelados e autocolantes Quando revelamos qual seria o prêmio da nossa grandiosa Promoção de Natal, uma das prendas chamou a atenção de todos: o maço de figurinhas “Amar é...”. O que teve de leitor perdendo o controle, se descabelando, berrando, penhorando bens e prometendo até um Pogobol para cada uma de nós em troca das preciosas figurinhas... Tá certo. O frisson não chegou até o último item, infelizmente – senão, teríamos aceitado na hora! Ficou claro, porém, que muita gente tem saudades daqueles pedacinhos de papel autocolantes e mais açucarados que chupeta de caramelo da quermesse. Minhas memórias acerca do álbum de figurinhas não são agradáveis. Sim, eu tinha o livrão e passei muitas horas da minha infância tentando colar cada uma delas nos devidos retângulos numerados, tomando cuidado para não ficar torto. Posso contar uma história nojenta? Um belo dia, estava eu debruçada em cima do álbum, quando a vitamina de Neston que havia tomado minutos antes me fez, hã, passar mal. Não tive tempo de reagir e foi tudo no meu “Amar é...” quase completo. Aos prantos, pedi para a minha mãe lavá-lo, o que obviamente não funcionou. Ele acabou indo para o lixo e nunca mais comprei um pacotinho sequer. Até cerca de um mês atrás, quando estava com a Flá buscando itens para a cesta da promoção na feira de antiguidades do Bixiga. Passando os olhos em uma das barraquinhas, vislumbramos o grande maço cheio de peladinhos e pequenas mensagens apaixonadas, em uma caixa junto a outras quinquilharias. Compramos na hora, pois estava uma pechincha! Depois, nos sentamos para ler uma por uma e demos muitas risadas com as filosofias mais toscas do universo meloso e singelo do amor. Juntando algumas informações sobre a coleção na Internet – e recebendo do Inagaki um post antigo que ele havia escrito – descobri algumas coisas deveras interessantes. Não sei se o leitor se lembra, mas todas as figurinhas vinham assinadas. Eu sempre li “Kino”, achando ser esse o nome do desenhista. Mas não! É que assim como suas figuras, a caligrafia de Kim Casali não é lá das melhores. Ela é a mulher por trás daquilo tudo (devia ter adivinhado: nenhum espécime do sexo masculino teria a manha!). Segundo algumas fontes, Kim era uma inglesa radicada na Califórnia que, certa feita, caiu de amores por um italiano chamado Roberto Casali. Embebedada no néctar da paixão, ela começou a escrever para ele bilhetinhos cheios de desenhos, espalhando-os pela casa onde moravam, nos idos dos anos 60. Roberto, um exemplo a ser seguido por todos os namorados, guardou cada um deles. No início da década de 70, o casal resolveu vender os direitos dos tais bilhetes ilustrados e as imagens começaram a ser publicadas no Los Angeles Times, virando uma febre não só nos Esteites, mas no mundo inteiro. Os peladinhos aportaram no Brasil em 1978, quando a Editora Abril lançou seu primeiro álbum com figuras autocolantes – isso aconteceu um ano após Roberto, o “muso inspirador” de todo esse floreio, morrer vítima de câncer. Kim também já não pertence mais a este mundo desde 1997, e ultimamente é o filho deles, Stefano Casali, quem assume os desenhos com traços mais modernos. “Amar é...” continua sendo veiculado em diversos jornais e o álbum de figurinhas ainda funciona como uma carta de manga de muita empresa de publicações por aí. Isso sim é que é casal unido! Eles não usam uma peça de roupa há mais de 30 anos – o que por si só é um fato a ser muitíssimo admirado. Mas existem muitos outros motivos que explicam nossa fixação nos pombinhos. Alguns deles são as frases que acompanham cada uma de suas peripécias. E eis aqui as 10 mais surreais. Afinal, amar é... ... pôr um bilhetinho afetuoso na marmita dele. ... convidar a sogra para jantar fora com vocês. ... fingir nem haver notado aquela loura. ... deixar que ele conserte os encanamentos. ... deixá-la comprar uma peruca na esperança de que nunca a use. ... levar a lata de lixo para a rua. ... dar-lhe o talão de cheques para fazer compras com a melhor amiga. ... tirar os cabelos que caíram na pia do banheiro. ... permitir que ele fume o cachimbo à mesa, após a refeição. ... pôr no espelho um bilhete: “o chefe é você”. ![]() Pelados, autocolantes e amarelados
Pulgas, tapas e comidinhas plásticas – Parte 2 Como a gente podia passar tanto tempo diante de um punhado de bloquinhos, um teco de massinha ou qualquer coisa do tipo? Simples: nossa imaginação era ilimitada. E isso era adorável. Como prometi, completo aqui minha lista dos 10 brinquedos favoritos. Aproveito para agradecer os e-mails fofos que bateram em nossa caixa postal sobre os itens publicados ontem. Uma das mensagens deu conta de que uma leitora também tinha um Manequinho, e – pasmem! – o nome do boneco era esse mesmo… Aperte a lagriminha de saudade no canto do olho e prepare-se para tirar da caixa os fabulosos itens aí debaixo. 5) Ambulância do Doutor Sara Tudo 4) 60 Segundos 3) Super Massa Salão de Cabelereiro 2) Heleninha 1) O Pequeno Engenheiro
Ah, se os playmobils fossem um pouquinho menores... Foto: Memory Chips Confronto de hoje: Fábio vs. Léo Há mais mistérios sobre a terra onde rastejamos do que sonha a nossa limitada filosofia. Eu fico de queixo caído de pensar que nojentas claras de ovos podem virar um belo suspiro e que as girafas dormem apenas cinco minutos por dia. Mais do que tudo, porém, eu não canso de questionar: por que o Fábio Jr. nunca saiu da mídia e o Léo Jaime sumiu da tv e do rádio como que por mágica? Olha, eu não tenho nada contra quem aprecia o Fabião e sua voz... hum... expansiva. Pra mim, aliás, um sujeito capaz de entoar (em público!) versos como “Há uma estrela solta/ Pelo céu da boca/ Se alguém diz te amo” tem mais é que ser considerado muito corajoso. Mas por que o Léo Jaime foi esquecido dessa maneira? Não faz sentido. Vamos supor, então, que os dois entrassem num enfrentamento para saber quem deveria ter mais cartaz nos dias de hoje. Não se trata de gosto, mas de justiça. E eu sou imparcial. Fábio Jr. era um cantor romântico. Depois decidiu virar um ator-e-cantor romântico. Depois forçou ainda mais e virou ator-cantor-e-apresentador romântico. Não é muita melação para uma carreira só? Dá a impressão que esse senhor passa cantada barata até em poste de iluminação. Já o Léo... Não bastasse ser um cantor danado de bom – alguém discute que “A Fórmula do Amor” é uma das canções mais adoráveis dos anos 80? –, ele ainda desfilou seus dotes de interpretação pela telinha. Lembram que ele era um marginalzinho divertido em “Bambolê”? E outro marginalzinho mais divertido ainda em “Bebê a Bordo”? Fazer papel de salafrário é mais bacana que ser o “pegador da mulherada”, como Fabião. Placar até aqui: Léo Jaime 50 x 50 Fábio Jr.. Mas só porque o Léo também estava em “Rock Estrela” (argh!) enquanto Fabião estava em “Roque Santeiro”... Não precisamos, porém, ficar só no setor de habilidade artística. Os cabelos, por exemplo. Léo Jaime conta com lindos cachinhos desde sempre. Fábio Jr. faz questão de ostentar mullets desde sempre. Mullets, Fábio? Tenha dó. O pior é que ele fica jogando o cabelinho pra trás com a mão para fazer gênero, e a mecha deve ser a porção capilar mais ensebada da América. Por isso, há que se descontar 10 pontos de Fábio e somar 10 para o Léo. Daí passamos ao quesito casamento. Fábio Jr. foi casado com a Glória Pires. 10 pontos pra ele. Depois com outras 38 garotas e a Guilhermina Guinle – daí tirarmos aqueles 10 pontos dados anteriormente. E mais tarde, num acesso de marquetingue, o cidadão anuncia união com a Patrícia de Sabrit! Desconta 1.000 tentos aí, faz favor! O Léo? Bom, desconheço a vida amorosa do rapaz, mas ele NÃO casou com a Patrícia de Sabrit. Então soma 1.000 pontos. Acho que o placar final, pelas minhas contas, dá uma vitória esmagadora para o Léo Jaime, não? Pudera. Eu não sou imparcial coisa nenhuma e o cantor de “As Sete Vampiras” e “Conquistador Barato” é uma paixão pessoal. Que me desculpe o sujeito que esganiçava “As metades da laranja/ dois amantes, dois irmãos”, mas Léo Jaime ainda é fundamental. Mesmo num mundo tão cheio de mistérios.
