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Esqueça a correria, é hora de lembrar Como leitor assíduo do site, fiquei sabendo da promoção e resolvi escrever. Nem tanto pelos mimos que estão em jogo, mas sim pelo agradável exercício de lembrar coisas legais da infância e que estavam quase se apagando. Vocês deveriam ganhar um Prêmio Nobel de alguma coisa por promover esse "revival" que tanto nos faz bem. Na correria que são nossos dias, tais lembranças que o Garotas ajuda a resgatar são como gotas de adoçante que suavizam o gosto amargo de coisas chatas da vida adulta. Acabei resgatando coisas que nem imaginei que conseguiria lembrar. 1) Relógio que troca pulseira 2) Bolo de fubá cremoso e suco de mamão com laranja 3) Brincadeiras de rua 4) Os amigos 5) Preocupações (ou a falta de) 6) Dia de aniversário na Xuxa 7) Balão Mágico 8) Professora Dinorá da 2ª série 9) Ultraseven, Ultraman, e, mais tarde, Caverna do Dragão 10) Conversas no banheiro Por Robson às 05:39 PMMeu rankingzinho Ah, a infância... Tudo bem, não faz tanto tempo que saí dela (afinal não tenho nem 20 anos ainda), e talvez por isso mesmo vocês não se encantem tanto quanto eu quando lembrarem dos itens dessa lista. Mas, de qualquer forma, eu fiz a minha, das coisas que eu sinto mais falta... Provavelmente vai ficar meio limitada à tchurminha que viveu o auge da infância nos anos 90. Se fosse só isso, beleza. Mas eu fui uma garotinha daquele tipo insuportável, toda “menininha” mesmo. Então, além de tudo, minha lista está bem femininazinha. Mas apesar disso e do meu egoísmo, o ranking limitado fica mais genuíno, digamos assim. Tenho que admitir que não foi nada fácil construir essa lista. Afinal, escolher apenas 10 itens e ainda por cima ter que colocá-los numa hierarquia é um crime. Talvez, depois de enviar, eu me lembre de alguma outra parte indispensável da minha infância. Mas como o tempo urge, e eu já levei um certo tempo elaborando esse ranking, seja o que Deus quiser. 10) Papel de Carta 9) Chiquinha Pakalolo 8) Pulseirinhas de corda de violão 7) Patins de prender no tênis 6) Questionário 5) Vestido Trapézio 4) Bolinha de Sabão 3) Bate-Enrola 2) Estojo Paraguaio 1) Desenhos animados Por Renata às 01:12 PMPobres crianças de hoje em dia Sabe, sou uma garota apaixonada pelos anos 80. As roupas ridículas que foram moda, as músicas, os programas de tv, enfim, tudo que fez parte das nossas vidas e que é divertido lembrar. No último final de semana, tive a infelicidade de assistir com a minha sobrinha um dos seus desenhos animados favoritos: um monte de bebês que falam, aprontam e são feios... muito feios. Até hoje sou uma aficionada por desenhos. Mas pelos antigos claro, porque esses de hoje em dia. Resolvi então fazer uma lista dos 10 melhores desenhos animados da minha infância e providenciar uma reprise deles para a minha sobrinha – antes que a sua personalidade sofra um mal irreversível. Mas atenção! O motivo foi exclusivamente esse. Nem de longe estou interessada em ganhar os sete prêmios supimpas garimpados pelas Garotas e que marcaram a minha, a sua, a nossa infância. 10) A Cobra Azul 9) Os Flintstones 8) Pluto 7) Pernalonga 6) He-Man 5) Papa-Léguas e o Coiote 4) Corrida Maluca 3) Os Superamigos 2) Caverna do Dragão 1) Pica-Pau Por Paula às 09:08 AM
Jovens gargalhadas Nada supera o prazer de dar boas risadas na infância. Ou então de rir do que inocentemente fizemos durante essa fase da vida. Ao ler sobre a promoção Top 10 Infância do Garotas, em menos de dez minutos, lembrei de dez situações engraçadas da minha meninice. São pequenos fatos que não somem da memória, por mais que as décadas passem. Ainda bem! Vamos a elas: 1) O “embrulhão” Por Paulo às 06:22 PMSaldo com a terapia Há uma série de coisas da minha infância (quer dizer, na verdade são só dez, porque foi esse o número que as garotas pediram) que direta ou indiretamente me causaram traumas futuros. Não dizem que é durante a infância que construímos nossa personalidade? Então, mamães: quem sabe seus filhos não farão análise daqui alguns anos só por causa do Picachu? É uma possibilidade! Segue então a lista dos responsáveis pelos meus traumas infantis – e quantos anos de terapia serão necessários para curar cada um deles. Por Marjorie às 01:19 PMMedos Infantis! Quando era criança algumas coisas me davam medo, talvez seja por isso que até hoje eu seja um pouco assustado. Quando você é criança, a inocência faz você acreditar em coisas as vezes absurdas, mas também divertidas quando lembradas aos 28 anos. Tal fato importante motivou a lista das coisas que me faziam sentir mais medo durante a infância. 10) A tal da guerra fria Por Lelo às 09:08 AM
Acorda, menina! Eu sempre fui avessa a acordar com o galo cantando, desde a mais tenra idade. Tanto que quando ainda estava no primário (lá pelos idos de 1982), minha mãe teve que ir até à escola onde eu estudava e pedir minha transferência para a turma da tarde, tal era a dificuldade dela em me tirar da cama. Lembrando-me disso, decidi fazer meu Top 10 das coisas que me faziam "acordar com as galinhas" na infância... mas com prazer. 1) Assistir à "Jeannie é um Gênio" às 8 horas da manhã 2) Excursões da escola 3) Passeio com minha mãe à Rua 12 de Outubro 4) Dia 25 de dezembro 5) Dia do Aniversário 6) Viagens 7) Ir passar o dia na casa da vovó 8) Brincar com as amigas 9) Ficar com o cachorro 10) Comprar material escolar Por Priscila às 05:27 PMEu, Nenê e Matché contra a rápa Infância... Ah, que doce fase da minha vida. A única preocupação era a de entregar os trabalhos e conseguir notas suficientes para passar de ano. O resto era um salve-se quem puder. Meu caderno era um desleixo. Nunca soube o que era passar à limpo que as meninas tanto falavam. Quando eu chegava em casa, então... que batalha. Na verdade eu chegava em casa duas vezes: na primeira, jogava a lancheira e o material longe e ia pra rua jogar bola. Na segunda, chegava completamente imundo e, como de praxe, tomava uns petelecos na orelha por ter sujado o uniforme pela quinta vez na semana. E enquanto na escola eu aprontava muito... na rua eu aprontava ao quadrado. E o pior era que eu fazia todas as coisas insanas sabendo que não podia me machucar para não apanhar quando chegasse em casa. É isso mesmo. Minha mãe, vendo o que eu aprontava, dizia que se eu me machucasse, ia apanhar. E não dava outra. Mas também, olhem as brincadeiras: surf em cima da bike, fechadinha, futebol com rasteirinha, queimada com o pé, policia e ladrão com pedras... Eu adorava. E acho que tudo por influência dos amigos. É sempre por causa deles. Quem passou boa parte do tempo brincando na rua quando era pivete, sabe do que estou falando. E o mais engraçado é lembrar dos apelidos. Ninguém era chamado pelo nome. Todos... absolutamente todos tinham um apelido. Mesmo na escola, haviam algumas figurinhas carimbadas com seus apelidos grotescos. E são esses caras que quero homenagear aqui no Garotas. Aí vai meu ranking de apelidos dos amigos de infância. Pira-pora Pinga Binho Kanangô Nêga Amarelinho Bigulim Abacaxi Gengivaldo Puxa. Dava para colocar mais umas três páginas com os apelidos. Mas confesso a vocês, leitores e leitoras do Garotas, que estou emocionado. Essa foi uma fase muito marcante na minha vida e lembrar desses amigos me faz entender quão valiosas são nossas lembranças. E me deu uma saudade. Eu nem sei mais onde eles estão. Alguns deles, sei que estão no mesmo lugar; outros foram morar no céu; mas de outros, não tenho idéia. Quem sabe possam estar lendo esse texto. A Internet faz milagres. Por Leandro às 02:43 PME o presente que é bom... Em nossa infância, coisa marcante é o que não falta. Porém, sem dúvida, há uma ocasião especial da qual todos têm uma história para: festinhas de aniversário! Não importa se a festa era sua ou do coleguinha, se era na escola ou num buffet. O fato é que existem sensações que só a atmosfera colorida de uma festinha infantil pode proporcionar. Duvida? Então coloque seu chapeuzinho de elástico e prepare a língua de sogra para saborear um top 10 tão delicioso quanto aquele disputado brigadeiro... 10) A bola de doces 9) A filmagem 8) A animação 7) A trilha sonora 6) As comidas 5) Os parabéns 4) Os presentes 3) A decoração 2) O saquinho surpresa 1) O pós-festa Por Mariana às 10:02 AM
Eu sou café-com-leite Quem ouviu (e falou) essa frase, durante a infância, provavelmente viveu nos anos 80. Não creio que as crianças ainda digam isso hoje (mesmo porque seria preocupante para os pais se um moleque, enquanto joga algo em seu PC, gritasse inconformado: "Eu sou café-com-leite! Parei de brincar!"). Além de frases assim, ou do clássico "Quem quer brincar põe o dedo aqui...", dezenas de outras coisas povoaram a minha infância. Entre elas, está... Por Fernando às 05:37 PMBom, mas bom mesmo, é... Segundo o Luis Fernando Veríssimo, o que diferencia os diversos estágios da vida de uma pessoa é o que ela, a cada idade, considera bom mesmo. Bom mesmo, no caso, não é o que é legal, bacana, mas o que existe de melhor na vida, o prazer supremo. Assim, enquanto para um bebê bom mesmo Seguindo essa definição, para mim, infância é aquela fase que vai desde o "Bom mesmo é peito de mãe" até o "Bom mesmo é o peito de qualquer outra mulher". Porque na adolescência bom mesmo passa a ser sexo, o resto é secundário. É a fase do 'de longe'. (Por exemplo: Bom mesmo é mulher e, em segundo lugar, de longe, dirigir uma Ferrari). De qualquer forma, a infância é fase da vida de qualquer pessoa em que a lista do que é bom mesmo é mais comprida, tão grande que é quase impossível dizer o que era melhor. É também a fase que provavelmente deixa mais lembranças felizes na memória – e é por isso que um som, um gosto, ou um cheiro da infância faz a gente sentir um prazer meio bobo, que não dá para explicar. Então vamos lá. Eu era uma criança feliz nos anos oitenta e para mim bom, mas bom MESMO era... 10) Aula livre 9) Andar de bicicleta 8) Ir ao Planetário 7) Picolé na praia 6) Ler revistinha 5) Desenho na TV 4) Salgadinho 3) Loja de brinquedo que deixa mexer 2) Fliperama 1) Colo de mãe Eu sei, eu sei. Deixei um montão de coisas de fora como a piscina do clube (que é totalmente diferente da praia, ou você acha que golfinho e boto é tudo a mesma coisa?), a montanha-russa do Playcenter, disquinho com historinha infantil... Mas que diabos! O que eu posso fazer se essas Quem nasce Sinhazinha... ...não morre Mademoiselle São estranhas e estressantes essa correria e competitividade que estão sempre presentes nas grandes cidades. As pessoas tentando ser o melhor, ou parecer o melhor. Preocupadas com a aparência, o carro e o cargo que ocupam. Querendo passar uma imagem que, às vezes, é pura fachada – e assim acabam escondendo suas verdadeiras origens. Eu mesma sou um exemplo disso. Nesses dez anos morando em São Paulo fiquei tentando ser elegante, tentando me equilibrar num salto número sete. Fico preocupada com que roupa eu vou, se está boa, se minha maquiagem está legal, se meu cabelo está bonito. Fico tentando esconder aquela menina do interior no Paraná. E toda vez que chega o mês de junho tenho dez motivos para querer ter meus seis anos de volta... 10) Simpatias 9) Santos 8) Brincadeiras 7) Cantigas 6) Quitutes 5) Decoração 4) Quadrilha 3) Chapéu com trancinhas 2) Vestido 1) Sinhazinha Naquele tempo, em vez de me preocupar com meu visual, eu apenas me preocupava em conseguir a maior quantidade de vacas, porcos, galinhas e dinheiro para a escola. Preocupava-me com meu vestido de chita vermelho e branco, lindo, que iria usar no dia da festa. E nos demais só usava shorts camiseta e conga. Fico tentando esconder aquela verdadeira paranaense do “pé vermelho” e da “barriga verde”. Mas acho que não consigo, pois a cada ano que chega o mês de junho quero ir para minha cidade, viver a magia da Festa Junina e ver se lá ainda “fabricam sinhazinhas”. Por Ângela às 09:27 AM
Uma infância em madeixas Eles caminhavam soberanos pelas ruas. Uma geração inteira de jovens, vestindo roupas coloridas, quadriculadas e descombinantes. O mundo pop fervia, e depois daquela década nada nunca mais foi o mesmo. Jaquetas jeans desfiadas eram vestidas com calças de couro pretas e justas, sapatos de bico fino, e camisas amarelas. E, acima de tudo isso, reinavam os penteados. Tolo era aquele que tinha um cabelo normal. Começou a onda das tinturas super coloridas. Mullets desfilavam a glória que tinham alcançado seja no pop-rock do Bon Jovi, ou na melodia sertaneja de Chitãozinho e Xororó. Ondas capilares esvoaçantes mostravam o poder dos cabelos crespos. O penteado punk tinha adquirido novas colorações e novos formatos. Tudo em nome do pop, da rebeldia. Não éramos diferentes, o auto-proclamado Esquadrão Trovão Azul. Andávamos pelas ruas, os 15, e nossas camisetas azul-céu, com nossas bicicletas cheias de pedaços de copos plásticos nas rodas para simular o barulho de motos, fechando avenidas, fazendo manobras, parando nos sinais de trânsito e bloqueando-os. E, em nossas cabeças, uma homenagem a nossos astros. E aqui vão os 10 cabelos mais estranhos do Esquadrão Trovão Azul. 10) Joana e sua xuquinhas loiras 9) Rodriguinho e o Ricky Martin 8) Vitor, o tocador de viola caipira 7) Sol, o caçula e sua juba 6) Débora, "We don't need another hero" 5) Nélio, "o capeta" 4) Guilherme "McGyver" 3) Danilo, "Step by Step" 2) Thiago, "sim, eu chamo a atenção de todos" 1) Mariana, "minha filha, o que você fez com o seu cabelo?" Por Sol às 05:11 PMQuando eu era criança... Não é fácil ser adulto. Basta dar uma passada de olhos pelas manchetes dos jornais para que o ceticismo corroa nossa alma: violência, desemprego, recessão, terrorismo. Às vezes é até uma tarefa inglória alimentar sonhos, quando estamos tão ocupados procurando maneiras de como arranjar dinheiro para pagar as contas no final do mês. Como diria meu amigo Mário, "a vida é que nem rapadura, é doce mas é dura". É por essas e outras que admiro tanto as pessoas que, mesmo batalhando no dia-a-dia pela sobrevivência, possuem a sabedoria de ainda manter viva a criança dentro delas. Não é tão difícil identificar alguém assim em meio à multidão acinzentada: procure por alguém com riso espontâneo, a capacidade de rir de si mesmo, mousepad com estampa do Snoopy e que possua a mania de fazer origami no meio do serviço ou de encontrar nuvens com formato de Bart Simpson pairando no céu. 1) Quando eu era criança, acreditava que as estrelas eram os olhos de Deus, que piscavam de vez em quando para a gente apenas para que soubéssemos que havia um cara lá em cima de olho nas traquinagens que aprontávamos. 3) Quando eu era criança, meu pai dizia que eu devia cuspir longe as sementes de melancia, porque se engolisse uma delas por acidente nasceriam outras melancias dentro do meu estômago. Pensava comigo mesmo: "ué, será que é assim que as mães ficam grávidas?". 4) Quando eu era criança, mantinha sempre os meus olhos atentos ao chão, porque acreditava piamente que um dia encontraria uma lâmpada mágica igual à do Aladim. O único problema é que o gênio provavelmente só saberia falar árabe, e eu ficava angustiado pensando em como conseguiria me fazer entender. Aliás, eu tinha na ponta da língua o primeiro pedido que faria ao gênio: "quero que o senhor me conceda mais cinqüenta desejos!". 5) Quando eu era criança, assisti a uma reportagem sobre um tal "morto que riu". A matéria relatava que durante um velório um dos presentes resolveu tirar uma foto do morto dentro do caixão. No entanto quando ele foi revelar os negativos levou o maior dos sustos, porque o morto aparecera sorrindo na fotografia. Até hoje sinto calafrios toda vez que lembro da cara do finado (sim, o "Fantástico" exibiu o retrato do mesmo no final da matéria). A propósito, eu também tinha medo de qualquer reportagem apresentada pelo Hélio Costa. 6) Quando eu era criança, acreditava que sempre chovia nos dias de Finados. E que essa chuva era na verdade as lágrimas derramadas pelos mortos que ficavam emocionados ao ver suas famílias visitando (ou não) seus túmulos. 7) Quando eu era criança, minha mãe dizia que se eu imitasse um gago por mais de cinco minutos, ficaria assim para sempre. Desde então, toda vez que eu imitava um ga-ga-gago, ficava de olho no cronômetro do meu relógio digital e esperava até que dessem exatamente quatro minutos e cinqüenta e nove segundos, para cessar a brincadeira bem em cima do deadline. 9) Quando eu era criança, morria de medo de ficar engasgado com uma bala Soft. Até que um dia eu realmente me engasguei com uma que ficou entalada na minha garganta. Fiquei tão desesperado que comecei a correr estabanado pelos corredores da casa da minha avó; no susto, acabei engolindo a maldita bala. Nunca mais pus uma na boca. Por Inagaki às 01:12 PMO que você vai ser quando você crescer? Que a infância é o melhor período da vida de muita gente ninguém pode negar. Nesta época podíamos ser quem quiséssemos – pelo menos na nossa cabecinha. Mas aí a gente cresce e tem que decidir o que quer ser quando crescer. Oh que dilema! Porém, algumas das nossas experiências pueris podem nos ajudar, pelo menos, a descobrir coisas para as quais não temos o menor talento. Baseada em alguns dos meus micos infantis, fiz uma lista das profissões que eu não poderia seguir de jeito nenhum: 1) Oradora 2) Espiã 3) Pintora 4) Cozinheira 5) Bailarina 6) Astrônoma 7) Farmacêutica 8) Veterinária 9) Freira 10) Jornalista Por Carla às 09:46 AM
