quarta-feira, 31 de dezembro de 2003

Esqueça a correria, é hora de lembrar

Como leitor assíduo do site, fiquei sabendo da promoção e resolvi escrever. Nem tanto pelos mimos que estão em jogo, mas sim pelo agradável exercício de lembrar coisas legais da infância e que estavam quase se apagando.

Vocês deveriam ganhar um Prêmio Nobel de alguma coisa por promover esse "revival" que tanto nos faz bem. Na correria que são nossos dias, tais lembranças que o Garotas ajuda a resgatar são como gotas de adoçante que suavizam o gosto amargo de coisas chatas da vida adulta. Acabei resgatando coisas que nem imaginei que conseguiria lembrar.

1) Relógio que troca pulseira
O Champion que trocava todos os acessórios era um hit. Ganhei um que usei por poucas semanas, já que fui covardemente assaltado por um garoto que era duas vezes o meu tamanho na porta da escola. Até hoje não uso relógio porque os dois que tive me deram problemas.

2) Bolo de fubá cremoso e suco de mamão com laranja
Minha mãe não era lá uma Ofélia, mas as poucas coisas que ela fazia de bom eram inesquecíveis. Que maravilha era chegar da escola e ter o bolo de fubá cremoso... Melhor ainda se junto estivesse aquele líquido avermelhado espumante, o tal suco de mamão com laranja. Como tudo que é bom dura pouco, o bolo minha mãe simplesmente esqueceu de como se faz. E o suco me empapuçou. Foi uma overdose tamanha que hoje em dia não posso nem sentir cheiro de mamão.

3) Brincadeiras de rua
Bons tempos aqueles em que podíamos brincar na rua sem correr o risco de ser atingido por um ônibus desgovernado, levar uma bala perdida ou sermos seqüestrados pra sabe-se lá quem. Pega-pega, esconde-esconde, mãe da mula, barra-manteiga... Para as "crianças" e pseudo-psicos de hoje, essas brincadeiras revelam nomes de duplo sentido ou passam mensagens veladas de preconceito (!!!).

4) Os amigos
Antes de sermos contaminados pelas agruras do mundo-cão, éramos crianças e pré-adolescentes sem (tanta) maldade e com uma lealdade absurda aos amigos. Depois crescemos e a expressão "melhor amigo" caiu em desuso. Tive três amigos que achei que estaríamos juntos pra toda vida. Tínhamos nossas diferenças, mas sabíamos perdoar. Cada um tomou seu rumo e não nos vemos nem mantemos contato há anos. Mas foram companheiros necessários e inesquecíveis naquele momento da vida. E acredito que eles pensem o mesmo, quando se lembram.

5) Preocupações (ou a falta de)
O chefe não pagou seu salário todo e ainda te dá trabalho pra casa? Seu aluguel está estourando e você não sabe como vai pagar? Ficou doente bem quando está sem plano de saúde? Esquece! Tirar nota boa, curtir três meses de férias no ano (quando os professores faziam greve), fazer lição de casa e ter a carteira de vacinação em dia. O que eu não daria pra ter só essas preocupações...

6) Dia de aniversário na Xuxa
Não lembro de ter contado isso pra alguém, mas como sei que meu texto não vai ser publicado, isso vai morrer entre nós. Sempre odiei acordar cedo, pois estudava a tarde. Mas todo dia 2 de setembro eu fazia questão de acordar às 8 horas da madrugada só pra ver a Xuxa cantando parabéns pra mim. Bah!

7) Balão Mágico
Não sei se hoje um programa como o Balão Mágico seria interessante, mas naquela época foi. Os apresentadores eram – ou pareciam ser – espontâneos, e aposto que foi esse o segredo do sucesso. Criança gosta de ver criança de verdade na tv, e não essas moças cheias de acessórios com aquele texto decorado e aquele espírito de competição desleal entre elas, uma querendo aparecer mais que a outra. Por isso não fazem sucesso. Não dá pra enganar criança.

8) Professora Dinorá da 2ª série
Se da segunda série em diante eu fui um ótimo aluno, com excelentes notas sem me tornar um nerd e até hoje gosto de ler, escrever, etc, devo a essa dedicada professora. Ela tratava os alunos como filhos, e não havia quem não a respeitasse, mesmo as crianças mais problemáticas. Foi tentando copiar a letra dela que fiquei com letra pedagógica (também vulgarmente chamada de letra “de minina"). Ela não sacrificava seus alunos em greves. Um exemplo. Difícil crer que ainda haja professoras assim.

9) Ultraseven, Ultraman, e, mais tarde, Caverna do Dragão
Na minha época, esses seriados japoneses já eram antigos, mas eram o máximo. Figurino tosco, capacetes gigantes e desnecessários, (d)efeitos especiais, monstros e enredos bizarros. Um milk-shake perfeito antes de ir à escola ou quando chegávamos em casa. Mais tarde, apareceu esse que é o melhor desenho já produzido. Caverna do Dragão tinha magia, personagens de fácil identificação e armas que a garotada queria ter. E qual foi a minha surpresa ao ler o final da história na internet anos mais tarde, que não chegou a ir ao ar, pois, diz a lenda, era over demais: o Mestre dos Magos seria o vilão, nossos heróis eram garotos muito ruins e por isso foram para aquele universo que era o inferno, a Uni era um ente a serviço do mau e o Vingador era o mocinho. Surpreendente!

10) Conversas no banheiro
Às vezes, eu e minha irmã mais nova ficávamos horas conversando no banheiro. Ficávamos um tempão falando sobre o resumo do dia, as amiguinhas dela e os meus amigos. Parece bobagem, mas hoje vejo o quanto nos dávamos bem. A gente cresce e tudo vira uma m*... Em vez de simplificar, só sabemos complicar as coisas.

Por Robson

às 05:39 PM


Meu rankingzinho

Ah, a infância... Tudo bem, não faz tanto tempo que saí dela (afinal não tenho nem 20 anos ainda), e talvez por isso mesmo vocês não se encantem tanto quanto eu quando lembrarem dos itens dessa lista. Mas, de qualquer forma, eu fiz a minha, das coisas que eu sinto mais falta...

Provavelmente vai ficar meio limitada à tchurminha que viveu o auge da infância nos anos 90. Se fosse só isso, beleza. Mas eu fui uma garotinha daquele tipo insuportável, toda “menininha” mesmo. Então, além de tudo, minha lista está bem femininazinha. Mas apesar disso e do meu egoísmo, o ranking limitado fica mais genuíno, digamos assim.

Tenho que admitir que não foi nada fácil construir essa lista. Afinal, escolher apenas 10 itens e ainda por cima ter que colocá-los numa hierarquia é um crime. Talvez, depois de enviar, eu me lembre de alguma outra parte indispensável da minha infância. Mas como o tempo urge, e eu já levei um certo tempo elaborando esse ranking, seja o que Deus quiser.

10) Papel de Carta
Essa foi uma febre entre as meninas. Era uma coleção hiper meiga, e totalmente diferente dos costumes masculinos. Porque embora as figurinhas “Amar é...” tenham sido um clássico, na minha época já nem existiam, e por isso não cultivei o hábito de ir a bancas de jornal. Já o papel de carta... Qualquer ida a uma papelaria já era desculpa. Eu tinha aos montes, todos organizos por tema, tamanho, uma frescura só. E todas as colecionadoras tinham o belo costume de carregar a “pastinha” pra lá e pra cá – primeiro pra mostrar os filhotes, e aproveitando a exibição, trocar os repetidos.

9) Chiquinha Pakalolo
Como já disse, fui uma menininha bem “Little Princess” mesmo. Por isso, a vaidade era meu forte. E a cafonice também. Tinha coisa mais brega do que aquelas maria chiquinhas gigantes, que embora sempre combinassem com a roupitcha, eram uns horrores? Pois é...Tive várias desse tipo. E não bastava ter as tais chiquinhas. Elas tinham grife (sim, o capitalismo impera desde cedo). Tinha que ser da Pakalolo. Um luuuuuxo!

8) Pulseirinhas de corda de violão
Seguindo as tendências do mundinho fashion, quem não quis ter uma coleção de pulseirinhas de corda de violão?? Eu tinha uma quantidade enorme, claro. Ganhava um pacotinho toda semana, minha vó é um anjo. No auge da febre, as meninas, inclusive eu, chegavam a ter pulseiras até mais da metade do antebraço. E a Chiquinha Pakalolo no outro pulso, claro!

7) Patins de prender no tênis
Tenho que ser honesta: nunca tive um desses. Acho que foi o trauma do desejo reprimido que me fez guardar o tal brinquedo assassino na memória. E por isso ele está aqui no meu ranking. Minha mãe tinha razão: o negócio era meio ameaçador, não era nenhum poço de segurança pros meus dentinhos de leite. Afinal, aquelas tiras não davam firmeza nenhuma (eu experimentei escondido). as quem disse que uma criança não tem direito a uma dose de adrenalina?

6) Questionário
Como eu adorava esses questionários! Era uma ótima oportunidade de contar tudo aquilo que a gente esconde de todo mundo, mas secretamente quer que todo mundo saiba! Uma espécie de Jogo da Verdade antes da puberdade... Uma beleza! O melhor era ficar morrendo de vergonha depois de responder a tal pergunta: “de quem você gosta?”

5) Vestido Trapézio
Outro clássico da cômoda de qualquer menininha que reinou no início dos anos 90. Era uma belezura: bermuda de cotton até o joelho, geralmente colorida (a minha era vermelha), e uma blusinha em forma de trapézio (daí o nome), geralmente branca, com bolinhas da cor da bermuda. Além de disfarçar culotes, era o traje perfeito para qualquer lambada de Beto Barbosa!

4) Bolinha de Sabão
Não contei ainda, mas sou estudante de Publicidade. E como não poderia deixar de ser, fui vítima das armas da Propaganda, principalmente dos jingles. Embora a musiquinha da “Pipoca com Guaraná” tenha sido um marco, a que mais me deixou saudade foi a do comercial da Bolinha de Sabão. Afinal, eu fazia parte de público-alvo, ora bolas! Pra quem não lembra, lá vai: “Sentada na calçada de canudo e canequinha, tchubléc, tchublim... fazendo uma bolinha... Tchubléc, tchubléc...”

3) Bate-Enrola
Uma régua de bater no braço, que enrolava como uma pulseira... Quanta utilidade! O legal é que ela geralmente perdia a mobilidade antes de perder a graça. Acho que aí é que está o segredo do sucesso dessa peça – que só não consegue ser mais divertido e inútil do que o Fluf, aquela bola de fios de borracha... Êta infância criativa!

2) Estojo Paraguaio
O único vício que superava a vaidade das menininhas que esperneavam pra ter chiquinhas coloridas e botinhas da Xuxa era a paixão por papelaria. E nada melhor do que um estojo que reunisse tudo e mais um pouco, para onde quiséssemos levar! Essa era a vantagem do estojo paraguaio, que tinha durex que não colava direito, tesoura que não cortava nem água, giz de cera, lápis de cor, tinta aquarela e mais um monte de coisas inúteis que ninguém sabia pra que serviam (mas que todo mundo queria ter). E o mais importante de tudo: tinha que ser paraguaio, senão não era o original.

1) Desenhos animados
Tudo bem que o Bob Esponja e as Meninas Super Poderosas são o máximo. Mas existe coisa melhor do que o Pica-Pau? Ou Caverna do Dragão? E o Cavalo de Fogo (“Foi quando correndo eu vi/ Um cavalo de fogo ali/ Que tocou meu coração quando me disse então que um dia rainha eu seria”)? Mas meu preferido era o dos Ursinhos Carinhosos. E digam o que quiserem, mas essas melações eram bem melhores do que os Teletubbies. Bem, é hora de dar tchau!

Por Renata

às 01:12 PM


Pobres crianças de hoje em dia

Sabe, sou uma garota apaixonada pelos anos 80. As roupas ridículas que foram moda, as músicas, os programas de tv, enfim, tudo que fez parte das nossas vidas e que é divertido lembrar. No último final de semana, tive a infelicidade de assistir com a minha sobrinha um dos seus desenhos animados favoritos: um monte de bebês que falam, aprontam e são feios... muito feios. Até hoje sou uma aficionada por desenhos. Mas pelos antigos claro, porque esses de hoje em dia.

Resolvi então fazer uma lista dos 10 melhores desenhos animados da minha infância e providenciar uma reprise deles para a minha sobrinha – antes que a sua personalidade sofra um mal irreversível. Mas atenção! O motivo foi exclusivamente esse. Nem de longe estou interessada em ganhar os sete prêmios supimpas garimpados pelas Garotas e que marcaram a minha, a sua, a nossa infância.

10) A Cobra Azul
Por favor, digam que não sou a única que se lembra desse desenho. A Cobra Azul vivia atrás de uma mosca (ou seria uma abelha?) japonesa que cantava: “Toli, toli tolá... A Cobra ficou lá...” E não ria, porque eu gostava.

9) Os Flintstones
Interessante esse desenho sobre a saga dos homens das cavernas. Adorava ver as versões pré-históricas para as nossas tecnologias domésticas, como o chuveiro-elefante ou o abridor de latas- passarinho.

8) Pluto
Citei apenas o Pluto porque não eram todos os desenhos do Walt Disney que me faziam ficar na frente da tv. O Pato Donald, por exemplo, me irritava. Só para lembrar, aí vai um episódio que eu adorava: nele, o Pluto é enxovalhado por um casal de passarinhos por tentar acompanhá-los em sua cantoria matinal. Assumindo sua total desafinação, Pluto compra uma vitrola e, fazendo-a tocar com o seu rabo, finge para a sua namorada ser aquela a sua verdadeira voz.

7) Pernalonga
Impossível não se divertir com a habilidade desse coelho em enganar seus inimigos. Aliás, confesso que tinha preferência em vê-lo enganar o Hortelino, seguido pela memorável frase “O que é que há velhinho??” Adoro o episódio em que a toca do Pernalonga é inundada e ela acaba sendo fisgado por um cientista maluco que quer tirar o seu cérebro. O momento em que o Pernalonga finge ser um cabeleireiro e coloca dinamites no cabelo do monstro do tal castelo é show!

6) He-Man
Sei que é um desenho cheio de idiotas incapazes de suspeitar que Príncipe Adam e He-Man são a mesma pessoa só por causa de uma rápida sessão de bronzeamento. Mas eu adorava. Pena que nunca rolou nem um beijinho entre a Tila e o gatão musculoso. Será que ele era gay? Só sei que me lembro até hoje de uma terrível música cantada pelo Gorpo: “O bem vence o mal, espanta o temporal....” Não acredito que estou fazendo isso!

5) Papa-Léguas e o Coiote
Acho que o problema aqui não era a inteligência do Coiote, mas sim a má qualidade dos produtos Acme que ele adquiria para pegar o Papa-Léguas. O pobre lobo acreditava na propaganda enganosa e, sem a assessoria de um órgão de defesa do consumidor, acaba se estatelando nos precipícios. Acho que ele deveria procurar um advogado e mover uma ação por danos morais e corporais.

4) Corrida Maluca
Esse era ótimo. Eu, é claro, torcia para a Penélope Charmosa e achava o Peter Perfeito um charme.

3) Os Superamigos
“Enquanto isso, na Sala de Justiça...” Os Super Gêmeos (ativar) e o macaquinho Glick aprontam mais uma das suas. Eu queria ser a belíssima Mulher Maravilha. E isso desde os tempos do seriado na tv. Lembro bem dos episódios com a Legião do Mal e com o inimigo número 1 do Super Homem, o Mitzerplick, que era um ser vindo da quinta dimensão e que para voltar para lá tinha que dizer seu próprio nome ao contrário.

2) Caverna do Dragão
Para mim esse é um dos melhores desenhos da minha infância. Aliás, quase adolescência. Os garotos perdidos na terra do Vingador, que tentavam desesperadamente voltar para casa com a ajuda do Mestre dos Magos me encantava.

1) Pica-Pau
Ah, eu adorava as maldades do Pica-Pau contra o Zeca Urubu e a Minnie Ranheta. Até sabia de cor alguns episódios. Tinha um que ele cantava: “Tem passarinho que voa pro Sul, bem longe do ninho. Mas eu não viajo não, isso me faz mal, eu sou Pica-Pau”. Lembram que, no Domingo no Parque, você tinha que imitá-lo para ganhar um tênis Montreal, o único antimicrobial? OBS.: Flá, li seu texto sobre esse amável passarinho e também escolheria o episódio das Cataratas do Niagara como o mais divertido...

Por Paula

às 09:08 AM

terça-feira, 30 de dezembro de 2003

Jovens gargalhadas

Nada supera o prazer de dar boas risadas na infância. Ou então de rir do que inocentemente fizemos durante essa fase da vida. Ao ler sobre a promoção Top 10 Infância do Garotas, em menos de dez minutos, lembrei de dez situações engraçadas da minha meninice. São pequenos fatos que não somem da memória, por mais que as décadas passem. Ainda bem!

Vamos a elas:

1) O “embrulhão”
Dentre as coisas inusitadas que eu gostava de fazer aos 5 anos, uma era prestar atenção nas conversas do meu avô ao telefone. Era o típico italiano: falava alto, gesticulava e praguejava. Certa feita, referindo-se a um parente que tentara passar-lhe a perna, o velho exclamou exaltado: “Ele é um embrulhão! É um embrulhão!”. Adorei o termo, apesar de não ter a menor idéia do significado. Naquele mesmo dia, meus pais receberam visitas. Ao chegar saltitante na sala de casa, dei de cara com uma tiazinha, que logo indagou: “Oi, menino bonito, quem é você?” A resposta foi taxativa: “Eu sou um embrulhão!”

2) Não era uma Brastemp...
Uma das coisas mais divertidas era aproveitar as caixas de eletrodomésticos para brincar de cabana, construção ou Forte Apache. Certa vez, meus pais compraram uma máquina de lavar. Fiquei exultante. Naquela caixa de papelão enorme cabiam facilmente eu e meu primo. E também os “diabinhos” que aparecem no ombro da gente, impulsionando à travessura. Pois bem, o primeiro (e último) uso da caixa foi como esconderijo, na calçada, sob a janela de uma vizinha chata. Plano genial: atirar feijões com um estilingue e se esconder sob a caixa, quietinhos. Só não esperávamos que a bruxa fosse desconfiar de algo tão natural quanto uma gigantesca caixa de papelão dando sopa na sarjeta. Pois é, o balde de água que veio lá de cima não só destruiu o fundo do caixote, como também ensopou a ambos. Definitivamente, não era uma Brastemp...

3) Alfredo, traz o Neve!
Minha mãe é um doce de pessoa, mas tem suas manias. Uma delas é de “arrumação”. Ela não suporta bagunça. Bem, lá estava eu com meus 4 anos de idade, anarquizando a sala de casa enquanto ela preparava um jantar especial, para uma visita importante – o chefe de meu pai ou algo do tipo. Atrasada e atrapalhada, ela já havia me dado umas três broncas. E nada de eu parar com a zoeira na sala. Foi aí que ela perdeu a paciência e me deu um tapa no “bumbum”, acompanhado da inevitável frase: “Vai já pro seu quarto!”. Não fui. Pelo contrário, fui ao banheiro. Segurei a ponta do rolo de papel higiênico e saí passeando pela casa... Sim, foram 40 metros de Papel Primavera (ou Neve, talvez) entremeando móveis, armários, poltronas e sofás. Não preciso descrever a cara de horror da pobre coitada quando descobriu a travessura, minutos antes de a visita chegar. E nem a marca de chinelo que ficou no meu “bumbum” naquela noite!

4) Falou o que quis, ouviu o que devia!
Criança pode ser inocente, mas não é burra. Pelo menos eu não era. E, por isso, sempre odiei frases idiotas que se costuma dizer para quem está na tenra idade. Uma vez, uma conhecida da minha mãe nos encontrou na rua, depois de anos sem nos ver. Eu devia ter uns 8 anos. Ela disparou a inteligentíssima asserção: “Como você tá grande!”. E eu respondi na lata: “Como você tá gorda!”.

5) Deus protege os bêbados
Zoar com bêbado é sacanagemi. Mas quando se tem 10 anos, é perdoável. Havia na minha rua um tiozinho bebum e pontual. Saía do bar sempre às 18h e ia pra casa. Um dia, decidimos pregar uma peça no ébrio, estendendo pedaços de linha de costura entre os postes da rua e os portões das casas, na altura do joelho. Calma, gente! A linha era fina e quebrava fácil – não havia perigo de um tropeção mais grave. Fizemos isso em quatro postes e, quando preparávamos o quinto, o bêbado despontou na esquina – alguns minutos mais cedo que o usual. Assim, abortamos o último poste do quarteirão e nos escondemos para ver o resultado. Ele tropeçou no primeiro. Parou, olhou e fez cara de quem não entendeu nada... coçou a cabeça e voltou a andar. Repetiu a cena no segundo. Cambaleou de novo no terceiro. No quarto poste, idem. Quando chegou ao quinto e último – aquele que não tinha nada –, parou, pensou e, cuidadosamente, levantou uma perna e depois a outra, vencendo triunfalmente o obstáculo. Inexistente, por sinal.

6) Ás no volante
Eu devia ter uns 10 ou 11 anos, mas andava com uma turminha mais velha, na faixa dos 15 ou 16 – aquela idade em que todo mundo quer pegar o carro do pai escondido para impressionar “as mina”. Foi isso que o Zé (bem, não citemos nomes) quis fazer com o lindíssimo Maverick 78 do pai na frente da turma. Ele tirou o carro da garagem, cheio de pose, e saiu arrancando. Deu a volta no quarteirão e veio guardar o carro. A manobra final foi um espetáculo. Fez a curva para entrar na garagem em alta velocidade, com o braço pra fora e cara de mal, olhando para a galera... E, por isso mesmo, não percebeu que o portão estava fechado. Buummm! Lá se foi a frente do Maveco. E também a cara de malvado do Zé. Enquanto a turma se esborrachava de rir.

7) Mico mineiro no mar
Era uma diversão receber minhas primas de Minas Gerais nas férias, principalmente quando estávamos na praia, em São Vicente. Afinal, eram hilariantes as cenas, digamos, pouco usuais que elas proporcionavam num ambiente tão desconhecido. Certa vez, meu pai comprou um bote inflável, desses que você pode esvaziar e guardar na garagem. Estávamos no elevador lotado, descendo para um passeio no barquinho, quando uma das primas mineiras dispara em alto e bom mineirêss: “Gente, nós vamos andar no NAVIO do tio Walter!!!”. A gargalhada dos vizinhos só não foi maior do que a vergonha da coitada quando lhe explicaram a diferença.

8) "Herr" Cirênio!
Meu tio Cirênio era uma pessoa singular. A começar pelo nome. Era um sujeito aparentemente sério e sisudo, mas com insuperável senso de humor e cinismo a la Monty Python. Deveria ter sido ator, mas preferiu ser policial. Em São Vicente, ele me levava para passear quando fomos abordados por um verborrágico vendedor de caranguejos. Enquanto o caiçara discorria sem parar sobre o frescor dos crustáceos e como se podia prepará-los, meu tio apenas olhava fixamente o homem, sem dizer uma palavra. Ao fim de alguns minutos, o pescador se cansou de tagarelar e perguntou: “E aí, doutor, vai levar quantos?”. A resposta de meu tio foi desconcertante – e hilariante: “Sprechen sie deutsch???”

9) Elevador escatológico
Imaginem uma jornada de 10 horas de carro entre São Paulo e Cabo Frio, num calor de matar. Nessas condições, quando eu tinha uns 9 anos, bebi litros e mais litros de água. Ao chegar ao hotel, a visão de uma mesa de pebolim fez eu e meu pai largarmos rapidamente as malas no quarto e começar uma partida. Bola pra lá, bola pra cá e, de repente, percebi que não dava mais para segurar o pipi acumulado na longa viagem. Saí correndo, peguei o elevador e desci no sexto andar, em busca do meu quarto, o 604. Mas não tinha 604, e sim apenas 603, 605, 607... Eu estava no bloco errado! O bloco ímpar! Voltei “sambando” ao elevador e, ao entrar, dei graças aos céus por estar vazio. Não dava mais tempo e me aliviei lá mesmo, no cantinho. E o pior (ou melhor) é que um providencial tapete de piaçava escondia tudo! Exceto o “cheirinho estranho”. Nos dias seguintes, eu tinha que me segurar para não “mijar de rir” toda vez que algum gringo saía do dito cujo fazendo cara feia e torcendo o nariz...

10) Felicidade em 12 cores, com 10 anos de atraso
Este último momento não foi nada divertido. Divertido foi o que aconteceu anos depois, já na adolescência. Quando tinha 6 anos, adorava desenhar, e um dos meus sonhos era ter um estojo de canetinhas coloridas Silvapen. Foram meses insistindo, até que um dia minha mãe finalmente cedeu e comprou aquele pacotinho com 12 bastões cheios de tinta e felicidade. Eu nem sequer tinha aberto o estojo quando minha irmã – que normalmente era um doce de pessoa –, teve um repente de chatice e começou a querer tomar a preciosidade das minhas mãos. Na briga, joguei o estojo para cima de uma estante de livros, achando que ela desistiria de pegá-lo. Ela desistiu. E eu também: o estojo, ainda fechado, caiu por trás do móvel, no vão entre ele e a parede. À noite, meu pai confirmou ser impossível resgatá-lo, já que a estante era fixa. Tentando disfarçar, chorei como nunca naquela madrugada. Passaram-se exatos 10 anos até o dia em que, numa grande reforma, a tal estante foi retirada da parede. Eu acompanhei ansioso o trabalho dos pedreiros e, com um brilho nos olhos e uma sensação de felicidade sem igual, achei o tal estojinho Silvapen. Ninguém entendia porque eu gargalhava, e eu também não quis explicar. As canetas, é claro, estavam quase todas secas. A única que ainda funcionava me acompanhou por mais de um ano, até a época do cursinho, quando a perdi de vez. Agora, sim, na hora certa, sem choro nem tristeza.

Por Paulo

às 06:22 PM


Saldo com a terapia

Há uma série de coisas da minha infância (quer dizer, na verdade são só dez, porque foi esse o número que as garotas pediram) que direta ou indiretamente me causaram traumas futuros. Não dizem que é durante a infância que construímos nossa personalidade? Então, mamães: quem sabe seus filhos não farão análise daqui alguns anos só por causa do Picachu? É uma possibilidade!

Segue então a lista dos responsáveis pelos meus traumas infantis – e quantos anos de terapia serão necessários para curar cada um deles.

10) O pirocóptero
Vocês se lembram de um pirulito que vinha com um brinquedinho colorido e comprido, que tinha duas 'hélices' em cima?! Aparentemente inofensivo, e até bastante educativo: "Gira ele na mão, filha, rápido! Rápido!" E ele saía voando. Caía uns dois metros adiante, mas voava um bocado, e era essa a graça da brincadeira. Até o dito-cujo ir parar no telhado. Alguém subia para resgatá-lo, claro, mas sabe como é a relação brinquedo-telhado: uma vez lá em cima, já era.
São necessários uns seis meses de terapia para superar isso

9) O último episódio (inexistente) da Caverna do Dragão
Imagine se, sem mais nem menos, "Friends" acabasse. E você não saberia se a Rachel ficou com o Ross ou com o Joey, se o Chandler e a Monica conseguiram ter um filho e se a Phoebe conseguiu ou não acertar as contas com a irmã, Ursula. Horrível, não?! Agora imagine esse mesmo impacto numa criança de cinco anos. Muito, muito pior.
Mais 10 anos de terapia

8) Nascer morena
Todas as apresentadoras eram loiras (menos a Mara Maravilha, mas me diga: quem é que gostava dela?). Sua priminha, também loira, era quem era chamada para ser daminha de honra de todos os casamentos da família. Você, não. Porque você era morena. A She-Ra era loira. As princesas da Disney eram também todas loiras. As Barbies eram todas loiras. E as morenas? As morenas eram sempre as bruxas, as vilãs, as malvadas!
Mais 1 ano e meio de terapia

7) A botinha ortopédica
Eu não queria aquelas botas, eu queria uma branca, que chegasse até o joelho e fosse triangular em cima, igual à da Xuxa! Talvez se minha mãe tivesse dito que aquela bota não era acessório e sim recomendação do médico, eu não a odiaria tanto (a bota, não a minha mãe, que fique bem claro). Mas ela disse? Não, ela não disse.
Mais 3 anos de terapia

6) O bolo em forma de violão
Em todo aniversário, o bolo era em forma de violão. Incrível. E sempre tinha um chocolate em cima, para fazer as vezes de... hum, como é mesmo o nome daquela coisa que segura as cordas? Então. Todo mundo pedia: "ô Tia! Me dá este pedaço aqui, ó!" – e apontava para o chocolate. Eu nunca recebi o tal pedaço, e isso era muito frustrante. Eu ficava olhando para o pratinho de todo mundo para ver quem seria o felizardo. Como demorava muito, eu acabava desistindo e comendo meu pedaço de bolo, que nem bom era mais (Ei, acho que as outras crianças também não ganharam o cobiçado pedaço. Afinal, quem raios comia os chocolates?).
Mais 2 anos de terapia

5) A festinha de aniversário na escola
Parece que todo mundo teve, menos eu. A cada ano eu esperava, esperava... E a surpresa era só em casa. Todos os amiguinhos e parentes marcaram presença e foram festinhas bem legais... Mas por que não na escola, poxa?!
Mais 7 anos de terapia

4) O uniforme
Falando em escola, acho que toda menininha quer ter um uniforme brega, tipo escola católica, pelo menos uma vez na vida. Saia plissada, camisa e meia 3/4. Mas a minha escolinha era modernosa, já tinha uniformes de helanca, num amarelo-ovo fantástico.
Mais 4 anos de terapia

3) O gato atropelado
Tá, quase todo mundo já passou por isso, mas... Eu amava aquele gato.
Mais 5 anos de terapia

2) A Vovó Mafalda
Todos queriam uma avó como aquela, que contava piadinhas legais, passava desenhos e ainda era neutra na batalha das loiras x morenas – afinal, tinha os cabelos brancos. Mas, quando eu soube que ela era homem... Ó, meu Deus, que decepção!
Mais 6 anos e de terapia

1) O sumiço dos biscoitos Foffy
Eis o topo da lista, o item mais traumático. Na escolinha, todo mundo tirava as mesmas coisas da lancheira: uma garrafinha térmica e um pacote de Foffy, os biscoitos em forma de ursinho. Pacote vermelho, chocolate. Pacote azul, baunilha. E tinha todo um ritual para comer os ursinhos. Primeiro as patinhas, depois a cabeça e por último a barriguinha. Era também a minha mentira infantil: eu dizia para todo mundo que minha mãe trabalhava na fábrica de Foffy, e ela podia trazer para casa quantos pacotes eu quisesse. Todas as crianças me invejavam, afinal Foffy era O biscoito. Até que, sem mais nem menos, ele sumiu. Saiu do mercado, do nada. Um mistério. Eu comeria Foffy até hoje, porque era algo realmente bom! E me pergunto: como, como as crianças de hoje conseguem viver sem Foffy?
Mais 20 anos de terapia

Somando tudo = Preciso procurar um terapeuta JÁ, pois para superar todos os meus traumas de infância são necessários 59 anos de terapia intensiva!

Por Marjorie

às 01:19 PM


Medos Infantis!

Quando era criança algumas coisas me davam medo, talvez seja por isso que até hoje eu seja um pouco assustado. Quando você é criança, a inocência faz você acreditar em coisas as vezes absurdas, mas também divertidas quando lembradas aos 28 anos. Tal fato importante motivou a lista das coisas que me faziam sentir mais medo durante a infância.

10) A tal da guerra fria
Eu não sabia direito do que se tratava. Cheguei a pensar que era uma guerra em que um jogava bolas de neve no outro. Quando fiquei esperto o suficiente, soube que, se houvesse uma guerra, todo mundo ia se dar mal. Ficava até com medo de saber qualquer notícia na tv sobre o assunto.

9) Um cachorro idiota
Todo dia, quando eu ia pra escola, passava por uma rua que tinha um cachorro muito metido a besta. Não que ele fosse grande coisa, mas eu (pequenininho) tinha medo. A cerca era tão larga que o cachorro passava por ela, e bastava ele ver alguém na rua que ele saia latindo atrás.

8) As propagandas sobre bonecas
Eu via na tv todas aquelas propagandas direcionadas às meninas, e toda vez que olhava pra fuça das bonecas eu as via sorrindo sarcasticamente para mim. Parecia que eram brinquedos maldosos que queriam me assustar... Algumas conseguiram, mesmo com todo aquele ar inocente.

7) Os filmes de terror que passavam de madrugada na tv
Quando criança, eu tinha o costume de dormir cedo. Mas sempre que lia no jornal que ia passar filme de terror na madrugada de sexta pra sábado, ou de sábado pra domingo, não tinha jeito, eu assistia. E o legal era assistir de madrugada, com todo aquele silêncio. Tinha muito medo, mas era ele que me fazia assistir os filmes.

6) O cometa Haley
Eu tinha medo daquele cometa trombar com a Terra. Mas quando se é criança, saber de órbita de cometas é o que menos interessa.

5) Scooby-Doo
Eu sempre gostei dos desenhos do Scooby, mas um, apenas um desenho específico me metia medo: aquele em que eles estão em um parque de diversões e um robô azul os persegue para todo lado. Todas as vezes que o robô aparecia, ele fazia um barulho estranho – e acho que era do ruído dele que eu tinha medo.

4) As histórias de fantasma que me contavam
Já deu pra perceber que eu era medroso quando criança, né? Pois então: quando me contavam uma história de fantasma, eu até ficava arrepiado de medo!

3) As histórias do Além da Imaginação
Todo mundo que viveu plenamente a década de 80 deve se lembrar desse seriado que passava toda sexta a noite na tv, contava histórias assustadoras. Eu morria de medo, mas não perdia um.

2) Repetir de ano
Era a segunda coisa que eu mais tinha medo. Só de pensar que eu ia levar uma bronca gigantesca, ficar sem presente de Natal... Eu sei que teria que estudar durante as férias de janeiro e no ano seguinte ia ter que estudar as mesmas coisas de novo. Por isso estudava o máximo que podia. Tá certo, eu nunca gostei muito de estudar, mas toda vez que tinha prova, esse era o incentivo.

1) O Homem do Saco
Eu era um moleque que brincava muito na rua, e a minha mãe me contou a história do Homem do Saco para que eu não fosse mais brincar lá. Funcionou, depois de saber que ele raptava criancinhas e morrendo de medo de nunca mais ver a minha mãe, eu nunca mais pus os pés para fora da cerca de casa.

Por Lelo

às 09:08 AM

segunda-feira, 29 de dezembro de 2003

Acorda, menina!

Eu sempre fui avessa a acordar com o galo cantando, desde a mais tenra idade. Tanto que quando ainda estava no primário (lá pelos idos de 1982), minha mãe teve que ir até à escola onde eu estudava e pedir minha transferência para a turma da tarde, tal era a dificuldade dela em me tirar da cama.

Lembrando-me disso, decidi fazer meu Top 10 das coisas que me faziam "acordar com as galinhas" na infância... mas com prazer.

1) Assistir à "Jeannie é um Gênio" às 8 horas da manhã
Eu achava o fim eles colocarem um de meus programas prediletos nesse horário ingrato, mas levantava-me mesmo assim, porque simplesmente não podia perder um capítulo sequer!

2) Excursões da escola
Ah! Como eu adorava essas excursões! As mais-mais eram as para a Cidade da Criança, em São Bernardo e para o Sesc Campestre, em Interlagos. Ambas eram longe à beça de onde eu morava e estudava, então sempre parecia uma viagem de verdade.

3) Passeio com minha mãe à Rua 12 de Outubro
Eu sei, eu sei...não tem nada demais em ir à Rua 12 de Outubro, que fica no bairro da Lapa. Mas era nesse dia que minha mãe trocava todos os meus gibis da Turma da Mônica por novos, e eu ficava doidinha para ler tudo logo – às vezes até passava mal no ônibus. E também era nesse dia que íamos almoçar em uma lanchonete e comíamos misto-quente com vaca preta. Que delícia!

4) Dia 25 de dezembro
Esse não poderia faltar! Como dormir até tarde se um monte de presentes debaixo da árvore de Natal estavam lá, esperando para serem abertos? Nem pensar!

5) Dia do Aniversário
Por motivos parecidos aos do item 4, nesse dia em especial eu pulava da cama cedinho para ver os presentes que iria ganhar. Com o agravante de que na ocasião eu também ficava encarapitada na cozinha, "supervisionando" minha mãe na preparação do bolo. Com o direito de comer o resto da massa com a colher de pau... Hmm...

6) Viagens
A família do meu pai é do interior de São Paulo, e sempre íamos para lá, às vezes em férias, às vezes apenas no fim de semana. Nesses dias de partida, eu nem conseguia dormir direito, tanta era a ansiedade para botar o pé na estrada logo. Portanto, mal o sol nascia, e lá estava eu, acordadona,
tratando dos últimos preparativos para a tão sonhada viagem.

