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Possibilidade de pancadas durante o período Quando meu irmão era pequeno, bastava ouvir o som dos trovões e escutar aquele chinchilhar (acabei de inventar essa palavra) da água no telhado para pedir à minha mãe que botasse um banquinho perto da janela, para "ver a chuva chover". O petiz adorava ver aquela água toda despencando do céu, sabe Deus porquê. Na verdade, percebi que não era só ele que tinha essa fixação pela chuva. O repertório musical brazuca e do além-mar está salpicado de canções sobre este fenômeno natural. Tem para todos os gostos: chuva prateada, chuva púrpura, pedido de chuva, pedido para parar a chuva, chuva de homem... E você? Gosta de ver a chuva chover? Então escolha sua favorita para servir de acompanhamento para aqueles dias em que o tempo fecha. Purple Rain, Prince ou O Artista Have You Ever Seen the Rain e Who'll Stop the Rain, Creedence Clearwater Revival Rain, Madonna No Rain, Blind Melon Singing in the Rain, Gene Kelly It's Raining Men, Weather Girls Chuva de Prata, Gal Costa e Roupa Nova Chove Chuva, Jorge Ben Na Rua, na Chuva, na Fazenda, Hyldon Lágrimas e Chuva, Kid Abelha História pra boi ouvir Sensacional como vários sucessos que dominaram a música brasileira são baseados apenas em singelas historinhas que poderiam acontecer comigo, com você, com todo mundo. Chego à conclusão que, para entrar nas paradas, basta contar um “causo”. E nem precisa ser lá muito interessante. Se for, claro que é muito melhor e mais fácil de emplacar, porque todo mundo gosta de saber sobre a vida picante de uma menina que muda de nome e passa a usar “salto 15 e saia de borracha”. Mas nem sempre as historinhas são assim. Às vezes elas versam apenas sobre o cotidiano tranqüilo de gente um tanto bizarra. O pior é que fica tão bom... Eduardo e Mônica – Legião Urbana Faroeste Caboclo – Legião De Novo Dezesseis – Legião Outra Vez Natasha – Capital Inicial Melô do Marinheiro – Paralamas do Sucesso Jackie Tequila – Skank Marvin – Titãs Era um Garoto que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones – Engenheiros Você Não Soube Me Amar – Blitz Adelaide – Inimigos do Rei “Andava na rua à noite, totalmente só Convite para um universo estranho Demorou, mas chegou. Após ser exibido em raras sessões aqui e acolá durante o ano passado, "A Viagem de Chihiro", vencedor do Oscar de animação, finalmente está tendo o destaque que merece. E merece muito, viu? O maravilhosamente complexo desenho de Hayao Miyazaki faz qualquer um sair da sala de cinema de queixo caído, tamanha a beleza dos traços e do roteiro. Só digo uma coisa: o último que assistir é mulher do padre. Não demora mais do que cinco minutos para o espectador notar que ele é bem mais infantil do que o outro ilustre longa-metragem japonês de animação, "Akira". Porém, a história da menininha que fica presa em um universo paralelo repleto de deuses estranhos, feiticeiras idosas e criaturas falantes está longe de ser um conto de fadas. Como seu primo famoso, "A Viagem de Chihiro" tem passagens bem assustadoras - mas o conjunto da obra é simplesmente adorável. Chihiro está de mudança com os pais para uma outra cidade. No caminho da casa nova, eles se perdem e vão de encontro a uma passagem parecida com um templo. Enquanto os dois adultos devoram uma comida que encontraram por ali, erroneamente achando tratar-se de um restaurante, a pequena sai para vasculhar os arredores. De repente, ela dá de cara com um jovem, que ordena sua saída. É tarde demais, e Chihiro fica trancafiada no mundo dos espíritos, onde quase tudo é apavorante - inclusive seus pais, transformados em porcos. A partir daí, nossos olhos são surpreendidos por um desfile de situações bizarras que só vão ter fim quando o filme acabar e as luzes do cinema se acenderem. O mais legal de tudo é que o desenho é totalmente tradicional. Não apenas pelos traços - olhos grandes e brilhantes, cabelos em forma de cacho de banana e bichos fofinhos -, mas pela mitologia japonesa que é apresentada. Meus conhecimentos da cultura oriental vão um pouco além de origami, sushi e kimono, e ainda assim preciso revê-lo umas dez vezes para reparar em cada detalhe. Um primor. E por falar em situações bizarras... Poucos segundos antes do filme começar, enquanto procurávamos desesperados por um lugar decente na platéia, alguém estranho me reconheceu. Sério. O garoto (acho que era garoto, a sala estava escura e eu estava confusa), disse para um outro algo como "ei, aquela é uma garota-que-diz-ni". E eu ouvi. E eu virei para olhar. E eu quase me enfiei debaixo da poltrona de vergonha. Nessa noite não foi apenas Chihiro que viveu momentos de tensão! ![]() Ainda aí? Corra pro cinema, vamos!
Para ele eu vou dizer sim Ontem eu falei das minhas paixões de papel, os personagens de filmes, desenhos e até quadrinhos por quem me apaixono. Para que vocês não achem que eu sou uma completa desmiolada (ou para confirmarem o fato de vez), hoje vou mostrar que eu também gosto de gente de verdade. A primeira paixonite aguda da minha vida aconteceu aos 10 anos de idade. Antes disso, talvez houvesse um garotinho simpático com quem eu construísse castelinhos de areia no parque do pré, ou para quem eu emprestasse o lápis verde-água do meu conjunto de 36 cores da Faber Castell na primeira série, mas não me lembro. O garoto em questão tinha a hoje hilária alcunha de Peixinho (não me perguntem), olhinhos verde escuros e um sorriso fofo. Todas as garotas da quarta série eram apaixonadas por ele, incluindo esta humilde escriba. Claro que o máximo que consegui com o Peixinho foi passar uma excursão da escola (em que a gente desceu o caminho da serra velha de Santos a pé) conversando com ele e fazendo piadas e imitações. No ginásio, passei a ter olhos compridos para o Fabio, que entrou na escola na quinta série. Esse foi grave. Não só fui apaixonada perdidamente por ele por uns três anos, até a sétima, como também dividia a paixão com minha melhor amiga, Roberta. Fazíamos coisas ridículas e inevitáveis para a idade, como trocar bilhetes e escrever o nome do menino nas nossas agendas com as mais variadas técnicas aprendidas na Educação Artística, como com borrachas e grafite ou com letras em perspectiva. Com o Fabio a coisa foi um pouquinho mais adiante. Ele até me pediu em namoro, como convinha aos idos de 1990, mas eu não tive coragem de aceitar por dois motivos: a Roberta e a vergonha de beijar na boca. Depois, ele mudou para a turma da manhã e eu continuei à tarde. Só o reencontrei no colegial, quando fui estudar de manhã também. Aí, eu já sabia beijar na boca e a Roberta não gostava mais dele, mas o garoto já estava comprometido com a Vanessa, ciumenta que só o diabo. Droga. Tive de arrumar outra paixão platônica. Para proteger sua identidade, vamos chamá-lo de Jarbas. Essa história é a melhor: a escola inteira sabia que eu era caidinha de amores pelo rapaz, inclusive, é claro, ele próprio, que sempre fez questão de ser muito meu amigo. E só. Eu chorava escondida, me enchia de esperanças se eu espirrasse e ele falasse "saúde", escrevia trechos de músicas românticas na agenda e esperava algo acontecer. Esperei pelos três primeiros anos do colegial – até que na metade do quarto ele atacou a Roberta, que estava num estado de percepção deveras alterado, digamos, por conta de ingestão em demasia da água que passarinho não bebe. Ela foi na minha casa no dia seguinte e me contou tudinho. Passei seis meses ignorando o garoto por completo, sendo que nessa época a gente ainda tinha uns amigos em comum e se encontrava bastante (na verdade, em São Bernardo, todo mundo se encontra bastante toda hora). Resultado? Num carnaval em que estávamos no mesmo baile, o menino veio chegando, me alisando, pedindo desculpas e eu, tonta e cansada de bancar a durona, me derreti toda. Cinco minutos depois, eu estava nos famigerados camarotes da Associação dos Funcionários Públicos de São Bernardo do Campo, realizando meu sonho de três anos e meio. O problema é que eu estava esperando o príncipe do cavalo branco e o Jarbas, é claro, não era mais que um garoto de 18 ou 19 anos com hormônios em ebulição. Quando ele pegou minha mão e pôs num lugar que príncipes-dos-cavalos-brancos não põem jamais as mãos de suas amadas, a paixonite aguda platônica que eu alimentei por todo o tempo caiu por terra. Não que eu nunca tivesse feito aquilo. Já tinha feito serelepices bem piores -- e mais gostosas. Nos intervalos da paixão platônica pelo Jarbas, apostava nuns namoradinhos para dar vazão aos meus próprios hormônios adolescentes (que atire a primeira pedra quem não sentiu os efeitos dos tais) e para tentar desencanar de vez do topetudo. No final daquele mesmo ano, deixei de besteira e me apaixonei por outro garoto, que eu já conhecia há um tempão. Um homem, na verdade, mas com lindos olhinhos de menino. Sem bobagens de escrever nome na agenda ou esperar coisas impossíveis acontecerem. Mais de cinco anos se passaram, estou prestes a encarar o juiz de paz ao lado deste mesmo garoto e afirmo com convicção que ele não é o homem dos meus sonhos. É o homem da minha vida. Ainda bem! Clara McFly às 05:54 PMTriângulo de corações plásticos Apesar de eu não ter mesmo nenhum grande episódio de crise familiar registrado, tive que conviver por anos e anos com uma situação pra lá de constrangedora: um triângulo amoroso que rolava intensamente dentro da minha própria casa... de bonecas. As meninas já devem ter imaginado quem eram os protagonistas. Sim, eles mesmos: uma garota loira e magra como um pardal, um rapagão com tendências guerrilheiras, uma mocinha morena com cara de assustada. Barbie, Falcon e Susi tinham uma relação bem delicada – não só nas minhas brincadeiras, aliás, mas na de toda e qualquer garota do bairro! No meu tempo, o Ken e o Bob não eram ninguém. Foram criados para namorar a Barbie mas nunca chegaram aos meus domínios devido ao preço dos seus serviços, se é que me entendem. Assim sendo, o Falcon era mesmo o garanhão da área – e tinha essas duas beldades de trejeitos distintos para escolher, ó que mamata. A divisão era embaraçosa mesmo para os ousados anos 80: nos dias de calor, a bacia de lavar roupa da minha mãe virava piscina das bonecas no quintal, e daí o Falcon namorava a Barbie (loiras ficam irresistíveis no sol, fazer o quê...). Nos dias nublados, a caixa do nosso faqueiro “de visitas” era o cenário de jantares e festas, e daí o barbudão escolhia sair com a Susi (porque morenas são um arraso em traje de gala, yeah!). Era meio promíscua essa coisa toda? Ah, era. O cara nem era lá tão bonito assim para ter esse cartaz com duas mocinhas tão especiais? Não mesmo. Mas elas não tinham muitas opções – porque namorar o meu Petutinho seria bizarro até no mundo da imaginação –, então qualquer movimento dos “Olhos de Águia” derretia os corações de Barbie e Susi. A disputa entre os postos de esposa e amante só terminou com um acontecimento fatídico: o Falcon foi convocado para voltar à zona de combate nas fileiras de batalha armadas na casa do meu primo, o real dono do moço. Não teve cena dramática de despedida nem crise de choro, mas Tenho a impressão que a melancolia delas só passou porque angariei fundos por três meses e comprei uma pá de novos vestidos e acessórios na loja de brinquedos. Fúteis, não? Felizmente, para quem dividiu um único namorado, meiar um guarda-roupa foi uma bênção. Tá decretado! Preciso deixar aqui registrado um adendo, assim ninguém rouba essa minha fantástica idéia. Quando eu tiver filhos, desejo apenas que eles tenham muita saúde e sejam bonzinhos. Maaas... espero mesmo que sejam duas meninas, assim elas serão nomeadas Bárbara e Susana. Sacou? Elas vão ser conhecidas como Barbie e Susi! Genial, não? Não? Ok, vai ver nem precisava registrar uma idéia tão... besta. Fla Wonka às 02:56 PMQuando eu crescer Ao preencher um formulário com espaço reservado à profissão, coloco em letra caprichada: "jornalista". Bem, é o que eu sou, não? Pelo menos esse é o termo usado naquele diploma da PUC guardado de qualquer jeito em alguma pasta no fundo da gaveta. Mas às vezes me pego com vontade de escrever algo muito mais interessante, tipo "astronauta" ou "domadora de leões" ou "designer de vidro de perfume". Sim, tenho em mim muitas vocações - e algumas delas podem soar bem estranho, a princípio. Integrante de coro de risadas Investigadora criminal de seriado norte-americano Agenciadora de modelos Testadora de brinquedos Redatora de programas catástrofe Dubladora do "Qual é a Música?" Integrante do Garotas Que alívio, pelo menos um emprego dos sonhos eu consegui realizar... Vivi Griswold às 10:07 AM
Para eles eu diria sim A primeira grande paixão da minha vida, até onde minha pobre cabecinha é capaz de alcançar, foi a cigarra da peça "A Cigarra e a Formiga", que minha mãe me levou para assistir quando eu era bem pequena. Era só um personagem? Era, não vou mentir para você. Mas eu ia lá saber disso à época? Minha mãe foi obrigada a me levar até as coxias para ver que a cigarra não tinha morrido de fome e frio (ô fabulazinha escrota!) e calar meu berreiro. Na verdade, a cigarra apenas inaugurou a extensa fieira de paixões de papel que eu ainda viria a colecionar. E não adianta argumentar comigo que eles não existem. Eu me apaixono seriamente, até sofro!, e pronto. Minha paixão de papel seguinte veio com um agravante. Além de não existir no plano real, ele era um cachorro. Falo de Dartagnan, o cãozinho espadachim do desenho do "Clube da Criança". Eu achava o tema da abertura ("Dartagnan, Dartagnan é um valente e forte/Dartagnan, Dartagnan, a enfrentar a morte...") o máximo. E um pouco romântico também. Depois de um intervalo razoável (que os freudianos chamariam de fase de latência), passei de peças infantis e desenhos à telona do cinema. Caí de amores pelo arqueólogo-arrojado-e-professor-tímido Henry Jones Jr, mais conhecido como Indiana. Aluguei "Indiana Jones e o Templo da Perdição" e o assisti exatas 17 vezes. Até minha prima não agüentar mais e desmaiar na sala na hora em que aquele fascínora da seita arranca o coração de um pobre prisioneiro. Passou-se um bom tempo até que eu cheguei aos gibis. E o escolhido foi Gambit, dos X-Men. Remy LeBeau era de charme insuportável para meu coraçãozinho adolescente. Daí minha antipatia por Vampira, que garfou o ladrão mutante nas sagas da HQ. Quando o filme saiu, mesmo sabendo que Gambit não estaria lá, fui correndo assistir. E o choque: saí da sala completamente apaixonada por Wolverine. Logan nunca me chamara atenção nas folhas da HQ, mas a personificação do mutante violento-mas-bonzinho feita por Hugh Jackman me deixou passada. Ainda tenho umas cosquinhas quando vejo o bonitão das garras de adamantium no vídeo ou na continuação de "X-Men". Mas agora meu coração pertence a outro, também do mundo das telas: Aragorn, o humano herdeiro do trono de "O Senhor dos Anéis". O gozado é que o ator, Viggo Mortensen, é o tipo de cara para o qual eu nem olharia, nem que o moço estivesse fazendo micagens no carro ao lado. Mas o que é aquele personagem, que personifica tudo que há de melhor num homem: sinceridade, fidelidade aos companheiros e aos seus ideais e coragem, com um toque de barba mal-feita e cabelos desgrenhados? Se esse não é o sonho de consumo de qualquer mulher, então eu não sei o que é sonho de consumo. Ou o que é mulher. Se bem que o que sei eu? Aos 25 anos, ainda sou uma pobre vítima das paixões de papel... ![]() Tem juiz de paz na Terra Média? Tesouro na Sessão da Tarde Mikey, Dado, Bocão, Gordo... Céus, como eu quis ter esses garotos como amigos. Eu tinha só dez anos quando os conheci, mas nunca mais os larguei. Sim, eu quis muito ser uma verdadeira Goonie! Já assisti “Os Goonies” incontáveis vezes, e é impressionante como dá para achar mais coisas boas nessa fantástica produção de Tio Spielberg (que não dirigiu, mas inventou a história) a cada revival. A ingenuidade da trama é a base, o roteiro hilário é o recheio. Em que outra pérola dos anos 80 um bando de garotos busca – e acha – um tesouro de piratas enquanto é perseguido por uma família bandida em plena Astoria? Aliás, ainda vou conhecer a cidadezinha friorenta da costa oeste americana... O duro é decidir o que é melhor nesse adorável filmeco infanto-juvenil. Tudo é tão perfeitamente azeitado que tenho calafrios só de pensar que um dia ainda vai ter gente querendo fazer remake – e estragando o que é imaculado. Bom, eu duvido que eles consigam copiar o que segue abaixo. 10) As invenções do Dado 9) Willie, o Caolho 8) O sótão 7) A seqüência com Rosalita 6) O órgão feito de ossos 5) Os irmãos Fratelli 4) Gordo 3) “Goonies ‘R’ Good Enough” 2) Sloth 1) Mama Fratelli ![]() Eu queria tanto fazer parte dessa gangue... Beliscar é preciso Você sabe o que significa "beliscar"? Além de ser o ato de pinçar com os dois dedos qualquer parte do corpo de outra pessoa - muito praticado entre irmãos, sendo que o mais novo sempre acaba com o braço dolorido -, costuma-se usar o termo para definir aquele famoso ataque ao armário de guloseimas no meio da tarde (ou de madrugada). Quando bate uma vontade de comer besteira, não tem escapatória: é hora de beliscar! Nossas mães odeiam que a gente fique beliscando por aí, principalmente antes de qualquer uma das refeições. Elas dizem que a) estraga o apetite e b) engorda. As mães são cruéis às vezes. O fato é que consumir tais produtos deliciosamente pouco nutritivos acaba matando nossa fome. Fazer o quê? Mas a parte de engordar, sei não. E eu sou a prova viva de que isso não acontece. (...) Pronto. 10) Bolacha Passatempo recheada 9) Pingo d'Ouro 8) Calipso 7) Cebolitos 6) Bombom Alpino 5) Ovinhos de amendoim 4) Bolacha leite e mel 3) Pringles 2) Amanditas 1) Piraquê queijo
Gosto, não nego, escondo enquanto puder Eu já falei de alguns dos meus vícios por aqui: telefilmes baseados em histórias reais, telejornalismo americano e cigarros (aparentemente o menos nocivo) são os principais. Mas ainda faltou confessar minha paixão por seriados. Sim, eu sou fanática por séries. Assisto todas, de comédias bobinhas a dramas que mais parecem folhetins mexicanos. Difícil eu não gostar de alguma, de tanto que me apraz esse estranho programa em que a história vai sendo entregue aos espectadores em conta-gotas -- e, no caso das comédias, com uma risada descaradamente artificial no fundo. Dentre meus atuais favoritos, estão "Will & Grace", "My Wife and Kids" (ou "Eu, a Patroa e as Crianças", dependendo do canal) e "ER" (desde os tempos em que ela se chamava "Plantão Médico"). "Whose Line is It Anyway" nem entra na lista: é hors concours. Ok, essa parte foi fácil. Agora vem a difícil: confessar as séries das quais me envergonho de gostar. Essa é mais uma para a série (sem trocadilhos) de limpeza de consciência que temos feito aqui no Garotas. Assim, apresento a vocês a lista dos meus seriados estúpidos favoritos. Para quando não tem ninguém em casa 5. Moonlighting (A Gata e o Rato) 4. Blossom 3. Um Anjo Muito Doido (Teen Angel) 2. Seventh Heaven (Sétimo Céu) 1. O Toque de um Anjo (Touched by an Angel) Garota de fases Minha mãe e meu pai são dois humanos muito doces, sapientíssimos e democráticos. (Quase) sempre eles deixaram que eu escolhesse o que queria da vida sem ditar regras. Nem furaram as minhas orelhas quando eu era bebê, olha só! Deixaram que eu escolhesse até se queria ou não perfurar meu próprio corpo! O bom é que eles me deixaram fazer muitas opções, mas não tantas que chegassem a arruinar o futuro. Se tivessem deixado eu escolher meu nome e estilo de vida em cada fase do crescimento, por exemplo, já teríamos virado matéria do Fantástico. Excesso de liberdade atrapalha, sabem como é. Acontece que a evolução humana é notória com o passar dos anos. Ainda bem, ou eu ainda estaria usando saias balonê, polainas e óculos de armação acrílica azul. Tudo ao mesmo tempo! Se mamãe e papai não tivessem me botado no caminho certo, aliás, eu podia ter tido a trágica idéia de parar em alguma das seguintes fases: Desde os 5 anos eu teria optado por... Desde os 10 anos eu teria optado por... Desde os 15 anos eu teria optado por... Desde os 20 anos eu teria optado por... Desde os 25 anos eu teria optado por... Bate na madeira três vezes Era uma vez um homem pobre e desempregado que morava num trailer. Certo dia, ao passar por uma lotérica, decidiu gastar as únicas moedas em seu bolso e comprou uma raspadinha. Ganhou na hora um carrão avaliado em alguns milhares de dólares. Um repórter local quis cobrir a história e sugeriu que o homem fosse até a mesma lotérica e pegasse uma outra raspadinha para gravar umas imagens e ilustrar a matéria. E não é que o segundo bilhete também estava premiado? Parece conto da carochinha, mas não é. Esse episódio inacreditável aconteceu nos Estados Unidos (tinha que ser naquela terra) e o homem, cujo nome não me recordo, ficou conhecido como "o maior sortudo do planeta". Depois de assistir ao programa que narrou os fatos, passei alguns segundos pensando como uma coisa assim não acontece comigo - nem com os outros 99,9% da população mundial. Dizem que é sorte. E eu não tenho muita não. Quer dizer, sou sortuda por ter amigos sensacionais, um namorido maravilhoso, uma família bacana e gatos fofos me rodeando, além dos três DVDs do Monty Python, da máquina de fazer milk-shake e do Garotas, lógico. Realmente não preciso de muito mais na vida. Mas uma megasena acumulada não faria mal algum, não é verdade? E é desse tipo de sorte que estou falando. Quando finalmente encontrei um palito de sorvete premiado e quase caí no chão de tanta alegria, descobri que era mais difícil NÃO ganhar - uma vez que a Kibon foi bem generosa na promoção daquele ano. Pena que só valia um outro picolé, e não alguns sacos de dinheiro em notas novinhas e passadas a ferro. Recentemente me enchi de esperança no sorteio de um carro que aconteceria num mercado pouco frequentado aqui perto de casa. Cada 20 reais em compra dava direito a um cupom. Minha mãe juntou uns 50 cupons, preencheu todos com letra caprichada, fez um mantra neles (minha mãe faz mantras), beijou um a um (ela diz que dá sorte) e colocou-os na urna num dia numerologicamente favorável. Mais tarde descobri que uma senhora ganhou o meu carro, e ela nem carta tinha. Mas o importante é ter saúde, né? Droga. Vivi Griswold às 09:45 AM
