|
||||||||||
|
||||||||||
Eu sei quem você é... ... e vi o que você fez Eu ainda me lembro do email que recebi do Daniel Bayer, dando o recado da forma mais doce e positiva possível: ele listou 10 razões para eu não ligar para o que tinha acontecido com o Fórum de Leitores do Garotas. Eu ainda nem sabia o que tinha acontecido com o Fórum de Leitores do Garotas naquela sexta à noite, há exatos três anos: 19 de agosto de 2005. Fui correndo ver. E o Fórum tinha sido craqueado. Foi trabalho de algum delinqüente virtual, que foi apagando pouco a pouco os threads e tópicos e substituindo nossas conversas animadas sobre TV, cinema e os textos por conteúdos construtivos como “vão tomar no c*, seus fdps” e outros xingamentos tolinhos afins. Não satisfeito, o cracker disparou um email pouco educado para todos os cadastrados no Fórum. Começamos a receber mensagens de volta: “é assim que vocês tratam os seus leitores?”. Claro que os visitantes mais assíduos sacaram na hora que não era a gente. Mas tem sempre aquele povo – grande maioria – que se cadastra, posta algumas vezes, vai, volta, escreve de novo... e esses não tinham como saber o que estava acontecendo. Além de falarem em nossos nomes, os invasores bagunçaram toda a nossa casa. Parece pouco, mas convenhamos que, na vida, pouco temos de verdade além do nosso nome. E nossa casa. Apagaram anos de conversas e conteúdo construído coletivamente. Apagaram o registro de personagens históricos do Fórum, como o famigerado Renegade, amado e odiado como uma verdadeira lenda. Desapontaram os leitores mais próximos e participativos, ao mandar para a lixeira tanta coisa legal que eles haviam escrito lá. Pode parecer besteira, mas foi uma experiência verdadeiramente horrível. Como se tivessem entrado na nossa casa, revirado as gavetas, levado diários e memórias. A troco de... nada. Depois de tomarmos as primeiras providências – “derrubar” o que restou do Fórum e avisar os leitores do ocorrido – nos reunimos para definir o que fazer. Procurar o desinfeliz que fez isso e empalá-lo por conta própria? Deixar para lá e desencanar dessa história de ter Fórum? Esquecer a m*rda toda e criar outro espaço para os Leitores? Resolvemos fazer o que achávamos mais certo, ainda que os resultados efetivos dessa escolha fossem contra todas as probabilidades. Procuramos um advogado – o irrepreensível Ricardo Yamasaki – e abrimos um processo contra os invasores do Fórum. O processo era lento e o barato nem tão louco: reunimos todas as provas que pudemos, narramos a história para o Ricardo, mantivemos tudo em sigilo. Ele nos explicou que faria um pedido de instauração de processo e foi honesto logo de cara, confirmando o que já imaginávamos: talvez a instauração de inquérito nem fosse aceita. Mas, naquela tarde, ao sairmos do escritório dele, Vivi e eu tínhamos a plena certeza de que, mesmo que o papo furado de “ah, essas coisas de internet não dão em nada” se confirmasse com a gente, tínhamos feito o que era para ser feito. O tempo foi passando e o processo foi correndo: aceitaram a instauração do inquérito. Ricardo já havia pedido quebra de sigilo dos dados do email usado pelo invasor na entrada no Fórum. O problema é que, até pouco tempo atrás, os provedores estavam cagando para a Justiça brasileira. Não havia multa ou pena aplicável para os provedores que ignoravam os pedidos. Agora a coisa não é bem assim: os pedidos devem ser cumpridos dentro de um prazo. Infelizmente, nosso invasor já havia apagado aquele email. Ficamos sem pistas. Poucos meses atrás, fomos convocadas a comparecer ao DEIC, onde são investigados os crimes virtuais. Enquanto comia cereais no carro da Flá, a caminho da delega, tive novamente a sensação de ter feito a coisa certa. Naquela manhã, nosso processo foi arquivado por falta de provas – como eu disse, o email fundamental para a investigação já havia sido apagado, graças à falta de vontade da turma de Bill Gates em nos informar quem era o dono dele. Mas a sensação de que fizemos o certo se confirmou. Embora a Justiça tenha falhado em seus passos oficiais, nós tomamos a posição correta. Denunciamos, gritamos, pedimos – como se alguém tivesse entrado em nossas casas *mesmo*. No caminho, tivemos contato e apoio de pessoas queridas. Pensaram que deixamos passar três anos à toa? Ha! Tudo valeu. Ademais, como diria o juiz Nicholas Marshall, “a Justiça é cega, mas enxerga no escuro”. Se é que vocês me entendem. |
![]() |
|||||||||
![]() |
||||||||||