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O Garotas e a Última Cruzada Semana Especial – “Grandes Diretores produzem Grandes Garotas” Steven Spielberg diz que não vai medir esforços para transformar nossa história, enquanto Garotas que Dizem Ni, num filme épico com pitadas de humor, muitos efeitos especiais inovadores e um final emocionante e memorável. Steven, nada modesto como sempre, contratou um sujeito que lida com discos voadores. A gente não sabe onde ele usará isso, mas com certeza vai ficar sobrenatural. Segundo o diretor, nossas vidas e obras dão um longa-metragem maravilhoso, daqueles que arrastam multidões para a fila do cinema. Mas ele diz que, se for um fracasso, melhor, que fica até mais artístico. Bom. Ele acredita que tudo poderá se desenvolver, resumidamente, do modo que segue abaixo. Plano fechado na cara do ator que interpreta nosso ex-chefe. Tudo começa nessa sala de escritório onde o homenzinho pernóstico avisa Flá (interpretada por Evan Rachel Wood, que aceitou mas está fazendo frescura pra tingir o cabelo de preto) que ela acaba de ser demitida. Na tela dividida, a mesma cena se repete com Clarissa (Scarlet Johansson, que já aceitou e considerou o papel “um presente”) e Viviana (encarnada por Kirsten Dunst, que jura que dessa vez virá um Oscar... ou pelo menos um Teen Choice Award). Corta a cena para as três tendo um “meet-cute” na calçada, carregando suas caixas de pertences. Sob trilha incidental de John Williams bem estilo anos 60, passam aqueles apanhados de cenas com as três dançando na boate ao som de Cindy Lauper, fazendo guerra de goiabas, se divertindo numa road-trip para Munique e usando dinossauros gigantes infláveis numa lutinha em plena sala de estar. A gente disse que nada disso jamais aconteceu conosco, mas Steven insiste. Principalmente nos dinossauros. Então, durante o trecho de elaboração da idéia de um site com textos de temas variados e sem compromisso com a verdade, o filme fica um pouco mais denso. “Clima de ‘A.I.’ encontrando ‘Minority Report’”, diz o Steve. A gente não entendeu nada, mas parece que ele imprimirá essa pegada tecnológica, com as atrizes usando óculos de grau e trabalhando em computadores de última geração e uma iluminação bem azulada no cenário todo. Então haverá uma cena em que as três viajam de carro para ter uma reunião com o diretor de uma grande publicação de circulação nacional a fim de acertar um misterioso trabalho. Chegando lá, o homem de terno preto e capa tem um jeito meio estranho de falar e se portar – sua respiração forte parece saída de um sistema de comunicação implantado cirurgicamente... ou do fundo de um balde. Faz umas piadas, oferece uma baita grana; diz alguma coisa sobre “o lado negro das crônicas”. Todos fecham negócio e as meninas saem rindo-se a valer. No contraponto, o homem retira sua máscara humana e deixa vazar a luz extraterrena que emana de seu corpo extraterreno enquanto embarca num veículo extraterreno. Talvez o disco voador do Steve entre aí... A gente pediu uma Estrela da Morte bem maneira, mas ele não achou uma boa, quer apenas um disco retrô pousando. Tem uma parte em que as meninas escrevem irreverências sobre a Britney Spears e o homem se rebela, mandando máquinas sugarem o sangue delas e depois descartá-las na Terra já dizimada pelo conflito entre mundos. Mas era tudo um sonho coletivo das três. Em vez disso, na realidade elas estão tentado conciliar o trabalho de jornalistas com o de blogueiras, o que não é fácil porque a baita grana da revista de circulação nacional já era há muito tempo e as contas pingam a valer. Vivendo em um cortiço, elas são obrigadas inclusive a sair em uma reportagem sobre um tubarão gigante, na qual arriscam as vidas para exterminar a criatura na bala. Nota: vamos pedir ao diretor que pelo menos troque a fera por, sei lá, uma foca gigante assassina... Pra não dar pinta. Quando elas decidem afinal terminar com tudo, largar essa vida cruel de escrever os textos e se tornar corporate Garotas, o filme ganha uma luz muito romântica, fica bem lindo. O Spielberg disse que isso será ótimo e que vai explorar loucamente as três atrizes, fazendo-as chorar abraçadas com os rostos sujos de tinta de caneta e suor. Talvez ele arme uma cena em que elas terão que usar lógica, coração e força física para postar a última semana de textos. Uma coisa meio religiosa, com o Cálice Sagrado sendo descoberto por elas em meio aos papéis de rascunho e as canções do Monty Python sendo interpretadas ao fundo por bandas da moda, como Bloc Party ou Kaiser Chiefs – quem topar o cachê primeiro. O final trará Vanessa Readgrave, Judi Dench e Ellen Burstyn interpretando Flá, Clara e Vivi já idosas e bonitonas, relembrando o passado de fama e a emoção de ter escrito textos, encontrado ETs e lutado contra focas monstruosas. A grua puxa a câmera até bem longe onde se lê o nome do asilo e as enfermeiras comentam como as velhinhas são divertidas, apesar de mentirosas e meio loucas. O Spielberg até chora um bocadinho nesse momento, comentando que é mesmo uma pena nós três, Garotas, não sermos judias. Senão isso tudo ficariam lindamente filmado em preto-e-branco. Steven pensa grande, adoramos isso nele. |
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