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À distância Eu sei que minha amiga Taís está ótima lá em Londres e até fiz um tour virtual em fotos pela casa dela. Falei com a Bia em Paris e ela me contou que o calor já começou a pegar forte – e a vi, por imagens, na escola de natação muito divertida na qual a doida se enfiou. Telefonei para o Paulo e, para minha total surpresa, o cara não estava aqui em Pinheiros. Estava na Venezuela. Eita, como hoje a vida é mágica na hora de minimizar distâncias. Clico aqui no site do clima e vejo que está fazendo 11º graus em Porto Alegre – tá usando o cachecol aí, Ana? – e 28º em Natal – Ágata, eu queria ser você agora, amiga. Se eu quiser, digito também os endereços de webcams para ver a ursinha panda do zoológico de San Diego ou como está a área do Parlamento, em Londres. Se eu quiser, aliás, bato um fio para o meu amigo Comandante Mello Sá, na base brasileira na Antártida, e pergunto se hoje ele pretende ir pescar de tarde. Há cem anos, o pessoal que morava nos recantos da Sibéria levava 42 dias de lombo de cavalo para alcançar a cidade mais próxima. Com a ferrovia Transiberiana, o trajeto de lado a lado da Rússia foi cortado para uma semaninha – e com direito a vagão-restaurante. E quem tem avião próprio faz tudo isso em 7 horas. Quando minha bisa veio da Itália, calculo que ela levou 30 dias de navio para chegar em Santos. Bom, se os primos Pegorin que lá vivem quiserem fazer a mesma jornada, podem pegar o Alitalia das 11h30 e chegar aqui pro jantar. Eu posso até fazer ravióli ao sugo. E eles trazem pão quente e o vinho! Leandro foi mochilar e me mandou um SMS contando que estava tudo bem e a imigração não botou as mãos nele. Alê foi morar em Miami e me mandou um e-mail dizendo que tudo tem cenário de “A Gaiola das Loucas”. De Hong Kong, uma menina que eu não conheço me enviou roupinhas para minha boneca – negociamos tudo pelo eBay e, agora, meus pertences viajam até aqui num envelopão. Pena isso não existir quando eu tinha 7 anos e ela doida por canetas coloridas importadas. Hoje eu preciso entrevistar dois professores – um de Cambridge e outro de Berkeley. E em poucos minutos terei todas as respostas sem nem gastar telefone. Hoje eu vou receber o vídeo que a Paula fez do bebê dela no fim de semana – e saberei como o pequeno Antônio canta “parabéns” diretamente de Milão. Se o namorido viaja, eu fico meio macambúzia sentindo sua falta. O bom é que o celular funciona até na Lua, e eu posso pentelhá-lo até para saber onde guardou a chave de fenda. E lá de Frankfurt, às 3h00 da madrugada, ele pacientemente responde. Hoje eu quero falar com a Vivi, que faz aniversário, e desejar toda a felicidade do mundo. Minha grande amiga está há 10 mil quilômetros daqui e, se eu quisesse abraçá-la, poderia partir de noite e alcançar San Francisco amanhã pela hora do almoço. É longe demais, mas internet, telefone, e-mail, webcam e correio nos fazem viver mais perto uma da outra. Se fosse há 30 anos, eu perderia o contato com a Vivi. Ou não. Porque, felizmente, o coração, tanto ontem quanto hoje, não reconhece qualquer distância. Este texto é dedicado à minha Viviana, cuja saudade insuportável me faz sonhar com teletransporte. Mas que nunca saiu de perto dos meus pensamentos. Fla Wonka às 10:59 AM |
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