|
||||||||||||||||||||||||||||||
|
||||||||||||||||||||||||||||||
Pega o dicionário. Ou não Eu queria ter a criatividade que aquele pessoal que faz a tradução dos títulos de filmes aqui no Brasil tem. Tradução é modo de dizer, a bem da verdade. Afinal, qualquer pessoa com um inglês básico "the-book-is-on-the-table" sabe que Giant não quer dizer Assim Caminha a Humanidade! Tudo bem que acabou ficando um nome bacana e até tem a ver com o filme. Mas a livre adaptação de títulos pode acabar com conseqüências graves ou mesmo bizarras. Um bom exemplo é o caso de "Meu Primeiro Amor", que no original é "My Girl". Ficou bonitinho e tal, mas quando foi lançado "My Girl 2" os distribuidores tiveram de seguir a linha e passar o filme com o nome "Meu Primeiro Amor 2", o que não tem o menor sentido. Como é o primeiro amor número 2, ora essa?! De qualquer maneira, a imaginação desse povo não tem fim. Duvida? Então olha essa lista aí embaixo, com as 10 melhores "traduções" de títulos já vistas em terras brasilis. Os Brutos Também Amam Noivo Neurótico, Noiva Nervosa Festim Diabólico Pacto Sinistro Intriga Internacional A Noviça Rebelde Four Days in September Amor Além da Vida Nas Profundezas do Mar Sem Fim Contos Proibidos do Marquês de Sade Não era uma droga, era bom Não que os meus irmãos estejam aqui ao lado me dando uma chave de pescoço e me obrigando a escrever o que segue... Não, eu é que quero me redimir mesmo. Acontece que há alguns textos atrás eu disse que ser a caçula da minha família era uma droga. Em certo ponto, era mesmo. Mas também tenho que dizer: em outros pontos, era uma beleza. Nem sempre eu saí ganhando nas brigas e, normalmente, o beliscão do papai para acabar com as lutas no banco de trás do carro chegava primeiro em mim, que era a criança que ficava no meio e tinha menos reflexo para recolher as pernas. Mas acabei me lembrando (sem pressão dos irmãos, de verdade) de algumas oportunidades em que eu me dava muito bem por ser a última da cadeia alimentar. Eu roubava roupas deles Quando chegou a minha vez, ficou fácil Mamãe tinha paciência comigo Cuida, leva, busca, empresta, ensina Pronto, me redimi! Agora vocês dois, queridos irmãozinhos, podem parar de torcer o meu braço e me dar esses ardidos tapas na cabeça, por favor? Fla Wonka às 02:39 PMVelozes e estilosos Foi só assistir àquela perseguição de Mini Coopers em "Uma Saída de Mestre" que me veio a vontade de pegar um carro cool e sair por aí em franca disparada, sem destino - de preferência passando por cima de tudo e de todos na hora do rush, logo após ter roubado uma quantia absurda no banco. Olha aí, depois falam que filmes não influenciam espectadores. Deixando de lado o instinto bandido, passei a pensar em algo mais útil. Pena que não diz respeito a barras de ouro com desenho de dançarinas balinesas, mas ainda continuo com carros na cabeça. E, aproveitando o ensejo, fiz uma lista dos meus automóveis favoritos do cinema. Pode ser polêmico, ou ainda um tanto óbvio! Mas lembre-se de que eu sou menina, não entendo de máquinas...
Eu queria dar uma voltinha nele... e ir para 1955!
Pérolas de sabedoria Ouça a velha tia Clara aqui: alguns sinais são colocados em nosso caminho para nos livrar de frias. Mas é preciso saber ler. Ao longo de anos e anos (totalizando 25 deles) de experiências, reuni alguns princípios que muito me ajudam na hora de escapar das pequenas armadilhas do dia-a-dia e tornam minha vida cotidiana melhor. Por isso, meu filho (ou minha filha), ouça a voz da experiência e... Nunca vá a bares ou danceterias onde todo mundo usa a mesma roupa Não passe muito tempo sintonizado na MTV durante os intervalos comerciais Não acredite nas paradas de sucesso de rádios e TVs supostamente eleitas pelo público Não confie seu dinheiro a alguém com nome ou sobrenome no diminutivo Não beba refrigerante de uva Rito de sacanagem Digam para mim: o que é uma menina vestida de cor de rosa da cabeça aos pés, posando de centro das atenções, com 15 caras a sua espera e centenas de outras pessoas contendo o riso? Eu respondo: é um dos rituais mais engraçados da era moderna. Sempre fugi de festas de 15 anos como o diabo foge da Bispa Sônia Hernandez. Eu nem mesmo compreendo aquela onda de fazer a “passagem” da garota de criança para mocinha. Se tivesse umas formigas gigantes na parada, seria uma coisa bem indígena, não? Além do mais, ser o centro das atenções já é uma dureza tremenda, então imagine passar por isso durante a fase mais torta da vida. Sim, porque aos 15 anos toda garota odeia seu cabelo, odeia sua pele, odeia seu peso. Daí alguém acha por bem fazer uma mega-festa para comemorar... isso?? Droga, não seria melhor preparar uma festa onde a tal menina usasse um pacote de supermercado na cabeça? Isso posto, preciso contar sobre a minha relação pessoal com esse tipo de evento. Sempre achei um horror, mas tive que participar de várias. Em geral, eu era só uma convidada, então me esbaldava de dançar, comer, beber – e ficava só nisso mesmo. Mas, uma vez... Bom, acontece que, uma vez, uma garota que tinha sido muito minha amiga na infância cismou que eu tinha que dançar na festa dela. Eu podia ter inventado que minha religião não permitia coisa assim? Podia, mas não fiz. E lá fui eu me enfiar num vestido rosado e ficar parecia com uma jujuba supercrescida. Melhor explicar todo o cenário, para vocês verem que minha vida já teve passagens duras. A festa foi num hotel de São Bernardo (o “B” do ABC Paulista). A menina recebia os convidados na entrada vestida com um camisolão rosa e um urso de pelúcia nos braços. A certa altura, ela trocou o pijama por um vestido rodado (e rosado, claro), seu pai lhe colocou um sapato de salto alto nos pés e ela bailou com um cadete previamente contratado para o festelê. Ok, eu dancei também com outro cadete previamente contratado para o festelê. Mas tem coisa que é melhor esquecer. Aliás, tem gente que esquece as coisas bem rápido mesmo. Sem querer ser venenosa, mas... dois anos depois do tal evento “virei-mocinha”, a meiga aniversariante já tinha dois filhos para criar. Viu? Quem mandou trocar o urso pelos cadetes tão cedo? Virginie, cadê você? Há duas décadas, enquanto o mundo cedia aos encantos de Madonna e Cyndi Lauper, nós aqui no Brasil suspirávamos pela nossa própria pop star. Ela não devia nadinha às concorrentes internacionais. Também lançava moda por onde andava, tinha um timbre de voz agradabilíssimo, esbanjava charme e talento. E era bem "pra frente" - mas do seu modo, sem criar polêmica à toa só para aparecer. Virginie foi a princesa do pop rock nacional e os anos 80 foram o seu reinado. Não havia uma garota sequer que não queria ser como ela: magrinha, com cabelo bem enrolado e um jeito sapeca. Se a vocalista da banda Metrô aparecesse na TV usando camisa branca com ombreiras e gravata fininha, pode apostar que o próximo baile de garagem estaria cheio de meninas vestidas do mesmo modo. Quando eu aposentei minha vitrolinha vermelha de infância e passei a ligar o aparelho de som lá de casa, era o Metrô que me fazia companhia. Pensando bem, pode ter sido em uma daquelas tardes que eu me iniciei na arte da dublagem. Bastava colocar a Virginie para cantar que o show estava pronto. E como cantei (e continuo cantando, graças a um super CD que encontrei em promoção na Internet) os versos "Minha mãe me falou que eu preciso casar/ Pois eu já fiquei mocinha", do hit "Beat Acelerado" (na versão escolar, "Bife Acebolado"). Minha favorita até hoje é "Tudo Pode Mudar" e o desespero da moça ao interpretar "E dentro do meu peito não tem jeito bate paixão/ São dez pra ficar louca, daqui a pouco posso pirar". Também tinha a balada "Johnny Love" ("Chamo o seu nome/ Johnny Love love love"). A voz de Virginie merece um parágrafo à parte. Bem parecida com a de Rita Lee, porém um pouquinho mais esganiçada - e sempre afinadíssima. Lembro-me de ter lido em algum lugar que a vocalista adora bossa nova, então não me espanta o fato de que ela às vezes soava um tanto Nara Leão. Bem new wave, claro. ![]() Coração ligaduuuuu...
Elementar, meu caro leitor "O jogo já começou!" Ontem, falei dos jogos mais chatinhos do mundo, na minha modesta opinião. Para hoje, prometi armar uma listinha com os mais legais. Como promessa é dívida, já começo o texto com uma frase presente no fim de todos os cartões de um dos meus brinquedos favoritos. Eu ouvi Scotland Yard? Ah!, sabia que vocês não iam me desapontar! Meu tino para detetive médica ou CSI, como preferir, já se manifestava desde a mais tenra pré-adolescência, quando meu pai chegou em casa com essa caixa fininha embrulhada debaixo do braço. No jogo, você bancava o Sherlock Holmes e tinha de percorrer Londres atrás de pistas para solucionar um caso, em locais como a Charutaria, a Casa de Penhores e o Hotel. Antes de ser dada a largada, lia-se um dos casos nos cartões. E eles tinham os nomes mais bizarros, como "O Caso da Doceira Confeitada" ou "O Caso das Virgens Desaparecidas". Quem não gostaria de resolver essas charadas?! Eu devorei todos os cartões que vieram com o jogo e só perdi um. Isso foi um problema – ter resolvido todos, não perder um. Porque depois eu não tinha mais como jogar. E morro de saudades dos meus tempos de bloquinho na mão, atrás de pistas para decifrar o nome do assassino, a arma, o motivo e, em alguns casos, onde estaria o corpo. Como não daria para falar de Scotland Yard em umas poucas linhas, sobram só outros quatro para completar a lista com... ... os jogos mais bacanas da minha vida Academia Mímica Porco Taco Eles cantam e encantam E esse é o trocadilho mais mongo do planeta, eu sei... Mesmo assim, serve bem para hoje. Acontece que, em algumas passagens do cinema, atores que não cantam nada fazem bonitinho com o microfone em punho. E eu gosto disso. E, por diversão ou encantamento, me derreto. Ator cantando costuma requer uma alta dose de acerto na afinação, eu imagino. A maioria não deve ser lá muito boa de gogó, mas o que vale mesmo é o esforço. E a performance, acima de tudo! Porque, assim como nós que usamos a escova de cabelo pra dar showzinho na frente do espelho, eles também têm que compensar a falta de musicalidade com um jogo de cintura. Será que alguém já fez artigo aqui no Garotas sobre isso? Sei lá, eu já não sei mais quando sou eu que penso as coisas e quando são Clara e Vivi... Mas tenho certeza que esse Monstro-de-Três-Cabeças aprovaria por inteiro a listinha abaixo. 5) Gwyneth Paltrow – Duets – Betty Davis Eyes 4) Heath Ledger – As 10 Coisas Que Odeio em Você – Can’t Take My Eyes of You 3) Hugh Grant e Nicholas Hoult – Um Grande Garoto – Killing Me Softly 2) Adam Sandler – Afinado no Amor – Holiday 1) Jack Black – Alta Fidelidade – Let's Get It On
Não dá vontade de sair imitando? Os quatro grandes Confesso que costumo pagar pela companhia de quatro rapazes. Quando eles estão na minha frente, nem ouso piscar - e adoro que encarnem vários personagens com as luzes apagadas. Além dos dotes físicos que fazem os hormônios femininos pulularem, eles são muito bons de ação. E que talento enorme, precisa ver... Mas antes que alguém aí me interprete mal, acho melhor esclarecer que estou falando dos meus atores favoritos! John, Eddie, Ewan e Johnny. Parecem nomes de integrantes de boy band, mas o único grupo de que fazem parte é o da nata de Hollywood. Apesar dos rostinhos bonitos, esses astros também são mestres na arte de interpretar. Por isso é que assisto a todos os filmes dos quais algum deles participa - pelo menos sei que o dinheiro do ingresso terá sido bem gasto, ainda que a produção deixe a desejar. Não tem jeito mesmo. Meu coraçãozinho bobo bate mais forte quando a telona mostra... ... John Cusack ... Edward Norton ... Ewan McGregor
Enterra logo esse morto, pelamordedeus! Eu adoro jogos e folguedos. Basta juntar três ou mais gatos pingados da minha turma de amigos que a primeira coisa que me vem à cabeça é tirar timinhos e armar um tabuleiro, ou passar a mão num maço de cartas. Ao longo de anos de experiência e quatro de formação magisterial (sim, antes de ser jornalista, eu sou professora), meu menu de jogos se estendeu de forma fabulosa. O duro é arrumar quórum mínimo para começar uma das brincadeiras. Um gosta desse, outro daquele e ninguém chega a conclusão nenhuma, me deixando desamparada no cantinho da sala com as caixas na mão. Mas eu entendo. Eu mesma, apesar de adorar as atividades lúdicas, tenho minhas exceções – jogos dos quais só lanço mão se me pilhar numa ilha deserta por cinco anos, tendo por companhia apenas espécies símias. Aí, eu até treinaria os macaquinhos para jogar comigo uma dessas pérolas do mal... ... os jogos mais chatos de todos os tempos Dominó War Banco Imobiliário Dama Buraco Muito bem. Façam suas apostas, sugestões e reclamações, mas podem esperar até amanhã, quando seguirão os jogos mais bacanas de todos os tempos, ou pelo menos dos que já conheci ao longo de meu jubileu de prata. Enquanto isso, que tal uma partidinha de buraco? Entre vocês, é claro. Prefiro esperar contando palitos de fósforo das caixinhas, para ver se elas contêm mesmo quarenta pauzinhos. Clara McFly às 06:35 PMVamos estabelecer um teto? Acabo de desligar a televisão com uma certa secura na garganta. Tudo porque estava assistindo ao mais fútil de todos os programas fúteis do universo: Celebrity Homes. Sabe o que me fez bater em retirada? Algum famoso, que eles não identificam qual, mandou fazer uma cama de US$ 60 mil para sua casa de campo... Isso não devia ser previsto no código penal internacional? Tá bom, não vou polemizar sobre ser uma completo absurdo pagar essa grana abissal em uma... cama. Ah, quer saber?? Eu vou, sim! É repugnante, um acinte, um troço que foge à minha compreensão. E olha, o tal do móvel milionário nem era lá grande coisa. Parecia mais um altar de igreja feito para um padre de Beverly Hills. Ou de Las Vegas. Mas o fato é que a tal cama que custa o mesmo que um país africano inteiro me lembrou sobre o disparate de preços que alguns artigos atingem no mercado. Assim sendo, eu pensei e decidi: quando Lulinha passar a faixa de presi para mim na virada do ano de 2006 para 2007, minha primeira medida será estabelecer um teto para cada categoria de produto. Mais informações a seguir. Vai no pé, não pode ser caro É motor, rodas e umas chapas metálicas No fim, é só uma salona escura Minhoca custa um dinheirão, hein? Veja bem, eu quero ME LIVRAR deles!
