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Biriquitote! Xefra! Um dos livros mais bacanas que já li - e que ainda releio, de tempos em tempos - é "Marcelo Marmelo Martelo", da excelente Ruth Rocha. A história-título apresenta a inventiva saga de um menino que, curioso sobre a origem das palavras, começa a criar sua própria língua (as expressões que emprestei para batizar este texto são os palavrões que o petiz tirou da cachola). Além de ser uma pérola da literatura infantil, também tenho a brochura em alta consideração – e em lugar cativo na estante – porque eu me identificava com o pequeno herói. Quem nunca pensou que determinada palavra significava algo totalmente diferente, tamanha a discrepância da sonoridade da dita com seu sentido? Quando eu era pequena, achava que "escrúpulo" era uma coisa muito feia de se ter. Uma palavra assim tão horrorosa e áspera não podia se referir a nada de bom – mas se refere. Vivi me confessou outro dia que "escaninho" lhe inspirava um bichinho, tipo esses ferrets peludinhos que pululam por aí. E não devia mesmo ser isso? "Macadâmia", para mim, era uma região antiga – talvez próxima à Mesopotâmia, entre o Tigre e o Eufrates –, e jamais uma espécie de castanha. "Plúmbeo" me remete a coloridas penugens de bichos exóticos, e nunca a algo feito de material tão pesado como o chumbo. E, fazendo supermercado esses dias, notei o advento do palmito de pupunha (!). Primeiro, achei que parecia um apelido infantil para as partes íntimas. Tipo periquita, sabe? Depois, imaginei que "pupunha" seria sinônimo de frescura, fosquinha. Assim: "ah, pára de fazer pupunha e come logo essa sopa de feijão!". Claro que a palavra deve denominar uma espécie de palmeira, mais abundante que a do outro tipo de palmito, já que a iguaria de pupunha é bem mais barata (mas achei que tem gosto de borracha). Se eu fosse a CEO vitalícia do Departamento de Línguas para Todos os Povos do Planeta, a Macadâmia seria uma bela terra habitada por escaninhos plúmbeos correndo soltos, sem escrúpulo algum, que jamais fazem pupunha. Como não sou, essa é apenas uma frase absolutamente nonsense. Mas podia ter todo o sentido do mundo, se eu fosse a personagem principal de um livro chamado "Clarissa Salsicha Preguiça" ou algo que o valha. Clara McFly às 07:19 PMO que tá escrito ali? Você sabe por que essa rua onde mora tem o nome que tem? Quem foi o homem homenageado na placa ou o que quer dizer essa estranha palavrinha indígena? E mais do que tudo: eles mereciam mesmo ganhar a deferência de entrar para o guia viário da cidade? Não que eu seja partidária desses vereadores que não fazem nada na vida além de mover projetos de lei para trocar nome de alameda. Mas tem rua com cada nome que não dá para engolir. Principalmente quando faz homenagem sem graça e improcedente. Eu queria saber, por exemplo, por que tem tanta praça, avenida e até rodovia com nome dos Bandeirantes. Ah, gente... Raposo Tavares foi um desbravador dos interiores brasileiros, é verdade. Mas no caminho ele chacinou vilas e vilas de índios – e os que não viraram bolsa passaram a vestir paletó e servir o “mestre” com bandeja. Bonito, não? Então por que não podemos tirar o nome do ultrapassado e raivoso sujeito das placas e colocar... sei lá, o de uma cantora do rádio que nunca fez mal a ninguém e encantou multidões? Eu queria trafegar pela Rodovia Carmem Miranda! Ou pela Estrada Vicinal Emilinha Borba! O mesmo se aplicaria àquela via que liga São Paulo a Minas Gerais. Fernão Dias? Sério, o cara que chamavam de “o famoso apresador de índios” e que não distinguia esmeraldas de umas pedrinhas verdes sem valor? Poxa, eu tenho certeza que as pessoas ficariam mais felizes e o número de acidentes cairia se a gente circulasse pela Rodovia Didi Mocó Sonrisel Colesterol Novalgina Mufum. Vai dizer que não merecia? A Rodovia dos Bandeirantes é outra que está implorando para mudar de nomenclatura. Podia virar Rodovia dos Playmobils, por exemplo. E nos acostamentos teríamos grandes displays de bonecos para tirar foto junto! Quem ia reclamar do congestionamento? Eu quero é uma foto com o bonequinho vestido de médico ali! Deixar as placas mais divertidas não é difícil. Tem um bairro paulistano, Moema, onde metade das ruas tem nome de passarinhos. Eu acho bem bacana, mas confesso que confunde muito. Nunca sei que estou na Macuco, na Graúna ou na Cotovia – não sou ornitóloga, pra mim aves são todas galinhas de tamanhos distintos. Já se elas tivessem nomes de desenhos animado... Eu acharia bem rápido o cruzamento da Rua Esquilo Sem Grilo com a Avenida Lula Lelé! Você não? Como explicar, amigos? Faz exatamente um ano que assinei uma TV paga. De lá para cá, posso dizer que minha vida mudou. Sejamos francos: todo mundo sabe que um cabo ou uma anteninha é sinônimo de centenas de canais, mas não é garantia de entretenimento com qualidade. Porém, viver para sempre assistindo àquela meia dúzia de emissoras abertas da televisão brasileira pode emburrecer até o mais sábio dos sábios. No primeiro ano que passei clicando números absurdos como 175 no controle remoto, consegui recuperar todo o tempo perdido com relação às séries da moda. Ouvia falar em nomes como "Seinfeld" e "Friends", mas não tinha a menor idéia do que mostravam. Quando o milagre veio pelo cabo (no meu caso, por uma antena em cima do prédio), pude finalmente assistir a tudo isso. De "Seinfeld" eu não gosto mesmo, nem adianta vir com papinho. Êta seriado mais chato. Como se não bastasse, o cidadão que dá o nome ao programa (apesar de ser o mais sem-graça do elenco) é a cara de nosso ex-chefe. Impossível dar risada, certo? Mas "Friends", eu adoro. Comecei meio incrédula, achando que nunca fosse gostar daquilo. Depois veio o vício. Assumo, fazer o quê? Pois este texto é sobre os seis amigos estranhos e engraçados. Na verdade, é sobre algumas coisas que eu não consigo entender sobre o seriado. Talvez seja minha falta de intimidade com o assunto - é impossível colocar em dia quase 10 anos em apenas um. O fato é que há alguns mistérios cercando um certo apartamento roxo de Nova York e seus ocupantes nada convencionais... Olha só: Ninguém parece trabalhar O sofá do café está sempre vago Ninguém repetiu uma roupa em 10 anos Chandler, o homem sem estilo As portas estão sempre destrancadas Haja amizade! ![]() E por que eles gostam de tirar fotos na banheira?
Valete, dama, rei São 52 pedacinhos uniformes de papel. Alguns, mais elegantes e de matéria plástica. Outros, meio podrões, mas igualmente divertidos - isto é, se utilizados para as brincadeiras corretas e não para sessões intermináveis de buraco ou truco. Como já disse por aqui, adoro jogos e folguedos, de Scotland Yard a pescaria de festa junina. E muitos anos passando férias escolares na praia deram nisso: uma admiração especial por baralho. Afinal, não é todo dia do verão que faz sol. Além do mais, o conjuntinho de cartas é portátil, barato e se desmembra em dezenas de embates para lá de divertidos. Depois de uns 20 anos de experiência no assunto (minha mãe jogava rouba-monte comigo desde a mais tenra infância), cheguei a uma lista com os cinco mais-mais. Compre uma carta e siga os escolhidos aí embaixo! Nada de morto nem de zap na testa Tapa Pôquer Desconfio Jogo do Palavrão Mexe-mexe Bati! Maior que a satisfação de encher a boca (no bom sentido, sempre) e gritar essa palavra ao final de uma partida de baralho, só mesmo estar de novo no Jornal da Tarde! A capa do suplemento de Informática da edição de hoje estampa cinco carinhas felizes (e um pouco blasés, mas não foi por querer, juro!) dessas Garotas que vos escrevem e de dois dos nossos fados-padrinhos, do Gardenal. Clique enquanto é tempo se quiser nos ver lá – e numa foto interna, na matéria em questão. Mania de doutor No último fim de semana consegui me dedicar ao passeio que eu mais gosto dentre todos: ir no cinema. Foi um bocado difícil escolher algo para assistir – infelizmente estamos naquelas entressafras de filmaços – mas optei por ver “O Júri”. Filme de advogado, sabe? Droga... descobri que basta armar um tribunal para minha atenção grudar na tela que nem chiclete no sapato. Aliás, acho que filme de advogado deveria virar um gênero. Assim: comédia, drama, romance, ação... e filme de advogado. São tantos já lançados que certamente dá para fazer um capítulo inteiro nas enciclopédias cinematográficas. John Grisham, o rei dos romances sobre a categoria, merece uma página dedicada só para ele nessa cine-Barsa. “O Júri” é filhote nascido de uma de suas obras literárias. “O Dossiê Pelicano”, “A Firma” e “O Cliente” também, sendo que todos falam de homens e mulheres que carregam pastas de couro e usam palavras difíceis de soletrar como “jurisprudência”. O moço deve ter fixação por esse meio. E por botar artigo no título de seus livros. Bom, eu não sei por que, mas é um fato: montou o cenário de tribunal todo revestido de mogno, vestiu um cara de juiz e destacou um ator para a defesa e outro para a acusação, eu já me animo a ir no cinema. Melhor ainda se existir um baita conflito ético na jogada ou uma jogada por trás do conflito ético. Pior é que nem sou lá muito fã do Direito em si. Mas adoro quando os advogados de mentirinha começam a repetir “protesto, meritíssimo!” ou “eu apelo à Primeira Emenda!” (seja lá o que for isso). Ah! E filme desse tipo que se preze tem que ter o Gene Hackman no elenco. Fazendo o papel do homem mau, sempre. No dia em que eu fizer a lista dos meus “tiozinhos prediletos do cinema”, Gene vai encabeçar a seleção. Ô sujeito bom de interpretação! Acho que foi mais por ele que “O Júri” valeu o ingresso. Bom, por ele e pelo John Cusack, claro. Os dois, mais o adorável Dustin Hoffman, carregam o piano em cena e fazem desse filme uma sessão-pipoca das melhores. Tem outras, quer dica? “Questão de Honra” (que junta advogados e militares, uma liga e tanto) e “O Reverso da Fortuna”, um dos mais sensacionais filmes dessa categoria que eu já vi. O bom é que, no caso de “O Júri”, o enredo não junta apenas as questões de descobrir, acusar ou fazer o culpado cair numa grande e engenhosa contradição. O roteiro também fala sobre controle de armas – e se tem uma coisa bacana é filme com um fundo moral. Como em todos os do gênero, o final surpreende. Claro que eu não vou sequer mencionar o que é. Vocês aí do outro lado me processariam e isso não seria lá um filme muito legal. Não gostou? Vá reclamar pro juiz! Pois então... Não é que fomos afinal pegas pelas lentes dos fotógrafos? E conscientemente, o que é pior! Nossas caretas saíram em uma reportagem do Jornal da Tarde de hoje, no caderno de Informática. Foi em uma reportagem sobre comunidades da intrigante rede mundial de computadores. Vá lá conferir, na banca ou no site, e depois diz se somos bacaninhas ou merecemos ir parar no banco dos réus. Menos eu O fato de eu não gostar de pizza, de "Seinfeld" e de temperaturas acima dos 25 graus costuma me isolar um pouco em conversas de amigos. Quando o papo toma o rumo de "ei, você viu que hilário estava o Kramer no episódio de ontem?", ou "e aí, vai para a praia no próximo feriado?", minha saída é contar carneirinhos e sorrir amarelo - já que estou sempre em minoria. Afinal, quem mandou ser tão do contra? Porém, o que me deixa emburrada mesmo é não conseguir fazer certas proezas que muita gente consegue. São coisas que independem de gostos ou opiniões, mas que envolvem talentos e, até mesmo, um dom. Após anos de tentativas, fiquei conformada com minhas limitações: vou morrer tentando, sem sucesso, truques e peripécias que sempre quis aprender - apesar de algumas delas parecerem inúteis à primeira vista. Ah, se eu pudesse promover alguns segundos de diversão boba utilizando pelo menos um dos artifícios abaixo... Dobrar a língua Virar estrela Ver figuras no "Olho Mágico" Assoviar com dedos Jogar truco Fazer o truque do lápis mole Pensando bem, eu me divirto muito com o pouco que tenho. Vergonha, vergonha
Eme-tê o quê? Além das chamadas surreais, como a que mostra simplesmente um tanque, desses de lavar roupa mesmo, por vários segundos, há uma série de outras coisas das quais não consigo processar o sentido exibidas a torto e a direito pela Eme-Tê-Vê. Uma delas é justamente o nome da emissora: por que diabos ainda se chama Music Television se, sempre que sintonizo no canal, não está passando videoclipes? O horário nobre da dita tv exibe programas de variedades, alguns até bacanas, outros que dão vergonha, como o "Fica Comigo", e outros com a estridente participação de uma buzina. As premiações também ficam além da minha pobre capacidade de compreensão, tipicamente loira. Não entendi até agora por que o VMA da MTV Latino (note bem, é a MTV LA-TI-NO, exibida nos países de língua castelhana, como Colômbia, Argentina e tal) foi feito em Miami. Tá certo que a cidade estadunidense deve guardar a maior concentração mundial de latinos, mas, poxa!, ainda assim é uma cidade norte-americana. Cruzando o oceano em direção à Europa, o EMA (VMA do Velho Continente) não ficou atrás: a hostess da noite da premiação foi a americaníssima Christina Aguilera. Ok, não tão americaníssima, já que a sapeca moçoila deve ter ascendência latina. Mesmo assim, achei o fato estranho – mais até do que as extravagantes roupas usadas pela dita cuja na cerimônia. Será a globalização? De volta à MTV Brasil, fora o fato de que todo "Acústico" produzido pela emissora é anunciado como "o mais aguardado do ano", dessa vez a incongruência foi além. O "Acústico Zeca Pagodinho" não é nada de novo, já que todo show do cantor é acústico, pô! Ou o bom samba do estilo velha-guarda, como do adorável Zeca, já foi elétrico algum dia e eu estou por fora? Agora, vocês me digam: sou só eu e minha loirice ou essas coisas estão mesmo além da imaginação? Clara McFly às 07:04 PMDelícia gelada, delícia gelada! Um dos meus 329 defeitos é falar demais. Basta ficar um pouquitinho feliz ou empolgada e pronto, dá-lhe tagarelar por todos os cotovelos disponíveis. Nesses momentos, só uma coisa é capaz de fazer essa que vos escreve fechar a matraca e dar um tempo aos ouvidos alheios: sorvete!!! Eu simplesmente amo esse artigo gelado e ligeiramente docinho. É a sobremesa perfeita, principalmente por não conter um exagero de açúcar – sou a única desse trio que não foi formiga na encarnação passada... Aliás, acho que fui um camarão. São tantos sabores e acessórios para juntar na massa que minha boca enche d’água só de imaginar. Flocos, morango, passas ao rum (esse é o “novo rico” dos sorvetes), coco, avelã... Não importa o que vem no pote, tenho certeza que vou fazer a festa. É só não chegar perto de mim com sorvete de milho verde, que daí sou capaz de virar ao contrário. Ah, milho??? Alguém aí toma sorvete de berinjela ou de quiabo? Então não me venha com gracinha. O fato é que desde criança tenho veneração por sorvete. Gosto inclusive de enfiar um colherão cheio disso na boca só pra sentir a dor de cabeça que o frio causa! Esquisito, né? Muitos também acham, paciência. Bom, mas o hábito trouxe as preferências. Baba nos “Fabulous Five”: 5) Sorvete de caipirinha 4) Chocolate, creme, morango e farofa 3) Sorvete de iogurte com frutas vermelhas 2) Chocolate com pedacinhos do mesmo e um pouco de limão 1) Sorvete de pistache coberto com aquela coisa fantástica Meninas de um lado, meninos do outro Chegou a hora de diminuir a luz, aumentar o som e escolher um parzinho. A parte romântica das festas de garagem era a mais esperada por todos os convidados. Os hormônios estavam acordando e muitos primeiros beijos aconteceram em eventos como aqueles - no caso, os beijos eram mais selinhos tímidos e estalados do que algo mais caliente. Se aquela lona falasse, hein? Quando as músicas dançantes cediam o lugar às baladas arrebatadoras da época, os pais do aniversariante largavam a novela das 8 e davam uma espiadela no baile, volta e meia brigando com o filho ou com a filha para acender a maldita luz. Eles achavam que a precaução seria garantia de uma festa apropriada para menores de 16 anos. Nem precisava. Eram inocentes aquelas noites primaveris. Afinal, o que esperar de pré-adolescentes que achavam a maior graça na brincadeira da vassoura ou que enrolavam por horas até arrumar coragem de chamar uma provável cara-metade para dançar? Santa timidez! E a dança? Meninas colocavam mãos nos ombros dos meninos, meninos colocavam as mãos na cintura das meninas. Depois, dois passinhos pra lá, dois passinhos pra cá. Parece emocionante? Então dê uma olhada na trilha sonora deste momento mágico que todos guardam com carinho no baú da memória. Ou não. LADO B - As românticas... ... ou "mais açucaradas que chupeta de caramelo" "Build" - Housemartins "Eternal Flame" - Bangles "Baby Can I Hold" - Tracy Chapman "Lost In Your Eyes" - Debbie Gibson "Right Here Waiting" - Richard Marx "Listen To Your Heart" - Roxette "Piano In The Dark" - Brenda Russel "Careless Whisper" - George Michael "I'll Be There For You" - Bon Jovi "Take My Breath Away" - Berlin ![]() Ufa, ainda bem que passou!
Iconografia trágica O mundo está salpicado de placas informativas, para lá de necessárias para que a gente não faça orelhadas, como entrar no banheiro destinado ao sexo oposto em restaurantes e clubes. Tudo bem que elas nem sempre funcionam para mim, mas estão lá. O problema é que alguns banheiros optam por usar “M” para mulheres e “H” para homens. Outros estampam um “F” para feminino e um “M” para masculino. E aí eu me confundo: às vezes adentro o recinto do “M” achando que é de mulher, mas na verdade a referida letra discrimina o banheiro masculino. Depois de um toque, geralmente dado em voz grave, do tipo: “ei, mocinha, você está no banheiro errado!”, coro e saio correndo. Mas isso é um transtorno pequeno se comparado ao das placas que estampam desenhos macabros para passar seus recados. Essas, sim, são de morrer. De medo ou de rir. Tentei reproduzi-las com minhas parcas habilidades desenhísticas no fabuloso Paint Brush. Dêem um desconto à minha limitação artística e acompanhem esses pesadelos em forma de placas abaixo. Afinal, o que vale é a mensagem passada pelo desenho – e juro que todos esses são de verdade e eu já vi. Na via Anchieta - sentido Santos, próximo ao quilômetro 13, descansava uma dessas pérolas. Para evitar que os infiéis atravessassem a perigosa estrada correndo ao invés de usar a passarela, plantaram ali um alerta de risco de atropelamento. Mas não bastava dizer “Cuidado, risco de atropelamento” ou até mesmo “Você pode morrer se atravessar aqui”. Preferiram colocar um desenho de uma menininha, cuja cabeça parecia um bombom, com uma baita marca de pneu transpassando seu corpinho. Horror, horror. ![]() Já na Praia Grande, a certa altura do Canto do Forte, espetaram um aviso de perigo de afogamento. A placa mostrava, brilhante e claramente, uma mãozinha para fora d’água. É a visão de uma pessoa afundando no mar. Péssimo. ![]()
![]() Por fim, os assinantes da TNT também são brindados quase que diariamente com um exemplo de iconografia trágica, mas em movimento. No aviso que precede os filmes violentos, aparece uma animação, a princípio divertida, de um policial perseguindo um ladrão. A coisa fica preta quando o polícia atira no bandido – e pelas costas! Quem o gênio que sacou dessa? Me avisem, para que ele nunca corra o risco de ser contratado pela Ni Corporation. Ou para que o moço seja nosso primeiro funcionário, encarregado do Departamento de Piadas Macabras. Garota em fuga Passei a mão nas minhas roupas, nos CDs, nas bugigangas que decoravam minha escrivaninha de cerejeira, no pijama de bolinha e dei o fora da casa dos meus pais. Disse que dali não levaria nem o pó e, como Carlota Joaquina, bati os sapatos na soleira da porta. Ah, a quem eu tô enganando... não foi dessa maneira teatral que eu saí da casa dos meus velhinhos, não. Eu tinha 21 anos quando decidi deixar pra trás o conforto que papai e mamãe me proporcionavam. Coitados, já tinham suportado demais os meus sapatos largados na sala, as minhas manias, as chegadas na madrugada e o meu mau humor – eu morava em São Bernardo e trabalhava em São Paulo, cidades separadas por 1h30 de trânsito, daí a carranca. Não fiz o drama descrito no primeiro parágrafo, mas foi emocionante partir. Alojei os pertences em três caixas pequenas, coloquei todas as peças de roupas sobre um lençol estendido no chão, amarrei as pontas e soquei tudo no meu Uno Mille. Dei um beijo no pappy, dois na mammy e avisei: “hoje já não durmo mais aqui, tá?”. Foi assim, simples e sem chororô. A partir daí é que o caldo entornou. Eu saí de casa para morar em um apê alugado com duas amigas. Bom, a verdade é que uma delas era muito minha amiga, mas a outra eu nem conhecia direito. Arriscado? Que nada! Hoje Caren e Taís são duas das pessoas que eu mais respeito no mundo. A convivência faz milagres. A primeira semana foi bizarra. Nossa mobília se resumia ao que cada uma levou para o seu quarto – o meu, franciscano, só tinha um baú, uma estante de ferro e um colchão. Além disso, ganhamos um fogão usado da minha irmã, uma geladeira da mãe da Caren e... droga, era só isso. Ah! Mas as meninas, estudantes de música, botaram o piano na sala, o que deu um charme no local. Apesar daquele carpete imundo que nunca tinha visto escova e sabão. A diversão, nesse começo, era garantida pelo arquivo particular da Taís. De lá saiu, por exemplo, uma pasta com recortes de revista das piores boy bands do mundo, incluindo aí centenas de lembranças do New Kids on The Block. Nem o cara que descobriu o túmulo de Tutancâmon se divertiu tanto com um achado histórico. Foram semanas de riso vendo a cara de imbecil do Jordan Knight... Morei nesse apartamento de janeiro de 1997 a julho de 1999. Foram quase mil dias de muita gargalhada, de horas e horas vendo tv esmagadas no sofá pequeno comprado à prestação, de ódio à vizinha que deixava o papagaio na chuva, de miséria financeira quase total. E de personagens estranhos colecionados. A vizinha de porta era a rainha máxima da fritura, o que deixava uma névoa constante no corredor – daí chamarmos o andar de “Transilvânia”. O zelador era um sujeito muito do saliente que, dois dias depois da nossa mudança, já me chamava de Flavinha. A síndica era daquelas que fincava o pé na porta para xeretar nossa casa (mesmo com uma fresta minúscula da porta aberta). Para quem duvida que sair da casa dos pais é uma boa pedida, posso dar meu conselho. Demorou, criatura! Sai a roupa limpa, passada e guardada na gaveta, a comidinha gostosa e os mimos gerais? Sim, mas vem o domínio total do nariz e o crescimento como humano. Sem falar na lista de compras recheada de porcarias, as festas e a liberdade de deixar os sapatos em qualquer canto. Hora de apertar o REC Ao publicar o texto da semana passada sobre festas de garagem, não imaginava a quantidade de leitores saudosos por uma dança da vassoura ou por uma chacoalhada de esqueleto sob proteção da lona pendurada no portão. Foram dezenas de e-mails que fizeram o favor de refrescar a memória desta humilde garota que muito gostava de eventos do tipo. Como o assunto rendeu mais que frasco de detergente na mão da Mirtes, volto às festas para analisar a trilha sonora executada no recinto. Os responsáveis pelas músicas eram o aniversariante e seus amigos, providenciando K-7s repletos de sucessos gravados diretamente do rádio. A tarefa mostrava-se emocionante: ficávamos com o dedo no botão REC por horas a fio, esperando uma bendita canção começar. De nada adiantavam os gritos da mãe ou o toque incansável do telefone - o momento exigia concentração máxima, pois sabíamos que bastava uma ida rápida ao banheiro para a tal ser tocada. Em 1990 eu tinha 13 anos, faixa etária sedenta por festinhas. Mas como não há nada mais anos 80 do que o começo dos anos 90 (na verdade, os anos 80 acabaram lá por 1993), as músicas que ouvíamos eram exemplares das duas décadas. Pensando nisso - e pesquisando todas as trilhas sonoras internacionais de novelas -, fiz uma seleção perfeita para a garagem. Alguém aí ainda tem um micro system? LADO A - As agitadas... ... ou "não acredito que eu dançava isso" "Silent Morning" - Noel "Domino Dancing" - Pet Shop Boys "Move This" - Tecnotronic "Strangelove" - Depeche Mode "Think" - Information Society "A Little Respect" - Erasure "Stay" - Oingo Boingo "Harry Houdini" - Kon Kan "Cinema" - Ice MC "The Sign" - Ace of Base ![]() Ai só de sain...
De atalhos, cabeças e surpresas Pegue um campo de mais ou menos 100 x 60 metros, adicione traves com redinha em cada uma das pontas, jogue 22 homens uniformizados lá dentro, uma bola e um trio de árbitros. Cerque tudo com duas torcidas apaixonadas (não entre si, pelamordedeus, que isso não é culto a Baco) e aí está o mais popular espetáculo nacional. Não sou daquelas que torcem o nariz para futebol, quase uma obrigação religiosa para boa parte dos garotos dessa terra brasilis. Mas também não sou uma dessas que se vê na tv, no meio da torcida, chorando com o rosto pintado nas cores do escrete favorito. No meu confortável meio-termo, às vezes vou ao estádio ver meu time. Mas passo boa parte do tempo observando as pessoas da arquibancada, geralmente mais interessantes que a partida depois de uns 30 minutos de bola rolando – e sem narração nem replay. Em casa, até assisto a alguns jogos, e me divirto não só com os lances do embate, mas talvez até mais com as pérolas desfiadas sem o menor pudor por narradores e comentaristas. Foi aí que percebi três lugares-comuns que, além de chavões, para mim são lendas do futebol. Apesar das esmeradas tentativas do namorido em provar por a + b que não, eu duvido que existam... … "os atalhos do campo" … "o elemento-surpresa" … "a cabeçada consciente" Em tempo: meu time não vai muito bem, obrigada, mas corintiana que é corintiana (apesar de ser daquelas que mal sabem a escalação) jamais abandona o Timão. Sou maloqueira (um pouquinho só, vá?) e sofredora (nem tanto, que eu não ligo muito para isso), graças a Deus! Clara McFly às 05:27 PMO dia em que tomamos a tv Sabe aquela brincadeira que sempre fazemos aqui sobre um dia dominar o mundo? Pois então, não é lá muito brincadeira, não. Essa missão divertidíssima de conquistar o globo e espalhar o nosso adorável, doce e justo poder deu um passo importante no último domingo. Estivemos na televisão! Como tudo o que se relaciona com as Garotas que Dizem Ni, isso também aconteceu de modo despretensioso e estranho. Uma amiga de Clarinha sugeriu nossa participação em um programa da AllTV, uma emissora de tv que funciona via internet – ou pelo televisor mesmo, mas só para quem é assinante da TVA em São Paulo. Como somos aparecidas e corremos atrás de motivos para quebrar a rotina, topamos. Daí por diante, tudo passou a ser surrealismo. A moça simpática da AllTV, para começo, pediu um release nosso para fazer a pauta, um texto explicando o que era o site e quem éramos nós três. De tão profissionais e marqueteiras que somos... não tínhamos nenhum. Isso porque a gente é jornalista e sabe que ter um material de divulgação é meio caminho andado para fisgar a fama. Bom, fizemos o dito cujo. Programa marcado, era só aparecer no domingo às 7h30 da madrugada na AllTV. Foi o que fizemos as três – mesmo com o ligeiro mau humor de quem não curte acordar cedo estampado nessas testas que deus nos deu. Porém disfarçamos direitinho, como manda a educação. O local é quase uma casa. Não tem qualquer recepção oficial, então bastou a gente ir entrando. Esquisitíssimo invadir assim, sem cerimônia, um local daqueles, onde trabalha uma moçada com cara tão agradável. Como eles pareceram não se incomodar conosco, não nos incomodamos com eles também e nos aboletamos numas cadeiras enquanto espiávamos o programa que rolava no estúdio à frente. Pior é que já estava dando uma fome, uma vontade de café da manhã... Mas ela passou meio rápido assim que ouvimos um dos garotos dizer “o café é de quinta-feira? Ah, então acho que vou fazer um novo daqui a pouco”. Café de quinta-feira? Hum, não, obrigada. Quinze minutos se passaram e nada de virem falar com o nosso trio. Acharam a gente feia? Estaríamos no lugar certo? Tínhamos mesmo sido chamadas ali ou seria um sonho coletivo que diz Ni??? Tomamos coragem de perguntar pela Bianca, a moça simpática que fez o convite. O menino fisgado para responder ficou uns segundos com cara de “hein?”. Juramos que ele ia dizer “Bianca? Vocês devem estar enganadas, ela morreu em 1996”. Como no “Além da Imaginação”, sabe? Mas no final ela apareceu. E logo os dois apresentadores do fabuloso “Programa de Domingo – Parte 2” (até agora não sabemos se existe uma “Parte 1”), vieram nos buscar. Marcos era o nome do âncora, Tatu era o seu partner. O primeiro aparece na telinha em carne, osso e cara de pau. O segundo vai apenas no áudio – enquanto o vídeo mostra um Tatu de pelúcia muito do bonitinho. Ele diz que é porque seu direito de imagem é muito caro, mas a gente desconfia que ele tenha problemas com os tiras. Foram duas horas de pura diversão falando sobre o site, desenhos animados, filmes, os anos 80 e asneiras em geral (mas essa última parte foi culpa dos apresentadores). Também foi tempo de passar um pouco de frio no estúdio com temperatura polar e muita fome devido à falta de café do dia. Mas valeu tanto a pena que pensamos em invadir o lugar na semana que vem com morteiros e conquistar um programa só nosso. Já pensaram??? Nós sim... Desculpem não ter avisado antes que íamos aparecer na tv, viu, família de leitores? Nem nossas mães viram... Era muito cedo, muito complexo o acesso, muito sacrifício para vocês todos. O bom é que o programa fica lá no site da AllTV, na seção “On demand”, por 72 horas. Mas corre, que agora vocês só têm mais umas 40 delas para ver o dia em que nossas carinhas foram parar na caixa de fazer doido. A cozinha proibida da Ofélia Culinária é uma arte divina. Aqueles que nasceram sob proteção da Ofélia fazem maravilhas e perfumam a casa com o aroma de temperos e comida gostosa. Já aqueles que não nasceram para mexer nas panelas são obrigados a sobreviver graças a macarrão instantâneo, ovo frito e congelados para microondas. Contudo, há certas receitas proibidas que todos são capazes de fazer. Existe uma culinária alternativa que cada indivíduo guarda dentro de si. São quitutes que só satisfazem àquela pessoa e que podem assustar qualquer outra que ouse se aproximar. Por isso, muitas receitas são sigilosas e para praticá-las não pode haver alguém de butuca. Vai dizer que nunca comeu batata frita com sundae? Ou fez mini pizzas com bolacha de água e sal? Ou comeu papinha de açúcar com água? Ou colocou mostarda no panettone Village? Pode parecer ingênuo, mas tais atos são vistos como imorais no mundo dos chefs de cozinha. Pois que eles não nos ouçam: aí vão algumas receitas de comidas estranhas feitas por culinaristas anônimas. É tudo verdade, então pense duas vezes ao tentar qualquer uma delas em casa. E não deixe os pratos ao alcance de crianças ou animais de estimação - só para garantir. Mousse de leite em pó Pó mágico Lanche crocante Torrada com manteiga doce Sanduíche de Miojo paposo Quer um pedaço? ![]() Tadinha dela...
Nem com pé-de-cabra Pode estar caindo o mundo, chovendo estrelas ou acontecendo o fenômeno da aurora boreal em pleno país tropical. Como disse ontem, há uma singela lista de dez filmes que, uma vez que pego em exibição na máquina-de-fazer-doudos, não consigo parar de ver. Ontem, confessei cinco desses piteuzinhos (tá, nem sempre são tão bons assim, mas perdoem, vá?). Hoje, como prometido, chega o outro quinteto (ou “tchinqüina!”, como dizem as Mirtes dos bingos). Da frente desses, não saio nem com pé-de-cabra. Um Tira da Pesada (Beverly Hills Cop) O Jardim Secreto (The Secret Garden) Máfia no Divã (Analyze This) Feitiço do Tempo (Groundhog Day) À Espera de um Milagre (The Green Mile) Crente em meio período Dizem Vivi e Clarinha que eu sou a mais cética de nós três. Confirmo em parte. Não acredito mesmo nessa balela de fadas e duendes e é só ouvir falar em signo e numerologia para produzir um desdenhoso “pffff!” fazendo cara de enjôo. Mas também não sou assim tão endurecida pela vida, poxa! Eu bem queria que umas coisas que todos julgam ser mentira fossem reais. Acontece que sempre fui muito realista, mas ser tão pé no chão às vezes dá dor no calcanhar. Então uso, por algumas vezes, meu outro lado, o de sonhadora compulsiva e delirante. Mas todo mundo aí há de concordar que seria ótimo se fosse verdade mesmo que... ... o Yeti existe ... a Máquina do Tempo pode vingar ... Elvis está vivinho da Silva ... há uma passagem ligando São Tomé das Letras a Macchu Pichu Serviçais de luxo Um mordomo, um pianista, uma modelo, um menininho ou até um exército de loiras. Parece que os candidatos ao posto de ajudante de palco de programas de TV são tão distindos quanto os afazeres da ingrata profissão. Ingrata porque eles vivem em segundo plano. Ei, não por aqui! Graças à nossa memória - que é tão grande quanto os estúdios da Grôbo - é chegada a hora daqueles profissionais brilharem. Ajudantes de palco são o braço direito (e às vezes o esquerdo também) dos apresentadores. Eles dão a ficha certa na hora exata, fazem sala para convidados, exibem o produto anunciado com o maior sorriso, escolhem vítimas na platéia, entregam brindes, demonstram brincadeiras e seguram fãs mais exaltados. Fora que são o termômetro do sucesso dos astros e estrelas: só os animadores top de linha têm direito à ajuda preciosa. Pegue as Paquitas, por exemplo. Comparsas oxigenadas da Xuxa, elas foram as únicas do programa que realmente aguentaram o surto infantil carinhosamente apelidado de "baixinhos". O cenário, em forma de parque de diversões, tinha criança pendurada em todos os cantos. Imagine o trabalho! Mas tudo bem: as Paquitas ficaram famosas, gravaram disco e uma delas, a Sorvetão, até casou com o Conrado. Que maravilha, hein? Falando em maravilha, a Mara Maravilha era rodeada por um grupinho de meninas e meninos que cuidavam dos mínimos detalhes de seu programa nas tardes da TVS (me recuso a falar SBT). Um deles, o Paulinho - mais conhecido como o maquinista do trenzinho cenográfico que trazia e levava a apresentadora - hoje é o digníssimo senhor esposo de Mara. Bozo recebia auxílio do sempre atento Garoto Juca. E outro que contava com criancinhas no palco era o Gugu. Tinha o Danny Boy, um pobre menininho que se vestia tal qual o loiro milionário (só que ele ganhava 600 reais por mês, dizem por aí) e uma tal de Mayra, cheia de cachinhos como a Shirley Temple. Cadê essa gente toda? O Gugu é o rei das ajudantes de palco curvilíneas. Mais recentemente passou pelo "Domingo Legal" a morena Helen Ganzarolli e a loira Alessandra Scatena. Porém, áureos eram os tempos do "Viva a Noite". O show contava com a preciosa ajuda de Marriete (não sei como escreve isso!) para fazer o coro do "Viva! Viva! Viva!". Tinha ainda o Bugalu, um boneco cabeçudo e gordo recheado por algum ilustre desconhecido. Ou por cinco criancinhas polonesas, vai saber... Luxuosos mesmo eram os respectivos de Clodovil e Hebe. O do estilista Clô era um pianista chamado unicamente de "Paixão". Já o de dona Hebe tinha um nome comum, Antônio. O calvo e distinto senhor conduzia a estrela até a frente do auditório com o sorriso Colgate ligado na tomada enquanto durasse a atração. Mas nenhum ajudante de palco consegue superar o Roque - tanto em fama quanto em carisma. Ele é baixinho, tem a cara da Marlene Mattos e usa camisas de gigolô com os três primeiros botões abertos. O que seria de Silvio sem a figura? Afinal, quando Julio Iglesias acabava de cantar "Manuela" e o casal dizia que era namoro, Roque corria para entregar o buquê aos recém-enrolados. Obrigada por tudo, ajudantes de palco. Agora de volta ao batente porque o comercial está acabando! ![]() Haja descolorante e miçangas!