Após essa sacolada, o Léo diria... “Brigadú”?? Pra lá de Trás-os-Montes Meu sobrenome é Agostinho. O sobrenome de solteira da minha avó paterna era Coelho. O sobrenome do meu avô materno é Teixeira. Quando eu era pequena, ficava de bico ao ouvir que eu tinha meu sangue lusitano estampado na cara – assunto que sempre estava em pauta por causa de minha insistência em usar um indefectível par de brincos de argolinhas douradas. “É a própria portuguesa”, falava a uma tia. Eu sou sim. Ainda que um pouquinho. Mesmo às vésperas de superar a última batalha da grande guerra que um dia trará para minhas mãos um passaporte italiano tinindo, graças ao lado da minha família comandado pelo saudoso Fiorello Rozzino, tenho de admitir que, pelo menos na matemática dos glóbulos brancos e vermelhos, estou mais para o time de Camões do que para o time de Da Vinci. O que tanto assombrava meus pesadelos infantis era associar o sangue lusitano ao bigode. A mãe de duas colegas com as quais eu pulava amarelinha de rua ostentava uma profusão de pêlos faciais que me botava muito medo. Nem tinha a menor idéia se ela era portuguesa ou descendente de, mas eu chorava com a possibilidade de ficar daquele jeito. Hoje eu sei que uma coisa não tem necessariamente a ver com outra, e que bigodes femininos são causados por umas pedrinhas num dos órgãos que ficam um pouco abaixo do umbigo. Viu como amadureci? Outra tristeza que o parentesco me trazia era ser obrigada a comer bacalhoada na ceia de Natal, como já contei aqui. Enquanto todo o resto dos lares estava sendo agraciado com um grande, macio e rosado peru ou chester, cheio de fatias de abacaxi e pêssego em calda, na casa da minha avó sempre tinha (e tem até hoje, religiosamente) o maldito peixe seco e salgado demais, cheio de anéis de cebola, pimentão de três cores, batatas e muitas azeitonas pretas. Apesar desse obstáculo, ainda é no quesito “comida” que meu sangue português fervilha de alegria e contentamento. Azeite, por exemplo. Se eu pudesse, tomava de gole como um licor. É só me dar uma garrafinha de um extra-virgem, um saco de pão recém comprado da padaria da esquina e um tantinho de sal que eu passo minutos de puro prazer, só chuchando os miolos naquele líquido oleoso que parece vir do céu. Tudo regado a um vinho do Porto, então... Outro vício é o tal de tremoço. As más línguas dizem que os garis têm o maior trabalho de limpar as cascas de tremoço depois das partidas de times como a Portuguesa paulista ou o Vasco da Gama carioca. Pode parecer exagero, mas eu sei bem o que é comer um grão-de-bico em conserva como se fosse pipoca. Só que essa descrição tosca não faz jus à delicia que é acabar com um pote de tremoço em frente à TV. E os doces? Adoro ler as receitas: todas incluem 30 dúzias de ovos, no mínimo – e só as gemas. Isso porque os doces portugueses foram todos inventados pelas freiras lá pelo século XV, que costumavam engomar os hábitos com as claras. Para não desperdiçar comida, elas, muito espertamente, inventaram os melhores, mais engordantes e mais amarelinhos quitutes que este planeta já conheceu. O mais famoso é o quindim. Porém, a lista é muito maior. Bote aí meu favorito, o pastel de Santa Clara. E também o pastel de Belém, a queijadinha de Sintra, o papo de anjo, o toucinho do céu, os ovos nevados, a barriga de freira. Todos com nomes impagáveis e com um recheio transbordando de creme. Se for depender do estômago, sou portuguesa com certeza. Mais do que galos de porcelana, lenços na cabeça e uma bela vista do Tejo. ![]() Muito giro, pá!
Pulgas, tapas e comidinhas plásticas Num mesmo dia, dava para pegar pulgas gigantes e coloridas com uma pinça idem; preparar uns lanchinhos para os clientes e socorrer um doente com a perna quebrada. Ou tentar encaixar um punhado de pecinhas correndo contra o cronômetro e construir cidades inteirinhas, com pontes, torres de relógios e casinhas enfileiradas. Que saudades dos meus brinquedos favoritos! Foi difícil fazer essa lista, pelo simples motivo de que continuo adorando brincar, até hoje. Então, tive de separar os brinquedos da infância (ao menos cronológica) dos que ainda lanço mão às vezes, como o Cara a Cara. Mas alguns minutos de memórias bastaram para que eu me lembrasse desses jogos e bonecos que me acompanharam nos doirados anos infantis. Aposto que pelo menos um você também tinha. Aposto que pelo menos um você também adorava. Aposto que pelo menos de um bom momento você também vai se lembrar. Hoje entram cinco deles, amanhã mais cinco. Tudo para prolongar ao máximo o delicioso exercício de relembrar. Abra o baú, espane a poeira e tire de lá… 10) Ursinho de pelúcia 9) Manequinho 8) Lanchonete Mc Donald’s 7) Tapa Certo 6) Pega Pulga
Êta solidão animada... Bom mesmo era ser criança e ter toda a tarde livre para inventar atividades absurdas. Quando eu era pequenina, brincar com água, passar cinco horas na rua jogando taco ou trazer amigos para comer bolo na cozinha era liberado. Mas nem sempre eu estava no espírito de interagir. E mesmo as tardes sem coleguinhas por perto, por incrível que pareça, eram o supra-sumo da farra. O responsável pelo começo disso tudo foi aquele sujeito tantas vezes reverenciado nesse site. Doutor Daniel Azulay, o mago da diversão oitentista, o gênio do desenho à mão livre, a babá televisiva mais competente que já houve. O tio e sua galera, a Turma do Lambe-Lambe (bonecos cabeçudos e estranhos, sim, mas adoráveis), rendiam horas de brincadeira no meu quarto. Eu não sei se toda criança fazia como eu, mas havia uma preparação ritualística para esperar o Daniel e sua gangue. Alguns itens, por sinal, eram indispensáveis para a tarde solitária ser realmente legal. A casinha de pano do Sítio do Picapau Amarelo A tv na janelinha Papel, muito papel Conjunto de hidrocor e demais acessórios Bolachas de leite Um copaço de groselha... com leite E ainda é. Só falta achar uma casinha. E as canetinhas. E o Tio Daniel, claro.