Oba, estou dodói! Quando eu era criança, bastava começar uma dorzinha de garganta ou aparecer uma mancha vermelha no braço para eu ficar toda feliz. "Doença" estava longe de ser uma palavra triste. Ela significava faltar na escola, assistir a todos os desenhos animados matutinos e ter a mamãe transbordando de cuidados e oferecendo maçã picada de hora em hora, igual ao resultado da Telesena. Outro dia eu vi um outdoor escrito "A catapora está de volta" com letras sangrentas, como se essa famosa doença da infância fosse alguma coisa trágica. Para mim, o período em que fiquei de molho em casa com o corpo cheio de bolinhas que coçavam como o diabo foi até legal. Claro que era chato escutar sempre um adulto pentelho gritando "não pode coçar, vai ficar com cicatriz!". Meu primo, que foi desobedecer a ordem bem numa berebinha na bochecha, ostenta a marca até hoje. E eu carrego uma lembrança na perna também. Droga, às vezes os adultos até têm razão. Tive catapora com uns 9 anos. Foram vários dias longe da 3a série e, durante as férias forçadas, a professora ficava me mandando algumas lições para eu não ficar atrasada com a matéria (que tipo de matéria tem a 3a série afinal?) e poder acompanhar a evolução da classe. A cena que ficou na minha memória é assim: eu, de camisola da Turma da Mônica, me segurando para não meter a unha nos pontinhos vermelhos, comendo farinha láctea e vendo Papa Léguas na TV. Ok, eu ainda como farinha láctea e vejo Papa Léguas, mas hoje isso não tem o mesmo gostinho. O lado ruim de crescer é que você não pode mais usufruir das mordomias que existiam na infância. Já tive que ir trabalhar com febre, com uma dor de cabeça que parecia uma furadeira perfurando a cachola, com tanta gripe que nem voz saía. Catapora só se pega uma vez. Pelo menos eu aproveitei a minha chance. Vivi Griswold às 10:50 AM
Ahá-uhú, o subúrbio é nosso! De médico e louco, todo mundo tem um pouco. É o que diz a sabedoria popular. Pois eu acrescentaria mais uma qualidade à lista – sim, porque vai dizer que ser louco também não é uma qualidade? Na minha versão, o ditado fecharia assim: “de médico, suburbano e louco, todo mundo tem um pouco”. Que atire a primeira pedra quem nunca fez pratinho, botou pilha na geladeira ou rasgou camisetas velhas de político para fazer pano de chão. Para saber qual o seu nível de suburbanismo, essa arte esquecida e erroneamente subestimada, siga fazendo o teste abaixo. Conte um ponto para cada resposta positiva, some tudo e veja o quão suburbano todos nós podemos ser. Você... 1) ... toma sol na laje? 2) ... pede ovo ou farinha para a vizinha no meio da receita? 3) ... tem toalha meio mulher, meio pantera? 4) ... encapa os controles remotos da casa com plástico filme? 5) ... toma banho de mangueira no quintal quando faz calor? 6) ... coloca um pouquinho de água no final do detergente e/ou do shampoo, para render? 7) ... fala tóxico pronunciando “tóchico”? 8) ... começa frases com expressões do tipo “diz que”? 9) ... põe roupinhas no liquidificador, no galão de água ou filtro, nos potinhos de mantimentos e/ou no botijão de gás? 10) ... faz pratinho no fim da festa? Sou, mas quem não é? Veja o resultado De 0 a 3 pontos: você é uma dona Cida - Tá fraca(o) nessa de subúrbio, minha filha. Vale lembrar que é bom conhecer melhor a realidade das quebradas. Afinal, quem não proceder não pára em pé. De 4 a 6: você é uma dona Irene - Mais inteirada em questões de economia doméstica, a dona Irene já não é uma amadora. Aposto que você já deu uma sapeada em alguns daqueles programas vespertinos, hein?! De 7 a 9: você é uma dona Cleusa - Quase uma mestra no assunto, a dona Cleusa assiste a todos os programas vespertinos – e matutinos também. Cozinha que é uma beleza e olha torto para a desquitada da rua de baixo. 10 ou mais: parabéns, você é a dona Mirtes! - A rainha do subúrbio, dona Mirtes sabe fazer lembrancinha de biscuit, flores de papel e pinta panos de prato, além de usar as casquinhas de ovo e de legumes para fertilizar seu canteiro com ervas contra o mau-olhado. Sapientíssima, benze contra quebranto e, como ninguém é de ferro, também gosta de bater perna e falar da vida alheia. Humberto, seu brincalhão! Existem integrantes da Música Popular Brasileira que contribuem muito para me fazer acreditar que, se um dia eu quiser pilotar um ônibus espacial, eu poderei. Com o Humberto Gessinger é assim. O sucesso que o moço atingiu, aliás, me faz crer que ele é muito mais do que dizem. E vocês, que falam coisas feias a respeito do Betão, é porque não entendem a clara verdade sobre o rapaz. Quando Humbertão adentrou o rock brazuca nos 80, foi um tremendo boom. Não podia ser diferente, já que o moço era até bem bonitinho, tinha um cabelo que o deixava a cara do Magáiver, cantava com aquele encantador sotaque gauchesco. Eu confesso mesmo, podem xingar: cantei várias do Engenheiros do Havaí, em alto e bom som, no chuveiro e fora dele. Depois dessa fase, aconteceu a coisa mais bizarra do mundo com a banda. De animadores de multidões, eles passaram a ser execrados por público e crítica. Humbertão deve ter levado muitas latas de cerveja na cachola e recebido apelidos nada carinhosos por onde andava. Mas eu acho que isso aconteceu porque ninguém reparou no óbvio... Humbertão quer ser comediante, poxa! Como todo bom humorista, ele não confirma que está fazendo graça com a nossa cara. Evidente. Mas dá para ter certeza sobre a nova profissão que o moço das loooongas madeixas platinadas ao ler suas canções. Na verdade, ele já dava indícios de gostar muitíssimo de fazer piada desde o começo da carreira. Afinal, quem vai levar a sério uma rima como “Ana/ Seus lábios são labirintos, Ana/ Que atraem meus instintos mais sacanas”? Ou “Não importa se só tocam/ o primeiro acorde da canção/ A gente escreve o resto e o resto é resto/ É falsificação”? Ai, não sejam tão mal humorados! Ele só quer ser divertido, não está fazendo isso a sério... Vejam só: “Meu coração é um porta-aviões/ Perdido no mar esperando alguém pousar”, da clássica “Nau à Deriva”, também me faz rolar de dar risada. Mas nada se compara ao trecho “Uma palavra na sua camiseta/ O planeta na sua cama/ Uma palavra escrita a lápis/ Eternidade da semana”, da SENSACIONAL e HILÁRIA “O Papa é Pop”. Que Mamonas Assassinas que nada, ô! Engenheiros do Havaí, pela mão de Humberto, faz humor musical há muito mais tempo. Só não levou o devido crédito por isso. E quer saber? Desde que me aventurei a parodiar grandes e estranhos emblemas da MPB, só venho recebendo mais e mais pedidos. Então, depois do grande sucesso que foi a minha “djavaneada”, agora eu darei uma “humbertada”. Perdoam? “De revólver em punho, eu cunho E eu só levei dois minutinhos para isso... Porque, assim, como um Humbertão, gosto de humor feito às pressas. Faniquito nas cordas vocais Ontem eu estava no carro com a Flá e começou a tocar "Living On A Prayer", do Bon Jovi. Ficamos as duas cantando o clássico com toda a força que havia em nossos pulmões, no meio de um cogestionamento em plena avenida Paulista. Foi um momento mágico. No final, fizemos uma reflexão sobre como existem músicas com as quais é praticamente impossível não ter qualquer tipo de reação - seja um showzinho particular como o citado, seja um tímido bater de pé. Ao mesmo tempo em que tenho verdadeiro pavor de pagar mico em público (já falei que fujo de videokê como meus gatos fogem da caixa de transporte que os leva à veterinária), sou sempre a favor de cantar e dançar quando ninguém está olhando. Sem TV a cabo e com louça para lavar a cada refeição, venho praticando cada vez mais a arte da dublagem. O assunto já foi comentado aqui, mas agora vou escrever sobre as músicas de que eu realmente gosto e que sempre despertam em mim uma vontade louca de pular no colchão e cantar usando o cabo da vassora como microfone. Sabe aquelas canções que conseguem animá-lo o resto do dia, lavar a sua alma e ainda fazer com que todos os chatos e as pervas do mundo sejam apenas um grãozinho de areia insignificante na sua vida? Então. Eu posso ter o maior problema nas mãos. É só botar o CD pra tocar uma dessas jóias aí embaixo que tudo fica numa boa. Ah, e coloquei apenas 10, mas ainda bem que a lista não termina nunca. E ela não está, necessariamente, em ordem de preferência. 10) "This Is The Day" - The The 9) "Candy"- Iggy Pop 8) "Groove Is In The Heart" - Dee Lite 7) "Never There" - Cake 5) "Buddy Holly" - Weezer 4) "Ask" - The Smiths 3) "Gone" - Ben Folds 2) "Tainted Love" - Soft Cell 1) "I Should Have Known Better" - Beatles Pode aumentar o volume. Os vizinhos que aguentem! Vivi Griswold às 11:12 AM
Essas meninas… Enquanto uma enganava os meninos cheios de brilhantina no cabelo, a outra dormia demais e se metia em encrenca. Outra, ainda, gostava de, digamos, assaltar a pré-escola, e uma quarta rendeu uma das mais belas canções modernas de amor. Por fim, havia a que partiu o coração de um pobre que, mesmo assim, pedia encarecidamente sua volta. Girls rule! Pelo menos no mundo da música, onde se vê mais canções dedicadas a garotas do que aos peludos. Essas camaradinhas aí de cima são as minhas meninas preferidas de músicas dos anos 50 e 60 – excetuadas, claro, as mulheres do Fab Four. Reconheceu as figurinhas pela breve descrição do primeiro parágrafo? Não? Então, sem mais delongas, vamos logo às apresentações. Conheçam... Sue, a liberada Susie, a dorminhoca Diana, a ladra de berço Angie, a musa Carol, a dominatrix
Parafraseio o genial Willy Wonka, mas na verdade devo dizer o contrário, com um complemento: tanto a fazer, tão pouco tempo e nada de conexão rápida para a internet... Quem já mudou de casa para montar seu próprio lar sabe do que estou falando: nem sempre a gente começa com todos os confortos do mundo (embora eu já ame minha casa, morando aqui há três dias). Peço desculpas aos leitores que me escreveram. Vi todas as mensagens e prometo respondê-las o quanto antes, assim que voltar de minha "licença nupcial", sim? Até já!
Férias muito loucas do barulho Eu mencionei ontem, mas conto hoje em detalhes: tirei férias! Todos pensavam que eu estava postando meus artigos aqui das terras brasileiras nos últimos dez dias, não? Mas que nada. Flá estava longe, muito longe, em um local curioso onde futebol é religião, cerveja é consumida como água e toda a gente é de uma simpatia adorável. E olha que eu saí do Brasil, até onde entendi. Ainda não foi como o sonho de descanso que tenho a realizar – 30 dias corridos, sem interrupções, dinheiro contado ou limite de quilometragem –, mas foram tempos divinos. Bom, é claro que, em se tratando de mim, coisas estranhas e não muito divinas aconteceram também. E ajudaram a deixar tudo ainda mais divertido! Começando pelo começo: depois de achar uma boa alma que se encarregasse de cuidar dos meus 33,3...% do Garotas (Pablo, querido, eu já te agradeci o suficiente?), fiz a trouxa de roupas e me mandei. Sozinha, porque só fui encontrar meu digníssimo marido no destino final. A ida consistiu em cerca de 11h30 sentada ao lado do escocês mais chato do mundo e que usava botas de caubói, mas cheguei bem. Como me meti a encontrar o hotel sozinha, de metrô e carregando a trouxa – na verdade uma Samsonite muito da pesada –, meus braços estão doendo até hoje. Apanhar o mouse aqui ao lado está sendo sofrido. Ui. Mas o sacrifício valeu e eu cheguei ao moquifo reservado sã e salva (se não fosse o búlgaro que me ajudou a entender o funcionando dos trens subterrâneos, talvez esse texto acabasse aqui). Era podrinho? Era. Tinha um recepcionista com cara de Ali Babá? Tinha. Mas eu fiquei feliz de adentrá-lo mesmo assim. Nos dias seguintes tudo foi a maior festança. Em resumo, que isso aqui não é redação de “minhas férias no sítio da vovó”, eu fiz de um tudo. Conheci museus fantásticos e cheios de múmias – inclusive da Cleópatra, mas era tão miúda que me pareceu engodo –, praças e parques que pareciam pedaços do céu, bares maneiros, gente agradável, engraçada e que fumava pelos cotovelos. Algo de curioso também aconteceu: encontrei o mago-showman-e-sabichão David Blaine pendurado dentro de uma gaiola acrílica. Achou estranho, né? Eu também, mas é a mais pura verdade. E mais: o único bem que comprei em loja de departamentos causou depressão. É que, na saída, pessoas protestavam na porta dizendo que o tal estabelecimento era contra a causa palestina. E eu sou a favor. Droga, fui até o outro lado do mundo pra me sentir uma vira-casaca... Mas teve só um dia de estresse verdadeiro. Uma noite, na real. Acordei no meio da madrugada com um farfalhar de plástico no quarto. Achei que era sonho, mas não. Acendi a luz, sacudi o marido e, na seqüência, me senti num desenho animado do Tom e Jerry. Só que não tinha nenhum Tom pra correr atrás do Jerry que estava reinando pelo meu quarto, tentando roubar sobras de batatinha do lixo. Sim, um ratinho bem pequeno fez visita! E a gente mudou de hotel no dia seguinte, porque sou amicíssima dos animais, mas não a ponto de dormir abraçada com eles. Além disso, só o que deu errado foram as diversas bolhas que surgiram nos meus pezinhos tamanho 36 de tanto andar. E o fato do indo-chinês da casa de câmbio ter afanado algum dinheiro na troca. Mas isso tudo bem, porque no dia seguinte o euro-árabe de outra casa de câmbio errou na conta para mais e isso nos compensou financeiramente. O lugar para onde eu fui nem importa tanto, no fim. Viajar é que é o importante, o remédio que a minha alma mais gosta de receber. Seja administrado por museus e galerias ou por histórias (hoje) hilariantes sobre visitantes do reino animal. É tudo mentira Quem habitou o planeta Terra na última semana deve ter acompanhado toda a tragicomédia envolvendo aquele programa supimpa auto-intitulado "Domingo Legal" e seu apresentador, o pintinho amarelinho Gugu - conhecido como o homem que mais mexe as sobrancelhas na televisão brasileira. Aconteceu que a tal atração dominical deu um tempo nos concursos de bunda, na brincadeira de estourar o balão e no desafio de adivinhar o bicho escondido e resolveu dar uma de séria, mostrando uma entrevista com membros do PCC. Mas como seriedade não combina muito bem com a linha editorial estabelecida, foram contratados "atores" para interpretar os bandidos, numa cena totalmente ensaiada. Chamados de Alfa e Beta, os personagens ficaram mostrando uma arma que faria qualquer membro da organização criminosa rolar no chão de rir. Os dois ainda disseram que iam mandar bala no padre Marcelo e em um monte de apresentadores de programas policiais. A questão é que a balela foi descoberta e agora Gugu finalmente tem um motivo concreto para fazer beicinho. Pois assistimos a toda essa mentira sendo desmascarada e acabamos ficando com remorso. Assim, decidimos finalmente confessar uma coisa que escondemos há tempos: também estamos enganando você durante os últimos cinco meses. O Garotas é uma farsa. Na verdade, somos três rapazotes chamados Clayton, Flávio e Vilson. Temos 13 anos de idade. Não vivemos os anos 80 e não sabemos que cara tinha o Bozo. As crianças das fotos são nossas primas. Não gostamos de escrever. Nossas mães inventam os textos em troca de não deixarmos toalha molhada em cima da cama e de não passarmos horas com o videogame ligado. Esse negócio de site cor-de-rosa é só desculpa para ganharmos umas minas e ficarmos populares na escola. Pode acreditar. Ou não. ![]() Pra quem pediu tanto, taí a nossa cara!