Conte até três e escreva o que ouviu Tem certas coisas que se perdem com as mudanças de uma casa para outra e com as limpezas anuais nos armários, e pelas quais você toparia qualquer parada para reaver. Uma delas é meu caderno de enquete da 5ª série. O quê?! Você não sabe o que é uma enquete? Bem, o tal item era bem comum nos meus plúmbeos anos de pré-adolescência, essa fase em que você nem bem brinca mais de playmobil (só escondida), nem bem beija na boca (mas finge que beija). A brincadeira da enquete consistia num caderno onde eram escritas uma pergunta por página, sobre os mais variados temas e sempre dentro do espírito das coisas essenciais e de profunda utilidade para o desenvolvimento humano. Depois de fazer a sua seleção de perguntas, você mesma respondia a todas aquelas indagações e começava a fazer a brochura circular entre os amigos, que seguiam o mesmo ritual. No fim, virava uma diversão ler a impressionante bagagem cultural que podia estar contida naquelas respostas dadas por uma trupe de pirralhos perdidos. Dentre as clássicas da enquete (que algumas desavisadas da minha classe grafavam como "inquete", ao melhor estilo escreve-como-se-lê), estavam as seguintes questões (aqui acrescidas de comentários). 1. Escreva seu nome e apelido 2. Você já beijou? 3. Qual sua banda ou cantor/cantora favorito? 4. Qual seu filme favorito? 5. Quem você levaria para uma ilha deserta? 6. Quem você deixaria numa ilha deserta? 7. Conte até três e escreva o que ouviu 8. Deixe uma mensagem para a dona desta enquete
Dura vida de mascote gratuito O pior nível hierárquico que um bicho pode atingir em sua existência é ser dado de graça em feiras de animais. É como ser um legume e, em vez de virar salada, virar enfeite de buffet. Lembram deles? Todo mundo tem histórias dos “pintinhos e peixinhos grátis” na memória – e quase todas comprovam que a idéia atraía público, mas promovia um holocausto no mundo animal. Era só ver anunciar na tv que a feira tinha chegado ao Parque da Água Branca (recanto paulistano que costumava organizar o evento) que eu partia para cima do meu pai implorando por uma visita. Lá eles exibiam vacas de valor, touros do tamanho de jamantas, cavalos e até uma ou outra ovelha. Mas a bicharada toda não me emocionava tanto quanto o prêmio da saída. Lembro de ter recebido muito mais pintinhos do que peixes. O problema começava aí, aliás: minha irmã tem pavor visceral de qualquer coisa com penas, de galinhas, pombas e pintinhos bonitinhos até travesseiros recheados desse artigo. Assim, meu pai deixava eu e meu irmão levarmos os bichos para casa, mas o acordo era mantê-los longe da minha irmã. Dá para fazer isso numa casa de 90m²? Não! Minha irmã sofreu muito encontrando pintinhos malignos e ameaçadores pelos cantos, coitada. Mas caso muito pior aconteceu a uma garota que eu conheço e que também adorava os tais pintinhos de feira. Num ano, ela se apegou tanto no filhote que deu nome, fez casinha de caixa de sapato, andava com ele no colo todo o tempo. Até que um dia, sentada na cadeira de balanço da vó, o pintinho pulou das mãos dela em direção ao chão. Na tentativa de pegá-lo, bom... digamos que uma das curvas da cadeira ficou com as peninhas amarelas grudadas. Triste, hã? Bom, teve ainda uma outra conhecida que se apaixonou loucamente pelos pintinhos de uma geração posterior, que vinham pintados de cores variadas. Tinha verde, azul, rosado, tudo menos pinto amarelo. O diabo é que, mais tarde, eles deixaram de ser uma trupe de pintinhos new wave e viraram um bando de frangos pretos sem graça nenhuma. A moça teve trabalho para aceitar a mudança, diz até que precisou de terapia. Pais e mães de toda a cidade quase precisaram de tratamento também por causa dos animaizinhos distribuídos em feiras. Que criança ia entender que seu bichinho querido seria um cadáver aquático depois de uns meses ou o almoço de domingo depois de crescido??? Pensando bem, acho que lá em casa eles me enganaram algumas vezes dizendo que meus franguinhos tinham sido doados. Acho que comi vários deles sem saber! Saco... Pior do que ser pintinho de feira, só ser uma garota que sente saudade dele... Fla Wonka às 02:22 PMAlice num país sem maravilhas Eu queria muito escrever uma história infantil. O problema é que ainda não tive grandes idéias - e confesso que tampouco gastei mais do que cinco minutos pensando no assunto. Por enquanto fico só na vontade, que se intensifica quando algo do gênero cai em minhas mãos. A última surpresa foi "Coraline", ou "o-livro-que-gostaria-de-ter-escrito-se-eu-pudesse-escolher". Tá, não foi bem uma surpresa. Afinal, o que esperar de uma obra assinada por Neil Gaiman? Para quem não conhece, Gaiman é o homem (o mito, a lenda) por trás de "Sandman", uma das séries de quadrinhos mais cultuadas entre os entusiastas dessa arte. O bacana é que ele passou dos gibis aos livros, escrevendo diversos contos e alguns romances para o deleite dos admiradores de sua narrativa perturbadora e sensível. Mesmo quando terminamos a leitura, um certo gostinho agridoce permanece. Trata-se de um livro para crianças, teoricamente. Sua linguagem é acessível e deliciosa de se ler, e você não precisará de mais do que uma tarde chuvosa para devorá-lo inteiro, como eu fiz. Porém, lembre-se de que ainda estamos falando de Neil Gaiman e, por trás dessa fachada inocente, há uma história assustadora. A garotinha Coraline se muda com os pais para um casarão antigo transformado em pequenos apartamentos numa dessas reformas modernas. Ela é muito curiosa, e nos primeiros dias ocupa seu tempo desbravando o bosque próximo ao novo lar. Mas logo a brincadeira perde a graça e, para piorar, começa a chover. Assim, Coraline é obrigada a ficar dentro de casa. Como seu pai e sua mãe estão sempre ocupados e não há outros meninos ou meninas para ela se divertir, a pequena aproveita a oportunidade para vasculhar a residência. Ela nota que uma das portas dá para uma parede, resultado da tal reforma. À noite Coraline escuta ratinhos indo e vindo através da passagem, que agora está aberta... Claro que a menina atravessa a porta. O que ela não esperava era sair num lugar exatamente igual à própria casa. O problema é que sua mãe e seu pai são outras pessoas: seres apavorantes com botões no lugar dos olhos e que se alimentam de besouros. A mãe, em particular, dá muito medo - principalmente quando quer que Coraline fique lá para todo o sempre, presa num espelho junto de outras crianças que já tiveram suas almas roubadas. Da mente de Gaiman sempre saem coisas incríveis. Nesse caso, uma espécie de "Alice no País das Maravilhas" moderno, ainda que no mundo proposto por ele não exista maravilha alguma. Coraline é uma heroína melancólica numa atmosfera dark e confusa. Mas o escritor é tão bom que consegue transformar, apenas com palavras, uma canção de ninar em um filme de terror - ou vice-versa. E por falar em filme, "Coraline" está programado para virar um longa-metragem em 2004. Diz a lenda que Michelle Pfeiffer encabeça o elenco e Henry Selick (de "O Estranho Mundo de Jack") comanda a direção. Enquanto isso, nem preciso falar que vale a pena garimpar o livro, né? Infelizmente essa jóia ainda não foi lançada no bom e velho português, mas se sua curiosidade for como a minha (e a da menina na história), clique aqui. Você nunca mais vai olhar para um botão com os mesmos olhos. ![]() Até a capa da medo!