Perder uma tarde com esse moço não era tempo perdido Coelhos, noviças e bonecos de gelatina Entre um bloco e outro das atrações televisivas, estirpes das mais estranhas passeavam em nossa casa. Muitas vezes, nos convenciam a comprar um produto. Elas eram toscas e tinham pouca maquiagem marqueteira. Mas gostávamos mesmo assim. Chegou a hora de prestar atenção nos reclames, leitor – mas nem pense em usar o tempo do comercial para ir ao banheiro ou buscar um quitute na geladeira. Senão, você corre o risco de perder uma viagem às melhores propagandas dos anos 80. Hoje a publicidade nacional é altamente considerada no mundo todo e gastam-se rios de dinheiro em filmes de poucos segundos. Muitos contam com participações de modelos internacionais e atrizes da novela, computação gráfica de última geração, nomes de prestígio assinando cada peça, locações mais bem-montadas do que produção de Hollywood. Mas quando éramos crianças, tudo parecia ser tão simples! O máximo que se conseguia era misturar desenho com pessoas de verdade, ou acertar em cheio em alguns jingles inesquecíveis. E só. Lembra daquela época em que apelo popular não era diretamente proporcional a grandes vôos tecnológicos? Eu me lembro. E quero ver se você também se recorda daquela propaganda... ... da Caloi ... da Valisère ... da US Top ... da Sadia ... da Wrangler ... do Cornetto ... do Cremogema ... do Nescau ... das balas de Leite Kids ... do Suflair ... do Impulse ... do Neston ... do Quick ... do Chambinho ... da Royal ... do DD Drin ... da groselha vitaminada Milani ... da Faber Castel
Mãe Clarissa sabe tudo A internet revolucionou hábitos, instituiu costumes, derrubou algumas distâncias e criou outras – hoje, tenho amigos que fiz por e-mail e nunca vi pessoalmente, mas também passo anos sem encontrar velhos conhecidos porque ficamos matando as saudades só via correio eletrônico. Por ter sido popularizada há muito pouco tempo, poucas pessoas sabem utilizá-la adequadamente. Mas daí a achar que as ferramentas de busca são espécies de oráculos do mundo moderno já é demais – e, como diria o índio Cléverson, engraçado pra caramba. Como já contei aqui e aqui, me divirto por demais com as surreais buscas que trazem alguns internautas ao Garotas (elas ficam registradas no nosso contador de pageviews). Desta vez, reuni algumas pérolas que apareceram por lá tratando o sêo Gúgol como a pitonisa de Delfos, com verdadeiras e completas perguntas no espacinho destinado ao que você quer buscar. Como tal ferramenta de busca é muito boa, mas não é gente, não deve ter entendido as indagações que atormentam a alma desses pobres incautos. Por isso, se Gúgol, o Oráculo não fornece a resposta, Mãe Clarissa sabe – e diz logo! Então, preste atenção: quem sabe não foi você que entrou no Garotas buscando por... Como conquistar uma patricinha Por que as garotas não gostam de namorar um garoto nem um pouco gordo Como posso me comunicar com o FBI Qual o significado da palavra mamão Dar um basta na mão boba dos garotos O que fazer em momentos de tédio O Ministério do Futuro da Nação O filme está prestes a começar. Produção boba, gente relaxada na platéia. Eu e meu namorido no meio deles – que ser bobo e relaxado é lema de vida para nós. Três pessoas de uma mesma família chegam na nossa fileira de poltronas, pisam nos meus pés e sentam bem ao lado. A partir daí perdi o humor e comecei a pensar... ter filhos devia ser uma ação envolvendo liberação do governo federal. Que os céus me livrem de estar sendo chata. Mas tem explicação. Imaginem vocês que, com a minha curiosidade mórbida/ falta de educação, passei a ouvir a conversa daquela família. A configuração da cena: mãe lá no canto, pai no meio, filho (cerca de 13 anos, cabeludo, camiseta de banda metal que acabou antes dele nascer) colado à minha cadeira. O moleque diz assim: “vamos ver ‘O Retorno do Rei’ de novo na semana que vem, pai?” O genitor responde: “nem a pau, é muito comprido e eu não entendi nada”. O garoto de novo: “mas se você ler o livro vai gostar mais”. O abominável senhor, fazendo voz de indignado: “eu não leio nem revista, muito menos livro.” É nessas horas que eu queria saber lançar aquelas estrelas afiadas dos ninjas... Como é permitido dizer um negócio desses para um menino em pleno crescimento e formação? Fico maquinando se o tal homem também ensina ao filho que mulher tem mesmo é que esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque e que subornar guarda de trânsito economiza mais bufunfa do que pagar multa – que isso é “coisa de otário”. Somando a esse episódio o que ando ouvindo por aí – de questões filosóficas a surpreendentes ensinamentos de biologia –, pensei que poderia ser melhor se o presi instituísse um novo ministério. Destinado, basicamente, a preservar crianças de um destino terrível! O Ministério do Futuro da Nação seria uma realidade interessante. Funcionaria assim: o sujeito conhece uma moça adorável, eles decidem casar. Quando chega a fase de ter bebês, a dupla dá início ao processo. Preenchem um formulário com perguntas simples (nessa etapa passa todo mundo que, questionado sobre o nome que dará ao petiz, não responda coisas como “Michael Jackson Ferreira de Aguiar” ou “Britney Spears Nogueira de Melo”). Superado esse lance, vão para a entrevista. Lá o ministro só teria que checar se os candidatos a pai serão capazes de ensinar um pequeno humano a não crescer feito idiota. Não é questão de ter faculdade ou dinheiro, longe disso! É questão de saber trilhar o caminho do bem. Assim: Pergunta1 Qual presente vai dar à criança no aniversário de 7 anos? Resposta Errada: Uma metralhadora de plástico com mira de luz. Pergunta 2 Levar no shopping sábado de tarde ou passear no horto domingo de manhã? Resposta Errada: Shopping no sábado. Eles se divertem na praça de jogos eletrônicos e deixam o papai em paz. Pergunta 3 CD da Eliana ajuda a acalmar ataques de birra? Resposta Errada: Ô se ajuda. E ela é tão fofa e afinada... Principalmente quando canta “Po-le-ga-res/ Po-le-ga-res/ Onde estão?/ Aqui estão!” Até eu paro pra ver! Claro que essa idéia é besta, inútil, totalmente desprovida de senso e completamente fora de propósito. Não dá para selecionar quem será um pai divertido e instrutivo e quem será uma máquina de reproduzir cretinices. Mas tem panorama ainda pior: já pensou se, um dia, o Ministério do Futuro da Nação é criado e regido pelo tonto que “não lê nem revista, muito menos livro”??? Quem não é um pouco? Existe por aí um palavrão cheio de consoantes que é familiar para muitas pessoas, apesar da maioria não reconhecê-lo: kitsch. Aparentemente sem tradução específica, o termo vem do alemão “verkitschen” que, ao pé da letra, quer dizer algo como “baratear” ou “tornar popular”. Nessa salada que é a cultura pop – onde tudo tem mais rótulo do que a seção de laticínios do supermercado – ser kitsch é ser brega e cafona. Simples assim. Ou não? A coisa complica um pouco agora que o brega virou cult. Aposto que você tirava sarro daquele pingüim horroroso de porcelana que a sua avó mantinha em cima da geladeira, certo? Pois saiba que o mesmo item, colocado em uma casa moderna de hoje, é um toque de estilo e de personalidade. Veja bem: o pingüim continua o mesmo. O que mudou foi o olhar de alguns diante do que sempre foi um símbolo kitsch. Culpa do resgate das décadas de 60 e 70. Culpa da tal onda retrô. Culpa dos brechós, das feiras de quinquilharias e dos colecionadores de bugigangas. Graças a todos eles, podemos ser mais livres e ostentar com orgulho um pingüim em nossa geladeira ou uma lava lamp em nosso criado-mudo. Isso porque todo mundo é um pouco kitsch. Você também, admita! Jogue seus preconceitos pela janela e sinta-se à vontade para adquirir alguns dos itens abaixo... Toalhas de praia estampadas Souvenires de viagem Quadros que juntam ícones pop Bola de câmbio Flor de plástico com orvalho Anão de jardim Árvore de pedra brasileira Galos do tempo Cachorrinhos que dizem “sim” Se alguém tirar sarro, diga que é moderno. Você não estará mentindo. ![]() E eles se multiplicam!