Eu vi o hômi! Eu tenho alguns sonhos secretos. Um deles é andar com batedores na cidade. Acho o máximo aqueles carinhas de moto, que ficam gravitando em torno dos carros, protegendo os ocupantes e, principalmente, abrindo caminho. Pois não é que sexta retrasada à noite estava eu lá, parada dentro do carro, em frente à casa de uma amiga que fui buscar, rua deserta e tal, quando começaram a surgir batedores da PM no cruzamento bem à minha frente? Pensei: "São eles! Os meus batedores chegaram!" Mas quando vi que os quatro ficaram andando em círculos na dita esquina, percebi que ainda não foi dessa vez que um dos meus sonhos se concretizou… Restou a dúvida: que diabos está acontecendo? A resposta para isso viria a seguir, quando saíram do mesmo cruzamento, ao sinal dos batedores, uma meia dúzia de carros de polícia e ambulâncias de UTI, seguidas por uma caminhoneta do Departamento de Trânsito da cidade e, no meio da algazarra toda, um carro preto, com insulfilme e… duas bandeirinhas brasileiras na frente! Era o presidente! Sim, agora tudo fazia sentido! O presidente mora (ou morava, em São Bernardo, até ser transferido para a residência oficial de presidentes) na rua de trás da casa da minha amiga. Acho que ele estava chegando para passar o final de semana e comer frango com polenta. Tive ganas de seguir a animada (e um pouco nervosa) comitiva. Mas aí um camburão de uma polícia especial e mais malvada (nunca sei se é a Rota ou o Garra, que para mim é aquela máquina dos etezinhos do "Toy Story") passou pelo meu carro e tive medo que eles atirassem em mim. Pensei em acenar para o presidente (aliás, depois de sete anos como eleitora, foi a primeira vez que meu candidato ganhou), mas achei que eles também iriam atirar em mim. Andavam muito tensos, os moços de farda! Acabei me contentando com o fato de que meu candidato, meu presidente, o primeiro da história da América Latina que comeu o pão que o diabo amassou até chegar lá, o homem no qual meu pai tanto tentou me convencer a não votar e em quem minha mãe vota desde que ela me deixava acompanhá-la na cabine de votação, o político que cumpre suas obrigações eleitorais na mesma zona que eu (ou vocês já esqueceram que o hômi é de Garanhuns, mas cresceu em São Bernardo?), passou ali, a poucos metros de mim. E isso me deu uma alegria que nunca imaginei ter, tipo criança que vê uma girafa pela primeira vez ou que descobre as caixas de chocolate que a mãe comprou na despesa. Acomode-se, já entrou a musiquinha Sabe do que mais? A única coisa que presta nessa novela das oito, "Mulheres Apaixonadas", é a abertura da tal. Ficou ótima a idéia de usar fotos de gente comum em momentos de felicidade. Se bem que, em matéria de divertidos abres de novela, eu já tenho um ranking pronto - e que conta com peroláços do setor. Sabe o que é? Essa abertura de "Laços de Mulheres Apaixonadas Por Amor" (foi mal, eu confundo todas...) é bacaninha, mas falta criatividade. Todo mundo só manda retrato de casamento ou com bebês. Ninguém fotografou e guardou em arquivo um bom banho de mangueira? Ou o dia em que conseguiu ouvir "Veraneio Vascaína" inteirinha? No quesito inventividade, as aberturas de novela do passado dão de dez a zero nas de hoje. Aliás, isso também acontece nos quesitos canção, efeitos especiais e polêmica. Ora, ora... quem não se lembra do moço que desfilada de traseiro nu na abertura de "Brega e Chique"? Eu lembro. E olha que era só um bebê. Posso revolver o fundo do baú mais uma vez, enxotar as traças e contar sobre meus abres preferidos? E sobre aquele que, bem ao contrário, é o mais detestável de todos os tempos? Segue lá. Cinco das minhas prediletas... O Outro (Flores em Você, Ira!) Final Feliz (Flagra, Rita Lee) Brega e Chique (Pelado, Ultraje a Rigor) Rainha da Sucata (Me Chama que Eu Vou, Sidney Magal) ... e a pior do mundo todo Barriga de Aluguel (Agüenta Coração, José Augusto) I'm back! Desculpa ter omitido uma coisa importante nos últimos dez dias? Desculpa, vai? Acontece que, na verdade, eu não estava aqui. Não estava no Garotas, não estava na cidade, não estava sequer no continente. Por isso devo ter atrasado muitas respostas aos leitores fofos que mandam e-mails. Mas viram como, no geral, o profissionalismo impera aqui nesse glorioso site rosado? Eu estava curtindo umas merecidas férias muito loucas da pesada, mas os textos entraram no ar com toda a precisão de data e horário! Somos uma holding muito da bem engrenada ou o quê? Bom, mas o que interessa de fato é que, nos próximos dias, prometo contar mais sobre como foi sair de férias, sobre o lugar fantástico que conheci e até sobre a sensação de achar um legítimo integrante da espécie do Mickey circulando pelo meu quarto de hotel... Uuuu! Serão histórias palpitantes, podem esperar. Holiday road! Os atentos leitores do Garotas sabem que Flá adotou o sobrenome Wonka por causa de "A Fantástica Fábrica de Chocolates", enquanto Clara carrega a alcunha McFly devido ao adorável "De Volta Para o Futuro". Porém, pouca gente entende a referência do meu Griswold. Então acho que chegou a hora de prestar uma homenagem mais explícita a um dos maiores (e melhores) tapados da história do cinema: Clark Wilhelm Griswold Jr. Como tapada assumida que sou, posso afirmar que Clark enche a categoria de orgulho. Ele carrega um coração repleto de boas intenções e um espírito otimista, persistente e fiel a seus ideais. O problema de Clark (e de todos os tapados do mundo) é que nada dá certo para ele. E quando esse típico norte-americano decide tirar férias com sua família, tudo o que poderia acontecer de errado, acontece. Escrito pelo rei das comédias dos anos 80, John Hughes, "Férias Frustradas" é um clássico do começo ao fim. Erroneamente, permanece sendo desdenhado por críticos, esquecido por espectadores e deixado como uma cópia gasta em alguma prateleira empoeirada junto de outras atrações da Sessão da Tarde. Chegará um dia em que o mundo finalmente irá compreender que, por trás do besteirol, existe um filme... er... de besteirol. Mas dos bons - talvez o melhor deles. A história central é simples: tudo o que Clark quer é levar a esposa e os dois filhos para uma viagem de carro até Walley World, um parque temático que é uma espécie de primo caipira e pobre da Disneylândia. Como os Griswolds moram em Chicago e o parque fica na Califórnia, a família vai cruzar os Estados Unidos - para o pai, trata-se da oportunidade dourada de conhecer todas as maravilhas de ser um cidadão americano. Contudo, os obstáculos começam a aparecer ainda na cidade-natal. O carro que Clark escolheu para comprar (um automóvel moderno, prático e seguro) não foi encomendado corretamente. A única opção disponível na loja foi uma perua cor de madeira tão cafona que é impossível achar uma palavra que possa descrevê-la. Daí pra frente, só nos resta assistir aos sonhos do pobre homem ruírem um a um, como uma fileira de dominó. Como quando o loser-mor Clark, com os óculos à lá Bill Gates despedaçados depois de bater com a caranga, tenta mostrar algum ânimo ao filho Rusty com um diálogo impagável; ou quando a tia Edna, a velhota que eles tiveram que carregar, morre e ninguém repara; ou quando eles conseguem chegar ao Walley World depois de tudo isso, e o parque está fechado. "Férias Frustradas" já pode ser encontrado em DVD. Corra para a locadora mais próxima e garanta uma tarde sem culpa e com o maxilar dolorido! Tá, se a culpa bater, assista sozinho e com a cortina fechada para não deixar rastros... Daí, se alguém perguntar o que você fez naquele dia, minta dizendo que reviu pela décima vez "O Sétimo Selo" ou "Cidadão Kane". E dê risada por dentro mais uma vez! ![]() Ooooooo... Griswolds!
Vou ali e já venho Eu já morei em cinco casas - e estou partindo para a sexta, diferente de todas as outras, pois fui eu quem escolhi, ao lado do namorido, todas as coisas que estão ali dentro. Minha primeira casa foi o apartamento onde meus pais moraram logo depois do casamento deles. Pouco tempo depois, nos mudamos para a casa da minha avó e, assim sendo, tenho memória alguma do apê. A casa da minha avó era tão legal que merece um texto à parte. Prometo que sai, dia desses. Mas já adianto que lá haviam todas essas coisas de casa de avó: chão de ladrilhos vermelhos, pretos e amarelos, quebradinhos; vasos de concreto com babosa e erva cidreira para o chá; roseira no jardim; a máquina de costura; móveis velhos e um relógio despertador que fazia um tic-tac mais alto que os barulhos do mundo. Seguimos para a casa do bairro Assunção, minha primeira morada na terra da Hollywood brasileira. Foi o melhor lugar onde já vivi: era um sobrado que, para minhas proporções infantis, tinha uma parede lateral imensa. Tinha azulejos amarelos estampados na cozinha e uma forração marrom horrorosa na sala e nos quartos. E um vitrô na escada, debaixo do qual morava o Duduca, amigo invisível do meu irmão. No meu quarto, tinha dois beliches onde a gente brincava de navio e uma escrivaninha onde eu guardava toda a papelada com minha inventices. Dali, mudei para um bairro vizinho, numa casa enorme, que era adorável para receber amigos e tão espaçosa que não era difícil ficar sozinha ali, mesmo quando a família que habitava comigo contava seis pessoas. Mas dava um trabalhão para limpar… Por fim, mudei para o lugar simpático, parecido com uma casa de praia, onde vivo hoje. Mas só até hoje. A partir de amanhã, meu lar vai ser outro – e, pela primeira vez depois de tantas casas, com exatamente a minha cara. Passei sete meses montando, acabando, reformando e retocando minha nova casa. Tudo – ou quase tudo – lá tem algo de mim: as cores das paredes, diferentes em cada cômodo; a cortina de linho e botõezinhos de côco; os puxadores de garfo e faca das gavetas da cozinha. Isso sem contar minha peça absolutamente favorita de tudo que enfiei lá dentro – e olha que foi bastante coisa, pois não é à toa que minha conta bancária anda na cor do boi Garantido da festa de Parintins: o espelho de peixe. É um espelho com moldura branca, cheia de decalques multicoloridos de peixinhos. Sabe Deus porque, mas toda vez que olho para aquele espelho acho que há uma boa chance de eu ser muito feliz na minha nova casa, mesmo partilhando da compreensível sensação melancólica descrita por Vivi ao deixar a casa da mamãe. Afinal, vocês sabem, minha mãe é uma fada. E casa de mãe é casa de mãe. Mas é chegada a hora. Então, despeço-me de vocês com meu último texto escrito como uma senhorita. Quando eu voltar na segunda, já serei uma senhora (ui!). Agora, esperem aí que eu vou ali casar e já volto. Jeannie era mesmo um gênio Se eu tivesse que fazer uma lista das garotas mais espertas da televisão, provavelmente daria o primeiro lugar para a Jeannie. A gênia que usava calças transparentes e morava com o major, lembra? Aquela é que era moça sabida... Vou poupá-los de mais uma lista porque vale a pena usar um texto inteiro só para falar da Jeannie. Apesar do jeitinho de paspalhona, sempre repetindo “oh, amo!” pela casa e balançando o cabelo feito uma bocó, a garota tinha a vida que qualquer um pediu a deus. Achada pelo major Nelson numa ilha deserta – na verdade ele achou uma garrafa, mas a gênia estava lá dentro... sim, ela era esperta e ele, um maldito sortudo – a Jeannie foi libertada e passou a dever obediência ao militar. Mas é claro que, na prática, a teoria foi outra: quem comia na mão da moça, no fim das contas, era Tony Nelson. A garrafa da Jeannie era de uma breguice maravilhosa. No dia em que eu tiver que viver num frasco, que seja como aquele. Forrado de veludo roxo e rosa, cheio de almofadas e com um banco por toda a volta. Diz pra mim, não seria delicioso ter um canto desses? E ainda era prático, porque poderia ser guardado na prateleira no bar. Todo o trabalho de casa, a Jeannie fazia com um movimento do rabo-de-cavalo. Confissão: às vezes, quando eu vejo a pia está bem lotada de objetos imundos, eu amarro o cabelo para o alto e faço aquela jogada de pescoço... Ah, quem sabe eu sou gênia também e nem sei? De vez em quando, a Jeannie recebia a visita de sua prima malvada que eu não lembro o nome. A bruaca, cuja única diferença para a protagonista era ter cabelos escuros (começou aí o preconceito contra morenas, mas disso eu falo outro dia), era até espertinha também, mas não era páreo para a nossa heroína. Eu adorava assistir “Jeannie é um Gênio” bebendo um copão de leite e comendo bolacha. Eu tinha que estar confortável e abastecida para ver uma garota ser a espertona do pedaço. Pena que os quitutes não vinham até a minha garrafa rosada com um único movimento capilar...
Hoje não, amo. Estou com dor de cabeça! Terror vespertino Essa tem sido uma semana e tanto para mim. Estou no nosso apartamento, finalmente! E ele está tão bonitinho... Tem geladeira, fogão, box, cama, armário e aparelho de som. E uma televisão grandona bem de frente ao sofá mais aconchegante que já sentei. Mas ainda não temos duas coisas essenciais: computador e a assinatura de alguma operadora de TV a cabo. Preciso do computador para, entre outras coisas (tipo trabalhar), escrever e publicar meus textos no Garotas, além de ler os e-mails enviados por um monte de leitores bacanas. Por enquanto, tenho ido a uma lan house - que, mesmo por volta das 10h30 da matina, está sempre apinhada de adolescentes barulhentos jogando Counter Strike e berrando no meu ouvido. Mas eu aguentaria fácil um grupinho de nerds com hormônios à flor da pele se esse fosse o preço a ser pago para que o cable guy tocasse a campainha (que também já tem) e viesse colocar uma TV por assinatura aqui. Fico em crise, maluca, só de pensar no que estou perdendo. E, quando abro meus olhinhos, tudo o que vejo é a cara de enjoada da Sônia Abrão - e similares - em nossos tenebrosos canais abertos. Vale lembrar que a TV a cabo não é nenhuma maravilha do outro mundo. Ainda assim, aposto um saco de jujubas vermelhas separadas manualmente que eu nunca iria sintonizar o Discovery Channel ou o People & Arts e topar com as coisas que andei vendo durante as tardes dessa semana que passou. Entre elas: - Uma matéria brilhante, um furo de reportagem: o cantor Gilliard, aquele da música do percevejo, passeia na Liberdade, o bairro japonês de São Paulo! Isso no programa da ex-moderninha Astrid Fontenelle, auto-intitulado "Melhor da Tarde" (hã?). - Cenas gravadas com uma câmera escondida, mostrando o marido dormindo no quarto do casal à noite. A esposa queria provar para a Márcia Goldschmidt que o sujeito tinha o ronco mais insuportável do mundo e, por isso, queria terminar o casamento. No ar. - Uma retrospectiva da carreira da apresentadora Luiza Mel, mais conhecida como a-criatura-de-voz-mais-irritante-sobre-o-planeta, que consegue fazer com que um telejornal imitador do E! News Live seja pior do que já poderia ser. E o Nelson Rubens dando balões para ela? - A irmã do Gugu, Aparecida Liberato, ensinando a somar e fazendo a numerologia de um bando de globais. Entre as revelações surpreendentes, ela provou que o motivo da separação da atriz Carolina Dieckman e do ator Marcos Frota é o número do ano em que os dois estão vivendo. Isso sem falar no novo sucesso do cantor Latino, nas receitas culinárias aproveitando cascas de legumes, nos 500 desfiles de lingerie, nas aulas de como fazer imãs de geladeira de biscuit, nos programas que se sustentam lendo todas as revistas de fofocas da banca e... a lista não termina nunca. Acho que está na hora de ir buscar os CDs na casa da mamãe. Por falar nisso...
