terça-feira, 12 de agosto de 2008

As histórias dos outros

Antes de ser alçado à fama como estrela do cinema e da TV, Matheus Nachtergaele era um ator de teatro que fez a famosa peça "O Livro de Jó". A montagem ficou conhecida não só pelo talento do ator principal - no caso, Matheus - mas também por ter sido feita em um hospital desativado, onde o público tinha que acompanhar a ação andando de uma sala para outra.

O espetáculo virou hype em São Paulo. A espera por entradas era imensa, já que o número de espectadores na platéia era bem limitado. Todos os jornais deram críticas ótimas e só se falava nesse assunto por aqui.

Tanto falaram que duas velhinhas bem quatrocentonas, daquelas de chapéu e bolsinha, resolveram assistir. Depois de conseguirem os ingressos com provavelmente muito esforço, as duas estavam em meio ao grupo que esperava o início da ação naquela sala de hospital gelada.

Clima de expectativa, o público esperando... quando abre uma porta e Matheus Nachtergaele está lá nu, coberto de sangue, em posição de suplício. Mas não deu tempo do ator dizer palavra. Uma velhinha olhou para outra e soltou, categórica:

- Satisfeita, Yolanda?

E rumou para fora da sala, acompanhada pela amiga repreendida que possivelmente saiu pensando: "mas os jornais disseram que era tão bom...".

Quem me contou essa história foi a Roberta, que é atriz e diz que ouviu de alguém que ouviu de alguém que ouviu do próprio Matheus.

* * * * * *

Gilberto Gil estava em turnê e tinha um agregado da banda - assessor ou produtor, sei lá - que, ao melhor estilo quinta-série-C, achava tudo "coisa de bicha".

- Ei, este seu chapéu aí, hein, Zé? Que coisa de bicha!
- Ô, Marião, onde você comprou essa camisa tinha para homem? P*ta coisa de bicha!

E Gil só olhando.

Até que um dia o ex-ministro não se agüentou e tascou um pito no menino:

- Que mania mais chata essa sua, com esse "coisa de bicha"! Para com isso, menino!

E completou:

- E vou lhe dizer mais... Odilon... seu pai... olhe, pró-cure saber.

Essa também foi contada pela Roberta, que por sua vez ouviu do Eugênio Lima, um premiado DJ que trabalha com ela.

* * * * * *

O pai do Guss é advogado. O Guss ligou para ele outro dia e, do outro lado da linha, só ouviu reclamação - o pai estava com problemas em um processo, as coisas se enrolaram, tinha um monte de pepino para resolver porque o juiz era um saco. E, como se não bastasse, o juiz chamava... Epílogo.

No calor do desabafo, o pai do Guss virou para ele e falou:

- Mas, também, esse Epílogo é o fim!

Três segundos de silêncio depois, o Guss desatou a rir. O pai dele nem tinha percebido o incrível trocadalho.

Essa história quem me contou foi o Guss, obviamente, entre um café e outro nas pausas do trabalho.

E você, leitor? Gosta de contar histórias dos outros? Conta uma para mim!

Clara McFly às 12:32 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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