Britney, sua brincalhona! Já comentei por aqui que, desde que mudei de endereço, tenho passado por provações fantásticas, como ir a reuniões de condô, ver objetos sumirem misteriosamente e tomar banho com o conteúdo do galão de água mineral. Mas nada tem sido tão edificante quanto ficar sem TV a cabo. Acontece que o condô não era cabeado – e é contra as regras desse microcosmo botar aquelas antenas pizza na fachada das casinhas. Então, começaram a passar aquele monte de fios grossos pelo subsolo há uns dois meses e meio. Daí, quebraram as instalações do interfone. E estamos sem previsão de conclusão do serviço todo. O fato é que, desprovida das atrações da TV por assinatura, além de ler, conversar e escrever mais, tenho também notado as coisas gozadas da TV aberta. E a melhor dos últimos tempos é, sem dúvida, o clipe da Britney com a Madonna, "Me Against the Music". Basta que eu ou o namorido identifiquemos os primeiros acordes da referida canção para corrermos para a frente da máquina-de-fazer-doido. O filminho simplesmente nos hipnotiza. Primeiro, lá está ela, loira como nunca, cabelos cuidadosamente desalinhados, vestida com um conjunto de gola-e-gravata igualzinho ao do Leão da Montanha. Ela dá uma olhada para a câmera, tão insinuante quanto uma das velhinhas da Liga das Senhoras Católicas olhando para um frango assado. Depois, começa a dançar com um montão de gente atrás fazendo os mesmos passinhos. Note que o grupo é etnicamente correto: atrás de Brit, figuram um negro e um oriental. Parece o Br’Oz, à primeira vista. Todos dançam igual, mas só até o finalzinho da cena, quando o coreógrafo deve ter falado: "ok, nestes últimos três segundos, é cada um por si e Deus pra todos". Acho que um quis aparecer mais que o outro e o resultado é uma coisa linda de se ver. É braço e perna para tudo que é lado – inclusive os braços e pernas minhas e do namorido, que se esticam para o ar de tanto que estamos rindo e se agitam em mini-ôlas comemorativas. Ao longo do vídeo, a recém-casada-e-rapidamente-divorciada passa por vários cenários, sempre perseguindo Madonna. Um deles é o que a cantora chamou, no "Making the Video", de "sala do hip-hop" – um cantinho do estúdio grafitado meio mal e porcamente. E tem a "sala das garotas", onde ela aparece dançando só entre meninas. E eu adoro quando os artistas ficam tentando dar explicações conceituais para seus veículos de divulgação. Enquanto isso, Madonna vai aparecendo numas televisõezinhas em todos os cantos pelos quais a ex-virgem passa. A certa altura, elas quase se encontram. A tela se divide com uma parede que mostra, de um lado, a mãe loura do pop moderno e, do outro, a garota que queria só mais um tapinha. Elas estão pertinho e não sabem – apesar da parede que claramente se mexe entre um passo de dança e um encostão mais forte. Preste atenção, é sensacional. Para finalizar, depois que as duas finalmente contracenam, se contorcendo e roçando de maneira inexplicável numa armação de cama sem colchão (?!), Brit encontra Madonna num labirinto com paredes de madeira e, quando literalmente encosta a senhora Guy Ritchie na parede, ela some, deixando a princesinha do pop com aquela cara de peixe, olhando para o nada – esse é, para mim, o ápice do clipe. Na minha opinião, essa expressão final mostra que Britney realmente se diferencia da média na capacidade de interpretação. Ela mereceu a estrela na Calçada da Fama. Aquilo requer muito não-talento dramático. Por que não é qualquer um que é capaz de fazer aquela cara de paisagem depois que quase beijou a Madonna. E é por isso – e por outras, como nosso senso de humor mórbido – que o namorido e eu não perdemos uma apresentação sequer do fabuloso e altamente recomendável "Me Against the Music". É uma verdadeira lição de vida. Ok, não é. Mas que pode fazer você chorar de rir, ah!, isso lá pode.
Saída pela direita... E o vencedor do Oscar é... ... uma obra que poderá sumir no limbo da memória a qualquer minuto. Foi essa a conclusão que tirei checando filme por filme que concorreu e levou a estátua dourada nos 75 anos da premiação. Entre pérolas trash e competidores absurdos, salvam-se até um bom punhado de produções. Mas também dá para perceber que nem sempre a disputa foi séria, viu? Onde já se viu, por exemplo, premiar “Conduzindo Miss Daisy” em vez de “O Campo dos Sonhos” ou “Sociedade dos Poetas Mortos”? Em 1989, eu acho, dramas inter-raciais com velhinhos chocavam e emocionavam mais que jovens atirando contra a própria cachola. Ou o Kevin Costner atuando bem. Se eles soubessem que depois o moço ia praticar o mal com “Waterworld”, teriam premiado ele com certeza! Essa análise dos vencedores e perdedores não começou de graça, não. A Ni Enterprises está trabalhando em um projeto sigiloso relacionado com o próximo Oscar – e ficou por minha conta tabelar os indicados de toda a história. De 1927 a 2002. Meu braço dói, mas a diversão é tão grande que não consigo tirar o sorriso da cara. Como não gargalhar e rolar pelo tapete abraçando a barriga sabendo que “Uma Secretária de Futuro” foi indicado ao Oscar 88 (boa Sessão da Tarde... Mas era com a Melanie Griffith, por deus!)? E que “E.T.”, um dos filmes mais mágicos e especiais de todos os tempos, perdeu pra “Gandhi”, um dos filmes mais monótonos e aborrecidos de todos os tempos, em 1982? Na boa, gente: eu acho que distribuem caninha Velho Barreiro para os tios da Academy of Motion Picture Arts and Sciences. Só assim para premiarem, em 1981, “Carruagens de Fogo” em vez de “Os Caçadores da Arca Perdida” (alguém aí deixaria de ver o Indiana no poço de cobras para acompanhar a correria dos rapazes?). E “Noivo Neurórico, Noiva Nervosa” no lugar de “Guerra nas Estrelas” em 1977. Tudo bem, isso é só opinião de quem aprecia muito filmes de ação aventuresca. Mas o que dizer sobre a derrota da “Cleópatra” de Elizabeth Taylor para um tal de “As Aventuras de Tom Jones”? Não sei que filme é esse, mas já peguei birra. Ilustres anônimos permeiam toda a trajetória do seo Oscar. Nunca assisti “No Calor da Noite”, o grande vencedor de 1967. Não tenho a mais remota idéia do que se tratam “Passagem para a Índia”, “Um Lugar no Coração” e “A História de Um Soldado”, concorrentes de 1984 que perderam para “Amadeus” (ao menos uma justiça foi feita). Assim ficava fácil faturar o segurador de porta mais caro do mundo e discursar até a musiquinha subir de volume, hein? Nem todas as disputas foram essa baba, por outro lado. Ainda não engoli a cerimônia de 1996, vencida por “O Paciente Inglês”. A história lacrimosa concorria com “Fargo”, “Jerry Maguire – A Grande Virada”, “Segredos e Mentiras” e “Shine”. Era para ter ganho? Não! Mas a briga foi de peixes grandes e competentes, então até passa. Dose foi agüentar “Shakespeare Apaixonado” vencendo “Elizabeth” em 1998! E Gwyneth “Sou Aguada Mesmo” Paltrow roubando o prêmio da talentosa Cate Blanchett pelos mesmos filmes! Mas isso é briga pessoal de atrizes, e eu não cheguei ainda na tabela dessa categoria. Tenho certeza que as surpresas serão até mais bizarras. Trabalho bom é esse aqui!
