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Nada além de flores "And as things fell apart A primeira vez que ouvi esta música foi na famigerada premiação da MTV em que Caetano pediu "vergonha na cara" à emissora, depois que o som falhou pela terceira vez em sua apresentação ao lado de David Byrne. Eu tenho uma memória melódica de peixinho dourado: dois minutos depois de ouvida a canção, não consigo fazer nem o na-na-na. Além do mais, o piti me distraíra. Mas para compensar, guardo um ou mais versos da letra por anos a fio. E aí, graças ao São Google, encontro qualquer coisa (desde que o verso não seja "I love you"). Digitei "there was a shopping mall now it's all covered with daisies". Além da melodia e do piti de Caetano, taí outra coisa da qual eu realmente tinha gostado: o bizarro humor da letra - ou pelo menos da parte que eu tinha entendido. Descobri que a música que eu procurava se chamava "(Nothing But) Flowers" e era do Talking Heads. Já gostei. Eu gosto de músicas com parênteses no título. Mais algumas pesquisas e ela entrou na minha fila de downloads e exibiu sua letra em uma janela de navegação. Pronto. Apaixonei. "(Nothing But) Flowers" foi lançada em 1988, no Naked, último álbum do Talking Heads. O ritmo é irresistível e a letra é sensacional: ela subverte a ordem natural do que a gente vê por aí, descrevendo um cenário pós-apocalíptico... paradisíaco. E reclama da falta de asfalto, microondas e Pizza Hut, com pérolas como "se isso é o paraíso, quisera eu ter um cortador de grama" e "costumávamos usar o microondas; agora comemos apenas castanhas e frutinhas". Isso sem contar o "desde o tempo dos dinossauros, carros são movidos a gasolina; para onde eles foram?! Agora, não há nada além de flores!". Não é genial essa inversão completa do desespero humano, geralmente associado ao fim das flores - e não dos carros? E, para fechar com chave de ouro e ser muito Talking Heads mesmo, apesar da letra, o videoclipe da música - que tem a participação de Johnny Marr, guitarrista do Smiths - exibe várias estatísticas terríveis do que temos feito com a Terra ultimamente. Pare de fazer sentido Clara McFly às 10:07 AM |
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