Para acordar e sair vivendo A hora de acordar, pelo menos para mim, é um tormento. Como boa insone, durmo bem melhor de manhã e tenho sérias dificuldades para abandonar minha cama, que à noite parece ser feita de espinhos e, pela manhã, forrada de pedacinhos de nuvem. Por isso, sempre usei de alguns truques para acordar melhor, sem desejar que a primeira pessoa que me dá "bom dia!" queime no mármore do inferno. Um deles é ouvir música, santo remédio para quase tudo. E notei que existem algumas boas canções para dar vontade de levantar e sair vivendo. Os títulos estão aí, ó, para quem tiver o mesmo problema e quiser tentar. Separei para hoje só os remedinhos importados. Outro dia seguem os nacionais. 5. Breathless, X 4. Deeper Shade of Soul, Urban Dance Squad 3. A Hard Day's Night, The Beatles 2. My Wave, Soundgarden 1. The Greeting Song, Red Hot Chili Peppers Você é... ... o que você (complete aqui). É isso que sempre ouço por aí. E acho que é bem verdade. Mas o ditadinho só serve para alguns quesitos específicos. Eu suponho que ninguém seja “o que dirige”, “o que tem na conta bancária” ou “o que esconde por debaixo do vestido”. Porque, se for, eu estou frita. Pode-se dizer, entretanto, que os demais conseguem ter uma boa idéia de quem somos por esses parâmetros. Aposte suas botinas, vaqueiro: você é o que você... ...Lê ...Usa ...Assiste ...Lembra Queima de arquivo Folhear álbum de família é sempre bacana: além de relembrar o passado, você ainda pode dar risada de sua cara quando bebê. Mas o saudável exercício de memória pode carregar efeitos colaterais desagradáveis. Lá estão fotos de uma pessoa estranha - que dizem ser você, mas não há como acreditar. Afinal, é muito duro admitir que já tivemos o corte de cabelo mais horroroso do mundo ou que já usamos um modelo de calça tão terrível que nem os piores adjetivos poderiam descrevê-lo. Aconteceu outro dia, ao juntar minhas coisas para a mudança. Estava vendo o meu álbum de família e fiquei feliz por não ter uma caixa de fósforos ao alcance das mãos. Do contrário, seria uma grande fogueira alimentada por provas deveras incriminadoras. Pois eu fui criança nos anos 80 e adolescente nos anos 90. Todo e qualquer modismo que aparecia, por pior que fosse, lá estava eu usando. E só aceito críticas e tiração de sarro de quem nunca ostentou com orgulho ao menos uma das roupas, sapatos, acessórios ou penteados citados abaixo. Vai ser difícil encontrar. Quer ver? As roupas Os acessórios O penteado . Queria uma imagem, né? Nem morta. Vivi Griswold às 10:37 AM
Dois casamentos e algumas tradições Como já é mais que sabido, Vivi juntou as escovas com o "namorido" final de semana passado. E eu sigo para o cartório em breve. Ambas optamos por fazer essa passagem da vida sem uma festa daquelas – pelo menos por enquanto… Isso não quer dizer que não temos planos. A idéia, surgida numa reunião de pauta da Época, é um dia promover a maior e mais tradicional festa de casamento dos últimos tempos. E a Flá pode pegar carona, se quiser celebrar a renovação dos votos. Vai ter batatinhas temperadas, com casca. Vai ter decoração de mesa com aquela base de isopor coberta com papel alumínio, cheia de palitos espetados com quitutes nas pontas. Vai ter bolo cheio de glacê. O salão vai ser decorado com flores, talvez artificiais. E, sobre as mesas, vão encontrar vasinhos de flores para serem roubados na hora de ir embora. Afinal, casamento sem cachepô levado discretamente para casa pelos convidados não é casamento! Enquanto comem croquetes, coxinhas e risoles e entre um copo de refrigerante Dolly ou similar e outro, os convivas vão dançar ao som da banda ao vivo, com teclado, que vai tocar clássicos de casamento, como "Besame Mucho" e "My Way". Lá para o final da festa, quando a tia Irene já estiver com a sandália na mão, porque o calo dela a está matando, a banda vai sacar do maior dos clássicos: "Whisky a Go-Go", do Roupa Nova: "Foi numa festa. E as outras tias vão comentar, na mesa: "Menina, olha a Irene lá, no meio da turma… Não pode beber um Keep Cooler que já fica assim!" Ao fim e ao cabo, serão distribuídas lembrancinhas de sachê em forma de coração, embrulhadas em tule e amarradas com um fitilho, com uma etiqueta assim: "Lembrança do enlace de Clarissa e Viviana". Ôpa. Assim fica estranho. Melhor: "Lembrança do enlace de Clarissa e Viviana, cada qual com seus respectivos namoridos." Vai ficar um pouco grande, mas a Mirtes conhece uma mulher que faz lembrancinha sob encomenda, caprichada que é uma beleza! Vocês viriam à nossa festa assim? Clara McFly às 07:07 PMNão era bom, era uma droga Tenho certeza que esse texto de hoje vai dividir opiniões e provocar uma avalanche de e-mails apoiadores e reclamões. Quer ver? É assim: ter sido a filha caçula da minha família foi um tremendo, um enorme, um gigantesco saco. Daí vão vir os primogênitos e irmãos do meio em defesa da tese do “é nada, caçula é sempre o protegido”. Pode até ser, mas ó: não compensava. Podem chiar, resmungar, protestar, mas é isso mesmo. Ser minimamente protegida pela minha mãe não me valeu de absolutamente nada. Ainda que ela me salvasse dia sim, dia também de apanhar dos meus irmãos, quase sempre era tarde demais. Só depois do terceiro ou quarto tapão é que minha santa mãe conseguia chegar em meu socorro. Os irmãos mais velhos e malvados sempre são rápidos nessas brigas de mão – e mamãe era ocupada demais. Quer saber de mais sobre a vida de pobres crianças caçulas? Vá anotando: Eles roubavam o último qualquer-coisa Eu só dormia em sofá ou cama de armar Amarguei o meio do banco de trás por décadas Janela? Não sei o que é isso Meu uso do banheiro se resumia a 4.8 minutos Então ficamos assim: se você é caçula, parabéns, o mundo te fez mais forte e agora você está preparado para tudo. Se você não é... eu me recuso a responder um e-mail sequer de gente como você, seu torturador! Fla Wonka às 02:56 PMLuz, câmera e ação! A bicicleta de Elliot voando e cruzando uma noite de luar. Scarlett segurando um rabanete contra o crepúsculo dizendo que nunca mais passará fome novamente. Josh adulto tocando um piano de chão junto ao dono de uma loja de brinquedos. Uma loira misteriosa tomando banho na Fontana di Trevi. Não adianta: há cenas tão memoráveis no cinema que elas, sozinhas, já valeriam o filme. Pois enumero a seguir algumas de minhas sequências favoritas - algumas, porque são muitas e, se eu parar para pensar, não termino esse texto nunca. Gosto tanto delas que às vezes dá vontade de colocar o DVD para rodar apenas para assistí-las novamente. Ah! Prometo que não vou falar de Ferris Bueller cantando "Twist and Shout" na parada. Droga, já falei. Silêncio no set! Danny andando de triciclo pelo hotel Amélie fazendo bolo de ameixa Marty tocando "Earth Angel" no baile Lloyd segurando um rádio na janela da amada Estou até sentido cheiro de pipoca. ![]() Ô coisa mais linda...
É permitido fumar Eu fumo desde os 17 anos. Já sei que isso não é lá muito saudável, que vai me matar e coisa e tal. Por isso, dispenso os comentários dos antitabagistas de plantão. Até porque só tem uma coisa mais chata que fumante: antitabagistas. Além do mais, sim, um dia eu vou morrer. Como todos. A diferença que o cigarro faz é mais na minha qualidade de vida do que nesse papo de "ah, você fuma! Vixi, vai morrer!". O fato é que ainda não dispenso um cigarrinho bem fumado, acompanhado de um café, logo depois do almoço. Ou dar umas pitadas como a última coisa do dia, com uma xícara de chá ao lado, pensando um pouco sobre tudo – ou sobre nada. Com toda essa minha experiência no ramo - e olha que perto de alguns aficcionados pelo tabaco eu sou uma principiante -, notei que a classe dos fumantes, tão perseguida ultimamente, compartilha de alguns códigos e brincadeiras. Quem nunca viu aquelas camisetinhas feitas com maço de cigarro? Essa virou tão bunda que até quem não fuma faz. É uma pérola das conversas à mesa de bar, onde um cigarro puxa outro e, quando o maço acaba, é apanhado para essa reciclagem artística a título de distração das mãos. Também tem aquela da cachoeira, minha favorita. A criação dessa deve ter demandado muitas horas de mesa de boteco, porque o troço é elaborado: descole o selo do maço e enrole o tal pedacinho de papel num canudo bem fino. Reserve (ih, virou receita!). Depois, levante um bocadim o plástico da carteira (de cigarros, claro!) e apóie-a de ponta cabeça; abra um buraquinho com o dente ou com um fósforo quente no cantinho do plástico; encaixe o tubinho ali, metade para dentro do plástico e metade para fora e, depois dessa trabalheira toda, acenda a outra pontinha do canudo. Tudo isso para uns quinze segundos do efeito cachoeira: a fumaça sai de dentro do tubinho de papel e escorre dentro do plástico. É um negócio lindo de se ver. Há também os que aproveitam o interior do maço, aquele papel prateado que protege os cigarros. Dali saem florzinhas, dobraduras ou outra utilização de cunho ilegal. Isso sem contar as simpatias, do tipo virar o primeiro cigarro do pacote, fazer um pedido e fumar o tal por último. Já adianto que se isso funcionasse, eu teria namorado o Jarbas nos meus áureos (mas nem tanto) tempos de colégio… Já fiz de tudo isso, mas hoje me contento com algo bem mais prático – embora não menos criativo. Para economizar 25 centavos, compro maços ao invés de caixinhas e faço refil: retiro o plástico do pacotinho, rasgo com cuidado a parte de cima e enfio numa caixinha velhota, adquirida da última vez em que encontrei moedas sobrando debaixo do banco do carro. E que atire a primeira pedra – ou o primeiro isqueiro – o fumante que nunca se utilizou disso!
Dá para ficar melhor? Dá! Quando eu e as demais Garotas definimos ali nas categorias que existe um “milagre que vem pelo cabo”, não era piada. Televisão por assinatura é mesmo uma dádiva, um vício, uma necessidade quase fisiológica – pelo menos para mim, que prefiro ficar sem geladeira do que ficar sem tv a cabo. E além de todas as suas qualidades divinas, acabo de descobrir mais uma: ela me lembra de filmes que ficam melhores e melhores e melhores a cada vez que eu vejo. Comecei a perceber isso há uns meses, quando meus canais de filmes passaram a apresentar “Harry Potter e a Pedra Filosofal”. Eu vi no cinema e achei uma gracinha – não dou a mínima se é feito para crianças, eu gosto mesmo. Mas revendo na tv, passei a achar mais que “uma gracinha”. Definitivamente, eu preciso passar os filmes que assisto na prova da revisão para dizer mais sobre eles. Nas vezes em que revi o primeiro episódio da saga de Harry Potter, achei muito mais coisas para gostar. O garoto que dá nome à história me pareceu melhor ator, os cenários ficaram mais atraentes, os detalhes que eu tinha perdido na telona (como as pinturas da escola com personagens que se mexem) amarraram melhor o enredo. Daí foi a vez de “Os Outros”. Eu gostei muito desse filme no cinema – do que eu consegui ver quando não estava com as mãos tapando o rosto, claro. Mas, na televisão, ficou melhor a cada assistida. Agora que eu já demarquei as “regiões de susto” e não tenho mais que cobrir a cara de medo, posso prestar atenção em cada lance – o principal foi ter descoberto o papel decisivo que a música incidental tem nessa história. É de gelar. Agora em setembro tive mais dois filmes agregados ao ranking do “quanto mais vejo, mais gosto”: “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” (e olha que fui quatro vezes no cinema ver esse) e “O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel”. O primeiro já dissequei quase que com bisturi: encontrei diálogos simplesmente adoráveis que não tinha notado nas primeiras oportunidades e reparei melhor que as cores fortes usadas pelo diretor ajudam a dar o clima da história. Repara lá, você vai ver que isso não é frescura de gente maníaca por cinema. O segundo me deu ainda mais uma certeza: essa história com anel, Terra Média, hobbits, magos, elfos e orcs é muito mais complicada do que eu pensava. Não li o livro, não tenho qualquer intimidade com o tema, mas estou acompanhando e aprendendo pelo cinema. Mas vou precisar de mais umas várias assistidas para sacar cada referência, cada miudeza de roteiro. E como o aluguel de DVDs não é lá uma coisa barata, eu tenho ou não tenho que dar graças pela tv a cabo? Ah, tem que comer isso também? Existem certos ingredientes no mundo alimentício que simplesmente são duros de engolir. Não que sejam de todo o mal, ou que tenham um gosto horrível - apenas ninguém iria sentir falta deles se não estivessem por ali. Eu, pelo menos, não iria. Quando o assunto é comida, um dos casos mais clássicos de rejeitados é o tal bombom de figo da Garoto. Ao desembrulhar o papel celofane transparente da caixa e abrir sua tampa amarela, os primeiros quitutes a saírem são aqueles com chocolare branco, com recheio de doce de leite e outras coisas mais nobres. E o bombom de figo fica ali, esperando todos os outros serem consumidos. Várias vezes eu abri o armário de casa à procura de um exemplar da caixa, mas só havia permanecido o pobrezinho, solitário (ou não, porque às vezes somos "premiados" com vários bombons de figo). Das duas, uma: ou você guarda de volta para o próximo trouxa achar, ou se entrega àquele gostinho azedo. Só depende da sua necessidade de açúcar no momento. Outra coisinha azeda que eu passo sem é, com o perdão do trocadilho, a uva-passa. O problema é que amo panetone, mas tinham que colocar aquelas bolotas pretas e desidratadas? Daí me dá o maior trabalho, ficar arrancando uma a uma até esburacar toda a massa. Ainda bem que existe chocotone. Também odeio casca. Por que elas existem? E se tiramos as cascas do pão de fôrma, por exemplo, lá se vão 45% de todo o produto. Mas pior que isso, só o primeiro e o último pão do saco da Pullman, aqueles que possuem uma casca gigantesca cobrindo um dos lados por inteiro. Bem que os fabricantes podiam tirar todas as fatias micadas e alimentar pombos, ou cachorrinhos abandonados, não? Muito rejeitada é a parte branca do sorvete napolitano. Há dois sabores deliciosos de sorvete (chocolate e morango). Tinha que enfiar uma terceira? E tinha que ser aquela coisa sem gosto? Cadê o flocos, a baunilha, o pistache, o coco? Não, a única opção é aquele sorvete sabor nada. Não me espanta que ele sempre sobra no pote. Mas o pior caso é o maldito picles do McDonald´s. Pense comigo: se o ingrediente sem-graça fosse retirado dos lanches, quantas pessoas no mundo iam a) perceber e b) reclamar? Você já viu alguém pedindo se não daria para incluir mais uma fatia de pepino no sanduíche? Eu não. Potinhos do capeta!
