quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Praticamente uma virgem

Eu sempre achei que fosse bem espertinha em relação a sexo, afinal, minha curiosidade sobre esse tema vem de longe. Ninguém acredita quando eu conto que, quando tinha 14 anos (podiam ser 12 também, isso depende se minha mãe – ou pior, meu pai! – vai ler ou não esse texto...), de tanto infernizar a coitada que me deu à luz, ela concordou em alugar um filme pornográfico para mim. Eu poderia escolher o que eu quisesse, com a condição de ela assistir comigo, para eventuais explicações. Consegui convencê-la a levar dois: "Sexo da Pesada" e um outro cujo título eu não me lembro, mas que era uma paródia da "Branca de Neve e os Sete Anões". Minha estréia no mundo do sexo (a cultural, não a empírica, que foi um pouco mais tarde e bem normalzinha) já começou bizarra. O primeiro filme só tinha gordos (mas gordo mesmo, tipo lutador de sumô) e no segundo, os anões da Branca de Neve cuidavam de um jardim de pintos no qual a moça se divertia.

Nessa época, já fazia algum tempo que eu sabia o significado daquele sinônimo de vagina que começa com "b" (não sei se pode falar palavrão aqui nesse blog de mocinhas). Aprendi bem cedo. Estava começando a ler, lá pelos 6 ou 7 anos, quando soletrei em alto e bom som a palavra escrita no banco da frente ao que eu e minha mãe estávamos sentadas, em um ônibus. "Fernanda, não pode falar isso alto!", me repreendeu ela, constrangida. "Mas por que não pode falar b...?", eu quis saber. "Porque é palavrão, fica quieta". "Mas o que significa b....? Me conta, senão não paro de falar", insisti. Ela poderia me matar naquela hora ou concordar. Eu devo até ter levado algum beliscão, mas o fato é que ela cumpriu o que prometeu.

Depois disso, não demorou muito para ela ter que me explicar o que era masturbação (não, não era isso que dava espinhas), gravidez (não, não acontece sentando em banheiro público), sexo oral (não, não era fazer sexo de hora em hora – juro que ouvi isso!) etc. Até chegar aos filmes, foram muitas conversas e livros. Dali em diante, foi bem rápido para que minha mãe deixasse de ser minha fonte principal. E as pesquisas se ampliaram (mas não o bastante, como descobriria mais tarde). Essa história toda foi só um parênteses, uma introdução para contextualizar o tema central desse post que é: "E eu que achava que sabia bastante sobre sexo...".

Pois é, mas depois de começar a escrever sobre o assunto, me sinto praticamente uma virgem. Como as pessoas são criativas! Quantas possibilidades! Que coisa! Nossa! São interjeições diárias. Então, quando a Flá me convidou para escrever aqui no Garotas que Dizem Ni, a primeira coisa que me veio a cabeça foi compartilhar algumas das minhas descobertas. Selecionei as 5 coisas do universo sexual das quais eu nunca tinha ouvido falar (só cinco, porque não tenho como mostrar fotos aqui e porque o texto já está grande demais).

1. Muito além do papai e mamãe
Eu não fazia idéia de que algumas pessoas sentem prazer com práticas como usar fraldas e chupetas e ser tratados como bebês; cheirar gases intestinais alheios; tocar, lamber e penetrar a zona ocular (??); manipular roupas sujas de outras pessoas; se esfregar em balões (aqueles de aniversário, ou aquelas bolas da academia de ginástica) ou em troncos de árvores.

2. Vibrador é coisa do passado (pelo menos aqueles pintos de borracha clássicos)
Já me deparei com vibradores e dildos (a diferença é que o último não vibra) em formato de Menino Jesus, fantasma, réplicas de pintos de animais (jumento, golfinho, baleia, etc.), inocentes bonequinhas, tipo Hello Kitty, mouse de computador e até uma máquina de sexo, parecida com um instrumento medieval de tortura, com um dildo acoplado (só vendo mesmo pra entender). Sem contar a variedade de brinquedos sexuais que existem. Pra citar um dos mais estranhos: uma boneca inflável alienígena, com três peitos e boca em forma de vagina

3. Fantasias e mais fantasias
Também me deparei com algumas bem criativas, como o Giantess, em que a pessoa fantasia ser um indivíduo minúsculo submetido aos desejos de um gigante, ou vice-versa.

4. Datas comemorativas
Maio é o mês da masturbação nos Estados Unidos; julho do orgasmo, no mundo todo; e está rolando um movimento para que o dia 6 de setembro (6.9) seja o dia do sexo (essa é iniciativa brasileira).

5. Pelo mundo
As neozelandesas são as mulheres que mais fazem sexo casual. Os japoneses são os mais assexuados (fazem sexo somente 34 vezes por ano e 1 em cada 4 casais fica um ano sem praticar). É no Japão também que foi inventado o gênero pornô para maiores (com atores de 70 anos para cima – faz o maior sucesso). Na Argentina acontece um festa de sexo grupal, com convocação pela internet, de 15 em 15 dias.

Será que só eu não sabia de tudo isso?

Por Fernanda Colavitti

* * * * * *

Pêêênalti!!!

Olha o que esse site vira quando a gente convida certas pessoas a escrever...? Mas o fato é que Fernanda Colavitti só mostra esse seu lado (opa) quando não está trabalhando até suar (opa opa) para a gloriosa e científica Revista Galileu. Quem a vê na rua jamais imagina que essa mocinha de 40 quilos, cara de anjo e residência fixa é quem mantém o Sexpedia, um blog muito do safado - e muito do engraçado também.

Se quiser ir visitá-la, vá. Mas tire as crianças da sala! (Ou elas vão começar a falar, em público, "a palavra com b"...).




Fla Wonka às 08:02 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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