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Escadas para que te quero Apesar de ser uma amante confessa da bela língua portuguesa, a chamada última flor do Lácio e coisa e tal, tem algumas palavras que, em inglês, atingem em cheio conceitos que são intraduzíveis para nossa boa e velha língua nativa. Uma delas é sidekick;. A tradução mais próxima é escada, mas não aquele aparato com degraus que liga andares superiores e inferiores. É mais no sentido de duplas cômicas. Sabe aquele cara de apoio, que não é o principal da dupla? Pois ele é o sidekick. O fato é que estou explicando tudo isso só para dizer que, desde pequena, tenho descarada preferência pelos sidekicks, em todos os gêneros, números e graus. E, hoje, sem mais delongas, vocês ficam com a humilde lista dos sidekicks that kick asses -- ou seja, das escadas que nos levam a andares beeeem mais altos que seus "patrões", dos coadjuvantes que são muito mais interessantes e divertidos que seus pares principais ou, numa tradução à la dublagem do Discovery que Vivi tanto odeia (ou não), das "escadas que chutam traseiros". Olha eles ali no cantinho! 5. Bernardo Carlos (Selton Mello em "Os Normais"); 4. Roque (Programa Silvio Santos -- todos, desde o início dos tempos) 3. Sêo Flor (Rogério Cardoso em "A Grande Família") 2. Derico ("Programa do Jô") 1. Lôro José ("Mais Você") ![]() Não disse que eles vieram logo depois da grande explosão? A importância do catecismo Ah, jura mesmo que vocês pensaram que eu ia falar aqui desse curso para coroinhas? Não, gente... Toda minha relação com igrejas se resume a usá-las como ponto referencial (exemplo: "Vamos tomar uma Fanta Uva e comer empada naquele bar do lado da igreja?"). Mas tem um tipo de catecismo que eu defendo. Sigam-me. Acontece que quem tem crianças por perto, na família ou não, tem uma obrigação a cumprir. Quase tudo o que essas amostrinhas grátis de seres humanos conhecem é pela mão de um adulto, correto? Então a gente precisa saber o que entregar a eles. Não falo só de conceitos morais para reger a existência - como "não compre carro usado de playboy" ou "comida mexicana deve ser consumida com moderação" -, mas de literatura, música, cinema, ações gerais em prol de um crescimento sadio. Aquilo com que eles tomam contato na meninice fica para a vida toda, poxa! Pensando nisso (e tendo testado a teoria domingo após domingo nas duas garotinhas adoráveis que são minhas sobrinhas), resolvi dar idéias para vocês aí que têm oportunidade de botar caraminholas na cachola de um humano "de menor". Nunca é tarde para começar essa catequisação: Atividades Filmes Televisão Livros Dubla que piora! Tenho uma relação de amor e ódio com aquela coisa chamada dublagem. Quando eu estava na escola e assistia a todos os filmes da Sessão da Tarde, eu achava o máximo. Agora, quando vejo um canal como a Warner divulgar uma série nova (mal) falada em português, como se isso fosse um ponto super positivo, acho o cúmulo! Quando é que vou me decidir? Há certas dublagens que ficaram tão clássicas na minha cabeça que simplesmente não consigo gostar da voz do ator ou da atriz em seu idioma original. Muitos de meus filmes favoritos dos anos 80, sendo lançados em DVD, me mostram vozes desconhecidas para personages tão amiguinhos! Desculpe, mas ver "Curtindo a Vida Adoidado" em inglês soa deveras estranho. Aquela NÃO é a voz do Ferris! E o Cameron não grita com o diretor da escola falando a famosa frase "Com o perdão da palavra, Sr. Rooney, mas o senhor é um saco"! Isso acontece também com "De Volta Para o Futuro", "Quero Ser Grande", "Feitiço de Áquila", "Os Goonies", "Conta Comigo"... Esses eu prefiro ver dublado: os conheci assim, nessa linguinha latina bem complicada, e não consigo olhar para eles de outra forma. Mas é a exceção. Não sei se o nível de qualidade da dublagem caiu ou o quê, o fato é que a TV por assinatura me fez pegar tanta raiva dessas versões que só vendo. As emissoras usam e abusam do efeito. Ou melhor, só abusam mesmo. Em primeiro lugar, parece que hoje existem 5 dubladores ao todo. São sempre as mesmas vozes em TODOS os programas! Como já foi dito aqui no Garotas lá no nosso primeiro dia de atividade, o canal A&E Mundo consegue ter três atrações diferentes apresentadas por três pessoas distintas, todas com a mesma voz! E quando a fala em português é colocada em cima da voz original da pessoa em inglês? Pô, nem pra fazerem direito! O Discovery Channel é mestre nisso. Parece que não pode ficar pior: mas fica. Quem tem DirecTV conta com a "sorte" de poder assistir a um canal esotérico/sobrenatural/trash chamado Infinito. Os programas são em inglês, dublados em espanhol, com as falas em português sobrepostas! É quase uma ONU - ou uma salada bem indigesta. Fora que os dubladores não têm voz de gente normal, muito mesmo entonação de gente normal. Daí aparece uma velhinha vítima de um terremoto em São Francisco e a dubladora diz as frases, supostamente tristes e nervosas, como se narrasse uma receita de bolo de fubá. Se isso não for uma piada de mau gosto, esse nosso mundo televisivo está perdido... O cinema também não está livre. Eu, como outros fãs de desenhos animados, muitas vezes tenho que assistir às versões dubladas por pura falta de opção. Assim aconteceu com "Lilo & Stitch", disponível apenas em português. Fico na espera de ouvir os peixinhos de "Procurando Nemo" com as vozes originais. Será que terei de arrumar um banquinho para não cansar as pernas? Vivi Griswold às 08:38 AM
Por um punhado de usuários Já aconteceu com vocês? Muitas vezes, a gente está procurando alhos na internet e acaba achando bugalhos. Comigo acontece sempre, e pelo jeito com alguns leitores desse site também! Todo dia tenho o saudável hábito de verificar de onde vêm os últimos 100 pageviews do Garotas. A curiosidade, vocês sabem, matou o gato, mas é irresistível. O mais engraçado é que encontrei muita gente que chegou até nosso gorducho filhote rosa procurando coisas que não tinham absolutamente NADA a ver com um site de três jornalistas (mas limpinhas, é sempre bom lembrar!) que gostam de falar o que der na telha. Se segura na cadeira e dê uma olhada com que tipo de expressões alguns navegantes vieram desembocar aqui. Todos são de pesquisas feitas no Google. Pelo menos é o que o Nedstat, que mede nossos pageviews, me falou… 1. revista brasil rene russo pelada 2. travestis 3. yahoo xuxa mordida de amor def leppard 4. Fotos de Keanu Reeves pelado 5. jogos de colocar roupas em bonequinhas como a barbie Troca-troca (no bom sentido) Cada chinelo velho acha seu pé cansado? Cada panela tem uma tampa? Esse papinho de "duas metades da laranja" existe mesmo? No cinema, existe! Mas nem sempre as partes da fruta ou os citados objetos são juntados do jeito que deveriam. Como fã ardorosa de tontas comédias românticas, posso dizer: química é TUDO quando a tarefa é escolher um casal de protagonistas. Se eles não olharem nas pupilas um do outro com um mínimo de boa vontade e desejo, nós da poltrona vamos cair na real de que aquilo é fingimento e que nenhuma história é linda assim. Tá bom, algumas são... até mais. O diabo é que, em alguns filmes, parece que o diretor de elenco tinha tomado porre de gim tônica ao escolher os pares. Com a criatividade de uma professora de pré-primário - isso é raiva pessoal, que a minha sempre me botava para dançar com um garoto chato, daí parte do ódio à quadrilha junina -, eles juntam A com B sem noção do que fazem. Não adianta, pessoal de Hollywood, é preciso juntar direito os casaizinhos. Quer cinco exemplos bons e cinco maus? Siga em frente:
Um paciente Hugh Grant e uma mimada Julia Roberts Uma maníaca Michelle Pfiffer e um charmosão George Clooney Um encantador John Cusack e uma adorável Kate Beckinsale Um raçudo Keanu Reeves e uma valentona Sandra Bullock
Um mirrado Fred Astaire com uma deusa como a Audrey Hepburn Uma tensa Winona Ryder com um rançoso Richard Gere Um professoral Sean Connery com uma rebeldezinha Catherine Zeta-Jones O aborrecido Ben Affleck e qualquer moça Frases do mundo adulto Quando se é criança, poucas coisas irritam tanto como os adultos. Eles sempre acham que sabem tudo só porque começaram antes a acumular os dias na idade - como se ficar velho é necessariamente ficar mais sábio. De uma vez por todas: não é. E nada melhor para provar essa teoria do que aquelas frases estúpidas que todos nós ouvimos um dia da boca de quem já apagou muitas velinhas do bolo. Nossa, como você está grande! Tomar leite com manga dá dor de barriga Se você plantar bananeira, o sangue desce todo pro cérebro Não fica com medo que o cachorro sente Injeção não dói, é só uma picadinha de formiga Não assista televisão de perto que cansa a vista Papai do Céu anota tudo de ruim que você faz num livrão Se não tomar café-da-manhã, vai desmaiar na escola Você acha que eu sou dona da caixa-forte do Tio Patinhas? Antes de casar sara
Positivo para sangue Assisto tanto a "Detetives Médicos" e seus similares do Discovery Channel ("Os Novos Detetives" e "Os Arquivos do FBI"), além das versões fictícias do tema ("CSI" e "CSI Miami", da Sony), que das duas uma: eu podia virar polícia forense ou cometer o crime perfeito. Caso eu fosse uma menina má e me decidisse pela segunda opção, planejaria o crime tendo à mente os seguintes lembretes – todos aprendidos com a freqüente e voluntária exposição aos programas de TV supracitados: 1. Não fazer uma poça de sangue durante o "serviço" 2. Não comparecer ao local do "trabalho" com um poncho peludo 3. Não sair comprando tudo e todos com os cartões de crédito que você acabou de surrupiar da vítima 4. Não jogar a arma do crime num rio ou pântano 5. Não enterrar os restos mortais no quintal, no porão ou perto de um rio 6. Não largar o esqueleto todo no mesmo lugar 7. Se você pretende matar seu cônjuge, não fazer um seguro de vida milionário em nome dele poucos meses antes 8. Não demonstrar seu total e completo ódio pela vítima, se você a conhece 9. Não utilizar, como meio de transporte até a cena, um carro muito exclusivo 10. Não deixar a vítima te arranhar ou puxar seu cabelo Depois de tudo isso, é fácil concluir que não existe crime perfeito. Existe é polícia imperfeita. Mas com Grissom e sua turma à solta, eu não me arriscaria... Juízo? Eu passo longe... "Atrapalhada" é o meu nome do meio. Sou uma adulta que prende os cabelos na janela do carro e acerta fivelas de cinto no próprio pé, então imaginem minha vida quando eu era apenas uma criança com coordenação motora semidesenvolvida. O fato é que essa propensão a acidentes me fez criar resistência à dor - mas nenhum dos tombos da infância poderia me preparar para o que estava por vir no consultório do dentista. Deixa fazer a conta: recebi quatro pontos de costura acima na sobrancelha (escorreguei no molhado e despenquei pra dentro de um bueiro aos três anos), 13 outros na perna direita (caí sobre uma mesinha com tampo de vidro aos sete anos) e mais quatro logo acima do lábio (tropecei na rua com uma lata de soda e acertei a tal em minha própria face aos 10 anos). Total de 21, né? Mas na verdade eu ainda contabilizei mais um ponto cirúrgico na vida. Foi o famigerado dia de "retirar o dente do juízo". Juízo? Bom, eu quase perdi o meu de vez nessa intervenção. Dizem meus amigos hipocondríacos que a maior dor que alguém pode sentir é ter pedra no rim. Eu nunca contei com esses aerolitos internos, mesmo bebendo três copos de leite ao dia, mas desconfio dessa afirmação. Tirar um dente do siso é enlouquecedoramente doloroso. No dia em que me dirigi ao moço de branco para terminar com a dor incômoda, já esperava um processo problemático. Para começar, ele me deu seis anestesias - eu pedi, sou nervosa. Como o dentinho era gigante e torto, foi preciso abrir o local quase usando uma britadeira. Parecia obra de manutenção em galeria de águas na Avenida Paulista, com a diferença que o que jorrava para todo lado era o meu precioso sangue. Num certo momento, ele atingiu um nervinho. Tive impressão de que eu poderia saltar da cadeira e grudar do teto só usando as unhas. O conselho da categoria dos sádicos, digo, dentistas não poderia liberar uma anestesia geral para retirada desses tais dentes do siso? Gás hilariante não é mais utilizado? Será que ajudaria? O martírio levou cerca de 70 minutos para acabar. Não agradeci, óbvio, e nem dei bom dia ao doutor. Preferi mandar ele não relar a mão em mim (Doutor, não leva a mal a grosseria, viu?). Depois passei uns cinco dias com a bochecha do Kiko, o colega do Chaves, e comendo por um canudo. A explicação para esse dente danado ser chamado de "dente do juízo" é a idade em que ele aparece, por volta dos 18 anos, época em que a gente deveria tomar tento na vida. Bom, semana passada eu permaneci deitada uns minutos no chão da cozinha porque caí quando tentava me balançar apoiando uma mão na pia e outra no guarda-comida... O meu dente do siso podia esperar eu fazer 55 anos pra dar as caras, não? 13 motivos para ficar longe Piada de mau gosto ou um sinal do Apocalipse? Jason Voorhees e Freddy Krueger, os vilões de duas das sagas de terror mais famosas do cinema (respectivamente, "Sexta-Feira 13" e "A Hora do Pesadelo") vão encarar uma disputa máscara contra garra e medir forças para ver quem morre primeiro no caça-níquel mais cômico do ano, "Freddy Vs. Jason". E por favor, que alguém morra dessa vez. Sério. Pode ser qualquer um dos dois. Ou ambos, de preferência. Muitos diretores parecem ignorar o fato de que filme de terror não é para ser engraçado, patético e constrangedor. Será que é tão difícil entender que uma boa produção do gênero é aquela que arrepia, desconcerta e faz com que a gente esconda o rosto para não olhar o inevitável? Pegue "O Iluminado", para mim o campeão de todos. Ou "O Exorcista", que vem coladinho no segundo lugar. Ou "O Chamado", citando um recente. Medo é a palavra chave - soa um tanto óbvio, não? Pior que não. E vou dar 13 exemplos (sim, 13 para combinar com o assunto) dessa falta de noção. Segue um ranking dos piores filmes de terror de todos os tempos! Alguns fizeram você rir, outros fizeram você desejar reaver aquelas duas horas perdidas em vão. Crie coragem e vamos relembrar o que há de mais trash na sétima arte feita para assustar! Pelo menos na teoria...
12) "Candyman" 11) "Revelação" 10) "A Volta dos Mortos Vivos" 9) "Um Lobisomem Americano em Londres" 8) "Poltergeist 3" 7) "Olhos Famintos" 6) "A Casa Amaldiçoada" 5) "O Ataque das Abelhas Assassinas" (ou coisa semelhante) 4) "Lenda Urbana" 3) "A Noiva de Chucky" 2) "Medo em Cherry Falls" 1) "Jason X" ![]() E a gente achou que tinha parado por aí...
Pago mesmo, e daí? Quem não pagou o mico daquelas apresentações de fim de ano na escola, onde as crianças se vestiam com belas saias de papel crepom (para as meninas) ou chapéus de cartolina (os meninos) e cantavam e/ou dançavam alguma coisinha que, embora ensaiada à exaustão desde um mês antes da apresentação, ainda saía das marcações e só convencia mesmo as mães? Pois eu, não contente em pagar essas espécimes símias, peguei gosto pela coisa. Além das apresentações oficiais da escola, ainda organizava outras para fechar o ano nas férias de verão que passava na praia. Muitas vezes com a ajuda da minha mãe. Até que eu, minha prima e irmã decidimos fazer uma peça por conta própria. Eu contava 12 verões à época e escrevi um primor (ao menos parecia ser um) de comédia, de cunho político e social, que misturava no mesmo caldeirão o presidente recém-eleito Collor, sua ministra da Economia Zélia, o Papai Noel e o garoto-propaganda da C&A, Sebastian. Os detalhes de como esta bizarra turma se interligava fica a seu critério – mesmo porque eu até gosto de pagar mico, mas nem tanto. O fato é que minha prima ganhou o papel do Sebastian. Para isso, meteu uma meia-calça na cabeça, para parecer careca; pintou a cara toda com carvão (a gente não tinha noção mesmo) e vestiu uma roupa inteira branca – salvo as manchas causadas pela manipulação dos tiçõezinhos. O gran finale tinha até um numerozinho musical (como se não bastasse toda a salada anterior). Não contentes em promover tudo isso, ainda deixamos que alguém filmasse a peça. E fomos muito aplaudidas no fim. Claro, a apresentação foi no Natal e a casa estava lotada de amigos e parentes. O que tirei disso? Três lições: não confie na opinião de sua família; não deixe registro de suas bobagens e, por fim, divirta-se enquanto puder. Poucas ocasiões figuram na pasta “Coisas Mais Gostosas que Já Fiz na Vida”, junto à nossa peripécia nessa feita. Clara McFly às 06:38 PMPiadinhas musico-infames Com toda sua enorme bagagem de besteiras acumuladas por anos a fio, Clara fez um brilhante artigo sobre suas versões mais detestáveis de músicas em maio. Sabe o que mais? Eu também tenho contribuições nesse setor. Ando muito musical nesses dias, eu sei - só escrevendo sobre isso e estorvando os leitores com infindáveis listas de preferência e esculachos. Deve ser alegria de viver, mas também pode ser uma fase apenas. Prometo sair dela rápido. Bem, chega de falatório e vamos às mais intoleráveis versões gringo-nacionais. Só um aviso antes: tirem as crianças da sala, tomem um remedinho contra enjôo e não deixem mulheres grávidas se aproximarem muito dessa seleção...
Hey Jude (Kiko Zambianchi) X Hey Jude (Beatles) Carol (Carlos Gonzaga) X Carol (Neil Sedaka) Veste o Uniforme (Rumbora) X Born to Be Alive (Patrick Hernandez) Esteja no ar (Sandy & Junior) X Staying Alive (Bee Gees) Surf é o que Eu Sei (Juba & Lula) X Surfin' USA (Beach Boys) Santa de casa Todo mundo que já passou alguns minutos de tédio pela Internet deve ter feito essa coisa aparentemente estúpida e arrogante, mas muito esclarecedora: colocar o próprio nome em algum sistema de busca e ver o que aparece. Ah, você nunca teve essa experiência? Duvideodó. Eu mesma fiz isso algumas vezes, arrisco dizer. E fiquei pasma com alguns resultados. Pra começo, meu nome sempre me causou algumas raivinhas, não pelo nome em si - que eu gosto muito - mas porque posso contar nos dedos quantas pessoas o acertam de primeira. Após passar a infância e a adolescência comprando briga por causa disso, até que me acostumei a ser chamada de Viviane 80% das vezes. O diálogo é mais ou menos assim: - (Alguém) Como é seu nome? Segundo minha mãe, ela passou a gravidez inteira achando que ia me chamar de Cecília. Mas daí caiu nas mãos dela um daqueles livros de 1001 nomes de bebês e ela achou esse bonito. Tá, essa história não tem nada de emocionante. Sei lá, só quis contar. Então, voltando à procura. Em primeiro lugar, achei uma referência à novela mexicana "Viviana". Sim, isso existiu, e me lembro o quão constangedor foi quando o SBT resolveu passá-la não uma, mas DUAS vezes. Do enredo eu me esqueci, mas aposto que era sobre uma menina pobre, órfã e sofredora, que vende coisas como dobraduras de guardanapo para sobreviver. Daí ela se apaixona por algum playboy e fica sofrendo ao ser esnobada por ele - e pela vilã ultra rica e ultra maquiada. Outro resultado interessante foi a referência às lendas do Rei Arthur. Sempre adorei saber que meu nome tem alguma coisa a ver com Avalon e Camelot (apesar deste último ser um lugar muito bobo, se é que você me entende). Não sei se compro muito a balela - tinha uma Vivienne em algum lugar, não tinha? Ainda assim, fico feliz com a proximidade à turma de Merlin. A melhor descoberta de todas foi a da Santa Viviana. É sério, ela existe! Tentei me aprofundar mais no assunto, porém descobri pouca coisa. O dia dela é 2 de dezembro e costumam rezar pelas suas graças em casos de reumatismo. Reumatismo! Quer coisa mais específica? Não poderia ser a santa dos endividados, dos pobres e oprimidos, das criancinhas, gatinhos e cachorrinhos carentes? Não, tinha que servir só para dor nas juntas. Estava quase me deprimindo com essa falta de poderes de Santa Viviana quando apareceram algumas informações sensacionais sobre a minha xará. Apesar dela ter nascido em Roma (bingo!), sua fama foi feita na Beira Baixa, em Portugal. Não se sabe o motivo, mas as mulheres bêbadas do local passaram a adorá-la, fazendo dela a padroeira da manguaça! Pode? Bem que eu sempre me achei solidária à saga de Heleninha Roitman. Será que ela também sofria de articulações doloridas? Daí, tudo faria sentido. Vivi Griswold às 09:45 AM
Lição de piano, no sofá Nos meus doiros anos de infância, poucas coisas me deixavam mais empolgada que os especiais infantis da TV do Sêo Marinho (ó o respeito, que agora ele também é nosso chefe). Especialmente se, poucos dias depois da exibição acompanhada por mim no horário nobre, meu pai chegasse em casa com um embrulho quadrado e fininho debaixo do braço: a trilha sonora do tal! Quem viveu nessa época, como eu, também deve ter tido medo da música da Cuca cantada pela Ângela Rô-Rô (também, pudera!) no LP (sim, aquela maravilha de vinil enorme e com um buraco no meio) na trilha do "Pirlimpimpim", baseado na obra de Monteiro Lobato sobre o Sítio do Picapau Amarelo. E aquela parte em que ela começava a falar umas incongruências bruxísticas, tipo "frico frico frico/ nheco nheco nheco"? Eu corria de onde estivesse para pular a faixa. Outra coisa que me metia um pouco de medo eram aquelas formigonas do "Plunct Plact Zum", que queriam comer crianças com cobertura e cantavam com voz bem escabrosa o refrãozinho "Marshmallow, chocolate/ caramelo, chantily..." Da "Casa de Brinquedos", tinha a música da Simone sobre a bicicleta. Só recentemente entendi que ela soletrava a palavra no refrão: "Bê-i-cê-i-cê-éle-ê-tê-á/ sou sua amiga bici-cleta!". Mas minha faixa favorita, imbatível até hoje, é "Lição de Piano", uma marchinha com fraseados pianísticos (?!) assinada pelas Frenéticas. O que era aquela historinha sobre o professor de piano e a menininha, que viviam um tórrido romance entre um acorde e outro? A coisa toda era bem cifrada (prato cheio para os procuradores de pelo em ovo de plantão, apoiados em teorias de mensagens subliminares). Só fui entender o trocadilho das notas musicais há pouco tempo. Vê se você pega também. "Lá sol fá mi ré "Sol fá para a lição acabar"? Arrã. Não é de espantar que as lições deram em casamento. Sim, se você não lembra, o mestre e a discípula se casavam no final. Vai ver era para evitar a fadiga com os moralistas de plantão... Escreva um nome na história! A única coisa que eu consigo produzir e que se aproxima de um som musical é assoprar apito. Meu irmão bem que tentou me ensinar a tocar alguma coisa, mas tenho mãos pequenas (e desculpas esfarrapas a granel...). Mesmo assim eu sempre fico pensando no nome que daria para minha banda - se por ventura eu aprendesse música como que por encanto, sabe? Quando o Kevin Arnold, o protagonista da série "Anos Incríveis", montou uma banda, ele deu o nome de Sapatos Elétricos. Adorei! Acho que nome de grupo musical tem que ser assim mesmo, para dar risada. Músico que se leva a sério demais é um saco. Claro que, se eu fosse mesmo criar uma banda, não ia ser de nada além de rock. Mas, vá lá: se algum fio desencapasse na minha cachola e eu resolvesse ser pagodeira, não ia comprar o nome do grupo em loja de R$ 1,99. Sim, porque parece que é assim que acontece: os pagodeiros vão nesses estabelecimentos, compram a mesma caixinha de palavras e sorteiam a esmo, armando um mosaico com Gangue, Gueto, Harmonia, Turma, Companhia, Samba, Pagode. E mais que depressa eles se tornam Companhia do Samba, Turma do Pagode, Harmonia do Gueto, Gangue do... ai, que massante. Escolher o nome do conjunto, eu acho, é mais importante que ter um bom baterista - olha a horda de bateristas vindo me surrar com as baquetas! Tem bandas que nem são lá nenhum fenômeno, mas ô que habilidade de escolher nomes legais. As minhas prediletas: Save Ferris - qualquer um que faça referência ao Sr. Bueller conquista minha atenção. Bom, sem discutir a qualidade de todos esses no que concerne ao som, os nomes são bem melhores do que aquelas bandas que têm preguiça de pensar e botam lá no letreiro "The Alguma Coisa". O pior, para mim, é admitir que minhas bandas prediletas se encaixam nessa seara... Mas tem uma que chegou ao cúmulo de se auto-intitular "The The"! Vai ser sem graça assim lá junto da Companhia do Pagode. PS: O plano de montar a banda um dia continua, viu? Se quiser me salvar de ter algum nome bobo e esquecível, por favor, manda uma sugestão! Meu quarto, meu mundo Estou prestes a sair da casa da minha mãe. E quando eu contei a boa nova ao pessoal daqui, esperava uma pequena cena repleta de lagriminhas de alegria - e algumas de saudade adiantada também. Mas não aconteceu: na verdade, meu momento mágico virou uma pequena disputa pelo... meu quarto. A felizarda que receberá esse cantinho amarelo e roxo, com TV e DVD e som e um computador que não funciona, o Frank (é o nome do meu computador), é a minha irmã. Isso já estava decidido e prometido faz tempo, uma vez que a pobre tem de dividir o espaço ao lado com meu irmão. Dois adolescentes dividindo os mesmos poucos metros quadrados, xi, não dá. Sei muito bem o que é não ter um quarto individual. Quando eu era a adolescente, tinha de rachar o mesmo teto com meus DOIS irmãos, quando eles eram criancinhas. Então, ao soar as 7 badaladas noturnas do relógio, tinha que parar tudo o que estava fazendo, apagar a luz e me retirar do recinto porque era hora da caminha (ou bercinho). Fora que eles falavam dormindo e acordavam de madrugada. Nossa, como era ruim. Daí, quando me mudei para esse apartamento no qual me encontro hoje - por pouco tempo agora! - finalmente recebi a coisa que mais queria na vida: um quarto só meu. Eu mesma pintei as paredes das cores que eu mesma quis, coloquei as tralhas e os livros que bem entendi e, quando me dá faniquito de mudar qualquer coisa, posso fazer sem precisar pedir permissão, nem que seja às 3 horas da manhã. Só que ele ficou tão arrumadinho e equipado que virou a sala de estar da família. Sempre tem gente por aqui, todos apinhados em cima da cama (que já está afundando). E quando finalmente vou dormir, os gatos começam a chegar. Um por um, eles pulam em mim e vão encontrando um lugarzinho para a soneca, e eu fico sem poder me mexer direito. Fora que o Juju, meu gato número 3, gosta de ocupar o travesseiro e consegue, de pouquinho em pouquinho, me expulsar completamente. Folgado. Vou sentir falta dessas noites mal-dormidas no quarto só meu. Mas mal posso esperar pelo próximo, ainda que dividido - mas com alguém muito especial. Vivi Griswold às 08:59 AM
Ele não é o Messias Que filme poderia ser lançado na Suécia com uma campanha de marketing baseada no slogan "Um filme tão engraçado que foi banido na Noruega!"? Que filme poderia ter seis malucos interpretando cerca de 40 personagens? E que filme poderia ter feito o ex-beatle George Harrison criar uma produtora só para bancá-lo, pois achava que essa seria sua única chance de ver outra produção da insana trupe que assinou o projeto? A resposta para todas as perguntas acima, caro leitor (ou leitora), é uma só: “A Vida de Brian”, filme de 1979 assinado pelos nossos escancarados ídolos do grupo inglês de comédia Monty Python. Todo mundo sabe que queremos ser iguais a eles quando a gente crescer. Graham Chapman (que Brian o tenha), John Cleese, Terry Gilliam, Terry Jones, Eric Idle e Michael Palin ainda são, na nossa modesta opinião, os reis da comédia. A história gira em torno de Brian, um judeu que nasce na mesma noite que Jesus, na manjedoura vizinha. Depois do acontecimento fatídico, o pobre passa a vida tentando convencer as pessoas de que ele não é o Messias. Além disso, ele tem de lidar com Mandy, sua típica mãe judia, e com um grupo de revolucionários que querem libertação do domínio romano, mas que não são lá muito inteligentes. Hilário é pouco para descrever a experiência de assistir ao pouco mais de hora e meia dessa velha fita. O bom é que o filme é tão velho que, pelo menos na minha locadora, saiu de graça quando peguei outras três produções. Depois de unir o útil ao agradável, foi só recostar no sofá com um lencinho do lado (para secar as lágrimas de tanto rir), apertar o velho Play e curtir, assistindo a pérolas como essas: Rei Mago: Nós fomos trazidos por um estrela, senhora. Brian: Mãe, meu nariz é muito grande? Reg (líder do grupo que quer libertar a Judéia do domínio romano): Para se juntar à Frente do Povo da Judéia, você tem de realmente odiar os romanos. Brian: Vocês são todos indivíduos! Profeta: Haverão, nesses tempos, rumores de coisas que somem, e deverá haver uma grande confusão sobre onde os objetos realmente foram parar, e ninguém saberá de fato onde aquelas pequenas coisas com uma espécie de base trabalhada em ráfia e com uma haste estão. Nesses tempos, um amigo perderá o martelo de outro, e os jovens não saberão que fim levaram as coisas de seus pais, que seus pais deixaram ali logo na noite anterior, lá pelas oito. Em tempo: o lançamento de "A Vida de Brian" em DVD está previsto para a metade final desse ano. A gente se vê na fila da pré-venda... Moças que habitam em mim Se você é fã do Garotas já deve saber muita coisa sobre nós. Cada caquinho de texto, aqui, se transforma em um espelho da nossa alma (forcei?). Bom, mas se você nos visita há tempos deve saber sobre mim e minha paixonite por gente irreal. Até já publiquei a lista dos dez rapazes da ficção que, se passassem lá em casa, me levariam no bico. Agora preciso contar mais um segredo: as moças de cinema que eu queria porque queria ser... Cada uma joga em um time muito particular - e quem me dera ser a soma de todas elas. Algumas, na verdade, são exatamente o oposto de mim. Agora fiquei pensando: será que alguém aí do outro lado se importa com jeito que eu sou ou é tocado pelos artigos desse rosado site? Bom, não sei, mas foi por isso mesmo que ele nasceu. Agora segure a bronca. 10. Bridget Jones (O Diário de Bridget Jones) 9. Erin Brockovich (Idem) 8. Penny Lane (Quase Famosos) 7. Isabeau (O Feitiço de Áquila) 6. Lisa Carol Fremont (Janela Indiscreta) 5. Sloane Peterson (Curtindo a Vida Adoidado) 4. Holly Golightly (Bonequinha de Luxo) 3. Vianne (Chocolate) 2. Kathleen Kelly (Mensagem Para Você) 1. Amélie Poulain (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain)
Um dia eu mudo para Paris e viro a Amélie... Ah, viro! Logo ali, na rua do Limoeiro Poucas coisas conseguiam me fascinar mais quando criança do que o armário do meu tio. Sempre trancado (exatamente para não alimentar demais a fascinação dos sobrinhos), ele guardava tesouros inimagináveis, como uma estrela-do-mar, um caleidoscópio e alguns aviões em miniatura. Mas o que eu queria alcançar mesmo era uma pilha infinita de gibis, na prateleira mais inferior. Às vezes ele me deixava sortear um - e eu ficava a tarde toda feliz. A pilha era composta, em sua maioria, por revistinhas da Turma da Mônica que meu tio trancafiava desde pequeno. Lembro-me perfeitamente quanto ele me deixou segurar o gibi número 1 do Cebolinha! Se aquilo não for um pote de moedas de ouro, não sei o que é. Assim, pessei horas e horas da minha infância com aqueles personagens cabeçudos e hoje brigo com quem arrisca botar defeito na produção do sêo Maurício de Souza. Ok, sei que os traços não são uma perfeição, que os cenários são simplórios e as histórias, às vezes, são bobinhas. Mas e daí - se a diversão é garantida? Só quem um dia já passou algumas horas com um Almanacão de Férias no colo sabe do que eu estou falando. Meu gibi favorito de todos é uma relíquia que eu consegui guardar comigo quando meu tio mudou de país e os bens do armário foram divididos entre os sobrinhos (pelos sobrinhos mesmo, isso é segredo). Trata-se de um almanaque de planos infalíveis: uma a uma, todas as histórias mostram o Cebolinha e o Cascão traçando esquemas mirabolantes só para pegar aquele bendito coelho azul da Mônica, ou para fazer a baixinha, gorducha e dentuça parar de bater neles. É lindo. Na verdade, esse é o único gibi que ainda tenho aqui na minha estante. Faz muito tempo que não compro uma revistinha - talvez tenha a ver com o fato das histórias, muitas vezes, serem reedições das mais antigas, que eu já li no original. O último contato com os personagens da rua do Limoeiro foi quando aquele mesmo tio veio nos visitar com seu filhinho, e eu os acompanhei na visita ao Parque da Mônica. Não espalha, mas eu me diverti horrores. I love you, I hate you Esse vai ser um top 10 diferente: os 5 últimos lugares são os personagens mais legais do Maurício de Souza. Os 5 primeiros, os mais insuportáveis. Ah, só usei secundários, para dar uma chance ao underground 100% brazuca. 10) Xaveco 9) Cascuda 8) Floquinho 7) Louco 6) Zé Lelé 5) Papa-Capim 4) Pelezinho 3) Jotalhão 2) Bugu 1) Astronauta ![]() O Astronauta é o de capacete, tá?
Tudo sobre minha mãe Quando eu era pequena, achava secretamente que minha mãe era uma fada. Ela inventava mil coisas e brincava comigo o dia inteiro: enquanto limpava a casa, deixava eu me vestir com as roupas dela e me maquiar. Depois, na hora do almoço, puxava uma cadeira para perto da pia, cozinhava fingindo que era a Ofélia e me dava o papel de assistente no programa de TV imaginário. À tarde, depois de uma sonequinha, assistíamos a “Star Trek”; (ela é fã de ficção científica), “Jeannie É um Gênio”; e “A Feiticeira”. Não havia rotina melhor. Isso tudo entremeado de conselhos e frases típicos de mãe, coisas que, a meu ver, elas todas combinam numa reunião secreta anual, tamanha a semelhança dos ditos notada entre todas as mães do mundo. Afinal, quem nunca ouviu coisas do tipo “Apaga a luz, você pensa que eu sou sócia da Light?” ou “Não tira a casca, porque é aí que está a vitamina da maçã”? O curioso é que, aqui em São Paulo, faz bem uns pares de décadas que a companhia de eletricidade é a Eletropaulo. Mas ela ainda saca dessa pérola maternal. Não é de se espantar, portanto, que ao chegar à idade pré-escolar e, como tal, ser matriculada na EMEI (pré-escola municipal da terra da Vera Cruz), eu chorei uma semana seguida no cantinho da sala de aula, com saudades da mamãe. Nos dois anos em que estive na escolinha, não participava de nada da semana das mães. Começava a vazar pelos olhos toda vez que tínhamos de cantar musiquinhas sobre nossa progenitora. Depois me acostumei. E descobri que não era à toa que eu tinha um amigo imaginário (chamado Tio Badépi) e meu irmão também (chamado Duduca). Minha mãe me contou que, quando era pequena, tinha uma porção de amigos invisíveis, todos de proporções diminutas e chapelões, que moravam embaixo da cama dela. Pode ser que essa percepção alterada da realidade também venha nos genes. E hoje eu não acho secretamente que minha mãe seja uma fada. Tenho certeza absoluta de que ela é. Melosos comedores de morcegos Uma vez uma sábia garota me revelou um segredo: os astros do rock fazem toda aquela pose de esmerilhadores de guitarra no palco mas, no fundo, só estão desempenhando um básico dó, ré, mi. Bom, descobri que as letras feitas por alguns deles também não são lá nenhuma ode ao trash, mas uns mimos. Apesar de vestir preto-piche dos pés gigantes aos cabelos longos e aplicar tatuagens e piercings nos lugares mais bizarros, muitos roqueiros são uns grandessíssimos chorões, essa é que é a verdade. Ficam lá agarrando o microfone, se esfregando no chão e tocando as cordas com os dentes, mas no fundo só querem amor, carinho e uma garota que lhes dê bola. Duvida? Olhaí. The Who - You Better You Bet Blink 182 - What's My Age Again? Green Day - Church on Sunday Black Sabbath - Evil Woman The Police - Every Little Thing She Does is Magic The Clash - Train in Vain Rainha da lantejoula Certa vez, quando eu estava na segunda série do primário, minha mãe foi na reunião de pais e mestres da escola. Ao perguntar para a professora sobre o meu desempenho naquele ano letivo, ouviu a resposta: "a Vivi é uma ótima aluna, mas os trabalhos dela são até pesados de tanto que ela cola lantejoula". Fazer o quê se era caprichosa? E fazer o quê se meu capricho era, digamos, um tantinho além da conta? Para mim, em meus tenros anos de escolinha (no diminutivo mesmo), não bastava ser CDF: tinha que impressionar. Eu era daquelas que se não recebesse um elogio em cada desenho que fazia, ficava emburrada - e se o elogio viesse acompanhada da tão esperada e reluzente estrelinha, que a professora recortava em papel laminado dourado e colava nos melhores trabalhos... ah, a felicidade. Assim, usava e abusava dos recursos que eu tinha ao alcance de minhas mãozinhas. A caixa de lápis de cor de 36 unidades da Faber-Castel (aquela com duas gavetas) era minha maior companheira. Meus desenhos eram calculados de forma que todas as cores pudessem entrar. Tá, não eram CALCULADOS, mas eu enfiava todos os tons assim mesmo - principalmente o verde-água e o pink, meus favoritos da caixona. Para complementar, mais recursos eram necessários. Algumas moedas da minha mesada tinham destino certo: o bazar da esquina, um templo cheio de papel de carta, borrachas coloridas e com formatos distintos (e aquela que vinha anexada em uma escovinha, para limpar as migalhas que ficavam no papel), lapiseiras e canetas perfumadas, além de muitos vidrinhos de lantejoulas e purpurina. Tinha coisa mais legal do que pegar um tubo de cola branca, escrever seu nome com o bico e dar pitadas de purpurina em cima para as letras aparecerem em grande estilo? Então. Lembro-me ainda da febre da caneta de 100 cores. O mecanismo era como a Bic de 4 opções, aquela metade azul, metade branca - mas menina que tinha essa versão enxuta era considerada loser. O que ligava era ter aquela em forma de foguete (que até parava em pé na carteira), tão grossa que mal conseguia segurar. E para fazer render, escrevia cada palavra da redação com uma cor diferente. Depois, era só fazer a canetona caber dentro do estojo de melancia (ela ficava meio em diagonal), guardar a borracha em forma de sanduíche e a lapiseira com um pingente da My Melody, enfiar tudo na mochila Risca cor-de-rosa, fechar o zíper com o chaveiro de pé-de-pato e ir para casa feliz da vida - no banco traseiro do carro. Vivi Griswold às 10:26 AM
Cresce a família Chewbacca Eu já falei aqui da Defesa Chewbacca, excelente argumentação usada pelo Johnnie Cochran para ganhar a causa do Chef no "South Park", certa mão em que o pobre cozinheiro da escola foi processado pela gravadora da Alanis Morissette (?!). O essencial da Defesa Chewbacca é que ela não tem pé nem cabeça. No texto linkado aí em cima, você pode ver que existem também os versos Chewbacca, trechos de músicas que não dizem a que vieram. Foi só pensar um pouco mais a respeito do vasto cancioneiro popular brasileiro para perceber que a família Chewbacca, cuja especialidade é não juntar trá com lá, é ainda maior: existem os títulos Chewbacca, aquelas pérolas que não têm nada a ver com a música que intitulam ou nem sequer aparecem no decorrer da canção! Preparado? Então, acenda o charuto para celebrar a chegada de um novo membro ao clã dos peludos e cheque a lista abaixo. 5. Núcleo-Base, do Ira! 4. Teatro dos Vampiros, do Legião Urbana 3. Vapor Barato, vários intérpretes 2. A Sombra da Maldade, do Cidade Negra 1. Pintura Íntima, do Kid Abelha
Ele é que sabe das coisas… Fabriquinhas de idéias Eu era uma garota nerdzinha? Era. Eu tinha lá uma certa vergonha de fazer amigos? Tinha. Então qual era a saída divertida para liberar a imaginação quando se é desse jeito e se está por volta dos oito anos? Livrinhos! Minhas cinco preciosidades eram as que seguem abaixo. Tenho certeza que muitos de vocês, amigos aí da cadeira giratória, devem conhecê-los tão bem quanto eu. O de vocês descosturou a capa dura? Gastou nas pontas e descascou a dobra? Os meus sim. Mas é que eu li e reli 175 vezes, então o processo era natural. Nicolau Tinha uma Idéia - Ruth Rocha Os Três Porquinhos Pobres - Érico Veríssimo O Gênio do Crime - João Carlos Marinho A Fada que Tinha Idéias - Fernanda Lopes de Almeida Marcelo, Marmelo, Martelo e Outras Histórias - Ruth Rocha
Ainda tá embrasando a moradeira do Latildo, Marcelo? Lágrimas de crocodilo Sei que devo ser uma das 10 pessoas em todo o mundo que são telespectadoras assíduas desse programa... hã... diferente. É verdade que já tentei lutar contra o vício, tentei mudar de canal, desligar a TV para ler um livro ou bater um bolinho de fubá. Não adiantou: simplesmente adoro aquela besteira chamada "O Diário do Caçador de Crocodilos". Será que você ainda vai gostar de mim após mais esta revelação degradante? Tinha um pé atrás com esse tal Steve Irwin, o apresentador australiano com um monte de parafusos faltando na cachola. Achava que era apenas um maluco que saía pelos pântanos abraçando crocodilos e levando picada de cobras - tá, é isso que ele é, mas tal fato o levou ao estrelato e a um episódio do desenho "South Park". Então, depois que assinei o pacote que incluía o canal Animal Planet, a curiosidade bateu. De lá pra cá, toda segunda-feira é religiosa. Para quem não conhece essa pérola televisiva, vou explicar brevemente. Steve é diretor do zoológico da Austrália e, aparentemente, mora lá com sua mulher, Terri, e mais um punhado de gente que cuida de todos os animais do recinto. O programa mostra o dia-a-dia nos bastidores do parque gigantesco em uma espécie de "reality-show" do mundo selvagem. Mas ao contrário do "Big Brother" e afins, esse tem muito mais emoção. Onde mais veríamos Steve subindo numa árvore para resgatar um coala doente? Ou libertando um bebê canguru que ficou preso na cerca de arame? Ou dando banho em uma sucuri gigantesca? E tudo isso com um sotaque impagável (que por si só já garante a diversão) e uma narrativa à lá "Os Vídeos Mais Incríveis do Mundo". Demais! Quando menos se espera, estamos envolvidos na torcida pelo acasalamento de dois ratos do banhado! O melhor episódio de todos foi quando Steve e Terri tiveram um bebê. O maluco foi para o hospital apressado, viu o parto, se emocionou como qualquer pai. Mas assim que pisou no zoológico com a criancinha (chamada Bindi, não é uma delícia de nome?) ele deixou TODOS os cachorros do lugar se aproximarem e a lamberem no rosto! Até hoje não acredito. E agora ele carrega a Bindi onde quer que vá, seja para libertar tartaruguinhas no mar ou para caçar jacaré no escuro. Fora que eu já me peguei soltando umas lagriminhas - quem me conhece sabe que sou manteiga derretida mesmo, e quando tem bichinho no meio, já viu. Confesso que me compadeci com Steve quando a crocodilo (?) Mary morreu. Ele a enterrou num jardim do zoológico e, em prantos, fez um discurso digno para uma matriarca de 100 anos. Pena que não anotei os dizeres profundos. Garanto que foi bonito, viu? Por baixo daquela surrada camisa cáqui, também bate um coração. ![]() Craaaaazy white man!
