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Tive saudades, Indi Eu sempre vou lembrar daquele dia em 1981. Tinha rolado um almoço na casa da minha tia mais querida, regado a muita macarronada (nhami), cuscuz (gásp), birita (para os grandes), Ki-Suco (para os pequenos). Depois da pança cheia, sentamos para papear e meus irmãos e primos começaram uma movimentação. Movimentação forte de quem vai picar a mula dali. Fiquei de orelha em pé. Ouvi “cinema”? Ouvi “filme de caça ao tesouro”? Eu precisava muito participar! Mas em 1981 eu tinha só seis anos, enquanto eles contavam meia dúzia de anos a mais. Não me deixaram ir ver “Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida”. Que ardam no fogo de Kali Ma, malditos. Ficou um sabor amargo entre mim e o Indi logo de cara – afinal, eu nem tinha visto sua cara. Foi preciso passar mais de um ano inteiro para nos encontrarmos de fato, na locadora perto da praça. Paguei e levei Indi pra casa, prometendo rebobinar no final. A verdade, porém, é que eu rebobinei umas 12 vezes, porque simplesmente não conseguia parar de assistir à aventura. Indiana Jones foi meu primeiro grande herói. E se a gente for sincera aqui, melhor dizer que ainda é o predileto. Tive a quedinha pelo Aranha, um xamego com Wolverine e, há alguns dias, fiz questão de visitar o Homem de Ferro por mais de uma vez. Mas Indiana sempre foi perfeito. Até que, há uns bons cinco anos, começaram (de novo) aqueles futricos sobre um novo filme. Ah, por favor... A essa altura, eu já tinha participado de “O Templo da Perdição” e de “A Última Cruzada” na sala grande, com pipoca e refrigerante inclusos. Já tinha tirado o trauma de perder a estréia do arqueólogo no cinema, já tinha colocado pôster na parede por puro amor, já tinha retirado o pôster da parede por pura vergonha. Não seria preciso mais um capítulo. Fim. Mas que nada. Seo Spielberg e Dr. Lucas estavam com mais saudades de Indiana do que eu. Então, quando se confirmou que haveria mesmo uma nova empreitada, suei um bocadinho frio. Fiquei imaginando se colocariam Indi pra buscar Atlântida, para descobrir Shangri-La ou para encontrar os quadros roubados do Masp. O medo maior, porém, era saber se o Harrison Ford conseguiria perseguir os bandidos na corrida ou precisaria de uma cadeira de rodas elétrica. Então estamos a uma semana de um novo encontro com Indi. Já vi todos os trailers. Já saquei que “O Reino da Caveira de Cristal” terá a Marion de volta – pra mim, a melhor mocinha de todas. Já espero gostar do papel de Shia LeBouef, porque um menino que dirige Transformers só pode ser bacana. Já estou com medo da nazista de Cate Blanchett, que é como ver a Rainha Elizabeth passando geral novamente, mas agora de cabelo chanel, calças e um sotaque alemão pra lá de safado. Porque filmes de Indiana são assim mesmo. Tem atores canastrões pelos quais a gente se apaixona. Tem perseguições de moto, lancha, cavalos, briga de facão, de socos e homens que querem arrancar corações sem bisturi e anestesia. Tem muita areia, poeira e sujeira. Tem umas relíquias fajutas e uma jóia de mocinho. Daqui sete dias, estarei no meio deles de novo, pronta para reencontrar o Indi. E agora ninguém pode me deixar em casa, porque eu já tenho o mapa do tesouro.
Eu sei que vou chorar Fla Wonka às 08:30 AM |
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