sábado, 19 de janeiro de 2008

Tchau, pinheirinho!

Quando eu era pequena, tinha uma coleção de livros de contos de fadas com as mais variadas histórias -- das famosas às mais obscuras. E uma dessas obscuras era um conto sobre um pinheirinho de Natal. Tudo começava bem, com o pinheirinho sendo o escolhido pela família, levado para a casa e enfeitado com os mais belos penduricalhos.

Após o Natal, porém, o pinheiro era abandonado e morria. Fim da história. Péssimo, não? Talvez por culpa da saga do pinheirinho do livro, eu nunca gostei de árvore de Natal de verdade. Todas as árvores da minha infância na verdade era uma árvore só: de plástico, comprada do Mappin. Era divertido enfiar os galhos artificiais num cano verde mais artificial ainda.

Contudo, o ritual de montar a árvore não durou muito, e uns bons doze anos se passaram até que eu decidi render-me à tradição de enfeitar um pinheiro novamente, nesse último Natal.

A dúvida logo bateu: vamos ter uma árvore artificial ou natural?

Optei logo por uma artificial. Mas quando fui comprar a dita cuja, percebi que as lojas só vendiam os mais gigantes (e caros) pinheiros de plástico de que se tem notícia. Onde eu enfiaria um monstro daquele?

Com a noite natalina se aproximando, precisei superar meu trauma do pinheirinho da história da minha infância. Fomos a um local que, anualmente, coloca árvores de todos os tamanhos e formatos para as famílias escolherem, e escolhemos a nossa: pequenina e linda.

Depois do Natal, notei que a pobre estava perdendo não apenas o verde, mas várias folhinhas. O cheiro de pinheiro também tinha ido embora fazia tempo. Era hora de enfrentar a verdade: pinheiro de Natal não tem chance. Teria meu pinheirinho teria o mesmo fim trágico?

Foi daí que eu descobri algo muito, muito legal. Aqui em São Francisco (não sei sobre os outros lugares dos Estados Unidos), os lixeiros passam recolhendo os pinheiros que as pessoas deixam na calçada. Em uma iniciativa muito bacana, os pinheiros que enfeitaram aquela noite especial são jogados em mares e lagos para servirem de habitat para muitas espécies marinhas.

Meu pinheirinho, que saiu da plantação com uma sentença de morte já declarada, agora deve estar em submerso em algum lugar, cheio de peixinhos. Eu gosto da idéia. E espero que ele também esteja gostando.

Vivi Griswold às 11:57 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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