Entre o ar, o Espírito Santo e o banco de trás do carro Se tem uma coisa que adoro, quando guio o intrépido Deep Purple (meu Corsa roxo) pelas ruas do eixo São Paulo-São Bernardo lá pelas onze da noite, é ouvir aqueles programas românticos tão populares nas chamadas rádios brega. O melhor, como já citei em algum texto por aqui, é o clássico Love Songs, da Sucesso (ex-Cidade), que cá em São Paulo é sintonizada no 96.9. A voz do locutor é impagável, num tom grave e meloso. Os prêmios para quem concorre são um jantar a dois num restaurante (que é perto da minha casa) ou uma noite num motel. E as músicas, ah!, as músicas... São perfeitas para a dublagem que Vivi destacou aqui. E às vezes, quando os locutores estão mais inspirados, eles fazem uma espécie de introdução à música que será executada a seguir. Coisas do tipo: "Se ele te deixou, não desanime! Apóie-se nas coisas boas da vida, dê a volta por cima e... esqueça!" Aí começa "Esqueça", do Fábio Jr. Genial. Quando você respira, eu quero ser o ar Achou a frase acima exagerada? Gosmântica até o dedo mindinho? Ridícula? Merecedora do troféu Markinhos Moura? Pois ela é mesmo tudo isso e um pouco mais: hilária, eu diria. E, pasme, há um ser humano sobre a face desta terra que teve cara-de-pau o suficiente para gravá-la. E a sério. Ele é Jon Bon Jovi, o rei das letras que se enquadram na extensa descrição definida na introdução desta retranca. E ele não fez isso só uma vez. As letras do astro, se passadas por um tradutor qualquer da Internet, fariam Netinho, Belo, Rodriguinho e até mesmo o experiente Fabião corarem. Duvida? Então segura essa seleção dos cinco versos mais melosos do cantor bonitinho, mas ordinário. Nem tem ordem de preferência, tamanha a (in)capacidade poética do moço. When you breath, I wanna be the air for you ("Quando você respira, eu quero ser o seu ar"), de "I'll Be There For You" If the river I cried ain't that long ("Se o rio que chorei não é grande o bastante"), de "This Ain't a Love Song" I wanna be just as close as the Holy Ghost is ("Eu quero estar tão próximo quanto o Espírito Santo"), de "Bed of Roses" I'll be there till the stars don't shine, till the heavens burst and the words don't rhyme ("Eu estarei lá até que as estrelas não brilhem, até que os céus se explodam, até que as palavras não rimem"), de "Always" Remember when we lost the keys, and you lost more than that in my backseat, baby ("Lembra de quando nós perdemos as chaves, e você perdeu algo mais no banco de trás do meu carro, garota"), de "Never Say Goodbye" Longa vida aos Senhores do Mal A verdade é uma só: eu me envolvo demais com a ficção. No cinema, dou showzinho de reações variando do choro compulsivo às gargalhadas em alto e bom som. Mas o pior é com as novelas. E eu ODEIO os vilões de novelas! Quando eu ficar velhinha e perder tanto a vista quanto a razão, provavelmente vou fazer parte daquela turma que dá guarda-chuvadas em atrizes na rua. O único senão é que, perto dos vilões do passado, os malvados de hoje são uns amadores. No passado, existiram atores especialistas em fazer aquele papel de ser humano trapaceiro, maligno, covarde e dominador. Eram os Lex Lutors da Rede Globo, então era natural pegar nojo dessa gente. Acho que o primeiro que me fez morder a almofada do sofá de raiva foi o Rubens de Falco. Rubão desfilou seu estilo coisa-ruim por várias novelas - quase todas de época, porque ele tinha uma baita cara de "Senhor do Mal Início de Século". Duas me marcaram: "Escrava Isaura" e "Sinhá Moça". O homem era tão maldito, mas tão maldito, que a simples menção do nome dele (Abílio, Leôncio ou algo antecedido por Coronel, nomes de gente má por essência) me dava asco. Foi o mesmo com a Yara Amaral. Lembram dela em "Fera Radical"? A mulher atazanou tanto a vida da Malu Mader e de meia cidade que eu desejei loucamente que ela sofresse um bocado. Agora imaginem aí o meu remorso quando a tal senhora naufragou com o Bateau Mouche no reveillon de 88/89... Mas pra mim o pior dos vilões da cena novelística é, até hoje, o Senhor de Monserrat - perto dele, Odete Roitman era uma senhora afável e o Ravengar era um mago bobinho. Vai ver um monte de gente nem se lembra, porque eu devia ser uma das oito pessoas que assistiu "Direito de Amar", com Glória Pires e Lauro Corona como casal central em 1987. Mas Carlos Vereza era um tremendo astro do mal naquela trama. Ele tinha tudo que um Vilão Mestre de Novela precisa ter: Se você conhece alguém com duas ou mais características dessas, fuja enquanto é tempo. Ou eles vão te fazer morder a almofada do sofá também. Era uma casa muito engraçada Ela tinha teto, tinha chão e tinha parede, mas marcou nossa infância como poucas. Ali era nosso território, ali podíamos aprontar até e não levar bronca. Ali fiz guerra de tomate, brinquei de represa, tomei banho de chuva no balanço e arrumei uma fogueira de jornal. Onde mais poderia me divertir assim, senão na casa da minha avó? "Casa da avó" é praticamente um termo, e todo mundo o reconhece. Apesar de histórias, endereços e cores diferentes, a essência daquela residência quase mística é sempre a mesma. Duvida? Então dê uma olhada nesse ranking que fiz das minhas melhores lembranças da época em que minha mãe me deixava por lá para ir trabalhar - e mal sabia como eu gostava daquilo.
9) A estante de livros 8) A garagem 7) A rede 6) O crochê 5) A TV 4) A decoração 3) O piso 2) A comilança 1) A horta Queridos leitores! Obrigadinha a todos pelas mensagens de apoio à coluna na revista Época. Ainda precisamos de um beliscão para acreditarmos! Ah, muitos perguntam pelo futuro do site: não se preocupem, o Garotas em sua versão online - e original - segue firme e forte, e logo trará mais surpresas! Uáháháhá! Vivi Griswold às 09:36 AM
Verduras, desenhos de baixo calão e dinheiro sujo Como bem observou Flá Wonka, o cinema nacional pode dar uns tropicos, mas segue muito bem, obrigada. Nossa geração assistiu a virada da produção cinematográfica brasileira dos filmes que sempre preenchiam alguma faixa de programação erótica da TV (tipo a finada “Sala Especial”) para películas indicadas nos melhores festivais internacionais (e eu não me refiro ao Oscar, mas sim ao Festival de Berlim). Nessa era do chamado "renascimento" da sétima arte por aqui, convém não esquecer do passado, quando algumas produções nacionais não contavam com muita grana -- tampouco com um texto muito bom -- para manter a indústria do cine em funcionamento. E é com orgulho que eu, moradora da cidade que abriga a outrora chamada Hollywood Brasileira (não sacou? É a Vera Cruz, pô! Eu moro em São Bernardo), apresento as mais fantásticas, bizarras e sujas frases dos filmes nacionais, pré-“Carlota Joaquina”. Direto do planalto de Piratininga... 5. – Só toca em mim casando! Só casando! - Darlene Glória para Paulo Porto, em “Toda Nudez Será Castigada”. 4. – Eu quero uma comissão nesse cabaço! - origem desconhecida. 3. – Pega esse dinheiro “sucho” e enfia no “rapo” - Betty Faria em “Lili Carabina” 2. Quem desenhou caralhinhos voadores na parede do banheiro? - Lima Duarte, em “Os Sete Gatinhos” 1. – Somos só eu, você e os hortifrutigranjeiros - Cláudio Cavalcanti em “Contos Eróticos”
Eu sei que minhas amiguinhas já disseram, mas eu gosto de fazer backing vocal: quem quiser nos ver em versão impressa, corra até a banca neste domingo ou cale-se para sempre. As Garotas Que Dizem Ni ganharam uma coluna na Época. Lá tem mais delírios e bobagens destas que vos escrevem, além de, pasmem!, uma foto nossa. Mas é só dessa vez que a gente vai revelar nossa identidade secreta, hein! Só acredita vendo? Então dá uma chegada no jornaleiro amanhã! Baila comigo, baby Dois pra lá, dois pra cá, gira e pega a moça no ar! Eu adoro cenas de dança no cinema. Só lá mesmo para uma garota se atirar de cima do palco e aterrissar direto dos braços de seu amado, que a ergue no ar como quem segura uma folha de papel. Eu sei que Ginger Rogers e Fred Astaire eram craques nisso, mas para dizer a verdade a idéia aqui é concentrar naquelas danças que abalaram os anos 80 e fizeram até as meninas mais travadas saírem remexendo pelo meio das garagens. Siga a bolinha saltitante e os desenhos de sola de sapato no assoalho e acompanhe o Top Five. 5) Flashdance 4) Dirty Dancing 3) Footloose 2) Curtindo a Vida Adoidado 1) Namorada de Aluguel Dança da vitória, u, u, u! Vivi mencionou lá, eu sigo explicando aqui e, se Clara não estiver com o queixo caído até agora, ela termina de contar mais tarde. Nós, garotas, agora somos mais do que um rosado site de textos e idéias na net. Com o aval da direção (que não somos de chegar-chegando sem convite), teremos para todo o sempre uma página rosada na Revista Época. Então, quem quiser conferir até onde chegamos com essa mania de grandeza abobalhada é só passar na banca de jornal amanhã. E depois escrever por Atendimento ao Leitor deles dizendo que nos ama. Não ama? Hum... Futurama O velho e empoeirado ditado diz que o futuro a Deus pertence. Eu não sei quem é o dono dele, mas o fato é que ultimamente ando pensando muito nesse tal de futuro. E como aqui no Garotas a gente gosta de escrever sobre coisas que já aconteceram (principalmente nos anos... bem, você já deve estar sabendo), resolvi fazer algumas divagações sobre o dia de amanhã. É, aquele que ainda não rolou. Futuro, nos filmes, é um tempo chato pra caramba para se viver: é sempre muito escuro, deprimente e violento. As ruas estão sempre molhadas e as roupas não são tão bacanas quanto poderiam ser (ué, e se eu quiser usar polaina no futuro, não pode?). O lado bom, aquele cheio de naves e de aparelhos revolucionários, não compensa a parte ruim. Sempre achei que deveria ser o contrário. Pegue "Blade Runner", por exemplo, e se pergunte se você gostaria de estar lá no meio, perdido num lugar sujo, cheio de poluição visual. Aposto que ninguém no futuro de Ridley Scott fala "bom dia" para as pessoas, ou segura a porta do elevador para o vizinho que está chegando cheio de sacolas. Aposto que ninguém mais come pipoca, fica de bobeira num parquinho ou faz palavras-cruzadas do jornal. Tô fora. Já o amanhã de "De Volta Para o Futuro II" é bem mais promissor. Ainda toca Michael Jakson na lanchonete, ainda se vende Pepsi e ainda passa "Tubarão" no cinema. Tem skate voador e jaqueta que se ajusta perfeitamente no corpo, e o combustível é feito de lixo reciclável. Mas mesmo assim, Hill Valley se transformou em um lugar imundo e as pessoas são tristes. É, não quero esse também. Não quero correr o risco de ter um alienígena na barriga, nem levar chuva ácida na cabeça ou padecer, com toda a Humanidade, por causa de um maldito meteoro que cismou em ficar na rota do planeta Terra. Quero continuar vendo meus amigos, comendo sanduíche de mortadela e jogar conversa fora por horas com as meninas. Já pensou? Nós seremos a Hebe, a Lolita e a Nair do ano 2050! Será que teremos assunto até lá? Ô se teremos! E se um furacão varrer todas as bancas de jornal? Meu artigo de hoje está saindo com algumas horas de atraso por culpa do tal futuro. Esse é o motivo de tantas indagações e das borboletas no estômago. Se tudo der certo (liga não, sou pior que São Tomé), domingo é dia de todo mundo que gosta dessas garotas bobinhas comprar a revista Época. Isso se as bancas não explodirem num ataque nuclear no sábado. Ai, céus. Vivi Griswold às 01:17 PM
É namoro ou amizade? Primeiro, os homens e mulheres ficavam em lados opostos do palco se observando com binóculos que pareciam de brinquedo – e, afinal, deviam mesmo ser, já que nenhum palco de programa de auditório pode ser tão grande! Depois, o Sêo Silvio dava a largada e os pares se formavam. Tinha homem que saía correndo, literalmente, em direção a seu recém-descoberto objeto de desejo. Aí, depois de uma breve conversa, todo mundo passava para um palquinho forrado de carpete vermelho e rosa, aos pares, rodopiando ao som de uma música qualquer, mas invariavelmente do Julio Iglesias (!). "Em Nome do Amor", neto do "Namoro na TV" e filho do "Quer Namorar Comigo?", foi um dos melhores humorísticos da TV aberta, para quem superava o constrangimento de se imaginar no lugar de um dos pretendentes ou pretendidos que iam com a caravana de algum-lugar-muito-longe para participar de um rápido processo de acasalamento. Os casais que davam certo eram presenteados com um buquê trazido pelo sempre solícito Roque, uma instituição dos programas de auditório do Sêo Silvio, ao grito do patrão: "Roque! Pode trazer as flores!". Alguns ganhavam uma viagem ou saíam para jantar ou dançar na efervescente noite de São Paulo às custas do Sistema Brasileiro de Televisão. Cortesia do Sêo Silvio. Esses programas considerados cafonérrimos parecem voltar à ativa com força total. Temos o "Fica Comigo", versão modernete da MTV. Hoje pré-estréia o "dateXpress", da Sony. E até os famosos parecem achar que um bom meio de arrumar um cobertor de orelha (acho esta expressão totalmente sem sentido!) é anunciar-se na TV. Não sei se este seria um bom exemplo de "famoso", mas vá lá: Latino é um que anda à procura de uma parceira em pleno programa vespertino da Sônia Abrão. Outros programas tão bons quanto, como o "Superpop" da Luciana Gimenez e o "Domingo Legal" do Gugu, exibem quadros à la "procura-se uma noiva(o)" – geralmente combinados e sempre desbaratinados pelo atento colunista Ricardo Feltrin. Mas nenhum deles, por mais insólito que seja, supera a matriz da qual foram xerocados, o inesquecível "Quer Namorar Comigo" e seus casais rodopiantes ao som de "Manuela". E a indefectível pergunta do Sêo Silvio: "é namoro ou amizade?" Já não se fazem maus programas como antigamente... Love songs are back again... Em homenagem ao Dia dos Namorados, segue a lista com as melhores canções internacionais de amor, na minha modesta opinião. Como toda boa lista, essa se modifica quase semanalmente – ou toda vez que estou desocupada o suficiente para pensar no assunto. 