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Nuvens, gafanhotos e a bacia do caubói Acabou ontem a 27ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Mas não pensem que vou discorrer aqui sobre a rebimboca da parafuseta, como parte do povo que freqüenta as sessões desse evento gosta de fazer nas filas. Apesar desse pessoal meio maleta, a Mostra é uma boa chance de ver filmes bacanas que dificilmente terão outra oportunidade de exibição. Não que eu tenha conseguido conferir alguma coisa. Mas eis que o namorido, que curte umas férias involuntárias em casa, chegou com o livreto da Mostra outro dia. Tive a oportunidade de folheá-lo e descobrir nomes impagáveis de filmes que estiveram em cartaz. E se eu tivesse tempo para assistir a alguma película desse festerê, seriam esses. Não vi a sinopse de nenhum, mas vocês não correriam para ver um filme chamado… A Bacia de John Wayne? A Mulher que Acreditava Ser Presidente dos Estados Unidos da América? Bilhete de Ida para Mombasa? Aquecido pelo Fogo do Diabo? Gente Descartável? O Dia em Que Meu Deus Morreu? O Festim do Louva-Deus? O Povo do Churrasco? Viva Sapato!? Mil Nubes de Paz Cercan el Cielo, Amor, Jamás Acabarás de Ser Amor? Ou joio, ou trigo Pode chamar de radical, mas eu não sei separar as coisas mesmo. Pra mim, é assim: bom ou mau, certo ou errado, Coca ou Pepsi, Beatles ou Rolling Stones. Eu me orgulho tanto dessa minha maleabilidade... Mas é sério, não dá mesmo para ficar vendo por aí certas atitudes tão permissivas. O sujeito dá uma voadeira em um torcedor de seu time (um torcedor cretino, é verdade, mas ainda assim um torcedor) e ninguém dá bola porque o tal é bom... de bola. Desde quando ser craque deve liberar o cara para ter temperamento de psicopata? Eu sei, tendo a profissão que tenho, eu deveria ser menos rígida e analisar os fatos mais friamente, checando ponto a ponto caso a caso. Ah, mas dá pra aturar isso? Wanderley Luxemburgo? Argh! Utilitário? Só para quem vive no morro Bruce Willis, que grande bolha Édson, diz ao Pelé que ele é chato? Como é que é? Você já deve saber que a gente é lesada, né? Também, o que esperar de um trio composto por meninas cujo currículo de besteiras inclui uma queda num bueiro em Piracicada, uma viagem num trem sendo recolhido e uma confusão de ruas para chegar até a própria casa... Mas essas garotas acabam de receber a notícia de que estão no top 5 do Ibest em Entretenimento Pessoal, segundo apuração preliminar! Portanto, leitor, esqueça todas aquelas pitangas choradas no texto anterior. Graças a vocês, queridos e queridas que votaram aqui, a gente conseguiu chegar entre os grandes. Enquanto damos pulos de alegria, lembramos também que continuamos concorrendo na categoria de blog. Quem sabe não chegamos perto de dois troféus? Tá, agora estamos exagerando. Antes de tudo, obrigada, viu? Se o Garotas é, de alguma forma, especial, vocês também são. Podem ter certeza. Vá que dê um tilt na Matrix e o Garotas leve o Ibest. Já pensou? A gente sim. E aí vão algumas utilidades para aquele troféu! - Colocá-lo na cestinha da bicicleta e dar uma volta no bairro só para mostrar para a Mirtes, a Lourdes e a Irene; - Aposentar o pingüim de porcelana com a pintura descascada e colocá-lo em cima da geladeira; - Brincar com os coleguinhas para ver quem o arremessa mais longe; - Usá-lo como quebra-nozes e para amaciar bife; - Dar de presente para a avó e falar "é pobre, mas é de coração"; - Dar a uma comissária de bordo e pedir para tirar fotos do dito cujo em todos os lugares do mundo (ei, a gente já viu esse filme!); - Colocá-lo na porta do quarto para ela não bater quando passa aquele vento encarnado; - Botar um gorro nele e segurá-lo no colo envolvido por uma mantinha, dizendo por aí que "é a cara da mamãe"; - Colocá-lo no alto da árvore de Natal, uma vez que aquela estrela quebrou faz tempo; - Trocá-lo por um Pogobol. Vivi Griswold às 10:17 AM
Tirem essa estatueta daqui! Acho que é a força do marquetingue ou a tradição da marca. Talvez seja a irresistível sedução do glamour, ou ainda a vontade de ver os vestidos e um tapete vermelho. Afinal, a premiação é política, a cerimônia é meio chata e o evento é, no geral, americano demais. Mas ninguém resiste ao Oscar! Ainda assim, nem sempre é uma coisa bacana e saudável para sua carreira ganhar a tal da estatuazinha doirada. Pelo menos não se você é um ator secundário. Eu é que não queria ouvir meu nome na hora do anúncio "And the Oscar goes to…" na categoria atriz coadjuvante. Digo isso porque acredito piamente na… maldição do Oscar de coadjuvante! (Não riam). Podem reparar: os vencedores dos últimos anos são promissores talentos que caem no limbo – ou numa série de papéis-micos depois de passar a mão no tiozinho reluzente. Também podem ser velhinhos que, depois de 523 indicações e uma longa e consistente carreira, ganham a noite numa espécie de prêmio de consolação – como Martin Landau por "Ed Wood", em 1995, Judi Dench por "Shakespeare Apaixonado" (Shakespeare in Love) em 1999 ou Michael Caine com "Regras da Vida" (The Cider House Rules), em 2000. Duvida? Pois eu mato a cobra e mostro o pau (no bom sentido, claro, que eu sou menina!). Cuba Gooding Jr. Marisa Tomei Angelina Jolie Mira Sorvino Whoopi Goldberg
Chuta que é macumba! É nóis no papel! Anos de trabalho duro e não reconhecido, noites sem dormir, vida social suspensa, relações com a família cortadas... Mas finalmente colhemos os louros da glória: estamos no jornal! Ó só: o Jornal da Tarde deu atenção para a gente, depois de todo o sacrifício descrito acima. Ok, não passamos uma noite sequer sem pregar o olho por causa do Garotas, nossa família nos ama e estamos cada vez mais cheias de bons amigos. Na verdade, esse filhote rosa só nos dá alegria... assim como vocês, leitores. Obrigada. Clara McFly às 05:08 PMPra cada ganido, uma lágrima Podem ser fofinhos, bonzinhos, engraçadinhos ou ter uma pelagem sedosa e bonita. Não importa: eu passo longe de filmes ou seriados com animais. E se vierem acompanhados de crianças ou longas jornadas, então... credo, eu prefiro assistir uma tarde inteira de Note e Anote. Desde criança tenho um bode colossal de historinhas de elefantes espertos, focas mimosas e texugos danados. É chato, é previsível e além de tudo isso me deixa extremamente deprimida. Por mais que eles se esforcem para agradar, sempre vou imaginar a bicharada levando umas chicotadas para colaborar com a produção. Que raiva. E nem adianta o bicho ser divertido ou sabichão, como aqueles orangotangos que cospem banana em gente. Cruzo os braços e fico emburrada sempre que a turma aparece na tela. Esses aí abaixo, então, me deixam com cara de quem chupou limão. Não por culpa deles, de jeito nenhum. Lassie, o alvo Flipper, o fingido Willy, a orca sábia Benji, o trapo Corcel Negro, o fora de contexto O caso mais trágico
A turma parece animada aqui? Vai nessa... Venha fama, venha pra mamãe... Mas nem doze horas ininterruptas de “A Menina e o Porquinho” poderiam tirar meu bom humor nesta tarde. Essa garotas aqui viraram celebridades, sabia? Pelo menos é o que diz a matéria que saiu no simpático JT de hoje. Vai ler? Vai dizer se gostou? Vai recomendar aos amigos e dizer “eu já conhecia essas lesadas faz tempo”? Mãos a obra. Por que subiram a serra? Segundo o ditado, amor de verão não sobe a serra. Ah, se a mesma regra valesse para aqueles hits insuportáveis que todo o ano martelam nossa cabeça por mais que tentemos fugir... Quando uma canção cheia de vogais é executada de cima de um trio elétrico, a única saída para tentar ficar imune é alugar uma caverna na Antártida. Isso se os pingüins não estiverem com o rádio ligado. Ao mesmo tempo em que tais músicas são lançadas com data de validade estabelecida (uma temporada de praia, no caso), os pedacinhos do purgatório conseguem permanecer demais nas paradas - e, consequentemente, nos supermercados, nos postos de gasolina, nas lanchonetes e, claro, na TV. Igual a uma queimadura de ombro, os hits de verão pegam você de jeito. Sempre. O Natal já está aí, como diria minha mãe. Isso significa que as férias estão chegando e, com elas, chegam também calor, praia, Carnaval e... a nova música da moda. Nem se eu tivesse a mente maldosa de Lúcifer conseguiria imaginar qual a próxima pérola do momento. Mas enquanto aguardamos, que tal uma lista dos 10 piores hits da estação? Cuidado, porque vai doer. 10) "Arerê" - Banda Eva 9) "Maionese" - Gil 8) "Milla" - Netinho 7) "Requebra" - Olodum 6) "É o Bicho" - Ricardo Chaves 5) "Água Mineral" - Timbalada 4) "O Canto da Cidade" - Daniela Mercury 3) "Dança da Garrafa" - É o Tchan! 2) "Xibom Bombom" - As Meninas 1) "Bomba" - BragaBoys ![]() Pelamordedeus! Extra! Extra!
O rei da cocada preta Diz a lenda que não se pode ser bom em tudo que se faz. Pois eu acho que há um senhor que prova o contrário – ou é a exceção que confirma a regra. Essa criatura sabe tratar a língua portuguesa com um esmero e uma habilidade que nunca vi. Ele é justo e generoso com a bela última flor do Lácio. Nota-se por sua obra, que vai de peças e músicas, adultas e infantis, a livros, tudo impecável. Ou, para emprestar palavras suas usadas no mais fresco romance, ditas pela boca de Vanda sobre o livro de Kaspar Krabbe (mas nem tanto – quem leu vai entender), pode-se dizer que o cara em questão é "absolutamente admirável". Nascido no Rio, em 1944, o petiz era o quarto dos sete filhos do historiador e sociólogo Sérgio e da pianista Maria Amélia. Eu não sei o que essa mulher pôs no mingau do moço para ele ficar tão esperto assim! Aos 14 anos, já morando em São Paulo, ele foi repreendido no colégio por desfilar com um raro exemplar da primeira edição de Macunaíma, apanhada na estante do seu pai. No ano seguinte, compõe sua primeira música, intitulada "Canção dos Olhos". (Se eu tivesse olhos como aqueles, também escreveria uma música com esse nome). Lá pelos 17, publica suas primeiras crônicas, no jornal da escola. No mesmo ano, faz sua estréia nas páginas de um grande jornal: é preso depois de furtar um carro com um amigo. Os dois queriam dar umas voltinhas e planejavam devolver o fruto do butim depois, mas os tiras foram mais rápidos. A foto do serelepe foi estampada no periódico e rendeu-lhe um castigo de um ano. No vestibular, assinala a opção por Arquitetura. Cursa três anos na FAU da USP, mas desencana de projetar cidades - para ele, de "Cidades", só o álbum de 1998. Em 1964, começa a se apresentar em festivais e… bem, daí para frente, são só pérolas: da crônica musical descompromissada "A Banda" às clássicas "Construção" e "Cotidiano", passando pelas não menos excelentes "Bye Bye Brasil", "Partido Alto" e "Vai Passar", a sacadíssima "O que Será (À Flor da Pele)", as romanticamente femininas "O Meu Amor" e "Atrás da Porta", a belíssima "Eu Te Amo" e a impagavelmente intitulada "Ilmo. sr. Ciro Monteiro ou Receita pra Virar Casaca de Neném", com uma história ótima de como transformar uma camisa do Flamengo, dada de presente à sua filha por um amigo, num belo uniforme do Fluminense, time de coração do artista. Isso sem contar as adaptações de todas as músicas do absoluto clássico "Os Saltimbancos", que são a porta de entrada para a obra desse notável compositor-escritor-cantor-tímido-e-bonitão, no caso das pessoas nascidas de 78 para depois, como eu. Em 1986, ele deveria fazer a letra da canção "Anos Dourados", encomendada pela Globo para a minissérie homônima. Tom Jobim já tinha providenciado a música e nosso homem demorou tanto para escrever os versos que a TV exibiu a minissérie com o tema sem letras. E ele arrematou, explicando o atraso: "A minissérie é que foi precipitada". Precisa dizer algo mais sobre esse cara? Ah, sim, precisa: sua graça, se é que alguém ainda não notou de quem estou falando, é Francisco Buarque de Holanda – ou só Chico Buarque. Enquanto sorvo as últimas dez páginas de Budapeste, seu livro mais recente, tive de escrever sobre seu autor. A brochura em questão coroou a paixão desta humilde escriba pelo cara dos olhos cor de ardósia, conforme descreve o B.O. de sua prisão estampado na capa do "Paratodos". Sabe aqueles livros que a gente devora em dois dias e, quando o maço de páginas restantes míngua já próximo ao fim, começamos a "economizar", para que o prazer daquela leitura dure um pouco mais? Pois essa é a razão de eu estar gravitando entre as vinte últimas páginas de Budapeste há três dias… E torçam para eu não acabar logo. Pelo andar da carruagem, depois de virar a última página, tenho certeza de que pensarei seriamente em nunca mais escrever. Não depois de ter lido aquilo.
Como se não bastasse, ele ainda é bem apanhado – e desde mocinho!
Hã? Caetano Veloso é uma pessoa que eu simplesmente não entendo. Não entendo! Não entendo, não entendo, não entendo. Eu também não entendo o Michael Jackson, mas nesse caso um monte de outras pessoas também não entende, então passa. Acontece que, quando menina pequena lá em São Bernardo, eu ouvia Caetano Veloso e até cantarolava junto. Achava engraçadinho o leãozinho, achava bonita a “lua de São Jorge, lua maravilha, mãe, irmã e filha de todo esplendor”. Mas conforme os anos foram passando, o que era um moço sereno e poético virou uma tia velha enjoada e ranzinza. E eu não entendi mais nada. Aliás, passei a desentender Caetano já quando ele casou com aquela moça estranha, a tal de Paula. Criatura mais esquisita... E olha que eu nem digo isso por causa da amizade coloridíssima que ela tinha com uma outra atriz chamada Paula. Mas qual pessoa de juízo produz um filme incrível como “Lisbela e o Prisioneiro” e, podendo escolher qualquer participação especial, decide interpretar... a monga??? Tudo só fica mais e mais ininteligível com o passar do tempo. Ele falou que comeria o Leonardo Di Caprio – que até é bem “comível” mesmo para alguns, mas não se fala isso por aí, ainda mais se você usa calças e é famoso – e me veio com aquele livro mais chato que pizza de massa fina, “Verdade Tropical”. Eu não entendo. E não entendo também certas investidas musicais do cidadão. Quem sacou o que queria dizer aquela canção “Qualquer Coisa”? Eu não saquei, confesso. Olha: “Não se avexe não, baião de dois, deixe de manha, deixe de manha Era só para brincar com os dígrafos, Caê? Só se for. Porque essa história de aranha e carro e sarro e que arranha a pobre da Espanha não fez sentido algum. Fui só eu quem não entendeu lhufas? Bom, porque também aconteceu naquela aborrecida “A Luz de Tieta”, feita para o filme da cabrita de Jorge Amado, versão remodelada. Ó: “Carnaval e futebol Na primeira vez que eu ouvi, fiquei com cara de interrogação. Da mesma forma que aconteceu quando Caetano disse – segura em algum lugar, pra não sentir vertigem – que “Osama Bin Laden é um homem bonito e se parece com algumas pessoas da minha família”. Hã? Desculpa, mas eu não entendo. Lavou bem essa orelha, minina? Num texto bem antigo já havia falado sobre meus prazeres do dia-a-dia - aquelas ações que podem parecer simples à primeira vista, mas que trazem uma grande satisfação por algum motivo pessoal e bobo. Bem, acontece que meu maior prazer entre as tarefas diárias é esse: tomar banho. Tem coisa melhor do que chegar em casa cansada, cheia de poluição na cara e poeira na roupa e entrar num chuveiro quentinho mandando tudo pelo ralo abaixo? Tá, tem algumas coisas melhores que isso, mas banho é recomendado a todas as idades e pode ser feito sem restrição de horário. Sempre fui amiga da ducha e do sabonete, e sou daquelas que gostam de passar horas levando água estupidamente quente na cabeça para refrescar pensamentos. Não gostava do Bozo cantando "Chuveiro, não faça assim comigo", e sou muito mais o ratinho do "Rá-Tim-Bum" e aquela musiquinha impagável "Tchau sujeira, adeus cheirinho de suor", lembra? E não precisa ser algo à lá propaganda da Lux Luxo, com uma banheira no meio da sala acarpetada (porque elas nunca se banham no cômodo certo?) e com quinhentas velas acesas em volta, como se fosse um morto que estivesse lá dentro. E o jeito de se lavar então? Bota uma perna para fora com tudo, sem se esquecer do pézinho fazendo ponta de balé. Tem outra: não dá para tomar banho maquiada (se bem que na propaganda o rosto nunca se molha). Hoje as indústrias de cosméticos exploram o setor como ninguém. Eu sou fã da gôndola de xampu e derivados no supermercado. Agora, aqui em casa, estamos usando um sabonete líquido de aroma-terapia que diz ser anti-stress. Precisar, não precisa - até porque banho é sempre anti-stress, mesmo se eu me lavar com sabão de coco e ensaboar a cabeça com detergente. Mas que é legal, ah, isso é. Porém, o ritual do banho nunca começa muito agradável para as pessoas. Quando bebê, é preciso que outros façam a sua higiene. Pior do que ser mergulhado sem você querer numa água morna-quase-fria, com maisena para assaduras e dentro de uma banheira de plástico amarelo-pintinho muito tosca, é ter a sua avó, anos depois, contando para seus amigos como ela lavava seu bumbum fedido. Não melhora depois que crescemos um pouquinho, já que continuamos tendo assistência no chuveiro. Claro que isso é chamariz para cenas vergonhosas. Fico corada de lembrar de meu irmão e meus primos tendo que "mostrar a bolinha" para as mães limparem. Péssimo. Também tem aquela fase em que a gente toma banho com os pais. Na hora é ok, mas depois soa um pouco estranho. E a foto? Vai dizer que você não tem um momento desses registrado... E de pensar que o banho mais famoso do cinema não terminou nada bem, tanto para a personagem quanto para a atriz. Dizem que a cena do esfaqueamento no chuveiro que matou a mocinha de "Psicose" traumatizou tanto Janet Leigh que ela ficou anos a fio fazendo terapia. Mas entre todas as cenas de higiene pessoal da sétima arte, fico com Julia Roberts na banheira redonda cantando "Kiss", do Prince, em "Uma Linda Mulher". Já é um clássico absoluto! Da próxima vez que você for tomar banho, reserve o momento para... curtir o momento. Pense na vida, cante, tenha idéias, faça bolinha de sabão com as mãos, desenhe corações no box, encha a boca de água e depois cuspa como um cupido de fonte ornamental. E lave bem as orelhas, viu, leitor? Senão nasce um pé de couve, e aí já viu. ![]() Ô alegria!
