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Das coisas que eu achava sobre o Brasil É sério: quando pequena, ainda estudante inocente, eu achava que o Dom Pedro I era o filho e o Dom Pedro II era o pai. Afinal, 2 era mais do que 1. E também, aqueles retratos do moço já velho e do velho bem moço me confundiam pacas. Eu achava que a cobrança de um imposto chamado “quinto” era piada, porque o nome era ridículo demais. Eu achava, quando se falava sobre Dom João ter “aberto os portos”, que ele tria ido até o cais e cortado uma fita de inauguração onde, então, poderiam atracar as caravelas. Eu achava a Princesa Isabel era negra também – simplesmente porque eu não acreditava na bondade e decência de uma branquela. Eu achava que a Carta-Testamento de Getúlio, em alguma hora, dizia também para quem ele deixava seus pertences pessoais, como os tacos de golfe e relógio cuco da sala. Eu achava que a Coluna Prestes se chamava Comuna Prestes. Mas, vai, faria sentido... Eu achava muito, muito estranho, a América ter sido descoberta em 1492 por Colombo e o Brasil só oito anos mais tarde por Cabral. Porque a primeira já englobava o segundo, certo? E, em Matemática, aprendemos sobre conjuntos. Eu achava que Pedro Álvares Cabral tinha ficado no Brasil pra sempre, tendo vivido e morrido aqui. E sempre me perguntava onde ele estava enterrado – tendo como palpite que seria no Museu do Ipiranga, em São Paulo. Eu achava que o Tratado de Tordesilhas tinha realmente traçado uma linha sobre o território brasileiro. Uma linha mesmo, vermelho-vivo, pintada no chão. Eu achava que essa história de terem levado nosso pau-brasil era cascata, porque seria trabalho demais afanar madeira de tão longe (tal qual aquela história de navegar meio-mundo para buscar canela e pimenta, que era pura viagem). Já sobre o afanar de ouro, nessa eu acreditei de cara. Eu achava a expressão “república café-com-leite” a coisa mais vergonhosa, porque deixava o país com cara de uma gigantesca padaria. Pensando bem, ele por vezes é uma gigantesca padaria. Eu tinha dúvidas se era pra gente gostar do Getúlio Vargas ou odiar o Getúlio Vargas. Eu achava muito arriscado estudar sobre o AI-5, com medo de algum general nos ouvir e mandar nos prender. E também achava estranho ele ter sido promulgado em 13 de dezembro de 68, porque eu achava que a essa altura todo mundo já estava de férias. Eu achava esquisito ser feriado no dia da morte de Tiradentes, 21 de abril, mas não no dia do Descobrimento do Brasil, 22 de abril. Porque, com todo respeito ao Tiradentes e àquela coisa do esquartejamento e tal, o dia em que foi encontrado o país deveria ser feriado. Ainda se a gente pudesse emendar os dois, eu entenderia. Mas a História do Brasil tem esses lances complexos mesmo.
A caravela chamada Santa Maria era legal, a Nina era aceitável. Agora, um navio denominado Pinta?? Eu não entendia... Fla Wonka às 10:10 AM |
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