7. Suspicious Minds, Elvis P. 6. Baby It’s You, Beatles 5. One for My Baby, Etta James 4. There’s a Light That Never Goes Out, Smiths 3. The Tracks of My Tears, Smokey Robinson 2. Night and Day, Ella Fitzgerald 1. Piece of My Heart, Janis J. Pronto, falei demais e ele vai ficar com vergonha. Eu também já corei. Mas poderia ser pior. Nossa música de amor poderia ser "Manuela". "Consultório sentimental, boa tarde" Doutora Flá na escuta. Essa é a hora de sanar todas aquelas dúvidas sobre caras-metades que vocês, leitores queridos, precisam tirar nesse Dia dos Namorados. Como vocês ainda não podem ter acesso ao "Grande Manual Garotas que Dizem Ni de Compreensão Afetiva", reuni perguntas aleatórias de amigas e amigos próximos - para vocês verem que todos temos problemas semelhantes. Nota: Os nomes foram trocados ou abreviados para não levantar suspeitas. Aninha Terra Nostra, artista, pergunta: "Tenho tudo: sou bonitona, famosa e ganho uma boa grana fazendo reclame da Embratel. Mesmo assim não consigo um namorado por mais de dois meses. Qual o problema, eles têm medo de mim?" Mr. Grant, inglês bonitão, quer saber: "Eu procuro uma moça boa para casar, mas só me meto em encrenca com umas chatas piradas. O que fazer?" Adri G., apresentadora-atriz-modelo, levanta o problema: "Ah, doutora... Tenho quase certeza que não consigo um namorado porque dou prioridade à minha carreira. Não dá para conciliar?" T. Cruise, astro de Hollywood: "Minha esposa me largou porque não me entendia. Não me deixava jogar futebol, sair com os amigos nem ir em paz nas reuniões da Cientologia. Por que mulheres são tão possessivas?" Britney S., fenômeno pop, questiona: "Faço de um tudo para esquecer meu ex-namorado, Flá, mas não consigo me desligar dessa relação doentia. Você tem a fórmula?" Olha, gente, agora que vocês sabem que eu respondo sobre todo e qualquer assunto do coração, podem escrever pra cá. Juro não divulgar nomes e não revelar suas doideiras entre uma e outra gargalhada junto às demais Doutoras que dizem Ni... Promessa! Bem-me-quer, Mal-me-quer As margaridas que se cuidem. Hoje é dia de pegar uma florzinha e começar a tirar pétala por pétala só para saber se ele (ou ela) está destinado ou não a ficar do nosso lado. Esse tipo de adivinhação de amor é muito antiga e inofensiva, mas outras simpatias que povoam o folclore popular nessa data podem beirar a insanidade. Para quem tem um par, ótimo. Para quem não tem, o Dia dos Namorados é a data certa para fazer mandingas! Minha família sempre foi adepta da simpatia, fato que eu sempre achei divertidíssimo. Quando eu era criança e ficava na casa da minha avó, passava horas entretida com aqueles livrinhos toscos, feitos com papel jornal e uma capa sempre ilustrada desastrosamente, que continham magias das mais absurdas. Era mais engraçado do que qualquer almanaque de piadas! Só não achava muita graça quando me enfiavam no rolo, mandando eu ir jogar uns embrulhos suspeitos no córrego lá perto (a tal água corrente, lembre-se). Sim, eu era "a virgem" - figura importantíssima de 11 entre 10 rituais desse tipo. Mas tudo bem, na época eu ganhei muito picolé por prestar tais favores um tanto vergonhosos. Nos tempos da escola também participei de muitos joguinhos de adivinhações. Pudera, né? Quer época pior na vida em matéria de amor do que a droga do colégio? Porque a gente sempre se apaixonava pelo cara popular ou pela garota bonitona. E quanto mais inatingível, melhor. Assim, passei muito do meu tempo fazendo aqueles joguinhos de contar letras dos nomes (meu e dele), ou pulando corda cantando o alfabeto até errar e descobrir como começaria o nome do meu futuro marido e outras besteiras do gênero. Tinha ainda aquela célebre simpatia para ser feita entre hoje e amanhã (dia de Santo Antônio, pô!). O lance era escrever os pretendentes em pequenos pedaços de papel, dobrá-los todos da mesma forma e colocá-los em uma bacia (virgem, claro) com água. No dia seguinte, o papel que estivesse desenrolado seria o felizardo (ou a felizarda). Mas sempre me perguntei: e se não abrisse nenhum? E se abrissem todos? Ah, muito complicado. Love is in the air Hoje somos três garotas felizes ao lado de nossos respectivos namoridos. Mas claro que já passamos muitas datas desse tipo sozinhas, e conhecemos bem o que é sentir a atmosfera de paixão e não poder participar. Se você está numa situação dessas, vou fazer uma listinha para tentar animar. Espero conseguir, tenhamos fé. 5 vantagens de estar só no Dia dos Namorados 1) Não precisar se preocupar com presente
Precisa pagar o aluguel, né? Saca aquela técnica cinematográfica em que o personagem se depara com um revés e reage fazendo algo nonsense, depois a cena é cortada e ele volta à condição em que estava em primeiro lugar, fazendo a gente perceber que aquilo que aconteceu era um sonho? Assim fica meio difícil entender, mas vou exemplificar: quem assistiu "Alta Fidelidade" se deleitou com várias cenas assim, onde Rob socava, de maneiras diferentes e com a ajuda daquela dupla de vendedores impagáveis, o chato do psicólogo interpretado pelo Tim Robbins. Pois o tempo todo eu me deparo com situações cotidianas e imagino desfechos à la "Alta Fidelidade" para elas, mas não necessariamente violentos. Apenas bizarros ou merecidos. Outro dia estava assistindo a um dos meus humorísticos favoritos na TV brasileira, o talk-exu do Bispo Romualdo, aka Pastor de Madureira -- aquele sotaque e aquele naipe não me enganam: tenho clara impressão de que, nas horas vagas, o cara pode se meter num terninho branco, com palito no canto da boca, e esperar um mané para enrolar, encostado na porta de um bar. Êpa, peraí! Tirando o terninho branco e o palito... ah, deixa para lá. O programa mostrava uma sessão de exorcismo, com direito a uma fila de possuídos esperando ao fundo para serem libertados das entidades e seus pactos com o coisa-ruim. Acontece que essas pobres almas possuídas, que são mui gentilmente enganad... ops, quero dizer, salvas pelos pastores, aparecem na TV com uma distorção na área do rosto, para proteger as suas identidades. Aí aconteceu: a distorção saiu um pouco do lugar e o público pôde ver as feições de ninguém menos que Walmor Chagas atuand... ops, sendo exorcizado! No dia seguinte, o escândalo. Pelo jeito, não sou só eu que assisto ao talk-exu. As manchetes dos cadernos de cultura desmascaravam a farsa e bombardeavam Walmor com perguntas e acusações. O veterano ator declara numa entrevista coletiva: "Precisava pagar as contas, pô! A Globo não me escala para nada desde "Os Maias"!" Os colegas o defendem. Tônia Carrero e Paulo Autran vêm a público explicar que a profissão, apesar da fama que pode gerar, não tem o apoio necessário no Brasil e que, como todo mundo, os atores precisam de dinheiro. A moral da Igreja Universal fica seriamente abalada. Por via das dúvidas, o chefão manda tirar do ar os programas de exorcismo e pega leve no ataque aos praticantes da Umbanda. Nunca tantos fiéis debandaram de uma vez só. Corte. Ainda estou no sofá e a distorção jamais saiu do lugar, sempre eficaz a esconder o rosto dos ato..., digo, fiéis que aguardam sua vez de se livrar de um exu. Meu consolo é que meu humorístico favorito na TV aberta continuará no ar por muito tempo, pelo jeito. Mas a que preço!... Lá vem o Silvio lá, lá lá lá lá lá lá! Sua vó gosta tanto do Patrão Silvio Santos quanto de fazer bainha de crochê em pano de prato e de socar comida na sua goela? A minha também. E por um bom tempo essa senhora adorável me contaminou com o vício pelo Homem do Baú. Foi na época em que o Seu Silvião entrava no ar às 10h00 da matina de domingo e só deixava a tela do SBT às 22h00, quando então começava a transmissão de "Alligator". Ou de "A Escolha de Sofia". Ou "A Coisa". Enfim. Se dependesse de mim, começaria o dia assistindo o inventor do carnê mais difundido do Brasil dar prêmios na prova do foguete (a do "sim" ou "não" berrado no microfone, sabe?), depois veria a competição de dança que dava tênis Montreal à garotada, já embalaria no Qual é a Música? e terminariam vendo o Show de Calouros com flashes do The Gong Show. O problema: minha mãe não tolera (nem nunca tolerou) a voz do Silvio Santos. Acho que a risada forçada do homem está para minha progenitora como aqueles apitos ultrasônicos estão para os cachorros. E que boa audição... Eu ligava a tv na sala bem baixinho pra ver se o sujeito da peruca acaju ia tirar cobrinha ou florzinha da lata no Domingo no Parque e a criança ia ganhar ou não a bicicleta Monark, mas ela ouvia da cozinha, mandando eu mudar de canal no ato! Aí é que entrava a minha vó. Na casa dela eu podia ver o Tio Silvio sem galho, mesmo na hora da depressiva Porta da Esperança, do estúpido Roletrando ou do Namoro na TV, que contava com aquele tapete célebre mas cafona em formato de coração. Casa de vó é um antro de deseducação ou o quê? Além de me deixar enfiar o dedo no pote de sal e chupar, de ver televisão deitada no chão de cabeça torta e de subir no muro fino ou no telhado, vovó ainda permitia a plena apreciação de 12 horas ininterruptas de Silvio Santos. E olha que era o auge do Trio Los Angeles no Qual é a Música? e o corpo de jurados do Show de Calouros era composto por seres do calibre de Flor, Vagner Montes e Sérgio Malandro. Vó não presta mesmo... Fla Wonka às 01:41 PMBom brincar com você Não é segredo algum que aqui no Garotas costumamos celebrar aquela época em que a calça jeans chegava na altura do peito, era larga na perna e justa no calcanhar. Sim, os anos 80 nos marcaram pelo simples fato de que passamos nossa infância neles - e o que há de melhor na infância além de brinquedos? Se você respondeu "nada", prepare-se para voltar no tempo num ranking dos objetos de desejo mais adoráves daquela saudosa época. Fazer a lista foi tarefa das mais fáceis: bastou vasculhar na minha memória por imagens de todos os aniversários, Natais e dias das crianças pelos quais passei. As brincadeiras com a turma da rua e o armário dos meus primos, repleto de tranqueiras maravilhosas prontas para me receber nas férias em Piracicaba (também conhecidas como os dias mais esperados, divertidos e bem aproveitados do ano). Ah, e antes que cheguem e-mails furiosos na nossa caixa postal dizendo "cadê o Atari" e "o que diabos você fez com o Genius", vale ressaltar que, como a oferta é grande (e a saudade maior ainda), me concentrei apenas em brinquedos não-eletrônicos. Isso posto, a pergunta: você está pronto para brincar comigo?
9) Turma da Moranguinho 8) Tranformers 7) Petutinho 6) Pula Pirata 5) Lango-Lango 4) Geleca 3) Traço Mágico 2) Aquaplay 1) Pogobol ![]() Conta pra gente qual foi seu favorito!
Mulheres de capa e vida difícil Como garota, há uma coisa muito comum ao imaginário e às experiências dos meninos que é totalmente estranha e misteriosa para mim: o funcionamento das, digamos, casas de tolerância. Eu fico imaginando como será que as coisas rolam dentro desses recintos. Acho que deve ser um ambiente esfumaçado, onde as mulheres são bem misteriosas e andam com longas capas. Tá bem, talvez sem nada por baixo. Deve ter um monte de passagens secretas, das áreas comuns para os quartos, e acho que a comunicação é feita só por olhares, saca? Porque senão vira uma espécie de açougue, onde você escolhe a melhor peça de carne, e tudo fica um pouco deprimente. Todas as pessoas com quem divido essas minhas impressões sobre o funcionamento das casas da luz vermelha riem na minha cara e dizem que tá tudo errado. Eu já pedi a todos meus amigos que me levassem a um destes estabelecimentos para que eu pudesse matar minha curiosidade. Só um topou, mas tinha de ser na Kilt, uma "casa" caríssima aqui de São Paulo. Aí também já não dá, né? Outra coisa que acho estranhíssima sobre a chamada profissão das "mulheres de vida fácil" é exatamente essa nomenclatura: não deve ser vida fácil porcaria nenhuma. E deveria ser uma atividade registrada, já que, para mim, é um trabalho como outro qualquer, com dias bons e ruins, vantagens e desvantagens. Afinal, que é que tem de tão feio ou errado em vender o corpo? Um monte de gente passa 40 anos batendo cartão numa empresa onde faz algo que odeia. Pode não perceber, mas está vendendo a alma aos poucos. E entre vender a alma ou o corpo, preferiria vender meu corpinho. Depois eu compro outro numa liquidação do Wal-Mart, em cujas prateleiras se encontra de tudo mesmo. Menos uma alma nova. Ou oito ou oitenta Quando eu trabalhava no Itaim, todo dia passava em frente a um belo casarão de estilo colonial e muros, cuja única inscrição era uma xicarazinha de café na fachada. Eu jurava que aquilo era uma sociedade de admiradores do bom café, até que um amigo me alertou sobre a verdadeira natureza das atividades do lugar. Discretíssimo, o estabelecimento é o para lá de exclusivo Café Photo, casa da luz vermelha freqüentada só por ricaços aqui em São Paulo. Eu já ouvira falar dele, mas não sabia onde ficava. Isso é que é discrição! Por outro lado, no caminho para o lar doce lar de meu atual lerê-lerê, passo em frente a uma outra casa de alegria chamada, pasmem!, Tchella's. É como ter um cachorro e botar o nome de Rex, não? Saco cheio de vil metal Tenho problemas com dinheiro. Sim, eu até gosto dele - e, como diria Adam Sandler em "Afinado no Amor", eu uso, eu tenho um pouco, eu guardo num pote sobre a geladeira. Mas o fato é que não consigo me apegar a essas notinhas sujas e sem nenhum charme. Sim, é claro que eu tenho necessidades e desejos que só saem do balão imaginário que eu tenho sobre a cabeça por causa da bufunfa (e quem me conhece bem sabe que o balão costuma trazer "viagem, viagem, viagem, cinema, viagem, pizza"). É só por isso, aliás, que eu acordo de manhã e, em vez de tomar o rumo do parque, da banca de jornal ou de Aruba, pego a nada bela Marginal Pinheiros e vou trabalhar. Bom, mas o fato é que tem coisas que eu preciso e quero ter, e pago feliz por elas. Mas outras... Sinto muito, tem coisas que não me fariam sair da cama quentinha nem forçando com um macaco-hidráulico. Não pago nem a pau: por garrafas de bebidas que custem valores de três dígitos ou mais. Não pago nem a pau: por um automóvel que valha o mesmo preço de uma casa. Não pago nem a pau: para um psico qualquer ouvir meus problemas. Não me xinguem, psicos, mas eu não gosto mesmo disso. Não pago nem a pau: por peças de roupa que cobram o que cobram por causa da etiqueta. Não pago nem a pau: por s-e-x-o. Nem nunca vou pagar, mesmo que eu vire uma velhinha rica porém caolha, manca, malvada e solitária. Não pago nem a pau: por aparelhos eletro-eletrônicos de última geração capazes de tocar CDs, fotografar insetos, moer grãos e contar meus glóbulos vermelhos - tudo ao mesmo tempo. Não pago nem a pau: propina de qualquer espécie. É um golfinho fumando cachimbo! Quem estava habitando o planeta Terra no começo dos anos 90 não teve como escapar dessa mania que tomou conta de todos os recreios, de todas as horas vagas em casa e de todas as festas de família. Nunca um livrinho atraiu tantos olhares interessados e compenetrados. O estranho era que não havia uma palavra sequer - e os desenhos eram assim, digamos, difíceis de se enxergar. O livro em questão era chamado "Olho Mágico": uma brochura barata que, página após página, exibia imagens psicodélicas e abstratas. Porém, com um pouco de técnica e muita paciência, era possível ver formas que saltavam da página, em 3-D. A técnica era um tanto constrangedora. Encostava-se o nariz da página e, com os olhos vesgos e fixos em apenas um ponto (sem piscar), afastava-se vagarosamente o livro do rosto. Daí, diziam, os desenhos apareciam: um navio, uma cesta de frutas, um helicóptero, um par de ursos. Nas últimas páginas encontravam-se as respostas de cada charada. Uma das minhas maiores frustrações é nunca ter visto NADA nesse tal de "Olho Mágico". E não foi por falta de tentativa, viu? Passava horas com aquilo na fuça, vesga, "cansando a vista" como diria a minha avó. O pior era que minha irmã, criancinha, tinha uma facilidade absurda para conseguir visualizar as imagens. E ela nem fazia a técnica, só olhava para as páginas e dizia "é um golfinho!". Ah, que raiva. Aposto que era mentira (e eu não tinha como comprovar, droga). Minha desculpa era a mesma: "isso é ilusão de ótica, e é difícil enganar meus olhos". Será que alguém comprou a balela? Acho que não, humpf. Cadê o Waldo? Disputando com o "Olho Mágico" a atenção e os olhares nas prateleiras das livrarias brilhava outra mania, o livrinho "Onde Está o Wally?". Wally - ou Waldo, na versão original em inglês - era um turista que estava em todas as ocasiões (uma versão em desenho do Tourist Guy da época do 11 de setembro) e o objetivo da brincadeira era apenas uma: encontrá-lo. Cada página mostrava uma situação repleta de pequenos detalhes e cada vez mais cheia de gente. Na medida em que o livro avançava, mais complexas ficavam as ilustrações, e maior ficava o desafio de apontar o Wally. No final do livro tinha um texto que dizia que o turista foi perdendo objetos pelo caminho, então tínhamos de recomeçar e procurar por uma câmera fotográfica, um cachecol, um par de óculos. Ê diversão! ![]() Consegue adivinhar? Escreva para a gente!