"Gandhi" melhor que isso??? Nem no Oscar do Mundo Bizarro Os nomes que a fama dá Sabe quem é Carlos Irwin Estevez? Já ouviu falar na Cherilyn La Piere Sarkisian? E o Yorgos Kyriatou Panayiotou soa familiar? Sim, você conhece todos eles, leitor. Mas nem precisa forçar a cachola, porque cada um atende por outro apelidinho. Carlos virou Charlie Sheen, Cherilyn ficou sendo Cher e Yorgos, por incrível que pareça, ganha a vida como George Michael. Assim é a fama: além de dar muito dinheiro, carros, mansões, iates e amantes, obriga suas vítimas a adotarem o chamado “nome de guerra”. O céu é o limite para a mente criativa desses integrantes da classe artística. Enquanto a maioria, para não arriscar, acaba apenas encurtando o nome completo para dois termos, outros piram na batatinha, escorregam na casca de banana, enfiam o pé na jaca e chutam o quiabo. Agora vamos parar com o papo hortifrutigranjeiro e ver como a nata das personalidades brasileiras preferiu ser chamada. Mamãe que deu Filhotes de chocadeira No mundo animal É bronca? Intelectual e conceitual Conta outra Letras a mais Gringolândia Pleonásticos Mesa branca
Errar é humano, mas isso já é demais... Às vezes, eu cometo um deslize como esquecer o aniversário de alguém ou deixar de tirar a carne para descongelar para o próximo almoço. E fico me culpando horas e horas por esse mísero errinho. Mas cheguei à conclusão de que sou uma tonta mesmo. Afinal, há mais e maiores cagadas registradas na história na humanidade – e com desfechos muito mais funestos que o esquecimento do natalício de um amigo ou o bife ainda congelado às 11:30. Pensando nisso à guisa de consolo, acabei por selecionar dez idéias da mais estúpida estirpe, já levadas a cabo por algum exemplar da espécie humana. O mais curioso é que tais projetos tinham tudo para dar errado, e isso parecia ser mais que sabido à época de sua execução. Mesmo assim, as bravas criaturas responsáveis por essas imensas bobagens seguiram adiante. Afinal, por que diabos alguém (ou muita gente) teve a idéia de... ... chamar os Hell’s Angels para fazer segurança de um show? ... não botar botes suficientes no Titanic? ... invadir a Rússia no inverno? ... bombardear Pearl Harbor? ... botar para dentro da sua fortaleza um estranho cavalão de madeira? … fazer a final da Supercopa São Paulo de Juniores num estádio em obras? ... eleger Hitler? ... eleger Sharon? … passar a noite na casa do Michael? ... estrelar "Glitter – O Brilho de uma Estrela"? Inanimados uma ova Minha mãe já me dizia: “ô, tontinha, não brinca com a comida...” Sempre imaginei que ela dava essa coordenada tão comum para que eu comesse tudo, ficasse forte e crescesse até os 1,72 m que somo hoje. Mas será que me enganei? Mamãe dizia aquilo por que, a qualquer minuto, pratos, garfos e até os alimentos poderiam mostrar que possuem vida??? Ahhh!!! Que me amarre a primeira fivela da camisa de força quem discordar: alguns objetos possuem SIM vida própria. Deveriam ser artigos manufaturados inocentes e sem vontade. Mas é tudo fingimento. Quando você menos espera, lá vão eles atacar! Cuidado, gente! No momento em que estivermos mais distraídos, essas coisinhas ardilosas dominarão o planeta! Fiquem atentos, especialmente, aos seguintes itens: Fitas colantes Fatia de pão com manteiga Sabonetes Sacolas de mercado A cachola do Baltazar Saudades do vinil furta-cor “A matéria-prima básica empregada na fabricação deste disco é a mesma dos discos comuns, ou seja, vinil puro. Apenas os pigmentos são alterados para cores alegres ao invés do tradicional preto, a fim de tornar o aspecto exterior mais agradável às crianças. Portanto, todas as suas características e qualidades são idênticas as dos discos comuns. Especialmente a durabilidade e conservação das agulhas das eletrolas”. Esse era o aviso que vinha na capa de todos os coloridos exemplares da Coleção Disquinho. Quem não se lembra daquelas bolachinhas amarelas, azuis, verdes, rosas e vermelhas é mulher do padre. E digo mais: mulher do padre com uma verruga fedorenta e peluda na ponta do nariz. Tá certo, não vou jogar praga nas pobres almas sem memória: tia Vivi está aqui para relembrar essa maravilha da infância. Quando eu era criança, tinha uma vitrola vermelha em forma de maleta, cuja tampa também fazia as vezes de caixa de som. Se não estivesse ocupada cantando minhas canções infantis favoritas (veja aqui e aqui) com toda a força de meus pequeninos pulmões, estava deitada no sofá completamente absorta no mundo do faz-de-conta para onde a coleção Disquinho me transportava. Era só colocar a agulha no começo do vinil furta-cor e o polegar direito na boca e pronto. Cada disquinho narrava uma história: “Branca de Neve”, “O Patinho Feio”, “João e Maria”, “O Gato de Botas”, “Chapeuzinho Vermelho”, “Alice no País das Maravilhas” e muitas, muitas outras. As aventuras de príncipes, princesas, animais falantes e crianças perdidas eram contadas em um português perfeito e com uma acentuação digna de atores (e eram atores, do Teatro do Disquinho). Eu nem piscava com medo de perder alguma parte importante - mesmo já tendo decorado todas as falas. Decorei tanto que ainda me lembro de várias. “Cale a boca, malcriado, se não quiser apanhar. Seu irmão nasceu agora e precisa descansar”, dizia a mamãe pata para um de seus filhotes que já havia tirado sarro com a aparência do Patinho Feio. E as musiquinhas? As da história do cisne nascido em lugar errado eram assim: “Quá quá quá como estou feliz/ hoje é o último dia/ vão nascer os meus patinhos/ finalmente que alegria/ Vou ficar juntinho deles/ numa vida muito boa/ passeando no terreiro/ e nadando na lagoa”. Quando o feioso resolveu fugir da família pato, cantava “Vou me embora pra bem longe/ esta é a triste verdade/ talvez eu sozinho encontre/ a paz e a tranqüilidade”. Eu choraaaaaava. Outra favorita era a história dos irmãozinhos João e Maria que se perderam na floresta - pois tiveram a brilhante idéia de marcar o caminho com pedacinhos de pão, mesmo com um monte de passarinho à solta - e foram parar na casa da bruxa feita de doce (a casa, não a bruxa). Quando eles estavam felizes, cantarolavam: “Pelas matas pelos bosques/ beleza maior não há/ desde a florzinha que nasce/ ao canto do sabiá” e “Suas asinhas ligeiras/ cheias de graça e beleza/ precisam de todo o espaço/ que lhes deu a natureza”. Ô saudade! Não fique achando, leitor, que a brilhante coleção era privilégio de quem passou os tenros aninhos nos anos 80. Os disquinhos foram lançados na década de 1960 e atualmente podem ser encontrados em CD, pela bagatela de R$ 9,90 cada um. Pena que não é colorido. Será que dá para pintar com canetinha? ![]() Vale a pena ouvir de novo Nota 1: Um leitor atento disse que o CD da coleção Disquinho é colorido sim. Ainda não comprovamos a autenticidade da informação, uma vez que a fonte é, comprovadamente, viciada em Fanta Uva. Nota 2: Descobri que existe para vender uma coleção da coleção Disquinho, com nada menos do que 12 historinhas completas. Apesar de não estarmos ganhando um tostão nisso, acho por bem dar a dica. Interessados saudosos, cliquem aqui - serão os 36,50 reais mais bem gastos de suas vidas. Ou não. Vivi Griswold às 09:18 AM
O referido é inventado e dou fé Eu juro que tentei. Mas foi impossível compreender o que o sêo Rumsfeld, Secretino de Defesa dos Estados Unidos, declarou ano passado a respeito das armas químicas que supostamente estariam escondidas no Iraque ameaçando a paz e a segurança mundiais – uma das razões para que a trupe de Tio Sam justificasse seu ataque ao país. Quer tentar? Então, olha só... "Relatórios que dizem que alguma coisa não aconteceu são interessantes porque, como sabemos, existem coisas sabidas que sabemos; existem coisas que sabemos que sabemos. Também sabemos que existem coisas sabidas que são desconhecidas; quer dizer, sabemos que existem algumas coisas que não sabemos. Também existem coisas desconhecidas que desconhecemos, ou seja, aquelas que não sabemos que não sabemos". E aí? Pegou alguma coisa? Nem eu. O que me leva à conclusão de que as tais armas químicas, como diria o Padre Quevedo, "no ex-sistem". Assim como uma série de outras coisas muito faladas e difundidas por esse mundo velho sem porteira. Mas chegou a hora de saber toda a verdade, caro leitor. Prepare-se para o choque, pois tenho boas razões para afirmar que as coisas aí abaixo são fruto da pura imaginação do milho verde – ou de algum engraçadinho que conseguiu pegar a todos nós. Maratona Centro de Pesquisas Vasenol J.D. Salinger Suriname
Diz que aí é o Suriname, mas não podia ser o Mato Grosso? Lênin ficaria orgulhoso! “Antigamente meu filho não chegava assim cansado do trabalho.” A constatação é de Christiane, uma senhora alemã que se encontra acamada por problemas de saúde. Mas a singela afirmação significa muito mais do que essas poucas palavras. Que o diga Alexander, o precioso filho dessa dama socialista. Essas pessoas eram para ser irreais, criadas para nos entreter durante duas horas dentro do cinema. Mas, assistindo “Adeus, Lênin!”, é fácil ver: Christiane e Alexander são a verdade mais pura que o socialismo criou. Ok, melhor falar do filme e explicar por que ele é uma das melhores produções de 2003 – ao menos na modesta opinião desta escriba que apreciou a obra, ontem, entre pipoca e refri imperialista. Tudo começa nos anos em que a tal Cortina de Ferro ainda existia para separar a Europa entre socialistas e capitalistas. Um dia, o pai de Alexander deixa a família para ir à Alemanha Ocidental comprar cigarrinhos e nunca mais volta. Sozinha, mamãe Christiane cria os filhos e se torna defensora ardorosa do sistema político na então Alemanha Oriental. Mas Alex e sua irmã, Ariane, crescem – e o tédio que o regime acarreta começa a fazer diferença. Em certa noite de 1989, entre uma mordida na maçã e olhares trocados com uma garota bonita, Alexander participa de uma manifestação a favor do direito de ir e vir. Batata: acaba preso. Pior batata ainda: sua mãe-do-partidão vê tudo, tem um enfarte e entra em coma. Daí por diante o que poderia virar um grande dramalhão vira, isso sim, um filme extremamente bem humorado e consciente. Nos oito meses em que Christiane fica no hospital, atada nos tubos, o Muro de Berlim vai a baixo, Alex perde o emprego, Ariane vai trabalhar em um Burger King e a Alemanha vira uma coisa só. Uma coisa só que dá show e ganha a copa de 1990, por sinal... Quando a bela adormecida volta a si, nada é como antes. E como contar à “mutter” convalescente que não existe mais partidão? Nem o sistema antigo? Nem pepinos Spreewald??? Alexander, o antes cabeça-de-vento, decide forjar a realidade: com artimanhas dignas de mágico, o devotado rapaz recria o universo socialista – e até vai além de vez em quando – para não chocar a enfartada. Como eu já contei que não sei separar as coisas e confundo ficção com realidade, foi assim: o doce Alexander já ganhou lugar cativo no meu coração. Não só por ser uma graça, mas também por fazer da coca-cola... uma invenção socialista! Isso o filme explica melhor. Por que, é claro, eu já estou contando que vocês vão logo loguinho quebrar o porco-cofre e correr pro cinema assistir “Adeus, Lênin!”! O filme recebeu uma penca de prêmios importantes. Espera-se que chegue junto no Oscar de 2004 também. Mas quem liga? O que vale mesmo é apreciar Daniel Brühl interpretando Alexander com uma competência adorável, atentar para a trilha sonora – do mesmo gênio que produziu “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” – e reparar bem na cena em que a estátua de Lênin atravessa a cidade levada por um helicóptero. Uma das melhores que já vi, sem dúvida. “Antigamente meu filho não chegava assim cansado do trabalho.” Christiane diz isso sem imaginar que Alexander corre meia cidade para que ela não saiba da unificação alemã. Mas eu acho que quer dizer também que o capitalismo nos faz trabalhar como jegues. “Adeus, Lênin!” é assim: um pouco de crítica, um pouco de humor, um pouco de emoção, um pouco de política. O careca ficaria cheio de si...
