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É Deus na fita Certas coisas só acontecem na TV. Mais especificamente, em programas televangelizadores – estes espetáculos que consistem em convencer as pessoas a procurar a igreja como solução de todo e qualquer problema. A Igreja Universal do Reino de Deus domina uma boa fatia dessa programação. Temos também a Bispa (?!) Sônia Hernandes e o reverendo R.R. Soares, sósia do Lovejoy, o pastor dos Simpsons. Tia Sônia faz coisas bizarras, como incorporar o dom de línguas e falar tudo enrolado, ou besuntar uma porção de cartas com óleo, sempre fazendo caretinhas, como se a força da fé fosse expressa na sua capacidade de contração muscular facial. Do reverendo R.R. Soares, confesso, tenho um pouco de medo. Aquela constante expressão de serenidade estampada na cara dele não me cheira bem. O programa comandado por ele concentra-se especificamente no testemunho de fiéis, que alcançaram uma graça ou foram curados pelo Senhor Jesus, como ele diz, sempre conclamando a platéia a dar “uma salva de palmas para o Senhor Jesus” (?!). Mas os programas desses dois não chegam aos pés da diversão proporcionada pelo Bispo Romualdo, da Universal, e seus companheiros. Os programas da igreja cujo manda-chuva é o sêo Edir são produções mais elaboradas e contam com blocos diferenciados. Tem… ... a reconstituição ... os atendimentos por telefone ... as entrevistas com “mãe de encosto” ... os nomes de rituais mais engraçados que já vi … o talk-exu
Sim, caros leitores. O plano de dominação do mundo pelas Garotas dá mais um tímido -- porém divertidíssimo -- passo: chegamos ao rádio! Quer dizer, estamos quase lá... Gravamos uma entrevista que irá ao ar amanhã, às 20h, na Eldorado AM, no 700 KHz. O programa se chama Plug 700 e, garanto, tem uma equipe bem-humorada à beça. Não percam! Love is love "O amor é uma flor roxa que nasce no coração do trouxa". Ouço isso desde que era um cisco humano. E sempre me encaixei na categoria "trouxa". Para quem faz parte dessa turma, preciso dar dicas sobre canções capazes de embalar um apaixonado da mesma forma que a conjunção sofá/edredom/chá quente/filme bom faz com uma tarde de chuva. São cafonas? Oh, yes. São óbvias? Sempre. Eu compraria um CD portador de qualquer dessas criações? Nem que o John Lennon ressuscitasse e me ordenasse tal ação. Tudo bem, é um comportamento contraditório para alguém tão manteiga-derretida, eu sei. Acontece que músicas de amor são ótimas, mas música de amor pegajoso, insano e desesperado - o que eu classifico de ultimate love - é apenas para momentos muito peculiares. E comprar um CD para ficar sofrendo assim é masoquismo. Melhor apenas baixar da internet e fingir que você fez isso por pura piada. Mas quando o amor se abater sobre seu coraçãozinho como acontece com o meu, você vai saber usar bem essas canções. As ruas vão parecer desertas sem o seu amor por perto, os passarinhos não cantarão no mesmo tom, o vento vai deixar de soprar porque sua metade está longe... Então você vai cantar comigo! Ou não, se a vergonha for maior. The Promise, When In Rome With or Without You, U2 It Must Have Been Love, Roxette Unchained Melody, Righteous Brothers Total Eclipse of The Heart, Bonnie Tyler Nossa voz? Continua a mesma... droga Pois é: para cantar tanta música grudenta é preciso investir num timbre embargado, sofredor, quase enlouquecido... Eu, Vivi e Clara somos boas nisso (ainda mais ao interpretar "Total Eclipse of The Heart", que é um hit para essas garotas aqui). Então, se quiser conferir nosso tom vocal esforçado, é só sintonizar a Eldorado AM, 700 kHz, amanhã às 20h ou no domingo às 21h. Demos uma entrevista de muitos minutos para o pessoal pra lá de divertido do programa Plug700 - e, modéstia às favas, ficou muito bacana. Precisa de um incentivo? Bom, vai na forma de uma praga: quem deixar de conferir vai ganhar uma vizinha que ouve Roxette dia e noite... O mundo encantado da crueldade Quem olha hoje para a Disneylândia e vê o Mickey e a Minnie cabeçudos alegrando as criancinhas pode não conseguir imaginar como o sêo Walt já estragou muita infância. Os longas-metragens mais antigos continham cenas de pura crueldade que eram capazes de traumatizar toda uma vida. E eu faço aqui meu testemunho. Quer ver? O exemplo mais clássico é "Bambi", logicamente. Alguém tem noção efeito que aquela cena de morte da progenitora do bicho pelas mãos cruéis de um caçador pode causar numa criancinha? Quando eu fui no cinema assistir à história, minha querida mamãe achou que estava fazendo um bem danado para mim, injetando um pouco de magia na vida da filha (já narrei essa história aqui). O caso é que eu abri o maior berreiro na sala de projeção, no ônibus de volta para casa, no banho, na hora de dormir e no dia seguinte, logo antes do café-da-manhã. Tudo bem: bichos indefesos são mortos todos os dias por caçadores, mas não dava para insinuar isso de um modo mais sutil para uma menina de 4 anos? Outro terror era "Dumbo" (repare como são sempre filhotes fofos separados dos pais). O pobre elefantinho comia o pão que o diabo amassou, cuspiu e usou de areia para gato. Ele era motivo de chacota por conta das orelhas enormes - e a partir daí toda criança com orelhas grandes ganhou o singelo apelido de Dumbo para traumatizá-la. Mas o pior estava por vir. A mãe do Dumbo era maltratada no circo, ficava confinada dentro de uma jaula mínima e tinha correntes nas patas. A cena em que o elefantinho chega até o cubículo da mãe e ela coloca a tromba para fora e começa a ninar seu bebê e a cantar é de fazer chorar até um pedaço de minério de ferro. Se isso não afeta uma criança sensível, não sei o que mais afetaria. Pelo menos, nunca tive vontade de ir em circos, o que é muito bom. E há outros vários exemplos: o assustador dragão de "A Bela Adormecida"; a madrasta maléfica da menininha de "Bernardo e Bianca"; as irmãs más de "Cinderela"; a louca que queria um casaco feito de cachorrinhos em "101 Dálmatas" e por aí vai. Ok, sei que sou chorona e tal. Mas eu ainda não me sinto preparada para rever esses clássicos da crueldade que me afetaram tanto quando eu podia contar minha idade nos dedos de uma mão. Aliás, ainda não consigo segurar as lágrimas em desenhos de hoje, como "Procurando Nemo" - e a cena em que o papai pega nas barbatanas o único filhotinho que sobrou do massacre da barracuda que também ceifou a vida da mamãe. Será que eu preciso de um psicólogo? Se precisar, será que eu posso mandar a conta lá para a casa do Mickey?
Tenha medo, tenha muito medo Vivi e Flá já deram a fita: algumas coisas não foram feitas para assustar, mas cumprem a função melhor do que muitos produtos preparados para tal. Assim como elas, eu tenho uma pequena lista de coisas que me assustam, embora não devessem. As tais são tão horrendas que, acreditem-me: alguns de vocês podem rir, mas muitos hão de concordar comigo! Corre e não olha para trás! Eu não aguento olhar, sem ter um calafrio na espinha, para… … pé de porco na vitrine do açougue … Eddie, o mascote do Áiron … o Borba Gato … Paulo Maluf cantando "Amigo" … Silvio Santos entrevistando o ET
Durma com essa! Não é para temer? Claro que é! Bom, vocês sabem, hoje é dia de expor os medos que a gente tem mas não era para ter. Antes que chovam mensagens de "suas doidivanas, existem médicos e pílulas coloridas para isso!", deixa eu dizer: ninguém é totalmente desprovido de loucura. Nem de medo. Muito menos euzinha. Explico isso logo de cara porque os itens abaixo realmente abalam minha confiança e me fazem dar três pulos para trás. Assim como os palhaços, mas esses não estão na lista de hoje porque, pra mim, foram SIM feitos para assustar. Ao deparar com esses itens, meu coração dispara algumas vezes. Justificado ou não, o fato é que esses estranhos... troços... são de arrepiar. É isso: o sangue some da minha face quando eu vejo... ... a logomarca da Antarctica ... o carinha da Mad - e, por conseqüência, o Bush Filho ... piranha empalhada ... a Betty Faria ... minha torradeira
Ela parece tão inofensiva, né? Fique longe de mim! Quarta-feira, onze horas da noite, mesa de um bar em Pinheiros. Lá estávamos as três, felizes, com dores no maxilar de tanto dar risada. Mas de nada adiantaram nossas tentativas de manter uma conversa saudável, porque o Tubaína (dei até o link, Paulo "Moranguinho"!) abrilhantava o palco com um show hilário e pra lá de alto. Foi mais ou menos nesse cenário que Clarissinha me passou a pauta tripla de hoje - portanto já me considero perdoada se eu não entendi muito bem o conceito, né? Parece ser o seguinte: escreveremos sobre coisas que nos dão muito medo, mas que, teoricamente, não eram para ter esse propósito. Sabe quando você quase morre de susto quando o maldito despertador toca ou quando você fecha os olhos para não ver uma estátua de santo no corredor da casa da sua avó? Despertadores e santos não foram criados para aterrorizar as pessoas. Mas você fica aterrorizado mesmo assim. E eu confesso que tenho MUITO medo... ... de bonecas com olhos que mexem ... de Papai-Noel de shopping ... do logotipo da loja Alô Bebê ![]() Será que ele é de cera?
Como ser feliz… ou pelo menos tentar Que livros de auto-ajuda, que nada! Para saber onde está a felicidade ou o que fazer para alcançá-la, basta ouvir a umas poucas canções. Ou assistir ao desenho do Pica-Pau. Segundo o passarinho espevitado, felicidade era uma seqüência de balõezinhos de pensamento onde se alternavam imagens de "mulheres", "dinheiro", "iates", "cem mil dólares" (este último eu achava meio repetitivo. Já não tinha dinheiro na lista, pô?). Mas nem todo mundo é fútil como o Pica-Pau. Meu conceito de felicidade não inclui nenhum dos itens acima, a não ser uns tostões para viver com conforto e pagar o guaraná do final de semana. Deixemos, então, a tresloucada ave de lado e vamos ao que é felicidade segundo as músicas! Para ser feliz é fácil, ó… Para os Beatles, "Hapiness is a Warm Gun" -- ou seja, felicidade é uma arma quente. Hum, esse é o lado violento dos rapazes de Liverpool! Para Jimmy Soul, que cantava "If You Wanna Be Happy" (trilha sonora do "Casamento do Meu Melhor Amigo"), a receita da felicidade era bem simples: bastava se casar com uma mulher feia, já que as bonitas ofuscariam o marido. Além de machista (e insuportavelmente divertida), a letra não serve para mim. É claro que não quero me casar com uma mulher feia. Nem bonita. Já Bobby McFerrin achava que o segredo era não se preocupar -- e cantou sua fórmula em alto e bom som na divertida "Don't Worry, Be Happy". No cenário nacional, Cazuza dizia que era só o mundo inteiro acordar e a gente dormir, em "Pro Dia Nascer Feliz". Será que funciona? E Rogério Cardoso, que deixou saudades, adaptou "It's a Small World" em "Para Ser Feliz", como Vivi já contou aqui, com uma receita completa do que é necessário para se alegrar. Basta ter um céu azul e uma imensidão! Simpatizei com essa. E vocês, queridos leitores e caras leitoras, escolhem qual receita de felicidade? Clara McFly às 06:37 PMManhãs pré-históricas O bom de ter seis anos é... ah, tem muita coisa boa sobre ter seis anos. Eu lembro perfeitamente. Era quando tinha uma doce professora, bebia leite com groselha aos litros, usava conga vermelha com meia azul, tinha cabelo tigela e acordava no sábado às 6h30 para ver televisão. Era o horário do meu programa predileto. Trazia uma família que, por obra do destino, foi viver em meio aos dinossauros! Um show de roteiro e imagem! Manhã de sábado era horário cativo dos desenhos Hanna-Barbera, mas antes disso eu precisava sintonizar na Record e ver "O Elo Perdido". Quem lembra levanta o dedo balzaquiano! Will, Holly e o pai deles, o Senhor Rick Marshall, saíram de casa para um passeio de bote nalgum rio americano. O transporte, no entanto, botou a família numa gelada: caiu de uma cachoeira e levou todos para... a Pré-História. Tá, não fazia o menor sentido, mas quem liga? Eles passaram três temporadas na terra dos dinossauros, correndo do T-Rex, fazendo amizades com Cha-Ka (para quem não lembra, se pronunciava "Tchaca", beleza?) e fugindo dos Sleestaks. E toda aquela produção setentista foi o suficiente para me conquistar. Por partes: os dinossauros eram animações quadro-a-quadro tão podres que se mexiam aos solavancos. Pior é que me davam o maior medo (eu tinha seis anos, poxa, morria de medo até de ver a vizinha usando bobbis no cabelo...). O grupo dos elos perdidos era bizarro também. Além do Cha-Ka, tinham dois outros semi-macaquinhos que usavam um macacão peludo (isso ficou estranho...) como figurino. Tenho certeza que vi o zíper nas costas daquele traje várias vezes. Mas isso também não era motivo para deixar de me aboletar no sofá com o cobertor e o travesseiro para ver "O Elo Perdido". Principalmente por causa dos Marshall. Eles eram heróis. Não só porque conseguiram sobreviver a todos os contratempos do diabólico pulo temporal, mas porque, apesar de terem apenas uma muda de roupa cada, mantinham-nas impecáveis. Holly, inclusive, tinha cabelos milimetricamente penteados e trançados! Uma dama pré-histórica. A melhor parte de todas, entretanto, era quando o grupo tinha que visitar a caverna dos Sleestaks. Eram bichões verdes parecidos com aquele sujeito de "Inimigo Meu", que andavam fazendo um chiado e cultuavam uma cabeça de sua própria espécie. Duro é que, por mais que os Marshall corressem e os Sleestaks apenas caminhassem calmamente, eles sempre estavam a dois passos da família trapalhona. Assim era a lei e a ordem da saudosa terra de "O Elo Perdido".