7) Ir passar o dia na casa da vovó
Nas minhas férias, minha avó, que morava pertinho de nós, me "raptava" e me levava para ficar com ela. Eu adorava, pois eu sempre podia fazer o que quisesse lá (vó é vó, né?). Tinha sempre uma lata dentro de um armário cheia de balas, dos mais diversos tipos, desde aquelas Soft, até as famosas Sete Belo, passando pelas balas que viravam chiclete. Tudo muito nutritivo, lógico.

8) Brincar com as amigas
Éramos meia dúzia de vizinhas que juntávamos as panelinhas e bonecas para brincar. E quanto mais cedo, melhor, afinal, a brincadeira duraria mais tempo. Uma delas tinha caixas e mais caixas de Playmobil, e isso para mim era a glória, pois eu não tinha nenhum (trauma de infância).

9) Ficar com o cachorro
Certa vez, meus pais compraram um cachorro, filhote de dálmata. Eu fiquei encantada com aquele serzinho novo lá em casa (minha irmã ainda não era nascida, portanto eu era uma criança muito solitária, snif...). Conclusão: eu madrugava para ficar com meu novo companheirinho, que depois de uns meses virou um monstro (no bom sentido). Como crescem esses bichinhos!

10) Comprar material escolar
Papelarias me encantam até hoje! É tanta variedade que sou capaz de ficar horas a fio só andando de um lado para outro. E quando era criança a coisa era muito mais excitante. Minha mãe com a lista nas mãos e eu querendo levar tudo o que via pela frente. Uma vez, não resisti e a enganei dizendo que a professora havia exigido uma caixa de lápis de cor com 36 cores, ao invés de 12. Tá bom, eu sei que foi feio, mas eles duraram vários anos. E pelo menos valeu a pena ter acordado cedo!

Por Priscila

às 05:27 PM


Eu, Nenê e Matché contra a rápa

Infância... Ah, que doce fase da minha vida. A única preocupação era a de entregar os trabalhos e conseguir notas suficientes para passar de ano. O resto era um salve-se quem puder. Meu caderno era um desleixo. Nunca soube o que era passar à limpo que as meninas tanto falavam.

Quando eu chegava em casa, então... que batalha. Na verdade eu chegava em casa duas vezes: na primeira, jogava a lancheira e o material longe e ia pra rua jogar bola. Na segunda, chegava completamente imundo e, como de praxe, tomava uns petelecos na orelha por ter sujado o uniforme pela quinta vez na semana.

E enquanto na escola eu aprontava muito... na rua eu aprontava ao quadrado. E o pior era que eu fazia todas as coisas insanas sabendo que não podia me machucar para não apanhar quando chegasse em casa. É isso mesmo. Minha mãe, vendo o que eu aprontava, dizia que se eu me machucasse, ia apanhar. E não dava outra.

Mas também, olhem as brincadeiras: surf em cima da bike, fechadinha, futebol com rasteirinha, queimada com o pé, policia e ladrão com pedras... Eu adorava. E acho que tudo por influência dos amigos. É sempre por causa deles.

Quem passou boa parte do tempo brincando na rua quando era pivete, sabe do que estou falando. E o mais engraçado é lembrar dos apelidos. Ninguém era chamado pelo nome. Todos... absolutamente todos tinham um apelido. Mesmo na escola, haviam algumas figurinhas carimbadas com seus apelidos grotescos. E são esses caras que quero homenagear aqui no Garotas. Aí vai meu ranking de apelidos dos amigos de infância.

Pira-pora
Pira-pora era um moleque mirradinho, fraquinho e pequenino que morava no começo da rua e tentava de todo o jeito falar sem o sotaque do interior. Eu não me lembro de que raio de cidade aquele fedelho era, mas era caipira. Um caipirazinho na cidade grande. Assim, pensando na música “sou caipira pira-pora, nossa senhora de Aparecida” algum gênio lhe deu o apelido.

Pinga
O Pinga era o irmão mais magrelo do Marcelinho. Ele era mais novo do que eu uns 3 anos, mas podia andar com a gente porque era gente fina (literalmente). Ele não chorava e jogava bem todos os esportes. O problema era que ele não se agüentava em pé. Não sei se era a força do vento ou se às vezes os braços dele pesavam mais que as pernas, mas não tinha jeito... ele não parava em pé. Vivia tropicando e caindo sozinho. Daí... PINGA.

Binho Kanangô
Toda rua tem um Binho. Mas Binho Kanangô só a minha rua tinha. Ele era Fábio, descendente de japoneses e que nos reunia em sua casa quase toda a semana para assistirmos os episódios do Jaspion. A obá, avó de 80 e poucos anos, ficava na sala agüentando nossa gritaria e lutas durante todo o seriado. Certa vez, o Binho voltou-se para ela e perguntou: “Obá, o que é KANANGÔ?”. A velha senhora não entendeu nada e nem deu ouvidos. Depois de um tempo, quando comecei minha aula de inglês na escola, fui perceber que a música do seriado não era cantada em japonês, mas em inglês... e começava com a frase “CAMON BOY”.

Nêga
A Nêga era um cara... Peraí não entenderam? É isso mesmo! A Nêga era um cara, mais especificamente um japonês. É estranho, mas minha rua tinha dessas coisas. Mas me deixa completar. A Nêga era um cara, irmão mais velho do Bé. Ambos skatistas, mas de estilos completamente diferente. Enquanto o Bé azucrinava toda a molecada com brincadeiras como oferecer doce com cola dentro ou amarrar a criança pelada no poste, a Nêga era mais calma. Era mais na dela. Isso porque ninguém entendia o que ela falava. Ela balbuciava algumas frases e tentava se fazer entender, mas era quase impossível. Era uma mistura de “brrrrrr” com “mããããã”, que não fazia o menor sentido.

Amarelinho
Era da mesma idade do Pinga. Chegou na rua depois de um tempo. Acho que já tínhamos uns 16 anos e ele uns 12. Mas era jogador de bola. Jogava muito. Sabia o que fazer com a pelota. Aí, nosso time precisava de mais um porque alguém tinha se machucado. E quem chamar? Alguém respondeu: “vamos chamar o amarelinho”. Quem? Amarelinho? E o apelido pegou, talvez pela insistência daquele moleque em sempre usar alguma roupa com tons de amarelo predominante.

Bigulim
Era irmão mais novo do Urso que, por sua vez, era da turma dos grandões, junto com o Nenê, o Kikuchi e o Luiz Armando. O Bigulim era um ou dois anos mais novo que eu, mas sempre brincava com a gente. Ele era clássico por deter o recorde de brigas com o Juliloco, o moleque mais doido que já conheci. Também ficou conhecido pelo clássico assovio da sua mãe quando o chamava para entrar ou pela absurda semelhança do seu pai com o Osmar Santos. Mas Bigulim ganhou o apelido por uma característica única: seus enormes lóbulos de orelha. Como ninguém sabia que aquela parte engraçada se chamava lóbulo... deram o nome de BIGULIM. Pronto!

Abacaxi
Uns dizem que era por causa dos caroços de espinha que ele tinha na cara, muito semelhante aos que tinha na fruta. Outros dizem que era porque em muitos momentos ele era azedo, o que eu, particularmente, não achava. Abacaxi tinha um ano a menos da minha idade e era um dos caras mais legais da rua.

Gengivaldo
Agora sim. Em uma lista com os melhores apelidos dos amigos não podia faltar o Gengivaldo. Ele se chamava Kleber e era meu vizinho de cima. Sabe aqueles meninos mais novos que sentem admiração por você? Amam você por algum motivo que você nem faz idéia? Então, o Gengivaldo era assim. Vivia grudado em mim. Mas a origem do seu apelido veio logo que ele chegou na rua. O garoto tinha uns 10 anos e quase 1,70 metros de altura. Fora a gengiva proeminente: ele sorria e parecia que era banguelo. Ficou conhecido também como Pé de Pano, o cavalo do Pica-Pau.

Puxa. Dava para colocar mais umas três páginas com os apelidos. Mas confesso a vocês, leitores e leitoras do Garotas, que estou emocionado. Essa foi uma fase muito marcante na minha vida e lembrar desses amigos me faz entender quão valiosas são nossas lembranças. E me deu uma saudade. Eu nem sei mais onde eles estão. Alguns deles, sei que estão no mesmo lugar; outros foram morar no céu; mas de outros, não tenho idéia. Quem sabe possam estar lendo esse texto. A Internet faz milagres.

Por Leandro

às 02:43 PM


E o presente que é bom...

Em nossa infância, coisa marcante é o que não falta. Porém, sem dúvida, há uma ocasião especial da qual todos têm uma história para: festinhas de aniversário!

Não importa se a festa era sua ou do coleguinha, se era na escola ou num buffet. O fato é que existem sensações que só a atmosfera colorida de uma festinha infantil pode proporcionar. Duvida? Então coloque seu chapeuzinho de elástico e prepare a língua de sogra para saborear um top 10 tão delicioso quanto aquele disputado brigadeiro...

10) A bola de doces
Nas festinhas da minha infância era moda deixar uma bexiga gigante recheada de doces pendurada no teto da festa. Ela atiçava a criançada durante toda a comemoração, até a hora de estourarem. Pow! Uma chuva de doces deixando todo mundo ouriçado!

9) A filmagem
Outro personagem importante da ocasião era o Tio da Filmadora, que enfrentava uma multidão de guris colocando a mão melada na lente da câmera só para registrar os melhores (e/ou comprometedores) momentos da festa – a cara de choro do aniversariante ao ver o palhaço, a vovó flagrada cuspindo discretamente o canapé...

8) A animação
Se ao chegar a uma festinha, você perguntasse "vai ter animação?" e ouvisse uma resposta afirmativa... Podia se preparar: estava chegando o freakshow! Adultos com fantasias ridículas e palhaços iam estar lá para animar o evento com brincadeiras (desde as clássicas até as que envolviam os pais) e provocar berreiro em alguns desacostumados com as criaturas!

7) A trilha sonora
Sim, também é um ponto importante da ocasião. Afinal, a comemoração perderia um tanto significativo de sua graça sem as canções infantis – não importa se eram clássicos ou as maçarocas cantadas por apresentadoras com a voz da Minnie. Elas inegavelmente eram o pano de fundo do espetáculo e parte importante de algumas lembranças também.

6) As comidas
Em que outro lugar você encontraria docinhos, petiscos tão irresistíveis quanto gordurosos, refrigerante no copinho de plástico e o indefectível bolo confeitado, tudo junto? Os acepipes sempre estavam envolvidos em situações como a guerrinha de comida, o refrigerante derrubado no irmão e a choradeira da coleguinha alérgica a chocolate ao ver o bolo preparado com o dito-cujo (essa última era eu)!

5) Os parabéns
Depois de muitos dedinhos colocados no bolo, era chegada a hora tão esperada de cantar “parabés a você”, com direito a muitas fotos, versões engraçadinhas, bexigas estourando, a disputa pela velinha que muitas vezes deixava o bolo "molhadinho"... Tudo perfeitamente natural, apenas uma forma de liberar a ansiedade causada pela perspectiva das guloseimas que viriam logo em seguida.

4) Os presentes
Causavam ansiedade tanto no aniversariante e em seus pais quanto nos convivas mirins e adultos. Os pais dos convidados suavam para achar um mimo que agradasse o pequeno aniversariante, as crianças ficavam curiosissímas para saber o que o coleguinha havia ganho e o aniversariante, muitas vezes, se frustrava ao ver que em vez daquele brinquedo havia uma roupa no embrulho.

3) A decoração
Parte importantíssima do evento. Os enfeites da festinha temática, além de muitas vezes serem destruídos por convidados mais encapetados, podiam frustrar ou encantar o Aniversariante. Afinal, não é muito recomendável fazer uma festa dos ursinhos carinhosos para uma criança de dois anos que odeia ursos (experiência própria, de novo) ou fazer uma festa conjunta de uma criança grandinha com o irmão caçula.

2) O saquinho surpresa
Poucas coisas são tão deliciosamente enigmáticas quanto um saquinho surpresa da lembrancinha. Geralmente eles continham cacarecos de plástico, outros brinquedinhos inúteis e muitos doces (tem que ter o clássico chiclete duro e com um nome tipo 'blub'). Mas era o suficiente para agradar os convidados!

1) O pós-festa
Depois de curtir todos os itens anteriores, não há nada melhor do que voltar pra casa suado, descabelado, com os sapatinhos na mão e as meinhas desfiadas, a barriga cheia e a lembrancinha em mãos: o retrato de um petit saindo vitorioso de uma festinha infantil de arromba!

Por Mariana

às 10:02 AM

sexta-feira, 26 de dezembro de 2003

Eu sou café-com-leite

Quem ouviu (e falou) essa frase, durante a infância, provavelmente viveu nos anos 80. Não creio que as crianças ainda digam isso hoje (mesmo porque seria preocupante para os pais se um moleque, enquanto joga algo em seu PC, gritasse inconformado: "Eu sou café-com-leite! Parei de brincar!").

Além de frases assim, ou do clássico "Quem quer brincar põe o dedo aqui...", dezenas de outras coisas povoaram a minha infância. Entre elas, está...

... slides
Alguém mais tem slide? Nunca ouço ninguém comentar... Para quem não conhece, eram umas pecinhas plásticas com desenhos, que se colocava num projetor (mandei bem na explicação!). Os legais mesmo não eram os de família, mas aqueles com historinhas, como "O Patinho Feio". Talvez alguém tenha tido uma versão mais "moderna", que era uma televisãozinha, você ia apertando um botão e a história ia passando.

... Chaves
Acho difícil que Chaves não esteja numa lista Top 10 de qualquer pessoa com mais de 15 anos. E é impressionante como os episódios conseguem ser engraçados até hoje. Você já começa a rir antes da piada terminar, porque já sabe o final. Infelizmente o SBT edita os capítulos pra encaixar programas no horário certo. Sinceramente, alguém prefere assistir à Sônia Abrão?

... xampu do Bozo
Eu não lembrava disso. Até que um dia, enquanto passava pela seção de cosméticos e afins em um supermercado, um amigo me disse: "Você lembra do xampu do Bozo?". Não precisei nem parar para puxar aquilo na minha memória. Mal ele terminou a frase, me lembrei perfeitamente e disse: "Pô, eu lembro! A cabeça era a tampa, né?". Acho que tinha mais alguns modelos, um do Jaspion ou algum outro herói japonês, mas o do Bozo era meu preferido.

... Atari
Eu me lembro que, quando criança, era o único da rua que tinha Atari. Aí, já sabe: a pivetada toda se reunia na minha casa pra ficar jogando. Os joysticks ficavam uma porcaria depois de jogar aqueles joguinhos de Olimpíadas (Lembra? tinha que ficar empurrando aquela alavanca pra esquerda e pra direita o mais rápido possível e encher o botãozinho vermelho de porrada, na mesma velocidade). Ei, era só por isso vinha todo mundo pra minha casa? Ô povo interesseiro...

... revista MAD
A "viagem" à banca de jornais era uma das coisas mais divertidas da infância. E junto com minha compra básica da Turma da Mônica e de 500 tipos diferentes de figurinhas, sempre trazia também uns exemplares da MAD. Provavelmente eu não entendia metade das piadas, mas não abria mão de comprar. Depois a revista ficou colorida e chata, e nem sei se continua existindo.

... WAR
Eu não jogava WAR há uns 8 anos (esse foi um daqueles jogos que eu não tinha, só jogava dos outros). Mas, há algumas semanas atrás, descobri que uma amiga minha conservou um exemplar (quase) intacto desde a infância. Ela não teve mais sossego: todo santo dia, lá ia eu e mais dois amigos jogar na casa dela. Tá, agora a gente deu sossego.

... merthiolate
Não é masoquismo, mas simplesmente não dá pra conceber um merthiolate que não arda. Era tão legal, você levava aquele tombo, ralava o joelho, e lá vinha sua mãe com o vidrinho. Dava aquele ardor psicológico só de ver o dito cujo – e depois tinha que ficar soprando até parar de arder. Para mim, até hoje, a lógica é essa: arde porque está fazendo efeito. Se for pra passar algo que não arde, passo água.

... o beijo do "Xou da Xuxa"
Não, não gostava da Xuxa. Aliás, alguém (além da mãe dela) gosta dessa mulher? O que eu achava legal mesmo no programa dela era aquela frase que toda criança usava: "Quero mandar um beijo pra minha mãe, pro meu pai e especialmente pra você!". O legal disso é que nenhuma criança conseguia falar o tal do "especialmente", sempre saía algo enrolado ("isquicialmente", "is-ciamente")... afinal, por que toda criança dizia a mesma frase?

... coleção Vaga-Lume
Não dá pra negar: O Marcos Rey é foda (pode escrever "foda"?). Na quarta série, a tia pedia para a gente ler alguns livros dele (bom, ela "mandava", pois quem não lesse não ganhava ponto), e até hoje ainda guardo exemplares conservados – graças ao hábito da minha família de nunca jogar nada fora. Inclusive, observando agora, estou lendo "Pertence a: Valéria de Freitas Dutra" na contracapa de um deles... Pô, meu nome é Fernando!

... o cara que anuncia filmes da Sessão da Tarde
Aposto que ninguém entendeu essa, mas eu explico: quando escuto os anúncios dos filmes da Sessão da Tarde, é como se eu estivesse voltando no tempo uns 15 anos, devido ao linguajar característico desse meu ídolo que nunca vi: "Uma galera muito louca se metendo em altas confusões!"; "Vai rolar muita azaração com essa turma do barulho!"... isso sem contar os trocadilhos "pra cachorro" (quando é um filme que fala sobre o bichinho citado), ou "da pesada" (quando os personagens estão acima do peso). O cara é mesmo muito bom.

Por Fernando

às 05:37 PM


Bom, mas bom mesmo, é...

Segundo o Luis Fernando Veríssimo, o que diferencia os diversos estágios da vida de uma pessoa é o que ela, a cada idade, considera bom mesmo. Bom mesmo, no caso, não é o que é legal, bacana, mas o que existe de melhor na vida, o prazer supremo. Assim, enquanto para um bebê bom mesmo
deve ser um bom arroto depois da papinha, para um velhinho centenário bom mesmo pode ser uma poltrona reclinável e meias de lã.

Seguindo essa definição, para mim, infância é aquela fase que vai desde o "Bom mesmo é peito de mãe" até o "Bom mesmo é o peito de qualquer outra mulher". Porque na adolescência bom mesmo passa a ser sexo, o resto é secundário. É a fase do 'de longe'. (Por exemplo: Bom mesmo é mulher e, em segundo lugar, de longe, dirigir uma Ferrari).

De qualquer forma, a infância é fase da vida de qualquer pessoa em que a lista do que é bom mesmo é mais comprida, tão grande que é quase impossível dizer o que era melhor. É também a fase que provavelmente deixa mais lembranças felizes na memória – e é por isso que um som, um gosto, ou um cheiro da infância faz a gente sentir um prazer meio bobo, que não dá para explicar.

Então vamos lá. Eu era uma criança feliz nos anos oitenta e para mim bom, mas bom MESMO era...

10) Aula livre
Eu era cdf e, como tal, nunca cheguei a pular o muro da escola para matar aula. Mas como toda criança saudável, achava ótimo quando chegava na escola e descobria que não ia ter aula por causa da grave de ônibus ou porque, que me perdoe a comoção nacional, o Tancredo morreu.

9) Andar de bicicleta
Nesse caso, bom, mas bom mesmo, é principalmente a primeira vez. Quando depois de umas 28 quedas você finalmente descobre que consegue ficar equilibrado na bike sem as rodinhas, e sem se esborrachar na primeira curva.

8) Ir ao Planetário
Eu já achava a sala de entrada do Planetário de São Paulo divertida, mas o que eu mais gostava era quando, já lá dentro, sentado na poltrona, o narrador à lá Sid Moreira dizia que as nuvens, a poluição e a claridade da cidade estavam sendo lentamente retiradas e o teto ficava coalhado de pontinhos brilhantes.

7) Picolé na praia
Hoje em dia eu nem sou muito chegado em praia, mas quando era criança eu adorava tudo: futebol na areia, pegar jacaré, guerrinha de bola de areia molhada, milho, amendoim, biscoito praiano, bijou, ficar com os miolos torrando no sol... E o Chicabon na praia era muito mais gostoso.

6) Ler revistinha
Revistinha dispensa comentários, mas que as traças me ajudem, fica aqui o registro em homenagem a meus personagens prediletos: o Tio Patinhas, o Donald, o Gastão, a Turma da Mônica (todos, menos o Bidu, o Bugu e o Jotalhão), o Zero, a Brotoeja, a Tininha, o Riquinho, o Mortadelo e o Salaminho, e claro, o Asterix e o Obelix (mas esses eram de revistinha de luxo).

5) Desenho na TV
Eu realmente acredito até hoje que desenho bom mesmo é aquele que faz a pessoa dar risadas (como o Pica-pau, os Jetsons ou os Impossíveis) e não aqueles desenhos que fazem a criança sair dando berros em japonês e pontapés na canela do primeiro incauto que cruzar na sua frente. Mas a
verdade é que quando era pequeno eu também adorava o Sawamu e seu salto no vácuo com joelhada mortal (ele se julgava o demolidoooooor!).

4) Salgadinho
Principalmente se acompanhado de um dos dois itens acima, o salgadinho tinha fases. Num mês o predileto era o Cebolitos, no outro o Doritos, depois o Cheetos ou até o Skiny. Aliás, alguns salgadinhos continham um ingrediente que me intriga até hoje: o aroma natural. Como será que os
moços lá da fábrica conseguem colocar somente o cheiro do produto dentro do saquinho?

3) Loja de brinquedo que deixa mexer
Se você conseguisse encontrar um adulto com paciência infinita, ou querendo pagar alguma promessa, esse era com certeza um programa que garantia horas de diversão. Hoje, as lojas de brinquedo teimam em não deixar as crianças mexerem nos produtos. Mas como alguém pode comprar o troço sem antes vê-lo com as mãos? E se quebrar, azar, vocês têm mais um monte iguais aí mesmo...

2) Fliperama
Não estamos falando da era pré-playstation, mas da era pré-atari, quando videogame dentro de casa era um negócio chamado telejogo, em que um pontinho ficava dançando entre dois tracinhos e fazendo poing. Portanto, o máximo em diversão eletrônica era subir num banquinho e ficar jogando
a bolinha com os flippers sem deixar ela cair. Geminni 2000, Cavaleiro Negro, Vortex... Tinha uma máquina que até falava! (Fire action, fire action).

1) Colo de mãe
Ou tem algum outro lugar onde você já se sentiu mais seguro? Um lugar melhor para rir ou chorar, para se sentir mais protegido de todos os medos?

Eu sei, eu sei. Deixei um montão de coisas de fora como a piscina do clube (que é totalmente diferente da praia, ou você acha que golfinho e boto é tudo a mesma coisa?), a montanha-russa do Playcenter, disquinho com historinha infantil... Mas que diabos! O que eu posso fazer se essas
garotas tem fixação com o número 10?

Por J.M.

às 01:15 PM


Quem nasce Sinhazinha...

...não morre Mademoiselle

São estranhas e estressantes essa correria e competitividade que estão sempre presentes nas grandes cidades. As pessoas tentando ser o melhor, ou parecer o melhor. Preocupadas com a aparência, o carro e o cargo que ocupam. Querendo passar uma imagem que, às vezes, é pura fachada – e assim acabam escondendo suas verdadeiras origens.

Eu mesma sou um exemplo disso. Nesses dez anos morando em São Paulo fiquei tentando ser elegante, tentando me equilibrar num salto número sete. Fico preocupada com que roupa eu vou, se está boa, se minha maquiagem está legal, se meu cabelo está bonito. Fico tentando esconder aquela menina do interior no Paraná. E toda vez que chega o mês de junho tenho dez motivos para querer ter meus seis anos de volta...

10) Simpatias
O dia 12 de junho já era festa por ser a data do meu aniversário. Divertia-me mais ainda ao ver minha tia e suas amigas correndo de lá pra cá para saberem com que iriam se casar. E haja no pé de bananeira da minha casa, solicitações da aliança da mamãe para afundarem num copo com água, flores, mel, papéis cor-de-rosa, bacia com água e santos lavados e virados de cabeça para baixo.

9) Santos
Sem eles não haveria tanta correria no sexto mês do ano. Mas é por causa de três figuras que junho é regado por tantas festas. Primeiro Antônio, o casamenteiro que no dia doze sofre nas mãos das solteironas. Depois no dia vinte e quatro vem o João que foi decapitado só para satisfazer a vontade de Salomé (filha do Rei Herodes). E por fim, no dia vinte e nove Pedro, o guardião das chaves da porta do céu e fundador da Igreja.

8) Brincadeiras
Nesses trinta dias são realizadas muitas brincadeiras engraçadas. Nunca vi alguém conseguir pegar a prenda ou dinheiro no pau-de-sebo. Em compensação, vi algumas pessoas se queimarem pulando a fogueira. Sempre tive dificuldade em acertar o alvo e as argolas para ganhar um brinde. Por outro lado, nunca saia de mãos vazias da pescaria. Na cadeia podíamos prender alguém que estava atrapalhando nossa festa. E por fim o correio elegante – minha brincadeira predileta.

7) Cantigas
Aquelas musiquinhas grudavam na nossa mente como chiclete gruda na sola do sapato. “Capelinha de melão/ é de São João/ é de cravo, é de rosa/ é de manjericão”. Outra que me lembro, “Cai, cai, balão/ Cai, cai, balão/ aqui na minha mão”. É curioso como só São João e o tal balão inspiravam os compositores, pois só me recordo de músicas com esses dois temas. Mas mesmo assim eu gostava muito de cantá-las.

6) Quitutes
Somos agraciados pela culinária das festas juninas. São tantas aparições e invenções que fica difícil escolher no meio de tanta diversidade. Do milho verde temos alguns derivados como o bolo, canjica, curau e pipoca. Os doces de leite, pé-de-moleque, cocada, abóbora, maça e uva do amor, e a paçoca são de dar água na boca. E uma das preciosidades que me faz lembrar as festas na minha escola é o pinhão como é bom! Só é ruim descasá-lo.

5) Decoração
A ornamentação da minha escola nessa época era uma festa à parte. O pátio e a sala de aula tornavam-se mágicos. Cheios de cores e bandeirinhas que, muitas vezes, os próprios alunos fabricavam. Carinhas de caipira eram pintadas nas lâmpadas dos corredores internos e cercas eram levantadas nos externos. Bonecos de palhas do tamanho de um adulto ficavam na entrada principal para receber as pessoas. Tornava-se um ambiente diferente e alegre. Era muito divertido estar lá!

4) Quadrilha
Quando a professora anunciava que iam iniciar-se os ensaios para a tal dança, começava a correria geral. Também, era a grande oportunidade de formarmos par com quem gostávamos. Alguns tímidos, outros nem tanto. Mas acho que no fundo todos queriam ir ensaiar para não assistirem as aulas, pois era no mesmo horário das torturas de matemática, ciência e português. E já que não seríamos prejudicados por perder alguns minutos, preferíamos estar dançando, é claro!

3) Chapéu com trancinhas
Eu adorava esse acessório. Como minha mãe cortou meus longos cabelos naquela época, a adorável invenção era o único jeito de sentir novamente aquela sensação dos extensos fios trançados, impecavelmente, abaixo dos ombros. Sem contar as opções. Tinha cabelo para escolher: preto, loiro e ruivo. Pedia logo um de cada. E desfilava meus penteados novos durante os três dias de festança!

2) Vestido
Muitas meninas adoravam e aguardavam ansiosamente para usar a roupa de festa. O minha era confeccionada pela vovó. Ela fazia o vestido e a “calçola” que usava por baixo. Meses antes, mina avó já começava o trabalho para atender a todas as netas. Lembro-me de um azul estampado com umas flores que usei num daqueles anos. Ela caprichava tanto que até encapava a aba do chapéu para ficar igual ao vestido – como ela dizia, era “para a neta não fazer feio na festa”!

1) Sinhazinha
Naquela época o mais esperado era a escolha da menina que ia representar a festa da escola nos três dias: o famoso concurso da Sinhazinha. Levava quem vendia o maior número de votos – que poderiam ser negociados por dinheiro ou prenda... Tudo era destinado à festa. Num dos anos, fui a escolhida para representar minha sala e de quebra acabei levando o concurso. E, graças às boas prendas que meu avô doou, pude usufruir os três dias com muita glória.

Naquele tempo, em vez de me preocupar com meu visual, eu apenas me preocupava em conseguir a maior quantidade de vacas, porcos, galinhas e dinheiro para a escola. Preocupava-me com meu vestido de chita vermelho e branco, lindo, que iria usar no dia da festa. E nos demais só usava shorts camiseta e conga.

Fico tentando esconder aquela verdadeira paranaense do “pé vermelho” e da “barriga verde”. Mas acho que não consigo, pois a cada ano que chega o mês de junho quero ir para minha cidade, viver a magia da Festa Junina e ver se lá ainda “fabricam sinhazinhas”.

Por Ângela

às 09:27 AM

quinta-feira, 25 de dezembro de 2003

Uma infância em madeixas

Eles caminhavam soberanos pelas ruas. Uma geração inteira de jovens, vestindo roupas coloridas, quadriculadas e descombinantes. O mundo pop fervia, e depois daquela década nada nunca mais foi o mesmo. Jaquetas jeans desfiadas eram vestidas com calças de couro pretas e justas, sapatos de bico fino, e camisas amarelas. E, acima de tudo isso, reinavam os penteados.

Tolo era aquele que tinha um cabelo normal. Começou a onda das tinturas super coloridas. Mullets desfilavam a glória que tinham alcançado seja no pop-rock do Bon Jovi, ou na melodia sertaneja de Chitãozinho e Xororó. Ondas capilares esvoaçantes mostravam o poder dos cabelos crespos. O penteado punk tinha adquirido novas colorações e novos formatos. Tudo em nome do pop, da rebeldia.

Não éramos diferentes, o auto-proclamado Esquadrão Trovão Azul. Andávamos pelas ruas, os 15, e nossas camisetas azul-céu, com nossas bicicletas cheias de pedaços de copos plásticos nas rodas para simular o barulho de motos, fechando avenidas, fazendo manobras, parando nos sinais de trânsito e bloqueando-os.

E, em nossas cabeças, uma homenagem a nossos astros. E aqui vão os 10 cabelos mais estranhos do Esquadrão Trovão Azul.

10) Joana e sua xuquinhas loiras
A Xuxa estava na TV – apesar de haver tirado do ar a Turma do Balão Mágico, para nossa tristeza – e fazia sucesso. Joana, loira fanática pela Rainha dos Baixinhos, usava visual xuquinhas com prendedores rosas, para combinar com a sua bicicleta Ceci.

9) Rodriguinho e o Ricky Martin
Menudos ainda eram febre, e para o desespero de pessoas como eu, seus fãs não eram apenas garotas. E lá ia Rodriguinho, numa Monark, com o cabelo cheio um pouco acima dos ombros, entoando "Canta, dança, sem parar/ pula, grita, ôôôô/ Não se reprima, não se reprima” – para nossa tristeza.

8) Vitor, o tocador de viola caipira
Tava no sangue do rapaz, vindo diretamente de Goiás, ser fã de música sertaneja. E seus cabelos espetados em cima da cabeça e compridos até o ombro, além de abençoados com mullets, não nos deixavam esquecer de que ele era fã de Chitãozinho e Xororó.

7) Sol, o caçula e sua juba
Não, não tem nada a ver com "Juba e Lula". Juba era o carinhoso apelido para o meu cabelo. Lembrando bem os Jacksons Five, minha cabeleira era uma homenagem ao ídolo da época, Michael Jackson.

6) Débora, "We don't need another hero"
Entoando em um inglês macarrônico que só uma jovem de 10 anos sabe pronunciar, Débora ostentava sua longa cabeleira loira parecida com a da Tina Turner. Ela realmente chamava a atenção. E sabia o filme de cabeça.

5) Nélio, "o capeta"
O Heavy Metal já era muito mal falado. E o Iron ainda tinha um álbum intitulado "The Nuber of the Beast". Pronto, logo isso se tornou coisa do demônio, pelo menos para a grande massa. Porém, não impediu o Nélio de descolorir o cabelo e tentar parecer com o Steve Haris.

4) Guilherme "McGyver"
Snif, eu nunca tive mullets muito bons, principalmente por causa do meu cabelo black power. Mas Digão tinha. E ele desfilava as madeixas do nosso intrépido engenheiro, físico, químico, psicólogo...

3) Danilo, "Step by Step"
Sim, ele cantava "Dez pastéis, 1 kibêêêê, uma coca e um guaraná". E nós ríamos da letra bagunçada e de sua cabeça raspada na lateral com um topete em cima cheio de gel.

2) Thiago, "sim, eu chamo a atenção de todos"
Isso era o comecinho da década de 90, e lá estávamos nós, lembrando a todos que os anos 80 não haviam terminado, pelo menos não em nossas cabeças. Lá estava Thiago e seu cabelo mezzo comprimido, mezzo repicado, mezzo black, mezzo liso, claramente no estilo do Kurt Valaquen do Information Society.

1) Mariana, "minha filha, o que você fez com o seu cabelo?"
Infelizmente foi um corte de apenas um dia, mas merece o primeiro lugar. Ela tinha, na época, 11 anos, saiu sem a mãe saber para o cabeleireiro. Na bolsa da Barbie, levava uma foto da Cyndi Lauper e dinheiro para o corte. Voltou e espantou todos da rua – mas recebeu os nossos cumprimentos.

Por Sol

às 05:11 PM


Quando eu era criança...

Não é fácil ser adulto. Basta dar uma passada de olhos pelas manchetes dos jornais para que o ceticismo corroa nossa alma: violência, desemprego, recessão, terrorismo. Às vezes é até uma tarefa inglória alimentar sonhos, quando estamos tão ocupados procurando maneiras de como arranjar dinheiro para pagar as contas no final do mês. Como diria meu amigo Mário, "a vida é que nem rapadura, é doce mas é dura".

É por essas e outras que admiro tanto as pessoas que, mesmo batalhando no dia-a-dia pela sobrevivência, possuem a sabedoria de ainda manter viva a criança dentro delas. Não é tão difícil identificar alguém assim em meio à multidão acinzentada: procure por alguém com riso espontâneo, a capacidade de rir de si mesmo, mousepad com estampa do Snoopy e que possua a mania de fazer origami no meio do serviço ou de encontrar nuvens com formato de Bart Simpson pairando no céu.

Imaginação, eis o diferencial. O aspecto que mais admiro na infância está na capacidade desconcertante que as crianças possuem em enxergar cada detalhe do dia-a-dia de maneira espontânea, principalmente por não terem ainda sido bitoladas pela visão acachapante dos adultos. Porque uma criança possui a mente aberta, seja para acreditar em Papai Noel ou coelhinho da Páscoa, seja por recriar as coisas do mundo de acordo com o poder de sua imaginação.

Ins-pirado no site I Used to Believe, que descreve crenças e recordações infantis de internautas do mundo inteiro, faço a seguir um Top 10 de reminiscências e coisas nas quais acreditava quando era criança. Algumas lembranças podem soar tolas hoje, mas ao mesmo tempo me dão saudades de uma época na qual eu era menos cético e mais inocente. Garanto: depois de ler essa lista, você também não resistirá a cometer as suas.

1) Quando eu era criança, acreditava que as estrelas eram os olhos de Deus, que piscavam de vez em quando para a gente apenas para que soubéssemos que havia um cara lá em cima de olho nas traquinagens que aprontávamos.

2) Quando eu era criança, assistia aos desenhos do Ligeirinho e me encantava ao ver aqueles feijões mexicanos que pulavam sozinhos. Uma das maiores frustrações de minha infância foi essa: nunca comi feijões que pulam.

3) Quando eu era criança, meu pai dizia que eu devia cuspir longe as sementes de melancia, porque se engolisse uma delas por acidente nasceriam outras melancias dentro do meu estômago. Pensava comigo mesmo: "ué, será que é assim que as mães ficam grávidas?".

4) Quando eu era criança, mantinha sempre os meus olhos atentos ao chão, porque acreditava piamente que um dia encontraria uma lâmpada mágica igual à do Aladim. O único problema é que o gênio provavelmente só saberia falar árabe, e eu ficava angustiado pensando em como conseguiria me fazer entender. Aliás, eu tinha na ponta da língua o primeiro pedido que faria ao gênio: "quero que o senhor me conceda mais cinqüenta desejos!".

5) Quando eu era criança, assisti a uma reportagem sobre um tal "morto que riu". A matéria relatava que durante um velório um dos presentes resolveu tirar uma foto do morto dentro do caixão. No entanto quando ele foi revelar os negativos levou o maior dos sustos, porque o morto aparecera sorrindo na fotografia. Até hoje sinto calafrios toda vez que lembro da cara do finado (sim, o "Fantástico" exibiu o retrato do mesmo no final da matéria). A propósito, eu também tinha medo de qualquer reportagem apresentada pelo Hélio Costa.

6) Quando eu era criança, acreditava que sempre chovia nos dias de Finados. E que essa chuva era na verdade as lágrimas derramadas pelos mortos que ficavam emocionados ao ver suas famílias visitando (ou não) seus túmulos.