Para equilibrar a balança A fim de impedir que todos fiquem pensando que eu sou uma chata depois do texto de ontem, achei por bem revelar também algumas das minhas coisas favoritas. Afinal, não quero receber pilhas de hate mail vindas da Associação Peixe Também É Gente, do Sindicato dos Lavadores de Verdura ou do Clube de Apreciadores dos Sabonetes de Banheiro Público. Perdoem o umbiguismo e, se me permitem, segue a listagem de cinco coisas que amo, escolhidas ao léu. Depois, podem dizer se eu sou ou não uma boa pessoa, sim? Torta de escarola Café e chá E-mails novos Dormir Filmes do Jackie Chan Eles lotam os meus dias Confesso que nunca fui a maior conhecedora viva de histórias em quadrinhos. Pelo menos não aquelas clássicas, de heróis. Mas mesmo não tendo carteirinha de sócia da Marvel e da DC Comics, eu posso dizer que sou viciada, apaixonada e completamente apegada a uma historinha em especial: Calvin e Haroldo. O que pode ser mais divertido do que um pirralho que ainda não chegou aos sete anos mas já enlouquece seus pobres pais, é arrogante, enjoado, atrapalhadíssimo e totalmente fora da realidade? Poxa, isso é quase um retrato exato da MINHA infância. Por isso eu amo aquele garoto. Calvin e seu tigre Haroldo – o bicho é de pelúcia, mas o moleque imagina o Haroldo como animal vivo e falante, um sarro – foram criados por um desenhista chamado Bill Watterson. Deve ser um dos caras de mentalidade mais criativa do mundo, e um sujeito pra lá de bacana. Eu tomaria uma caipirinha com ele. Afinal foi o Bill quem inventou esse garoto maníaco que adora pular na piscininha plástica do quintal com máscara de mergulho “para ver um monte de porcarias na água”. E inventou também o Haroldo, o tigre que dá uma certa consciência ao Calvin. A dupla costuma ter a companhia, nas histórias, dos pais de Calvin – casalzinho muito engraçado e ácido que quase me mata de rir quando decide ir acampar (e sempre leva chuva na cabeça). Também estão ali a professora do garoto (que toma remédios direto do vidro para suportar a praga), a babá Rosalyn (que me incentivou a nunca cuidar dos filhos dos outros) e a Susie, vizinha de Calvin. Ela é uma das personagens que eu mais adoro. Apesar do Calvin ser aquele poço de charme, em várias tirinhas me dá uma vontade tremenda de chutar o traseiro dele. E a Susie chuta! Uma vez ele jogou uma bola de neve nela e a menina fingiu que seus olhos tinham “pulado da órbita”. Ele ficou com remorso e foi procurar os olhos dela na neve. E levou um belo pé no traseiro. A Susie é demais! Se você não conhece a historinha... tá esperando o quê pra ir conferir? Motivos? Olha só: o Calvin filosofa enquanto voa morro abaixo a bordo de um trenó; todos os dias ele sofre hilários ataques do felino Haroldo, ao chegar da escola; ele apanha e se vinga constantemente de um moleque na escola, o Moe, e isso faz todo mundo que já passou por isso, como eu, obter uma certa redenção. Além disso, histórias que vêm em livros chamados “Felino, selvagem, psicopata, homicida”, “Algo Babando Embaixo da Cama”, “Os Dias Estão Simplesmente Lotados” e “Yukon, Hey!” só podem ser boas demais. Quando eu saí da casa da minha mãe, ela me deu um recorte do Calvin onde ele dizia que estava se divorciando daquela família e indo morar no Alasca. E quando o tonto pensava que a mãe iria tentar detê-lo, ela só avisou: “Calvin, o norte é para lá, você está no rumo errado”. Eu adorei a tirinha e entendi o motivo do presente. Eu sou o Calvin. Mesmo sem um Haroldo. Ô dupla divertida... 20 dias pensando alto Começou em Santiago e terminou em Cochabamba. No meio, um mundaréu de paisagens: o deserto mais seco do mundo; a vila feita de barro onde preguiça é lei; a cidade que nunca viu chuva; o lago navegável mais alto do planeta, o marco de uma civilização perdida. Num mesmo período, passei o maior frio e o maior calor da minha vida. Também vislumbrei a noite mais estrelada e o céu mais azul. E o que dizer daquela lua? Todo o turbilhão de sensações ainda era multiplicado pelo fato de estarmos a alguns mil metros de altitude, sempre embalados pelo som da incansável flauta andina tocando dia e noite o hit supremo "El Condor Pasa". Mesmo se eu não quisesse ter entrado no clima, seria tarefa difícil deixar de me apaixonar pelos lugares e pelo povo desse nosso continente que fala castelhano - e aymara, quechua e mais um monte de outras línguas bonitas. Como estava dizendo, começou em Santiago, capital do Chile. A cidade é bonita, mas para quem mora em São Paulo não há grandes novidades. Tem muita praça e um parque gostoso. Porém, a tal vista dos Andes que os guias de viagem adoram mostrar fica mesmo só no papel, uma vez que as montanhas nevadas permanecem a maior parte do tempo encobertas pela poluição local. Foi lá que eu entrei pela primeira vez num Starbucks e agora sigo sonhando com o Iced Chai. Saindo da civilização, o negócio foi tomar fôlego e tirar ânimo até da unha do mindinho para aturar uma viagem de ônibus de quase 22 horas até uma vila chamada San Pedro de Atacama - isso mesmo, no meio do deserto famoso por ser o mais seco do planeta. Depois de alguns comprimidos de Plasil (sou que nem cachorro, enjôo no carro, sabe?), de alguns CDs dos Beatles e de algumas partidas de paciência no palmtop, chegamos. E não queria mais vir embora. Quem me conhece sabe que eu não tenho nada de hippie. Porém, San Pedro me fez querer largar tudo, montar uma casinha de adobe com um pátio ensolarado e florido, ter dez gatos livres de grades de apartamento, passar os dias descalça, fazendo artesanato e comida vegetariana. A vila é uma meca de mochileiros, e os gringos nas ruas de terra fazem com que o lugar vibre com um zunzunzum cultural. Não tem banco, mas tem Internet café. Só para dar uma idéia, entrei num restaurante e pedi uma empanada. A dona, uma escandinava que teve o mesmo pensamento que o meu - mas a coragem que eu não teria -, anotou o pedido e foi... fazer a massa! Eu olhei e lá estava ela pegando a farinha, amassando com o leite, abrindo com o rolo. Na maior calma. Assim é San Pedro. Saindo do Chile, dissemos "hola" ao Peru, tudo sempre no bom sentido. Estava mais empolgada que criança na hora de ganhar o saquinho surpresa, porque para essa viciada em Discovery Channel o melhor de uma viagem é a História, assim mesmo, com H maiúsculo. E Cusco tem isso e muito mais. Além de uma catedral de cair o queixo, ruas estreitas feitas de pedra inca, mulheres vestidas tradicionalmente com bebês nas costas, Cusco tem Machu Picchu. Precisa mais? É lugar-comum falar que Machu Picchu é inacreditavelmente surpreendente? É, não vou mentir para você. Eu juro que tentei encontrar outras descrições para aquela cidade perdida no meio da selva, no topo de uma montanha. Mas não consegui. Depois dos dois ônibus e do trem para alcançar o sítio, é só subir uma escada de pedra e ter toda aquela belezura se descortinando na sua frente. E o melhor: estava um dia clarinho, clarinho. Perfeito. Deixar Cusco foi difícil, mas o lago Titicaca nos chamava. No Peru, onde existem as estranhíssimas ilhas flutuantes, Los Uros, feitas de palha seca pelas mãos dos indígenas (que fazem da mesma forma suas casas e barcos). Na Bolívia, mais precisamente em Copacabana (!), lugar essencial para quem quer visitar a Isla del Sol, de onde Manco Capac, o primeiro inca segundo a lenda, teria surgido e dado início ao Império. Do azul profundo do Titicaca até La Paz, quanta mudança! Ainda mais porque a minha visão da capital boliviana foi de dentro de dois ônibus seguidos, o último indo para Cochabamba, onde pegaríamos o vôo de volta a São Paulo. Não vou reclamar, ambas as cidades estavam longe de parecerem acolhedoras. Enfim, aqui estou eu, sã e salva. Mais salva do que sã. Com o ombro queimado de sol, algumas bolhas no pé, uma gripe terrível, a pele ressecada e quase mil fotos a serem editadas. Sabe do que mais? É ótimo ir, mas é muito melhor voltar. Que bom que fui... e que bom que voltei! ![]() O que é um pontinho vermelho numa pedra? Sou eu em Machu Picchu!
Cinco coisas que eu odeio Eu adoro uma porção de coisas bem distintas, como morgar no sofá de casa; assistir a programas de bichos em volume quase inaudível, para pegar no sono; comer bolinhos de chuva e falar sozinha no carro. Ok, eu falo sozinha em qualquer lugar. Mas também posso enumerar aqui um rol de coisinhas que eu odeio. Embora poucas, são realmente detestadas por minha magrela pessoa. Vocês podem me perdoar por incorrer no pecado capital da ira? Afinal, eu não suporto… … lavar verduras … sabonete líquido de banheiro público … toalhas molhadas … peixe … pegar uma música no final e não conseguir identificá-la Não fui eu quem disse Você já se pegou repetindo frases roubadas que ouviu por aí? Ah, então você é do meu time, viu? Não que eu goste de repetir bordões infames criados por novelas de segunda classe, claro. Mas alguns pensamentos de cinema – ou frases bestas mesmo – me obrigam a encaixá-los na rotina da vida real. Algumas formam filosofias interessantes. Por exemplo: eu não sei se os roteiristas de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” copiaram essa certa frase de algum lugar, mas achei ótima e repito a beça. Diz assim: “quando o dedo aponta o céu, o idiota olha para o dedo” (foi dita pelo menininho que mostra ao Nino, paixonite de Amélie, para onde o tapado deve voltar sua atenção). E eu uso para aquelas situações onde estou querendo provar um ponto de vista, mas os lesados ouvintes são incapazes de focar na idéia central. Nem todas as minhas frases repetidas a granel, porém, precisam ser assim tão filosóficas. Quando eu vejo uma Kombi velha e azul, por exemplo, é impossível deixar de gritar “Libiaaaaaans!”, como faz o Marty McFly em “De Volta para o Futuro”. E só tem graça em inglês, não sei qual o motivo... Na verdade, acho que só eu mesma acho graça em pensar que um bando de terroristas líbios está no tal carro... Outra que faz muito mais sentido na versão original é “talk to the hand”, muito bem empregada por aquele ator-robô-e-agora-safado-com-licença em “O Exterminador do Futuro 3”. Basta eu ficar sem paciência para ouvir besteira ou pedidos idiotas e uso essa máxima. Pena que ninguém se contenta em falar com a minha mão e me deixa em paz de fato. Duas outras viraram lemas de vida para essa humilde escrevinhadora. “Quando eu ficar brava mesmo, você vai saber”, que eu aprendi em “A Malandrinha” e uso quando alguém ACHA que eu já fiquei nervosa o suficiente – mas não sabe que posso me tornar uma real máquina de matar. A outra é “se você construir, eles virão”, criada para “O Campo dos Sonhos”, mas que eu emprego ao dar conselhos bobos para quem está na dúvida sobre cometer ou não certa ação. Dá certo, porque aqueles que nunca viram o filme pensam que eu inventei essa máxima na hora e sou quase uma poetisa. Mas talvez a melhor de todas as minhas frases chupadas de filmes seja essa: “Viver com medo é como viver pela metade”. Isso porque, além dela ser mesmo muito sábia, ainda envolve uma boa história. Certo dia, um amigo estava contando um problema que tinha e não estava resolvendo bem. Daí eu dei meus palpites e completei com essa frase magnífica. O diálogo que veio a seguir: – Nossa, é verdade... De onde veio isso, Fernando Pessoa? Porque eu roubo frases de filmes bestas, mas pelo menos não escondo isso de ninguém. Meu vício é isso aí Olha, nunca fui ligada em substâncias químicas e alucinógenas - se é para ver umas estrelinhas coloridas, prefiro meu caleidoscópio. Também acho o fim beber até cair no chão, dar escândalo e trabalho constrangedor para amigos, coisa que me orgulho de jamais ter feito. E, principalmente, não tenho a menor vocação de ficar engolindo fumaça, ainda mais a dos outros. Antes que você comece a pensar "credo, que garota careta"... Bem, pode continuar pensando, sou careta mesmo. Mas existe um vício dentro de mim. Como todo bom vício, é mais forte do que qualquer força de vontade. Como todo bom vício, faz um mal danado. Simplesmente não tenho forças para resistir àquele líquido negro, doce e gaseificado. Não consigo permanecer indiferente diante daquela garrafa curvilínea e daquele barulhinho "tchiiiii" quando desatarracho a tampa vermelha. Pois a água com xarope imperialista, cujo nome consegue reunir duas drogas, é o que eu não vivo sem. Coca-Cola é isso aí. Pouco me importa o que existe na tal fórmula secreta. Pode ser a poção da bruxa Mumu, com pele de sapo, dentes de morcego e cílios de treze virgens. Vou continuar tomando mesmo assim, até meus ossos virarem giz de escola, até meus dentes caírem e até eu virar uma grande (ups, uma pequena) gelatina mole. Consumo Coca-Cola como se fosse água - ou café, ou chá ou qualquer outra bebida. E é Coca-Cola normal, nada de daquelas versões horríveis diet, Cherry e Vanilla. Posso até ser uma garota careta, mas faço questão de ser clássica por princípios. Pelo menos meu vício é encontrado em qualquer supermercado, não polui o ambiente (eu reciclo as garrafas e latas) e não obriga pessoas a consumirem passivamente caso elas queiram respirar. E, ainda que contaminada pelos macaquinhos no sótão, prefiro sempre ter minha consciência a mil por hora. O resto... ah, quem liga para o resto? Ouro inca Chicos y chicas! Sim, eu estou de volta. Os últimos 20 dias foram regados por Coca-Cola sem gelo (não entendo a atração que aquele povo andino tem com a temperatura ambiente) e pela tal de Inca Kola, o refrigerante orgulhosamente peruano - que é amarelo césio e tem gosto de remédio para crianças. Mas claro que isso é apenas um grãozinho de areia no Atacama de coisas que eu tenho para contar. Só que o relato das aventuras fica para amanhã. O motivo? A foto! Promessa é promessa, então... aguardem. Mais e-mails na caixa postal do que lhamas nos Andes Mesmo com esse terço do site de férias, os queridos leitores mantiveram a tradição de muitos, muitos e-mails. Além de agradecer a vocês, que não deixaram o concurso da nova ruiva do Garotas vingar (até porque só o Bozo se cadastrou, mas ele escreve mal), preciso deixar aqui meu carinho à queridíssima Flá Wonka, que com dedicação de amiga do peito respondeu minha correspondência e colocou meus textos no ar. Beijo, querida. ![]() Apenas uma gotinha de toda a diversão!