Xuxa, posso mandar um beijo?
Aqui ou acolá Sidney Magal e Axl Rose guardam mais semelhanças entre si do que imaginamos. Tá, não imaginamos nenhuma semelhança entre os dois cantores, mas vá lá… O fato é que, cantarolando a pérola "Se-te-pego-com-outro-te-mato", do grande Sidney, ídolo do meu amigo Dener na tenra infância - não espalhem, mas a mãe dele me disse que o petiz ficava dançando "Sandra Rosa Madalena" na frente do espelho -, percebi que esse saudável lance de matar mulheres também já foi cantado por sêo Axl, em "I Used to Love Her", do Guns'n'Roses. Enquanto Dom Magal dizia que, se pegasse a mulher traindo-o com outro daria cabo da moça, mandava umas flores para o enterro e ainda escapava ileso, o señor Rosa dizia que costumava amá-la, mas teve de matá-la, porque ela reclamava demais. Depois, enterrou a dita no quintal de casa. Ele nunca assistiu a "C.S.I.", não? Tudo bem que corre à boca pequena que "I Used to Love Her" foi escrita para uma cadela - no sentido literal, viu? Mas eu não acredito. Aposto que o pessoal do Armas e Rosas afinou quando caíram matando em cima deles e deram essa desculpinha. Pois foi pensando nisso e somando a colaboração de amigos, parentes e afiliados que percebi as estranhas semelhanças entre músicas brasileiras e internacionais. Uma podia ser versão da outra, mas só no título, já que as letras não têm lá muito a ver. Mas não é uma coincidência termos… Diversão, dos Titãs, e Fun for Me, do Moloko? Não Chores Mais, do senhor Ministro, e No More Tears, de Ozzy O.? Jump, do Van Halen, e Pula, do Tijuana? Can't Buy me Love, dos Beatles, e Não Quero Dinheiro, de Tim M.? Oceano, de Djavan, e Oceans, do Pearl Jam? Estoque do bom Outro dia minha irmã me ligou para sugerir uma atitude drástica: “você precisa comprar vários frascos de álcool líquido, porque agora só vão fabricar em gel, que é uma porcaria”. Pensei um pouco sobre isso e fiquei numa tristeza danada... droga, por que não me deram esse alerta na época em que havia tanto produto mais interessante para estocar? Tudo bem, agora não vai mais ser possível, porque eles já saíram do mercado há séculos. Mas o ponto é: se eu tivesse sabido disso a tempo, como soube do aborrecido negócio do álcool, teria sido uma bênção. Porque entulhar a lavanderia com garrafas de material volátil é uma chatice e uma burrice. Diabos, estão tirando o troço do mercado justamente porque ele causa acidente! Será que não passou pela cabeça de ninguém me avisar, lá nos anos 80 e 90, para lotar os armários com os seguintes pedacinhos do céu? Brown Cow Crush Fura-bolo Dip’n’Lik Ice Pop Monstrinhos Creck
Confesse: você adora! Sabedoria de antigamente Seu Justino, dona Diva e dona Helena. Como todos os outros de sua espécie, meus avós sempre foram pessoas engraçadas. Aposto que seu Josué, pai do meu pai que morreu antes de eu nascer, também era uma figura (até porque ele tinha um armazém, o que por si só já devia ser o máximo). Acontece que quanto mais velhinhos eles ficam, mais os avós acumulam manias e reclamações que passam a ser tão utilizadas no cotidiano quanto expressões grudentas de novela das 8. E, nesse processo, eles acabam criando frases que servem para toda e qualquer ocasião, virando assim uma marca registrada de cada um. E frase de vó e vô é sempre uma pérola. Seu Justino é um clássico familiar e não há palavras para descrevê-lo. Dona Diva continua firme e forte, mais doce que doce de batata doce. Dona Helena já não está mais por aqui, infelizmente. Acima de tudo o que são (ou foram), eu sempre vou me lembrar deles também por suas doses diárias de sabedoria dos tempos de antigamente. "Esse ano vôou!" (ou ainda "O Natal já está aí!") "Quem será uma horas dessas?" "Juízo, hein?" "Eu cantei essa bola!" "É mixo, não repara..." "Não dá para sair de casa sem gastar 10 reais!" "Cuidado para não pegar friagem!" "Essa é a última novela que eu assisto!" "A moça da TV falou que vai esfriar..." "Vamos embora que hora é hora... Só os avós sabem.
Meus textos e minhas respostas aos e-mails estão e continuarão atrasados um pouquinho, por culpa da linha telefônica do novo ap. Ou melhor, pela falta dela. Ninguém vai me colocar de castigo, vai?
Água mole em pedra dura... Outro dia falei aqui sobre expressões cuja origem ou sentido me escapam. Hoje, o texto é sobre os bons (ou nem tanto) e velhos (ah, sim, isso muito!) ditados populares. Conversando com Hemeterio – o homem, a lenda, o leitor das Garotas – notei que muitos ditados se contradizem. Ele citou o "Diz-me com quem andas e te direi quem és", analisado à luz do fato de que Jesus andava com Judas. E vice-versa. "Mais vale um na mão que dois voando" também se choca com "Quem não arrisca não petisca". Esse povo precisa se decidir, poxa! É para arriscar ou para se conformar com o que tem? Comecei uma pesquisa a respeito e vi que há várias classes nas quais os ditos populares podem se encaixar. Os sinônimos Os bovinos Os que minha vó dizia Os de mulher Os incompreensíveis Os melhores Momento "Para Saber Mais" Mario Prata escreveu o livro Será o Benedito, que reúne ditados e expressões e dá uma explicação surreal para cada um deles. Quase tudo criado pelo Mario, inventadeiro como ele só. Dá para ler pela Internet. É só clicar aqui. Clara McFly às 07:19 PMDez coisas sobre o Rei do Rock Quer um bom jeito de entreter seus amigos nas mesas de bar do mundo? Conte tudo o que você sabe sobre o maior artista que já pisou nesse local chamado Terra: Elvis Presley. Vai precisar enriquecer sua cultura sobre o moço? Eu ajudo. Meu conhecimento sobre o Elvis não é lá o mais vasto também. Mas minha admiração por esse cidadão é muito grande, visto que ele foi o inventor de um gênero – e aqui eu não me refiro só ao rock. Por isso acho que engrandecer a sabedoria alheia e a minha própria com coisas da vida do Rei é importante. Ou vai ver não é nem um tantinho importante, mas vai divertir a sua turma. Se a conversa ficar chata ou o assunto terminar depois da primeira caipirinha, imprima o que segue abaixo e saque do bolso para ajudar. O rapaz das costeletas pode fazer milagres. Vocês sabiam? Então espalhem 1) Elvis tinha um irmão gêmeo que morreu quando eles nasceram, em 08 de janeiro de 1935. Ele se chamaria Jesse, mas não resistiu ao parto – e foi enterrado em uma lata, porque a família Presley era pobre pra diabo. 2) Apesar de ter feito sucesso como moço de brilhantes e impecáveis madeixas cor de carvão, o Elvis era loiro. Sabe-se lá por que, ele tingia os cabelos de preto. 3) O filme “O Seresteiro de Acapulco” é um dos mais conhecidos do Elvis (e dos meus preferidos, se me permite a tietagem). Mas nem uma cenazinha sequer foi rodada no México... tudo estúdio e Califórnia. 4) O movimento de quadril que o Elvis inventou virou sua marca registrada e rendeu um apelido: “the pelvis”. Que, aliás, parece que ele odiava. 5) Ele era faixa preta de karatê, luta que ele aprendeu no exército. 6) Três dias depois que o Elvis “morreu” (só se VOCÊ acredita nisso, porque eu não), em 16 de agosto de 1977, tentaram roubar o “corpo” do cemitério. Por isso os “restos mortais” foram transferidos para Graceland dois meses depois. 7) Essa é nojenta, não use em qualquer jantar: o Elvis adorava sanduíche de pasta de amendoim com banana. Cruzes. 8) O governo americano fez uma pressãozinha leve para o Elvis ser mandado para o serviço militar. Assim a carreira ganharia mais status. 9) Alguns dizem que, quando o Rei “morreu”, encontraram mais de dez tipos de drogas no sangue dele. Outros dizem que não tinha absolutamente nada. Eu digo: não morreu, por isso a dúvida. 10) Reza a lenda, as três palavras mais faladas no Ocidente são “Jesus”, “Coca-cola” e... adivinhou: “Elvis”.
Morto? Eu?! Adeus à casa da mamãe Pronto. O grande dia se aproxima. A partir de amanhã, "minha casa" não será mais este apartamento colorido e cheio de gatos - será outro apartamento colorido e (chuinf) sem gato algum. A partir de amanhã, "minha casa" vai virar "a casa da minha mãe". A partir de amanhã, eu começo a construir a história da minha nova e verdadeira casinha, com minhas coisas e meu amor. A questão é que ainda não assimilei a mudança. Sinto que tenho dois lares, pois meus pertences se dividem entre aqui e lá. Já não posso dizer como será quando a última peça de roupa deixar este lugar, ou quando minha irmã se alojar neste quarto, mudar os móveis de posição e pintar as paredes de pink e preto. Daí provavelmente vou chorar escondido um pouquinho. E eu que achava que essa história de cordão umbilical invisível era balela. Mamãe me falou que esta casa sempre será minha. E como ela tem razão em tudo, vou acreditar. Mas não consigo deixar de sentir saudades antecipadas de certas coisas que estou deixando para trás... 10) A varanda 9) O computador 8) A TV por assinatura 7) As visitas do papai 6) Os irmãos 5) O quarto 4) A comida 3) O barulho 2) Os gatos 1) A mamãe Droga, por que eu sou essa manteiga aviação derretida? Vivi Griswold às 10:54 AM
As garotas de Liverpool Que nós amamos os Beatles não é segredo nenhum. Que engrossamos o coro de que os quatro rapazes são algo de extraordinário, também não. Mas e que eu daria tudo para ser uma das garotas deles, vocês sabiam? E não estou falando de ser Yoko, Linda, Patti, Barbara ou mesmo Cynthia. O que eu queria mesmo era estar na pele de Anna, Michelle ou Lucy. Até Eleanor, com sua solidão, me servia. Para despistar as lombrigas de ter sido musa inspiradora de alguma das canções do Fab Four, preparei uma listinha com as minhas músicas de meninas favoritas. Dos Beatles, é claro. 5. Anna (Go With Him) 4. Michelle 3. Lady Madonna 2. Eleanor Rigby 1. Lucy in The Sky with Diamonds * Um aviso: Penny Lane ficou de fora porque, originalmente, era uma rua. Apesar disso, Cameron Crowe transformou o nome na garota que eu mais queria ser do mundo do cinema, em "Quase Famosos". Então, fica para outra lista… Clara McFly às 06:26 PMPro dia passar feliz Detesto ser obrigada a encarar momentos maçantes. Fila de banco, dentista que demora a atender, a espera pelo entregador de qualquer coisa... São todas situações onde, não importa o quanto eu tente reverter o quadro, sempre vou me achar perdendo tempo. Por isso, quando eu viajava de carro com a família, tive que inventar toda sorte de maneiras para fazer o tempo passar mais depressa. Meus pais sempre gostaram de viajar de carro e para longe – fomos para o sul do país uns cinco anos seguidos, cada vez para mais longe. Eu também gostava, mas isso não incluía a etapa de ficar fechada no veículo por mais de seis horas. Curtir estradas é para gente com mais de 15 anos. Para pirralhos, sentar no maldito banco traseiro por longos períodos é um porre sem fim. As estratégias de diversão mudaram conforme mudaram os carros da minha família. Quando tivemos uma Brasília, o espaço era pouco e o jeito de relaxar era provocar a minha irmã por todo o trajeto – o que englobava lamber o dedo e passar nela ou cantar musiquinhas de baixíssimo calão com o nome da garota. Quando o carro cresceu para uma Caravan bege gigantesca, ficou melhor. Daí as opções eram variadas. Eu podia sentar no banco da frente com a minha mãe e imitar meu pai dirigindo usando uma tampa de lata de bolacha como volante, uma caixa de Mentex como acelerador e a manivela do vidro como câmbio. Nessa época, eu acho, não se fazia reportagem sobre gente que morria no trânsito pela falta do cinto de segurança. Também era bacana me aboletar lá no chiqueirão – o vão do porta-malas – e ficar fazendo caretas para os ocupantes dos outros carros. Pelo visto, também não se fazia reportagem sobre gente que morria no trânsito por circular no porta-malas. Mas quando nosso carro mudou para um Monza “da firma” do meu pai, daí o espaço voltou a ser reduzido (ou eu e meus irmãos que crescemos demais, não sei). Então o jeito foi apelar para jogos mais cerebrais. Contar postes era um. Tá bom, isso não é lá muito cerebral, mas era o jeito. O outro era abrir o mapa do Guia Quatro Rodas e buscar cidades com nomes estranhos e/ou engraçados. Feliz Natal (Mato Grosso), Vira-Onça (Roraima), Nova Iorque (Maranhão) e Jacaré dos Homens (Alagoas) foram descobertas por mim nessa época. Tudo bem, eu confesso que não era lá a brincadeira mais genial também. Mas era melhor do que a primeira opção que me passava pela cabeça: perguntar pro meu pai, de exatos 10 em 10 minutos, quantos quilômetros faltavam para chegar. Porque só existe uma coisa pior do que ser uma criança presa num automóvel por horas e horas: ser o pai dessa criança. Destino insólito Conseguir extrair um pouco de prazer usando o transporte público da cidade é uma arte. Como não tenho carro, venho praticando meu olhar para o lado bom de andar de ônibus praticamente todos os dias. Ainda não cheguei a gostar de utilizar os (de)serviços de coletivos, mas aprendi a me divertir um pouquinho nesse processo um tanto cansativo. Se você não pode derrotá-lo, juste-se a ele, não é mesmo? Isso, claro, quando não está chovendo torrencialmente ou quando não estou apertada dentro do ônibus, buscando loucamente um pouco de ar para não me sufocar com o cheirinho do recinto - uma mistura nauseante de fumaça, suor, óleo e gases. Daí, se eu não desmaio, fico emburrada o resto do dia, só voltando a sorrir no momento em que alcançar o chuveiro mais próximo. Se o ônibus estiver vazio, bem ventilado e o motorista não quiser brincar de "Velocidade Máxima" por toda a avenida, até que fico numa boa. Passo o tempo (e que tempo!) olhando a paisagem, reparando em detalhes, lendo adesivos de carros e vendo placas engraçadíssimas (isso é tema para um outro texto). Ou se a mesmice das imagens cansar, saco um livro ou uma revista e só volto à realidade quando o meu ponto aparecer. E por falar em ponto, a coisa mais chata do processo de pegar ônibus é esperar o dito cujo por horas a fio, certo? Pois é bem nessa ocasião que eu procuro ver a parte divertida e esquecer do tempo (Pollyanna, eu?). E você não precisa desviar o olhar dos coletivos dos outros para fazer isso. Tente prestar atenção nas propagandas no vidro traseiro. São hilárias! E, pelo menos aqui em São Paulo, há uma campanha contra as lotações simplesmente divertidíssima, composta por frases chocantes com o intuito de mostrar como peruas são máquinas assassinas e como os ônibus são cavalinhos de carrossel. Ah tá. Em uma delas, um homem de cadeira de rodas é mostrado com a mensagem "Ele andava de lotação. Agora ele não anda mais". Que horror! Há ainda imagens de túmulos, pessoas machucadas, kombis destruídas... Um primor. Mas o que me diverte mesmo são os destinos. Leio todos e fico imaginando onde diabos fica aquele lugar. É cada nome de bairro que ganha em criatividade até dos nomes das caravanas do auditório do programa Silvio Santos. Ontem por exemplo, eu vi um ônibus com uma placa "via Vila Mandioquinha". Juro. Gosto particularmente daqueles cujo destino é nome de mulher: Rosana, Jaqueline, Maria Luíza. Não parece que vai dar na casa de uma pessoa? Também existe o Olaria do Nino, o Pedra Branca (será que vai para a cracolândia?) e o Socorro (eu quero muito pegar esse às vezes). Mas insuperável mesmo é o Inccop (ou Incoop ou Inoccop) Campo Limpo. Isso lá é nome de destino? Eu sempre leio Robocop, não adianta. E fico dando risada sozinha até o meu chegar. Vivi Griswold às 10:26 AM
Letras a menos, letras a mais Eu tenho um amigo que achava, até alguns poucos meses atrás, que o Fellini se chamava Frederico. E você, leitor dinâmico ou leitora apressadinha, deve ter passado pelo primeiro período e já ter engatilhado a frase: "Mas, ora, bolas, ele se chama Frederico!" Não, não. O imaginativo Fellini se chama Federico. Sem o primeiro R que é usual no nome em português. Tadinho. Ele sofre do mesmo mal da Barbra Streisand: falta de letras no nome. Note que a Barbra não tem o segundo A. Acho que para compensar tal falta de alguns, outras pessoas que têm nomes absolutamente normais decidem enfiar um monte de novas letras na própria graça. Sob o pretexto da numerologia, Isabéis viram Izabellys, Luanas viram Luannahs e Mirtes viram Myrthes. Chique, não? Ok, não. E a apresentadora Cristina, do malfadado "Alô, Cristina" do SBT? Lembram dela? Pois não é que de um dia para o outro a moça sacou de uma mudança numerológica que transformou o nome dela para um emaranhado de letras, algo do tipo Chrystynah? É quase ilegível! E se a tal numeróloga orientou a mudança de nome para atrair fama e fortuna, bem, acho que não deu certo. Afinal, onde diabos foi parar a Chrystynah? Mestres dos (d)efeitos especiais Fã de cinema que é fã de cinema - de cinema como um todo, não apenas de cinema húngaro dos anos 40 - adora um bom efeito especial. Raios, vôos, situações bizarras... a gente sabe que tudo só acontece por causa dos cabos e daquele bendito fundo azul, mas e daí? O duro é quando o povo dos bastidores usa isso da pior forma abobada possível. Eu curto um efeito do bom! A primeira vez que vi Luke Skywalker perseguir e ser perseguido pelas naves do Império, delirei. E olha que eu era praticamente um bebê sem dentes. Só fico aborrecida mesmo quando tanta energia é gasta em produções podres. Mentira... na verdade eu assisto um monte de filmes com efeitos péssimos só para morrer de rir. E como é bom tirar o sarro dessas drogas. Sinbad A História Sem Fim Poltergeist Conan, o Destruidor E depois tem gente que diz que o Ed Wood era o mago do "defeito especial"... Amarrar discos voadores com cordão de náilon ou usar polvo de brinquedo em filmagem até que não era tão mau,vai?
