sexta-feira, 28 de novembro de 2008

As Garotas que Sempre Dirão Ni

Semana Especial – “Despedida”

Cinco anos e sete meses de tanto assunto que um livro não poderia comportar. Uma coleção de livros não poderia comportar. Porque para comportar quase 2.500 textos, seria preciso editar algo como “a Barsa das crônicas”. E a gente nunca quis ser como a Barsa. A gente não quis ser como nada nem ninguém. Fomos nós mesmas – jornalistas, escritoras, namoradas, irmãs, filhas, netas, mães, primas, cunhadas, funcionárias, leitoras, ouvintes, motoristas, freqüentadoras de supermercado, pagadoras de promessa na fila do cartório... Observadoras do cotidiano. Sem um grande histórico de vida, mas com muitas histórias pra contar. Que bom que a gente pôde contar, não foi?

Primeiro houve o emprego, depois o desemprego, depois uma idéia brilhou e um big bang de textos se fez presente. A gente achou que quase ninguém leria, mas muita, muita gente leu. Muita gente imprimiu. Muita gente passou adiante, copiou-e-colou, linkou, gostou, não gostou, comentou se gostou ou não gostou. Muita gente se viu refletida em nós e nas nossas besteiras. Muita gente viu em nós uma parada para diversão, para fugir das tarefas e, por 10 minutos e algumas linhas de texto, relaxar pura e simplesmente.

A gente ainda olha pra trás, desacredita, fecha os olhos, pensa de novo e sente um baita orgulho. Primeiro, por ter quebrado um estúpido paradigma que dizia “a maioria das pessoas detesta ler... ainda mais na internet”. Diziam que, na internet, só sobrevive texto curto, fácil e meio porco. Nós – e vocês, principalmente – provamos que não.

Provamos que com um pouco de tempo de sobra e empolgação em excesso, além de um grande amor pela língua-mãe, é possível detonar qualquer barreira. Se não fosse assim, três garotas 90% diferentes não teriam visto, sentido e comparado suas semelhanças. Se não fosse assim, a gente não teria feito leitores do Oiapoque ao Chuí – dos Estados Unidos ao Japão, do DEM ao PT, da perifa à Oscar Freire, do fundo da classe ao gargarejo, do samba ao rock clássico.

E o mais legal é provar que tudo foi bom, até o que foi ruim. Perder o prêmio mais comentado da internet foi diversão pura, porque a gente comeu, bebeu e sarreou com os outros; ficar de bolso vazio causou estragos, mas ganhamos uns trocos de consolo; sofrer com um texto que não estava muito bom foi desolador, mas sempre havia o dia seguinte para tentar fazer literatura de novo.

Ouso dizer que tudo isso só rolou por causa de um portal mágico que deve ter se aberto por aí. Que outra pessoa pode dizer, olha só, que conheceu suas duas melhores amigas na sarjeta? Porque conhecer a Clá e a Vivi, eu conheci no escritório. Mas CONHECER a Clá e a Vivi, eu conheci na calçada, quando a gente sentou pra digerir as mazelas da vida e, ali, firmou uma amizade que só cresceu. Isso não acontece fácil: foi mágica.

Essa mágica, porém, não é daquelas que se acaba quando o pobre coelho socado no fundo falso da cartola é erguido pelo homem vestido de garçom. Essa mágica sempre vai durar. Ao decidir pelo fim do nosso filhote verde-rosa, nós concluímos isso: escrever é parte de nós e vai ser assim pra sempre. O “monstro-de-três-cabeças”, como a gente sempre se chamou de piadinha interna, vai escrever, telefonar, mandar presentinhos eternos. E mesmo que não seja assim, será. Porque posso virar 20 anos sem ver Clá e Vivi – no instante em que bater o olho na Loira e na Ruiva, sei que vamos dizer qualquer xaropada, rir a valer, dividir um pudim e sentir que não passou um minuto desde a última vez.

Tudo isso é ainda mais curioso de pensar quando a gente nota que fazemos parte umas do organismo das outras, mas que só fomos no cinema juntas, as três, uma vez. UMA vez! Quem mais foi UMA vez com as melhores amigas ao cinema levanta a mão? Vimos a minha Sabrina adentrar o mundo, vimos a louça suja na pia das outras, nos vimos em pijamas, autografamos livros lado a lado, estivemos presente nos aniversários, casamentos, chás da tarde... e fomos no cinema UMA vez? Tá escrito mesmo, girls: ainda temos muito o que fazer nessa amizade.

Mas o leitor não vá achando que só fizemos por considerar uma missão. Foi uma questão de ego também. A verdade verdadeira é que abrimos um sorrisão quando vocês clicaram e a gente checou “2.397” ou “8.539” ou “15.836” ou, mais recentemente, “25.634” – hits anotados na conta a cada dia de texto no ar. Era muuuito hit. A gente se sentiu no hit parade!

E isso só queria dizer, na real, que estávamos dividindo pensamentos, memórias, referências, alegrias e desapontamentos com gente que queria mesmo saber de tudo aquilo. Foi por isso que durou tanto. Foi um amor bonito.

E foi por isso que, ao “descansar”, o Garotas que Dizem Ni não se ressente nem um fio de cabelo da careca do Bozo. O Garotas que Dizem Ni amou fazer parte da vida de vocês, podendo traduzir tudo o que saía das nossas cabeças e atingir, em palavras, as cabeças de vocês todos.

Foi um prazer, um privilégio e um aprendizado.
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Vivi, me liga de tarde? Queria saber se a sua irmã pode levar seu presente de Natal até San Francisco! Ele já está aqui em casa, espalhando purpurina e penas pra todo lado, hoho! Clá, almoçamos terça? Naquele dos garçons muito ruins? Eu chego 13h20, depois de deixar a Sasá na escola.
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E vamos nessa, pra mais histórias. Sempre.




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Fla Wonka às 09:42 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold