sexta-feira, 23 de maio de 2008

It’s a kind of magic

Em 1939, um mágico chamado Jasper Maskelyne abandonou os palcos britânicos, onde era uma estrela desde o início da década, e procurou as forças armadas inglesas com um plano mirabolante. Foi recebido por um oficial com aquela cara de tédio tipicamente inglesa:

- Cara, eu sou mágico sabe?
- Arrã.

- E sabe que mágicos fazem coisas mágicas, certo?
- Nhã.
- Assim sendo, ofereço meus serviços para a guerra.
- Você tem treinamento militar?
- Noup.
- Já esteve em algum campo de batalha?
- Também não.
- É especialista em estratégia ou algo do tipo?
- Não de novo, amigão. Já disse, eu sou mágico.
- Ah, sim, claro. E você pretende ajudar o país a combater os alemães tirando moedas de trás da orelha deles?
- Não, pedrobó. Eu poderia, sei lá, fazer com que alguns pontos estratégicos para a gente desapareçam diante dos olhos do inimigo.
- Claro que poderia. Agora, vê se me dá licença que são 10 para as cinco e está quase na hora do chá.
- Tá duvidando?
- Tô, por que? Algum plobrema?
- Sim, dois: em primeiro lugar, é “problema” e não “plobrema”. Em segundo lugar, se você duvida, chama lá seu chefe. Agora eu quero falar com o gerente.
- Não é gerente, anta. Isso é uma organização militar, você vai falar com o comandante. E chamo mesmo, porque agora eu quero ver você pagar o maior mico.

...

Ninguém sabe como, mas Maskelyne convenceu os militares a enviá-lo para o norte da África, onde os britânicos combatiam as tropas nazistas. Talvez tenha sido mágica. Ou ele tirou uma moeda de trás da orelha do comandante e, enquanto esse se distraía com o truque, saiu correndo e se juntou às tropas de Sua Majestade.

Chegando lá, apesar do seu crachá ter “mágico” escrito em letras garrafais, teve de convencer o pessoal tudo de novo.

- Então, cara. Eu sou... mágico!

(Ele falava isso fazendo uma pausa depois do “sou”, para criar um certo suspense. E fazia uma voz grave para o “mágico”, igual à daqueles locutores que anunciam a empresa de dublagem de um filme antigo antes dele começar).

- Sério, meu? Pô, legal! Chegou em boa hora, tenho um serviço aqui para você.
- Jura?
- Sim. Pega essa cartola, essa varinha e se prepara para entreter as tropas esta noite. O pessoal tá precisando se distrair, sabe?
- Ahn... Sei. Tá certo, mas olha, eu tenho uma idéia melhor aqui...
- Agora não, grande. Tá ouvindo esse assobio e o estrondo? Então. Tão bombardeando a gente.

...

Maskelyne acordou num salto. “De hoje não passa”, pensou, enquanto alimentava os coelhos e desembaraçava os lenços coloridos que usara na noite anterior: “Ei, olha o ás de paus aqui na minha meia! Ok, tudo acertado. Agora vou botar meu plano em prática e calar a boca desses caras de fuinha”.

...

- Ô, chefia, chega aí!
- Jasper, já falei que aqui não é “chefia”, porra. Tome tento, você está no Exército Britânico!
- Foi mal. Então, olha ali aquela fileira de tanques. Tá notando algo de diferente?
- Você lavou os tanques?!
- Não, fiote. Tá faltando um.
- O QUÊ? Os alemães pegaram?!
- Qué isso, relaxa! Pegaram não. Eu escondi um.
- Ah, Jasper, não tenho tempo para brincadeiras...
- Mas eu quero provar uma coisa para você.
- O quê? Que você tem problemas mentais graves, escondendo tanques aliados no meio da guerra?
- Nananina-não. Tenha um pouco de imaginação.
- Não é nosso forte enquanto militares, Jasper. E eu odeio gente que faz “nananina-não”. Puta mania chata, meu!
- Tudo bem, só faz um favor: me acha o tanque. Se você não conseguir, quero autorização para reunir um pessoal e botar em prática uns truques que eu tenho na cachola. Coisa grande, você vai ver. E não vai se arrepender.
- E se eu conseguir?
- Juro por Nossa Majestade Real que nunca mais faço “nananina-não”.
- Fechado. Além do mais, você não pode ter ido muito longe com um tanque. No deserto, ainda por cima. Hohoho. Tá no papo.

...

Horas depois, os superiores de Jasper ainda não tinham conseguido encontrar o raio do tanque. Jasper ficou tirando um sarrinho:

- Desistiram?
- ...
- Cumé? Pedem água?
- ...
- E aí? Querem que eu diga se está quente ou frio?
- ...
- Tão loooonge...
- ...
- Vocês não são de na-dá, só comem marmela-dá...
- Chega! Você venceu. Cadê o tanque?
- Bem aqui, debaixo dos seus narizes.
- Ooooooooh! (Exclamações variadas de admiração irrefreável. E olha que para inglês não refrear alguma coisa é duro).

...

Assim Jasper Maskelyne conseguiu a chance que queria. Ganhou carta branca da “chefia” e reuniu outros oficiais, gente de áreas tão diversas quanto engenheiros elétricos e especialistas em construção de cenários. Eles ficaram conhecidos como a Gangue da Mágica e realizaram fabulosas proezas de ilusionismo em plena Segunda Guerra Mundial. Coisas do tipo criar tanques e pelotões falsos, além de camuflar os verdadeiros, confundindo por completo as cabeças dos pobres alemães.

Não contente, Jasper fez simplesmente desaparecer o Canal de Suez ao saber que a Luftwaffe planejava atacá-lo. Por outro lado, tirou da cartola um Porto de Alexandria falso, fazendo o inimigo despejar bombas e bombas n’água. Também ajudou a criar o fator surpresa na Batalha de El-Alamein, que marcou a virada dos aliados na região até então dominada pelos alemães.

Diz que o marechal-de-campo Rommel, também conhecido como Raposa do Deserto e responsável pela atuação alemã na África, nunca mais pôde ouvir a palavra “abracadabra” sem ter faniquitos. Já Maskelyne só pensava em como ia fazer “vixi-vixi-vixi” para aquele primeiro oficial inglês láááá em Londres, quando voltasse para casa.

jasper2.jpg
Acha que eu inventei a história? Pois o caminhão e esse link aqui não me deixam mentir!

Este texto é uma reedição. Jasper fez uma mágica e as horas de descanso da Clara sumiram, de forma que ela só volta a postar bobagens inéditas na terça-feira. Obrigada!


Clara McFly às 01:44 PM

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Fatos bizarros, comentários
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Na estante
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e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
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Bombril na ponta da antena
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