Não toque nesse controle remoto! "Curtindo a Vida Adoidado", "O Casamento do Meu Melhor Amigo" e "Lado a Lado" já são café-com-leite. Somados, os três filmes citados já tiveram a bagatela de 28 citações aqui no Garotas; por isso, não entram na competição dos filmes que não consigo parar de assistir. Mas há outros dez que fizeram o ranking. Eu não sei qual é o segredo que prende meus olhinhos míopes na tela durante a exibição destas peças. Talvez o senso de humor, mesmo que em alguns doce-amargo, compartilhado por eles. Talvez os personagens carismáticos. Talvez a fantasia presente na maioria. Ou quem sabe apenas alguma mensagem subliminar estrategicamente projetada… que funcione só comigo. Afinal, quem mais é incapaz de parar de assistir uma dessas ecléticas pérolas abaixo listadas, mesmo que já a tenha visto mais de mil vezes? Jerry Maguire - A Grande Virada (Jerry Maguire) Melhor É Impossível (As Good As It Gets) O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le Fabuleux destin d'Amélie Poulain) O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel (Lord of the Rings – The Fellowship of the Ring) Dirty Dancing – Ritmo Quente (Dirty Dancing)
Afinal, em que época o casalzinho se conheceu?
Isso é nome que se dê? É uma bobagem, mas depois de convencer uma gravadora a botar seu CD cheio de sucessos na praça, um punhado de artistas decide dar ao precioso álbum conquistado... seu próprio nome. Ô desperdício! Se a Gal Costa lança um novo disco, não precisa colocar o nome de "Gal", né? Poxa, a gente conhece aquela bocona. Mas existem iniciativas piores. Hoje, ou o cidadão chama o CD de "Unplugged" ou "Acústico" (dependendo da tendência à globalização da banda), ou inventa um título malucão. Fiquei paralisada mirando o rádio do carro outro dia quando soube que o novo CD d'O Rappa se chama - desculpa a boca suja, mãe - "O Silêncio Q Precede o Esporro". Hein??? Pode falar isso no ar??? Até então, eu achava que o máximo no nojo e da indecência a que os nomes de álbuns musicais chegaram foi "Só no Forévis", do Raimundos, e "Transpiração Contínua Prolongada", do Charlie Brown Jr.. É que esses até são engraçados de se dizer (mas eu não repito em público, porque sou menina direita). Outros já preferem fazer a linha "poesia transcendental que engloba valores surreais a nível de nome de CD". Fico imaginando, por exemplo, o que ia na cachola doidivanas da Dona Marisa Monte ao denominar aquele disco "Verde, Azul, Anil, Cor de Rosa e Carvão". Aliás, sempre que começo a dizer esse nome me dá vontade de completar com uma terminologia bem feia. Assim: "Verde, Azul, Anil... e que vá todo mundo à p* que o p*". Desculpa, eu sei que é feio mesmo. Ainda bem que não digo tanto assim o nome do tal. Mas tem também quem opte pela meiguice extremada. Os vivos e mortos do Legião Urbana que me perdoem, mas quem batiza um CD de "Música para Acampamentos" merecia receber a visita do Jason Vorhees. E ainda foram eles que criaram um certo "A Tempestade ou O Livros dos Dias". Tudo bem, o Renatão estava passando maus bocados nessa época, mas precisava ser tão deprimente? Se bem que apenas algumas bandas empregam o pessimismo. Outras são mesmo é uns piadistas. Vocês sabiam que existe um CD do grupelho KLB chamado "Melhor do Que Nunca"? Melhor do que nunca, moleques chatos, só se o carregamento dos seus disquinhos mergulhasse em um poço de piche. Pensando bem, esse é um caso típico onde é melhor que os discos sejam chamados pelo nome do grupo e pronto. Assim a gente já desvia os olhos antes mesmo de ler qualquer título. Fla Wonka às 02:00 PMAssopra, assopra! "Antes de casar sara" - a fatídica frase era proferida diariamente por mães, tias e avós durante toda a nossa infância. Já reparou que quanto menor a idade, maior o número de machucados, escoriações, raladas e manchas roxas? Não que estejamos livres de tombos quando atingimos a fase adulta. Mas é impossível deixar de notar que os pequenos acidentes domésticos eram muito melhores naquela época. Simplesmente não conseguíamos ficar longe de problemas. Qualquer brincadeira, por mais inocente que pudesse parecer à primeira vista, sempre acabava em lágrimas - consequência de 10 em 10 machucados. Cada arranhão sanguinolento no joelho era resultado de uma brilhante idéia que nunca poderia ter dado certo. Eu carrego uma cicatriz no queixo. Tudo porque decidi "patinar" de meias no assoalho de taco que minha mãe havia acabado de encerar. A diversão durou segundos - tempo suficiente para eu me esborrachar e me cortar. Fui direto para o pronto-socorro, onde tive de ser imobilizada como uma psicopata para os médicos conseguirem dar pontos no ferimento. Depois dos berros de bezerro no abate que tanto envergonharam meus pais, vi que não tinha doído tanto assim. Outra idéia fraca foi do meu avô, que quis amarrar uma extremidade de corda em sua bicicleta e outra no meu triciclo Tico-Tico (aquele vermelho com rodas azuis) e sair pedalando pela rua arrastando a netinha atrás. Na hora de uma curva fechada, lá foi a Vivi parar no asfalto quente. Pior fez o meu primo, que subiu no gira-gira, rodou o mais forte que conseguiu e largou as mãos para ver o que acontecia. O que aconteceu foi um rombo na cabeça devido a uma gangorra estrategicamente posicionada entre ele e o chão. Flá confessou em outro texto que cobriu a mesa de centro com uma almofada e pulou nela. Pena que a mesa era feita de vidro, né? Imagine o choro. Já Clara colocava seu pequeno irmão J.P. em apuros, como quando inventou a brincadeira "correr ao redor da cadeira de balanço". Para apimentar o jogo, ela arrumou obstáculos. E o pobre caçula terminou com uma linha cirúrgica no corpo. Não precisávamos de um plano mirabolante para ganharmos um machucado. Bastava sair descalça no quintal, com a perna de fora e... pronto, lá vinha uma ralada. Além do sofrimento, tínhamos de engolir algum adulto assoprando nosso joelho enquanto passava merthiolate (como se aliviasse alguma coisa). "Antes de casar sara", dizia. E não é que sara mesmo? Vivi Griswold às 10:22 AM
Não tinha outro jeito de chamar? Eu já disse por aqui que tenho um segundo nome. E que ele não combina nada nadinha com minha primeira graça. Daí meu nome do meio ser um mistério… Mas essa desastrosa combinação de batismo é fichinha perto de algumas frases, expressões e títulos que leio por aí. Amor aos Pedaços, por exemplo. Eu a-mo tudo que vem desse lugar. Os bolos do Festival do Morango que a doceira promove anualmente são de fazer qualquer mortal inclinado ao comportamento de formiga, como eu, se sentir no céu. Mas o problema é que, ao pronunciar o nome da loja, visualizo um serial killer que, digamos, destrinchou sua cara-metade. E "Hora do Capeta"? Para quem não teve a sorte de nascer antes do início dos 80, tia Clara refresca a memória. Esse era o programa infantil (?!) do Sérgio Malandro, quando a graça do moçoilo ainda contava um "L" só. Isso lá é nome de uma atração para crianças? Como se não bastasse, um dos quadros do dito cujo era "A Porta dos Desesperados". Só faltava ter ritual de missa negra também… Mas não é só na área dos nomes que tenho o problema da livre-associação – geralmente indo parar em algo que não tem nada a ver, como vocês viram acima. "Polícia montada" imediatamente traz a essa cachola cheia de macaquinhos a imagem de uma drag queen vestida de guarda. Tá, eu sei que não é nada disso, mas a divisão precisava ter esse nome? É pedir para fazer piada, vá? Assim como o SBT usar, no anúncio