Sêo Penhor Reza a lenda que Henfil, moço que dispensa apresentações, achava que o belo Hino Nacional Brasileiro começava com "O virundum Ipiranga as margens plácidas..." e etcetera e tal. Pelo menos ele usou isso em alguns desenhos – não se sabe se a bola foi cantada por Paulo Francis ou não. Daí o nome do site dos nossos amigos virtuais do Virunduns, que reúne as maiores escorregadelas na hora de interpretar uma letra cantada. Pois não é que eu também cantava nosso hino com diversas passagens, por assim dizer, mal compreendidas? Além do mais, quem sou eu para tirar a razão do Henfil? Outro dia estava no sofá, diante do encerramento das transmissões da TV Cultura, que fecha com a tradicional execução dessa interessante canção-e-símbolo-nacional, quando percebi que há vários trechos do hino que eu cantava errado quando ainda era uma alegre petiz sem os dentes da frente (agora sou uma alegre petiz com impecáveis dentes da frente, graças ao uso de um aparelho ortodôntico por sete anos). Logo no comecinho, bem depois do Henfil, eu achava que o que se ouviu das margens plácidas do Ipiranga foi o brado retumbante de um povo herói e cobrado. Saca? "Ouviram do Ipiranga as margens plácidas/ De um povo herói cobrado retumbante". Não me culpem. Ao pé de cinco ou seis primaveras, que subsídios tinha eu para entender as palavras "brado" e "retumbante"? Em seguida, vinha um tal de "sêo Penhor". Na minha mente pueril, devia ser um cara muito importante para estar no Hino, esse tal de senhor Penhor. Mas nem tanto, já que dava para chamá-lo de "sêo", que é um pronome de tratamento, por assim dizer, suburbano por excelência – e, por conseguinte, um tanto quanto íntimo. Que "Se o penhor dessa igualdade", que nada! O que pegava era o sêo Penhô. Sigamos. O virundum final do Hino fica espelhado na grandeza da nossa terra, que pelo que eu entendia era dourada. "Se o teu futuro espelha essa grandezaaaa! Terra dourada". E, embora eu ame o hino desse nosso país, cá entre nós, prefiro minha versão. Não é muito mais bonita uma terra dourada? Ainda mais diante de um espelho! Ia ser um brilho que só vendo... Isso sem contar que eu achava que "florão da América" era uma flor grande e "impávido colosso" devia ter algo a ver com pás (dessas de cavar) e aquela famosa montanha-russa do Playcenter. Mas lembrar dos meus virunduns hinários foi barbada. O pior foi perceber que ainda há trechos da música que não compreendo. Não é que eu não saiba a letra – impossível, depois de quatro anos de primário vendo toda a transcrição na contracapa do meu caderninho (e quem não teve um caderno com o Hino atrás que atire a primeira pedra). O fato é que me escapam os sentidos de algumas frases. Sei que uma breve ida ao dicionário resolveria, mas às vezes eu gosto de não saber. Dá margem para mais interpretações malucas. Garrida, por exemplo. O que é a terra mais garrida? E por "nossos bosques têm mais vida" entre aspas? É irônico? É citação? Que diabos! Mas tem outra que nem o dicionário, tampouco a internet não explicam, e para mim é a grande pergunta que não quer calar desse nosso símbolo nacional: afinal, "de amor e de esperança a terra desce"... mas para onde? Clara McFly às 05:08 PMQuinze razões para votar em nós Como diriam Roger e companhia, a gente somos inútil mesmo. Nunca levamos medalha de melhores alunas, não ganhamos sequer uma corrida de saco em festa junina, não fomos nem mesmo campeãs de xadrez nos jogos escolares. Será que pelo menos um premiozinho de internet a gente leva? Para quem ainda precisa de incentivo para clicar ali no gatinho com a bolinha e votar em nós no Ibest, aí vão alguns motivos para ajudar na decisão. Olha só: não vamos magoar com quem não quiser passar por essa provação, tá? Mas poxa, não merecemos nem um tostão de incentivo para continuar nessa lida diária de escrever bobagem??? 1. Se ganharmos, vai ter foto nossa no ar. Não de biquíni, óbvio, mas você vai nos conhecer enfim 2. Nós nunca viemos aqui contar o que comemos no café da manhã, como tantos blogs. Isso conta. Não conta? 3. Somos meninas, precisamos do carinho de vocês, rapazes... 4. Somos meninas, precisamos da força de vocês, garotas!!! 5. Queremos fazer discurso e agradecer à família, aos amigos, aos leitores e ao moço que nos dá flores feitas com guardanapo colorido no bar que freqüentamos semanalmente 6. Temos que dar algo pros nossos pais se orgulharem. Porque, até hoje... 7. O Monty Python merece ser conhecido por mais gente 8. Respondemos 99% dos e-mails que chegam para nós... E não é resposta automática! 9. Precisamos de uma festa para usar aquelas nossas fantasias de fada 10. Devemos esfregar o sucesso na cara do chefe que demitiu nós três de uma vez – e que certamente vai estar no evento 11. Assim como todo mundo que é legal, adoramos “Os Goonies”, “Curtindo a Vida Adoidado” e “Férias Frustradas”. Quem gosta, vota em nós. 12. Se ganharmos, vamos usar a grana para sortear uma viagem a Roma entre os leitores. Roma ou Itu, não decidimos ainda... 13. Temos que ficar famosas para sermos convidadas para ir no Jô Soares e ouvir a risada do Bira bem de pertinho. 14. Precisamos terminar de pagar as prestações das nossas casas, carros, assinaturas de revistas, da escada de bombeiro que compramos em promoção, dos três camelos importados, da ilha que arrematamos do Marlon Brando e do jazigo no Pére Lachaise. Ah, e a anuidade do servidor do Garotas. 15. É uma droga de prêmio cujo critério de desempate é “quem se candidatou primeiro”? É. Mas a gente quer mesmo assim, porque nunca ganhamos nada... Ajuda? Bota água no feijão, eu tô voltando! É estranho pensar no texto sobre meu último dia de férias quando, na verdade, estou escrevendo estas linhas na véspera da viagem que me levou - ou melhor, me levará - por três países da América Latina. Fico pensando se gostei. Se cansou muito ou se foi revigorante. Se não esqueci algum item importante em casa. Se fiquei muito emburrada por dormir em albergues. Como não tenho bola de cristal, vou repassar alguns desejos que fiz. O engraçado é que só vou poder saber se todos eles foram realizados junto com você, leitor, na próxima segunda-feira... - Espero ter guardado na bolsa os passaportes e as passagens, principalmente as de volta; - Espero não ter enjoado muito no avião, e que a comida tenha sido boa (sem mousse de banana); - Espero ter gostado de tudo o que vi e, se não gostei, espero ter me divertido mesmo assim; - Espero que as nuvens não tenham encoberto Machu Picchu e que tenha dado para ver direitinho toda aquela belezura; - Espero que nossa carteira, nossa máquina fotográfica e nosso palmtop tenham voltado ao Brasil conosco; - Espero não ter ficado muito entediada na vigem de 20 horas de ônibus do Chile ao Peru; - Espero ter levado roupa de frio e de calor o suficiente; - Espero ter tirado fotografias maravilhosas em lugares lindos e ensolarados; - Espero ter conhecido pessoalmente uma lhama, e espero que ela não tenha espirrado em mim; - Espero não ter passado muito mal com a altitude; - Espero não ter tomado chá de coca; - Espero não ter usado nenhum item do meu equipado kit de primeiros-socorros; - Espero que os leitores do Garotas tenham gostado de todos os 15 textos que corri para escrever em apenas três dias. Que trabalhão...
Excêntricos, mas limpinhos Para quem ainda não sabe, eu trabalho numa redação especializada em programação de televisão. Parte do nosso trabalho aqui é criar fichas dos filmes que estréiam na TV para um banco de dados, incluindo aí título original, sinopse e gênero. E falo com conhecimento de causa: “Os Excêntricos Tenenbaums” é um dos filmes mais difíceis de se classificar. O que botar naquela caixinha: drama ou comédia? A película, estrelada por Gene Hackman, Anjelica Huston, Gwyneth Paltrow, Ben Stiller, Bill Murray, Danny Glover, Luke e Owen Wilson e um monte de ratinhos (você já vai entender), dança o tempo todo entre esses dois climas opostos com maestria – e por isso mesmo já é um dos meus filmes favoritos da década. A premissa é simples: Gene é Royal e Anjelica, Ethel. Eles formam um casal com três filhos, promissores talentos em áreas diversas. Eles se separam e, aparentemente, tudo segue bem no crescimento dos pequenos. Mas algo dá muito errado no caminho, e os três viram adultos estranhíssimos. Quando Royal diz que está com uma doença terminal, ele volta a morar na casa dos Tenenbaums. E os três pimpolhos, já grandinhos, também retornam para o lar da mamãe – que está prestes a se casar com seu contador, papel de Danny. É a chance que todos precisavam para se acertar de uma vez por todas entre si – e com os macaquinhos que habitam suas cacholas. Se de perto ninguém é normal, os Tenenbaums são estranhos já de longe. E por isso constituem o material de um dos filmes mais bacanas dos últimos tempos. Quer dizer, por isso e pelas sete razões que seguem abaixo... 7. Todo personagem usa as mesmas roupas do começo ao fim 6. A seqüência em que Royal comunica à ex-mulher que está morrendo 5. Bill Murray parece o Jô Soares magro 4. A seqüência em que o Jô Soares magro descobre o passado de sua mulher 3. Os ratinhos-dálmatas 2. Gene Hackman 1. Pagoda ![]() Retrato de família: diga "alô" ao Pagoda, ali no cantinho! Falastrões ao microfone Tudo o que você precisa caso queira montar uma banda de sucesso é um vocalista com dois parafusos a menos e voz interessante. Mas eu fico pensando... por que essas figuras precisam sempre acumular as funções de líder, porta-voz, ídolo das menininhas e quebrador de quarto de hotel? Um dia eu já contei aqui sobre minha predileção por baixistas. Soou meio groupie? Mas não foi essa a intenção. Acontece que eu sou devota de personalidades discretas. Daí achar que os vocalistas, em geral, caíram do berço quando bebês. Vou pelos exemplos que me vêm na cabeça de imediato. Bono Vox, hoje, é aquele irlandês quase de meia-idade com voz de travesseiro e um adorável interesse pelo próximo. Já não lembra muito o cara que puxava garotas do público e lhes tascava um beijo cinematográfico na boca. Curiosamente, o U2 também já não provoca tanto frisson quanto antes. Coincidência? Não. Uma banda precisa de seu showman sempre pronto a transgredir. Vide o caso de seo Axl e o Guns N’ Roses. Bastou o rapaz (que antes gritava como boi no abate e saltava pelo palco feito uma pulga bêbada) ganhar uma barriga e todo o sucesso virou luz. Chato constatar que ninguém dava a mínima para o resto do grupo ou sua competência musical (?). O negócio era mesmo a performance alucinada de Axl “Cabelos de L’Oreal”. Dizem também que o Freddie Mercury carregou o Queen nas costas – mas que injustiça. Tudo bem, aquele estilo “não tão macho pacas” era ótimo e empolgante, e ele cantava como poucos, mas a banda sempre foi mais que isso. E daí o moço morreu, e daí o Rainha foi parar na geladeira. Coitado do John Deacon, ele era muito bom (baixista... ok, eu sou meio insistente). Na seara nacional, só vou me atender a um caso especial: Nasi e o Ira!. Dentro dos limites desse país, eles são meus prediletos. O sujeito que empunha o microfone chega a me emocionar – ainda mais hoje em dia, quando os gorós em excesso deram um timbre rouco e sexy ao Nasi. Mas poxa, por que só ele aparece na tv, nas revistas? Edgar Scandurra, deus em forma de homem que toca guitarra, também faz parte da banda, viu?? O estilo dos vocalistas é mostrado de forma sublime e definitiva naquele filme incrível que eu não canso de indicar: “The Commitments”. Deco, o dono do mic, canta como o diabo, e por saber disso tem uma personalidade infernal – mas encanta os fãs assim que abre sua boca suja. Uma das garotas até chega a dizer “Ele é um porco, mas não tem voz de porco... Dizem que a voz dele vem de deus”. Ao que outra moça mais lúcida responde: “Bom, deus deveria pedi-la de volta”. O Tom de quem eu gosto Tudo bem que hoje ele conseguiu ser levado a sério e figura entre respeitados atores de Hollywood. Mas posso confessar que preferia quando Tom Hanks protagonizava comédias sem compromisso e me fazia gargalhar, suspirar e até soltar lagriminhas de vez em quando? Pois o astro pode ter conquistado diversas estatuetas do Oscar - mas antes ele conquistou minha eterna simpatia. A barriguinha, a calvície acentuada e as rugas aqui e ali não contam. O problema é ver aquele às da tiração de sarro cotidiana vivendo um náufrago barbudo, um astronauta em apuros ou um ex-matador arrependido. Claro que Tom é sempre ótimo, mas às vezes acho que ele está aos poucos apagando seu passado cômico – e isso não é coisa que se faça. Trocaria fácil qualquer um dos papéis atuais do ator por uns minutinhos do hilário filme "Um Dia a Casa Cai", onde Tom compra uma mansão a um preço módico e depois descobre que a residência está em frangalhos. O que é aquela cena da escadaria, que começa a desmoronar enquanto ele sobe? E quando o personagem cai num buraco encoberto pelo tapete da sala e fica lá esperando pacientemente a mulher chegar? Outro que eu adoro é "Splash, uma Sereia em Minha Vida". É bobo? É, não vou mentir pra você. Mas se esse filme adocicou a Sessão da Tarde, o mérito é todo do doce Tom Hanks de outrora. Isso sem mencionar outros clássicos como "O Homem do Sapato Vermelho", "Joe Contra o Vulcão", "Uma Dupla Quase Perfeita" e o date movie supremo "Sintonia de Amor". Porém, nada se compara a "Quero Ser Grande", que conquistaria fácil alguma das primeiras colocações na minha lista dos melhores filmes dos anos 80. Josh é um menino que pediu para crescer e foi atendido. Tom faz o papel desse adulto de 10 anos, adoravelmente desengonçado e inocente. Quem poderia esquecer a cena em que o personagem toca um piano de chão na loja onde conseguiu o emprego dos sonhos - testar e inventar brinquedos? Aquilo é coisa de gênio. Eu concordo que a vida é uma caixa de bombons, Tom. Só acho que, às vezes, o chocolate mais simples é o melhor.
Diversão pouca é bobagem!
Doce de amendoim e sentimentos nobres Amor, além de ser uma paçoca (deliciosa, por sinal), também denomina aquela sensação que eu não vou me atrever a descrever aqui. Vocês sabem qual, né? Então, aquela. Amor é a coisa mais banalizada do mundo e, desde pequena, achava que a repetição constante da palavra fazia com que ela soasse cafona. E é isso mesmo o que acontece quando se bate muito na tecla do conceito: perde um pouco a graça, fica meio amorfo, meio chato. Mas não é o que os distribuidores e produtores de cinema pensam. Numa rápida pesquisa mental, encontrei um punhado de filmes que usam e abusam da palavrinha que intitula o quitute de amendoim. Selecionei os dez mais legais, por uma razão ou por outra. Ao menos, uma coisa é certa: os filmes abaixo dão perspectivas beeeem distintas do que é o amor… Um truque sujo da natureza para garantir a continuação de sua espécie… Amor à Queima Roupa (True Romance) Amor à Flor da Pele (In the Mood for Love ou Fa yeung nin wa) Amor Além da Vida (What Dreams May Come) Um Caso de Amor (The Sum of Us) 9 1/2 Semanas de Amor (9 1/2 Weeks) Ah, quanto glamour... A profissão que eu escolhi envolve mais lendas e mistérios que a receita da coca-cola ou a morte da Marilyn Monroe. Dito isso, acho importante contar mais sobre nossa rotina, assim o resto da humanidade que optou por ser normal pode ter uma medida exata do que é viver como um legítimo jornalista. É uma glória imensa. Por exemplo: entrevistamos gente importante, interessante e famosa – às vezes, algumas que são isso tudo junto! Eles sempre dizem coisas bacanas e dignas de aspas e nunca, nunca são azedos, malcriados ou ignorantes. Sabem como é, eles entendem que estamos apenas fazendo nosso trabalho. Também viajamos horrores. E para os lugares mais legais do mundo. É uma mamata das boas conhecer o planeta sem pagar nada... Ah, e as empresas onde trabalhamos bancam para nós hotéis bons e liberam de tudo, das ligações para a família aos drinques gelados e coloridos no bar. Com direito a guarda-chuvinha de decoração, viu? Bom, ainda preciso dizer que podemos chegar tarde na redação – eu, por exemplo, entro às 10h00, mas invariavelmente só apareço lá pelas 11h00, e ninguém liga ou dá bronca. Afinal, todo chefe de jornalista sabe que trabalhamos até tarde todo dia, então nos dão o direito de sermos folgados pela manhã. Outra coisa boa de trabalhar nessa área é a tranqüilidade. Nossa, há tempo para tudo, incrível. Ninguém é afobado ou pede mil tarefas para ontem. Nunca me aconteceu, por exemplo, de receber ligações em casa para voltar à redação e terminar uma matéria porque algum gênio achou que essa era melhor que outra já finalizada. Jamais! Além de tudo, ainda ganha-se bem nesse setor. Nenhum jornalista que eu conheço, por exemplo, precisa pegar trabalhos extras para pagar a escola das crianças e produzi-lo madrugada adentro, feito uma coruja velha. Como bônus, ainda ganhamos presentes desinteressados de gente que nos bajula sem pedir nada em troca. Todos têm bom coração para conosco, não é lindo? O engraçado é que eu sempre soube disso tudo sobre o jornalismo. Aprendi no meu Manual do Escoteiro Mirim, bíblia infantil que ensinava desde a maneira certa de cozinhar numa fogueira até os segredos da quiromancia. Ah, e dizia o que cada profissional faz –capítulo onde sabíamos mais sobre ser ator, astronauta, médico, palhaço (sim, palhaço...) ou jornalista (sim, palhaço... ops, desculpa). Eu acreditei, e viu como me dei bem nessa profissão maravilhosa? Provavelmente agora vocês sabem melhor o que é ser como eu, Clara e Vivi. E deve acreditar também que usamos viseiras coloridas durante o expediente, um lápis atrás da orelha e trabalhamos num periódico chamado "Planeta Diário"...