Levando em conta a diferença de idade, os Marshall e o Chefe Sleestak tinham uma relação cordial... Moro num país tropical... ... abençoado por Deus e bonito por natureza? Pois é. Pelo menos é o que diz a letra desse hino de tudo o que deve ser a tal "brasilidade" em sua essência mais lugar-comum: sol, praia e carnaval. Bem, a questão é que sou brasileira (é o que consta no meu RG) - e fujo de tudo isso como o coisa-ruim foge da cruz. Sou branquela. Não sei sambar. Adoro dias frios. Não faço idéia de quem está ganhando o atual campeonato de futebol. Gosto de aproveitar a São Paulo vazia em dias de feriadão. Não tenho a menor vontade de conhecer a Amazônia. Não ostento um bundão. Adoro usar blusa de lã e sobretudo. Odeio qualquer tipo de batucada. Não gosto de artesanato indígena. Quero que os Tribalistas se lasquem. E tem muito mais. Só espero não estar cuspindo na bandeira do meu país ao jogar contra todas as preferências nacionais que enumero a seguir... Calor Cerveja Praia
Bonito-tó, macaxeira, mocotó Mário de Andrade, o ilustre escritor, me fez um grande favor. Aliás, fez um inestimável favor a todos que gostam de ler. O literato decidiu não se conformar com a masturbação mental das elites intelectuais como material de um livro, saiu pelo Brasilzão afora e, na volta, sacou de Macunaíma, este primor da literatura. Depois desse livro, Mário podia virar uma espécie de J.D. Salinger: desaparecer no mundo, talvez na terra das amazonas-icamiabas (alguém já procurou o Salinger por lá, a propósito?), sem deixar rastro, rosto ou fotografia. Macu é obra de uma vida – ou de mais. A saga do herói é tecida sobre um concentrado de manifestações folclóricas do país inteiro. Pode ser considerado um bloquinho concentrado da nossa cultura, sem ser um isso de chato ou pretensioso. Mário viajou anos pesquisando o folclore nacional e eu imagino que ele tenha se divertido muito-muitíssimo, para conceber um livro tão engraçado. Por isso, sem mais delongas, seguem dez razões para a classificação de Macunaíma como um dos melhores livros da literatura brazuca. O livro tem... 1. ... a excelente máxima "pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são!" 2. ... um vilão chamado Venceslau Pietro Pietra (?!), que também é o gigante comedor de gente Piaimã. Como se não bastasse, ele mora na rua Maranhão. 3. ... a hilária passagem em que o herói é enganado por um macaco e acaba dando uma pedrada nos próprios colhões (chamados de toaliquiçus), achando que aquilo era de comer. 4. ... a história do tico-tico e do chupim. O primeiro passarinho conseguia comida, quando o maiorzão se aproximava e tomava o alimento do outro. Inconformado com a injustiça, Macu, que observava a cena, vai lá e dá uma paulada para matar o... tico-tiquinho. 5. ... o dote de "Oropa, França e Bahia" oferecido por Vei, a Sol, para o herói, caso ele se casasse com uma de suas filhas. 6. ... uma explicação bem mais divertida para o aparecimento da Lua: o satélite seria a cabeça da boiúna Capei, que se soltou do corpo, perseguiu Macu e, não alcançando-o, subiu para o céu comendo teia de aranha gelada. Por isso ficou muito gorducha e branca. 7. ... uma personagem feminina forte, chamada Ci, por quem Macunaíma se apaixona perdidamente. Ela é a rainha das amazonas (ou icamiabas). 9. ... a passagem da macumba, em que Mario cita vários companheiros modernistas e chama Manuel Bandeira de "Manu Bandeira". Pode?! Pode, para quem chamava o grande pesquisador folclórico Câmara Cascudo de "Cascudinho"... 10. ... termina com a frase "Tem mais não". Simples assim. A importância de ser uma Garota Não, não: a idéia não é falar que ser menina é mais legal que ser garoto. Até porque, não é melhor, é apenas diferente. Mas hoje acordei com vontade de explicar como e por quê esse site rosado no qual vocês se encontram entrou na minha vida para acrescentar uma montanha de alegria. Querem saber dos bastidores, do início de tudo? Como diria aquela cantora, "foi assim..." Eu, Clara e Vivi descobrimos nas mesas de restaurantes que tínhamos muito em comum. E que esse muito girava sempre em torno de bobagens que víamos no cinema, na tv, no nosso passado. De tanto rir a plenos pulmões - e incomodar as mesas ao lado -, decidimos montar um blog. Daí, com o tempo, o que era apenas uma paginazinha capenga alojada num fornecedor de blogs, ganhou contornos. Essa é a parte que vocês sabem. A que vocês não sabem, eu conto agora, aí abaixo. E ainda entrego, de quebra, impressões pessoais não sobre ser uma Garota, mas sobre ser uma Garota que diz Ni! Vocês não sabem, mas... Foi a Vivi e seu namorado, o mago da internet, que desenharam todo o Garotas com um brilhantismo que nós, demais meninas, apenas imaginávamos que eles escondiam; O nome foi escolhido (entre opções que já não me lembro) durante uma de nossas conversas divertidas travadas por... e-mail. Sim, respiramos internet; No começo, meu sobrenome de ficção seria Bueller, uma homenagem ao Ferris, e Vivi seria Golightly, como Audrey Hepburn em "Bonequinha de Luxo". Decidimos mudar o primeiro porque eu não podia desapontar Willy Wonka, claro, e o segundo porque... bom, porque ninguém ia entender; Com o tempo, o site começou a receber gente bacana demais que se dispôs a vir sempre ler nossos delírios. No primeiro mês, recebíamos quatro ou cinco e-mails por semana. Hoje, são mais de dez por dia; Aquilo que está escrito no Faq sobre nossos segredos cabeludos não é piada: Clara declarou em plena hora do jantar que achava a J.Lo "linda e talentosa" (o que fez eu e Vivi engasgarmos com o guaraná), Vivi achou MESMO "Triplo X" divertido (apesar de ter falado isso e ficado corada no mesmo segundo) e eu... ok, eu vejo mesmo Charmed. É sério. Quer saber? Eu via Dawson's Creek também! E pronto. Vocês precisam saber que... As melhores coisas de fazer parte dessa gangue são: 5) Escrever o que eu quiser 4) Recordar o passado 3) Desejar um futuro brilhante 2) Os leitores 1) Essas duas garotas Quem quer dinheiro? Domingo é dia de macarronada, fofocas de família e... programa Silvio Santos, lógico! O "patrão" quase nos matou de susto com aquela história de que iria bater com as botas devidamente lustradas (e combinadas com o cinto e com a cor do cabelo). Antes que ele resolva cumprir a promessa, nada melhor do que homenagear o homem do baú - piada pronta - e relembrar os pontos mais bacanas de uma de suas clássicas atrações. Dá para adivinhar pelo título acima? Claro que estou falando do "Topa Tudo Por Dinheiro", a jogatina legalizada e transmitida em horário nobre. Tio Silvio parecia que tinha nascido, crescido e diplomado em Las Vegas, tamanha era a afinidade que ele mostrava ao manusear dados e cartas. Seus olhinhos amendoados (e combinados com os sapatos, com o cinto e com a cor do cabelo) brilhavam, assim como brilhava o relógio de ouro do pulso, chacoalhado com destreza. E tudo com aquele cenário kitsch que só o Sistema Brasileiro de Televisão faz por você. Então prepare a carteira que lá vai um top 10 do que havia de melhor no "Topa Tudo Por Dinheiro". Vai que a gente consegue catar um aviãozinho de 50 mangos... 10) O Roque 9) O bolso do Silvio Santos 8) As caravanas 7) As chamadas da "Sessão das 10" 6) O jogo do "pim" 5) As ameaças do Silvio Santos 4) O Ivo Holanda 3) A música-tema 2) Os aviões de dinheiro 1) O xampu de ovo
Ê, lá em casa! Todo mundo que costuma ler o Garotas já está careca de saber que eu estou prestes a dizer "sim!" perante o juiz de paz. Mas isso não me impede de manter uma lista informal com os meus inalcançáveis objetos cinematográficos do desejo. Objetos masculinos, é claro! Se bem que a denominação "objetos" não serve muito bem a esses meninos. Afinal, costumo considerar o todo – e não só um "peitoral largo" ou um "abdômen definido" – para alçar os ditos cujos à categoria. Um dos episódios de "Friends" mostra que os seis tinham uma lista de "pessoas com quem poderíamos sair, mesmo comprometidos, se as tais nos dessem bola". Se eu acordar com o futuro senhor-meu-marido, quem sabe diante do juiz de paz, será que posso ter minha listinha impressa em papel e plastificada? 5. Adrien Brody 4. Ewan McGregor 3. Jude Law 2. John Cusack 1. Edward Norton ![]() Ah, se eu fosse a Salma Hayek... O rei da comédia Muito antes do Seinfeld, um outro Jerry me fez rolar no chão da sala de tanto dar risada. Vi e revi os filmes desse moço como se fosse a primeira vez. E fico bem ressentida que as redes de tv tenham deixado o fabuloso Jerry Lewis de lado na Sessão da Tarde. Se passasse hoje, eu fugiria pra assistir! Ele era o rei do horário quando eu era criança – e, como eu sempre tive uma queda por moços atrapalhados, era apaixonada pelo Jerry. A bem da verdade, sua obra chegou ao meu conhecimento meio tarde, afinal ele começou a filmar comédias-pastelão lá pelos anos 50 e continuou nessa por 20 anos. Considerando que o Sr. Lewis fazia quase três filmes por ano, imagine quantas gargalhadas esse homem me proporcionou. Vocês lembram? Não importava o cenário, Jerry Lewis conseguia promover as maiores e mais hilárias confusões. Ele foi um médico que absorvia tudo o que os pacientes sentiam em "O Bagunceiro Arrumadinho", não se deu bem em nenhum setor de uma loja de departamentos em "Errado Pra Cachorro", cuidou de centenas de moças ao mesmo tempo em "O Terror das Mulheres". Esses três, aliás, eram alguns dos meus prediletos do Tio Jerry. Ali ele abusava da cara de retardado, dos trejeitos de criança grande, do direito de ser um perfeito paspalho. E, em alguns filmes, tudo isso ficava ainda mais engraçado, porque ele contracenava com o Dean Martin, que era um galã e fazia o gênero "rapaz sedutor", em contraponto com a ingenuidade e a demência de Lewis. Isso aconteceu no que eu considero o melhor do Jerry, "Artistas e Modelos". Eugene é um bocó que tem sonhos muito reais com um certo Rick, o Ratinho. Daí seu colega de quarto, espertão, começa a vender para uma editora as histórias que o sonâmbulo cria enquanto dorme. E lá conhece uma desenhista bonitona e sua modelo – que é interpretada pela Shiley MacLaine no auge de sua fofura. Tem uma cena em que ela dança numa escadaria com o Jerry, é sensacional! Ainda me diverti horrores com "O Professor Aloprado", refilmado depois (sem metade da graça) pelo Eddie Murphy, "Bancando a Ama-Seca", onde ele cuida de quatro bebês ao mesmo tempo, e "A Família Fuleira", que eu tenho medo de ver porque, um dos oito personagens que ele interpreta é um palhaço. E vocês sabem, passo longe de palhaços. Ainda que seja o querido Jerry.
É um demente... mas ô demente engraçado! Lendo e aprendendo Como toda menina curiosa, quando pequena eu costumava bombardear meus pais com perguntas - sempre fui a rainha do "por que". Hoje me divirto e alimento minha cota de cultura inútil (ah, cultura nunca é inútil) com "O Mundo de Beakman" ou qualquer programa do Discovery Channel. Mas há 15 anos gostava de entrar no universo da ciência pela porta que a Biblioteca das Crianças me abria! A coleção, lançada pela Editora Abril em 1974, foi dada para mim como herança de um primo mais velho. Nem sei quantos livros faziam parte desse verdadeiro tesouro, mas com certeza eram muitos. E fico feliz de saber que ainda guardo alguns daqueles pequenos e finos volumes de capa dura, com nomes simples como "A Água", "Luz e Cor" e "Tamanhos". Lembro-me de que passava horas e horas aprendendo através de frases curtas e muitas ilustrações (era criança!). Podíamos ter acesso a informações elementares à primeira vista, mas que depois davam status quando repetidas a um adulto, só para mostrar o quanto éramos inteligentes. "O Deserto", por exemplo, começa assim: "Os desertos são lugares quentes, secos, onde quase não chove. Eles são cobertos por areia ou rochas nuas. Durante o dia inteiro o sol castiga o deserto. Durante a noite o deserto é frio". Foi a primeira vez que li sobre desertos, e entendi tudinho. Também aprendi muitas outras coisas com a minha Biblioteca das Crianças, entre elas... ... que há diferentes tipos de nuvens, chamadas cirrus, ninbus, stratos e cumulos; ... que o polvo e a aranha têm o mesmo número de pernas; ... que azul + amarelo = verde, vermelho + azul = roxo e vermelho + amarelo = laranja; ... que um ovo bóia na água quando está cozido e afunda quando está cru; ... que o dromedário tem uma corcova, enquanto o camelo tem duas; ... que no alto, o papagaio (ou pipa) parece pequeno, mas não é; ... que um filme é feito de várias imagens projetadas rapidamente; ... que a aurora boreal é causada por eletricidade; ... que o planador não usa motor; ... que os números primos não têm nada a ver com os filhos da minha tia. Informações preciosas, não? Vivi Griswold às 10:53 AM
Qual é qual? Não sei se isso acontece com vocês, mas comigo rola o tempo todo: tem informações que simplesmente não consigo gravar! Quando conheci a simpática garota-que-diz-Ni Vivi, notei que não estava só: ela tem problemas em distinguir "atacado" de "varejo". Não que ela não entenda os conceitos, mas simplesmente confunde as palavras entre si. Comigo, há cinco pares de coisas capazes de dar nó no cérebro. Aparentemente, o hardware da minha pobre e vã cabecinha sofreu danos que impediram para sempre a gravação desses dados, sabe-se lá porque. E não consigo fazer um Scan Disk ou um First Aid para resolver o problema! Notem bem: não é que eu não sei as diferenças entre os itens. Eu só tenho problemas e tenho de parar para pensar alguns segundos para não trocá-los entre si. Quer ver quais são? Promete não me atirar latinhas e tomates? Cruzeiro e Grêmio John Candy e John Goodman Ron Howard e Rob Reiner SP Market e Market Place Liam Neeson e Ralph Fiennes Diversão vespertina Lá pelos idos de 80epouco, era comum eu sair voando da escola, tomar o primeiro ônibus lotado que passasse, correr as sete quadras que separavam o ponto de desembarque da minha casa e pular para o sofá antes mesmo de dizer "oi" para a família. Afinal, eu não podia perder o começo da Sessão Comédia! Sessão Comédia, gente! Lembram? Era composta por séries tão simplórias quanto hilárias. Eu adorava todas, daquela protagonizada por uma garota-robô até a liderada por quatro velhotas assanhadas. Não faço idéia se os americanos apreciaram tanto quanto nós aqui (nós? será?), mas eu me rendi completamente ao humor previsível, classe média e perfeito dessas cinco pérolas da televisão yankee. Recordar é viver, vamos lá: Segunda-feira era dia de "O Poderoso Benson" Terça-feira era dia de "Primo Cruzado" Quarta-feira era dia de "Super Vicky" Quinta-feira era dia de "Caras e Caretas" Sexta-feira era dia de "SuperGatas"
Balki?? Pra mim o moço da esquerda sempre será o Zeca! Festa da vaca amarela Sabe a brincadeira de criança pentelha chamada "vaca amarela" - que minha mãe não me deixava participar porque a musiquinha tinha palavras feias? Junte isso com aquela mania de ficar passando bilhetinhos na sala de aula, acrescente uns drinks e um monte de gente que não se conhece. Pronto! Você terá o que está sendo chamado de "quiet party", uma das tantas manias inventadas pela terra do Tio Sam. Quem deu a dica foi o Hemetério, um de nossos leitores mais fiés (sim, eles existem e são pessoas de verdade!), ao comentar o meu texto de ontem. Afinal, nesse tipo de festa não há a possibilidade de ficar exposto à uma trilha sonora dos infernos - pois não há música, nem barulho, nem celular tocando e nem... conversa de qualquer espécie. Dois amigos nova-iorquinhos, furiosos por não conseguirem encontrar um único bar na cidade onde pudessem conversar com calma devido ao volume ensudercedor das músicas, mesmo depois de exaustiva procura, decidiram dar o pontapé a esse movimento "cult". Funciona assim: os organizadores marcam festas pelo fórum do site www.quietparty.com. Qualquer pessoa pode participar, desde que pague o ingresso (não são bobos, né?). São vetadas quaisquer manifestações sonoras, inclusive falas. Os participantes só são liberados a conversarem silenciosamente, através de bilhetinhos (com papel e lápis providenciados pelo evento) ou gestos. Pelo que consta no site, os bilhetes começam tímidos. Depois de algum álcool (isso tem), os escritos são cada vez mais constantes e até mais apimentados. Conversas inteiras são travadas nesse esquema, um verdadeiro desafio para quem fala pelos cotovelos - como nós. Portanto, ao contrário do "flash mob", não vamos lançar uma "quiet party" do Garotas. Seria impossível nos calar, ainda mais juntas. Não daria certo, definitivamente! Mas qualquer pessoa pode ser o anfitrião de um encontro silencioso desses. Segundo os organizadores, os interessados podem até ganhar um bom dinheiro dando festas. Para quem ficou animado com a idéia, é só mandar um e-mail para eles, que prometem entrar em contato rapidamente com maiores detalhes. E como tudo acaba chegando ao Brasil, ainda que desvirtuado, aposto que não teremos de esperar muito tempo por uma "quiet party" em terras tropicais. Com cobertura ao vivo pelo Gugu, participação especial de algum ex-BBB e bilhetinhos para o Galvão Bueno, é claro. ![]() Parece animado para você?
Ao vivo, de Nova York… Desde 1975, um grupo rotativo de malucos comandado por Lorne Michaels se reúne no Rockefeller Center, em Nova York, acompanhados de um convidado especial e de bandejas generosas de quitutes, para criar mais um episódio de um dos humorísticos mais bacanas da TV. Quer mais uma dica? Então, lá vai: "Live from New York, it's Saturday night!" Na minha lista secreta de coisas-que-mais-desejo, proferir esta frase no palco do "Saturday Night Live" vem antes de dizer a famosa "… and the Oscar goes to". O curioso é que, a princípio, eu achava o humorístico chato e hermético demais. Depois percebi que, como os Estados Unidos são mesmo os donos da bola da vez, não era difícil estar inteirada de 80% dos temas avacalhados por eles no programa: bastava assistir ao jornal, que as principais manchetes e notícias ianques sempre estavam ali. Aí, comecei a ver graça e sacar o humor ácido (contra o próprio american way of life) da trupe. E não parei mais. Depois de assistir a um "Biografia" do A&E Mundo sobre a série, fui além: pensei em vender todos meus pertences (que se resumem ao Deep Purple e a uma coleção inacaba de "Os Fabulosos X-Men"), comprar uma passagem para NY e esperar sêo Lorne na porta do Rockefeller Center, para abordá-lo e dizer: "deixa eu trabalhar aqui, vá?" Enquanto não crio coragem para isso, continuo assistindo às reprises dos episódios e me deleitando -- e algumas vezes pegando também os mais recentes, que passam num horariozinho cão: sábado, 23:00, na Sony. É pedir para dar audiência-traço! Dessas noites de gargalhadas no sofá, quando todos já estão dormindo, é que surgiu a lista dos quadros mais engraçados que já vi no "SNL". Encha os pulmões, grite comigo "ao vivo, do Garotas, é a lista dos melhores quadros do Saturday Night Live" e corra pro abraço. Ou para a troca de figurino ali nas coxias do estúdio… Coffee Talk with Linda Richman Copy Guy It's Pat! Church Chat Weekend Update Para frente ou para trás Lembram quando expus aqui minha dúvida sobre preferir o céu ou o inferno? Pois é, as dúvidas na área do impossível permanecem. Atualmente eu ando pensando: se eu ganhasse uma máquina do tempo na rifa, seria melhor ir checar o passado ou o futuro? Vamos lá apelar para a ajuda da sétima arte novamente. Nos filmes, gente que vai para o passado sofre um bocado. Não se acostuma com a falta de tecnologia, mal consegue se ambientar. Marty McFly que o diga... Quase não soube pedir uma Pepsi no passado... Bom, mas ele também não foi bom nisso quando pulou para o futuro. Ir para o tempo que ainda não chegou também é um drama danado para os personagens de cinema. A tecnologia em excesso atrapalha do mesmo jeito, e fica quase impossível descobrir como acionar a descarga sanitária ou hidratar uma pizza. Como se os Jetsons já não tivessem nos ensinado tudo isso. Bom, adianto que tenho muito mais simpatia por conhecer o passado do que em descobrir o futuro. Pode parecer uma idéia meio idiota a princípio, mas eu explico. Em tópicos, para a argumentação convencê-los mais rápido. Ao voltar a fita... - Poderia conhecer o Paul McCartney aos 16 anos e me tornar a melhor amiga dele, garantindo lugar em todos os shows dos Beatles mais tarde. Ou até ganhar uma música escrita para mim! - Seria ótimo saber se, afinal de contas, Marilyn Monroe morreu por causa das drogas ou de um matador de aluguel contratado pelos Kennedy. - Conheceria meus bisavôs, que eu sei que eram gente muito divertida. - Veria "...E o Vento Levou" e "A Malvada" no cinema, mandando ver num saquinho de balas de menta. - Iria provar vestidos rodados e charmosos feitos de tecidos realmente confortáveis. - Conheceria Jesus e checaria se ele era mesmo um líder ou apenas um agitadorzinho que foi pego pra... Cristo. Ao adiantar a fita... - Seria um saco descobrir que o mundo virou uma grande bola destroçada e cinzenta habitada apenas por tribos de humanos mal-humorados e animalescos. - Magoaria notar que os sintéticos dominaram o setor da moda. - Entraria em pânico ao descobrir que "Matrix" ganhou mais oito seqüências e passou a ser estrelado pelo Macaulay Culkin. - Seria deprimente notar que o teletransporte não ajudou em nada e os congestionamentos virtuais são um saco de aturar. - Ia me deixar triste pacas ver que enganaram a gente sobre: a cura do câncer, o carro movido à água, a despoluição do Rio Tietê e o lançamento de "Indiana Jones 4". - Ficaria aborrecida de saber que, depois de atingir sucesso mundial, o Garotas foi copiado por um trio de meninas chatas, maledicentes e enjoadas. E que acham o Ben Affleck um gato! Argh!!! Fla Wonka às 02:13 PMDá pra puxar da tomada? Já escrevi aqui sobre o tormento que é almoçar, jantar ou até tomar um lanchinho rápido em shoppings cujas praças de alimentação contam com música ao vivo. Cá entre nós: ouvir uma canção é algo ótimo para alegrar o dia, mas tem que ser daquele CD que colocamos, ou da rádio que sintonizamos por nossa própria vontade. Trilha sonora imposta por terceiros (e, na maioria das vezes, com um repertório terrível), é difícil de engolir. Repare em quantas vezes somos obrigados a ouvir uma música que a) não escolhemos, b) não temos como desligar e c) não há como pedir para alguém diminuir o volume. Você vai reparar que nosso dia-a-dia é recheado por acordes que não pedimos para existir. Como já disse, canções são bem-vindas, na maioria das vezes. Mas será que dá para puxar da tomada o fio da vitrola de... Supermercados Esperas de telefone Carros de som Consultórios Festas no vizinho Trem "espanhol"
Será que meu filho vai ser assim? Olhaí, o monstro-de-três-cabeças funcionando de novo! Hoje, Flá e Vivi publicaram, sem que uma soubesse da outra, listas com os dez-mais-alguma-coisa do cinema. E eu, na tradicional saideira, já tinha planejado um texto também com dez-mais. Depois de conhecer os bichos mais bacanas das telas, com Vivi, e os empregados mais sensacionais, com Flá, é hora de relembrar as dez criancinhas mais cativantes, fofas, independentes e um pouco assustadoras do mundo do cinema. Preparado? Então, faça de conta que tem uma bolinha saltitante sobre as letrinhas aí debaixo, agarre um boné ou uma melissinha, passe a mão num saco de balas Juquinha e conheça os seguidores da tradição de Shirley Temple mais fofuchos (ou nem tanto) dos filmes. 10. Molly, de “Corina – Uma Babá Perfeita” 9. O garoto, de “O Garoto” 8. Jim, de “O Império do Sol” 7. Cole, de “O Sexto Sentido” 6. Boo, de “Monstros S.A.” 5. Danny, de “O Iluminado” 4. Bo, de “Sinais” 3. Lilo, de “Lilo e Stitch” 2. Ben, de “Lado a Lado” 1. Ray, de “Jerry Maguire – A Grande Virada”
Troféu Funcionário do Mês Eles fazem de tudo por seus patrões, mesmo que isso envolva tarefas ilícitas, humilhantes ou que não valham o cheque que recebem no fim do mês. Se é que esses fiéis escudeiros do cinema e da tv alguma vez viram a cor do metal pintar em seus bolsos... Empregados de cinema não podem ser somente figuras decorativas. É um trabalho monstruoso (para alguns, monstruoso no sentido literal) cuidar de uma casa, de crianças, de animais de estimação. Tem vários deles que têm que manter funcionando uma indústria inteira, poxa! Por isso tudo, para fazer justiça com o pessoal da copa, da cozinha, da garagem - e mesmo com aqueles que carregam toda a tralha de um rei nas costas -, instituí e distribuí essa primeira edição do Troféu Funcionário do Mês. Se quiserem, indiquem candidatos para a próxima entrega. Eles vão agradecer com sorrisos. E, quem sabe, vão parar de cuspir no café da manhã da chefia. 10) Rosalita (Lupe Ontiveros, Os Goonies) 9) Fran Fine (Fran Drescher, The Nanny) 8) Maria (Julie Andrews, A Noviça Rebelde) 7) Tropeço (Carel Struycken, A Família Addams) 6) Mary Poppins (Julie Andrews, Mary Poppins) 5) Agador Spartacus (Hank Azaria, A Gaiola das Loucas) 4) Rosário Salazar McFarland (Shelley Morrison, Will & Grace) 3) Patsy (Terry Gilliam, Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado) 2) Pagoda (Kumar Pallana, Os Excêntricos Tenembaums) 1) Toda a turma de Oompa Loompas (Muitos, muitos atores-anões, A Fantástica Fábrica de Chocolate)
Isso é que é equipe de empregados! VIP - Very Important Pet Eles carregam a responsabilidade de serem os melhores amigos do homem na vida real. E no cinema, também desempenham esse papel de companheiros inseparáveis, dando aulas de profissionalismo. Afinal, são atores competentes de carne e osso - e de bigodes, focinhos, quatro patas e pêlos longos. Não é de hoje que os bichos saíram dos quintais e foram transportados para a tela grande. Eles são escalados para servirem de coadjuvantes fiéis, mas não se pode negar que muitos deles interpretam personagens fundamentais ao roteiro, e alguns até roubam a cena de seus colegas humanos. Para provar isso, aí vai uma lista dos 10 bichos mais bacanas que a sétima arte já viu. Escuto latidos e ronrons? 10) Edwiges, de "Harry Potter" 9) Babe, de "Babe, o Porquinho Atrapalhado" 8) Ratinhos dálmatas, de "Os Excêntricos Tenenbaums" 7) Preciosa, de "O Silêncio dos Inocentes" 6) Hooch, de "Uma Dupla Quase Perfeita" 5) Docky, de "Quem Vai Ficar Com Mary?" 4) Milo, de "O Máscara" 3) Mr. Jinx, de "Entrando Numa Fria" 2) Gato, de "Bonequinha de Luxo" 1) Frank, de "Men In Black II" Esse deixou Will Smith no chinelo!
Com uma pequena ajuda de meus amigos Os primeiros acordes de "With a Little Help from My Friends", na versão de Joe Cocker, anunciavam um horário sagrado para mim na TV. Logo depois de "Glub Glub" (que eu também assistia, embora alguns possam dizer que já não tivesse idade para isso), na TV Cultura, era hora de "Anos Incríveis". Kevin Arnold (Fred Savage), uma espécie de Charlie Brown de carne e osso, encarava a doce-amarga fase da vida em que a gente vira adulto em plenos anos 60, com uma dose perfeita de realismo, drama e humor. E com uma trilha sonora de tirar o chapéu. Mais legal ainda foi ter pego as aventuras de Kevin na telinha e crescido mais ou menos ao mesmo tempo em que ele crescia -- na série e fora dela. O seriado começou a ser exibido pela Cultura, se não me engano, nos idos de 1994, quando eu contava sweet sixteens. Mas existem outras razões pelas quais "Anos Incríveis" guarda um lugar enorme no meu coraçãozinho… Uma namorada chamada Gwendolyne O amigo mais nerd do mundo O irmão babaca O relatório Lisa Berlini Becky Slater O último episódio ![]() Kevin, um Charlie Brown de carne e osso
Nas prateleiras do cinema Um dos meus maiores desejos é, um dia, abrir uma livraria. Não precisa ser grande, não precisa render muito dinheiro. Só de viver entre livros e mais livros - e se tiver, talvez, um cachorro sonolento para me fazer companhia durante o expediente - eu já ficaria feliz. Por isso me apego tanto aos filmes ambientados nesse ramo. Estar cercada por grandes obras da literatura parece não ser um prazer só meu, aliás. Como os roteiristas gostam de botar gente bacana atrás de balcões de livraria... Isso me faz querer com mais vontade ainda ter uma lojinha assim. Pô, eu quero ser bacana também. O primeiro filme com livreiros que assisti foi Nunca Te Vi, Sempre Te Amei. É uma filmagem baseada no livro de uma senhora chamada Helene Hanff - e é uma história de verdade! Ela morava na Inglaterra e escrevia sempre para uma livraria americana à caça de títulos difíceis de encontrar. Daí, de tanto trocar cartinhas, ela e o vendedor criam uma relação, assim... de apertar o meu coraçãozinho romântico! E a livraria do moço é um xuxu, claro. Mas, em termos de charme, o estabelecimento gerenciado pela querida Audrey Hepburn em Cinderela em Paris ganha. É um moquifo, na verdade. Todo marrom, escuro e lotado de caixas. A cena em que a equipe de uma revista vai fotografar dentro da tal loja e deixa a pobre Jo Stockton enlouquecida com a bagunça é deliciosa. Vejam, vejam! Claro que a livraria do Hugh Grant em Um Lugar Chamado Notting Hill fez crescer os meus olhinhos também. Não era lá a mais aconchegante do mundo, mas era dedicada a livros de viagem, que são quase que os meus favoritos. William, o dono, não fazia muito lucro com a "Travel Book Shop", mas quem liga? Eu queria ser sócia dele (e nem é pelo fato dele ser a cara do Hugh Grant). Mas é evidente que a minha preferida de todas é aquela que conjuga todos os quesitos de uma loja perfeita. Em Mensagem para Você, Kathleen Kelly era dona da "The Shop Around the Corner", uma livraria infantil. Tinha decoração alegre, tinha mesinhas coloridas para as crianças, tinha sacola de pano para embrulhar as compras, tinha estantes envidraçadas. E, acima de tudo, tinha horário marcado para a Contadora de Histórias! Quando eu tiver a minha loja, vocês vão ser sempre convidados para ir até lá ouvir os grandes clássicos da literatura infantil contados pela minha voz de gralha animada. Prometo usar chapéu de fada com tule na ponta, como a Srta. Kelly.