Era ou não era absolutamente risível? Digam xis! A enquete "com quem Clara deve tirar uma foto?" rendeu muita conversa e muitas risadas entre nós e os leitores do Garotas. Centenas de e-mails chegaram em nossa caixa-postal, e cada um deles carregava diversas sugestões de famosos insuportáveis que mereciam olhar o passarinho com a porção loira deste site pelo bem do entretenimento universal. Para dar conta desse povo todo, portanto, poderíamos fazer o seguinte: fretar um ônibus e, como muitos escreveram, eternizar o momento com uma fotografia de formatura (ou de excursão de escola), cheia de gente e com Clarinha lá no meio. Assim também economizamos no filme. Ah! E antes que eu coloque aqui trechos de alguns dos e-mails mais bacanas sobre o assunto, queria esclarecer que ainda não somos famosas. Deve ser por isso que a maldição não nos pegou. Mas se o plano de conquistar o mundo seguir adiante, Clara passará a ser incluída por Photoshop em nossas fotografias a três - só para garantir. Então, vamos às vítimas? . Mara Maravilha - ninguém merece a "xuxa gospel"... não tem nem o que comentar; Gretchen - eu nem sei escrever o nome da pobre, que me parece com o Alice Cooper (descobri isso há pouco tempo, quando o meu namorado me mostrou uma foto do coitado que infelizmente parece irmão gêmeo...); Simony - por Deus! Eu ADORAVA o Balão Mágico... mas depois que cresceu, essa "menininha" ficou INSUPORTÁVEL; Wagner Montes - será que é isso!? aquele "tio" que fazia parte dos jurados do show de calouros... e agora resolve ser apresentador de programas bizarros! -- enviado por Dany Garotas, por favor, não tirem fotos ao lado dela, queremos ler muito mais de vocês por muito tempo. Quem seria bom pra tirar foto, pode botar Gugu, Athayde Patresi, Rafael Ilha. Tô fora do Brasil pra ter idéias mais frescas que essas. -- enviado por Chaim Vera Fischer: oxigenada, siliconada, alisada, artificialmente bronzeada, e, acima de tudo, péssima atriz (além de se achar a tal e fazer pose de gatinha). E Walter Mercado: se é que já não foi pro andar de cima, porque anda bem sumido. Se ainda não foi, faça esse favor pra humanidade: chegue bem pertinho do mago-charlatão-guru-"3,95 por minuto" e CLIQUE DJÁ! -- enviado por Vanessa Bem, gostaria que a Clara tirasse uma foto ao lado de Preta Gil. Quer mania mais chata do que essa da Preta Gil aparecendo agora em tudo quanto é canto? Nossa, que saco! Você abre uma revista e lá estão os peitos de Preta; entra num portal de internet e...ui, que susto! As tetas da Preta novamente. Eu, se fosse o pai dela, colocava-a de castigo. EI, PRETA! OLHA O PASSARINHO! -- enviado por Márcia Também incluo na minha lista: Fausto Silva com aquelas piadinhas bestas sobre maridos deitados no sofá, bebendo e arrotando; Todas aquelas fofoqueiras que têm programas para ler as revistas de fofoca para os telespectadores, a primeira pode ser a Sônia Abrão que fica falando, fungando e parecendo que tá mascando chiclete; KLB, além das músicas serem do gênero "inescutável", pra que servem aqueles gemidos "aaaahhh"? E aquele maiorzão parecido com o Slot (Os Goonies) se achando o gostosão? A Uni do desenho "Caverna do Dragão". -- enviado por Karla Esqueci de citar meu lado cruel... Eu queria exterminar da TV (só da TV mesmo, tadinhas, porque elas são crianças e na verdade os culpados são os pais que permitem esse mico infantil por causa de grana). Tô falando daquelas duas meninas que fazem os comerciais da Marabraz, elas fizeram pro dia das mães e também pro dia dos pais. Como são irritantes....e como eu sou malvada. -- enviado por Samantha Cumpádi Washington! Pô esse cara ganhou uma puta grana apenas por ficar berrando "Tcham, Tcham, tchubiribiru Paaaaauuu" nas músicas. Eu não suporto esse cara! -- enviado por Tércio . Obrigada a todos pela participação em nossa brincadeirinha macabra!
Três frases simples Algumas frases de filmes me fariam derreter feito manteiga na chapa de tostex. Ou melhor, JÁ me fazem desmanchar, na cadeira do cinema ou no sofá da sala. Apesar dessa face romântica, gosto mesmo é do pessoal que saca de frases com mais impacto que o tradicional e um pouco gasto (mas ainda honesto) ái-lóve-iú -- e, mesmo sem usar "amor", "romance" e outros lugares-comuns, passa o recado sem deixar margem de dúvida. Não são muitas, mas são escolhidas a dedo. Ou ao tanto que mexem com meu coraçãozinho de garota-que-espera-que-tudo-termine-em-beijo. Isso porque os interlocutores desses diálogos estão na tela e eu, do outro lado, habito a vida real. Imagina se me falassem, ao vivo e a cores, coisas do tipo… Você me faz querer ser um homem melhor. Você é mais bonita que a bandeira brasileira. Eu vim aqui essa noite porque, quando a gente percebe que quer passar o resto da vida com alguém, queremos que o resto da vida comece logo. Frodo, vai buscar carbono pautado? Só quem já teve um estagiário sabe como é recompensador para a alma torturar essas pessoinhas. E só quem já foi estagiário sabe como dá vontade de estripar e pendurar as vísceras de chefes assim numa árvore. E eu tenho a nítida impressão de que, ao escrever o personagem Frodo para o "O Senhor dos Anéis", Tolkien pensou nessa gente que une muita garra com pouca formação. Vai por mim, a teoria é quente. Frodo, o hobbit de bom coração, foi inspirado nos estagiários de escritório com toda a certeza desse mundo. Nem vou me alongar muito aqui. Divido em tópicos, como um memorando. Ele é inexperiente Ele recebe uma missão impossível Ele é perseguido Todo mundo manda no coitado Ele só tem um amigo chegado, e que é de sua espécie
Olha a cara de coitadinho desse estagiário, digo, desse Frodo... Menina palitinho Desde que abri a boca para dar meu primeiro choro até o presente momento, engordei apenas 38 quilos. Vinte e seis anos se passaram e eu acumulei no meu corpo o equivalente a menos de um saco de cimento! Fora que daqui a alguns anos terei mais idade do que peso. Portanto, posso falar uma coisa com conhecimento de causa: ser magrela também enche o saco. E o pior não é ganhar apelidos meigos como Olívia Palito ou ouvir expressões fofas como "quem gosta de osso é cachorro", mas ser alvo de olhares de ódio quando digo que daria boas vindas a algumas gramas a mais na balança. Sempre ouvi da minha família que eu precisava engordar. Minha avó era a mais preocupada, e só faltava empurrar comida em mim à força porque achava que eu era muito fraquinha (ainda que a fraquinha aqui nunca tenha ficado doente, ao contrário do primo gordinho). O que eu tomava de Biotônico Fontoura! E até tive de passar por simpatias e benzedeiras, só para dar uma idéia. Hoje a neura passou, mas as piadinhas permaneceram. Não posso ir na casa da minha avó e aceitar um pedaço de bolo sem ouvir um "cuidado que assim você vai engordar, hein?" ou "a Vivi é que é visita boa, não dá prejuízo!". É sagrado. O problema, no entanto, encontra-se fora do círculo familiar. As pessoas olham para quem é magra com um certo desdém que machuca, viu? Ninguém segura um comentário quanto ao pouco peso, sendo que se eu fosse gorda isso seria politicamente incorreto. Mas como sou magrela e por consequência sortuda e por consequência preciso ser castigada pelos céus, daí tá liberado o veneno. E não é fácil encontrar roupas tamanho 36. Não é possível doar sangue. Não dá para ganhar no braço-de-ferro. Não é moleza viver num país que gosta de bundão. Não é bonito usar relógio apertado até o último buraquinho. Não há charme numa bota de cano alto folgada na batata da perna. Mas como tudo tem um lado bom (menos o disco do Wando, claro), posso esquecer de controlar o refrigerante e a sobremesa. E já faz tempo que deixei de reparar naquele ponteirinho da balança. Se nem o empenho de Dona Diva surtiu efeito, meu caso deve ser mesmo complicado. E eu tenho mais é que aceitar esses dois pulsos de gafanhoto e essa mão de menina palitinho.