Jornalista como no texto acima? Só o Tintin, que roda o mundo e não escreve uma linha... Não é da sua conta! Olha, eu não chego a ser uma Mirtes, a vizinha fofoqueira que passa o dia na janela só reparando na vida dos outros. Mas devo admitir que sou bastante intrometida - na verdade, um pouquinho intrometida, já que também tenho um certo grau de desconfiômetro e sei engolir minha curiosidade quando vejo que existem muitas coisas que simplesmente não são da minha conta. Mas ô, e a pulguinha atrás da orelha quando me deparo com os casos abaixo? Ver gente chorando em público Sentir cheiro de comida dos outros Passar em frente de uma casa com janela aberta Ver alguém lendo um livro que eu não conheço Ver alguém carregando malas ou maletas
Super o quê? Quando eu era pequena, adorava encarnar a heroína Change Mermaid. Bastava uma máscara bem vagabunda, daquelas de matéria plástica, e a disposição de dar uns golpes aleatórios no ar. Os poderes dos Changeman eram muito bons. Juntos, eles montravam um robô gigante e davam o golpe supertânderbolt, infalível para dar cabo do monstro da vez. Isso sem contar a power bazuca, que atirava em três ângulos diferentes, ao som de "munição, na mira, fogo!". Mas nem todos os heróis podem se gabar de seus poderes. Afinal, há mais estranhezas no mundo dos moços e moças super-habilidosos do que sonha nossa vã filosofia. Vocês já pararam para pensar que o Super-Homem, um herói clássico, representante de tudo que há de melhor no ser humano, é… um alien? Por Deus, ele nem é daqui! Portanto, nem é homem, quanto mais super. O Batman, então… Notem bem: é um milionário obcecado que não tem nenhum superpoder (só muito dinheiro, o que talvez seja ainda melhor nesse caso) e inspira sua identidade num morcego. Não tinha um animal mais nobre, não? Podia ser até o dodô ou um guaxinim, que é mais bonito que um rato alado. Pelo menos, os dois grandões aí de cima seguram a onda no combate ao mal. Pior é a situação dos super-heróis de segundo escalão, como os Super Gêmeos. Virar um balde d'água gigante ou uma rampa de gelo ainda vá lá. Daria, por exemplo, para apagar um incêndio ou salvar alguém preso em cima de um prédio. Mas o que fazer com o poder de transformar-se num animal? Que bela porcaria – além de ser, dependendo do animal em questão, um tanto quanto nojento. Já pensou virar um platelminto gigante? Irc. Ainda no quesito poderes-que-mal-prestam-para-algo, temos o Homem Pássaro. O problema dele, na verdade, não eram os poderes em si, mas a fonte de energia. O Homem Pássaro só funcionava se exposto ao sol. Bastava ao inimigo, portanto, cobri-lo com uma caixa de papelão e correr para o abraço: o herói já saía de circulação. Mas ninguém supera a pobre Jubileu, garota que faz parte do time dos mutantes de X-Men. Ela encabeça a classificação poderes- ordinários- criados- por- um- roteirista- em- bloqueio- mental- e- que- definitivamente- não- prestam- para- nada- mesmo: a menina solta fogos de artifício! Imagina só o possível diálogo: "Essa não! Estamos sendo atacados por Sentinelas enfurecidos, munidos de armas automáticas, disparadores de mísseis e lança-chamas! Jubileu, rápido: contra-ataque estourando uns rojões. Quem sabe eles se assustam e vão embora…" Assim, eu prefiro ser a pobre mortal que sou. Ou apenas a super (mas nem tanto) Clara McFly.
Se meu poder fosse soltar biribinhas, também sairia com essa cara na foto...
O hábito faz o monge, sim Desculpa, mas esse ditado bobo insinuando que uma fachada bem montada não nos faz pessoas diferentes é uma bobagem. Lógico que faz. Não fosse isso, uns pares de atores por aí continuariam a ser... absolutamente ninguém. Não que os moços devam tudo à sorte, mas que ela fez uma bela diferença na carreira deles, lá isso fez. Eu fico imaginando toda a magia que circulava ao redor desses sujeitos assim que eles se vestiam para encarnar seus personagens incríveis. Devia chover fã em cima. Até que eles tiravam o traje e lá ia a magia toda pelo ralo da realidade. É como aquela história da Rita Hayworth. Ela dizia que os homens iam para a cama com Gilda, o papel que marcou sua vida, e se desapontavam ao acordar simplesmente com ela, Rita. Bom, mas daí também era exagero, porque não devia ser assim tão decepcionante acordar com uma ruiva linda, curvilínea e milionária na sua cama, né? Assim como acordar com esses caras ocupando o travesseiro ao lado também não deve ser um horror. Mas, se eles estiverem usando a fantasia que os fez famosos, daí é sempre mais fácil de aceitar... Viggo Mortensen - Aragorn Eric Bana – Hulk Mark Hamill – Luke Skywalker Keanu Reeves – Neo E olha que eu nem vou levantar aqui o caso de James Marsden/ Scott Summers/ Ciclope, de “X-Men”. Porque veja bem, ninguém sabe sequer o NOME do ator que interpreta o herói. Mas daí, também, já é insistir no óbvio.
Para ser reconhecido, ele precisa do traje... Vinde a mim os picolés Não importa se você rasga a embalagem embaixo e o retira por inteiro, ou se você abre por cima, empurra a pontinha até sair e já começa a chupar. O importante é que o ritual de escolher e comprar um picolé num dia ensolarado é uma das atitudes mais divertidas que podemos tomar para alimentar nossa criança interior! E o melhor: é uma alegria que custa bem baratinho. Então, da próxima vez que você estiver com vontade de ir na padaria e gastar uns minutos olhando para dentro daqueles freezers horizontais, tente achar algum dos sorvetes aí embaixo - não sei quanto a você, mas eles são meus favoritos. Porém, como passei a infância no tempo da Yopa, da Gellato e da Kibon com o logotipo clássico (hoje mudou e perdeu toda a graça), vale lembrar que muitos deles ficaram congelados no passado. Pena. 10) Frutare de limão 9) Frutilly 8) Cornetto 7) Kalipo 6) Leite moça 5) Tablito 4) Tubarão maçã-verde 3) Magnum 2) Fura-bolo 1) Chicabon Esses são os únicos motivos pelos quais eu, muito de vez em quando, torço por um dia de calor!
Alegria que custa pouco
Filo: cordata, classe: afônica Tem várias maneiras de se classificar as coisas do mundo. É inevitável: ou você é menino ou menina; ou é uma Elvis person ou uma Beatles person; ou é do filo cordata ou do molusca (nesse caso, as opções são maiores: pode-se ser do anelídeo, platelminto, protozoa e mais um punhado). Eu classifico as coisas em mais um critério: as que eu posso e não posso fazer. Desse último quesito, concentro-me especialmente nas que eu jamais poderia fazer, mas morro de vontade. Minha habilidade para essas atividades é proporcional à chance de realizá-las: próxima a zero. Tenho três não-talentos ocultos (a partir de agora, não mais tão ocultos assim): cantar ou tocar um instrumento, desenhar lindamente e ser ás num esporte, como por exemplo ginástica olímpica. Serviria ser trapezista também. Quando ouço miss Ella Fitz, a quem bastava respirar para emitir uma nota, ou dona Elis, que tinha a capacidade de fazer a gente ficar alegre ou querer cortar os pulsos, dependendo da música que interpretava, a admiração é tanta que, mesmo sem querer, sobe a invejinha nas veias. Tudo que essas mulheres tinham era uma voz – e faziam um punhado de gente ficar ali quietinha, ouvindo. Nem precisavam de instrumentos – objetos que, apesar disso, eu também gostaria de dominar. Entre meus favoritos, estão o baixo, o violino (é um mistério como um cristão consegue fazer aquilo ganir) e o piano, tipo de peça capaz de me hipnotizar. Aliás, eu tentei aprender a fazer aquelas teclas emitirem um som razoável, mas desisti depois de seis meses. Bom, essa história fica para outro dia… Quanto aos traços, bem, o melhor que faço são desenhos de palito no Paint Brush. Ficam até simpáticos, mas, por Deus!, pegar uma revista do Spawn ou as primeiras edições dos Fabulosos X-Men me faz corar. E como eu queria ser igual a esses moços: McFarlane, Silvestri, Ross… [suspiro]. Por fim, também tenho uma vontade enorme de ser mestra em algo que chacoalhe o esqueleto, mas não necessariamente dança. Dar piruetas e mortais para depois cair perfeitamente sobre os dois pés seria uma boa. Voar em cordinhas que se balançam, amarradas por um bastão, também. E, depois de assistir a "Matrix Reloaded", kung fu ganhou um cantinho especial na gaveta destinada a meus não-talentos ocultos. Mas tudo isso precisa de treino e disciplina, e eu sou do tipo de gente à la Neuzinha Brizola, que quando sente aquela vontade de fazer ginástica, senta no sofá e espera passar. Por isso, terei de me ater a continuar inventadeira e escrevinhar umas linhas aqui e ali. Acho que é o melhor que posso fazer – e olhe lá!
Carta ao presidente Não, pode ficar frio que eu não vou usar esse espaço rosado para mandar recado ao seo Lula. Minha cartinha é destinada a outros – e tomara que a carapuça sirva em vários. Pode ser para qualquer homem ou mulher que se intitule comandante-em-chefe de qualquer loja de brinquedo. É sabido por aí afora que eu freqüento muito esses lugares. De certa forma, é porque eu tenho quatro sobrinhos e adoro soterrá-los em brinquedos (tia que dá roupa de presente merece passar o fim de seus dias no Carandiru). Mas a verdade verdadeira é: eu amo conferir o que há de novo no mercado de diversão. O problema é que essas visitinhas só dão dor de cabeça! Alguém aí já reparou no quanto as lojas de brinquedos ficaram chatas, feias e bobas? Claro, estou falando daquelas “de marca”, redes de estabelecimentos aborrecidos que só querem vender objetos, não mexer com a imaginação da molecada. Por isso tem umas coisinhas que eu queria dizer para a meia dúzia de bocós que manda nesse setor. Sigam-me os bons: “Não-tão-caro Presi, Como garota crescida durante os saudosos anos 80, é quase impossível para mim não notar o grande abismo de tristeza e falta de criatividade que se tornaram as lojas de brinquedos hoje. E como garota intrometida que sou também, preciso dizer o óbvio. Antigamente, ir à uma loja de brinquedo era passeio fantástico. Teve um tempo até, eu me lembro, em que os senhores (seus pais, provavelmente) decidiram deixar a criançada brincar com tudo! Como se faz nos estabelecimentos americanos. Porque, sejamos francos: os ianques são uns bolhas, mas sabem montar lojas divertidas e de encher os olhos. Bom, os ingleses também. E os franceses. Saco, só aqui não tem festa? Hoje, a cada vez que boto os pés nas suas lojinhas, me sinto perdida. Talvez seja a depressão de saber que meus amigos Playmobils não estarão na prateleira – e isso pode não ser SUA culpa, mas bem que vocês podiam ter feito um protesto, hein? A gente iria ajudar no piquete, claro. O caso é que, eu imagino, devem existir formas de fazer o templo encantado da garotada voltar a ser... bom, um templo encantado de fato, e não um mercadinho sem-vergonha de produtos manufaturados para menores de 14 anos. Primeira medida: vamos falar sério, hoje as caixas de brinquedos são empilhadas como latas de ervilha no corredor do Barateiro. Nada mais bobo. Não dá para melhorar a decoração, não? Abrir só uma caixa já ajudava, assim poderíamos ver o brinquedo na mão. Eu gosto de ver com a mão, tá? Imagino que as crianças também, mesmo que seja com a ajuda de um demonstrador. O que lembra outra coisa: em geral, seus atendentes têm animação de guarda de cemitério e conhecimento nulo sobre brinquedos. Um cursinho para aprender a ser mais acessível e poético não iria mal. Aliás, não é que eu seja a favor de vestir funcionário de palhaço - nem um pouco, por sinal -, mas aqueles uniformes, além de sem graça, assustam até gente grande. É que também fica difícil parecer uma loja bacana quando a própria marca é capenga. Onde já se viu? Uma das suas juntou azul com laranja na identidade visual. Ah, faz favor! Não dá para engolir azul com laranja nem em roupa de daltônico! Tem outra representada por um solzinho com intenção de ser meigo, mas que dá calafrios. Parece que o lugar é ponto de venda de ecstasy. Bom, eu acho que a gente poderia combinar o seguinte: vocês tentam melhorar o atendimento, o visual, a iluminação (aquela luz branca de necrotério não incentiva o consumo, sabe?) e botar uma musiquinha engraçada nos auto-falantes. Nós tentamos voltar a freqüentar as suas lojas sem emburrar. E assim que essa parte estiver resolvida, marcamos a data do protesto para fazer o Cara a Cara e o Detetive voltarem a ter os personagens originais, para trazer o pessoal do Mundo Playmobil de volta e para garantir a derrocada de linhas licenciadas por loiras burras da tv. Nossa, vai ser uma farra, presidente!!! Obrigada pela atenção e não esqueça a minha Caloi, Flá” I'm a believer Em um belo dia da minha infância, mamãe chegou dizendo ser um lobisomem. E eu acreditei. Primeiro, porque pensava que ela nunca mentiria para mim, ainda que o fato fosse um tanto quanto duvidoso. Segundo - e, principalmente - porque eu achava muito mais legal pensar que aquela médica doce e certinha se transformava em fera nas noites de lua cheia. Sempre usei o mesmo raciocínio para todos os outros mitos. De nada adiantavam provas de que o Papai Noel ou o Coelhinho da Páscoa não passavam de lorota, pois sempre me enganei conscientemente apenas porque a versão fantasiosa acaba sendo sempre a melhor. Eu preferia mil vezes acreditar que um velhinho barbudo que mora no pólo norte trazia meu presente num trenó do que aceitar que meu pai foi comprar o brinquedo no Mappin. Ou que um coelho veio carregando meu ovo de chocolate nas costas do que saber que minha mãe se acotovelou em algum supermercado para conseguir o quitute em cima da hora. A verdade não tem nada de glamour. Apesar de ter crescido, continuo sendo uma crente nos mistérios da humanidade. Acredito em disco voador, em extraterrestres, no mostro do Lago Ness, em fantasmas e em qualquer outra coisa paranormal. A vida é muito mais interessante quando existe uma certa pitada de estranheza. Desculpe, mas eu acho uma falta de tato enorme aqueles cientistas aparecerem na TV para desmascarar, por exemplo, o caso Roswell. Eles falam que o tal OVNI não passava de um balão metereológico, que os alienígenas eram bonecos de experimentação e que o cara que viu (ou diz que viu) era fã de água que passarinho não bebe e adorava um cigarrinho do capeta. Pois deixe o povo acreditar, pô! Que mal há nisso? Tem cientista que é chato de galocha. Como os panacas que dizem ter provado que a Nessie não existe. Para quê, eu pergunto? Ninguém vai ganhar o Nobel por conseguir evidências que mostram que tudo não passa de balela. Então, que tal guardar a tremenda conclusão para eles próprios? Não, eles têm que estragar a piada. Um bando de gente sem senso de humor, é isso que são. Aposto que a Nessie e seus filhotinhos monstros estão rindo deles agora, nas águas profundas e turvas da Escócia. Bem, pelo menos eu quero ter o direito de me divertir acreditando que sim.
Vai me dizer que isso é uma mão?