Três teorias Eu tenho três teorias que não têm absolutamente nada a ver entre si, mas são muito bem fundamentadinhas na realidade. A primeira é: OJ Simpson devia pagar uma mesada de, pelo menos, 100 mil dólares a Rodney King, o caminhoneiro espancado por policiais no episódio que iniciou as balbúrdias raciais em Los Angeles. A cifra poderia até aumentar, caso Rodney conseguisse Johnnie Cochrane como advogado. Depois de assistir ao "E! True Hollywood Story: Ron, Nicole e OJ – Countdown to Murder" (que título, hein?!), ficou claro para mim que o astro do futebol americano só saiu livre dessa por causa das riots em L.A. Sua condenação poderia desencadear uma onda de fúria que transformaria a cidade dos anjos naquele cenário visto em "Fuga de Los Angeles". E olha que minha ficha demorou a cair! Mas vamos em frente. A segunda pode ser enunciada de maneira muito simples, e é comprovada por qualquer alma que tenha um mínimo conhecimento de História Contemporânea: se você quer ficar viúva logo, case-se com um Kennedy. Precisa dizer mais? Acho que não. A terceira é mais pessoal e parece um pouco mais insana, mas quem leu até agora vai segurar até o final e perceberá a verdade das palavras a seguir: os motoboys são os sacis da vida moderna. Já explico. Eles surgem do nada, em redemoinhos de poeira, nos corredores de asfalto entre um carro e outro. Somem da mesma maneira que aparecem. E, como entidades que são, ficam contentes com oferendas (do tipo dar espaço a eles no aperto do tráfego) e te ajudam se você for um dos que oferecem esse mimos. Já se você fecha um deles, meu filho, é nessa hora que a idéia de ter um carro blindado não parece tão elitista. É capacetada para todo lado da lataria e xingamentos de fazer corar até a tia Dercy. Aconteceu comigo Quando eu bati o intrépido Deep Purple (para quem não sabe, meu Corsa roxo) na traseira de um Monza na avenida Paulista, distraída que estava com o saquinho de Club Social que me servia de café da manhã a caminho do trabalho, os motoboys apareceram às pencas para me ajudar, logo depois que a Polícia Florestal (não me pergunte, também achei estranho) chegou e desviou o tráfego. Eles foram muito bacanas, já que sou uma das motoristas que se enquadram na categoria temente-aos-motoboys-e-adeptas-das-oferendas. Subiram no porta-malas do carro da frente e ficaram pulando para desengatar o Deep, que havia encaixado no engate do Monza. No fim, apareceu um guincheiro com um macaco realmente gigante, que ergueu meu pobre carro mil e libertou-o da cena constrangedora. Quando me virei para agradecer os motoboys, puf! Eles já haviam sumido numa nuvem de pó. Até tentei dar um nó num matinho (receita folclórica para pegar um saci), na tentativa de reencontrar um deles para dizer "obrigada". Mas não deu certo. Talvez a receita adaptada deva ser realizada com um cabo de motor, as mangas de uma jaqueta com aqueles "X" verde-fosforescente ou coisa do tipo. E é por isso que eu sou defensora desses misteriosos trabalhadores sobre rodas, que estão sempre dispostos a ajudar seus fiéis (ainda mais os que usam saias) no trânsito. Aaaaaaaleluia! Nada de chão de terra rachada? Nada de cortiços com goteira por todo lado? Não sei, não, mas desconfio que quem passou recentemente pelo cinema e viu o trailler de "O Homem que Copiava" deve ter pensado como eu: não vai ter aparição de nenhuma cabeça de vaca morta? Nenhuma tomada em presídio? Nem em favela? E é comédia? Uau! Bom, parece que é tudo isso, sim. O roteiro e a direção da fita que estréia na próxima sexta são de Jorge Furtado, que escreveu alguns episódios de "Os Normais" e o filme "Caramuru: A Invenção do Brasil". Pelo que entendi, simplificando, a história fala de um rapaz que vive em Porto Alegre (olha só, mudaram até o eixo geográfico!) e por motivo de falta de grana maior decide falsificar algum dinheiro. Eu assumo que é meio ridículo falar de um filme sem ter visto - a não ser que seja sobre a transposição para o cinema de um herói dos quadrinhos que está mais parecido com um boneco-inflável pintado de verde-césio (tô com duas pulgas-monstras-saltadoras atrás da orelha pensando no que fizeram com o Hulk... e morrendo de medo de detestar). Mas voltando a "O Homem que Copiava". Eu não vi mas já apreciei só pela mudança de atitude. Nada contra filmes bonitos como "Central do Brasil", "Abril Despedaçado" ou "Cidade de Deus", muito pelo contrário. São três ótimas produções dignas de todo nosso respeito. Mas é que elas acabaram tendo um efeito reverso no renascimento do cinema brasileiro. De repente, parece que 90% dos diretores brazucas acharam que tirariam sua lasquinha do sucesso apostando nas mesmas tríades: ou Nordeste-pobreza-coragem, ou Periferia-bandidagem-tóxico. E começou a ficar meio chato ver sempre o país ser retratado por dois pontos de vista apenas. Mas daí apareceu esse filme, e acho que alguma coisa pode começar a ficar bem bacana para nós. Mesmo que as goteiras não sumam de todo, mesmo que a terra rachadinha continue servindo de fundo de tela, roteiros mais criativos "made in aqui mesmo" podem salvar um fim de semana.
Num texto passado sobre filmes com música, sugeri que "A Festa Nunca Termina" seria um filmão, apesar de não ter visto (tá virando um hábito ruim, eu sei, vou parar). Bom, a verdade é que é mesmo. Só para confirmar, a história é excelente e a edição é dez vezes melhor. Não acho nem que é preciso ser fã das bandas citadas ali - Joy Division, New Order e Happy Mondays, principalmente - para gostar. Mas quem tem alguma relação maior com a época vai sair sorrindo como eu. Assim, agora com conhecimento de causa e a presunção de sempre, eu recomendo. Bom, quem não tiver a mesma opinião pode escrever xingando. Mas pega leve, que eu sou menina e me magôo. Quanto vale o show? Não sou de cantar no chuveiro e fujo do videokê como meus gatos fogem da caixa de transporte que os leva ao veterinário. Mas se tem uma coisa que eu adoro fazer é dar show em casa quando ninguém está olhando. O microfone pode ser qualquer objeto comprido (aconselho o controle-remoto da TV ou um vidro de perfume). Daí, só é preciso achar a música certa para a dublagem e correr para a fama! Sabe a cena de abertura de "O Diário de Bridget Jones"? A garota, deprimida, bota pra tocar o clássico brega "All By Myself", de Jamie O´Neal, e se solta. Canta, dança, faz caras e bocas e ainda arrisca o som da bateria. É disso que eu estou falando: apresentações onde você é a estrela (ou o astro) e só você se diverte. Aquelas coisas feitas às escuras, até porque é preciso fazer de tudo para conservar os amigos. Minha safra preferida para momentos em que bate aquela vontade de fazer uma dublagem é com certeza as mais tocantes canções de amor dos anos 80. A favorita de todas é "Total Eclipse of The Heart", da Bonnie Tyler. Ah, é um prato cheio. Começa baixinho, e no final a tia Bonnie já está sem voz de tanto que esgoelou. Dá para fechar o olho, cerrar os punhos, suspirar. É demais! Outra boa é "True", do Spandau Ballet. Aquele "ah ah ah aaaah" do início já vai animando, mas a parte que eu mais gosto é no final, quando o moço (eu disse moço? ups) solta do fundo do âmago "I know I know I know this much is true...". Mas não pode dar risada, tem que ficar sério - por isso é bom não estar com um espelho por perto para evitar uma espiadela neste momento tão constrangedor. E se o objetivo for "agitar", mihas escolhidas podem ser "Twist and Shout" dos Beatles (trilha sonora da melhor cena de dublagem de todos os tempos, em "Curtinhdo a Vida Adoidado"), "Suspicious Minds" do Elvis, "Walk Like an Egyptian" do Bangles e finalmente a desafiadora "99 Luftballons" da Nena - se eu estiver no clima para fazer a mimica naquele idioma, claro. Segue abaixo uma lista básica das melhores obras do cancioneiro internacional para ajudar você a fazer o repertório do seu showzinho particular. Não se acanhe! E depois me conte como foi - tá, é melhor não. Sobre certos assuntos é melhor não comentar. 1) "Wuthering Heights", Kate Bush Afe! ![]() Olha aí alguém precisando de dublagem!
D'oh! A cena é chocante: após assistir a um desenho exibido num hotel japonês, três crianças começam a ter convulsões e se debatem no chão. A mãe vai ver o que está acontecendo e é capturada pelas imagens da telinha. Cai também, se debatendo. O pai é o único que poderia salvar a família. Ao chegar ao quarto do hotel e dar conta da cena, em que toda sua família se contorce em transe desesperado, exclama: "Hum, legal! Também vou fazer!" Dito isso, se joga no chão e fica rolando para lá e para cá. Esta é uma das minhas cenas favoritas da longeva série animada "Os Simpsons". Eu poderia falar milhões de coisas sobre os 15 anos já produzidos do seriado (com pelo menos mais um garantido em contrato): o quanto é engraçado, criativo, ácido, inteligente, destruidor, crocante, cremoso, etc etc e tal. Mas deixarei algumas frases falarem por si. Para quem ainda não notou, a cada episódio a abertura é diferente em dois momentos: quando a família chega em casa e senta-se no sofá e quando Bart aparece escrevendo na lousa, de castigo, inúmeras cópias de uma mesma frase. Pois aí vai uma seleção das melhores. Depois vocês me dizem se Matt Groening é o rei ou não é. E se nenhum de vocês já fez algo que poderia colocá-los na lousa escrevendo algo semelhante. As 15 Melhores do Bart 1. O banheiro dos meninos não é um parque aquático. 2. Eu não tenho poderes de advogado sobre os alunos da primeira série. 3. Falar "eu só estava brincando" no final não me dá liberdade de insultar o diretor. 4. Minha lição de casa não foi roubada pelo homem-de-um-braço-só. 5. Eu não devo dissecar coisas a não ser quando instruído. 6. Eu não sou deliciosamente apimentado. 7. Eu não vi Elvis. 8. Eu não venderei terras na Flórida. 9. Eu não devo encorajar os outros a voar. 10. Eu não devo comer coisas por dinheiro. 11. Eu não tenho imunidade diplomática. 12. Eu não sou a reencarnação de Sammy Davis Jr. 13. Ralph não vai "morfar" mesmo se você apertá-lo muito forte. 14. Eu não aprendi tudo o que precisava saber no jardim da infância. 15. A verdade não está lá fora. Clara McFly às 07:52 PMA gangue do balão trágico "Eu sou o Toby/ Também tô nessa cançããão/ Eu sou o Mike/ Sou o filho do ladrããão..." Essa foi a versãozinha que adotei para a música "Amigos do Peito", do Balão Mágico, ao descobrir que a trupe formada para abrilhantar nossas manhãs nos anos 80 não era lá um grupinho tão ingênuo. Vocês sabem do que eu estou falando, né? Mike, o moleque mais apagadinho do Balão, era filho do famoso fora-da-lei inglês Ronald Biggs, o homem que promoveu o fantástico assalto ao trem pagador. Mas faz de conta que vocês não souberam por mim, tá certo? Inclusive sobre o "fantástico"... A turma que por muito tempo dominou os programas infantis era um material farto para qualquer tese psico-sociológica, aliás. A Simony não esconde de ninguém que passou maus-bocados depois da fama, e o tal de Toby também deve viver escondido por aí sendo apenas ele mesmo - o que, no final, só conta pontos a favor do rapaz. O Jairzinho esqueceu daqueles tempos nos Estados Unidos, onde virou músico profissa, e o Mike... ah, o Mike. Da última vez que o vi, ele estava mesmo escoltando papai Biggs de volta à Inglaterra, onde o homem deve cumprir 30 anos de prisão pelo crime supracitado. Mas a ironia da coisa toda não para por aí: dizem as péssimas línguas que a mãe da Simony não topava nem um pouquinho o Mike por conta do passado do pai do garoto. Perceberam? Ela não gostava do filho do bandidão charmoso, mas sua garotinha acabou virando a Rainha do Carandiru nos braços do regenerado rapper Afro-X! Quem mandou cuspir pra cima, tia?
Orival Pessini não é um nome muito inspirador, diz aí? Mas é essa a alcunha verdadeira do abobado, gracioso, enigmático e, por que não dizer, adorável Fofão. Esse pobre sujeito passou dois terços da vida usando máscaras de látex e muita maquiagem extra para nos divertir, e a tv não teria sido a mesma sem ele nos anos 80. O duro é que o personagem também rendeu umas passagens bizarras na história da "década cafona": a principal foi a lenda urbana de que os bonecos do Fofão vinham com uma vela de macumba escondida no forro. Um monte de gente morreu de medo, mas sejamos justos: se fosse para implicar com algum dos produtos licenciados do alienígena, era melhor ter organizado um levante contra os pegajosos e parafinados Bombons Dizioli do Fofão... Uma garota chamada Molly Aposto que você conhece a Molly. Ela é aquela garota tímida da colégio, muito inteligente e nem um pouco popular. Porém, está sempre pronta para ajudar e escutar os amigos (outros não-populares). No fundo ela se sente feia e desajeitada, e sofre por acreditar que nunca vai conquistar o coração do menino mais bonito da escola, por quem é secretamente apaixonada desde a segunda série. Isso soa familiar, não? É, parece que existe muita Molly no mundo. Eu me enquadrava perfeitamente na descrição, e conheço muita gente que também sentia a mesma coisa. Para a nossa sorte tínhamos a verdadeira Molly, que mostrava que tudo passa, que o final é sempre feliz, que aquele garoto não era completamente inatingível (ou que ele não valia tanto a pena assim). Molly foi nossa heroína, e os anos 80 foram só dela. A princesinha das comédias românticas de duas décadas atrás era uma garota chamada Molly Ringwald, mas podia ser eu ou você. O charme da atriz ruiva era exatamente ser uma adolescente como outra qualquer, e todos os papéis que fazia enfatizava seu lado "the girl next door" - e ela se dava bem só porque era fofa demais. Meu filme favorito da Molly é "A Garota de Rosa Shocking", escrito por John Hughes, o mago. Andie Walsh é uma menina que mora com o pai num bairro pobre, tem um amigo esquisito e uma amiga punk. Ela passa seus dias entre a loja de discos onde trabalha e a escola, mas só tem cabeça para pensar em Blane McDonnagh (Andrew McCarthy), o bonitinho ricasso que a fazia ficar pálida só com um olhar. O nome da produção vem da cena em que ela reforma o vestido usado por sua mãe para ir ao baile de formatura, porque não tinha dinheiro para comprar um novo. O negócio era horroso, rosa-Barbie, cheio de tule e babado. Depois do conserto, Molly aparece gloriosa, e ainda fica com o garoto, claro! Também temos Molly em alguns dos maiores clássicos da “Sessão da Tarde”, como “Gatinhas e Gatões”, “O Clube dos Cinco” e “A Cegonha Não Pode Esperar”. Esse último título é bem mais fraco que os outros (e não leva a assinatura de Hughes), mas tem a cena sensacional quando ela conta aos pais que está grávida. No meio do jantar, diz “Estou grávida, por favor, me passa as batatas?”. Se hoje meu cabelo (aquele mesmo, curtinho) é da cor das madeixas da Pequena Sereia, a culpa é da Molly. Sim, eu queria ser como ela - e agora sinto que fui um pouco. Bem, quem não foi? ![]() Ainda bem que passa, né, Molly?
Cara de um… Quando eu for ter um bebê, pretendo passar o tempo todo de olho nele -- ou fazer com que alguém da família faça isso. Afinal, pelo que vejo por aí, há mais gêmeos separados no nascimento do que a gente imagina. Fora os clássicos do tipo Hebe e Walter Mercado, Gretchen e Alice Cooper, Maria Padilha e Rene Russo e Erundina e Tiazinha-do-logo-da-Casa-do-Pão-de-Queijo, notei esse dias que o futebol, além de uma caixinha de surpresa, também é uma mina de figurinhas repetidas. O Parreira, por exemplo, foi feito na mesmíssima forma usada pelo Ronald Golias. Impressionante. Já o Ronaldinho Gaúcho, na época da Copa ano passado, era a Dona Mocinha (papel da atriz Ruth de Souza na novela "O Clone") cuspido e escarrado. Mas o mais chocante é notar a semelhança entre o lateral esquerdo da seleção canarinho e o tio de uma certa família de monstros… ![]() ![]() Roberto Carlos e tio Fester, separados no nascimento
Espero não ser presa por isso, mas aquele ser retratado na capa do "Cabeça Dinossauro" não parece o Gilberto Gil fazendo careta?
"Cabeça Dinossauro" foi um dos melhores álbuns dos Titãs (banda de rock nacional que os mais novos não conheceram -- não confundir com o Titãs atual). Foi lançado em 1986 e, das 300 mil cópias vendidas, uma foi comprada pelo namorado da minha tia (hoje marido dela). Ele levava o vinil lá em casa e eu corria para virar a capa para baixo, pois morria de medo do desenho. E vocês, não? No tempo do mimeógrafo Quando eu estava lá, queria socar o tio da portaria e fugir pulando o muro. E até fiz isso mesmo umas duas vezes - mas não soquei o tio, que isso dá cadeia. O diabo é que, agora que eu não tenho mais que ir na escola, ai que saudade que dá. Tudo bem que eu preferia afundar num poço de piche do que voltar a ter aulas de matemática, mas ainda assim tenho nostalgia dos tempos escolares. São tantas coisas para ter saudade que acho que vou ranquear. Ó, lá vai mais uma lista... Tá ficando chato? 10) A cola 9) A festa junina 8) A diretoria 7) Os quitutes da cantina 6) O recreio 5) A aula de educação artística 4) Matar aula no banheiro 3) O cheiro da prova 2) Os lápis de cor novos 1) O dia do Playcenter Ligue Djá! Foi só citar a Revo Styler, a escova rotativa que alisa os cachos em segundos, no texto de ontem, para me dar faniquito de fuçar no site da Polishop, a empresa por trás desse e de outros produtos que nos brindam com os comerciais de TV mais cômicos do universo. São segundos de divertimento convincente, e confesso que já me peguei com a maior vontade de dar uma ligada "para os nossos atendentes". Duvido que você nunca sentiu a mesma coisa! Normalmente tais pérolas publicitárias mostram pessoas fazendo coisas inimagináveis com utensílios normais do dia-a-dia, tipo se enforcar no fio do medidor de pressão, se cortar profundamente com aparelhos de depilação e enfiar a cabeça em baldes de água suja no meio da faxina doméstica - como se tudo isso fosse possível para alguém com Q.I. maior do que um celenterado. Outro ponto forte são os depoimentos, com aquela dublagem safada de filme vespertino do SBT. Os americanos que aparecem são a fina flor da sociedade movida a Big Mac: as mulheres têm sempre 4 queixos e um cabelo requisitado por 1984, enquanto os homens costumam ostentar mullets e óculos gigantescos que mais se parecem com duas telas de computador. Melhor ainda se forem "médicos". É só botar um avental branco e pronto, resolvida a questão! Sem falar naquelas promoções exclusivas e instantâneas que duram meses a fio e na famosa frase "mas espere!", que anuncia todos os 529 brindes que serão enviados gratuitamente. Bem, deixemos de bate-papo e vamos ao que interessa. Tá preparado para um top 10 do melhor da Polishop? Diga que sim e agarre-se a seu aparelho telefônico! 10) Coleção de CDs "A Bíblia Infantil" 9) Pest Offense 8) Super Wrench 7) Coleção de Vídeo: Aeróbica, Artes Marciais e Dança 6) Blood Pressure 5) AB Gym 4) Rapid White 3) Coleção de Vídeo: As Mais Incríveis Caçadas Policiais 2) Air-O-Space 1) Hair No More ![]() É pura magia e encantamento!
Aqui, ó! Eu canso de receber e-mails indesejados, de organizações nas quais não me afiliei, e sobre os assuntos mais estranhos possíveis, abordados de forma mais estranha ainda. Esses dias mesmo chegou um sobre aumentar o tamanho do pênis (?!). Primeiro, eu não tenho um pipi. Segundo, mesmo que eu tivesse, ia rir do texto, que falava em exercitar o membro para obter um tal de "efeito rocha". Hum. E depois, eu faço o que com o efeito rocha? Bato bifes em cima? Amolo facas? Ui. Não bastasse, uma das vantagens prometidas pelo e-mail -- que vendia um CD Rom com todos os exercícios milagrosos -- era "Deixe seu pênis com um aspecto musculoso e impressione a todos". E eu me pergunto: que tipo de gente sai por aí mostrando o "minino" para todo mundo na rua? Porque, para impressionar a TODOS, conforme estipulava a mensagem, você tem de sair com o dito cujo de fora. Ou ter uma vida sexual beeem ativa e, digamos, variada. Eu tento bloquear todos os e-mails com assuntos estranhos, como "Enlarge your penis" ("Aumente seu pênis") ou coisas do tipo. Mas estes spammers tarados parecem ser mais espertos e, agora, mandam frases como "Create a big boy" ("Crie um garotão") ou "Make a huge difference" ("Faça uma grande diferença") nas linhas de subject -- e eu sempre caio. Se ao menos mandassem um "Create a penis" ("Crie um pipi"), eu podia até entrar. E dar um jeito de testar a fórmula, especialmente antes de vivenciar uma daquelas situações em que eu desejo profundamente ter um par de belos colhões reais entre as pernas. Eu queria ser menino só por uns instantes… … para entender as narrações de jogo pelo rádio, ao invés de achar aquilo um emaranhado de frases incompreensíveis e um tédio sem fim. … para encher a mão e gritar "aqui, ó" quando um babaca fizesse uma piada de mau gosto na rua (ou só para provar a sensação mesmo). … para ser um pouco mais respeitada com menos esforço em oficinas mecânicas e borracheiros no geral. … para me divertir à beça com coisas simples e baratas como uma garrafa de cerveja e uma rodada de truco. … para experimentar levar uma "geral" na rua e ter mais uma história para contar. … para achar alguma motivação e interesse em entender a incompreensível pontuação do tênis e seus dois rankings paralelos (aquele esquema de 15-30-40 é ou não é a pontuação chewbacca?). … para, é claro, fazer xixi de pé -- e talvez escrevendo meu nome na areia. Logo mais... Última chamada: em menos de duas horinhas, nós estaremos ao alcance de um clique. Hoje, às 19:00, teremos nossos quinze (ou melhor, sessenta) minutos de fama no iGPapo. Chega lá para perguntar, dar pitacos ou pelo menos criar um apelido divertido para entrar na sala de bate-papo. Clara McFly às 05:19 PMIsso é que é mala de viagem Quando a madrugada de sábado para domingo começa a cair, lá pela 1h00, eu já sei que tenho que tomar o rumo de casa. Não, eu não viro a gata borralheira (esse já é o meu normal). É que eu preciso assistir ao melhor programa de humor da televisão brasileira. O tal se chama Companhia de Viagem e tem a intenção de falar de turismo, não de fazer graça - mas, minha nossa, como é engraçado! Eu nem devia vir aqui fazer merchâ desse Frankenstein televisivo, mas também não posso ficar sozinha nessa gargalhada. Como eu sei que muita gente vai desligar a tv já na chamada do tal Companhia, é bom avisar: quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor, diria o poeta maior sem saber como isso ia ser mal usado por anos a fio. Mas agüente firme, não fuja, tudo fica melhor quando eles começam de fato a mostrar seu modo de fazer, hum... viagens. Não quero ser ácida nem nada (vai dizer que você caiu nessa?), porque imagino que comprar horário na televisão, ainda que seja na RedeTV, e botar um programa no ar não é lá uma tarefa mel na chupeta. Mas precisa ser tão tosqueira? As viagens do pessoal ali costumavam ser para o exterior até poucos meses -até o dólar explodir de vez, a bem da verdade. Essas eram as melhores. Havia patrocínio para ir até Itália, Portugal, Holanda, mas o apresentador não entrava em museus, não mostrava lugares clássicos, não dava informação de valor. No Museu Anne Frank ele focalizou durante vinte minutos... a fila de entrada!!! Eles só captam mesmo coisas de longe, muuuito longe, dizendo pérolas como "aquele ali é o Coliseu, ele é muito antigo". Ah, jura? A partner do rapaz é a largamente, digamos, divulgada Cida Marques - divulgada naquelas revistas que ficam na prateleira alta da banca de jornal, saca? Ela também era aquela que tinha como missão usar trajes mínimos nas "escolinhas" da tv. Hoje a moça mostra seus dotes de turista. E mostra bastante. Recomendo ainda, quando pegares esse hilário programa, atentar para o sotaque dos apresentadores ao falar com gente local. Quando eu vou comer pizza na Moóca e tomo duas garrafas de vinho, falo italiano que nem eles. Show de turismo, confiram. Bad Hair Day Quem me conhece sabe que não tenho apego algum com cabelo. Corto, repico, pinto e repinto sem dó algum. Simplesmente não entendo aquelas mulheres que fogem de cabeleireiros assim como eu fujo de dentistas. E que, quando os profissionais tiram mais que dois dedos do comprimento das madeixas, passam a noite chorando na pia. Ué, cabelo não é um bem renovável? Minha mãe sempre me contou do trauma que tem porque a minha avó cortava seu cabelo no estilo joãozinho para não ter trabalho. Assim, ela faz parte daquele grupo "meu cabelo é o que eu sou" e que uma ida ao salão pode resultar em muita lágrima - fato que já presenciei algumas vezes. Para mim, o trauma foi contrário. Já tive cabelo bem comprido, mas adoraria meter a tesoura nele. A tática foi encurtá-lo aos poucos para não chocar os parentes: primeiro cortei na altura do ombro; depois, passei anos com as pontas batendo no queixo. Agora picotei de vez e estou mais para Twiggy do que para Luma de Oliveira. Sei que eu sou exceção à regra, que longos cachos costumam ser o bem mais precioso das garotas. E vejo isso pela quantidade de propagandas de produtos para cabelos que passam na TV diariamente. Não estou falando do simples xampu e condicionador, mas de geringonças à lá professor Pardal que prometem um visual de modelo em poucos segundos. A onda agora é a tal Revo Styler, uma espécie de escova que, alimentada por pilhas, gira freneticamente para domar e alisar os fios mais rebeldes. Daí, na propaganda, aparece uma mulher com o cabelo mais horroroso do mundo: todo eriçado, seco e sem corte algum. Para ilustrar melhor o "antes", a modelo ainda faz bico de mal-humorada. Claro que é só usar a Revo Styler para ela ficar linda e feliz. Ah, tá. Fico imaginando quem cai nesse conto do vigário. Porque a escova "mágica" custa 400 reais (mas pode ser encontrada em versão “genérica” a 30 paus nos coreanos da Promocenter). Fora que eu já vi uma menina testando-a e o negócio dá uns trancos que podem fazer a Gisele Bunchen virar Sineád O'Connor em pouco tempo. Mas isso a Polishop esconde. Invejinha Tá bom. Confesso que, como toda menina, também adoro dar uma espiadela nas cabeleiras dos outros. E se eu pudesse escolher a mais linda do show business, tinha de ser o patrimônio capilar da atriz Debra Messing, a Grace do seriado "Will & Grace". O que é aquela profusão de cachos ruivos perfeitamente alinhados? Resta-me saber que ela deve acordar um leão, enquanto meus pequenos e pobrinhos fios permanecem em ordem... ![]() Olhar não arranca pedaço, quer dizer, fios *************** LEMBRETE! Eu (e meu cabelo joãozinho vermelho), Clara (e o cabelo quase-joãozinho quase-loiro dela) e Flá (e suas madeixas negras) estaremos hoje, logo mais, às 19h, no chat do IG Papo. Apareça por lá para saber inclusive qual a marca de xampu que usamos! Vivi Griswold às 08:38 AM
Os primos pobres É automático: basta falar em filmes dos anos 80 que vêm à mente os medalhões da década, como "Curtindo a Vida Adoidado", "De Volta para o Futuro", "Férias Frustradas" e outros títulos memoráveis. Mas existe uma classe de películas para lá de datadas e, na minha modesta opinião, injustiçadas. São produções menores, mais bobas e menos lembradas -- mas não menos divertidas. Force a memória para prestarmos homenagens às aventuras de um caminhoneiro contra um assustador mago chinês, de um ator em começo de carreira repetindo "Hanna Banana", de uma babá cantando um blues e de muitos, muitos outros adoráveis… … filmes injustiçados dos anos 80 7. Os Aventureiros do Bairro Proibido (Big Trouble in Little China, 1986) 6. Amores Eletrônicos (Electric Dreams, 1984) 5. Um Hóspede do Barulho (Harry and the Hendersons, 1987) 4. A Última Despedida de Solteiro (Bachelor Party, 1984) 3. Uma Noite de Aventuras (Adventures in Babysitting, 1987) 2. Férias do Barulho (Private Resort, 1985) 1. Um Morto Muito Louco (Weekend at Bernie's, 1989)
Como eles podem fazer um presunto durar mais que os dois dias do final de semana, sem chamar a atenção assim, digamos, olfativa, da vizinhança? Só pode ser outro morto. Pronto! Agora vou ter de correr à locadora…
Para quem ainda não sabe, nosso plano para conquistar o mundo vai de vento em popa. Um pequeno passo para qualquer pessoa normal, mas um grande passo para nós acontece amanhã, no iGPapo. Estaremos por lá às 19:00, teclando com quem quiser se dispor a aparecer. Chega lá. Vai ter chazinho, bolo de fubá e dois dedinhos de prosa. Tudo virtual, é claro. Mas ainda assim limpinho. Amigos de fé, safanões camaradas Eles me causaram alguns hematomas feios. Eles me deixaram passar muita vergonha. Eles me tornaram uma garota meio estranha. Eles ainda fazem isso às vezes. Eles, você sabe... irmãos! Sim, eu tenho um irmão e uma irmã. Ambos mais velhos, ambos mais espertos. Eles são um paradoxo, na verdade: ao mesmo tempo conseguem ser figuras bizarras e irmãos típicos, muito típicos. Outro dia vi uma reportagem que dizia a coisa mais óbvia, mas que eu nunca tinha pensado: nossos irmãos são as pessoas que vão passar mais tempo de vida conosco (os amigos só vêm com a idade e os pais... bom, um dia eles vão descansar de nós em algum lugar tranqüilo que não é a Flórida). Os meus irmãos são exemplos perfeitos do que essa gente faz com a sua vida. Foram eles que me deram prazeres viscerais de quando se é criança - roubar roupa no armário ao lado, transferir a culpa por qualquer evento de fim trágico, amargar castigo, fazer hora no banheiro só pra encher a paciência, brigar em altos brados. Veja que típicos e paradoxais: minha irmã passava tardes me ensinando a arrumar a casa da Suzi, mas berrava comigo por usar as meias dela. Meu irmão me ensinou a trocar pneus de carro e me deu carona por anos a fio, mas uma vez me deixou amarrada numa cadeira no fundo do quintal por uma hora e meia só por diversão. De tão típicos, eles devem estar em fúria agora porque eu decidi revelar parte da mitologia familiar. E olha que eu nem cheguei ainda na fase de abrir o bico sobre as nojeiras que fazíamos na mesa com o purê, as brigas no banco de trás da Caravan, as risadas absolutamente incontroláveis que aconteciam (sem motivo) depois que a gente apanhava (com motivo). Mas irmão é pra isso mesmo: ficam bravos hoje, dão dois tabefes compreensivos na cabeça amanhã, esquecem tudo no outro dia. E se umas marcas roxas ficam na pele, vira quase uma recordação de família. PS: Quem quiser contar passagens escabrosas dos seus próprios manos, sou toda ouvidos. Adoro essas revelações familiares de cunho estritamente vergonhoso! Se eu pude, vocês podem... Hora da merenda Guarda-chuva, a princípio, é aquele objeto relativamente barato que protege nossos penteados quando São Pedro resolve lavar o piso lá de cima. Mas para aqueles felizardos que, como nós, cresceram nos anos 80, esse substantivo composto passa a ter um outro significado - digamos, mais alimentício - e, apesar de não ter utilidade em casos de garoas e tempestades, era bom pra danar. Quem em sã consciência não se lembra do guarda-chuvinha de chocolate? O rei supremo dos saquinhos-surpresa daquelas festinhas de garagem onde os hits eram "Tô P da Vida", do Dominó, e "Harry Houdini", do Kon Kan? Pois esse quitute, tão presente em nossas vidinhas infantis daquela época, é o homenageado de hoje. O tal era um chocolate em forma de guarda-chuva fechado (ou um cone bem fininho), enfiado em cima do palito de plástico que fazia as vezes do cabo. Ele era embalado com um papel alumínio bem safado, ilustrado e colorido. O desafio da brincadeira era tentar desembrulhar o doce de forma que ele saísse inteiro - tarefa pra lá de difícil, pois sempre ficava uma pontinha grudada no papel, e a gente tinha que abrir com a unha e chupar aquela parte, um horror. Detalhe: o "chocolate" em si era péssimo, tinha gosto de cera e em nada lembrava uma barra da Garoto ou da Nestlé. Contudo, para quem teve a sorte de um dia gastar uma moeda da mesada com o guarda-chuvinha, o material era de primeira. Por quê? Era divertido, ué! Outros clássicos da hora mais feliz da escola 5) Pastilhas Garoto 4) Cigarrinhos Pan 3) Chupeta caramelizada 1) Dadinho
RG, por favor Tem gente que sabe mesmo ser inconveniente. Quer um exemplo? No auge da discussão sobre a pedofilia ano passado, com escândalos envolvendo padres pipocando, eis que surge a excelentíssima Kelly sacudindo sua Key na TV e cantando aos quatro ventos que certo fulano era um babaca por não tê-la comido quando a garota contava tenros 11 anos de idade e mal devia fazer marquinha na areia. Mas sejamos justos com Dona Chave: provar do, digamos, fruto mais-que-proibido sempre foi estofo para composições do bom e velho rock’n’roll. E, algumas vezes, o tema escapava das partituras para a vida: o incendiário Jerry Lee Lewis ficou famoso não só por sua maneira peculiar, revolucionária e para lá de bacana de tocar um piano, mas também por ter desposado a prima de 13 aninhos. Outros mantiveram o tema à la Lolita apenas nos acordes e versos – em alguns casos, e que versos! – que poderiam até mesmo deixar Dona Kelly ruborizada. E é sobre eles que segue a lista de hoje: as canções Kelly Chave. De cadeia.
4. Catholic School Girls Rule, Red Hot Chili Peppers 3. My Heart Belongs to Daddy, Marilyn Monroe 2. I’m on Fire, Bruce Springsteen 1. Edge of the World, Faith No More Por fim, tenho uma menção honrosa para a incansável Maria da Graça Xuxa Meneghel. No álbum "Xou da Xuxa 3", a mulher que se intitulava apresentadora infantil (er... ela continua se intitulando) cantava uma das músicas mais estranhas que já vi. Por Greyskull, She-Ra! Me apresenta pro He-Man! Seu irmãozinho é uma gracinha/ e eu sou todinha do bem!, gemia a moça, e por aí ia, até chamar o herói de "gato alto-astral" e pedir desculpas por ser "ousadinha". Ok, o He-Man não era mais criança (e muito menos a Xuxa), mas, por Deus!, o cara era um desenho! E, ainda por cima, com claras referências gays. Aquele Pacato e o legging branco com bata rosa do príncipe Adam nunca me enganaram... Agente bom de fama Perguntinha fútil de quem injeta cinema na veia (eu): para você, quem roubou a cena em "Matrix"? Foi a doce porém durona Trinity? Foi a, digamos, bem-torneada Perséfone? O chaveiro? Os fantasmas? Para mim, mais uma vez, quem dá um baile é o Agente Smith. "Me, me, me". Na verdade, o Agente Smith precisaria repetir essa sua memorável frase mais umas 80 vezes para mostrar o quanto marcou presença na trama. Mesmo quem não viu o segundo episódio da trilogia Matrix já deve ter pescado na tv aquela cena da luta do Neo contra as dezenas de réplicas Smith. No cinema, o que parece bom fica sensacional. Uma das coisas mais interessantes a respeito do personagem é seu intérprete. O ator Hugo Weaving nunca foi nenhum atrativo de bilheteria, mas olha que destino mágico: ele tomou parte simplesmente nas duas trilogias de maior sucesso nessa virada de século, "Matrix" e "O Senhor dos Anéis". Tem gente que acha isso ruim, porque o homem teria virando um caso de coadjuvante eterno - é aquela teoria do "always the bridesmaid, never the bride". Mas e daí? Se for para ser parte do time secundário, melhor fazer isso como um elfo sabidão ou um agente que promove a auto-clonagem. A voz do moço, por si só, já era uma grande arma para conquistar papéis de sujeito importante. Tudo bem, foi com ela também que ele dublou um dos personagens de "Babe - Um Porquinho Atrapalhado", um dos filmes infantis mais aborrecidos da história da sétima arte. Mas tá perdoado, afinal ele era só a voz por trás de um cão pastor. Huguinho (já fiquei íntima, danou-se) ainda há de nos brindar com muitos bons personagens nos próximos anos. Assim espero, pois acho mesmo que se trata de um ótimo ator. Se o homem contrariar todas as previsões e desaparecer no fosso do esquecimento, por outro lado, dará no mesmo. O posto de coadjuvante mais principal da década já é do Smith. Secundários de peso Listo aqui, rápido como um comercial televisivo de empresa pobre, outros quatro coadjuvantes que, além de Hugo "Agente Smith" Weaving, valem o ingresso em suas trilogias: 4) Tom Hagen (Robert Duvall, em "O Poderoso Chefão") Tapados do mundo, uni-vos! No desenho do Pica-Pau, quando algum personagem leva um tremendo fora ou passa vergonha na frente de todo mundo, sua cabeça costuma virar um grande pirulito onde lê-se SUCKER em letras garrafais. Isso já aconteceu muito comigo - tanto que eu praticamente pude sentir meu rosto se transformando no doce dos tapados para me denunciar. Confesse para mim: você já fez algo realmente estúpido? Os tapados de nascença, grupo no qual orgulhosamente me coloco, são aquelas pessoas de boa vontade e de boa fé que simplesmente não conseguem deixar de fazer trapalhadas. Normalmente odiamos ser o centro das atenções, mas nossas ações tortas frequentemente nos colocam no meio da arena, e parece que todos os olhos do universo estão voltados para nós. O primeiro ato realmente estúpido de minha autoria aconteceu quando eu era criança. Nunca fiz primeira comunhão na vida, mas todas as amiguinhas de rua tinham feito e um dia me convidaram para ir à missa. Como passear sempre foi comigo mesmo, topei. Chegou uma hora lá na missa em que foi passada uma cesta com dinheiro. Vi que as pessoas enfiavam a mão nela e entregavam para o próximo. Quando a cesta chegou até mim, eu, que jamais tinha pisado numa igreja para aquele fim, achei que o dinheiro era para a gente pegar. E pensei "nossa, como Deus é bonzinho, dá dinheiro para quem vem na missa". Isso me comoveu e eu peguei a menor moeda que vi, de tanto que me simpatizei com Ele. Claro que levei bronca da beata ao meu lado. Outra ação estúpida que me marcou também foi na infância, enquanto aguardava na fila das Lojas Americanas. Ao chegar nossa vez de pagar pela compra, meu pai viu a pilha de caixas de bombom perto da saída e me pediu para eu ir lá pegar uma. Fui, mas em vez de entregar o produto para ele por dentro da loja lotada, resolvi cortar caminho pelo lado de fora. Foram alguns segundos em que vivenciei o que é ser um meliante "de menor". Bem que achei estranho aquele guarda correndo atrás de mim. Para meu desgosto, o fato de eu ter crescido não alterou muito meu talento inerente de cometer atos costrangedores, tipo passar mal no ônibus, tropeçar no cinema com um saco cheio de pipoca nas mãos, tirar meu piercing do nariz e não conseguir colocá-lo de volta. Já me acostumei. Mas teve uma ocasião em que eu verdadeiramente quis sumir. Eu trabalhava em uma famosa agência de notícias cujo escritório se encontra em pleta Marginal Pinheiros, aqui em São Paulo. Como moro no mundo mágico de Oz (asco) e não tenho carro, a única condução até o escritório era o trem. O trem em questão demora HORAS para passar e está sempre cheio. Um belo dia, ao descer a escada da estação para a plataforma, notei o dito cujo parado. Corri como uma louca e entrei. Naquele exato momento, as portas se fecharam. Olhei para o lado e, para meu espanto, não tinha uma alma viva no vagão. Olhei para fora, e todas as pessoas da plataforma estavam me olhando. Pois é, o trem estava se recolhendo. Depois de uns segundos de pânico e da sensação do pirulito chegar com tudo, tive que quebrar aquele vidrinho e apertar o botão vermelho (aquele que diz "em caso de uso indevido o passageiro será punido"). O maquinista atendeu. Eu tentei explicar a situação, ao que ele me respondeu "xiiii". O trem parou. Após alguns minutos, fui avisada que ele retornaria à estação para me levar de volta. Eu achei que a vergonha estava acabando, mas quando o vagão parou, veio um bando de funcionários e policiais, passando correndo no meio da multidão curiosa, só para abrir a porta para mim. Todos foram bacanas (o fato de eu estar de saia deve ter ajudado), mas no fundo deviam estar pensando "que tapada!". É... Vivi Griswold às 08:25 AM |
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