Se eu tivesse essa loja encantadora também a defenderia fazendo piquete! Fútil, euzinha? Ok. Sou jornalista, devoradora de livros e telespectadora do Discovery Channel. Uso óculos. Adoro filme de arte e/ou falado em outras línguas. Mas vou tirar essa máscara de intelectualóide um pouquinho e confessar que tenho outra faceta - e não faço a mínima questão de escondê-la. Acontece que também me pego tomando atitudes bem fúteis sim, e daí? Às vezes eu me preocupo com a moda. Às vezes eu troco a leitura por qualquer programinha do E! Entertainment Television. Às vezes tenho o dia salvo por uma pechincha que encontrei em alguma loja. Às vezes eu tento não me mexer muito durante o sono para não desmanchar o cabelo. Às vezes dou uma espiadela no visual quando passo por qualquer superfície espelhada. Às vezes prefiro assistir a um filme com o Vin Diesel no domingo, acompanhada por um imenso saco de pipoca. Às vezes eu gasto dinheiro com maquiagem. E tem mais, olha só: Desastres pré-encontro Combinando a todo custo Quando ninguém está olhando E... compras!
Qual é a sua graça? Você iria a um show da banda Rainha? E das Portas? E dos Bezouros (com "Z" mesmo, só para mater o paralelo e vocês já vão entender porquê)? Deus me livre, certo? Pois esses são os nomes de algumas das bandas mais populares do mundo, como você já deve ter percebido. E, se você respondeu "não" à pergunta acima, perderia as performances do Queen, do Doors e dos Beatles (um trocadilho com "beetles", que significa "besouro" -- ou fusca, dependendo do seu poder de associação). Notaram como bandas famosas têm nomes bobos? Podíamos seguir com Fluído Rosa, Roxo Profundo, Sabá Negro -- os moços do rock têm uma queda pelas cores, não? Claro que há exceções. Das bandas que ocupam o panteão dos clássicos do rock que chegaram ao grande público, o The Who (O Quem), por exemplo, me parece ter um bom nome. Em compensação, os subterrâneos do roquenrol guardam alguns dos grupos (ou "conjuntos", como dizia minha avó) com os nomes mais bacanas. Eu seria a primeira da fila para os shows do Eu Primeiro e os Me-Dá Me-Dás, dos Pregadores de Rua Maníacos, da Noite dos Três Cachorros, dos Kennedys Mortos e do Sem Graça Nenhuma. Mesmo não conhecendo mais de uma ou duas peças dos grupos, pouco me importaria o som. Esses me ganharam pela criatividade dos nomes. O quê? Acha que inventei essas graças agora? Então dá uma busca na net ou pergunte aos seus amigos pelo Me First and the Gimme Gimmes, Maniac Street Preachers, Three Dogs Night, Dead Kennedys e No Fun at All. Eles existem – ainda bem. Clara McFly às 07:09 PMMundo perfeito com serviço de quarto Para mim, ficar em hotéis é ter uma visão bastante clara de como a vida seria caso a realidade fosse 100% invertida. É por causa dessa vocação que eles têm para ser "um pedaço do céu na Terra" que, desde os seis anos, hotéis são meu sonho de consumo. Quando eu era pequena, meu pai viajava horrores a trabalho. Ele detestava, mas eu morria de inveja pensando em como era legal se hospedar por todo o país. Como consolação, o que eu pedia pro papai na volta das viagens era uma coisa só: tudo o que ele pudesse carregar dos hotéis onde ia, de sabonetinhos a toucas plásticas de banho. Isso passou um pouco com o tempo, mas não muito. Veja bem: eu tenho que arrumar minha cama todo santo dia, o que é um tremendo saco. No hotel, tem uma moça gentil que faz isso para todo mundo - e, vez por outra, ainda deixa um docinho no travesseiro! Em hotel, o chuveiro funciona com a força e a temperatura que eu escolher. Em casa, minha "ducha" oscila entre os estágios pingar-de-modo-bem-sem-graça e efetuar-rajadas-de-água-pelando. Café da manhã de hotel é caso a parte: nesses estabelecimentos dos deuses, um caminhão de delícias é reunido para o desjejum. E eu AMO principalmente as cestas de pães caprichosas e os sucos de frutas estranhas que eu nunca compro no mercado. Já em casa, eu acordo, me arrasto até a pia da cozinha e tomo um copo de leite com Toddy enquanto engulo uma fatia de pão de fôrma com manteiga. De pé. Enrolada no edredom. É algo deprimente de ser imaginar, eu sei... Nem queria entrar no mérito do lazer, mas vá lá. Sim, o meu prédio tem uma piscininha, uma sala de ginástica e uma mesa de pingue-pongue. Só que, em hotel, isso tudo é muito mais respeitável! Quando me hospedo nesses lugares, raramente uso qualquer coisa além da cama e da tv, é verdade. Mas é bom saber que, se eu quiser dar um mergulho-bomba ou exercitar as panturrilhas às 4h00 da madrugada, eu posso. E o serviço de quarto, então? Não é incrível ter o poder de passar a mão no telefone e receber comida, cobertores extras ou mais toalhas brancas em alguns minutos? E tem a cama, que sempre é grandona, onde eu posso dormir em formato de "X" se eu quiser! Bom, é claro que tudo isso se refere a hotéis de certa qualidade, onde as coisas funcionam conforme as regras do mundo perfeito. Eu já fiquei em muito pulgueiro mundo afora - e desses, claro, não tenho saudade. Mas os atendentes rudes, os quartos podres e as "instalações tipo Carandiru" também renderam recordações engraçadas. Ah, o mundo perfeito também precisa ter defeitos para ser divertido! Fla Wonka às 02:57 PMO misterioso "Xou da Xuxa" "Doce doce doce a vida é um doce vida é mel que escorre da boca feito um doce pedaço do céu". Quando começavam esses versinhos todos os dias pela manhã já dava para saber que o "Xou da Xuxa" tinha chegado - e os baixinhos (céus, não acredito que escrevi isso) podiam esperar por doses de diversão barata, gincanas toscas... e muitos mistérios. É sério: havia várias coisas no programa comandando pela rainha das apresentadoras infantis oxigenadas que eu jamais entendi. Claro que tenho de levar em consideração o fato de que eu tinha por volta de uma década de vida, e que todas as lembranças que me vêm à cabeça agora são fragmentos daquela época. Mas será que alguém poderia me explicar... ... o que tinha dentro do embrulho do presente? ... quem começou com "pro meu pai pra minha mãe e pra você"? ... o que diabos era o Praga? ... quem comia as sobras da bandeja do café-da-manhã? ...o que tinha dentro daquele disco voador? ![]() O maior mistério: como eu gostava disso?
Sete notas, maestro! Musicais são sempre tema de polêmica. Aparentemente, este gênero é "ame-o ou odeie-o". Gozado é que eu não tenho opinião nenhuma sobre o assunto. Sabe por quê? Porque musical é um gênero onde se enquadram tanto um dos melhores filmes que já vi -- "Cantando na Chuva" -- quanto um dos piores -- "Evita". De qualquer maneira, há cenas antológicas em filmes não exatamente classificados como musicais, que retratam o flerte entre a terceira e a sétima artes. Foi só somar esse conceito a uns pares de horas sem ter muito o que fazer ("Mente vazia é oficina do diabo") para chegar à mais uma famigerada lista: a das cenas de cantorias mais bacanas, em filmes não-musicais. Canta, elenco, canta! 10. I Won't Dance, por Mel Gibson em "Do que as Mulheres Gostam" 9. Free Falling, por Tom Cruise em "Jerry Maguire – A Grande Virada" 8. You've Lost That Loving Feeling, por boa parte dos aviadores em "Top Gun – Ases Indomáveis" 7. Let's Get it On, por Jack Black em "Alta Fidelidade" 6. Killing Me Softly, por Hugh Grant em "Um Grande Garoto" 5. Babysitting Blues, por Elizabeth Shue em "Uma Noite de Aventuras" 4. Tiny Dancer, por (quase) todo o elenco de "Quase Famosos" 3. Johnny B. Goode, por Michael J. Fox em "De Volta para o Futuro" 2. Ain't No Mountain High Enough, por Susan Sarandon, Liam Aiken e Jena Malone em "Lado a Lado" 1. I Say a Little Prayer, por (quase) todo o elenco de "O Casamento do Meu Melhor Amigo" Aos que acham que esqueci da memorável seqüência em que Ferris desfia "Twist and Shout", dos Beatles, em "Curtindo a Vida Adoidado", um aviso: essa é hors concours! ![]() Além de linda e engraçada, ela ainda canta... mas nem tanto!
Vovó Emília, vovó Ondina Diz a sabedoria popular que vó é “mãe com açúcar”. Bom, a minha mãe é o maior doce que existe no planeta (e cabe aqui dizer que, se eu não fosse filha dela, preferia ter nascido numa chocadeira). Então, dessa forma, vocês fazem idéia do quanto as minhas avós são açucaradas? Eu conto. Elas fizeram da minha infância uma diversão sem fim. Vovó Ondina, mãe da minha mãe, batia corda como ninguém, ensinou a jogar bilboquê – quem quiser explicações sobre o que é isso, manda e-mail –, e era uma mestra da preparação de pastéis. Não, não, veja bem: ela não COMPRAVA massa na feira... Ela FAZIA a massa, abria no cilindro, preparava o recheio e entupia todos os netos com esse quitute fantástico. Vovó Emília, mãe do meu pai, morava mais perto e não se envolvia muito nas brincadeiras. Na verdade, ela ficava é bem possessa quando a gente puxava folhinhas das plantas do jardim pra brincar de comidinha. Mas, em compensação: ela faz a canja mais deliciosa da galáxia, ela tem um relógio-cuco na cozinha que é meu objeto predileto em todo o mundo, ela tem uma risada contagiante, ela conta a história de terror que apavorou a minha meninice... Vó, aliás, é especialista nisso: contar histórias. As minhas eram mais que especialistas, eram PhD em “historiologia para crianças”. A preferida da vovó Ondina era sobre um homem que foi preso depois de ter ficado louco. Daí, no cárcere, ele encontrou uma réstia de alho. Daí o cara, bem malucão, passou a comer os dentes de alho assim, como se fosse batata chips. E daí ele ficou curado da doideira! Eu também adorava esse conto, apesar de não fazer o menor sentido – e apesar de eu saber hoje que, droga, o máximo que uma pessoa ganharia comendo tanto alho seria um bafo eterno... A história mais famosa da vovó Emília era bem mais apavorante. Tratava-se da saga da Laurona, uma mulher que morava na mesma vila que minha vó quando ela era pequena. Laurona era meio mulher-macho, andava toda desmilingüida e carregava uma garrucha consigo. A tal, ainda por cima, bebia várias a mais e rodava pela área aos berros, em plena noite. Vovó tinha pânico dela. E eu, depois de ouvir tantas sobre a Laurona, também. Já faz um ano que a vovó Ondina decidiu ir viver lá no mundo das pessoas especiais, e eu morro de saudade dela absolutamente todos os dias. A vó Emília, aos quase 84 aninhos, continua adorável como sempre – apesar de ter dado um baita susto em todos nós há três semanas. Tenho uma tática perfeita para me livrar dos momentos de tristeza: ligar para a vovó e bater um papo de dez minutos. Ela fica feliz com a minha lembrança e eu com a felicidade dela. A propósito: você não quer ligar pra sua vó hoje? Garanto que vai ela vai dar uma bela açucarada no seu dia. Multidão que diz Ni Todo mundo conectado na Internet deve ter ouvido alguma coisa sobre a tal "flash mob", ou multidão-relâmpago. Uns malucos marcam encontros por e-mail e combinam previamente uma performance que deverá ser cumprida por quem topar aparecer, só pelo prazer da diversão instantânea e anônima. Faz sentido? Não. E é por isso mesmo que a gente adorou a idéia! O fenômeno teve início em Nova York, e a cidade norte-americana é o lugar onde as aparições públicas são mais engraçadas. Da última vez foram reunidas 300 pessoas em uma loja de brinquedos famosa pelo dinossauro gigante que ruge (dinossauro ruge?). O combinado era ficar parado debaixo do T-Rex e, quando ele soltasse seu grito de guerra, todos deveriam acompanhá-lo. Depois, os integrantes do movimento batem em retirada, como se nada tivesse acontecido. A "flash mob" chegou a São Paulo nessa semana, e a ordem era a seguinte (copio aqui o e-mail enviado pelo organizador do evento): "Quarta-feira 13/8, às 12h40. Todos estão convocados a comparecer, nesta quarta, ao semáforo da Avenida Paulista com a Augusta (tanto faz se do lado do Banco Safra ou do Conjunto Nacional). Tão logo o relógio do canteiro central marcar 12h40, e assim que o farol ficar verde, acontecerá a primeira flash mob no Brasil: todos atravessarão a avenida e, no meio dela, deverão retirar o calçado do pé direito, bater o solado (como se quisesse tirar areia de dentro), recolocar e terminar de atravessar. Maiores informações em nomestranho@hotmail.com." Então. O negócio é que este site marcou bobeira e não participou da festa. Tá, ficamos com vergonha de sermos os três únicos seres tirando os sapatinhos. Mas superamos isso - e fica aqui o apelo para nos convidarem do próxima vez. E como somos intrometidas, deixamos meia dúzia de sugestões para uma multidão-relâmpago à lá Garotas. Quem topar, bota o dedo aqui que já vai fechar... 1) Soltar pirocópteros de cima de um prédio pré-determinado e dar tchauzinho para eles; 2) Atravessar a rua (Paulista?) e, no meio, colocar óculos escuros e falar "oh, yeah", como a música-tema de "Curtindo a Vida Adoidado"; 3) Ir até o orelhão gigante de Itu e gritar a) "Não dia alô, diga alô Chrystinna" ou b) "ET, telefone, minha casa"; 4) Encontrar-se no laguinho do Parque do Ibirapuera, sentar na margem e abir, cada participante, um pacote de Ebicen de camarão ao mesmo tempo; 5) Ir até a porta da casa do Silvio Santos e falar em coro "A pipa do vovô não sobe mais"; 6) Atravessar a rua (Paulista, de novo?) imitando galopes de cavalos inexistentes. O grito de guerra? "Ni!", lógico... É esperar outro maluco sem nome marcar dia e hora - mas essas três garotas não garantem comparecimento. Olha a vergonha chegando de novo! Vivi Griswold às 10:08 AM
Tudo sobre o nada Sabe o que é bacana em ser uma garota que diz Ni – além de ter um site todo cor-de-rosa, escrever com liberdade, ter leitores para lá de fofos e bem-humorados e acalentar um projeto com duas amigas do peito? O mais legal é que as meninas e eu concordamos em um milhão de coisas – e discordamos veementemente num punhado de outras. Ainda assim, temos humor suficiente para não esquentar a moringa com isso. "Seinfeld" é um dos temas controversos. Vivi não vê graça alguma ; Flá e eu amamos de paixão. Eu já começo a rir quando aqueles acordezinhos porcos de teclado imitando baixo começam a tocar. O riso vira gargalhada a cada entrada do Kramer no apartamento do Jerry, ou quando George Costanza ("lord of the idiots", numa auto-definição) vai à sala do senhor Steinbrenner. E a Elaine, com aqueles ataques de "get out of here!", empurrando os meninos longe? Ok, esse só tem graça quando você vê… Ainda tem as inserções de stand up comedy – aquelas apresentações em palquinhos onde o comediante só conta com um microfone para fazer um público (aparentemente altamente fumante, devido a quantidade de fumaça das cenas) rir. Eles são um grupo da pior espécie de pessoas, que não se preocupam com absolutamente nada além do próprio umbigo. Ainda assim, sinto uma estranha identificação com o quarteto e acho graça naquele niilismo sem fim. Diz a lenda que o personagem do George foi inspirado no Larry David, produtor da série, que agora estrela uma sitcom chamada "Segura a Onda" (exibida pela HBO). E que o Kramer foi inspirado por um tal de Kenny, que trabalhava num escritório de frente para a sala de David. E não é que meu amigo Daniel achou uma foto dos verdadeiros George e Kramer, ao lado de Jerry (que já faz o papel assumidamente dele mesmo)? Melhor que isso, só ouvir a um hilário remix intitulado "Seintology", que reúne algumas das melhores frases da sitcom. Se você é fã de "Seinfeld", tem o Kazaa (para os PCs) ou o LimeWire (para os Macs), tá fazendo o que ainda aí? Vá baixar! E me encontre mais tarde no Tom's Diner… ![]() Larry, Kenny e Jerry – ou George, Cosmo e... Jerry