Corrente rumo à bolinha amarela "Atenção! Você recebeu a Carta Poderosa de Nossa Senhora de Birigüi! Não ignore esta mensagem, que corre o mundo desde 1734 (embora ainda não houvesse internet). O original repousa numa igreja no Suriname. Repasse isso para 392 pessoas nos próximos quinze minutos, ou terás azar para o resto da vida, a começar por amanhã de manhã, quando seu Pogobol vai furar". Quem nunca recebeu uma patusacada dessa por e-mail? Eu já fui contemplada com umas 782 correntes do tipo, variando apenas o nome da tal, o santo ao qual ela se relaciona, o tempo de circulação, a igreja que guarda o original e as ameaças do que pode acontecer caso você tenha um mínimo de bom-senso e se recuse a dar continuidade à brincadeira duvidosa. Você pode ficar sem fazer sexo pelo resto da vida, pode morrer atropelado na próxima esquina, pode acabar com o cabelo preso no ralo da piscina ou pode ter sua casa invadida por duendes raivosos que levarão embora suas cuecas. Pois eu tenho uma ameaça muito pior: deixar as Garotas de fora do Top 10 do iBest! Esse texto circula desde que três garotas decidiram, entre muitos pratinhos de pudim de leite, criar um site para escrever todas as macaquices que povoavam seus sótãos e eram ditas ao léu, em mesas de restaurantes no feioso Shopping Eldorado, em São Paulo. Ele traz boa sorte e algumas gargalhadas a seus receptores e o plano original está escondido debaixo da língua da saudosa Eva, do Playcenter, que hoje repousa em algum ferro-velho provavelmente em Cesario Lange, Illinois. Você deve votar no iBest, prêmio esquisito em que um dos critérios de desempate é a ordem de inscrição, o mais rápido possível. Se o fizer, terá mais memórias e gargalhadas garantidas pelo resto da vida – três vezes ao dia, nos dias de semana – e o Pogobol voltará às prateleiras das lojas de brinquedos de todo o país. Se ignorar essa mensagem, além de ficar sem a dose diária de bom-humor, receberá a visita do Galvão Bueno, que vai se hospedar em sua casa por tempo indeterminado, e do Rafa, do "Jornal da MTV", que vai promover suas performances videoclípticas o dia inteiro na sala de seu lar, embaraçando sua mãe e as visitas. Tá bom, tá bom… A gente não pretende, nem por decreto, terminar com o Garotas. E não há maneira desses dois contêineres-sem-alça irem parar na sua porta – mesmo porque só existe um de cada, graças ao bom Deus. Mas que a gente queria ganhar o iBest, ah!, isso lá a gente queria. Você não acha que a gente merece? Então vota, vá? Custa nada e nem é tão demorado. Duvida? Clica aqui que você vai ver! Essas Garotas agradecem, com um beijinho estalado na testa e uma olhadinha de soslaio. Clara McFly às 06:40 PMAs superfaces do superpai Lembra quando você era só um pirralho bobo que achava que seu pai era um super-herói? E que ele costumava combater o crime e salvar o mundo todo dia, mas decidiu largar tudo para formar uma família? E que ele mentia pra você sobre não ser nada disso? Pois é: eu ainda sou boba assim. Porque tenho certeza absoluta que meu pai é isso tudo. Claro que eu vou aproveitar para contar sobre esse senhor porque amanhã ele completa mais uma primavera. E eu tomei gosto por fazer homenagens para as pessoas que me são especiais no dia de seus aniversários. De começo, mantenho o que eu disse: há muitos anos, papai deve ter cansado de circular pelos céus salvando gente indefesa e consertar tragédias de mega-proporções. Então, aproveitando que entrou um anjo em sua vida, seo Luiz resolveu virar um homem de família. Mas continuou a ser herói. O homem é a única pessoa que eu conheço que trabalhou 30 anos numa mesma empresa – e eu garanto que “eles lá” não tinham do que reclamar sobre isso, porque devem ter juntado fortunas incalculáveis graças à competência do meu pai-herói. Fora isso, ele também reúne as características mais divertidas e bacanas que um pai poderia ter. Eu conto algumas. “Não bebe nada do copo de ninguém” “Te dou um tapa na cabeça que você vai parar no pé” A Erundina e o Bobô O homem da máfia Fábrica da boa
Olha eu junto ao anjo e o Superman! Uma década de versos criativos Já que nos chamam de saudosistas mesmo, vou aproveitar para deixar claro que não fazem mais letras de música como as vistas (ou melhor, ouvidas) nos anos 80. Naquela época as bandas e artistas nacionais de pop e rock não estavam interessados em discursos políticos ou em protestos de qualquer espécie: a moda era se divertir. Daí, até simples canções de amor viravam pérolas que definitivamente conquistaram seu lugar na história. Bem, ao menos na minha história. Muitos dos nomes mais famosos ficaram prisioneiros daquela década, enquanto outros continuam por aí – mas se antes eram conhecidos pela peculiaridade, hoje se destacam pelo sucesso comercial de músicas bobas, bregas e ordinárias. Felizmente nossa memória ainda funciona e, se depender de nós, os melhores versos dos anos 80 continuarão sendo merecidamente lembrados. Quer um exemplo? Então vou lhe dar dez: 1) "Eu Sou Free" - Sempre Livre 2) "Psicopata" - Capital Inicial 3) "Inútil" - Ultraje a Rigor 4) "Doméstica" - Eduardo Dussek 5) "Família" - Titãs 6) "Taca a Mãe Pra Ver se Quica" - Dr. Silvana 7) "Melô do Marinheiro" - Paralamas do Sucesso 8) "Lágrimas de Crocodilo" - Jõao Penca 9) "Olhar 43" - RPM 10) "Uma Barata Chamada Kafka" - Inimigos do Rei
A lanchonete do capeta Eu não consigo resistir à visão daqueles grandes arcos dourados, brilhando para mim a cada esquina de São Paulo. E nem ao menos sei dizer o por quê. Afinal, vamos ser sinceros: os hambúrgueres do McDonald's não têm gosto de hambúrguer. Eles se enquadram naquela classificação de coisas que não são feitas do que consta na embalagem, mas mesmo assim dão água na boca: o Tang de laranja (se aquilo for laranja eu corto meu mindinho fora), a esfiha de queijo do Habib's (idem, se aquela pasta verde for mesmo o tal laticínio) e as balas 7 Belo (se a receita tem um átimo de framboesa, eu sou a Rainha de Copas da Alice!). Mesmo assim, tem noites em que dá aquela fome específica de Méqui, sabe? Como às vezes dá sede de coca. Malditos imperialistas! E embora eu sucumba à tentação de tempos em tempos, isso não me impede de notar algumas coisas estranhas sobre a casa dos grandes arcos doirados… O funcionário do mês não existe Todos os itens do cardápio têm o mesmo gosto Os atendentes também são feitos da massa básica Cabeças podem explodir lá dentro Tem uma batata roxa na turma do palhaço
Chuta que é macumba
Muito, muito estranho Não é segredo para ninguém aqui, eu adoro ler. Acho uma das atividades mais divertidas para sair da realidade – e sair da realidade é comigo mesma. Só que eu não curto substâncias fortes. Bom, mas o negócio é o seguinte: para quem quer se lançar com classe nessa gostosura que é devorar um livro, eu tenho uma dica. Uma obra muito, muito estranha e que chacoalhou minha cabeça durante dias tempos atrás. Culpa do Oscar Wilde. Poeta, romancista, roteirista, teatrólogo, crítico e um sujeito bem ácido, esse moço nasceu na Irlanda em 1854. E aqui preciso fazer um adendo muito, muito estranho: acabo de dar uma busca na net para saber o dia em que ele nasceu. Acredita que foi hoje? Hoje, 16 de outubro! Coincidência muito, muito estranha. Será que tudo sobre esse cara é assim, muito, muito estranho? Oscar Wilde era um gênio, mas sobre ele acho que posso falar outro dia. Personalidade diferente para a época, ele escreveu livros magníficos, mas um deles é especial. A minha dica, já ia esquecendo: chama-se “O Retrato de Dorian Gray”. Quem foi ao cinema recentemente assistir um negócio chamado “A Liga Extraordinária” deve estar lembrado desse nome. O arrogante e soberbo Dorian aparece como um dos personagens acionados para salvar o mundo nem-me-lembro-do-quê. O filme não é horrível, mas cometeu um pecado enorme. Eu tento explicar. No livro, Dorian é um jovem cheio de vícios, defeitos, comportamento torto e uma personalidade nojenta. Mas o que todos no seu círculo de amigos estranham é o fato do Senhor Gray, vaidoso até não poder mais, nunca envelhecer. Não dá para contar muito mais que isso, mas Dorian tem um segredão guardado no sótão. Literalmente. Seu retrato, pintado numa tela... bom, digamos que ele absorve traços da vida do rapaz... O pecado do filme foi ter mostrado o retrato do cara! Oscar Wilde usou todo aquele poder de narrativa que lhe era peculiar para descrever a misteriosa situação e o filme.... droga, o filme mata o divertido trabalho de imaginar o que acontece com Dorian Gray e sua figura pintada! Cadeia nesses roteiristas! Mesmo assim, não se deixa levar e apanha o volume – no bom sentido, sempre. “O Retrato de Dorian Gray” vai te parecer um livro excepcional também, eu tenho certeza. Além de muito, muito estranho.
Uns diziam que ele era fanfarrão. Eu digo que era gênio Tanto faz, é tudo igual! Jornalista que é jornalista preza por um texto bem escrito. Entre todos os fatores que isso envolve, também é preciso saber usar sinônimos. Acontece que fica muito feio repetir o mesmo termo dez vezes em uma matéria. O truque, então, é usar palavras diferentes que dizem a mesma coisa, e ir fazendo rodízio em cada parágrafo. Por isso que os livrinhos de passatempos da Coquetel são companheiros de ouro da profissão! Um exemplo: se eu estiver escrevendo uma nota sobre casamento, não posso dizer "o casamento foi às tantas horas" e "a noiva estava bonita no casamento" e "quem compareceu ao casamento ficou emocionado" e etc. Fica parecendo redação de férias da terceira série. A saída é simples - basta usar sinônimos! "Casamento" tem vários, como "casório", "cerimônia", "troca de alianças", "festa de matrimônio", etc. É uma dificuldade também redigir um texto sobre um determinado filme. Se não prestarmos atenção, a palavra "filme" sai quinhentas vezes. Daí, precisamos substituí-la por "longa-metragem", "longa", "produção", "película", "trabalho do diretor x" e coisas semelhantes. Do mesmo modo, "disco" vira "CD", "trabalho", "álbum"... É um exercício que consome muitos neurônios! Pena que existem alguns termos que não podem ser usados, para não ferir a credibilidade do profissional. Mas eu adoraria escrever uma matéria financeira e enfiar todos os sinônimos existentes para "dinheiro". Já pensou? "Sua bufunfa teve um acréscimo de 2,7% pela caderneta de poupança" ou "Os especialistas aconselham o trabalhador a investir o seu cascalho" ou "A multinacional Zezinho & Co teve um prejuízo equivalente a um milhão de verdinhas". Que seria legal, ah, isso seria. E um artigo de jornalismo científico sobre sexo, então? Aposto que os leitores gostariam de ler coisas como "subir a pipa", "descabelar o palhaço", "virar os olhinhos", "rala e rola", "cobrir o croquete" e todos aqueles termos super chiques e agradáveis que o povo usa para descrever o tal ato. Hmm. Acho que está na hora de colocar um fim nesse texto porque, relendo tudo o que eu escrevi, já usei as palavras "texto", "matéria" e "artigo" algumas vezes ao longo dos parágrafos - então agora você me dá licença que eu vou ali dar uma olhada na Coquetel para enriquecer minha cota de sinônimos...
Diz-me o que ouves... O advento dos fantásticos programas peer-to-peer e dos gravadores de CD possibilitou o surgimento de uma nova maneira de conhecer as pessoas: as coletâneas musicais boladas por elas. Depois desses maviosos instrumentos tecnológicos, os portadores dos brinquedinhos acima citados ficaram livres para arregimentar suas canções favoritas de maneira avulsa e juntá-las todas num só CD. É como as velhas mix tapes, mas em versão digital – e com menu muito mais amplo de músicas. Fazer coletâneas, como já dizia Rob (ou John Cusack) em "Alta Fidelidade", é uma arte. E nem sempre as pessoas são muito boas nisso. Mas como os CDs são para uso próprio, bem, pelo menos ao criador elas agradam. E, aos outros, dão uma brecha do quão insano (ou não) alguém pode ser. As minhas, por exemplo, são uma seqüência sem pé nem cabeça de autores tão díspares quanto Led Zeppelin, o elenco de Seinfeld, Butthole Surfers e Paula Abdul. Duvida? Então, vamos à exposição sem pudores de um dos CDs que habitam o velho (mas pago) Deep Purple atualmente. Prometo não mentir se vocês prometerem ser bonzinhos. Eu confesso que tenho, num mesmo disco, intitulado "Música ao Cair da Tarde"... Natalie Merchant, But Not For Me Ani Di Franco, Wishing and Hoping Beatles, Here Comes the Sun Butthole Surfers, Pepper Elvis Presley, Pocketful of Rainbows Frankie Valli, Walk Like a Man Kleiton & Kledir, Maria Fumaça Louis Armstrong, Sweet Georgia Brown Led Zeppelin, Misty Mountain Hop Madonna, Who’s That Girl Natalie Merchant, All I Want Nat King Cole, I Love You For Sentimental Reasons Natalie Merchant, Not in This Life Natalie Merchant, One Fine Day Otis Redding, Try a Little Tenderness Patrícia Marx, Festa do Amor Paula Abdul, Rush Rush Seinfeld Cast, Seintology Simon & Garfunkel, I Am a Rock Simon & Garfunkel, The Sound of Silence Van Morrison, Wild Night O Dia da Verdade Antes de qualquer coisa, preciso dizer que eu me encontro num estado de tranqüilidade profunda, bom humor e felicidade. O texto que segue não foi escrito num momento de ódio – e, nesse caso, ninguém vai poder dizer que minha idéia advém de uma explosão de revolta. A coisa é bem simples: eu quero instituir o Dia da Verdade. Chega de ficar inventando histórias, de tentar agradar a todos, de fazer ou dizer coisas só porque a sociedade nos cobra educação, irmãos!!! O negócio é ir no nervo das questões, sem rodeio ou nhénhénhé. O mais preocupante é pensar no que aconteceria nesse dia... Suspeito do pior: no dia em que nós decidirmos falar o que realmente pensamos sobre todas as coisas, todas elas, tenho certeza que nossas vidas vão vir abaixo. Vamos perder maridos e namorados, os amigos vão sumir, o patrão vai dar o bilhete azul no emprego e é possível até que o banco bloqueie nossa grana e nos expulse do quadro de clientes. Acham exagero? Ah, tá. Então me diz: se a sua garota ou o seu rapaz perguntar com um tom de voz doce e meiguinho “essa roupa ficou bem em mim” e você responder “o espantalho do mágico de Oz era mais ajeitado”, a cena vai acabar em sorriso? Não, não vai. É isso... quem quer conservar o relacionamento tem que dizer só uma meia-verdade. Chato pacas. Agora imagina se o seu chefe, como faz o meu todo dia, te perguntar “o que você está fazendo?”. Vai ficar bem dizer “nada... e olha que hoje eu ainda cheguei atrasada. Mas assim que eu voltar do almoço e enrolar mais uma horinha, é capaz que dê vontade de fazer alguma coisa de tarde. Ou talvez não dê...” Olha, sinceridade é menos usada em escritório que aqueles extratores de grampos. Acontece o mesmo com família e com amigos. Seria muito bom se a gente pudesse apenas dizer “eu não quero sair hoje, cansei das suas histórias, sabe?” ou “mas porque, diabos, você não manda esse seu namorado catar coquinho? Ele é um imbecil mesmo”. Mas não, sempre temos que usar diplomacia. Tudo bem pra mim, mas algumas vezes cansa. No Dia da Verdade, também vou ser obrigada a dizer para as moças que oferecem cartões de crédito pelo telefone que eu tenho dinheiro, mas não vou adquirir um simplesmente porque eu não nasci ontem e sei que ali tem rolo. E possivelmente vou contar pra uma ou outra criança que Papai Noel não existe, que menos de 0,001% das pessoas consegue se tornar astronauta e que a Xuxa ganhou fama fazendo um filme, digamos... pornô. E agora acabo de pensar numa coisa horrível... Talvez o Dia da Verdade seja mais chato ainda do que ter que pegar leve nas respostas verdadeiras... Ah, melhor assim. Eu não ia mesmo gostar de ser uma garota isolada numa caverna. Por uma vida menos ordinária Um dos trechos de que mais gosto em "Bonequinha de Luxo" é a parte em que Holly e Paul reservam o dia para fazer coisas que nunca fizeram antes. A mocinha visita uma biblioteca, enquanto o bonitão é arrastado para dentro da Tiffany's, o paraíso das jóias onde nada de ruim pode acontecer. Os dois também roubam máscaras em uma loja de bugigangas e saem pelas ruas de Nova York usando o fruto da inocente ação criminosa. Se eu pudesse agir da mesma forma, um dia apenas seria pouco para tantas coisas que me dão faniquitos de curiosidade - mas que ainda não fiz por falta de coragem, tempo ou dinheiro. Em todo caso, se alguém me propuser o desafio da senhorita Golightly, quem sabe eu toparia... E aí vai uma amostra dos itens que pensei. Caberá tudo dentro de 24 horas? - Bater na porta de alguns apartamentos do ilustre edifício Copan só para ver como é dentro; - Ligar para o número "como estou dirigindo" de alguns carros e realmente contar como o cidadão estava dirigindo; - Comprar vários produtos da Polishop, testar todos para dar risada e depois devolver e recuperar meu dinheiro; - Ligar para um Disk Amizade da vida só para ver que tipo de gente gasta dinheiro com aquilo; - Visitar a cozinha do Habib's e saber de uma vez por todas qual a proveniência aquele estranhíssimo queijo verde; - Deixar a cigana ler a minha mão (mas não aquelas de rua, com vestido de caipirinha, e sim uma com bola de cristal); - Tirar uma foto da minha aura e deixar o especialista em auras me dizer que tipo de pessoa eu sou; - Entrar no cemitério da Cardeal para ver de perto o túmulo que tem uma enorme estátua de um homem e uma mulher dando o maior amasso; - Arrastar Flá e Clara para tirar uma foto em sépia com roupas de época lá no shopping Eldorado; - Ligar para o programa da Sônia Abrão e tentar escolher qual das caixas reserva um prêmio em dinheiro; - Entrar em uma dessas enormes e brilhantes casas de bingo; - Ir numa sessão do descarrego na Igreja Universal e tentar falar com algum "ex-encosto"; - Chegar num caixa do McDonald's e, quando a menina me perguntar "qual o pedido?" eu respondo "qualquer um", só para ver a reação dela; - Comer esgargot - não deve ser muito diferente de marisco, né?
