quinta-feira, 19 de junho de 2008

Ela nunca

Certa vez, contei tudo o que “ela já”. Mas o fato é que Sabrina, minha pequena, ainda tem muito mais coisas a cumprir. Se em três anos ela teve a manha de aprender a fazer bolo, plantar uma árvore e – ai, céus, que Caxias – ter uma previdência privada só para gastar em batom e birita aos 18 anos, o que ainda resta vir pela frente? Espero que muita, muita coisa. Porque, aos três, “ela nunca” um sem números de itens.

Ela nunca furou as orelhas. Bom, eu também nunca, então isso é assunto velho aqui em casa.

Ela nunca comeu sopa verde. Odeia. Revira o olho e empurra o prato – desde os seis meses de vidinha. Come até sopa de carrapato. Desde que não seja verde.

Ela nunca foi ao cabeleireiro. Porque sempre que foi preciso aparar o chanel, a franja ou mechas rebeldes, ela compareceu ao Mama Flá Salon de Coiffure. Funciona aqui na sacada.

Ela nunca teve babá. Bem, não daquelas pagas. Só umas tias e avós bacanas demais que fazem um freelancer por aqui de vez em quando.

Ela nunca dormiu na cama da mamãe. Nunca. Desde o primeiro dia, foi adepta total do berço.

Ela nunca comeu fruta-pão e jaca. As demais, acho que foram todas.

Ela nunca fez viagem longa de carro. Ela odeia o carro. Perde a paciência em 20 minutos. Nisso, temos muito em comum...

Ela nunca apanhou pra valer. Nem vai. Pois se não levou uns sopapos quando abriu a máquina de lavar que estava em pleno funcionamento (inundando a lavanderia...), não sei o que poderá fazer pra provocar a ira plena de sua mãe.

Ela nunca soube o quanto eu fiquei preocupada e baratinada quando percebi a existência dela na barriga.

Ela nunca assistiu “Indiana Jones”, infelizmente. Só “Star Wars”. Ela ama “o robozinho azul”.

Ela nunca pediu pra ter cachorro. Ou gato. Ou hamster. Ou furão. Ou peixinhos. Ou passarinhos. Ela só pediu pra ter uma vaca. Vai entender...

Ela nunca se esqueceu da Vivi, mesmo a Ruiva tendo ido morar longe quando ela tinha oito meses.

Ela nunca saiu feia em uma foto sequer.

Ela nunca falou palavrão, apesar de ouvir alguns dos trombadinhas de sua escola.

“Ela nunca” tanta coisa... E essa é uma trajetória tão incrível de guiar e acompanhar...

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Eu nunca...
devia ter deixado Mamãe ser minha cabeleireira...



Fla Wonka às 08:57 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold