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As histórias dos outros Antes de ser alçado à fama como estrela do cinema e da TV, Matheus Nachtergaele era um ator de teatro que fez a famosa peça "O Livro de Jó". A montagem ficou conhecida não só pelo talento do ator principal - no caso, Matheus - mas também por ter sido feita em um hospital desativado, onde o público tinha que acompanhar a ação andando de uma sala para outra. O espetáculo virou hype em São Paulo. A espera por entradas era imensa, já que o número de espectadores na platéia era bem limitado. Todos os jornais deram críticas ótimas e só se falava nesse assunto por aqui. Tanto falaram que duas velhinhas bem quatrocentonas, daquelas de chapéu e bolsinha, resolveram assistir. Depois de conseguirem os ingressos com provavelmente muito esforço, as duas estavam em meio ao grupo que esperava o início da ação naquela sala de hospital gelada. Clima de expectativa, o público esperando... quando abre uma porta e Matheus Nachtergaele está lá nu, coberto de sangue, em posição de suplício. Mas não deu tempo do ator dizer palavra. Uma velhinha olhou para outra e soltou, categórica: - Satisfeita, Yolanda? E rumou para fora da sala, acompanhada pela amiga repreendida que possivelmente saiu pensando: "mas os jornais disseram que era tão bom...". Quem me contou essa história foi a Roberta, que é atriz e diz que ouviu de alguém que ouviu de alguém que ouviu do próprio Matheus. Gilberto Gil estava em turnê e tinha um agregado da banda - assessor ou produtor, sei lá - que, ao melhor estilo quinta-série-C, achava tudo "coisa de bicha". - Ei, este seu chapéu aí, hein, Zé? Que coisa de bicha! E Gil só olhando. Até que um dia o ex-ministro não se agüentou e tascou um pito no menino: - Que mania mais chata essa sua, com esse "coisa de bicha"! Para com isso, menino! E completou: - E vou lhe dizer mais... Odilon... seu pai... olhe, pró-cure saber. Essa também foi contada pela Roberta, que por sua vez ouviu do Eugênio Lima, um premiado DJ que trabalha com ela. O pai do Guss é advogado. O Guss ligou para ele outro dia e, do outro lado da linha, só ouviu reclamação - o pai estava com problemas em um processo, as coisas se enrolaram, tinha um monte de pepino para resolver porque o juiz era um saco. E, como se não bastasse, o juiz chamava... Epílogo. No calor do desabafo, o pai do Guss virou para ele e falou: - Mas, também, esse Epílogo é o fim! Três segundos de silêncio depois, o Guss desatou a rir. O pai dele nem tinha percebido o incrível trocadalho. Essa história quem me contou foi o Guss, obviamente, entre um café e outro nas pausas do trabalho. E você, leitor? Gosta de contar histórias dos outros? Conta uma para mim! Clara McFly às 12:32 PM |
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