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Pequenas grandes frases Sempre que eu elogiava uma coisa da Tereza – fosse uma bolsa, uma blusa, uma presilha – ela dizia, com o desprendimento mais natural do mundo: “tá às ordens”. Jamais me esqueci desta frase e sempre tentei repeti-la – mas nunca consegui soar tão naturalmente generosa quanto a Tereza, minha colega de colégio e dos terríveis anos que compõem a adolescência. Sempre que eu chegava toda empolgada para o Zappa, meu ex-colega de trabalho, dando um milhão de idéias – “vamos mudar isso e aquilo e aquele outro no site tal!” – ele me respondia, com humildade inabalável: “eu sou um mero apertador de botões”. A frase jamais saiu da minha cabeça – mas quem disse que sou capaz de dizê-la com a sinceridade dele? Sempre que eu comentava com o Marcos sobre algum astro do cinema ou da tv que tinha batido as botas, ele arregalava uns olhos enormes e tascava: “morreu para você! Continua vivo nos nossos coraçõezinhos!”, jocoso e ao mesmo tempo sério, uma combinação impagável. Para ele, todos os grandes – e alguns nem tanto – continuavam vivos. Amo esta frase, mas nunca acertei a combinação correta de humor e reverência que ela contém. Sempre que eu dizia alguma coisa para a Regilaine – e podia ser uma coisa realmente difícil de entender ou qualquer acontecido bizarro – ela apertava os olhinhos e respondia com uma monossilábica interrogação onomatopéica: “hã?”. Simples assim. E eu morria de rir do jeito que ela dizia aquilo, um jeito que não tem como explicar em linhas. Quis imitar a mania, mas parecia arrogante. Às vezes a gente comum é mais admirável no cunho de pequenas grandes frases – pelo menos para mim – do que muitos imortais da filosofia. Clara McFly às 12:16 PM |
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