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Clá, nem te conto! Clá de Deus, eu estava voltando do trabalho por uma rota pouco usual e, à caminho do metrô, passei em frente de uma casa que você precisava ver! Sabe aquela mandinga de espantar visita inconveniente colocando uma vassoura atrás da porta como nossas avós costumavam fazer? Pois o cara conseguiu um jeito muito mais hilário de botar qualquer um que se aproxima da casa para correr! Não, Clá, não era um cachorro grande, barulhento e com dentes à mostra. O cara, acredite, tem um pôster do Prince pegando a porta inteira. É, o Prince, aquele cantor que um dia simplesmente desencanou de ter um nome (se bem que, você sabe, antes ser chamado por um símbolo do que, bem, por príncipe). E Clá, não é uma foto comum. O Prince está de sunga! S-U-N-G-A! É a visão do inferno, querida. Então eu só fiquei imaginando como o morador daquela casa nunca deve ter problemas com Testemunhas de Jeová, vendedores de Barsa e moradores de rua pedindo roupa. Quem, quem teria coragem de tocar a campainha de uma casa quando há o Prince de sunga olhando para você, me diz? Em outros tempos, esse relato aconteceria na hora do fato. Eu teria tirado o celular da bolsa e ligado para a Clarissa imediatamente. E aposto que ela não acreditaria em mim. Depois, no nosso próximo encontro, iríamos passar em frente à casa para eu provar a ela que sim, era a mais pura verdade: uma pessoa achou legal ter um pôster do Prince de sunga na porta de entrada da casa. Tiraríamos fotos e teríamos dado tanta risada. Mas agora meu celular não faz ligação internacional, estamos há horas de diferença e nem tenho idéia de quando será nosso próximo encontro. E tanto quanto tenho saudades daquela garota de bracinhos finos, sorriso largo e humor ímpar, eu tenho saudades de nossa cumplicidade nas pequenas coisas do cotidiano. Ah, feliz aniversário, doida. Vivi Griswold às 11:19 AM |
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