dos programas, a chamada "não perca o filme tal, domingo, coladinho com o Gugu!" Pelamordedeus! Esses caras não relêem o que escrevem? Os boatos sobre a sexualidade do apresentador mais loiro e deslavado da TV brasileira correm soltos e o canal faz uma chamada assim? E esperam que a gente pense o quê?! Seja o que for, melhor que cada um guarde para si… Clara McFly às 07:21 PMPerdedores, sim. Mas quem não é? Só quem já foi muito impopular sabe como isso pode ser chato. Ou não, se o indivíduo souber usar sua falta de carisma de maneira esperta (como por exemplo se tornar um crânio e o queridinho do professor em qualquer matéria e obrigar aquele povinho enturmado a comer nas suas mãos). Mas só um loser - lê-se "lúser", de preferência fazendo um L com os dedos e encostando na testa - de boa estirpe sabe ser assim. Na tv existem vários – e eu confesso que eles são os personagens pelos quais eu primeiro me apaixono. Vai ver é uma identificação gerada entre perdedores. Não que eu me sinta uma tanto assim, mas sempre que me lembro de como eu era na escola... Bom, os losers sempre estiveram ao meu lado, é importante dizer. Esses provavelmente seriam meus amigos se tivéssemos sido invisíveis ao mesmo tempo na época escolar. Chandler, o engraçadinho de “Friends” JD, o residente-saco-de-pancadas de “Scrubs” Greg, o tolerante serviçal de “CSI” Mônica Geller, a mais maníaca dos Amigos Fez, o estrangeiro de “That 70’s Show” Drew Carrey, usado e abusado em “The Drew Carrey Show” Al Bundy, o rei de todos eles em “Married With Children” Perfeitamente dispensável É com tal modéstia que Millôr Fernandes classifica um livrinho lançado em 1973 com título, conteúdo e ilustrações deliciosas. Pensando bem, o autor até pode ter razão: "Fábulas Fabulosas" não vai mudar a sua vida, nem dar respostas às grande questões do universo, muito menos ensinar algo útil como fazer uma fogueira no meio da selva sem utilizar gravetos, pedras ou capim seco. Mas vai fazer você rir até gritar "chega!". Pelo menos é isso que acontece comigo cada vez que me aventuro a buscar o volume de capa dura que guardo com carinho. E bota aventura nisso, porque em suas páginas amareladas pela idade (30 margaridas!) escondem-se coisinhas microscópicas que me fazem espirrar e coçar o nariz pelo resto do dia. Chamo de "a tarde do Millôr" o dia em que literalmente desenterrei o volume da mitológica estante da casa da vovó - junto com "Trista Anos de Mim Mesmo" e "Millôr no Pasquim", outras duas obras do escritor, jornalista, desenhista, piadista, mestre-cuca e mecânico de mão cheia. Tá, não sei se ele é mestre-cuca ou mecânico de mão cheia, mas isso não vem ao caso. "Fábulas Fabulosas" é uma coletânea de... fábulas. Como aquelas de Esopo, só que marinadas no mais fino e perspicaz humor negro. Ao final de cada um dos contos - repleto de seres fabulosos e falantes como gatos, baratas, ratos, raposas e o homem mais feio do mundo - encontra-se a moral da história, carregada de moral alguma. "Cada um tira dos acontecimentos a conclusão que bem entende", "Mais vale um urubu na mão do que um faisão inventado pela malandra imaginação do urubu", "Quem ama o feio tem algum objetivo", "No céu não entram sujeitos com idéias", "Quem está na merda não filosofa" e "Mulher não faz mal, o que faz mal é correr atrás delas" são alguns exemplos favoritos. E os títulos das fábulas então? "O Califa e o Office-boy", "O Renascer dos Belos Sentimentos, Uma Vez Satisfeitas as Necessidades Básicas", "O Camelô Acamelado", "O Menino Favelado de Espírito Empreendedor" e a sensacional "Patchutala" - só lendo para saber. Por falar em só lendo para saber, a fábula de que mais gosto é "A Baposa e o Rode", escrita com sílabas trocadas. Tente entender o comecinho dela: "Por um asino do destar uma rapiu caosa num pundo profoço do quir não consegual saiu. Um rode, passi por alando, algois tum depempo e vosa a rapendo foi mordade pela curiosidido". Coisa de gênio ou o quê? É por isso que a moral desta história não poderia ser outra: Mimais é dellôr.
Eles mandam, nós fazemos Eles podem ser maus, enigmáticos ou apenas estúpidos. Mas são sempre engraçados – desde que você não seja um de seus subordinados. Na perfeita aplicação prática da máxima "a arte imita a vida" (ou vice-versa), os chefes da TV guardam irrefutáveis semelhanças com os patrões da realidade. As exigências dos tais manda-chuvas são quase sempre incompreensíveis, tanto na telinha quanto aqui fora dela. E eles adoram botar os pobres mortais que sobrevivem debaixo deles no organograma da corporação em frias. Qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência: confira a lista dessas inesquecíveis figuras da TV e veja como eles podem se parecer com o seu chefe. Para bater cartão no horário Robert Romano, a besta-fera Gil Grissom, o incompreensível Stein, o sem-noção Charlie, o invisível Peterman, o contador de histórias Chefe, o temperamental Uma garota e sua cara de nada Pena que vocês ainda não podem ver aqui (dadas as normas da casa e a promessa feita anteriormente), mas eu não tenho cara de nada. Nem de brasileira, nem de italiana, nem de espanhola. Nem de nova, nem de velha. Eu pareço com todo mundo e não tenho traços de qualquer grupo religioso ou étnico. Ou vai ver eu tenho cara de tudo isso junto, e esse é o galho. Eu sou confundida com um monte de gente, de parentes a amigas, de ex-namoradas a atrizes de segunda da tv. Várias vezes aconteceu de me pararem na rua para dizer coisas como “oi, Zuleide, querida!!!”. Só que eu não era a querida em questão. E perdi a conta de quantas vezes ouvi na seqüência “nossa, desculpa, você é A CARA da minha prima, a Zuleide”. Um dia ainda brinco de garota-enxaqueca e respondo “sério? Ela também tem cara de trouxa?” Nas vezes em que viajei pelo mundão afora, sempre aconteceu de me pararem para pedir informação. Mas como eu ia saber onde ficava a rua blá-blá-blá ou o monumento ao herói de zê-zê-zê? Educadamente informo que não sou daquela área, sou brasileira. Em 100% das vezes escuto “nossa, você não parece brasileira”. E brasileiro lá tem cara de alguma coisa, pô? Essa brasileira aqui, certamente não. Uma vez, na gloriosa Los Angeles, eu estava conversando com uma amiga quando paramos para atravessar a rua. Naqueles minutinhos de espera, um senhor que caminhava ao lado me cutucou. “Você é francesa? Está falando francês? Que idioma mais bonito é o francês...” Hum... Senti em decepcionar o homem, mas disse que eu falava era português. Ele ficou amuado e disse que eu não tinha cara de portuguesa. Mas se ele sequer sabia que muitos além dos portugueses falam esse idioma, que ia adiantar explicar? Uma outra vez, na faculdade, a confusão causada pela minha falta de originalidade física foi longe demais. Uma garota da classe, achando que eu era outra pessoa debruçada na mesa da professora, largou um tapão bem forte e doído na minha pobre nuca. Eu virei para trás com vontade de arrancar os olhos de quem tinha feito aquilo, mas deu dó da vergonha que a moça ficou. Bom, ela disse que, de costas, eu era a cópia exata da menina que ia ser estapeada de fato. Também, façamos um teste: você conhece alguém com cabelos pretos e compridos, nem muito alta nem muito baixa, com olhos médios, boca média, nariz médio, testa média e queixo médio? Então você também poderia me plantar um tapão na cabeça, com certeza. Eu não tenho mesmo identidade definida. Mas isso até vai ser bom quando eu decidir assaltar um banco, porque nem precisarei