Não mexa com os meus filhos Se por um lado temos as piores mamães do cinema, por outro temos donas que são capazes de tudo por seus pimpolhos. Elas são tão boas quanto a minha mãe, a da Flá ou da Vivi. Ou quase isso. Na verdade, mais que boas mães, essas moças são batalhadoras. Por isso, ai de quem mexer com os rebentos de... Frances McDormand em Quase Famosos (Almost Famous) Julia Roberts em Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento (Erin Brockovich) Jodie Foster em O Quarto do Pânico (Panic Room) Anjelica Huston, em Os Excêntricos Tenenbaums (The Royal Tenenbaums) Demi Moore, em Striptease Os quatro pequenos Faz algumas semanas que Vivi contou aqui na área sobre seus “quatro grandes” – os rapazes que valem ingresso de cinema mesmo que interpretem a parte de trás numa fantasia de burro. Bom, eu faço minhas as palavras dela sobre o quarteto (John, Eddie, Ewan e Johnny terão minha devoção eterna), mas... preciso botar minha porção ácida em campo e contar sobre os “quatro pequenos”. Ao contrário dos rapazes dos nossos sonhos, essas duas duplas de homens (?) simplesmente não me dizem nada. Nada. Se um dia virassem poeira e fossem levados pelo vento bem na frente dos meus olhos, eu daria de ombros. Provavelmente nem tentaria juntar o pó. Desculpa, gente, mas preciso citar esses nomes. Só não repitam alto mais de três vezes, que senão eles aparecem numa tela de cinema perto de vocês. E daí, haja saco. Alec Baldwin Christopher Lambert Steven Segal Jeremy Irons
Jimmy e um defunto, mórbida semelhança... Um cano preto e um botão vermelho Pegue esses dois ingredientes, adicione um console que esquentava tanto que dava para fritar um ovo e acrescente um monte de cartuchos que só pegavam com umas chacoalhadas. Pronto, eis o brinquedo eletrônico mais saudoso dos anos 80. Quem adivinhar ganha o direito de atravessar uma rua movimentada e depois um rio cheio de troncos e jacarés, tudo para comer uma mosca! Adivinhou? Claro que estou falando do Atari, o vovô dos videogames que fez a alegria de muita criança quando o Bozo enchia o saco. Em uma prova sumária de que simplicidade pode ser sinônimo de diversão, o aparelho tinha apenas uma chave liga/desliga e dois joysticks que eram compostos exatamente por um cano preto (que controlava o carro, o avião ou o homem) e por um botão vermelho (que acelerava o carro, fazia o avião disparar e obrigava o homem a pular). O meu Atari ainda foi brindado com uma parte de madeira, tipo o carro da família de "Férias Frustradas", sabe? E a caixa do brinquedo servia para anotar meus recordes no afã do momento. Não faz mal que às vezes o gostinho da conquista era interrompido pela bronca da mamãe para eu desligar o maldito videogame antes que a coisa queimasse de vez. O que importa é que guardo no meu coração as tardes em que passei na companhia desses joguinhos aí embaixo! Frogger Frostbite Pac-Man Pitfall Enduro River Raid
Tosco é pouco!
De corar até uma pedra Podem me chamar de doida, mas eu gosto de passar raiva às vezes. Sabe, curtir voluntariamente um pouco de ódio? Mas nada grave. Só consigo fazer isso quando o objeto de adoração – ou detestação – é uma música ou programa. Um "produto cultural", por assim dizer. Tudo começou nos idos dos anos 90, com "Chaco", aquela música infame do Tonho Matéria (?!). Era como coceira: eu não conseguia parar de escutar a pérola, só para ficar me debatendo de raiva. Os versinhos estúpidos "chaco, eu tô em cima, to embaixo, eh! mamãe!" rolando e eu curtindo a raiva daquilo ter alcançado as rádios. Que diabos! Anos depois, a história se repete, mas com um pequeno deslocamento de mídia e de sentimento. Hoje, eu me vejo grudada diante da TV ao invés do rádio, e cheia de constrangimento ao invés de raiva, em duas ocasiões em especial: as narrações do Galvão Bueno e as performances do Rafa, da MTV, no Jornal da emissora que um dia foi musical. No GP de Suzuka, quando Rubinho recebeu a bandeirada e aproximou o carro da beira da pista, onde a equipe da Ferrari acenava para ele, começou a levantar o braço com o punho cerrado. Aquele típico "yes!" da vitória, sabe? E eis que Galvão me saca da frase: "olha lá o Rubinho, fazendo sinal para a equipe, como quem diz ‘eu disse para vocês’, ‘deixa comigo!’". Meu Deus, que embaraçoso! Se ele dissesse: "olha lá o Rubinho, fazendo sinal de maquinista do trem" ia ficar bem melhor. De onde ele tira essas coisas? Logo na seqüência, migrei para a MTV. No ar, as reprises dos Jornais da semana. E lá está ele, Rafa, na sua performance de quinta-feira. Frases soltas como "Eu... não sei... eles... não sabem... mas não importa... correm... quem disse... que eu... não sou" e por aí afora são ditas pelo garoto sem o menor pudor, enquanto cenas de um videoclipe qualquer rolam no cromaquí. Se o efeito final já é terrível, imagina ver esse menino no estúdio, onde o fundo para o qual ele fica olhando de vez em quando não passa de uma lona verde? Tsc, tsc, tsc... Pobre do câmera. Que vergonha. Assim meu coraçãozinho não agüenta – e olha que, como disse, eu me submeto voluntariamente a esses constrangimentos. Tive de enfiar a cabeça por entre as almofadas e, para não ter pesadelos à noite, tomar uma boa dose dos programas da Universal antes de ir para a cama. Com esses micos, pelo menos, eu estou acostumada. Clara McFly às 06:42 PMFomos nós! Sexta-feira é que foi dia divertido... Teve aniversário, comemoração e até brincadeira para testar os conhecimentos dos amados leitores. Nossos colegas de trabalho não causaram desapontamento nem dessa vez: a caixa postal do Garotas ficou mais cheia nesse fim de semana que as ruas de Belém no Círio de Nazaré. E a brincadeira teve campeã, ô se teve! Mas primeiro é bom dar o gabarito, né? Foram seis perguntinhas simples sobre essas meninas de cabeça torta aqui. A idéia, vocês lembram, era dizer “quem fez o quê”. Para quem já conhece um pouco do estilo de cada uma, nem era tão difícil adivinhar. 1) Vivi não entende de dízimo 2) Flá não tem medo de agulhas 3) Clara salta com destreza até hoje 4) Flá, a pequena indecente 5) Clarinha – e a lógica que ela inventou 6) Vivi, a seguidora de Daniel Azulay Bom, mas agora vem o resultado. Quem levou o prêmio da primeira promoção organizada nesse site foi uma menina doce e muito gentil chamada Mariana Zanini. Jovem fãzoca de 18 aninhos, a sortuda da Mari cravou seis acertos na tarde de sexta-feira e faturou um kit completo de presentes. Ela vai ganhar um DVD zero quilômetro de “Férias Frustradas” para lembrar feliz dos anos 80 (que ela quase não viveu, porque é um bebê, mas a gente não recrimina). E mais um mimo-surpresa que cada uma de nós vai buscar entre os pertences pessoais. E um cartão agradecendo por ser tão bacana quanto os outros tantos leitores que vieram aqui brincar conosco!
Pode esperar, Mari, que o Clark vai aí te entregar o prêmio, tá? O reino mágico de Oz Faz um mês que me mudei para o novo apartamento. Isso significa que há 30 dias corridos eu não sou mais uma moradora de Oz: me libertei, criei coragem e passei pro lado de cá da fronteira e da civilização. Agora realmente moro na cidade grande! Porém, é difícil de apagar da memória as peculiaridases osasquenses. E você está prestes a conhecer o motivo. Apesar de ter nascido lá no bairro da Liberdade, segundo meu RG, sempre morei em Osasco - assim como meus pais, avós, tios e tias. Então me sinto no direito de defender a auto-intitulada "Cidade Trabalho". Engraçado como muita gente acha que eu morava longe. Longe é Itaquera! E quantas vezes não tive de explicar que não era preciso fazer um 21 para me ligar, não pagava pedágio, não tinha que tomar vacina contra febre amarela, nem precisa levar muda de roupa ou merenda no caminho. Sabe a Lapa? A Praça Panamericana? O Ceasa? Então, dê dois passos adiante e você estará no reino mágico de Oz. A cidade, que já deu ao mundo nomes ilustres como Sônia Lima, recebe turistas de braços abertos. Logo na entrada, pode-se vislumbrar a famosa Estátua do Dinho. Não que o monumento seja em homenagem ao falecido integrante dos Mamonas Assassinas. Na verdade, é apenas uma piada de muito humor negro que acabou pegando. É necessário vê-la para entender. Ao lado, existe a ilustre praça de Tsu, Cidade Irmã de Osasco. Vem cá: isso lá é nome de praça? E o que quer dizer uma Cidade Irmã? Fora que Tsu é japonesa e Osasco é feita de sangue italiano. Quero ver provar que são irmãs. Teste de DNA nas duas, vamos! De qualquer forma, o local é ponto de parada das noivas, que adoram tirar foto ali. Todo sábado tem fila de vestidos brancos, parece assombração. Seguindo pela moderna e dinâmica Avenida dos Autonomistas, que cruza Osasco, você encontrará um dos maiores agrupamentos de supermercados já vistos - talvez o maior. Há um Wal-Mart e um Sams Club exatamente vizinhos ao Carrefour. Do outro lado da rua, tem um Barateiro e um Pastorinho. Osasquense batuta gosta de estacionar em um deles e explorar os demais a pé, para buscar as melhores ofertas de cada. Mais um pouquinho para frente e teremos a Golden Gate, uma ponte (em osasquês é "pontilhão") que liga nada a lugar algum, mas que custou caro que só vendo. Obra do Rossi, nosso Maluf evangélico, que já gravou o sucesso "Segura na Mão de Deus" e já declarou ter aberto um congestionamento apenas com o poder das orações. Não precisa falar mais nada, né? E as atrações são infindáveis. Osasco é tão apaixonante que tem Santo Antônio como padroeiro. Nas próximas férias, tente esse destino agradável e veja com seus próprios olhos a Casa do Diabo (uma casa que tem chifres e bigode), o shopping que explodiu, a Igreja Matriz, o Sistema Brasileiro de Televisão e o único McDonald's no mundo que fechou por falta de movimento e hoje deu lugar a um boteco que vende coxinha e é apinhado de gente. Tem coisas que só Oz faz por você.
Cidade maravilhosa é aqui!
Trezentos e setenta e sete Nunca estatísticas foram tão legais. Fechando o dia comemorativo de aniversário do Garotas, preparem-se para conhecer os números desse site rosado, feliz e com meia primavera a se completar amanhã. O quê?! Você não é fã de matemática? Não se preocupe; nós também não. Por que você acha que escolhemos Jornalismo como carreira? Mas vamos abrir uma exceção por conta dessa data especial. Até hoje, foram 377 textos, publicados religiosamente de segunda a sexta, exceto nos feriados – que ninguém é de ferro. Então, conheça abaixo… As Garotas em números Ferris rules! Quanto casamento! Bons o bastante Engrossamos o coro… Ei, ei, ei… eles são os nossos reis! Pula, gente, pula! Nós vivemos para isso O nome é esse mesmo Quando o assunto é música… Impossível fazer uma só
Impossível contar quantos e-mails já recebemos desde o início dessa empreitada em tons rosados. Ainda bem. O certo é que eles já bateram as centenas. E nada disso daria certo sem as pessoas que estão aí, do outro lado da tela. Nossos caríssimos leitores já nos renderam… - … muitos links por aí, de gente famosa como o Feltrin, a Alê Blanco e o Lucio Ribeiro, e anônimos simpáticos (ah, se não fossem vocês…) - … um liquidificador de presente de casamento – obrigada, H.! - … uma história bizarra envolvendo Flá Wonka (que foi confundida com outra pessoa) - … convites para festas (mas não fomos em nenhuma, senão a verdade sobre nossa identidade seria descoberta) - … fotos que jamais sonhávamos receber – como a de um casamento e a de uma luminária (?!) - … a grata surpresa de ler o aviso "Olá! Você tem [aqui SEMPRE entra um número] mensagens novas" ao abrirmos nossa caixa postal - … muitas confissões (mais gente do que imaginávamos gosta da Bonnie Tyler e vê o logo da Antarctica como uma carinha ao invés de dois pinguins) - … a delícia de descobrir, com cada mensagem, que não somos as únicas pessoas com esse senso de humor, com esse gosto pelos 80 e com essa disposição para rir das coisas miúdas Portanto, como diria Fábio Jr., "há uma estrela solta pelo céu da boca se alguém diz te amo". Ops, não era isso… Do fundo do coração, "brigadú"! Clara McFly às 05:48 PMFoi ela! Muito bem, vocês já ficaram sabendo que hoje esse rosado cantinho perdido na imensidão da internet faz aniversário. Aniversário de seis meses, mas ainda assim aniversário! A gente é daquelas que comemora até um mês de tênis novo, sabem como é. E agora quem vem nos visitar regularmente vai ter a chance se ser recompensado, ó que bom! Amizade vale a pena, é o que queremos provar. Não que essas garotas aqui comprem amigos com presentes, mas... bom, quem nos conheceu um pouquinho através dos textos vai ter a chance de tentar deduzir mais sobre a vida de nós três. O ponto central da brincadeira é: quem acertar primeiro todas as respostas, ganha um presente! São seis perguntas, uma para cada mês de Garotas no ar. E vou dar uma dica, porque eu sou bacaninha: os segredos estão divididos igualmente entre nós, e algumas das respostas estão em textos antigos do nosso arquivão. Ah, mais uma coisa importante: só valem os e-mails que chegarem até domingo de noite. Digamos, até às 20h00. Ah, e mais outra coisa ainda: na segunda eu publico o resultado e explico melhor cada historinha. E mesmo quem perder ainda ganha uma chance de rir da nossa cara. Então chega de palavrório e vamos brincar!!! Um, dois, três e... Ni! Promoção “Quem Fez O Quê?” 1) Ela roubou dinheiro da igreja achando que a sacolinha que passava pelos fiéis DAVA dinheiro, e não RECEBIA as doações. Quem é a heregezinha? 2) Existe, entre as garotas, uma mocinha que nunca furou as orelhas, mas que estampa uma fofa e pequenina tatuagem nas costas. Sabe qual é? 3) Uma das garotas desse site tem a mania meiga de saltar sobre seu pobre irmão e gritar que isso é um “ataque suíno”. Quem não cansa de reproduzir essa cena hilária? 4) Qual das garotas foi mandada à escola pelo papai, aos cinco anos, sem o shortinho “a la príncipe valente” que fazia parte do uniforme – e passou vergonha o dia todo por isso? 5) Até pouco tempo, ela pensava que os boxeadores começavam na categoria mais leve e iam engordando gradativamente até virarem “pesos pesados”, daí o nome. Quem é a lesada? 6) Uma dessa garotas aqui é incrivelmente prendada. Faz pintura, pátina, colagem e o que mais sua incrível imaginação criar. Qual de nós é a poderosa rainha da bricolagem? E aí? Onde nossos nomes se encaixam, hein? Fla Wonka às 01:57 PMQual de nós? Hoje estamos comemorando seis meses de site! Para celebrar a data, preparamos algumas surpresinhas. E a primeira é o que todos estavam esperando: um maravilhoso teste do Garotas! Droga, você não estava esperando isso? Não mesmo? Bem, de qualquer maneira, se não houver mais nada de bom para fazer por aí, que tal responder a 10 divertidas perguntas de múltipla escolha? Depois, no final, o resultado mostrará qual garota que diz Ni você é! Lápis, papel e tesoura sem ponta na mão, amiguinho. Por que tesoura sem ponta? Ah, sei lá! 1) Você foi convidado(a) para uma festa do outro lado da cidade. Seu pensamento é... 2) Um vendedor ambulante de bijuterias pergunta se você quer comprar algo. Você... 3) A temperatura caiu para 10 graus. Qual o modelito que mais lhe agrada? 4) Alguém chama você para comer uma pizza. Qual é sua primeira reação? 5) A TV por assinatura está com problemas. A que programa você assiste? 6) A que horas você costuma chegar no trabalho? 7) Você encontrou um pêlo de gato na sua roupa. O que você faz? 8) Você costuma frequentar a praia? 9) Por qual das situações desagradáveis seguites você não gostaria de passar? 10) Qual fato você faz questão de esconder? Resultado:
Não, agente não nasceu com pontos de interrogação na cara...