7) Quando eu era criança, minha mãe dizia que se eu imitasse um gago por mais de cinco minutos, ficaria assim para sempre. Desde então, toda vez que eu imitava um ga-ga-gago, ficava de olho no cronômetro do meu relógio digital e esperava até que dessem exatamente quatro minutos e cinqüenta e nove segundos, para cessar a brincadeira bem em cima do deadline.

8) Quando eu era criança, me apaixonei irremediavelmente pela Daphne da Turma do Scubidu. Talvez seja essa a razão da minha atração por ruivas, sejam elas pintadas ou não.

9) Quando eu era criança, morria de medo de ficar engasgado com uma bala Soft. Até que um dia eu realmente me engasguei com uma que ficou entalada na minha garganta. Fiquei tão desesperado que comecei a correr estabanado pelos corredores da casa da minha avó; no susto, acabei engolindo a maldita bala. Nunca mais pus uma na boca.

10) Quando eu era criança, não conseguia entender como funciona o tal do Amor (aliás, o adulto aqui continua sem entender patavina nenhuma). Ficava imaginando: "pôxa, mas e se minha alma gêmea morar na Finlândia ou na Nova Zelândia? Como a gente vai fazer pra se encontrar?".

Por Inagaki

às 01:12 PM


O que você vai ser quando você crescer?

Que a infância é o melhor período da vida de muita gente ninguém pode negar. Nesta época podíamos ser quem quiséssemos – pelo menos na nossa cabecinha. Mas aí a gente cresce e tem que decidir o que quer ser quando crescer. Oh que dilema! Porém, algumas das nossas experiências pueris podem nos ajudar, pelo menos, a descobrir coisas para as quais não temos o menor talento.

Baseada em alguns dos meus micos infantis, fiz uma lista das profissões que eu não poderia seguir de jeito nenhum:

1) Oradora
Até os meus seis aninhos eu tive complexo de Cebolinha, ou seja, trocava o erre pelo ele. Algumas pessoas achavam bonitinho, especialmente mamãe e vovó. Pena que meus amigos da primeira série não pensavam assim: TODOS faziam chacota de mim (e vocês sabem como crianças podem ser cruéis). Resultado: tratamento com fonoaudiólogo e um medo danado de falar em público que dura até hoje.

2) Espiã
Ainda na primeira série, quando tive minha primeira prova, tentei colar do garotinho mais inteligente da turma. Como eu era uma criança nada discreta, a professora percebeu, tomou minha prova e a sala toda riu da minha cara novamente. Resultado: castigo na escola e castigo em casa. Após o trauma, ainda por cima, virei uma baita de uma CDF para nunca mais precisar colar.

3) Pintora
Foi na segunda série. Durante a aula de educação artística, a professora deu um desenho de um cacho de uvas para a gente pintar. Como eu não tinha lápis roxo pintei minhas uvinhas de azul! Dessa vez, não só os outros alunos, mas também a professora riram da minha cara. Resultado: o mundo pode ter perdido uma grande artista naquele dia.

4) Cozinheira
Como toda menina, adorava brincar de comidinha. Só que eu fazia comidinha com plantas (e às vezes, até bichinhos) que eu encontrava no quintal. Uma vez, fiz uma gororoba com umas plantas que ficou tão real que eu decidi comer! Resultado: contrações no estômago, ânsias, tonturas...

5) Bailarina
Na quarta série resolvi participar da quadrilha. Durante um dos ensaios, meu par faltou, e eu tive que ensaiar com a professora. Qual não foi a minha surpresa quando ela falou em alto e bom tom para todo mundo ouvir: “Menina, você é muito dura. Parece um robô dançando”. Óbvio que depois disso eu sumi dos ensaios. Resultado: ganhei o apelido de Robô, e odeio festa junina.

6) Astrônoma
Numa noite estrelada lá pelos meus 6 anos, fiquei olhando para o céu com o meu pai. Então ele disse como seria legal se aparecesse uma estrela cadente. Perguntei o que era isso, e ele respondeu que era “uma estrela que anda”. Saí correndo desesperada para dentro de casa, imaginando a estrela correndo atrás de mim. Resultado: passeios noturnos, só arrastada.

7) Farmacêutica
Aos cinco anos eu tinha uma amiguinha cujos pais eram donos de um bar (desses que vendem de tudo), e às vezes íamos até lá escondidas pegar guloseimas. Uma vez encontramos umas balinhas rosas que desmanchavam na boca, uma delícia... Pegamos a caixa inteira. Mais tarde, fomos encontradas dormindo e com várias embalagens abertas de Melhoral infantil. Resultado: até os quinze anos mais ou menos, minha mãe não me deixava chegar perto da caixa de remédios.

8) Veterinária
Sabe aquele pessoal que trocava garrafas por pintinhos? Pois é. Mamãe pegou dois deles para mim. Só que eu nunca levei jeito para a coisa. O primeiro, depois de um dia inteiro no quintal, ficou imundo e eu resolvi lavá-lo – enfiei o pobre no tanque cheio de água. Já o segundo... Cismei que ele podia voar e o atirei ao ar várias vezes. Resultado: por mais que eu pedisse, mamãe nunca me deu um bichinho de estimação.

9) Freira
Fiz o catecismo direitinho aos nove anos. Logo depois veio o cursinho para a crisma. Nessa fase, tinha muitas dúvidas do tipo “Por que a igreja não usa todo o dinheiro que tem para ajudar aos pobres?” e não hesitava em perguntá-las na frente dos outros alunos. E também achava um porre ter que ajudar a preparar a missa... Não demorou muito para que a me convidassem a desistir da crisma – eu nunca contei isso para minha mãe. Resultado: Será que eu vou arder no mármore do inferno?

10) Jornalista
Durante o ginásio, uma professora me indicou para escrever uma coluna no jornal da escola. Na época eu tinha treze anos, mas já tinha consciência política e era um pouco rebelde também. Escrevi alguns artigos politizados e de protesto, o que foi muito para as cabecinhas do pessoal da escola. Trocaram meus artigos pela sessão de horóscopo, que a garota mais burra e popular da escola copiava descaradamente das revistas. Resultado: fiquei traumatizada com o ocorrido e nunca mais escrevi qualquer coisa, a não ser as redações da escola. Só agora, anos mais tarde, tomei coragem e venci meu trauma para participar do concurso do Garotas. Espero não me decepcionar novamente...

Por Carla

às 09:46 AM

quarta-feira, 24 de dezembro de 2003

O Tempo nos prega peças. De playmobil.

Primeiro colocado

A vida pode ser comparada a um passeio de montanha-russa. A diferença para uma montanha-russa de verdade é que nessa construção imaginária o carrinho não termina o passeio no mesmo ponto onde começou – e a gente não pode repetir a volta. Muito pelo contrário. O comum é que lá pelas tantas o carrinho despenque sem aviso, numa curva qualquer, conosco dentro. E acabou-se. Não adianta processar o dono do parque.

Acho que os anos de infância e adolescência correspondem à subida da montanha-russa. Parte-se do nível mais baixo, vai-se até o topo e o resto é só decida. No meu caso, essa subida da montanha-russa são os anos oitenta. Ora, em 1980 eu tinha nove anos, e em 1990 tinha dezenove. Quer passeio mais vertiginoso que esse?

Numa ponta eu era um pirralho que mal contabilizava quatro anos de memórias nítidas, e na outra, já era universitário, tinha um Chevette e uma namorada. Quando é que a gente vai passar por tanta ebulição de novo em tão pouco tempo?

Sei que os anos que nos restam certamente reservam surpresas alegres ou tristes, mas percebam que tudo tende para uma rotina previsível: carreira, casamento, filhos, netos. Mais parecido com um trecho suave em declive do que com um loop.

Bom, então é hora de elaborar meu Top 10, que são justamente os anos oitenta, ano a ano, na minha tosca e distorcida visão. Lembrando sempre que todo santo teve um grande passado e que todo pecador tem um grande futuro.

1980
Mataram o John Lennon. Atentado contra o Reagan. Olimpíadas de Moscou. Eu morava em Quixadá e minha maior preocupação era como subir na Pedra do Cruzeiro, com uns 400 metros de altitude. Consegui. Mas quase que choro pra voltar. Manja o gato que sobe na árvore e não sabe como descer? É por aí. E eu odiava minha professora de reforço de matemática. Ela cheirava a laquê velho.

1981
Atentado contra o Papa. Lançamento do Space Shuttle Columbia. Aprendi a andar de bicicleta, fiz um pára-quedas com saco de plástico e plantei um milharal. Numa noite houve um terremoto – sério! – e a cama do meu irmão foi parar no corredor. Eu dormi como um tijolo e nem dei bola. Só fui saber no dia seguinte.

1982
Eleições para governador. E eu com isso? Morávamos agora num sítio em Maranguape e meu barato era comer caju e chupar manga. Houve a Copa de 82. Brasil derrotado por 3x2 pela Itália, nas quartas-de-final, três gols de Paolo Rossi. Nunca mais houve Copa como aquela. Ia esquecendo: avião da VASP choca-se com a serra de Aratanha – literalmente, no meu quintal.

1983
EUA invadem Granada. Garrincha morre de tanto beber. Fiz um 14-Bis de papel, que obviamente não voou. Dei um murro feio no meu irmão. Me arrependi disso, pois minha mão doeu muito.

1984
Olimpíadas de Los Angeles. Influenciado pela competição, resolvi saltar de bicicleta por sobre uns obstáculos, com grau crescente de dificuldade. Deu tudo certo, mas desisti da minha carreira de desafiar o perigo quando um amigo tentou fazer o mesmo e se estabacou no chão. Nunca ri tanto. Também anunciaram o primeiro Rock’n Rio num lodaçal no começo do ano seguinte. Queen, Kiss, Paralamas e Ultraje a Rigor. Pena que não fui, mas com 13 anos de idade menino não tem razão. Lembram que a cerveja Malt 90 patrocinava o evento? Não? Nem eu. Lembrei agora.

1985
Eleição indireta, Tancredo vence e morre. Hit da época: "Ligeiramente Grávida", do Dr. Silvana e Cia. Tive uma experiência Genítica-Buarqueana. Essa história é meio mal contada, mas envolveu uma formosa dama chamada Margarida, alguns cruzeiros, tapumes, um globo de cacos de vidro e uma cortina de contas. Depois me apaixonei. Não pela Margarida, infelizmente, mas por uma colega de colégio. Devastador.

1986
A moeda do Brasil agora é o Cruzado. Explosão da Challenger. Volta do cometa de Halley. Viajei ao Maranhão e fiquei pendurado na lateral de um jipe. Dessa mesma viagem, tenho uma foto na qual estou conduzindo um jumento, que é claro não vou mostrar.

1987
Não lembro de nada que tenha acontecido nesse ano. Devo ter sido abduzido por ciganos ou estava de porre. Lembro vagamente de um show do Legião Urbana e do observatório astronômico do colégio, onde eu desenhava crateras da Lua. Ah, e meu irmão acordou do murro que eu tinha lhe dado.

1988
Promulgação da Constituição. Olimpíadas de Seul. Preocupado com o vestibular. Decido fazer arquitetura. Nesse mesmo dia, um gaiteiro escocês de nome O´Sullivan morre afogado num tonel de uísque. Prevejo então que minha carreira será um sucesso.

1989
Eleições diretas, aquele cara narigudo vence. Sou reprovado no vestibular. Sou reprovado no Detran. Seis meses depois, consigo passar no vestibular e no exame do Detran, e ganhei um concurso de desenhos importante. Devo ter envelhecido uns 15 meses nesse ano, por causa disso. Certa feita, inaugurando a carteira de motorista, consigo incendiar o fusquinha da mamãe. E numa outra vez volto pra casa dirigindo sem a embreagem do carro. O tal fusca – vulgo Bananada –, morreu de ataque cardíaco semanas depois. Que o deus do ferro-velho o tenha. Confecciono um uniforme do Batman! Mamãe não me deixa pintar o citado fusca de preto, ainda não entendi por que.

Com o “Ratlle and Hum” do U2, encaro a década de noventa com o vento no rosto e o peito aberto. Acho que nunca fui tão contente como nesses meses finais de 1989, meu Anno Mirabillis.

Obrigado, anos oitenta. Saudade.

fatman.jpg
Segundo relato de testemunhas, essa era a criatura
na qual me transformei e que rondava meus pesadelos.
E a partir de agora, os seus também, pobre leitor!

Por Hemeterio

às 05:31 PM


Eu queria esse jogo para mim

Segundo colocado

Tenho por princípio acreditar que nem todas as minhas experiências pessoais sejam válidas para os outros. Afinal, não é porque os óculos são parte integrante da minha vida desde os 12 anos que o são para todo mundo. Assim, fiquei matutando como fazer uma relação com o tema infância, sendo que nem todo mundo jogou futebol de botão ou brincou tanto de Imagem & Ação como eu. Aliás, brincou é só uma força de expressão. Se der, eu ainda brinco.

Nas coisas que eu pensei, vi que poucas podem ser consideradas universais para uma criança dos anos 80. E, talvez, a principal delas seja o Atari. Era o brinquedo que unia ricos e pobres, CDFs e repetentes, projetos de nerds com projetos de mauricinhos, meninos e meninas, fãs da Cindy Lauper e da Madonna, imitadores do Prince e do Michael Jackson... Todo mundo já pegou naquele joystick preto (sem maldade, por favor) com um botão vermelho e ficou horas achando os gráficos (para lá de toscos) o supra-sumo da tecnologia digital.

Um sinal forte do papel desse videogame é o fato de eu tê-lo escolhido para o texto. Mesmo não tendo possuído um (já que era adepto do Intellivision), jogava na casa de amigos, parentes e vizinhos. Por isso, imaginemos que toda a nossa infância foi um jogo de Atari.

Não vou dar mais argumentos de tão desnecessário que é: o melhor jogo para representar qualquer coisa é o clássico River Raid. Assim, vamos imaginar esse jogo, mas com adaptações de forma que cada item do ranking seja uma fase. E tudo começa na Fase 1.

Fase 1 – Casa
Você está na sua casa. Seu veículo é um triciclo Bandeirante vermelho com rodas azuis. Como você tem preguiça de pedalar, o impulso é dado com os pés no chão mesmo. A fase inicial é fácil. Os únicos perigos para o prosseguimento da jornada são os irmãos mais velhos, que atacam. Tenha cuidado, e não fique sem energia. Para reabastecer, passe sobre as bandejas com sanduíche de Io-Iô Crem e suco em caixinha Izzy, mais artificial que o corpo da Feiticeira (pensando bem, não é. Nem a inteligência do Deep Blue é tão artificial).

Fase 2 - Família
Você continua no triciclo Bandeirante, mas o cenário agora é a casa da vovó em festa de família. Mas atenção: por mais amigável que seja o ambiente, o excesso de obstáculos pode lhe atrapalhar. Procure andar sempre ao lado da vovó, já que ela pode fornecer combustível em forma de Dip’n´Lik. O maior perigo da fase secundária é o casal de primos mais velhos. Seu primo é fã do Scorpions e implica com a irmã, tiete dos Menudos. No meio de tanta guerra de travesseiros, um golpe pode sobrar para você.

Fase 3 – Escola
Agora você está a pé nessa fase em que as animosidades aumentam. Apesar de parecer um tanto monótona e sem grandes perigos, a sala de aula esconde um grande obstáculo: um monstro disfarçado de professora de matemática precisa ser enfrentado no final. Sua régua Desetec é fatal. Porém, você não pode atacar – pois corre o risco de ser suspenso e mandado de volta para casa (fase 1) imediatamente. Vá pelos cantos e faça o possível para passar por ela sem maiores conseqüências.

Fase 4 – Recreio
Aqui aparecem os primeiros inimigos que atiram. No caso, são os repetentes e suas bolinhas de papel. Ande longe das brincadeiras de pega-pega e amarelinha, além de outras crianças-obstáculo que correm de um lado para outro. Nem sempre há tempo de evitar o choque. Por isso, é difícil alcançar o único ponto de reabastecimento (identificado por “Cantina”). Lá você encontra Zambinos, Cebolitos e Baconzitos, mas essas iguarias não repõem de forma satisfatória sua energia. Tente apenas sobreviver.

Fase 5 – Festinhas
Novamente na casa. Para compensar a falta de combustível da fase anterior, não lhe faltarão oportunidades de reabastecer. Tente as coxinhas e a Diet Coke (só porque é moda, já que ninguém está de regime). Muitas pessoas se aproximarão de você, mas nem todas são amigáveis. Um garoto descontrolado no Pogobol é mortal. O mesmo vale para uma criança chata que o alcança e o tira para dançar. Uma dica para identificar a intenção da criança: se ela se aproximar quando o som de fundo for Debbie Gibson, afaste-se. Se for New Order, pode relaxar.

Fase 6 – Viagem no fim-de-semana
Você está na praia. Passe sobre o bronzeador (os programadores desse jogo ainda não conhecem os efeitos dos raios ultravioletas e uma pele queimada está na moda) e tente chegar ao mar. Portadores de pranchas de Morey-boogie e jogadores de frescobol são os principais obstáculos. Mas não são tão perigosos, pois seus movimentos são relativamente previsíveis. Passe na barraquinha de milho verde para ganhar energia.

Fase 7 - Televisão
Você está nos corredores de um estúdio de televisão. A tela se enche de inimigos como as garotas-roqueiras do desenho Jem, as patricinhas da “Turma da Pesada”, filmes de terror do SBT e uma marionete de maria-chiquinha e óculos identificado como “Moderninho”. Desvie de todos. Para reabastecer, passe sobre os monitores que contenham o desenho de um cachorro espadachim ou com uma moça identificada por “Gigi”. Nos trechos em que a quantidade de seres hostis é muito grande, apele para o livrinho da coleção Vaga-lume como forma de encher seu tanque energético.

Fase 8 – Cinema
Você está na Ferrari do pai do Cameron e tem de chegar na parada no centro da cidade. É uma fase traiçoeira. A mãe (antes sua aliada na fase 1) deve ser evitada. O monstro professora de matemática volta, bem como a irmã mais velha, que já marcou presença nas fases 1 e 2. Cuidado também com os manobristas loucos que querem andar com seu carro.

Fase 9 – Loja de discos
Tente lembrar-se dos conceitos da fase 5. Passar sobre discos de Smiths e U2 dão mais energia. Mas a quantidade de inimigos também é grande. Dançarinos de lambada passam a todo momento jogando fitas K7 do Luís Caldas e do Beto Barbosa sobre você. Desvie desesperadamente. Além disso, meninas adolescentes tentam bloquear seu caminho com pôsteres do Nelson, do Poison ou do Skid Row, enquanto que velhinhos atrapalham sua caminhada em busca dos discos do Richard Clayderman.

Fase 10 – Moda
Teste final: compras no shopping. O nível de dificuldade é enorme, pois ombreiras, cortes de cabelo iguais aos do tecladista do Duran Duran, blazers de cores vivas e com manga arregaçada e roupas de plástico provocam uma estranha atração em você. Tenha muito cuidado. Se você não se controlar, volta para a fase 3. Passe sobre os McSalads Premium (facilmente identificado pela caixa de isopor dupla, para que você junte as partes do sanduíche na hora do consumo) para ter energia durante batalha tão árdua.

Você pensa que acabou? Enganado. Quem já brincou com um Atari sabe que os jogos nunca têm fim e se repetem infinitamente. Assim, após passar a fase 10, você volta para a fase 1, mas o grau de dificuldade é crescente e os inimigos ficam maiores.

Se ficar difícil (e eu juro que não fica), desligue o videogame e vá a Internet, no site Garotas que Dizem Ni, onde é possível encontrar mais dicas de como sobreviver a esse River Raid dos anos 80.

Por Ubiratan

às 12:42 PM


Deixe de saliência e vá a sebo de cutia!

Terceiro colocado

Outro dia usei uma expressão com um colega de trabalho e ele não entendeu nada. Para mim era a coisa mais simples, já que ouvia sempre minha avó dizendo e entendia perfeitamente a mensagem. Deve ser uma expressão típica lá de casa, pois meu colega ficou me olhando com cara de paisagem.

Algumas eu aprendi ainda criança, com minha avó – uma figura muito simpática que me ajudava a roubar o pega-vareta de minha irmã e ainda brincava comigo. Tudo no maior sigilo, claro. A maioria dessas expressões eu não entendo muito bem ao pé da letra. Mas que eram divertidas, lá isso eram. Prestem atenção, pode ser útil:

10) “Coitadinho por quê? Tá com uma ferida nas costas?”
Às vezes minha avó era um pouco cruel também. Não tinha um coração muito mole. Depois que ouvi isso, passei a pensar no sofrimento de quem carrega a tal ferida, já que para minha avó esse era o único motivo para se ter pena de alguém.

9) “Vai morrer estoporada”
Acho que todas as avós dizem isso, mas eu não entendia o que significava. Só sei que não podia abrir a geladeira após um banho quente. Por via das dúvidas e para não morrer tão jovem e de forma tão esquisita, eu obedecia.

8) “Jesus salva, cura e prepara para o céu”
Religiosa que só ela, nenhuma visita incauta escapava da tentativa de conversão. A tal sempre acabava com a seguinte frase: “Jesus salva, cura e prepara para o céu”. Não tenho notícias de que tenha funcionado, mas ouço até hoje.

7) “Deixe de saliência”
Que saudade de ouvir isso! Ninguém mais achou que eu era saliente depois que eu cresci. A não ser minha avó, que ainda solta a pérola quando passamos da conta em seu modo de ver. Mas por que saliência?

6) “Malbaças”
Essa eu demorei a saber o que era. Para quem está boiando como eu quando era criança: irmãos gêmeos e irmãos malbaços são a mesma coisa. Está no feminino porque minha avó se referia a duas tias minhas – que não eram malbaças, mas pareciam.

5) “Balainho novo tem três dias de torno”
De onde saiu isso, meu Deus? O balainho em questão é, de fato, um balaio pequeno? Tem alguma relação com a festa de Iemanjá? Dúvidas à parte, para minha avó os três dias eram o tempo que o brinquedo novo duraria intacto. E não é que ela tinha razão?

4) “Apois”
Essa é sensacional. Uma junção do “Ah, pois...”! Engraçado que toda vez que eu ouvia isso assim, tudo junto, achava que era uma palavra só e completamente nova. Confesso também que demorei um pouco para entender.

3) “Tá luxando”
Essa eu nunca ouvi em outra boca que não fosse a de dona Bernadete. Funcionava mais ou menos assim: apareceu de roupa nova? Tá luxando. O boletim estava azulzinho? Tá luxando. E sempre vinha acompanhado de um Hmm. Assim: “Hmm....Tá luxando!”.

2) “Vá a sebo”
Uma espécie de “vai se danar” no linguajar da minha avó. Quando ela se irritava com os filhos ou netos, sacava essa e ninguém mais incomodava. Depois surgiu uma variação mais completa, que está aí embaixo.

1) “Vá a sebo de cutia”
Agora sim! O animal foi especificado. Eu sempre me perguntava o que a cutia tinha a ver com a história. Mas é melhor não entender mesmo e ir à sebo, seja lá o que for.

Quanta coisa aprendi com essa senhora. E do jeito que ela é antenada, já deve ter atualizado as expressões – talvez tenha até incluído as palavras “night” e “balada” em seu vocabulário, quem sabe? Melhor não, senão eu é que vou ter que pedir para ela deixar de saliência!

Por Fernanda

às 10:06 AM

terça-feira, 23 de dezembro de 2003

Aperta que cabe!

Já se ouve o “ho, ho, ho” do Papai Noel e a mesa do jantar de Natal do Garotas está quase completa! Prepare-se para saber quem serão os últimos 10 cristãos (ou nem tanto) a participar da nossa ceia tradicionalíssima – a não ser pelos convivas.

Para quem ainda não entendeu nada, a brincadeira que coroa nossos últimos textos nesse filhote cor-de-rosa em 2003 é assim: escolhemos 30 figurões, vivos ou mortos, reais ou imaginários, com quem gostaríamos de esperar a chegada do Papai Noel.

Vivi publicou os 10 primeiros; Flá engordou a lista com mais uma dezena e agora você descobre a quem pertencem essas disputadíssimas últimas dez cadeiras.

10) George McFly
O representante do clã dos McMoscas foi escolhido não só por ser um de nossos perdedores favoritos, mas também porque planejamos que ele inaugure a pista de dança com aqueles mesmos passinhos desajeitados que apresentou no Baile do Encanto Submarino. Ninguém vai resistir.

9) Ryan Styles
O Garibaldo em forma de gente é o melhor ator de “Whose Line Is It Anyway?”, show de quadros cômicos improvisados da Sony. Por isso, deixaremos Ryan criar umas brincadeiras para a revelação do amigo secreto, por exemplo, fugindo assim do básico “descreva o seu amigo”. Tomara que ele tenha me tirado!

8) Lilo
Fofa como sempre, a órfã havaiana poderia sentar-se com a gente na mesa das crianças e decerto trocaria boas idéias com o Bob Esponja. Como perguntar se ele conhece o Fofucho, o peixe que controla o tempo. No mais, Lilo também poderia apresentar um número do Elvis – e conhecê-lo, é claro!

7) Matoso
O vampiro atrapalhadíssimo da novela “Vamp”, com aquele sotaque portunhol, teria lugar certo em nosso rega-bofe. Afinal, nada melhor que um trambiqueiro para arranjar as trocas dos presentes indesejados da noite. Já que só tinha um dente da frente, ainda comeria pouco. A não ser que quisesse fazer um pratinho para a Mary e as crianças.

6) Bono Vox
Ele é sexy, canta muito e ainda arruma tempo para lutar por boas causas. É ou não é o genro que minha mãe pediu a Deus? (Depois do namorido, é claro!) O senhor B. poderia dar uma canja para os convivas e dançar uma música lenta com pelo menos dois terços desse site, que estavam no show de 1998 e não foram escolhidas para subir ao palco com ele.

5) Colin Farrell
Já que estamos falando de irlandeses que botam os hormônios da gente em ebulição, passemos a esse homem que, definitivamente, não é o genro que minha mãe pediu a Deus – mas quem se importa? Colin faria as vezes de bad boy da festa e com certeza daria uns goles com Heleninha Roitmann.

4) Clarice Lispector
Depois de botar tanta lenha na fogueira, nada como uma história de Clarice para acalmar. Além de uma pessoa e tanto, cheia de sensibilidade, ela ainda daria boas dicas na recepção do povo – afinal, foi mulher de diplomata e devia saber fazer uma social. Depois, registraria suas impressões da festa num belo conto.

3) Aragorn
Na-na-ni-na-não. Não queremos o Viggo Mortensen, mas sim o herdeiro dos reis em “O Senhor dos Anéis”, que luta como ninguém e reúne toda a essência das características masculinas: é corajoso, leal e não liga muito para banhos. E esperamos que ele traga lembas para oferecermos na ceia.

2) Wolverine
Além de quebrar um galhão e agilizar a distribuição do peru (que ele poderia fatiar em três ou quatro golpes), Wolvie é presença obrigatória na nossa festa porque pôs essas três garotas a suspirar para a tela grande a cada uma de suas aparições. Até aturamos que ele fume charuto na sala – mas só depois do jantar.

1) Ferris Bueller
É claro que não deixaríamos essa síntese do que é ser gente boa de fora! Ferris seria o host da nossa celebração – ele tem papo com qualquer um, do maior nerd da freguesia às garotas mais populares. Aposto uma rabanada que ele ficaria amigão do Jack Sparrow e daria umas dicas para o pirata escapar de qualquer perseguidor. Afinal, não é qualquer um que escapa de um obstinado como o senhor Rooney...

ferrisshades.jpg
Qual festa ficaria completa sem ele?
* * * * * * *

A gente vai ali e já vem, tá?

Queridos! Obrigada por cada clique, cada palavrinha, cada fofura. Boas festas a todos e nos encontrem de volta dia 5 de janeiro, ok? Enquanto as mamães vão viajar, o site é de vocês. Não se esqueçam de regar três vezes ao dia e dar bastante carinho e atenção. Amanhã, saem os ganhadores da promoção e, nos dias subseqüentes, continuarão entrando três textos – mas dessa vez, serão os de vocês! See you later, aligator.

Clara McFly às 07:25 PM


Isso é que é ceia, santa!

Pobre de Jesus, que pôde convidar apenas 12 coleguinhas para seu jantar especial de... vou virar luz em breve. Já aqui no Garotas a festa é mais avantajada e propensa a gargalhadas. Com o time de personagens-vivos-mortos-bacanas que selecionamos, essa pode ser considerada uma nunca dantes vista “Santa Ceia Muito Louca da Pesada”!

Vivi começou de manhã a montar a lista de convidados. Acho que vocês entenderam: não importa se o rol de gente boa contará com pessoas de verdade ou de mentirinha. Afinal, o jantar imaginário é nosso, botamos ali sentados quem nossos delírios permitirem. E se der briga entre um astro do rock e uma bêbada escandalosa... melhor!

Assim a festa fica logo animada e rende fofoca suficiente para vários dias. Porque os especialistas em etiqueta e celebração sempre disseram: montar um grupo coeso de convidados não é trabalho fácil. Espero que vocês gostem dos escolhidos como nós gostamos.

20) Willy Wonka
Como deixar de fora dessa festança o homem que inspirou meu nome nesse site? Além disso, senhores excêntricos sempre dão charme ao local. Imagina que legal seria contar com um homem de casaca roxa e cartola! E pense em quantos quitutes de chocolate ele poderia trazer...

19) Chewbacca
Uma das regras para organizar festa da boa é chamar um estrangeiro exótico para a turma de convivas. Tem “gente” mais exótica que o Chewie? O wookie parceiro de Han Solo em “Guerra nas Estrelas” certamente daria um tom intimidador porém extravagante à festinha.

18) Edward Norton
Ele já foi citado por nós umas 764 vezes. Não seria deixado de fora justo na hora de agradecer pelo ano bom! Eddie já é quase nosso sócio – e não é convidado apenas por ser um dos atores mais fofos e espetaculares de Hollywood. Ah, quem eu tô enganando... é por isso e tudo o mais.

17) Elvis
Saudações ao rei!!! A verdade é que Mr. Presley seria convidado de honra até se estas meninas aqui decidissem fazer uma festa do pijama. Presença marcante e lendária, ele também pode ser destacado para comandar a seleção musical. Como poderia ficar ruim?

16) Sharon Osbourne
Trata-se, disparado, da pessoa mais divertida, simpática e tresloucada da residência do Príncipe das Trevas. Sem falar o que é linda. Mesmo que a Senhora Ozzy quisesse levar no jantar a Minnie, cadela mais pentelha do mundo, a gente deixava. Só para contar com a aparição dessa figura.

15) David Grohl
Vão confundir o líder do Foo Fighters com o Laurence do “Minha Casa, Sua Casa”, já convidado pela lista de Vivi? Oh, yes... Mas como ambos são bem humoradíssimos e interessantes, é capaz até de surgiu uma bela amizade entre essa dupla de preferidos das Garotas.

14) Virgem Mandy
Muitos podem sonhar com a Virgem Maria em sua ceia de Natal. Nós aqui preferimos a estrela de “A Vida de Brian”, Virgem Mandy – e o homem por trás do vestido, Terry Jones. O integrante do Monty Python, inclusive, representaria o grupo. Jantar com eles é comemoração à parte.

13) Heleninha Roitmann
Melhor trancar o bar quando a filha de Odete Roitmann der o ar de sua graça, né? Mas se conhecemos a peça rara de “Vale Tudo”, ela própria trará uma garrafinha da água que passarinho não bebe. Se enxugar demais e der show, botamos o Chewbacca pra fazê-la se comportar.

12) Bob Esponja
Se a moça aí de cima fosse menino, podia ganhar o nome do Bob... Ah, não, ele é oooutro tipo de “esponja”. Mas temos certeza que nosso adorado amarelinho deixaria a Fenda do Biquíni por algumas horas para participar da festa. E sentar na mesa das crianças conosco, claro!

11) Jack Sparrow
O ano de 2003, pelo menos pra mim, teve uma aparição marcante: o astro bêbado/louco/safado de “Piratas do Caribe”. Seria o ponto alto do Natal, portanto, receber essa criatura ímpar, seu cabelo cheio de badulaques e sua cachola repleta de macaquinhos para jantar. Seja bem-vindo, Jack! E pode se acomodar ao meu ladinho...

JackSparrow.jpg
Manteremos as facas de patê
longe do Jack Sparrow, pode deixar
Fla Wonka às 01:58 PM


Jantar com as estrelas

Eis o friozinho na barriga por escrever o último texto do Garotas no ano que nos trouxe muita alegria. Como um bebê de oito meses que é, este site rosado já está sentando e falando sons desconexos que só nós entendemos. Para comemorar 2003 e fechá-lo com chave de ouro (envolta por um laço pink), sabíamos que hoje tinha de ser algo especial. Decidimos, então, fazer um jantar só para os mais chegados.

Nossa ceia vai ser uma fartura. Tender, pernil, bacalhau da Noruega. Até pavê vai ter, para que algum chato fale a clássica piada de fim de ano (“é pá vê ou pá comê?”). Mas ei, na nossa festa não vai ter chato. Até porque a lista de convidados é vip e só há 30 cadeiras na mesa (incluindo a mesa das crianças, onde nós três estaremos sentadas também).

Escolhemos as pessoas com as quais gostaríamos de dividir uma coxa de peru e algumas horas de papo. Depois de muito pensar, completamos a lista. Eu vou contar quais são os 10 primeiros nomes. Mais tarde, Flá apresenta os outros 10, e Clara fecha a escalação de vips deste que será com certeza um jantar muito louco da pesada.

30) Clark Griswold
Chegamos à conclusão de que família tem que estar presente. Mas como muitos Griswolds reunidos sempre dão confusão, optei pelo chefe da gangue, o loser-mor Clark. Pelo menos, ele pode pregar todas as 57.429 luzinhas pisca-pisca que irão decorar o ambiente do jantar.

29) Zé Lelé
Natal é tempo de dar sem esperar nada em troca. A caridade nos fez chamar Zé Lelé, que nunca deve ter sido convidado para festa de gala alguma – só quermesse, mas não conta. O primo do Chico Bento, porém, vai ter de colocar o botinão e tirar o chapéu. A etiqueta manda.

28) Carson Kressley
O loiro purpurinado de “Queer Eye for the Straight Guy” dará um plus na festa. Além de roubar a cena na entrada (que provavelmente será de arromba), Carson pode entreter as anfitriãs fazendo comentários maldosos sobre as roupas dos convidados. Faça-nos rir, fab.

27) Catcher Block
Catcher, mocinho (e bota mocinho nisso) de “Abaixo ao Amor” foi convidado apenas porque é fofo demais. Porém, esperamos que ele já tenha chutado a tal escritora e adotado de vez aquele visual nerd, com óculos de aro grosso. Daí, é só colocar o smoking e a festa tá garantida.

26) Seu Peru
Seu Peru, além de ser um alvo em potencial para o veneno de Carson por conta de seu visual de libélula, vai garantir a animação do jantar com ótimas imitações das vozes de Scooby-Doo, Alf e Vingador. Todos ficarão animados e esquecerão de reparar nas passas do arroz!

25) Daniel Azulay
Tio Daniel tem a cadeira reservada e seu nome escrito com canetinha hidrocor no guardanapo de linho. Apesar de já sabermos como ele estará vestido (camisa branca, suspensório vermelho e gravata-borboleta amarela), vamos adorar a brincadeira do pincel mágico!

24) Laurence Llewelyn-Bowen
O excêntrico e charmoso decorador de “Minha Casa Sua Casa” é outro cujo modelito já é pré-determinado (calça de couro e camisa com a manga aberta, tudo preto). Com seu delicioso acento britânico, Laurence pode ensinar ainda a fazer um porta-copos a partir de papel higiênico.

23) Ruth Rocha
Quando o soninho bater (depois de toda aquela carne e todo aquele vinho, ele há de bater), quem melhor para nos contar historinhas do que a dama dos contos infantis brasileiros? Imagine, escutar “Marcelo Marmelo Martelo” da boca da autora que criou aquela maravilha...

22) Dr. Evil
Um pouquinho de maldade não machuca, né? Dr. Evil pode divertir a todos com seus planos de dominação e extorsão de 10 mil dólares do governo. E outra: é um convidado 2-em-1, porque o Mini Me também vai. Daí, eles podem fazer aquele rap hilário que fizeram na cadeia.

21) Tia Voula
O que seria de uma festa sem a Mirtes? Tia Voula é a própria: além de só falar em doença e caroços para quem ela mal conhece, titia é daquelas que enchem a cara de sidra até ficarem “alegrinhas”, arrancarem a sandália e dançarem ao som de “Whisky a Go-Go”!

tia_voula.jpg
Essa não pode ver Keep Cooler!

* * * * * *

Boas Festas, queridos e queridas!

Vou-me com um aperto no coração. Mas não priemos cânico: dia 05/01 estamos de volta das férias, renovadas e prontas para mais! Até lá, o site será muito bem cuidado pelos leitores e seus textos maravilhosos. Amanhã é o dia da revelação da promoção, com os 3 melhores textos (incluindo o grande vencedor). Depois, outros 21 escolhidos alimentarão o Garotas até nossa volta. E vamos voltar. Promete que volta também?

Vivi Griswold às 09:12 AM

segunda-feira, 22 de dezembro de 2003

Fechada para balanço

Confesso que, ao me deparar com os 54 textos enviados por nossos leitores para a Promoção de Natal do Garotas, me deu um calafrio. Primeiro, porque teria de escolher só três desse mundão de letrinhas. Segundo, porque seria uma maratona e tanto ler tudo aquilo num mísero final de semana.

Depois de devidamente transferidos para meu computador ­- operação que por si só durou duas horas -, comecei resignada a leitura. Depois de uns quatro textos, passei de "resignada" a "interessada". Mais uns três e fui de "interessada" a "entretida". Segui e passei por "muito entretida", "intensamente entretida" e "deliciosamente surpresa", até chegar ao "total enlevamento".

Nem notei o tempo passar (só quando começou a bater a fome e eu vi que eram quase 10 da noite) e, ao desligar o computador, me peguei completamente infectada com os fragmentos de memórias dos outros. Ou melhor, dos outros, não -­ dos nossos queridos leitores!

Foi como se eu tivesse promovido as Tardes Caninas, jogado bola na rua com o Gengivaldo (?!), acreditado que as chuvas de Finados eram as lágrimas dos mortos, feito xixi no elevador e participado da mesa das crianças. (Epa. Peraí. Essa tinha na casa da minha avó e eu também vivi isso, sim).

Por isso, a poucas teclas de encerrar o ano, precisava dizer obrigada. Obrigada a cada um dos nossos amigos conquistados através de bytes. Obrigada a Flá e Vivi, sócias maluquinhas e, antes e acima de tudo, amigas. Obrigada por compartilharem comigo pouco mais de oito meses de memórias, reclamações, bobeirinhas, escancarações e vivas aos 80 e a outras coisas boas da vida.

Porque, no fim, seremos todos velhinhos chatos numa casa de repouso, bradando aos netos que no nosso tempo é que era bom, com a Gigi na TV, o pogobol nos pés, o medo do homem do saco e a Cyndi cantando "Girls Just Wanna Have Fun" (ok, nós já fazemos isso bem antes dos nossos netos chegarem).

O gozado é que esse tempo da Cyndi já foi, mas essas garotas aqui continuam apenas querendo se divertir enquanto é tempo. E ficamos felizes que vocês também queiram.

* * * * * * *

De fato, ficamos tão felizes...

... que, como Vivi já explicou, decidimos destinar aquele monte de belos textos enviados por nossos leitores para publicação aqui, no Garotas. A gente sai de férias e vocês tomam conta do nosso filhote até janeiro, ok? Então, fique ligado. Do dia 24 ao dia 05 de janeiro (quando retornamos da folga), esse site é, mais do que nunca, dos leitores!

Clara McFly às 05:26 PM


Animado de matar

Não há coisa mais engraçada do que pegar, passando na tv, aquele desenho animado que o sujeito ama. Para mim, é gargalhada certa ver o do Pica-Pau com o barril nas cataratas, aquele em que o Pernalonga é perseguido por um monstro peludo laranja de tênis, qualquer um em que o bico do Patolino caia ou vá parar na nuca. Por outro lado... existem desenhos que deveriam vir acompanhados de um Prozac, não?

Quando eu era menininha, estas cinco tragédias abaixo torturavam o meu imaginário – e, tenho certeza absoluta, também o de um monte de pirralhos pelo planeta. Poxa: para qualquer criança com um mínimo de sensibilidade, ver heróis singelos serem maltratados, zoados ou privados de seus direitos de desenho era uma tristeza sem fim.

E, nos casos seguintes, às vezes acontecia até coisa pior. Passa o lenço e um copo d’água com açúcar, por gentileza?

“Snoopy”
A parcela que envolvia o cãozinho Beagle propriamente dito ou o Woodstock era de ótimo humor e muita fofura. Mas e o pobre Charlie Brown?? Só quem já foi muito Minduim nessa vida, como eu, é capaz de entender o que tolerava aquele garotinho careca. Todos ganhavam presentes, ele ganhava uma pedra. Era achincalhado por colegas como a esnobenta Lucy e até pela irmã mais nova. Que puxa...

“Heidi”
Lembram dessa? Heidi era uma órfã que, conduzida pela tia chata, é deixada nos Alpes austríacos para morar com o vovô rabugento. Ela vivia no sótão e só tinha como amigo um garoto vizinho e as ovelhas. Quando finalmente o vô ficou bonzinho com a Heidi, a tia voltou e levou a menina pra morar na casa de um senhor bem mala, uma garota paralítica e uma governanta perversa. A Heidi podia bem ter virado uma serial killer, diz aí.

“Gasparzinho”
Quem acha a história desse fantasminha viadinho bacana só pode ter perdido o senso. A alminha penada não consegue ter uma maldita relação social – e meio mundo sai gritando só de botar os olhos no pobre. Parece até que ele é uma aberração sangrenta, e não uma criança cabeçuda (morta, é verdade, mas deixa pra lá...). Daí entra a música melancólica e o Gasparzinho flana pela terra dizendo “eu só queria ter um amigo...”. E eu queria ter o telefone do criador desse desenho!

“Marco”
Esse desenho tinha o mesmo estilo “modo de vida loucamente sofredor” da Heidi. Marco era um garotinho que separa-se da querida mamãe quando essa vai trabalhar num país distante. Mas ele não se conforma, e sai percorrendo mundo afora em busca de sua doce genitora. Montado num burro. Sem dinheiro. Sem ajuda. E à mercê de bandidos e exploradores de menores. Mantenha as giletes trancadas se um dia topar com um episódio de “Marco”.

“Pinóquio” (o japonês)
Obra máxima e suprema do terror e depressão animados. O Pinóquio, em si, já é um conto bem tristonho, certo? Tem aquele papo dele não ser humano e virar chacota na escola. Mas essa versão japonesa criada nos anos 80 superou os limites. Para quem não lembra, teve um episódio em que o Pinóquio, num ato insano, tenta esfaquear um menino porque queria afanar o coração dele. Em outro (acho que o último), ele leva uma saraivada de tiros que lhe acertam o pescoço e causam a perda da cabeça. Se desenho tivesse censura, esse seria só para maiores de 45 anos...

Pinoquio.jpg
O Gepeto bem podia ter feito um criado-mudo...
* * * * * *
Mas como nem tudo é morte, tristeza e desespero...

... e a vida ainda é bela, temos uma novidade! Pra não repetir palavras e ser mais monótona que a vida social do Gasparzinho, não vou dizer tudo de novo. Basta clicar aqui e receber o recado que Vivi deu hoje cedo sobre nossa Promoção de Natal – e as Fantásticas Férias Muito Loucas do Garotas. Somos ou não somos cheias de artimanhas?

Fla Wonka às 01:44 PM


Sessão pipoca

Quem ia para a escola no período da manhã enfrentava alguns duros obstáculos. O pior era acordar cedo e já ter de se enfiar em um uniforme de helanca, sempre gelado naquela hora do dia. E o soninho que tomava conta de nós na primeira aula? Difícil resistir. Porém, estudantes do período matutino tinham um bônus: ir para casa e, depois do almoço e da tarefa, assistir à Sessão da Tarde acompanhados por uma bacia de pipoca recém-estourada pela mamãe.

Hoje muita gente não entende a importância daqueles filmes dublados que a Rede Globo transmitia diariamente logo após o “Vale a Pena Ver de Novo”. Bem, não os culpo. Isso porque a Sessão da Tarde perdeu muito do charme (ou o problema é termos crescido?) e agora só exibe produções infantis vergonhosas que nunca chegaram ao cinema e que ficam naquela parte “para a família” da Blockbuster.

Não posso negar: muitos dos filmes favoritos desta garota foram descobertos durante uma sessão com pipoca em frente à TV. Imagino que, provavelmente, meu pai não alugaria uma fita chamada “Curtindo a Vida Adoidado” – e, daí, nunca teria conhecido o Ferris Bueller. Imagine a desgraceira que seria minha vida sem tal importante referência pop.

Você é o que você gosta. E gostamos muito dos maiores clássicos da época áurea da Sessão da Tarde!

"O Rapto do Menino Dourado"
“E-e-e-e-eu quero o punhal”. Eddie Murphy me fez ter dor de barriga de tanto rir nesse filme que mistura comédia pastelão com thriller policial (para crianças, claro) e fantasia. Ele é um detetive escalado para resgatar um menino-guru que foi seqüestrado lá no Tibete. Diversão garantida.

"Os Goonies"
Se hoje ele é mais conhecido como hobbit companheiro, Sean Astin já foi um doce menininho de aparelho nos dentes que acreditava em histórias de pirata e tesouros escondidos. Para salvar seu bairro, ele recruta uma turma de amigos e, juntos, buscam pedras preciosas. Tão bom que até dói.

"A Garota de Rosa Shocking"
Molly Ringwald no filme escrito especialmente em sua homenagem. Precisa ficar melhor? A garota de ouro dos anos 80 é a melhor amiga de todos. Fofa até dizer chega, ela consegue conquistar o coração do bonitinho ricaço apesar de não ter um tostão no bolso e de reciclar até o vestido do baile.

"Namorada de Aluguel"
Ele é um nerd, ela é a queridinha da escola. Ele quer comprar um telescópio, ela quer comprar uma blusa nova. Ele dá o dinheiro para ela, ela começa a sair com ele para torná-lo popular. Ele fica caidinho por ela, ela o esnoba. Os dois se apaixonam. E ele faz a dança do tamanduá africano.

"Admiradora Secreta"
Uma carta anônima cai na mão de todos os personagens desse filme e transforma a vida de cada um. Era uma comédia escrachada, adolescente e sem compromissos maiores (e até rolava um par de peitinhos para a alegria dos meus primos e para a minha vergonha). Um clássico esquecido.

"O Clube dos Cinco"
Molly Ringwald (de novo) e Anthony Michael Hall num filme de John Hughes. Cinco estudantes, cada um com seu estilo, são reunidos pela primeira vez durante um castigo. Eles passam o sábado inteiro sentados na biblioteca da escola. Quem diria que isso daria um filmaço da melhor qualidade!

"Quero Ser Grande"
Poucas coisas podem ser melhores do que a cena em que Tom Hanks e o diretor da loja de brinquedos tocam o bife em um piano de chão. Aquilo é coisa de gênio! O resto do filme também acompanha, numa história adorável interpretada com maestria pelo ex-ator-de-comédias.

"Sem Licença Para Dirigir"
Toda a tragédia gira em torno do fato de que o Corey Haim não consegue passar no exame para obter a certeira de motorista. A cena da prova é excelente, com um examinador filho da p* que coloca uma xícara de café no painel do carro e pede para ele não derramar uma gota!

"Curso de Verão"
Um professor de educação física tem que fazer um bando de estudantes preguiçosos e problemáticos passar numa prova difícil. Agora me diz como ele consegue cumprir a tarefa quase impossível no meio das férias de verão, em Fort Lauder Dale! Só em filme dos anos 80. Só na Sessão da Tarde.


* * * * * *


Textos pra dar e vender!

Precisamos contar o quão felizes estamos? Os culpados são vocês, leitores, e os mais de 50 textos que chegaram em nossa caixa-postal rosada em 15 dias, todos arriscando o prêmio da Promoção de Natal. Obrigada aos participantes...

... Alexandre Inagaki, Alex Phaedrus, Amanda Steffen, Ana Yazlle, Anderson Pedro Fidelis, Ângela, Audrey, Bárbara Ramalho, Carla Martins, Cara Maneiro, Clá, Cristiane, Daniel Meira, Dov, Elizabeth Duarte, Fabi, Fernanda, Fernando Effenberger, Fernandu, Hemetério, J.M., Joscélia, Leandro Giometti, Marco Brasil, Mariana Verlaine, Marjorie, Martina Mendonça, Milena Carvalho, Muara Kizzy, Nadja, Patrícia Vieira, Paula Regina, Paulo Mancha, Priscila Gaspar, Renata Carvalho, Robson Rodrigues, Roman, Silvio Martins, Sol, Tatiana, Thaís Rocha e Ubiratan Leal, por toparem a brincadeira!

Ficamos assim, então: dia 24/12, próxima quarta-feira e véspera de Natal, publicaremos o terceiro, o segundo e o primeiro colocados, nessa ordem. O primeiro leva a cesta de mimos que a gente preparou com o maior carinho.

Porém, não está sendo nada fácil escolher apenas três. Imagine escolher o vencedor! Cada top 10 é uma historinha pessoal e existem vários muito bons. Achamos um desperdício dividir uma pequena amostra com todos os leitores do site. O que nos leva à novidade...

... no Garotas, quem trabalha nas nossas férias é você!

Como vamos tirar alguns dias de folga (do 24/12 ao 05/01), e como temos uma quantidade imensa de artigos bons já prontos aqui em nossa caixa postal... Bem, não foram necessários muitos neurônios para a idéia aparecer. Prepare-se, porque os leitores vão fazer o site em nossas férias! Como assim, você pergunta?

Decidimos preencher o período que ficaria em branco com outros textos enviados para concorrer à Promoção de Natal. Serão 21 publicados, 3 a cada dia – como sempre aconteceu. E fique ligado, porque o seu pode estar no meio. Ho ho ho!

Vivi Griswold às 09:41 AM

sexta-feira, 19 de dezembro de 2003

Viagem ao século passado

O que são vários pontinhos rodeando um que está cheio de batom na cara e papéis na cabeça, gritando nomes estranhos e agindo de maneira mais ainda, reunidos num quintal? Simples: um chá de cozinha – e daqueles tradicionalíssimos, santa!

Eu sou a maior simpatizante da Mirtes que existe nesse lado do Atlântico. Tenho até uns traços da personalidade "mãezona de subúrbio" dela. Mas percebi que a minha porção Mirtes fica no chinelo perto do grupo que encontrei nesse ritual humano do mais bizarro.

Quando me casei, há poucos meses, fiz sim um chá. Mas chamei todos meus amigos realmente próximos, meninos e meninas, para uma reunião. O plano era que quem realmente se importava com o fato de eu estar montando uma casa trouxesse um presentinho, comesse uns petiscos e falasse umas bobagens - e só.

Mas minha futura afilhada de casamento (existe esse termo? Bom, a partir de agora, sim) decidiu-se por um chá daqueles que, à época em que organizei o meu, classifiquei como sendo do século passado. Retrasado, aliás.

A experiência só não foi traumatizante porque eu já sou crescida e sei segurar o choro. Mas é duro passar por séculos de luta pela equivalência entre os sexos, pelo direito ao voto e à educação, pela experiência de responsabilidade e independência de trabalhar fora, para terminar numa cerimônia com mulheres que querem que você use uma calcinha por cima da roupa (?), amarre um barbante na cintura com uma caneta pendurada e acerte a danada numa garrafa (?!) ou enfie a cara na farinha e procure uma aliança com a língua (?!!). Eu, hein!

(Ok, nem precisa ter passado por anos e anos de luta pela liberação feminina. Fazer qualquer uma dessa coisas é um mico enorme, tremendo, fabuloso de qualquer jeito.)

De qualquer maneira, Flá cantou a bola bem: grupos compostos por apenas um sexo têm uma tendência impressionante a reduzir o escopo de seus assuntos. Reuniões muito grandes de mulheres geralmente não falam de outra coisa senão receitas, filhos e cuidados com o corpo. Só meninos mantêm o papo entre futebol e putaria. Não tenho nada contra nenhum dos assuntos acima, mas falar tão-somente disso ou daquilo me cansa rapidinho.

Concordo com a morena do Ni em gênero, número e grau e ofereço uma explicação para o fenômeno: hormônios e cultura. A fisiologia e a criação de meninos e meninas é diferente – sempre foi, sempre será. Por isso, sou sempre a favor da mistura (inclusive a de banheiros. Ok, nem tanto).

Pobre da futura noiva, que teve de fazer tudo o que descrevi aí em cima e um pouco mais. Mas justiça seja feita: pelo menos, ela ganhou um mundaréu de apetrechos domésticos. Resta saber o que fazer com tudo aquilo. Mas para o tamanho do mico, compensou.

* * * * * *

Quem quer ganhar um playmobil põe o dedo aqui!

Certo. Eu vou falar bem claro e e devagar. Acompanhe: você tem cerca de sete horas, a partir de agora, para participar da fabulosa Promoção de Natal do Garotas! Valem os textos recebidos até a meia-noite de hoje. Por isso, feche os olhos, pense na sua infância querida, liste dez coisas bacanas relativas a ela e mande ver! O prêmio? Sabe Playmobil? Sabe Coleção Vaga-Lume? Então… clica aqui para mais detalhes!

Clara McFly às 05:00 PM


Chamamento em dose dupla

Eu vivo uma mentira há muitos anos. Horrível escancarar isso assim, em público, mas já não consigo esconder. O fato é que, mesmo negando desde a mais tenra meninice e fazendo cara de desdém quando o assunto surge, preciso revelar de uma vez por todas: eu adoraria ter nome duplo!

Sempre fui garota resumida assim, em um nome e um sobrenome. Meus pais não quiseram embananar minha cabeça com um nome de cinco fases, como daqueles príncipes portugueses. Mas o meu irmão ganhou a honraria de Luiz Ricardo – o primeiro ele herdou do meu pai, o segundo a minha mãe gostava. Nem eu, nem minha irmã tivemos essa deferência. Para compensar, mamãe inventava combinações de mentirinha: “Silvia Maria, recolhe essas roupas!”; “Flávia Aurélia, vem aqui!”.

Mas não dava pra levar a sério nem o chamamento, nem a bronca. Droga, eu não chamo Flávia Aurélia ou Flávia Eugênia ou Flávia Antônia, como ela brincava! Um nome duplo, para impor respeito, precisa ser de verdade! Como o da Clarinha. Vocês não sabem? Ela se chama Clarissa... não, melhor manter segredo. Gente de nome duplo é sensível sobre isso. Provavelmente por causa de pessoas como eu, que sempre zoaram o fato.

Meus primos, por exemplo. Apesar de fingir todo esse tempo que nomes duplos são um exagero, eu sempre quis loucamente ter a sorte deles. Fabrício Lourenço, Graziela Maira e Giuliano Carlo. É assim que se chamam as peças. Não tinha coisa melhor que ver minha tia se esgoelar pela porta dizendo “Graziela Maira, pára de rir tanto que vai dar falta de ar!”.

Acontece que muita gente acha esse papo de nome duplo um horror – principalmente quando a combinação soa bizarra ou quando se é o dono do nome (bizarro). Uma amiga da minha irmã botou na filha o nome de Fabiane Beatriz. Putz! Imagina essa pobre na escola, quando os amigos descobrirem tudo... Ah, mas depois a época de colégio acaba e sobra um nome divertido para carregar pela vida toda. Não?

Tem também o caso clássico de duas moças que viviam perto da casa da minha avó. Conta a lenda que, num arroubo de criatividade, a mãe delas nomeou as gêmeas de Teresa Ivonete e Ivone Teresete. Isso não é nome, gente, é uma piada sem fim! Faltou assunto na mesa do jantar? Bom, é só lembrar que as gêmeas se chamam... nossa, como o assunto rende.

Os americanos têm essa mania de botar nome do meio em tudo o que é filho. A gente devia começar a instituir o mesmo por aqui, só para ficar mais engraçado. E quanto mais desajustada a união dos nomes, melhor. Uma tia da minha mãe fez isso. Gerou sete filhos, todos de nomes duplos como Régis Fernando, Silvio Eduardo e Carlos Frederico. Ô inveja...

Só resta mais uma coisa: pedir desculpas pelos anos de esculhambação aos meus amigos Paulo Rogério, Veridiana Cristina, Cássia Regina, Tércio Roberto, Maria Eugênia, Marcelo Diego, André Fabiano e até à Clarissa... deixa pra lá. Se quiserem, podem me chamar de Flávia Helena daqui por diante. Mesmo sendo de mentira, já não é segredo que eu ia ficar feliz.

* * * * * *
Tic tac passa o tempo, passa o tempo Tic Tac...

Ainda não mandou seu texto para a nossa estonteante Promoção de Natal, Arlindo Valter? Tá aí pensando "elas já devem ter um vencedor, agora é tarde"? Bobagem, Pâmela Suzana! Ontem mesmo pintou aqui um artigo muuuuito bom. Imagina se o autor tivesse sido pessimistinha como você!? Então vai, César Augusto: clique aqui, informe-se bem e bote a cachola para funcionar. Vai, que até meia-noite ainda é tempo, Celeste Catarina!

Fla Wonka às 01:22 PM


Alexander, o Pequeno

Você conhece Alexander (para nós, latinos, Alexandre), o Grande? Pelo menos já deve ter ouvido falar no moço nascido em 356 a.C. lá na Macedônia que, antes mesmo de assoprar 30 velinhas, liderou uma gigantesca campanha militar e tomou conta de metade do mundo daquele lado do Atlântico. Pois agora eu lhe apresento Alexander, o Pequeno. Ele ainda não conquistou terra alguma – a não ser o jardim –, e esperamos que a única arma em suas mãos seja um revólver de água.

Alexander, o Pequeno é, como o próprio título já diz, pequeno. Na verdade, sua idade pode ser contada somente com quatro dedinhos rechonchudos, como adora mostrar. Igual ao seu xará, ele também nasceu do outro lado do oceano. Em Londres, mas precisamente. Filhote do meu tio querido, brasileiro, e da mulher dele, mexicana com sobrenome escocês. Nas veias do bracinho branquela corre sangue de uns sete povos diferentes, incluindo nicaraguenses e portugueses.

Trocando em miúdos, Alexander – que não gosta de ser chamado de Alê – é um inglesinho que, logicamente, fala inglês. E espanhol. E português. E como fala, aquela matraca! Apesar da pouca idade (ou vai ver, por causa dela), é fluente nas três línguas e passeia de uma para outra com a mesma facilidade com que se joga no sofá para assistir a um desenho do Tom & Jerry.

Apesar de não ser tão conhecido quanto o outro Alexander (mesmo já tendo invadido até Pompéia, nas férias), sua fama já está se espalhando – graças à prima ultra-coruja aqui. Pena que eu mesma o vi tão poucas vezes. Na última, fomos até o Parque da Mônica. Precisa dizer que me diverti horrores com o pequeno? Até na piscina de bolinhas eu entrei.

Depois, fomos na loja que vende aquelas balinhas de gelatina (ou “gomitas”, segundo Alexander, o mexicano) e enchemos o saquinho de celofane com diversos tipos. Uma delas, porém, era um golfinho (ou “dolphin”, segundo Alexander, o inglês). O garotinho teve pena de comê-lo e ficou segurando a bala na mão durante toda a viagem de trem, mostrando-lhe a paisagem. Quando dizíamos “Come logo essa gomita, Alexander!”, ele fazia uma voz fininha dizendo “I´m a dolphin, please don´t eat me!”.

A cada dia recebemos ligações do que eu costumo chamar de “disk-Alexander”. Todas as peripécias, pérolas e novas palavrinhas viajam quilômetros e quilômetros até chegarem deste lado da família. Soubemos que, por exemplo, ele estava com uma virose. O médico explicou para ele a necessidade de tomar bastante água e fazer xixi com freqüência, para expulsar os bichinhos.

Pois bem. Lá estava Alexander brincando, quando minha tia disse para ele que há quatro horas ela não o via ir ao banheiro. “Os bichinhos estão fazendo uma festa dentro de você”, falou. Ele levantou-se rápido e respondeu “Xi, melhor eu ir logo antes que eles quebrem a piñata” – na cabecinha 1/3 mexicana, toda festa tem que ter uma. Mesmo a dos bichinhos microscópicos.

As últimas notícias foram da festinha da escola católica que Alexander freqüenta. Ele ia participar da peça como um dos três reis magos. Estava emburradíssimo, porque seria o último a dar o presente ao “baby Jesus”. Não se conformava, ainda, com o fato de não poder usar uma capa vermelha para compor seu personagem.

É triste saber que, quando nos falamos por telefone, talvez Alexander não se lembre ao certo quem é essa prima aqui. Mas eu sei bem quem ele é. E agora você também sabe um pouquinho sobre essa figura ímpar da História. Pelo menos, da nossa história.

alexander.jpg
Alexander e seu troféu de
"o mais simpático" da festinha


* * * * * *


O tempo está se esgotando!

Extra! Você tem apenas até hoje para participar de nossa brilhante Promoção de Natal! Serão considerados apenas os textos que chegarem até a meia-noite! Depois, tudo vira abóbora. Anda logo com isso e clique aqui!

Vivi Griswold às 09:09 AM

quinta-feira, 18 de dezembro de 2003

O poder da síntese

Uma das minhas funções aqui na redação onde trabalho é alimentar um banco de dados com títulos de filmes. Acontece que um dos campos da ficha é sinopse. E acontece que, como qualquer banco de dados que se preze, existe um padrão e uma limitação de caracteres para este campo, o que sempre me põe em apuros.

Afinal, há filmes que simplesmente não podem ser explicados em três linhas! A não ser que você tenha o "poder da síntese", que a professora de Geografia da 6ª série creditava à minha soul sister Roberta, amiguinha daquela época e de sempre, per secula seculorum, amem.

É que a Roberta fazia os resumos mais enxutos e bem-apanhados dos capítulos do livro. Já para mim, falar (ou escrever) pouco é quase sempre um problema. Especialmente em se tratando de filmes. Mas tem um pessoal de um site por aí que não acha.

Guiada pelo link de outro camaradinha, fui parar num hilário reduto de filmes ultra-condensados. Lá, o barato é resumir clássicos do cinema ou épicos de quatro horas a míseras cinco ou seis linhas, de maneira que o internauta possa ficar por dentro do assunto tela-grande sem perder mais que trinta segundos. Quer tentar?

Eles têm ou não têm o poder da síntese?

Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento
Julia Roberts: Eu sou uma caipira, mas sou brilhante. Me dêem um emprego, seus malvados escrotos.
Albert Finney: Ok.
Julia: Esta empresa está envenenando água. Vamos queimá-los no inferno.
(Eles fazem isso, e a audiência se sente muito bem)
** fim **

Contatos Imediatos do Terceiro Grau Close Encounters of the Third Kind
(Aviões são encontrados no deserto)
Pesquisadores: Uau!
(OVNIs aparecem sobre a casa de Richard Dreyfuss)
Richard Dreyfuss: Uau!
(OVNIs aparecem sobre Devil's Tower)
Todos: Uau!
** fim **

O Império Contra-Ataca The Empire Strikes Back
Luke: Tenho de ir para Dagobah.
Yoda: Você tem de usar a Força.
Luke: Tenho de ir a Cloud City.
Darth Vader: Você tem de vir para o lado negro da Força.
Luke: Não, não tenho.
Darth Vader: Eu sou seu pai.
Luke: Não, você não é.
Darth Vader: Ok, então eu vou cortar sua mão.
** fim **

O Poderoso Chefão The Godfather
Marlon Brando: Aqueles que vão contra a família devem ser punidos. (quase morre. Morre)
Al Pacino: Eu vou cuidar direito dos negócios da família agora, depois que matar todas essas pessoas.
** fim **

E o Vento Levou… Gone with the Wind
Scarlett: Eu sou uma pirralha mimada, mas tenho muita força de vontade. Olhe meus olhos queimarem!
Rhett: Eu não dou a mínima.
Público: Nossa! Nunca ouvimos nada tão depravado em nossas vidas!
** fim **

Top Gun – Ases Indomáveis
(Há MUITOS caças)
Tom Cruise: Eu sou bonitão e legal.
Val Kilmer: Não, EU sou bonitão e legal.
(Eles ficam de mal)
Tom Cruise: Eu quase fiz com que você morresse, então agora somos amigos.
Val Kilmer: Sim, eu gosto de você.
** fim **

Mais resumido que isso, só o causo que ouvi sobre o jornalista que, com 30 caracteres para dar a sinopse de "Cidadão Kane", tascou um "Magnata chora a perda do trenó". Um gênio do resumo ou o quê?

citizen.gif
Magnata chora a perda do trenó.
E precisa mais?
* * * * * * *

Tem muito mais de onde esse veio

Se você gostou dos resumos, visite o Movie-A-Minute. Mas lembre-se que todo o conteúdo é em inglês e a tradução aí em cima foi um oferecimento desta humilde escriba, que teve à tiracolo um dicionário Collins Gem para as horas de aperto.



* * * * * * *

Tem programa para hoje à noite?

Não? Pois agora já tem: amanhã é o último dia para participar da promoção de Natal do Garotas! Então, nada de preguiça: meta a mão no teclado e nos mande até amanhã um texto para concorrer. Basta que suas palavrinhas discorram sobre o tema infância e tenham uma lista com 10 itens. O prêmio é capaz de alegrar ainda mais qualquer noite feliz… Para saber mais, clique aqui!

Clara McFly às 07:17 PM


O hetero na berlinda

Domingo à noite sempre envolveu ações muito específicas. Para mim, algumas delas eram assistir ao Fantástico, comer tostex de queijo com presunto e tomate, passar na casa da vó e pensar com depressão sobre a segunda-feira se aproximando. Até cinco gays aparecerem para me fazer chorar de rir rolando pela cama. Ok, isso ficou estranho... melhor explicar quem são os “Fab Five”.

Esses cinco “moços” são os apresentadores pirados do meu novo programa predileto na tv a cabo. Chama-se “Queer Eye For The Straight Guy”, anote aí. Aproveita e escreve ao lado: domingo, 21 horas, canal Sony. Pelamordedeus, esquece Pedro Bial e Glória Maria! É preciso passar por esse show ao menos uma vez na vida.

Os cinco fabulosos que empregam seu “olhar diferente sobre um cara hetero” são figuras ímpares. Jay (cultura), Thom (decoração), Kyan (beleza), Ted (gastronomia) e Carson (moda) formam um grupo tão classudo quanto afetado. No programa, as estrelas se propõem a transformar um ser das cavernas em gente. Mas esse é um processo que não vai sair barato.

Em geral, pega-se para Cristo um tipo que guarda comida sob o sofá, não lava as próprias cuecas e deixa acumular lodo desde a pia da cozinha até o meio dos dedos do pé. Juro: eu sempre soube que existiam homens-porcos no mundo. Só não imaginava que isso podia chegar a conseqüências tão podres e revoltantes.

O show tem uma hora, mas eles passam um dia todo com o macho aprisionado. O primeiro passo é tirá-lo de casa para consertar o desastre nuclear que se abateu sobre a residência. Enquanto o homem vai às compras com Carson (a louca-mor e mais divertida) ou aprende com Kyan a fazer a própria higiene num salão de beleza, Thom, Jay e Ted eliminam porcarias de toda sorte e dão um tapa na moradia. Normalmente isso envolve muita cândida e pintura de parede. Daí por diante, é fazer do “projeto de gente” um tipo interessante.

Ver caras comuns serem desancados e atacados por cinco bibas é uma das coisas mais hilárias que a tv já apresentou. Não fica repetitivo como aqueles programas onde alguém é selecionado para ganhar roupa nova e um penteado decente! Os Fab Five fuçam a casa inteira do cidadão, fazem os comentários mais embaraçosos na frente da câmera e ainda acham tempo para obrigar o hetero lhes dar abraços e beijinhos. Mas tudo na base do carinho e amizade. Eu passo mal de rir.

Os sujeitos indicados para a mudança de vida precisam de uma motivação forte – que pode ser pedir a namorada em casamento ou se apresentar para uma entrevista de emprego. Para isso, eles devem aprender a se barbear com algo que não seja sabão de coco e a não guardar resto de macarrão na geladeira por seis meses. Mas, por incrível que pareça, o estilo de cada rapaz costuma ser preservado. Nem um grão de purpurina é lançado sobre o cara: os fabulosos têm bom gosto, pensa o quê?

Essas cinco peças raras fazem com que suas presas aprendam isso e muito mais, algo que impressione tanto amigos quanto familiares do ex-habitante-do-chiqueiro. Em todos os episódios, de um modo ou outro, nasce aí mais um homem sociável, charmoso, gentil – e com odor muito melhor, claro. Isso, parece que rapazes gays ensinam melhor do que ninguém a rapazes não-gays.

Queer1menor.jpg
Tá sentindo um vento fresco
vindo do secador?
Fla Wonka às 01:05 PM


Ninguém segura esse velhote

Um senhor de cabelos brancos cuja face exibe todas as rugas que a idade de 77 anos pode causar. Mas ao invés de aproveitar seus dias serenos de aposentado jogando dominó, freqüentando bailes da terceira idade e cuidando da horta do jardim, esse senhor prefere interpretar papéis esdrúxulos nos filmes mais hilários de Hollywood. Pois de vovozinho, Leslie Nielsen não tem nada.

Meu último encontro com o velhote-malucão-muito-louco-da-pesada foi na estréia para jornalistas de “Todo Mundo Em Pânico 3”, ontem, às 10h30 da manhã. Eu e Flá comparecemos ao evento, só porque queríamos gargalhar como duas insanas sem precisar pagar 13 reais de entrada de cinema para isso. E o plano deu certo! Saímos com dor de barriga, felizes por ver sêo Nielsen de novo em ação.

Lá estavam ele e seus cabelinhos cor de neve fazendo palhaçadas com a cara mais séria e deslavada do mundo – Leslie não precisa carregar uma personalidade frenética como a de Robin Williams para conquistar o riso dos espectadores. Outro fato interessante: você já viu o ator em tempos da juventude? Nem eu. Aliás, tenho a nítida impressão de que ele já era assim desde bebê. Ok, pensar num bebê com a cara do Leslie Nielsen foi bem apavorante.

Mas nem tanto quanto imaginá-lo como presidente dos Estados Unidos, papel ilustre que interpreta na comédia marcada para estrear dia 9 de janeiro. Ora, se o Exterminador do Futuro é hoje governador da Califórnia, porque Leslie não pode liderar a nação ianque? Seria divertido. Ou não.

O personagem que o consagrou – se é que isso aconteceu realmente – foi o detetive Frank Drebin. “Corra que a Polícia Vem Aí” é uma sucessão de besteiras sem tamanho, mas eu confesso que poucas foram as vezes em que eu perdi o fôlego de tanto dar risada com um filme. Na história, Frank é escalado para proteger a rainha da Inglaterra. Para arrematar a completa insanidade, a produção conta com participações especiais de Priscilla Presley e O.J. Simpson.

Que senhor poderia escolher um papel em que precisa se enfiar dentro de uma camisinha gigante? Ou observar a mulher subindo uma escada e dizer para ela “bonito castor!”? Ou protagonizar cenas como a busca na casa do bandido, em que ele abre a gaveta, diz “Bingo!” e tira de dentro dela... uma cartela de bingo? Ou deslizar em cima de uma sósia da rainha Elizabeth II numa mesa de banquete? Ou sair de uma sessão de “Platoon” rindo? Leslie pode.

Imperdível também é o clássico “Apertem os Cintos: o Piloto Sumiu”. Apesar do piloto não sumir, como sugere a tradução absurda que deram para “Airplane!”, o filme é muito, muito engraçado. E Leslie, no papel do doutor Rumack, faz a festa. Em uma cena, ele diz para a comissária de bordo: “É melhor você avisar ao capitão que precisamos aterrissar o mais rápido possível, pois esta mulher precisa ser levada ao hospital”. Quando ela pergunta “Mas o que é?”, ele responde “É um prédio cheio de pacientes, mas isso não importa agora”. Rá.

Leslie é a prova viva, porém, de que nem sempre idade tem a ver com sabedoria. Ou então, prefiro pensar que ele gosta de brincar a qualquer preço. Uma das duas hipóteses (ou as duas somadas) pode explicar a participação em produções terríveis como “A Repossuída” (paródia de “O Exorcista”), “2001: Um Maluco Solto no Espaço” (paródia de “2001: Uma Odisséia no Espaço”), “Drácula: Morto Mas Feliz” (paródia de... ah, você desconfia), “Duro de Espiar”, “Surfistas Ninjas” e “Mr. Magoo”.

Pensando bem, poucos são os atores com coragem para encarar um currículo desses. Mas respeitem os cabelos brancos de Leslie! Pelo menos, ele deve se divertir muito mais assim do que jogando bocha...

leslie.jpg
O disfarce perfeito para um pirado


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Só até amanhã!

Hora de priar cânico: você só tem até amanhã, 19/12, para mandar seu top 10 com o tema infância e concorrer à festiva Promoção de Natal do Garotas! Os textos que já chegaram em nossa caixa-postal estão guardados esperando o momento de apuração. Portanto, como alguns leitores sugeriram, ainda não temos um vencedor. Mãos à obra que dá tempo! Para mais informações, já sabe. Clica aqui, vá...

Vivi Griswold às 09:19 AM

quarta-feira, 17 de dezembro de 2003

Lava essa boca com sabão!

Não sei se vocês já observaram esse fenômeno, mas aqui no condô tem um punhado de crianças naquela incômoda idade em que brincar de carrinho ou boneca ainda é legal, mas a pestana já arrasta para o sexo oposto e você não quer mais ser visto em público dando a mão para a sua mãe ou seu pai. E essa classe de seres adora falar um palavrão.