O incrível ataque dos patos de borracha Eu sei que já falamos sobre isso na nossa coluna da Época, mas acho que o assunto merece reprise. Afinal, não é todo dia que patinhos de borracha ameaçam a costa americana. Aconteceu que um navio chinês, cheio dos tais brinquedinhos, deixou vazar seu carregamento lá pelos idos de 1992 (quando "I'm Too Sexy", do Right Said Fred, era uma música legal). Os patinhos permaneceram juntos desde então, navegando ao sabor das marés, e aparentemente ajudaram biólogos marinhos e oceanólogos a obter novas informações sobre as correntes. Semana passada, os Estados Unidos decretaram alerta laranja para a costa da Nova Inglaterra por conta da horda de patinhos, que estava ameaçando aportar por ali, depois de mais de dez anos navegando. E o pior é que, como diria sêo Orson, é tudo verdade. Com uma notícia dessa, nem tem porque fazer comentários engraçadinhos. O fato em si já é de rolar de rir. E essa não foi a única bizarrice da semana. Sexta passada, um padre americano celebrava o velório de Ben, um homem de 80 anos, quando sacou da frase "o Senhor vomitou pessoas como ele diretamente de Sua boca para o inferno". Bom, pelo menos deixou de lado aquela hipocrisia que transforma qualquer presunto numa pessoa santa, perfeita e imaculada, excelente-profissional-e-dedicado-pai-de-família. Mas não precisava falar igual ao Zé do Caixão. Por fim, hoje sou surpreendida com a prisão do sêo Maluf (cusp, cusp, cusp) em Paris. Agarraram o lépido e imor(t)al senhor, dotado de uma das caras de pau mais lustrosas do planeta, fazendo transferência de uma quantia inimaginável de grana. Agora, ele deve estar lá reclamando e dizendo que "Paris está de joelhos" ou qualquer outra de suas frases de bolso do tipo. Tá certo que, com a lisura de um peixe ensaboado que o dito cujo tem, vai se safar dessa rapidamente. Mas tudo bem. Só a humilhação de ser preso na Cidade Luz, metendo a mão numa grana, já me deixou bastante contente. Agora, se um cara ficou preso por 31 anos no Canadá e era inocente (mais uma bizarrice do dia), o que esperar da pena do senhor Paulo Maluf? Vixi. Tragam-me um ábaco! Clara McFly às 04:54 PMPor um autêntico "Happy End" Quando eu morrer (se isso tiver mesmo que acontecer um dia) tomara que seja do jeito que sonhei. Trajada com um elegante vestido preto que exalte meu olhar, vou sofrer um ataque cardíaco fulminante e indolor enquanto dou uma entrevista sobre como foi ter dirigido mais de 80 comédias hilárias. Sim, eu sou adepta dos finais felizes... Eu acho de verdade que, se a gente vai ficar apertado na poltrona do cinema por duas horas, pelo menos que o filme assistido nos brinde com um final animador, esperançoso e agradável. De cruel, vil e frustrante já basta a vida, poxa! Um dos que eu mais gosto é o de “Um Sonho de Liberdade”. Claro que eu não vou contar, porque sempre tem que não viu, mas basta dizer que esse é um caso clássico em que a gente sai do cinema achando que tudo é lindo, que há luz no fim do túnel, que mesmo que passemos 20 anos na cadeia sendo torturados e estuprados ainda tem jeito de ser feliz! Alguns filmes precisariam, por exemplo, rever seus conceitos sobre o amor. Eu posso fazer isso por eles em três exemplos? Não vão ser lá os finais mais acachapantes da história da sétima arte, mas podem aquecer um ou outro coração enamorado! O Casamento do Meu Melhor Amigo A Princesa e o Plebeu X-Men Diversão Ilimitada Zelda dividia o apartamento com seus dois namorados surfistas e uma criança adotada, trabalhava como repórter, passava os dias atormentada pelo chefe rabugento e mantinha uma engraçada amizade com a mãe de um bebê extraterrestre. Para quem não viveu nos anos 80, essa história beira a insanidade. E como "Armação Ilimitada" era deliciosamente insano! Até hoje me surpreendo com a excelência do meu programa favorito - e não me conformo que uma obra-prima dessa esteja aos poucos caindo no esquecimento. Não podemos deixar isso acontecer! Depois de muito enrolar, decidi escrever um artigo sobre "Armação", o que para mim é uma tremenda responsabilidade. Mas como faz cerca de 15 anos que a série global parou de ser exibida, tentei vasculhar informações sobre ela na Internet. Você acredita que desliguei o computador quase de mãos vazias? Como algo tão bom é apagado da memória televisiva sem mais nem menos? Quem topa uma campanha para a Rede Globo lançar a atração em DVD? Eu seria a primeira da fila. Digo isso porque era completamente viciada no programa, e me recordo perfeitamente de quando assisti ao último capítulo. Tinha 11 anos e passava as férias em Piracicaba, e meu primo mais novo queria ver algo em uma outra emissora, bem na hora da despedida! Comecei a chorar porque simplesmente não poderia perder o grande final por nada nesse mundo e, depois de muita briga, venci pelo cansaço - e pelo choro, que se intensificou quando ouvi aquela música pela última vez. Zelda Scott (Andréa Beltrão) era de longe minha favorita. Se eu fiz jornalismo, sim, a culpa é um pouco dela. A garota morava com seus DOIS namorados, Juba (Kadu Moliterno) e Lula (André de Biasi), super amigos e sócios na empresa Armação Ilimitada - que resolvia qualquer tipo de encrenca, principalmente se pudessem incluir pranchas de surfe, asa-deltas ou motocicletas. Tinha ainda o pequeno Bacana (Jonas Torres), achado num circo e adotado pelos três. Completavam o cast a esotérica Ronalda Cristina (Catarina Abdalla), que tinha um filho alienígena, e o Chefe (Francisco Milani), editor do jornal Correio do Crepúsculo. "Armação Ilimitada" permaneceu três anos no ar (de 85 a 88) e fez história. Principalmente por ser destinado inteiramente a um público jovem, o mesmo que hoje tem de engolir "Malhação" e outras coisitas do gênero. Eram histórias de aventura narradas em ritmo de videoclipe antes da era do videoclipe, usando e abusando de efeitos gráficos (lembra dos balõezinhos de pensamento do Bacana?), de linguagem rápida e inteligente. Os nomes dos episódios também merecem um parágrafo à parte. "Dama de Couro" (tirando sarro do seriado policial que passava na época, "Dama de Ouro"), "Jambo Para Matar" (zoando o personagem musculoso mais em moda naquele momento), "Meu Amigo Mignum" (o primo pobre do detetive de camisa havaiana) e o insuperável "O Caso Júnior Filho", só para citar alguns. Por tudo isso, "Armação Ilimitada" só encontrou seu fim no coração de filhos ingratos. Pois no meu, a memória da série continua vivinha da silva. E agora estou feliz, porque se outra pessoa ávida por relembrar tal preciosidade fizer a mesma procura que eu fiz ontem em algum sistema de busca, esse humilde textinho poderá aparecer. A gente faz o que pode, né? ![]() Nem uma imagem melhorzinha eu encontrei...
Terras inventiis Eu tenho uma leve desconfiança de que o Suriname não existe. Tá, eu sei que dizer isso assim, a seco, dá pontos para as pessoas que acreditam que eu não bato lá muito bem. Mas vamos aos fatos: alguém aí fora já viajou para o Suriname? Alguém já viu fotos do Suriname? Alguém se lembra de alguma notícia ou fato importante acontecido no Suriname? Das duas, uma: ou não acontece nada lá ou o pedaço de terra que, dizem os mapas, está compreendido entre a Guiana e a Guiana Francesa não existe mesmo. Se você chegar ali no Pará e for subindo em direção ao norte, aposto que há de topar direto com o Oceano Atlântico. Tudo bem que também não se ouve dizer muita coisa do Uruguai, por exemplo. Mas a gente sabe que ele existe: tem seleção de futebol e até já ganhou do escrete canarinho numa humilhante final de Copa do Mundo. Qual não foi minha surpresa ao encontrar, então, uma notícia de que o presidente do Suriname estava no Brasil! Por um instante, acreditei na existência do país. Mas logo percebi que era uma pista falsa: o nome do cara é Runaldo Ronald Venetiaan (?!). Se isso não soa como um nome inventado para você, é porque sua graça deve ser Art Vandelay. Ou Wylla Orvalho. Após extensa pesquisa para determinar se o Suriname existe ou não, descobri que um famoso jogador do Milan, Seedorf, diz ter nascido lá. Mas até aí, eu posso dizer que nasci em Xangri-La. Ou em qualquer um dos países que eu inventava quando era menor, depois de ter lido "O Menino Maluquinho". Aliás, vai ver foi essa a origem do país. Algum arqueólogo encontrou um mapa feito por mim ou por qualquer outra criança que pegou essa mania de inventar terras, florestas e relevos generalizados depois de ler o livro. Ninguém se dispôs a ir até lá checar, ficou o dito pelo não dito e assim surgiu o Suriname. E não só o Suriname, mas também Cesário Lange (?!) e Walla Walla (onde diz ter nascido Adam West, o inesquecível Batman-Barrigudo). Clara McFly às 07:22 PMQuem liga pras meninas do Leblon? Desde os bancos escolares eu sofro de uma síndrome: sou apaixonada por meninos de óculos. Na verdade, acho que qualquer pessoa fica bem atrás desse acessório desprezado – mas que, pra mim, dá um charme danado e ainda evita que a gente tenha que passar por aquele sórdido processo de enfiar meia mão no globo ocular acomodando lentes de contato. Quem sofre com seus mais de cinco graus de miopia tem razão de optar pelas tais plaquinhas molengas ou pela cirurgia mesmo, tudo bem. Mas que usar óculos é muito mais bacana do que agüentar aquele processo quase cirúrgico que envolve soro e pedaços de plástico gelatinoso, lá isso é. Quando nosso querido Herbert canta “se eu tô alegre eu ponho os óculos e vejo tudo bem/ mas se eu tô triste eu tiro os óculos e não vejo ninguém”, me sinto em casa. E as “meninas do Leblon”, que não olham mais para ele, que se lasquem. Devem ser umas chatas mesmo. É isso aí: os aros não me servem só para ver melhor, mas também como disfarce. Já contei que sou envergonhada por natureza. Então, quando eu sei que vou passar por uma situação embaraçosa ou que vai me deixar nervosa além da conta, ajeito meus óculos no rosto e pronto! É como se eu estivesse usando o uniforme do Batman. Além de tudo, como disse, todo garoto pelo qual eu já senti uma queda era da turma dos “quatro olhos”. O que eu amo hoje, por sinal, também é do time. E como fica fofo... Parece o Harry Potter em tamanho grande. Aliás, bela lembrança: preciso dizer que o bruxo-mirim que virou blockbuster possui a função social de desmistificar o uso dos óculos. Se antes eles eram o passaporte para apanhar todo dia dos moleques maus na escola, hoje, com Mr. Potter fazendo sucesso, criança que usa essa coisa é bem melhor vista (com o perdão do trocadilho). Foi o que ouvi falar, pelo menos. Mas vai ver isso também é um cenário que eu pintei nas lentes dos meus queridos óculos. ![]() Por trás de toda lente bate um coração, né, Harry? Xi, deu tilt em mim Quem trabalha muito tempo em frente de um computador acaba ficando terrivelmente mal acostumado com as facilidades que a máquina proporciona. Odeio admitir isso, mas não conseguiria mais funcionar sem essa caixa barulhenta, essa tela que cansa a vista e esse teclado cheio de botõezinhos (sendo que ainda não conheço a função de um monte deles). O pior de passar horas na companhia de tal tecnologia é que continuo com mentalidade de computador mesmo depois de apertar o "desligar". Assim, frequentemente me pego querendo fazer as mesmas ações que faço diante da máquina, mas adaptadas no dia-a-dia. Como eu já quis poder apertar meus botões inexistentes para consertar ou melhorar diversas coisas na minha vida! Tudo seria muito mais simples se tivéssemos as teclas... Desfazer Salvar Deletar Reiniciar Travar Copiar e Colar
Pedra, papel ou tesoura Quando eu tinha 12 ou 13 anos, ganhei um Master System. O problema com esse videogame é que ele não é tão velho e tosco para virar cult, como o Atari, nem tão novo (não me diga!) e hi-tech como a família Playstation, que é usada hoje em dia. Assim, o Master acabou caindo no limbo. Uma pena, viu? Porque eu adorava meu Master e me lembro de quão divertido eram seus jogos até hoje. Para prestar uma homenagem às longas tardes de sábado que passei com o joystick numa mão e um saquinho de Confeti em outra, disputando rodadas com meu irmão lá em casa, aponto os quatro jogos mais legais do saudoso (pelo menos para mim, pôxa!) Master System. 4. Jogos de Verão 3. Alex Kidd in Miracle World 2. Castle of Ilusion 1. Psycho Fox E o pior, na minha opinião, era o do Indiana Jones. Tinha só quatro fases e era chatíssimo, ao contrário do filme. Fechei no mesmo dia em que aluguei. Isso é que é jogo ruim! Mesmo assim, era melhor me arriscar no controle do Master que tentar jogar o Playstation do meu amigo. Quando tentamos jogar Rugrats, eu encalhei o Tommy com a cabeça contra a parede e não conseguia mais mexê-lo. É muita tecnologia e muito botão para mim! É nisso que dá ser uma garota criada nos anos 80... Clara McFly às 04:39 PMA ordem dos tratores não altera o viaduto A sabedoria popular é uma das coisas que mais me fazem rir. São vizinhas cheias de mandingas, tias detentoras de frases hilárias, mães, pais, sogras e avós que criam pérolas do palavrório. Siga-me pelo mundo encantado dos erros de interpretação! Você já ouviu alguém dizer que foi “afetivado na empresa”? Quando eu ouço esse tipo de expressão, a última coisa que eu penso é que é ignorância. As pessoas que trocam todo o sentido de uma oração são muitíssimo necessárias pra manter a porção bem humorada da nossa vida funcionando. Por isso eu venho coletando preciosidades como essas há dias, perguntando entre amigos e parentes quais as melhores. Quem lembrar de mais pode me mandar. Vai ser um prazer rolar no chão de rir tudo de novo. Afetivo na empresa Casa germinada Dente do cisne Estado de goma Trocar o fuzil Chuva de granito Libras estrelinhas A vitrola gira e a saudade bate Pode me chamar de saudosista: eu sou mesmo! Acho que não teve época tão legal para ser criança quanto os anos 80. Pelo menos no quesito músicas infantis, nós estávamos bem servidos. Quem passou os tenros anos em décadas posteriores teve de se contentar com canções pseudo-infantis (mal) cantadas por loiras apresentadoras de programas de TV. Tadinhos. Pensando nisso e remexendo na cachola, juntei os fragmentos de memória e formei uma lista das músicas que eu mais ouvia e gostava quando era criança. Uma lagriminha escorreu a cada lembrança, isso devo confessar. Portanto, não se assuste se eu me alongar no texto de hoje. É que a saudade também é compriiiiiiiiida...
"Pra Ver Se Cola" - Trem da Alegria "O Carimbador Maluco" - Raul Seixas "História de uma Gata" - Nara Leão "A Casa" - Boca Livre "João e Maria" - Chico Buarque "Ciranda da bailarina" - Edu Lobo & Chico Buarque ![]() Vontade de desenterrar a vitrolinha!
Eu queria tanto um… Quando o assunto cai em brinquedos da infância, tem três itens clássicos dos anos 80 cuja falta me deixa realmente frustrada. Sim, porque eu brincava com as tais peças nas casas de primos, vizinhos e amigos, mas não tinha os meus próprios. Os objetos do desejo em questão eram o Pogobol, o Jogo da Vida e o Atari. Confesso que nunca fui muito boa em pular com aquela bolota separada por um disco, justamente porque não tinha como praticar! Só brincava com Pogobol nas festas infantis, onde invariavelmente havia uma ou mais crianças com o reluzente apetrecho e a trilha sonora oscilava entre "Hey Mickey" e "Superfantástico". Com o Jogo da Vida era pior ainda: o tabuleiro reluzente e os carrinhos coloridos, com aqueles pininhos cabeçudos (azuis para meninos e rosa para meninas), só caíam em minha ávidas mãos infantis nas férias de verão -- o proprietário do jogo era meu primo, que morava em Bertioga. Não é de se espantar que eu era a a principal fedelha a insistir que escolhêssemos a brincadeira (em que você podia virar médico, advogado ou professor) todas as tardes de chuva, quando não tínhamos nada para fazer. Eu tinha de aproveitar enquanto a caixa e a roletinha colorida estavam lá, oras! Por fim, ao Atari, um verdadeiro cult da década de 80, eu só tinha acesso na casa do vizinho da minha avó, meu amiguinho Mauri. Meus favoritos eram o Enduro e o Pacman. Talvez ele só tivesse os dois cartuchos, pois por mais que me esforce para lembrar, só consigo ver esse par de jogos na telinha daquela Telefunken… Passados os anos, vejo que me diverti com os brinquedos dos outros e isso não foi problema algum. Afinal, eu não era daquelas crianças que se jogavam no chão e esperneavam gritando "eu quero, eu quero, eu quero!". O jeito foi, então, aprender a dividir. E, tirando a ocasião em que enfiei um compasso no braço de uma coleguinha que não queria me deixar pular com o Pogobol dela, tudo acabou dando certo. E você, me emprestaria seus brinquedos? Nem se eu estivesse com um compasso na mão? Clara McFly às 04:08 PMBaixistas, esses tipos esquecidos Quem disse que o mundo da música é um lugar justo para se viver? Se fosse, os baixistas não seriam essas figuras relegadas ao segundo plano, sempre tendo suas fotos borradas e seus nomes trocados. É sempre assim: o cara que empunha a guitarra – e que costuma também ser “a voz” – vira ídolo, mas o pobrezinho do baixista fica atrás, servindo de cenário. E olha que muitas e muitas vezes, os baixistas são melhores músicos e mais apaixonados. E mais distraídos também. Vai ver é por isso que eles ficam servindo de escada. O baixista é sempre o sujeito que fica ali, viajando no som da canção como se estivesse tocando na garagem de casa pra uma platéia de sobrinhos. Marketing não é o forte deles, tadinhos... Vejo pelos meus prediletos. Eu não entendo nada de técnica musical, como já disse bastante, só sei do que gostam os meus ouvidos. E eles gostam muito de ouvir: Nate Mendel – Foo Fighters Bi Ribeiro – Paralamas do Sucesso John Entwistle – The Who Ben Orr – The Cars Meu irmão (mas vale também para aquele seu irmão, primo ou amigo baixista) Brincando de casinha Nunca imaginei o quão legal seria montar nossa própria casa. Agora que estou podendo fazer isso (ou melhor, tendo que fazer isso), me divirto horrores visitando todas as lojas de decoração, de eletrodomésticos e de materiais de construção da cidade. Aprendi o que querem dizer termos como "bricolagem" e hoje ninguém mais me enrola com preços de carpete de madeira. Como o entusiasmo é muito mas a grana não, resolvemos fazer listas de prioridades que deverão ser cumpridas em seu devido tempo. Durante os primeiros meses ficaremos apenas na lista 1 - que engloba coisas básicas como piso (não podemos dormir no cimento) e tinta (não conseguiria morar numa casa toda branca). O problema é que prioridade é um termo amplo - e estamos adquirindo brinquedinhos sensacionais que estão longe de serem básicos, mas ah, são tão bacanas. Conversei com Clara dia desses sobre o assunto. Ela também está equipando seu futuro lar e zanga o futuro marido quando fala que prefere gastar dinheiro num aparelho de DVD do que num... fogão. E se ela ficar o dia todo vendo filme, deixar o equipamento esquentar bastante e fritar um ovo em cima dele? Tá, péssima idéia. O fato é que entendo bem o lado dela, pois tenho que me policiar frequentemente quanto às tais prioridades. Por exemplo: não temos fogão, mas temos uma sanduicheira tipo tostex e fôrmas para bolo feitas de silicone; não temos armários, mas temos um porta-chaves de aço escovado que é uma graça; não temos cama nem colchão, mas o super edredon está vindo com meu irmão de suas férias em Londres; não temos luz em nenhum dos cômodos, mas temos uma lava-lamp. Só para se ter uma idéia, minha lista de prioridades inclui também um pé de pimenta. O brinquedo mais polêmico é a nossa recém-adquirida máquina de fazer milk-shake! Nossas mães ficaram um pouquinho injuriadas com a compra (ainda que tenha sido uma pechincha numa ocasião única), mas é só olhar para aquela adorável coisinha cromada e se apaixonar. Poderíamos fazer milk-shake no liquidificador ou no mixer? Poderíamos, não vou mentir para você. Mas para onde vai o estilo, hein? E as visitas nem vão reparar na falta de pratos quando existe uma belezura dessa para ser admirada. É tudo um truque friamente calculado! ![]() Diga alô, neném!