Musiquinha pra ficar tristinha Fico pensando: quantas crianças será que a Xuxa e a Simony mandaram para o psiquiatra por conta de depressão profunda? Devem ter sido várias. Eu fui séria candidata, porque quase desidratei de chorar a cada vez que ouvi tocar “Ursinho Pimpão” e “Meu Cãozinho Xuxo”... Lembram? Eu ajudo, mas vocês têm que prometer não inundar o teclado com lágrimas nem ligar pra mamãe em prantos, ok? “Meu cãozinho Xuxo, “Vem meu ursinho querido Qual a utilidade pedagógica de criar músicas funestas assim, me expliquem! A primeira tem a pachorra de falar sobre um cachorro moribundo (parece que o tal do Xuxo empacotou mesmo em 1995, uns anos depois da tal canção ser gravada). A segunda não é de temática tão triste mas... droga, eu era muito apegada em brinquedos, e imaginar o pobre do urso sendo arremessado no chão me deixava acabada. Claro que tudo isso era feito de caso ultrapensado. Ambas eram, se não me engano, a última faixa do Lado B dos discos onde foram gravadas. Quer dizer: a tonta criancinha pulava e cantava animada todas as músicas do LP. No final, escutava a canção-tragédia de fechamento, a felicidade virava pó e mamãe era obrigada a voltar o disco no começo, para acabar com o berreiro. Bom, pelo menos era o que acontecia comigo. Na verdade, depois que percebi o quanto “Ursinho Pimpão” e “Meu Cãozinho Xuxo” me deixavam na fossa, eu corria até a vitrola para segurar a agulha antes mesmo das duas se aproximarem. Não queria ouvir nem os primeiros acordes! E isso teve reflexo para toda a vida. Penso que nunca mais vou querer ter um cachorro, por puro medo dele morrer de doença grave e eu enlouquecer de tristeza. E tenho um bode imenso de urso de pelúcia. Vai que ele resolve revidar os maus tratos... Bom dia, querida Lygia Certa vez, ao ligar o meu computador na redação da agência de notícias, encontrei uma mensagem que há muito esperava. Era de uma assessora de imprensa da editora Rocco - meu contato para conseguir a tão sonhada entrevista com Lygia Fagundes Telles. Mais do que uma matéria como outra qualquer, aquilo tratava-se da realização de um sonho antigo: Lygia sempre teve um lugar reservado no meu coraçãozinho. A autora não se sentia bem para conversar comigo ao vivo (dizia ela que estava cansadinha...) e eu também estava transbordando de trabalho. Então concordei, a contragosto de primeira, em mandar algumas perguntas por e-mail. Fiquei sem a conversa intimista que queria - tinha imaginado uma tarde regada a chá, biscoitinhos amanteigados e um papo animado sobre gatos. Mas quando abri a mensagem e li um doce "Bom dia, querida" digitado pelos mesmos dedos que fizeram obras tão maravilhosas, a frustração foi embora. Ela tinha escrito um punhado de linhas só para mim. Tudo começou quando eu tinha uns 13 anos e estava de bobeira na casa da minha avó. Na sala há uma estante gigantesca de livros, herança deixada pela tia professora (e traça de biblioteca, como se diz) quando se mudou para outro país. Era dela o livrinho cheirando a mofo que peguei naquela tarde. Comecei a ler como quem não quer nada, e depois de algumas horas consegui chegar ao fim, sem descanso. Era "Ciranda de Pedra", o primeiro romance de Lygia - e a paixão foi imediata. A sensação que tive - e que viria a se repetir a cada obra da autora que eu garimpava - era de que a narrativa era tão palpável e tão gostosa que dava vontade de comer cada palavrinha de colher, como se fosse um pudim de leite condensado ou uma delícia parecida. Reli "Ciranda" algumas vezes, e consigo recitar trechos inteiros - Virgínia, para mim, é alguém de carne e osso e muito familiar. Depois conheci "As Meninas" e "As Horas Nuas", também romances, e os contos de "Antes do Baile Verde" (esse título não é o máximo?) e o que eu suspeitava virou verdade: poucas vezes li personagens femininas tão complexas e maravilhosas. De vez em quando costumo pegar um de seus livros para ler trechinhos aleatórios e, quem sabe, ficar contaminada de alguma forma pela qualidade daquela escrita. Ah, o encontro acabou acontecendo, pouco depois da entrevista. Foi na Bienal do Livro de São Paulo, no ano passado. Fugi da cobertura do prêmio Jabuti (onde vi a Ruth Rocha, outra paixão) para enfim conhecer Lygia pessoalmente. Não pude falar com ela, que estava de convidada em um seminário, mas fiquei olhando sem piscar para a figura frágil e encantadora de uma das minhas ídolas. E fiquei feliz. Boa notícia! Nosso arquivo de textos, que estava no limbo desde 1 de julho por conta daquele probleminha com o servidor, está finalmente de volta. Agora você pode encontrar todos os artigos do Garotas, de abril até hoje. Faltam ainda alguns acertos nas páginas, mas o importante é que nossos bebês voltaram para casa! Então não repare na bagunça, hein, visita?
Comigo não, violão! "Nunca diga dessa água não beberei", é o que diz o ditado popular. Bem, eu não acredito em todos os ditados populares. Só em alguns. Mas isso não importa… De qualquer maneira, há uma série de frases que, garanto, você nunca vai ouvir da minha boca. Quer saber quais são? Olha só a lista aí debaixo. E mande para mim as que nunca sairão da SUA boca, caro leitor. Assim poderemos monitorar uns aos outros no cumprimento dessas importantes promessas. Ok, não poderemos, e elas nem são tão importantes, mas quem sabe não rimos um pouco, hã? Ôba, lá vem frente fria! Me vê dois churros de catupiry? Mas moço, eu PRECISO desses últimos ingressos para o show da Daniela Mercury! Ô, seo guarda, pega esse "cafezinho" e quebra essa, vá? Deixa que eu lavo as verduras para a salada. O mundo, animal! Fazer visitas ao zoológico é mais, muito mais, do que um simples passeio de fim de semana. É uma aula de comédia, de biologia-bizarra, de como os adultos nem sempre são capazes de contribuir para o crescimento dos infantes. Faço visitas regulares ao zôo porque adoro bichinhos. É verdade, ali não é o melhor lugar do mundo para ver animais felizes. A maioria costuma estar meio imunda e fedida e fazendo cara de “você pode abrir essa jaula e me deixar cair fora daqui, por favor?” De qualquer jeito, é muito divertido ver como as demais pessoas encaram o passeio. É um festival engraçadíssimo de afirmações soltas no vento. Certa vez, eu estava ali, de braços apoiados na grade, admirando os flamingos (essas gozadas aves com jeito de coisa de comer). Foi quando uma senhora se aproximou puxando o filho pelo ombro e disse: “Olha, Ródnei, o cisnei rosa!” Não escrevi errado, ela chamou o flamingo de “cisnei” mesmo. Mas “do rosa”, veja bem... Mordi as bochechas e corri dali, gargalhando por dentro. Muito! Outra que presenciei e não esqueço mais é o estranho caso da tartaruga peluda. Estava parada na frente do cercado onde as cascudas vivem com seus amigos jacarés. Outra dessas mães muito divertidas veio com sua filha no colo e estacionou do meu lado. Então uma pobre tartaruguinha levantou da água cor-de-lodo com uns gravetos presos no casco. E ela: “Filha, dá tchau pra tartaruga peluda!”. Será que algum biólogo rodou no túmulo depois dessa? Mais uma para provar que não invento essas coisas – eu queria ser tão criativa, poxa, mas não rola. O episódio aconteceu no tanque da ariranha. Bicho bonitinho, eu adoro. Quando ela nada de um lado para outro em sua piscina, a água produz bolhas de ar no pêlo, sabe? Pois é. Daí, em meio a essa cena tão fofa, ouço um rapaz dizer pro que imagino ser seu irmão mais novo: “Ela respira pelo pêlo, sabia?” Assim mesmo, com esse tom professoral e tudo! A direção do zoológico não devia contratar esse pessoal para apresentações regulares de comédia? Ah, devia! Superfantástico amigo... ...que bom estar contigo! O que seria da gente sem os amigos do peito? Até as pessoas de mentirinha, aquelas que só vivem na sétima arte, precisam de alguém para dividir os momentos difíceis - ou para fazer coro de risada nas horas mais divertidas. Tem amigos do cinema que são tão bacanas e legais e engraçados que conseguem roubar a cena do mocinho ou da mocinha. Além de companheiros, eles são coadjuvantes que brilham. E como! Para provar a tese, reuni os 10 melhores amigos de filmes, na minha modesta opinião. Se eu me esqueci de alguém importante, escreva para puxar a minha orelha. Mas pega leve, porque não estou conseguindo pensar direito com toda essa dor de garganta... Cof cof. Vamos lá? 10) Chewbacca, de "Guerra nas Estrelas" 9) Watts, de "Alguém Muito Especial" 8) Kate Corvatch, de "Só Você" 7) Phillipe Gaston, de "O Feitiço de Áquila" 6) Sloth, de "Os Goonies" 5) Billy, de "Quero Ser Grande" 4) George Downes, de "O Casamento do Meu Melhor Amigo" 3) Chris Chambers, de "Conta Comigo" 2) Doutor Emmett Brown, de "De Volta Para o Futuro" 1) Cameron, de "Curtindo a Vida Adoidado"
É só me dar a letra Um italianinho bom de drible e com final trágico; uma garota fininha aterrorizada pela filha do dono da livraria; uma mocinha que aprende a não subestimar nem superestimar a medida da dor; uma menina que fechava os olhos e esperava encontrar tudo diferente ao abri-los e um homem atormentado por um corvo (que não o Jubileu, do Pica-Pau). Pronto. Esse extenso e aparentemente desconexo parágrafo apresenta os personagens de cinco dos meus contos favoritos. E olha que eu leio, viu? Minha mãe, a fada, me alfabetizou em casa mesmo, antes que eu juntasse anos suficientes para me matricular numa escolinha. A pobre se encheu de me ouvir perguntar: "o que tá escrito ali? E ali? E acolá? E nesse livro grande, de 500 páginas, com capa de couro e essa inscrição dourada gozada na frente?" Acho que foi aí a gota d'água para que ela corresse a comprar uma Caminho Suave (sim, no meu tempo elas existiam!) e me ensinasse a decifrar esses misteriosos tracinhos sozinha. De rótulo de xampu (já viram que todos têm lauril éter sulfato?) ao grande-livro-grande-com-capa-de-couro-e-inscrição-em-dourado, passando por folhetos da TFP que aqueles homens esquisitos com paninhos pendurados me entregam na rua (tenho um pouco de medo deles), costumo ler tudo que me cai à mão. Eventualmente, cai um romance ou qualquer obra mais aproveitável. Ou até livros de português. Daí juntei essa seleção dos contos. O quê? Não conhece nenhum? Pera lá que a gente já resolve isso… Sopa (deliciosa) de letrinhas Gaetaninho, de Alcântara Machado Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector Para Maria da Graça, de Paulo Mendes Campos Menina, de Ivan ngelo O Corvo, Edgar Allan Poe na tradução de Fernando Pessoa Medo, medo, medo, medo! Tudo, no cinema, fica potencializado. O beiço da Angelina Jolie, a competência do Al Pacino, a cara de mandioca do Tom Cruise... todas essas coisas ganham uma turbinada quando vistas na telona localizada na sala escura. Por isso que ver filme de terror no cinema me dá taquicardia. Sabendo que existem milhares de pessoas como eu, aquela gente da produção usa e abusa das táticas de guerrilha: closes, sustos, portas rangedoras, brinquedos inocentes que viram máquinas de matar. E a música, então? Meus joelhos batem só de pensar em “Psicose”. Alguns deles garantem requintes de crueldade – pelo menos pra mim. A pergunta do amado leitor deve ser: “Então, Flá, querida anta, por que você continua assistindo essas coisas que depois passarão dias perturbando seus sonhos doces?”. Acontece que eu adoro passar medo. Tenho até uma blusa especial para levar em filmes de terror/suspense! Assim que o clima começa a arrepiar na tela, eu apanho a pretinha de gola rolê e acomodo na metade de baixo do rosto, cobrindo queixo, boca e nariz. E quando o bicho pega de vez, daí é só suspender a tal até cobrir os olhos. Bom, em alguns casos preciso cobrir a cabeça toda e ainda gritar um pouco. Daí é terror do bom mesmo! Alguns filmes me fizeram esgarçar a pobre blusinha. Conto abaixo quais são sabendo que vocês vão compreender. E, para o caso de não ficar claro, terror e suspense são farinha do mesmo saco para essa garota aqui. Ninguém precisa mostrar córregos de sangue para me assustar... As quatro cenas que me fazem semi-desmaiar 4) O giro de cabeça de “O Exorcista” 3) As crianças no armário em “Os Outros” 2) A barraca de “O Sexto Sentido” 1) Qualquer uma de “O Iluminado” Com a palavra... tio Daniel! Extra! Extra! Na semana passada publiquei o artigo "De volta para a vitrolinha", a segunda parte de minhas (e nossas) memórias musicais da infância. No final, dividi com você a inquietação de não conseguir lembrar-me de uma das minhas canções favoritas, "Algodão Doce", do Daniel Azulay - aquele desenhista e apresentador de um programa maravilhoso que ensinava a criançada a rabiscar e criar, tudo embalado por um bom-humor que era só dele. Como sempre, muitos leitores nos mandaram e-mails sobre o texto e, apesar de terem ficado solidários à minha procura, não conseguiram ajudar por falta de recursos. Era o que eu temia: a letra simplesmente caiu no buraco negro da Internet e não está disponível, por mais que a gente lamente. Um deles carinhosamente me mandou os versinhos de cabeça, porém demonstrou incerteza quanto ao nível de exatidão da mesma (faz quase duas décadas, né?). O querido leitor conseguiu despertar a melodia do refrão, que é mais ou menos assim: “Corre, corre, corre curriola, O Garotas passou a encarar o assunto como questão de honra e, em um esforço de reportagem jamais visto neste site rosa, tentou por outros meios resgatar um pouquinho dessa memória irresponsavelmente perdida. Foi aí que resolvemos mandar uma mensagem para o próprio Daniel Azulay. E... ele respondeu! Copio a seguir as palavrinhas escritas pelo ídolo de nossos tenros aninhos, porque achamos importante mostrar que aquele simpático desenhista de óculos, suspensório e gravata-borboleta continua na ativa e botando em prática o que sabe fazer de melhor: despertar a criatividade nos pequeninos, passando longe da apelação vigente nos programas infantis de hoje. Com a palavra, o criador de Chicória & cia! "Oi, Vivi Aqui é o Daniel Azulay. Fiquei muito contente de saber que o programa de TV, a Turma do Lambe-Lambe, meus desenhos e canções fazem parte de sua infância, assim como de uma geração inteira que está na sua faixa de idade. Obrigado pelas palavras de carinho... A música do 'Algodão Doce' vou te enviar em outro e-mail, aguarde. Hoje estou a mil por hora com projetos ligados à Oficina de Desenho Daniel Azulay com unidades franqueadas em outros estados como Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo. Paralelamente estou lançando um Projeto chamado "Crescer com Arte" dirigido às crianças em situação de risco social que recebem gratuitamente o aprendizado de um ano em arte-educação com meu método de desenho e todo o material necessário. Acesse os sites danielazulay.com.br e projetodanielazulay.com.br para lembrar curiosidades de sua infância e conhecer dados atuais. Não sei se você sabe, mas a música 'Algodão Doce' foi lembrada no Carnaval do ano passado no samba-enredo da Unidos do Jacarezinho, no Rio, homenageando meu nome com a Turma do Lambe-Lambe pelos 25 anos de trabalho dedicados às crianças. Participaram mais de duas mil pessoas no desfile com personagens, carros alegóricos, etc. Acessei o site Garotas que Dizem Ni e achei o maior barato. Algodão Doce pra vocês... Daniel Azulay" ![]() Emocionante, não?
