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Hay palavras A primeira vez que topei com a palavra “wit” foi em um e-mail que meu ex-chefe me mandou. Ele dizia que eu tinha, entre outras coisas, wit. Primeiro pensei que fosse um erro de digitação. Depois, vi que era difícil alguém teclar, por engano, letras tão longínquas como W, I e T. Aí, não quis pagar de ignorantona e fui correndo no dicionário olhar. Wit não era um erro de digitação e se tornou uma das minhas palavras favoritas. Wit é uma coisa assim, de rápido dizer. Com um fim elegantemente abrupto. Abrupto, aliás, também tem uma interrupção brusca. É quase uma palavra que se explica por si só. Como atropelamento. Eu não gostaria de experimentar, mas tenho a impressão de que atropelamento soa como seu significado, um embaralhado de pernas e braços e rodas e asfalto. Credo. Outras palavras têm o som do seu sentido. Mas levam isso tão a sério que podiam ser onomatopéias. Como crash, boom ou traque. “Onomatopéias”, abro um parêntese, não é um desses casos. Parece uma coisa cheia de pernas. Que, aliás, devia ser a definição de pernicioso. Taí: pernicioso – uma coisa cheia de pernas. O Michaelis me diz que não é nada disso. Pernicioso é nocivo, perigoso, prejudicial, ruinoso. Mas talvez pernicioso seja uma daquelas palavras cujo sentido se converteu com o tempo. No interessantíssimo artigo do Marcos Nogueira para uma Super de tempos atrás, eu li que boa parte das palavras que usamos hoje são metáforas modificadas – e, de tanto serem empregadas, perderam seu sentido original. Metáforas, por exemplo, tem sua origem no grego e, na raiz, significa transporte. Por isso os caminhões de mudança em Atenas têm a palavra pintada no baú, o que não deixa de ser muito poético: eles entregam metáforas. A gente faz a mesma coisa com as palavras: as transporta do significado concreto para o significado figurado. Até que elas virem o que a gente quer. O caso que me parece mais interessante é o de sarcástico. Sarcástico significa, em sua origem literal, “aquele que dilacera a carne”. Sarcástico, não? Fiquei doida para ler o livro no qual ele baseou o artigo: “The Unfolding of Language”, de Guy Deutshcer, publicado até agora só em inglês. Infelizmente, meu wit é meio limitado nesse sentido. Em outras palavras, tenho uma preguiça monstro de ler em inglês. Mas quem sabe você não tenha, e possa me contar suas descobertas depois.
Hay Semana Especial! O q??? Vc odeia posts escritus axim?!?!1 Entaum entra lah no meu forum e comenta aih, por favor!!!! Calma, não ficamos malucas nem fomos hackeadas. Apenas estamos completando cinco anos de atividades ininterruptas e queremos celebrar transformando o Garotas, por uma semana, no pior blog do mundo. Para isso, precisamos da sua ajuda. Clica aqui e participa! Clara McFly às 11:08 AM |
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