Olha o Alexander começando a zona toda! Só o uni-duni-tê resolve Eu sempre fui boa aluna. Nunca peguei recuperação e caprichava até demais nos trabalhos. Passei no vestibular na primeira tentativa e cumpri os quatro anos com dedicação. Minha memória ainda funciona a mil. São raras as vezes em que me foge o nome de alguém, e até que sou uma ótima fisionomista. Além disso, deixo claro que não sou dona de um fiozinho de cabelo loiro sequer. Então me explica porque certas coisas aparentemente simples não entram na minha cachola nem por decreto? Há um grupo de pessoas, lugares, termos e personagens que, como o leitor poderá ver a seguir, dão um curto aqui nas células cerebrais e daí não há santo que consiga ligar dois pontos. Sabe quando você pensa em uma personalidade mas se pega falando sobre outra? Ou quando o nome de um cantor lhe foge e sua mente acaba fazendo uma substituição nada a ver? Por favor, diga que sabe. Assim eu me sinto um pouco melhor por confundir, toda vez... ... Louis Armstrong x Neil Armstrong ... Tim Robbins x Tim Burton ... Oscarito x Grande Otelo ... Nelson Rodrigues x Nelson Gonçalves ... Gaulês x Galês ... Humphrey Bogart x Clark Gable ... Jewel x Dido ... Antártica x Atlântida ... C-3PO x R2-D2 ... Atacado x Varejo ... Robert De Niro x Al Pacino ... Escrava Isaura x Sinhá Moça ... Ginger Rogers x Gene Kelly ... Priscilla Presley x Lisa-Marie Presley ... Mário de Andrade x Oswald de Andrade ... Jackie Chan x Jet Li ... Direita x Esquerda Se é que existe algo em mim com tal característica. Vivi Griswold às 09:32 AM
Gente em caixas Eles são conhecidos por gerações e gerações, que se acostumam a vê-los quase todos os dias, em todos os lugares: dentro do armário da cozinha, na penteadeira, na lavanderia. Mas, ao contrário das celebridades mais expostas, esses abnegados não ganham cachês milionários – até porque alguns são fruto da imaginação dos desenhistas de embalagens. A trupe de pessoas cujas caras estampam embalagens é bem grande. Fora os clássicos, existem muitos produtos – especialmente de higiene pessoal – que gostam de botar em seu invólucro uma carinha feliz. As caixas de jogos e brinquedos também estão salpicados de rostos, às vezes de crianças bochechudas anônimas, às vezes da Eliana, do Gugu e de outros ídolos sem sobrenome. Mas vamos nos debruçar sobre a gente de bem que emprestou sua identidade para decorar o embrulho de víveres tão díspares quanto palitos de dente, perfumes de gosto duvidoso e aveia em flocos. Com vocês, dez dos maiores e mais inesquecíveis exemplares do povo, de carne e osso ou de pena e papel, das embalagens! 10) Cera Parquetina 9) Leite Moça 8) Casa do Pão de Queijo 7) Lux Skincare Glicerina 6) Chocolate em pó 5) Aveia Quaker 4) Azeite Maria 3) Seiva de Alfazema 2) Cigarrinhos de Chocolate Pan 1) Palitos Gina
E se ela se chamasse Rosana? Se aquela grana fosse minha... Como faz questão de dizer orgulhosamente a senhora minha mãe, eu fui uma criança muito de bem com a vida. Não tenho traumas de quase nada que me aconteceu – exceto do dia em que meu pai me mostrou uma carcaça de peixe e eu tive que tomar água com açúcar. Mas quando o assunto é brinquedo, tenho muitos lamentos chorosos a fazer. Agüentem. Nunca fui de pedir presente. Acho um saco quando me perguntam “o que você quer ganhar?” até hoje. Ô gente mais sem criatividade... Custa botar a cachola pra funcionar e inventar um presente bacana? E olha que eu faço festa até com bola de meia. Meus pais não perguntavam muito. Eu pedia pouco também. Juntando A com B, deu na frustração que deu. Bom, eu recebi muito presente fantástico dos meus pais, conforme sonhado. Num Natal, ganhei uma linda bicicleta Caloi dobrável verde-musgo. No outro, uma boneca Mimadinha (que quebrou no primeiro dia de uso, pena não existir Procon naquela época). Tive ainda os patins de plástico que tanto quis, o Detetive que morri de jogar e até uma espetacular, celestial e barulhenta máquina de escrever Olivetti azul-Fusca! Mesmo assim, fiquei sem certas preciosidades da infância 80. Não me conformo! Alguns eram caros mesmo, mas outros... mãe, explica por que eu não ganhei??? Cai-não-cai Genius Bate-palminha Jogo da Vida Pense Bem Mobilete Pogobol
My preeeeeecious... come to Flávia! Nada é o que parece ser Estamos sendo enganados. Não eu, ou você, mas a humanidade toda. Fatos são encobertos, verdades são distorcidas, boatos são desmentidos e lendas urbanas são semeadas. Enquanto isso, pessoas permanecem conformadas com a rotina de ir para o trabalho, depois para a academia, para a mesa de jantar, para o chuveiro e para a cama, completamente alheias ao que está lá fora. E há alguma coisa lá fora. Ou vai me dizer que você não acredita em conspirações? Para quem se interessa por algumas dessas histórias extraordinárias que sempre envolvem o governo dos Estados Unidos, a CIA, o FBI, Fidel Castro, os Kennedy, Atlântida, os aliens e os Homens de Preto, para dizer o mínimo, ou para quem acha que tudo isso é uma grandessíssima balela, a dica quente é a seguinte: o livro “Conspirações - Tudo o que não querem que você saiba”, escrito pelo jornalista Edson Aran e devorado por esta redatora em três noites, devidamente acompanhada por um saco de maçãs da Mônica. Por que diabos as maçãs da Mônica são as melhores? Seria essa uma conspiração do mundo hortifrutigranjeiro? Trocando em miúdo, o livro de Aran é uma compilação das melhores teorias conspiratórias organizadas em verbetes cheios de informações e dicas – marinadas em uma deliciosa (e muitas vezes hilária) linguagem. Eu o li da primeira à última página, nessa ordem, porque sou uma garota cartesiana. Mas um verbete leva a outro, que leva a outro, e você pode ler a obra como quem navega pela Internet. Vai do gosto do freguês. Desde os lemurianos até o 11 de setembro, tudo está lá. Ou melhor, quase tudo. Eu, particularmente, senti falta de um verbete sobre o Elvis (que não morreu naquele fatídico 16 de agosto de 1977) e sobre a Marilyn (que morreu de morte matada, com certeza – ou não). Mas o ponto mais do que positivo no livro é mostrar conspirações 100% nacionais, como o E.T. de Varginha, o caso P.C. Farias, Badan Palhares, a Elba Ramalho chipada e a tal instalação ultra-secreta nos confins da Unicamp. Como uma crente nos mistérios desse universo muito louco da pesada no qual somos apenas um grãozinho de areia, tenho cá minhas conspirações favoritas. Inspirada nas páginas da obra de Aran – e emprestando dela algumas informações preciosas – vou pedir licença e mostrar quais as teorias que mais agradam aos macaquinhos no meu sótão. Escritores do capeta Pão-de-queijo do outro mundo O verdadeiro Graal A Terra é um grande Piraquê de queijo Controle populacional Êta família pé-frio Pisou na bola, hein? A conspiração da conspiração William Campbell rules Lembre-se de que você tem todo o direito de desacreditar. Só não perca o bom humor, porque daí é que vamos todos parar na terra oca mesmo. Vivi Griswold às 09:23 AM