O Tempo nos prega peças. De playmobil. Primeiro colocado A vida pode ser comparada a um passeio de montanha-russa. A diferença para uma montanha-russa de verdade é que nessa construção imaginária o carrinho não termina o passeio no mesmo ponto onde começou – e a gente não pode repetir a volta. Muito pelo contrário. O comum é que lá pelas tantas o carrinho despenque sem aviso, numa curva qualquer, conosco dentro. E acabou-se. Não adianta processar o dono do parque. Acho que os anos de infância e adolescência correspondem à subida da montanha-russa. Parte-se do nível mais baixo, vai-se até o topo e o resto é só decida. No meu caso, essa subida da montanha-russa são os anos oitenta. Ora, em 1980 eu tinha nove anos, e em 1990 tinha dezenove. Quer passeio mais vertiginoso que esse? Numa ponta eu era um pirralho que mal contabilizava quatro anos de memórias nítidas, e na outra, já era universitário, tinha um Chevette e uma namorada. Quando é que a gente vai passar por tanta ebulição de novo em tão pouco tempo? Sei que os anos que nos restam certamente reservam surpresas alegres ou tristes, mas percebam que tudo tende para uma rotina previsível: carreira, casamento, filhos, netos. Mais parecido com um trecho suave em declive do que com um loop. Bom, então é hora de elaborar meu Top 10, que são justamente os anos oitenta, ano a ano, na minha tosca e distorcida visão. Lembrando sempre que todo santo teve um grande passado e que todo pecador tem um grande futuro. 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 Com o “Ratlle and Hum” do U2, encaro a década de noventa com o vento no rosto e o peito aberto. Acho que nunca fui tão contente como nesses meses finais de 1989, meu Anno Mirabillis. Obrigado, anos oitenta. Saudade. ![]() Segundo relato de testemunhas, essa era a criatura na qual me transformei e que rondava meus pesadelos. E a partir de agora, os seus também, pobre leitor! Por Hemeterio às 05:31 PMEu queria esse jogo para mim Segundo colocado Nas coisas que eu pensei, vi que poucas podem ser consideradas universais para uma criança dos anos 80. E, talvez, a principal delas seja o Atari. Era o brinquedo que unia ricos e pobres, CDFs e repetentes, projetos de nerds com projetos de mauricinhos, meninos e meninas, fãs da Cindy Lauper e da Madonna, imitadores do Prince e do Michael Jackson... Todo mundo já pegou naquele joystick preto (sem maldade, por favor) com um botão vermelho e ficou horas achando os gráficos (para lá de toscos) o supra-sumo da tecnologia digital. Por Ubiratan às 12:42 PMDeixe de saliência e vá a sebo de cutia! Terceiro colocado Outro dia usei uma expressão com um colega de trabalho e ele não entendeu nada. Para mim era a coisa mais simples, já que ouvia sempre minha avó dizendo e entendia perfeitamente a mensagem. Deve ser uma expressão típica lá de casa, pois meu colega ficou me olhando com cara de paisagem. Algumas eu aprendi ainda criança, com minha avó – uma figura muito simpática que me ajudava a roubar o pega-vareta de minha irmã e ainda brincava comigo. Tudo no maior sigilo, claro. A maioria dessas expressões eu não entendo muito bem ao pé da letra. Mas que eram divertidas, lá isso eram. Prestem atenção, pode ser útil: 10) “Coitadinho por quê? Tá com uma ferida nas costas?” 9) “Vai morrer estoporada” 8) “Jesus salva, cura e prepara para o céu” 7) “Deixe de saliência” 6) “Malbaças” 5) “Balainho novo tem três dias de torno” 4) “Apois” 3) “Tá luxando” 2) “Vá a sebo” 1) “Vá a sebo de cutia” Quanta coisa aprendi com essa senhora. E do jeito que ela é antenada, já deve ter atualizado as expressões – talvez tenha até incluído as palavras “night” e “balada” em seu vocabulário, quem sabe? Melhor não, senão eu é que vou ter que pedir para ela deixar de saliência! Por Fernanda às 10:06 AM
Aperta que cabe! Já se ouve o “ho, ho, ho” do Papai Noel e a mesa do jantar de Natal do Garotas está quase completa! Prepare-se para saber quem serão os últimos 10 cristãos (ou nem tanto) a participar da nossa ceia tradicionalíssima – a não ser pelos convivas. Para quem ainda não entendeu nada, a brincadeira que coroa nossos últimos textos nesse filhote cor-de-rosa em 2003 é assim: escolhemos 30 figurões, vivos ou mortos, reais ou imaginários, com quem gostaríamos de esperar a chegada do Papai Noel. Vivi publicou os 10 primeiros; Flá engordou a lista com mais uma dezena e agora você descobre a quem pertencem essas disputadíssimas últimas dez cadeiras. 10) George McFly 9) Ryan Styles 8) Lilo 7) Matoso 6) Bono Vox 5) Colin Farrell 4) Clarice Lispector 3) Aragorn 2) Wolverine 1) Ferris Bueller
Qual festa ficaria completa sem ele? A gente vai ali e já vem, tá? Queridos! Obrigada por cada clique, cada palavrinha, cada fofura. Boas festas a todos e nos encontrem de volta dia 5 de janeiro, ok? Enquanto as mamães vão viajar, o site é de vocês. Não se esqueçam de regar três vezes ao dia e dar bastante carinho e atenção. Amanhã, saem os ganhadores da promoção e, nos dias subseqüentes, continuarão entrando três textos – mas dessa vez, serão os de vocês! See you later, aligator. Isso é que é ceia, santa! Pobre de Jesus, que pôde convidar apenas 12 coleguinhas para seu jantar especial de... vou virar luz em breve. Já aqui no Garotas a festa é mais avantajada e propensa a gargalhadas. Com o time de personagens-vivos-mortos-bacanas que selecionamos, essa pode ser considerada uma nunca dantes vista “Santa Ceia Muito Louca da Pesada”! Vivi começou de manhã a montar a lista de convidados. Acho que vocês entenderam: não importa se o rol de gente boa contará com pessoas de verdade ou de mentirinha. Afinal, o jantar imaginário é nosso, botamos ali sentados quem nossos delírios permitirem. E se der briga entre um astro do rock e uma bêbada escandalosa... melhor! Assim a festa fica logo animada e rende fofoca suficiente para vários dias. Porque os especialistas em etiqueta e celebração sempre disseram: montar um grupo coeso de convidados não é trabalho fácil. Espero que vocês gostem dos escolhidos como nós gostamos. 20) Willy Wonka 19) Chewbacca 18) Edward Norton 17) Elvis 16) Sharon Osbourne 15) David Grohl 14) Virgem Mandy 13) Heleninha Roitmann 12) Bob Esponja 11) Jack Sparrow
Manteremos as facas de patê longe do Jack Sparrow, pode deixar Jantar com as estrelas Eis o friozinho na barriga por escrever o último texto do Garotas no ano que nos trouxe muita alegria. Como um bebê de oito meses que é, este site rosado já está sentando e falando sons desconexos que só nós entendemos. Para comemorar 2003 e fechá-lo com chave de ouro (envolta por um laço pink), sabíamos que hoje tinha de ser algo especial. Decidimos, então, fazer um jantar só para os mais chegados. Nossa ceia vai ser uma fartura. Tender, pernil, bacalhau da Noruega. Até pavê vai ter, para que algum chato fale a clássica piada de fim de ano (“é pá vê ou pá comê?”). Mas ei, na nossa festa não vai ter chato. Até porque a lista de convidados é vip e só há 30 cadeiras na mesa (incluindo a mesa das crianças, onde nós três estaremos sentadas também). Escolhemos as pessoas com as quais gostaríamos de dividir uma coxa de peru e algumas horas de papo. Depois de muito pensar, completamos a lista. Eu vou contar quais são os 10 primeiros nomes. Mais tarde, Flá apresenta os outros 10, e Clara fecha a escalação de vips deste que será com certeza um jantar muito louco da pesada. 30) Clark Griswold 29) Zé Lelé 28) Carson Kressley 27) Catcher Block 26) Seu Peru 25) Daniel Azulay 24) Laurence Llewelyn-Bowen 23) Ruth Rocha 22) Dr. Evil 21) Tia Voula ![]() Essa não pode ver Keep Cooler! Boas Festas, queridos e queridas! Vou-me com um aperto no coração. Mas não priemos cânico: dia 05/01 estamos de volta das férias, renovadas e prontas para mais! Até lá, o site será muito bem cuidado pelos leitores e seus textos maravilhosos. Amanhã é o dia da revelação da promoção, com os 3 melhores textos (incluindo o grande vencedor). Depois, outros 21 escolhidos alimentarão o Garotas até nossa volta. E vamos voltar. Promete que volta também? Vivi Griswold às 09:12 AM
Fechada para balanço Confesso que, ao me deparar com os 54 textos enviados por nossos leitores para a Promoção de Natal do Garotas, me deu um calafrio. Primeiro, porque teria de escolher só três desse mundão de letrinhas. Segundo, porque seria uma maratona e tanto ler tudo aquilo num mísero final de semana. Depois de devidamente transferidos para meu computador - operação que por si só durou duas horas -, comecei resignada a leitura. Depois de uns quatro textos, passei de "resignada" a "interessada". Mais uns três e fui de "interessada" a "entretida". Segui e passei por "muito entretida", "intensamente entretida" e "deliciosamente surpresa", até chegar ao "total enlevamento". Nem notei o tempo passar (só quando começou a bater a fome e eu vi que eram quase 10 da noite) e, ao desligar o computador, me peguei completamente infectada com os fragmentos de memórias dos outros. Ou melhor, dos outros, não - dos nossos queridos leitores! Foi como se eu tivesse promovido as Tardes Caninas, jogado bola na rua com o Gengivaldo (?!), acreditado que as chuvas de Finados eram as lágrimas dos mortos, feito xixi no elevador e participado da mesa das crianças. (Epa. Peraí. Essa tinha na casa da minha avó e eu também vivi isso, sim). Por isso, a poucas teclas de encerrar o ano, precisava dizer obrigada. Obrigada a cada um dos nossos amigos conquistados através de bytes. Obrigada a Flá e Vivi, sócias maluquinhas e, antes e acima de tudo, amigas. Obrigada por compartilharem comigo pouco mais de oito meses de memórias, reclamações, bobeirinhas, escancarações e vivas aos 80 e a outras coisas boas da vida. Porque, no fim, seremos todos velhinhos chatos numa casa de repouso, bradando aos netos que no nosso tempo é que era bom, com a Gigi na TV, o pogobol nos pés, o medo do homem do saco e a Cyndi cantando "Girls Just Wanna Have Fun" (ok, nós já fazemos isso bem antes dos nossos netos chegarem). O gozado é que esse tempo da Cyndi já foi, mas essas garotas aqui continuam apenas querendo se divertir enquanto é tempo. E ficamos felizes que vocês também queiram. De fato, ficamos tão felizes... ... que, como Vivi já explicou, decidimos destinar aquele monte de belos textos enviados por nossos leitores para publicação aqui, no Garotas. A gente sai de férias e vocês tomam conta do nosso filhote até janeiro, ok? Então, fique ligado. Do dia 24 ao dia 05 de janeiro (quando retornamos da folga), esse site é, mais do que nunca, dos leitores! Clara McFly às 05:26 PMAnimado de matar Não há coisa mais engraçada do que pegar, passando na tv, aquele desenho animado que o sujeito ama. Para mim, é gargalhada certa ver o do Pica-Pau com o barril nas cataratas, aquele em que o Pernalonga é perseguido por um monstro peludo laranja de tênis, qualquer um em que o bico do Patolino caia ou vá parar na nuca. Por outro lado... existem desenhos que deveriam vir acompanhados de um Prozac, não? Quando eu era menininha, estas cinco tragédias abaixo torturavam o meu imaginário – e, tenho certeza absoluta, também o de um monte de pirralhos pelo planeta. Poxa: para qualquer criança com um mínimo de sensibilidade, ver heróis singelos serem maltratados, zoados ou privados de seus direitos de desenho era uma tristeza sem fim. E, nos casos seguintes, às vezes acontecia até coisa pior. Passa o lenço e um copo d’água com açúcar, por gentileza? “Snoopy” “Heidi” “Gasparzinho” “Marco” “Pinóquio” (o japonês)
O Gepeto bem podia ter feito um criado-mudo... ... e a vida ainda é bela, temos uma novidade! Pra não repetir palavras e ser mais monótona que a vida social do Gasparzinho, não vou dizer tudo de novo. Basta clicar aqui e receber o recado que Vivi deu hoje cedo sobre nossa Promoção de Natal – e as Fantásticas Férias Muito Loucas do Garotas. Somos ou não somos cheias de artimanhas? Fla Wonka às 01:44 PMSessão pipoca Quem ia para a escola no período da manhã enfrentava alguns duros obstáculos. O pior era acordar cedo e já ter de se enfiar em um uniforme de helanca, sempre gelado naquela hora do dia. E o soninho que tomava conta de nós na primeira aula? Difícil resistir. Porém, estudantes do período matutino tinham um bônus: ir para casa e, depois do almoço e da tarefa, assistir à Sessão da Tarde acompanhados por uma bacia de pipoca recém-estourada pela mamãe. Hoje muita gente não entende a importância daqueles filmes dublados que a Rede Globo transmitia diariamente logo após o “Vale a Pena Ver de Novo”. Bem, não os culpo. Isso porque a Sessão da Tarde perdeu muito do charme (ou o problema é termos crescido?) e agora só exibe produções infantis vergonhosas que nunca chegaram ao cinema e que ficam naquela parte “para a família” da Blockbuster. Não posso negar: muitos dos filmes favoritos desta garota foram descobertos durante uma sessão com pipoca em frente à TV. Imagino que, provavelmente, meu pai não alugaria uma fita chamada “Curtindo a Vida Adoidado” – e, daí, nunca teria conhecido o Ferris Bueller. Imagine a desgraceira que seria minha vida sem tal importante referência pop. Você é o que você gosta. E gostamos muito dos maiores clássicos da época áurea da Sessão da Tarde! "O Rapto do Menino Dourado" "Os Goonies" "A Garota de Rosa Shocking" "Namorada de Aluguel" "Admiradora Secreta" "O Clube dos Cinco" "Sem Licença Para Dirigir" "Curso de Verão"
Precisamos contar o quão felizes estamos? Os culpados são vocês, leitores, e os mais de 50 textos que chegaram em nossa caixa-postal rosada em 15 dias, todos arriscando o prêmio da Promoção de Natal. Obrigada aos participantes... ... Alexandre Inagaki, Alex Phaedrus, Amanda Steffen, Ana Yazlle, Anderson Pedro Fidelis, Ângela, Audrey, Bárbara Ramalho, Carla Martins, Cara Maneiro, Clá, Cristiane, Daniel Meira, Dov, Elizabeth Duarte, Fabi, Fernanda, Fernando Effenberger, Fernandu, Hemetério, J.M., Joscélia, Leandro Giometti, Marco Brasil, Mariana Verlaine, Marjorie, Martina Mendonça, Milena Carvalho, Muara Kizzy, Nadja, Patrícia Vieira, Paula Regina, Paulo Mancha, Priscila Gaspar, Renata Carvalho, Robson Rodrigues, Roman, Silvio Martins, Sol, Tatiana, Thaís Rocha e Ubiratan Leal, por toparem a brincadeira! Ficamos assim, então: dia 24/12, próxima quarta-feira e véspera de Natal, publicaremos o terceiro, o segundo e o primeiro colocados, nessa ordem. O primeiro leva a cesta de mimos que a gente preparou com o maior carinho. Porém, não está sendo nada fácil escolher apenas três. Imagine escolher o vencedor! Cada top 10 é uma historinha pessoal e existem vários muito bons. Achamos um desperdício dividir uma pequena amostra com todos os leitores do site. O que nos leva à novidade... ... no Garotas, quem trabalha nas nossas férias é você! Como vamos tirar alguns dias de folga (do 24/12 ao 05/01), e como temos uma quantidade imensa de artigos bons já prontos aqui em nossa caixa postal... Bem, não foram necessários muitos neurônios para a idéia aparecer. Prepare-se, porque os leitores vão fazer o site em nossas férias! Como assim, você pergunta? Decidimos preencher o período que ficaria em branco com outros textos enviados para concorrer à Promoção de Natal. Serão 21 publicados, 3 a cada dia – como sempre aconteceu. E fique ligado, porque o seu pode estar no meio. Ho ho ho! Vivi Griswold às 09:41 AM
