segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O fim da picada

Semana Especial – “É o Fim!”

Quando eu estreei na vida escolar, comecei entrando em um colégio todo de bacana. Sei lá, acho que um fio desencapou na cachola de mamãe e ela achou uma ótima me colocar numa 1ª série bem porreta. A escola, acreditem, selecionava alunos por “vestibulinho”. É uma prova para separar aptos de inaptos, diziam. Não me lembro o que perguntavam na tal prova a fim de eleger pequenos gênios de 7 anos, mas imagino que seria algo como “descreva seu bicho preferido e a cor do sapato que está usando” – e todos os que não escrevessem “dragão e fúcsia-perolado”, estavam dentro. “Vestibulinho” não é o fim da picada?

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Aqui perto de casa, o supermercado se habituou a dar produtos para o pessoal que pede comida. Com isso, conseguiram juntar cerca de 30 pessoas – entre jovens, idosos e criancinhas – que agora vivem na rua, morando debaixo da marquise dia e noite num frio e num calor que dão vontade de chorar. Agora, tem dia em que os funcionários do mercado dão pão e enlatados pra turma, e tem dia em que lhes dão um passa-fora na base da vassourada. Empresas sem a menor noção de responsabilidade e sociedade são o fim da picada.

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Sério que a Sônia Abraão bateu papo com o seqüestrador de Santo André por horas e horas, ao vivo, enquanto se faziam negociações? É-o-fim-da-picada.

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Minha amiga foi ao médico para fazer um check-up e entender por que não conseguia engravidar. Aos 4 minutos de consulta, o doutor disse que era óbvio, uai: ela tinha 41 anos, queria o quê? Disse que já podia desistir. Bem assim. Felizmente ela recobrou forças e foi ver outro médico. Está grávida de dois meses agora. Médico que faz consulta de 4 minutos, não tem tramela na boca e já perdeu a sensibilidade é o fim da picada.

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Assistir novela da Rede Globo é o fim da picada televisiva.

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Shows que custam R$ 300, no Brasil, são o fim da picada musical.

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Outro dia ligou aqui em casa a babá de uma coleguinha de escola da minha filha. A moça queria saber se a Sabrina podia ir brincar lá. Eu disse que sim, mas que primeiro era melhor falar com a mãe da menina. Não? “Não, quem trata das coisas da Júlia sou eu mesma”, disse a babá. Mas, hein?! Gente que tem filhos e depois entrega em consignação é o fim da picada.

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Eu vi algumas matérias na televisão sobre as eleições norte-americanas. 1) O processo leva um mês pra finalizar, e é tão complicado que o repórter deu nó na língua pra (tentar) explicar; 2) Uma senhora dava entrevista dizendo que Obama não pode ganhar, porque senão ele vai tomar o dinheiro de todos e dar pros pobres; 3) Em alguns estados do país, os votos não são contabilizados em proporção, mas assim: em tiver mais, leva os delegados todos, no famoso “the winner takes it all”, como se fosse um cassino de Las Vegas; 4) o personagem-símbolo da campanha de John McCain é um tal “Joe, o encanador”. Não me peçam pra explicar... Porque eleição parece ser o fim da picada em toda parte do mundo mesmo...

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O fim da picada é algo esquisito à beça, não? Porque quando parece que o fim chegou, ainda tem muita picada pela frente. O fim da picada, para nossa capacidade humana, é intangível.

Fla Wonka às 10:37 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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