sexta-feira, 4 de julho de 2008

Música serve para isso

Música serve para um monte de coisas. Serve para ilustrar épocas da vida - por exemplo, não posso ouvir "Palco", do Gilberto Gil, sem pensar nas viagens que eu fazia para Bertioga, ainda bem pequena, em família; nem "Palhas do Coqueiro", dos Raimundos, sem pensar nos feriados que eu passava na praia a macarrão e atum com os amigos, na adolescência.

Música também serve para dançar. Ou para pensar na vida fumando um cigarro. Ou para cantar a plenos pulmões (desde que você não reflita tanto assim fumando cigarros) no carro, parada no congestionamento. Ou para cantar com os amigos assim, sem querer, voltando de viagem pela estrada. Música serve para animar, para preencher espaços vazios ou silêncios constrangedores em reuniões de família. E serve para acalmar.

Tem três músicas que, para mim, funcionam melhor que maracugina. Toda vez que estou estressada, puta ou nervosa, me pego com essa trinca de ouro. A partir delas, consigo desligar temporariamente da cobertura desgastante, da discussão com um amigo, da irritação com o bolo que solou. Claro que elas não devem funcionar para todo mundo, mas é certo que cada um deve ter as suas músicas calmantes.

Sugiro as que estão abaixo - mas recomendo fortemente que você encontre a sua, leitor. Faz um bem danado. E economiza algumas horas de terapia.


San Andreas Fault, da Natalie Merchant, tem uma melodia doce e meio triste. E uma letra ótima, falando de sonhos e da terra onde hoje mora minha ruiva mais querida.


Thorn in my Pride foi feita sob medida para acalmar os ânimos. O andamento, a letra fofinha e até a banda riponga – os Black Crowes – colaboram para a serenidade.


Faithfull pode não ser a maior baladinha do Pearl Jam, mas prova que nem só as musiquinhas calminhas são calmantes. Pelo menos para mim.


Clara McFly às 12:11 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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· Vivi Griswold