Viagem ao século passado O que são vários pontinhos rodeando um que está cheio de batom na cara e papéis na cabeça, gritando nomes estranhos e agindo de maneira mais ainda, reunidos num quintal? Simples: um chá de cozinha – e daqueles tradicionalíssimos, santa! Eu sou a maior simpatizante da Mirtes que existe nesse lado do Atlântico. Tenho até uns traços da personalidade "mãezona de subúrbio" dela. Mas percebi que a minha porção Mirtes fica no chinelo perto do grupo que encontrei nesse ritual humano do mais bizarro. Quando me casei, há poucos meses, fiz sim um chá. Mas chamei todos meus amigos realmente próximos, meninos e meninas, para uma reunião. O plano era que quem realmente se importava com o fato de eu estar montando uma casa trouxesse um presentinho, comesse uns petiscos e falasse umas bobagens - e só. Mas minha futura afilhada de casamento (existe esse termo? Bom, a partir de agora, sim) decidiu-se por um chá daqueles que, à época em que organizei o meu, classifiquei como sendo do século passado. Retrasado, aliás. A experiência só não foi traumatizante porque eu já sou crescida e sei segurar o choro. Mas é duro passar por séculos de luta pela equivalência entre os sexos, pelo direito ao voto e à educação, pela experiência de responsabilidade e independência de trabalhar fora, para terminar numa cerimônia com mulheres que querem que você use uma calcinha por cima da roupa (?), amarre um barbante na cintura com uma caneta pendurada e acerte a danada numa garrafa (?!) ou enfie a cara na farinha e procure uma aliança com a língua (?!!). Eu, hein! (Ok, nem precisa ter passado por anos e anos de luta pela liberação feminina. Fazer qualquer uma dessa coisas é um mico enorme, tremendo, fabuloso de qualquer jeito.) De qualquer maneira, Flá cantou a bola bem: grupos compostos por apenas um sexo têm uma tendência impressionante a reduzir o escopo de seus assuntos. Reuniões muito grandes de mulheres geralmente não falam de outra coisa senão receitas, filhos e cuidados com o corpo. Só meninos mantêm o papo entre futebol e putaria. Não tenho nada contra nenhum dos assuntos acima, mas falar tão-somente disso ou daquilo me cansa rapidinho. Concordo com a morena do Ni em gênero, número e grau e ofereço uma explicação para o fenômeno: hormônios e cultura. A fisiologia e a criação de meninos e meninas é diferente – sempre foi, sempre será. Por isso, sou sempre a favor da mistura (inclusive a de banheiros. Ok, nem tanto). Pobre da futura noiva, que teve de fazer tudo o que descrevi aí em cima e um pouco mais. Mas justiça seja feita: pelo menos, ela ganhou um mundaréu de apetrechos domésticos. Resta saber o que fazer com tudo aquilo. Mas para o tamanho do mico, compensou. Quem quer ganhar um playmobil põe o dedo aqui! Certo. Eu vou falar bem claro e e devagar. Acompanhe: você tem cerca de sete horas, a partir de agora, para participar da fabulosa Promoção de Natal do Garotas! Valem os textos recebidos até a meia-noite de hoje. Por isso, feche os olhos, pense na sua infância querida, liste dez coisas bacanas relativas a ela e mande ver! O prêmio? Sabe Playmobil? Sabe Coleção Vaga-Lume? Então… clica aqui para mais detalhes! Clara McFly às 05:00 PMChamamento em dose dupla Eu vivo uma mentira há muitos anos. Horrível escancarar isso assim, em público, mas já não consigo esconder. O fato é que, mesmo negando desde a mais tenra meninice e fazendo cara de desdém quando o assunto surge, preciso revelar de uma vez por todas: eu adoraria ter nome duplo! Sempre fui garota resumida assim, em um nome e um sobrenome. Meus pais não quiseram embananar minha cabeça com um nome de cinco fases, como daqueles príncipes portugueses. Mas o meu irmão ganhou a honraria de Luiz Ricardo – o primeiro ele herdou do meu pai, o segundo a minha mãe gostava. Nem eu, nem minha irmã tivemos essa deferência. Para compensar, mamãe inventava combinações de mentirinha: “Silvia Maria, recolhe essas roupas!”; “Flávia Aurélia, vem aqui!”. Mas não dava pra levar a sério nem o chamamento, nem a bronca. Droga, eu não chamo Flávia Aurélia ou Flávia Eugênia ou Flávia Antônia, como ela brincava! Um nome duplo, para impor respeito, precisa ser de verdade! Como o da Clarinha. Vocês não sabem? Ela se chama Clarissa... não, melhor manter segredo. Gente de nome duplo é sensível sobre isso. Provavelmente por causa de pessoas como eu, que sempre zoaram o fato. Meus primos, por exemplo. Apesar de fingir todo esse tempo que nomes duplos são um exagero, eu sempre quis loucamente ter a sorte deles. Fabrício Lourenço, Graziela Maira e Giuliano Carlo. É assim que se chamam as peças. Não tinha coisa melhor que ver minha tia se esgoelar pela porta dizendo “Graziela Maira, pára de rir tanto que vai dar falta de ar!”. Acontece que muita gente acha esse papo de nome duplo um horror – principalmente quando a combinação soa bizarra ou quando se é o dono do nome (bizarro). Uma amiga da minha irmã botou na filha o nome de Fabiane Beatriz. Putz! Imagina essa pobre na escola, quando os amigos descobrirem tudo... Ah, mas depois a época de colégio acaba e sobra um nome divertido para carregar pela vida toda. Não? Tem também o caso clássico de duas moças que viviam perto da casa da minha avó. Conta a lenda que, num arroubo de criatividade, a mãe delas nomeou as gêmeas de Teresa Ivonete e Ivone Teresete. Isso não é nome, gente, é uma piada sem fim! Faltou assunto na mesa do jantar? Bom, é só lembrar que as gêmeas se chamam... nossa, como o assunto rende. Os americanos têm essa mania de botar nome do meio em tudo o que é filho. A gente devia começar a instituir o mesmo por aqui, só para ficar mais engraçado. E quanto mais desajustada a união dos nomes, melhor. Uma tia da minha mãe fez isso. Gerou sete filhos, todos de nomes duplos como Régis Fernando, Silvio Eduardo e Carlos Frederico. Ô inveja... Só resta mais uma coisa: pedir desculpas pelos anos de esculhambação aos meus amigos Paulo Rogério, Veridiana Cristina, Cássia Regina, Tércio Roberto, Maria Eugênia, Marcelo Diego, André Fabiano e até à Clarissa... deixa pra lá. Se quiserem, podem me chamar de Flávia Helena daqui por diante. Mesmo sendo de mentira, já não é segredo que eu ia ficar feliz. Ainda não mandou seu texto para a nossa estonteante Promoção de Natal, Arlindo Valter? Tá aí pensando "elas já devem ter um vencedor, agora é tarde"? Bobagem, Pâmela Suzana! Ontem mesmo pintou aqui um artigo muuuuito bom. Imagina se o autor tivesse sido pessimistinha como você!? Então vai, César Augusto: clique aqui, informe-se bem e bote a cachola para funcionar. Vai, que até meia-noite ainda é tempo, Celeste Catarina! Alexander, o Pequeno Você conhece Alexander (para nós, latinos, Alexandre), o Grande? Pelo menos já deve ter ouvido falar no moço nascido em 356 a.C. lá na Macedônia que, antes mesmo de assoprar 30 velinhas, liderou uma gigantesca campanha militar e tomou conta de metade do mundo daquele lado do Atlântico. Pois agora eu lhe apresento Alexander, o Pequeno. Ele ainda não conquistou terra alguma – a não ser o jardim –, e esperamos que a única arma em suas mãos seja um revólver de água. Alexander, o Pequeno é, como o próprio título já diz, pequeno. Na verdade, sua idade pode ser contada somente com quatro dedinhos rechonchudos, como adora mostrar. Igual ao seu xará, ele também nasceu do outro lado do oceano. Em Londres, mas precisamente. Filhote do meu tio querido, brasileiro, e da mulher dele, mexicana com sobrenome escocês. Nas veias do bracinho branquela corre sangue de uns sete povos diferentes, incluindo nicaraguenses e portugueses. Trocando em miúdos, Alexander – que não gosta de ser chamado de Alê – é um inglesinho que, logicamente, fala inglês. E espanhol. E português. E como fala, aquela matraca! Apesar da pouca idade (ou vai ver, por causa dela), é fluente nas três línguas e passeia de uma para outra com a mesma facilidade com que se joga no sofá para assistir a um desenho do Tom & Jerry. Apesar de não ser tão conhecido quanto o outro Alexander (mesmo já tendo invadido até Pompéia, nas férias), sua fama já está se espalhando – graças à prima ultra-coruja aqui. Pena que eu mesma o vi tão poucas vezes. Na última, fomos até o Parque da Mônica. Precisa dizer que me diverti horrores com o pequeno? Até na piscina de bolinhas eu entrei. Depois, fomos na loja que vende aquelas balinhas de gelatina (ou “gomitas”, segundo Alexander, o mexicano) e enchemos o saquinho de celofane com diversos tipos. Uma delas, porém, era um golfinho (ou “dolphin”, segundo Alexander, o inglês). O garotinho teve pena de comê-lo e ficou segurando a bala na mão durante toda a viagem de trem, mostrando-lhe a paisagem. Quando dizíamos “Come logo essa gomita, Alexander!”, ele fazia uma voz fininha dizendo “I´m a dolphin, please don´t eat me!”. A cada dia recebemos ligações do que eu costumo chamar de “disk-Alexander”. Todas as peripécias, pérolas e novas palavrinhas viajam quilômetros e quilômetros até chegarem deste lado da família. Soubemos que, por exemplo, ele estava com uma virose. O médico explicou para ele a necessidade de tomar bastante água e fazer xixi com freqüência, para expulsar os bichinhos. Pois bem. Lá estava Alexander brincando, quando minha tia disse para ele que há quatro horas ela não o via ir ao banheiro. “Os bichinhos estão fazendo uma festa dentro de você”, falou. Ele levantou-se rápido e respondeu “Xi, melhor eu ir logo antes que eles quebrem a piñata” – na cabecinha 1/3 mexicana, toda festa tem que ter uma. Mesmo a dos bichinhos microscópicos. As últimas notícias foram da festinha da escola católica que Alexander freqüenta. Ele ia participar da peça como um dos três reis magos. Estava emburradíssimo, porque seria o último a dar o presente ao “baby Jesus”. Não se conformava, ainda, com o fato de não poder usar uma capa vermelha para compor seu personagem. É triste saber que, quando nos falamos por telefone, talvez Alexander não se lembre ao certo quem é essa prima aqui. Mas eu sei bem quem ele é. E agora você também sabe um pouquinho sobre essa figura ímpar da História. Pelo menos, da nossa história. ![]() Alexander e seu troféu de "o mais simpático" da festinha
Extra! Você tem apenas até hoje para participar de nossa brilhante Promoção de Natal! Serão considerados apenas os textos que chegarem até a meia-noite! Depois, tudo vira abóbora. Anda logo com isso e clique aqui! Vivi Griswold às 09:09 AM
O poder da síntese Uma das minhas funções aqui na redação onde trabalho é alimentar um banco de dados com títulos de filmes. Acontece que um dos campos da ficha é sinopse. E acontece que, como qualquer banco de dados que se preze, existe um padrão e uma limitação de caracteres para este campo, o que sempre me põe em apuros. Afinal, há filmes que simplesmente não podem ser explicados em três linhas! A não ser que você tenha o "poder da síntese", que a professora de Geografia da 6ª série creditava à minha soul sister Roberta, amiguinha daquela época e de sempre, per secula seculorum, amem. É que a Roberta fazia os resumos mais enxutos e bem-apanhados dos capítulos do livro. Já para mim, falar (ou escrever) pouco é quase sempre um problema. Especialmente em se tratando de filmes. Mas tem um pessoal de um site por aí que não acha. Guiada pelo link de outro camaradinha, fui parar num hilário reduto de filmes ultra-condensados. Lá, o barato é resumir clássicos do cinema ou épicos de quatro horas a míseras cinco ou seis linhas, de maneira que o internauta possa ficar por dentro do assunto tela-grande sem perder mais que trinta segundos. Quer tentar? Eles têm ou não têm o poder da síntese? Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento Contatos Imediatos do Terceiro Grau Close Encounters of the Third Kind O Império Contra-Ataca The Empire Strikes Back O Poderoso Chefão The Godfather E o Vento Levou… Gone with the Wind Top Gun – Ases Indomáveis Mais resumido que isso, só o causo que ouvi sobre o jornalista que, com 30 caracteres para dar a sinopse de "Cidadão Kane", tascou um "Magnata chora a perda do trenó". Um gênio do resumo ou o quê?
Magnata chora a perda do trenó. E precisa mais? Tem muito mais de onde esse veio Se você gostou dos resumos, visite o Movie-A-Minute. Mas lembre-se que todo o conteúdo é em inglês e a tradução aí em cima foi um oferecimento desta humilde escriba, que teve à tiracolo um dicionário Collins Gem para as horas de aperto.
* * * * * * * Tem programa para hoje à noite? Não? Pois agora já tem: amanhã é o último dia para participar da promoção de Natal do Garotas! Então, nada de preguiça: meta a mão no teclado e nos mande até amanhã um texto para concorrer. Basta que suas palavrinhas discorram sobre o tema infância e tenham uma lista com 10 itens. O prêmio é capaz de alegrar ainda mais qualquer noite feliz… Para saber mais, clique aqui! O hetero na berlinda Domingo à noite sempre envolveu ações muito específicas. Para mim, algumas delas eram assistir ao Fantástico, comer tostex de queijo com presunto e tomate, passar na casa da vó e pensar com depressão sobre a segunda-feira se aproximando. Até cinco gays aparecerem para me fazer chorar de rir rolando pela cama. Ok, isso ficou estranho... melhor explicar quem são os “Fab Five”. Esses cinco “moços” são os apresentadores pirados do meu novo programa predileto na tv a cabo. Chama-se “Queer Eye For The Straight Guy”, anote aí. Aproveita e escreve ao lado: domingo, 21 horas, canal Sony. Pelamordedeus, esquece Pedro Bial e Glória Maria! É preciso passar por esse show ao menos uma vez na vida. Os cinco fabulosos que empregam seu “olhar diferente sobre um cara hetero” são figuras ímpares. Jay (cultura), Thom (decoração), Kyan (beleza), Ted (gastronomia) e Carson (moda) formam um grupo tão classudo quanto afetado. No programa, as estrelas se propõem a transformar um ser das cavernas em gente. Mas esse é um processo que não vai sair barato. Em geral, pega-se para Cristo um tipo que guarda comida sob o sofá, não lava as próprias cuecas e deixa acumular lodo desde a pia da cozinha até o meio dos dedos do pé. Juro: eu sempre soube que existiam homens-porcos no mundo. Só não imaginava que isso podia chegar a conseqüências tão podres e revoltantes. O show tem uma hora, mas eles passam um dia todo com o macho aprisionado. O primeiro passo é tirá-lo de casa para consertar o desastre nuclear que se abateu sobre a residência. Enquanto o homem vai às compras com Carson (a louca-mor e mais divertida) ou aprende com Kyan a fazer a própria higiene num salão de beleza, Thom, Jay e Ted eliminam porcarias de toda sorte e dão um tapa na moradia. Normalmente isso envolve muita cândida e pintura de parede. Daí por diante, é fazer do “projeto de gente” um tipo interessante. Ver caras comuns serem desancados e atacados por cinco bibas é uma das coisas mais hilárias que a tv já apresentou. Não fica repetitivo como aqueles programas onde alguém é selecionado para ganhar roupa nova e um penteado decente! Os Fab Five fuçam a casa inteira do cidadão, fazem os comentários mais embaraçosos na frente da câmera e ainda acham tempo para obrigar o hetero lhes dar abraços e beijinhos. Mas tudo na base do carinho e amizade. Eu passo mal de rir. Os sujeitos indicados para a mudança de vida precisam de uma motivação forte – que pode ser pedir a namorada em casamento ou se apresentar para uma entrevista de emprego. Para isso, eles devem aprender a se barbear com algo que não seja sabão de coco e a não guardar resto de macarrão na geladeira por seis meses. Mas, por incrível que pareça, o estilo de cada rapaz costuma ser preservado. Nem um grão de purpurina é lançado sobre o cara: os fabulosos têm bom gosto, pensa o quê? Essas cinco peças raras fazem com que suas presas aprendam isso e muito mais, algo que impressione tanto amigos quanto familiares do ex-habitante-do-chiqueiro. Em todos os episódios, de um modo ou outro, nasce aí mais um homem sociável, charmoso, gentil – e com odor muito melhor, claro. Isso, parece que rapazes gays ensinam melhor do que ninguém a rapazes não-gays.