usar aquelas incômodas meias de seda na cara. Quem sabe o analista do vídeo de segurança olha a tela e diz: “Minha nossa! A bandida é a minha prima Zuleide!” Eu pego a lona, você o toca-fitas O grande evento era sempre marcado na agenda. "Hoje é níver da Zezinha". Por que escreviam "níver" naquela época? Enfim. Estávamos crescidinhos demais para uma festa de aniversário familiar e cheia de bexigas, mas ainda não éramos grandes o bastante para conseguir algo além de matinês de danceterias. Havia apenas uma solução: improvisar. Isso, claro, se o pai do aniversariante não fosse rico - daí ele alugava um salão de festas com DJ e tudo, o que se transformava em assunto pelo resto do ano letivo. Como o meu pai não era rico, e a maioria dos pais dos meus colegas de escola também não, nós nos contentávamos com as festas de garagem. O funcionamento era simples. O evento acontecia na garagem da pessoa, sem carro algum por motivos óbvios. Para um pouco de privacidade, uma lona era colocada sobre o portão de ferro, impedindo que pedestres curiosos ficassem xeretando para dentro ou tentassem entrar de bicão. A iluminação era precária para dar um "clima". Não podíamos entrar na casa, onde a família do aniversariante jantava e assistia à novela das 8 (sim, esse era o horário da "balada") tranquilamente, como se um bando de pré-adolescentes não tivesse invadido uma parte da residência. Apenas o banheiro era liberado para aliviar necessidades básicas. Ainda que odiávamos ser chamados de crianças, adorávamos os comes e bebes que continuavam os mesmos de festas infantis: brigadeiro, beijinho, cajuzinho, sanduíche de frango desfiado, coxinha, empadinha, refrigerante... E, claro, um grande bolo cheio de confeitos, devorado em segundos após os parabéns - com discurso. O que seria de uma festa sem a parte musical? No caso, o aparelho de som da família, gigantesco como todos da espécie produzida no final dos anos 80, ganhava lugar de destaque na garagem. O aniversariante e seus comparsas tinham como obrigação gravar fitas k7 (naquela época a gente não sabia o que era CD...) com as melhores músicas do rádio (...muito menos MP3). As canções saíam com um começo capenga, na pressa que a pessoa teve para apertar o REC. No meio, sempre tinha a propaganda da rádio (no meu caso era Traaaansamérica) e, no fim, a voz do locutor tagarela que não esperou a faixa acabar para retomar a locução. Em uma boa coletânea dançante não podia faltar: "Harry Houdini" do Kon Kan, "A Little Respect" do Erasure e "Move This" do Tecnotronic. Na parte romântica, os hits eram "Right Here Waiting" do Richard Marx, "Cry For Help" do Rick Astley e "Heaven" do Bryan Adams. Cruzes. Quem sabe a grande festa do Garotas não poderia retomar a tradição da garagem? O duro será escolher uma, agora que nós três moramos em apartamentos ou condomínios. E os convidados teriam de acotovelar uns aos outros por alguns centímetros de espaço. Ou você vai furar, leitor? Daí também nós não vamos no seu níver. Vivi Griswold às 10:16 AM
Bem do seu tamanho Uma das maneiras de saber que você cresceu é observar o resultado daquela tática que pais bacanas usam com a prole, marcando na soleira da porta a altura de cada um dos irmãos na passagem de ano ou no dia do parabéns a você. Mas há muitas outras formas de perceber que você não cabe mais na roupa que cabia e não enche mais a casa de alegria, como diria a música dos Titãs. Outro dia me peguei dizendo "vai com Deus" para meu irmão, prestes a sair de casa para um passeio com seus amigos Dudus (é que acho que todos eles se chamam Dudu). "Vai com Deus", por Alá!, é a expressão mais comumente encontrada nas bocas das velhinhas da família, que a proferem para proteger a prole de alguma maneira mística. Quando você passa de mera ouvinte da frase a proferidora, significa que algo aconteceu. Daqui a pouco, estão me pedindo "bença, tia". Aí vai ser de fato apavorante. E ontem, vendo antigas fotografias com amigos, me peguei dizendo: "olhem essa, onde o Denis ainda tinha cabelo!" E ele: "nossa, pensei que era meu irmão". Quer maior sinal de velhice que isso, se confundir com o próprio irmão (mais novo, é claro) numa foto? No condô para onde me mudei há pouco menos de dois meses, sou conhecida como a mulher do "tio da casa fashion". Demora nada para começarem a me chamar de tia também. E eu só tenho vinte e cinco, pô! Mas, por outro lado, também passo, às vezes, por uma garotinha "de menor", como gostam de dizer alguns membros da corporação conhecida por pê-eme. Duas ocasiões atestam o fato. A primeira: quando bati o indefectível Deep Purple, o senhor polícia me perguntou: "para onde você está indo, menina? Para a escola?". Quisera eu. A segunda: antes de finalmente fechar negócio no condô onde hoje estou muito bem estabelecida, obrigada, passei pela tradicional maratona de visitação imobiliária. Até colecionava aqueles panfletos de farol que a Vivi detestaria entregar. Num dos empreendimentos, o corretor olhou para mim, olhou para o namorido e sacou da frase: "mamãe sabe que você está aqui procurando apartamento?". Com direito a essa linguagem tatibitati e tudo. Pode? Decidam-se, afinal, se sou grande ou pequena, antes que eu saia numa jornada para descobrir qual é meu tamanho junto a um boi de mamão e um garoto com apelido estranho. Igual à protagonista da história assinada pela fada Ana Maria Machado, da qual emprestei o título deste texto. Clara McFly às 06:39 PMDivirta-se com pouco Não sei vocês, mas eu tenho a impressão que hoje as pessoas precisam de cada vez mais posses para se sentir felizes. É um tal de comprar tudo e mais um pouco esperando que isso faça diferença... Tudo bem, quem não gostaria de ter passagens de avião ilimitadas ou um apartamento quitado? Todo mundo, possivelmente. Mas olha: existem pequenos prazeres que são verdadeiras bênçãos, viu? Sei lá, mas ainda acho que mandar ver num sorvete sentada na calçada em frente da padaria é tão gostoso quanto apreciar essa delícia dentro de uma taça e de um estabelecimento garboso. E dar uma volta a pé pelo bairro em boa companhia é tão bacana quanto freqüentar qualquer point da moda. Pode parecer que eu fiz voto de pobreza ou sou filha de um casal de hippies. Mas nem uma coisa, nem outra são verdade – se fossem, eu usaria sandálias franciscanas ou chamaria Framboesa. Acontece que buscar prazer e diversão é uma questão de vontade, não de carteira recheada. O que também é um bom pensamento de exercitar agora que eu estou semi-desempregada. Minha última aquisição no ramo do lazer, por exemplo, foi um singelo álbum de figurinhas. Nunca pensei que fosse sentir tanta saudade de grudar imagens auto-colantes... Tudo bem, eu era parada nessa brincadeira quando pequena e jamais me conformei que os álbuns de figurinhas tivessem caído no esquecimento. Mas daí surgiu esse e eu não tive dúvida: fui na banca de jornal e paguei R$3,50 pelo livrinho e mais 50 centavos para cada pacotinho com quatro cromos. Alguém aí vai acreditar se eu disser que ganhei uma tarde inteira de contentamento por causa disso? Infantilidade? Ah, pode ser, mas que foi extremamente divertido, lá isso foi. Assim como costuma ser muito mais legal fazer um cata-vento de papel em vez de comprar uma bolsa de couro de marca, fazer bate-e-volta na praia no lugar de adquirir um pacote de excursão para resort ou fazer brigadeiro e bolo em casa ao contrário de deixar as córneas num restaurante chique. Já experimentou? Vai por mim, não custa nada.