Charme, com duas letras Existe uma fonte inestimável de cultura ali na esquina, na banca de jornais. Subestimada, é verdade, mas não menos enriquecedora de vocabulários e companheira indispensável para tardes de chuva na praia, ou espera em consultórios e pontos de ônibus. Falo das palavras cruzadas, estas adoráveis brochuras sobre as quais não posso pousar os olhos, que já me dá um comichão de preencher aqueles quadradinhos à espera de sinônimos e definições. Os tais livrinhos ainda vão além: quem brinca muito já sabe que há um código de sinônimos que só existem nas palavras cruzadas. Afinal, quem chama uma instituição de assistência que abriga menores de patronato, em pleno século 21? E mau cheiro (bras.), que é sempre aca? E charme, encanto, que é it?! It, para mim, é palhaço assassino. Mesmo assim, já aprendi muito fazendo cruzadas. Um exemplo? Já sei que pedra de lagar é mó, embora não tenha a menor idéia do que vem a ser o referido objeto. Você pode reconhecer outro viciado no joguinho assim. Uma vez perguntei para minha mãe: "mas, afinal, o que é uma pedra de lagar?" E ela, impassível: "um mó, ué!" Isso sem contar os clássicos como Nara Leão, cantora ou Naomi Campbell, top model, onde tudo que se tem a fazer é grafar as iniciais do sujeito. Por fim, apesar de ser ninja no assunto e só comprar as publicações da categoria "Desafio - Cérebro", ainda há algo que me intriga: o que diabos quer dizer aquele danado daquele El. comp., que aparece em coisas do tipo El. comp. de "aerofagia": ar? De tanto fazer cruzadas, já sei que a resposta desse seria aero. Mas isso não esclarece minha dúvida sobre a sigla. Alguém se habilita? Clara McFly às 06:48 PMVila Sem Graça Moro em um bairro paulistano bem residencial, arborizado, com passarinhos cantantes, longe o suficiente de avenidas movimentadas. Eu, por assim dizer, não teria muito que reclamar dele, não. Mas tem uma coisa que me deixa injuriada: em termos de estabelecimentos comerciais divertidos, meu bairro é um fracasso. Se tem uma coisa que me faz sentir ridícula é entrar num supermercado de 5 mil metros quadrados para comprar UM saco de pão de fôrma. E isso acontece toda hora, visto que a região onde eu moro é circundada por três mega-ultra-hiper-estabelecimentos como esse. Se eu tiver vontade de comer tomate com sal? Não vou na quitanda a pé, compro um saquinho com dois deles e volto para casa contente. Eu tenho que pegar o carro, rodar vários minutos, estacionar, entrar no mercadão, apanhar os tomates, pegar a fila do caixa com 20 pessoas, esperar meia hora e pronto. A essa altura, já estou com humor canino, preparada para jogar os tomates pela janela. E não é só a quitanda que me faz falta. Não encontro mais uma senhora simpática que costure roupas, um japonês bacana que tenha uma tinturaria de fato, uma garota legal que mantenha uma loja de doces e salgados. Se a barra da calça descostura, lá vou eu pagar uma fábula para fazer o reparo... no shopping! Um horror. Não sei mais o que é lavanderia comum, onde posso pedir para tingir blusas velhas de vermelho-chinês – hoje só existem aquelas fraqueadas, como jeito de "McDonald's que lava roupa". Matar a fome também não tem a mínima graça nesse meu bairro. Sim, a padaria "Flor Dengosa da Rainha" (ou coisa que o valha, que nome de padaria é tudo montado com palavras assim) é boazinha, mas não supre minha febre. Eu gostava mesmo era de ir na bomboniére e pedir um saquinho de chocolates, um saquinho de bolinhas de amendoim e duas paçocas. Tudo sem marca, do genérico, mas muito gostoso. Mas sem dúvida alguma a pior perda que os bairros de hoje sofreram foi o completo sumiço das moças do suquinho. Em cada lugar esse hit do verão tinha um nome: suquinho, gelinho, geladinho, sacolé, chupe-chupe... Não importa como chamava, era aquele mesmo saco plástico pequenino enchido com líquidos de sabores variados. Tinha até um azul, que diziam ser de "anis". Uma tranqueira deliciosa! Em geral as moças vendiam esse negócio para complementar renda – e, de quebra, se tornar a pessoa mais famosa e adorada pelas crianças da vizinhança. Acho que vou começar a fabricar suquinho só para animar um pouco aquele bairro. Fla Wonka às 01:00 PMPor uma vida maluquinha "Para minha querida sobrinha, do padrinho maluquinho - 8 de junho de 1985". É o que diz a dedicatória do livro que guardo como um tesouro. E eu entendo o motivo dele ter sido dado a mim: eu tinha olho maior que a barriga, fogo no rabo, vento nos pés e - o mais importante - macaquinhos no sótão. Como toda criança feliz, eu era igual àquele menino tão especial retratado no presente que enfeitou minha infância. Não sei quantas vezes reli "O Menino Maluquinho", do Ziraldo, mas lembro-me bem da primeira. Era meu aniversário de 8 anos e meu tio (não poderia ter sido outra pessoa a me dar esse livro), um tantinho atrasado (a dedicatória diz 8 de junho), chegou em casa com o embrulho. Li na mesma hora, em pé. Ainda naquele dia, o colori inteiro com a caixa de 36 cores da Faber Castel que ganhei de uma amiguinha. Estou com essa versão exclusiva e colorida daquele velho presente (quase 20 anos se passaram!) aqui ao meu lado enquanto escrevo esse texto. É difícil entender como um livrinho infantil consegue alcançar esse nível de excelência em algumas poucas páginas cheias de rabiscos e frases curtinhas. É a obra-prima do Ziraldo, e eu agradeço todo dia pelos dois existirem. E os detalhes no meio da história? Continuo dando gargalhadas sozinha ao ver o desenho do Pedro Álvares Cabral de tôca, os versinhos rabiscados, a batalha naval ("eu contra eu - vencedor: eu"), o mapa do país de Eufeidolôcio (cuja capital é Timólei-Mólei) e outras maluquices. Todo mundo deveria ter o direito de ser um pouquinho assim. Ao mesmo tempo em que ria de passagens como na hora do menino mostrar o boletim para os pais ("só tem um zerinho aí, num tal de comportamento"), não conseguia segurar as lagriminhas quando chegava no final e o personagem crescia. Porque apesar de ótimo goleiro, a única coisa que ele não conseguiu segurar foi o tempo. O livro termina dizendo que o menino maluquinho se tornou um cara legal. Acho que se eu também fiquei um tantinho legal depois de adulta, devo um pouco disso a ele. E aos macaquinhos no sótãos que - graças a Deus - continuam por aqui.
Pêlo em ovo Uma das lendas urbanas mais famosas dos anos 80 dava conta de que o refrão música "Ilariê", da Xuxa, se rodado ao contrário, revelava a repetição da frase "adoremos satanás", ou "adoremos o demônio", ou ainda, para os mais criativos, "adoramos o sete-pele, este mestre da escuridão que nos guia no combate ao Bem, exige sacrifícios e é fã de Alice Cooper". O curioso é que basta saber juntar trá com lá para contar as sílabas e perceber que "a-do-re-mos sa-ta-nás" não cabe em "i-la-riê"! E, convenhamos, é muito fácil ouvir várias coisas numa seqüência aleatória de sílabas. Claro que mensagem subliminar funciona, sim, já que nossa massa cinzenta (sempre achei essa expressão meio nojenta) capta coisas com mais velocidade do que somos capazes de decodificar. Mas a tendência do ser humano para a avacalhação generalizada se faz presente nesse caso também. E pipocam as lendas de mensagens invertidas em músicas. Algumas são famosas, como a história de que em "Stairway to Heaven" rodada ao contrário dá pra ouvir "oh, my sweet Satan" ("oh, meu doce Satã"). Bem, como eu não suporto ouvir "Stairway to Heaven" nem normalmente, que dirá ao contrário, não pude comprovar. Mas já digo que, se for verdade, além de satanistas, Robert Plant e sua trupe também me parecem um pouco afeminados. Onde já se viu chamar o Senhor das Trevas de "meu docinho"? Hum. "Hotel California" também é acusada de guardar uma mensagem subliminar satânica. Diz a lenda que, a tal altura da música, ouve-se "yes, Satan". Alguém se habilita a ouvir a música inteira para comprovar? No entanto, nenhuma dessas mensagens ocultas chega aos pés das descritas pelo professor Vicente, da ONG (?!) Mensagem Subliminar. Lá, diz que há uma mensagem oculta em "Pelado", do Ultraje. E ela é "Põe o chapéu, pra gente ficar mais no astral". Só faltou dizer a que o recado teria vindo. E não é só: também tem a música "Minha Fé", da Zélia Duncan. O trecho "A minha fé (…) espero que me quero", invertido, revelaria a fantástica frase "pouso na terra que é macio saber dos vazamentos e isso já não me assusta mais". Dá para repetir, tia Z.? E eu que achava que mensagens subliminares deviam, antes de qualquer coisa, comunicar uma… mensagem, ora bolas! Mas pelo jeito já virou festa do caqui: basta encontrar meia dúzia de palavras, mesmo que elas não façam o menor sentido, rodando canções de trás para frente. Assim sendo, acho que vou lançar minhas próprias mensagens subliminares. Recorto um apanhado de palavrinhas, dobro, boto num saco, sorteio e copio. Tiro um verso sem o menor sentido e… voilà! Depois, publico na internet que, rodando a música "Cucurrucucu Paloma" de trás para frente, ouve-se claramente a frase "Diga a verdade, doa a quem doer, doe sangue, e me dê seu telefone". Mas peraí... Droga, esse verso já existe! Clara McFly às 06:27 PMRápido, tragam oxigênio e uma pinça! Não fiquem com medo de mim, tá? Eu juro que sou uma menina boazinha que nunca criou problemas (grandes) e não tem tendências homicidas ou sociopatas. Mas acontece que eu vejo demais E.R. e C.S.I.. São seriados americanos sobre a rotina de um Pronto-Socorro e de um Laboratório de Criminologia, respectivamente. E eu ando envolvida demais com esse cotidiano. Outro dia sonhei que falava com o Doutor Grisson (é o cientista-chefe-sabichão da criminologia do C.S.I., vocês precisam conhecê-lo) sobre buscar casulos de insetos que iam revelar quem matou o dono de um cassino (a série passa em Las Vegas, compreendam...). Foi muito, muito divertido! Eu sei, meus sonhos são fora do normal, mas esse me fez desconfiar que daria uma boa cirurgiã ou policial forense. Bom, pelo menos até me deparar com o primeiro presunto. Daí eu ia terminar a carreira em um desmaio. Mas mesmo que eu não me torne uma enfermeira esperta ou uma criminologista sagaz apenas vendo os seriados na tv, ainda acho que posso executar algumas atividades sem fazer feio. Ah, eu já vi eles fazerem isso tudo tantas vezes... Então eu sei que posso... ... espalhar pó de impressão digital por aí ... dirigir ambulância e bater em uns carros ... interrogar suspeitos ... usar o desfibrilador ... aplicar o luminol
Se os meus coleguinhas podem, eu posso! 1, 2, 3... 300! Quando eu terminar isto, você poderá ler o tricentésimo artigo publicado pelo Garotas. Entendeu? Trezentos textos! Trezentos títulos naquele cor-de-rosa! Trezentos dias nos divertindo pacas - ou quase trezentos (no lançamento ficamos um tanto empolgadas e colocamos mais de um por cada). Agora eu pergunto: a data merece ou não uma comemoração, ainda que simbólica? Já cansamos nossos dedinhos escrevendo o quanto gostamos desse nosso projeto, e o quanto adoramos estar juntas aqui. Se houvesse uma pessoa a mais, ou uma pessoa a menos, talvez a química não funcionase tão bem. Pois na ocasião especial de trezentos artigos escritos por três garotas, decidi celebrar esse tal número 3, na forma de trios de sucesso. Como nós! Bem, pelo menos nossas mães acham isso... Vou contar até... três! Lá vai. Ferris, Cameron e Sloane Sorvete napolitano As Panteras Os três Reis Magos As Meninas Super-Poderosas As Três Marias Beijo, abraço ou aperto de mão Os três porquinhos A trilogia de "De Volta Para o Futuro" Pronto! Agora que venha o número 301! Vivi Griswold às 11:06 AM
Mamãezinha querida – de verdade Pelo jeito, o monstro de três cabeças que nós Garotas formamos juntas funciona até antes de nascermos: pois não é que ontem foi aniversário da mamãe da Srta. Wonka e hoje é o da minha? Embora já tenha falado sobre dona Sandra, a fada, volto a dizer que não há outra muher no mundo real e de fantasia da qual eu preferia ser filha. Foi a minha mãe quem me ensinou a gostar de cinema e eu assistia aos filmes junto com ela, na TV, quando era bem pequena. E ela chorava, torcia, batia palmas e me explicava tudo que eu não tinha entendido. E ela sempre dizia, e ainda diz, que nunca viu filme mais triste que "A Escolha de Sofia", e que se fosse ela, nunca saberia o que fazer no lugar da pobre Meryl Streep. Pois eu acho a minha mãe melhor que a dona Sofia, e melhor que qualquer mãe do cinema. Tá, eu simpatizo muito com a dona Jackie, interpretada por Susan Sarandon em "Lado a Lado". Mas minha mãe já é mais ou menos daquele jeito, misturada com a Viviane Abbott Walker, da Ashley Judd, em "Divinos Segredos" -- mas só a parte divertida, sem a fase roitmann ou os ataques de bater o telefone. De boa mãe, portanto, eu estou satisfeita – e nem Hollywood teria nada melhor a me oferecer! Já no quesito mães terríveis, a Sétima Arte oferece opções beeeeem caprichadas. Quer ver? Então conheça… As piores mães do cinema 5. Beverly Sutphin - Kathleen Turner em "Mamãe é de Morte" 4. Mãe do Sheldon - Mae Questel em "Contos de Nova York" 3. Mari - Brenda Blethyn em "Little Voice - A Voz de uma Estrela" 2. Sra. Bates - Virginia Gregg, Paul Jasmin e Jeanette Nolan, em "Psicose" 1. Joan Crawford - Faye Dunaway, em "Mamãezinha Querida" Erramos... e todo mundo leu Mas ó, não fomos nós Garotas que erramos, não. Foram os coleguinhas dos jornais. Não que eu tenha vindo aqui hoje para descer a lenha neles ou expor os lapsos alheios. Só quem trabalha nessa profissão nem-tão-bendita sabe que errar é humano pacas... E engraçado a rodo! Então os jornalistas camaradas hão de me desculpar, mas é impossível deixar passar as pérolas que venho recolhendo nas sessões de "Erramos" de tudo quanto é jornal. Sim, eu leio quase todas. Aliás, ultimamente, é só o que eu leio em jornal. Outro dia um cara me disse que não ler periódicos de papel ruim e que mancha os dedos é imperdoável. Sabe o que mais? Não é. Existem várias maneiras de se manter informado hoje em dia - e o mais importante, no final, é fazer uma leitura crítica, sem sair acreditando em tudo o que vem impresso naquelas folhas feiosas. Mas hoje o tema é outro, que não esse dilema sobre leitura de notícias. Seguem aí os erros mais hilários que li no jornal recentemente - e alguns célebres, que já fizeram a minha alegria em épocas passadas. Juro que não inventei nada. Olho puxado não é tudo igual, não, gente O repórter compareceu no jogo errado e no dia errado, foi isso? Ovo de tatu dá boa omelete! Ah, eu gostei quando comi junto com as perninhas de cobra grelhadas... Vai explicar isso para a mãe dos meninos, vai! Nossa, parece as minhas reuniões de trabalho... Jornalista esportivo não precisa entender de religião, sacou? O "Sr. Fracasso" deve ter tido ficado um pouquinho aborrecido E, com vocês, o maioooor clássico das colunas de "Erramos". Essa eu preciso contar que foi da Dona Folha de São Paulo... Preparem-se: É por isso que eu digo: não acredite em tudo o que você lê e consulte mais de uma fonte antes de comer ovos de tatu... Fla Wonka às 02:58 PMDesenhos desanimados Sou uma telespectarora boba e sem muito critério. Basta o controle remoto sintonizar uma emissora de TV com imagens coloridas, infantis, leves e divertidas para eu ficar hipnotizada. Acho que gostar de desenho animado ainda mais depois de adulta é um bom sinal de minha (in)sanidade - ou não? Muitas das atrações que habitaram a minha infância continuam me fascinando, enquanto novos e excelentes desenhos conquistam meu coraçãozinho. Porém fazer desenho é um dom e, como todos os dons, é preciso ter nascido com ele - principalmente sob o signo de sêo Hanna e tio Barbera. Se até a dupla perfeita já deu algumas escorregadas animadas, imagine os pupilos mais desatentos! Há desenhos que são cópias mal feitas de outros, ou que são remakes ofensivos de clássicos, ou que são simplesmente... chatos. Portanto, se em um dia cinzento e sem graça eu procurar uma atração divertida na TV e me deparar com algum dos itens seguintes, mudo de canal ou vou brincar de cama-de-gato ou jogar paciência. Porque, para mim, há um hall de piores desenhos animados que não assisto nem a pau! Quer ver? 9) Lula Lelé 8) Os Mistérios de Piu-Piu e Frajola 7) Os Herculóides 6) Gasparzinho 5) Goober e os Caça-Fantasmas 4) Popeye 3) Dom Pixote 2) Ducktales 1) Capitão Planeta ![]() O poder é de vocês!
Mistééééério… O mundo do entretenimento guarda alguns mistérios maiores que minha capacidade de compreensão. E o pior é que já fomos tão bombardeados com aparições, execuções e exposições de tais pérolas que periga nem percebermos como essas coisas simplesmente não fazem sentido! Os escolhidos, que você vai conhecer aí embaixo, devem ser de alguma maneira aparentados com a família chewbacca, que já conta com os clãs dos títulos e até já rendeu um troféu. Sou só eu que acho estranho ou é realmente esquisito haver… … uma música cuja letra descreve um encontro bizarro com Joana D'Arc? … um grupo de heróis tartarugas? … um mascote que é um rato? … um herói com as habilidades de uma aranha? O anjo faz anos Hoje é aniversário da minha mãe e eu não vou vê-la. Ela mora a míseros 33 km de mim, mas isso, traduzido no espaço-tempo paulistano, rende duas horas dentro do carro. Estou triste, mas prometo não fazer drama para falar dela. Porque hoje eu vou contar pra vocês mais sobre essa senhora que, acima de ser minha mãe legal, é um anjo disfarçado de gente comum! Para mim ela é a mamãe, para o público geral ela é a Conceição, para a família do interior ela é a Neguinha (apesar de eu nunca ter entendido o apelido, visto que a mulher tem cor de leite integral) e para as moças de telemarketing que não sabem que ela odeia ser chamada assim, ela é a Maria. Mas todas essas são a mesma, a dona mais divertida e a melhor pessoa que eu conheço. E não digo isso só porque foi ela que me botou no mundo. Mãe, não fica brava de eu contar umas coisas sobre você, tá bom? Pensa que é uma homenagem da garota enrolada que não vai aparecer no seu jantar comemorativo hoje... A intérprete A boa alma A despertadora A mestre-cuca A pedagoga A tolerância - e o dia que ela faltou
Eu no colo do anjo nos idos de 1975 Não olhe o passarinho! Vou contar um segredo de bastidores: Clara é uma pessoa única. Não apenas por todas as qualidades que aquela minha irmã de peso-pena carrega, mas também porque por trás de seus cabelinhos alourados e de seu jeitinho meigo esconde-se uma terrível maldição. Vá por mim! Clara é uma companhia incrível, mas tenha o cuidado de nunca, jamais, tirar fotos ao lado dela. Principalmente se você for um tantinho famoso(a). Diz a lenda que a maldição foi devidamente comprovada, no mínimo, duas vezes (pelo menos é isso que ela conta). Acontece que todos os artistas que já sucumbiram à tietagem fotográfica de nossa garota encontraram seu fim mais breve do que poderiam imaginar. Por exemplo: Clara tem uma foto com Cássia Eller. Ok, você pode dizer que muitas outras pessoas também posaram ao lado da cantora, e isso não tem nada a ver com sua infeliz partida, certo? Mas Clara tem ainda uma foto com Marcelo Frommer. Veja bem: ele não era um dos Titãs mais famosos e, se eu fosse escolher algum dos integrantes da banda para eternizar em meu álbum de fotografias, o pobrezinho teria sido a última opção. Então... O fato é que Clara não faz por mal. É algo que está fora de seu controle. Mas ao invés de amaldiçoar esse seu lado negro, de condená-la e levá-la ao apedrejamento, suponho que poderíamos usar o "dom" com um propósito pré-estipulado. Como assim, você pergunta? Ora, se levássemos o lado loiro do Garotas para tirar fotografias com aqueles seres do show business que poderiam ser varridos do planeta Terra pelo bem da evolução da Humanidade! Assim, o feitiço seria direcionado para um lado positivo, entende? Então queremos saber de você, leitor: com que artista você gostaria que Clara tirasse uma foto? Escreva para nós e dê a sua sugestão! O resultado da pesquisa sairá aqui, dia desses. Só para ajudar, lembre-se de João Kléber, Luciana Gimenez, Galvão Bueno, Sérgio Mallandro, Alexandre Frota, "Cumpádi" Washington, Kelly Key, Kléber Bambam, Tribalistas (os três), Paulo Maluf (não deixa de ser artista, né?)... Haja filme! . Nota do Garotas: Antes que os chatos de plantão (eles existem, droga) critiquem a iniciativa, fazemos questão de registrar que isso é uma apenas uma brincadeirinha e que nunca desejaríamos mal para ninguém. Hmmm... Tá, para umas cinco pessoas, mas isso não vem ao caso.
E Cássia também caiu na trama da loira... Clá foi distorcida para evitar represália
Um lugar esquisito Alguns lugares parecem ter sido construídos sobre cemitérios índios. A vila Nova Gerty é um deles. O simpático bairro abriga uma miríade de personagens de fazer inveja a qualquer escritor de realismo fantástico. Como conheço o logradouro? Bem, digamos que sou atraída por coisas, lugares e eventos surreais... Tá bom, tá bom, chega de mistério: meu "namorido" mora lá. E boa parte de meus amigos também. Mas eles não são estranhos. Tá bem, só um pouco. Como eu já disse outra vez por aqui, sou uma orgulhosa moradora da terra de Hollywood brasileira. Sim, vivo em São Bernardo, no famigerado ABC paulista. E as cidades do ABC paulista (Santo André, São Bernardo e São Caetano) têm limites de município totalmente mesclados. Parece uma coisa só. Eis que o Nova Gerty fica encravado entre André, Caetano e Bernardo. E, definitivamente, sobre um antigo cemitério índio. Afinal, que outro bairro abriga um senhor meio pancada que ficava nos portões contando baixinho: "um bicho d’água, dois bicho d’água, três bicho d’água"? E um velhinho que se veste de mulher, com saias compridas, anéis, brincos e correntes? O mais legal é que ninguém se incomoda. Todo mundo fala com ele como se o tal estivesse com as roupas mais normais e adequadas do mundo. Isso sem contar o Punk Véio. Trata-se de um senhor já com cabelos grisalhos, que trabalha como pintor, mora com os pais e anda pelo bairro de moletom, com um alfinete espetado na blusa. Ah! Quase ia me esquecendo. Ele só cumprimenta as pessoas fazendo aquele gesto do aqui-ó ou com o dedo em riste. O do meio, claro. Mas isso não quer dizer, em absoluto, que ele não goste de você. Muito pelo contrário. Ah! Quase ia me esquecendo: o Nova Gerty também costumava abrigar o festival Rock no Mato, onde um palquinho de dois dedos de altura era armado para apresentação de bandas de roquenrrol. O melhor é que, num dos shows, um dos performers se empolgou e deu um mosh de cima do tal palco. E quebrou o pé. O nome do bairro veio da junção de dois logradouros vizinhos: o bairro Gerty e a vila Nova. Ou seja, já começou sem lógica alguma. Não é como aquelas histórias de locais como Nova Odessa ou Nova York, onde existia uma velha Odessa e uma velha York. Não há uma velha Gerty. O Nova Gerty também é lar dos Animais da Escolinha, time de futebol formado por meu amigo, aquele do arco-íris-truição, e os meninos da rua. Qual o sentido do nome? Não me perguntem. O que vocês queriam? Os pobres nasceram sobre um cemitério indígena! Clara McFly às 06:39 PMDo lar Hoje um ciclo se rompeu. Pela primeira vez em quase 5 meses eu deixei de colocar meu texto no Garotas na hora exata. Ainda bem que Flá correu em meu auxílio e substituiu minha vaga cor-de-rosa. E tudo isso por culpa de uma instalação de fogão – que nem aconteceu! Você já deve estar sabendo que estou saindo da casa da mamãe para começar uma feliz vida a dois. Clarissinha também está prestes a fazer isso. Na verdade, nós estamos numa competição saudável para ver quem se muda primeiro. Não espalha, mas acho que vou ganhar (até porque a moça vai dizer “sim” para um juiz antes de juntar as escovas de dentes, enquanto eu optei por “viver no pecado”). Como alguém no nosso futuro lar ficou com a ingrata missão de trabalhar de verdade (e essa pessoa não sou eu), sobrou para mim a feliz tarefa de cuidar das coisas para que a Grande Mudança aconteça o mais breve possível. Então estou vivendo cercada de listas com lembretes estranhos como “ligar para o gás” e “avisar o porteiro que o colchão chega quarta”. Ao mesmo tempo em que me divirto pacas brincando de gente grande, às vezes fico exausta. Ontem, por exemplo, não tinha dado meio-dia e eu já tinha ligado para a GE (a empresa do fogão citado acima), para a Comgás, para o cara que vai instalar o piso, para o cara que vai instalar o box, para o vidraceiro e para o nosso prédio, dando bronca porque a energia elétrica está com pane. Ufa! O pior é que à noite, quando é para relaxar e aproveitar o que me resta da minha caminha de solteiro, fico tendo os pesadelos mais terríveis. No último eu entrei no apartamento e o cara do piso instalou AZULEJOS no chão. Eles eram horrorosos, tinham uma cor de burro-quando-foge e desenhos em relevo e em nada se pareciam com o carpete de madeira clarinho e lindo que escolhemos. Acordei suando. E, quando peguei no sono novamente, fui acordada por um gentil funcionário me informando que o instalador do fogão estava lá no prédio. Saí de casa correndo para chegar a tempo, com dor no coração por não ter colocado um textinho aqui. No final das contas, o fogão ainda vai ficar para mais tarde – assim como esse texto ficou, e talvez alguns outros no futuro. Tô perdoada? Agora vou ali comer os cigarrinhos Pan, mas amanhã estou de volta no horário de sempre. Se tudo der certo! Vivi Griswold às 01:40 PMEu me odeio Não o tempo todo, claro. Eu gosto de mim na maior parte do dia. Mas é que, quando chega a hora de ver um pouquinho de televisão, em geral eu me torno uma imbecil. Se não achar loguinho um canal que esteja apresentando um seriado divertido, um documentário estranho ou um programa de variedades bem sacado, eu vou incorrer no mesmo erro de sempre: optar por ver um filme horrível pela décima nona vez. É um fenômeno triste e que ninguém deveria confessar assim publicamente. Mas é fato: eu assisto filmes ruins SABENDO que são ruins. E VÁRIAS vezes. Não me peçam para explicar, senão eu vou ter que inventar alguma desculpa esfarrapada e a emenda vai ficar pior que o soneto. Não tem explicação possível para alguém ver essas tranqueiras a torto e direito. Bom, eu tenho o costume de ver e rever filmes bacanas muitas, muuuitas vezes, mas isso até acho normal – quem não quer assistir o Ferris cantar no centro de Chicago pela trigésima oportunidade? O que dá ódio de mim mesma é não conseguir trocar de canal de maneira nenhuma quando me deparo com filmes chorosos, deprimentes, óbvios e bestas como esses... Doce Novembro A Corrente do Bem Lado a Lado Olhar de Anjo Ela volta, não se preocupem Notaram que estou usando a vaga de Vivi hoje, né? Bom, é que segundo informou nossa garota de cabelos cor de fogo, ela foi comprar cigarrinhos Pan ali na padaria, mas já volta. Será que ela volta? Vivi, fiquei preocupada... Volta, vai?! Fla Wonka às 10:59 AM
Ao pé da letra Há mais mistérios entre a última flor do Lácio e o sentido de algumas expressões do que sonha nossa vã filosofia. Trocando em miúdos: tem uma série de expressões que sei para que são usadas, mas que não tenho a menor pista de como acabaram significando o que significam hoje. Inclusive "trocando em miúdos". Li uma vez que "disputar a nêga", que significa desempatar, tem duas explicações. Uma diz que, no início da colonização, os portugueses apostavam escravas. Outra, mais politicamente correta, dá conta de que a tal nêga se referia a uma garrafa de vinho escuro. Escravas e vinhos à parte, alguém poderia me explicar de onde a expressão "tirar o cavalinho da chuva" foi virar sinônimo de "sem chance, esquece, não vai acontecer"? Será que alguém queria tanto uma certa coisa que estava disposto a deixar seu cavalo na chuva? Não me parece fazer muito sentido. Ainda no campo eqüino, "lavar a égua" também desperta minhas dúvidas. Imagino que tenha surgido nas provas de turfe. Quando o vencedor subia ao pódio, devia lavar seu animal com champanhe. Mas eu pensei que eles corressem com cavalos, e não com éguas. Ainda tem algo mal explicado aí. (Meu raciocínio ingênuo, provavelmente). Por fim, há uma expressão que não exatamente me intriga, mas me faz imaginar uma cena surreal. "Chá de bebê" sempre me inspirou um bebê num saquinho, grudado à ponta de uma cordinha fina, pronto para infusão. Ok, acho melhor eu parar de comer pão com manteiga e açúcar no café da manhã... Clara McFly às 06:06 PMMinha amiga de bolinha Alguém aí assistiu “Lilo & Stitch”? Eu me identifiquei com um monte de coisas nessa gracinha de filme, mas uma delas me tocou em especial. Assim como a garotinha havaiana, eu tive uma amiga de pano, feltro e recheio de bolinhas de isopor que morou nos meus braços e no meu coração por vários anos. Não riam, tá? Ela se chamava Cezona. Eu disse pra não rir, poxa! A Cezona tinha mesmo um nome estranho – que eu não faço a menor idéia de onde tirei –, mas ela era muito boa boneca. Nunca descosturou, nunca ficou molenga, nunca perdeu seu recheio pela casa. O engraçado é que eu sempre fui bem desapegada de objetos inanimados. Mas quanto o assunto era a Cezona... nossa, eu era fissurada no bem-estar da minha companheira. Botava para dormir toda noite nas almofadas, mesmo com a minha irmã reclamando para eu apagar logo a luz. E lavava toda a roupa dela quando sobrava um espaço na máquina. Não era muito difícil achar essa brecha, na verdade, visto que o guarda-roupa dela se resumia a um vestidinho azul rodado, um chapelão e uma calçola branca. Bonecas de pano sempre usam calçolas brancas, por que será? Bom, ela tinha sapatos também, mas eles eram colados nos pés. A Cezona era tão importante pra mim que, quando o louco do meu irmão queria me fazer chorar (como se isso fosse difícil), apanhava a amigona e passava a lhe dar uns tapas ou arremessá-la para o alto. Essa cena me deixava tão revoltada e magoada que eu poderia quebrar toda a coleção de LPs dele em represália. Poderia, mas nunca fiz. Ainda bem, porque depois disso tenho certeza de que não ia sobrar nem um cabelinho de feltro da Cezona pra contar história. A querida boneca, hoje, deve ser posse de alguma outra garota – tomara, tomara, tomara... porque, francamente, não me lembro do que aconteceu com ela. Parece desfeita com uma boneca tão companheira, né? Mas a Cezona, onde quer que esteja, sabe que eu amei cada bolinha dela. Nem passando ketchup Quando estava na faculdade, meu grupo na aula de vídeo resolveu fazer uma divertida matéria sobre a culinária do centro de São Paulo. Saímos pelas ruas da região comprando os quitutes mais, digamos, chamativos - de churrasquinho grego a x-dog especial com duas salsichas, passando pelo churros. Depois levamos o "rango" para um chef de restaurante chique analisar. Nem precisa dizer que o expert ficou horrorizado com o que viu (já desconfiávamos, principalmente quando a maionese do cachorro-quente começou a cheirar muito mal dentro do carro e as frituras tornaram-se pretas). Ele disse o que todos nós sabemos: a carne do churrasco grego, a salsicha e o óleo do churros são reciclados por semanas, até serem vendidos a 1 real (ou um passe). No decorrer do processo, as comidas tomam sol e absorvem a poluição ambiente. Hmmm, delícia! Vou confessar uma coisa: não tenho hábitos alimentares refinados, e apesar de meu peso equivaler a dois sacos de farinha, gosto de comida de trabalhador. Não troco um prato de arroz-feijão-bife-salada por nenhuma culinária francesa, com uns respingos decorativos e uma azaléia. Mas há certas coisas que eu não engulo, nem passando ketchup (ou colocando chantilly, no caso dos doces). Portanto, não me convide para comer... Salgados de boteco Maionese de "kilo" Caldo de mocotó Maria-mole colorida Salgadinhos de isopor E, finalmente... Buchada |
![]() |
|||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||