Eu não sei o que é, mas parece que qualquer desafio aos bons modos que você aprendeu em casa demonstrado em público (ou melhor, entre o bando) é uma coisa bonita de se fazer. Então, eles abrem a torneirinha de asneiras e riem-se até, simplesmente por xingar uns aos outros.

Os diálogos que ouço por aqui consistem basicamente no seguinte:
- Oi, seu viado!
(Todos riem)
- Oi, cagão!
(Todos riem de novo)
- Junior, seu f*d*p*! Não falei para você trazer outra bolinha de pingue-pongue?
(Todos fazem rosquinhas de tanto rir e eu fico com aquela cara de paisagem, pensando “será que eu perdi alguma piada?”)

Não me lembro se eu também era assim. Sempre fui uma palavroeira de mão (ou boca) cheia, mas não ficava xingando meus amigos à toa. Ok, só um pouco. Mas acho que esse pitoresco comportamento é mais típico de meninos, já que até hoje é possível ouvir diálogos assim entre senhores de mais de 40, que são amigões de verdade:

- Fala, sua bicha! E aí, aquela merda que eu te pedi está pronta?
- Porra, cara! Lógico que não, catso! Você pensa que eu sou uma mariquinha que nem você, que faz tudo nas coxas?
- Tá certo. Amanhã eu pego, então. Dá um abraço para as crianças e manda um alô para a patroa!
- Falou, até amanhã.

Acho que é por causa desse estranho hábito, florescido na pré-adolescência à guisa de rebeldia, que aquelas clássicas musiquinhas de duplo sentido e gosto duvidoso pipocam bem na época do ginásio. O quê?! Você não se lembra? Então, prepare-se para voltar à 6a "B" e cante comigo!

Pega essa música suja...

Sabão Crá-Crá
Os Mamonas Assassinas mostraram que é possível pegar canções de ônibus de excursão para o Playcenter e transformá-las em grandes sucessos comerciais ao incluírem essa pérola no álbum. Os versos falavam de sabões específicos para os cuidados assim, digamos, com as partes íntimas masculinas.

Amigo da Garotada
Sabe Deus qual é o título oficial dessa quadrinha. Acho que nem nome tem ao certo. Mas a brincadeira – meio cantada, meio recitada – botava um incauto na roda para dizer que ele era amigo da garotada, amigo do sorveteiro, amigo do pipoqueiro e qualquer outra coisa que rimasse com atos sexuais feitos em troca de algo. Isso é que é por o amigo no meio...

Fulano é meu Amigo
Outra que trata de “amigos”. Nessa, a rima dizia: “fulano é meu amigo, fulano é meu colega, eu vou fazer com ele o que o cavalo fez com a égua”. Confesso que boiei um pouco até entender essa quando a ouvi pela primeira vez, nos idos da quinta série. Além do mais, nem rima direito. Mas, puxa!, com um amigo desse, quem precisa de inimigos?

Jererê, Jererê
Essa era a mais pesada de todas. Tratava-se de um refrãozinho repetido à exaustão, citando uma droga alucinógena que decerto ninguém fazia idéia do que era àquela época: “jererê, jererê, LSD”. Nos entremeios, os mais sapequinhas da classe cantavam versinhos chulos envolvendo empregadas, moças de casa de tolerância e uma curiosa versão para a história de Adão e Eva. O pior (ou melhor) é que, por ser cantada em grupo, podia durar todo o caminho da ida e da volta ao Playcenter. Haja sabão!

Clara McFly às 05:48 PM


Durma com um calor desses

Eu não sei vocês, mas eu abomino dias quentes em excesso. Desde os seis anos de idade, aliás. Funciona mais ou menos assim: 16 graus, feliz e bom de usar casaco; 22 graus, contente, confortável e pronta para qualquer parada; 27 graus pra cima, terrível, doloroso e incômodo demais. Como classificar, então, os 34 graus que meu termômetro da sacada registrou nos últimos quatro dias?

O calorzinho modesto tem ótimas coisas envolvidas, não me entendam mal. Sou gente comum, adoro dar mergulho bomba na piscina enquanto vejo o astro-rei sorrir lá do alto. Mas eu posso fazer isso na casa dos 20 graus! Não preciso ter o coco torrado para sentir as benesses do verão ou a vitamina A sendo sintetizada com a luz solar!

Calor fulminante ainda traz consigo situações pra lá de aborrecidas. Podem me chamar de garota-enxaqueca à vontade. Quando se trata de sol, eu sou muito mais Suécia do que Bangladesh. E vejam se não tenho razão sobre esses incômodos acarretados.

Gente com sandália? Passa meus óculos escuros...
Acho que pés bonitinhos são membros para serem mostrados mesmo. Pés de bebês, por exemplo: tem negócio rechonchudo mais lindo? Mas o que dizer daquelas tias que pintam a unha dos dedos lá de baixo, depois deixam descascar bem, depois morrem de calor e vestem um maldito chinelo para sair na rua mostrando esse horror pra todo mundo??? Muita informação, hein?

Psicóticos à solta
A temperatura sobe acima dos 28 graus, o mundo vira um caos. Vendedoras de loja quase pulam na nossa jugular, mães arrastam crianças pelo punho, crianças xingam as mães de nomes feios, motoristas buzinam e mostram o dedo pai-de-todos... Muita guerra já deve ter começado por causa do calor. Sei é que EU poderia dar cabo de muita gente quando estou sob efeito do sol implacável.

A vida numa sauna
A única coisa boa de entrar em salinhas cheias de vapor e ficar suando em bicas é, depois disso, pular na piscina ou meter a cabeça sob a ducha fria. Mas sentir-se numa sauna sem estar em roupa de banho, não dá. Basta vestir uma blusa com mangas para, em minutos, as gotículas molhadas se instalarem. Isso não é vida. Bom, talvez seja... Se você for uma orquídea!

Pressão baixa são meus nomes do meio
Tudo bem, não acontece com todo mundo. Mas acontece comigo e isso basta para entrar nessa relação de situações insuportáveis geradas pelo calor. Falo, porém, por todos os que entram no ritmo Dorival Caymmi quando o clima esquenta muito: é sofrível. A moleza não permite nem falar frases inteiras ou se mover mais rápido que um caracol. E eu detesto me sentir um molusco.

Além de tudo, consome bufunfa
Tenho essa teoria concreta de que, no verão, o dinheiro some da carteira muito mais rápido que no inverno. É preciso tomar três banhos por dia para regular a temperatura corporal. Em vez de tomar cafezinho de R$ 1, toma-se um sorvete de R$ 3. O ar-condicionado do carro consome mais combustível. O ventilador de casa consome mais eletricidade. É isso: se o Brasil fosse mais gelado, nós provavelmente seríamos menos animados. Mas seríamos mais ricos, por certo. Você conhece algum suíço pobre???

E dizem por aí que a tendência é o calor ficar pior a cada ano, por causa do efeito estufa e tal. Ótimo... então é só esperar um bocadinho e, em 2004, entrar em combustão espontânea.

Fla Wonka às 01:27 PM


Pegue a arruda e faça figa!

Roberto Carlos é um homem que, além de usar mullet e franja além do permitido pelas leis da humanidade, carrega inúmeras manias estranhas. O Rei, por exemplo, só usa roupas em tons de azul claro e branco. Também nunca sai pela mesma porta que entrou, não usa verbos negativos como “morrer” e não compra nada que tenha a cor marrom. Antes de julgá-lo, pense bem: será que, mesmo no fundo, você não guarda ao menos uma superstição?

Eu, que já não sou muito certa da cachola e acredito em monstro do Lago Ness, tenho de confessar que guardo de leve. O problema é que algumas superstições e crendices populares estão tão arraigadas no nosso subconsciente – graças às avós, às tias e às vizinhas Mirtes – que acabamos carregando a prática e passando adiante mesmo sem querer.

E com o ano de 2004 se aproximando, sai de baixo. Porque este é o momento em que todas as manias populares ressurgem com a força de um furacão porto-riquenho. Então vamos relembrar algumas das mais famosas para você não passar carão diante da parentada!

Bater na madeira três vezes
Eu sempre bato, seja na madeira, na fórmica ou no tampo de vidro. Às vezes até bato mais de três vezes, só para garantir. O que eu nunca parei para entender é se o certo é bater para a coisa acontecer, ou bater para ela não acontecer. Será que ando fazendo tudo errado?

Não passar debaixo de escada
Isso não cola, pelo menos para mim. Outro dia mesmo estavam consertando um telhado aqui perto de casa e havia uma escada bem na calçada. Eu continuei andando e passei debaixo. Antes isso do que caminhar no meio-fio de uma avenida movimentada. Daí, não adianta culpar a má sorte!

Coceira na mão direita é dinheiro
Minha mão direita anda coçando. Agora eu quero saber de onde vai vir o tal dinheiro. Será que vou ser atingida por um cofre como acontece nos desenhos animados? E se a recompensa por terem achado o Saddam cair por engano na minha conta? Vai ver, é só uma picada de pernilongo.

Não dormir com a porta do armário aberta
Outra que faz parte da minha lista. Mas não é por crendice não, é só porque tenho medo que a bagunça interna se torne uma avalanche noturna de roupas e calçados. E mais: o quarto é tão pequenino que, se a porta do armário ficar aberta, não tenho por onde subir no meu lado da cama.

Andar com uma nota de dólar na carteira
De quem foi a idéia brilhante de associar o dólar à sorte nas finanças? Alguém que não viveu a queda da bolsa de Nova York em 1929, com certeza. Mas eu tenho um. Droga. Com esse negócio de dinheiro não se brinca! Até trevo e folhinha seca de louro, tudo vale. A profissão não ajuda...

Não deixar sapato virado
Se isso atrai vibrações ruins, tô ferrada. Sou mestra em chegar em casa, tirar os sapatos de um modo peculiar que os fazem voar longe e depois começo a chutá-los até que eles cheguem debaixo da cama. A prática já é feia, mas espero que não cause trovoadas na minha cabeça.

Quebrar espelho dá sete anos de azar
Qual é o problema com o número sete? E o que um simples objeto refletor tem a ver com isso? Já quebrei vários espelhos na minha vida, ainda mais aqueles pequeninos de plástico que usava para brincar de casinha. Se fizer as contas, devo ter computado uns 490 anos ruins. E agora?

Não colocar bolsa no chão
Segundo a crença, colocar bolsa no chão faz os negócios desandarem e o dinheiro não entrar. Vai ver que é por isso que eu ando sempre lisinha! Mesmo com o maldito dólar. Uma deve anular a outra. Mas se eu moro em prédio, o chão da minha casa não é o chão de verdade, certo?

Dizer “má sorte”
Cometi um erro no item do espelho. Eu disse (pior, escrevi) aquela palavra que começa com A e termina com ZAR. Isso atrai aquilo que você desconfia. O certo, no caso, é dizer “má sorte”. O significado é o mesmo, mas pelo menos a palavra é positiva. Cientificamente comprovado!

Não deixar relógio parado em casa
Relógio parado ou atrasado faz a vida andar pra trás. E faz você perder todos os compromissos também! Vá logo trocar as pilhas daquele despertador de camelô que só funcionou no primeiro dia de uso. Mesmo se não atrair bons fluídos, pelo menos o horário do cinema fica garantido!

Vivi Griswold às 09:25 AM

terça-feira, 16 de dezembro de 2003

Eu não me esqueço

A minha avó é a pessoa mais sábia do mundo. Quer dizer, era. Uma série de pequenos derrames mandaram a dona Flor (que não tinha dois maridos, mas um que valia por dois em tamanho e um pouco de chatice) para algum outro lugar que não sei bem qual é.

Ela não nos reconhece mais, fala muito pouco e requer assistência para andar, comer, se vestir… continuar a viver. A nona já está nessa há uns cinco anos. Nas raras ocasiões em que ri ou faz seus olhos adquirirem alguma expressão, me mata de alegria. Quando diz meu nome, então, nem se fala – mesmo que eu sempre tenha que ajudar falando a primeira sílaba.

Eu me espanto com a audácia dessas doenças da cachola. Como essas porcarias de AVCs (ou Acidentes Vasculares Cerebrais) ousam fazer minha vó se esquecer de mim? Logo de mim, que passava as manhãs sob os cuidados dela enquanto minha mãe terminava os estudos?

A casa da minha avó tinha o tradicional quintal de cimento queimado, com a frente forrada daqueles caquinhos baratos de ladrilho vermelho, com um ocasional amarelo e preto aqui e ali.

Também tinha um jardim onde ela plantava rosas, azaléias e camarão-amarelo, além de uma grama fofinha na qual eu adorava afundar a mão e uns pés de erva cidreira e outras bossas medicinais.

Ela sabia de tudo: de o que comer quando se está com dor-de-barriga a receitas de vinho, pão doce e massa de pizza caseiras; de quantas vezes regar uma azaléia a como entreter uma criança tímida e absorta – no caso, eu.

A Nina, como meu avô a chamava, me deixava brincar com a infindável coleção de botões, de toda sorte de tamanhos, cores e formatos, que a segunda gaveta da sua máquina de costura – outro clássico das casas de avó – guardava.

Ela enfiava uma linha e eu passava horas alinhavando botões. Depois, desmanchava aquele estranho colar colorido e ia puxar a barra da saia dela em busca de outra coisa para fazer.

Geralmente, isso significava ficar ao pé da pia da cozinha, retirando pacientemente todas as panelas que se escondiam ali, enquanto ela lavava a louça. Depois, eu rearranjava tudo de novo mais ou menos no mesmo lugar (cruzes, eu devia ser uma criança muito absorta meeesmo para me entreter com isso).

Mas a glória absoluta era brincar com o tacho de água. Ela enchia uma baciona, dessas de lata, que hoje acho que nem existem mais. Punha perto da grama e me deixava sapecar as mãozinhas e me refrescar. Os respingos da água molhavam o chão de cimento queimado e evaporavam tão rápido que parecia mágica.

Hoje, passando alguns dias no hospital e outros na casa da minha mãe, cuidando de uma boneca que ela jura ser um bebê de verdade, Nina pode ter se esquecido de que é minha vó. Mas eu não me esqueço de que sou neta dela – e nem poderia, porque ela (ainda) é a melhor vó do mundo.

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Eu, um chapéu ridículo e o saudoso
quintal da minha avó


Clara McFly às 06:33 PM


Portal mágico em capítulos

O efeito que o cinema tem sobre mim é digno de estudos psicológicos avançados. Bastou sentar na poltrona e apagar a luz, pronto: o turbilhão de emoções toma conta e é um tal de rir, chorar, vibrar, xingar... Os livros fazem quase a mesma coisa. A diferença é que, com as obras encadernadas, não há sala escura para esconder meu “showzinho” – e, em se tratando de dois títulos em especial, é questão de tempo até alguém oferecer uma aspirina.

Chamam-se “A Sangue Frio” e “A Saga do Endurance”. Assim como acontece com alguns filmes selecionados, posso reencontrar esses livros a cada seis meses que não enjôo. É como ver “Curtindo a Vida Adoidado” pela milésima vez, só pode ficar melhor! Tudo bem, com essas obras não há muito jeito de rir como na cena em que Ferris dá golpe no restaurante francês... Os dois volumes apostam mais na sangueira e no drama mesmo.

O primeiro é leitura obrigatória para jornalistas, estudantes disso ou qualquer um que lide com fatos, verdades e o público. Eu conto um pouco, para explicar. Escrito por Truman Capote em 1966, o livro é conhecido por ser um romance-reportagem. Acontece assim: o fato narrado ali – o assassinato cruel de uma família do interior americano – é verdadeiro.

Capote viajou ao local da tragédia, entrevistou dezenas de pessoas. Mas, em vez de contar isso apenas numa reportagem do caderno policial, ele produziu um livro. Os acontecimentos estão ali, mas ele monta isso na forma de um romance, com cada personagem descrito por meio de verdades e alguma imaginação.

Sabe no que deu? Um livro tão atormentador que chega a dar pavor. Na primeira vez em que eu li, estava numa viagem a Buenos Aires. Antes de dormir, lia um bocadinho de “A Sangue Frio”, para ver se dava sono. Sono??? Tive que verificar a fechadura 12 vezes e pensar em gatinhos ronronantes para conseguir dormir.

Se o leitor aí do outro lado não quer morrer de medo com famílias assassinadas e torturadas ou pesar os resultados da pena de morte – o livro foca muito nisso também –, é melhor ficar com o outro dos meus prediletos. “A Saga do Endurance” é literatura verídica também, mas o único sangue que rola pelo solo é o de focas, pingüins e cachorros. O que não é nenhum alento, é verdade...

Acontece que a história contada por Alfred Lansing (e depois recontada, com fotos, por Caroline Alexander) se passou em 1914, época em que alguns homens se engalfinhavam para ver quem conquistava mais terras distantes. O explorador-e-malucão da vez era Ernest Shackleton, um navegador irlandês competente e esperto. Líder da expedição, Shackleton pretendia ir de navio até o Pólo Sul, desembarcar e cruzar o continente gelado a pé, a primeira travessia transantártica do mundo. Deu certo? Hum... conto mais?

Ok, vá lá, só mais um bocadinho. O navio chegou no pólo e atracou, mas algo deu errado. O gelo fechou em torno do Endurance e amassou o barco como eu faço com papel de bala. Resultado: 28 sujeitos largados no meio do nada absoluto, sem condução para casa e sem resgate vindo para socorro.

Basta contar que a viagem desses homens de volta à Europa é uma das epopéias mais incríveis e maravilhosas já executadas. Não conto além disso para não estragar, mas confia em mim: ser obrigado a comer pobres foquinhas e dar cabo dos cães levados para puxar trenó foi o de menos.

Quem mandou os marinheiros do Endurance se meterem onde não eram chamados, dizem vocês? Ninguém, digo eu. Mas que conhecer essa história me faz serrar os punhos, erguer os bracinhos e soltar vários “aêê!” junto com lagriminhas, lá isso faz. Assim como abro o berreiro com a descrição da morte da família Clutter – principalmente da filha mais nova. Droga... alguém aí tem uma aspirina?

Fla Wonka às 01:21 PM


Achôôôô!

Após muitos meses brincando de esconde-esconde com as tropas norte-americanas, sêo Saddam finalmente foi encontrado. E eu que cheguei a pensar muitas vezes no ilustre iraquiano dividindo um apartamento cheio de labaredas com o coisa-ruim – como mostra o desenho “South Park”. Também não botava muita fé no Bush (aliás, continuo não botando), pois se ele tem cara de gente que perde meia no vão da cômoda, imagine o esforço para achar um bigodudo em pleno Oriente Médio.

Mas agora que a brincadeira acabou e o paradeiro do hómi é público, poderíamos usar o empenho e a eficácia ianques para encontrar centenas de ex-famosos desaparecidos. Se vocês pegaram Saddam, qualquer outra pessoa deve ser fichinha, né, tio Bush? Então deixe a guerra pra lá e tente desvendar os paradeiros misteriosos de...

... Super Vickie e Super Gatas
Tirando o Michael J. Fox, todos os atores que apareceram na saudosa “Sessão Comédia”, da Rede Globo, caíram no ingrato poço do esquecimento. A simpática robô Vickie, juntamente com seu “irmão” e a vizinha ruiva e pentelha; as velhinhas hilárias e joviais de “Super Gatas”; o primo da cidade e o primo vindo de Minas Gerais de “Primo Cruzado”. E tantos outros. Aliás, alguém aí sabe se o Alf voltou para o planeta dele? Ou se o McGyver cortou o mullet? Ou se o casal 20 se separou?

... Garotos-propagandas
Aposto que o menino banguela que estampava a caixa do jogo Cara a Cara já casou e se divorciou cinco vezes, e agora é processado na justiça por não pagar pensão aos sete filhos. E que a mulher da embalagem dos palitos de dente Gina não está mais neste plano astral. Até garotos-propaganda mais famosos, como o careca do Bombril, o baixinho da Kaiser, o cara da US Top, (“bonita camisa, Fernandinho”), sumiram feito saco de jujuba na minha mão. Fica esperto, Sebastian.

... A Marriete e o Bugalu?
Ajudantes de palco de “Viva a Noite”, a loira de trajes mínimos e o boneco grande e desajeitado hoje são apenas lembranças. Assim como o Praga, o Dengue e a Duda Little, do “Xou da Xuxa”, o macaco que saltava de dentro da Porta dos Desesperados, no finado programa infantil de Sérgio Mallandro, o Russo, o Caçulinha... Até Ivo Holanda, o pilar das pegadinhas nacionais, está indo para não mais voltar. E o pobre Ferrugem, que ensaiou uma reaparição mas já foi esquecido outra vez?

... Os Coreys?
Corey Haim e Corey Feldman, cadê vocês? Os dois participaram de 8 em cada 10 comédias para adolescentes nos anos 80, mas hoje devem cortar a grama para se sustentar, ou apresentar bailes da terceira idade em Fresno, Califórnia. Outro de que eu queria ter notícias é aquele japonesinho (ou seria chinesinho?) de “Os Goonies”, que também participou do segundo episódio de Indiana Jones. Por onde andam a Winnie Cooper e o Paul Pfeiffer? Vida de criança-prodígio é muito difícil.

... as boy-bands?
Deve haver um lugar no mundo, além do arco-íris, onde os campos são mais verdes e tudo o que você sonhar pode tornar-se realidade. Eis o lugar para onde vão todos os ex-integrantes de boy bands, depois de saborear os cinco minutos de fama. Lá estão Robbie, Ray, Roy, Charlie, Ricky. E também Jordan, Joe, Danny, Donnie e John... Até o Nil e o Afonso, ex-Dominó, além dos integrantes do Polegar, Tremendo e Locomia, vivem naquele mundo mágico e afeminado.

... o Patropi?
Algo me diz que se acharem o Patropi, acham o Fofão por tabela. Daí eles podiam aproveitar e procurar um pouco mais a fundo para encontrar os palhaços Atchim e Espirro, o Papai Papudo, o Topo Gigio, a coelhinha da Turma da Fofura, a galinha Chicória, os Barbapapas, a turma da Vila Sésamo... Tirando mais um pouquinho de pó, é capaz de acharem até a Lucinha Lins, a Aretha, a Amanda, o Cassiano Ricardo, o Professor Parapopó, a Silvana e a Gigi!

Força, tropas!

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Nome: Regina Célia Anhelli Codinome: Gigi do “Bambalalão” Último paradeiro: Teatro Franco Zampari, São Paulo Quando: em algum momento de 1985


* * * * * *

Também somos boas...
... em encontrar desaparecidos. Duvida? Então dê uma olhada na cesta de prêmios que entregaremos de presente de Natal para o leitor ou leitora que enviar, até o dia 19/12, o melhor top 10 com o tema infância. Tiramos o pó de tudo e os mimos estão só esperando o felizardo ou felizarda! Ah! Os três textos de que mais gostarmos (incluindo o campeão) irão compor o Garotas do dia 24/12! Nem Papai Noel faz melhor, hein? Participe!

Vivi Griswold às 09:45 AM

segunda-feira, 15 de dezembro de 2003

Respira fundo e conta até dez

Que alongamento corporal que nada! A modalidade mais necessária para viver na cidade é o alongamento dessa virtude chamada paciência. Eu sou conhecida por ser um poço da tal qualidade – consigo até ouvir "Florentina", do Tiririca, de cabo a rabo (e rir) – mas ultimamente está difícil manter o equilíbrio.

O gozado é que partimos do princípio de que as pequenas coisas da vida estão cada vez mais facilitadas, com o progresso científico humano. Mas o caso é que o progresso da cidadania humana não está acompanhando o ritmo. E por isso, é cada vez mais torturante…

Encarar o trânsito
A briga por um mísero centímetro quadrado de asfalto é impressionante. Fechar o cruzamento, fazer conversões proibidas e deixar uma fila de gente esperando atrás, furar o farol vermelho: tudo isso é bem comum no caminho que faço de casa ao trabalho. Tem dias que começo a imaginar se estou invisível, tal é o número de pessoas que me fecham.

Fazer compras
Nem precisa ser de Natal. Estou falando de supermercado mesmo – que, é claro, fica mais cheio perto do solstício de verão. As pessoas deixam os carrinhos nas vagas de estacionamento, estacionam os mesmos no meio dos corredores do mercado e se estapeiam para aproveitar as promoções. E eu não aguento mais ouvir as versões midi de sucessos natalinos. Cristo… nasce logo, pelamor!

Assistir à TV aberta
Ainda não cabearam meu condô, apesar de já fazer dois meses que fizemos o pedido da TV por assinatura. Dessa forma, continuo no aguardo do milagre que vem pelo cabo, como dissemos aí na barra lateral. O lado bom: li muito mais livros, conversei mais com o namorido tomando vinho, escrevi mais. O lado ruim: Leão e o "Boa Noite Brasil", escândalos explorados no "Superpop" e no "É Show!", Gugu e Faustão como únicas opções de domingo. É preciso ter muito senso de humor…

Ouvir rádio
Com a grata exceção da Brasil 2000, que passou por uma belíssima reformulação pelas mãozinhas mágicas de Kid Vinil, da Eldorado (em parte, porque toca coisas muito boas e, de vez em quando, world musics muito chatas) e da Kiss FM (que às vezes toca Rush), a programação das rádios de São Paulo está assolada pelo mal do jabá. Quem disse que a volta do Capital Inicial é boa, que Evanescence é legal e que Linkin Park (cuja introdução da última "música de trabalho" parece Information Society) é bacana?

Clara McFly às 06:15 PM


O que nós vimos, o que vocês verão

Ser jornalista pode não ser um mar de rosas, mas tem pequenas compensações capazes de causar invejinha por aí – e nessas é que eu me agarro para seguir em frente. A maior de todas deve ser o pioneirismo. Somos os primeiros a saber de quase tudo! Para garota curiosa como eu, isso é benefício melhor que plano de saúde. Sabe onde exercitei essa minha sanha por novidades no último sábado? Na apresentação de “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei”!

Eu, Vivi e um mar sem fim de “jornalistas” (se aquelas 400 cabeças forem profissionais do setor, pode me chamar de Genoveva) participamos desse nerdíssimo evento a convite da Warner do Brasil. Já aconteceu muitas vezes de fazermos parte de pré-pré-pré-estréias de filmes bons, mas não me lembro de ter sido tão emocionante.

Olha, eu nem sou a maior fã viva da saga criada por Tolkien. Não li qualquer página dos livros e só conheci a viagem de Frodo e seu anel (no bom sentido) com o lançamento no cinema. Ainda assim, apaixonei. Ô trilogia danada de boa... A melhor de todas as lançadas até hoje, talvez. Antes que a polêmica se espalhe, eu explico a lógica.

Os filmes com Indiana Jones e Marty McFly são os grupinhos de três que eu mais adoro. Uma tem personagens incríveis e aventura em dose animal, outra tem excelente humor e história magnífica e amarrada com perfeição. Mas “O Senhor dos Anéis” junta tudo o que ambas têm de melhor e mais ainda. Magia? O cinema nunca foi tão mágico.

Esse terceiro filme foi o arremate perfeito para a história, trazendo tudo o que vimos antes em carga tripla. As batalhas são de cair o queixo, o romantismo é de causar diabetes, os personagens assumem suas vocações até o limite. Para fazer uma mocinha cética como eu chorar com a amizade de dois hobbits, é porque a coisa foi forte...

Aliás, foi ótimo finalmente ter certeza que trata-se de uma história sobre amizade. Tirando todos os orcs gosmentos, os efeitos e a firula, o que sobra é uma mensagem muito clara sobre ser fiel aos princípios e aos amigos. Chuinf... tem coisa mais bonita de se ver? Tem: o Legolas.

Mas mesmo com o meu elfo predileto dando as caras de vez em quando, quem rouba a cena definitivamente é o zoiudinho Gollum. Não quero ninguém tentando me convencer de que o ex-hobbit cooptado pelo lado escuro da força é de mentira! Com aquelas expressões faciais? Nem pensar! Quando o Oscar chegar, conto ver o Gollum de smoking subindo ao palco para agradecer sua estátua de melhor coadjuvante. Nem que seja com os pés sujos e peludos de fora.

A cena inicial é das melhores, onde ele aparece, explica muita coisa. Claro que eu não vou contar mais do que isso, bobos, senão estraga. Mas vale deixar avisado sobre esse e outros pontos de observação especial: a seqüência inicial, a invasão de Minas Tirith, a participação dos incômodos olifantes e como Legolas arregaça com um deles, os faróis sendo acesos através da Terra Média, a relação de Frodo e o gorducho Sam em meio às intrigas de Gollum. Saco! Ainda demora um bocadinho pra chegar o dia 25 de dezembro e eu rever tudo isso.

Mas, pensando bem, o melhor lado dessa minha profissão não é saber de tudo antes. Contar para os outros é muito melhor! E se vocês quiserem continuar sabendo, vai ser um prazer continuar dividindo.

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Deu até pra sonhar com essa carinha doce...
Fla Wonka às 02:04 PM


Elas não têm TPM

Em um mundo de mentirinha liderado por homens (e criado por eles também), as garotas de desenho animado conseguem permanecer em evidência graças ao charme e ao irresistível apelo feminino. Está certo que, enquanto algumas heroínas são duronas, briguentas e independentes, outras vivem em perigo e gritando por socorro. Tudo bem. Nem sempre é possível salvar o dia, não é mesmo?

Conheço muito menino que já sonhou em ter algumas das beldades abaixo nos braços. E muita menina cujo desejo é estar na pele (ou melhor, nos traços) da maioria delas - ainda que cumpram uma função estritamente decorativa. Pelo menos não descem do salto alto, sabem se maquiar como ninguém, conservam os cachos em perfeito alinhamento e, pelo visto, não têm TPM.

10) Olívia Palito
Quem conserva no corpo alguns quilos a menos do que a média da população, como eu, já carregou o apelido de Olívia Palito. Ela não era muito bem uma heroína – afinal, passava o tempo todo gritando “socorro, Popeye”. Mas se o Brutus tentasse lhe agarrar, você não faria o mesmo?

9) Penélope Charmosa
Que garota não queria carregar charme até no nome? Só ela pode. Loira e independente, Penélope fazia muito marmanjo comer poeira com seu carro pink e conversível de número 5 no desenho “Corrida Maluca”. Claro que era alvo de algumas tentativas de seqüestro, mas tirava todas de letra.

8) Cheetara
A beldade de Thandera. Ao lado da pequena Willykit, era a porção feminina daquele palácio habitado por homens sarados e felinos. Cheetara corria tão rápido quanto o vento, e ainda contava com uma vara que crescia em sua mão. Tudo sempre no melhor sentido, porque o site é censura livre.

7) Dee-Dee
A Dee-Dee é tão pentelha quanto uma irmã mais velha consegue ser. Eu sei bem – até porque tenho um irmão igualzinho ao ruivo-gênio, que é ruivo e gênio. Pena que naquele quarto bagunçado que fica dias sem ver a luz solar não se esconde um grande e moderno laboratório. Pelo menos, nunca vi.

6) Smurfette
Imagine se você fosse uma garota azul, com poucos centímetros de altura e se vestisse como uma enfermeira. Agora imagine que você é tudo isso, e ainda tem de viver dentro de um cogumelo numa aldeia composta por outros 175 homens. Azuis e pequeninos. É, a vida sem sempre é fácil para elas.

5) She-ra
A irmãzinha gêmea de He-Man era muito mais do que a versão feita para meninas. Enquanto seu irmão queria todo o poder, ela gritava “Pela honra de Greyskull”. Adora, o alter-ego da heroína, foi seqüestrada quando bebê pelo Esqueleto. Já grande, dava de 10 a 0 na cabeleira do príncipe Adam.

4) Daphne
A ruiva senhorita Blake, sempre enfiada no mesmo vestidinho roxo, tem sede de casos nebulosos. Sabia que ela entrou para a turma porque gostaria de ser escritora de contos de mistério? E eu continuo achando que Daphne tinha algo com Freddy. Ou com a Velma? Jamais saberemos.

3) Sandy Bochechas
A única personagem que consegue ser mais feminina do que o próprio Bob Esponja. Taí o desenho mais deliciosamente surreal dos últimos tempos. Sandy é uma esquila texana que vive no fundo do mar. Ela usa um capacete de astronauta para respirar, enfeitado por uma flor. Essas garotas...

2) Sheila
Outra ruivinha! Sheila é irmã de Bobby e paquera de Hank. Também é a personagem mais deprê de “Caverna do Dragão”. A arma que o Mestre dos Magos lhe deu é a minha favorita: uma capa que a faz ficar invisível. Ao invés de usar força, Sheila usa a cachola – aliás, como a maioria de nós.

1) Betty Boop
A primeira-dama dos desenhos animados continua tendo lugar reservado. É assim há mais de 70 anos, desde sua primeira aparição como uma simples coadjuvante. De lá para cá, ela ganhou suas próprias histórias e uma fama digna das maiores estrelas de Hollywood. Não tem jeito: Betty rules!

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* * * * * *


Só até sexta-feira, hein?

Sim, amiguinho: você tem apenas mais alguns dias para enviar seu top 10 com o tema infância para nossa cheirosa e saborosa Promoção de Natal. Você não vai ficar de fora, né? Até porque temos uma surpresinha!

Como estão chegando artigos excelentes, decidimos publicar o segundo e o terceiro colocados também. Então fica assim: o primeiro lugar leva a cesta de prêmios, mas todos os três aparecem no site! O Garotas do dia 24, portanto, será feito por vocês! Não é legal?

Para mais detalhes, clique já aqui!

Vivi Griswold às 09:53 AM

sexta-feira, 12 de dezembro de 2003

Indústrias Musicais Mesa-Branca S.A.

Igualzinha a Vivi, prefiro acreditar nas versões mais inventivas e delirantes das teorias conspiratórias, como Paul McCartney morreu, Elvis vive e Nessie existe, confortavelmente instalada no lago Ness. Não porque tais afirmações tenham lógica ou embasamento, mas simplesmente porque são mais divertidas do que saber que Paul segue firme e forte, o Rei nos deixou há algum tempo e as tais águas escocesas nunca viram nada além de peixes.

Por isso acredito não só nas lendas acima, mas também na existência da dinastia merovíngia, dos Illuminati e de outras sociedades conspiratórias e/ou mafiosas, que tentam dominar o mundo ou o que sobrou dele. Flá contou hoje os setores que ela jura serem controlados pela máfia, e vou acrescer a lista com duas indústrias secretas – como toda boa conspiração, tem de ter algo por debaixo dos panos…

A primeira indústria secreta é a das composições póstumas. É impressionante como astros da música que já bateram a caçuleta continuam lançando canções! Isso só pode significar duas coisas: ou os figurões estão vivos e bem, morando com Elvis nalguma ilha paradisíaca, ou há um grupo de pessoas que continuam compondo para os falecidos e distribuindo as partituras e letras para as gravadoras, que ganham pesado com o filão necrófilo.

Eu fico com um misto das duas teorias: acho que Renato Russo e Tupac Shakur, campeões dos lançamentos mesa-branca, comandam um escritório de composições situado no Suriname – afinal, quem vai se lembrar de procurar pelos dois ali?

A outra indústria secreta é a das novas modalidades de assalto. A cada semana surge uma nova coleção, feito aquelas grifes de moda. Ladrões que esguicham silicone no vidro do carro; bandidos que invadem sua casa disfarçados de polícia civil; assaltantes que roubam você quando a porta do veículo é aberta para puxar o cinto de segurança para dentro… São tantos e-boatos que merecem um texto à parte.

Só pode ser produto de uma mente perversa – ou de várias, interessadas em amedrontar as pessoas gratuitamente. E, medo por medo, eu prefiro me assustar com Nessie, com a arrepiante história Paul is Dead ou com a possibilidade de topar com Elvis andando nas ruas de Piraporinha. Com o naipe que o moço ostentava nos últimos (?) dias de vida, isso seria verdadeiramente assustador…

EP1976.jpg
Ele podia ser o Rei, mas a lataria estava bem
danificada perto do fim, hein?
* * * * * *

Nós dizemos Ni – e obrigada também!

Ontem terminou a Primeira Fase de votação do iBest. O resultado só sai no dia 15 de janeiro – aposto que só para fazer suspense, porque se até resultado de eleição para presida sai no mesmo dia, que dirá uma competição de sites…

Até lá, estaremos de dedos cruzados e corações cheios de gratidão pelo apoio dos nossos leitores que disseram ni, votaram na gente e agüentaram o pop-up com a cara de brava da Rosie. Obrigada, queridos e queridas! Nós vivemos para isso (não para a cara da Rosie, mas para falar com vocês).


Clara McFly às 06:28 PM


Porcos, ordinários, mafiosos!

Se tem uma coisa na qual eu acredito piamente é na Teoria da Conspiração. Vão por mim, amiguinhos: todos os fatos que ganham vulto na imprensa ou no boca-a-boca estão correlacionados. Não há acaso, não existe coincidência. É tudo um plano maligno de dominação mundial forjado no fogo do inferno pelos mercenários homens da máfia.

Basta o fofo porteiro do prédio entregar o maço de cartas pra eu saber que ali não terá nenhum cartão me presenteando com um jantar ou felicitando por ser boa menina. É só conta, conta e mais conta. Todas vindas de empresas safadas e incompetentes, vale dizer. Aposto meu CD da Zizi Possi cantando em italiano: os presidentes desses estabelecimentos se juntam toda quarta à noite nalgum bar escuro e fumacento para decidir como vão nos sacanear no mês que vem.