Não podia dar certo… mas deu Eu seria capaz de desfiar uma extensa lista de idéias ruins tidas não só pela Humanidade no geral, como também por minha pequena pessoa. Entre as piores idéias da Humanidade, figuram a invenção do picles e do catupiry, os sabonetes líquidos de banheiro público e a colocação de tão poucos botes salva-vidas no Titanic -- alguém não mais brilhante que o inventor do picles havia cantado a idéia de que o tal navio era insubmergível. Entre as minhas, estão a opção pela faculdade de Jornalismo ao invés de Letras, os planejamentos de fazer viagens bate-e-volta para a praia e a mania de desligar o despertador no primeiro toque -- o que causa constantes atrasos em meus compromissos matutinos. Mas algumas idéias realmente ruins podem acabar sendo produtivas, especialmente no mundo musical. Duvida? Então olha só. Você faria uma música para… … um traficante? … a mulher do seu melhor amigo? … o professor para quem você estava "disponível" aos 11 anos de idade? … o contato das partes íntimas do corpo com um banquinho de bicicleta? … um tórrido caso que você teve com o filho do pastor? Essa sou eu, perdoa? Clara confessou aqui, em pleno Garotas, que odeia catupiry. E quando eu pensei que iam chover insultos, ela recebeu vários e-mails de apoio! Como percebi, então, que os amados leitores são muito compreensivos, também preciso confessar coisas engasgadas. Tolerância é só o que eu peço. Nunca furei as orelhas em toda a vida Acho “Blade Runner” chato à beça Adoro ir no cinema e fazer comentários com a pessoa ao lado Não faço questão de comer sobremesa Leio resumos de novelas e seriados que não acompanho Eu falo sozinha Penso que Tribalistas é incrivelmente aborrecido Trilha sonora para horas impróprias Música ao vivo em praças de alimentação de shopping é como o picles dos sanduíches do McDonald's: a gente até que engole sem reclamar muito, mas não faria falta alguma se fosse banida do cardápio para todo o sempre. Costumo sentir um misto de compaixão e vergonha por aqueles trabalhadores que tentam ganhar um dinheirinho digno cantando para pessoas que estão mais interessadas em colheradas de comida e raramente encontram tempo ou disposição para dar conta da apresentação musical. Nessa situação embaraçosa, os dois lados são vítimas. A culpa é do ser que teve a brilhante idéia de que é preciso ter trilha sonora para almoçar ou jantar qualquer gororoba daquelas praças de alimentação safadas. Mas não bastava ligar o rádio ou colocar uma fita k-7 de música incidental. Tinha que contratar um pobre aspirante a artista para pagar mico na frente de todo mundo. O espectador, por sua vez, é obrigado a pegar fila nos fast-foods, procurar um lugar com a bandeja na mão, acomodar as sacolas, comer e conversar amenidades com o acompanhante, tudo ao som de um repertório dos infernos que vai de Djavan a Iron Maiden, passando por Santana e Roupa Nova. E sempre tem uma do Raul Seixas. E aquela do Oswaldo Montenegro ("eu amava/como amava/algum cantor"). Realmente, não há estômago forte que consiga digerir a mistura, vá... Para piorar uma situação que por si só já é ruim, alguns cantores resolvem "agitar" (quem sabe não tem um empresário de gravadora no meio da multidão, né?). Eles conversam, apresentam cada música, agradecem a cada intervalo - como se estivessem num Rock In Rio da vida. Não estão: não tem banda, nem platéia gritando, nem isqueiro aceso sendo balançado ao ritmo da melodia. Sempre saio do recinto com peninha, porque a realidade pode ser cruel para cantores de praça de alimentação. E, na maioria das vezes, saio também com alguma música do Jota Quest grudada na cabeça como chiclete, que provavelmente irá me perseguir pelo resto da semana. É o preço a ser pago por ambas as partes. Vivi Griswold às 11:01 AM
Rooney, Moisés e um certo robô líquido Por acaso você vai à farmácia e pergunta ao balconista onde ficam as lâminas de barbear? Ou os absorventes femininos? Ou as hastes de algodão? E na copiadora, pede uma fotocópia de um documento? Ou, na cozinha, usa amido de milho para fazer um creme? Se sim, parabéns: você está na ínfima porcentagem de pessoas que não usam gilete, modess, cotonete, xerox e maisena. Muitos produtos acabam ganhando o nome da marca mais famosa que os produz e pronto!: xerox é sinônimo de fotocópia, maisena de amido e por aí vai. Isso é mais que sabido. Mas alguém já percebeu como esse fenômeno de repete com alguns atores e atrizes? O pior é que alguns deles são bons, mas acabam marcados pelo personagem mais popular que encarnaram na máquina-de-fazer-doido ou na tela gigante do cinema. Comigo acontece direto: basta surgir em algum filme ou programa aleatório a imagem de Robert Patrick que meu cérebro o identifica como o T-1000. É instantâneo e irreversível. O cara É o robô líquido de "Exterminador 2" e pronto. Outros, de carreira mais prolífica, acabam rotulados por razões pessoais -- nesse caso, ter assistido a um filme em tenra idade, o que faz você registrar definitivamente a imagem da pessoa associada ao personagem. Foi por causa de uma exibição de "Os Dez Mandamentos" que vi há eras na TV que Charlton Heston, para mim, é Moisés. Eu sei que o homem já está velhinho e aparentemente meio gagá (nada mais explica as declarações que ele deu a Michael Moore no ótimo "Tiros em Columbine"), mas ao vê-lo, continuo enxergando o patriarca bíblico. Aliás, um parêntese: se ele ainda não está meio pinel, então só sobra outra explicação -- Moisés é racista, o que derruba um dos mitos de minha infância. E por falar em mitos que caem por terra, quem diria que Rooney, o diretor do clássico "Curtindo a Vida Adoidado", é pedófilo? Foi outro baque no meu mundinho quando o ator Jeffrey Jones (para mim, O Rooney) foi preso por acusações de pedofilia! Mal sabia ela, mas Jeanie estava certa ao chutar o diretor que invadira sua casa. A tela caseira é mais pródiga ainda de exemplos: quase todos os atores de seriados acabam virando sinônimos de seus personagens. Ou vai dizer que você assistiu a "Perdidos no Espaço" e não viu o Joey ali, no comando da nave? Ou a "Máfia no Divã" e não notou que Ben Sobel (Billy Crystal) estava, na verdade, se casando com a Phoebe? Clara McFly às 07:29 PMA rainha das minhas tardes Mary Clarissa Agatha Miller. Foi com esse nome pomposo e adorável que nasceu Tia Agatha Christie, a mulher que dominou boa parte da minha adolescência com assassinatos, roubos, intrigas e até algum sangue. Quem disser que eu sou bobinha vai sentir o poder do cianureto ou o corte do meu punhal, hein? Toda minha relação com a Rainha do Mistério começou por meio do famoso Círculo do Livro. A mãe de vocês também entrou para essa máfia literária? A minha sim, e por muitos anos, felizmente. Não lembro bem como funcionava o sistema, mas sei que podíamos escolher muitos livros por mês – e sempre que faltava inspiração, lá íamos eu e mamãe apostar na Agatha. Tem sempre alguém que torce o nariz quando digo que já li cerca de 30 livros dessa saudosa senhora. Fazem aquela cara de “hum, você come maria-mole pensando que é tiramisu”. Sabe o que mais? Eu comecei a gostar de ler com a coleção Vaga-Lume, me lancei na área da Agatha Christie com prazer e nem por isso caí nas garras do Paulo Coelho. E não critico quem caiu também. Acontece que as obras de Agatha são puro deleite. Onde mais eu poderia ter aprendido palavras como rododendros (é uma flor), sebe (sinônimo de cerca-viva), charneca (o mesmo que pântano) e gazebo (aqueles refúgios de jardim)? E onde mais essas coisas meigas seriam parte de homicídios sanguinários desvendados por velhinhas sacanas como Miss Marple e detetives arrogantes como Hercule Poirot?? Para devorar um livro de Agatha Christie eu não precisava de mais que três dias. Daí a mania de carregar um exemplar sempre que ia passar um fim de semana fora de casa. Uma rede, um copo de leite, duas bolachas e uma obra da doce Agatha... As tardes eram felizes assim. Posso aproveitar o ensejo e contar meus preferidos – assim vocês contam os seus depois e formamos uma graaaande família de adoradores de Ms. Christie? “A Casa Torta”, “Cem Gramas de Centeio”, “O Cavalo Amarelo” e, mais que todos, “A Casa do Penhasco”. Desafio qualquer mortal a descobrir o assassino nesse último. A mulher era um gênio do mal, só digo isso. Mas o espírito maligno da senhorinha inglesa só se manifestava na literatura mesmo. Agatha casou com um coronel (Archibald Christie, daí o novo sobrenome) aos 24 anos e teve uma filha. Ela começou a escrever quando arrumou emprego numa farmácia – e, com muito tempo vago e a inspiração dos venenos da prateleira, passou a criar os casos letais de ficção. Agatha se divorciou do primeiro marido (e desapareceu por duas semanas depois disso, já mostrando que era meio piradinha) e casou novamente com um arqueólogo. Foi aí que ela cunhou a fantástica frase “é ótimo estar casada com um homem dessa profissão, porque quanto mais velha eu fico, mais ele se interessa por mim”. É uma tia muito da divertida ou o quê? Ah... Eu, minha mãe, Hercule Poirot e Miss Marple achamos... ![]() Agatha, a grande criadora de rododendros e charnecas Férias na praia da vovó Não precisa ser um gênio da observação para notar que euzinha não gosto muito de mar. Basta ver a cor em que me encotro (e sempre me encontrei). Devo ser uma das poucas pessoas nesse país de tradições praianas que jamais topariam descer a serra num feriado prolongado, ou ficariam meladas de protetor solar fator 95 com areia grudada aqui e acolá. Simplesmente não tenho vocação de virar bife à milanesa em público só para pegar uma corzinha - no meu caso, lê-se "só para virar um pimentão". Desde sempre preferi campo, montanhas, pé na terra, cheiro de mato. E frio, muito frio. Mas de vez em quando, principalmente nas férias escolares, acabava pegando o ônibus para São Vicente, cidade do litoral paulista, porque minha avó paterna morava lá (e eu achava o máximo alguém que morava na praia, que para mim nunca foi lugar para estabelecer residência fixa). Devo confessar que era divertido. Ou, no mínimo, pitoresco. Para começar, já ficava louca que o ouvido tampava quando estávamos descendo a famigerada Serra do Mar. Começava a gritar "tampou, vó!", toda feliz. Criança se diverte com muito pouco, né? Analisando a situação agora, acho que o bacana era o sabor de aventura. E, quando menininha, até um passeio no quintal de casa tinha sabor de aventura. Eram alguns dias vivendo como se fosse o núcleo suburbano da novela das 8. Almoçava e jantava sanduíche de mortadela e suco de caixinha (coca-cola não entrava da casa da minha avó), assistia televisão com Bombril na antena (tentando reconhecer o Tarcísio Meira e o Cid Moreira no meio daquele monte de fantasmas) e ficava brincando com os gibis de palavras-cruzadas da Coquetel. Principalmente porque chovia muito quando eu estava lá. Então tinha que me distrair de outro jeito, com passatempos caseiros. Como estávamos sempre em duas pessoas, e uma delas era uma senhora que não iria compreender muito bem as regras, não dava para jogar Stop ou Imagem e Ação ou Detetive. Sobrava a tentativa de distração com um baralho gasto (faltando o Às de Paus) ou com o Almanacão de Férias da Turma da Mônica - abençoado seja - que eu lia e relia quantas vezes fossem necessárias. Quando o dia amanhecia seco, seguíamos para a praia. A praia em questão era uma poça d'água salgada e sem movimento qualquer de ondas ou maré. Ou de gente - por motivos óbvios. Minha avó tinha medo de me levar para o "point da galera" porque lá tinha correnteza. Ah, tá. Realmente nessa nossa praia a última coisa a ser encontrada era correnteza, se nem marolinha tinha... Não dava nem para "pegar jacaré" ou fazer de conta que estava me afogando. Eu ficava lá, com cara de tédio, contando quantos pedaços de plástico passavam flutuando por mim. Depois do sol ficar forte (lá pelas 10h da manhã, já mencionei que minha mãe é dermatologista?), voltávamos para o prédio. Antes de subir no elevador, tinha que lavar os pés sujos de areia na torneira da garagem. A água era muito gelada e eu entrava no elevador morrendo de frio. E subia os andares torcendo para que a TV tivesse acordado de bom-humor também. Pensando melhor, que saudades do cafofo e da prainha da vovó. Vivi Griswold às 09:06 AM