20 mil léguas sobre a cidade Eu devo admitir que sou uma garota rodada – no bom sentido, claro! Digo isso porque, de casa até o trabalho, enfrento 30 quilômetros na ida e mais 30 na volta, a bordo do intrépido Deep Purple. Nem precisa de calculadora para dizer que são 300 quilômetros semanais – sem contar as eventuais visitas ao papai, lanches com as Garotas e horas-felizes com outros amigos. Daria quase uma viagem até o Rio a cada cinco dias. Uau. Enquanto amaldiçôo essa vida passada entre faróis e buzinas, crio uns passatempos para distrair minha mente vã e pueril entre um pé no freio e uma troca de marcha. Já matei um bom tempo criando siglas para as placas dos autos que estão na minha frente. Assim, ó: MAI vira Matei Alguém com um Isqueiro. CRO pode ser Creme de Rocambole de Ontem ou Caída Repentina no Ovo. CSP é Comunidade da Salssaparrilha e Popeline. E assim por diante. A regra é quanto mais bizarro, melhor. O problema é que, depois desse último, os parcos neurônios responsáveis pela área de criação bizarra no meu cérebro morreram. Parti para a tentativa de identificação de batidas. Perícia de acidentes, para falar mais bonito. Via uma batida num carro e tentava adivinhar como diabos aquilo teria acontecido. O ruim é que a maioria dos amassados é bem óbvio: está no centro da traseira do carro, ou na lanterna. Era difícil aparecer alguma com a qual valesse a pena gastar o pensamento, como tetos amassados (?) ou capôs com vincos exatamente no meio, sem nenhuma marca ao redor do carro (esse deve ter sido atingido por um satélite de pequeno porte que despencou do céu). Agora passo meu tempo batendo papo com os vendedores de farol. No cruzamento da Rebouças com a Henrique Schaumann, duas avenidonas respeitáveis de Sampa, funciona um verdadeiro shopping. Comecei a fazer amizade com o pessoal ao agir como minha mãe me ensinou a agir com qualquer pessoa: educadamente, cumprimentando e respondendo ao que me perguntam, ao invés de fechar o vidro correndo, acelerar o carro e olhar para o lado oposto de onde eles vêm, carregados de flores, bobs esponjas infláveis ou escovas revo styler. Agora, o Sêo Félix (que vende panos de prato na Pamplona x Paulista) já me informa se tem guardas de trânsito multando por ali; o Vagner (que vende acessórios para celulares na Tancredo Neves x Vergueiro) me presenteou outro dia com um prendedor de cintos de segurança e a Andréia (flores, na Rebouças x Schaumann) está de licença para ter seu quarto bebê. Do qual, aliás, mal posso esperar para saber o sexo! Ripa na chulipa... ... e pimba na gorduchinha! Eu adoro futebol. Pronto, falei. Sei que a maioria das meninas há de achar um absurdo e a maioria dos rapazes vai dizer que é mentira. E que eu devo ser feia. E que falo isso para fazer tipo. Mas não é, não. Papai me ensinou a gostar desse esporte desde muito cedo, enquanto dizia no meu ouvido o nome do time que deveria entrar no coração: São Paaaaulo! Não se zanguem, amantes de todas as esquadras: eu sou Tricolor de coração, mas respeito o amor individual por cada um dos times existentes. Não tiro sarro de santista ou de palmeirense, não tenho ódio mortal por corintiano, não cuspo em argentino – até já comprei camisa do Boca Juniors, ó como sou eclética! Na verdade, caso não tenha nenhum filme bom passando na tv, eu troco fácil de canal para ver clássicos como Juventus X Jabaquara ou Remo X Náutico. Quando é jogo do São Paulo, entretanto, não levo a coisa assim tão numa boa. Nas duas vezes em que meu time esteve no Japão disputando a Copa Toyota (o verdadeiro Mundial, não importa o que digam), eu deixei festas pela metade para acompanhar o evento – sempre de pé, com o rosto quase colado na tv, roendo a unha de nervoso. Bom, mas para quem não aprecia o espetáculo ou não está nem aí se o Ronaldinho Gaúcho vai defender o Barcelona ou no Manchester, preciso contar que o futebol ainda provê uma diversão e tanto: os nomes dos jogadores. Preste atenção na próxima vez que um jogo estiver tomando a tela da sua tv, existem alguns hilários. Uma pequena listinha como amostra de que o futebol pode, sim, ser um deleite: Odivan Cláudio Pitbull Creedence Clearwater Couto Lúcio Flávio Abuda Danrlei E pensar que, se tivéssemos vivido num passado não tão distante, ainda seríamos brindados com Beto Fuscão, César Maluco, Canhoteiro, Valdemar Carabina e outros craques-do-nome... Fla Wonka às 03:06 PMSalve Ferris, sempre Não me lembro quando foi a primeira vez em que assisti a "Curtindo a Vida Adoidado". Só sei que faz algum tempo e, naquela época, já falava com orgulho que esse era o filme mais bacana do mundo. Hoje, depois de todos os anos que se passaram - e meu gosto por cinema se intensificou e evoluiu bastante - continuo achando a peripécia de Ferris Bueller uma das melhores coisas que já vi. Simplesmente não me canso da obra-prima de John Hughes, além de sentir que gosto dela cada vez mais. A mais recente assistida deu-se na semana passada, quando a Sessão da Tarde resolveu relembrar os velhos tempos e eu pude ver Ferris pela centésima vez. Quer saber? Continuo apaixonada pelo adolescente com carinha angelical e irônica ao mesmo tempo, que resolve cabular um dia de aula inventando uma doença e arrastando consigo seu melhor amigo Cameron e sua namorada Sloane pelas ruas de Chicago. Você não precisa ter motivo algum para assitir ao filme e se deliciar também. Mesmo assim, vou lhe dar 10: 10) A falsa doença 9) O diretor e a secretária 8) Os diálogos 7) A Ferrari 6) O golpe do restaurante 5) A irmã chata 4) A imitação do pai de Sloane feita por Cameron 3) A cena do museu 2) As conversas com a câmera 1) A parada ao som de "Twist And Shout" ![]() A filosofia da minha vida
Para rir por último Nossos fiéis leitores provaram que, quanto mais gente entra numa brincadeira, mais divertida ela fica. Conforme prometido, os musical guilty pleasures mais bacanas da turma do Ni! estão listados aí embaixo. Agradeço a todo mundo que escreveu e tornou o jogo muito mais gostoso. Improvisei uns nomes de fantasia para o pessoal eleito a fim de manter o sigilo, mas tenho certeza de que isso não impedirá o reconhecimento dos próprios (só por eles mesmos, é claro)! Então, dêem as mãos, imaginem os primeiros acordes de "We Are the Champions" -- uma das músicas da vergonha mais votadas -- ergam os braços e cantem, todos juntos: We aaaaaare the champions, ma frieeeeeend… Com a palavra, a "Srta. F" "Mr. Asimov" confessou e explicou "Atacante de Botão", de uma terra longínqua, abriu o coração "Nova Amiga de Minas" decidiu dividir "Minha Parente" elegeu a do título "El Patron", apesar de se dizer rock and roll, também não escapou "O Rei dos Jogos" entrou na roda "Miss M." não deixou barato "Dra. Dre" sacou dessa "Garota no Céu com Diamantes" não se contentou "Um Certo Capitão", apesar da precaução, não perdeu a vez Depois dessa participação admirável dos leitores, só posso terminar com um