Estamos nas mãos de gente perversa, pessoal! Dou as explicações abaixo. São os dez tipos de exploração que me deixam mais deprimida que tigre de zoológico e mais revoltada que adolescente cuja mãe não compra miojo.

Telefonia
Se o seo Graham Bell soubesse o que fariam hoje com sua maior invenção, certamente preferiria ter passado mais tempo pescando. A última que me aprontou a empresa representada pelo herói sub-desenvolvido foi cobrar R$ 180 de DDDs que eu não fiz. E para reclamar? Ouvi 38 minutos de música ruim e todos os “vamos estar tendo que estar anotando” da atendente. Sofrimentooo!

Internet
Como viver os dias atuais sem estar conectado? Não dá. Mas a conexão discada é de causar paralisia mental. Trava, cai, demora... Parece que o sistema funciona com a força motriz de hamsters correndo na gaiola – mas é cobrado como se fosse gerado pela Nasa. Aliás, deve ser de propósito: eles fornecem um serviço bem ruim pra nos obrigar a assinar banda larga. Porcos.

Celular
Quando ainda era um aparelho gigantesco provido por meia dúzia de antenas, dava para entender o serviço capenga. Mas e agora, passados 15 anos de popularização? Eu falo com gente que está ali ao lado, mas é como se estivesse nevando no telefone ou conversando com o Robocop. Há dias em que atar dois copos de plástico por um grande barbante é melhor escolha.

IPVA
A verdade é que essa taxa milionária chamada Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores deveria custear educação, atendimento de saúde e segurança geral no trânsito. Hahahahahahaha!!!! O meu deve servir para que o filho de algum figurão passe 12 dias por ano visitando Disney, Universal e BushGardens na Flórida. Mas não era para rir, né?

Banco
Vamos abrir um pequeno buraco em nossos colchões e depositar ali o dinheirinho que ganhamos suadamente? É mais seguro do que deixar esse trabalho para empresas que cobram tarifa até para informar as horas. Eu não sou a favor de absolutamente nenhuma forma de contravenção legal. Mas não consigo ficar triste quando sei que algum banco foi roubado na calada da noite...

Tv a cabo
Quando a imagem some da tela e entra o chuvisco tipo Poltergeist em cena, minha pressão até baixa. Ficar sem tv a cabo, hoje, é pior do que ter a geladeira e a máquina de lavar roupa queimadas no mesmo dia. Duro de verdade, porém, é lidar que a gentalha que fornece esse serviço. Cobram os tubos e levam seis dias para consertar qualquer galho.

Condomínio
É a máfia em versão microcosmos. Já tentei ir nas reuniões para me envolver com as importantes questões prediais – como o garoto do 21 que sujou a parede do hall com o tênis. Mas não dá... Essas reuniões nunca fazem baixar o valor do condô ou resolvem as pendengas direito. É só para os manipuladores nos darem a idéia de que tudo vai bem porque o jardim foi reformado.

Estacionamento
Ninguém jamais poderia imaginar que um dia teríamos tanto problema para... parar um automóvel. E eu não estou falando só de flanelinhas, não! Serviço de valet também é de matar – o carro fica na rua, mas é levado por um homem de gravata borboleta... Isso deve nos fazer sentir melhor? Nos shoppings, estacionar por meia hora leva 4 mangos da carteira. Cadê a minha Caloi?

Cartão de crédito
Eu já tenho uma dessas coisinhas de plástico que são como dinheiro! Eu não preciso de mais 128 delas! Então por que continuo recebendo vários deles pelo correio sem pedir? Resposta: porque, assim, vai ser preciso ligar na operadora para cancelar a joça. Daí eles te torturam por 40 minutos para vencer pelo cansaço. É tática de máfia ou não? Só falta martelar nossos dedões do pé.

Hiper-ultra-mega-motherfucker-mercado
Não existem mais mercados diversos. Vocês sabem disso, né? Podem ter nomes diferentes, mas é tudo farinha de apenas dois grandes sacos corporativos. Então temos que escolher entre o mercadão A, caro e ruim, e o mercadão B, ruim e caro. Por isso sempre prefiro ir ali no Millenium, a quitanda da esquina que, de moderno, só tem o nome. Pelo menos não tem fila. Deve ser administrado por algum mafioso também – mas, provavelmente, é mafiosinho modesto.

Fla Wonka às 01:00 PM


Em busca do presente perfeito

Sendo uma pessoa que gosta infinitamente mais de dar presentes do que de ganhá-los, tenho passado algumas horas de preocupação. Não apenas porque a época é de vacas anoréxicas, tampouco porque faltam 12 dias para você-sabe-o-quê. Como sempre, fico querendo achar a prenda mais legal de todas - aquela que, ao recebê-la, a pessoa pensa “puxa, como essa garota é batuta!”. E preciso me esforçar para merecer a fama.

Dou início à minha busca pelo presente perfeito partindo do pressuposto de que presente tem que ser original. Camisa, pacote de cueca e CDs estão de fora, portanto. Gosto de pensar também no que eu adoraria ganhar – normalmente dá certo. Agora que juntei as escovas de dentes, fico feliz de ver o tanto de coisas legais que já entreguei e que no momento enfeitam nosso apê.

Sabe a cena de “Splash – Uma Sereia em Minha Vida”, quando o Tom Hanks dá um embrulho para a Daryl Hannah e ela acha que a caixa com um laço amarrado já é o presente em si? Essa sou eu. Não chego a me emocionar com pacotes, mas já gostei muito mais de alguns cartões e bilhetinhos meigos do que do conteúdo propriamente dito. Comigo, nem precisa usar a frase de avó “não repara que é mixo”. Nunca reparo.

Voltando à saga. Brinquedo é sempre algo bom para se dar. E para ganhar. Está certo que o complexo de Peter Pan (no meu caso, pode ser complexo de Sininho?) chegou por aqui e montou acampamento fixo. Mas tem coisa melhor do que receber ou entregar uma grande caixa colorida, recheada por muitas pecinhas ainda mais coloridas e divertidas? Não. Definitivamente.

Uma vez com algumas idéias na cabeça, é hora de ir à luta – ou às compras. O que, aos poucos, vai se revelando uma tarefa cada vez mais árdua. Sair de casa no mês de dezembro pode causar mais danos do que bater com a cabeça na parede repetidas vezes. Primeiro, esse calor senegalês que não dá trégua e faz você suar por todos os poros nos primeiros quinze minutos de empreitada.

Depois, esse povo todo na rua. Todas as lojas estão entupidas, todas as ruas estão congestionadas. Eu me sinto no carnaval de Salvador quando finalmente consigo entrar em algum estabelecimento comercial – caindo no meio do mais puro esfrega-esfrega, puxa-puxa e empurra-empurra. Só que a trilha sonora, ao invés de axé, é a Simone cantando “então é Natal...”. Ou algum midi remixado de “Noite Feliz”.

Loja de brinquedos, meu alvo favorito ano após ano, também não é uma maravilha. Lotadíssima de mães, pais, avós e tios buscando lembrancinhas. E criança saindo até pela caixa registradora. Freqüentar lugares do tipo nesta época é pedir para testemunhar cenas da mais pura barbárie infantil: o que tem de menina se jogando no chão e se descabelando por uma boneca, ou menino empurrando o amiguinho de cima da bicicleta que ele quer ganhar... Pastelão puro e grátis. Mas cansa logo.

A Internet é um bom lugar para procurar prendas originais, principalmente naqueles sites de pseudo-leilões. Mas não dá para correr o risco de encomendar alguma coisa pelo correio nesta altura do campeonato. É capaz que chegue em tempo do Natal... de 2004. Outras pedidas são feiras de bugigangas antigas, como a do Bixiga, aqui em São Paulo. Adoro aquela bagunça composta por pessoas, objetos e traças.

Pois bem. Eu ainda não encontrei o que estava procurando. Ou começo a fazer como uma tia minha, cujas compras natalinas ocorrem em maio, ou relaxo e aproveito a época. Sei que vou acabar achando o tal presente perfeito, como sempre. Como sempre, meus olhinhos vão brilhar na hora de entregá-lo. E na hora de ler meu cartãozinho também.

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Não precisava se incomodar...


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Presente perfeito é aqui
Vai dizer que você pretende se enfiar em um shopping lotado neste fim-de-semana? Não caia na besteira, leitor: fique em casa e participe da suculenta e cheirosa Promoção de Natal do Garotas! A gente juntou sete mimos supimpas para premiar o melhor top 10 com o tema infância. Só valem os textos que chegarem em nossa caixa-postal rosada até dia 19/12. O resultado será revelado pouco antes do Papai Noel bater em sua porta. Para maiores detalhes, clique aqui!


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Garotas que Dizem Obrigada!
Ah, a gente quer agradecer a todos os leitores que votaram neste site para o prêmio iBest. Obrigada pelo carinho, pela força e por agüentarem o pop-up nos últimos meses. O resultado do top 10 deve sair em janeiro e, se tudo der certo, vamos precisar de vocês novamente para a próxima fase. Sim, o tal prêmio tem mais fase que novela do Benedito Ruy Barbosa, nunca vi...

Vivi Griswold às 09:42 AM

quinta-feira, 11 de dezembro de 2003

Duros na queda

Por que cair é tão engraçado? Desde que não seja com a gente, ver um esborracho dos outros sempre gera risadas. Alguns, mais escrupulosos, ainda se dão ao trabalho de perguntar ao pobre: "machucou?" Outros nem se preocupam e soltam logo a gargalhada.

Não tenho a menor idéia de onde vem esse hábito humano de achar graça em quedas, tombos e escorregões. Mas que funciona, funciona. Senão, ícones como o Gordo e o Magro, Buster Keaton e mesmo Chaplin não teriam prosperado e virado clássicos.

Mesmo fora do contexto da slapstick comedy, ver as pessoas beijando o chão é cômico. Por isso reuni alguns dos tombos mais engraçados do cinema contemporâneo, sem contar os clássicos do pastelão. Segure-se e olhe o degrau.

Levanta, não foi nada!

De Volta para o Futuro
Depois de ser acordado por sua própria mãe e se descobrir em 1955, Marty McFly tenta pôr as calças tropegamente e, é claro, acaba indo de boca pro chão. Também, quem não se atrapalharia depois de ser cantado pela própria mãe?

Um Dia a Casa Cai
Certo, essa é meio pastelão. Tom Hanks, antes de virar hors concours da Academia, estrelou a peça hilariante em que tentava reformar uma casa e acabava destruindo um casamento. A cena em que ele cai e fica preso num buraco, que estava escondido sob um tapete, é de chorar de rir.

Miss Simpatia
Sandra Bullock, na pele de Gracie Hart, é a agente mais porca e durona do FBI. Quando o bureau vai investigar um concurso de miss, ela é que paga o pato (e o mico) de bancar a mocinha. Lógico que a Kate Mahoney da telona não passa ilesa do primeiro ensaio com salto alto...

O Casamento do Meu Melhor Amigo
Julianne acaba de saber que seu melhor camaradinha está de bodas marcadas e não acerta os limites da cama na hora de sentar. O resultado são as perninhas para cima. Também não condeno. O que esperar de alguém que deixa escapar aquele partidão?

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É melhor segurar bem essa desmiolada, senão ela cai do barco
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Cooooorram, vai explodir!

Ok, não vai explodir nada. Mas é preciso correr para votar no Garotas para o Top 10 do iBest, que termina H-O-J-E! Você pode até escolher: quer que a gente esteja entre os 10 melhores sites na categoria Pessoal Entretenimento ou iBest Blog? Clica aí e vota, rápido, antes que dê meia-noite, o site vire abóbora e nós três voltemos à nossa forma original de ratinhos! O quê? Quer votar nos dois? Comeu muito Dip'n'Lik quando era pequeno? Tudo bem, tenta a sorte!

Clara McFly às 06:48 PM


Não vai falar direito mesmo?

Minha avozinha paterna não nasceu na Itália, mas mesmo assim guarda muito do modo de falar dos carcamanos. É só prestar atenção pra ouvi-la dizer palavras como “polenta” puxando muito pro italianês herdado dos pais dela. Mas, no geral, vovó fala certinho, como toda senhora que passou a juventude morando na fronteira com Minas Gerais. Esquisito é notar que nem todo mundo cai na real como ela e tenta amenizar o sotaque.

Quero explicações concretas sobre esse fato: por que algumas personalidades que moram a seis milênios no Brasil continuam a falar como estrangeiros recém-desembarcados no Porto de Santos? Querem arrumar papel no núcleo étnico da próxima novela das oito ou o quê?

O simpático rabino Henry Sobel, por exemplo. Bastou resvalar no assunto “judeus X palestinos” que lá vai a massa de repórteres entrevistar o tiozinho da kipá. Pelo visto, ele sempre atende com a maior boa vontade – e ponderadamente, acho eu.

Mas vai ver é só pela oportunidade de mostrar seu engraçado sotaque na tv e dizer coisas como “eu estar muita triste pelos prrrroblemas em Israel”. Poxa, desde que eu sou bebê vejo esse senhor torcer palavras. Ainda não teve aulinhas de português? E sabe o que mais: ele nasceu em Lisboa!

Outro que não larga o osso do acento natal é o fotógrafo JR Duran. Mas esse eu acredito mesmo que faça de puro charme. Parece que o moço nasceu em Barcelona nos idos de 1952. Só que já estava em terras brasileiras em 1970, ou 18 anos depois. Não deu mesmo para perder o “castanholas way of talk” até hoje? É charminho, vai por mim. E o pior é que deve colar...

Também sofrem do efeito língua-travada-no-nascimento o jornalista Cláudio Carsughi – aquele que distribui notas “sete vírgula trinta e três” para os jogadores de futebol – e a esteticista Ala Szerman. Essa, então, quase me mata de rir... No TV Mulher ela usava os “famo lá, xente!” para conduzir a ginástica matinal. Mas isso faz o quê, uns 20 anos? E até hoje mantém o sotaque argentino? Ou é uruguaio? Aliás, onde diabos nasceu a mulher? Vai ver foi na Moóca – e tudo se trata de uma farsa falada!

Vai ser essa galerinha compra fitas cassete com moradores de sua terra natal conversando só pra não perder o contato com as raízes. Daí enchem uma xícara de chá, sentam na sala, colocam uma batatinha quente na boca e ficam repetindo as palavras com conjugação errada para treinar o sotaque diferenciado.

O apresentador Milton Neves também deve fazer o mesmo – mas, no caso dele, a fita é apenas de “mineirês”. Acho que vou comprar essa pra vovó praticar.

Fla Wonka às 01:00 PM


Pão frito com creme no meio

Taí um tipo de sonho que eu adoro. Existe algo mais gostoso do que creminho amarelo de padaria? E no meio de dois pãezinhos devidamente encharcados de óleo? Mas não é dessa espécie de sonho que quero falar. Nem daquele sonho/desejo, tipo “Porta da Esperança”. É o sonho sonhado, à noite – filminho surreal que chega na sua cabeça sei lá de onde e muitas vezes você não entende. Ou nem lembra.

No meu último sonho, estava dentro de um carro estacionado numa ladeira no centro de São Paulo, e o freio de mão falhou. Comecei a descer, sem tomar qualquer atitude prática (coisa que eu faria se estivesse no mundo real). Instantes depois, eu estava numa mansão na Inglaterra. Aparentemente, a mansão era minha (gostei) e eu estava prestes a participar de “Minha Casa, Sua Casa”.

Agora o que uma ladeira na cidade e uma residência de campo inglesa têm em comum? Como as duas foram parar na minha cachola ao mesmo tempo? Mistério. Outro mistério é que, sempre que sonho com a minha casa, o que vejo é a casa onde morei há muito tempo. Nunca sonhei com o apartamento da minha mãe (minha casa por 10 anos e até uns quatro meses atrás) ou o meu próprio apartamento. Vai entender.

Sonhos que eu não suporto são aqueles sem-graça, como ficar na fila de um banco, ou ir no supermercado, ou levar o carro para lavar. Uma grande perda de tempo. Pô, ao invés de sonharmos com galãs/estrelas hollywoodianos, festas glamourosas, passeios em cachoeira com unicórnios, viagens intergaláticas e outras coisitas agradáveis e impossíveis, passamos horas preciosas de sono vivendo o que viveríamos acordados.

E aqueles sonhos que são comuns a todas as pessoas? Como sonhar que está voando. Eu já sonhei várias vezes que isso acontecia. Ou que estava caindo, despencada de um prédio ou de um penhasco. O estranho é que a gente sente até o friozinho na barriga por causa da queda virtual.

Outro clássico noturno é ir pelado na escola. A vergonha é tão grande que passa a ser palpável. Você está lá, antes do sinal bater, no meio do pátio da entrada. Enquanto os coleguinhas vestem uniformes, você esqueceu de colocar roupa! E não há um ser vivo, desde alunos até o tiozinho da cantina, que não esteja apontando e rindo. Ah, que horror. Isso é pesadelo.

Também costumo sonhar que estou tendo prova. Mas não é como se eu estivesse em idade escolar. Sou eu, como sou hoje, tendo prova. E, claro, não sabendo nada de trigonometria ou genética. Como sempre fui cdf, isso me assusta um pouco e eu acordo de mau humor. Depois passa.

O mais estranho de todos os sonhos são aqueles com pessoas desconhecidas, que você nunca viu - mas que estão lá no mundo da fantasia, falando com você como se fossem amigos de uma vida. Alguns leitores já sonharam com a gente. Isso que dá, ficar aí dando trela para estas garotas.

Por falar em garotas, Flá me contou ontem que está tendo um sonho recorrente: nós três ganhamos um dinheiro do nada e, ao invés de pagarmos todas nossas contas atrasadas, vamos juntas para Nova York. Já pensou? Isso sim é sonho – melhor até que o da padoca da esquina.


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Faça dar certo!
Ir para Nova York como celebridades? Pode acontecer. E você pode ajudar. É só votar no Garotas para o iBest, nas duas categorias em que estamos concorrendo: Pessoal Entretenimento e Blog. Dizem por aí que a votação termina amanhã. Então corra! Quem sabe não há mais lugar no nosso vôo? Já que sonhar não custa nada mesmo...

Vivi Griswold às 09:27 AM

quarta-feira, 10 de dezembro de 2003

Grande demais para isso?

A máquina de fazer doudos teve uma grande influência na minha infância. Tá, nem tão grande. Mas foi através dela que conheci alguns desenhos e programas que nunca mais me saíram da memória, como "Os Herculóides", "Dartagnan e os Três Mosqueteiros" e "Caverna do Dragão".

Esses foram meus três desenhos favoritos por muito tempo. Quando tive a oportunidade de rever um deles, "Os Herculóides", no abençoado canal Boomerang, tive um choque: a história é um horror! A animação é muito ruim! O Zandor usa tiara! E o argumento todo não faz sentido: eles estão na pré-história ou no futuro? Coisa estranha...

Mesmo assim, guardo a família de humanos e seus companheiros esquisitos (meu favorito era o triceratops que lançava umas pedrinhas pelo chifre) com carinho, na caixinha das memórias de infância. Um dia eu achei que aquilo prestava, talvez por culpa do excesso de ingestão de Dip’n’Lik, e o que vale é lembrar desses dias – não do desenho em si.

Já com outros programas não tem desculpa. Esses eu conheci depois de grande, com o senso crítico mais formadinho (certo, nem tanto) e sem o Dip’n’Lik por perto. Gostei, assisti (ou assisto sempre que posso) e, mais tarde, não vou poder escrever um texto como esse dizendo que, puxa, aquilo era uma droga (o desenho, não o pirulito feito com a raspa dos reatores de Chernobyl).

Esses são meus programas infantis favoritos, depois de grandinha. E que atire a primeira pedrinha (pelo chifre) quem não tem os seus!

5. Castelo Rá-Tim-Bum
Não era tão legal quanto seu predecessor, mas também tinha quadros e personagens inesquecíveis. O Mau, que vive pelos esgotos do castelo apavorando a todos com sua gargalhada fatal, fazia dupla com um esquisito boneco chamado Godofredo. O Ratinho tomando banho era tão adorável que até hoje eu canto a música no chuveiro: "Tchau, preguiça, tchau, sujeira! Adeus, cheirinho de suooooor..." Quem tem TV Cultura ainda pode assistir.

4. Glub Glub
A abertura já era uma atração à parte, com um peixe desmiolado que puxava uma TV para o fundo do mar. A musiquinha hipnótica, que repetia nada além do nome do programa, era cantada religiosamente por mim e meu irmão, duas cabecinhas paradas na frente da tela. O problema é que ele devia ter uns nove anos e eu, uns quinze. A gente também vibrava com o desenho dos personagens Pare Com Isso e Vá Brincar Lá Fora, que combatiam o grande e malvado Eu Disse Não. Demais.

3. Rá-Tim-Bum
O melhor dos programas com o selo da expressão do "Parabéns a Você", Rá-Tim-Bum era dirigido por Fernando Meirelles, o mocinho que agora se consagrou com "Cidade de Deus". Ainda é exibido pela TV Cultura – e eu vejo sempre que posso. Meus quadros favoritos são o do detetive Máscara, que é burro que nem uma porta, e de Nina, a garotinha que tem uma boneca careca e fica falando com a câmera no quarto. A Esfinge, transformada numa espécie de animador de auditório, também conta.

2. Rugrats – Os Anjinhos
Aa aventuras de Tommy, o corajoso bebê da cabeça amassada, e seus amigos Phil, Lil e Chuckie – um medroso de espalhafatosos cabelos ruivos – ainda me deixa quietinha na frente da TV. O desenho tem uma das melhores vilãs das safras recentes: Angelica, prima mais velha de Tommy que só quer saber de maltratar os pequeninos. O episódio em que eles escapam no cinema para procurar o Reptar, lagartão gigante do qual a turma é fã, é ótimo.

1. O Mundo de Beakman
Um cientista malucão, um rato nojento chamado Lester e uma assistente neurastênica conhecida por Rosie. Não precisava de mais nada para animar o meu fim de tarde, ligada na TV Cultura. O trio comandava experiências científicas, contava curiosidades e encenava musicais sobre temas como a inércia e a gravidade. O episódio sobre o muco, em que Beakman adentrou um tubo cheio de meleca, foi um clássico...

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A musiquinha da abertura dava uma vontade
irresistível de dançar...
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Siga aquela bolinha!

Tá certo que ganhar o iBest não deve ser tãããão divertido quanto entrar num tubo cheio de meleca, mas é quase. Se você é fã, familiar ou amigo dessas Garotas, tem só até quinta-feira (11), também conhecida como amanhã, para votar nessa profusão de cor-de-rosas e bobagens em duas categorias: Pessoal Entretenimento ou iBest Blog. O quê? A gente não merece? Olha que te trancamos num tudo cheio de meleca! Ah, não… Isso ia ser legal!

Clara McFly às 06:17 PM


Seis vezes comédia

Não é segredo, não: este nosso aconchegante e rosado site deve seu nome aos Cavaleiros que Dizem Ni. Hoje, quem passa por aqui regularmente já sabe que eles são os astros de um dos esquetes do filme “Monty Python em Busca do Cálice Sagrado”. Monty Python, aquele grupo de sujeitos tão inteligentes quanto engraçados... Já passou da hora de conhecê-los melhor, não?

Seis tiozinhos, seis cabeças pensantes nascidas nos anos 40, seis mentes divertidas do mal – mas a serviço do bem. Poderia dizer que é o melhor do humor inglês, mas há um americano infiltrado. Como conjunto, eles se conheceram ainda nos tempos de faculdade e decidiram formar o grupo por causa de afinidades naturais sobre como fazer graça em público. Foi quase o mesmo que aconteceu com esse trio de moças aqui. Mas como a própria matemática sugere, ainda somos metade deles em termos de animar multidões. Ou muito menos, que somos mezzo-modestas.

Melhor falar de cada qual em separado, assim fica mais fácil entender quem são esses senhores. Em tempo: eu amo muito meu pai, mas se tivesse que trocá-lo por alguém, seria por um desses tios. Com certeza absoluta.

Terry Jones
Quem é? – Dono de um sarcasmo inacreditável. Tenho certeza que, se encontrássemos esse senhor na rua hoje, daria pra pensar que era um simples vovozinho. Que nada. Quando a Guerra do Iraque começou (essa última...), ele escreveu um texto para o jornal London Observer. Posso mostrar um trecho pra elucidar? Lá vai: “É por isso que quero explodir a garagem do Sr. Johnson e matar a mulher e os filhos dele. Atacar primeiro! Isso vai ensiná-lo uma lição. Depois ele vai nos deixar em paz e parar de me olhar de forma esquisita totalmente inaceitável”. Ele estava dizendo que se o Bush Jr. podia ser neurótico, ele também podia. Gênio.
Onde achá-lo na tela? – Ele é a Virgem Mandy em “A Vida de Brian” e o fresco Príncipe Herbert no “Cálice Sagrado”. Sim, faz papel afetado como ninguém!
Ele toma remédios fortes? – Muito, muito provavelmente.

Terry Gillian
Quem é? – Tão atuante por trás das câmeras quanto na frente delas, o americano Gillian é um diretor e tanto e desenhista melhor ainda. São dele as animações psicodélicas que aparecem nos filmes do grupo. Lembra do monstro multiolhos do “Cálice Sagrado” que perseguia os homens do Rei Arthur? Ele quem fez! Além disso, esse senhor ainda começou um projeto incrível, uma versão de “Dom Quixote” com Johnny Depp. Depois de um desastre natural e vários não-naturais, o filme naufragou. Mas rendeu o documentário hilário-dramático “Perdido em La Mancha”. Assiste!
Onde achá-lo na tela? – No “Cálice Sagrado” ele foi diretor e também o Patsy, escudeiro falastrão de Arthur. O que bate cocos enquanto o chefe finge andar a cavalo, sabe?
Ele toma remédios fortes? – Para fazer aqueles desenhos, com certeza.

John Cleese
Quem é? – Pode ser que hoje só lembrem desse senhor por ser o inventor Q, parceiro do novo James Bond, ou o pai da Pantera japonesinha. Mas John é muito maior que isso. Além de quase nos matar de rir atuando, ele também escreve maravilhosamente. Foi outro que se rebelou (divertidamente) contra os desmandos de Bush Baby! Quando o maldito texano inventou que o Iraque fazia parte do “Eixo do Mal”, Cleese lembrou que podem existir outras coligações assim: “Canadá, México e Austrália formam o ‘Eixo das Nações Que São Bacanas Mas Têm Pensamento Ruins Sobre a América’. Enquanto Escócia, Nova Zelândia e Espanha estabelecem o ‘Eixo dos Países Que Querem Aprender a Usar Batom’”. Quando eu crescer, quero ser como John.
Onde achá-lo na tela? – Fácil. Ele é Sir Lancelot no “Cálice Sagrado”. E um consumidor indignado no esquete do papagaio morto.
Ele toma remédios fortes? – Não, parece que já nasceu assim mesmo.

Graham Chapman
Quem é? – Único Python que já passou desta pra uma melhor (em 1989), o senhor Chapman segue vivinho e animado em nossos corações. Na última reunião do grupo na televisão, estiveram presentes os cinco membros restantes do Monty Python e uma urna contendo as cinzas desse moço – o que prova que eles não perdem uma única boa piada. Médico formado, ele teria hoje 62 anos... E com certeza seria fonte inesgotável de cenas engraçadas no cinema ou na tv. O mundo não precisava mesmo de mais um médico. Precisava é do Graham.
Onde achá-lo na tela? – É Sir Arthur no “Cálice Sagrado”! E também o Brian, o Jesus-às-avessas, em “A Vida de Brian”.
Ele toma remédios fortes? – Hoje, não mais. Chuinf...

Michael Palin
Quem é? – Além de ser o mais bonzinho (e cínico) de todos, Michael Palin é o Python que consegue incorporar mais papéis diferentes. Faz tanto mulheres de voz afetada quanto tipos estranhos. Ah, por deus... Ele é o homem que, por trás da fantasia, lidera os Cavaleiros que Dizem Ni!!! Hoje, Palin tem um programa maravilhoso sobre viagem em terras exóticas, que passa às vezes na tv a cabo. O site “Palin’s Travels” está lá na nossa página de links, se quiser conferir.
Onde achá-lo na tela? – No “Cálice Sagrado” ele é Sir Galahad e o Rei do Castelo do Pântano (o imbecil que afundou três fortificações na lama até fazer uma ficar de pé). Ah! E em “A Vida de Brian” ele é um sensacional leproso curado – que quer voltar à velha forma pra receber esmolas.
Ele toma remédios fortes? – Ao que parece, balinhas de menta já fazem Palin ficar anormal.

Eric Idle
Quem é? – Precisa de alguém para fazer cantoria nas gravações? Eric Idle é o homem. É ele quem entoa a fantástica musiquinha final de “A Vida de Brian”, “Always Look on The Bright Side of Life”. Pregado na cruz, ele diz que “a vida é mesmo uma m* quando olhamos pra ela”, mas que é melhor ver o lado bom disso. Mais chegado em produções americanas – ele participou inclusive de “Férias Frustradas na Europa”! –, hoje Eric é o chefe da Brooke Shields naquele seriado “Suddenly Susan”. Precisa dizer que ele rouba a cena toda vez? Não, né? E não é só pelo magnífico sotaque britânico
Onde achá-lo na tela? – Na pele do “não-tão-bravo” Sir Robin no “Cálice Sagrado” ou como Loretta (sim, Loretta) em “A Vida de Brian”.
Ele toma remédios fortes? – Se toma, eu quero saber qual é e tomar também.

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Cleese, Gillian, Jones, Chapman, Palin e Idle...
Olhando a foto, precisa explicar algo?
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Três vezes Garotas

Hora dos avisos, criançada:

1) Quem ainda não votou por nós no IBest nas categorias Entretenimento Pessoal e Blog é mulher do padre.

2) Quem não enviou ainda um Top Ten para concorrer aos fabulosos prêmios da nossa promoção de Natal vai receber a visita do Alexandre Pires cantando “Garota de Ipanema”.

3) Quem adora Fanta Uva e quer acabar com o preconceito contra esse refri delicioso põe o de-doa-qui! Ou não...

Fla Wonka às 01:01 PM


Conhece a Bela Limão?

Na casa da minha avó, havia um quadro que me fascinava: era o rosto de uma mulher, com lábios carnudos e vermelhos, uma pinta insinuante pouco acima e cabelos negros. Quando já não agüentava mais de curiosidade, perguntei ao dono do quadro, meu tio, quem era aquela. Ele me respondeu que era uma atriz famosa, a Marilyn Monroe. Aos sete anos, não entendi o nome estrangeiro e enrolado. Achei que a mulher se chamava Bela Limão.

Muito tempo mais tarde é que fui capaz de repetir “merilim monrou”. Foi nessa época também que fiquei me perguntado porque diabos o quadro do meu tio, que já tinha ido embora (o quadro e meu tio: um para o lixo, o outro para a Inglaterra), retratava a voluptuosa loira como uma morena. Vai ver, foi licença poética de algum artista da Praça da República.

Marilyn é um dos pouquíssimos casos em que o mito é muito, mas muito maior do que a pessoa. Todo mundo associa o nome à imagem, mas nem todo mundo já a viu em ação, atuando ou cantando em filmes da época áurea de Hollywood. Aposto até mesmo que tem gente por aí que acha que ela nem existiu – algo como um Sherlock Holmes de vestido esvoaçante e biquinho sedutor.

Eu mesma me colocava no balaio de pessoas que sabiam quem ela era, apesar de serem completamente analfabetas sobre sua filmografia. Ia até mais longe, só de birra, achando que davam crédito demais à atriz – afinal, a Audrey Hepburn sempre foi 500 vezes mais linda e elegante do que a senhorita Monroe. Não entendia o motivo de tanto frisson em cima da figura.

Até que, há uns dois anos atrás, “Quanto Mais Quente Melhor” re-estreou em cinemas paulistanos. Ver um filmão hollywoodiano, preto-e-branco, na telona... ah, que mais poderia querer? Fosse qual fosse o título, estaria lá de qualquer maneira. E decidi também dar um crédito para a figura que tanto me intrigou na infância.

Foi só aquela mulher aparecer para tudo fazer sentido. Depois de tanto tempo, a ficha caiu nessa minha cabecinha habitada por parafusos, teias de aranha, uma jujuba vermelha, um mico leão dourado e uma moeda de cinco cruzeiros. Lá estava ela, roubando toda e qualquer cena, mesmo quando não tinha uma fala sequer e sua função era explicitamente enfeitar o cenário.

Com um corpo de Miss Universo dos anos 40 (lê-se: rechonchudo), olhar de aparvalhada, voz de menininha criada em orfanato e sex-appeal capaz de levantar defunto, o fenômeno Marilyn finalmente ganhou vida diante dos espectadores de queixo caído. E, estranhamente, a tela do cinema me pareceu pequena demais para tudo aquilo.

Hoje a atriz empresta um milésimo de todo seu imenso charme em bytes a este site limpinho. Sim, olha a figura ali em cima, no logotipo do Garotas, junto com as colegas Lauren Bacall e Betty Grable, do filme “Como Agarrar um Milionário” (outro imperdível). Vou confessar que há briguinhas entre nós três para saber quem é quem. Todas querem ser representadas pelo furacão platinado. Marilyn Monroe é patrimônio da Humanidade. Já a Bela Limão, é só minha.

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Vivi Griswold às 10:07 AM

terça-feira, 9 de dezembro de 2003

Micos não tão em extinção

Um dia, estava no shopping com meu pai, em meio à praça de alimentação com gente saindo pela culatra. Procurávamos uma mesa e ele estava bem na minha frente. Olhei para trás e, milagrosamente, vi um lugar sendo desocupado. Com medo de perder a localização da vaga, cutuquei o homem que estava à minha frente. O único problema é que este cara não era mais meu pai – era um estranho que tinha entrado entre ele e eu e fez uma cara de poucos amigos ao ver uma pirralha cutucando-o ao alto e bom som de: "pai, vagou uma mesa ali!"

Nem precisa descrever a minha cara de Ben Affleck depois de pagar essa espécie símia. Mas o bom é que, depois de confessar o mico a alguns camaradinhas, nota-se que todo mundo tem uma história vexatória para contar. E se mal de muitos é consolo, como diz a Mirtes, logo se vê que seu fora não foi tão feio assim. Não se você tem amigos como os meus, que já...

... confundiram a mãe
Roberta, hoje Estrela D’Alva, passava as férias de verão em Boracéia com a família. A mãe dela já tinha ido para a praia e a moçoila seguiu mais tarde. Ao botar o pé na areia, Beta viu sua mãe caminhando. Correu atrás dela e pulou em suas costas. A mulher virou assustada para ver quem diabos era aquela gazela se atracando com ela e... Roberta notou que não era sua mãe. Droga.

... beijaram estranhos
Eis que Dener, o moço do arco-íris-truição, pára em frente ao prédio da Roberta (sim, a moça que pulou nas costas da pseudo-mãe) para pegar umas amigas que estavam lá, antes de seguirmos para a diversão noturna da vez. Desce minha irmã para interfonar. Enquanto ela espera nossas amigas na porta do edifício, chegam alguns dos moradores do lugar, ao mesmo tempo em que a senhorita Saemi Diablo (nome fictício, para proteção de sua identidade), uma das amigas, vem do elevador em direção à minha irmã.

O porteiro abre a porta e os moços, cavalheirescos, deixam dona Saemi D. sair antes de entrarem. E aí mora o perigo: querendo ser sociável, a garota cumprimenta minha irmã e continua a fila dos dois beijinhos com os moçoilos estarrecidos: "oi, tudo bom? Prazer". Ela achou que eles estavam junto com a gente. E pensar que hoje essa desmiolada é minha comadre em duas vias: eu sou madrinha do filho dela e ela é minha madrinha de casamento... Que orgulho conhecer alguém assim!

... entraram no carro errado
Um caso: uma amiga de colégio passou na banca de jornais com o pai, na volta da escola, para comprar uma revista. Ela desceu e o honorável pai permaneceu no carro. De posse da publicação, a mocinha volta para o banco do passageiro do possante. Entra, senta, bate a porta e espera a partida do pai. Segundos de estática, ela então se vira para o motorista com o "vamos, pai!" engatilhado... e o homem ao volante não é seu pai, que está num carro idêntico, parado atrás e observando a cena emudecido.

Outro: uma tia decide, nas férias escolares, levar a primaiada toda (que morava no mesmo condô) ao clube, a bordo de seu intrépido fusquinha. Cansados de não fazer nada nos respectivos apartamentos, os cerca de oitenta e seis petizes descem a escada todos animados: "êêêêêê, vamos pro clube!" A tia abre o fusca. Os cento e vinte e três primos entram: "êêêêêê, vamos pro clube!"

A tia bate a porta do passageiro e dá a volta para assumir o banco do motorista, enquanto ouve a festa da criançada lá dentro: "êêêêêê, vamos pro clube!" Finalmente instalada, com os duzentos e cinquenta e quatro pirralhos no banco de trás, ela nota uma imagem de Jesus Cristo colada no painel. A tia e os trezentos e setenta e um primos haviam entrado no carro errado. Sabe como é fusca: uma chave abre todos. Um perigo. E o corinho de "êêêêêê, vamos pro clube!" foi substituído pelo de "desce, gente, pelamordedeus!"