Tá sentindo um vento fresco vindo do secador? Ninguém segura esse velhote Um senhor de cabelos brancos cuja face exibe todas as rugas que a idade de 77 anos pode causar. Mas ao invés de aproveitar seus dias serenos de aposentado jogando dominó, freqüentando bailes da terceira idade e cuidando da horta do jardim, esse senhor prefere interpretar papéis esdrúxulos nos filmes mais hilários de Hollywood. Pois de vovozinho, Leslie Nielsen não tem nada. Meu último encontro com o velhote-malucão-muito-louco-da-pesada foi na estréia para jornalistas de “Todo Mundo Em Pânico 3”, ontem, às 10h30 da manhã. Eu e Flá comparecemos ao evento, só porque queríamos gargalhar como duas insanas sem precisar pagar 13 reais de entrada de cinema para isso. E o plano deu certo! Saímos com dor de barriga, felizes por ver sêo Nielsen de novo em ação. Lá estavam ele e seus cabelinhos cor de neve fazendo palhaçadas com a cara mais séria e deslavada do mundo – Leslie não precisa carregar uma personalidade frenética como a de Robin Williams para conquistar o riso dos espectadores. Outro fato interessante: você já viu o ator em tempos da juventude? Nem eu. Aliás, tenho a nítida impressão de que ele já era assim desde bebê. Ok, pensar num bebê com a cara do Leslie Nielsen foi bem apavorante. Mas nem tanto quanto imaginá-lo como presidente dos Estados Unidos, papel ilustre que interpreta na comédia marcada para estrear dia 9 de janeiro. Ora, se o Exterminador do Futuro é hoje governador da Califórnia, porque Leslie não pode liderar a nação ianque? Seria divertido. Ou não. O personagem que o consagrou – se é que isso aconteceu realmente – foi o detetive Frank Drebin. “Corra que a Polícia Vem Aí” é uma sucessão de besteiras sem tamanho, mas eu confesso que poucas foram as vezes em que eu perdi o fôlego de tanto dar risada com um filme. Na história, Frank é escalado para proteger a rainha da Inglaterra. Para arrematar a completa insanidade, a produção conta com participações especiais de Priscilla Presley e O.J. Simpson. Que senhor poderia escolher um papel em que precisa se enfiar dentro de uma camisinha gigante? Ou observar a mulher subindo uma escada e dizer para ela “bonito castor!”? Ou protagonizar cenas como a busca na casa do bandido, em que ele abre a gaveta, diz “Bingo!” e tira de dentro dela... uma cartela de bingo? Ou deslizar em cima de uma sósia da rainha Elizabeth II numa mesa de banquete? Ou sair de uma sessão de “Platoon” rindo? Leslie pode. Imperdível também é o clássico “Apertem os Cintos: o Piloto Sumiu”. Apesar do piloto não sumir, como sugere a tradução absurda que deram para “Airplane!”, o filme é muito, muito engraçado. E Leslie, no papel do doutor Rumack, faz a festa. Em uma cena, ele diz para a comissária de bordo: “É melhor você avisar ao capitão que precisamos aterrissar o mais rápido possível, pois esta mulher precisa ser levada ao hospital”. Quando ela pergunta “Mas o que é?”, ele responde “É um prédio cheio de pacientes, mas isso não importa agora”. Rá. Leslie é a prova viva, porém, de que nem sempre idade tem a ver com sabedoria. Ou então, prefiro pensar que ele gosta de brincar a qualquer preço. Uma das duas hipóteses (ou as duas somadas) pode explicar a participação em produções terríveis como “A Repossuída” (paródia de “O Exorcista”), “2001: Um Maluco Solto no Espaço” (paródia de “2001: Uma Odisséia no Espaço”), “Drácula: Morto Mas Feliz” (paródia de... ah, você desconfia), “Duro de Espiar”, “Surfistas Ninjas” e “Mr. Magoo”. Pensando bem, poucos são os atores com coragem para encarar um currículo desses. Mas respeitem os cabelos brancos de Leslie! Pelo menos, ele deve se divertir muito mais assim do que jogando bocha... ![]() O disfarce perfeito para um pirado
Hora de priar cânico: você só tem até amanhã, 19/12, para mandar seu top 10 com o tema infância e concorrer à festiva Promoção de Natal do Garotas! Os textos que já chegaram em nossa caixa-postal estão guardados esperando o momento de apuração. Portanto, como alguns leitores sugeriram, ainda não temos um vencedor. Mãos à obra que dá tempo! Para mais informações, já sabe. Clica aqui, vá... Vivi Griswold às 09:19 AM
Lava essa boca com sabão! Não sei se vocês já observaram esse fenômeno, mas aqui no condô tem um punhado de crianças naquela incômoda idade em que brincar de carrinho ou boneca ainda é legal, mas a pestana já arrasta para o sexo oposto e você não quer mais ser visto em público dando a mão para a sua mãe ou seu pai. E essa classe de seres adora falar um palavrão. Eu não sei o que é, mas parece que qualquer desafio aos bons modos que você aprendeu em casa demonstrado em público (ou melhor, entre o bando) é uma coisa bonita de se fazer. Então, eles abrem a torneirinha de asneiras e riem-se até, simplesmente por xingar uns aos outros. Os diálogos que ouço por aqui consistem basicamente no seguinte: Não me lembro se eu também era assim. Sempre fui uma palavroeira de mão (ou boca) cheia, mas não ficava xingando meus amigos à toa. Ok, só um pouco. Mas acho que esse pitoresco comportamento é mais típico de meninos, já que até hoje é possível ouvir diálogos assim entre senhores de mais de 40, que são amigões de verdade: - Fala, sua bicha! E aí, aquela merda que eu te pedi está pronta? Acho que é por causa desse estranho hábito, florescido na pré-adolescência à guisa de rebeldia, que aquelas clássicas musiquinhas de duplo sentido e gosto duvidoso pipocam bem na época do ginásio. O quê?! Você não se lembra? Então, prepare-se para voltar à 6a "B" e cante comigo! Pega essa música suja... Sabão Crá-Crá Amigo da Garotada Fulano é meu Amigo Jererê, Jererê Durma com um calor desses Eu não sei vocês, mas eu abomino dias quentes em excesso. Desde os seis anos de idade, aliás. Funciona mais ou menos assim: 16 graus, feliz e bom de usar casaco; 22 graus, contente, confortável e pronta para qualquer parada; 27 graus pra cima, terrível, doloroso e incômodo demais. Como classificar, então, os 34 graus que meu termômetro da sacada registrou nos últimos quatro dias? O calorzinho modesto tem ótimas coisas envolvidas, não me entendam mal. Sou gente comum, adoro dar mergulho bomba na piscina enquanto vejo o astro-rei sorrir lá do alto. Mas eu posso fazer isso na casa dos 20 graus! Não preciso ter o coco torrado para sentir as benesses do verão ou a vitamina A sendo sintetizada com a luz solar! Calor fulminante ainda traz consigo situações pra lá de aborrecidas. Podem me chamar de garota-enxaqueca à vontade. Quando se trata de sol, eu sou muito mais Suécia do que Bangladesh. E vejam se não tenho razão sobre esses incômodos acarretados. Gente com sandália? Passa meus óculos escuros... Psicóticos à solta A vida numa sauna Pressão baixa são meus nomes do meio Além de tudo, consome bufunfa E dizem por aí que a tendência é o calor ficar pior a cada ano, por causa do efeito estufa e tal. Ótimo... então é só esperar um bocadinho e, em 2004, entrar em combustão espontânea. Fla Wonka às 01:27 PMPegue a arruda e faça figa! Roberto Carlos é um homem que, além de usar mullet e franja além do permitido pelas leis da humanidade, carrega inúmeras manias estranhas. O Rei, por exemplo, só usa roupas em tons de azul claro e branco. Também nunca sai pela mesma porta que entrou, não usa verbos negativos como “morrer” e não compra nada que tenha a cor marrom. Antes de julgá-lo, pense bem: será que, mesmo no fundo, você não guarda ao menos uma superstição? Eu, que já não sou muito certa da cachola e acredito em monstro do Lago Ness, tenho de confessar que guardo de leve. O problema é que algumas superstições e crendices populares estão tão arraigadas no nosso subconsciente – graças às avós, às tias e às vizinhas Mirtes – que acabamos carregando a prática e passando adiante mesmo sem querer. E com o ano de 2004 se aproximando, sai de baixo. Porque este é o momento em que todas as manias populares ressurgem com a força de um furacão porto-riquenho. Então vamos relembrar algumas das mais famosas para você não passar carão diante da parentada! Bater na madeira três vezes Não passar debaixo de escada Coceira na mão direita é dinheiro Não dormir com a porta do armário aberta Andar com uma nota de dólar na carteira Não deixar sapato virado Quebrar espelho dá sete anos de azar Não colocar bolsa no chão Dizer “má sorte” Não deixar relógio parado em casa
Eu não me esqueço A minha avó é a pessoa mais sábia do mundo. Quer dizer, era. Uma série de pequenos derrames mandaram a dona Flor (que não tinha dois maridos, mas um que valia por dois em tamanho e um pouco de chatice) para algum outro lugar que não sei bem qual é. Ela não nos reconhece mais, fala muito pouco e requer assistência para andar, comer, se vestir… continuar a viver. A nona já está nessa há uns cinco anos. Nas raras ocasiões em que ri ou faz seus olhos adquirirem alguma expressão, me mata de alegria. Quando diz meu nome, então, nem se fala – mesmo que eu sempre tenha que ajudar falando a primeira sílaba. Eu me espanto com a audácia dessas doenças da cachola. Como essas porcarias de AVCs (ou Acidentes Vasculares Cerebrais) ousam fazer minha vó se esquecer de mim? Logo de mim, que passava as manhãs sob os cuidados dela enquanto minha mãe terminava os estudos? A casa da minha avó tinha o tradicional quintal de cimento queimado, com a frente forrada daqueles caquinhos baratos de ladrilho vermelho, com um ocasional amarelo e preto aqui e ali. Também tinha um jardim onde ela plantava rosas, azaléias e camarão-amarelo, além de uma grama fofinha na qual eu adorava afundar a mão e uns pés de erva cidreira e outras bossas medicinais. Ela sabia de tudo: de o que comer quando se está com dor-de-barriga a receitas de vinho, pão doce e massa de pizza caseiras; de quantas vezes regar uma azaléia a como entreter uma criança tímida e absorta – no caso, eu. A Nina, como meu avô a chamava, me deixava brincar com a infindável coleção de botões, de toda sorte de tamanhos, cores e formatos, que a segunda gaveta da sua máquina de costura – outro clássico das casas de avó – guardava. Ela enfiava uma linha e eu passava horas alinhavando botões. Depois, desmanchava aquele estranho colar colorido e ia puxar a barra da saia dela em busca de outra coisa para fazer. Geralmente, isso significava ficar ao pé da pia da cozinha, retirando pacientemente todas as panelas que se escondiam ali, enquanto ela lavava a louça. Depois, eu rearranjava tudo de novo mais ou menos no mesmo lugar (cruzes, eu devia ser uma criança muito absorta meeesmo para me entreter com isso). Mas a glória absoluta era brincar com o tacho de água. Ela enchia uma baciona, dessas de lata, que hoje acho que nem existem mais. Punha perto da grama e me deixava sapecar as mãozinhas e me refrescar. Os respingos da água molhavam o chão de cimento queimado e evaporavam tão rápido que parecia mágica. Hoje, passando alguns dias no hospital e outros na casa da minha mãe, cuidando de uma boneca que ela jura ser um bebê de verdade, Nina pode ter se esquecido de que é minha vó. Mas eu não me esqueço de que sou neta dela – e nem poderia, porque ela (ainda) é a melhor vó do mundo.
Eu, um chapéu ridículo e o saudoso quintal da minha avó
Portal mágico em capítulos O efeito que o cinema tem sobre mim é digno de estudos psicológicos avançados. Bastou sentar na poltrona e apagar a luz, pronto: o turbilhão de emoções toma conta e é um tal de rir, chorar, vibrar, xingar... Os livros fazem quase a mesma coisa. A diferença é que, com as obras encadernadas, não há sala escura para esconder meu “showzinho” – e, em se tratando de dois títulos em especial, é questão de tempo até alguém oferecer uma aspirina. Chamam-se “A Sangue Frio” e “A Saga do Endurance”. Assim como acontece com alguns filmes selecionados, posso reencontrar esses livros a cada seis meses que não enjôo. É como ver “Curtindo a Vida Adoidado” pela milésima vez, só pode ficar melhor! Tudo bem, com essas obras não há muito jeito de rir como na cena em que Ferris dá golpe no restaurante francês... Os dois volumes apostam mais na sangueira e no drama mesmo. O primeiro é leitura obrigatória para jornalistas, estudantes disso ou qualquer um que lide com fatos, verdades e o público. Eu conto um pouco, para explicar. Escrito por Truman Capote em 1966, o livro é conhecido por ser um romance-reportagem. Acontece assim: o fato narrado ali – o assassinato cruel de uma família do interior americano – é verdadeiro. Capote viajou ao local da tragédia, entrevistou dezenas de pessoas. Mas, em vez de contar isso apenas numa reportagem do caderno policial, ele produziu um livro. Os acontecimentos estão ali, mas ele monta isso na forma de um romance, com cada personagem descrito por meio de verdades e alguma imaginação. Sabe no que deu? Um livro tão atormentador que chega a dar pavor. Na primeira vez em que eu li, estava numa viagem a Buenos Aires. Antes de dormir, lia um bocadinho de “A Sangue Frio”, para ver se dava sono. Sono??? Tive que verificar a fechadura 12 vezes e pensar em gatinhos ronronantes para conseguir dormir. Se o leitor aí do outro lado não quer morrer de medo com famílias assassinadas e torturadas ou pesar os resultados da pena de morte – o livro foca muito nisso também –, é melhor ficar com o outro dos meus prediletos. “A Saga do Endurance” é literatura verídica também, mas o único sangue que rola pelo solo é o de focas, pingüins e cachorros. O que não é nenhum alento, é verdade... Acontece que a história contada por Alfred Lansing (e depois recontada, com fotos, por Caroline Alexander) se passou em 1914, época em que alguns homens se engalfinhavam para ver quem conquistava mais terras distantes. O explorador-e-malucão da vez era Ernest Shackleton, um navegador irlandês competente e esperto. Líder da expedição, Shackleton pretendia ir de navio até o Pólo Sul, desembarcar e cruzar o continente gelado a pé, a primeira travessia transantártica do mundo. Deu certo? Hum... conto mais? Ok, vá lá, só mais um bocadinho. O navio chegou no pólo e atracou, mas algo deu errado. O gelo fechou em torno do Endurance e amassou o barco como eu faço com papel de bala. Resultado: 28 sujeitos largados no meio do nada absoluto, sem condução para casa e sem resgate vindo para socorro. Basta contar que a viagem desses homens de volta à Europa é uma das epopéias mais incríveis e maravilhosas já executadas. Não conto além disso para não estragar, mas confia em mim: ser obrigado a comer pobres foquinhas e dar cabo dos cães levados para puxar trenó foi o de menos. Quem mandou os marinheiros do Endurance se meterem onde não eram chamados, dizem vocês? Ninguém, digo eu. Mas que conhecer essa história me faz serrar os punhos, erguer os bracinhos e soltar vários “aêê!” junto com lagriminhas, lá isso faz. Assim como abro o berreiro com a descrição da morte da família Clutter – principalmente da filha mais nova. Droga... alguém aí tem uma aspirina? Achôôôô! Após muitos meses brincando de esconde-esconde com as tropas norte-americanas, sêo Saddam finalmente foi encontrado. E eu que cheguei a pensar muitas vezes no ilustre iraquiano dividindo um apartamento cheio de labaredas com o coisa-ruim – como mostra o desenho “South Park”. Também não botava muita fé no Bush (aliás, continuo não botando), pois se ele tem cara de gente que perde meia no vão da cômoda, imagine o esforço para achar um bigodudo em pleno Oriente Médio. Mas agora que a brincadeira acabou e o paradeiro do hómi é público, poderíamos usar o empenho e a eficácia ianques para encontrar centenas de ex-famosos desaparecidos. Se vocês pegaram Saddam, qualquer outra pessoa deve ser fichinha, né, tio Bush? Então deixe a guerra pra lá e tente desvendar os paradeiros misteriosos de... ... Super Vickie e Super Gatas ... Garotos-propagandas ... A Marriete e o Bugalu? ... Os Coreys? ... as boy-bands? ... o Patropi? Força, tropas! ![]() Nome: Regina Célia Anhelli Codinome: Gigi do “Bambalalão” Último paradeiro: Teatro Franco Zampari, São Paulo Quando: em algum momento de 1985
Também somos boas...
Respira fundo e conta até dez Que alongamento corporal que nada! A modalidade mais necessária para viver na cidade é o alongamento dessa virtude chamada paciência. Eu sou conhecida por ser um poço da tal qualidade – consigo até ouvir "Florentina", do Tiririca, de cabo a rabo (e rir) – mas ultimamente está difícil manter o equilíbrio. O gozado é que partimos do princípio de que as pequenas coisas da vida estão cada vez mais facilitadas, com o progresso científico humano. Mas o caso é que o progresso da cidadania humana não está acompanhando o ritmo. E por isso, é cada vez mais torturante… Encarar o trânsito Fazer compras Assistir à TV aberta Ouvir rádio O que nós vimos, o que vocês verão Ser jornalista pode não ser um mar de rosas, mas tem pequenas compensações capazes de causar invejinha por aí – e nessas é que eu me agarro para seguir em frente. A maior de todas deve ser o pioneirismo. Somos os primeiros a saber de quase tudo! Para garota curiosa como eu, isso é benefício melhor que plano de saúde. Sabe onde exercitei essa minha sanha por novidades no último sábado? Na apresentação de “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei”! Eu, Vivi e um mar sem fim de “jornalistas” (se aquelas 400 cabeças forem profissionais do setor, pode me chamar de Genoveva) participamos desse nerdíssimo evento a convite da Warner do Brasil. Já aconteceu muitas vezes de fazermos parte de pré-pré-pré-estréias de filmes bons, mas não me lembro de ter sido tão emocionante. Olha, eu nem sou a maior fã viva da saga criada por Tolkien. Não li qualquer página dos livros e só conheci a viagem de Frodo e seu anel (no bom sentido) com o lançamento no cinema. Ainda assim, apaixonei. Ô trilogia danada de boa... A melhor de todas as lançadas até hoje, talvez. Antes que a polêmica se espalhe, eu explico a lógica. Os filmes com Indiana Jones e Marty McFly são os grupinhos de três que eu mais adoro. Uma tem personagens incríveis e aventura em dose animal, outra tem excelente humor e história magnífica e amarrada com perfeição. Mas “O Senhor dos Anéis” junta tudo o que ambas têm de melhor e mais ainda. Magia? O cinema nunca foi tão mágico. Esse terceiro filme foi o arremate perfeito para a história, trazendo tudo o que vimos antes em carga tripla. As batalhas são de cair o queixo, o romantismo é de causar diabetes, os personagens assumem suas vocações até o limite. Para fazer uma mocinha cética como eu chorar com a amizade de dois hobbits, é porque a coisa foi forte... Aliás, foi ótimo finalmente ter certeza que trata-se de uma história sobre amizade. Tirando todos os orcs gosmentos, os efeitos e a firula, o que sobra é uma mensagem muito clara sobre ser fiel aos princípios e aos amigos. Chuinf... tem coisa mais bonita de se ver? Tem: o Legolas. Mas mesmo com o meu elfo predileto dando as caras de vez em quando, quem rouba a cena definitivamente é o zoiudinho Gollum. Não quero ninguém tentando me convencer de que o ex-hobbit cooptado pelo lado escuro da força é de mentira! Com aquelas expressões faciais? Nem pensar! Quando o Oscar chegar, conto ver o Gollum de smoking subindo ao palco para agradecer sua estátua de melhor coadjuvante. Nem que seja com os pés sujos e peludos de fora. A cena inicial é das melhores, onde ele aparece, explica muita coisa. Claro que eu não vou contar mais do que isso, bobos, senão estraga. Mas vale deixar avisado sobre esse e outros pontos de observação especial: a seqüência inicial, a invasão de Minas Tirith, a participação dos incômodos olifantes e como Legolas arregaça com um deles, os faróis sendo acesos através da Terra Média, a relação de Frodo e o gorducho Sam em meio às intrigas de Gollum. Saco! Ainda demora um bocadinho pra chegar o dia 25 de dezembro e eu rever tudo isso. Mas, pensando bem, o melhor lado dessa minha profissão não é saber de tudo antes. Contar para os outros é muito melhor! E se vocês quiserem continuar sabendo, vai ser um prazer continuar dividindo.
Deu até pra sonhar com essa carinha doce... Elas não têm TPM Em um mundo de mentirinha liderado por homens (e criado por eles também), as garotas de desenho animado conseguem permanecer em evidência graças ao charme e ao irresistível apelo feminino. Está certo que, enquanto algumas heroínas são duronas, briguentas e independentes, outras vivem em perigo e gritando por socorro. Tudo bem. Nem sempre é possível salvar o dia, não é mesmo? Conheço muito menino que já sonhou em ter algumas das beldades abaixo nos braços. E muita menina cujo desejo é estar na pele (ou melhor, nos traços) da maioria delas - ainda que cumpram uma função estritamente decorativa. Pelo menos não descem do salto alto, sabem se maquiar como ninguém, conservam os cachos em perfeito alinhamento e, pelo visto, não têm TPM. 10) Olívia Palito 9) Penélope Charmosa 8) Cheetara 7) Dee-Dee 6) Smurfette 5) She-ra 4) Daphne 3) Sandy Bochechas 2) Sheila 1) Betty Boop
Sim, amiguinho: você tem apenas mais alguns dias para enviar seu top 10 com o tema infância para nossa cheirosa e saborosa Promoção de Natal. Você não vai ficar de fora, né? Até porque temos uma surpresinha! Como estão chegando artigos excelentes, decidimos publicar o segundo e o terceiro colocados também. Então fica assim: o primeiro lugar leva a cesta de prêmios, mas todos os três aparecem no site! O Garotas do dia 24, portanto, será feito por vocês! Não é legal? Para mais detalhes, clique já aqui! Vivi Griswold às 09:53 AM
Indústrias Musicais Mesa-Branca S.A. Igualzinha a Vivi, prefiro acreditar nas versões mais inventivas e delirantes das teorias conspiratórias, como Paul McCartney morreu, Elvis vive e Nessie existe, confortavelmente instalada no lago Ness. Não porque tais afirmações tenham lógica ou embasamento, mas simplesmente porque são mais divertidas do que saber que Paul segue firme e forte, o Rei nos deixou há algum tempo e as tais águas escocesas nunca viram nada além de peixes. Por isso acredito não só nas lendas acima, mas também na existência da dinastia merovíngia, dos Illuminati e de outras sociedades conspiratórias e/ou mafiosas, que tentam dominar o mundo ou o que sobrou dele. Flá contou hoje os setores que ela jura serem controlados pela máfia, e vou acrescer a lista com duas indústrias secretas – como toda boa conspiração, tem de ter algo por debaixo dos panos… A primeira indústria secreta é a das composições póstumas. É impressionante como astros da música que já bateram a caçuleta continuam lançando canções! Isso só pode significar duas coisas: ou os figurões estão vivos e bem, morando com Elvis nalguma ilha paradisíaca, ou há um grupo de pessoas que continuam compondo para os falecidos e distribuindo as partituras e letras para as gravadoras, que ganham pesado com o filão necrófilo. Eu fico com um misto das duas teorias: acho que Renato Russo e Tupac Shakur, campeões dos lançamentos mesa-branca, comandam um escritório de composições situado no Suriname – afinal, quem vai se lembrar de procurar pelos dois ali? A outra indústria secreta é a das novas modalidades de assalto. A cada semana surge uma nova coleção, feito aquelas grifes de moda. Ladrões que esguicham silicone no vidro do carro; bandidos que invadem sua casa disfarçados de polícia civil; assaltantes que roubam você quando a porta do veículo é aberta para puxar o cinto de segurança para dentro… São tantos e-boatos que merecem um texto à parte. Só pode ser produto de uma mente perversa – ou de várias, interessadas em amedrontar as pessoas gratuitamente. E, medo por medo, eu prefiro me assustar com Nessie, com a arrepiante história Paul is Dead ou com a possibilidade de topar com Elvis andando nas ruas de Piraporinha. Com o naipe que o moço ostentava nos últimos (?) dias de vida, isso seria verdadeiramente assustador…
Ele podia ser o Rei, mas a lataria estava bem danificada perto do fim, hein? Nós dizemos Ni – e obrigada também! Ontem terminou a Primeira Fase de votação do iBest. O resultado só sai no dia 15 de janeiro – aposto que só para fazer suspense, porque se até resultado de eleição para presida sai no mesmo dia, que dirá uma competição de sites… Até lá, estaremos de dedos cruzados e corações cheios de gratidão pelo apoio dos nossos leitores que disseram ni, votaram na gente e agüentaram o pop-up com a cara de brava da Rosie. Obrigada, queridos e queridas! Nós vivemos para isso (não para a cara da Rosie, mas para falar com vocês).
Porcos, ordinários, mafiosos! Se tem uma coisa na qual eu acredito piamente é na Teoria da Conspiração. Vão por mim, amiguinhos: todos os fatos que ganham vulto na imprensa ou no boca-a-boca estão correlacionados. Não há acaso, não existe coincidência. É tudo um plano maligno de dominação mundial forjado no fogo do inferno pelos mercenários homens da máfia. Basta o fofo porteiro do prédio entregar o maço de cartas pra eu saber que ali não terá nenhum cartão me presenteando com um jantar ou felicitando por ser boa menina. É só conta, conta e mais conta. Todas vindas de empresas safadas e incompetentes, vale dizer. Aposto meu CD da Zizi Possi cantando em italiano: os presidentes desses estabelecimentos se juntam toda quarta à noite nalgum bar escuro e fumacento para decidir como vão nos sacanear no mês que vem. Estamos nas mãos de gente perversa, pessoal! Dou as explicações abaixo. São os dez tipos de exploração que me deixam mais deprimida que tigre de zoológico e mais revoltada que adolescente cuja mãe não compra miojo. Telefonia Internet Celular IPVA Banco Tv a cabo Condomínio Estacionamento Cartão de crédito Hiper-ultra-mega-motherfucker-mercado Em busca do presente perfeito Sendo uma pessoa que gosta infinitamente mais de dar presentes do que de ganhá-los, tenho passado algumas horas de preocupação. Não apenas porque a época é de vacas anoréxicas, tampouco porque faltam 12 dias para você-sabe-o-quê. Como sempre, fico querendo achar a prenda mais legal de todas - aquela que, ao recebê-la, a pessoa pensa “puxa, como essa garota é batuta!”. E preciso me esforçar para merecer a fama. Dou início à minha busca pelo presente perfeito partindo do pressuposto de que presente tem que ser original. Camisa, pacote de cueca e CDs estão de fora, portanto. Gosto de pensar também no que eu adoraria ganhar – normalmente dá certo. Agora que juntei as escovas de dentes, fico feliz de ver o tanto de coisas legais que já entreguei e que no momento enfeitam nosso apê. Sabe a cena de “Splash – Uma Sereia em Minha Vida”, quando o Tom Hanks dá um embrulho para a Daryl Hannah e ela acha que a caixa com um laço amarrado já é o presente em si? Essa sou eu. Não chego a me emocionar com pacotes, mas já gostei muito mais de alguns cartões e bilhetinhos meigos do que do conteúdo propriamente dito. Comigo, nem precisa usar a frase de avó “não repara que é mixo”. Nunca reparo. Voltando à saga. Brinquedo é sempre algo bom para se dar. E para ganhar. Está certo que o complexo de Peter Pan (no meu caso, pode ser complexo de Sininho?) chegou por aqui e montou acampamento fixo. Mas tem coisa melhor do que receber ou entregar uma grande caixa colorida, recheada por muitas pecinhas ainda mais coloridas e divertidas? Não. Definitivamente. Uma vez com algumas idéias na cabeça, é hora de ir à luta – ou às compras. O que, aos poucos, vai se revelando uma tarefa cada vez mais árdua. Sair de casa no mês de dezembro pode causar mais danos do que bater com a cabeça na parede repetidas vezes. Primeiro, esse calor senegalês que não dá trégua e faz você suar por todos os poros nos primeiros quinze minutos de empreitada. Depois, esse povo todo na rua. Todas as lojas estão entupidas, todas as ruas estão congestionadas. Eu me sinto no carnaval de Salvador quando finalmente consigo entrar em algum estabelecimento comercial – caindo no meio do mais puro esfrega-esfrega, puxa-puxa e empurra-empurra. Só que a trilha sonora, ao invés de axé, é a Simone cantando “então é Natal...”. Ou algum midi remixado de “Noite Feliz”. Loja de brinquedos, meu alvo favorito ano após ano, também não é uma maravilha. Lotadíssima de mães, pais, avós e tios buscando lembrancinhas. E criança saindo até pela caixa registradora. Freqüentar lugares do tipo nesta época é pedir para testemunhar cenas da mais pura barbárie infantil: o que tem de menina se jogando no chão e se descabelando por uma boneca, ou menino empurrando o amiguinho de cima da bicicleta que ele quer ganhar... Pastelão puro e grátis. Mas cansa logo. A Internet é um bom lugar para procurar prendas originais, principalmente naqueles sites de pseudo-leilões. Mas não dá para correr o risco de encomendar alguma coisa pelo correio nesta altura do campeonato. É capaz que chegue em tempo do Natal... de 2004. Outras pedidas são feiras de bugigangas antigas, como a do Bixiga, aqui em São Paulo. Adoro aquela bagunça composta por pessoas, objetos e traças. Pois bem. Eu ainda não encontrei o que estava procurando. Ou começo a fazer como uma tia minha, cujas compras natalinas ocorrem em maio, ou relaxo e aproveito a época. Sei que vou acabar achando o tal presente perfeito, como sempre. Como sempre, meus olhinhos vão brilhar na hora de entregá-lo. E na hora de ler meu cartãozinho também. ![]() Não precisava se incomodar...
Duros na queda Por que cair é tão engraçado? Desde que não seja com a gente, ver um esborracho dos outros sempre gera risadas. Alguns, mais escrupulosos, ainda se dão ao trabalho de perguntar ao pobre: "machucou?" Outros nem se preocupam e soltam logo a gargalhada. Não tenho a menor idéia de onde vem esse hábito humano de achar graça em quedas, tombos e escorregões. Mas que funciona, funciona. Senão, ícones como o Gordo e o Magro, Buster Keaton e mesmo Chaplin não teriam prosperado e virado clássicos. Mesmo fora do contexto da slapstick comedy, ver as pessoas beijando o chão é cômico. Por isso reuni alguns dos tombos mais engraçados do cinema contemporâneo, sem contar os clássicos do pastelão. Segure-se e olhe o degrau. Levanta, não foi nada! De Volta para o Futuro Um Dia a Casa Cai Miss Simpatia O Casamento do Meu Melhor Amigo É melhor segurar bem essa desmiolada, senão ela cai do barco Cooooorram, vai explodir! Ok, não vai explodir nada. Mas é preciso correr para votar no Garotas para o Top 10 do iBest, que termina H-O-J-E! Você pode até escolher: quer que a gente esteja entre os 10 melhores sites na categoria Pessoal Entretenimento ou iBest Blog? Clica aí e vota, rápido, antes que dê meia-noite, o site vire abóbora e nós três voltemos à nossa forma original de ratinhos! O quê? Quer votar nos dois? Comeu muito Dip'n'Lik quando era pequeno? Tudo bem, tenta a sorte! Clara McFly às 06:48 PMNão vai falar direito mesmo? Minha avozinha paterna não nasceu na Itália, mas mesmo assim guarda muito do modo de falar dos carcamanos. É só prestar atenção pra ouvi-la dizer palavras como “polenta” puxando muito pro italianês herdado dos pais dela. Mas, no geral, vovó fala certinho, como toda senhora que passou a juventude morando na fronteira com Minas Gerais. Esquisito é notar que nem todo mundo cai na real como ela e tenta amenizar o sotaque. Quero explicações concretas sobre esse fato: por que algumas personalidades que moram a seis milênios no Brasil continuam a falar como estrangeiros recém-desembarcados no Porto de Santos? Querem arrumar papel no núcleo étnico da próxima novela das oito ou o quê? O simpático rabino Henry Sobel, por exemplo. Bastou resvalar no assunto “judeus X palestinos” que lá vai a massa de repórteres entrevistar o tiozinho da kipá. Pelo visto, ele sempre atende com a maior boa vontade – e ponderadamente, acho eu. Mas vai ver é só pela oportunidade de mostrar seu engraçado sotaque na tv e dizer coisas como “eu estar muita triste pelos prrrroblemas em Israel”. Poxa, desde que eu sou bebê vejo esse senhor torcer palavras. Ainda não teve aulinhas de português? E sabe o que mais: ele nasceu em Lisboa! Outro que não larga o osso do acento natal é o fotógrafo JR Duran. Mas esse eu acredito mesmo que faça de puro charme. Parece que o moço nasceu em Barcelona nos idos de 1952. Só que já estava em terras brasileiras em 1970, ou 18 anos depois. Não deu mesmo para perder o “castanholas way of talk” até hoje? É charminho, vai por mim. E o pior é que deve colar... Também sofrem do efeito língua-travada-no-nascimento o jornalista Cláudio Carsughi – aquele que distribui notas “sete vírgula trinta e três” para os jogadores de futebol – e a esteticista Ala Szerman. Essa, então, quase me mata de rir... No TV Mulher ela usava os “famo lá, xente!” para conduzir a ginástica matinal. Mas isso faz o quê, uns 20 anos? E até hoje mantém o sotaque argentino? Ou é uruguaio? Aliás, onde diabos nasceu a mulher? Vai ver foi na Moóca – e tudo se trata de uma farsa falada! Vai ser essa galerinha compra fitas cassete com moradores de sua terra natal conversando só pra não perder o contato com as raízes. Daí enchem uma xícara de chá, sentam na sala, colocam uma batatinha quente na boca e ficam repetindo as palavras com conjugação errada para treinar o sotaque diferenciado. O apresentador Milton Neves também deve fazer o mesmo – mas, no caso dele, a fita é apenas de “mineirês”. Acho que vou comprar essa pra vovó praticar. Pão frito com creme no meio Taí um tipo de sonho que eu adoro. Existe algo mais gostoso do que creminho amarelo de padaria? E no meio de dois pãezinhos devidamente encharcados de óleo? Mas não é dessa espécie de sonho que quero falar. Nem daquele sonho/desejo, tipo “Porta da Esperança”. É o sonho sonhado, à noite – filminho surreal que chega na sua cabeça sei lá de onde e muitas vezes você não entende. Ou nem lembra. No meu último sonho, estava dentro de um carro estacionado numa ladeira no centro de São Paulo, e o freio de mão falhou. Comecei a descer, sem tomar qualquer atitude prática (coisa que eu faria se estivesse no mundo real). Instantes depois, eu estava numa mansão na Inglaterra. Aparentemente, a mansão era minha (gostei) e eu estava prestes a participar de “Minha Casa, Sua Casa”. Agora o que uma ladeira na cidade e uma residência de campo inglesa têm em comum? Como as duas foram parar na minha cachola ao mesmo tempo? Mistério. Outro mistério é que, sempre que sonho com a minha casa, o que vejo é a casa onde morei há muito tempo. Nunca sonhei com o apartamento da minha mãe (minha casa por 10 anos e até uns quatro meses atrás) ou o meu próprio apartamento. Vai entender. Sonhos que eu não suporto são aqueles sem-graça, como ficar na fila de um banco, ou ir no supermercado, ou levar o carro para lavar. Uma grande perda de tempo. Pô, ao invés de sonharmos com galãs/estrelas hollywoodianos, festas glamourosas, passeios em cachoeira com unicórnios, viagens intergaláticas e outras coisitas agradáveis e impossíveis, passamos horas preciosas de sono vivendo o que viveríamos acordados. E aqueles sonhos que são comuns a todas as pessoas? Como sonhar que está voando. Eu já sonhei várias vezes que isso acontecia. Ou que estava caindo, despencada de um prédio ou de um penhasco. O estranho é que a gente sente até o friozinho na barriga por causa da queda virtual. Outro clássico noturno é ir pelado na escola. A vergonha é tão grande que passa a ser palpável. Você está lá, antes do sinal bater, no meio do pátio da entrada. Enquanto os coleguinhas vestem uniformes, você esqueceu de colocar roupa! E não há um ser vivo, desde alunos até o tiozinho da cantina, que não esteja apontando e rindo. Ah, que horror. Isso é pesadelo. Também costumo sonhar que estou tendo prova. Mas não é como se eu estivesse em idade escolar. Sou eu, como sou hoje, tendo prova. E, claro, não sabendo nada de trigonometria ou genética. Como sempre fui cdf, isso me assusta um pouco e eu acordo de mau humor. Depois passa. O mais estranho de todos os sonhos são aqueles com pessoas desconhecidas, que você nunca viu - mas que estão lá no mundo da fantasia, falando com você como se fossem amigos de uma vida. Alguns leitores já sonharam com a gente. Isso que dá, ficar aí dando trela para estas garotas. Por falar em garotas, Flá me contou ontem que está tendo um sonho recorrente: nós três ganhamos um dinheiro do nada e, ao invés de pagarmos todas nossas contas atrasadas, vamos juntas para Nova York. Já pensou? Isso sim é sonho – melhor até que o da padoca da esquina.
Grande demais para isso? A máquina de fazer doudos teve uma grande influência na minha infância. Tá, nem tão grande. Mas foi através dela que conheci alguns desenhos e programas que nunca mais me saíram da memória, como "Os Herculóides", "Dartagnan e os Três Mosqueteiros" e "Caverna do Dragão". Esses foram meus três desenhos favoritos por muito tempo. Quando tive a oportunidade de rever um deles, "Os Herculóides", no abençoado canal Boomerang, tive um choque: a história é um horror! A animação é muito ruim! O Zandor usa tiara! E o argumento todo não faz sentido: eles estão na pré-história ou no futuro? Coisa estranha... Mesmo assim, guardo a família de humanos e seus companheiros esquisitos (meu favorito era o triceratops que lançava umas pedrinhas pelo chifre) com carinho, na caixinha das memórias de infância. Um dia eu achei que aquilo prestava, talvez por culpa do excesso de ingestão de Dip’n’Lik, e o que vale é lembrar desses dias – não do desenho em si. Já com outros programas não tem desculpa. Esses eu conheci depois de grande, com o senso crítico mais formadinho (certo, nem tanto) e sem o Dip’n’Lik por perto. Gostei, assisti (ou assisto sempre que posso) e, mais tarde, não vou poder escrever um texto como esse dizendo que, puxa, aquilo era uma droga (o desenho, não o pirulito feito com a raspa dos reatores de Chernobyl). Esses são meus programas infantis favoritos, depois de grandinha. E que atire a primeira pedrinha (pelo chifre) quem não tem os seus! 5. Castelo Rá-Tim-Bum 4. Glub Glub 3. Rá-Tim-Bum 2. Rugrats – Os Anjinhos 1. O Mundo de Beakman
A musiquinha da abertura dava uma vontade irresistível de dançar... Siga aquela bolinha! Tá certo que ganhar o iBest não deve ser tãããão divertido quanto entrar num tubo cheio de meleca, mas é quase. Se você é fã, familiar ou amigo dessas Garotas, tem só até quinta-feira (11), também conhecida como amanhã, para votar nessa profusão de cor-de-rosas e bobagens em duas categorias: Pessoal Entretenimento ou iBest Blog. O quê? A gente não merece? Olha que te trancamos num tudo cheio de meleca! Ah, não… Isso ia ser legal! Clara McFly às 06:17 PMSeis vezes comédia Não é segredo, não: este nosso aconchegante e rosado site deve seu nome aos Cavaleiros que Dizem Ni. Hoje, quem passa por aqui regularmente já sabe que eles são os astros de um dos esquetes do filme “Monty Python em Busca do Cálice Sagrado”. Monty Python, aquele grupo de sujeitos tão inteligentes quanto engraçados... Já passou da hora de conhecê-los melhor, não? Seis tiozinhos, seis cabeças pensantes nascidas nos anos 40, seis mentes divertidas do mal – mas a serviço do bem. Poderia dizer que é o melhor do humor inglês, mas há um americano infiltrado. Como conjunto, eles se conheceram ainda nos tempos de faculdade e decidiram formar o grupo por causa de afinidades naturais sobre como fazer graça em público. Foi quase o mesmo que aconteceu com esse trio de moças aqui. Mas como a própria matemática sugere, ainda somos metade deles em termos de animar multidões. Ou muito menos, que somos mezzo-modestas. Melhor falar de cada qual em separado, assim fica mais fácil entender quem são esses senhores. Em tempo: eu amo muito meu pai, mas se tivesse que trocá-lo por alguém, seria por um desses tios. Com certeza absoluta. Terry Jones Terry Gillian John Cleese Michael Palin Eric Idle
Cleese, Gillian, Jones, Chapman, Palin e Idle... Olhando a foto, precisa explicar algo? Três vezes Garotas Hora dos avisos, criançada: 1) Quem ainda não votou por nós no IBest nas categorias Entretenimento Pessoal e Blog é mulher do padre. 2) Quem não enviou ainda um Top Ten para concorrer aos fabulosos prêmios da nossa promoção de Natal vai receber a visita do Alexandre Pires cantando “Garota de Ipanema”. 3) Quem adora Fanta Uva e quer acabar com o preconceito contra esse refri delicioso põe o de-doa-qui! Ou não... Conhece a Bela Limão? Na casa da minha avó, havia um quadro que me fascinava: era o rosto de uma mulher, com lábios carnudos e vermelhos, uma pinta insinuante pouco acima e cabelos negros. Quando já não agüentava mais de curiosidade, perguntei ao dono do quadro, meu tio, quem era aquela. Ele me respondeu que era uma atriz famosa, a Marilyn Monroe. Aos sete anos, não entendi o nome estrangeiro e enrolado. Achei que a mulher se chamava Bela Limão. Muito tempo mais tarde é que fui capaz de repetir “merilim monrou”. Foi nessa época também que fiquei me perguntado porque diabos o quadro do meu tio, que já tinha ido embora (o quadro e meu tio: um para o lixo, o outro para a Inglaterra), retratava a voluptuosa loira como uma morena. Vai ver, foi licença poética de algum artista da Praça da República. Marilyn é um dos pouquíssimos casos em que o mito é muito, mas muito maior do que a pessoa. Todo mundo associa o nome à imagem, mas nem todo mundo já a viu em ação, atuando ou cantando em filmes da época áurea de Hollywood. Aposto até mesmo que tem gente por aí que acha que ela nem existiu – algo como um Sherlock Holmes de vestido esvoaçante e biquinho sedutor. Eu mesma me colocava no balaio de pessoas que sabiam quem ela era, apesar de serem completamente analfabetas sobre sua filmografia. Ia até mais longe, só de birra, achando que davam crédito demais à atriz – afinal, a Audrey Hepburn sempre foi 500 vezes mais linda e elegante do que a senhorita Monroe. Não entendia o motivo de tanto frisson em cima da figura. Até que, há uns dois anos atrás, “Quanto Mais Quente Melhor” re-estreou em cinemas paulistanos. Ver um filmão hollywoodiano, preto-e-branco, na telona... ah, que mais poderia querer? Fosse qual fosse o título, estaria lá de qualquer maneira. E decidi também dar um crédito para a figura que tanto me intrigou na infância. Foi só aquela mulher aparecer para tudo fazer sentido. Depois de tanto tempo, a ficha caiu nessa minha cabecinha habitada por parafusos, teias de aranha, uma jujuba vermelha, um mico leão dourado e uma moeda de cinco cruzeiros. Lá estava ela, roubando toda e qualquer cena, mesmo quando não tinha uma fala sequer e sua função era explicitamente enfeitar o cenário. Com um corpo de Miss Universo dos anos 40 (lê-se: rechonchudo), olhar de aparvalhada, voz de menininha criada em orfanato e sex-appeal capaz de levantar defunto, o fenômeno Marilyn finalmente ganhou vida diante dos espectadores de queixo caído. E, estranhamente, a tela do cinema me pareceu pequena demais para tudo aquilo.
Micos não tão em extinção Um dia, estava no shopping com meu pai, em meio à praça de alimentação com gente saindo pela culatra. Procurávamos uma mesa e ele estava bem na minha frente. Olhei para trás e, milagrosamente, vi um lugar sendo desocupado. Com medo de perder a localização da vaga, cutuquei o homem que estava à minha frente. O único problema é que este cara não era mais meu pai – era um estranho que tinha entrado entre ele e eu e fez uma cara de poucos amigos ao ver uma pirralha cutucando-o ao alto e bom som de: "pai, vagou uma mesa ali!" Nem precisa descrever a minha cara de Ben Affleck depois de pagar essa espécie símia. Mas o bom é que, depois de confessar o mico a alguns camaradinhas, nota-se que todo mundo tem uma história vexatória para contar. E se mal de muitos é consolo, como diz a Mirtes, logo se vê que seu fora não foi tão feio assim. Não se você tem amigos como os meus, que já... ... confundiram a mãe ... beijaram estranhos O porteiro abre a porta e os moços, cavalheirescos, deixam dona Saemi D. sair antes de entrarem. E aí mora o perigo: querendo ser sociável, a garota cumprimenta minha irmã e continua a fila dos dois beijinhos com os moçoilos estarrecidos: "oi, tudo bom? Prazer". Ela achou que eles estavam junto com a gente. E pensar que hoje essa desmiolada é minha comadre em duas vias: eu sou madrinha do filho dela e ela é minha madrinha de casamento... Que orgulho conhecer alguém assim! ... entraram no carro errado Outro: uma tia decide, nas férias escolares, levar a primaiada toda (que morava no mesmo condô) ao clube, a bordo de seu intrépido fusquinha. Cansados de não fazer nada nos respectivos apartamentos, os cerca de oitenta e seis petizes descem a escada todos animados: "êêêêêê, vamos pro clube!" A tia abre o fusca. Os cento e vinte e três primos entram: "êêêêêê, vamos pro clube!" A tia bate a porta do passageiro e dá a volta para assumir o banco do motorista, enquanto ouve a festa da criançada lá dentro: "êêêêêê, vamos pro clube!" Finalmente instalada, com os duzentos e cinquenta e quatro pirralhos no banco de trás, ela nota uma imagem de Jesus Cristo colada no painel. A tia e os trezentos e setenta e um primos haviam entrado no carro errado. Sabe como é fusca: uma chave abre todos. Um perigo. E o corinho de "êêêêêê, vamos pro clube!" foi substituído pelo de "desce, gente, pelamordedeus!" Viu como dar uma cutucadinha num homem que não é seu pai não é nada? Promoção e pramocinha Quer saber o que é mico meeesmo? Usar esse trocadilho fácil e infame, na maior cara de pau, para lembrá-los da deliciosa, cremosa e crocante Promoção de Natal do Garotas! Mas mais mico ainda é não participar. Não dói nada: é só preparar uma lista com 10 itens relativa à infância e correr pro abraço. O prêmio? Uma passagem de volta ao áureo período de nossa meninice… Como? Clica aqui para saber de tudo. Clara McFly às 06:40 PMCoroinha dos diabos Como diz Clarinha McFly, tem coisas nessa vida sobre as quais a gente não tem poder de decisão – elas apenas acontecem à nossa revelia, e não adianta querer fugir. Ouvir Technotronic, repicar o cabelo como o do Xororó e fazer primeira comunhão são três delas. Vou deixar as duas primeiras de lado um instante para focar na última. Oh, yes: eu completei o catecismo. Vou dizer: foi uma das experiências mais revoltantes e bizarras pelas quais eu passei. Mas como escapar? Toda a turma da terceira série já estava inscrita no catecismo quando minha mãe lembrou que eu devia fazer isso também. Saco, eu jurava que ela ia esquecer! Que nada... e lá fui eu para DOIS ANOS de ensinamentos bíblicos. Sim, foram um par de anos nesse esquema. Duas aulas por semana ministradas por uma voluntária da paróquia dentro do Centro Comunitário. Em vez de assistir Sessão da Tarde comendo Cremogema, como toda criança feliz dos idos de 1985, lá ia eu com o Novo Testamento, caderno e lápis me enfiar no Centro. Eu e mais umas 30 alminhas semiperdidas, claro. Ficar de pé e ler as passagens da bíblia era dose – e eu lá entendia palavras como perjúrio, asseclas e parábola? Quando diziam que Jesus “pregava” entre o povo, eu imaginava um moço de chinelas grampeando coisas nas pessoas. E os coríntios, para mim, eram torcedores de um time de futebol que não tem estádio próprio. Pensando bem, acho que o catecismo (junto com a minha imaginação) me colocou mais perto do purgatório que do paraíso. Bom, era inevitável. Afinal, a professora não deixava levantar discussão sobre as passagens, a lição me obrigava a dizer coisas nas quais eu não acreditava e as tradições eram de endoidecer. A confissão, por exemplo. O padre queria que eu dissesse o que fiz de errado para dar uma punição. Daí eu dizia que não tinha feito nada tão grave que justificasse ficar de joelhos (tenho problemas nos dois, e eles doem pacas). Ele não acreditava, e então eu inventava uns pecadinhos só pra me safar mais rápido, rezar duas Ave Marias e cair no mundo. Dava certo! O dia em que finalmente as aulas de catecismo acabaram foi como final de campeonato com meu time campeão! Mas o pior ainda estava por vir. Quem conhece essa que vos escreve sabe muito bem: me encontrar vestida de branco, com terço numa mão e uma vela na outra só tem duas explicações. Ou é baile a fantasia chegando ou eu morri e virei assombração. Mesmo assim, essa foi a fachada que armaram para minha Primeira Eucaristia. Tudo bem: o vestido era bonito, tinha meia-calça para acompanhar, sapato com fivela de boneca e uma tiara de florzinhas. O que não estava certo: fazia 35 graus à sombra e o malfadado traje quase me matou de calor. Para piorar, eu tinha passado o dia todo na piscina do clube, fiquei cor de camarão e não se podia relar nos meus ombros. Maaas... foi exatamente o que o padre fez ao entregar a minha hóstia. E em vez de botar a coisinha na boca, baixar a cabeça e voltar pro meu banco, soltei um sonoro “aaai!”. Ficou feio, mas felizmente poucos perceberam. Também não notaram que eu mastiguei o “corpo de Jesus”. Ah, tinha gosto de pão, foi irresistível... Depois vieram as fotos na praça, sentada no gramado e fazendo pose. Ainda não consegui queimar todas, mamãe não deixa. Suponho que nunca vai deixar. Clarinha disse com razão: tem coisas na vida que não se pode evitar, como ouvir Technotronic, repicar o cabelo como o do Xororó e fazer primeira comunhão. Duro mesmo é que se torna impossível esquecer disso tudo também. Com a lanterna no queixo Uma mulher de branco pede carona no meio da estrada, durante uma noite escura e coroada pela densa neblina. Um motorista solícito oferece ajuda à dama. Ela diz que precisa seguir ao cemitério. O rapaz pára em frente aos sóbrios portões, e vê a mulher desaparecer diante de seus olhos assustados. E aí, arrepiou? Claro que arrepiou: eis a graça de contos de terror. Mesmo que seja a centésima quinta vez que você ouve a história – e mesmo sabendo que ela provavelmente veio de uma mente criativa –, é sempre mais emocionante fingir acreditar e deixar os pelinhos do braço ficarem em pé à vontade. E quando somos crianças, então? Daí, qualquer coisa assusta. Se eu fiquei petrificada de medo com o filme “E.T. – O Extraterrestre”, imagine o que uma narração fantasmagórica não era capaz de fazer! Só de ouvir qualquer referência sobre a tal “brincadeira do copo”, já pedia para dormir no meio dos meus pais à noite. Os contos de terror mais famosos empalharam-se como lendas urbanas. Todo mundo conhece uma versão da historinha que eu citei no primeiro parágrafo. E todo mundo conhece alguém cuja amiga tem uma sobrinha que tem uma prima que bota até a mãe no meio para jurar haver conversado com uma alma penada através de um copo virado com a boca para baixo. Quem somos nós para duvidar? Eu, hein... Devo confessar que adoro contos de fantasmas – mesmo que isso ainda arrisque minhas boas noites de sono. Sou a primeirona a me empolgar totalmente quando, em reuniões de amigos, uma pessoa tem a idéia de dividir narrativas da espécie. Se existe uma lanterna por perto para ligar no queixo, maravilha! Respiro fundo e espero a minha vez de contar causos. Portanto, tenho na cabeça um vasto arquivo. A maioria é batida, claro. Como aquelas historinhas em que um médico é chamado às pressas por alguém cuja filha está agonizando. O médico vai e atende a paciente. Quando ela pergunta “mas doutor, como o senhor soube que eu estava doente?” e ele responde “sua mãe me chamou”, CLARO que a mulher vai dizer “mas minha mãe morreu há dez anos...”. Pausa dramática. Lembro-me que uma vez, quando eu era pequena, o “Fantástico” exibiu dramatizações de histórias de medo. Aquilo me traumatizou de uma forma que até hoje tenho horror do nome Berenice – porque ela era a tal mulher morta há anos que chama o médico para socorrer a filha. Quinze anos se passaram, mas a finada Berê continua me assombrando. Pode? E foi naquele fatídico especial que eu ouvi a história mais apavorante do mundo. Um homem está dirigindo pela estrada quando vê uma senhora ensangüentada acenando freneticamente. Ele pára, e ela diz que aconteceu um acidente: o carro em que estava despencou do barranco. O homem desce até lá e, quando enfim consegue olhar para a vítima fatal... adivinha? Era a mulher. Ai. Agora vamos espantar o medo pensando em cachorrinhos, borboletas e taças de sorvete. Mas para garantir, posso deixar a luz do abajur acesa? Só por hoje... Vou chamar a Berenice!
Entra e não repara a bagunça, viu? Daqui umas semanas, completo três meses de vida na minha casa nova. Já foi tempo suficiente para acumular algumas histórias, estabelecer novas manias e notar cantinhos do lugar que nunca tinha reparado existirem durante o período de preparação para a mudança de endereço. Aliás, a cada final de semana, este novo endereço adquire mais cara de lar. Apesar de ainda deixar escapar uns "vou lá em casa" quando na verdade quero dizer "vou à casa da minha mãe", me sinto cada vez mais moradora oficial do meu condô, com suas casinhas coladas e eventuais adolescentes tirando umas casquinhas debaixo das escadas. E eu não me refiro à pintura das paredes externas. Quase três meses também foram tempo bastante para criar mitos e objetos próprios daqui. A torradeira de panda é um deles. Calma. Não é que eu tosto ursos em extinção. Acontece que esse meu aparato, presente de uma das tias favoritas, imprime uma carinha de urso panda em cada fatia de pão. Parece um pouco com um ET, mas é divertido demais comer torradinhas crocantes com uma estampa tão simpática! Outra coisa que só existe aqui em casa é o limbo. Tanto eu quanto o namorido mal passamos dos 1,65 de altura. Para aproveitar o espaço da cozinha, que não é lá essas coisas (como em qualquer empreendimento novo), demos de fazer armários até o teto. Um deles, sobre a geladeira, revelou-se impossível de ser alcançado pelos dois moradores semi-pigmeus da casa. Pronto! Criamos um monstro – ou o limbo. Agora, nunca se sabe o que pode ter lá dentro. Almas perdidas ou, quem sabe, o garfo que sumiu? A resposta jamais será revelada, até que alguém compre uma escada. Da cozinha para o banheiro, encontramos o ralo que fala. Claro, não é numa linguagem inteligível. Mas o danado parece querer se comunicar, tamanho o barulho que faz depois que o chuveiro é fechado e resta a ele deixar escorrer a água. Parece que o ralo tem uns oitenta metros de profundidade. Talvez haja um punhado de criaturas subterrâneas tentando escapar por ali. De qualquer maneira, caro leitor, numa eventual visita à casa da terça parte mais loira desse site, recomendo veementemente não se aproximar do ralo ou do limbo. Para compensar, sirvo torradas de panda quentinhas com café passado na hora, nas xícaras coloridas que foram gentil presente das outras terças partes do Garotas. Isso se as criaturas já não tiverem subido e roubado minha torradeira, e se as xícaras não tiverem sido sugadas pelo limbo. 500 vezes Garotas Simples como se divertir Havia muita coisa boa de ser uma pirralha residente em São Bernardo do Campo. O ar era mais puro, brincar na rua não implicava em atropelamento, o rumo da praia estava mais perto do que para os paulistanos. Em termos de diversão, nós, petizes do ABC, também tínhamos um trunfo: a modesta e animada Cidade da Criança! Se você não teve a sorte de participar dos anos dourados desse local, eu explico tudo. Mas já vou avisando: vai dar água na boca, coceira nas mãos e pode até correr uma lagriminha de inveja. A Cidade da Criança era um parque de diversões da prefeitura. Eu podia dizer que é ainda – porque, a rigor, ela continua lá. O problema é que hoje já não tem o mesmo charme. Mas é melhor esquecer isso e falar de como ela era. Faz de conta que ficou assim pra sempre. O parque ficava em uma área de aproximadamente três quarteirões gigantes (faça aí uma conta aproximada, que eu não sou boa nisso). No meio de um monte de árvores, existiam brinquedos de todo tipo: uns elétricos, outros manuais e vários completamente estáticos. Tinha, é claro, os hits eleitos pela molecada. Eu conto quais eram e o que faziam. O Submarino era um recipiente lacrado que mergulhava em uma piscinona para fingir que estávamos circulando pelos mares. A sereia era uma boneca vestida com fantasia de carnaval e o polvo desbotado era feito de borracha? Era. Mas eu garanto que, naquela época, fazia cair o queixo tanto quanto ver “Matrix” nos dias de hoje. O teleférico consistia em uma cadeirinha única que chacoalhava violentamente quando passava pelas emendas do cabo de aço (até hoje não entendo como meu pai deixava andar naquilo...). Já o labirinto não demanda explicações: uma salona dividida por caminhos de espelho. Perdi a conta de quantas vezes sentei a cabeça naquelas placas reflexivas... Hum... Vai ver foi por isso que fiquei assim. Ainda tinha meus três prediletos. No Pula-Pula, câmara inflável onde só entrava quem arrancasse os sapatos, a diversão era pura e a crise de rinite alérgica era inevitável. Na Xícara Maluca, o plano era ficar o mais enjoado possível – ou, pelo menos, com a visão zoada. E no Minhocão, uma montanha-russa pra gente miúda, bastava duas viagens pelos trilhos para dar um baita frio na barriga. Eu ainda não conhecia qualquer Chapéu Mexicano, dá um desconto. Fora esses, a Cidade da Criança ainda conquistava pelo simples. Tinha uma dúzia de escorregadores de grandes proporções, carrinho bate-bate e aqueles brinquedos que só giram no próprio eixo. Dois traumas? Eu tinha pavor de uma nave espacial cujo astronauta era um manequim com cara de defunto. E jamais consegui atravessar o parque pela ponte de tábuas, porque balançava demais (graças ao meu amado irmão) e eu tinha um medo louco de cair lá embaixo. Mas lembro bem de como era bom tomar sorvete na lanchonete local (exceto pelas abelhas que insistiam em pousar no meu doce) e pensar em quais brinquedos gastar meus dez tickets avulsos (esse era o sistema). Ah! E se eu achar uma foto minha lá, coloco aqui nesse texto em breve Fui tanto nesse parque que até ganhei carteirinha de sócia. Ela já se perdeu no tempo há anos. Mas a diversão simplória da Cidade da Criança ficou aqui no meu pequeno coração são-bernardense. Mistérios de comer Lembro-me de uma historinha da Magali em que ela está comendo uma salada caprichada e toda a trajetória dos ingredientes é mostrada em flashback: alguém colhendo a alface na roça, o agricultor vendendo a um feirante, o feirante vendendo ao grande supermercado, a mãe fazendo compras e, finalmente, a salada indo parar na mesa do jantar. Desafio você, leitor, a pensar da mesma forma quando estiver abocanhando seu próximo lanche ou refeição. É impossível! A maior parte dos alimentos ingeridos por nós é de procedência misteriosa – e, na maioria das vezes, duvidosa. Existem muitas delícias por aí que não seriam chamadas de delícias se soubéssemos o que se esconde por trás de um sabor gostoso ou de uma aparência apetitosa. Claro que não vamos parar de comer certas coisas. Um hambúrguer do McDonald´s, por exemplo. Já disseram que a carne era de minhoca, ou de um bando de animais sem-vida útil criado em laboratórios. Só podemos ter certeza de uma coisa: de boi, não é. Até porque o hambúrguer tem o mesmo gosto do nuggets, do sundae, da batata frita e da torta de maçã. Temos de admitir não fazer a menor idéia de onde vem o tal ingrediente oculto. Mas nem por isso deixamos de freqüentar a lanchonete imperialista, certo? Também não vamos cortar os seguintes alimentos de nosso cardápio – ainda que seja difícil negar que são um mistéééério... 10) Marrom Glacê 9) Chester 8) Pipoca doce de saquinho 7) Mortadela 6) Queijo petit suisse 5) Molho inglês 4) Cheetos sabor cheddar 3) Uva moscatel 2) Kani 1) Esfiha de queijo do Habib´s Deu indigestão? Tente um sal de frutas. Aliás, fruta tem sal? Nem gosto de imaginar a verdadeira identidade do pó efervescente. Pois um tantinho de ignorância às vezes faz bem – até para o estômago.