Essa sou eu num momento de pobreza-feliz! Por dinheiro algum Ultimamente ando pensando muito em emprego. Acho que a falta de reais e a sobra de contas para pagar têm alguma coisa a ver com isso. Mas como minha profissão-perigo se mostra a cada dia mais um grande barco furado, talvez eu tenha de nadar em outras praias. Hmm. É melhor providenciar uma bóia ou o telefone de algum bom salva-vidas. Já contei aqui no Garotas quais os trabalhos que eu adoraria fazer. Porém, do jeito que as coisas andam no mercado profissional deste país, sonhar não vai me levar ao cafezinho com um gerente sorridente do Bank Boston. É chegada a hora da ação - e, no desespero, qualquer coisa que renda uns trocos no final do mês é válida. Como Clarissinha sempre diz, é melhor pingar do que secar. Certo? Ao invés de pensar o que eu adoraria ser, fiz o contrário. Comecei a imaginar quais as profissões em que eu menos me encaixaria. Sabe quando você vê alguém trabalhando em certos empregos e pensa "ah, coitadinho(a)!". Então. Aí vão alguns trabalhos dos quais eu fugiria e não aceitaria por dinheiro algum. Tá, por um milhão de dólares a gente poderia negociar. Mas os pobres trabalhadores abaixo passam longe de verdinhas... Distribuir folhetos de imóveis no semáforo Ligar para a casa das pessoas oferecendo produtos Dar amostras grátis no supermercado Fazer sanduíches no McDonald's Vender roupas da Hering
Você, nosso amigo de fé, nosso leitor camarada
Nas pontas dos dedos Eu tenho uma mania que todo mundo acha feia, mas na qual não vejo lá muito mal. E, talvez por isso mesmo, teimo em não abandoná-la. Desde pequena, rôo unhas. Tá, eu sei que não é exatamente bonito ver uma mulher do meu tamanho com a mão enfiada na boca… pelo menos é o que minha mãe me diz – e alguns dos amigos também. Hoje já me conformei. Na verdade, é um pequeno e delicioso prazer arrancar com os dentes aquelas lasquinhas que ficam arranhando. E acho que a relação custo-benefício desse vício vale a pena, mais que a do meu outro mau hábito, que é fumar. Nenhuma das táticas supostamente infalíveis para resolver o problema deram certo: pimenta debaixo dos dedinhos, esmaltes amargos cobrindo as unhas, gritos da mamãe. Quando eu ainda queria parar, tentei uma estratégia nova: enrolei bandeides em todas as pontas dos dedos. Mas aí eu lavava as mãos e eles ficavam molengas. Cheiravam um pouco mal, também. A coisa ficou mais nojenta do que roer as unhas em si. Desisti. Como disse, ainda pequerrucha, já cultivava o hábito. Aliás, eu tinha várias elucubrações sobre as unhas. Pensava que, se eu puxasse uma pelinha e ela não se soltasse, talvez pudesse descolar tecido epitelial a partir do dedo, por meu corpo todo, até o pé. Também imaginava que, se nunca fizesse as cutículas com alicatinho, que nem minha mãe, ela podia crescer, crescer até passar o tamanho da unha e ficar penduarada pelos dedos. Mas a melhor de todas era a teoria da fome que desenvolvi. Achava que comer unha despertava a Catarina e abria o apetite, enquanto que ingerir pedacinhos da pele ao redor da unha saciava o estômago. Acho que eu tinha mesmo muito tempo livre. E tenho até hoje, para ficar um texto inteiro falando de unhas… Demorou, mas saiu Pensando bem, eu não tenho tanto tempo assim. Se tivesse, o resultado da promoção Discurso do Ibest teria saído antes. Como a gente tarda mas não falha, aí vão. Os dois contemplados podem esperar o contato dessas Garotas e os pacotes com o conteúdo prometido pelo correio. Que rufem os tambores… Hemeterio Neto, Fortaleza, CE [Nisso, à la Scubi-doo, vocês tiram as máscaras e se revelam como sendo na verdade Moe, Larry e Curley, os três patetas, aí soam vaias e vocês têm que ser contidas por brutamontes vestidos de rosa e o tumulto é geral!] Eduardo Piacsek, São Paulo, SP É uma pena que não tenhamos uma fábrica de jujubas, uma gravadora ou um sebo, para presentearmos a todos… Mas deixe estar. Quando dominarmos o mundo, repartiremos os louros da glória, as paçocas Amor e os territórios (como Dudinka e Oceania) com todos vocês! Questionário auto-aplicável Tem um programa no canal a cabo Film&Arts que eu não tolero perder. Chama-se “Inside Actors Studio” e é semelhante a um talk-show com atores, atrizes e diretoria famosa. Só que a platéia é de estudantes da sétima arte, o que torna o papo bem direcionado e divertido para cinemaníacos. E tem uma parte final desse programa que eu amo: a hora do questionário. É como se aquele caderno de enquete que as meninas faziam na escola tivessem uma versão para Hollywood. O questionário é feito pelo apresentador do “Inside Actors Studio” à celebridade entrevistada. Diz o homem que as perguntas foram criados por um certo Bernard Pivot. Não sei quem foi o cidadão nem porque ele teve essa idéia de garotinha escolar, mas adoro o questionário. O problema é que, muito provavelmente, eu nunca vou conseguir ser atriz de alto gabarito nem diretora com cacife. Portanto, não vou ser entrevistada no “Inside Actors Studio”. Mas, ora, eu tenho um site! E um site onde o delírio é permitido! Então, decidi me “auto-entrevistar” com o questionário de Bernard Pivot. Confesso que isso dá uma certa emoção... Diz: eu pareceria legal sendo sabatinada no programa? Qual sua palavra preferida? Qual palavra você odeia? O que te estimula emocionalmente, criativamente e espiritualmente? E o que te põe para baixo? Barulho predileto? Barulho que detesta? Palavrão que mais usa? Se não tivesse a sua profissão, qual queria ter? Se o paraíso existe, o que gostaria de ouvir de deus quando chegar lá? Hoje o dia está nublado Quando eu estava às voltas com o vestibular, afundada em livros e decorando fórmulas de Química coladas nas paredes do quarto, costumava pensar na época em que a escola era uma grande brincadeira e toda a dificuldade da lição consistia em ligar o patinho perdido à mamãe pata. Se pararmos para analisar, o período da pré-escola até a primeira série do ensino fundamental é uma grande e cruel fantasia. Pense bem: você é matriculado numa escolinha colorida, com tias que ensinam musiquinhas e aulas cheias de massa de modelar e tinta para dedos. Você pensa "puxa, como isso é legal". Mas quando menos se espera, chegam a Trigonometria e a Genética e a Cinética jogando toda a alegria pelo ralo. Agora eu sou uma profissional formada. Mas continuo achando que a escola tem que ensinar a ler, a escrever e a fazer as quatro operações matemáticas. Só. A vida não exige muito mais que isso não - claro que algumas profissões podem pedir mais conhecimento, como engenharia e medicina. A minha exige ler e escrever. Quanto às quatro operações, basta saber somar e pronto. Daí, contando que nós, cidadãos brasileiros privilegiados, passamos pelo menos 11 anos em uma sala de aula, e que não leva mais do que 1 ano para ensinar leitura, escrita, soma, subtração, divisão e multiplicação para uma pessoa, temos 10 anos para... brincar! E para cantar a música do lanchinho, escrever redações "minhas férias" e plantar feijão no algodão molhado! Ao invés dos colégios terem nomes pomposos homenageando ilustres desconhecidos, todos poderiam ser chamados de "Recanto do Sol", "Sossego da Mamãe", "Turminha da Pesada", "Piu-Piu", "Anjinhos" e outros nomes fofos usados para intitular escolinhas. Imagine, alguém perguntar "onde você cursou o ensino médio?" e ouvir como resposta "no Pingo de Gente". Poderíamos só escrever com lápis e, no começo de cada dia, fazer um cabeçalho com letra redonda "São Paulo, 14 de novembro de 2003. Hoje o dia está nublado" e desenhar uma nuvenzinha cinza ao lado. E o único livro que iríamos carregar seria a cartilha. A minha era a "Caminho Suave" e eu simplesmente ficava fascinada por ela - só não gostava da parte do V, que tinha a vaquinha Vivi. Droga. Teríamos aula de culinária onde faríamos biscoitinhos de aveia, aula de Educação Artística com muita colagem e pintura de aquarela e aula de jardinagem. Depois da merenda e do recreio, teríamos um tempinho para a soneca. A avaliação seria feita com estrelinhas douradas coladas nos trabalhos e o material didático viria encapado com plástico xadrez (vermelho para meninas e azul para meninos). Tá bom... Confesso que muita coisa que aprendi nos muitos anos de colégio foi útil. Nem tanto para minha vida profissional, mas para a pessoa que sou hoje. Se passasse a vida na escolinha dos meus sonhos, não teria descoberto minha paixão pela História e Literatura, nem teria tido vontade de rodar o mundo a partir das aulas de Geografia. Mas que tudo poderia ser mais simples, ah, isso poderia. Como ligar os pontos, fazer bonecos com embalagem de Yakult e colorir o telhado da casinha desenhada. Vivi Griswold às 10:30 AM
Chegou alguém, troca o canal Para fechar mais um dia especial nesse sítio em tons diversos de rosa, passei um bom tempo pensando nos mais escabrosos programas de TV aos quais não resisto. E foi tarefa das mais difíceis! Não vá pensar que não assisto a um bom punhado de tranqueiras, programas totalmente desnecessários, descartáveis e até infames. Não, não. O duro foi escolher os que tenho vergonha de ver, tal é a falta de pudor dessa que vos escreve no consumo de certas atrações, digamos, discutíveis. Mas cheguei a cinco títulos e eis que publico a lista das minhas vergonhas televisivas, daquelas para assistir apenas quando se está bem sozinho, e com as cortinas da sala cerradas, só por precaução… Que atire a primeira pedra quem não guarda a sete chaves algum segredo como esses! Ou que mande seu e-mail quem guarda – e também quer dividir o peso da culpa... Celebrity Homes Meninas Veneno O Toque de um Anjo A Mamma Bruschetta no Mulheres Mais Você Puxa da tomada, por favor? Pois então, é dia de cada garota boba desse site contar o que passa na tela de sua televisão quando não tem ninguém mais olhando. Quer saber uma verdade sobre os programas que eu assisto sabendo que é lixo? Bom: tenho a dizer que, se ninguém fizer o favor de cortar o fio da tv, eles vão continuar dominando minha mente fraca. Impressionante como essas cinco tranqueiras são mais fortes do que euzinha. Deve haver uma mensagem subliminar ali dizendo “não, otária, você não vai conseguir trocar de canal!”. Ou pode ser que eu seja meio lesada de nascença mesmo. Mas, diabos! Eu não bebo muito, não fumo nada e não uso tóchicos de qualquer espécie (exceto Fanta Uva)! Poxa, eu preciso queimar uns neurônios às vezes, gente. E eu faço isso assistindo regularmente... Qualquer programa com transformação Seventh Heaven | |||||||||||||