Do macaco-rato ao demônio de fogo Na bela Nova Zelândia, vive Lionel, um jovem com um complexo de Édipo mal-resolvido. Quando ele arruma uma namorada (que estranhamente se chama Paquita – lembre-se, estamos na Nova Zelândia), a mãe do moçoilo fica doida de ciúmes. Ela segue os dois até o zoológico, onde o casalzinho faz seu primeiro programa romântico. Lá, a velha é mordida pelo macaco-rato da Sumatra e, tchnãm!, vira um zumbi. Se vocês pensam que isso saiu da minha mente doentia e pueril, estão muito enganados. Esse é o argumento de "Fome Animal" (Braindead), um dos primeiros longas de ninguém menos que... Peter Jackson. Sim, o mesmo Peter Jackson que hoje se encontra confortavelmente sentado por cima da carne seca em Hollywood, depois de ter comandado a transposição para as telas do épico literário "O Senhor dos Anéis". Do macaco-rato da Sumatra, uma criatura toscamente animada em quadro-a-quadro, até o assustador Balrog, um demônio de fogo que enfrenta Gandalf na primeira e segunda partes da trilogia, podemos contar uma evolução e tanto. Não de talento, que o senhor Jackson já mostrava de sobra desde o excelente (e trash) "Fome Animal", mas de grana investida em suas produções. Com a conclusão da trilogia "O Senhor dos Anéis", Jackson foi ovacionado por público e crítica. E olha que o homem merece. O último filme da saga, "O Retorno do Rei", não decepcionou os fãs do livro nem o público que jamais tocou num volume sequer das brochuras de Tolkien. Bom, eu gostei. Embora seja o tipo de filme ao qual você vai não para saber o que acontece – afinal, se você esteve minimamente atento à história, já sabe quem é o tal rei e, ligando isso ao título, já sabe que o dito cujo vai retornar, o que significa que a Sociedade do Anel vai triunfar. O grande ponto é saber como a gang do Um Anel fará o serviço, e com que imagens sêo Jackson vai contar essa fábula. O mais legal é que Frodo, depois de cumprir sua missão, deveria deixar de ter aquela cara de estagiário e fazer parte da presidência – inclusive colando um daqueles adesivos escrito "Só diretoria" se ele tiver um Opalão para passear pela Terra Média. Mas cheguei à conclusão de que o pobre hobbit nasceu assim mesmo, com a expressão de susto constante. Faça um bom emprego de sua graninha e corra até o cinema mais próximo para ver. Depois, você me diz se Frodo não continua com aquela cara de estudante que acaba de participar de uma dinâmica para conseguir um estágio, com direito a vale-transporte, ticket refeição e seguro de vida. Mas sem plano de saúde. Isso é só para os registrados.
Alguém tem de fazer o serviço sujo... Carpe diem, molecada! As férias das Garotas acabaram! Estaria mentindo se dissesse para vocês que não foi bom dar um tempo para reciclar as idéias... Entre pedaços de bolo da mamãe e filmes antigos, tive dias de princesa desocupada – o que foi bem divertido. Para mim, o trabalho está de volta. Mas ainda tem gente vagabundeando por aí! E é com esses que a Flá precisa ter uma conversinha. Férias servem para curtir ao máximo e perder responsabilidades. Não me venha dizer que você precisa passar no banco ou arrumar o armário ou cortar o cabelo! Essas atividades só estarão desculpadas se você for ao banco, sentar na frente do gerente e disser “eu vim pedir um milhão de reais emprestado”, pra ver a cara do cidadão. Ou se você arrumar o armário e fizer um desfile pela casa, para a família toda, usando suas saias hippies e blazers que foram moda em 1982. Ou cortar o cabelo e pintá-lo de azul. Senão, pode ir deixando de lado tarefas chatas e sem sentido – ou a impressão que ficará dessa fase de ócio será aquele vazio interior e o pensamento “droga, passou rápido, ainda estou cansado feito um asno”. Desculpem se, nessa descrição de um verdadeiro dia de descanso, eu exagerei na comilança ou fiz a vida parecer fácil e besta. Mas que esse devia ser o objetivo de todo cidadão em férias, lá isso devia ser. Hora de acordar Café matinal Pré-almoço Almoço Pós-almoço Tardinha Noitinha Noitona Minhas férias 1987 As férias foram legais. Pena que acabaram. E agora tenho de escrever a redação porque a professora Sônia pediu. Eu obedeço porque quero passar de ano. Ganhei uma bicicleta do Papai Noel, mas ele errou a marca. Vai ver que não fabricam Caloi Cecizinha lá no Pólo Norte, então ele me deu uma Monark mesmo. Mas eu queria Caloi, porque eu adoro a propaganda dos bilhetinhos. Vai ver foi por isso que ele me deu uma Menina-Flor também – ela é um vaso que se transforma em boneca de cabelo cor-de-rosa igual o daquele cantor estranho, o Boy George. Vó Diva fez bacalhau de novo. Eu odeio bacalhau. O Lucas, meu primo, também. Daí a gente comeu quibe. Onde já se viu comer quibe na ceia de Natal? Meu outro primo, o Thiago, gosta de bacalhau. Mas aquele gosta de qualquer coisa, até de pedra. Daí a gente fez guerra de vagem na mesa das crianças. É só botar a vagem da salada de legumes na toalha e dar um peteleco para acertar no outro. É divertido. Pena que adulto sempre dá bronca quando brincamos com a comida. No Ano Novo o vô Justino deixou a gente beber champanhe. No rótulo da garrafa vem escrito “sidra”, que deve ser a marca. Parece Tubaína, só que azeda. A rolha voou lá na horta e fomos procurar. Dessa vez teve peru, mas eu e meus primos começamos a brigar pelas coxas. Peru só tem duas, e nós somos em três. Por causa da briga, ninguém pegou a coxa. “Estão felizes agora?”, disseram. Não estávamos. Queríamos um peru de três coxas. Ou de seis, para ter duas para cada um. Depois da ceia a gente foi nos balanços do quintal. Começou a chover. A gente adora ficar balançando na chuva. Nossa roupa branca ficou encardida, mas daí a gente pôde falar “agora, tomar banho, só no ano que vem”. O ano que vem viria depois de algumas horas, mas era divertido ficar repetindo isso. “Almoço, agora, só no ano que vem”. Rarará. Fui para Piracicaba com o Lu e o Thi. Eles moram lá. No quarto deles tem um armário gigante e, quando a gente abre, até cai brinquedo na cabeça. Posso brincar com todos os Playmobil e Comandos em Ação. Ninguém quer brincar com a minha Barbie. Mas tudo bem, porque depois do almoço a tia Leca deixa a gente ligar o Atari e ficar jogando Frostbite. Depois de duas horas, ela põe a mão no videogame e, como ele está quente, ela pede para a gente desligar. Droga. Comemos pamonha e andamos de bicicleta na frente do prédio. Eu caí e machuquei meu joelho. Bem em cima da casquinha da ralada que já estava sarando. Tia Leca veio com o merthiolate. Só de sentir o cheio daquilo eu já comecei a chorar. “Não vai doer, eu assopro”. Sei. De noite, ela ligou para minha mãe e disse que eu armei um escândalo por causa de um machucadinho. Isso porque não foi no joelho dela. Queria ver. Se minha mãe soubesse de todos os palavrões que ela me ensina. Daí fui para São Vicente na casa da vó Nena. Gosto do apartamento dela porque lá a gente só come sanduíche de mortadela no pão fresquinho e bebe Tang de laranja. Mas eu não gosto da TV, que não pega de jeito nenhum. Meu ouvido ainda está tampado de descer a serra. Vó Nena diz para eu levantar a cabeça e abrir a boca, que ele destampa. Não funciona. O dia está nublado e chovendo. Peço bem forte para São Pedro parar de lavar o quintal. A chuva pára e daí aparece um tantinho de céu azul no meio daquele monte de nuvem. Grito para a vó Nena que o tempo melhorou e a gente vai para a prainha. Queria mesmo ir para a outra, com ondas, mas a vó Nena só me deixar ir na pequena que mais se parece com uma poça de água salgada. Por causa da chuva, a areia está cheia de gravetos. Assim não tem graça. De volta para a minha casa, começo a arrumar o material escolar novinho que mamãe está comprando. Ela até me deu essa caneta de quatro cores. Quatro cores! Por isso eu escrevi a redação assim, toda colorida. Ficou bom, professora? 