Dura de enxergar Eu não enxergo nada. Ou quase nada. Essa declaração é verdadeira em vários aspectos: além de guardar seis graus da mais pura miopia do milho verde em cada "vista", como diz minha avó, eu mantenho um número bem maior de macaquinhos na cachola. Combinados, os fatores pouca visão e muita imaginação me pegam o tempo todo – para bem ou para mal. Como é sabido, os míopes não enxergam bem à noite. Quer dizer, não enxergam bem no geral, mas quando a lua surge, mesmo com lentes, o efeito corretivo é defasado. Por isso, canso de ver vultos de cachorros atravessando a pista, água onde o asfalto está seco e coqueiros plantados no meio da Anchieta. Tudo ilusão, claro – ou possessão, dependendo do pastor. Por outro lado, apesar das lentes Acuvue e da fértil inventadeirice, não consigo ver um bebê num simples ultra-som! Aliás, acho que nem os médicos. Eles blefam, apontando manchas aleatórias no negativo e dizendo, com a cara mais deslavada do mundo: "olhaí o seu filho!" É claro que nenhuma mãe ou pai vai dizer: "desculpe, doutor, mas isso é só uma borrão". Vai ser tachado de péssimo progenitor para o resto da vida – e olha que ainda nem começou a exercer a função. Ou talvez seja por isso que os médicos passam tanto tempo estudando: é um desafio enxergar qualquer coisa num ultra-som… E ressonância magnética, então, que é uma espécie de ultra-som animado? Parece aqueles descansos de tela meio psicodélicos do iTunes. Outro mistério para mim são as figuras na lua. Uns dizem que tem um dragão, com ou sem São Jorge a tiracolo. Outros defendem a estampa de um velhinho. Tudo que enxergo no nosso satélite natural (e foi um sacrifício até conseguir) é um coelhinho. Alguém mais vê isso? Não? Ok. Vou voltar pro meu cantinho e marcar retorno ao oftalmo.
Olhaí o seu filho, quer dizer, o coelhinho! Com uma foto desse tamanho, não tem como não ver, vá?
Tevê pra tia ver Agora que estou semi-desempregada, posso me entregar a um vício que me consome a anos: a televisão. Mas nossa, como esse mundinho ficou estranho nos últimos tempos... Quase não existem mais filmes vespertinos ou programas infantis com desenho animado. Agora, entre as 8h00 e as 18h00, a caixa de fazer doido é dominada por culinaristas apaixonadas, médicos de toda especialidade e um mar de artesãos. Ninguém deu o alerta em cadeia nacional, mas o fenômeno aconteceu: quem quer assistir televisão em dia de semana é obrigado a gostar de pistola com cola quente e torta de liquidificador. Tudo bem, eu até acho bacana brincar com material de papelaria e lambo os beiços de pensar no quitute acima, mas 10 horas disso é um pouco demais, não? Bom, parece que não. Mal o galo canta e as “coleguinhas” já estão na tela. Seja ensinando a fazer ginástica usando o cabo da vassoura (no bom sentido, sempre), seja mostrando como cozinhar um leitão inteiro. Aliás, pela quantidade de assados gigantes que essas mulheres preparam, dá a entender que moramos em uma vila na Gália e temos um Obelix em cada residência. Caramba, e eu que só almoço um macarrãozinho básico, uma salada ou, nos dias de inspiração, duas colheres de arroz para cada duas de feijão... Mas, se quisesse, aprenderia a cozinhar um jegue apenas ligando o botão da tv! Passada a hora da fome – que para as apresentadoras de programas mulherísticos começa mesmo no meio da manhã –, tem início a discussão clínico-filosófica sobre uma infinidade de distúrbios. Médicos surgem de todos os cantos do cenário de papelão pra dar dicas de como combater o Mal de Parkinson, como acalorar as relações matrimoniais ou como acabar com as pontas duplas do cabelo. É de chorar de rir, principalmente quando entram participantes fazendo perguntas pelo telefone. Em geral, elas só querem mesmo é ver seu nome na tarja: “Maria das Graças – Dona-de-Casa – Por telefone”. U-hú! A moça ganhou o dia! E vai correndo esfregar isso na cara da vizinha, por certo. A próxima etapa pode acontecer em um ou dois níveis. Ou as tias partem para a montagem de cestas feitas com tubinhos de jornal velho ou fazem isso enquanto contam detalhes íntimos dos artistas da novela das oito. Na maioria dos casos, esse quadro é uma baba de montar. Basta apanhar a nova edição da Contigo, da Caras e da Quem e mandar ver na leitura. Muito cômodo ser chupim, hein? Daí, depois de todo aquele período tagarelando e fazendo guirlanda de Natal com garrafa pet recortada, bate de novo a fome. E dá-lhe Palmirinha Onofre! Conhece essa senhora? Não sabe o que está perdendo. Ela é uma mistura de Mirtes com a sua avó e o Maguila. Não concatena o plural de UM artigo com substantivo (e tudo vira “os garfo”, “as tigela”), mas como ela é fofa. Rainha da massa de tomate, Dona Palmira abrilhanta as tardes da TV Gazeta. Ok, pode ser que ela não abrilhante tanto assim. Mas pelo menos não usa um quilo de maquiagem e nem roupas azul-turquesa com lantejoula. Será que foi assim que as apresentadoras da tarde hipnotizaram os chefes de programação? Para ganhar tardes e mais tardes de merchandising e aulas de pintura em porcelana, só pode ser. Calcinha nele! Quem poderia imaginar que um mineiro de Cajuri, ex-feirante e com o nome de Wanderley Alves dos Reis, carregaria algum dia a respeitável (ou não) alcunha de "o cantor mais erótico do Brasil"? E quem pensaria que o mesmo homem, cujos traços físicos não podem ser chamados de atraentes, arrastaria mulheres ensandecidas capazes de atirar a própria calcinha no palco de um show? É por isso que eu digo, afirmo e não tenho medo de reconhecer: Wando é rei. Já fomos criticadas de leve aqui no Garotas por não darmos crédito à emepebê. Pois chegou a vez de homenager um produto 100% nacional. Tá certo que eu não tenho (nem pretendo ter) um álbum do Wando na minha prateleira de CDs. Mas como o mundo dá muitas voltas - e o que era brega hoje é cult -, temos de reconhecer o prodígio deste ícone pop. A imagem do Wando guardada em minha memória vem do mesmo material de que são feitos os pesadelos: vejo o cantor, de camisa aberta e beiço de botar inveja a Mick Jagger, distribuindo pêssegos na boca das meninas do auditório do "Viva a Noite". No fundo, o clássico "Fogo e Paixão", interpretado com sentimento pelas dançarinhas de vestidos esvoaçantes que faziam performances dentro de uma taça de martini gigante. Não existe criatura neste país sem porteira que não tenha ouvido falar no Wando. Também, o cara já lançou mais de 25 discos, cada um com um título melhor que o outro: "Fêmeas", "Picada de Amor", "O Ponto G da História", "Depois da Cama", "Tenda dos Prazeres" e "Obsceno" são alguns bons exemplos. Fora que dizem por aí que ele coleciona calcinhas de fãs. Eca. Wando atraiu para si a fama de motel ambulante. Fico tentando entender o que faz uma senhora comprar um álbum do artista (afinal, segundo a lenda, tudo tem um lado bom - menos um disco do Wando). Ele fica cantando com voz melosa versos que fariam corar até a Cicciolina. Em todas as músicas, descreve a si próprio como "o pegador". Sempre fatura a mulher, ensina para ela o beabá, se é que você me entende, e faz questão de citar fluídos corporais. A palavra "suor" aparece em todas as letras. Deus, é o suor do Wando! Ou o suor de uma mulher que está na cama com o Wando! Haja Rexona! Na letra de "Eu Já Tirei Tua a Roupa", ele diz: "Com você quero pecar/ Eu te quero em minha cama/ As esquinas do teu corpo/ Deslizando em meu prazer/ Teus cabelos espalhados/ No meu corpo teu suor". E tem gente que ainda lê "Sabrina"... Outro hit supremo é "Moça". Aliás, cabe bem de tema para a nova embalagem do Leite Moça, principalmente quando ele diz "Moça, sei que já não és pura/ teu passado é tão forte, pode até machucar". Em algumas letras o cantor extrapola buscando rima. Olha essa, chamada "Obsceno": "Você já sabe que o teu cruzar de pernas me fascina/ A cor que eu vejo me faz bem à retina". Pô, Wando, retina não, vá! Fora as músicas X-Rated que me dão vergonha de botar aqui. Tá bom, você pediu. Em "Nas Curvas do Teu Corpo", Wando canta "Eu morro de ciúme da calça que te veste/ que brinca e se diverte/ tirando a minha paz/ Eu fico tão confuso com a tua intimidade/ com aquele sabonete/ nas partes sensuais". Ai que horror. Ciúme de sabonete é fogo. Depois de passar uma hora de gargalhadas num tremendo esforço de reportagem, elegi a minha favorita. Chama-se "Ui-Wando Paixão". Entendeu o trocadilho hilário? Fica pior: "Sou bicho vadio sou fera no cio/ Ui-Wando paixão/ Sou mais que loucura te quero todinha de novo no chão/ Um beijo molhado nessa boca quente/ Eu juro que dou/ Te aqueço do frio, te afago em meu corpo sedento de amor/ Te levo pro mato/ Pra rede ou pro quarto te arranho de amor". Não sei quem é mais cara-de-pau: o cidadão que canta tais versos ou a dona-de-casa que compra o disco. Ou esta garota, que acaba de escrever um texto de 10 parágrafos sobre o Wando... Alguém viu meu óleo de peroba por aí? ![]() Com requintes de crueldade!
Ok. Sei que é difícil, mas tente parar de olhar para esta foto do Wando e preste atenção num recadinho: a poderosa, vitaminada e turbinada promoção de Natal do Garotas está a todo vapor. Já chegaram em nossa caixa-postal alguns textos bem bacanas. Tá esperando o quê para mandar o seu? E não se esqueça de duas coisas: 1) Um mesmo leitor pode mandar quantos textos a criatividade permitir. Clique aqui para conhecer todos os detalhes!
De cabo a rabo Apesar de contar um número razoável de CDs em minha estante (nada absurdo nem mesmo muito grande, mas por certo respeitável), percebi que apenas cinco deles ganham o prêmio que intitula esse texto. São aquelas delícias boas de se ouvir da primeira à última faixa – ou pulando apenas uma ou duas que tocaram demais nas rádios, que misteriosamente são, na maioria das vezes, as mais fracas do álbum. Por isso, a lógica do esquema marketing-de-gravadora-programação-jabá ainda é uma grande nebulosa para mim… A seleção não contou coletâneas (senão os Beatles com certeza marcariam mais pontos); só álbuns mesmo. E notem que não digo que esses são os melhores discos que já ouvi, mas apenas os que ouço do início ao fim, sem galho, dentre os componentes de minha discoteca. Pronto? Então, solta o play. Tigermilk, Belle and Sebastian Please Please Me, Beatles Blood Sugar Sex Magik, Red Hot Chili Peppers Automatic For the People, REM Unplugged, 10,000 Maniacs
Eu até gastei o meu "Unplugged" anterior e precisei comprar outro! Quem quer ganhar presente põe o de-doa-qui! Ou melhor, põe um mail aqui no Garotas. O quê? Não está entendendo nada? Então, rápido: clica aqui para esclarecer do que diabos estou falando. Só adianto o seguinte: os leitores mais bacanas da internet brasileira correm o risco de ganhar, de presente de Natal, um playmobil, um maço de figurinhas "Amar É", um cubo mágico e, pasmem!, um disquinho do Fofão. Ainda está aqui? Clica logo e participa da nossa promoção natalina! Clara McFly às 06:52 PMTenha bons sonhos, estriquinada Já contei pra quem quisesse ler: eu não tenho absolutamente nenhum problema para dormir. Nenhunzinho. Se eu quiser, encosto no ponto de ônibus e durmo que é uma beleza. Só que isso é apenas uma meia-verdade... Quando estou empolgada demais ou com planos mirabolantes no crânio, rodo entre os lençóis que nem jujuba em boca de criança banguela. Ontem, por exemplo, foi assim. Depois de uma reunião de três horas com Clara e Vivi, saí da cafeteria com 12 tarefas a cumprir, muitas idéias a desenvolver e a certeza de que tudo o que a gente sonha ainda vai vingar. Duro é que, depois do conversê todo e de um balde de frapuccinno com chantilly, cadê que eu conseguia dormir? Daí usei a técnica que descobri há tempos para esses raríssimos momentos de “ué, sono, onde você se meteu?”. É só pensar nas coisas mais monótonas do planeta. Ah, sim, você pode criar as suas próprias! Aqui, só dou as minhas táticas particulares. Mas adianto uma dica: não tente contar carneirinhos ou imaginar coisas como uma corrida de jabutis. Isso irrita em vez de causar sono – e o que seria uma noite de sonhos pode acabar numa chacina animal. Aula de física do terceiro colegial Dormitório de freiras Ópera na tv Festival de mímicos Filmes com nome de objetos inanimados Documentários sobre pequenos roedores da Malásia
Vocês já viram o texto de Vivi de hoje cedo? Quem ainda não viu é mulher do sapo... Mas tirando essa metamorfose praguenta, é bom dizer: a promoção de Natal do Garotas vai ser muitíssimo disputada. Comece logo a pensar em um Top Ten Muito Louco da Pesada pra mandar! E vale lembrar que cada leitor pode enviar quantos textos quiser, ok? Aqui não tem miséria. Fla Wonka às 03:54 PMDe nós para você Como diria a Mirtes, 2003 vôou e o Natal já está aí, batendo da porta. Chegou a hora de disputar a coxa do peru, passar dezenas de cheques pré-datados, ouvir a piada do pavê, tirar as passas do Panettone, encher o copo com sidra, assistir ao especial do Roberto Carlos, dizer "é mixo, mas é de coração" na hora de entregar os presentes. E, claro, de participar da promoção de Natal do Garotas! Nós três saímos garimpando pelos becos mais escuros da cidade atrás de mimos dignos deste site e de seus leitores. Depois de gastar muita sola de sapato e todas as moedas de nosso cofrinho, voltamos felizes com sete prêmios supimpas que marcaram a nossa infância - e, provavelmente, a sua também. Quer saber o que o ganhador (ou ganhadora) da promoção vai receber no conforto do lar? Então leia atentamente, porque depois eu explico como fazer para faturar... ... um cubo mágico ... um livro da coleção Vaga-Lume ... um maço de figurinhas "Amar é..." ... uma caixa de massa para modelar ... um CD duplo de hits dos anos 80 ... um disco do Fofão ... um playmobil E mais! O vencedor ainda terá a honra de publicar um texto no Garotas do dia 24, véspera de Natal. Pronto, agora enxugue as lágrimas e preste atenção: você terá de escrever um top 10 com o tema infância. Pode ser qualquer coisa (brinquedos favoritos, frases da sua mãe, motivos para odiar o Bozo, sei lá). Solte a criatividade. Mas não é tão fácil assim. A gente quer uma lista como a do Garotas, com título, textinho de abertura e uma justificativa em cada item (você pode encontrar exemplos por todo o site). Ah, e serão considerados apenas os textos que chegarem em nossa caixa-postal até o dia 19 de dezembro. São duas semanas para participar e mais um chorinho! E por favor, não tenha medo, receio ou vergonha de escrever. Escolheremos a lista mais criativa, curiosa e/ou engraçada, não necessariamente a mais correta e/ou bem-escrita. Para colocar no ar, daremos um tapinha aqui e acolá - se for necessário, claro. O resultado da promoção será revelado em 24 de dezembro, com o texto vencedor publicado. Depois disso, o Garotas sai de férias e volta só em 2004, mais precisamente em 05/01. Pô, precisamos de uma folga também! Mãos à obra, leitor! ![]() Quem quiser ganhar, grita mais alto!