Xarás de telas e notas Eu não sei como essas coisas aconteceram. Não sei se os diretores e roteiristas eram fãs dos músicos e quiseram fazer uma homenagem. Ou se apenas achavam que era um título perfeito para suas histórias. Vai ver, ainda, eles já tinham a idéia de escrever uma saga e chamá-la com esse nome há tempos, mas aí veio um cantor ou uma banda engraçadinha e lançou um trabalho com o nome sonhado desde a infância pelos pobres inventadores de histórias para a tela. Enfim. Cada caso deve ter sua própria explicação. Mas o fato é que proliferam os filmes que são xarás de músicas. Alguns até levam a canção da qual chuparam o nome em sua trilha sonora. Outros nem se dão ao trabalho – ou vai ver não tinha nada a ver mesmo. De qualquer maneira, elegi as ligações mais legais, em minha modesta opinião – que nunca deve ser levada lá muito a sério. Preparados? Então, como dizia a bruxa que perdeu a vassoura no depósito do Pica-Pau, e lá vamos nós! Man on the Moon Peggy Sue Got Married Can’t Buy Me Love Pretty Woman Sweet Home Alabama Breathless Only You My Girl Troféu Saco de Risadas Se tem uma coisa que eu admiro mais que tudo nas pessoas, é o bom humor. Gente que sabe rir de si mesma ou dos outros – sem ser idiota ou apelar, veja bem – conquista meu pobre coração num clique. E nada me faz rir mais nessa época do ano que o Prêmio Ignobel. O nome parece com o Nobel, né? Pois a idéia foi essa mesma. Há vários anos, uma turma de estudantes da Universidade de Harvard, aquela ferradona dos Estados Unidos, decidiu criar um evento que fizesse paródia do Nobel, prêmio sério que contempla as cabeças pensantes e seus estudos mais promissores no ano. O Ignobel, por outro lado, é muuuuito mais engraçado. Eles premiam as pesquisas mais bizarras, estúpidas e risíveis que apareceram pelo mundo afora. E a festa ficou tão famosa que os próprios cientistas pegos para chacota entraram na brincadeira, indo lá receber seu troféu e fazendo pose para foto. E tem coisa melhor do que rir de coisa séria? Ah, eu acho ótimo. Mas vai ver também é coisa dessa cabecinha aqui, que adora gargalhar em velório e contar piada em enterro. Por isso mesmo, todo ano me dedico a traduzir os vencedores do Ignobel e mandar para os meus amigos rirem um pouquinho. E não é que, nesse ano, eu posso compartilhar isso com muito mais gente, aqui no Garotas? Aproveitem, amiguinhos! Finalmente a Lei de Murphy foi reconhecida Eu quero testar isso! Cadê a Dolly? Miolos com jeitão de bússola Precisou de estudo pra comprovar isso? Haja saco... e estômago E quantos de nós podem mexer a orelha, ele sabe? Aluga-se para churrasco e festa da firma também Será que eu sou galinha? Saco... Um morto muito louco... e vivo Voyeurismo devia ter limite Maravilhas de minutos No meio do meu faniquito diário zapeando por canais da TV, com frequência me pego babando por algum videoclipe. Acho o máximo como alguns diretores conseguem montar uma historinha em dois ou três minutos, enfiar uma edição e fotografias bacanas e ainda dar um sentido à música que nunca teríamos imaginado - coisa que, em alguns casos, deve ser tarefa difícil. Já aconteceu com você o fenômeno de gostar mais de uma canção só por causa daquele filminho bem bolado e bem executado? Ou ainda gostar menos de um artista devido a um vídeo tosco e sem propósito? Então você é como eu. E, como eu, também deve ter uma lista imensa de clipes favoritos, certo? Pois aí vão os primeiros 10 em que eu consegui pensar. Muitos ficaram de fora - mas ei, esse é o propósito da brincadeira... 10) "All the Small Things" - Blink 182 9) "A View to a Kill" - Duran Duran 8) "Intergalatic" - Beastie Boys 7) "Thriller" - Michael Jackson 6) "The Scientist" - Coldplay 5) "Venus as a Boy" - Björk 4) "Close to Me" - The Cure 3) "Walking After You" - Foo Fighters 2) "Coffee and TV" - Blur 1) "Keep Fishing" - Weezer
Olha a turminha reunida!
Tem coisas que só os EUA fazem para você Tá certo que, de perto, ninguém é normal. Mas, convenhamos, certas coisas parecem só acontecer na até então gloriosa terra do Tio Sam. Um bom exemplo é a pergunta que não quer calar: o líquido até que é gostoso, mas o que diabos é um refrigerante de cola? Uma bebida gaseificada de guaraná, a fruta, eu entendo. De limão, laranja, maçã, idem. Até a pecaminosa bebericagem gasosa feita de uva é compreensível. Mas como assim, refrigerante de cola? Isso sem contar outro dos maiores mistérios da humanidade, que também tem origem nos Iunáited Istêites. Como um rato, que é um bicho pestilento, virou um dos mais populares mascotes do mundo? Por Deus, o fofo e simpático Mickey é um… rato! E isso é só o começo. Seguem mais algumas loucuras da terra lá de cima (mas nem tanto). Só mesmo nos Estados Unidos… … as pessoas santificam os xingamentos … um parque de diversões familiar recebe o nome Molhado & Selvagem … um filho homenageia a mãe batizando com seu nome o avião da bomba atômica … o país não tem nome … o Exterminador vira governador
Quem é a vice? Red Sonja?
Baladas de uma vida só Se um dia eu conseguir finalmente aprender a tocar algum instrumento musical (coisa que só vai acontecer se a Matrix der um download desse programa em mim), vou montar uma banda e escrever apenas uma música. Mas vai ser A música. Ué, tem tanta gente por aí que cravou o nome na história com um único sucesso... O que não tem nada de errado, diga-se. Muito piores são aqueles que montam uma banda e não gravam absolutamente nada que preste durante toda a carreira. Ter um hit na mão ainda é melhor do que vários CDs ruins voando. Essas pessoas que fizeram um sucesso – mas valeu por todos – são casos bastante interessantes. Por que será? Teriam eles esgotado de uma vez toda sua iluminação criativa? Ou foi coisa de momento mesmo, quase um acidente? Bom, eu suponho que esses meus exemplos prediletos tenham ao menos outras onze músicas, afinal não dá para encher um CD com receita de bolo, mas não sei quais são. Nem quero, porque eles valem cada minutos de suas pérolas únicas. The The – This is the Day Steppenwolf – Born To Be Wild Madness – Our House Nena – 99 Redbaloons Right Said Fred – I’m Too Sexy Não acredito em ismos Muitas pessoas nos perguntam se somos feministas – e ficam espantadas quando ouvem uma resposta negativa. Não quero entrar no mérito político da questão, que foi de suma importância na época em que mulher só podia esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque, mas o fato é que achamos que garotos e garotas são diferentes sim. E adoramos a diferença! Claro que isso não é pretexto para maiores ou menores salários e oportunidades. Porém, vamos pensar apenas no lado prático da questão: eu sou menina, certo? Sou fraquinha, choro com facilidade, me importo com a moda, gosto de bichos de pelúcia, não entendo nada de automóveis, adoro usar sutiã. E eu não quero ser como os homens, nem fazer coisas que os homens fazem. Que o feminismo me perdoe, mas eu quero ter o direito de... ... fazer bico se o namorido não repara no novo perfume; ... não conseguir abrir um vidro de azeitona; ... ter prioridade para escapar de um navio que está afundando; ... passar vários minutos entretida com as minhas cutículas; ... ter pretexto para ficar de mau humor uma vez por mês; ... comer muito chocolate e depois botar a culpa na ansiedade; ... chorar com todas as comédias românticas; ... não saber o nome daqueles pauzinhos que ficam indo e vindo no vidro do carro; ... ficar emburrada porque a meia fina desfiou; ... recusar a trocar o pneu furado para não sujar as mãos; ... escrever num site cor-de-rosa e querer ser eternamente uma garotinha!
Engraçado pra caramba Para quem tem menos de 20 e poucos, já explico o título: "engraçado pra caramba" era o bordão do índio Cleverson, personagem do Luiz Fernando Guimarães numa das novelinhas-paródia da saudosa "TV Pirata". Assim como aquela trupe de roteiristas, atores e diretor (Guel Arraes, sempre ele!) tinha um senso de humor de proporções gigantescas para a TV, o povo da música também nunca deixou por menos. Algumas pérolas do cancioneiro brasileiro são verdadeiras piadas, contadas em versos impagáveis. Isso, é claro, sem contar bandas especialmente voltadas para o humor, como o Premê e o Joelho. A modesta seleção que segue revela algumas das minhas músicas engraçadas favoritas. Os escolhidos eram bandas e artistas "normais" (ou quase isso), mais ou menos "sérios", mas nunca especializados em sátiras, que de repente sacaram de seu repertório as canções listadas abaixo, de fazer chorar de rir – ou no mínimo deixar escapar uma gargalhada – qualquer um com um mínimo de bom-humor. Quem ri por último... 5. Conquistador Barato, Léo Jaime 4. Rubens, Cássia Eller 3. Maria Fumaça, Kleiton e Kledir 2. Uma Barata Chamada Kafka, Inimigos do Rei 1. Samba do Bixiga, Adoniran Barbosa
Imagina esse velhinho debaixo da mesa, numa pizzaria do Bixiga... As sete caras do meu lado mau Para dizer a verdade, não acredito quase nada que um dia qualquer um de nós vá passar por um juízo final. Tenho uma visão particular sobre o que seria deus, mas, mais que isso, tenho certeza absoluta que ele não é uma tia velha e aborrecida que anota nossos deslizes num caderno. Mesmo assim, tenho uma escala própria para definir certo e errado, pecado e não-pecado. Tratar mal animais, crianças e velhinhos? Pecado. Sacanear velhinhos sacanas e beliscar criança birrenta? Não tão pecado assim. E sobre aqueles denominados “pecados capitais”? Bom, eles são mesmo de doer. E eu pratico todos, em maior ou menor grau. Agora vou fazer confissões graves e em ordem decrescente de pecados. Mas não use isso contra mim mais tarde, tá? Vou mostrar minha face má, mas juro que não sou a chatona que vou parecer nas próximas linhas. Depois, você pode fazer sua própria lista de chegada! E daí ficamos quites! 7) Avareza 6) Inveja 5) Luxúria 4) Soberba 3) Gula 2) Preguiça 1) Ira O fabuloso destino de Cappuccino Se meus gatos falassem, todos teriam histórias curiosas para contar. Mas nenhum deles carrega uma saga de vida como a de Cappuccino. Para começar, ele é o único felino que não ganhou nome de gente. Caco, o belo, lembra mesmo uma xícara de café-com-leite: seu pêlo vai do branco ao marrom escuro e parece que alguém salpicou um pouco de canela em seu focinho. Minha mãe trouxe esse gato para casa por intermédio de nossa sapientíssima veterinária de plantão. Dra. Elisângela costuma visitar um senhor admirável que possui um sítio em Jacareí, interior de São Paulo, repleto de cachorros que ele pegou na rua e cuidou. Uma vez por mês, a doutora vai até o sítio para vacinar a bicharada. Em uma dessas visitas, ela conheceu Caco, o vira-lata. O pobre gatinho foi arrancado da mãe que ele mal conheceu e arremessado para o outro lado do muro do tal sítio, provavelmente para ser comido pelos cães. Porém, como a criatura já tinha nascido pobre e escolada, conseguiu escapar e se instalou na árvore mais alta do local: um abacateiro. O que ele não esperava era a marcação cerrada de um dos cachorros, uma enorme fila que odiava ver aquele intruso ali. Ela vigiava a árvore dia e noite, esperando a refeição que aconteceria caso a bolinha felpuda caísse em suas garras. Numa folga da fila, o gato resolveu descer e vasculhar o sítio vizinho, onde funciona um asilo. Os velhinhos adoraram - até porque ele possui um par de inesperados olhos azuis. Passaram a lhe dar comida, mas era banido constantemente por algum funcionário. Daí Caco, o esperto, dava um tempo, subia no abacateiro e esperava a fila sossegar de novo para voltar e receber mais afagos. Assim o bichano viveu seus primeiros 3 ou 4 meses de vida, até que sêo Paulo, o dono do sítio, notou aquela presença estranha e, claro, o socorreu. Coincidentemente, era dia da visita de Dra. Elisângela, que o pegou e o trouxe ao consultório. A partir de então a história do Caco, o sortudo, não é mais segredo para quem tem o prazer de conhecê-lo. Hoje ele passa seus dias em cima de uma cama macia, tem comida a cada instante e mal consegue correr por conta da barriguinha proeminente. Ainda carrega um quê de selvagem - tem garras afiadas e quase nunca ronrona. As marcas do passado são muito profundas. E não é que outro gatinho foi encontrado no mesmo abacateiro tempos depois? A doutora também o trouxe para doação, mas não pudemos ficar com ele. Afinal, só existe lugar para um Cappuccino em nossas vidas.
Quem disse que gato não dá em árvore?
Três coisas que não entendo em você, McFly Pensando bem, do alto desses 25 anos, não há nada de que eu me arrependa profunda e sinceramente. Mas tem um punhado de coisas que não entendo – ou simplesmente não consigo me lembrar direito – porque eu fiz. Uma delas é ter ido ao Ruffles Reggae. Eu nem me lembro bem quais eram as atrações desse festival da batata frita e do ritmo jamaicano. Só me recordo que tinha Inner Circle – e, por Deus, eu sempre achei Inner Circle um saco, com aquele alalalalong interminável. O fato é que eu queria tanto ir ao show – e não era só eu, visto que os ingressos se esgotaram rapidinho – que, ao saber que as entradas tinham acabado, fiquei ligando na 89 para ganhar um par de tíquetes. E ganhei (por que isso não acontece quando eu penso que quero muito ganhar na loteria?). E armei o maior esquema para poder ir (era de dia de semana, então tivemos que pegar minha irmã no meio do caminho para chegarmos a tempo). E fui. Pode? Outra coisa do meu passado inexplicável: certa feita, sem casa para ficarmos na praia durante Carnaval, decidimos fazer um bate-e-volta bem farofeiro, só para passar a noite num bar do litoral. Pior que isso, não havia nenhum cristão que tivesse carro disposto a cometer essa loucura. Ou melhor, quase nenhum. O Dener (sempre ele!), que tinha acabado de tirar carta e ainda não acertava sequer ligar a seta para o lugar certo, topou. Enfiamos seis pessoas no Gigante Branco, o Gol 1000 dele (que ainda vive). E lá fomos, felizes, inconseqüentes e um pouco apertados, rumo ao mar. No meio da noite, Carnaval e músicas estúpidas rolando a toda, eis que começa a pegar fogo num carro no estacionamento do bar – que estava, naturalmente, lotado. Para evitar que o Gigante virasse pó de chapas metálicas numa cadeia de explosões, o Dener saiu com o carro por um barranco. E, pimba!, o carter do possante estropiou-se. Até então, eu nem sabia que havia um componente automotivo xará do médico de "E.R.". Mas tem, e o danado precisa estar inteiro para não deixar o óleo do carro escapar. Com a peça estourada, o pobre Gigante começou a vazar. Para remediar a situação, compramos durepóxi e moldamos uma verdadeira colméia de massa no tal do carter, para segurar o vazamento. Isto posto, naturalmente deveríamos voltar para Sum Paulo, certo? Mas seis cérebros não foram capazes de tomar essa resolução razoável. Decidimos esticar a viagem e migrar rumo ao litoral sul do Estado, na casa de uma amiga onde estavam mais alguns dos manés que compõem a minha improvável turma de amigos. Por que, Deus, por quê? Por fim, volto a defender que é uma crueldade e uma insensatez fazer uma pessoa decidir o que quer ser para o resto da vida aos 17 ou 18 anos. E dessa crueldade vem a última coisa inexplicável da minha biografia até agora: ter feito jornalismo. Não que eu me arrependa. Ok, talvez um pouco mais do que ter ido ao Ruffles Reggae ou do que ter viajado mais tempo do que o necessário num carro com uma bola de durepóxi embaixo. Mas eu fiz jornalismo pela razão errada. Gosto de escrever e, do alto dos meus 17, achava que quem gosta de escrever deve fazer jornalismo. Não deve nada; deve fazer Letras. Ou comprar um carro e viajar. Não que me atrapalhe. Muito pelo contrário: só conheci duas garotas geniais e hoje tenho um site fofucho, cheio de leitores idem, por causa do jornalismo. E escrever também faz parte disso. Mas, embora a carreira esteja longe de ser o que eu imaginava, tem nada não. Como muita gente que decide essas coisas aos 17, sempre há tempo para mudar. Entre as carreiras que ando considerando para o resto da minha vida, estão a de taxiadora de aviões, narradora de trailers de cinema ou médica de seriado norte-americano, como o Carter. Alguém aí sabe de uma vaguinha no "E.R."? Clara McFly às 06:46 PMDe arrepiar os cabelos Mal posso esperar para ver “Freddy vs. Jason” na telona de cinema. Minha tolerância a cenas sangrentas é baixíssima, e inversamente proporcional ao meu colossal medo de facões, garras, cadáveres, zumbis, moto-serras e toda sorte de artifícios usados em filmes de terror. Mesmo assim... eu adoro passar esses maus bocados! Filme de terror é um santo remédio. Quando eu os vejo, me ponho a gritar tão desesperadamente que quase posso sentir meus pulmões se abrindo e meus músculos trabalhando (para esconder a cara). É melhor que natação. Eu tenho quase três décadas de vida completas e ainda acordo em pânico por causa de pesadelos motivados por alguns exemplares desse gênero, acredita? Mas também, dá um desconto: existem filmes de terror capazes de fazer até o Mike Tyson falar feito uma garotinha loira de cachinhos. Esses é o meu Top Five. 5) Carrie – A Estranha 4) O Massacre da Serra Elétrica 3) Um Lobisomem Americano em Londres 2) O Iluminado 1) Glitter – O Brilho de uma Estrela
Ahhh! A monstra gritadora quer me pegar! Apenas uma garota latino-americana Enquanto você lê este texto, eu me encontro em algum lugar de Santiago do Chile, com minha mochila nas costas e com pouco dinheiro no bolso. Nos próximos vinte dias estarei aproveitando merecidas férias/lua-de-mel em algumas quebradas pela América Latina, munida apenas de um par de óculos de sol, um palmtop, uma máquina fotográfica e um guia da Lonely Planet. A rota que escolhemos é bem simples: do Chile vamos para o deserto do Atacama, depois entraremos no Peru (no bom sentido), iremos até Cuzco e subiremos as montanhas para alcançar Machu Picchu, seguindo para Arequipa e o lago Titicaca. Última parada será a Bolívia, só para visitar o impressionante Salar de Uyuni. Mas como toda viagem é uma caixa de bombons, tudo pode mudar no meio do caminho - só espero não topar com nenhum bombom de figo. A preparação para o grand tour de latinoamérica começou na semana passada, quando fui no posto de saúde tomar vacina contra febre amarela. Deus me livre ficar com febre, quanto mais de uma cor que eu não gosto. Apesar de possuir alguns furos na orelha e de ter ostentado um piercing no nariz, não sou muito fã de agulhas - principalmente se elas vão injetar substâncias para dentro do meu corpinho. Apesar de tudo, posso dizer que doeu menos do que imaginava. A enfermeira era uma fofa, e me explicou as reações adversas que a vacina poderia causar. Claro que, na mesma hora, começou a me dar cada um dos piripaques que ela descrevia. Fiquei com néusea, moleza, dor-de-cabeça e dei um espirro, tudo em questão de segundos. Droga, como eu sou sugestionável! Daí chegou a vez de buscar meu passaporte na casa da mamãe. Encontrei o tal livrinho verde, muito desbotado, e adivinhe só? O documento venceria em 21 de outubro - e eu retorno à patria amada Brasil no dia... 24. CLARO que o troço estava vencido e CLARO que eu notei o fato cinco dias antes do embarque. No final, ufa, consegui a renovação e me vi livre daquela foto de 1993. Após esses preparativos de ordem burocrática, me restou pouco tempo para escrever meus textos (se eu consegui cumprir a missão, você só vai saber mais tarde) e folhear o guia feito por gringos. Gostei particularmente do capítulo "cuidados para o turista" que, no caso de nosso continente, são: ficar longe de drogas, segurar bem a carteira e não conversar com estranhos suspeitos. Parece o discurso da minha mãe cada vez que eu saía de casa! Quando eu voltar, prometo mais detalhes e, quem sabe, uma ou outra fotografia. Isso se você se comportar bem na minha ausência, viu, querido leitor? E não deixe aquelas duas inventarem de fazer um concurso para a nova ruiva do Garotas no "Domingo Legal", porque já já eu retomo o meu lugar. Hasta luego!
Quem procura, acha Pesquisar na internet é como procurar agulhas num palheiro. Tá, a comparação é batida, mas temos de admitir que, ainda assim, verdadeira. E o processo de pesquisa pode ser lento, mas o barato é longo. Especialmente se você cai em lugares que jamais sonhava cair. Aparentemente, isso é o que acontece com parte dos internautas que descobrem o Garotas ao pesquisarem sobre "quadros de palhaços", "papéis de parede da Barbie" ou "o celular mais vendido no mundo". Pelo Nedstat, ferramenta simpática que conta nossos pageviews, dá para saber também de onde nossos visitantes vieram. E muitos vêm do Google. E muitos vêm de pesquisas que dificilmente têm a ver com o conteúdo do Garotas, como eu já disse aqui. Pois dessa vez decidi fazer diferente. Resolvi aplacar a curiosidade de quem entra aqui procurando algo – e não acha. Atenção, navegantes! Se você chegou ao Garotas através de uma busca nada a ver e continua sem resposta para sua pesquisa, tia Clara dá a letra. Ou tenta. A lista abaixo reúne algumas pesquisas mais recentes respondidas. Letra da música More Than Words - Extreme roconha Música do Casamento do Meu Melhor Amigo mamãe os meus sapatinhos garotas se beijando
Um portal se abriu Vocês sabem que eu, Clara e Vivi somos um monstro de três cabeças, né? Nem precisamos trocar muita idéia para saber o que a outra está pensando e em geral nossos gostos batem 100% (exceto quanto ao sujeito mais interessante de “O Senhor dos Anéis”, mas isso é outra história). O estranho é que, mesmo com essa união toda, nós nunca tínhamos ido ao cinema juntas em toda a vida. Mas a falha foi corrigida ontem, quando fomos de pipoca em punho assistir “Abaixo o Amor”! No começo, pensei que um portal dimensional ia se abrir por causa da conjunção inédita e nos jogar em 1985. Droga, mas não aconteceu exatamente desse jeito. Mesmo assim, nos divertimos horrores. E demos um certo vexame, tenho que confessar. Acontece que o filme é ótimo – e não só para garotas, não. Além de contar uma história engraçadinha de amor, como nós meninas gostamos mesmo e não negamos, ainda é perfeito para dar risada sem dó. Principalmente por causa de Peter MacMannus, interpretado por David Hyde Pierce. Não fosse o mocinho da trama ser encarnado pelo supremo Ewan MacGregor, esse rapaz hilário roubaria a cena inteira. O que me fez lembrar que a série “Frasier”, onde ele é o irmão do protagonista, deveria se chamar “Niles”. O vexame dessas meninas aqui foi, em parte, por causa disso. Por isso e porque na tela estava ainda uma das musas desse site, a atriz Renée Zellweger. É ela quem dá vida a Barbara Novak, moça que fica famosa mundo afora por escrever um best-seller. O livro de Barbara defende que as mulheres devem parar de se apaixonar, apostar na carreira e, em caso de solidão momentânea, se empanturrar de chocolate. Mas o jornalista e conquistador barato MacGregor quer acabar com o topete da escritora. Óbvio o que vai acontecer com o casal, não? Pois a gente adora ter certeza disso! Eu sei, a gente às vezes exagera na alegria de viver e dá gargalhadas que chacoalham a fileira de poltronas da frente. Mas o que se há de fazer se o filme é mesmo pura diversão? Ontem, para nós, foi como voltar a ter 12 anos e estar na sala de casa assistindo “Férias Frustradas” com as melhores amigas. Só uma coisinha me deixou intrigada. Depois que a salona já estava à meia-luz, adentraram o recinto três meninas esquisitas. Elas tinham cabelos longuíssimos, escovadíssimos, descoloridíssimos. Carregavam bolsinhas de marca luxuosa e pareciam ter sorrido pela última vez em 1992. De quebra, quando o filme acabou, elas bateram em retirada ANTES de ver os créditos rolarem junto com um clipe musical adorável de Ewan e Renée. Foi aí que a tese macabra se confirmou: aquelas três meninas eram eu, Clara e Vivi... no Mundo Bizarro! Não é que o encontro das Garotas que Dizem Ni no cinema abriu mesmo um portal dimensional?
Apanhe uma lupa, taí a prova do evento inédito! Maldade colorida Se existe uma categoria mal compreendida no mundo televisivo, tem de ser a dos vilões de desenhos animados. Tudo bem que aquelas mentes diabólicas são uma negação em matéria de botar medo em alguém - e estão longe de dar exemplo de inteligência e perspicácia. Mas se não fosse o lado malvado dos arquiinimigos, como os heróis conseguiriam brilhar em sua bondade? Foi pensando nos personagens mais escuros e sombrios das minhas historinhas de animação favoritas que resolvi montar a lista dos 10 vilões mais bacanas da TV. Muitos deles não são seres cruéis. Aliás, arrisco dizer que eu sempre torcia por ao menos uma vitória. Poxa, vilão que é vilão nunca perde a esperança, e isso é uma qualidade admirável. Mesmo no universo dos desenhos. Cuidado com a bigorna! 10) Coiote 9) Macaco Loco 8) Felícia 7) Hortolino Troca Letras 6) Diabolim 5) Dick Vigarista 4) Gargamel 3) Esqueleto 2) Vingador 1) Moon-Ra
De múmia decrépita a vilão malhado, esse é o Moon-Ra!
Grudadas feito chiclé Existe uma classe muito específica de músicas sobre as quais não consigo me decidir. Tem dias em que gosto delas e dias em que não. Mesmo assim, sempre que as pego tocando no rádio, não consigo trocar de estação! Aposto que as tais guardam mensagens subliminares, do tipo "beba coca-cola", "não toque no dial", "despreze o catupiry" ou algo que o valha. Porque se eu nem sequer aprecio muito estas canções, por que diabos não consigo parar de ouvir… As músicas hipnóticas Clint Eastwood, do Gorillaz Lullaby, The Cure Edge of the World, Faith No More Blood Sugar Sex Magik, Red Hot Chili Peppers Universo paralelo na roça Um dos meus maiores desejos é um dia possuir um saquinho de pó de pirlimpimpim. Vai ser difícil realizar, né? Mas o que eu posso fazer se passei anos e anos sendo viciada em tudo o que se relacionava com o “Sítio do Pica-Pau Amarelo”? Bastava o (hoje) ministro Gil começar a entoar o “boneca de pano é gente/ sabugo de milho é gente/ o sol nascente é tão belooo” que eu corria para frente da tv. De preferência, com alguma almofada nas mãos, assim seria mais fácil esconder o rosto caso o episódio do dia trouxesse o Minotauro. Mas isso é assunto apavorante para mais abaixo. Ontem mesmo cheguei à terrível conclusão que o Seo Monteiro Lobato devia ser fumante de alguma erva proibida. Como, de outra forma, aquele senhor bigodudinho teria inventado um mundo tão comum a todos nós – com uma vovó divertida, um rancho modesto, crianças bacanas – e ao mesmo tempo tão pirado – com porcos falantes, jacaroas-bruxas e um saci esganiçado? O importante é que ficou bom demais. Adorava participar, da poltrona, das aventuras da Narizinho e do Pedrinho, aqueles dois que tinham uma imaginação pra lá de fértil (tenta brincar com um sabugo pensando que ele tem 1,90m de altura pra ver se você consegue...). Eu era particularmente fã do relacionamento que a garota mantinha com o príncipe do Reino das Águas Claras. Ele tinha jeito de boiola com aquele cabelo verde e tigela? Ô. Mas eu não pensava nisso aos sete anos. Mas em carisma e atitude ninguém se comparava à Cuca. A crocodila com barriga de arco-íris meteu medo em muita criança, mas não em mim. Assim como a própria, eu a achava “lindona”!! Vamos falar sério: foi boa a iniciativa de voltar com o “Sítio” para a televisão, mas a versão atual da Cuca não chega aos pés daquela com cabelos loiros esvoaçantes. Eu tinha medo mesmo era de outros personagens. Um medo louco e paranóico, em alguns casos. O Tio Barnabé, por exemplo. Por que um senhor de idade avançada vive sozinho num casebre distante e quase nunca sai de lá? Eu conto minha teoria: ele já passou desta pra uma melhor há muito tempo. Isso mesmo. Tio Barnabé era um espírito que só o povo do “Sítio” via. Apavorante, né? Para dizer a verdade, eu tinha um certo pé atrás com a Emília também. Ok, ela era chamada de bonequinha de pano, que é uma nomenclatura muito meiga, mas aquele rosto alvo, os cabelos coloridíssimos e as costuras nas juntas me lembravam um pouco o Frankenstein. E ela era noiva do Rabicó, um porco falante. É que, no caso, o doutor que a construiu foi a Tia Nastácia, o que aliava um pouco a barra da sabichona. Ah, eu confio em cozinheiras e no julgamento delas para criar bonecas. Mas o “Sítio do Pica-Pau Amarelo” tinha também o pior de todos os meus medos, que citei lá em cima. Aquele Minotauro, meio homem parrudo, meio touro nervoso, era aterrador. Eu é que não entrava naquela caverna de jeito maneira! Além de medrosa, sou claustrofóbica. Só mesmo o “Sítio” e seu mundo malucão para me fazer rir com uma bruxa do reino animal e chorar com um boi humano.
Ô dupla estranha... As três mosqueteiras Semana passada publiquei um texto sobre meus atores favoritos. Mas para não dizerem por aí que eu só ligo para as qualidades físicas dos moçoilos, resolvi escrever também sobre as atrizes que adoro. Admito que pago feliz o preço do ingresso para vê-las em ação, pois sei que não vou sair da sala inteiramente insatisfeita depois de passar duas horas olhando para tais beldades. Bem, está certo que a minha musa eterna é a Audrey Hepburn, e eu nem ouso piscar quando ela entra em cena. Na humilde opinião desta garota, não existe uma mulher mais bela, mais chique, mais cool que a morena de olhos grandes e expressivos. E se eu pudesse nascer de novo e escolher um rosto qualquer, seria o da Audrey - até porque ela morreu velhinha e linda. ![]() Até em situação vexatória Renée é graciosa!
Minhas férias É com aperto no coração que escrevo o texto de hoje. Porque ele é sobre uma das coisas mais bacanas que já aconteceram na minha vida: a casa de praia de Bertioga. Por isso, não reparem se no fim escorrer uma lagriminha, tá? Eu passei minhas férias de verão nessa casa desde bebê até atingir a maioridade. A história termina triste: ela foi vendida. E desde então não tem mais Bertioga. O que significa que não tem mais viagem com marcos inventados estabelecidos (como o isqueiro do gigante em Cubatão ou o raio que congelou na Serra do Mar), não tem mais a praia do Sesc, não tem mais o cheiro de guardado ao abrir a casa. Humpf. Agora, prefiro ir a outras praias. Porque as centenas de histórias que fizeram 18 anos de Berti não desaparecem da memória assim, e seria muito doído voltar ao mesmo lugar para ficar numa casa estranha. E são tantas histórias que nem dá para falar aqui. Por isso, achei por bem me concentrar nas… 10 coisas de Berti das quais não esqueço O chapéu-de-sol do jardim O quartinho dos fundos A garagem O piso da casa O álcool mágico A pracinha A Vila Os Natais A caixa d'água Os vizinhos
Subtítulo - Ou Como Encompridar o Assunto É, Clara tem toda razão. Essa gente que traduz títulos de filme deve tomar speed no café da manhã. Bom, Clara não disse isso, fui eu que deduzi depois de lembrar com ela sobre transplantes mal-feitos como "Quills" para "Os Contos Proibidos no Marquês de Sade". Mas sabe o que mais? Pior mesmo é quando os homens decidem explicar a piada com subtítulos estapafúrdios. Eu fico pensando se os moços tradutores querem apenas ser didáticos ou se deduzem que o povo é estúpido mesmo. Por que, eu queria saber: é preciso botar um subtítulo em "JFK"? A gente sabe quem foi o homem! E, além do mais, "A Pergunta que Não Quer Calar" não explica quase nada se o cidadão não souber mesmo como o Kennedy bateu as botas! Lembrei de vários que se enquadram nesse setor de "julgamos que vocês são imbecis, então tentamos ser legais". É de sofrer, ainda mais lembrando que ninguém cita os filmes usando nome e sobrenome. Seria tão ridículo quanto ter um filho e chamá-lo com um "Rodrigo Eugênio, vem já pra dentro". O Show de Truman – O Show da Vida Shine – Brilhante X-Men – O Filme Forrest Gump – O Contador de Histórias Ghost – Do Outro Lado da Vida Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento Assassinaram a gramática Não precisa ser professora de português para ficar horrorizada com alguns termos que andam pelas placas da cidade: sabemos que nossa inculta e bela língua natal vive sendo esfaqueada. Ok, vamos admitir que trata-se de um idioma difícil e com mil exceções - e até quem trabalha com isso, como eu, não consegue escapar de errinhos uma vez ou outra. Mas tem gente que abusa, vá... Parece que a moda agora é enfiar a letra K em tudo o que, originalmente, seria escrito com QU ou C. Por exemplo, o famigerado "kilo". Aposto que muitas pessoas se esqueceram de que o certo é "quilo", tanto que o termo americanizado é usado pelos restaurantes. |
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