Sobe em minha moto "Porque a justiça é cega. Mas enxerga no escuro". Se essa frase acende uma mínima luzinha na sua cabeça, então é porque você, como eu, não perdia um episódio deste primor televisivo que era "Justiça Cega". Na abertura, o juiz Nicholas Marshall contava como comeu o pão que o diabo amassou por conta das vinganças empreendidas pelos marginais que mandava para a cadeia. Era algo do tipo: "Primeiro, eles incendiaram minha casa. Mas eu acreditava no sistema. Depois, explodiram meu carro. Mas eu acreditava no sistema. Então, mataram minha mulher e minha filha. E eu acreditava na sistema. Quando tiraram Chaves do ar, eu parei de acreditar no sistema e comecei a acreditar na justiça". Brincadeira. Na real, a voz em off contava mais ou menos o que está aí em cima, mas o juiz se rebelava depois do assassinato da mulher e da filha dele, e não depois de tirarem o Chaves do ar. Enquanto sêo Nick, em voz grave e tranqüila (como se ninguém tivesse incendiado a casa dele, matado o cachorro, a mulher e a filha), narrava o que acontecera com ele, sua imagem se transformava. Ele passava de juiz, sentado à mesa do tribunal e com aquele martelinho gozado na mão, para motoqueiro, montado numa máquina para lá de potente e ostentando uma bela jaqueta de couro. Parece piada hoje em dia, mas "Justiça Cega", exibido pela Globo, era um seriado que pretendia ser levado a sério. Juro mesmo. Não sei como, mas pretendia. Afinal, além da patética abertura, o juiz Nicholas Marshall foi interpretado por dois atores diferentes nos breves três anos que durou a série. E o pior é que só descobri a patuscada ao consultar o IMDB essa semana, para checar se eu tinha sonhado com tamanho impropério como abertura de um seriado ou se essa inimaginável seqüência de frases e a transformação do dito cujo existia mesmo. Além dessa série, me lembrei de algumas outras produções B que saíram direto das latinhas norte-americana para nossa TV. Alguém aí lembra de "O Homem da Máfia", do sensacional Vinnie Terranova? Parece que o AXN está exibindo isso de novo. E quem guarda recordações (não precisam ser boas) de "A Batalha Final", uma surreal minissérie exibida pelo SBT em que os aliens já estavam entre nós e usavam máscaras de humanos (!) para não serem reconhecidos? Tirada a máscara, eles pareciam sapões enormes (o que deixaria Flá Wonka bem incomodada, visto que a mocinha tem pane de sapo). Pensando bem, talvez fosse bom alguém arranjar uma máscara dessas para o Michael Jackson... A de humano, não a de sapo, que essa aparentemente ele já tem. ![]() ![]() Bem se vê que a justiça é cega. Se enxergasse, daria um jeito nesse corte de cabelo... Cama, sono... ação! Momento de auto-afago: gosto de várias coisas sobre mim mesma. Mas talvez a que eu goste mais de todas seja a minha capacidade de dormir em qualquer canto, mesmo com um holofote na cara ou ao lado de uma fanfarra. E, melhor ainda: eu sonho muito colorido! Juro para vocês: já dormi em todo tipo de meio de transporte – carro, trem, avião, vários modelos de barco –, na carteira da escola, em rodoviárias, no cinema (poxa, estava passando “Ghost” e eu estava com gripe, dá um desconto...). Em todas essas situações, eu sonhei. Mesmo quando se tratava de cochilos de quatro minutos. Lembro, aliás, de sonhos que eu tive quando ainda era menininha. Mais ou menos aos sete anos, sonhei que estava no banco com a minha mãe e o Bozo entrou voando pela porta, mandou que eu subisse nas costas dele e me levou dali. Interpretação: eu o-di-a-va ir ao banco com a minha mãe, porque ela me fazia ficar sozinha em outra fila pra ir mais rápido, então o Bozo era uma rota de fuga perfeita. Ainda mais um Bozo-Alado. E pensa que os sonhos ficaram menos surreais com o tempo? Claro que não. Quanto tinha uns 15 anos, sonhei por três semanas SEGUIDAS com um homem que me enchia de tiros em uma estrada erma e ensolarada. Interpretação: sei lá, acho que eu tinha um medo danado de morrer assassinada numa estrada erma e ensolarada. Nunca contei isso para ninguém... Tive receio de ir parar no Pinel. Nos últimos anos meus sonhos começaram a ficar mais politizados. Durante o soninho merecido, já sonhei que estava dizendo ao Celso Pitta para ele falar a verdade sobre os precatórios e que pedia à Xuxa para adotar algumas crianças do Camboja. Interpretação: eu vejo telejornal demais. E como muito antes de deitar... O bom é que, hoje, ando numa fase bem mais fútil. Sonho sempre com pessoas que gosto muito e artistas de cinema. Todos no mesmo balaio de gatos, conversando e trocando idéias, passeando por cidades bonitas e me dando conselhos sobre roupas e cortes de cabelo. Um deleite. Ontem mesmo Brad Pitt me visitou à noite. Entre um cappuccino e um croissant apreciados de frente para a bela igreja de Sacré-Coeur, em Paris, e observando a vista junto com alguns amigos meus da vida real, Brad disse que sempre quis ser guarda-noturno. Interpretação: sonhar é divertido pra diabo! ![]() Eu disse que sempre dormi e sonhei em qualquer canto... Até na Variant de papai...
Os tiras também choram Nova York. Oito milhões de pessoas. Cinco milhões de animais de estimação. Dez agentes contra maus tratos a animais com poder de polícia. Assim começa meu novo programa favorito, transmitido todas as quartas às 20h (com reprise às 23h) no Animal Planet. Ah, nunca mencionei que sou viciada nesse canal? Pois preciso confessar minha porção nerd-ativista: pago até um plano mais caro da TV por assinatura só por causa da programação totalmente dedicada aos bichinhos. "Distrito Animal" é uma atração emocionante e sua fórmula é simples: uma pitada de documentário, umas colheradas de ação e muitas doses de lágrimas. Esse último ingrediente fica por minha conta, porque eu nunca consigo sobreviver a cada episódio sem chorar. Simplesmente não posso ver gente maltradando cachorrinhos e gatinhos indefesos, e pareço uma tonta enxugando minha cara na manga e indo assoar o nariz no banheiro em todos os intervalos. Mas eu assisto mesmo assim, não por ser masoquista - mas porque adoro ver esses bandidos serem detidos. O programa acompanha o dia-a-dia de policiais da ASPCA, órgão de proteção ao animal dos Estados Unidos. Os tiras passam cada expediente de trabalho atendendo a denúncias de maus tratos. Há casos menores, como gatos que sobem em árvores e não conseguem descer, ou cachorros idosos cujos donos centenários não têm mais condições de oferecer cuidados nem a eles próprios. Porém, na maioria das vezes, são mostradas imagens tão perturbadoras que dá vontade de socar aquelas pessoas. Ontem, por exemplo, um cara deixou o cachorro morrer de fome e com uma ferida aberta por se recusar a levá-lo a um médico. O motivo: ele não queria sujar o banco do carro. O bacana é que os agentes se sensibilizam e muitas vezes chegam a chorar na frente das câmeras. É admirável a paciência e o estômago forte que eles têm. Em casos extremos, os policiais apreendem o animal para levá-lo (se estiver vivo) à clínica veterinária da Sociedade Protetora - cuja veterinária chama-se Jerusa Paiva e tem o maior sotaque de brasileira - e depois voltam ao local do delito para prender o culpado pelos maus tratos ou negligência. Isso mesmo, PRENDER! Eles colocam a pessoa na frente de um juiz se ela não cuidou propriamente de seu animal de estimação, correndo o risco de levar uma multa pesada ou de ver o sol nascer quadrado por um tempinho considerável. A seguir o bichinho aparece curado, de banho tomado e todo feliz num novo lar, onde receberá o carinho que nunca teve. Daí, as lágrimas são de alegria. Quando o programa termina, sempre me pego pensando na possibilidade de ter um emprego desse. Tenho certeza que jamais conseguiria. E fico muito feliz em ver profissionais duros na queda que pensam o contrário. Vivi Griswold às 09:41 AM
De garotas e notas Por trás de uma grande música, há sempre uma grande mulher. Ops. Acho que não era esse o ditado. Mas enfim... Para a geração que só conheceu a "Carla" do LS Jack -- banda, aliás, chegadinha num barraco -- e, mal e mal, a "Camila", do Nenhum de Nós, prepare-se: há um mundo maravilhoso no universo das canções inspiradas por moçoilas. Do brega ao chique, conhecemos Lígia, Luíza, Madalena, Mariana, Jéssica, Gabriela, Cecília, Carolina, Bárbara, Clara, Ana e quem mais chegar. Mas fizeram o ranking que vem aí embaixo só as que mais incitam minha imaginação com a descrição de suas protagonistas ou da vida dessas mocinhas (ou não, e você já vai entender porquê). Meninas de música 5. A Rosa, Chico Buarque e Djavan 4. Jackie Tequila, Skank 3. Geni, Chico Buarque 2. Amélia, vários 1. Morena de Angola, Chico Buarque ou Clara Nunes A ordem dos tratores... – A Missão Lembram de quando saí em defesa do jeito errado-porém-hilário de dizer as coisas? Pois é: mais uma vez os adoráveis leitores desse site vieram em meu auxílio e enviaram dezenas de expressões engraçadíssimas! Sozinha, eu nunca teria conhecido tanto absurdo divertido. Obrigada, gente... Contando tudo, devo ter rido durante umas sete horas. E já arquivei todas as expressões que aprendi na minha pasta mental “coisas para contar em mesa de bar”. Tenham certeza que o “conhecimento” será passado adiante. Então, vamos ao “A ordem dos tratores não altera o viaduto – A Missão”! Lei de Smurf Raios ultraviolentos Poção de fritas Pane de barata Tapar o sal com a peneira Problema de úrsula De vento em polpa Beber um anti-asiático Assustar o cheque Ralar a carlota do carro Chupar o pau da barraca De volta para a vitrolinha Logo após a publicação do texto "A vitrola gira e a saudade bate", há alguns dias, nossos leitores espertos mandaram mensagens contando quais eram suas músicas infantis favoritas e apontando algumas composições que fizeram falta na lista feita por mim. Então, como a saudade das pérolas de minha infância ainda é (e sempre será) grande, lá vai uma segunda versão do mesmo tema! "Amigo e Companheiro" - Balão Mágico "A Festa do Amor" - Patrícia "Chuveiro" - Bozo "A Vida é uma Festa" - Fofão "Aquarela" - Toquinho "Pequeno Mundo" - Minha Vó "O Caderno" - Toquinho SOS Daniel Azulay De nada adiantaram as horas gastas em silêncio e todo o tempo levado numa procura louca pelo Google: não consigo de jeito nenhum lembrar-me da letra de "Algodão Doce Pra Você", do queridíssimo Daniel Azulay e sua insuperável Turma do Lambe-Lambe. O desenhista liderava um de meus programas favoritos quando criança, e a imagem daquele cara alegre - sempre de óculos, suspensório e gravata-borboleta - continua vivinha. Então, dois pedidos: 1) Se alguém achar, por favor, mande os versinhos dessa música para o nosso e-mail!