sonoro "Briga-dú!" à la Fábio Jr! Alô, criançada, o monstro chegou! Sabe uma coisa que me dá pânico profundo? Palhaço. E olha que isso vem de longa data, de muito tempo antes de eu assistir "It – A Obra-prima do Medo" ou "Palhaços Assassinos", esses ícones do terror trash. Tenho arrepios na espinha só de pensar nessa gente de cara ultra-alva, cabelos coloridos em excesso e calças largas. Existe enorme possibilidade de um cidadão trajado dessa maneira ser um serial killer ou um raptor de menores! Cabe qualquer tipo de item dentro daquelas calças, gente, de metralhadoras a anões bandidos! Não sei bem quando tudo começou. Lembro que uma das minhas tias usava quadros de palhaços para decorar as paredes da cozinha – aqueles com olho em forma de cruz e boca tristonha, sabe? Era deprimente, claro, mas não chegava a ser aterrador. Não, não foi isso... Acho que o problema começou mesmo quanto os familiares passaram a querer me levar no circo. Lugarzinho horroroso... Detesto ver aqueles animais coitadinhos fazerem micagens debaixo do canto do chicote para uma platéia sádica. Gosto dos malabares, trapezistas e contorcionistas, mas nos números com bichos e, principalmente no dos palhaços, eu sinto calafrio. Olha que eu até fui fã do Pan-pan, o palhaço que substituiu o Tic-Tac no comando do Bambalalão, mas parou por aí. Mesmo o Bozo me causava desconforto. Ficava imaginando que a qualquer minuto aquele cara ia surtar, desfazer o sorriso mórbido e atacar as crianças usando os cavalinhos da Bozocorrida. Os palhaços profissionais animadores (animadores???) de festinhas que me desculpem. Não quero botar areia no ganha-pão de ninguém, mas que esse emprego é assustador, é sim. Pra mim, todos eles são como o Krusty, dos Simpsons: virou as costas, os estranhões passam a mão num charuto cubano e num copo de tequila. Pra não dizer "num machado" ou "num punhal". E agora que precisei pesquisar na internet sobre o Bozo, os palhaços assassinos e coisa que o valha, danou-se: hoje vou ter que checar debaixo da cama antes de dormir se nenhuma dessas criaturas pavorosas está escondida me esperando... ![]() Bonitinho? Meigo? Cruzes, sai de mim!!!
Amiguinhos para 7 vidas Já andei confessando por aqui a minha paixão por gatos. Tenho alguns (sim, no plural - e bota plural nisso) e me refiro a eles como o sêo Silvio Santos se refere às filhas: tenho meu gato número um, número dois, número três... e por aí vai. Sei que o gosto geral da população é por cachorros, que são chamados de fiéis, enquanto gatos são tratados como egoístas e indiferentes. O pior é que a TV e o cinema não fazem nadinha para tentar quebrar o mito - e pior ainda, botam mais lenha na fogueira. Como também já tive cachorros, posso falar com certa propriedade. Experimentei os dois lados, no bom sentido, e escolhi os gatos conscientemente - por dezenas de motivos. Claro que isso é uma preferência de cada um, e eu sou realmente contra aquela briguinha para saber qual é melhor ou qual é pior, como se os dois não fossem igualmente necessários para fazer alguém feliz. Nos desenhos animados o gato só leva. Ele é um bicho burro, lento e ferrado na vida, que é passado para trás por um canário cabeçudo (no caso do Frajola e Piu-Piu) ou por um camundongo irritante (no caso de Tom & Jerry). Como é que os dois felinos NUNCA conseguem pegar suas presas? Quem tem gato em casa sabe que eles capturam uma mosca no ar com as duas patinhas. Não entendo o que esses desenhos têm contra os bichanos. No cinema não é diferente. O caso mais recente foi o filme "Como Cães e Gatos". Fui assistir sabendo que ia me zangar. Os cachorros eram nobres e bondosos e inteligentes, enquano os gatos era maléficos e estúpidos e manipuladores. Para piorar, o chefe da quadrilha era igualzinho a meu Theo. Grrrrr. Realmente não encontro motivo, uma vez que nunca ouvi falar de gato que avança nas pessoas na rua, ou gato que é treinado para virar uma arma, ou gato que ataca crianças que tentam invadir seu quintal. Se tem uma coisa que me tira do sério é ouvir gente falando que esses animais "gostam da casa, e não do dono", ou que eles são interesseiros e frios. Falem isso para a minha gata número... deixa eu pensar... quatro, uma princesa chamada Sofia, que eu peguei pequenina, magricela e abandonada na rua. Hoje ela é a gata mais linda e adorável do mundo todo (não é corujice) e não desgruda de mim nem um segundo - agora, por exemplo, está enrolada no meu colo enquanto escrevo esse texto. Se vou ao banheiro, lá está Sofia na porta esperando pacientemente - mas se eu demoro muito, a fofa perde as estribeiras e começa a arranhar a porta. Se fico na cama assistindo TV, ela pula e se ajeita do meu lado. Se levanto para buscar algo, ela acorda e me segue onde eu for. Se eu chego em casa, ela é a primeirona a me receber - antes mesmo de eu pegar a chave na bolsa. Existem quatro seres humanos aqui em casa, e ela só faz isso comigo. Será que a Sofia é egoísta e indiferente? Hmm, acho que não. ![]() Esse foi para você, querida
Confissões em qualquer nota Há algo de podre no reino dos meus gostos musicais. Sim, e aposto que no de vocês também. Como vocês já sabem, hoje é o dia das confissões dessas humildes Garotas que vos escrevem… Aí vai, então, minha humilde seleção.
"Breath Again" – Toni Braxton "The Promise" – When in Rome "Viva Forever" – Spice Girls Então, se você tem algo no fundo do armário ou na sua lista de MP3s (mais provável, já que dessas coisas basta gostar, não precisa comprar o CD) da qual cora de vergonha, pode compartilhar com a gente. Crie coragem, clique no nosso e-mail aí embaixo e responda qual é a mais vergonhosa música da qual você gosta e porquê. As melhores mensagens entram no meu texto de amanhã, aqui no site. Porque não basta ser leitor, tem que participar! Clara McFly às 05:47 PMEscrevi, mas de olhos fechados Elas sabem que eu fico vermelha num estalo com proposições absurdas como “vamos tirar foto no shopping vestidas com roupas antigas” ou “a gente podia ir num karaokê”. Clara e Vivi não ligam para o meu embaraço, e ainda vão me botar em encrenca. Começando por hoje: “vamos contar no Garotas nossas músicas infames prediletas?” Eu morro de vergonha, mas faço... Só preciso avisar antes que não admito que isso seja usado contra mim mais tarde! Eu juro que tenho bom gosto musical (na maior parte do tempo)! Mas é que sou muito suscetível a canções que crescem com o passar dos segundos e permitem uma interpretação grandiosa, sabe? Sim, porque não é só a Vivi que curte apanhar a escova de cabelo ou a colher de pau e realizar uma performance de popstar. Na verdade, gosto mais de dublar do que de cantar mesmo. Assim posso me preocupar somente com o desempenho. Ok, parei de enrolar! Segue a confissão... saco. “What a Feeling” – Irene Cara “You’re So Vain” – Carly Simon “Love is in the air” – John Paul Young “Mamma Mia” – ABBA “Livin' On A Prayer” – Bon Jovi | |||||||||||||