Em qualquer outro lugar Não sei se com vocês isso também acontece, mas há uma classe de locais dos quais eu daria tudo para escapar. Eu não sei como nem porquê, mas apesar de tentar evitar loucamente me ver presa nesses pontos, volta e meia me vejo ali. Alguns não têm escapatória mesmo; outros podem ser contornados e, embora ninguém goste deles, acabam atraindo mais gente do que deviam. Banco é um, por exemplo. Eu acho o fim da goiabada de caixinha ter de "fazer banco" em pleno século 21. Oitenta por cento das operações ocorridas no cinzento ambiente de ar condicionado ligado sempre a toda poderiam ser feitas por telefone, internet ou nos caixas rápidos, onde o atendimento é feito sempre na mesma voz ora fria, ora simpática da máquina. Tudo que posso fazer à distância das agências, eu faço. Mas às vezes você pega um carnê (igual ao do Baú que a Mirtes compra) que não aceita pagamento pela internet, só na famigerada "boca de caixa". Aí, é a glória: primeiro, arrumar lugar para estacionar nos minúsculos espaços destinados a isso; depois, ir e voltar na porta com detector de metais até ficar quase pelada; pegar aquela fila enorme, sem entender porque tem oito guichês vazios e só dois com funcionários (porque diabos constróem todos os outros, então?). É dose para leão, não? Outro lugar que me dá arrepios é o elevador do prédio do meu pai. Ele mora no décimo-nono andar. Quando embarco naquela birosca sozinha, fico acompanhando o visor que me diz a que altura estou e pensando: "segundo andar. Se eu cair daqui, não morro. Quinto andar. Se eu cair daqui, já vai ser grave. Décimo andar. Se eu cair daqui, já era. Décimo-oitavo. Será que o caixão vai ter de ser lacrado?". Era melhor subir a Penha a pé. Mas nenhum dos lugares citados acima supera o pavor que tenho ao me deitar numa cadeira de dentista. Quando vejo, já estou suspendendo a bunda, de tanto tensionar os pés (!). Uma espécie de gato arrepiado, mas ao contrário, manja? A primeira coisa que falo ao chegar é "dá anestesia?", piscando bastante e com vozinha doce. Quero a injeção para qualquer coisa que eu for fazer naquele antro de sadismo, mesmo que seja uma simples limpeza. E ainda me lamento por não ter nascido com bico, o que dispensaria todo esse sofrimento… Clara McFly às 07:05 PMEu amo o feio... e bonito me parece Tá bom: não é que eu perca o fôlego quando ponho os olhos no Corcunda de Notre-Dame ou ache o Rivaldo um xuxuzinho. Acho bonito que existam pessoas bonitas, e nada mais encantador do que ver um rosto lindo pregado sobre um corpo bem esculpido. Mas que beleza não põe mesa, não põe. Muitas vezes, só põe é uma foto ajeitada no porta-retrato. Existem quatro grandes e adoráveis provas desse fato. O fato, para quem se perdeu no palavrório, é esse: ser talentoso é muuuuito mais importante do que ser bonito. Claro, se for possível ser os dois – Edward Norton e Nicole Kidman sabem bem disso, e nós também –, muito melhor. Mas hoje é dia de prestar homenagem a quatro tipos esquisitos e incrivelmente belos do entretenimento. No sentido do profissionalismo, do charme e do poder de conquistar platéias, eles são belos sim. Não vão sair na lista da People entre os rostos mais acachapantes do milênio? Pode ser que não. Mas quem liga pra isso quando se é... ... Adrien Brody ... David Grohl ... Paulo Miklos ... Steve Buscemi
É preferível ter essa cara do que ser o Ben Affleck Pratique esportes - mas não me convide Quando eu penso na chamada "geração saúde", imagino pessoas bronzeadas e saradas. O tipo exato de gente que joga futevôlei nas horas vagas, manda ver no açaí na tigela, corre na praia durante a semana, usa camiseta cavada (para exibir os músculos), come apenas alimentos macrobióticos e dá aos filhos nomes como Cauã e Açucena. Tá bom, não precisa completar todos esses quesitos para entrar na panelinha saudável. Basta praticar um esporte, certo? Mesmo assim, ainda passo loooonge. Apesar de não fumar, não consumir drogas e não beber (com exceção de bebida docinha de menina), fico fora da descrição só porque prefiro um levantamento de garfo ou uma corrida atrás do controle remoto da TV a qualquer outra atividade física. O fato da palavra "esporte" me dar coceira é puro trauma. Quando eu tinha uns dez anos, pedi a meus pais para me colocarem na ginástica olímpica - amava a idéia de ficar pendurada em barras e de me virar do avesso. Fomos até a escolinha e a amável professora disse que eu era muito velha para começar. Assim, na lata. Maldita mulher. Eu não queria entrar para a droga da Olimpíada, só queria dar cambalhotas num colchonete! Na escola, tinha planos de vender minha alma ao coisa-ruim para jamais ter de frequentar as aulas de Educação Física. Claro que toda a vez passava a vergonha indescritível de ser umas das últimas escolhidas na divisão de times. Só quem passou por isso sabe o que é. Depois, eram duas horas jogando (no meu caso, correndo feito barata tonta), enquanto os professores ridículos ficavam ali, bundando e paquerando as menininhas. Calejada pela vida, confesso que hoje sinto um certo desprezo pelos esportes. Sei que a prática é importante, tem o poder de tirar criança das ruas (dizem por aí) e desperta sentimentos nobres (não no meu caso). Porém, há tantas coisas que eu não entendo naquele mundinho de gente suada e de contas bancárias milionárias... Nem preciso falar que não supooooooorto futebol. Poupe-me do papo de que eu devo ser uma ignorante. Muito pelo contrário: já tentei entender todas as regras e nomenclaturas. O que fica difícil para engolir é uma partida que leva quase duas horas e termina em 0 x 0 ou 2 x 1. E campeão da rodada escolhido por pontuação, sem jogo. Ah, por favor. Emoção nula. Fora que me sobe um calô de nervoso quando escuto os salários daqueles jogadores... Por falar em salário, soube que o tal de Tiger Woods, um golfista (eu disse GOLFISTA) ganha 150 milhões de dólares ao ano. Deus, ele vive num cenário como o do mundo dos Teletubbies, tentando jogar uma bolinha num buraquinho! Só! E a tal da Anna Kournikova, que é a tenista mais famosa e rica, apesar de nunca ter ganho um torneio mundial? Tsk, tsk. Se eu pudesse, mudava tudo. Esporte passaria a ser amarelinha, corrida com ovo na colher e Tetris. Ou a dança a dois com uma laranja na cara. Aí sim, eu ia ser uma atleta sem precedentes. Enquanto isso, vou fazer uma abdominal ali no sofá e já volto. ![]() Que tática, hein?
O verão é mágico Das cabeças que formam esse monstro tricéfalo do Garotas, apenas uma se sente bem em temperaturas acima de 28 ºC, morre de vontade de botar os pezinhos na areia e jogar o corpinho na água salgada e tem planos de se bronzear até virar uma mulher de outra etnia – com a devida segurança garantida pelo Sundown, claro. E, às vezes, pelo Rayito de Sol. Mas não contem ao meu dermatologista, sim? Claro que essa sou eu. Na cidade ou na praia, adoro o verão. Conto os dias para a chegada da estação, acordo com vontade de levantar a sair vivendo e trabalho melhor quando o astro rei está, lá de cima, lambendo o asfalto implacavelmente. E, pelo jeito, não sou só eu. O verão aparece numa pá de músicas compostas pelos gringos, de standards da canção norte-americana a baladas tristes de ingleses adoráveis (acho que a música de verão deles é triste porque, afinal, que diabos de verão tem a Inglaterra?). Pegue a esteira e seu chapéu, ligue o som e siga abaixo a lista das canções de verão. Hoje o dia está quente Summertime, Janis Joplin ou Ella Fitzgerald In the Summertime, Mungo Jerry ou Shaggy Last Days of Summer, The Cure Summer in the City, The Loving Spoonful Summer Rain, Johnny Rivers The Summer is Magic, ???? Summertime Blues, Eddie Cochran, The Who e muuuuitos outros Beleza roubada - e recuperada! Sabe o que dizem no primeiro beijo, né? Que ele é muito importante, inesquecível – e que pode definir sua opinião sobre o sexo oposto para sempre. Bom, se fosse assim, eu apanharia um taco de beisebol ou o spray de pimenta a cada vez que um rapaz se aproxima. Meu primeiro beijinho foi roubado por um menino malvado e em condições que nem “Malhação” seria capaz de criar. Sim, o menino que lascou a primeira beijoca de toda a minha vida fez isso sem eu querer. Eu nem gostava do tal, porque ele era mais velho, mais burro e mais chato do que eu. E não tinha o menor respeito, como já ficou bem claro. Tudo aconteceu numa festa a fantasia no glorioso Aramaçan, salão conhecido por 10 entre 10 abcpaulistenses. Eu fui ao baile com minha roupa de marciana pensando apenas em sacudir o esqueleto, rir com as amigas e talvez paquerar o menino eu achava bonitinho e divertido. Poxa, gente: aos 13 anos era tudo o que passava no setor “lazer apimentado” do meu cérebro! Mas daí veio o cara. Vou dizer: os milicos ianques de Pearl Harbor esperavam mais o ataque japonês do que eu aquele beijo. Além de tudo foi ruim, porque saiu todo torto e nada cinematográfico. Fiquei tão passada que não consegui dizer uma palavra. Apenas fechei meu punho de guaxinim e acertei o moleque bem no nariz. Ele nem quis revidar – já devia ter presumido a reação, coisa que todo cafajeste faz antes de agir. E afinal eu não tenho mesmo um cruzado potente de direita. Depois disso, apanhei minhas anteninhas verdes do chão (maldito, ainda desmantelou o melhor da minha fantasia!) e saí pela direita pisando duro. Mas a historinha dessa minha primeira-bitoca-frustrada-muito-louca-da-pesada não parou por aí. O malandro supracitado era motivo de paixão de uma das minhas melhores amigas. Ela não tinha ido à festa por motivos de força maior (a mãe não deixou). Quanto tempo vocês acham que levou pra ela saber? Menos do que o tempo que o molho de tomate leva pra sujar minha camisa branca no almoço de domingo. A segunda-feira posterior se apresentou como um dia horrível na escola... Também há de se registrar que eu passei o resto daquela festa tão em órbita que até esqueci de paquerar o menino que eu achava bonitinho e divertido. Resultado, ele beijou outra garota. Para funcionar como cereja no sundae: anos mais tarde, eu soube que ele gostava de mim, e tinha ido na festa vestido de Lanterna Verde só porque sabia que eu ia adorar. Raaaaios!!! Bom, o meu primeiro beijo foi uma lástima (e pensar que podia ter sido perfeito E com o Lanterna Verde...), mas deu pra superar. O segundo, em compensação, foi espetacular: na praia, fim de tarde, com um menino adorável de quem eu gostava bastante. Eu até podia esquecer o beijo roubado e oficializar esse “vice” como o primeiro, mas não. É bom para lembrar que nem tudo o que começa mal segue assim. E que a prática leva à perfeição, claro. Meia-dúzia de contos urbanos Hoje elas se espalham como gafanhotos na lavoura, fazem pouco barulho e logo caem no esquecimento - tudo por culpa da Internet. Mas quando éramos crianças, as lendas urbanas surgiam devagar sei lá de onde e ganhavam força aos poucos, graças ao boca-a-boca e à saudável mania infantil de acreditar em tudo o que ouve. Vai ver que é por isso que algumas das melhores histórias continuam por aí. A ação de repassar uma lenda urbana não se baseava em dar "foward" num e-mail para todos os seus amigos. Uma pessoa tinha que chegar na gente, arregalar os olhos e diminuir o tom de voz. A frase sempre começava com "Você ouviu só aquela história..." e terminava com "o cunhado da irmã da minha prima JURA que viu!". Daí, bastava contar a outro coleguinha adicionando mais detalhes assustadores. E assim por diante, para todo o sempre. Algumas delas me assustaram muito. Sempre que a Sessão da Tarde exibia aquele filme "Três Solteirões e Um Bebê" (lê-se "toda a semana"), eu mudava de canal bem na hora do fantasma. Diziam aparecer o espectro de um menininho que morreu naquele apartamento - é bem perceptível, repare. Depois descobriu-se ser um display esquecido atrás da cortina. Hmmm, sei não... E quando o saudoso "Nepê", ou "Notícias Populares" (conhecido jornal sensacional e sensacionalista aqui de São Paulo) inventou a conhecida historinha do bebê diabo? Foram dias e dias dando manchete do tal filhote do coisa-ruim, que teria nascido em algum bairro paulista. Até foto eles colocaram, com um recém-nascido de chifres! Lembro-me direitinho que todas as Mirtes, Irenes e Lourdes da rua ficaram aterrorizadas. Também tinha a história do palhaço e da bailarina. Essa vem de Oz! Contava-se por lá que uma kombi (?!) com um palhaço e uma bailarina (??!!) passava na frente dos colégios bem nos horários de pico. O casal surreal oferecia doces e canções, atraindo criancinhas indefesas para dentro do veículo. Lá, eles removiam os órgãos da pobre vítima e a devolviam sem o rim ou o fígado. Outra lenda que instalou medo foi a das balinhas Van Melle. Começaram a comentar que as balas coloridas artificialmente continham cocaína dentro. Enquanto os adultos piravam, as criancinhas (inclusive euzinha) faziam fila na cantina da escola para comprar o pacotinho do Mal. E ainda ficávamos procurando um furinho em cada uma delas, por onde o sêo Van Melle havia injetado a droga. A receita de sucesso de uma lenda urbana era envolver ícones infantis da época. Quem não tocou o disco do Menudo ao contrário para ouvir as mensagens demoníacas dos porto-riquenhos? A mais famosa é a do hit "Não Se Reprima", onde é possível escutar (nitidamente) a frase "Satanás vive". Quem achar um link disso para baixar, manda pra cá! Eu e minhas amiguinhas da rua acreditávamos muito naquela da boneca da Xuxa. A apresentadora havia lançado dois tipos de bonecas: uma à lá Barbie, e outra grande, com umas pernas e braços molengos. Segundo as lendas, a boneca menor ganhava vida à noite e arranhava o rosto da dona. A grande fez pior: enforcou uma menina com seus longos membros! E o que dizer do boneco do Fofão? Diziam que o personagem peludo e bochechudo, vindo do planeta Fofolândia segundo o próprio, fez um pacto com o diabo para ter fama, sucesso, dinheiro, iates, mansões e mulheres. Para agradar as forças malignas, ele mandou rechear seu boneco (que por si só já era BEM assustador). Uma versão dizia ser uma vela de macumba. Outra, um punhal. Nunca comprovei, porque nunca tive coragem de chegar perto daquele brinquedo horroroso... Mas nenhuma lenda urbana chega aos pés descalços e fantasmagóricos da Loira do Banheiro. Todo sanitário (masculino e feminino) de todas as escolas contavam com a figura, mais famosa do que a Carla Perez jamais será. Havia todo um ritual para chamar a entidade. Algo como: apertar a descarga três vezes, girar no sentido anti-horário, pular com um pé só e assoviar. Cada banheiro tinha a sua maneira de despertá-la. A prima da amiga da minha vizinha JURA que viu. Depois de amanhã
Selvagens na tv Alguns programas da televisão desafiam minha capacidade de definição. "Wild On", atração do canal por assinatura E! Entertainment Television, é um deles. Se você nunca viu, não sabe o que está perdendo. Mas vai saber já. "Wild On" é o programa mais... mais... não sei. Simplesmente não consigo achar adjetivo que sintetize o tal do show, comandado por uma apresentadora em trajes sumários, que visita os locais mais "quentes" (entenda como quiser) da noite de uma determinada cidade – do Rio de Janeiro a Hong Kong, passando por Vegas, Ibiza e outras localidades onde as pessoas, por assim dizer, ficam loucas depois do pôr-do-sol. Digamos que consiste numa espécie de "Flash" do Amaury Jr, mas com as damas muito mais à vontade, soltando a franga na noite. Às vezes, até rola peitinho. Por isso, se você procura por um substituto da "Sala Especial", achou: é só sintonizar no E!, mas tem de ser de madrugada. Na reprise da tarde, eles botam distorção na imagem. O mais gozado de "Wild On" (sem duplo sentido) é que basta a câmera se aproximar para o grupelho enfocado na boate, no mardi gras ou onde quer que seja levantar seus copos e gritar "uhúúú!". Da China aos Istêites, passando pelo florão da América e pelas praias da Europa, aparentemente o gesto universal de "estou me divertindo à pampa" é erguer a bebida e berrar "uhú!". Algumas donas mais empolgadas acompanham o erguer do copo com o erguer de sua própria vestimenta, mostrando para a câmera (e para uma platéia, do outro lado da telinha, entre o vexame e a gargalhada) seus dotes. Por que, Deus, por quê? Quando uma câmera se aproxima, os homens não saem arriando as calças e mostrando o "minino" pra todo mundo! Agora você já sabe no que consiste o sensacional "Wild On". Mas talvez fosse melhor ter ido para casa sem essa, não? Acho que não. Apesar de tudo, o espetáculo é uma das coisas mais engraçadas da TV por assinatura – e olha que nem tem claque de fundo.
Tem de ser bonito, bem-lançado, erguer o copo e gritar "uhúúú!" para aparecer no "Wild On"
Paixão por papel-jornal Tarde cinzenta como a de hoje implora por um edredom fofo, uma xícara de chocolate quente, telefone desligado e um bom livro como companhia. Isso hoje em dia, claro. Na infância, pedia agasalho de moletom velho, uma cumbuca de farinha láctea com leite e quantos gibis eu pudesse carregar pro ninho. Ô saudade das minhas revistinhas... Na São Bernardo dos anos 80, dia frio era gelado de trincar os ossos. Ali na beirada da serra, a falta do sol trazia garoa fina e um nevoeiro digno dos contos do Stephen King. Hoje isso quase não acontece mais, e eu acho que a culpa é desse tal de efeito estufa. Mas na minha meninice... Nossa, como os dias frios eram bem aproveitados! Sempre fui alucinada por dois quadrinhos em especial: a turma do Tio Maurício de Sousa e a gangue do Tio Walt Disney. O engraçado é que, para a maioria dos meus amigos, esses dois grupos eram excludentes: quem curtia o Mickey achava a Mônica uma tonta, e quem adorava o Cebolinha cuspia nas histórias do Donald. Eu, por outro lado, sempre me dei muito bem no meio termo. Quanto mais gente pra me divertir, melhor. Os gibis da Disney eram de histórias um tanto mais elaboradas e cerebrais. Lembro até hoje do pacotão chegando em casa (meu pai deu de presente, num aniversário, a assinatura): vinha uma revistinha do Donald, uma do Pateta, uma maiorzinha do Tio Patinhas e uma gordona com tema definido. Minha preferida de todos os tempos foi aquela chamada “Os Astronautas”, só com histórias do espaço. Show! E eu ainda aprendi o que era o “ribombo lunar”. Meninas não costumavam gostar desse jogo de revistas. Os gibis da Mônica faziam muito mais sucesso entre as donas de maria-chiquinhas. Talvez porque fossem mais engraçadas, imaginativas e muito mais doces. Eu ia direto ler primeiro qualquer historinha que trouxesse a Tina, o Zé Vampir ou a Magali, três dos meus heróis. Isso, claro, se não achasse a tirinha do meu personagem preferido dentre todos: o Louco. O cara de cabelos loiros tão desordenados quanto seus próprios miolos é um dos tipos mais incríveis já criados no mundo. Bom, eu acho hilário qualquer encontro dele com o Cebolinha, principalmente quando ele rouba o cabelo do pobre moleque. Aliás, o Louco devia ganhar mais espaço nos gibis, Tio Maurício! Que tal um exemplar só com quadrinhos dele?? Se isso for mesmo criado, apanho meu edredom fofo, minha xícara de chocolate quente, desligo o telefone... e arremesso qualquer outro livro longe! E volto a dedicar todas as tardes cinzentas como a de hoje aos reis do papel-jornal.
Tempo feio pede a turminha... Quando ele existia Se eu tivesse uns 15 anos a menos, hoje seria dia de soltar fogos de artifício. Afinal, o início de dezembro anunciava a chegada de muitas coisas boas. A primeira: férias - como sempre fui CDF e nunca fiquei de recuperação na vida, esta era a época de trancar o uniforme no armário e passar o dia descalça. A segunda: Natal - ou vai dizer que você ainda não sentiu o gostinho do Panettone? Era no primeiro dia de dezembro que eu montava a árvore da família. Adorava o momento solene de abrir o lacre de durex da caixa onde o pobre pinheirinho de plástico havia descansado por longos 11 meses. Montava o dito cujo, espirrando aqui e acolá por causa da poeira. Em seguida, buscava uma outra caixa, cheia de enfeites de vidro, laços, flocos de neve falsos e fios de pisca-pisca. Pena que o Natal só tem graça quando a gente é criança. Depois da revelação chocante de que Papai Noel não existe - e que na verdade meu pai comprava meus presentes de última hora nas Lojas Americanas -, tudo vai por água abaixo. Por isso é que não fico mais tão entusiasmada com as festas de fim de ano. Também, não tenho férias escolares e já me aposentei da missão de resgatar a árvore de plástico há tempos. Mas ô, como me lembro de esperar ansiosa pela chegada do bom velhinho. Pensando nos Natais que já se foram, o que me vem à memória são os presentes bacanas que ganhei. Ele poderia não existir, mas Papai Noel nunca me decepcionou... Pepita Cozinha da Barbie Monark Hmm, o que será que vou ganhar esse ano? Não sendo pacote de meia e calcinha florida de algodão, tá valendo.
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