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Toys for big boys (or girls) Sabe-se que é um fenômeno mundial – e sem data para passar – essa coisa de gente grande com gostos de criança. Às vezes vem para tirar à forra um trauma de infância. A mãe não lhe deu uma bicicleta roxa de bolinhas no sétimo aniversário, sendo que molecada toda da rua tinha? Pois quando o sujeito faz 38 anos, ele compra a bicicleta roxa de bolinhas por uma grana imensa no eBay (e até manda colocar câmbio shimano e uma bandeirola na garupa). E tá certo, ué. Nunca é tarde para adquirir queridos brinquedos. Veio uma turma dizendo, tempos atrás, que isso era um movimento chamado “kidults”. Ou seja, palavra estrangeira e conjugada pra juntar os “kids” com os “adults”. Pra chamar a gente, que curte uma bobeirinha juvenil, de “criança tardia”. De bobo, mesmo. E quem se importa? Meu irmão não se importou quando, no ano passado, finalmente comprou a moto dos seus sonhos. Meu amigo André nem deu trela para os críticos ao adquirir uma pipoqueira, seu sonho de moleque gordinho e cinemaníaco. Veja eu: na beirada dos 33 e completamente apaixonada por uma boneca. Veruca é uma Blythe e me foi dada de presente pela Vivi, a parceira de invencionices que mora longe dos olhos, mas muito perto do coração. Eu explico a Blythe: foi uma boneca criada em 1972 (cerca de 30 cm, cabeçuda e cabeluda, cujos olhos contêm um mecanismo que a deixa com cara de psico). Durou um ano no mercado e foi descontinuada. Até que, nos anos 90, uma fotógrafa chamada Gina Garan ganhou uma Blythe de presente. O amigo (provavelmente um, ó termo estúpido, “kidult”) viu a talzinha em um brechó e encantou Gina com o regalo. Ela, na qualidade de retratista, levou a Blythe consigo mundo afora, clicando a danada em toda sua glória fotogênica – e depois publicando um livro. Foi o suficiente para a Blythe retornar, agora produzida em várias versões. Pois desde que a vi, quase um ano atrás, enlouqueci. É linda, zoiúda, tão meiga que dá vontade de bater papo com ela. Certo dia, quando abro o álbum virtual de Vivi, surtei. “Viv, você tem uma Blythe??”. “Flá... como assim, uma? Eu tenho 12”. Daí, como coleguinhas de escola, agora a gente troca idéias e moldes de roupa. Já comprei máquina de fazer waffler só porque era sonho de menina comer o quitute. Conheço quem, acima dos 30, adquiriu feliz máquina de fliperama, vitrolinha da Mônica, pogobol e piscina de armar só para, afinal, se divertir. Sem contar os meus meninos, que tiram campeonato de videogame na maior empolgação. E que não venham dizer “ah, vocês não tiveram infância?”. Ô, se tivemos. E foi tão boa que parte dela estará sempre conosco.
Veruca, diga 'olá' para o pessoal! Fla Wonka às 10:12 AM |
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