2004 Não passei o Natal e o Ano Novo na casa da minha avó. Não tem mais balanço no quintal. Não existe mais a mesa das crianças. Descobri que Papai Noel não existe e que sidra não é champanhe, como meu avô dizia. Tia Leca continua boca-suja, mas voltou de Piracicaba. O Lucas está fazendo um curso em algum lugar da França e o Thiago, que cursa Artes Plásticas na Unicamp, não faz mais guerra de vagem. Vó Nena morreu há três anos e faz uns 15 que eu não vou para São Vicente e para a prainha. Nunca mais tive férias assim, e nunca mais precisei descrevê-las em uma redação – até agora. Bom estar de volta, leitor. Vivi Griswold às 09:51 AM
Aqui nesse mundinho fechado Sim, eu sou do tempo do Lollo, da Kolynos e do Dip’n’lik. Completei o álbum de figurinhas do Jaspion e Changeman. Passei horas me divertindo com a Chuquinha, Fofolete, Moranguinho, Snif-snif e Lu Patinadora. Tive a unha do dedão do pé arrancada pelo Kichute do meu irmão. E era ele também quem compartilhava comigo o joystick retangular do Master System II (aquele com o Alex Kid na memória). Enfim, sou cria dos anos 80. Mas apesar de eu, como a maioria dos nascidos nessa época, idolatrar esses ícones do passado, não são eles os personagens principais das minhas mais queridas memórias de infância. Os momentos que mais deixaram saudade foram aqueles recheados de criatividade, nas quais, em companhia do Rafael (meu irmão) ou das amiguinhas, me deixei levar pelo mundo da imaginação (sem nenhuma relação com a Xuxa, de quem, aliás, nunca gostei). Sem mais delongas, aí vai minha humilde tentativa de resumir vários anos felizes num simples Top 10... 10) Day-care em órbita 9) Almofada de estimação... 8) ... e bicho que é quase gente 7) Latido S/A 6) Missão (quase) impossível 5) Money que é good nóis num have 4) Quem disse que farofa é só na praia? 3) Como nascem os bebês 2) Censura 12 anos 1) MPB – Musiquinhas de Puro Besteirol Por Vanessa às 05:12 PMMã-nhê! Depois de alguns (muitos) anos após minha tenra infância, a coisa mais gostosa que se tem pra fazer é lembrar com os amigos tudo de bom que acontecia naquela época e que não acontece mais. Fala a verdade: não tem coisa melhor do que descobrir que a sua infância era melhor que a do seu colega de trabalho, ou que os seus pais não ligavam para sua bagunça enquanto seu amigo lamenta as tardes de sábado de castigo só por causa do guarda-roupa desarrumado. É por essas e outras que nada melhor do que um Top 10 das melhores lembranças da infância. Coisa que mesmo se quiséssemos, não teríamos como repetir. Afinal só tinha graça naquela época, não é mesmo? 10) Visita do Primo da Capital 9) Sarau 8) Dormir na casa da avó 7) Presentes 6) Mesa das crianças, mesa dos adultos 5) Férias em família 4) Bailinho 3) Excursão de escola 2) Amigos invisíveis 1) Colo dos avós Por Silvio às 12:59 PMSerá que é só comigo? Se há um dia tão ansiosamente esperado quanto a excursão ao Playcenter em nossa infância, é a data do aniversário. Uma ocasião especial em que você é o centro das atenções da família, ganha presentes, puxões de orelha, chuvas de ovos na saída da escola... Mas comigo a coisa sempre foi um pouco diferente. Eu não gosto do meu aniversário. Eu não gosto especificamente do dia em que minha mãe me entregou a esse mundo doido – 02 de janeiro, estrategicamente situado no pós-Natal/Ano Novo/ressacas. O caro leitor pode estar se perguntando: o que tem demais em fazer aniversário nesse dia? Vamos aos fatos: 1) Festas na escola 2) Todo mundo em férias 3) Dia mundial da ressaca 4) Tudo está fechado 5) It's raining again 6) Dois pelo preço de um 7) Esqueceram de mim 8) Nem que fosse um chaveirinho 9) Adeus Ano Velho 10) ? Por Cristiane
Saia justa ou balonê? Sempre que a família se reúne no Natal, minha mãe adora lembrar as histórias de quando eu e meus irmãos éramos mais novos. Não achamos chato, não, porque nos divertimos em lembrar que houve uma fase de nossas vidinhas inocentes em que íamos “fantasiados” para a escola. Não era Dia das Bruxas, não era Carnaval, mas insistíamos em assistir às aulas (nessa época a gente aprendia a pintar dentro do espaço e fazia nossos próprios brinquedos com massinha) com figurinos que faziam mamãe morrer de vergonha. Meu irmão simplesmente não ia para o maternal sem sua camiseta do Super-Homem. Tinha capa e tudo! E esta que vos escreve fazia questão das unhas vermelhas e chapeuzinho de festa. Parecia um mico de circo. Mas até aí, tudo bem, éramos pouco antenados no mundinho fashion. O que não tem desculpa mesmo é o figurino pré-adolescente dos anos 80. Listei dez itens básicos que me fazem corar de vergonha – e aposto uma tiara da Pakalolo como você também tinha. 10) Calça Bag ou Semi-bag 9) Saia Balonê 8) Saia longa, cintão e bota 7) Melissinha 6) Coisas da Pakalolo 5) Sapato Canadian 4) Bota branca de cano alto 3) Vestido trapézio 2) Japona colorida 1) Minijaqueta jeans Por Ana às 05:18 PMTipos estranhos da minha infância Ao redor dos anos 80 existe uma nuvem que embaça tudo e que nos faz perguntar se aquilo realmente existiu. Seria possível que toda uma coletividade pudesse usar aquelas roupas e cabelos? É mesmo verdade que tais programas de TV, músicas e filmes foram aplaudidos por toda uma geração? E, sobretudo: aquelas pessoas que nos rodeavam eram humanas? Decidi vencer meus medos e mergulhar no universo 80s para eleger os tipos mais estranhos da infância. 10) Space Ghost 9) Príncipe Namor 8) Haniel 7) Shao Lin 6) Vovó Mafalda 5) A Noviça Voadora 4) Goldar 3) Pinóquio 2) Fofão 1) Eu mesmo Ao iniciar a lista duvidava que teria fôlego para chegar a 10, mas lembrei da Zebra da Loteria Esportiva, de todos os figurantes de Os Trapalhões e de mais uma meia dúzia de colegas de classe e professoras. Percebi, então, que o ranking poderia ir muito mais longe. Isso me faz pensar que é preciso tomar muito, muito cuidado! Qualquer hora podemos ceder à tentação e deixar de ser esquisitos! Por Marco Aurélio às 01:15 PMReinações de Taisinha As brincadeiras preferidas pela molecada nos anos 80 eram as mais ingênuas e imaginativas que as décadas tiveram notícia. Ter dinheiro para comprar artigos em loja era o de menos – como poderá ser conferido na lista que segue. Bom mesmo era botar a imaginação pra funcionar e dispor de qualquer item da residência dos pais para rechear manhãs e tardes de pura aventura. 1) Corrida com caixa de papelão Por Taís às 09:01 AM |
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