Coelhinho, se eu fosse como tu Eu não sei porque as pessoas gostam tanto de falar palavrões ou acham graça na coisa. Quer dizer, eu falo muitos deles, mas porque acho que algumas ocasiões merecem um sonoro "filadap%*a!" ou "p*†aqueopariu!" Já outras pessoas falam como se fosse um desafio à ordem estabelecida ou uma rebelião contra os bons costumes. Pode ver como crianças de 12 ou 13 anos a-do-ram xingar à toa, só para rir, quando estão entre amigos. Quando eu tinha essa idade, notava que meus coleguinhas amavam cantar "Faroeste Caboclo" e "Bichos Escrotos". E sempre falavam mais alto e com mais convicção os trechos das tais músicas que continham as palavras, por assim dizer, de baixo calão, habilmente substituídas pela rádio Transamérica, no caso de "Faroeste", por "olha para cá, filha da trans o quê?" e "fica aí atrás da mesa com o piii na mão". É um pudor curioso, esse. Se não fosse, as letras com trocadilhos não fariam tanto sucesso. Nem o clássico ginasial do jererê-jererê-LSD (quem lembra dessa, repetida à exaustão nos ônibus de excursão?). Certa feita, há uns bons pares de anos, meu pai chegou em casa com mais uma das muitas fitas "alternativas" que ele comprava numa loja especializada no assunto (pensa que pirataria é de hoje, meu filho?). Essa trazia a curiosa inscrição "Forró de Malícia" na capinha xerocada. Pronto! Eu só queria ouvir a tal fita. Chorava de rir com as letras "Talco no Salão", "Quero Ver Cuba Lançar" e "A Velha Debaixo da Cama", se não me engano dos Trapalhões, com a história de uma senhora que criava um monte de bichos (de bodes a jegues) debaixo da cama. Na verdade, só compreendi do que tratava essa última com a ajuda da minha mãe. Isso sem falar na clássica "Julieta", com aquele monte de rimas que acabam não sendo ("eu tenho uma prima que se chama Marieta, ela tem as pernas abertas, dá para ver a... etiqueta!"). Ok, confesso, também sou uma vítima desse senso de humor pueril, que vê graça nesse tipo de coisa. Mas ainda não estou no nível do Joey, de "Friends", que riu todas as vezes que Ross disse "homo erectus" em sua palestra na convenção de paleontologistas, no season finale da nona temporada da sitcom. Clara McFly às 07:27 PMGente do fogo, gente da água Quando se é criança, desafiar a ordem estabelecida é quase uma obrigação. Os dois melhores jeitos de fazer isso? Brincar com fogo ou brincar com água. Você tem uma turma definida? Eu tenho: sou da água. Era só ouvir a frase “precisamos lavar a... (complete aqui com qualquer parte da casa)” que eu me apresentava para ajudar. Claro, não dava a mínima para ser útil de verdade, eu queria mesmo é ficar ensopada dos pés à cabeça. Banho de mangueira, de bacia, balde ou canequinha... Qualquer atividade envolvendo a preciosa fonte da vida mobilizava a minha atenção. Por conta desse vício eu devo ter comprometido o abastecimento de uns dois ou três países africanos. Será que a Somália está do jeito que está porque eu curtia demais escorregar no quintal molhado??? Droga, fiquei com remorso. Mas mesmo com esse desperdício louco de água, ainda acho que essa minha fixação era menos nociva que a dos meninos do meu círculo de amizades. Garotos adoram fogo, já notaram? E isso não acaba na infância! É só ir num restaurante daqueles que botam velas no meio da mesa para ver: em segundos eles começam a queimar guardanapos, palitos, flores, as mãos... Só sossegam depois de quase atear fogo no cabelo de alguém. Às vezes, nem assim. Mamãe foi uma das pessoas que mais teve trabalho com essas duas obsessões infantis. Comigo, como eu disse, porque tudo era motivo para abrir a torneira e inundar a casa – teve um ano que cheguei a implorar para o meu pai limpar a caixa d’água, só pra, antes disso, ter a permissão de mergulhar lá dentro. Com o meu irmão, o problema era a piromania. Não posso contar muito sobre os objetos que ele incandesceu porque o cara mede 1,93 m e eu tenho medo de apanhar (desde que tenho cinco anos, aliás). Mas você deve conhecer vários garotos como ele, que, com pais distraídos, riscavam um fósforo como quem belisca a irmãzinha. Decididamente, a turma da água pode ser mais perigosa a longo prazo, por todo esse papo que se ouve do recurso estar em falta. Mas ainda fico desse lado, porque a turma da tocha é, literalmente, fogo. Fla Wonka às 02:26 PMZzzzzzzzz É muito bom estrear o Garotas a cada amanhecer, já que ficou sendo minha a missão de publicar o primeiro artigo do dia, logo após o galo cantar. Porém, confesso que às vezes ligo o computador ainda com os olhos mal acostumados à claridade, com cabelo desgrenhado e pijama de bichinho, e com o sonho da noite anterior bem vivo na cabeça. O problema é que eu sou da turma daquelas pessoas que não apenas gostam de dormir, mas que AMAM dormir - e lutam contra todas as forças externas só para garantir mais alguns míseros minutinhos de sono gostoso. Poucas coisas na vida conseguem ser melhores do que deitar numa cama com lençol e fronha cheirando a amaciante, pensar um pouquinho em como foi o dia que está acabando, pensar um pouquinho no dia que vai começar e... apagar. Nunca sofri de insônia e tenho o sono mais pesado do mundo (minha mãe diz que pode cair o mundo lá fora e eu não vou acordar). Mas de vez em quando a gente está preocupado com alguma coisa, e aí já viu. O sono demora um pouquinho mais para vir e todos os barulhos da casa, que nunca incomodaram, viram sons ensurdecedores - que você sempre acaba culpando pela noite mal dormida na manhã seguinte. Se eu levar mais tempo para dormir, qualquer coisinha acaba me incomodando horrores. Por exemplo: Calor Igreja Festa de pagodeiros Relógio Bomba do aquário Telefone Luz na cara Brinquedos dos gatos
Vamos esquecer o assunto? Durante a vida, todos nós caímos em pelo menos alguns pares de "arapucas musicais", aqueles cantores ou bandas que ouvimos e gostamos e, passado um tempo, percebemos que não passava de um grande blefe ou, na melhor das hipóteses, não tinha mesmo nada a ver com a gente. A mídia é a grande responsável pelo fato, do qual esperamos guardar o mínimo possível de registros. E não se trata apenas de esquecer que estivemos no show do cantor x ou dormimos na porta da loja para ser o primeiro a agarrar o último álbum da banda y. O mais importante é não ter fotos suas usando a camiseta de um artista do qual você se arrepende amargamente de ter endossado. Eu sou pródiga no assunto. Tudo bem que, no início da nossa vida musical, estamos mais vulneráveis a influências nocivas. Quem não cantou ao menos uma vezinha o refrão de "Pump Up the Jam", do Technotronic, que atire a primeira pedra. Pelo menos, testemunhamos o nascimento da expressão que hoje denomina genericamente a dance music: poperô, que veio do verso inicial da canção "pump up the jam, pump it up". Não bastasse, ainda engrossei o coro da garotada que cantava junto o refrão das músicas do Milli e Vanilli, os grammyados que passaram o carão de devolver o prêmio (se bem que fica a pergunta: que valor musical tem a porcaria de um prêmio cujas indicações são baseadas nos números de vendagem?). Isso sem contar o fato de que passei seis horas, com as calças levantadas até o tornozelo e os pés fazendo "choc-choc" dentro do tênis, por causa da chuva, esperando para ver o show dos Menudos no glorioso Bruno Daniel, em Sato André. Depois de ter acompanhado minhas primas, minha irmã e eu nessa odisséia, tenho certeza de que minha mãe garantiu seu lugar no céu. O pior é que, quando os chicos de Puerto Rico entraram no palco, tudo que pude ver foram cinco figurinhas do tamanho de playmobils. Se, ao invés de Charlie, Roy, Robby, Ricky e Ray estivessem lá o Garoto Juca, o palhaço Fosco, o Nahim, o Pablo do "Qual É a Música" e o Russo, do Faustão, eu não poderia distinguir. Vai ver eram mesmo. A última das arapucas musicais na qual caí -- e essa deve mesmo ser considerada, pois eu já era bem grandinha para discernir as coisas -- foi com dona Alanis Morissette. Tenho até o primeiro álbum da mulher, vejam vocês!, o "Jagged Little Pill". Como se não bastasse, ainda fui ao show da dita cuja. Tem meia dúzia de músicas da moçoila que ainda aprecio (o pior é que a que mais gosto nem é dela, mas a regravação de "King of Pain" do Police), mas isso não era motivo para mover minha bunda, depois de um exaustivo dia de trabalho, até uma casa de shows do outro lado da cidade para ver a ex-apresentadora de programa infantil cujas fontes de inspiração são seus próprios malfadados casos românticos ou suas viagens rumo ao auto-conhecimento. O que ter 18 anos não faz com você... Hoje, nada contra a moça – mas também nada a favor. Como disse, tem meia dúzia de musiquetas dela que gosto de ouvir. Mas não era para tanto, né? Aliás, alguém aí tem um CD para trocar por "Jagged Little Pill"? Aceito coletâneas do Menudo, mas é indispensável que contenham "Sabes a Chocolate". Na falta do item, aceito ouvir quais foram as últimas ou piores arapucas musicais nas quais vocês, caros leitores, caíram. Clara McFly às 06:02 PMA rebelião dos Schwarzeneggers Fui ver “O Exterminador do Futuro 3” na última sexta-feira! Descobri tudo! Tio Schwarzenegger enganou todos nós durante 30 anos! Mas foi um truque muito bem produzido, convenhamos. Olhando meio rápido, quem poderia notar que o homem é um robô, poxa!? Porque só pode ser essa a explicação para tamanha habilidade em interpretar a máquina. E, quer saber? Ele está ótimo, e o filme é uma comédia de ação como poucas. Diversão garantida – pelo menos pra mim, que não tenho vergonha de admitir que adoro esses blockbusters rasos e milionários. Schwarzzie já mostra a que veio nas primeiras cenas desse terceiro episódio da apocalíptica série. Como toda vez em que ele viaja no tempo, o homenzarrão chega pelado ao presente, então precisa de uma roupa urgente. Onde ele encontra? Num clube de striptease! Repare nos óculos que ele afana... Parece ter sido emprestado pelo Elton John, simplesmente hilário... Com essas e outras, o que era um filme sério virou uma chacota de si mesmo? Com certeza. Mas pelo menos a gente pode relaxar e curtir as piadas sem se preocupar tanto com os exterminadores do mal – no caso desse último, uma senhorita exterminadora que é a cópia da Britney Spears no clipe de “Oops!.. I did it again”. O melhor é que o Grande Arnold está confortabilíssimo no papel de Terminator. Finalmente! O sujeito já assumiu mesmo que isso é o que ele faz melhor – cara de lava-louças –, então agora chuta o pau da barraca sem dó. E fica impagável dizendo coisas como “Converse com a minha mão”, frase que aprendeu com um stripper (sim, aquele mesmo de quem ele surrupiou os óculos de purpurina). Desconfio, inclusive, que o Exterminador anda fazendo escola. A mocinha que faz a T-X, uma certa Kristianna Loken, tem toda pinta de que vai se tornar uma excelente... robô. Assim como o modelo antigo, o T-1000. Precisando de atores/atrizes acionados por controle remoto para estrelar seu filme? É só contatar a turminha do Arnold!
Quem mais carrega um caixão e metralha inimigos com tanta desenvoltura??? Os donos da escola É muito cômodo sertir saudades do período escolar quando já se passou quase uma década da última vez em que ouvimos o sinal do intervalo. Depois de um certo tempo, tudo o que temos são boas recordações - a primeira professora, a cantina, os amiguinhos, o cheiro do material novinho no começo do ano, o gosto pelo desafio de colar sem ser notado... Mas se eu pudesse voltar ao primário, lá nos idos do anos 80, juro que não toparia. Sinto-me no direito de negar passar por tudo aquilo de novo. Pense bem: fazer prova, acordar super cedo, ter crises existenciais por conta de paixonites não correspondidas, lutar por um posto na panelinha dos populares, ser obrigada a jogar basquete nas aulas de Educação Física... E tudo isso ostentando um corte de cabelo que deveria ser esquecido e queimado no fogo do inferno. Fora a obrigação de estar sempre "na crista da onda", para usar um termo tão empoeirado quanto minhas memórias colegiais. Acontece que nos anos 80 havia uma certa moda escolar que todo mundo tinha que seguir. Quer dizer, todo mundo não. Apenas aquelas pobres crianças que gostavam de ser incluídas na cruel hierarquia da 4a série B. Para isso, elas deveriam possuir vários itens do seguinte top 10: 10) Liquid Paper 9) Lapiseira com refil 8) Fru-fru da Pakalolo 7) Estojo em forma de melancia 6) Caneta Kilométrica 5) Chaveiro pé-de-pato 4) Estojo com botões 3) Caneta de 100 cores 2) Mochila Risca 1) All-Star de cano alto
Véu, grinalda e um astro do rock Eu nunca fui muito fã de casamentos. Achava um porre ter de usar meia-fina e sapatinho, não me amassar, me comportar, não me sujar e comer aquelas comidinhas típicas do rega-bofe, tipo batata com casca temperada, quando era pequena. Um pouco mais crescida, continuei achando sacal encarar quarenta minutos num banco duro para ver primas de décimo-oitavo grau trocarem votos com seus noivos, que para mim tinham todos a mesma cara e o mesmo nome. Em compensação, o sagrado matrimônio no cinema é bem mais interessante. Na telona, geralmente vemos coisas surreais que quase nunca acontecem nas cerimônias-seguidas-de-rega-bofe da vida real. É por essas e outras que a-do-ro filmes de casamento! E digo "quase" porque, certa feita, no casório de uma prima da minha mãe com um figurão de São Caetano, meu primo desapareceu por alguns minutos. Como ele já era meio da pá virada, todo mundo começou a se preocupar e procurar o guri. Qual não foi nossa surpresa ao ouvir a voz do menino vindo diretamente do palco, onde uma banda embalava o almoço para lá de chique servido aos convivas. Tudo o que o petiz queria era cantar sua canção favorita à época, "Borbulhas de Amor", do Fagner. Para isso, subiu ao palco, agarrou o microfone e perguntou, em alto e bom som: "Tio, o senhor sabe tocar a música do peixe?" E não é que a banda acompanhou? E os convivas aplaudiram? Agora, você me diz: a seqüência descrita acima poderia ou não estar num dos filmes a seguir, os meus favoritos de casamento? O Casamento de Muriel O Casamento do Meu Melhor Amigo Casamento Grego Quatro Casamentos e um Funeral Afinado no Amor Como perder um cara de meia hora Sinto informar, mas não chego nem perto de ser feminista. Claro, nem machista. Não gosto de quase nenhum “ista”, aliás. Por isso tenho a maior dificuldade de entender o comportamento de algumas garotas em relação aos rapazes de suas vidas... Algumas delas são especialistas em fazer do namorico uma tortura chinesa! Vamos ser francas, meninas: algumas integrantes do nosso gênero são umas tremendas chatas, não? Comportam-se como umas pragas mimadas e possessivas e acabam fazendo a pior propaganda possível das mulheres. Não é justo! A maioria tenta ser legal e compreensiva e a minoria estraga toda a estratégia metendo os pés pelas mãos. Vamos acabar com essa má fama? Posso identificar os três quesitos para virar uma verdadeira garota-enxaqueca? Se os meninos quiserem contribuir para esse crescimento da nossa espécie, podem mandar seus recados que eu tento repassar em breve. A chantagem A carência A marcação Gente indecente "Criança" e "espontaneidade" são substantivos que andam de mãos dadas. Para o azar dos adultos, alguns pequenos gostam de fazer coisas que, digamos, não são apropriadas - pelo menos não em público. Todo mundo que já passou pela infância com uma certa liberdade deve ter histórias sobre atos vergonhosos que teimavam em protagonizar, tanto para se divertir quanto para aterrorizar os pais (era sem querer). Eu tenho várias. Mas não vou falar sobre as minhas agora, e sim revelar segredos de alguns conhecidos. É em nome da pesquisa científica! Tá, não é. Mesmo assim, lá vai! Criança não tem senso algum sobre moda, certo? Nossa estimada Flá Wonka, por exemplo, teimava em querer passear ostentando uma... touca de banho! Ela já revelou esse seu lado estilista aqui no Garotas. Outra peripécia da porção morena deste site era fazer cena para comparecer a casamentos usando seu par de kichute. Lembro-me quando uma prima distante chorou até a mãe fazer sua vontade, que era amarrar o tradicional rabo-de-cavalo, só que na parte superior, logo acima da testa. De modo que, quando ela saiu na rua, a menina não conseguia ver muita coisa (o cabelo cobria o rosto, lógico) e todos olhavam para ela, provavelmente achando um absurdo uma mãe submeter a criança àquela cena embaraçosa - quando era o oposto. Já uma amiga da escola, minutos antes de sua festa de aniversário, resolveu cortar os cachos. A mãe dela havia feito duas lindas tranças, com fita e tudo. Durante um segundo de distração, a estrupícia pegou a tesoura e cortou as duas no talo, bem rente à cabeça. Imagine o trabalhão dos pais em explicar o visual manicômio da filhota aos assustados convidados... Saindo do quesito fashion, existem ainda as crianças sem a noção básica de que pessoas ao redor estão ouvindo o que elas dizem. Sabe aquelas pestes que apontam para você no ônibus e falam bem alto sobre o seu penteado ou a sua roupa sem o menor pudor? Então. O exemplo clássico da minha família é o meu irmão, que nunca teve freios na língua. A melhor cena de todas aconteceu em uma loja. Ele estava no colo da minha mãe enquanto uma vendedora mostrava o produto e contava todas as vantagens da compra. De repente, encheu-se do falatório, tirou a chupeta da boca e soltou um "cala a boca, mulher!". Minha irmã, por sua vez, cantava a música do coelhinho (aquela famosa, conhece?) no meio do supermercado - e, se alguém mais sábio pedisse para ela parar, a garota aumentava o volume! Eu? Ah, droga. Só algumas, para acabar: quando via algum japonês, puxava meus olhinhos com o dedo, na cara da pessoa; saía correndo atrás de criancinhas para beijá-las à força (e minha mãe tinha de explicar aos pais das vítimas que eu só queria fazer "carinho"); já quis comparecer a uma festinha da escola com o vestido-bolo de dama-de-honra que usei no casamento da minha prima; sempre adorei sair na rua em trajes caipiras - com chapéu de trança loira, sardas falsas e todo o resto. Chega, né? Vivi Griswold às 09:50 AM |
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