quarta-feira, 30 de abril de 2008

Cuidado com a ciranda

Todo mundo que tem um livro do coração deve morrer de medo de vê-lo transformado em filme. Não por birra, mas por temor de ver todas as camadas de sentimentos e todas as entrelinhas que só a literatura consegue fazer de repente transformadas em duas horas de cenas editadas. Eu compreendo esse sentimento. Então vou confessar que estou com muito, mais muito medo de saber que meu livro do coração, aquele que me é tão importante e querido, ganhará uma adaptação não para o cinema, mas para a televisão. Oh, céus, "Ciranda de Pedra" vai virar novela.

(Aí o leitor mais atento vai dizer "Mas 'Ciranda de Pedra' já virou novela...". Eu sei. Só que, em 1981, eu só assistia "Bambalalão" e "Curumim" e esses programas infantis, eu nem ligava para novela. E eu também não sabia ler, e não fazia idéia de quem Lygia Fagundes Telles era, muito menos o quanto tudo o que ela escreveu e escreveria me influenciaria no futuro. Então me deixa chorar minhas pitanguinhas, por favor.)

Depois do susto, a curiosidade bateu. Quero saber quem vai ser a Virgínia. E a Bruna, a Otávia, o Conrado, o Afonso, a Letícia. E a Frau Herta e o Tio Daniel. Aqueles personagens que eu tanto amo. Lá fui eu procurar o elenco da nova (velha) trama.

Tem Marcelo Anthony, tem Ana Paula Arósio, tem Bruno Galiasso. Me segura que eu vou ter um troço. E tem mais uma lista imensa de gente que eu nunca ouvi falar. Gente de verdade e gente de mentira. Sim, porque apareceu uma pá de personagens ali que sei lá de onde vieram. Um tal Silvério, um tal Emiliano, e até uma tal de Genilda! Tá forcando a amizade já, não tá não?

Não vou assistir a "Ciranda de Pedra", até porque já faz muito tempo que eu não assisto novela. E não sei se você tem costume de acompanhar folhetim global, ainda mais o das seis da tarde. Mas eis aí o romance escrito em 1954 que, independente do que a nova trama tente empurrar, conta a história de uma menina que simplesmente não consegue se encaixar na família que tem, que sempre foi uma estranha no ninho. Poucas vezes você vai ler sobre rejeição e rancor de um jeito tão sublime. E a isso adaptação alguma poderia fazer justiça.

Vivi Griswold às 09:08 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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