Viu como dar uma cutucadinha num homem que não é seu pai não é nada?

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Promoção e pramocinha

Quer saber o que é mico meeesmo? Usar esse trocadilho fácil e infame, na maior cara de pau, para lembrá-los da deliciosa, cremosa e crocante Promoção de Natal do Garotas!

Mas mais mico ainda é não participar. Não dói nada: é só preparar uma lista com 10 itens relativa à infância e correr pro abraço. O prêmio? Uma passagem de volta ao áureo período de nossa meninice… Como? Clica aqui para saber de tudo.

Clara McFly às 06:40 PM


Coroinha dos diabos

Como diz Clarinha McFly, tem coisas nessa vida sobre as quais a gente não tem poder de decisão – elas apenas acontecem à nossa revelia, e não adianta querer fugir. Ouvir Technotronic, repicar o cabelo como o do Xororó e fazer primeira comunhão são três delas. Vou deixar as duas primeiras de lado um instante para focar na última. Oh, yes: eu completei o catecismo.

Vou dizer: foi uma das experiências mais revoltantes e bizarras pelas quais eu passei. Mas como escapar? Toda a turma da terceira série já estava inscrita no catecismo quando minha mãe lembrou que eu devia fazer isso também. Saco, eu jurava que ela ia esquecer! Que nada... e lá fui eu para DOIS ANOS de ensinamentos bíblicos.

Sim, foram um par de anos nesse esquema. Duas aulas por semana ministradas por uma voluntária da paróquia dentro do Centro Comunitário. Em vez de assistir Sessão da Tarde comendo Cremogema, como toda criança feliz dos idos de 1985, lá ia eu com o Novo Testamento, caderno e lápis me enfiar no Centro. Eu e mais umas 30 alminhas semiperdidas, claro.

Ficar de pé e ler as passagens da bíblia era dose – e eu lá entendia palavras como perjúrio, asseclas e parábola? Quando diziam que Jesus “pregava” entre o povo, eu imaginava um moço de chinelas grampeando coisas nas pessoas. E os coríntios, para mim, eram torcedores de um time de futebol que não tem estádio próprio. Pensando bem, acho que o catecismo (junto com a minha imaginação) me colocou mais perto do purgatório que do paraíso.

Bom, era inevitável. Afinal, a professora não deixava levantar discussão sobre as passagens, a lição me obrigava a dizer coisas nas quais eu não acreditava e as tradições eram de endoidecer. A confissão, por exemplo. O padre queria que eu dissesse o que fiz de errado para dar uma punição. Daí eu dizia que não tinha feito nada tão grave que justificasse ficar de joelhos (tenho problemas nos dois, e eles doem pacas). Ele não acreditava, e então eu inventava uns pecadinhos só pra me safar mais rápido, rezar duas Ave Marias e cair no mundo. Dava certo!

O dia em que finalmente as aulas de catecismo acabaram foi como final de campeonato com meu time campeão! Mas o pior ainda estava por vir. Quem conhece essa que vos escreve sabe muito bem: me encontrar vestida de branco, com terço numa mão e uma vela na outra só tem duas explicações. Ou é baile a fantasia chegando ou eu morri e virei assombração.

Mesmo assim, essa foi a fachada que armaram para minha Primeira Eucaristia. Tudo bem: o vestido era bonito, tinha meia-calça para acompanhar, sapato com fivela de boneca e uma tiara de florzinhas. O que não estava certo: fazia 35 graus à sombra e o malfadado traje quase me matou de calor.

Para piorar, eu tinha passado o dia todo na piscina do clube, fiquei cor de camarão e não se podia relar nos meus ombros. Maaas... foi exatamente o que o padre fez ao entregar a minha hóstia. E em vez de botar a coisinha na boca, baixar a cabeça e voltar pro meu banco, soltei um sonoro “aaai!”. Ficou feio, mas felizmente poucos perceberam. Também não notaram que eu mastiguei o “corpo de Jesus”. Ah, tinha gosto de pão, foi irresistível...

Depois vieram as fotos na praça, sentada no gramado e fazendo pose. Ainda não consegui queimar todas, mamãe não deixa. Suponho que nunca vai deixar. Clarinha disse com razão: tem coisas na vida que não se pode evitar, como ouvir Technotronic, repicar o cabelo como o do Xororó e fazer primeira comunhão. Duro mesmo é que se torna impossível esquecer disso tudo também.

Fla Wonka às 01:49 PM


Com a lanterna no queixo

Uma mulher de branco pede carona no meio da estrada, durante uma noite escura e coroada pela densa neblina. Um motorista solícito oferece ajuda à dama. Ela diz que precisa seguir ao cemitério. O rapaz pára em frente aos sóbrios portões, e vê a mulher desaparecer diante de seus olhos assustados. E aí, arrepiou?

Claro que arrepiou: eis a graça de contos de terror. Mesmo que seja a centésima quinta vez que você ouve a história – e mesmo sabendo que ela provavelmente veio de uma mente criativa –, é sempre mais emocionante fingir acreditar e deixar os pelinhos do braço ficarem em pé à vontade.

E quando somos crianças, então? Daí, qualquer coisa assusta. Se eu fiquei petrificada de medo com o filme “E.T. – O Extraterrestre”, imagine o que uma narração fantasmagórica não era capaz de fazer! Só de ouvir qualquer referência sobre a tal “brincadeira do copo”, já pedia para dormir no meio dos meus pais à noite.

Os contos de terror mais famosos empalharam-se como lendas urbanas. Todo mundo conhece uma versão da historinha que eu citei no primeiro parágrafo. E todo mundo conhece alguém cuja amiga tem uma sobrinha que tem uma prima que bota até a mãe no meio para jurar haver conversado com uma alma penada através de um copo virado com a boca para baixo. Quem somos nós para duvidar? Eu, hein...

Devo confessar que adoro contos de fantasmas – mesmo que isso ainda arrisque minhas boas noites de sono. Sou a primeirona a me empolgar totalmente quando, em reuniões de amigos, uma pessoa tem a idéia de dividir narrativas da espécie. Se existe uma lanterna por perto para ligar no queixo, maravilha! Respiro fundo e espero a minha vez de contar causos.

Portanto, tenho na cabeça um vasto arquivo. A maioria é batida, claro. Como aquelas historinhas em que um médico é chamado às pressas por alguém cuja filha está agonizando. O médico vai e atende a paciente. Quando ela pergunta “mas doutor, como o senhor soube que eu estava doente?” e ele responde “sua mãe me chamou”, CLARO que a mulher vai dizer “mas minha mãe morreu há dez anos...”. Pausa dramática.

Lembro-me que uma vez, quando eu era pequena, o “Fantástico” exibiu dramatizações de histórias de medo. Aquilo me traumatizou de uma forma que até hoje tenho horror do nome Berenice – porque ela era a tal mulher morta há anos que chama o médico para socorrer a filha. Quinze anos se passaram, mas a finada Berê continua me assombrando. Pode?

E foi naquele fatídico especial que eu ouvi a história mais apavorante do mundo. Um homem está dirigindo pela estrada quando vê uma senhora ensangüentada acenando freneticamente. Ele pára, e ela diz que aconteceu um acidente: o carro em que estava despencou do barranco. O homem desce até lá e, quando enfim consegue olhar para a vítima fatal... adivinha? Era a mulher. Ai.

Agora vamos espantar o medo pensando em cachorrinhos, borboletas e taças de sorvete. Mas para garantir, posso deixar a luz do abajur acesa? Só por hoje...

* * * * * *

Vou chamar a Berenice!
Usar o medo para chantagear é golpe baixo – e eu sou uma garota avessa a táticas assim. Então fico com o biquinho: vote na gente para Melhor Site de Entretenimento Pessoal e Melhor Blog do iBest, vá? A primeira fase de votação termina na próxima sexta-feira. Portanto, você tem apenas 3 dias para garantir uma vaga ao Garotas no top 10 de ambas as categorias. E de top 10, nossos leitores entendem.

Vivi Griswold às 10:00 AM

segunda-feira, 8 de dezembro de 2003

Entra e não repara a bagunça, viu?

Daqui umas semanas, completo três meses de vida na minha casa nova. Já foi tempo suficiente para acumular algumas histórias, estabelecer novas manias e notar cantinhos do lugar que nunca tinha reparado existirem durante o período de preparação para a mudança de endereço.

Aliás, a cada final de semana, este novo endereço adquire mais cara de lar. Apesar de ainda deixar escapar uns "vou lá em casa" quando na verdade quero dizer "vou à casa da minha mãe", me sinto cada vez mais moradora oficial do meu condô, com suas casinhas coladas e eventuais adolescentes tirando umas casquinhas debaixo das escadas. E eu não me refiro à pintura das paredes externas.

Quase três meses também foram tempo bastante para criar mitos e objetos próprios daqui. A torradeira de panda é um deles. Calma. Não é que eu tosto ursos em extinção. Acontece que esse meu aparato, presente de uma das tias favoritas, imprime uma carinha de urso panda em cada fatia de pão. Parece um pouco com um ET, mas é divertido demais comer torradinhas crocantes com uma estampa tão simpática!

Outra coisa que só existe aqui em casa é o limbo. Tanto eu quanto o namorido mal passamos dos 1,65 de altura. Para aproveitar o espaço da cozinha, que não é lá essas coisas (como em qualquer empreendimento novo), demos de fazer armários até o teto.

Um deles, sobre a geladeira, revelou-se impossível de ser alcançado pelos dois moradores semi-pigmeus da casa. Pronto! Criamos um monstro – ou o limbo. Agora, nunca se sabe o que pode ter lá dentro. Almas perdidas ou, quem sabe, o garfo que sumiu? A resposta jamais será revelada, até que alguém compre uma escada.

Da cozinha para o banheiro, encontramos o ralo que fala. Claro, não é numa linguagem inteligível. Mas o danado parece querer se comunicar, tamanho o barulho que faz depois que o chuveiro é fechado e resta a ele deixar escorrer a água. Parece que o ralo tem uns oitenta metros de profundidade. Talvez haja um punhado de criaturas subterrâneas tentando escapar por ali.

De qualquer maneira, caro leitor, numa eventual visita à casa da terça parte mais loira desse site, recomendo veementemente não se aproximar do ralo ou do limbo. Para compensar, sirvo torradas de panda quentinhas com café passado na hora, nas xícaras coloridas que foram gentil presente das outras terças partes do Garotas. Isso se as criaturas já não tiverem subido e roubado minha torradeira, e se as xícaras não tiverem sido sugadas pelo limbo.

* * * * *

500 vezes Garotas
A gente não chegou a uma conclusão sobre qual é o numeral ordinal por extenso que expresse essa quantidade, mas que sabemos escrever 500 bobagens, relembrar 500 memórias, bolar 500 teorias absurdas e, o melhor, ganhar mais de 500 leitores adoráveis, ah, isso lá sabemos! Esse já é nosso texto de número 500. E, se vocês prometerem continuar brincando, prometemos chegar a mais 500.

Clara McFly às 06:49 PM


Simples como se divertir

Havia muita coisa boa de ser uma pirralha residente em São Bernardo do Campo. O ar era mais puro, brincar na rua não implicava em atropelamento, o rumo da praia estava mais perto do que para os paulistanos. Em termos de diversão, nós, petizes do ABC, também tínhamos um trunfo: a modesta e animada Cidade da Criança!

Se você não teve a sorte de participar dos anos dourados desse local, eu explico tudo. Mas já vou avisando: vai dar água na boca, coceira nas mãos e pode até correr uma lagriminha de inveja. A Cidade da Criança era um parque de diversões da prefeitura. Eu podia dizer que é ainda – porque, a rigor, ela continua lá. O problema é que hoje já não tem o mesmo charme. Mas é melhor esquecer isso e falar de como ela era. Faz de conta que ficou assim pra sempre.

O parque ficava em uma área de aproximadamente três quarteirões gigantes (faça aí uma conta aproximada, que eu não sou boa nisso). No meio de um monte de árvores, existiam brinquedos de todo tipo: uns elétricos, outros manuais e vários completamente estáticos. Tinha, é claro, os hits eleitos pela molecada. Eu conto quais eram e o que faziam.

O Submarino era um recipiente lacrado que mergulhava em uma piscinona para fingir que estávamos circulando pelos mares. A sereia era uma boneca vestida com fantasia de carnaval e o polvo desbotado era feito de borracha? Era. Mas eu garanto que, naquela época, fazia cair o queixo tanto quanto ver “Matrix” nos dias de hoje.

O teleférico consistia em uma cadeirinha única que chacoalhava violentamente quando passava pelas emendas do cabo de aço (até hoje não entendo como meu pai deixava andar naquilo...). Já o labirinto não demanda explicações: uma salona dividida por caminhos de espelho. Perdi a conta de quantas vezes sentei a cabeça naquelas placas reflexivas... Hum... Vai ver foi por isso que fiquei assim.

Ainda tinha meus três prediletos. No Pula-Pula, câmara inflável onde só entrava quem arrancasse os sapatos, a diversão era pura e a crise de rinite alérgica era inevitável. Na Xícara Maluca, o plano era ficar o mais enjoado possível – ou, pelo menos, com a visão zoada. E no Minhocão, uma montanha-russa pra gente miúda, bastava duas viagens pelos trilhos para dar um baita frio na barriga. Eu ainda não conhecia qualquer Chapéu Mexicano, dá um desconto.

Fora esses, a Cidade da Criança ainda conquistava pelo simples. Tinha uma dúzia de escorregadores de grandes proporções, carrinho bate-bate e aqueles brinquedos que só giram no próprio eixo. Dois traumas? Eu tinha pavor de uma nave espacial cujo astronauta era um manequim com cara de defunto. E jamais consegui atravessar o parque pela ponte de tábuas, porque balançava demais (graças ao meu amado irmão) e eu tinha um medo louco de cair lá embaixo.

Mas lembro bem de como era bom tomar sorvete na lanchonete local (exceto pelas abelhas que insistiam em pousar no meu doce) e pensar em quais brinquedos gastar meus dez tickets avulsos (esse era o sistema). Ah! E se eu achar uma foto minha lá, coloco aqui nesse texto em breve

Fui tanto nesse parque que até ganhei carteirinha de sócia. Ela já se perdeu no tempo há anos. Mas a diversão simplória da Cidade da Criança ficou aqui no meu pequeno coração são-bernardense.

Fla Wonka às 01:26 PM


Mistérios de comer

Lembro-me de uma historinha da Magali em que ela está comendo uma salada caprichada e toda a trajetória dos ingredientes é mostrada em flashback: alguém colhendo a alface na roça, o agricultor vendendo a um feirante, o feirante vendendo ao grande supermercado, a mãe fazendo compras e, finalmente, a salada indo parar na mesa do jantar.

Desafio você, leitor, a pensar da mesma forma quando estiver abocanhando seu próximo lanche ou refeição. É impossível! A maior parte dos alimentos ingeridos por nós é de procedência misteriosa – e, na maioria das vezes, duvidosa. Existem muitas delícias por aí que não seriam chamadas de delícias se soubéssemos o que se esconde por trás de um sabor gostoso ou de uma aparência apetitosa.

Claro que não vamos parar de comer certas coisas. Um hambúrguer do McDonald´s, por exemplo. Já disseram que a carne era de minhoca, ou de um bando de animais sem-vida útil criado em laboratórios. Só podemos ter certeza de uma coisa: de boi, não é. Até porque o hambúrguer tem o mesmo gosto do nuggets, do sundae, da batata frita e da torta de maçã.

Temos de admitir não fazer a menor idéia de onde vem o tal ingrediente oculto. Mas nem por isso deixamos de freqüentar a lanchonete imperialista, certo? Também não vamos cortar os seguintes alimentos de nosso cardápio – ainda que seja difícil negar que são um mistéééério...

10) Marrom Glacê
Você acredita mesmo que a bomba calórica molenga, marrom e enlatada vem de uma simples batata doce? Tá certo que a máxima diz não haver doce mais doce que doce de batata doce. E marrom glacê é a coisa mais doce que um ser humano pode provar. Ainda assim, tenho cá minhas dúvidas.

9) Chester
Que diabos de bicho é um chester? Isso só pode ser algum experimento lá da Perdigão. Ou eles acham mesmo que aceitamos a existência natural de um peru super crescido, mais peitudo e mais cochudo que a Feiticeira? Nesta época natalina, é bem mais fácil crer em Papai Noel, viu...

8) Pipoca doce de saquinho
O mistério só não é maior que a tentação. Alguns acham que a pipoca é feita de arroz. Arroz? Daquele de comer com feijão? Sei. Na verdade, as unidades em si parecem capeletti tortos. E como explicar que algumas são crocantes e doces enquanto outras são duras e amargas?

7) Mortadela
Será que se soubéssemos a verdadeira origem da mortadela continuaríamos nos deliciando com aquele pedaço de... de... algo dentro de um pão fresquinho? Acho que não. Por isso, é mais garantido acreditar que é tudo feito de papel jornal mesmo. E o gosto indelével que fica na boca? Estranho.

6) Queijo petit suisse
Alguém já foi numa loja de queijos e comprou 100 gramas de mussarela, parmesão, brie e petit suisse? Duvideodó. O pior é que o tal seria ingrediente do Danoninho. Bem, nunca senti qualquer resquício de queijo naquela papinha de morango. Vai ver que petit suisse não é queijo mesmo!

5) Molho inglês
Qualquer pessoa que tenha o mínimo conhecimento dos hábitos britânicos deve achar o molho inglês um blefe. Eu acho. Afinal, não existe comida mais sem gosto do que a feita na Inglaterra. Então como eles podem ter produzido o molho, oras bolas? Fora que, pra mim, aquilo é shoyu com Aginomoto.

4) Cheetos sabor cheddar
Sozinho, o Cheetos já figura na lista dos 10 maiores mistérios alimentícios da História. E quem teve a brilhante e maldosa idéia de combinar o salgadinho de isopor sabor chulé com cheddar, um queijo-cremoso-colorido-que-não existe? Juntos, formam um vasto material para muitas inquietações.

3) Uva moscatel
Uma mini-uva Itália ultra doce e sem caroço. Vai me dizer que isso dá em penca lá na roça... Se fosse tão natural, porque só começaram a vender há poucos anos? Aposto que a fruta estava sendo desenvolvida em alguma usina nuclear. Junto com o Chester e os próximos dois da lista.

2) Kani
Acredito tanto em uma carne de caranguejo prensada do que em um siri que toca castanholas. Fora que eu adoro a carninha branca com gosto de mar, mas odeio kani. No caso de serem a mesma coisa, teria de gostar de ambos. E por que o produto é cor-de-rosa por fora? Caranguejo pink? Ahã.

1) Esfiha de queijo do Habib´s
Se mussarela é amarela, porque a esfiha de queijo do Habib´s, conhecida cadeia de comida árabe que vende beirute com presunto, é mais verde que folhinhas de hortelã? Além de esfaquear a tradição de esfihas, ainda colocam cobertura de Chernobyl. Não é à toa que custa 0,50 centavos...

Deu indigestão? Tente um sal de frutas. Aliás, fruta tem sal? Nem gosto de imaginar a verdadeira identidade do pó efervescente. Pois um tantinho de ignorância às vezes faz bem – até para o estômago.


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Se gostou do top 10...
Então que tal fazer um top 10 só seu, com o tema “infância”, e participar da iluminada Promoção de Natal do Garotas? Você corre o risco de ganhar uma cesta com sete prêmios bonitinhos e de ter seu artigo publicado com toda a pompa neste site! Mas tenha calma: você pode mandar quantos textos quiser até o dia 19 de dezembro. Para maiores detalhes, clique aqui!

Vivi Griswold às 09:57 AM

sexta-feira, 5 de dezembro de 2003

Dura de enxergar

Eu não enxergo nada. Ou quase nada. Essa declaração é verdadeira em vários aspectos: além de guardar seis graus da mais pura miopia do milho verde em cada "vista", como diz minha avó, eu mantenho um número bem maior de macaquinhos na cachola.

Combinados, os fatores pouca visão e muita imaginação me pegam o tempo todo – para bem ou para mal. Como é sabido, os míopes não enxergam bem à noite. Quer dizer, não enxergam bem no geral, mas quando a lua surge, mesmo com lentes, o efeito corretivo é defasado.

Por isso, canso de ver vultos de cachorros atravessando a pista, água onde o asfalto está seco e coqueiros plantados no meio da Anchieta. Tudo ilusão, claro – ou possessão, dependendo do pastor.

Por outro lado, apesar das lentes Acuvue e da fértil inventadeirice, não consigo ver um bebê num simples ultra-som! Aliás, acho que nem os médicos. Eles blefam, apontando manchas aleatórias no negativo e dizendo, com a cara mais deslavada do mundo: "olhaí o seu filho!"

É claro que nenhuma mãe ou pai vai dizer: "desculpe, doutor, mas isso é só uma borrão". Vai ser tachado de péssimo progenitor para o resto da vida – e olha que ainda nem começou a exercer a função.

Ou talvez seja por isso que os médicos passam tanto tempo estudando: é um desafio enxergar qualquer coisa num ultra-som… E ressonância magnética, então, que é uma espécie de ultra-som animado? Parece aqueles descansos de tela meio psicodélicos do iTunes.

Outro mistério para mim são as figuras na lua. Uns dizem que tem um dragão, com ou sem São Jorge a tiracolo. Outros defendem a estampa de um velhinho. Tudo que enxergo no nosso satélite natural (e foi um sacrifício até conseguir) é um coelhinho. Alguém mais vê isso? Não?

Ok. Vou voltar pro meu cantinho e marcar retorno ao oftalmo.

luacheia.jpg
Olhaí o seu filho, quer dizer, o coelhinho! Com uma foto desse tamanho, não tem como não ver, vá?


Clara McFly às 07:11 PM


Tevê pra tia ver

Agora que estou semi-desempregada, posso me entregar a um vício que me consome a anos: a televisão. Mas nossa, como esse mundinho ficou estranho nos últimos tempos... Quase não existem mais filmes vespertinos ou programas infantis com desenho animado. Agora, entre as 8h00 e as 18h00, a caixa de fazer doido é dominada por culinaristas apaixonadas, médicos de toda especialidade e um mar de artesãos.

Ninguém deu o alerta em cadeia nacional, mas o fenômeno aconteceu: quem quer assistir televisão em dia de semana é obrigado a gostar de pistola com cola quente e torta de liquidificador. Tudo bem, eu até acho bacana brincar com material de papelaria e lambo os beiços de pensar no quitute acima, mas 10 horas disso é um pouco demais, não? Bom, parece que não.

Mal o galo canta e as “coleguinhas” já estão na tela. Seja ensinando a fazer ginástica usando o cabo da vassoura (no bom sentido, sempre), seja mostrando como cozinhar um leitão inteiro. Aliás, pela quantidade de assados gigantes que essas mulheres preparam, dá a entender que moramos em uma vila na Gália e temos um Obelix em cada residência.

Caramba, e eu que só almoço um macarrãozinho básico, uma salada ou, nos dias de inspiração, duas colheres de arroz para cada duas de feijão... Mas, se quisesse, aprenderia a cozinhar um jegue apenas ligando o botão da tv!

Passada a hora da fome – que para as apresentadoras de programas mulherísticos começa mesmo no meio da manhã –, tem início a discussão clínico-filosófica sobre uma infinidade de distúrbios. Médicos surgem de todos os cantos do cenário de papelão pra dar dicas de como combater o Mal de Parkinson, como acalorar as relações matrimoniais ou como acabar com as pontas duplas do cabelo.

É de chorar de rir, principalmente quando entram participantes fazendo perguntas pelo telefone. Em geral, elas só querem mesmo é ver seu nome na tarja: “Maria das Graças – Dona-de-Casa – Por telefone”. U-hú! A moça ganhou o dia! E vai correndo esfregar isso na cara da vizinha, por certo.

A próxima etapa pode acontecer em um ou dois níveis. Ou as tias partem para a montagem de cestas feitas com tubinhos de jornal velho ou fazem isso enquanto contam detalhes íntimos dos artistas da novela das oito. Na maioria dos casos, esse quadro é uma baba de montar. Basta apanhar a nova edição da Contigo, da Caras e da Quem e mandar ver na leitura. Muito cômodo ser chupim, hein?

Daí, depois de todo aquele período tagarelando e fazendo guirlanda de Natal com garrafa pet recortada, bate de novo a fome. E dá-lhe Palmirinha Onofre! Conhece essa senhora? Não sabe o que está perdendo. Ela é uma mistura de Mirtes com a sua avó e o Maguila. Não concatena o plural de UM artigo com substantivo (e tudo vira “os garfo”, “as tigela”), mas como ela é fofa. Rainha da massa de tomate, Dona Palmira abrilhanta as tardes da TV Gazeta.

Ok, pode ser que ela não abrilhante tanto assim. Mas pelo menos não usa um quilo de maquiagem e nem roupas azul-turquesa com lantejoula. Será que foi assim que as apresentadoras da tarde hipnotizaram os chefes de programação? Para ganhar tardes e mais tardes de merchandising e aulas de pintura em porcelana, só pode ser.

Fla Wonka às 01:29 PM


Calcinha nele!

Quem poderia imaginar que um mineiro de Cajuri, ex-feirante e com o nome de Wanderley Alves dos Reis, carregaria algum dia a respeitável (ou não) alcunha de "o cantor mais erótico do Brasil"? E quem pensaria que o mesmo homem, cujos traços físicos não podem ser chamados de atraentes, arrastaria mulheres ensandecidas capazes de atirar a própria calcinha no palco de um show? É por isso que eu digo, afirmo e não tenho medo de reconhecer: Wando é rei.

Já fomos criticadas de leve aqui no Garotas por não darmos crédito à emepebê. Pois chegou a vez de homenager um produto 100% nacional. Tá certo que eu não tenho (nem pretendo ter) um álbum do Wando na minha prateleira de CDs. Mas como o mundo dá muitas voltas - e o que era brega hoje é cult -, temos de reconhecer o prodígio deste ícone pop.

A imagem do Wando guardada em minha memória vem do mesmo material de que são feitos os pesadelos: vejo o cantor, de camisa aberta e beiço de botar inveja a Mick Jagger, distribuindo pêssegos na boca das meninas do auditório do "Viva a Noite". No fundo, o clássico "Fogo e Paixão", interpretado com sentimento pelas dançarinhas de vestidos esvoaçantes que faziam performances dentro de uma taça de martini gigante.

Não existe criatura neste país sem porteira que não tenha ouvido falar no Wando. Também, o cara já lançou mais de 25 discos, cada um com um título melhor que o outro: "Fêmeas", "Picada de Amor", "O Ponto G da História", "Depois da Cama", "Tenda dos Prazeres" e "Obsceno" são alguns bons exemplos. Fora que dizem por aí que ele coleciona calcinhas de fãs. Eca.

Wando atraiu para si a fama de motel ambulante. Fico tentando entender o que faz uma senhora comprar um álbum do artista (afinal, segundo a lenda, tudo tem um lado bom - menos um disco do Wando). Ele fica cantando com voz melosa versos que fariam corar até a Cicciolina. Em todas as músicas, descreve a si próprio como "o pegador". Sempre fatura a mulher, ensina para ela o beabá, se é que você me entende, e faz questão de citar fluídos corporais.

A palavra "suor" aparece em todas as letras. Deus, é o suor do Wando! Ou o suor de uma mulher que está na cama com o Wando! Haja Rexona! Na letra de "Eu Já Tirei Tua a Roupa", ele diz: "Com você quero pecar/ Eu te quero em minha cama/ As esquinas do teu corpo/ Deslizando em meu prazer/ Teus cabelos espalhados/ No meu corpo teu suor". E tem gente que ainda lê "Sabrina"...

Outro hit supremo é "Moça". Aliás, cabe bem de tema para a nova embalagem do Leite Moça, principalmente quando ele diz "Moça, sei que já não és pura/ teu passado é tão forte, pode até machucar". Em algumas letras o cantor extrapola buscando rima. Olha essa, chamada "Obsceno": "Você já sabe que o teu cruzar de pernas me fascina/ A cor que eu vejo me faz bem à retina". Pô, Wando, retina não, vá!

Fora as músicas X-Rated que me dão vergonha de botar aqui. Tá bom, você pediu. Em "Nas Curvas do Teu Corpo", Wando canta "Eu morro de ciúme da calça que te veste/ que brinca e se diverte/ tirando a minha paz/ Eu fico tão confuso com a tua intimidade/ com aquele sabonete/ nas partes sensuais". Ai que horror. Ciúme de sabonete é fogo.

Depois de passar uma hora de gargalhadas num tremendo esforço de reportagem, elegi a minha favorita. Chama-se "Ui-Wando Paixão". Entendeu o trocadilho hilário? Fica pior: "Sou bicho vadio sou fera no cio/ Ui-Wando paixão/ Sou mais que loucura te quero todinha de novo no chão/ Um beijo molhado nessa boca quente/ Eu juro que dou/ Te aqueço do frio, te afago em meu corpo sedento de amor/ Te levo pro mato/ Pra rede ou pro quarto te arranho de amor".

Não sei quem é mais cara-de-pau: o cidadão que canta tais versos ou a dona-de-casa que compra o disco. Ou esta garota, que acaba de escrever um texto de 10 parágrafos sobre o Wando... Alguém viu meu óleo de peroba por aí?

wando.jpg
Com requintes de crueldade!


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Olha para cá um minuto!

Ok. Sei que é difícil, mas tente parar de olhar para esta foto do Wando e preste atenção num recadinho: a poderosa, vitaminada e turbinada promoção de Natal do Garotas está a todo vapor. Já chegaram em nossa caixa-postal alguns textos bem bacanas. Tá esperando o quê para mandar o seu? E não se esqueça de duas coisas:

1) Um mesmo leitor pode mandar quantos textos a criatividade permitir.
2) Você tem até o dia 19/12 para concorrer. Não priemos cânico.

Clique aqui para conhecer todos os detalhes!

Vivi Griswold às 10:11 AM

quinta-feira, 4 de dezembro de 2003

De cabo a rabo

Apesar de contar um número razoável de CDs em minha estante (nada absurdo nem mesmo muito grande, mas por certo respeitável), percebi que apenas cinco deles ganham o prêmio que intitula esse texto.

São aquelas delícias boas de se ouvir da primeira à última faixa – ou pulando apenas uma ou duas que tocaram demais nas rádios, que misteriosamente são, na maioria das vezes, as mais fracas do álbum. Por isso, a lógica do esquema marketing-de-gravadora-programação-jabá ainda é uma grande nebulosa para mim…

A seleção não contou coletâneas (senão os Beatles com certeza marcariam mais pontos); só álbuns mesmo. E notem que não digo que esses são os melhores discos que já ouvi, mas apenas os que ouço do início ao fim, sem galho, dentre os componentes de minha discoteca. Pronto? Então, solta o play.

Tigermilk, Belle and Sebastian
Não sou de endeusar esse simpático e melancólico septeto escocês, mas também não acho a pior coisa dos últimos tempos. Gosto muito da banda e o disco em questão é uma pérola. A letra de "The State That I Am In" oscila entre a tristeza profunda e o cinismo hilário, incluindo casamentos pelo green card, uma jovem noiva roitmann e um padre que aproveita as confissões do garoto para escrever um livro de bolso (?!).

Please Please Me, Beatles
A estréia dos guapos de Liverpool muito me agrada e, embora eu prefira pular "Love me Do" (toca demais), acho a peça uma perfeição para qualquer hora, em qualquer lugar. As melhores são "Misery", "Ask Me Why" e "Baby It's You", uma das mais lindas canções de amor que já ouvi. O quê? Não conhece? Corre pro Kazaa, Lime Wire ou o que quer que seja. Vale cada um dos bytes.

Blood Sugar Sex Magik, Red Hot Chili Peppers
Nos idos de 1992, um clipe para lá de tosco – e ainda assim inventivo – estourou na MTV. Quatro freaks pintados de dourado faziam caretas e tocavam num cenário desértico, em P&B. Bastou para eu me apaixonar pelos Red Hot Chili Peppers. E esse disco, que ganhei do meu pai e de meu irmão depois de uma prolífica ida dos dois ao supermercado, é poderoso do começo ao fim.

Automatic For the People, REM
Aos poucos, fui aprendendo a gostar de toda e cada música do disquinho abacate fosforescente. De "Drive", que abre o álbum, a "Find the River" – segundo meu amigo Flávio, nerds de carteirinha que adora pesquisar significados de letras na internet, uma parábola sobre crescer. E não é que faz sentido mesmo? Além, é claro, de ser linda de morrer…

Unplugged, 10,000 Maniacs
Coincidência ou não, ontem chegou em casa a segunda edição que compro deste álbum. Já explico: o primeiro CD, adquirido lá pelos idos de 1995, estava velho, perdido e riscado. Por isso, não titubeei em chamar um substituto. Em 25 anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso me acontece – comprar um mesmo CD duas vezes. Mas esse merece. Da primeira à última faixa, me deleito com a voz única de Natalie e seus comparsas em arranjos bacanas ao fundo. Bons tempos aqueles, em que a idéia do Acústico não era "dar uma maquiada" no artista para vender loucamente…

unplugged.jpg
Eu até gastei o meu "Unplugged"
anterior e precisei comprar outro!
* * * * *

Quem quer ganhar presente põe o de-doa-qui!

Ou melhor, põe um mail aqui no Garotas. O quê? Não está entendendo nada? Então, rápido: clica aqui para esclarecer do que diabos estou falando. Só adianto o seguinte: os leitores mais bacanas da internet brasileira correm o risco de ganhar, de presente de Natal, um playmobil, um maço de figurinhas "Amar É", um cubo mágico e, pasmem!, um disquinho do Fofão. Ainda está aqui? Clica logo e participa da nossa promoção natalina!

Clara McFly às 06:52 PM


Tenha bons sonhos, estriquinada

Já contei pra quem quisesse ler: eu não tenho absolutamente nenhum problema para dormir. Nenhunzinho. Se eu quiser, encosto no ponto de ônibus e durmo que é uma beleza. Só que isso é apenas uma meia-verdade... Quando estou empolgada demais ou com planos mirabolantes no crânio, rodo entre os lençóis que nem jujuba em boca de criança banguela.

Ontem, por exemplo, foi assim. Depois de uma reunião de três horas com Clara e Vivi, saí da cafeteria com 12 tarefas a cumprir, muitas idéias a desenvolver e a certeza de que tudo o que a gente sonha ainda vai vingar. Duro é que, depois do conversê todo e de um balde de frapuccinno com chantilly, cadê que eu conseguia dormir?

Daí usei a técnica que descobri há tempos para esses raríssimos momentos de “ué, sono, onde você se meteu?”. É só pensar nas coisas mais monótonas do planeta. Ah, sim, você pode criar as suas próprias! Aqui, só dou as minhas táticas particulares. Mas adianto uma dica: não tente contar carneirinhos ou imaginar coisas como uma corrida de jabutis. Isso irrita em vez de causar sono – e o que seria uma noite de sonhos pode acabar numa chacina animal.

Aula de física do terceiro colegial
Meu professor se chamava Kalil e até tentava ser simpático e interessante. Mas física sempre soou para mim como gelatina diet de abacaxi soa para os obesos. Para piorar, ele dava a aula das 7h00 da madrugada na sexta-feira. Devo ter dormido em 90% do tempo que o esforçado senhor ficou na frente da classe naquele ano. Não tem coisa mais fácil que cair no ronco revivendo aqueles tempos.

Dormitório de freiras
Uma vez fui viajar com o colégio para as cidades históricas de Minas Gerais. Foi um ótimo passeio, mas os professores acharam de hospedar 70 adolescentes em um... convento. Bom, basta dizer que espiar pela fechadura do quarto das irmãs e ver dezenas e dezenas de freiras deitadas em posição de defunto me deu quase depressão. É lembrar da cena decepcionante e fazer naninha.

Ópera na tv
Nunca tive o prazer de ser convidada para ir a qualquer apresentação de ópera. Acho que, ao vivo, deve ser um espetáculo bem bonito (mesmo parecendo, às vezes, que aqueles senhores estão gritando receita de risoto uns para os outros). Agora, eu não entendo qual a graça de ver isso pela televisão. No canal Film&Arts, pelo menos, as roupas ficam desbotadas e o som é péssimo. Passe-me o travesseiro, pelamordedeus...

Festival de mímicos
Qualquer tipo de artista de rua me diverte aos borbotões. Acho lindos os malabares e caio de amores pelos contorcionistas. Mas mímico é o supra-sumo da chatice. Daí, quando o sono falta, basta imaginar que estou obrigada a assistir um show completo desses caras fazendo apresentações lentas sob o som de violinos. Já está bocejando ou ainda não?

Filmes com nome de objetos inanimados
Não é que eu torça o nariz para produções estrangeiras, não. É que existem algumas – principalmente aquelas iranianas ou tchecas que se chamam “O Pote”, “A Goiaba” ou “A Casa de Bonecas Mancas de Juliette” – onde eu não consigo manter os olhos abertos. Diálogos de 25 minutos e sem tema concreto me fazem acordar só nos créditos. Pensar nisso, portanto, rende soneca da boa.

Documentários sobre pequenos roedores da Malásia
Amo bichinhos. Mesmo. Se pudesse, me associava ao Caçador de Crocodilos do Animal Planet e passava a coordenar um zoológico beneficente. O diabo é ficar desperta durante aqueles programas sobre animais minúsculos e indefesos. “O esquilo albino arrasta a noz até a árvore... Ali ele permanece degustando a iguaria... Esses animais vivem em casais e têm hábitos noturnos...” Gente: vinte segundos imaginando essa narração e não há insônia que resista. Juro pra vocêszzzzZZZZ...


Vem brincar conosco, gente boa!

Vocês já viram o texto de Vivi de hoje cedo? Quem ainda não viu é mulher do sapo... Mas tirando essa metamorfose praguenta, é bom dizer: a promoção de Natal do Garotas vai ser muitíssimo disputada. Comece logo a pensar em um Top Ten Muito Louco da Pesada pra mandar! E vale lembrar que cada leitor pode enviar quantos textos quiser, ok? Aqui não tem miséria.

Fla Wonka às 03:54 PM


De nós para você

Como diria a Mirtes, 2003 vôou e o Natal já está aí, batendo da porta. Chegou a hora de disputar a coxa do peru, passar dezenas de cheques pré-datados, ouvir a piada do pavê, tirar as passas do Panettone, encher o copo com sidra, assistir ao especial do Roberto Carlos, dizer "é mixo, mas é de coração" na hora de entregar os presentes. E, claro, de participar da promoção de Natal do Garotas!

Nós três saímos garimpando pelos becos mais escuros da cidade atrás de mimos dignos deste site e de seus leitores. Depois de gastar muita sola de sapato e todas as moedas de nosso cofrinho, voltamos felizes com sete prêmios supimpas que marcaram a nossa infância - e, provavelmente, a sua também. Quer saber o que o ganhador (ou ganhadora) da promoção vai receber no conforto do lar? Então leia atentamente, porque depois eu explico como fazer para faturar...

... um cubo mágico
O maldito cubo colorido que eu nunca consegui resolver. Depois que ganhei o meu e embaralhei o branco, o laranja, o verde, o azul e o vermelho, o pobrezinho jamais voltou à sua forma original. O brinquedo sorteado está zerinho, com todas as cores no lugar, esperando apenas uma oportunidade de proporcionar horas de diversão para alguém que queira cuidar dele com muito, muito carinho.

... um livro da coleção Vaga-Lume
Quer passar uma tarde de alegria na companhia de um dos exemplares mais famosos da querida coleção Vaga-Lume? Mais precisamente com o clássico "O Mistério do Cinco Estrelas", escrito por ninguém menos que ele, Maaaaaarcos Reeeeeey? Após a leitura, o vencedor ainda tem direito à preencher o inesquecível Suplemento de Trabalho, que continua assombrando os estudantes por aí.

... um maço de figurinhas "Amar é..."
Isso vale ouro: são 54 exemplares (sem repetidas) da saudosa coleção "Amar é...", do mesmo jeito que eram há 20 anos. Ok, estão um tanto amareladas e não garantimos que o auto-colante ainda funcione. Mas você será brindado com pérolas da sabedoria como: "Amar é... pôr no espelho um bilhete 'o chefe é você'", "Amar é... fingir nem haver notado aquela loira" e "Amar é... ignorar outros homens".

... uma caixa de massa para modelar
Por que apenas as crianças são contempladas com atividades como brincar com massinha de modelar? Jogue fora seus preconceitos e passe muitos minutos fazendo cobrinhas e caracóis com seis unidades (cores sortidas). Você vai lembrar-se de como é difícil limpar a massa grudada nas unhas e de como é bom juntar todas as cores numa só bolona - fica marrom, mas é divertido pacas.

... um CD duplo de hits dos anos 80
Dois CDs, um nacional e um internacional, com os maiores sucessos da década que mora em nossos corações. Sua festa está garantida com clássicos como "Carta aos Missionários" (Uns e Outros), "Beat Acelerado" (Metrô), "Uma Barata Chamada Kafka" (Inimigos do Rei), "Walk Like An Egyptian" (Bangles), "99 Luftballons" (Nena) e "Wake Me Up Before You Go-Go" (Wham!).

... um disco do Fofão
Explode, coração! Depois de uma saga tolkiana, conseguimos encontrar um disquinho do Fofão! Sim, aquele mesmo, adorável brinde dos caldos Knorr. O vinil está tinindo, sem riscos (aparentes, pelo menos), esperando ser tocado após quase duas décadas na gaveta de um sebo. No lado A, temos a inesquecível "Mundo Novo" e, no lado B, "Fofolândia". E vem com letras e o aviso "Disco é Cultura", lembra?

... um playmobil
Como um cavaleiro solitário capaz de mostrar-lhe diariamente que a infância ainda vive dentro de cada um de nós, o bonequinho do Playmobil está prestes a chegar em seu cotidiano. Ele é original da Trol (segundo afirma a sola de seu pé esquerdo), não aquelas reproduções modernas. Faça inveja aos amigos com o pequenino ser de plástico e com mãos em forma de ferraduras!

E mais! O vencedor ainda terá a honra de publicar um texto no Garotas do dia 24, véspera de Natal.

Pronto, agora enxugue as lágrimas e preste atenção: você terá de escrever um top 10 com o tema infância. Pode ser qualquer coisa (brinquedos favoritos, frases da sua mãe, motivos para odiar o Bozo, sei lá). Solte a criatividade.

Mas não é tão fácil assim. A gente quer uma lista como a do Garotas, com título, textinho de abertura e uma justificativa em cada item (você pode encontrar exemplos por todo o site). Ah, e serão considerados apenas os textos que chegarem em nossa caixa-postal até o dia 19 de dezembro. São duas semanas para participar e mais um chorinho!

E por favor, não tenha medo, receio ou vergonha de escrever. Escolheremos a lista mais criativa, curiosa e/ou engraçada, não necessariamente a mais correta e/ou bem-escrita. Para colocar no ar, daremos um tapinha aqui e acolá - se for necessário, claro.

O resultado da promoção será revelado em 24 de dezembro, com o texto vencedor publicado. Depois disso, o Garotas sai de férias e volta só em 2004, mais precisamente em 05/01. Pô, precisamos de uma folga também!

Mãos à obra, leitor!

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Quem quiser ganhar, grita mais alto!


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Ainda não votou? Falta pouco!
A votação para a primeira fase do iBest termina no próximo dia 12. Se você ainda não votou neste site limpinho, honesto e cor de porquinho bebê, está mais que na hora. Lembre-se de que estamos concorrendo em duas categorias: Pessoal Entrenimento e Blog. Três mocinhas agradecem.

Vivi Griswold às 10:17 AM

quarta-feira, 3 de dezembro de 2003

Em qualquer outro lugar

Não sei se com vocês isso também acontece, mas há uma classe de locais dos quais eu daria tudo para escapar. Eu não sei como nem porquê, mas apesar de tentar evitar loucamente me ver presa nesses pontos, volta e meia me vejo ali.

Alguns não têm escapatória mesmo; outros podem ser contornados e, embora ninguém goste deles, acabam atraindo mais gente do que deviam. Banco é um, por exemplo. Eu acho o fim da goiabada de caixinha ter de "fazer banco" em pleno século 21.

Oitenta por cento das operações ocorridas no cinzento ambiente de ar condicionado ligado sempre a toda poderiam ser feitas por telefone, internet ou nos caixas rápidos, onde o atendimento é feito sempre na mesma voz ora fria, ora simpática da máquina.

Tudo que posso fazer à distância das agências, eu faço. Mas às vezes você pega um carnê (igual ao do Baú que a Mirtes compra) que não aceita pagamento pela internet, só na famigerada "boca de caixa". Aí, é a glória: primeiro, arrumar lugar para estacionar nos minúsculos espaços destinados a isso; depois, ir e voltar na porta com detector de metais até ficar quase pelada; pegar aquela fila enorme, sem entender porque tem oito guichês vazios e só dois com funcionários (porque diabos constróem todos os outros, então?). É dose para leão, não?

Outro lugar que me dá arrepios é o elevador do prédio do meu pai. Ele mora no décimo-nono andar. Quando embarco naquela birosca sozinha, fico acompanhando o visor que me diz a que altura estou e pensando: "segundo andar. Se eu cair daqui, não morro. Quinto andar. Se eu cair daqui, já vai ser grave. Décimo andar. Se eu cair daqui, já era. Décimo-oitavo. Será que o caixão vai ter de ser lacrado?". Era melhor subir a Penha a pé.

Mas nenhum dos lugares citados acima supera o pavor que tenho ao me deitar numa cadeira de dentista. Quando vejo, já estou suspendendo a bunda, de tanto tensionar os pés (!). Uma espécie de gato arrepiado, mas ao contrário, manja? A primeira coisa que falo ao chegar é "dá anestesia?", piscando bastante e com vozinha doce. Quero a injeção para qualquer coisa que eu for fazer naquele antro de sadismo, mesmo que seja uma simples limpeza. E ainda me lamento por não ter nascido com bico, o que dispensaria todo esse sofrimento…

Clara McFly às 07:05 PM


Eu amo o feio... e bonito me parece

Tá bom: não é que eu perca o fôlego quando ponho os olhos no Corcunda de Notre-Dame ou ache o Rivaldo um xuxuzinho. Acho bonito que existam pessoas bonitas, e nada mais encantador do que ver um rosto lindo pregado sobre um corpo bem esculpido. Mas que beleza não põe mesa, não põe. Muitas vezes, só põe é uma foto ajeitada no porta-retrato.

Existem quatro grandes e adoráveis provas desse fato. O fato, para quem se perdeu no palavrório, é esse: ser talentoso é muuuuito mais importante do que ser bonito. Claro, se for possível ser os dois – Edward Norton e Nicole Kidman sabem bem disso, e nós também –, muito melhor.

Mas hoje é dia de prestar homenagem a quatro tipos esquisitos e incrivelmente belos do entretenimento. No sentido do profissionalismo, do charme e do poder de conquistar platéias, eles são belos sim. Não vão sair na lista da People entre os rostos mais acachapantes do milênio? Pode ser que não. Mas quem liga pra isso quando se é...

... Adrien Brody
Quando esse rapaz subiu ao palco do Oscar para buscar seu prêmio de melhor ator por “O Pianista”, Rubens Ewald Filho, o rei do pó-de-arroz, disse: “duro é aturar um galã com essa cara, hein?”. Quanta deselegância. Pois anote aí, Rubinho: mesmo com nariz de tucano e olhos de cachorro que foi enxotado com a vassoura, Adrien é um galã completo. Aposto que muita gente queria estar no lugar da Halle Berry quando o Sr. Brody lhe tascou um beijaço nessa mesma noite de Oscar. Confissão: algumas das Garotas desse site queriam.

... David Grohl
Fico na maior dúvida. Será que o líder do Foo Fighters é um feio-bonito ou um bonito-feio? Parece conversa de quem lê Capricho? Bom, o rapaz não é mesmo o que mamãe chamaria de “carinha de anjo”. Mas eu bato o pé: quanto abre aquela boca imensa para cantar, David abala corações (eu sei que não é só o meu). E pensar que ele ficou por tanto tempo escondido atrás da cabeleira e da bateria quando era do Nirvana... Que Kurt Cobain, que nada! Dar todo aquele cartaz ao loiro dos vocais era a maior injustiça com um pobre feiosinho lá do fundão.

... Paulo Miklos
Legítimo representante da feiúra nacional, Paulinho não é apenas um músico de talento. É também um ótimo ator, como deixou provado em “O Invasor”. Eu não sei porque esse moço cheio de virtudes não larga logo aquela banda de almofadinhas que o Titãs virou e sai em carreira solo. Bom, vai ver ele usa o grupo com trocentos integrantes para, misturado à multidão, disfarçar a cara de trombada de ônibus. Tudo bem, ainda assim ele se sobressai – e não precisa de beleza pra isso. Ainda bem, porque se precisasse...

... Steve Buscemi
Pode dizer o que quiser, mas eu adoro esse sujeito que não venceu em Hollywood pelo seu rostinho bonito – e isso é certo. Olhos esbugalhados, dentes tortos, cor de vela, não importa. Steve é rei da comédia e do drama, como se pode ver em “Afinado no Amor”, “Cães de Aluguel”, “28 Dias”. Além disso, ainda dirige, dubla e rouba qualquer cena. Aposto todas as minhas fichas: é muito melhor ter cara de mamão do que atuar como um. E olha que, de certos ângulos, até acho esse moço bonitinho... Ok, mas aí já deve ser coisa da minha miopia.

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É preferível ter essa cara
do que ser o Ben Affleck
Fla Wonka às 01:00 PM


Pratique esportes - mas não me convide

Quando eu penso na chamada "geração saúde", imagino pessoas bronzeadas e saradas. O tipo exato de gente que joga futevôlei nas horas vagas, manda ver no açaí na tigela, corre na praia durante a semana, usa camiseta cavada (para exibir os músculos), come apenas alimentos macrobióticos e dá aos filhos nomes como Cauã e Açucena.

Tá bom, não precisa completar todos esses quesitos para entrar na panelinha saudável. Basta praticar um esporte, certo? Mesmo assim, ainda passo loooonge. Apesar de não fumar, não consumir drogas e não beber (com exceção de bebida docinha de menina), fico fora da descrição só porque prefiro um levantamento de garfo ou uma corrida atrás do controle remoto da TV a qualquer outra atividade física.

O fato da palavra "esporte" me dar coceira é puro trauma. Quando eu tinha uns dez anos, pedi a meus pais para me colocarem na ginástica olímpica - amava a idéia de ficar pendurada em barras e de me virar do avesso. Fomos até a escolinha e a amável professora disse que eu era muito velha para começar. Assim, na lata. Maldita mulher. Eu não queria entrar para a droga da Olimpíada, só queria dar cambalhotas num colchonete!

Na escola, tinha planos de vender minha alma ao coisa-ruim para jamais ter de frequentar as aulas de Educação Física. Claro que toda a vez passava a vergonha indescritível de ser umas das últimas escolhidas na divisão de times. Só quem passou por isso sabe o que é. Depois, eram duas horas jogando (no meu caso, correndo feito barata tonta), enquanto os professores ridículos ficavam ali, bundando e paquerando as menininhas.

Calejada pela vida, confesso que hoje sinto um certo desprezo pelos esportes. Sei que a prática é importante, tem o poder de tirar criança das ruas (dizem por aí) e desperta sentimentos nobres (não no meu caso). Porém, há tantas coisas que eu não entendo naquele mundinho de gente suada e de contas bancárias milionárias...

Nem preciso falar que não supooooooorto futebol. Poupe-me do papo de que eu devo ser uma ignorante. Muito pelo contrário: já tentei entender todas as regras e nomenclaturas. O que fica difícil para engolir é uma partida que leva quase duas horas e termina em 0 x 0 ou 2 x 1. E campeão da rodada escolhido por pontuação, sem jogo. Ah, por favor. Emoção nula. Fora que me sobe um calô de nervoso quando escuto os salários daqueles jogadores...

Por falar em salário, soube que o tal de Tiger Woods, um golfista (eu disse GOLFISTA) ganha 150 milhões de dólares ao ano. Deus, ele vive num cenário como o do mundo dos Teletubbies, tentando jogar uma bolinha num buraquinho! Só! E a tal da Anna Kournikova, que é a tenista mais famosa e rica, apesar de nunca ter ganho um torneio mundial? Tsk, tsk.

Se eu pudesse, mudava tudo. Esporte passaria a ser amarelinha, corrida com ovo na colher e Tetris. Ou a dança a dois com uma laranja na cara. Aí sim, eu ia ser uma atleta sem precedentes. Enquanto isso, vou fazer uma abdominal ali no sofá e já volto.

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Que tática, hein?
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Sete é seu número de sorte
Anote o dia de amanhã, 04/12, em sua agenda: finalmente serão revelados todos os detalhes da grande Promoção de Natal do Garotas! Preste atenção, porque você vai saber exatamente o que fazer para faturar uma cesta com SETE pequenas lembranças capazes de fazer qualquer coração anos 80 bater de alegria. Serão 15 dias de prazo para concorrer e apenas um felizardo ou felizarda. Uahahahá (risada maligna).

Vivi Griswold às 09:56 AM

terça-feira, 2 de dezembro de 2003

O verão é mágico

Das cabeças que formam esse monstro tricéfalo do Garotas, apenas uma se sente bem em temperaturas acima de 28 ºC, morre de vontade de botar os pezinhos na areia e jogar o corpinho na água salgada e tem planos de se bronzear até virar uma mulher de outra etnia – com a devida segurança garantida pelo Sundown, claro. E, às vezes, pelo Rayito de Sol. Mas não contem ao meu dermatologista, sim?

Claro que essa sou eu. Na cidade ou na praia, adoro o verão. Conto os dias para a chegada da estação, acordo com vontade de levantar a sair vivendo e trabalho melhor quando o astro rei está, lá de cima, lambendo o asfalto implacavelmente.

E, pelo jeito, não sou só eu. O verão aparece numa pá de músicas compostas pelos gringos, de standards da canção norte-americana a baladas tristes de ingleses adoráveis (acho que a música de verão deles é triste porque, afinal, que diabos de verão tem a Inglaterra?). Pegue a esteira e seu chapéu, ligue o som e siga abaixo a lista das canções de verão.

Hoje o dia está quente

Summertime, Janis Joplin ou Ella Fitzgerald
Dos irmãos Gershwin, "Summertime" celebra o verão como uma época de prosperidade, cheia de peixes (?) e algodão (?!). A interpretação de Janis tem o tom da estação e dá calor só de ouvir.

In the Summertime, Mungo Jerry ou Shaggy
Mungo cantava as benesses da estação para encontrar gatinhas – provavelmente em trajes sumários, como manda o figurino –, pescar e nadar no mar. Dispenso as duas primeiras partes do conselho. Me basta a última.

Last Days of Summer, The Cure
Com a tradicional cute-deprê que eu adoro, Robert Smith diz que o "último dia de verão nunca foi tão frio". Nem precisa mais para imaginar o que aconteceu com ele ou para se apaixonar por essa música.

Summer in the City, The Loving Spoonful
Os moçoilos da banda sessentista não curtiam muito os dias de verão, com o calor senegalês e os pescoços queimados. Já as noites... Pelo que canta na letra, o quarteto devia cair no maior "Wild On" depois que o sol se punha, no verão da tal cidade.

Summer Rain, Johnny Rivers
Johnny relembra um verão – e sua chuva, claro – ao lado de uma garota cujo cabelo brilhava como o luar. Puxa, que romance! Para ajudar, a jukebox não parava de tocar "Sargent Pepper’s Lonely Hearts Club Band" enquanto o casal fazia planos de viver nas Montanhas Rochosas com um monte de filhinhos.

The Summer is Magic, ????
Como não me lembro o nome da cantora (desconfio que seja Sasha ou talvez aquela com nome de chuveiro), não encontrei nada por aí. Mas não existia esse poperô, que repetia incessantemente o refrão-título acrescido de algo como "you have to imagine, imaaagine, ô-ô-ô"? Ou foi tudo um sonho?

Summertime Blues, Eddie Cochran, The Who e muuuuitos outros
Eddie sofria as agruras de ser um pirralho: sem dinheiro ou carro para sair com sua garota, ele tenta de todas as maneiras curtir a estação. Nem que para isso tenha de chamar as Nações Unidas (?!). Filho, acho que eles têm mais o que fazer. Mas a música é boa, ainda assim. Tanto que registra 43 covers, de gente tão diversa quanto os Hanson, Skid Row, Olívia Newton-John, Flaming Lips, Motorhead e uma estranha banda chamada Von Zippers (?!). Nessa miríade de estilos e visuais, numa coisa todos concordam: não há cura para o blues do verão...

Clara McFly às 07:36 PM


Beleza roubada - e recuperada!

Sabe o que dizem no primeiro beijo, né? Que ele é muito importante, inesquecível – e que pode definir sua opinião sobre o sexo oposto para sempre. Bom, se fosse assim, eu apanharia um taco de beisebol ou o spray de pimenta a cada vez que um rapaz se aproxima. Meu primeiro beijinho foi roubado por um menino malvado e em condições que nem “Malhação” seria capaz de criar.

Sim, o menino que lascou a primeira beijoca de toda a minha vida fez isso sem eu querer. Eu nem gostava do tal, porque ele era mais velho, mais burro e mais chato do que eu. E não tinha o menor respeito, como já ficou bem claro.

Tudo aconteceu numa festa a fantasia no glorioso Aramaçan, salão conhecido por 10 entre 10 abcpaulistenses. Eu fui ao baile com minha roupa de marciana pensando apenas em sacudir o esqueleto, rir com as amigas e talvez paquerar o menino eu achava bonitinho e divertido. Poxa, gente: aos 13 anos era tudo o que passava no setor “lazer apimentado” do meu cérebro! Mas daí veio o cara.

Vou dizer: os milicos ianques de Pearl Harbor esperavam mais o ataque japonês do que eu aquele beijo. Além de tudo foi ruim, porque saiu todo torto e nada cinematográfico. Fiquei tão passada que não consegui dizer uma palavra.

Apenas fechei meu punho de guaxinim e acertei o moleque bem no nariz. Ele nem quis revidar – já devia ter presumido a reação, coisa que todo cafajeste faz antes de agir. E afinal eu não tenho mesmo um cruzado potente de direita. Depois disso, apanhei minhas anteninhas verdes do chão (maldito, ainda desmantelou o melhor da minha fantasia!) e saí pela direita pisando duro.

Mas a historinha dessa minha primeira-bitoca-frustrada-muito-louca-da-pesada não parou por aí. O malandro supracitado era motivo de paixão de uma das minhas melhores amigas. Ela não tinha ido à festa por motivos de força maior (a mãe não deixou). Quanto tempo vocês acham que levou pra ela saber? Menos do que o tempo que o molho de tomate leva pra sujar minha camisa branca no almoço de domingo. A segunda-feira posterior se apresentou como um dia horrível na escola...

Também há de se registrar que eu passei o resto daquela festa tão em órbita que até esqueci de paquerar o menino que eu achava bonitinho e divertido. Resultado, ele beijou outra garota. Para funcionar como cereja no sundae: anos mais tarde, eu soube que ele gostava de mim, e tinha ido na festa vestido de Lanterna Verde só porque sabia que eu ia adorar. Raaaaios!!!

Bom, o meu primeiro beijo foi uma lástima (e pensar que podia ter sido perfeito E com o Lanterna Verde...), mas deu pra superar. O segundo, em compensação, foi espetacular: na praia, fim de tarde, com um menino adorável de quem eu gostava bastante.

Eu até podia esquecer o beijo roubado e oficializar esse “vice” como o primeiro, mas não. É bom para lembrar que nem tudo o que começa mal segue assim. E que a prática leva à perfeição, claro.

Fla Wonka às 01:30 PM


Meia-dúzia de contos urbanos

Hoje elas se espalham como gafanhotos na lavoura, fazem pouco barulho e logo caem no esquecimento - tudo por culpa da Internet. Mas quando éramos crianças, as lendas urbanas surgiam devagar sei lá de onde e ganhavam força aos poucos, graças ao boca-a-boca e à saudável mania infantil de acreditar em tudo o que ouve. Vai ver que é por isso que algumas das melhores histórias continuam por aí.

A ação de repassar uma lenda urbana não se baseava em dar "foward" num e-mail para todos os seus amigos. Uma pessoa tinha que chegar na gente, arregalar os olhos e diminuir o tom de voz. A frase sempre começava com "Você ouviu só aquela história..." e terminava com "o cunhado da irmã da minha prima JURA que viu!". Daí, bastava contar a outro coleguinha adicionando mais detalhes assustadores. E assim por diante, para todo o sempre.

Algumas delas me assustaram muito. Sempre que a Sessão da Tarde exibia aquele filme "Três Solteirões e Um Bebê" (lê-se "toda a semana"), eu mudava de canal bem na hora do fantasma. Diziam aparecer o espectro de um menininho que morreu naquele apartamento - é bem perceptível, repare. Depois descobriu-se ser um display esquecido atrás da cortina. Hmmm, sei não...

E quando o saudoso "Nepê", ou "Notícias Populares" (conhecido jornal sensacional e sensacionalista aqui de São Paulo) inventou a conhecida historinha do bebê diabo? Foram dias e dias dando manchete do tal filhote do coisa-ruim, que teria nascido em algum bairro paulista. Até foto eles colocaram, com um recém-nascido de chifres! Lembro-me direitinho que todas as Mirtes, Irenes e Lourdes da rua ficaram aterrorizadas.

Também tinha a história do palhaço e da bailarina. Essa vem de Oz! Contava-se por lá que uma kombi (?!) com um palhaço e uma bailarina (??!!) passava na frente dos colégios bem nos horários de pico. O casal surreal oferecia doces e canções, atraindo criancinhas indefesas para dentro do veículo. Lá, eles removiam os órgãos da pobre vítima e a devolviam sem o rim ou o fígado.

Outra lenda que instalou medo foi a das balinhas Van Melle. Começaram a comentar que as balas coloridas artificialmente continham cocaína dentro. Enquanto os adultos piravam, as criancinhas (inclusive euzinha) faziam fila na cantina da escola para comprar o pacotinho do Mal. E ainda ficávamos procurando um furinho em cada uma delas, por onde o sêo Van Melle havia injetado a droga.

A receita de sucesso de uma lenda urbana era envolver ícones infantis da época. Quem não tocou o disco do Menudo ao contrário para ouvir as mensagens demoníacas dos porto-riquenhos? A mais famosa é a do hit "Não Se Reprima", onde é possível escutar (nitidamente) a frase "Satanás vive". Quem achar um link disso para baixar, manda pra cá!

Eu e minhas amiguinhas da rua acreditávamos muito naquela da boneca da Xuxa. A apresentadora havia lançado dois tipos de bonecas: uma à lá Barbie, e outra grande, com umas pernas e braços molengos. Segundo as lendas, a boneca menor ganhava vida à noite e arranhava o rosto da dona. A grande fez pior: enforcou uma menina com seus longos membros!

E o que dizer do boneco do Fofão? Diziam que o personagem peludo e bochechudo, vindo do planeta Fofolândia segundo o próprio, fez um pacto com o diabo para ter fama, sucesso, dinheiro, iates, mansões e mulheres. Para agradar as forças malignas, ele mandou rechear seu boneco (que por si só já era BEM assustador). Uma versão dizia ser uma vela de macumba. Outra, um punhal. Nunca comprovei, porque nunca tive coragem de chegar perto daquele brinquedo horroroso...

Mas nenhuma lenda urbana chega aos pés descalços e fantasmagóricos da Loira do Banheiro. Todo sanitário (masculino e feminino) de todas as escolas contavam com a figura, mais famosa do que a Carla Perez jamais será. Havia todo um ritual para chamar a entidade. Algo como: apertar a descarga três vezes, girar no sentido anti-horário, pular com um pé só e assoviar. Cada banheiro tinha a sua maneira de despertá-la.

A prima da amiga da minha vizinha JURA que viu.


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Depois de amanhã
Sabe que dia é quinta-feira? Não, não é dia de Pomarola... Na próxima quinta-feira estaremos lançando aqui no Garotas uma maravilhosa, estupenda e magnífica Promoção de Natal! Quer concorrer a uma cesta cheia de mimos raros garimpados com o maior carinho por nós três? Então volte aqui depois de amanhã. Quer dizer, volte muito antes disso, mas volte TAMBÉM depois de amanhã. Ah, você entendeu.

Vivi Griswold às 10:09 AM

segunda-feira, 1 de dezembro de 2003

Selvagens na tv

Alguns programas da televisão desafiam minha capacidade de definição. "Wild On", atração do canal por assinatura E! Entertainment Television, é um deles. Se você nunca viu, não sabe o que está perdendo. Mas vai saber já.

"Wild On" é o programa mais... mais... não sei. Simplesmente não consigo achar adjetivo que sintetize o tal do show, comandado por uma apresentadora em trajes sumários, que visita os locais mais "quentes" (entenda como quiser) da noite de uma determinada cidade – do Rio de Janeiro a Hong Kong, passando por Vegas, Ibiza e outras localidades onde as pessoas, por assim dizer, ficam loucas depois do pôr-do-sol.

Digamos que consiste numa espécie de "Flash" do Amaury Jr, mas com as damas muito mais à vontade, soltando a franga na noite. Às vezes, até rola peitinho. Por isso, se você procura por um substituto da "Sala Especial", achou: é só sintonizar no E!, mas tem de ser de madrugada. Na reprise da tarde, eles botam distorção na imagem.

O mais gozado de "Wild On" (sem duplo sentido) é que basta a câmera se aproximar para o grupelho enfocado na boate, no mardi gras ou onde quer que seja levantar seus copos e gritar "uhúúú!". Da China aos Istêites, passando pelo florão da América e pelas praias da Europa, aparentemente o gesto universal de "estou me divertindo à pampa" é erguer a bebida e berrar "uhú!".

Algumas donas mais empolgadas acompanham o erguer do copo com o erguer de sua própria vestimenta, mostrando para a câmera (e para uma platéia, do outro lado da telinha, entre o vexame e a gargalhada) seus dotes. Por que, Deus, por quê? Quando uma câmera se aproxima, os homens não saem arriando as calças e mostrando o "minino" pra todo mundo!

Agora você já sabe no que consiste o sensacional "Wild On". Mas talvez fosse melhor ter ido para casa sem essa, não? Acho que não. Apesar de tudo, o espetáculo é uma das coisas mais engraçadas da TV por assinatura – e olha que nem tem claque de fundo.

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Tem de ser bonito, bem-lançado, erguer o copo
e gritar "uhúúú!" para aparecer no "Wild On"


Clara McFly às 07:23 PM


Paixão por papel-jornal

Tarde cinzenta como a de hoje implora por um edredom fofo, uma xícara de chocolate quente, telefone desligado e um bom livro como companhia. Isso hoje em dia, claro. Na infância, pedia agasalho de moletom velho, uma cumbuca de farinha láctea com leite e quantos gibis eu pudesse carregar pro ninho. Ô saudade das minhas revistinhas...

Na São Bernardo dos anos 80, dia frio era gelado de trincar os ossos. Ali na beirada da serra, a falta do sol trazia garoa fina e um nevoeiro digno dos contos do Stephen King. Hoje isso quase não acontece mais, e eu acho que a culpa é desse tal de efeito estufa. Mas na minha meninice... Nossa, como os dias frios eram bem aproveitados!

Sempre fui alucinada por dois quadrinhos em especial: a turma do Tio Maurício de Sousa e a gangue do Tio Walt Disney. O engraçado é que, para a maioria dos meus amigos, esses dois grupos eram excludentes: quem curtia o Mickey achava a Mônica uma tonta, e quem adorava o Cebolinha cuspia nas histórias do Donald. Eu, por outro lado, sempre me dei muito bem no meio termo. Quanto mais gente pra me divertir, melhor.

Os gibis da Disney eram de histórias um tanto mais elaboradas e cerebrais. Lembro até hoje do pacotão chegando em casa (meu pai deu de presente, num aniversário, a assinatura): vinha uma revistinha do Donald, uma do Pateta, uma maiorzinha do Tio Patinhas e uma gordona com tema definido. Minha preferida de todos os tempos foi aquela chamada “Os Astronautas”, só com histórias do espaço. Show! E eu ainda aprendi o que era o “ribombo lunar”.

Meninas não costumavam gostar desse jogo de revistas. Os gibis da Mônica faziam muito mais sucesso entre as donas de maria-chiquinhas. Talvez porque fossem mais engraçadas, imaginativas e muito mais doces. Eu ia direto ler primeiro qualquer historinha que trouxesse a Tina, o Zé Vampir ou a Magali, três dos meus heróis. Isso, claro, se não achasse a tirinha do meu personagem preferido dentre todos: o Louco.

O cara de cabelos loiros tão desordenados quanto seus próprios miolos é um dos tipos mais incríveis já criados no mundo. Bom, eu acho hilário qualquer encontro dele com o Cebolinha, principalmente quando ele rouba o cabelo do pobre moleque. Aliás, o Louco devia ganhar mais espaço nos gibis, Tio Maurício! Que tal um exemplar só com quadrinhos dele??

Se isso for mesmo criado, apanho meu edredom fofo, minha xícara de chocolate quente, desligo o telefone... e arremesso qualquer outro livro longe! E volto a dedicar todas as tardes cinzentas como a de hoje aos reis do papel-jornal.

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Tempo feio pede a turminha...
Fla Wonka às 02:04 PM


Quando ele existia

Se eu tivesse uns 15 anos a menos, hoje seria dia de soltar fogos de artifício. Afinal, o início de dezembro anunciava a chegada de muitas coisas boas. A primeira: férias - como sempre fui CDF e nunca fiquei de recuperação na vida, esta era a época de trancar o uniforme no armário e passar o dia descalça. A segunda: Natal - ou vai dizer que você ainda não sentiu o gostinho do Panettone?

Era no primeiro dia de dezembro que eu montava a árvore da família. Adorava o momento solene de abrir o lacre de durex da caixa onde o pobre pinheirinho de plástico havia descansado por longos 11 meses. Montava o dito cujo, espirrando aqui e acolá por causa da poeira. Em seguida, buscava uma outra caixa, cheia de enfeites de vidro, laços, flocos de neve falsos e fios de pisca-pisca.

Pena que o Natal só tem graça quando a gente é criança. Depois da revelação chocante de que Papai Noel não existe - e que na verdade meu pai comprava meus presentes de última hora nas Lojas Americanas -, tudo vai por água abaixo. Por isso é que não fico mais tão entusiasmada com as festas de fim de ano. Também, não tenho férias escolares e já me aposentei da missão de resgatar a árvore de plástico há tempos.

Mas ô, como me lembro de esperar ansiosa pela chegada do bom velhinho. Pensando nos Natais que já se foram, o que me vem à memória são os presentes bacanas que ganhei. Ele poderia não existir, mas Papai Noel nunca me decepcionou...

Pepita
Devia ter uns cinco anos quando me vi olhando para uma enorme caixa com um laço maior ainda. Mamãe pegou o presentão, colocou no meio da sala e falou para eu abrir. Quando obedeci e tirei a tampa, pulou para fora uma curiosa cabecinha café-com-leite, de orelhas compridas. Quase perdi o fôlego: havia acabado de ganhar meu primeiro cachorrinho! Uma cachorrinha, para ser mais precisa. Mezzo Beagle, mezzo vira-lata. Quer presente melhor do que um presente vivo?

Cozinha da Barbie
Eu era louca pela boneca loira e peituda. Tinha absolutamente tudo da Barbie. Porém, nada se comparava à cozinha. Eram tantas micro-pecinhas... Imagine no brinquedo menos adequado a uma criança que adorava colocar coisas na boca! A cozinha toda vinha com umas dez panelinhas (e suas respectivas tampas), pratos, talheres, caixas de leite, mantimentos, xícaras e até um frango assado dentro do forno! Ah, como eu adorei ver as caretas de inveja de minhas amiguinhas.

Patins Babuch
Sempre quis um par de patins. Minha fixação para ter rodinhas nos pés foi percebida pelos meus pais em diversos momentos. Em um deles, brinquei de patinar de meia no chão recém-encerado. A cicatriz no meu queixo não me deixa esquecer do episódio. Quando o desejo finalmente foi atendido, ganhei patins em forma de botas em couro branco, com cadarços laranja e verde (super Versace). Importante: da marca Babuch! No final, subi e desci a rua algumas vezes por uma semana. Depois enjôou.

Monark
O clássico presente de Natal. Pois chegou a minha vez de pedir ao Papai Noel uma... Caloi - só porque eu adorava a propaganda dos bilhetinhos. Porém, o pobre velhinho se confundiu um pouco (vai ver que no Pólo Norte bicicleta é tudo igual) e acabei ganhando uma Monark. Não fiquei emburrada, até porque ela era branca com detalhes em cor-de-rosa e tinha uma cestinha na frente - onde eu levava a Menina Flor para passear, outro brinquedinho daquele ano.

Micro system
Ok, quando eu ganhei meu primeiro aparelho de som já não acreditava mais em Papai Noel. Ou melhor, fazia que não acreditava, porque no fundo sempre fui a favor de todos os mitos. Meu micro system era preto e parecia ser profissional, não aquela coisa colorida do Meu Primeiro Gradiente. Dava até vontade de colocá-lo no ombro e sair por aí. Foi com ele que gravei as primeiras músicas dançantes e os maiores hits românticos para as festas de garagem.

Hmm, o que será que vou ganhar esse ano? Não sendo pacote de meia e calcinha florida de algodão, tá valendo.


* * * * * *


No Garotas quem ganha é o leitor!
Ou você pensou por algum momento que este site ia passar o Natal na mixaria? Pois avise a mamãe e o vovô que estamos preparando uma cesta cheia de prêmios supimpas. Para participar da promoção especial de boas festas - e botar as mãos em todos os mimos carinhosamente escolhidos por nós - você só vai precisar de inspiração. Maiores informações ao longo desta semana... Fique ligado!

Vivi Griswold às 10:25 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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